Você está na página 1de 179

Aviso

Legal
Os ebooks da editora Campus/Elsevier não vêm acompanhados de CDs, DVDs ou anexos que possam
estar indicados nas imagens da capa e interior do livro. Sua compra refere-se exclusivamente ao
conteúdo do livro em formato eletrônico.
Matemática Financeira

Objetiva e Aplicada

EDIÇÃO COMPACTA

Abelardo de Lima Puccini

Adriana Puccini
Obrigado por adquirir este e-book
Esta obra é acompanhada de conteúdo complementar. Para acessá-lo, encaminhe a confirmação de
compra deste e-book para pin@elsevier.com.br, solicitando seu código de acesso.
Sumário

Capa

Aviso Legal

Folha de rosto

Obrigado por adquirir este e-book

Cadastro

Copyright

Nota do Autor à Edição Compacta

Sobre os Autores
Abelardo De Lima Puccini

Adriana Puccini

Prefácio

Nota dos Autores Sobre o Conteúdo do CD

Capítulo 1. Conceitos Básicos e Simbologia


1.1 Introdução

1.2 Fluxo De Caixa — Conceitos E Convenções Básicas

1.3 Juros

1.4 O Valor Do Dinheiro No Tempo


1.5 A Matemática Financeira — Fundamentos E Objetivos

1.6 Moeda Estável E Inflação

1.7 Simbologia Adotada

1.8 O Enfoque Adotado

Capítulo 2. Juros Simples e Compostos — Conceitos


2.1 Introdução

2.2 Juros Simples — Crescimento Linear

2.3 Juros Compostos — Crescimento Exponencial

2.4 Análise Dos Exemplos Numéricos

2.5 Resumo

2.6 Problema Proposto

Observação:

Capítulo 3. Juros Simples — Fórmulas Básicas


3.1 Introdução

3.2 Capitalização Simples

3.3 Desconto “Por Dentro”, Ou Racional

3.4 Desconto “Por Fora”, Ou Comercial

3.5 Relação Entre As Taxas De Desconto “Por Dentro” E “Por Fora”

3.6 Desconto De Títulos — Exemplos

3.7 Resumo

3.8 Problemas Propostos

Capítulo 4. Juros Compostos – Capitalização e Desconto


4.1 Introdução

4.2 Capitalização E Desconto “Por Dentro”, Ou Racional

4.3 Desconto “Por Fora”

4.4 Problemas Resolvidos

4.5 Resumo

4.6 Problemas Propostos

Capítulo 5. Taxa de Juros


5.1 Introdução

5.2 Taxa Efetiva

5.3 Taxas Proporcionais — Juros Simples

5.4 Taxas Equivalentes — Juros Compostos

5.5 Taxa Nominal

5.6 Taxas Proporcionais Versus Taxas Equivalentes

5.7 Outras Denominações

5.8 Resumo

5.9 Problemas Propostos

Capítulo 6. Série Uniforme — Prestações Iguais


6.1 Introdução

6.2 Dado PMT, Achar FV

6.3 Dado FV, Achar PMT

6.4 Dado PMT, Achar PV

6.5 Dado PV, Achar PMT

6.6 Problemas Resolvidos

6.7 Resumo

6.8 Problemas Propostos

Capítulo 7. Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno


7.1 Introdução

7.2 Valor Presente E Taxa De Desconto

7.3 Valor Presente Líquido E Taxa Interna De Retorno

7.4 Resumo

7.5 Problemas Propostos

Capítulo 8. Equivalência de Fluxos de Caixa


8.1 Introdução

8.2 Conceito De Equivalência

8.3 Planos Equivalentes De Financiamento

8.4 Exemplos Numéricos

8.5 Resumo
8.6 Problemas Propostos

Capítulo 9. Fluxos de Caixa Não Homogêneos


9.1. Introdução

9.2. Expressão Genérica Do Valor Presente Líquido

9.3. Utilização Da Calculadora HP-12C E Da Planilha Excel

9.4. Resumo

9.5. Problemas Propostos

Capítulo 10. Fluxos de Caixa e Inflação


10.1 Introdução

10.2 Índice Para Inflação

10.3 Taxas De Inflação, De Juros Real E De Juros Nominal

10.4 Modelo Pós-Fixado

10.5 Modelo Prefixado

10.6 Resumo

10.7 Problemas Propostos

Respostas dos Problemas Propostos


Capítulo 2 — Juros Simples E Compostos — Conceitos

Capítulo 3 — Juros Simples — Fórmulas Básicas

Capítulo 4 — Juros Compostos — Capitalização E Desconto

Capítulo 5 — Taxas De Juros

Capítulo 6 — Série Uniforme — Prestações Iguais

Capítulo 7 — Valor Presente Líquido — Taxa Interna De Retorno

Capítulo 8 — Equivalência De Fluxos De Caixa

Capítulo 9 — Fluxos De Caixa Não Homogêneos

Capítulo 10 — Fluxos De Caixa E Inflação


Cadastro

Preencha a ficha de cadastro no final deste livro e receba gratuitamente informações


sobre os lançamentos e as promoções da Editora Campus/Elsevier.
Consulte também nosso catálogo completo e últimos lançamentos em
www.elsevier.com.br
Copyright
© 2011, Elsevier Editora Ltda.

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998.


Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou
transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação
ou quaisquer outros.

Revisão: Wilton Palha


Editoração Eletrônica: ERJ Composição Editorial

Elsevier Editora Ltda.


Conhecimento sem Fronteiras
Rua Sete de Setembro, 111 – 16o andar
20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Rua Quintana, 753 – 8o andar


04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP

Serviço de Atendimento ao Cliente


0800-0265340
sac@elsevier.com.br

ISBN 978-85-352-4673-5
ISBN (versão eletrônica): 978-85-352-4731-2

Nota: Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros
de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação
ao nosso Serviço de Atendimento ao Cliente, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão.
Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a
pessoas ou bens, originados do uso desta publicação.

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

P972m

Puccini, Abelardo de Lima, 1942-


Matemática financeira : objetiva e aplicada / Abelardo de Lima Puccini, Adriana Puccini.
- Ed. compacta. - São Paulo : Elsevier, 2011.

Acompanhado do CD
ISBN 978-85-352-4673-5

1. Matemática financeira. I. Puccini, Adriana. II. Título.

11-1795. CDD: 650.01513


CDU: 51-7
Nota do Autor à Edição Compacta
Esta edição compacta tem como referência o livro Matemática Financeira Objetiva e Aplicada, já
consagrado pelo mercado universitário e corporativo. Apesar de ter sido reduzido, praticamente, à
metade do que lhe deu origem, sua estrutura principal foi mantida, permanecendo, ainda, a
abordagem prática da Matemática Financeira. A redução deu-se, basicamente, na exclusão de alguns
exemplos resolvidos, tendo sido a parte conceitual, em alguns trechos, reescrita de forma mais
sintética, sem exagerada preocupação com demonstrações de fórmulas e aprofundamento teórico.
O capítulo sobre Análise de Investimentos e os apêndices, que trazem material explicativo sobre a
calculadora HP-12C e a planilha eletrônica Excel, também foram retirados. Para ter acesso a esse
conteúdo, cujo entendimento é fundamental para tomada de decisão de investimentos e manuseio de
fluxos de caixa, em nível mais avançado, o leitor deve consultar a versão completa do livro
Matemática Financeira Objetiva e Aplicada, 2ª edição.
O objetivo desta edição compacta é, portanto, oferecer um bom conhecimento dos principais
conceitos da matemática financeira, por meio de uma abordagem simples e prática, aos leitores e
alunos que não necessitem de um maior aprofundamento na matéria. Através dos recursos da
calculadora HP-12C e da planilha eletrônica Excel, os procedimentos são demonstrados passo a
passo, priorizando o desenvolvimento natural do raciocínio por parte do leitor.
Os nove primeiros capítulos são desenvolvidos na hipótese de moeda estável, sem inflação, de
acordo com o tratamento convencional da matéria. Essa moeda é representada genericamente pelo
símbolo $, que pode corresponder à moeda corrente de qualquer país com economia estável.
O Capítulo 10 — Fluxos de Caixa e Inflação — mostra a aplicação da Matemática Financeira
quando a moeda não é estável, perdendo o seu valor, ao longo do tempo, pelo fenômeno da inflação.
A taxa de juros que inclui a inflação passou a ser denominada “Taxa Nominal”, em substituição à
nomenclatura “Taxa Aparente”, adotada na 1ª edição.
No total são mais de 100 exemplos propostos e resolvidos, que ilustram as diferentes utilidades da
Matemática Financeira no nosso cotidiano: cálculo de juros de crediários, operações de leasing,
rentabilidade de títulos, valor das prestações de um financiamento, escolha da melhor opção de
investimento etc.
O principal diferencial desta 2ª edição é a inclusão do “CD do Leitor” como parte integrante do
livro. O CD contém um Banco de Testes com 150 problemas resolvidos e o Simulador da HP-12C
para download.
O Simulador da HP-12C é utilizado ao longo do livro como forma didática de mostrar a solução
dos problemas, na medida em que sua apresentação esquemática facilita o registro dos dados e pela
semelhança que o simulador tem com a calculadora.
O Banco de Testes, com estrutura de fácil uso, contém problemas resolvidos que foram
especialmente selecionados com o objetivo de consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do
livro e de preparar candidatos para provas de concursos públicos.
A partir do banco de testes podem ser montadas provas de autoavaliação para cada capítulo do
livro, com respostas de múltipla escolha. As provas são facilmente estruturadas com 10 questões
selecionadas aleatoriamente a partir de três níveis de dificuldade.
Na resolução das provas, o leitor pode ter fácil acesso ao Simulador da HP-12C e, ao fazer sua
opção de resposta, o programa automaticamente faz a correção da questão e, no final da prova,
fornece a nota final alcançada.
Com as atualizações e inovações introduzidas nesta 2ª edição, o livro ganha novo fôlego para
enfrentar a competente concorrência do mercado.
Abelardo de Lima Puccini e Adriana Puccini.
Sobre os Autores

Abelardo de Lima Puccini


Engenheiro Civil pela PUC/RJ, formado em 1964, com curso de mestrado em Engenharia
Econômica obtido na Universidade de Stanford, Califórnia, em 1967.
De 1967 a 1970 foi Professor Associado do Departamento de Engenharia Industrial e do Rio
Datacentro da PUC/RJ, em regime de tempo integral.
De 1970 a 1979 exerceu funções executivas na área financeira de empresas do governo (Vale do
Rio Doce, Nuclebrás e BNDES).
Atuou como Diretor Financeiro da Aracruz Celulose de 1979 a 1983 e, em seguida, foi
Superintendente Geral da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro até o final de 1988, quando assumiu a
função de Presidente Executivo do Grupo Supergasbras, onde permaneceu até 1992. De 1993 a 1997
atuou como Diretor Administrativo Financeiro da Casas Sendas.
No sistema Petrobras exerceu as funções de Diretor Financeiro da Petrobras Distribuidora (2001 a
2003) e de Presidente da Liquigás Distribuidora (2004 e 2006).
É professor de Matemática Financeira, Análise de Investimentos e Fundamentos de Finanças em
programas de pós-graduação de diversas instituições de ensino, do governo e da área privada.

Adriana Puccini
Engenheira Elétrica com Mestrado em Finanças pelo Departamento de Engenharia Industrial da
PUC/RJ.
Trabalhou nas áreas financeiras e de marketing da Aracruz Celulose, IBM do Brasil, Ceras
Johnson e Companhia Siderúrgica Nacional.
Na área educacional, trabalhou na Escola 24horas, empresa pioneira em novas formas de apoio
aos processos de ensino e aprendizagem para a comunidade escolar e corporativa, através da
Internet, e na FGV online, onde atuou como Coordenadora da Área de Gerência de Projetos e hoje
atua como tutora de cursos à distância.
Prefácio
Os relatórios financeiros publicados pelas empresas costumam destacar a qualidade dos ativos entre
os aspectos mais relevantes para o seu desempenho. Balanços patrimoniais detalham os ativos para
possibilitar a avaliação por analistas financeiros, mas é cada vez mais forte a impressão de que o
principal ativo de uma empresa não aparece em seu balanço: trata-se do conhecimento acumulado
pelos gestores e demais profissionais, responsável pela capacidade de inovar e diferenciar produtos,
serviços e processos, criando vantagens competitivas sustentáveis no longo prazo.
Questão semelhante pode ser observada com as medidas de desenvolvimento dos países. Cada vez
mais, reforça-se a percepção de que medidas como o Produto Interno Bruto (PIB) são incapazes de
refletir o verdadeiro estágio de desenvolvimento, buscando-se alternativas, como o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), da Organização das Nações Unidas, que incorpora dimensões
voltadas ao capital humano.
O conhecimento, essência deste capital, pode ser classificado na teoria econômica como um ativo
não rival, ou seja, que pode pertencer a mais de um proprietário sem que qualquer deles seja privado
do seu uso pleno. Entender a natureza do conhecimento talvez seja o primeiro passo para a
compreensão da própria evolução da humanidade.
Ao longo dos séculos, o conhecimento serviu tanto para a melhoria do bem-estar, como para a
dominação de pessoas e povos. Algumas vezes foi aprisionado em estantes, como complemento da
decoração do ambiente; em outras serviu como instrumento de ação no dia a dia das pessoas e
instituições.
Ao examinar este livro para escrever o prefácio, percebi que ele nascera em linha com o que me
parece ser a visão adequada do conhecimento, combinando precisão conceitual, direcionamento para
a aplicação e esforço para disseminação entre o maior número possível de interessados. O texto teve
como ponto de partida o conteúdo consistente e sempre atualizado do livro Matemática Financeira
Objetiva e Aplicada, do prof. Abelardo de Lima Puccini, utilizado ao longo de muitos anos por um
número incontável de alunos e professores. O objetivo principal do novo livro, batizado de
Matemática Financeira Objetiva e Aplicada – Edição Compacta, foi facilitar o acesso ao
conhecimento para aqueles que precisavam de um entendimento claro apenas dos aspectos
fundamentais do assunto, compatibilizando os custos com os benefícios almejados no processo de
aprendizado.
A espinha dorsal do livro original foi mantida, conservando-se a abordagem prática da Matemática
Financeira. Foram reduzidos os exemplos resolvidos e os problemas propostos, eliminados os
apêndices e reescritos, de forma mais resumida, alguns trechos da parte conceitual.
O autor, prof. Abelardo de Lima Puccini, trabalhou em parceria com Adriana Puccini, ambos meus
amigos de longa data. Duas gerações, o mesmo talento e a mesma preocupação em unir tradição e
inovação; uma prova de que o conhecimento e sua aplicação responsável são elos fortes a unir a
humanidade através dos tempos. Aos dois, pai e filha, meus parabéns por mais esta realização.
Aos leitores, sejam professores, alunos ou profissionais, desejo que aproveitem bem este novo
livro, atuando, cada um no seu tempo e espaço, como agentes da disseminação e aplicação do
conhecimento.
Celso Funcia Lemme
Instituto Coppead de Administração
Universidade Federal do Rio de Janeiro
12 de junho de 2005
Nota dos Autores Sobre o Conteúdo do CD
A partir desta 2ª edição passamos a incluir o “CD do Leitor” como parte integrante da obra, com a
principal finalidade de oferecer ao leitor uma alternativa digital para colocar em prática os
conhecimentos adquiridos no livro-texto. Assim, em parceria com a Editora Elsevier, desenvolvemos
um Banco de Questões interativo com 150 problemas propostos e resolvidos, abrangendo todo o
conteúdo da obra.
O Banco de Questões, principal aplicativo deste CD, tem uma estrutura de fácil uso e oferece ao
leitor duas opções de provas, com respostas de múltipla escolha:
A prova customizada, na qual o leitor tem a flexibilidade de criar a sua própria prova, definindo os
capítulos do livro que nela devem ser incluídos, a quantidade de questões e seu nível de dificuldade
(alta, média ou baixa).
A prova padronizada, com 10 questões geradas automaticamente pelo sistema, composta por
problemas de todos os capítulos do livro a partir dos três níveis de dificuldade.
O sistema faz automaticamente a correção de cada questão e, ao final, fornece o resultado da
prova. Na Solução dos Problemas o leitor pode utilizar o Simulador da HP-12C e ter acesso à
solução do autor para todos os problemas propostos.
Além do Banco de Questões o “CD do Leitor” inclui os seguintes conteúdos:
Simulador da HP-12C
O Simulador da HP-12C é um arquivo Excel que reúne as suas principais funções financeiras com
uma apresentação esquemática para facilitar o registro dos dados, e que tem uma aparência
semelhante à calculadora HP-12C, na medida em que apresenta na sua parte superior as teclas n, i, PV,
PMT e FV e na sua parte inferior o visor da calculadora. Ele é utilizado na solução dos problemas do
livro, de forma simples e didática, como se fosse a própria calculadora HP-12C. A sua montagem
está explicada, em detalhes, no Apêndice B – Funções Financeiras do Excel.
Apêndice A – Utilização da HP-12C
Neste Apêndice mostramos as operações básicas da calculadora e a utilização das suas principais
funções financeiras na solução de problemas, que também são resolvidos por meio do Simulador da
HP-12C. A sua leitura é recomendada para os leitores que estão tendo o primeiro contato com a
matéria.
Apêndice B – Funções Financeiras do Excel
Neste Apêndice apresentamos uma revisão das nomenclaturas e convenções adotadas na
representação de fluxos de caixa e mostramos a forma de operar das principais funções financeiras
da planilha EXCEL, com todos os detalhes da montagem do Simulador da HP-12C. Sua leitura é
recomendada para os leitores que estão tendo o primeiro contato com a matéria.
Apêndice C – Uso de Tabelas Financeiras
Neste Apêndice apresentamos o Uso das Tabelas Financeiras, método tradicional da Matemática
Financeira, na solução de problemas mediante a utilização única e exclusiva de fatores
preestabelecidos. Sua leitura é recomendada para os leitores que pretendem prestar concursos
públicos que, normalmente, não permitem o acesso às calculadoras e/ou planilhas eletrônicas.
Abelardo de Lima Puccini
Adriana Puccini
C AP Í T U L O 1

Conceitos Básicos e Simbologia

1.1 Introdução
Este capítulo introduz os conceitos básicos e os principais fundamentos que norteiam o estudo da
Matemática Financeira. São apresentados os conceitos de fluxo de caixa e, ainda, as convenções e
simbologias adotadas nas suas representações.
O valor do dinheiro no tempo e a existência dos juros são elementos interligados e indispensáveis
ao desenvolvimento do estudo da Matemática Financeira.

1.2 Fluxo de Caixa — Conceitos e Convenções Básicas


Denomina-se fluxo de caixa o conjunto de entradas e saídas de dinheiro (caixa) ao longo do tempo.
Podemos ter fluxos de caixa de empresas, de investimentos, de projetos, de operações financeiras etc.
A elaboração do fluxo de caixa é indispensável na análise de rentabilidades e custos de operações
financeiras, e no estudo de viabilidade econômica de projetos e investimentos.
A representação do fluxo de caixa é feita por meio de tabelas e quadros, ou esquematicamente,
como na Figura 1.1 :

FIGURA 1.1 Fluxo de caixa

em que são respeitadas as seguintes convenções:


a) a escala horizontal representa o tempo, dividido em períodos descontínuos, expresso em dias,
semanas, meses, trimestres, semestres ou anos. Os pontos 0, 1, 2, 3,…,n substituem as datas de
calendário, e são estipulados em função da necessidade de indicarem as posições relativas entre
as diversas datas. Assim, o ponto 0 representa a data inicial (hoje), o ponto 1 indica o final do 1o
período e assim por diante;
b) os intervalos de tempo de todos os períodos são iguais;
c) os valores monetários só podem ser colocados no início ou no final de cada período, dependendo
da convenção adotada. Nenhum valor pode ser colocado ao longo dos períodos, uma vez que eles
não são contínuos. Assim, quando os períodos correspondem a trimestres, não há condição de se
indicar um valor ao longo do trimestre. Uma solução possível, nesse caso, é diminuir a unidade
de tempo dos períodos, por exemplo, para meses;
d) as saídas de caixa correspondem aos pagamentos, têm sinais negativos e são representadas por
setas apontadas para baixo;
e) as entradas de caixa correspondem aos recebimentos, têm sinais positivos e são representadas por
setas apontadas para cima.

1.3 Juros
1.3.1 Conceito
Juros são definidos como sendo a remuneração do capital, a qualquer título.
Assim, são válidas as seguintes expressões como conceitos de juros:
a) remuneração do capital empregado em atividades produtivas;
b) custo do capital de terceiros;
c) remuneração paga pelas instituições financeiras sobre o capital nelas aplicado.

1.3.2 Unidade De Medida


Os juros são fixados por meio de uma taxa percentual que sempre se refere a uma unidade de tempo
(ano, semestre, trimestre, mês, dia).
Exemplos:
12% ao ano = 12% a.a.
4% ao semestre = 4% a.s.
1% ao mês = 1% a.m.

1.3.3 Regimes De Juros Adotados


Os regimes de juros estudados na Matemática Financeira são conhecidos como juros simples e juros
compostos.
No regime de juros simples, apenas o capital inicial, também chamado de principal, rende juros.
Juros não são capitalizados e, consequentemente, não rendem juros. O regime de juros simples é
apresentado, com detalhes, nos Capítulos 2 e 3.
No regime de juros compostos, somam-se os juros do período ao capital para o cálculo de novos
juros nos períodos seguintes. Juros são capitalizados e passam a render juros. O regime de juros
compostos é apresentado nos Capítulos 2 e 4.

1.4 O Valor do Dinheiro no Tempo


A Matemática Financeira está diretamente ligada ao valor do dinheiro no tempo, que, por sua vez,
está interligado à existência da taxa de juros.
Do ponto de vista da Matemática Financeira, $1.000,00 hoje não são iguais a $1.000,00 em
qualquer outra data, pois o dinheiro cresce no tempo ao longo dos períodos, devido à taxa de juros
por período.
Assim, um capital de $1.000,00 aplicado hoje, com uma taxa de juros de 8% a.a., implicará um
rendimento anual de $80,00, proporcionando um montante de $1.080,00 no final de um ano.
Pode-se dizer que considerando uma taxa de juros de, por exemplo, 8% a.a., é indiferente termos
$1.000,00 hoje ou $1.080,00 daqui a um ano.
Um capital de $1.000,00 hoje somente será igual a $1.000,00 daqui a um ano na hipótese irreal da
taxa de juros ser considerada igual a zero.

1.5 A Matemática Financeira — Fundamentos e Objetivos


É importante que fiquem claros para o leitor os principais objetivos da Matemática Financeira, bem
como seu mandamento fundamental.
Objetivos Principais:
a) a transformação e o manuseio de fluxos de caixa, com a aplicação das taxas de juros de cada
período, para se levar em conta o valor do dinheiro no tempo;
b) a obtenção da taxa interna de juros que está implícita no fluxo de caixa;
c) a análise e a comparação de diversas alternativas de fluxos de caixa.
Mandamento Fundamental:
a) os valores de uma mesma data são grandezas que podem ser comparadas e somadas
algebricamente; valores de datas diferentes são grandezas que só podem ser comparadas e
somadas algebricamente depois de serem movimentadas para uma mesma data, com a correta
aplicação de uma taxa de juros.

1.6 Moeda Estável e Inflação


Nos nove primeiros capítulos, a matéria está desenvolvida na hipótese de moeda estável, isto é,
assumindo-se que a moeda utilizada no fluxo de caixa mantém o mesmo poder aquisitivo ao longo
do tempo. Essa moeda é genericamente representada pelo símbolo $, e pode corresponder ao real, ao
dólar americano, àcoroa sueca, ao euro, ou à moeda de qualquer país com economia estável.
O Capítulo 10 mostra os reflexos da inflação na análise dos fluxos de caixa, segundo os Modelos
Prefixado e Pós-Fixado. Os conceitos de Matemática Financeira não sofrem alteração em função da
taxa de juros e são integralmente aplicáveis tanto nos fluxos de caixa sem inflação, expressos em
moeda estável “forte”, como nos fluxos de caixa com inflação, expressos em moeda “fraca”. A
diferença básica existente nos dois modelos refere-se ao valor percentual da taxa de juros a ser
adotado em cada caso, que irá refletir a manutenção ou perda do poder aquisitivo da moeda ao longo
do tempo.

1.7 Simbologia Adotada


A simbologia e a convenção utilizadas em todo o compêndio para os diversos elementos de um fluxo
de caixa são idênticas àquelas adotadas por todas as calculadoras da marca HP, inclusive pela HP-
12C. Será mantida a simbologia adotada pelo livro Matemática Financeira Objetiva e Aplicada1 , obra
que deu origem a esta edição compacta.
As grandezas monetárias podem ser representadas no fluxo de caixa de acordo com as convenções
de final de período e de início de período, que são apresentadas a seguir.

1.7.1 Diagrama Padrão — Convenção De Final De Período —


Série PMT Postecipada
A representação dos fluxos de caixa, de acordo com essa convenção, se faz segundo o diagrama
indicado a seguir. Esse diagrama será usado como referência para a apresentação de diversos
conteúdos ao longo do livro e, por esse motivo será denominado Diagrama Padrão:
Pela convenção de final de período, todos os valores monetários que ocorrem durante um período
são indicados no final do período correspondente, uma vez que não podem ser representados ao
longo dos períodos, pois não são contínuos. Os elementos do Diagrama Padrão do Fluxo de Caixa
estão definidos a seguir.

1.7.1.1 Calculadora HP-12C


A Calculadora HP-12C adota as seguintes convenções e simbologias para definir os elementos do
Diagrama Padrão do Fluxo de Caixa:

Em relação aos elementos do Diagrama Padrão são relevantes os seguintes comentários:


a) os intervalos de tempo de todos os períodos são iguais. Assim, por exemplo, todos os meses têm
a mesma duração de 30 dias;
b) a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve necessariamente coincidir com a unidade
referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n;
c) os problemas comuns de Matemática Financeira envolvem, em geral, apenas quatro elementos,
sendo que dois deles são obrigatoriamente a taxa de juros i e o número de períodos n. Os outros
dois elementos a serem relacionados podem ser PV com FV, PV com PMT, e FV com PMT;
d) as fórmulas deste compêndio são desenvolvidas apenas para este Diagrama Padrão, assumindo a
convenção de final de período. Os problemas que se enquadram nessa situação têm solução
imediata. Os demais problemas deverão ser enquadrados nesse Diagrama Padrão mediante
desdobramentos e outros artifícios que não alteram o enunciado do problema;
e) a Calculadora HP-12C está preparada para resolver os problemas que se enquadram neste
Diagrama Padrão, com a convenção de final de período. Ressaltamos os seguintes pontos:
a calculadora está preparada para utilizar a convenção de final de período quando a função END
estiver ativa (acione as teclas g e END, e verifique se a palavra BEGIN não aparece indicada no
visor);
a calculadora deve apresentar sempre a letra C indicada no visor (pressionar concomitantemente
as teclas STO e EEX), para que realize todos os cálculos a juros compostos, independentemente
do valor de n ser um número inteiro ou fracionário;
os valores monetários sejam de PV, FV ou PMT devem ser registrados na calculadora sempre de
acordo com a convenção de sinal, isto é, as entradas de caixa (recebimentos) devem ter o sinal
positivo (+), e as saídas de caixa (pagamentos) devem ter o sinal negativo (–);
os problemas que envolvem apenas quatro elementos devem ser resolvidos com o registro do
número zero para o elemento monetário (PV, FV ou PMT) que não participa do problema;
os valores do número de períodos n podem ser números inteiros ou fracionários. Por exemplo, n
pode ser registrado em anos, fração de ano, fração de mês etc.;
o registro de uma taxa de juros de 8%, por exemplo, deve ser feita com a colocação do número 8
na tecla correspondente a i. A calculadora, internamente, faz as operações com 8%, isto é, com
8/100 = 0,08;
a calculadora sempre interliga os cinco elementos (n, i, PV, PMT e FV). Por exemplo, no caso de
obtenção do PV, a HP-12C calcula a seguinte relação:

(1.1)
1.7.1.2 Planilha Eletrônica Excel
A Planilha Eletrônica Excel dispõe de funções financeiras básicas que têm exatamente as mesmas
definições e convenções da HP-12C. Na sua versão em português, a Planilha Excel batiza os
elementos financeiros do Diagrama Padrão do Fluxo de Caixa (Figura 1.2 ) de forma diferente da
HP-12C, conforme mostramos na tabela a seguir:

FIGURA 1.2 Diagrama Padrão — convenção de final de período Série PMT postecipada
Tabela 1.1

A Planilha Eletrônica Excel tem amplas condições de resolver os problemas que se enquadram no
Diagrama Padrão do Fluxo de Caixa, com a convenção de final de período. Ressaltamos os seguintes
pontos:
a) o parâmetro TIPO seja igual a zero (TIPO = 0) para que as funções financeiras da Planilha Excel
utilizem a convenção de final de período. Na ausência dessa informação, as funções financeiras do
Excel assumem essa condição, e as operações são realizadas segundo essa convenção;
b) os valores do número de períodos NPER podem ser números inteiros ou fracionários;
c) os valores monetários (VP, VF e PGTO) devem ser registrados na planilha de acordo com a
convenção de sinal também adotada pela HP-12C;
d) os problemas que envolvem apenas quatro elementos devem ser resolvidos com o registro do
número zero para o elemento monetário (VP, PGTO ou VF) que não participa do problema, tal
como na HP-12C;
e) as funções financeiras do Excel, tal como na HP-12C, sempre interligam os cinco elementos
(NPER, TAXA, VP, PGTO e VF). Por exemplo, a função financeira VP sempre calcula a seguinte
relação:

(1.2)

1.7.2 Convenção De Início De Período — Série PMT


Antecipada
A representação dos fluxos de caixa, de acordo com a convenção de início de período, se faz
segundo o diagrama mostrado a seguir:
Pela convenção de início de período, todos os valores monetários que ocorrem durante um
período são indicados no início do período correspondente, uma vez que não podem ser
representados ao longo dos períodos, pois eles não são contínuos.
Em relação ao diagrama da Figura 1.3 , destacamos que os cinco elementos do fluxo de caixa (n, i,
PV, FV e PMT) têm definições idênticas às do Diagrama Padrão, exceto com relação ao
posicionamento dos valores monetários, que, agora, são colocados no início de cada período.
FIGURA 1.3 Convenção de início de período — Série PMT Antecipada

São, portanto, válidos todos os comentários anteriores a respeito do relacionamento dessas


grandezas, exceto com referência aos pontos destacados a seguir:
a) a convenção de início de período não altera as posições relativas de PV e FV usadas no Diagrama
Padrão. Observar que nas duas convenções (início e final de períodos) a distância relativa entre
PV e FV é sempre igual a n períodos;
b) de acordo com essa convenção, a Série Uniforme PMT passa a ser antecipada, pois as prestações
ocorrem no início de cada período de capitalização de juros;
c) a HP-12C está preparada para resolver os problemas que envolvam a Série Antecipada, bastando,
para isso, que a calculadora esteja com a função BEG ativa (acione as teclas g e BEG, e verifique
se a palavra BEGIN aparece indicada no visor);
d) a Planilha Excel tem amplas condições de resolver os problemas que envolvam a Série
Antecipada, bastando, para isso, que o parâmetro TIPO das funções financeiras seja fixado com
valor igual a um (TIPO=1). Na ausência dessa informação, as funções financeiras assumem a
condição de Série Postecipada (TIPO= 0).

