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Um dos seus principais mentores filosóficos, Karl Marx, postulou que o comunismo seria a

fase final do desenvolvimento da sociedade humana e que isso seria alcançado através de
uma revolução proletária, isto é, uma revolução encabeçada pelos trabalhadores
das cidades e do campo. O "comunismo puro", no sentido marxista, refere-se a uma
sociedade sem classes (sociedade regulada), sem Estado(ácrata ou apátrida) e livre de
quaisquer tipos de opressão, onde as decisões sobre o que produzir e quais as políticas
devem prosseguir são tomadas democraticamente e permitindo dessa maneira que cada
membro da sociedade organizada possa participar do processo, tanto na esfera política e
econômica da vida pública e/ou privada. Marx nunca forneceu uma descrição detalhada de
como o comunismo poderia funcionar como um sistema econômico (tal foi feito,
por Lenin),[4] mas subentende-se que uma economia comunista consistiria de propriedade
comum dos meios de produção, culminando com a negação do conceito de propriedade
privada do capital, que se refere aos meios de produção na terminologia marxista. No uso
moderno, o comunismo é, muitas vezes, usado para se referir ao bolchevismo, na Rússia.
Como um movimento político, o sistema comunista teve governos, em regra, com uma
preocupação de fundo para com o bem-estar do proletariado,[5] segundo o princípio "de
cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades".[6]
Como uma ideologia política, o comunismo é geralmente considerado como a etapa final
do socialismo. Este consiste num grupo amplo de filosofias econômicas e políticas ligadas
a vários movimentos políticos e intelectuais e a trabalhos de teóricos da Revolução
Industrial e da Revolução Francesa. O socialismo seria uma fase prévia necessária de
acumulação de capital, antes do advento do comunismo.[2] O comunismo pode-se dizer
que é o contrário do capitalismo, oferecendo uma alternativa para
os problemas da economia de mercado capitalista e do legado do imperialismo e
do nacionalismo. Marx afirma que a única maneira de resolver esses problemas seria
pela classe trabalhadora (proletariado), que, segundo Marx, são os principais produtores
de riqueza na sociedade e são explorados pelos capitalistas de classe (burguesia). A
classe trabalhadora substituiria a burguesia, a fim de estabelecer uma sociedade livre, sem
classes ou divisões raciais.[2] As formas dominantes de comunismo, como o leninismo e
o maoismo, são baseadas no marxismo, embora cada uma dessas formas tenha
modificado as ideias originais. Também existem versões não marxistas do comunismo,
como o comunismo cristão e o anarcocomunismo.
As doutrinas comunistas mais antigas, anteriores à Revolução Industrial, punham toda
ênfase nos aspectos distributivistas, colocando a igualdade social, isto é, a abolição
das classes e estamentos, como o objetivo supremo. Com Karl Marx (1818-1883)
e Friedrich Engels (1820-1895), fundadores do chamado "socialismo científico", a ênfase
deslocou-se para a plena satisfação das necessidades humanas, possibilitada pelo
desenvolvimento tecnológico: mediante a elevação da produtividade do trabalho humano,
a tecnologiaproporcionaria ampla abundância de bens, cuja distribuição poderia deixar de
ser antagônica, realizando-se a igualdade numa situação de bem-estar geral. A partir
dessa formulação, que teve uma profunda influência sobre o comunismo contemporâneo,
a sociedade comunista seria o coroamento de uma longa evolução histórica. Os regimes
"anteriores", principalmente o capitalismo e o socialismo, cumpririam o seu papel histórico
ao promover o aumento da produtividade e, portanto, as pré-condições da abundância,
que caberia ao comunismo transformar em plena realidade. Enquanto o capitalismo
desempenha esse papel mediante a emulação da concorrência, o socialismo deveria
manter, em certa medida, essa emulação ao repartir os bens ainda escassos "a cada um
segundo o seu trabalho". Só o comunismo, que corresponderia ao pleno "reino da
liberdade e da abundância", poderia instaurar a repartição segundo o princípio de "a cada
um segundo sua necessidade".