1.7.3 Simulador Da HP-12C


Com o objetivo de simplificar e padronizar a apresentação do conteúdo deste livro e de atender
àqueles leitores que não possuem a calculadora, desenvolvemos um Simulador da HP-12C,2
utilizando as funções financeiras básicas da Planilha Eletrônica Excel (NPER, TAXA, VP, PGTO e
VF) e respeitando às condições do Diagrama Padrão, Figura 1.2.
Esse simulador encontra-se disponível, sem qualquer custo, no endereço eletrônico do site deste
livro. Recomenda-se que o leitor faça um download do simulador e o instale em um
microcomputador. Assim poderá acessar o simulador da HP-12C a qualquer momento e realizar as
operações usuais do mercado financeiro, acompanhando todos os exemplos e exercícios sugeridos
neste livro.
Esse simulador também pode ser considerado uma representação esquemática da própria
calculadora, na medida em que apresenta na sua parte superior as teclas n, i, PV, PMT e FV e na sua
parte inferior, o visor da HP-12C.
Pelo fato de o simulador ter essa dupla função, é utilizado constantemente como uma forma
didática de representar os dados dos problemas, seja na solução pela HP-12C, seja pelas funções
financeiras do Excel. O uso sistemático do simulador fará com que o leitor, de uma maneira
espontânea, associe a teoria explicada com a utilização prática da calculadora HP-12C e/ou da
planilha eletrônica Excel.
Veja, de acordo com o esquema abaixo, que o Simulador da HP-12C possui as funções financeiras
dispostas horizontalmente, de forma predefinida, na mesma sequência das teclas da HP-12C:
Simulador da HP12-C— cálculo de PMT

Abaixo relacionamos pontos importantes para um bom entendimento e utilização adequada do


Simulador:
a) os dados a serem inseridos pelos usuários, ou seja, os valores correspondentes a cada um dos
respectivos elementos do fluxo de caixa são colocados na linha inferior da tabela e podem ser
registrados em qualquer ordem de entrada;
b) o parâmetro financeiro (PV, PMT ou FV) que não fizer parte do problema deve ter o seu valor
registrado como “zero”, para não interferir no resultado; aqueles parâmetros que fizerem parte
do problema deverão ser inseridos respeitando-se a convenção de sinais: (+) para entradas de
caixa e (−) para saídas de caixa;
c) a representação do fluxo de caixa deve respeitar a convenção de final do período, e, portanto, só
podem ser resolvidos problemas que trabalhem com a série postecipada;
d) a célula em destaque (mais escura) é sempre aquela que representa a incógnita do problema e que,
portanto, contém a função financeira do Excel que irá calcular a operação desejada. É nessa célula
que aparece o valor da solução do problema. Na representação gráfica do simulador desta seção
1.7.3, essa célula corresponde ao parâmetro PMT.
e) o número de períodos de capitalização é representado por n na parte superior do simulador, para
corresponder à tecla n da HP-12C:
quando esse parâmetro é um dado do problema, pode ser registrado como um número inteiro ou
fracionário, o que facilita a tarefa de compatibilizar as unidades referenciais de tempo para a taxa
de juros e o número de períodos;
quando é a incógnita do problema, seu valor é calculado pela função NPER do Excel colocada na
célula inferior correspondente, que é apresentada em destaque. O resultado obtido pelo simulador
por essa função não é arredondado para o primeiro número inteiro superior como faz a HP-12C;
f) a taxa de juros por período de capitalização é representada por i na parte superior do simulador,
para corresponder à tecla i da HP-12C:
quando esse parâmetro é um dado do problema, 8,0 % por exemplo, a taxa deve ser informada
pelo registro do número 8.
quando esse parâmetro é a incógnita do problema, o seu valor é calculado pela função TAXA do
Excel, colocada na célula inferior correspondente, que é apresentada em destaque;
a função TAXA, que realiza o cálculo da taxa de juros tem um parâmetro adicional denominado
ESTIMATIVA, que corresponde à estimativa inicial para o valor da taxa de juros, obtida por um
processo iterativo. No simulador, o parâmetro ESTIMATIVA é fixado automaticamente pelo
método dos juros médios apresentado no item 8.3.6 do Capítulo 8;
g) o valor presente é representado por PV na parte superior do simulador, para corresponder à tecla
PV da HP-12C:
quando esse parâmetro é a incógnita do problema, seu valor é calculado pela função VP do Excel,
colocada na célula inferior correspondente, que é apresentada em destaque;
h) o valor futuro é representado por FV na parte superior do simulador, para corresponder à tecla
FV da HP-12C:
quando esse parâmetro é a incógnita do problema, o seu valor é calculado pela função VF do
Excel, na célula inferior correspondente, que é apresentada em destaque.
i) o valor da prestação de série uniforme é representado por PMT na parte superior do simulador,
para corresponder à tecla PMT da HP-12C:
quando esse parâmetro é a incógnita do problema, o seu valor é calculado pela função PGTO do
Excel, na célula inferior correspondente, que é apresentada em destaque.
O leitor que utilizar a calculadora HP-12C, como forma de acompanhamento dos exemplos e
problemas propostos pelo livro, terá no simulador uma mera representação gráfica da sua
calculadora. Nesse caso, deve estar atento aos seguintes pontos:
a) a HP-12C deve estar operando com a função END para realizar os cálculos com a prestação
postecipada, e com a letra C mostrada no visor para que todos os cálculos sejam realizados a
juros compostos;
b) os dados do problema podem ser registrados em qualquer ordem de entrada, lembrando de
registrar “zero” para o parâmetro financeiro que não faça parte do problema; a tecla da HP-12C,
correspondente à solução do problema, é a última a ser acionada. Ela irá disparar o cálculo da
operação desejada, e mostrará a solução do problema.

1.8 O Enfoque Adotado


O enfoque adotado neste livro enfatiza o lado prático da Matemática Financeira e, portanto, não exige
do leitor um conhecimento avançado de matemática. Os conceitos são ilustrados com problemas
reais que ocorrem frequentemente no dia a dia de qualquer pessoa, como por exemplo a análise de
crédito ao consumidor, a escolha do título financeiro mais rentável, a análise da melhor opção de
compra que envolva um financiamento de longo prazo etc. Após o entendimento dos exemplos
numéricos é que, quando necessário, se faz o estudo teórico para a obtenção de fórmulas genéricas,
que irão ajudar na fixação da matéria e a sua utilização em qualquer situação que se faça necessária.
A simbologia adotada também visa à simplicidade e à abrangência de sua aplicação. Assim, não se
utiliza nenhuma nomenclatura matemática, mas sim uma simbologia mnemônica simples e de fácil
assimilação, que é a mesma adotada pela calculadora HP-12C e pela Planilha Eletrônica Excel.
1
Puccini, Abelardo de Lima. Matemática Financeira Objetiva e Aplicada, 9. ed. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier, 2011.
2
O Apêndice B do livro Matemática Financeira Objetiva e Aplicada, do mesmo autor (obra que deu origem a essa edição compacta),
traz explicações detalhadas sobre o Simulador.
C AP Í T U L O 2

Juros Simples e Compostos — Conceitos

2.1 Introdução
Este capítulo apresenta os conceitos de juros simples e compostos e, por meio de exemplos
numéricos, mostra como se comporta o crescimento do dinheiro ao longo do tempo nesses dois
regimes de juros.

2.2 Juros Simples — Crescimento Linear


No regime de juros simples, os juros de cada período são sempre calculados em função do capital
inicial (principal) aplicado. Os juros do período não são somados ao capital para o cálculo de novos
juros nos períodos seguintes. Os juros não são capitalizados e, consequentemente, não rendem juros.
Assim, apenas o principal é que rende juros. Os exemplos numéricos a seguir servem para fixar esse
conceito.

2.2.1 Exemplos Numéricos — Juros Simples


2.2.1.1 Um Investimento de Quatro Anos
Considere o caso de um investidor que aplicou $1.000,00 no Banco ABC, pelo prazo de quatro anos,
com uma taxa de juros de 8% ao ano, no regime de juros simples. Calcule o valor do saldo credor
desse investidor no Banco ABC no final de cada um dos quatro anos da operação.
Solução:
A Tabela 2.1 apresenta os valores solicitados:

Tabela 2.1
Crescimento de $1.000,00 a juros simples de 8% a.a.

A representação gráfica dos valores da Tabela 2.1 é mostrada a seguir:


Em relação à Figura 2.1 , são válidos os seguintes comentários:

FIGURA 2.1 Crescimento de $1.000,00 a juros simples de 8% a.a.

a) o ponto 1 da escala representa o final do 1o ano e o início do 2o ano, o ponto 2 representa o final
do 2o ano e o início do 3o ano e assim por diante;
b) os valores dos saldos no final dos quatro anos ($1.080,00, $1.160,00, $1.240,00 e $1.320,00)
representam um crescimento linear do capital inicial (principal) de $1.000,00. Observar que cada
valor é obtido pela soma de uma razão constante de $80,00 (= 8% × $1.000,00) sobre o valor
anterior.
É importante ressaltar que o Banco ABC sempre aplicou a taxa de 8% ao ano sobre o capital inicial
de $1.000,00, embora os juros de cada ano ficassem retidos no banco. Assim, apesar de os juros
permanecerem no Banco ABC, nunca foram remunerados por aquela instituição durante todo o prazo
da operação.

2.2.1.2 Dois Investimentos de Dois Anos


Considere o caso de um investidor que aplicou $1.000,00 no Banco ABC, pelo prazo de dois anos,
com uma taxa de juros de 8% ao ano, no regime de juros simples. Ao resgatar esse investimento no
final de dois anos, o investidor decide reaplicar esse valor no próprio Banco ABC, por mais dois
anos, nas mesmas condições da 1ª aplicação. Calcule o montante acumulado no final dessa 2ª
operação.
Solução:
A Tabela 2.1 do problema anterior informa que o valor do saldo credor desse investidor do Banco
ABC, no final de dois anos, é de $1.160,00.
Esse valor passa a ser o capital inicial da 2ª operação, que tem um rendimento anual de juros igual
a 8% × $1.160,00 = $92,80. O montante acumulado no final da 2ª operação é, portanto, igual a:
FV = 1.160,00 + 2 × 92,80 = $1.345,60
Observar que esse montante é $25,60 superior ao montante de $1.320,00 obtido na Seção 2.2.1.1, a
juros simples, com prazo de quatro anos. Esse incremento ocorre porque os juros dos primeiros dois
anos ($160,00) passaram a render juros anuais de 8% nos últimos dois anos (8% × $160,00 = $12,80
ao ano). Isso só aconteceu porque o saldo de $1.160,00, no final do 2o ano, passou a ser o capital
inicial da 2ª operação.

2.3 Juros Compostos — Crescimento Exponencial


No regime de juros compostos, os juros de cada período são sempre somados ao capital para o
cálculo de novos juros nos períodos seguintes. Os juros são capitalizados e, consequentemente,
rendem juros. Assim, os juros de cada período são calculados sobre o saldo existente no início do
respectivo período, e não apenas sobre o capital inicial (principal) aplicado. Os exemplos numéricos
a seguir servem para fixar esse conceito.

2.3.1 Exemplos Numéricos — Juros Compostos


2.3.1.1 Pagamento de Juros no Final — Um Investimento de Quatro Anos
Vamos agora considerar que o investidor do exemplo anterior tivesse aplicado $1.000,00 no Banco
XYZ, pelo prazo de quatro anos, com uma taxa de juros de 8% ao ano, no regime de juros
compostos. Calcule o valor do saldo credor desse investidor no Banco XYZ no final de cada um dos
quatro anos da operação.
Solução:
A Tabela 2.2 contém os valores solicitados.

Tabela 2.2
Crescimento de $1.000,00 a juros compostos de 8% a.a.

A representação gráfica dos valores da Tabela 2.2 está indicada na Figura 2.2 , juntamente com o
gráfico da Figura 2.1, a juros simples, visando comparar os dois regimes de juros.

FIGURA 2.2 Crescimento de $1.000,00 no tempo: juros simples e compostos de 8% a.a.


Em relação à Figura 2.2 são válidos os seguintes comentários:
a) o dinheiro cresce mais rapidamente a juros compostos do que a juros simples;
b) os valores dos saldos no final dos quatro anos ($1.080,00, $1.166,40, $1.259,71 e $1.360,49)
representam um crescimento exponencial do capital inicial de $1.000,00 (principal). Verifique que
cada valor é obtido a partir do valor anterior pela multiplicação de uma razão constante igual a
1,08 (= 1,00 + 8%).
É importante ressaltar que o Banco XYZ sempre aplicou a taxa de 8% ao ano sobre o saldo
existente no início de cada período. Assim, após cada período, os juros são incorporados ao saldo
anterior e passam, por sua vez, a render juros.
Em resumo, pode-se concluir que:
a) a juros simples, os juros de cada período são sempre calculados sobre o capital inicial aplicado
(principal), não havendo incidência de juros sobre juros;
b) a juros compostos, os juros de cada período são sempre calculados sobre o saldo existente no
início do respectivo período, havendo incidência de juros sobre juros.
Nos dois últimos exemplos apresentados, os montantes disponíveis para o investidor, no final do 4o
ano, estão na Tabela 2.3 :

Tabela 2.3
Banco Regime de juros Valor no 4o ano
XYZ Juros compostos $1.360,49
ABC Juros simples $1.320,00
Diferença — $40,49

Essa diferença de $40,49 corresponde ao rendimento de juros sobre juros proporcionado pelo
Banco XYZ, que opera no regime de juros compostos.

2.3.1.2 Pagamento de Juros no Final — Dois Investimentos de Dois Anos


Considere o caso de um investidor que aplicou $1.000,00 no Banco XYZ, pelo prazo de dois anos,
com uma taxa de juros de 8% ao ano, no regime de juros compostos. Ao resgatar esse investimento
no final de dois anos, o investidor decide reaplicar esse valor no próprio Banco XYZ, por mais dois
anos, nas mesmas condições da 1ª operação. Calcule o montante acumulado no final dessa 2ª
operação.
Solução:
Pela Tabela 2.2, temos que o valor do saldo credor desse investidor no Banco XYZ, no final de
dois anos, é de $1.166,40.
Esse valor passa a ser o principal da 2ª operação, cujos saldos acumulados são os seguintes:
a) no final do 1o ano da 2ª operação (final do 3o ano):
FV = 1.166,40 + 1.166,40 × 8% = 1.166,40 + 93,31 = $1.259,71
b) no final do 2o ano da 2ª operação (final do 4o ano):
FV = 1.259,71 + 1.259,71 × 8% = 1.259,71 + 100,78 = $1.360,49
Observar que esse montante é exatamente igual ao montante do investimento da Seção 2.3.1.1, a
juros compostos, com o prazo de quatro anos. A razão dessa igualdade deve-se ao fato de, no regime
de juros compostos, os saldos do início de cada período serem remunerados com a taxa de juros do
respectivo período. Ou seja, a operação de quatro anos da Seção 2.3.1.1 é equivalente às duas
operações deste exemplo numérico, desde que a 2ª operação seja realizada nas mesmas condições da
1ª.

2.3.1.3 Pagamento de Juros Periódicos — Um Investimento de Quatro Anos


Vamos agora supor que o Banco ABC permita que o investidor retire os $80,00 de juros anuais no
final de cada ano, ao longo dos quatro anos. No final do 4o ano, além dos juros anuais, o investidor
retira ainda o principal de $1.000,00. Em que regime de juros passa a operar o Banco ABC? Simples
ou compostos?
Solução:
A resposta é que o Banco ABC passa a operar a juros compostos, pois os juros de cada período
passam a ser calculados sobre os saldos existentes no início dos respectivos períodos. Senão
vejamos:
a) no final do 1o ano, os juros de $80,00 são creditados, elevando o saldo para $1.080,00, e
imediatamente retirados pelo investidor, fazendo o saldo retornar ao valor de $1.000,00. Assim,
não há possibilidade de os juros serem capitalizados, voltando a base de cálculo para o 2o ano a
ser o saldo remanescente de $1.000,00;
b) no final dos anos seguintes, o processo se repete, garantindo que o Banco ABC remunerou em
cada período o saldo existente à disposição do banco no início do respectivo período.
E o investidor, quanto terá acumulado no final dos quatro anos?
Solução:
A resposta a essa pergunta depende da utilização que o investidor resolva dar aos juros recebidos
no final de cada ano. Assim:
a) se o investidor meramente guardar os juros recebidos no cofre de sua casa, o total acumulado no
final de quatro anos será de $1.320,00. Isso corresponde a só retirar os juros do Banco ABC no
final do 4o ano e voltar à situação da Seção 2.1.1, com o banco operando a juros simples;
b) se cada parcela de juros retirada do Banco ABC for aplicada pelo investidor no Banco XYZ, a
juros compostos de 8% ao ano e pelo prazo necessário para completar os quatros anos, o total
acumulado no final do 4o ano será de $1.360,49. Isso equivale a aplicar os $1.000,00 iniciais no
Banco XYZ, a juros compostos, pelo prazo de quatro anos, tal como na Seção 2.3.1.1. A
reaplicação dos juros é que produzirá o resultado adicional de $40,49, para fazer o montante de
$1.320,00 atingir o valor de $1.360,49 no final do 4o ano. A Tabela 2.4 mostra o resultado dessas
operações:
Tabela 2.4

Assim, a situação do investidor no final do 4o ano pode ser vista na Tabela 2.5 :

Tabela 2.5
Disponível Receita de reaplicações
a) No Banco ABC 1.080,00
b) No Banco XYZ
Saldo da 1ª reaplicação 100,78 20,78
Saldo da 2a reaplicação 93,31 13,31
Saldo da 3a reaplicação 86,40 6,40
Soma 1.360,49 40,49

As receitas de reaplicações totalizam exatamente $40,49, porque as taxas de reaplicações são iguais
a 8% ao ano. Essas receitas serão superiores ou inferiores a esse valor caso as taxas de reaplicações
sejam maiores ou menores que 8% ao ano, respectivamente.

2.4 Análise dos Exemplos Numéricos


Com a finalidade de reforçarmos os conceitos de juros simples e juros compostos, vamos analisar os
fluxos de caixa dos exemplos numéricos anteriores, incluindo nessa análise o Diagrama Padrão de
cada uma das situações.
1ª Situação: Banco ABC — Juros Simples: Um Investimento de Quatro Anos.
Neste caso, o fluxo de caixa do investidor da Seção 2.2.1.1 está representado na Figura 2.3 :

FIGURA 2.3 Banco ABC: juros simples de 8% a.a. — um investimento de quatro anos

O investidor que aplicar $1.000,00 para receber $1.320,00 no final de quatro anos está fazendo um
investimento a uma taxa de 8% ao ano, no regime de juros simples.
Esse fluxo de caixa, se for analisado da ótica do regime de juros compostos, que é a visão correta,
necessariamente oferece uma taxa de juros menor do que 8% ao ano, porque a juros compostos de
8% ao ano o montante acumulado no final do 4o ano é de $1.360,49. O rendimento desse
investimento, a juros compostos, é de 7,19% ao ano.
2ª Situação: Banco XYZ—Juros Compostos: Um Investimento de Quatro Anos.
Nesse caso, o fluxo de caixa do investidor da Seção 2.3.1.1 está representado a seguir:

FIGURA 2.4 Banco XYZ: juros compostos de 8% a.a. — um investimento de quatro anos

O investidor que aplicar $1.000,00 para receber $1.360,49 no final de quatro anos está fazendo um
investimento a uma taxa de 8% ao ano, no regime de juros compostos.
Esse fluxo de caixa, analisado da ótica do regime de juros simples, que é uma visão incorreta,
oferece uma taxa de juros maior do que 8% ao ano, porque a juros simples de 8% ao ano o montante
acumulado no final do 4o anoéde $1.320,00. O rendimento desse investimento, a juros simples, é de
9,01% ao ano.
3ª Situação: Banco ABC — Juros Simples: Dois Investimentos de Dois Anos.
As duas operações de dois anos realizadas no Banco ABC na Seção 2.2.1.2, no regime de juros
simples, têm os seguintes fluxos de caixa para o investidor:

FIGURA 2.5 Banco ABC: juros simples de 8% a.a. — dois investimentos de dois anos

O montante acumulado no final do 4o ano, pelas duas operações de dois anos, é maior do que o
montante da operação de quatro anos. Esse acréscimo ocorre porque, com duas operações de dois
anos, o montante do final do 2o ano passa a ser o principal da 2ª operação de dois anos no Banco
ABC, a juros simples. Com isso, os juros dos primeiros dois anos são somados ao principal e
passam a render juros nos últimos dois anos da 2ª operação, e justificam esse acréscimo de valor.
4ªSituação: Banco ABC — Juros Simples: Quatro Investimentos de Um Ano.
Caso o investidor consiga realizar quatro operações de um ano no Banco ABC, a juros simples de
8% ao ano, os saldos no final de cada ano serão reaplicados no ano seguinte, com o nome de
principal, e os juros de cada ano passarão a render juros nos anos seguintes, de forma idêntica ao
regime de juros compostos. Nesse caso, o principal de $1.000,00 conseguirá produzir o mesmo
montante de $1.360,49, desde que as taxas de juros das reaplicações sejam iguais a 8% ao ano.
5ªSituação: Banco XYZ — Juros Compostos: Dois Investimentos de Dois Anos.
As duas operações de dois anos realizadas no Banco XYZ, no regime de juros compostos, têm os
seguintes fluxos de caixa para o investidor:
Repare que o montante que acabamos de observar na Figura 2.6 é igual ao calculado na 2ª situação.
Isso acontece porque, a juros compostos, a operação de quatro anos é absolutamente equivalente às
duas operações de dois anos, desde que as taxas de juros das operações sejam iguais. No regime de
juros compostos, são os saldos de cada período que são remunerados pelas taxas de juros de cada
período. Dessa forma, os juros dos dois primeiros anos são igualmente remunerados nos dois
últimos anos da operação de quatro anos, ou nos dois anos da 2ª operação, desde que as taxas de
juros sejam idênticas.

FIGURA 2.6 Banco XYZ: juros compostos de 8% a.a. — dois investimentos de dois anos

6ª Situação: Banco ABC — Pagamento Periódico.


Nesse caso (Seção 2.3.1.3), em que o Banco ABC paga os juros periodicamente, no final de cada
ano, o fluxo de caixa do investidor é o seguinte:

FIGURA 2.7 Banco ABC: juros compostos de 8% a.a. pagamento periódico de juros

O Banco ABC opera, rigorosamente, com juros compostos de 8% ao ano nesse investimento, pois
remunera o saldo inicial de cada período a essa taxa, ao longo dos quatro anos da operação.
O montante acumulado pelo investidor no final do 4o ano depende da taxa de juros obtida nas
reaplicações dos valores recebidos no final de cada ano. Se todas as reaplicações forem feitas a 8%
ao ano, a juros compostos, o montante acumulado no final do 4o ano será igual a $1.360,49.

2.5 Resumo
Neste capítulo, apresentamos operações com juros simples e com juros compostos, com o objetivo
de deixar bem claro que a utilização do regime de juros simples é totalmente incorreta e que nunca
deve ser utilizado como ferramenta de análise de fluxos de caixa, podendo levar a decisões erradas e
a provocar prejuízos desnecessários.
Na prática, entretanto, os juros simples são bastante utilizados pelo mercado, pela facilidade de
cálculo, e porque aumentam ficticiamente a rentabilidade efetiva das aplicações financeiras e
reduzem ficticiamente o custo efetivo dos financiamentos. Por exemplo, a Tabela Price de 12% ao
ano corresponde a uma tabela de 1% ao mês, que é equivalente, na realidade, a uma taxa de 12,68%
ao ano. Evidente que fica mais fácil, para o financiador, colocar um financiamento a “12% ao ano”
do que a 12,68% ao ano.
Recomendamos a seguinte linha de ação para uma análise correta de qualquer operação financeira:
a) obter o fluxo de caixa da operação, a partir de uma análise cuidadosa dos dados fornecidos.
Somente nessa fase é que os juros simples podem ser utilizados, se necessário, exclusivamente
com a finalidade de obtenção dos valores do fluxo de caixa da operação;
b) realizar todos os cálculos e análises do fluxo de caixa exclusivamente no regime de juros
compostos.
Em resumo, os juros simples só devem ser utilizados na obtenção dos fluxos de caixa das
operações financeiras quando o enunciado do problema implicar a adoção desse regime de juros.
Uma vez obtido o fluxo de caixa da operação financeira, ele só deve ser analisado e comparado
com fluxos de caixa de outras operações financeiras, no regime de juros compostos.

2.6 Problema Proposto


1. Um investidor abriu duas contas numa instituição financeira e depositou $1.000,00 em cada uma.
Uma das contas foi remunerada a juros simples, a outra a juros compostas; ambas foram
remuneradas a uma taxa de 5% ao trimestre. Mostre o crescimento desse capital no final de cada
trimestre, para cada uma das contas, a contar da data da aplicação dos recursos, e informe o
montante que poderá ser retirado pelo investidor no final do 6o trimestre, após a efetivação do
último depósito. Compare os resultados e analise a diferença.

Observação:
As respostas de todos os problemas propostos estão disponíveis no final deste livro.
C AP Í T U L O 3

Juros Simples — Fórmulas Básicas

3.1 Introdução
Neste capítulo, vamos desenvolver as fórmulas básicas de juros simples e mostrar suas aplicações
por meio de exemplos numéricos.
O regime de juros simples é utilizado no mercado financeiro, notadamente nas operações de curto
prazo, não só em função da simplicidade de cálculo, mas também com o objetivo de alterar,
ficticiamente, a verdadeira taxa de juros das operações, o que facilita a tarefa de colocação dos
produtos para investidores e/ou tomadores de recursos financeiros.

3.2 Capitalização Simples


A rigor, o fenômeno da capitalização só ocorre no regime de juros compostos, em que os juros se
transformam em capital e passam a render juros.
Entretanto, é comum o emprego da expressão “capitalização simples” para se referir ao
crescimento do dinheiro no regime de juros simples.

3.2.1 Dedução Da Expressão Genérica


A expressão genérica do Valor Futuro (FV), no regime de juros simples, em função dos parâmetros
n, i e PV, é baseada no fluxo de caixa representado na Figura 3.1 , que obedece à simbologia
desenvolvida no Capítulo 1.

FIGURA 3.1 Capitalização simples: taxa de juros i desconto “Por Dentro”

No regime de juros simples, os juros de cada período são obtidos pela aplicação da taxa de juros i
sempre sobre o principal PV, fazendo com que os juros tenham o mesmo valor em todos os períodos.
Assim, temos:

O valor futuro FV, também chamado de montante, é resultante da aplicação de um principal PV,
durante n períodos, com uma taxa de juros i por período. No regime de juros simples, FV é obtido
pela expressão:

ou seja:

(3.1)
em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a unidade
referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.
A Expressão Genérica (3.1) pode ser verificada utilizando-se os valores obtidos no Problema da
Seção 2.2.1.1, do Capítulo 2. Considerando PV = 1.000,00 e n = 8% ao ano, o montante FV, no final de
cada ano é:
n = 1 ⇒ FV = 1.000,00 (1 + 0,08 × 1) = 1.080,00
n = 2 ⇒ FV = 1.000,00 (1 + 0,08 × 2) = 1.160,00
e assim por diante. Observe na tabela 2.1 que o montante FV corresponde ao Saldo no final de cada
ano após o pagamento.

3.3 Desconto “Por Dentro”, ou Racional


3.3.1 Dedução Da Expressão Genérica
A taxa de juros i, também denominada taxa de rentabilidade ou, ainda, taxa de desconto “por dentro”,
pode ser obtida a partir da Relação (3.1), que fornece:

(3.2)
O valor do desconto, expresso em $, corresponde aos juros acumulados no tempo. Assim,
genericamente, ele pode ser obtido pela diferença entre o valor futuro FV, ou montante, e o valor
presente PV, ou principal, ou seja:

O valor do desconto “por dentro” (Dd ), ou racional, é obtido multiplicando-se o valor presente PV
pela taxa de desconto i, e esse produto pelo prazo da operação n, ou seja:

Na prática, entretanto, o valor presente é sempre a incógnita, sendo normalmente conhecidos o


valor futuro FV, o prazo n e a taxa de desconto i. Vamos a seguir deduzir a fórmula que permite obter
o valor do desconto racional a partir das variáveis conhecidas.
O valor do desconto “por dentro”, ou racional, é também obtido pela aplicação da expressão geral
para desconto, isto é:
(3.3)
A partir da Expressão (3.1), pode-se obter a seguinte relação:

(3.4)
Substituindo na Relação (3.3) o valor de PV fornecido pela Relação (3.4), temos:

e finalmente:

(3.5)

3.3.2 Exemplos Numéricos


1. Calcule o número de meses necessário para um capital dobrar de valor, com uma taxa de juros de
2% ao mês, no regime de juros simples.
Solução:
Supondo o valor de PV = $100,00, então teríamos FV = $200,00, e os dados do problema seriam
os seguintes:
PV = $100,00; FV = 2 × 100,00 = $200,00; i = 2% ao mês = 0,02; n = ?
Pela Relação (3.1) temos:
FV = 200,00 = PV (1 + i × n) = 100,00 (1 + 0,02 × n)
200,00 = 100 + 2 × n
que fornece n = 50 meses.
2. Calcule o valor da taxa mensal de desconto “por dentro” usada numa operação de desconto de 60
dias de um título cujo valor de resgate é $10.000,00 e cujo valor do principal é $9.750,00.
Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
PV= $9.750,00; FV = $10.000,00; n = 60 dias = 2 meses; i = ? (% ao mês)
Pela Relação (3.2), temos:

ou seja, 1,282% ao mês.


3. Calcule o valor do desconto simples de um título de $1.000,00, com vencimento para 60 dias,
sabendo-se que a taxa de desconto “por dentro” é de 1,2% ao mês.
Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
FV = $1.000,00; n = 60 dias; i = 1,2% ao mês = 1,2%/30 ao dia = 0,04% a.d. = 0,0004
Desconto = FV − PV = ?
A Relação (3.4) fornece: PV = FV/(1 + i × n) = 1.000,00/(1 + 0,0004 × 60) = $976,56
e, portanto, o desconto “por dentro” é igual a (1.000,00 − 976,56) = $23,44.
4. Um empresário tem uma conta de cheque especial num banco que permite saques a descoberto e
que cobra 1,5% ao mês sobre o saldo devedor, a juros simples, pelos dias que a conta ficar
descoberta. Calcule o montante de juros cobrado no mês de abril, assumindo que a conta tem
saldo zero no final de março e que em abril são emitidos os seguintes cheques:

Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
i = 1,5% ao mês = 1,5%/30 = 0,05% ao dia = 0,0005 a.d.
a) Calculando os juros devidos por período:
Juros de 1ª de abril a 10 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de $2.000,00, e
portanto: Juros = 2.000,00 × 0,0005 × 10 = $10,00
Juros de 11 de abril a 20 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de $3.000,00, e
portanto: Juros = 3.000,00 × 0,0005 × 10 = $15,00
Juros de 21 de abril a 30 de abril => durante esses 10 dias o saldo devedor é de $4.000,00, e
portanto: Juros = 4.000,00 × 0,0005 × 10 = $20,00

Assim, o total de juros devidos no mês de abril é igual a:

b) Utilizando o conceito de saldo médio:


O saldo devedor médio no mês de abril é obtido pela relação:

Para o cálculo dos juros mensais, tudo se passa como se a conta-corrente tivesse ficado com
um saldo devedor de $3.000,00, durante os 30 dias do mês. Assim temos:

resultado que coincide com o obtido anteriormente.


Os resultados obtidos pelas duas formas de cálculos são sempre iguais, e a sistemática de cálculo
comumente adotada no mercadoéadosaldo médio multiplicado pela taxa de juros mensal.

3.4 Desconto “Por Fora”, ou Comercial


3.4.1 Dedução Da Expressão Genérica
A expressão genérica do valor do desconto “por fora” ou comercial, no regime de juros simples, é
baseada no fluxo de caixa representado no diagrama a seguir, que obedece à simbologia
desenvolvida no Capítulo 1.

FIGURA 3.2 Desconto simples: taxa de desconto D — “por fora”

No regime de juros simples, os descontos de cada período são obtidos pela aplicação da taxa de
desconto d sempre sobre o valor futuro FV, ou montante, fazendo com que os descontos tenham o
mesmo valor em todos os períodos. Assim temos:
desconto de cada período: FV × d
desconto de n períodos: n × FV × d
Observar que a taxa de desconto d (“por fora”) é aplicada sobre o valor futuro FV para produzir o
valor presente PV, ao passo que a taxa de desconto i (“por dentro”), ou taxa de rentabilidade, é
aplicada sobre o valor presente PV para produzir o valor futuro FV.
Assim, o valor do desconto “por fora” (Df), ou comercial, é obtido multiplicando-se o valor futuro
FV pela taxa de desconto d por período, e esse produto pelo número de períodos de desconto n, ou
seja:

(3.6)
O valor presente PV, ou principal, resultante do desconto “por fora” sobre o montante FV,
durante n períodos, com uma taxa de desconto d por período, é obtido, a juros simples, pela
expressão:

ou seja:

(3.7)
em que a unidade referencial de tempo da taxa de desconto d deve coincidir com a unidade
referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos n.
Convém ressaltar que a Expressão (3.7) para o cálculo do valor presente PV tem limitações
práticas, pois só pode ser usada para valores de d e n tais que o produto d × n < 1, pois, caso
contrário, podemos chegar ao absurdo de encontrar valores de PV < 0.
A Relação (3.7) fornece a seguinte expressão para a obtenção da taxa de desconto d “por fora”, ou
comercial:

(3.8)

3.4.2 Exemplos Numéricos


1. Calcule o valor do desconto simples de um título de $1.000,00, com vencimento para 60 dias,
sabendo-se que a taxa de desconto “por fora” é de 1,5% ao mês.
Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
FV = $1.000,00; n = 60 dias; d = 1,5% ao mês = 1,5%/30 ao dia = 0,05% a.d. = 0,0005 a.d.
Desconto = FV − PV = ?
A Relação (3.7) fornece:
PV = FV (1 − d × n) = $1.000,00 × (1 − 0,0005 × 60) = $970,00
e, portanto, o desconto “por fora” é igual a (1.000,00 − 970,00) = $30,00.
2. Calcule o valor da taxa mensal de desconto “por fora” usada numa operação de desconto de 60
dias, de um título com valor de resgate de $10.000,00 e com valor do principal igual a $9.750,00.
Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
FV = $10.000,00; PV = $9.750,00; n = 60 dias = 2 meses; d = ? (% ao mês)
A Relação (3.8) fornece:

ou seja, 1,25% ao mês.

3.5 Relação entre as Taxas de Desconto “Por Dentro” e “Por


Fora”
As expressões (3.4) e (3.7) permitem escrever a relação:

que fornece:

Nessa relação, ao se explicitar a taxa i (desconto “por dentro”), ou a taxa d (desconto “por fora”),
obtém-se, respectivamente:

(3.9)

(3.10)
Nessas duas relações, as unidades referenciais de tempo das taxas i e d devem coincidir com a
unidade referencial de tempo utilizada para medir o número de períodos n.

3.5.1 Exemplo Numérico


1. No Exemplo 2 da Seção 3.3.2 e no Exemplo 2 da Seção 3.4.2, foram calculadas as taxas de
desconto “por dentro” e “por fora”, respectivamente, de um mesmo título com as seguintes
características:
Principal aplicado = FV = $10.000,00
Valor de resgate = PV = $9.750,00
Prazo da operação = n = 60 dias
No Exemplo 2 da Seção 3.3.2, a taxa mensal de desconto “por dentro” encontrada foi de 1,282%
ao mês, e no Exemplo 2 da Seção 3.4.2, a taxa mensal de desconto “por fora” encontrada foi de
1,25% ao mês.
Usar as expressões (3.9) e (3.10) para verificar a relação entre essas duas taxas de desconto,
considerando o ano comercial com 360 dias.
Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
i = 1,282% ao mês = 0,01282; d = 1,25% ao mês = 0,01250; n = 60 dias = 2 meses
A Relação (3.9) fornece a taxa de desconto “por dentro”:
i = [0,01250/(1 − 0,01250 × 2)] = 0,01282 = 1,282% ao mês
E a Relação (3.10) fornece a taxa de desconto “por fora”:
d = [0,01282/(1 − 0,01282 × 2)] = 0,0125 = 1,25% ao mês
confirmando, assim, a relação entre essas duas taxas de desconto.

3.6 Desconto de Títulos — Exemplos


As operações bancárias de desconto de títulos são realizadas utilizando-se o conceito de taxa de
desconto “por fora”, que normalmente é denominada simplesmente taxa de desconto. Os exemplos a
seguir mostram os cálculos dessas operações.
1. Uma empresa oferece os seguintes títulos para serem descontados num banco comercial:
Vencimento (dias) Valor do título ($)

30 10.000,00
60 20.000,00
90 30.000,00
Total 60.000,00
Calcule o valor a ser creditado na conta dessa empresa, por essa operação de desconto, considerando
o mês com 30 dias, e sabendo-se que a taxa de desconto acertada é de 1% ao mês.
Solução:
Vamos aplicar a Relação (3.7) para cada um desses títulos, conforme indicado a seguir:
a) título com vencimento em 30 dias:
PV1 = FV1 (1 − d × n) = $10.000,00 (1 − 0,01 × 1) = $9.900,00
b) título com vencimento em 60 dias:
PV2 = FV2 (1 − d × n) = $20.000,00 (1 − 0,01 × 2) = $19.600,00
c) título com vencimento em 90 dias:
PV3 = FV3 (1 − d × n) = $30.000,00 (1 − 0,01 × 3) = $29.100,00

Assim, o valor a ser creditado na conta da empresa é igual a:


PV = PV1 + PV2 + PV3 = $9.900,00 + $19.600,00 + $29.100,00 = $58.600,00
Nas operações de desconto de títulos, existem outros custos adicionais que não foram cnsiderados no
exemplo anterior, tais como a incidência de impostos e a exigência de saldo médio na conta-corrente
da empresa.
O saldo médio corresponde a uma retenção na conta-corrente da empresa de um percentual do valor
da operação não recebe qualquer remuneração do banco por se tratar de depósito à vista. O exemplo
a seguir esclarece esse conceito e permite avaliar o aumento do custo da operação pela inclusão do
saldo médio.
2. Um banco comercial realiza suas operações de desconto de títulos com uma taxa de desconto de
1,2% ao mês (“por fora”), porém exige um saldo médio de 20% do valor da operação, como
forma de reciprocidade bancária. Esse banco foi procurado por uma empresa para descontar
$100.000,00 de títulos, todos com vencimento de 90 dias. Considerando o mês com 30 dias,
calcule o valor a ser creditado na conta da empresa e a rentabilidade mensal do banco, a juros
simples, sem o saldo médio e com o saldo médio.
Solução:
a) sem o saldo médio:
O valor a ser creditado na conta da empresa é obtido pela Relação (3.7), isto é:
PV = FV(1 − d × n) = $100.000,00 (1 − 0,012 × 3) = $96.400,00
A taxa de rentabilidade do banco é obtida pela Relação (3.2), ou seja:

que fornece a taxa de 1,2448% ao mês.


b) com o saldo médio:
O saldo médio de 20% sobre $100.000,00 corresponde a $20.000,00. Tudo se passa como se
o banco, por ocasião da liberação dos recursos, fizesse uma retenção de $20.000,00,
deixando apenas o valor de $76.400,00 à disposição da empresa. Esses $20.000,00 ficam
parados no banco, na conta-corrente da empresa, durante os três meses da operação. Na
liquidação da operação (final do 3ª mês), a empresa precisa desembolsar apenas $80.000,00,
pois o banco já dispõe de $20.000,00 retidos em sua conta-corrente. Essas situações são
resumidas no fluxo de caixa da Tabela 3.1 :

Tabela 3.1
Fluxo de caixa para o banco

O valor da rentabilidade mensal do banco, levando em consideração o saldo médio de 20%, é


obtido pela Relação (3.2), conforme indicado a seguir:

que fornece a taxa de 1,5707% ao mês.


Assim, o saldo médio de 20% elevou a rentabilidade do banco (e consequentemente aumentou o
custo para a empresa) de 1,2448% ao mês para 1,5702% ao mês, no regime de juros simples.

3.7 Resumo
Nesse capítulo, desenvolvemos as principais fórmulas do regime de juros simples e ilustramos suas
aplicações em diversos problemas do mercado.
Ressaltamos que, no regime de juros simples, a taxa de desconto d (“por fora”, ou comercial) é
comumente utilizada apenas com o nome de taxa de desconto, por ser este o método consagrado pelo
mercado nas operações de desconto de títulos comerciais. A taxa de juros i (taxa de desconto “por
dentro”, ou racional) é mais conhecida como taxa de rentabilidade. Tanto a taxa de desconto por
dentro, quanto à taxa de desconto por fora são valores que não correspondem a “verdadeira” taxa de
juros (taxa efetiva) da operação, pelo fato do regime de juros simples ser conceitualmente incorreto,
na medida em que só remunera o capital inicial (principal) aplicado.
O valor nominal de um título (valor de resgate) descontado a juros simples (desconto comercial)
representa o valor que será creditado na conta-corrente do investidor. Esse é o valor presente do
título. Para conhecer a taxa efetiva de desconto da operação é preciso comparar o valor presente do
título com o seu valor nominal, por meio do cálculo da taxa interna de retorno, que é feita a juros
compostos.
A HP-12C dispõe de funções especiais para realizar cálculos no regime de juros simples.
Entretanto, os exemplos deste capítulo foram desenvolvidos sem o uso dessas operações especiais da
calculadora, pois as fórmulas e expressões de juros simples são de fácil solução com as operações
convencionais de qualquer calculadora.

3.8 Problemas Propostos


Considere em todos os problemas o ano comercial com 360 dias.
1. Calcule o montante acumulado no final de quatro semestres e a renda recebida a partir da
aplicação de um principal de $10.000,00, com uma taxa de juros de 1% ao mês, no regime de
juros simples.
2. Um título com valor de resgate de $1.000,00, com 80 dias a decorrer até seu vencimento, está
sendo negociado a juros simples, com uma taxa de desconto “por fora” de 15% ao ano. Calcule:
a) o valor do principal desse título; b) o valor do desconto simples; e c) a rentabilidade mensal
desse título, até seu vencimento.
3. Imagine que o título do Problema 2 seja vendido com a garantia de recompra num prazo de três
dias, e que nessa operação de três dias seja assegurada uma rentabilidade de 1,2% ao mês.
Calcule: a) o valor do título por ocasião da recompra; e b) a rentabilidade mensal e a taxa de
desconto anual (“por fora”) desse título para o seu prazo remanescente de 77 dias a decorrer até
seu vencimento.
4. Um investidor aplicou um principal de $1.000,00 para receber um montante de $1.300,00 no prazo
de 36 meses. Calcule, no regime de juros simples: a)a rentabilidade trimestral do investidor; e b)
a taxa de desconto mensal (“por fora”) que corresponde à rentabilidade do item a.
5. Um banco comercial empresta $15.000,00 a um cliente, pelo prazo de três meses, com uma taxa
de 1% ao mês, juros simples, cobrados antecipadamente. Dessa forma, o valor líquido liberado
pelo banco é de $14.550,00, e o cliente deve pagar os $15.000,00 no final do 3ª mês. Além disso, o
banco exige um saldo médio de $1.500,00 ao longo de todo o prazo do empréstimo. Calcule a
taxa de rentabilidade mensal do banco nessa operação, a juros simples.
6. Uma empresa deseja descontar títulos num banco comercial que opera com uma taxa de desconto
comercial de 1% ao mês, juros simples. O primeiro título tem um valor de $10.000,00 e
vencimento no prazo de 90 dias. O segundo título tem um valor de $10.000,00 e vencimento no
prazo de 180 dias. Calcule o valor a ser creditado pelo banco na conta dessa empresa, pelo
desconto desses títulos.
7. Uma empresa obtém num banco comercial um empréstimo de $10.000,00, com uma taxa de 1,2%
ao mês (desconto “por dentro”), juros simples, que pode ser liquidado no final de cada mês.
Decorridos três meses, essa empresa resolve liquidar esse empréstimo com recursos obtidos, no
mesmo banco, por meio de um novo empréstimo, com uma taxa de 1% ao mês, também a juros
simples. Decorridos alguns meses, a empresa decide liquidar o segundo empréstimo e verifica
que o total de juros acumulados nos dois empréstimos é de $981,60. Calcule: a) o valor do
segundo empréstimo suficiente para liquidar o primeiro; b) o valor do pagamento final para
liquidar o segundo empréstimo; c) o prazo do segundo empréstimo; e d) a taxa média mensal, a
juros simples, paga pela empresa, considerando os dois empréstimos em conjunto.
8. Um investidor deposita uma determinada importância numa instituição financeira. No final de
quatro meses, ao encerrar sua conta, verifica que o montante acumulado até aquela data totaliza
$10.480,00. Esse mesmo valor é então depositado em outra instituição financeira, por um prazo
de cinco meses. No final desse período, o montante acumulado na segunda instituição é igual a
$11.108,80. Sabendo-se que as duas instituições operam com juros simples e remuneram seus
depósitos com a mesma taxa, calcule: a) a taxa mensal de juros simples das duas instituições; e b)
o valor do depósito inicial na primeira instituição.
C AP Í T U L O 4

Juros Compostos – Capitalização e Desconto

4.1 Introdução
O objetivo deste capítulo é desenvolver as fórmulas básicas de juros compostos e mostrar suas
aplicações por meio de exemplos numéricos.
O entendimento do conceito de juros compostos é muito importante, uma vez que esse é o sistema
indicado para efetuar análises e transformações de fluxos de caixa de forma conceitualmente correta.
Inicialmente, apresentaremos o problema da capitalização composta, que trata da valorização do
dinheiro ao longo do tempo. Em seguida, apresentaremos o problema inverso, ou seja, o da
diminuição das grandezas futuras, na medida em que são trazidas para o valor presente, mediante as
operações de desconto composto.
Nos dois casos, os estudos incluem deduções de fórmulas genéricas e suas aplicações em
exemplos numéricos, cujas soluções são apresentadas pelo Simulador da HP-12C.1

4.2 Capitalização e Desconto “Por Dentro”, ou Racional


No regime de juros compostos, os juros de cada período, quando não são pagos no final do período,
devem ser somados ao capital e, consequentemente, também passam a render juros.
A esse processo dá-se o nome de capitalização de juros, e, como ele acontece no regime de juros
compostos, costuma ser chamado de capitalização composta.

4.2.1 Dedução Da Expressão Genérica Para Capitalização


Composta
A expressão genérica do valor futuro (FV), no regime de juros compostos, em função dos
parâmetros n, i e PV, é baseada no fluxo de caixa representado no diagrama a seguir, que obedece à
simbologia desenvolvida no Capítulo 1.

FIGURA 4.1 Capitalização composta: taxa de juros i — desconto “por dentro”

No regime de juros compostos, os juros de cada período são obtidos pela aplicação da taxa de
juros i sobre o capital aplicado no início do período de capitalização. Assim, temos:
a) no 1o período de capitalização (n = 1)
capital no início do período = PV
juros do período = PV × i
capital no final do período = FV = PV + PV × i = PV (1 + i)

b) no 2o período de capitalização (n = 2)
capital no início do período = PV (1 + i)
juros do período = PV (1 + i) × i
capital no final do período = FV = PV (1 + i) + PV (1 + i) × i =
= PV (1 + i) × (1 + i)

e portanto:

c) no 3o período de capitalização (n = 3)
A expressão para o valor futuro FV, ou montante, no final do 3o período de capitalização pode ser
deduzida de forma análoga, e toma o seguinte aspecto:

d) no enésimo período de capitalização


A expressão genérica do valor futuro FV, ou montante, resultante da aplicação de um principal PV
durante n períodos de capitalização, com uma taxa de juros i por período, no regime de juros
compostos é:

(4.1)

em que a unidade referencial de tempo da taxa de juros i deve coincidir com a unidade referencial
de tempo utilizada para definir o número de períodos n.
A Expressão Genérica (4.1) pode ser verificada utilizando-se os valores obtidos no exemplo da
Seção 2.3.1.1, do Capítulo 2. Observe na Tabela 2.2 que o montante FV encontrado através da fórmula
acima corresponde ao Saldo no final de cada ano após o pagamento.

4.2.2 Desconto “Por Dentro”, Ou Racional


A taxa de desconto i (por dentro, ou racional) é usualmente denominada taxa de desconto e é muito
utilizada pelo mercado financeiro.
Pela Expressão Genérica (4.1), podemos obter a seguinte relação:

(4.2)
que fornece o valor do principal PV a partir de FV, em função dos parâmetros n e i.
O valor do desconto “por dentro” (Dd ), ou racional, expresso em $, é obtido pela aplicação da
Expressão Genérica para desconto combinada com a Relação (4.2), isto é:

(4.3)

4.2.3 Dado PV, Achar FV


O problema envolvendo o cálculo do valor futuro FV a partir do valor presente PV consiste na
solução da Expressão Genérica (4.1), em que a relação (1 + i)n precisa ser calculada para os
parâmetros i e n.
A expressão (1 + i)n pode ser calculada para qualquer valor de i e de n, com a utilização da HP-12C
ou do Excel, e os cálculos são apresentados no Simulador da HP-12C, que toma o seguinte aspecto
quando aplicado na solução de problema do tipo “dado PV, achar FV”:

Além do que já foi apresentado nos capítulos anteriores a respeito da forma adequada de utilização
do Simulador, da planilha Excel e da calculadora HP-12C, especialmente na Seção 1.7.3, deve-se
destacar os seguintes pontos:
a) a célula do parâmetro FV está em destaque para indicar que esse parâmetro é que está sendo
calculado e o resultado da operação será mostrado nessa célula em destaque;
b) se a operação é realizada com a HP-12C, a tecla correspondente ao parâmetro FV deve ser a
última a ser pressionada, para acionar o cálculo desse parâmetro;
c) se a operação é realizada com a Planilha Excel, essa célula em destaque corresponde à célula
onde são inseridos o sinal de igual (=) e a função financeira FV.

4.2.3.1 Exemplo Numérico


Calcule o valor acumulado no final de seis anos, no regime de juros compostos, com uma taxa
efetiva2 de 10% ao ano, a partir de um investimento inicial (principal) de $1.000,00.
Solução:
n = 6 anos;i = 10% ao ano; PV = $1.000,00; PMT = $0,00; FV = ?
Os dados deste problema têm a seguinte apresentação:

que fornece $1.771,56 para o resultado do valor futuro (FV), no final do 6o ano.
Observar que o valor de PMT foi registrado como zero, por não fazer parte do problema, e que o
valor de PV foi inserido com o sinal negativo (investimento). O pagamento FV aparece com o sinal
positivo.

4.2.4 Dado FV, Achar PV


O problema envolvendo o cálculo do valor presente PV a partir do valor futuro FV consiste na
solução da Expressão Genérica (4.2), em que a relação [1/(1 + i)n] precisa ser calculada para os
parâmetros i e n.
A expressão [1/(1 + i)n] pode ser calculada, para qualquer valor de i e de n, com a HP-12C ou com
a Planilha Excel, e os cálculos serão aqui apresentados com o Simulador da HP-12C.
Veja abaixo a apresentação do Simulador quando aplicado na solução de problemas do tipo “dado
FV, achar PV”:

Aqui o leitor deve estar atento aos mesmos pontos levantados no caso de “dado PV, achar FV”,
item 4.2.3, mas deve observar que a célula em destaque, nesse caso, é PV.

4.2.4.1 Exemplos Numéricos


1. Calcule o valor do investimento inicial (principal) que deve ser realizado no regime de juros
compostos, com uma taxa efetiva de 1% ao mês, para produzir um montante acumulado de
$1.000,00 no final de 12 meses. Calcule o valor do desconto “por dentro”, expresso em $.
Solução:
n = 12 meses; i = 1% ao mês;FV = $1.000,00; PMT = $0,00; PV = ?; Dd = ?
a) cálculo do valor presente
Devemos preencher os dados acima no Simulador da HP-12C:

que fornecerá $887,45 para o valor presente (PV).


b) desconto “por dentro”, em $
O valor do desconto “por dentro”, expresso em $, é obtido pela Relação (4.3), conforme
indicado a seguir:

2. O montante de $1.000,00, colocado no final do 4o mês do diagrama indicado a seguir, deve ser
capitalizado e descontado com a taxa de 1% ao mês, no regime de juros compostos.
FIGURA 4.2

Calcule:
a) o valor acumulado no final do 7o mês, pela capitalização do montante de $1.000,00 indicado
no diagrama;
b) o valor que deve ser investido no final do 1o mês, para se obter o montante de $1.000,00
indicado no diagrama.

Solução:
a) montante no final do 7o mês
A solução deste problema pode ser visualizada no diagrama a seguir, que enquadra o
problema no Diagrama Padrão apresentado no Capítulo 1.

FIGURA 4.3

Assim, o valor de $1.000,00 fica colocado no ponto zero da nova escala de tempo, e deve ser tratado
como um valor presente PV, que precisa ser capitalizado três meses para atingir o final do 7o mês.
Preenchendo os dados no Simulador da HP-12C:

obteremos $1.030,30 para o valor futuro (FV), no final do 7o mês.


b) principal no final do 1o mês
Nesse caso, para enquadrarmos o problema no Diagrama Padrão, precisaremos colocar o
valor PV (a ser determinado) no ponto zero da nova escala de tempo, conforme indicado a
seguir:
FIGURA 4.4

Assim, o valor de $1.000,00 fica colocado no ponto 3 da nova escala de tempo, e deve ser tratado
como um valor futuro FV, que precisa ser descontado três meses para atingir o final do 1o mês.
Preenchendo os dados no Simulador da HP-12C:

obteremos $970,59 para o principal, ou seja, para o valor presente (PV).

4.3 Desconto “Por Fora”


4.3.1 Dedução Da Expressão Genérica
A Expressão Genérica do valor do desconto “por fora”, no regime de juros compostos, é baseada no
fluxo de caixa representado no diagrama a seguir, que obedece à simbologia desenvolvida no
Capítulo 1.

FIGURA 4.5 Desconto composto: taxa de desconto d — “por fora”

No regime de juros compostos, os descontos de cada período são obtidos pela aplicação da taxa de
desconto d por período, sobre o capital existente no início do período de desconto. Assim, temos:
a) no 1o período de desconto (n = 1)
capital no início do período = FV
desconto do período = FV × d
capital no final do período = PV = FV – FV × d = FV (1 – d)

b) no 2o período de desconto (n = 2)
capital no início do período = FV (1 – d)
juros do período = FV (1 – d) × d
capital no final do período = PV = FV (1 – d) – FV (1 – d) × d =
= FV (1 – d) × (1 – d)

e, portanto,

A expressão para o valor presente PV, no final do 3o período de desconto, pode ser deduzida de
forma análoga:

c) no enésimo período de desconto


A Expressão Genérica do valor presente PV, ou principal, resultante do desconto de um valor
fututo FV, durante n períodos, com uma taxa de desconto d por período, no regime de juros
compostos, é:

(4.4)

O valor do desconto “por fora” (Df), expresso em $, é obtido pela aplicação da Expressão Geral
para desconto, combinada com a Expressão (4.4):

(4.5)

4.3.2 Exemplo Numérico


Um título com o valor de $10.000,00, com 60 dias para seu vencimento, é descontado no regime de
juros compostos, com uma taxa de desconto “por fora” igual a 1,2% ao mês. Calcule o valor presente
do título e o valor do desconto composto, expresso em $.
Solução:
n =60 dias = 2 meses; i = 1,2% ao mês; FV = $10.000,00; PMT = $0,00; PV = ?; Df = ?
a) valor presente do título
O valor presente do título é obtido pela Relação (4.4), conforme indicado a seguir:

b) valor do desconto “por fora”, em $


O valor do desconto composto, “por fora”, é obtido pela Relação (4.5), conforme indicado a
seguir:

4.4 Problemas Resolvidos


1. Calcule o valor acumulado no final de 24 meses, com juros compostos de 1% ao mês, a partir de
um investimento inicial (principal) de $2.000,00.
Solução:
n = 24 meses; i = 1% ao mês; PMT = $0,00; PV = $2.000,00; FV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece $2.539,47 para o valor futuro (FV), no final do 24o mês.
2. Calcule o valor do investimento inicial (principal) que deve ser realizado no regime de juros
compostos, com uma taxa efetiva de 1,25% ao mês, para produzir um valor acumulado de
$1.000,00 no final de dois anos.
Solução:
n = 2 anos = 24 meses; i = 1,25% ao mês; FV = $1.000,00; PMT = $0,00; PV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece $742,20 para o valor presente (PV).


4. Um banco comercial realiza suas operações de crédito com uma taxa de juros de 1,00% ao mês,
ou seja, 6,00% ao semestre. Entretanto, os juros são pagos antecipadamente, por ocasião da
liberação dos recursos. Assim, para cada $1.000,00 de empréstimo, a ser liquidado no prazo de
seis meses, esse banco libera um principal de $940,00. Calcule a taxa efetiva mensal cobrada
nessas operações, no regime de juros compostos.
Solução:
n = 6 meses; FV = $1.000,00; PV = $940,00; PMT = $0,00; i = ? (ao mês)
Os dados do problema têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:
que fornece 1,03659% ao mês para a taxa de juros i.
5. Calcule as taxas efetivas mensal e diária de um título de renda fixa que tem uma rentabilidade de
10% ao ano, no regime de juros compostos.
Solução:
a) taxa mensal efetiva
Em um ano, com uma taxa de 10% ao ano, $100,00 se transformam em $110,00. A taxa
mensal procurada é aquela que faz $100,00 se transformar em $110,00 no prazo de 12 meses.
Assim temos:
n = 12 meses FV = $110,00; PV = $100,00; PMT = $0,00; i = ? (ao mês)
Os dados do problema têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C

que fornece 0,797414% para a rentabilidade mensal desse título.


b) taxa diária efetiva
A taxa diária procurada é aquela que faz $100,00 se transformar em $110,00 no prazo de 360
dias (ano comercial). Assim temos:
n = 360 dias; FV = $110,00; PV = $100,00; PMT = $0,00; i = ? (ao dia)
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece 0,0264786% para a rentabilidade diária desse título.


6. Um certificado de depósito bancário tem um valor de resgate de $10.000,00 e um prazo de 90 dias
a decorrer até seu vencimento. Calcule o valor a ser aplicado nesse papel para que sua taxa de
remuneração efetiva seja de 10% ao ano. Realizar os cálculos considerando o ano comercial com
360 dias.
Solução:
a) obtendo a taxa diária equivalente a 10% ao ano
Cálculo da taxa diária:
n = 360 dias; PV = $100,00; FV = $110,00; PMT = $0,00; i = ? (% ao dia)
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:
que fornece a taxa diária de 0,0264786%.
Cálculo do valor de aplicação:
n = 90 dias; i = 0,0264786% ao dia; FV = $10.000,00; PMT = $0,00; PV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece o resultado de PV = $9.764,54.


b) trabalhando com n fracionário
Nesta solução, vamos transformar os 90 dias em fração de ano e trabalhar com a taxa de
10% ao ano. Esta solução só é possível porque a HP-12C e a Planilha Excel operam com o
valor de n fracionário. Certifique-se de que a calculadora HP-12C apresenta a letra C no
visor (acione as teclas STO e EEX), para que ela opere a juros compostos na parte
fracionária de n.
n = 90 dias = 90/360 = 0,25 ano; i = 10% a. a.; FV = $10.000,00; PMT = $0,00; PV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece o resultado de PV = $9.764,54, idêntico ao anterior.


7. Uma debênture tem um valor de resgate de $10.000,00 e um prazo de dois anos e três meses a
decorrer até seu vencimento. Calcule o valor a ser aplicado nesse papel para que sua taxa de
remuneração efetiva seja de 12% ao ano. Realizar os cálculos no regime de juros compostos,
assumindo o ano comercial com 360 dias.
Solução:
Com a HP-12C apresentando a letra C no visor:
Neste caso todos os cálculos da HP-12C são feitos a juros compostos, tanto para a parte inteira de
n como para sua parte fracionária. Com a letra C no visor, a HP-12C e a Planilha Excel operam da
mesma forma, e os resultados obtidos são idênticos.
n = 2 anos e 3 meses = 2,25 anos; i = 12% ao ano; FV = $10.000,00; PMT = $0,00; PV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:
que fornece o resultado de PV = $7.749,25.
Ao se repetirem as mesmas operações com a HP-12C, sem a letra C no visor, o resultado obtido é
igual a $7.739,75, que corresponde ao seguinte:
cálculo a juros compostos na parte inteira de n (2 anos);
cálculo a juros simples na parte fracionária de n (0,25 ano).
Para confirmarmos essa situação, vamos inicialmente calcular o valor do papel, a juros compostos,
com dois anos a decorrer até o vencimento. Certifique-se de que a letra C esteja indicada no visor,
para que o cálculo seja realizado a juros compostos:

Vamos agora descontar este valor (PV = $7.971,94) por três meses, a juros simples de 12% ao ano:

resultado que coincide com o calculado sem a letra C no visor, confirmando o que foi enunciado.

4.5 Resumo
Neste capítulo, desenvolvemos as principais fórmulas do regime de juros compostos, bem como
ilustramos suas aplicações em diversos problemas do mercado.
A Expressão Genérica (4.1), que define o crescimento do dinheiro ao longo do tempo como sendo
a exponencial (1 +i)n, é a equação fundamental do regime de juros compostos. Todas as demais
fórmulas desenvolvidas no livro, para esse regime de juros, são obtidas a partir dessa expressão
genérica.
A taxa de desconto i (“por dentro”, ou racional), no regime de juros compostos, é usualmente
denominada taxa de desconto. Já a taxa de desconto d (“por fora”, ou comercial) praticamente não é
utilizada pelo mercado nesse regime de juros.

4.6 Problemas Propostos


Considere em todos os problemas o ano comercial com meses de 30 dias.
1. Calcule o montante acumulado em seis trimestres, com uma taxa de 1,2% ao mês, no regime de
juros compostos, a partir de um principal de $10.000,00.
2. Calcule o principal que deve ser investido para produzir um montante de $20.000,00, num prazo
de dois anos, com uma taxa de 12% ao semestre, no regime de juros compostos.
3. Um investidor aplicou $10.000,00 para receber $11.200,00 no prazo de um ano. Calcule a taxa de
rentabilidade mensal desse investidor, no regime de juros compostos.
4. Calcule o número de meses necessários para se fazer um capital triplicar de valor, com uma taxa
de 1% ao mês, no regime de juros compostos.
5. Um investidor deseja fazer uma aplicação financeira a juros compostos de 1,5% ao mês, de forma
a garantir uma retirada de $10.000,00 no final do 6o mês e outra de $20.000,00 no final do 12o
mês, a contar da data da aplicação. Calcule o menor valor que deve ser investido para permitir a
retirada desses valores nos meses indicados.
6. Uma empresa deseja liquidar uma nota promissória de $10.000,00 vencida há três meses, e ainda
antecipar o pagamento de outra de $50.000,00 com cinco meses a decorrer até seu vencimento.
Calcule o valor do pagamento a ser feito de imediato pela empresa para liquidar essas duas notas
promissórias, levando em consideração uma taxa de 1,2% ao mês, juros compostos, e
considerando os meses com 30 dias.
7. Um banco de investimento que opera com juros compostos de 1% ao mês está negociando um
empréstimo com uma empresa que pode liquidá-lo com um único pagamento de $106.152,02, no
final do 6o mês, a contar da assinatura do contrato. Calcule o valor que deve ser abatido do
principal desse empréstimo, no ato da contratação, para que esse pagamento seja limitado em
$90.000,00, e para que a taxa de 1% ao mês seja mantida.
8. Calcule o valor de uma aplicação financeira que produz um valor de resgate de $10.000,00 ao
final de 21 dias, com uma taxa de 1,5% ao mês, no regime de juros compostos.
9. Calcule o valor de resgate de uma aplicação financeira de $10.000,00, realizada no regime de
juros compostos, com uma taxa de 15% ao ano, pelo prazo de 18 dias.
10. Um investidor tem uma poupança de $100.000,00 aplicada num banco que lhe garante uma
remuneração de 0,8% ao mês para os próximos três meses, e lhe são oferecidas as seguintes
alternativas de investimentos:
a) aplicação de um valor máximo de $50.000,00, a uma taxa de 1,5% ao mês, por um prazo de
três meses;
b) aplicação de um valor mínimo de $100.000,00, a uma taxa de 1,0% ao mês, por um prazo de
três meses.
1
Consulte o Capítulo 1, item 1.7.3, para informações sobre o Simulador da HP-12C.
2
Taxa efetiva é a taxa de juros em que a unidade referencial de seu tempo coincide com a unidade de tempo dos períodos de
capitalização. Mais informações no Capítulo 5, Seção 5.2.
C AP Í T U L O 5

Taxa de Juros

5.1 Introdução
Neste capítulo apresentaremos as diferentes denominações das taxas de juros utilizadas pelo mercado
financeiro, os seus conceitos e as suas principais utilizações. Vamos mostrar também como adequá-
las às condições padronizadas pela HP-12C e pelo Excel, já que os problemas práticos e situações
cotidianas nem sempre satisfazem às condições de semelhança das unidades de tempo das taxas de
juros e dos períodos de capitalização.

5.2 Taxa Efetiva


Taxa efetiva é a taxa de juros em que a unidade referencial de seu tempo coincide com a unidade de
tempo dos períodos de capitalização. São exemplos de taxas efetivas:
2% ao mês, capitalizados mensalmente;
3% ao trimestre, capitalizados trimestralmente;
6% ao semestre, capitalizados semestralmente;
10% ao ano, capitalizados anualmente.
Nesse caso, tendo em vista a coincidência nas unidades de medida dos tempos da taxa de juros e
dos períodos de capitalização, costuma-se simplesmente dizer: 2% ao mês, 3% ao trimestre, 6% ao
semestre e 10% ao ano.
A taxa efetiva é a taxa utilizada nas calculadoras financeiras e nas funções financeiras das planilhas
eletrônicas.

5.3 Taxas Proporcionais — Juros Simples


5.3.1 Conceito
Taxas proporcionais são taxas de juros fornecidas em unidades de tempo diferentes que, ao serem
aplicadas a um mesmo principal durante um mesmo prazo, produzem um mesmo montante
acumulado no final daquele prazo, no regime de juros simples.

5.3.2 Exemplo Numérico


Calcule os montantes acumulados no final de quatro anos, a partir de um principal de $100,00, no
regime de juros simples, com as seguintes taxas de juros:
a) 12% ao ano;
b) 6% ao semestre;
c) 1% aomês.
Solução:
Usando a expressão genérica do crescimento do dinheiro no regime de juros simples (Relação
3.1), e considerando o valor do principal PV = $100,00, teremos as seguintes expressões, para cada
taxa de juros:
a) i = 12% ao ano
n = 4 anos
FV = PV (1 + i × n) = 100,00 (1 + 12% × 4) = 100,00 (1 + 0,12 × 4)= $148,00
b) i = 6% ao semestre
n = 4 anos = 8 semestres
FV = PV (1 + i × n) = 100,00 (1 + 6% × 8) = 100,00 (1 + 0,06 × 8)= $148,00
c) i = 1% ao mês
n = 4 anos = 48 meses
FV = PV (1 + i × n) = 100,00 (1 + 1% × 48) = 100,00 (1 + 0,01 × 48)= $148,00
Como o montante obtido no final de quatro anos foi sempre igual a $148,00, podemos concluir
que as taxas de 12% ao ano, 6% ao semestre e 1% ao mês são proporcionais, pois produzem o
mesmo montante ao serem aplicadas sobre o mesmo principal de $100,00, durante um mesmo prazo
(4 anos = 8 semestres = 48 meses), no regime de juros simples.

5.3.3 Fórmulas Relacionando Taxas Proporcionais


Inicialmente, vamos demonstrar a fórmula que relaciona as taxas proporcionais mensal (im) e anual
(ia ). Para isso, consideremos as Figuras 5.1 e 5.2 indicadas a seguir:

FIGURA 5.1 Taxa Mensal — juros simples — crescimento linear

FIGURA 5.2 Taxa Anual — juros simples — crescimento linear

No regime de juros simples, a Figura 5.1 fornece:


E a Figura 5.2 fornece: (5.1)

(5.2)
Para que essas taxas sejam proporcionais, é preciso que os montantes (FV) dos dois
esquemas (Figuras 5.1 e 5.2) sejam iguais. Assim, podemos igualar as relações (5.1) e (5.2), obtendo:

e finalmente:

As demais expressões, relacionando a taxa anual (ia )com as taxas proporcionais semestral (is),
trimestral (it) e diária (id ), podem ser obtidas de maneira análoga. Se considerarmos o ano comercial
(360 dias), as fórmulas que permitem o cálculo dessas taxas proporcionais estão a seguir indicadas:

(5.3)

5.3.4 Problema Resolvido


1. Calcule as taxas semestral, mensal e diária, proporcionais à taxa de 24% ao ano.
Solução:

Pela Relação (5.3) temos:


a) taxa semestral

ou seja, 12% ao semestre;


b) taxa mensal

ou seja, 2% ao mês;
c) taxa diária
ou seja, 0,0667% ao dia.

5.4 Taxas Equivalentes — Juros Compostos


5.4.1 Conceito
Taxas equivalentes são taxas de juros utilizadas no regime de juros compostos, que, apesar de serem
fornecidas em unidades de tempo diferentes, levam a um mesmo montante acumulado, quando
aplicadas a um mesmo principal durante um mesmo prazo.

5.4.2 Exemplo Numérico


Calcule os montantes acumulados no final de quatro anos, a partir de um principal de $100,00, no
regime de juros compostos, com as seguintes taxas de juros:
a) 12,6825% ao ano
b) 6,1520% ao semestre
c) 1,00% ao mês
Solução:
Usando a Expressão Genérica do crescimento do dinheiro, no regime de juros compostos
(Relação 4.1), e considerando o valor do principal PV = $100,00, teremos as seguintes expressões,
para cada taxa de juros:
a) taxa anual
i = 12,6825% ao ano;
n = 4 anos;
FV = PV (1 + i)n = 100,00 (1 + 0,126825)4 = $100,00 × 1,6122 = $161,22
Podemos obter esse mesmo valor com a HP-12C, ou com o Excel, conforme indicado a seguir,
através do Simulador da HP-12C:

A célula em destaque apresenta o valor de $161,22 obtido para FV, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica.
b) taxa semestral
i = 6,1520% ao semestre;
n = 4 anos = 8 semestres;
FV = PV (1 + i)n = 100,00 (1 + 0,06152)8 = $100,00 × 1,6122 = $161,22
Podemos obter esse mesmo valor através do Simulador da HP-12C:
A célula em destaque apresenta o valor de $161,22 obtido para FV, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica.
c) taxa mensal
i = 1% ao mês ;
n = 4 anos = 48 meses;
FV = PV (1 + i)n = 100,00 (1 +0,01)48 = $100,00 × 1,6122 = $161,22
Podemos obter esse mesmo valor através do Simulador da HP-12C:

A célula em destaque mostra o valor de $161,22 obtido para FV, que coincide com o calculado
através da expressão genérica.
Como o montante obtido no final de quatro anos é o mesmo ($161,22), podemos concluir que as
taxas de 12,6825% ao ano, 61520% ao semestre e 1% ao mês são taxas equivalentes.

5.4.3 Fórmulas Relacionando Taxas Equivalentes


Inicialmente, vamos demonstrar a fórmula que relaciona as taxas equivalentes mensal (im) e anual (ia ).
Para isso, consideremos os esquemas indicados a seguir:
No regime de juros compostos, o esquema da Figura 5.3 fornece:

(5.4)

FIGURA 5.3 Taxa Mensal — juros compostos — crescimento exponencial

E a Figura 5.4 fornece:

(5.5)
FIGURA 5.4 Taxa Anual — juros compostos — crescimento exponencial

Para que essas taxas sejam equivalentes, é preciso que os montantes (FV) dos dois esquemas sejam
iguais. Assim, podemos igualar as relações (5.4) e (5.5), obtendo:

As demais expressões, relacionando a taxa anual com as taxas equivalentes semestral, trimestral e
diária, podem ser obtidas de maneira análoga. Se considerarmos o ano comercial (360 dias), as
fórmulas que permitem o cálculo dessas taxas equivalentes estão a seguir indicadas:

(5.6)

5.4.4 Problema Resolvido


1. Calcule as taxas anual e semestral que são equivalentes à taxa de 3% ao trimestre.
Solução:

Utilizaremos a Relação (5.6) para a solução dos problemas:


a) taxa anual

e então:

ou seja, 12,5509% ao ano.


Podemos obter esse mesmo valor com a utilização do Simulador da HP-12C
A célula em destaque apresenta o valor de $112,5509 obtido para FV, que, em relação ao valor
principal de $100,00, indica uma taxa de juros de 12,5509% ao ano;
b) taxa semestral

e então:

ou seja, 6,09% ao semestre.


Podemos obter esse mesmo valor com a utilização do Simulador da HP-12C

A célula em destaque apresenta o valor de $106,0900 obtido para FV, que em relação ao valor
principal de $100,00 indica uma taxa de juros de 6,09% ao semestre.

5.5 Taxa Nominal


5.5.1 Conceito
Taxa nominal é a taxa de juros em que a unidade referencial de seu tempo não coincide com a
unidade de tempo dos períodos de capitalização. A taxa nominal é sempre fornecida em termos
anuais, e os períodos de capitalização podem ser semestrais, trimestrais, mensais ou diários. São
exemplos de taxas nominais:
12% ao ano, capitalizados mensalmente;
24% ao ano, capitalizados semestralmente;
10% ao ano, capitalizados trimestralmente;
18% ao ano, capitalizados diariamente.
A taxa nominal não representa uma taxa efetiva e, por isso, não deve ser usada nos cálculos
financeiros, no regime de juros compostos.
Toda taxa nominal traz em seu enunciado uma taxa efetiva implícita, que é a taxa de juros a ser
aplicada em cada período de capitalização. Essa taxa efetiva implícita é sempre calculada de forma
proporcional, no regime de juros simples.
A taxa efetiva anual será sempre maior que a taxa nominal, para períodos de capitalização
inferiores a um ano, em função dos juros acumulados a cada capitalização.
A taxa nominal aqui citada é a taxa utilizada na Tabela Price (Seção 5.5.4) bastante conhecida no
mercado financeiro.

5.5.2 Fórmulas
Vamos, inicialmente, assumir o ano comercial com 360 dias e as seguintes simbologias e
denominações:
iN = taxa de juros nominal anual (em % a.a.);
is = taxa semestral efetiva implícita (em % a.s.);
it = taxa trimestral efetiva implícita (em % a.t.);
im = taxa mensal efetiva implícita (em % a.m.);
id = taxa diária efetiva implícita (em % a.d.).
As taxas efetivas, que estão implícitas nas taxas nominais anuais, são obtidas em função do número
de períodos de capitalização da taxa nominal, pelas expressões relacionadas na Tabela 5.1 :

Tabela 5.1
Taxas efetivas

Nos exemplos citados no item 5.5.1, as taxas efetivas que estão implícitas nos enunciados das taxas
nominais são as seguintes:
12% ao ano, capitalizados mensalmente:

24% ao ano, capitalizados semestralmente:


10% ao ano, capitalizados trimestralmente:

18% ao ano, capitalizados diariamente:

Devemos, então, abandonar os valores das taxas nominais e realizar todos os cálculos financeiros
com os valores das taxas efetivas correspondentes, ou seja, 1% ao mês, 12% ao semestre, 2,50% ao
trimestre e 0,050% ao dia, no regime de juros compostos.
Conforme podemos observar, a taxa efetiva implícita de uma taxa nominal anual é sempre obtida
no regime de juros simples, dividindo-se o valor da taxa anual pelo número de períodos de
capitalização contidos em um ano.

5.5.3 Problemas Resolvidos


1. Calcule as taxas efetivas anuais que são equivalentes a uma taxa nominal de 9% ao ano, com os
seguintes períodos de capitalização: a) mensal; b) trimestral; e c) semestral.
Solução:

a) capitalização mensal — taxa efetiva mensal:

Para calcular a taxa efetiva anual, utilizaremos a relação 5.6:

ou seja, 9,3807% ao ano.


Podemos obter esse mesmo valor com a HP-12C, ou com o Excel. Isso está apresentado no
Simulador, conforme a seguir:
A célula em destaque apresenta o valor de $109,3807 obtido para FV, que, em relação ao valor
principal de $100,00, indica uma taxa de juros de 9,3807% ao ano;
b) capitalização trimestral — taxa efetiva trimestral:

Pela Relação (5.6) temos:

ou seja, 9,3083% ao ano.


Podemos obter esse mesmo valor utilizando o Simulador da HP-12C

A célula em destaque apresenta o valor de $109,3083 obtido para FV, que, em relação ao valor
principal de $100,00, indica uma taxa de 9,3083% ao ano;
c) capitalização semestral — taxa efetiva semestral:

Pela Relação (5.6) temos:

ou seja, 9,2025% ao ano.


Podemos obter esse mesmo valor utilizando o Simulador da HP-12C
A célula em destaque apresenta o valor de $109,2025 obtido para FV, que em relação ao valor
principal de $100,00, indica uma taxa de juros de 9,2025% ao ano.
Sugerimos que o leitor refaça os cálculos desse problema para as taxas nominais de 12% a.a., 24%
a.a. e 36% a.a. e confira os resultados com os valores indicados na Tabela 5.2.

Tabela 5.2
Taxas efetivas anuais

Obs: Valores com aproximação de duas casas decimais

Ao analisarmos os valores da Tabela 5.2, podemos tirar as seguintes conclusões:


a) a taxa efetiva anual é sempre maior do que a taxa nominal anual correspondente, a não ser
no caso de capitalização anual, quando as taxas são iguais;
b) a diferença entre essas duas taxas aumenta quando:
aumenta o número de períodos de capitalização;
aumenta o valor da taxa nominal.
2. Calcule a taxa efetiva trimestral que é equivalente a uma taxa nominal de 15% ao ano,
capitalizados mensalmente.
Solução:
Taxa nominal:

capitalização mensal — taxa efetiva mensal:


Para calcular a taxa efetiva trimestral, devemos utilizar a relação 5.6:

ou seja, 3,7971% ao trimestre.


Podemos obter esse mesmo resultado com a HP-12C, ou com o Excel, pelos valores indicados a
seguir:

A célula em destaque apresenta o valor de $103,7971 obtido para FV, que, em relação ao valor
principal de $100,00, indica uma taxa de juros de 3,7971% ao trimestre.
3. Calcule o montante acumulado no final de dois anos, ao se aplicar $1.000,00 à taxa de 9% ao ano,
capitalizados mensalmente.
Solução:
Taxa nominal:

capitalização mensal — taxa efetiva mensal:

Podemos resolver este problema de duas maneiras, conforme mostrado a seguir:


a) transformando o ano em meses:
PV = $1.000,00; n = 2 anos = 24 meses; im = 0,75% ao mês
O montante acumulado (FV) pode ser assim obtido:
FV = PV (1 + im) 24 = 1.000,00 (1 + 0,75%) 24 = 1.000,00 (1,0075) 24 =
= 1.000,00 × 1,196414 = $1.196,41

Podemos obter este mesmo resultado com a HP-12C, ou com o Excel, pelos valores indicados a
seguir:

A célula em destaque apresenta o valor de $1.196,41 obtido para FV, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica.
b) transformando a taxa mensal na taxa anual equivalente:
Pela Relação (5.6) temos:

ou seja, 9,3807% ao ano. Temos então os seguintes dados:


PV = $1.000,00;n = 2anos ; ia = 9,3807% ao ano
O valor de FV pode ser assim obtido:
FV = PV (1 + ia) 2 = 1.000,00 (1 + 9,3807%) 2 = 1.000,00 (1,093807) 2 =
= 1.000,00 × 1,196414 = $1.196,41

Podemos obter esse mesmo resultado com a HP-12C, ou com o Excel, pelos valores indicados a
seguir:

A célula em destaque apresenta o valor de $1.196,41 obtido para FV, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica.

5.5.4 Tabela Price


A Tabela Price, que tem grande aceitação no mercado, é utilizada principalmente para calcular o
valor das prestações de financiamentos imobiliários. Sua grande característica consiste em ter a taxa
nominal como elemento de entrada para obtenção dos fatores. Entretanto, os fatores são calculados
com a taxa efetiva decorrente da taxa nominal, em função do número de períodos de capitalização.
Assim, por exemplo, uma Tabela Price de 12% ao ano, capitalizados mensalmente, tem as seguintes
características:
a) a taxa de entrada, para a obtenção dos fatores, é de 12% ao ano, capitalizados mensalmente;
b) os períodos dessa tabela correspondem a meses;
c) a taxa utilizada no cálculo dos fatores é a taxa efetiva de 1% ao mês.
Assim, conforme já colocado na Seção 5.5.1, uma Tabela Price de 12% ao ano, capitalizados
mensalmente, corresponde a uma tabela de 1% ao mês, que representa, em termos anuais
equivalentes, uma taxa efetiva de 12,68% ao ano. Em função disso, o tomador do financiamento
deverá ficar atento, pois a taxa efetiva anual do empréstimo é maior que a taxa informada pela Tabela
Price.

5.6 Taxas Proporcionais versus Taxas Equivalentes


Veja como o exemplo abaixo ilustra a diferença entre as taxas proporcionais e equivalentes, obtidas,
respectivamente, no regime de juros simples e compostos.

5.6.1 Exemplo Numérico


Uma instituição financeira remunera suas aplicações com juros simples de 1,50% a.m., em todas as
operações, com prazos de até 45 dias. Considere três aplicações financeiras com os seguintes prazos:
a) 15 dias; b) 30 dias; e c) 45 dias.
Calcule qual das três aplicações tem a maior taxa efetiva mensal, no regime de juros compostos.
Solução:
a) operação com prazo de 15 dias
juros simples — taxas proporcionais
Obtenção do valor de resgate de uma aplicação de $100,00:

n = 15 dias
Valor de aplicação = PV = $100,00
Valor de resgate = FV = $100,00 (1 + 0,0005 × 15) = $100,75

juros compostos — taxas equivalentes


PV = $100,00; FV = $100,75; n = 15 dias
Obtenção da taxa diária:

e então:
que fornece:

Obtenção da taxa efetiva mensal equivalente, com o auxílio da Relação (5.6):

e então:

Podemos obter esse mesmo valor para a taxa mensal efetiva com a HP-12C, ou com o Excel.
Sejam os valores:
PV = $100,00;FV = $100,75; n=15 dias = 15/30 = 0,5 mês

A célula em destaque apresenta o valor de 1,5056 obtido para a taxa i, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica. Observar que a taxa obtida já é a taxa mensal efetiva, pois o prazo da
operação foi fornecido em fração de mês;
b) operação com prazo de 30 dias
Nas operações com prazo de 30 dias, a taxa de 1,50% ao mês, a juros simples, é idêntica à taxa
mensal efetiva, a juros compostos;
c) operação com prazo de 45 dias
juros simples — taxas proporcionais
Obtenção do valor de resgate de uma aplicação de $100,00:

n = 45 dias
Valor de aplicação = PV = $100,00
Valor de resgate = FV = 100,00 (1 + 0,0005 × 45) = $102,25
juros compostos — taxas equivalentes
PV = $100,00;FV = $102,25; n = 45 dias
Obtenção da taxa diária:

e então:

que fornece:

Obtenção da taxa efetiva mensal equivalente, com o auxílio da Relação (5.6):

e então:

Podemos obter esse mesmo valor para a taxa mensal efetiva com a HP-12C, ou com o Excel.
Sejam os valores: PV= $100,00; FV = $102,25; n = 45 dias = 45/30 = 1,5 mês.

A célula em destaque apresenta o valor de 1,4944 obtido para a taxa i, que coincide com o calculado
através da Expressão Genérica. Observar que a taxa obtida já é a taxa mensal efetiva, pois o prazo da
operação foi fornecido em meses.
A análise dos resultados deste exemplo numérico permite as seguintes conclusões, quando a taxa
de juros simples for mensal:
a) para prazos de aplicação inferiores a 30 dias, a taxa efetiva mensal é sempre maior que a taxa
mensal de juros simples, e é tanto maiorquanto menor for o prazo da aplicação;
b) para prazos de aplicação iguais a 30 dias, a taxa efetiva mensal é igual à taxa mensal de juros
simples;
c) para prazos de aplicação superiores a 30 dias, a taxa efetiva mensal é sempre menor que a taxa
mensal de juros simples, e é tanto menor quanto maior for o prazo da aplicação.

5.7 Outras Denominações


5.7.1 Taxa Bruta E Taxa Líquida
Costuma-se denominar taxa bruta de uma aplicação financeira a taxa de juros obtida considerando o
valor da aplicação e o valor do resgate bruto, sem levar em conta o desconto do imposto de renda e
outros impostos, que são retidos pela instituição financeira.
Por outro lado, denomina-se taxa líquida de uma aplicação financeira a taxa de juros obtida
considerando o valor da aplicação e o valor do resgate líquido, já levando em conta o desconto do
imposto de renda e de outros impostos.

5.7.2 Taxa Real E Taxa Nominal


Estas duas denominações estão diretamente ligadas ao fenômeno da inflação. Costuma-se denominar
taxa real a taxa de juros obtida após se eliminar o efeito da inflação, e taxa nominal a taxa de juros
que inclui a inflação. Assim, a taxa nominal é sempre maior do que a taxa real.
Esta taxa nominal não é a mesma citada nas Seções 5.5.1 e 5.5.4. A taxa aqui em questão está sempre
associada ao fenômeno da inflação e a uma taxa real de juros. Para entender com detalhes o conceito
da taxa nominal aqui apresentada, consulte a Seção 10.3.
A influência da inflação na análise dos fluxos de caixa será tratada no Capítulo 10. Podemos,
porém, antecipar que todos os conceitos da Matemática Financeira são aplicados, indistintamente, nos
fluxos de caixa com valores expressos em moeda “fraca” (que perde o poder aquisitivo no tempo, em
que há a presença da inflação) ou em moeda “forte” (que mantém o mesmo poder aquisitivo no
tempo).

5.8 Resumo
Neste capítulo, foram apresentadas diversas formas de informar e calcular taxas de juros.
Destacamos os seguintes pontos:
a taxa efetiva é a utilizada nos cálculos financeiros, a juros compostos, pelas calculadoras
financeiras e pelas funções financeiras das planilhas eletrônicas;
a taxa nominal tem uma taxa efetiva implícita em seu enunciado, que depende do número de períodos
de capitalização. Essa taxa efetiva implícita deve ser utilizada nos cálculos financeiros, a juros
compostos; essa é a taxa nominal utilizada na Tabela Price;
taxas proporcionais são taxas de juros que permitem o mesmo crescimento do dinheiro, no regime
de juros simples;
taxas equivalentes são taxas de juros que permitem o mesmo crescimento do dinheiro, no regime de
juros compostos;
taxa bruta e taxa líquida estão ligadas à questão do imposto de renda e de outros impostos;
taxa real e taxa nominal estão ligadas ao fenómeno da inflação; a taxa nominal aqui citada é a soma
das parcelas da taxa de juros real com a da taxa de inflação, e do produto entre essas duas taxas;
mais detalhes no Capítulo 10, Seção 10.3.4.

5.9 Problemas Propostos


Considere em todos os problemas o ano comercial com 360 dias.
1. Calcule as taxas mensal e diária proporcionais à taxa de 3,6% ao trimestre.
2. Calcule as taxas trimestral e anual proporcionais à taxa de 0,9% ao mês.
3. Calcule a taxa diária equivalente à taxa de 6% ao semestre.
4. Calcule as taxas efetivas trimestral e anual equivalentes à taxa de 1,05% ao mês.
5. Calcule as taxas efetivas anuais equivalentes às taxas de 2,0% ao trimestre e 4% ao semestre.
6. Calcule a taxa efetiva mensal equivalente a uma taxa nominal de 8,5% ao ano, capitalizados
trimestralmente.
7. Calcule as taxas efetivas trimestral e anual equivalentes à taxa nominal de 11,4% ao ano,
capitalizados mensalmente.
8. Calcule o montante acumulado no final de dois anos ao se aplicar um principal de $1.000,00 à
taxa de 10,20% ao ano, capitalizados mensalmente.
9. Uma instituição financeira remunera suas aplicações com uma taxa de 1,20% ao mês, no regime
de juros simples. Calcule os valores de resgate e as taxas efetivas mensais de uma aplicação de
$10.000,00, nas seguintes hipóteses para o prazo da operação: a) 10 dias e b) 60 dias.
10. Uma instituição financeira remunera suas aplicações com uma taxa efetiva de 1,20% ao mês, no
regime de juros compostos. Calcule os valores de resgate e as taxas mensais, a juros simples, de
uma aplicação de $10.000,00, nas seguintes hipóteses para o prazo da operação: a) 10 dias e b) 60
dias.
C AP Í T U L O 6

Série Uniforme — Prestações Iguais

6.1 Introdução
O objetivo deste capítulo é desenvolver as fórmulas usadas nas soluções de problemas envolvendo
uma série uniforme de valores monetários (pagamentos ou recebimentos) e de mostrar suas
aplicações por meio de exemplos numéricos.
Essa modalidade de prestações é usualmente conhecida como Modelo Price, no qual todas as
prestações têm um mesmo valor, que genericamente denominamos PMT.
O fato de as prestações terem um mesmo valor permite a obtenção de fórmulas simplificadas para
a capitalização e o desconto dessas parcelas. Essas fórmulas são deduzidas através da utilização da
expressão para a soma de termos de uma progressão geométrica, conforme será mostrado no
decorrer do capítulo.

6.2 Dado PMT, Achar FV


6.2.1 Dedução Da Expressão
Consideremos o seguinte fluxo de caixa:

FIGURA 6.1 Dado PMT, achar FV

Observe que a série uniforme PMT está de acordo com o Diagrama Padrão do Capítulo 1, que
obedece à convenção de final de período, sendo portanto uma série postecipada. Essa mesma
condição será válida para todos os outros casos apresentados ao longo do capítulo.
O problema do tipo “dado PMT, achar FV” consiste em determinar o montante acumulado FV, no
final de n períodos, a partir da capitalização das n prestações de uma série uniforme, todas com o
mesmo valor e igual a PMT, com uma taxa de juros i por período.
O montante FV corresponde à soma dos montantes individualmente calculados para cada prestação
até esse mesmo período n. Assim temos:
a 1ª prestação capitaliza juros durante (n -1) períodos, e seu valor futuro no final do período n é
igual a……….PMT (1 + i)n-1
a 2ª prestação capitaliza juros durante (n -2) períodos, e seu valor futuro no final do período n é
igual a……….PMT (1 + i)n-2
a penúltima prestação capitaliza juros durante 1 período, e seu valor futuro no final do período n é
igual a……….PMT (1 + i)
a última prestação não capitaliza juros, e seu valor no final do período n é igual a
……………….PMT
Assim, o montante FV é obtido pela soma dessas parcelas, isto é:

(6.1)
Os termos entre colchetes correspondem à soma de uma progressão geométrica (PG). A fórmula
de uma PG pode ser obtida multiplicando-se ambos os lados da Expressão (6.1) por (1 + i). Vejamos:

(6.2)
Subtraindo-se da Expressão (6.2) a Expressão (6.1):

e, portanto:

(6.3)
A expressão pode ser calculada para os parâmetrosien, coma utilização da HP-12C e do Excel,
através do Sumulador da HP-12, que apresenta o seguinte aspecto quando aplicado na solução de
problemas do tipo “dado PMT, achar FV”:

Os valores registrados devem obedecer à convenção de final de período e à convenção de sinal


explicadas no Capítulo 1. Fique atento, pois essas mesmas convenções devem ser respeitadas ao
longo deste capítulo.

6.2.2 Exemplo Numérico


1. Um investidor efetua os quatro depósitos anuais de $5.000,00 indicados no fluxo de caixa a seguir.

FIGURA 6.2
Sabendo-se que esses depósitos são remunerados com uma taxa efetiva de 8% ao ano, no regime de
juros compostos, calcule o valor acumulado por esse investidor no final do quarto ano, nas seguintes
situações:
a) imediatamente após a realização do quarto depósito;
b) imediatamente antes da realização do quarto depósito.

Solução:
a) saldo imediatamente após o 4o depósito.
n = 4 anos; i = 8% ao ano; PMT = $5.000,00; PV = $0,00; FV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece $22.530,56 para o saldo após o 4o depósito;


b) saldo imediatamente antes do 4o depósito
O saldo acumulado, imediatamente antes da realização do 4o depósito, é obtido subtraindo-
se, do saldo calculado no item a, o valor do último depósito, isto é:

6.3 Dado FV, Achar PMT


6.3.1 Dedução Da Expressão
Consideremos o seguinte fluxo de caixa:

FIGURA 6.3 Dado FV, achar PMT

A Relação (6.3) fornece:

Assim, o cálculo de PMT a partir de FV é obtido pela relação inversa, isto é:


(6.4)
O problema do tipo “dado FV, achar PMT” envolve a obtenção do valor PMT de cada prestação, a
partir do valor futuro FV, e consiste na solução da Relação Genérica (6.4).
A expressão pode ser calculada para os parâmetrosien, coma utilização da HP-12C e do Excel,
através do Simulador da HP-12, que apresenta o seguinte aspecto quando aplicado na solução de
problemas do tipo “dado FV, achar PMT”:

6.3.2 Exemplo Numérico


1. Calcule o valor de seis depósitos mensais, iguais e sucessivos, capazes de produzir um montante
de $5.000,00 no final do 6o mês, imediatamente após a realização do 6o depósito, sabendo-se que
esses depósitos são remunerados com uma taxa de 12% ao ano, capitalizados mensalmente.

FIGURA 6.4

Solução:
Cálculo da taxa efetiva implícita:

ao mês
Outras variáveis:
n = 6 meses; FV = $5.000,00; PV = $0,00; PMT = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:
que fornece o resultado de PMT = $812,74.

6.4 Dado PMT, Achar PV


6.4.1 Dedução Da Expressão
Consideremos o seguinte fluxo de caixa:

FIGURA 6.5 Dado PMT, achar PV

O problema do tipo “dado PMT, achar PV” consiste em determinar o valor presente PV
(principal), a partir do desconto das n prestações de uma série uniforme, todas com o mesmo valor e
igual a PMT, com uma taxa de juros i por período, no regime de juros compostos.
Este problema pode ser resolvido em duas etapas, conforme indicado no esquema a seguir:

FIGURA 6.6

Inicialmente, vamos calcular o montante acumulado FV por essas n prestações PMT, no final de n
períodos de capitalização da taxa de juros i, com o auxílio da Relação (6.3). Isto é:

Devemos agora transformar esse valor futuro FV no valor presente PV (principal), usando a
Relação (4.1). Assim:

Ao substituirmos o valor de FV na 1ª relação obtemos:


e finalmente:

(6.5)
O Simulador da HP-12C toma o seguinte aspecto quando aplicado na solução de problemas do tipo
“dado PMT, achar PV”:

6.4.2 Exemplo Numérico


1. Calcule o valor do investimento necessário para garantir um recebimento anual de $10.000,00 no
final de cada um dos próximos oito anos, sabendo-se que esse investimento é remunerado com
uma taxa efetiva de 10% ao ano, no regime de juros compostos.
Solução:
n = 8 anos; i = 10% ao ano; PMT = $10.000,00; FV = $0,00; PV = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece o resultado de PV = $53.349,26, onde PV representa o valor do investimento a ser feito.

6.5 Dado PV, Achar PMT


6.5.1 Dedução Da Expressão
Consideremos o seguinte fluxo de caixa:

FIGURA 6.7 Dado PV, achar PMT

A Relação (6.5) fornece:


Assim, o cálculo de PMT a partir de PV é obtido pela relação inversa, isto é:

(6.6)
O problema do tipo “dado PV, achar PMT” envolve a obtenção do valor PMT de cada prestação, a
partir do valor presente PV, e consiste na solução da Relação Genérica (6.6).
O Simulador da HP-12C toma o seguinte aspecto quando aplicado na solução de problemas do tipo
“dado PV, achar PMT”:

6.5.2 Exemplos Numéricos


1. Calcule o valor das prestações anuais de um financiamento realizado com a taxa efetiva de 8% ao
ano, no regime de juros compostos, sabendo-se que o valor do principal é $1.000,00 e que o
prazo da operação é de quatro anos.
Solução:
n = 4 anos; i = 8% a.a.; PV = $1.000,00; FV = $0,00; PMT = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece o resultado de PMT = $301,92.


2. Utilizando os dados do problema anterior, realizar as seguintes operações:
a) calcule as parcelas de amortizações e juros de cada uma das prestações anuais;
b) calcule o saldo devedor (principal remanescente) do financiamento, imediatamente após o
pagamento da 2ª prestação;
c) verifique que as amortizações crescem exponencialmente na mesma taxa do financiamento.

Solução:
a) cálculo das amortizações e juros
As amortizações e os juros de cada prestação estão apresentados na Tabela 6.1 :
Essa tabela, que será usada como referência ao longo de todo este exemplo, obedece ao
regime de juros compostos e foi elaborada de acordo com os seguintes critérios:
os juros de cada ano correspondem a 8% do saldo do principal disponível no início do
respectivo ano;
as amortizações do principal em cada ano são iguais ao valor da prestação anual (PMT), já
calculado no exemplo 1, menos o valor dos juros anuais correspondentes.

Observar que no final do 4o ano o saldo devedor do financiamento se anula mediante o pagamento da
última prestação, o que confirma que a taxa de juros de 8% ao ano está correta, pois ao longo de todo
o prazo do contrato houve a remuneração de 8% ao ano sobre o saldo do principal aplicado em cada
ano;

Tabela 6.1
Amortização e juros de cada prestação

b) saldo devedor (principal remanescente) após o pagamento da 2ª prestação


Uma forma de resolver este problema consiste em calcular a soma das amortizações que
faltam ser pagas, isto é:
Saldo no final do 2o ano = amortização do 3o ano + amortização do
4o ano = $258,85 + $279,56 = $538,41
O mesmo resultado pode ser obtido descontando-se o valor das prestações que faltam ser
pagas, isto é, calculando-se o valor presente (no final do 2o ano) das últimas duas prestações.
Isso pode ser alcançado pelas operações indicadas a seguir:

c) amortizações crescem exponencialmente a 8% ao ano


Fica assim demonstrado que as amortizações do Modelo Price crescem exponencialmente (em
progressão geométrica) com a mesma taxa do financiamento.
Dessa forma, podemos afirmar que qualquer amortização do Modelo Price pode ser obtida a partir
da 1ª amortização pela relação:

(6.7)

Essa relação é equivalente à Expressão (4.1), que interliga PV e FV, exceto que o valor presente PV
está colocado no ponto zero da escala de tempo e tem, portanto, n capitalizações para atingir o valor
futuro no final do período de ordem n.
A1ª amortização (A1), que está colocada no final do 1o período, necessita de (n - 1) capitalizações
para atingir a amortização de ordem n (An).
A Figura 6.8 apresenta, de forma esquemática, os valores das amortizações e juros anuais desse
financiamento:

FIGURA 6.8 Modelo Price — amortizações exponenciais

6.6 Problemas Resolvidos


6.6.1 Problemas Envolvendo PV E PMT
1. O preço à vista de um equipamento é igual a $11.400,00. Uma loja o está anunciando por
$1.400,00 de entrada e mais quatro prestações trimestrais de $2.580,00. Calcule a taxa efetiva
trimestral de juros cobrada na parte financiada.
Solução:
Como a entrada de $1.400,00 é paga no ato da compra, podemos considerar um principal líquido
conforme indicado a seguir:
PV= $11.400,00 - $1.400,00 = $10.000,00
n = 4 trimestres; FV = $0,00; PMT = $2.580,00; i = ? (% ao trimestre)
Os dados do problema têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece a taxa efetiva de juros de 1,27196% ao trimestre.


2. Uma dívida deve ser liquidada em três prestações trimestrais iguais de $1.000,00. Calcule o valor
do principal dessa dívida sabendo-se que o custo efetivo desse financiamento é de 1% ao mês, no
regime de juros compostos.
Solução:
O fluxo de caixa dessa dívida pode ser visualizado nas Figuras 6.9 e 6.10 :
a) considerando o período em meses (Fig. 6.9):
Nesse caso, vamos usar a taxa de 1% ao mês e descontar individualmente cada parcela de
$1.000,00. Em seguida, devemos somar os valores assim obtidos, conforme indicado a
seguir.
Podemos realizar essas operações, como se segue:

que fornece o valor do principal como sendo igual a $2.826,98;


b) considerando o período em trimestres (Fig. 6.10)
A taxa trimestral equivalente à taxa de 1% ao mês pode ser obtida com as operações
indicadas a seguir:

que fornece a taxa de 3,03010% ao trimestre. Podemos também encontrar a taxa trimestral
correspondente através da relação: (1 + it)4 = (1 + im)12.
Os dados do problema passaram, então, a ser os seguintes:
n = 3 trimestres; i = 3,03010% a.t.; PMT = $1.000,00; FV = $0,00; PV = ?
Esses dados têm a seguinte apresentação no Sinuladora da HP-12C:

que fornece resultado idêntico ao alcançado anteriormente.

FIGURA 6.9

FIGURA 6.10

3. Uma empresa anuncia que seus financiamentos são concedidos com uma taxa de juros de “1,5%
ao mês”. Para simplicidade operacional, as prestações são calculadas pela sistemática indicada a
seguir:
a) cálculo dos juros do financiamento:
Juros = Taxa de juros (% ao mês) × Prazo × Valor financiado
b) cálculo do valor da prestação:

Considerando os meses com 30 dias, calcule as taxas efetivas de juros mensais desses
financiamentos, para o prazo de quatro meses, nas seguintes hipóteses:
a) pagamento da 1ª prestação ocorrendo um mês após a liberação dos recursos (série
postecipada);
b) pagamento da 1ª prestação ocorrendo no ato da liberação dos recursos (série antecipada).

Solução:
Vamos inicialmente calcular o valor da prestação mensal para o financiamento de $1.000,00 no prazo
de quatro meses:

a) série postecipada
n = 4 meses;PV = $1.000,00;PMT = $265,00;FV = $0,00;i = ? (% ao mês)
Esses dados têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece a taxa efetiva de 2,3722% ao mês para a série postecipada.


b) série antecipada
Como a 1ª prestação de $265,00 é paga no ato da liberação dos $1.000,00, podemos
considerar um principal líquido conforme indicado a seguir:

Esse principal líquido de $735,00 deve ser liquidado com três prestações postecipadas de
$265,00. Assim, os dados do problema passam a ser:
n = 3 meses; PV = $735,00; PMT = $265,00; FV = $0,00; i = ? (% ao mês)
Esses dados têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece a taxa efetiva de 4,0286% ao mês para a série antecipada.


4. Uma loja de eletrodomésticos oferece seu Plano de Natal, no qual as vendas de dezembro podem
ser financiadas com o 1o pagamento só ocorrendo em abril. A taxa de juros efetiva cobrada nesse
financiamento é de 1,5% ao mês, no regime de juros compostos, e os cálculos são feitos
considerando-se que os meses têm 30 dias.
Um cliente realizou, em 15 de dezembro, compras no valor de $1.000,00 e deseja pagá-las em
quatro prestações mensais, iguais e sucessivas. Calcule o valor dessas prestações mensais, nas
seguintes hipóteses:
a) pagamento da 1ª prestação ocorrendo em janeiro;
b) pagamento da 1ª prestação só em abril, aproveitando a oferta do Plano de Natal.

Solução:
a) primeira prestação em janeiro
Nesse caso os dados do problema são os seguintes:
n = 4 meses; i = 1,5% ao mês; PV = $1.000,00; FV = $0,00; PMT = ?
Esses dados têm a seguinte apresentação no Simulador da HP-12C:

que fornece a prestação mensal de $259,44 para ser paga a partir de janeiro;
b) primeira prestação em abril
Inicialmente, devemos capitalizar o principal de $1.000,00 durante três meses para obter o
saldo do financiamento no mês de março. Isso é alcançado com os seguintes dados:

Agora devemos calcular as quatro prestações mensais para esse novo valor de principal, conforme
indicado a seguir:

que fornece a prestação mensal de $271,30 para ser paga a partir de abril.

6.6.2 Problemas Envolvendo FV E PMT


1. Uma instituição financeira remunera seus depósitos na base de 1,5% ao mês, no regime de juros
compostos, e realiza seus cálculos considerando os meses com 30 dias. Um investidor efetua
nessa instituição seis depósitos mensais e iguais a $800,00, ocorrendo o 1o depósito no final do
mês de janeiro e o último no final do mês de junho. Calcule os valores dos saldos acumulados nas
seguintes datas do mesmo ano:
a) final de junho, após o depósito do mês;
b) final de setembro.

Solução:
A Figura 6.11 ilustra o problema:
a) saldo no final de junho
De acordo com a Figura 6.11, os dados do problema são os seguintes:
n = 6 meses; i = 1,5% ao mês; PMT = $800,00; PV = $0,00; FV1 = ?
Os dados do problema têm a seguinte apresentação:

que fornece o resultado de FV = $4.983,64;


b) saldo no final de setembro
Agora precisamos capitalizar o saldo de junho por mais três meses, para obter o saldo no
final de setembro, conforme mostrado no Simulador da HP-12C a seguir:

que fornece o resultado de FV = $5.211,28 para o saldo no final de setembro.

FIGURA 6.11

2. Um banco comercial remunera seus depósitos na base de 1% ao mês, no regime de juros


compostos, considerando os meses com 30 dias nos cálculos de suas operações. Um investidor
efetua, nesse banco, seis depósitos mensais e iguais, ocorrendo o 1o depósito no final do mês de
janeiro e o último no final do mês de junho.
Calcule o valor do depósito mensal necessário para produzir saldo de $5.000,00 no final de
dezembro.
Solução:
a) saldo no final de junho
Devemos inicialmente achar o valor presente do saldo de $5.000,00, no final de junho, pois
este é o mês onde ocorreu o último depósito. Assim temos:
n = 6 meses; i = 1% ao mês; FV = $5.000,00; PMT = $0,00; PV = ?
Podemos realizar essa operação com o Simulador da HP-12C, conforme indicado:

que fornece $4.710,23 para o valor do saldo no final de junho, que será usado no cálculo do valor do
depósito mensal.
b) valor do depósito mensal
Agora os dados do problema passam a ser os indicados a seguir:
n = 6 meses; i = 1% ao mês; FV = $4.710,23; PV = $0,00; PMT = ?
Com esses dados, o Simulador da HP-12C tem a seguinte apresentação:

que fornece $765,64 para o valor do depósito mensal.


3. Um investidor efetuou quatro depósitos consecutivos de $5.000,00 numa caderneta de poupança,
no final de cada trimestre. Calcule a rentabilidade efetiva trimestral dessa caderneta de poupança,
sabendo-se que o saldo acumulado por esse investidor, imediatamente após a efetivação do último
depósito trimestral, é de $21.000,00.
Solução:
n = 4 trimestres;FV = $21.000,00;PMT = $5.000,00;PV = $0,00;i = ? (% ao trimestre)
Para os dados do problema, o Simulador da HP-12C tem a seguinte apresentação:
que fornece a taxa efetiva de juros de 3,26182% ao trimestre.

6.6.3 Problemas Envolvendo PV, PMT E FV


Nesta seção, vamos resolver alguns problemas envolvendo os cinco elementos do Diagrama Padrão,
isto é, problemas que incluem os parâmetros básicos i e n e ainda os três parâmetros monetários PV,
PMT e FV.
1. Um título de renda mensal foi emitido com os seguintes parâmetros:
prazo : 12 meses
valor de emissão : $10.000,00
valor de resgate : $10.000,00
juros mensais : 1% ao mês
valor do cupom mensal : $100,00

Observe que esse é um título em que os valores de resgate e de emissão são iguais e os rendimentos
são pagos periodicamente.
Calcule:
a) o fluxo de caixa do investidor que adquirir esse título e o conservar até seu vencimento;
b) o valor presente dos 12 cupons de $100,00;
c) o valor presente dos $10.000,00 que serão recebidos pelo investidor no final do 12o mês;
d) a soma dos valores presentes dos itens b e c.
e) a rentabilidade do investidor que adquirir esse título com 5% de deságio sobre o valor da
emissão

Solução:
a) o fluxo de caixa do investidor está indicado a seguir:

FIGURA 6.12

b) valor presente dos 12 cupons de $100,00:


que fornece PVcupons = $1.125,51;
c) valor presente do resgate de $10.000,00 no 12o mês:

que fornece PV = $8.874,49;


d) soma dos valores presentes dos itens a e b:

Observe que o valor de emissão ($10.000,000) é igual ao valor presente dos rendimentos
mais (+) o valor presente de resgate do título.
Podemos obter o valor presente do título com uma única operação na HP-12C/Excel, pois os
cinco parâmetros estão sempre em operação. Isso pode ser alcançado com os dados
indicados a seguir:

que fornece $10.000,00 para o valor presente do título.


e) rentabilidade com aquisição com deságio
Com deságio de $500,00 (5% sobre $10.000,00) os dados do problema passam a ser:
n = 12 meses; PV (valor de venda) = $9.500,00; FV (valor de resgate) = $10.000,00; PMT
(valor do cupom mensal) = $100,00; juros mensais = ?
que fornece a taxa efetiva de juros (rentabilidade) de 1,4572% ao mês.
2. Calcule o valor da taxa mensal de arrendamento para uma operação de leasing, com os seguintes
parâmetros:
a) valor da operação = $100.000,00;
b) prazo = 12 meses;
c) taxa efetiva de juros = 1,4% ao mês;
d) valor residual garantido (VRG) = 20%;
e) prestações são mensais e pagas no final de cada mês.

Solução:
Os dados do problema são os seguintes:
PV = $100.000,00
VRG = FV = 20% de $100.000,00 = $20.000,00
n = 12 meses
i = 1,4% ao mês

Taxa mensal de arrendamento = PMT = ?


O fluxo de caixa dessa operação de leasing está indicado a seguir:

FIGURA 6.13

Podemos obter a taxa de arrendamento mensal (PMT) com uma única operação na HP-12C ou na
Planilha Eletrônica Excel, fazendo os cinco elementos do problema entrarem em operação:

que fornece $7.568,79 para o valor da taxa de arrendamento mensal.


Vamos agora realizar uma verificação do resultado obtido, somando o valor presente das parcelas de
prestação mensal e do valor residual:
que fornece $100.000,01 para o valor da operação. A pequena diferença de $0,01 para o valor
original da operação deve-se ao arredondamento das parcelas.

6.6.4 Prestações Perpétuas


Nesta seção, vamos desenvolver a fórmula para o cálculo das prestações PMT quando o número de
períodos n tende para o infinito, isto é, para o cálculo de prestações perpétuas, ou perpetuidades.
Vamos nos basear no Problema 1 da Seção 6.6.3, que apresenta o seguinte fluxo de caixa:

FIGURA 6.14

É importante lembrar que esse título obedece ao conceito fundamental do regime de juros
compostos. Senão vejamos:
a) no 1o mês, o principal (PV) de $10.000,00 rende juros de $100,00 obtidos pela aplicação da taxa
de 1% sobre os $10.000,00 (saldo do principal no início do mês), elevando o saldo aplicado para
$10.100,00 no final do 1o mês;
b) no final do 1o mês, o investidor recebe os $100,00 de juros do 1o mês, e o saldo aplicado para o
2o mês volta a ser $10.000,00;
c) no2o mês, o processo se repete, e o saldo aplicado para o 3o mês continua a ser $10.000,00;
d) essa sistemática é mantida em todos os meses até o mês de vencimento do papel, em que o
investidor recebe os $10.000,00 originariamente aplicados.
Quanto maior o número de meses (n), menor a importância do valor de resgate do principal
aplicado colocado no último mês do fluxo de caixa, e portanto menor seu valor presente. Se o valor
de n tender para o infinito, então o valor presente dessa parcela futura de $10.000,00 tenderá a zero.
Assim, quando n tende para o infinito, o principal PV passa a ser equivalente a uma série perpétua
de prestações PMT = PV × i, e são válidas as relações:
valor presente de prestações perpétuas com valor PMT

(6.8)
valor das prestações perpétuas PMT para um principal PV

(6.9)
6.6.4.1 Problemas Resolvidos
1. Calcule o valor do investimento (PV) necessário para garantir um recebimento anual de
$1.000,00, de forma perpétua, sabendo-se que esse investimento é remunerado com uma taxa
efetiva de 10% ao ano, no regime de juros compostos.
Solução:
A partir da Relação (6.8) podemos escrever:

2. Calcule o valor da prestação mensal perpétua (PMT) que remunera um investimento de


$100.000,00 com a taxa de 1,2% ao mês, no regime de juros compostos.
Solução:
A partir da Relação (6.9) podemos escrever:

3. As ações preferenciais de uma determinada empresa pagam um dividendo anual de $5,00/ação.


Calcule o valor da ação preferencial dessa empresa sabendo-se que a taxa de desconto utilizada
no mercado é de 8% ao ano.
Solução:
Assumindo que essas ações preferenciais pagam regularmente esses dividendos anuais, e como as
ações preferenciais não têm data de resgate, podemos considerar os dividendos pagos por essa
ação como sendo uma perpetuidade. Dessa forma, o valor dessa ação preferencial é obtido pela
Relação (6.8), isto é:

6.7 Resumo
Neste capítulo, desenvolvemos as fórmulas que permitem transformar prestações uniformes de valor
igual a PMT em seu valor presente PV e em seu valor futuro FV correspondente.
Desenvolvemos também as fórmulas que realizam as operações inversas, permitindo transformar
o valor presente PV e o valor futuro FV em suas respectivas prestações de valor igual a PMT.
Todas as simplificações proporcionadas pela série uniforme PMT são baseadas na fórmula da
soma de termos de uma progressão geométrica, e só são alcançadas porque as prestações uniformes
são consideradas equidistantes no tempo. Assim, se as prestações são mensais, as fórmulas que
envolvem o cálculo com PMT consideram que todos os meses têm 30 dias.
Essa situação não ocorre, normalmente, nas operações de crediário, em que as prestações
costumam ter vencimento numa mesma data de calendário. Entretanto, é praxe do mercado realizar
os cálculos considerando os meses com 30 dias, e cobrar as prestações em datas fixas de calendário.
Nas soluções dos problemas, os fluxos de caixa foram enquadrados no Diagrama Padrão para
permitir o uso da solução com a HP-12C/Excel.

6.8 Problemas Propostos


Considere em todos os problemas o ano comercial com 360 dias.
1. Um empresário deseja obter um financiamento para adquirir um equipamento, cujo valor à vista é
de $10.000,00. Para diminuir o valor das prestações, ele pretende dar uma entrada de $3.000,00
por ocasião da compra. Calcule o valor das 24 prestações mensais, iguais e sucessivas, para a
parte financiada, sabendo-se que o financiamento é realizado a juros compostos de 15% ao ano,
capitalizados mensalmente, e que a 1ª prestação ocorre 30 dias após a liberação dos recursos.
2. Um equipamento cujo valor à vista é de $25.000,00 está sendo financiado a juros compostos de
12% ao ano, capitalizados mensalmente, no prazo de um ano. Calcule o valor que deve ser dado
de sinal, a título de entrada, para que o valor das 12 prestações mensais, iguais e sucessivas, seja
limitado a $1.700,00. Assumir quea1ª prestação ocorre 30 dias após a liberação dos recursos.
3. Um cliente de uma agência de automóveis adquiriu um veículo financiado em 24 prestações de
$1.500,00 com uma taxa de juros de 1% ao mês, no regime de juros compostos. No final de um
ano, esse cliente procurou a mesma agência para vender esse automóvel, e a agência lhe ofereceu
$18.000,00, para pagamento à vista. Calcule a parcela que deve ser paga ao cliente para que a
agência adquira esse veículo assumindo o restante do financiamento, com a mesma taxa de 1% ao
mês.
4. Um financiamento cujo principal é igual a $10.000,00 deve ser liquidado com 10 prestações
mensais, sucessivas e iguais a $1.075,00. Calcule a taxa interna de retorno desse financiamento, no
regime de juros compostos, supondo que a 1ª prestação ocorre 30 dias após a liberação dos
recursos.
5. Um financiamento de $10.000,00 deve ser liquidado mediante o pagamento de 12 prestações
mensais de $900,00. Calcule a taxa efetiva mensal desse financiamento, no regime de juros
compostos, nas seguintes hipóteses:
a) a1ª prestação ocorre 30 dias após a liberação do principal;
b) a1ª prestação ocorre na mesma data da liberação do principal.
6. Uma loja de eletrodomésticos realiza financiamentos de $1.000,00, para serem pagos em
prestações mensais iguais, calculadas a “1% ao mês”, pelo seguinte plano:
Juros = 1% × Prazo (meses) × $1.000,00;

Calcule as taxas efetivas mensais desses financiamentos, a juros compostos, para o prazo de seis
meses, nas seguintes hipóteses:
a) pagamento da 1ª prestação 30 dias após a liberação dos recursos;
b) pagamento da 1ª prestação no ato da liberação dos recursos, a título de entrada.
7. Um empréstimo de $100.000,00 é realizado com uma taxa de 10% ao ano, no regime de juros
compostos, e deve ser amortizado no prazo de 10 anos, com os dois primeiros anos de carência.
Calcule o valor das oito prestações anuais, iguais e sucessivas, que deverão ser pagas a partir do
final do 3o ano, nas seguintes hipóteses:
a) os juros devidos nos dois primeiros anos de carência são pagos no final de cada ano;
b) os juros devidos nos dois primeiros anos de carência não são pagos e sim capitalizados.
8. Uma empresa tomou um empréstimo de $100.000,00 que deve ser liquidado em 25 prestações
trimestrais iguais e sucessivas, com juros compostos de 3% ao trimestre, capitalizados
trimestralmente. Logo após o pagamento da 8ª prestação, essa empresa manifestou sua intenção
de aumentar o prazo desse empréstimo, de forma a liquidá-lo em 30 prestações trimestrais
adicionais, iguais e sucessivas. Calcule o valor dessa nova prestação trimestral, para que a taxa de
3% ao trimestre seja mantida.
9. Um investidor resolveu efetuar seis depósitos trimestrais sucessivos de $5.000,00 numa caderneta
de poupança que oferece uma remuneração de 12% ao ano capitalizados trimestralmente. O
primeiro depósito é efetuado no ato da decisão do investidor, e os cinco depósitos restantes no
final de cada um dos próximos trimestres. Calcule os saldos acumulados por esse investidor nessa
caderneta de poupança, nas seguintes ocasiões:
a) imediatamente após seu último depósito;
b) no final do 2o trimestre após a efetivação do último depósito.
10. Um financiamento, cujo valor do principal é de $100.000,00, deve ser liquidado mediante o
pagamento de 24 prestações mensais, iguais e sucessivas, a partir de 30 dias da liberação dos
recursos. Sabendo-se que a taxa efetiva desse financiamento, a juros compostos, é de 1% ao mês,
calcule:
a) o valor das prestações mensais;
b) o valor dos juros e da amortização, contidos na 1ª prestação;
c) o valor da amortização do principal contida na 20ª prestação;
d) o valor do saldo devedor (principal remanescente) imediatamente após o pagamento da 12ª
prestação.
11. Um banco de investimentos realiza suas operações de financiamento com uma taxa efetiva de
juros de 15% ao ano, no regime de juros compostos. Entretanto, essa taxa é cobrada em duas
parcelas:
a) uma parcela de 10% ao ano cobrada de forma postecipada, ao longo do contrato;
b) uma parcela antecipada cobrada no ato da liberação dos recursos. Calcule o percentual que
deve ser cobrado antecipadamente, no ato da liberação dos recursos, para que a taxa de 15%
ao ano seja mantida nos seguintes esquemas de amortização do financiamento:
liquidação do financiamento em uma única parcela, no final do 12o mês da liberação dos
recursos;
liquidação do financiamento em quatro parcelas trimestrais de mesmo valor, ocorrendo a 1ª
parcela 90 dias após a liberação dos recursos.
12. Uma loja de eletrodomésticos financia suas vendas em quatro vezes “sem juros”, mediante
pagamentos mensais, iguais e sucessivos, a partir do 30o dia da data da venda.
Calcule o percentual de acréscimo que essa loja deve aplicar em seus preços à vista para que
possa obter uma remuneração efetiva de 1,4% ao mês em seus financiamentos.
13. Uma instituição financeira que opera no regime de juros compostos, com uma taxa efetiva de
1% ao mês, oferece a seus clientes os seguintes planos de financiamento:
a) plano mensal: 12 prestações mensais, iguais e sucessivas, ocorrendo o pagamento da 1ª
prestação 30 dias após a data da operação;
b) plano trimestral: quatro prestações trimestrais, iguais e sucessivas, ocorrendo o pagamento
da 1ª prestação 90 dias após a data da operação.
Um cliente dessa instituição financeira deseja tomar um financiamento de $100.000,00, para
ser pago parte pelo plano mensal e parte pelo plano trimestral.
Calcule as parcelas que devem ser financiadas em cada plano para que a prestação do plano
trimestral seja o dobro do valor da prestação do plano mensal.
14. Uma debênture foi emitida com um valor de $10.000,00 e com um valor de resgate de
$10.000,00 no final de cinco anos. Os juros desse título são pagos anualmente com uma taxa
efetiva de 8% ao ano, e, portanto, os cupons anuais de juros têm o valor de $800,00. Calcule a
rentabilidade de um investidor que adquirir esse título na data de sua emissão com um deságio de
5% e que o conservar até seu vencimento.
15. Um autor de livro didático tem um contrato de edição, em caráter perpétuo, com uma editora
que paga direitos autorais anualmente, na base de 10% do preço de capa de cada livro vendido. O
volume de vendas dessa obra é de 3.000 exemplares por ano e seu preço de capa é de $50,00.
Calcule o valor presente desse contrato, considerando uma taxa de desconto de 10% ao ano.
C AP Í T U L O 7

Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno

7.1 Introdução
O objetivo primeiro deste capítulo é expandir e consolidar o conceito de valor presente de fluxos de
caixa no regime de juros compostos, introduzido em capítulos anteriores.
O segundo e principal objetivo é apresentar, por exemplos numéricos selecionados, os conceitos
de valor presente líquido e de taxa interna de retorno de um fluxo de caixa, indispensáveis para o
entendimento da Matemática Financeira e para o processo de análise e tomada de decisão de
investimentos em geral.

7.2 Valor Presente e Taxa de Desconto


7.2.1 Conceitos
Valor presente, taxa de desconto e equivalência de fluxos de caixa são conceitos absolutamente
interligados.
Denomina-se valor presente de um fluxo de caixa o valor monetário (PV) do ponto zero da escala
de tempo, que é equivalente à soma de suas parcelas futuras, descontadas para o ponto zero, com uma
determinada taxa de juros.
A taxa de juros utilizada para descontar as parcelas futuras do fluxo de caixa é denominada taxa de
desconto.

7.2.2 Exemplos Numéricos


1. Calcule o valor presente do fluxo de caixa indicado no diagrama a seguir, com uma taxa de juros
de 8% ao ano, no regime de juros compostos.

FIGURA 7.1

1ª Solução: decompondo o fluxo de caixa


O fluxo de caixa pode ser desdobrado nos fluxos de caixa indicados a seguir:
FIGURA 7.2 Fluxo (1)

FIGURA 7.3 Fluxo (2)

Podemos, então, determinar os valores presentes desses dois fluxos de caixa, conforme indicado a
seguir:
a) valor presente do fluxo (1) = PV1:

b) valor presente do fluxo (2) = PV2:

O valor presente procurado é igual à soma dos valores presentes desses dois fluxos, isto é:

2ª Solução: descontando individualmente cada parcela do fluxo de caixa


O desconto individual de cada parcela do fluxo de caixa pode ser realizado com as operações
indicadas a seguir:
que fornece o valor presente de $4.782,19, igual, é claro, ao obtido anteriormente.
Esse valor de $4.782,19 é equivalente às parcelas futuras do fluxo de caixa que foi fornecido,
descontadas a uma taxa anual de 8%.
Da ótica do financiador, podemos afirmar que o investidor que aceitar uma remuneração de 8% ao
ano sobre seu capital concorda em fazer um investimento de $4.782,19 para receber três parcelas de
$1.000,00 no final dos próximos três anos e mais uma parcela de $3.000,00 no final do 4o ano.
Da ótica do financiado, podemos afirmar que o tomador de um empréstimo de $4.782,19 para ser
pago em três parcelas anuais de $1.000,00 e mais uma parcela de $3.000,00 no final do 4o ano
concorda em remunerar o capital do financiador com a taxa de juros de 8% ao ano, que é o custo
efetivo do financiamento.
2. Calcule o valor presente do fluxo de caixa indicado no diagrama a seguir, com uma taxa de juros
de 1% ao mês, no regime de juros compostos.

FIGURA 7.4

1ª Solução: decompondo o fluxo de caixa


O fluxo de caixa pode ser desdobrado nos fluxos de caixa indicados a seguir:

FIGURA 7.5 Fluxo (1)


FIGURA 7.6 Fluxo (2)

Podemos então determinar os valores presentes desses dois fluxos de caixa, conforme indicado a
seguir:
a) valor presente do fluxo (1) = PV1:

b) valor presente do fluxo (2) = PV2:

O valor presente procurado é igual à soma dos valores presentes desses dois fluxos de caixa, isto é:

2ª Solução: descontando individualmente cada parcela do fluxo de caixa


O desconto individual de cada parcela do fluxo de caixa pode ser realizado com as operações
indicadas a seguir:
que fornece o valor presente de $873,65, idêntico ao obtido anteriormente.
Esse valor de $873,65 é equivalente às parcelas futuras do fluxo de caixa fornecido, com a taxa de
desconto de 1% ao mês utilizada para efetuar o desconto de todas as suas parcelas.
3. Calcule o valor presente do fluxo de caixa indicado na Tabela 7.1 com uma taxa de juros de 10%
ao ano, no regime de juros compostos.

Tabela 7.1

Solução:
O fluxo de caixa é totalmente heterogêneo, não permitindo qualquer simplificação algébrica.
Assim, a única maneira de obter seu valor presente é mediante o desconto individual de cada uma de
suas parcelas, o que pode ser alcançado com as operações a seguir indicadas.

O valor presente do fluxo de caixa é, portanto, igual a $12.043,83, que é equivalente às parcelas
futuras do fluxo de caixa, com a taxa de desconto de 10% ao ano.
7.2.3 Comentários
Os exemplos numéricos do item anterior serviram para mostrar diversas maneiras de determinar o
valor presente de cada um dos respectivos fluxos de caixa.
As simplificações podem ser alcançadas quando os fluxos de caixa apresentam uma certa
uniformidade que permite seus desdobramentos em outros fluxos, possibilitando assim a utilização
de operações envolvendo o parâmetro PMT para realizar o desconto das parcelas futuras.
O último exemplo apresentou um fluxo de caixa totalmente heterogêneo que não permite nenhuma
simplificação algébrica, e a única forma de obter o seu valor presente é pelo desconto individual de
suas parcelas futuras.
O valor presente de qualquer fluxo de caixa pode ser sempre obtido pelo desconto individual de
suas parcelas futuras, que devem ser, posteriormente, somadas algebricamente.

7.3 Valor Presente Líquido e Taxa Interna de Retorno


7.3.1 Conceitos – VPL E TIR
Nesta seção, vamos desenvolver os conceitos de valor presente líquido e de taxa interna de retorno de
um fluxo de caixa.
O valor presente líquido (VPL) ou “Net Present Value” (NPV) está diretamente ligado ao valor
presente do fluxo de caixa, explicado na Seção 7.2.
O valor presente líquido de um fluxo de caixa é igual ao valor presente de suas parcelas futuras
(que são descontadas com uma determinada taxa de desconto), somado algebricamente com a
grandeza colocada no ponto zero.
Na maioria das vezes, a grandeza colocada no ponto zero corresponde ao investimento inicial do
projeto e tem valor negativo, uma vez que representa uma saída de caixa. Ao longo dos próximos
capítulos, consideraremos, para efeito de simplificação didática, que o investimento ocorrerá todo no
ponto zero do fluxo, representando a única saída de caixa do fluxo. Na realidade, porém, o
investimento pode acontecer durante todo o prazo de execução do projeto, representando várias
saídas de caixa a partir do ponto zero.
A taxa interna de retorno (TIR) ou “Internal Rate of Return” (IRR) de um fluxo de caixa é a taxa de
desconto que faz seu valor presente líquido ser igual a zero.
O valor presente líquido é igual a zero quando as grandezas futuras do fluxo de caixa, ao serem
descontadas com uma determinada taxa, produzem um valor presente que é igual ao investimento
inicial (desembolso) colocado no ponto zero da escala de tempo.
Os exemplos desenvolvidos a seguir servem para consolidar esses conceitos.

7.3.2 Exemplos Numéricos


1. Calcule o valor presente líquido do fluxo de caixa indicado a seguir, com uma taxa de desconto de
8% a.a.
FIGURA 7.7

Solução:
Inicialmente, vamos desdobrar o fluxo de caixa do investimento nos dois fluxos indicados a seguir:

FIGURA 7.8 Fluxo (1)

FIGURA 7.9 Fluxo (2)

O fluxo (1) corresponde a um investimento inicial de $100,00, tem sinal negativo porque
corresponde a uma saída de caixa, e não deve ser descontado com a taxa de desconto, pois já é uma
grandeza que está colocada no ponto zero da escala de tempo.
O fluxo (2) corresponde à parcela futura de $121,00, que representa uma entrada de caixa no final do
2o ano e, portanto, tem sinal positivo. Essa parcela futura é que precisa ser descontada com a taxa de
desconto de 8% a.a., para se obter seu valor presente.
Essa operação de desconto está a seguir indicada:

O valor presente líquido do fluxo de caixa, com a taxa de 8% a.a., é igual à soma algébrica desse
valor presente de (+)103,74 com a parcela de (–)$100,00 colocada no ponto zero (investimento
inicial). Assim temos:
Como o valor presente líquido é positivo, para a taxa de 8% a.a., podemos afirmar que o
investimento inicial de $100,00 tem uma taxa interna de retorno superior a 8% a.a.
Vamos, agora, comentar o que significa o VPL de um investimento ser positivo, para uma
determinada taxa de desconto. No exemplo em análise, vamos explicar o significado do VPL (8%) =
(+) $3,74 para o investimento de $100,00. Para isso, realizaremos as seguintes operações:
a) capitalização de $100,00 a 8% ao ano, por 2 anos:

b) subtrair dos $121,00 a receber no 2o ano, o valor de $116,64, encontrando um saldo positivo
de $4,36 no 2o ano, cujo valor presente, a 8% ao ano, pode ser obtido como se segue:

O investimento original de $100,00 garante um recebimento de $121,00 no final do 2o ano, que pode
ser desdobrado nas parcelas de (a) $116,64 e de (b) $4,36. A parcela de $116,64 descontada a 8% ao
ano produz um valor presente de $100,00, e a parcela de $4,36 descontada a 8% ao ano produz um
valor presente de $3,74.
O VPL positivo de $3,74 para a taxa de desconto de 8% ao ano significa que o investimento de
$100,00, para receber $121,00 no final do 2o ano, está sendo remunerado a 8% ao ano e, além dessa
remuneração, está gerando um aumento de riqueza de $3,74, expresso em moeda do ponto zero.
Assim, esse investimento, para uma taxa de 8% ao ano, está agregando para esse investidor um valor
econômico de $3,74, expresso em termos de valor presente.
2. Consideremos o mesmo fluxo de caixa do problema anterior e vamos realizar as seguintes
operações:
a) calcule o valor presente líquido para a taxa de desconto de 12% a.a.;
b) calcule a taxa interna de retorno do investimento em termos anuais;
c) elabore um gráfico do valor presente líquido em função da taxa de desconto.

Solução:
a) valor presente líquido para 12% a.a.
Devemos, inicialmente, descontar a parcela futura de $121,00, conforme se segue:
Então, o valor presente líquido para a taxa de 12% a.a. é obtido pela relação:

Como o valor presente líquido é negativo para a taxa de 12% a.a, podemos afirmar que o
investimento inicial de $100,00 tem uma taxa interna de retorno inferior a 12% a.a;
b) taxa interna de retorno
Os valores presentes líquidos para as taxas de 8% a.a. e 12% a.a. obtidos anteriormente estão
indicados a seguir:

Como a taxa interna de retorno é a taxa de desconto que anula o valor presente líquido (VPL
= 0), podemos concluir, com os resultados anteriores, que ela está compreendida entre 8%
a.a. e 12% a.a.
Vamos, então, calcular o valor presente líquido para uma taxa de desconto compreendida
entre esses dois valores, por exemplo, 10% ao ano. Essa operação de desconto está indicada
a seguir:

Então, o valor presente líquido para a taxa de 10% a.a. é obtido pela relação:

o que garante que a taxa interna de retorno seja igual a 10% ao ano.
Como o fluxo de caixa envolve apenas PV e FV, a taxa interna de retorno pode ser obtida diretamente
pela seguinte operação indicada:
Vamos a seguir analisar o conceito de taxa interna de retorno de uma forma genérica, usando a
equação algébrica do valor presente líquido, que tem a seguinte apresentação para o fluxo de caixa
do problema:

(7.1)

Vamos fazer a seguinte mudança de variável:

(7.2)

Assim a Equação (7.1) passa a ter a seguinte apresentação:

(7.3)

Como a taxa interna de retorno (TIR) é aquela que anula o valor presente líquido (VPL), podemos
escrever:

(7.4)

A Relação (7.4) corresponde a uma equação do 2o grau com duas raízes, que podem ser calculadas
pela fórmula do trinômio do 2o grau, com os seguintes coeficientes:
a = (+) 121,00; b = 0,00; c = (−)100,00
Os valores de x encontrados após a solução da equação são:

O valor da taxa i é obtido a partir da Relação (7.2), que fornece:


e, portanto, temos os seguintes valores para as duas raízes:

Em relação às duas raízes cabe comentar:


1. a primeira raiz, no valor de 10% ao ano, é positiva e coincide com a apresentada
anteriormente, com o Simulador da HP-12C;
2. a segunda raiz, no valor de (−) 210%, é negativa e não tem qualquer sentido econômico.
c) gráfico do valor presente líquido em função da taxa de desconto
Esse gráfico é desenvolvido para valores de taxas de desconto maiores ou iguais a zero, pois
os valores negativos das taxas de desconto não têm sentido econômico.
Se a taxa de desconto for nula, o valor presente líquido será igual à soma algébrica dos
valores do fluxo de caixa, pois nenhuma parcela futura sofre qualquer desconto de valor ao
ser trazida para o ponto zero. Assim temos:

Se a taxa de desconto tende para o infinito todas as parcelas futuras se anulam quando
descontadas para o valor presente. Nesse caso, o valor presente líquido é igual ao valor da
parcela colocada no ponto zero (investimento inicial), que não sofre qualquer desconto.
Assim temos:

A Tabela 7.2 resume os resultados obtidos:


O gráfico do valor presente líquido em função da taxa de desconto está indicado a seguir:
FIGURA 7.10 Valor Presente Líquido (VPL)

Tabela 7.2

3. O estudo de viabilidade econômica de um projeto resulta no fluxo de caixa indicado na Tabela 7.3
:
Calcule:
a) o gráfico do valor presente líquido desse investimento, em função da taxa de desconto;
b) a taxa interna de retorno do fluxo de caixa, ou seja, a taxa efetiva anual de rentabilidade
desse investimento.

Solução:
a) gráfico do valor presente líquido em função da taxa de desconto
O fluxo de caixa é totalmente heterogêneo, não permitindo qualquer simplificação algébrica.
Assim, a única maneira de obter seu valor presente é mediante o desconto individual de cada
uma de suas parcelas.
O fluxo de caixa do 1o ao 5o ano é idêntico ao do Exemplo 3 da Seção 7.2.2, e seu valor
presente foi calculado para a taxa de desconto de 10% ao ano, produzindo o resultado de (+)
$12.043,83. Assim, o valor presente líquido para essa taxa de 10% a.a. é igual a:

O VPL positivo de $543,83 para a taxa de desconto de 10% a.a. significa que o fluxo de caixa
desse projeto está remunerando o investimento de $11.500,00 com a taxa de 10% a.a., e ainda
está gerando um aumento de riqueza de $543,83, expresso em moeda do ponto zero.
Sendo positivo o valor presente líquido, para a taxa de 10% a.a., podemos garantir que o
investimento inicial de $11.500,00 tem uma taxa interna de retorno superior a 10% a.a.
Vamos agora calcular o valor presente das parcelas futuras, com a taxa de desconto de 12%
a.a., pelo desconto individual dessas parcelas, conforme indicado a seguir:

Assim, o valor presente líquido para essa taxa de 12% a.a. é igual a:

A Tabela 7.4 resume os resultados já obtidos para o valor presente líquido do fluxo de caixa do
investimento, e os valores extremos para as taxas de descontos de 0% e ∞ %.
O gráfico do valor presente líquido em função da taxa de desconto está indicado a seguir:

FIGURA 7.11 Valor presente líquido (VPL) — investimento


Tabela 7.4

b) taxa interna de retorno


Pelos resultados obtidos até o momento, podemos garantir que a taxa interna de retorno está
compreendida entre 10% a.a. e 12% a.a., pois o valor presente líquido é positivo para a taxa
de 10% a.a. e negativo para a taxa de 12% a.a.
O valor da taxa interna de retorno pode ser obtido pelo processo das tentativas, no intervalo
de 10% a.a. a 12% a.a., e também pode ser aproximado por interpolação linear.
O valor exato da taxa interna de retorno, que é igual a 11,54% a.a., pode ser obtido pela
função IRR da HP-12C e da função TIR do Excel, como será mostrado no Capítulo 9.
Vamos a seguir analisar o conceito de taxa interna de retorno usando a equação algébrica do
valor presente líquido, que tem a seguinte apresentação para o fluxo de caixa do problema:

em que temos:

A equação do valor presente líquido, nesse caso, é um polinômio do 5o grau e, portanto, tem
cinco raízes. Entretanto só estamos interessados nas raízes reais e positivas, pois são as
únicas que têm significado econômico.
A regra de sinal de Descartes garante que os polinômios cujos coeficientes só apresentam
uma única variação de sinal têm apenas uma raiz real positiva. Essa é exatamente a situação
do fluxo de caixa do investimento em análise, que apresenta uma única variação de sinal, do
1o para o 2o coeficiente. Portanto, sua única raiz real positiva é igual a 11,54% a.a.

Tabela 7.3
7.4 Resumo
Neste capítulo, apresentamos os conceitos de valor presente líquido e de taxa interna de retorno de
fluxos de caixa.
O VPL de um fluxo de caixa é igual ao VP de suas parcelas futuras, somado algebricamente com a
grandeza colocada no ponto zero. A TIR de um fluxo de caixa é a taxa de desconto que faz seu VPL
ser igual a zero.
Quando os fluxos de caixa apresentarem parcelas futuras sem qualquer lei de formação,
recomendamos que essas duas grandezas sejam calculadas com as funções NPV e IRR da HP-12C e
com as funções VPL e TIR do Excel, conforme será mostrado no Capítulo 9.
A equação algébrica do valor presente líquido de um fluxo de caixa com parcelas futuras até o
período de ordem n é um polinômio de grau n.
A taxa interna de retorno de um fluxo de caixa é a taxa de desconto que anula seu valor presente
líquido, e, portanto, é uma das raízes desse polinômio de grau n que tem n raízes.

7.5 Problemas Propostos


1. Calcule os valores presentes dos fluxos de caixa indicados a seguir, para uma taxa de desconto de
1% ao mês, no regime de juros compostos.
2. Considere o investimento representado pelo fluxo de caixa indicado na tabela a seguir:

Calcule:
a) o gráfico do valor presente líquido desse fluxo de caixa, em função da taxa de desconto, no
intervalo de 0,00% a 6,00% ao semestre, com incrementos de 1,00%;
b) a taxa interna de retorno do fluxo de caixa, ou seja, a taxa efetiva semestral de rentabilidade
desse investimento.
3. Considere o investimento representado pelo fluxo de caixa indicado na tabela a seguir:

Calcule:
a) o gráfico do valor presente líquido desse fluxo de caixa, em função da taxa de desconto, no
intervalo de 0,00% a 16,00% ao ano, com incrementos de 2,00%;
b) a taxa interna de retorno do fluxo de caixa, ou seja, a taxa efetiva anual de rentabilidade
desse investimento.
4. A tabela a seguir mostra os valores presentes líquidos do fluxo de caixa de um investimento,
calculados para diversas taxas de desconto, no regime de juros compostos:
Pela análise dos dados desse quadro, responder:
a) Qual a taxa interna de retorno desse investimento?
b) Você desaplicaria seus recursos que estão rendendo 1,5% ao mês para realizar realizar esse
investimento?
C AP Í T U L O 8

Equivalência de Fluxos de Caixa

8.1 Introdução
Neste capítulo será introduzido o conceito de equivalência de fluxos de caixa, indispensável no
processo de tomada de decisões de investimentos.
Apresentaremos os principais planos de financiamento encontrados no mercado, entre eles o
Sistema de Amortizações Constantes (SAC)e o Modelo Price, muito utilizados nas operações de
financiamento imobiliário e de crédito ao consumidor, e nas operações de financiamento de longo
prazo de um modo geral.

8.2 Conceito de Equivalência


Fluxos de caixa equivalentes são aqueles que apresentam valores presentes (PV) iguais, quando
descontados a uma mesma taxa de juros (compostos).
A equivalência desses fluxos de caixa deixa de existir caso a taxa de juros utilizada para o cálculo
do VP seja alterada. Quando isso ocorre, os valores presentes também são alterados, e o conceito de
equivalência perde o sentido.
Se os fluxos de caixa tiverem o mesmo valor presente, a uma determinada taxa de juros, então,
seus valores futuros (FV) após n períodos, obtidos com essa mesma taxa de juros, são
necessariamente iguais. Dessa forma, a equivalência de fluxos de caixa não precisa obrigatoriamente
ser verificada no ponto zero da escala de tempo. Ela pode ser verificada no final de qualquer período
n, desde que o período escolhido seja o mesmo para todos os fluxos de caixa.

8.3 Planos Equivalentes de Financiamento


Considere um financiamento com os seguintes parâmetros:
Principal = $1.000,00
Taxa de juros = 8% ao ano
Prazo = 4 anos
A seguir, vamos desenvolver e analisar quatro planos equivalentes para amortizar esse
financiamento dentro dos parâmetros anteriormente definidos.

8.3.1 Plano A — Pagamento No Final


Neste plano, o financiamento é liquidado mediante o pagamento de uma única parcela no final do
período do financiamento, havendo capitalização de juros no final de cada ano.
A Tabela 8.1 mostra os cálculos dos valores desse financiamento no final dos quatro anos da
operação.
Tabela 8.1
Plano A — Pagamento no final (principal = $1.000,00, taxa de juros = 8% ao ano, prazo =
4 anos)

Por esse quadro de amortização do Plano A, o financiamento de $1.000,00 é liquidado com um


único pagamento de $1.360,49, realizado no final do 4o ano, sendo $1.000,00 de amortização do
principal e $360,49 de juros acumulados ao longo dos quatro anos.
Essa modalidade de pagamento se aplica a diversas operações do mercado, tais como operações de
capital de giro e de desconto de títulos e aplicações em títulos de renda fixa.

8.3.2 Plano B — Pagamento Periódico De Juros


Neste plano, o financiamento é liquidado da seguinte forma:
a) no final de cada ano, são pagos os juros do respectivo ano;
b) no final do prazo do financiamento, além dos juros anuais, é efetuado o pagamento integral do
principal.
A Tabela 8.2 mostra os cálculos dos valores desse financiamento no final dos quatro anos da
operação.
Tabela 8.2
Plano B — Pagamento periódico de juros (principal = $1.000,00, taxa de juros = 8% ao
ano, prazo = 4 anos)

Por esse quadro de amortização do Plano B, o financiamento de $1.000,00 é liquidado com quatro
pagamentos anuais de $80,00, correspondentes aos juros de cada ano, e mais um pagamento de
$1.000,00 no final do 4o ano, para amortizar integralmente o principal do financiamento.
Essa modalidade de pagamento se aplica a diversas operações do mercado, tais como operações de
leasing e aplicações em títulos de renda periódica (anual, mensal etc.).

8.3.3 Plano C — Prestações Iguais — Modelo Price


Neste plano, o financiamento é liquidado pelo pagamento de n prestações iguais (PMT), sendo n o
prazo da operação.
As prestações de cada ano são subdivididas em duas parcelas:
a) juros do ano, calculados sobre o saldo no início do respectivo ano;
b) amortização do principal, obtida pela diferença entre o valor da prestação e o valor dos juros do
ano.
A fórmula do Modelo Price considera que as prestações estejam equidistantes no tempo. Deve-se
atentar que esse modelo foi baseado no ano civil com 360 dias e com os meses de 30 dias.
No financiamento citado acima, podemos calcular o valor das prestações, através do Simulador da
HP-12C:

Verifique, na tabela abaixo, os cálculos dos valores desse financiamento no final dos quatro anos
da operação.
Tabela 8.3
Plano C — Prestações iguais — Modelo Price (principal = $1.000,00, taxa de juros = 8%
ao ano, prazo = 4 anos)

Essa modalidade de pagamento é conhecida como Modelo Price, e é bastante utilizada em


operações de financiamento imobiliário e de crédito direto ao consumidor.
Pelo quadro de amortização do Plano C, verificamos que a 1ª prestação contém $80,00 de juros,
correspondentes a 8% do saldo do início do ano ($1.000,00). A amortização da 1ª prestação ($221,92)
é obtida pela diferença entre o valor da prestação ($301,92) e o valor dos juros do 1o ano ($80,00).
O saldo remanescente do principal para o 2o ano é assim obtido:

Os juros do 2o ano ($62,25) são obtidos pela aplicação da taxa de 8% a.a. sobre o saldo do
principal no início do 2o ano ($778,08).
Assim, os juros de cada ano vão diminuindo de valor ao longo do tempo, e as amortizações,
inversamente, vão aumentando de valor de forma exponencial.
Ressaltamos que no Modelo Price as amortizações são obtidas a partir dos valores das prestações e
dos juros, conforme indicado a seguir:

(8.1)
Consulte o Exemplo 2 da Seção 6.5.2 e veja a demonstração de que no Modelo Price as
prestações são iguais e as amortizações crescem exponencialmente com a mesma taxa de juros do
financiamento. Veja também o gráfico (Figura 6.8) que ilustra esse modelo de financiamento.

8.3.4 Plano D — Sistema De Amortizações Constantes (SAC)


Neste plano, o financiamento é liquidado mediante o pagamento de n prestações linearmente
decrescentes. Cada prestação é subdividida em duas parcelas:
a) amortização do principal, obtida pela divisão entre o valor do principal do financiamento e o
prazo da operação; os valores das amortizações são iguais, por isso a denominação de Sistema de
Amortizações Constantes,
b) juros do ano, calculados sobre o saldo no início do respectivo ano.
A Tabela 8.4 mostra os cálculos dos valores desse financiamento no final dos quatro anos da
operação.

Tabela 8.4
Plano D — Sistema de amortizações constantes (principal = $1.000,00, taxa de juros =
8% ao ano, prazo = 4 anos)

Essa modalidade de pagamento é bastante utilizada nas operações de financiamentos imobiliários e


nos financiamentos de longo prazo de um modo geral.
No quadro de amortização do Plano D, devemos, inicialmente, calcular o valor da amortização
anual dividindo o valor do principal do financiamento pelo prazo da operação. Nesse caso, devemos
dividir 1.000,00 (principal) por 4 (prazo da operação), obtendo ($250,00) como valor anual de
amortização.
Os juros do 1o ano ($80,00) correspondem a 8% do saldo do início do 1o ano ($1.000,00), e o valor
da prestação ($330,00) corresponde à soma da amortização com os juros de cada ano.
O saldo remanescente do principal para o 2o ano é assim obtido:

Os juros do 2o ano ($60,00) são obtidos pela aplicação da taxa de 8% a.a. sobre o saldo do
principal no início do 2o ano ($750,00).
Dessa forma, o quadro de amortização do Plano D indica que o financiamento de $1.000,00 é
liquidado mediante o pagamento de quatro amortizações anuais de $250,00 e mais quatro parcelas
anuais de juros ($80,00, $60,00, $40,00 e $20,00).
Assim, as prestações e os juros de cada ano vão diminuindo linearmente de valor ao longo do
tempo, e as amortizações permanecem com o mesmo valor de $250,00.
Ressaltamos que no sistema de amortizações constantes as prestações são obtidas a partir dos
valores das amortizações e dos juros, conforme indicado a seguir:
(8.2)

8.3.5 Comentários Sobre Os Quatro Planos Equivalentes


Valem os seguintes comentários em relação aos planos de financiamento:
os quatro planos de pagamentos são absolutamente equivalentes, a uma taxa de 8% ao ano, porque
têm o mesmo valor presente (VP = $1.000,00) se descontados a essa mesma taxa.
os quatro planos de pagamentos são equivalentes, a uma taxa de 8% ao ano, porque têm o mesmo
valor futuro (FV = $1.360,49) no final do 4o ano, quando seus valores são capitalizados para essa
mesma data, a uma taxa de 8% ao ano.
Como exercício, sugerimos que o leitor calcule os valores presentes e futuros para cada um dos
planos de financiamento, através do Simulador da HP-12C, verificando assim sua equivalência.
o saldo do principal do início de cada ano foi sempre remunerado a 8% ao ano;
o pagamento do final do 4o ano liquidou integralmente o saldo remanescente do principal e juros
devidos de cada plano.
o valor total dos pagamentos de cada plano (consultar as tabelas anteriores: Plano A =
$1.360,49;Plano B = $1.320,00;Plano C = $1.207,68; Plano D = $1.200,00) não pode ser usado como
referência para análise do melhor plano, já que não se está considerando o valor do dinheiro no
tempo. Caso isso fosse válido, o Plano D seria o melhor para quem tomasse esse financiamento,
pois representa o plano com o menor valor a ser pago. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, o
Plano A seria o pior de todos, pois apresenta o maior valor a ser pago. E sabemos que isso não é
verdade.

8.3.6 Juros Médios — Um Processo Aproximado


Para introduzirmos o conceito de juros médios, vamos considerar que, no caso do Plano C
(prestações iguais — Modelo Price), a taxa de juros não fosse conhecida. Assim, os valores
conhecidos seriam:

Uma das maneiras de achar um valor aproximado para a taxa de juros é pelo processo dos juros
médios, cujo procedimento é o seguinte:
a) cálculo do prazo médio do financiamento, pela expressão:

No caso do Plano C (Modelo Price), temos:


b) cálculo da porcentagem total de juros em relação ao principal, com o auxílio da expressão:

No caso do Plano C (Modelo Price), temos:

c) cálculo dos juros médios, com o auxílio da expressão:

No caso do Plano C (Modelo Price), temos:

Vamos, agora, aplicar esse processo dos juros médios ao Plano D (Sistema de Amortizações
Constantes — SAC), como indicado a seguir:

Com relação à taxa de juros obtida pelo processo de juros médios, para esses dois planos (Modelo
Price e SAC), temos a comentar:
a) a taxa de juros fornecida por esse processo de juros médios é sempre exata nos financiamentos
liquidados pelo sistema de amortizações constantes;
b) a taxa de juros fornecida pelo processo de juros médios é sempre superior à taxa exata do
financiamento nos financiamentos liquidados pelo Modelo Price — prestações iguais.

8.4 Exemplos Numéricos


As soluções dos exemplos desenvolvidos nesta seção são apresentadas com o Simulador da HP-12C.
1. Verifique se os fluxos de caixa indicados na Tabela 8.5 são equivalentes a uma taxa de 6% ao ano:
Solução:
Para que esses quatro fluxos de caixa sejam equivalentes a 6% ao ano, é necessário que qualquer
uma das duas condições a seguir sejam satisfeitas:
a) seus valores presentes, a 6% ao ano, sejam iguais a $100.000,00;
b) seus valores futuros, no final do 6o ano, a 6% ao ano, sejam iguais a $141.851,91.
As operações para calcular os valores presentes dos fluxos de caixa (B), (C) e (D) estão
indicadas a seguir:

a) valor presente do fluxo B, a 6% ao ano:

b) valor presente do fluxo C, a 6% ao ano:

c) valor presente do fluxo D, a 6% ao ano:

Como os valores presentes dos fluxos de caixa (B), (C) e (D), a 6% ao ano, são iguais a $100.000,00,
podemos afirmar que esses fluxos de caixa são equivalentes ao fluxo de caixa (A), cujo valor
presente também é igual a $100.000,00.
Como os valores presentes de todos os fluxos de caixa são iguais a $ 1 00.000,00, podemos garantir
que seus valores futuros, no final do 6o ano, a 6% ao ano, são iguais a $141.851,91, que é o valor
futuro do fluxo de caixa (D). Sugerimos que o leitor faça esse cálculo como exercício.
Tabela 8.5
Fluxos de caixa equivalentes a 6% ao ano

2. Calcule o valor de Z para que os dois fluxos de caixa indicados na Tabela 8.6 sejam equivalentes,
com a taxa de juros de 10% ao ano.
Solução:
Podemos solucionar este problema calculando o valor futuro dos dois fluxos, no final do 4o ano,
conforme mostrado a seguir.
a) valor futuro do fluxo A, no final do 4o ano, a 10% ao ano:

b) valor futuro do fluxo B, no final do 4o ano, a 10% ao ano, para Z = $1,00:

Como os dois valores futuros devem ser iguais, podemos escrever:

que fornece Z = $3.835,54.


Tabela 8.6
Ano Fluxo A ($) Fluxo B ($)
0
1 1.000,00
2 1.000,00 Z
3 1.000,00
4 1.000,00
Soma 4.000,00 Z

3. Um banco de desenvolvimento realiza seus financiamentos de acordo com os seguintes


parâmetros:
i) prazo de 10 anos, com o início da amortização do principal ocorrendo no final do 3o ano;
ii) amortização do principal pelo Modelo Price ou pelo Sistema de Amortizações Constantes;
iii) taxa de juros de 10% ao ano, no regime de juros compostos.
Calcule os fluxos de caixa de uma empresa que tomou um financiamento de $100.000,00
nessa instituição de fomento, nas seguintes hipóteses:
a) juros pagos durante os dois anos de carência e amortização pelo Modelo Price a partir do 3o
ano;
b) juros capitalizados durante os dois anos de carência e amortização pelo Modelo Price a
partir do 3o ano;
c) juros pagos durante os dois anos de carência e amortização pelo Sistema de Amortizações
Constantes a partir do 3o ano;
d) juros capitalizados durante os dois anos de carência e amortização pelo Sistema de
Amortizações Constantes a partir do 3o ano.

Solução:
a) Modelo Price com juros pagos na carência
Os juros pagos, em cada ano, nos dois anos da carência são iguais a:

O valor da prestação anual é calculado conforme indicado a seguir:

que fornece $18.744,40 para o valor da prestação anual.


b) Modelo Price com juros capitalizados na carência
O saldo do financiamento, acumulado no final do 2o ano, é obtido pela seguinte operação:
O valor da prestação anual é então calculado pela operação:

que fornece $22.680,73 para o valor da prestação anual.


Vale destacar que, nas situações em que não ocorre pagamento de juros ao longo do período de
carência, é necessário calcular o valor corrigido do principal do financiamento na data em que se
inicia o pagamento das prestações (que nesse exemplo ocorre no final do 2o ano). Esse valor
corrigido é que será usado como valor de PV para o cálculo do valor das prestações do
financiamento.
Os fluxos de caixa correspondentes aos itens a e b estão representados na Tabela 8.7 :
Tabela 8.7
Prestações iguais — Modelo Price — fluxo de caixa

c) Sistema de Amortizações Constantes com juros pagos na carência


Os juros pagos, em cada ano, nos dois anos da carência são iguais a:

O valor de cada uma das oito amortizações anuais é obtido dividindo-se o principal pelo
prazo da operação:

O fluxo de caixa desse financiamento está indicado na Tabela 8.8 :


Observar que na Tabela 8.8 os juros anuais, após o período de carência, decrescem de valor
numa razão constante igual a:
Decréscimo anual de juros = 10% × 12.500,00 = $1.250,00
Tabela 8.8
Sistema de Amortizações Constantes — SAC — fluxo de caixa — juros pagos na
carência

d) Sistema de Amortizações Constantes com juros capitalizados na carência O saldo do


financiamento, acumulado no final do 2o ano, está calculado a seguir:

O valor de cada uma das oito amortizações anuais é obtido como se segue:

Os juros a serem pagos no final do 3o ano correspondem a:

Os juros anuais decrescem de valor numa razão constante igual a:


Decréscimo anual dos juros = 10% × 15.125,00 = $1.512,50
O fluxo de caixa desse financiamento está indicado na Tabela 8.9 :
Tabela 8.9
Sistema de Amortizações Constantes: fluxo de caixa — juros capitalizados na carência

4. Um empresário deseja vender um imóvel pelo preço de $120.000,00 à vista, porém está disposto a
financiar 50% desse valor no prazo de um ano, com juros compostos de 1,5% ao mês, mediante
um dos seguintes planos de pagamentos:
a) doze prestações mensais;
b) doze prestações mensais de $4.000,00 e mais duas parcelas intermediárias de mesmo valor,
no final de cada semestre;
c) duas intermediárias semestrais de $10.000,00 e mais 12 prestações mensais.
Sabendo-se que a 1ª prestação ocorre 30 dias após a venda do apartamento e considerando os
meses com 30 dias, calcule os fluxos de caixa desses três planos de financiamento para que
sejam equivalentes, a uma taxa de 1,5% ao mês.
Solução:
Valor da parcela financiada = 50% × $120.000,00 = $60.000,00

a) doze prestações mensais


O valor da prestação mensal pode ser calculado com a seguinte operação:

quefornece $5.500,80 parao valordecadaumadas 12 prestações mensais.


b) dozeprestaçõesmensaisde $4.000,00 e mais duas intermediárias semestrais
Podemos assumir que cada prestação mensal de $5.500,80 é subdividida em duas parcelas, a
saber:
1ª parcela de $4.000,00, que continua sendo paga mensalmente;
2a parcela de $1.500,80 ($5.500,80 − $4.000,00), que deve ser transferida, de forma
equivalente, para pagamento no final do semestre.
Assim, o valor de cada intermediária semestral é obtido com a seguinte operação:

que fornece $9.349,31 para o valor de cada uma das duas intermediárias semestrais.
c) duas intermediárias semestrais de $10.000,00 e mais 12 prestações mensais
Podemos inicialmente calcular o valor presente das duas intermediárias semestrais, como se
segue:

Assim, o valor presente que deve ser amortizado pelas 12 prestações mensais corresponde a:

O valor da prestação mensal é assim obtido:

que fornece $3.895,55 para o valor de cada uma das 12 prestações mensais.
Podemos, então, resumir os três planos equivalentes de pagamentos para a parcela financiada de
$60.000,00:
i) doze prestações mensais de $5.500,80;
ii) doze prestações mensais de $4.000,00 e mais duas intermediárias semestrais de $9.349,31;
iii) doze prestações mensais de $3.895,55 e mais duas intermediárias semestrais de $10.000,00.
5. Considere o fluxo de caixa indicado na Figura 8.1 e calcule o valor da prestação mensal x, que
ocorre do 1o ao 5o mês e do 7o ao 11o mês, para que a rentabilidade efetiva da operação seja de
1,2% ao mês, no regime de juros compostos.
Solução:
Inicialmente, devemos calcular o valor presente das duas parcelas de $3.000,00, com as operações
a seguir indicadas:

Assim, o valor do principal a ser amortizado pelas 10 parcelas mensais de valor igual a x
corresponde a:

Vamos, agora, determinar o valor presente de 10 parcelas unitárias (x = $1,00), colocadas no final
dos 11 primeiros meses, exceto no final do 6o mês. Isso é alcançado pelas operações a seguir
indicadas:
Se chamarmos de x o valor de cada uma dessas 10 parcelas individuais, podemos escrever:

que fornece x = $494,53 para o valor das prestações mensais.


Uma solução particular para este problema poderia ser alcançada somando e subtraindo a mesma
grandeza x no final do 6o mês, conforme mostrado no esquema da Figura 8.2 :
Agora, devemos calcular o valor presente das 11 parcelas unitárias, que ocorrem do 1 o mês ao 11 o
mês, e desse valor devemos subtrair o valor presente da parcela unitária colocada no 6o mês. Isso é
alcançado pelas operações indicadas a seguir:

que fornece o mesmo resultado obtido anteriormente, pelo desconto individual de cada uma das 10
parcelas.

FIGURA 8.1

FIGURA 8.2

6. Um financiamento cujo principal é igual a $10.000,00 deve ser liquidado num prazo de quatro
anos. A 1ª prestação tem um valor de $2.700,00, e seu pagamento deve ocorrer no final do 1o ano.
As outras três prestações anuais devem ter um crescimento linear em relação à 1a prestação,
fazendo com que as quatro prestações formem uma programação aritmética crescente. Calcule o
valor das prestações anuais sabendo-se que a taxa efetiva de juros desse financiamento é de 8% ao
ano.

FIGURA 8.3

Solução:
Inicialmente, devemos calcular o valor presente das quatro parcelas anuais de $2.700,00, com a
seguinte operação:

que fornece o valor presente de $8.942,74.


Assim, o valor presente que deve corresponder às parcelas x, 2x e 3x deve ser igual a:

Vamos, agora, assumir que x = $1,00 e descontar as parcelas de $1,00 no final do 2o ano, $2,00 no
final do 3o ano e $3,00 no final do 4o ano, com as operações a seguir indicadas:

Podemos então escrever a equação do valor presente para as parcelas linearmente crescentes:
que fornece x = $227,36, e portanto temos:
Prestação do 1o ano = $2.700,00
Prestação do 2o ano = $2.700,00 + $227,36 × 1 = $2.927,36
Prestação do 3o ano = $2.700,00 + $227,36 × 2 = $3.154,72
Prestação do 4o ano = $2.700,00 + $227,36 × 3 = $3.382,08

8.5 Resumo
O conceito de equivalência de fluxo de caixa utilizado na tomada de decisão de investimentos foi
desenvolvido ao longo do presente capítulo por meio da apresentação de exemplos de planos de
financiamento, especialmente o Modelo Price e SAC (Sistema de Amortização Constante),
comumente usados no mercado financeiro.
A equivalência representa o ponto de indiferença entre dois fluxos de caixa. Isso significa que tanto
faz realizar o investimento A ou investimento B se seus valores presentes forem iguais.
Nas situações em que dois ou mais fluxos de caixa são equivalentes a uma determinada taxa de
juros, essa equivalência deixará de existir se a taxa de juros for alterada.
Lembramos, finalmente, que a equivalência deve ser analisada no regime de juros compostos e que
pode ser verificada no final de qualquer período n, desde que o período escolhido seja o mesmo para
todos os fluxos de caixa envolvidos.

8.6 Problemas Propostos


Considere em todos os problemas o ano comercial com 360 dias.
1. Calcule o valor das cinco prestações anuais de um plano de pagamentos para um financiamento
de $1.000,00, com taxa de juros de 10% ao ano, que obedeça aos seguintes critérios:
a) os juros de cada ano devem ser calculados sobre o saldo devedor do início do ano,
imediatamente após o pagamento da prestação do ano anterior;
b) a prestação de cada ano é obtida pela divisão do saldo devedor no final do respectivo ano
(imediatamente antes do pagamento da prestação que está sendo calculada) pelo número de
prestações que ainda faltam ser pagas (inclusive a prestação em questão);
c) desdobre as cinco prestações anuais em suas parcelas de amortização e juros, e verifique que
as prestações são crescentes numa progressão geométrica igual a 1,10 (= 1 +taxa de juros).
2. Uma instituição financeira está elaborando os cálculos de seus financiamentos e deseja que a taxa
efetiva de 1% ao mês, no regime de juros compostos, seja mantida em todas as suas operações.
Considerando que os meses têm 30 dias e que o financiamento de um principal de $10.000,00
deve ser amortizado no prazo de 10 meses, calcule:
a) o valor das prestações mensais, iguais e sucessivas (Modelo Price, série postecipada);
b) o valor das prestações mensais segundo o Sistema de Amortizações Constantes.
3. Um empréstimo de $100.000,00 é realizado com uma taxa de 10% ao ano, no regime de juros
compostos, e deve ser amortizado pelo Sistema de Amortizações Constantes, no prazo de 10 anos
com os dois primeiros anos de carência. Calcule o fluxo de caixa desse empréstimo nas seguintes
hipóteses:
a) os juros devidos nos dois primeiros anos de carência são pagos no final de cada ano;
b) os juros devidos nos dois primeiros anos de carência não são pagos, e sim capitalizados.
4. Uma instituição financeira realiza seus empréstimos a juros compostos, com uma taxa efetiva de
1,4% ao mês, e as operações podem ser liquidadas com duas modalidades de pagamentos:
a) em 24 prestações mensais, iguais e sucessivas, ocorrendo a 1ª prestação 30 dias após a
liberação dos recursos;
b) em quatro parcelas semestrais, iguais e sucessivas, ocorrendo a 1ª parcela 180 dias após a
liberação dos recursos.
Calcule o valor das prestações mensais e das parcelas semestrais para um financiamento cujo
principal é de $50.000,00, de tal forma que as duas modalidades de pagamentos sejam
equivalentes na taxa oferecida pela instituição financeira. Considere os meses com 30 dias.
5. Um terreno com um valor à vista de $50.000,00 está sendo financiado num prazo de dois anos,
mediante o pagamento de 24 prestações mensais e, adicionalmente, mais duas parcelas anuais de
mesmo valor. Esses pagamentos têm as seguintes características:
a) as prestações mensais são sucessivas e iguais a $1.500,00, ocorrendo a 1a prestação 30 dias
após a venda do terreno;
b) as duas parcelas anuais, de mesmo valor, devem ser pagas no final do 12o mês e do 24o mês,
a contar da venda do terreno.
Considerando os meses com 30 dias, calcule o valor das parcelas anuais para que a taxa
efetiva do financiamento seja de 1,5% ao mês, no regime de juros compostos.
6. Um banco de investimentos está elaborando os programas para os cálculos de seus
financiamentos e deseja que a taxa de 1,2% ao mês, no regime de juros compostos, seja mantida
em todas as operações. Considere que os financiamentos devem ser amortizados no prazo de dois
anos e que a 1ª prestação tem vencimento 30 dias após a liberação dos recursos. Considere um
financiamento com um principal de $10.000,00 e calcule:
a) o valor de cada uma das 24 prestações mensais, iguais e sucessivas;
b) para quanto será reduzido o valor da prestação mensal se no final de cada trimestre for paga
uma parcela intermediária de $1.000,00, adicionalmente ao valor da prestação mensal
correspondente;
c) o valor da parcela intermediária trimestral, se a prestação mensal for fixada em $300,00.
7. Um banco de investimentos financia apenas 80% do valor à vista de qualquer equipamento e
cobra juros compostos efetivos de 1% ao mês. Um empresário deseja comprar um equipamento
no valor de $25.000,00 e, portanto, pode se habilitar num financiamento de $20.000,00, para ser
amortizado no prazo de um ano. Considerando o ano comercial, calcule:
a) o valor das 12 prestações mensais, sabendo-se que a 1ª prestação ocorre 30 dias após a
liberação dos recursos;
b) para que valor deve ser reduzida essa prestação mensal se o banco aceitar o pagamento de
duas parcelas intermediárias de $5.000,00, sendo a 1ª parcela no final do 3o mês ea 2a parcela
no final do 9o mês, a contar da liberação dos recursos? Observar que nesses dois meses
serão efetuados os pagamentos da prestação mensal e também da parcela intermediária de
$5.000,00;
c) repetir os cálculos do item b na hipótese de as parcelas intermediárias de $5.000,00 já
incluírem as respectivas prestações mensais do 3o mês e do 9o mês.
8. Um financiamento cujo principal é igual a $10.000,00 deve ser liquidado mediante o pagamento
de oito prestações mensais, iguais e sucessivas, e de mais uma parcela intermediária adicional, a
ser paga no final do 3o mês a contar da liberação dos recursos. Obter o fluxo de caixa desse
financiamento, sabendo-se que:
a) a taxa efetiva de juros desse financiamento é de 1,5% ao mês, no regime de juros compostos;
b) a 1a prestação mensal ocorre 30 dias após a liberação dos recursos;
c) a parcela intermediária é três vezes maior do que o valor da prestação mensal.
9. Um financiamento cujo principal é igual a $100.000,00 deve ser liquidado mediante o pagamento
de nove prestações mensais, ocorrendo a 1ª prestação 30 dias após a liberação do principal. As
três primeiras prestações mensais são iguais a $10.000,00, e as três prestações mensais seguintes
são iguais a $12.000,00. As últimas três prestações devem ter valores iguais. Calcule o valor
dessas últimas três prestações mensais, sabendo-se que a taxa efetiva de juros desse financiamento
é de 1,3% ao mês, no regime de juros compostos.
10. Um financiamento cujo principal é igual a $10.000,00 deve ser liquidado mediante o pagamento
de duas parcelas, uma no final do 1 o mês e outra no final do 4o mês, a contar da liberação dos
recursos. Calcule o valor desses pagamentos sabendo-se que a segunda parcela é quatro vezes
maior do que a primeira, e que a taxa efetiva de juros desse financiamento é de 1,5% ao mês, no
regime de juros compostos.
C AP Í T U L O 9

Fluxos de Caixa Não Homogêneos

9.1. Introdução
Fluxos de caixa não homogêneos são aqueles cujos valores de suas parcelas são distintos entre si e
que não apresentam nenhuma lei de formação que permita uma simplificação do cálculo das funções
financeiras.
Problemas envolvendo fluxos de caixa não homogêneos já foram apresentados no Capítulo 7, e
solucionados com o auxílio do Simulador da HP-12C. Mas para que fosse possível solucionar esse
tipo de problema com o Simulador da HP-12C, cada parcela do fluxo de caixa precisou ser tratada
individualmente. Dessa forma, cada parcela futura (FV) foi, uma a uma, descontada para se obter seu
correspondente valor presente (PV). O valor presente total do fluxo de caixa foi determinado pela
soma dos valores presentes de suas parcelas futuras. Recomendamos que o leitor consulte o Exemplo
3 da Seção 7.2.2 para verificar tal situação.
O objetivo deste capítulo é ilustrar como a calculadora HP-12C e a Planilha Eletrônica Excel
solucionam problemas de fluxos não homogêneos: a HP-12C através de suas funções NPV (Net
Present Value) e IRR (Internal Rate of Return), ea Planilha Excel através das funções VPL (Valor
Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno).

9.2. Expressão Genérica do Valor Presente Líquido


A Figura 9.1 mostra um fluxo de caixa genérico, ao longo de n períodos da escala de tempo:

FIGURA 9.1 Um fluxo de caixa genérico

em que:
CF0 — parcela do fluxo de caixa no ponto 0 (Cash Flow no ponto 0)
CF1 — parcela do fluxo de caixa no ponto 1 (Cash Flow no ponto 1)
CF2 — parcela do fluxo de caixa no ponto 2 (Cash Flow no ponto 2)
.....
CFn — parcela do fluxo de caixa no ponto n (Cash Flow no ponto n)
Seja CF0 a parcela do fluxo de caixa colocada no ponto zero da escala de tempo. Essa parcela
normalmente corresponde ao investimento inicial e, nesse caso, tem sinal negativo (−), por
representar um desembolso, ou seja, uma saída de caixa.
Seja CFj qualquer parcela do fluxo de caixa que ocorrer a partir do final do 1o período até o final
do último período (n).
O valor presente líquido desse fluxo de caixa, para uma determinada taxa de desconto i, tem a
seguinte expressão genérica:

(9.1)
que corresponde a um polinômio de grau n, em que temos:

O valor presente líquido de qualquer fluxo de caixa, para qualquer taxa de desconto i, é obtido pela
função NPV da HP-12C e pela função VPL do Excel.
A taxa interna de retorno de qualquer fluxo de caixa é obtida pela função IRR da HP-12C e pela
função TIR do Excel.
A taxa interna de retorno do fluxo de caixa é a taxa de desconto que faz com que o valor presente
líquido seja igual a zero. Essa condição, colocada na Equação (9.1), fornece:

(9.2)
Assim, a taxa interna de retorno do fluxo de caixa corresponde a uma das n raízes da
Equação (9.2) de grau n. As únicas raízes que têm sentido econômico são as que correspondem a
valores reais positivos. A regra de sinal de Descartes garante que os polinômios com apenas uma
variação de sinal em seus coeficientes tenham apenas uma raiz real positiva.

9.3. Utilização da Calculadora HP-12C e da Planilha Excel


9.3.1. HP-12C: Funções Financeiras NPV E IRR
As funções financeiras NPV e IRR da HP-12C servem para calcular o valor presente líquido e a taxa
interna de retorno de fluxos de caixa que tenham sido previamente registrados na calculadora por
meio das seguintes funções:
CF0: para registrar o fluxo de caixa do ponto zero
CFj: para registrar o fluxo de caixa do ponto genérico j
Nj: para registrar o número de parcelas individuais CFj de mesmo valor e repetidas sequencialmente
As funções financeiras NPV e IRR exigem que os fluxos de caixa sejam informados de forma
sequencial, sendo indispensável o registro de todas as parcelas do fluxo, inclusive as que tiverem
valor igual a zero.
Os exemplos numéricos deste capítulo irão ilustrar com detalhes a utilização da HP-12 na solução
desses problemas.

9.3.2. Planilha Eletrônica Excel


9.3.2.1 Funções Financeiras VPL e TIR
As funções financeiras VPL e TIR, da planilha Excel, servem para calcular, respectivamente, o valor
presente líquido e a taxa interna de retorno de fluxos de caixa que tenham sido registrados, de uma
forma sequencial, nas células da planilha.
Todos os valores do fluxo de caixa devem ser informados, inclusive os que tiverem valor igual a
zero, pois cada célula da planilha corresponde, necessariamente, a um período de capitalização de
juros.
A fórmula da função financeira VPL tem a seguinte expressão:

em que os parâmetros correspondem a:


Taxa — taxa de desconto em %, cuja unidade referencial de tempo deve coincidir com a unidade
referencial de tempo utilizada para definir o número de períodos.
Valor 1 — valor da parcela do fluxo de caixa colocada no final do 1o período, ou seja, na 1ª célula
após o investimento inicial (período 0).
Valor 2 — valor da parcela do fluxo de caixa colocada no final do 2o período, ou seja, na 2ª célula
após o investimento inicial.
A fórmula da função financeira TIR tem a seguinte expressão:
= TIR (valores; estimativa)
em que os parâmetros correspondem a:
Valores — valores de todas as parcelas individuais do fluxo de caixa, incluindo o investimento
inicial (parcela no ponto zero), que devem ser informados de forma sequencial, nas células da
planilha.
Estimativa — valor estimado da taxa interna de retorno em % (pode ser omitido ou registrado
sempre com o valor igual a zero).

9.3.2.2 Funções Financeiras XVPL e XTIR1


As funções financeiras XVPL e XTIR são funções “especiais” da Planilha Excel que têm a
flexibilidade de calcular o Valor Presente Líquido e a Taxa Interna de Retorno de fluxos de caixa
cujas parcelas não apresentam qualquer lei de formação, quer em relação aos seus valores, quer em
relação às suas datas de ocorrência. A única exigência é que o fluxo de caixa seja registrado de forma
cronológica, fazendo-se a vinculação do valor de cada uma das suas parcelas às suas respectivas
datas de ocorrências.
Essas funções calculam o tempo exato, em dias, entre as parcelas do fluxo de caixa, e sempre
transformam a taxa anual de juros em sua taxa diária equivalente.
A fórmula da função financeira XVPL tem a seguinte expressão:

em que os parâmetros correspondem a:


Taxa — taxa de desconto em % ao ano, com 365 dias.
Valores — valores de todas as parcelas individuais do fluxo de caixa que devem ser informadas
cronologicamente, desde o investimento inicial (ponto zero) até a última parcela.
Datas — datas de calendário em que ocorrem, cronologicamente, as parcelas individuais do fluxo
de caixa.
A função XVPL calcula o valor presente líquido do fluxo de caixa pelas seguintes operações:
a) transforma a taxa de desconto anual em sua taxa equivalente diária, considerando o ano com 365
dias;
b) desconta individualmente cada parcela com essa taxa diária, considerando os dias decorridos
desde o ponto zero;
c) efetua a soma de todos os valores descontados.
A fórmula da função financeira XTIR tem a seguinte expressão:

em que os parâmetros correspondem a:


Valores — valores de todas as parcelas individuais do fluxo de caixa que devem ser informadas
cronologicamente, desde o investimento inicial (ponto zero) até a última parcela.
Datas — datas de calendário em que ocorrem, cronologicamente, as parcelas individuais do fluxo
de caixa.
Estimativa — valor estimado da taxa interna de retorno em %, que pode ser omitido ou fornecido
sempre com o valor igual a zero.
O valor da taxa interna de retorno calculado pela função XTIR é sempre fornecido em termos
anuais, considerando o ano com 365 dias.

9.3.3. Exemplos Numéricos


Os exemplos numéricos desse capítulo são todos solucionados pela HP-12C e pela planilha eletrônica
Excel para que o leitor se familiarize com os dois métodos de solução. Vale ressaltar que alguns
tópicos dos problemas que podem ser resolvidos através do Simulador da HP-12C terão solução
idêntica em ambos os métodos.
1. Considere o fluxo de caixa indicado no Problema 3 da Seção 7.3.2 do Capítulo 7.
Calcule:
a) o valor presente líquido desse fluxo de caixa para as taxas de desconto de 0,00%, 10,00% ao
ano e 12,00% ao ano;
b) a taxa interna de retorno desse fluxo de caixa, em % ao ano.

1ª Solução: Calculadora HP-12C


Inicialmente, devemos registrar o fluxo de caixa na HP-12C com as seguintes operações:
Com o fluxo de caixa registrado na HP-12C, podemos fazer o cálculo do valor presente líquido
através da função NPV, para diversas taxas de desconto, conforme indicado a seguir:
a) cálculo do valor presente líquido

O fluxo de caixa continua registrado na HP-12C, sem qualquer alteração, e podemos calcular sua taxa
interna de retorno com a função IRR, conforme indicado a seguir:
b) cálculo da taxa interna de retorno, em % ao ano

Recomendamos que seja feita uma comparação entre os resultados aqui obtidos com aqueles
apresentados no Problema 3 da Seção 7.3.2 do Capítulo 7, com o auxílio do Simulador da
HP-12C.
Ressaltamos, ainda, os seguintes pontos:
houve apenas uma inversão de sinal nos valores do fluxo de caixa, que são os coeficientes da
equação do valor presente líquido. Essa inversão ocorreu na passagem do coeficiente CF0 (−
$11.500,00) para o coeficiente CF1 (+ $2.350,00). Temos, então, uma única raiz real positiva,
que corresponde a 11,537% ao ano;
o valor presente líquido para 0,00% corresponde à soma algébrica de todas as parcelas do
fluxo de caixa. Esse cálculo é útil para verificar se os valores do fluxo de caixa estão
registrados corretamente na calculadora.

2ª Solução: Planilha Excel:


Entrada do fluxo de caixa
O registro do fluxo de caixa pode ser feito em qualquer parte da planilha. O importante é registrar
todas as parcelas do fluxo de caixa numa ordem sequencial, digitando, inclusive, as parcelas com
valores iguais a zero.
Na chamada das funções VPL e TIR, seus parâmetros são informados pelas células que contêm seus
respectivos valores. O fluxo de caixa, devidamente registrado na Planilha Excel, está indicado a
seguir:

Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:


o investimento inicial, no valor de $11.500,00, está colocado na célula C3, com o sinal negativo;
as parcelas futuras do fluxo de caixa, do 1o ao 5o ano, estão colocadas nas células C4 a C8, todas
com o sinal positivo;
a soma algébrica dos valores do fluxo de caixa, no valor de $5.215,00, foi calculada com a função
SOMA ou ∑ do Excel, e está colocada na célula C9. Esse valor deve corresponder ao valor
presente líquido do fluxo de caixa obtido com a função VPL e com a taxa de desconto de 0%.

Valor presente líquido do fluxo de caixa — Função VPL


Devemos, inicialmente, criar uma área na planilha para registrar os VPLs que serão calculados para
cada uma das taxas de desconto. Escolheremos as células B12, B13 e B14 para registrar os valores
das taxas: 0%, 10% e 12% ao ano, respectivamente.
A seguir, devemos inserir as fórmulas da função VPL nas células C12, C13 e C14. Para isso, devemos
digitar na célula C13 o sinal de igual (=) e no menu principal escolher Inserir Função. Na janela das
funções, deve ser escolhida a função financeira VPL (marcar categoria Financeira) cujos parâmetros
devem ser localizados na Planilha Excel2. O mesmo procedimento deve ser feito nas outras células,
com o cuidado de selecionar os parâmetros associados a cada uma das taxas de desconto.
Após a localização dos parâmetros da função VPL, a Planilha Excel deve mostrar a seguinte
apresentação:
Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:
a fórmula colocada na célula C13 está indicada a seguir:

que corresponde à função VPL somada ao valor da célula C3. Seus parâmetros correspondem a:
B13 — célula que contém a taxa de desconto de 10,00% ao ano
C4:C8 — intervalo entre as células C4 e C8, que contém os valores das parcelas futuras do
fluxo de caixa, do 1o ao 5o ano
C3 — valor do investimento inicial (parcela do ponto zero) que deve ser somado à fórmula da
função VPL a fim de obter o valor presente líquido de cada fluxo de caixa.
O valor presente líquido obtido pela execução da fórmula colocada na célula C13 é igual a
$543,84, e está indicado na planilha a seguir:
Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:
os valores presentes líquidos obtidos para as taxas de desconto de 0,00% e 12% ao ano estão
colocados nas células C12 e C14, e correspondem, respectivamente, a (+) $5.215,00 e (−) $156,65.
as fórmulas colocadas nas células C12 e C14 estão indicadas a seguir:

em que os parâmetros são semelhantes àqueles colocados na célula C13.

Cálculo da Taxa interna de retorno do fluxo de caixa — Função TIR


Devemos inserir a fórmula da função TIR na planilha. A C16 foi a célula escolhida para tal. Devemos
indicar em seus parâmetros as localizações dos valores do fluxo de caixa.
Para isso, devemos digitar na célula C16 o sinal de igual (=), e, no menu principal, escolher Inserir
Função. Na janela das funções, deve ser escolhida a função financeira TIR, (marcar categoria
Financeira), cujos parâmetros devem ser localizados na Planilha Excel.
Após a localização dos parâmetros da função TIR, a Planilha Excel tem a seguinte apresentação:
Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:
a fórmula da função TIR para calcular a taxa interna de retorno, colocada na célula C16, está
indicada a seguir:

em que o parâmetro C3:C8 corresponde ao intervalo entre as células C3 e C8 que contêm os


valores de todas as parcelas do fluxo de caixa, na ordem sequencial, desde o investimento inicial
até a parcela do 5o ano;
o parâmetro estimativa dessa função TIR, que corresponde a um valor estimado para a taxa interna
de retorno, não foi incluído, pois sua omissão não altera o resultado final.

O valor da taxa interna de retorno obtido pela execução da função TIR colocada na célula C16 é igual
a 11,537% ao ano, e esse valor aparecerá na própria célula C16. Note que os resultados aqui obtidos
são idênticos aos obtidos com a HP-12C.
2. Um título é emitido pelo prazo de um ano, com um valor de $100.000,00, e paga juros
trimestralmente com uma taxa efetiva de 12% ao ano, no regime de juros compostos.
Considerando o ano com quatro trimestres de 90 dias, calcule:
a) o valor dos juros impresso nos cupons e que será pago no final de cada um dos quatro
trimestres;
b) o percentual de deságio no preço de emissão de $100.000,00, para que os investidores
tenham uma rentabilidade efetiva de 13% ao ano, no caso de realizarem a compra na data da
emissão e conservarem o título até seu vencimento, no final de um ano;
c) a rentabilidade efetiva, em % ao ano, dos investidores que comprarem esse título, na data de
emissão, com um deságio de 1,5% e o conservarem até seu vencimento, no final de um ano.
1ª Solução: Calculadora HP-12C
a) valor dos cupons trimestrais de juros
Precisamos calcular a taxa efetiva trimestral equivalente à taxa de 12% ao ano, com as
operações indicadas a seguir:

que fornece a taxa de 2,873734% ao trimestre.


Assim, o valor dos cupons trimestrais de juros é igual a:

O fluxo de caixa desse título por ocasião de sua emissão é, portanto, o que se segue:
b) percentual de deságio para rentabilidade de 13% ao ano
Precisamos calcular a taxa efetiva trimestral equivalente à taxa de 13% ao ano, com as
operações indicadas a seguir:

que fornece a taxa de 3,102598% ao trimestre.


O registro do fluxo de caixa na HP-12C é feito com as seguintes operações:

Observar que o valor de CF0 foi colocado como sendo igual a zero para que o valor presente líquido
do fluxo de caixa (NPV) represente o preço de venda do título para a taxa de desconto desejada.
Com o fluxo de caixa registrado na HP-12C, podemos fazer o cálculo do valor presente líquido, com
o auxílio da função NPV, para a taxa de 3,102598% ao trimestre, conforme indicado a seguir:
Assim, para se obter a taxa de 13% ao ano (equivalente a 3,102598% a.t.), é necessário que o preço de
venda seja igual a $99.151,36. O percentual de deságio sobre o preço de emissão de $100.000,00 é
portanto:

c) rentabilidade efetiva anual para deságio de 1,5%


Com o deságio de 1,5%, o preço de venda do título é obtido pela relação:
Preço de venda = $100.000,00 − ($100.000,00 × 1,5%) = $98.500,00
Como o fluxo de caixa do título já está registrado na HP-12C, temos apenas de introduzir o
valor de $98.500,00 para o preço de venda, conforme indicado a seguir:

Podemos, agora, realizar o cálculo da taxa interna de retorno, conforme indicado a seguir:

A taxa efetiva anual equivalente a 3,279976% ao trimestre é obtida como se segue:

que fornece a rentabilidade efetiva de 13,779629% ao ano, encontrada através da relação entre o
valor futuro e o valor presente do título.

2ª Solução: Planilha Excel


a) valor dos cupons trimestrais de juros
Mesma solução que a apresentada no item a) da Solução com HP-12C. O fluxo de caixa do
título é portanto o mesmo apresentado na Tabela 9.1.
Tabela 9.1

b) percentual de deságio para rentabilidade de 13% ao ano

Mesma solução que a apresentada no item b) da Solução com HP-12C.


Devemos agora registrar o fluxo de caixa na Planilha Excel e descontar suas parcelas futuras com a
taxa efetiva de 3,102598% ao trimestre, com o auxílio da função VPL, conforme indicado a seguir:

Com relação aos valores dessa planilha destacamos os seguintes pontos:


a fórmula colocada na célula C11 está indicada a seguir:

em que os parâmetros correspondem a:


B11 — célula que contém a taxa de desconto de 3,102598% ao trimestre;
C4:C7 — intervalo entre as células C4 e C7, que contém os valores das parcelas futuras do
fluxo de caixa, do 1o ao 4o trimestre.

O valor presente líquido obtido pela execução da fórmula colocada na célula C11 é igual a
$99.151,36 e está indicado na planilha a seguir:
Assim, para se obter a taxa de 13% ao ano (equivalente a 3,102598% a.t.), é preciso que o preço de
venda seja igual a $99.151,36. O percentual de deságio sobre o preço de emissão de $100.000,00 é
portanto:

c) rentabilidade efetiva anual para deságio de 1,5%


O preço de venda do título, já calculado na Solução com HP-12C, é portanto $98.500,00.
Como o fluxo de caixa do título já está registrado na Planilha Excel, temos apenas de
introduzir o valor de $98.500,00 na célula C3 para o preço de venda, e executar a fórmula da
função TIR, colocada na célula C10, conforme indicado na planilha que se segue:

que fornece a taxa de 3,279976% ao trimestre.


A taxa efetiva anual já foi calculada no item c da solução com HP-12C, e tem o valor de 13,779629%.
3. Um veículo, com o valor à vista de $20.600,00, é vendido a prazo, no dia 1o de março, com três
pagamentos mensais, sucessivos e iguais a $7.000,00, que devem ser efetuados a partir do 30o dia
da data da venda. Cada prestação vence 30 dias após a prestação anterior.
No caso deste exemplo, as questões serão apresentadas juntamente com as soluções, uma vez que
os enunciados apresentam pequenas diferenças entre o método de solução através do Excel e o
método através da HP-12C.
1ª Solução: Calculadora HP-12C
a) fluxo de caixa do financiador
O fluxo de caixa do financiador está indicado na Tabela 9.2 :
Como as prestações ocorrem a cada 30 dias, os cálculos também podem ser realizados
considerando-se períodos medidos em meses. Para isso precisamos calcular a taxa mensal
equivalente à taxa fornecida. Dessa forma, enquadramos o problema nas condições adotadas
pelas funções NPV e IRR da HP-12C.
Com a taxa mensal, podemos, ainda, considerar as três prestações de $7.000,00 como um
parâmetro PMT no Simulador da HP-12C.

Tabela 9.2

b) taxa de juros diária equivalente a 9% a.a., assumindo o ano com 365 dias
Para calcularmos essa taxa diária, devemos entrar com os dados, conforme indicado a
seguir:

que fornece a taxa de 0,02361312% ao dia;


c) taxa de juros mensal equivalente à taxa diária do item b
Para calcularmos essa taxa mensal, devemos entrar com os dados, conforme indicado a
seguir:
que fornece a taxa de 0,7108244% ao mês;
d) valor presente das prestações mensais de $7.000,00 — desconto individual das parcelas com
taxa diária do item b
Os dados para o desconto individual das prestações mensais de $7.000,00, usando a taxa de
0,02361312% ao dia, estão indicados a seguir:

que fornece o valor presente de $20.704,95;


e) valor presente das três prestações mensais de $7.000,00 — desconto com função PMT e taxa
mensal do item c
Nesse caso, os dados, com a taxa de juros de 0,7108244% ao mês, estão indicados a seguir:

que fornece o valor presente de $20.704,95, idêntico ao obtido no item d, como era de esperar. O que
mudou foi apenas a unidade de tempo dos cálculos;
f) valor presente das prestações mensais de $7.000,00 — desconto com função NPV e taxa
mensal do item c
Devemos, inicialmente, registrar o fluxo de caixa na HP-12C com as seguintes operações:
Com o fluxo de caixa registrado na HP-12C, podemos fazer o cálculo do valor presente líquido, com
o auxílio da função NPV, para a taxa de 0,7108244% ao mês, conforme indicado a seguir:

que fornece o valor presente de $20.704,95, idêntico aos obtidos nos itens d e e;
g) taxa interna de retorno, em % ao mês, usando a função i do Simulador da HP-12C.
Devemos entrar com os dados indicados a seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 0,96776693% ao mês;


h) taxa interna de retorno, em % ao mês, usando a função IRR da HP-12C
Devemos, inicialmente, registrar o fluxo de caixa na HP-12C com as seguintes operações:

Com o fluxo de caixa registrado na HP-12C, podemos fazer o cálculo da taxa interna de retorno, em
% ao mês, com o auxílio da função IRR, conforme indicado a seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 0,96776693% ao mês, idêntica à obtida no item g.
i) valor presente das prestações mensais de $7.000,00, pela função NPV da HP-12C, com a taxa
diária obtida no item b
Para usarmos a função NPV com os períodos medidos em dias, precisamos de um artifício
simples, que consiste em colocar zeros entre as parcelas do fluxo de caixa, conforme
indicado a seguir.
Dessa forma, devemos, inicialmente, registrar o fluxo de caixa na HP-12C com as seguintes
operações:
Com o fluxo de caixa registrado, com a presença dos valores zero em todos os dias que não ocorrem
qualquer tipo de pagamento ou de entrada de caixa, podemos fazer o cálculo do valor presente
líquido, com o auxílio da funçãoNPV, paraataxade0,02361312%aodia, conformeindicado aseguir:

que fornece o valor presente de $20.704,94, idêntico aos valores obtidos nos itens d, e e f;
j) taxa interna de retorno, em % ao dia, usando a função IRR da HP-12C
Com o fluxo de caixa já registrado com os períodos medidos em dias, precisamos introduzir
o valor da parcela inicial de (−) $20.600,00 e acionar a função IRR, conforme indicado a
seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 0,032108956% ao dia.


l) taxa interna de retorno, em % ao mês, equivalente à taxa diária do item j Devemos entrar
com os dados indicados a seguir:
que fornece a taxa interna de retorno de 0,96776693% ao mês, idêntica às obtidas nos itens g e h;
m) taxa interna de retorno, em % ao ano, equivalente à taxa diária obtida no item j,
considerando o ano com 365 dias
Devemos entrar com os dados indicados a seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 12,4320528% ao ano, considerando o ano com 365 dias.

2ª Solução: Planilha Eletrônica Excel


a) fluxo de caixa do financiador
O fluxo de caixa do financiador é o mesmo que o indicado na Tabela 9.2.
Como as prestações ocorrem a cada 30 dias, os cálculos também podem ser realizados
considerando-se períodos medidos em meses. Dessa forma, podemos usar as funções VPL e
TIR com os períodos (células) em meses e com a taxa mensal. Além disso, as três parcelas
de $7.000,00 podem ser consideradas como um parâmetro PMT no Simulador da HP-12C.
A utilização das funções VPL e TIR, com a taxa diária e com os períodos (células) em dias,
implica, necessariamente, a criação de células entre as parcelas do fluxo de caixa para serem
preenchidas com zeros, tal como realizado com a HP-12C.
No Excel, temos o recurso das funções XVPL e XTIR, que evita esse artifício, como
mostraremos a seguir.
b) taxa de juros diária equivalente a 9% a.a., considerando o ano com 365 dias
Mesma solução que a apresentada no item b da Solução com HP-12C.
c) taxa de juros mensal equivalente à taxa diária do item b
Mesma solução que a apresentada no item c da Solução com HP-12C.
d) valor presente das prestações mensais de $7.000,00 — desconto com função PMT e taxa
mensal do item c
Nesse caso, os dados, com a taxa de juros de 0,7108244% ao mês, estão indicados a seguir:

que fornece o valor presente de $20.704,95;


e) valor presente das três prestações mensais de $7.000,00 — desconto com função VPL do
Excel e com taxa mensal do item c
Devemos, inicialmente, registrar as três prestações de $7.000,00 na Planilha Excel e executar
a função VPL, conforme indicado a seguir:
Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:
a fórmula da função VPL, colocada na célula E11, está indicada a seguir:

em que os parâmetros correspondem a:


D11 — célula que contém a taxa de desconto de 0,7108244% ao mêsE4:E6 —
intervalo entre as células E4 e E6, que contém os valores das parcelas futuras do fluxo
de caixa, do 1o ao 3o mês

O valor presente líquido obtido pela execução da fórmula da função VPL, colocada na célula E11, é
igual a $20.704,95, idêntico ao obtido no item d;
f) valor presente das prestações mensais de $7.000,00, pela função XVPL da Planilha Excel e
com taxa de desconto de 9% ao ano (365 dias)
Com o fluxo de caixa já registrado na Planilha Excel, basta introduzir a taxa de desconto na
célula D11 e a fórmula da função XVPL na célula E11, como se segue:

Com relação aos valores dessa planilha, destacamos os seguintes pontos:


A fórmula da função XVPL, colocada na célula E11, está indicada a seguir:
em que os parâmetros correspondem a:
D11 — célula que contém a taxa de desconto de 9,00% ao anoE3:E6 — intervalo entre
as células E3 e E6, que contém os valores das parcelas do fluxo de caixa, desde o
investimento inicial até a parcela do 3o mêsB3:B6 — intervalo entre as células B3 e B6,
que contém as datas referentes às parcelas do fluxo de caixa, desde o investimento
inicial até a parcela do 3o mês

O valor presente líquido obtido pela execução da fórmula da função XVPL, colocada na célula E11, é
igual a $20.704,95, idêntico ao obtidos nos itens d e e;
g) taxa interna de retorno, em % ao mês, usando a função i do Simulador da HP-12C/Excel
Mesma solução que a apresentada no item g da Solução com HP-12C.
h) taxa interna de retorno, em % ao mês, usando a função TIR do Excel
Com o fluxo de caixa já registrado no Excel, basta introduzir a fórmula da função TIR na
célula E10, como indicado a seguir:

Com relação aos valores dessa planilha, destacamos que a fórmula da função TIR, colocada na célula
E10, tem a seguinte apresentação:

em que os parâmetros correspondem a:


E3:E6 — intervalo entre as células E3 e E6, que contém os valores de todas as parcelas do
fluxo de caixa, desde o investimento inicial até a parcela do 3o mês

A taxa interna de retorno obtida pela execução da fórmula da função TIR, colocada na célula E10, é
igual a 0,967766693% ao mês, idêntica à obtida no item g;
i) taxa interna de retorno, em % ao dia, que é equivalente à taxa mensal obtida no item h
Devemos entrar com os dados indicados a seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 0,032108956% ao dia;


j) taxa interna de retorno, em % ao ano, equivalente à taxa diária obtida no item i, considerando
o ano com 365 dias
Devemos entrar com os dados indicados a seguir:

que fornece a taxa interna de retorno de 12,4320528% ao ano, considerando o ano com 365 dias;
l) taxa interna de retorno, em % ao ano, usando a função XTIR do Excel
Com o fluxo de caixa já registrado no Excel, basta introduzir a fórmula da função XTIR na
célula E9, como se segue:

Com relação aos valores dessa planilha, destacamos que a fórmula da função XTIR, colocada na
célula E9, tem a seguinte apresentação:

em que os parâmetros correspondem a:


E3:E6 — intervalo entre as células E3 e E6, que contém os valores das parcelas do fluxo de
caixa, desde o investimento inicial até a parcela do 3o mês
B3:B6 — intervalo entre as células B3 e B6, que contém as datas referentes às parcelas do fluxo
de caixa, desde o investimento inicial até a parcela do 3o mês

A taxa interna de retorno obtida pela execução da fórmula da função XTIR, colocada na célula E9, é
igual a 12,430525% ao ano, praticamente idêntica à obtida no item j.

9.4. Resumo
Neste capítulo, mostramos as diferentes metodologias de cálculo de VPLs e de TIRs quando os fluxos
de caixa dos problemas apresentados são não homogêneos.
Verificamos que na calculadora HP-12C as funções utilizadas para cálculo do valor presente
líquido e da taxa interna de retorno de fluxos de caixa são as teclas NPV e IRR, respectivamente,
enquanto na planilha Excel essas operações são realizadas através das funções VPL e TIR. Os fluxos
de caixa devem ser registrados de forma sequencial, e todas as suas parcelas devem ser informadas,
inclusive as que tiverem valores iguais a zero. No caso do Excel, cada célula da área da planilha
escolhida para registro do fluxo de caixa corresponde a um período de capitalização de juros.
Em seguida, apresentamos, de forma rápida, as funções financeiras XVPL e XTIR, funções
“especiais” do Excel, muito úteis no cálculo de fluxos de caixa que não apresentam qualquer
semelhança nem em relação a seus valores, nem em relação às suas datas de ocorrências. Caso o
leitor queira mais informações sobre essas funções, deve consultar o Apêndice B do CD do Leitor.
Toda a teoria aqui citada foi ilustrada através de exemplos resolvidos, com o objetivo de facilitar o
entendimento e as peculiaridades de cada um dos métodos de cálculo.

9.5. Problemas Propostos


1. Considere o seguinte fluxo de caixa:
Mês Valor ($)
0 (−) 25.000,00
1 (+) 0,00
2 (+) 3.000,00
3 (+) 0,00
4 (+) 4.000,00
5 (+) 4.500,00
6 (+) 15.000,00
Soma (+) 1.500,00

Em relação a esse fluxo de caixa, calcule:


a) o valor presente líquido para as taxas de desconto de 1,00% a.m., 1,50% a.m. e 2,00% a.m.;
b) a taxa interna de retorno, em % ao mês.
2. Considere o seguinte fluxo de caixa:
Mês Valor ($)

0 (−) 55.000,00
1 (+) 5.000,00
2 (+) 5.000,00
3 (+) 6.000,00
4 (+) 6.000,00
5 (+) 6.000,00
6 (+) 10.000,00
7 (+) 10.000,00
8 (+) 10.000,00
Soma (+) 3.000,00

Em relação a esse fluxo de caixa, calcule:


a) o valor presente líquido para as taxas de desconto de 1,00% a.m., 1,50% a.m. e 2,00% a.m.;
b) a taxa interna de retorno, em % ao mês.
Considere que o investimento inicial de $55.000,00 seja alterado para $53.000,00 e calcule:
c) o valor presente líquido para as taxas de desconto de 1,00% a.m., 1,50% a.m. e 2,00% a.m.;
d) a taxa interna de retorno, em % ao mês.
3. Um título com o valor de $100.000,00 é emitido com o prazo de quatro anos, pagando juros no
final de cada semestre, com a taxa de 5% a.s. No último semestre, além dos juros semestrais, é
pago o valor de emissão de $100.000,00. O fluxo de caixa desse título é, portanto, o que se segue:
Semestre Valor ($)
0 (−) 100.000,00
1 (+) 5.000,00
2 (+) 5.000,00
3 (+) 5.000,00
4 (+) 5.000,00
5 (+) 5.000,00
6 (+) 5.000,00
7 (+) 5.000,00
8 (+) 105.000,00
Soma (+) 40.000,00

No momento do lançamento do título, é necessário fazer um deságio no preço para atender às


condições do mercado. Calcule:
a) o percentual de deságio do preço de emissão necessário para garantir uma rentabilidade de
5,5% a.s. ao investidor que adquirir esse título na data de emissão e o conservar até seu
resgate, no final do 4o ano;
b) a taxa interna de retorno do investidor que adquirir esse título com 5% de deságio e o
conservar até seu resgate, no final do 4o ano.
4. Um veículo com o valor à vista de $19.500,00 é adquirido no dia 31 de março com um
financiamento para ser liquidado em quatro prestações mensais de $5.000,00, que vencem a cada
30 dias corridos, a contar da data de aquisição do veículo. Assim, o fluxo de caixa do financiador
é o que se segue:
Calcule:
a) a taxa diária que é equivalente à taxa de 12% a.a., considerando o ano com 365 dias;
b) a taxa mensal que é equivalente à taxa diária obtida no item a;
c) a taxa anual que é equivalente à taxa diária obtida no item a, considerando o ano com 360
dias;
d) o valor presente das quatro parcelas mensais de $5.000,00, usando as taxas de desconto e os
métodos indicados a seguir:
desconto individual de cada parcela com o simulador da HP-12C, usando a taxa diária obtida
no item a;
desconto de um PMT = $5.000,00, com o simulador da HP-12C, usando a taxa mensal obtida
no item b;
desconto das quatro parcelas de $5.000,00 com o uso da função NPV da HP-12C e da função
VPL do Excel, usando a taxa mensal obtida no item b;
desconto das quatro parcelas de $5.000,00 com o uso da função XVPL do Excel, usando a taxa
de 12% ao ano;
compare os resultados obtidos nos quatro itens anteriores.
e) a taxa interna de retorno, em % ao mês, usando a função IRR da HP-12C e a função TIR do
Excel;
f) a taxa interna de retorno, em % ao dia, que é equivalente à taxa mensal obtida no item e;
g) a taxa interna de retorno, em % ao ano, que é equivalente à taxa diária obtida no item f,
considerando o ano com 365 dias;
h) a taxa interna de retorno, em % ao ano, usando a função XTIR do Excel. Compare esse
resultado com o obtido no item g.
5. Um título que paga juros trimestralmente é emitido no dia 1o de janeiro, com um valor de
$10.000,00, prazo de um ano e taxa de 10% a.a., para o ano com 360 dias.
Os juros trimestrais são calculados sobre os dias efetivamente decorridos em cada trimestre, e
pagos nos dias 1o de abril, 1o de julho, 1o de outubro e 1o de janeiro do ano seguinte.
Calcule:
a) a taxa diária equivalente a 10% ao ano, considerando o ano com 360 dias;
b) o valor de cada cupom trimestral com o uso do Simulador da HP-12C, usando a taxa diária
obtida no item a;
c) a taxa interna de retorno, em % ao dia, usando a função IRR da HP-12C, para um investidor
que adquirir esse título na data de sua emissão, com um deságio de 5%, e o conservar até seu
resgate, no final de um ano;
d) a taxa interna de retorno, em % ao ano, equivalente à taxa diária obtida no item c,
considerando o ano com 360 dias;
e) a taxa interna de retorno, em % ao ano, equivalente à taxa diária obtida no item c,
considerando o ano com 365 dias;
f) a taxa interna de retorno, em % ao ano, usando a função XTIR do Excel. Compare esse
resultado com o obtido no item e;
g) o percentual de deságio necessário para garantir uma rentabilidade de 12% ao ano, com 365
dias, ao investidor que adquirir esse título na data da emissão e o conservar até o resgate, no
final de um ano. Use a função XVPL do Excel.
1
O leitor que não encontrar as funções XVPL e XTIR na relação das Funções Financeiras do Excel deve incluí-las através das seguintes
operações: 1) escolha no menu principal do Excel a opção Ferramentas; 2) Selecione a opção Suplementos; 3) marque a janela com a
opção ferramentas de análise. Automaticamente as funções XVPL e XTIR passarão a fazer parte das funções do seu Excel.
2
O apêndice B do livro Matemática Financeira Objetiva e Aplicada (livro que deu origem a essa edição compacta, de Abelardo
Puccini) apresenta mais informações sobre as funções financeiras da Planilha Excel.
C AP Í T U L O 1 0

Fluxos de Caixa e Inflação

10.1 Introdução
Nos capítulos anteriores, a moeda representada pelo símbolo $ foi considerada como estável ao
longo do tempo. Essa hipótese, porém, é meramente teórica, pois, mesmo em países com moedas
fortes, existe o fenômeno da inflação, ainda que com taxas percentuais reduzidas. Neste capítulo
nossa moeda teórica, com o símbolo $, deixa de ser estável e passa a perder seu poder aquisitivo por
conta da inflação.
Os conceitos de Matemática Financeira desenvolvidos ao longo dos capítulos anteriores continuam
a ter validade, pois sua aplicação independe da existência da inflação.
Em conjunturas inflacionárias, são muito usadas as expressões “a preços constantes” e “a preços
correntes”. A primeira expressão corresponde a preços de uma única data, normalmente da data
inicial do fluxo de caixa, enquanto a segunda corresponde a preços das respectivas datas em que
ocorrem os valores do fluxo de caixa. Na omissão dessa informação, os valores na moeda $ sempre
correspondem a preços correntes.
A conversão de preços constantes para preços correntes é feita por índices ou indexadores, que
refletem a perda do poder aquisitivo da moeda provocada pela inflação.
Neste capítulo, a inflação da moeda será medida pelo índice cujas variações percentuais anuais
para um período de cinco anos constam das Tabelas 10.1 e 10.2.

Tabela 10.1
Valores anuais do Índice
Ano Variação anual do Índice (%) Valor do Índice no final do ano ($)

0 100,000000
1 12,00 112,000000
2 12,00 125,440000
3 12,00 140,492800
4 12,00 157,351936
5 12,00 176,234168
Tabela 10.2
Valores mensais do Índice no 1o ano

No tratamento de fluxos de caixa, a inflação pode ser levada em consideração através dos modelos
pós-fixado e prefixado, cujas características e metodologias de cálculo serão apresentadas ao longo
do presente capítulo.

10.2 Índice para Inflação


Por uma questão didática, optamos por medir a inflação da moeda $ pelo índice cujos valores e
variações percentuais constam da Tabela 10.1, que foi construída com as seguintes suposições:
O valor inicial do índice tem como referência o final de dezembro de um determinado ano e seu
valor, nessa data, é igual a 100,00.
As variações percentuais do índice para um período de cinco anos foram assumidas com o mesmo
valor anual de 12 %, sendo que no 1o ano a periodicidade foi considerada mensal.
Os valores anuais do índice e as suas variações anuais para um período de cinco anos constam da
Tabela 10.1 a seguir.
Os valores do índice fornecidos na Tabela 10.1 nos permitem concluir que as cinco variações
anuais de 12% ao ano produzem um valor de 176,234168 para o índice final do 5o ano, o que equivale
a uma inflação acumulada de 76,234168% nesse período de cinco anos.
Para os exemplos numéricos que envolvam períodos inferiores a um ano, adotamos uma
distribuição mensal uniforme para as variações percentuais do índice durante os 12 meses do 1o ano,
conforme indicado na Tabela 10.2:
Os valores do índice fornecidos na Tabela 10.2 permitem concluir que:
a) o valor do índice no final de março é igual a 102,873734, indicando uma taxa de inflação de
2,873734% para o 1o trimestre;
b) o valor do índice no final de junho é igual a 105,830052, indicando uma taxa de inflação de
5,830052% para o 1o semestre;
c) o valor do índice no final de dezembro é igual a 112,000000, indicando uma taxa de inflação de
12,00% para o 1o ano, que coincide com essa inflação anual da Tabela 10.1.
Nos exemplos desenvolvidos neste capítulo, usaremos os índices apresentados na Tabela 10.1. A
utilização de qualquer outro índice para inflacionar e deflacionar os valores dos fluxos de caixa
expressos na moeda $ deve ser feita seguindo os mesmos procedimentos adotados neste capítulo,
podendo-se utilizar os índices da Tabela 10.2, quando o horizonte de análise for igual ou inferior a
um ano e os períodos dos fluxos de caixa forem expressos em meses.

10.3 Taxas de Inflação, de Juros Real e de Juros Nominal


Na análise de fluxos de caixa levando em consideração a inflação serão utilizadas as seguintes taxas:
Taxa de Inflação (“ti”): é a taxa que mede a variação do índice definido na Seção 10.2. Será
representada de forma genérica pelo símbolo “ti”.
Taxa de Juros Real (“i”): é a taxa de juros utilizada nos fluxos de caixa expressos em moeda a
preços constantes, sem inflação, normalmente referenciados à data inicial do fluxo de caixa. É a taxa
“i” utilizada nos capítulos anteriores que foram desenvolvidos com a moeda forte $, sem inflação.
Manteremos o símbolo “i” para a sua representação.
Taxa de Juros Nominal (“tn”): é a taxa de juros utilizada nos fluxos de caixa expressos em $ a
preços correntes das respectivas datas em que ocorrem e que incorporam a inflação da moeda. Essa
taxa de juros nominal é uma taxa de juros que incorpora a taxa de juros real e a taxa de inflação, e
será representada pelo símbolo “tn”. Costuma-se dizer que a taxa de juros real é a taxa de juros
nominal descontada a inflação. Não confundir essa taxa de juros nominal com a taxa nominal
definida na Seção 5.5 do Capítulo 5 – Taxas de Juros.

10.4 Modelo Pós-Fixado


10.4.1 Conceitos Básicos
O modelo pós-fixado é normalmente utilizado em operações financeiras de longo prazo. Podemos
citar como exemplos, o financiamento de imóveis, todas as operações financeiras com moeda
estrangeira, CDBs com remuneração atrelada ao CDI e empréstimos indexados ao IGPM.
As principais características do modelo são:
a inflação é calculada a posteriori, ao longo do prazo da operação contratada, à medida que os
valores do índice contratado se tornem conhecidos;
a inflação fica “em aberto” no início da operação, sendo acertado no contrato apenas o índice que
será utilizado na atualização dos valores;
os cálculos financeiros são realizados com o fluxo de caixa expresso em moeda estável, a preços
constantes e com uma taxa de juros real (i), sem inflação.

10.4.2 Metodologia De Cálculo


No modelo pós-fixado, os cálculos são realizados com os fluxos de caixa expressos na moeda $, a
preços constantes da data inicial, mediante a adoção dos seguintes procedimentos:
os valores do fluxo de caixa devem ser expressos em $ a preços constantes da data inicial, sem
considerar a inflação;
todos os cálculos, na moeda $ a preços constantes, devem ser realizados com a taxa de juros real (i),
sem inflação;
os valores expressos em $ a preços constantes devem ser, posteriormente, convertidos para $ a
preços correntes das datas futuras, utilizando-se o índice da Seção 10.2, escolhido para medir a
inflação.
Observe que a taxa interna de juros nominal (tn), que inclui a inflação, só pode ser calculada após
o término da operação, quando os valores do fluxo de caixa a preços correntes se tornarem
conhecidos. Isso porque no modelo pós-fixado a taxa de inflação fica em aberto e só é conhecida ao
longo do prazo da operação.
Outra forma de atuar no modelo pós-fixado é mediante a conversão dos valores dos fluxos de
caixa para quantidades do índice que mede a inflação, e realizar todos os cálculos, com a taxa de
juros real, nessa moeda estável expressa pelo índice adotado. No final, as quantidades de índice
devem ser transformadas para $, a preços correntes, utilizando os valores do índice nas datas futuras.

10.4.3 Exemplo Numérico — Financiamento Com Prazo De


Um Ano
Um financiamento de $1.000.000,00 foi realizado no final de dezembro, com uma taxa de juros real
de 10% ao ano, para ser liquidado no prazo de um ano, com o pagamento de uma única parcela, que
deve ser corrigida pelos seguintes valores do índice que constam da Tabela 10.1:
na data da liberação dos recursos = 100,00
na data da liquidação da operação = 112,00
Em relação a esse financiamento, calcule:
a) o valor dos juros cobrados no final do ano, em $ a preços constantes e correntes;
b) o valor da parcela cobrada a título de inflação, em $ a preços correntes, e em % ao ano;
c) o valor do pagamento, em $, a preços correntes, para a sua liquidação no final de um ano;
d) a sua taxa de juros nominal (tn) incluindo a taxa de inflação.
Solução:
Vamos realizar os cálculos em $, a preços constantes e usar o índice da Seção 10.2 como
indexador para obter os valores em $, a preços correntes.
a) Juros cobrados no final do ano
O valor do principal liberado, em $, foi fornecido como sendo igual a $1.000.000,00. Assim, os
juros anuais calculados com a taxa de juros real de 10% ao ano, são obtidos pela relação:
Esses juros estão expressos em $ a preços constantes, com o valor da moeda $ correspondente à
data inicial do contrato, na qual o índice tem o valor de 100,00.
Na ocasião do pagamento dos juros, o índice tem valor igual a 112,00, e os juros, expressos em $,
a preços correntes, são assim obtidos:

Nesse caso costuma-se dizer que os juros, no valor de $112.000,00, são “juros corrigidos” na
medida em que incorporam $12.000,00 a título de inflação;
b) Parcela de inflação, em $ a preços correntes
Essa parcela corresponde à correção do principal, usando os valores do índice das duas datas.
Assim temos:

valor da inflação = $1.120.000,00 − $1.000.000,00 = $120.000,00


Em termos percentuais a taxa da inflação (ti) é calculada pela relação:

que corresponde à variação percentual ocorrida entre os dois valores do índice (de 100,00 para
112,00);
c) Valor do pagamento, em $ a preços correntes, para a liquidação do financiamento no final de um
ano
A preços constantes, em moeda do início do contrato, esse valor é assim obtido:
Principal = $1.000.000,00
Juros reais = $100.000,00
Montante = $1.100.000,00

A preços correntes, em moeda da data da liquidação do contrato, o montante no final de um ano é


assim obtido:

que pode ser desdobrado conforme indicado na Tabela 10.3 a seguir:


Tabela 10.3
Parcelas Valor em $
a) principal liberado 1.000.000,00
b) parcela de inflação do principal, com a taxa de 12% a.a. 120.000,00
c) principal corrigido para o final do ano [(a) + (b)] 1.120.000,00
d) juros reais de 10% a.a. corrigidos pela taxa de inflação de 12% a.a. 112.000,00
e) montante a ser pago no final do ano (c) + (d) 1.232.000,00

d) Taxa de juros nominal


Essa taxa de juros é obtida pela relação:

Vamos, agora, analisar o valor da taxa de juros nominal (tn) e identificar sua composição a partir
das seguintes parcelas:
taxa de juros real (i)
taxa de inflação (ti)

Os juros corrigidos do final do ano, no valor de $112.000,00, também poderiam ter sido calculados
com a aplicação da taxa de juros real de 10% a.a. sobre o principal corrigido para o final do ano
($1.120.000,00) pelo índice de inflação de 12%.
Os juros do ano calculados com a taxa de 10% a.a. sobre o saldo devedor no início do ano, antes da
aplicação da taxa de inflação anual, são iguais a $100.000,00. Nesse caso, o montante a ser pago no
final do ano seria igual a:
montante = $1.120.000,00 + $100.000,00 = $1.220.000,00

Os valores obtidos nesses dois processos de cálculo de juros estão resumidos na Tabela 10.4 , a
seguir:

Tabela 10.4

Quando os juros são calculados sobre o saldo devedor do início do ano, a taxa total de 22,00% ao
ano é constituída das seguintes parcelas:
a) taxa de juros real do período = 10,00% a.a.
b) taxa de inflação do período = 12,00% a.a.
taxa total do período: (a) + (b) = 22,00% a.a.

ou seja, a taxa total é igual à soma da taxa de juros real com a taxa de inflação.
Quando os juros são calculados, de forma correta, sobre o saldo devedor do final do período, ou
seja, incluindo a inflação do período, precisamos acrescentar os juros (10,00% a.a.) sobre a taxa de
inflação do período (12,00% a.a.), isto é:

Assim, a taxa total do período, que corresponde à taxa de juros nominal (tn), no valor de 23,20%
a.a., tem a seguinte composição:
a) taxa de juros real do período = 10,00% a.a.
b) taxa de inflação do período = 12,00% a.a.
c) produto das taxas: (a) × (b) = 1,20% a.a.
taxa total do período: (a) + (b) + (c) = 23,20% a.a.

ou seja, a taxa de juros nominal (tn) é igual à soma da taxa de juros real (i) com a taxa de inflação
(ti), acrescida do produto entre essas duas taxas.

10.4.4 Expressão Genérica Relacionando As Taxas


A simbologia adotada para representar as taxas anuais de juros e de inflação, bem como suas
respectivas taxas equivalentes, está indicada a seguir:
i — taxa de juros real expressa em %, podendo ser representada por:
ia — para a taxa de juros expressa em % ao ano;
is — para a taxa de juros expressa em % ao semestre;
it — para a taxa de juros expressa em % ao trimestre;
im — para a taxa de juros expressa em % ao mês.
ti — taxa de inflação, expressa em %, podendo ser representada por:
tia — para a taxa de inflação expressa em % ao ano;
tis — para a taxa de inflação expressa em % ao semestre;
tit — para a taxa de inflação expressa em % ao trimestre;
tim — para a taxa de inflação expressa em % ao mês.
tn — taxa de juros nominal, expressa em %, podendo ser representada por:
tna — para a taxa de juros nominal expressa em % ao ano;
tns — para a taxa de juros nominal expressa em % ao semestre;
tnt — para a taxa de juros nominal expressa em % ao trimestre;
tnm — para a taxa de juros nominal expressa em % ao mês.
A expressão genérica para obter a taxa de juros nominal (tn) a partir da taxa de juros real (i) e da
taxa de inflação (ti) está representada abaixo:3
Para períodos anuais:

(10.1)
Essa relação pode ser aplicada para qualquer índice que for utilizado para inflacionar
(corrigir) os valores dos fluxos de caixa.
A Relação (10.1) também pode ser expressa para as taxas mensais, trimestrais e semestrais,
equivalentes a suas respectivas taxas anuais, e as expressões obtidas são as que se seguem:

(10.2)

(10.3)

(10.4)
Aplicando a fórmula (10.1) nos valores do exemplo da Seção 10.3.4:

que fornece:

e portanto:

resultado que coincide com o valor obtido anteriormente.


Utilize as fórmulas (10.2) a (10.4) para encontrar os valores das taxas equivalentes mensais,
trimestrais e semestrais do financiamento do exemplo numérico da Seção 10.3.4, e consulte a tabela a
seguir para verificar os resultados:
Tabela 10.5
Taxas equivalentes e taxas nominais — em %

10.5 Modelo Prefixado


10.5.1 Conceitos Básicos
O modelo prefixado é bastante utilizado nas operações financeiras de curto prazo. Podemos citar
como exemplo os crediários ao consumidor e as operações de desconto de títulos.
As principais características do modelo prefixado são:
A inflação tem que ser estimada a priori, e prefixada no início da operação financeira;
Os cálculos financeiros são realizados com o fluxo de caixa expresso em moeda corrente (com
inflação) das respectivas datas futuras, e com uma taxa de juros nominal prefixada, que inclui a
inflação.
A taxa de juros tem de ser aumentada para incorporar, numa única parcela, a taxa de juros real e a
taxa de inflação de cada período. Essa taxa de juros, que inclui uma parcela de inflação, é
denominada taxa de juros nominal prefixada, ou simplesmente taxa nominal prefixada, e tem as
seguintes características:
a) é definida no início da operação, o que justifica o nome adotado;
b) deve corresponder à soma da taxa de juros real com a taxa da inflação mais o produto dessas
taxas;
c) tem o mesmo valor para todos os períodos da operação.

10.5.2 Conceitos Básicos


As grandezas em moeda “corrente” podem ser, posteriormente, convertidas para uma moeda
“constante” pelo índice que for definido para aferir a inflação. Nesse fluxo de caixa em moeda
constante, pode ser calculada sua taxa interna real, após o término da operação.
O exemplo numérico apresentado a seguir para o modelo prefixado foi baseado no exemplo
desenvolvido para o modelo pós-fixado (seção 10.4.3). Adotamos taxas nominais prefixadas iguais às
taxas nominais que foram utilizadas no exemplo correspondente, para que possamos comparar os
resultados obtidos nesses dois modelos.
10.5.3 Exemplo Numérico
1. Um financiamento de $1.000.000,00 foi realizado no final de dezembro, com uma taxa de juros
nominal prefixada de 23,20% ao ano, para ser liquidado no prazo de um ano, com o pagamento
de uma única parcela. A inflação será medida pelo índice da Tabela 10.1, que tem o valor igual a
100,00 na data da liberação dos recursos.
Em relação a esse financiamento determine:
a) o valor do pagamento em $, a preços correntes, para a sua liquidação no final de um ano;
b) a taxa de inflação, em % ao ano;
c) o seu fluxo de caixa em $, a preços correntes e a preços constantes;
d) a sua taxa interna de juros real em % ao ano;
e) a relação da taxa nominal prefixada com as taxas de inflação e de juros real.
Solução:
a) Valor do pagamento em $, a preços correntes, para a liquidação do financiamento
Considerando a taxa nominal prefixada de 23,20% ao ano, o valor do pagamento a ser realizado
no final do ano, em $ correntes, é igual a:
pagamento final = $1.000.000,00 × (1 + 0,2320) = $1.232.000,00
c) Taxa de inflação, em % ao ano
A taxa de inflação de 12,00% ao ano é obtida diretamente da Tabela 10.1 com os valores anuais do
índice.
c) Fluxo de caixa em $, a preços correntes e a preços constantes
O fluxo de caixa em $ a preços constantes é obtido deflacionando os valores do fluxo de caixa em
$ a preços correntes, utilizando como deflator o índice da Tabela 10.1, conforme indicado na
Tabela 10.6.
Cabe ressaltar que primeiro obtemos o fluxo de caixa em $ correntes a partir da taxa nominal
prefixada. Posteriormente, obtemos o fluxo de caixa em $, a preços constantes, deflacionando as
parcelas em $ a preços correntes com o índice da Tabela 10.1.

Tabela 10.6
Fluxos de caixa em $ a preços correntes e constantes

d) Taxa interna de juros real, em % ao ano


A taxa interna de juros real é obtida pelo desconto do fluxo de caixa em $ a preços constantes, e o
valor encontrado é igual a 10,00% ao ano;
e) Relação da taxa nominal prefixada com as taxas de inflação e de juros real
Essas três taxas satisfazem a relação (10.3), senão vejamos:

Os resultados obtidos nesse financiamento no modelo prefixado são idênticos àqueles alcançados
no financiamento do exemplo da seção 10.4.3 com o modelo pós-fixado. Isso ocorreu porque a
taxa nominal prefixada incluiu corretamente a taxa de inflação de 12,00% a.a. e a taxa de juros
real de 10,00% a.a.

10.6 Resumo
No presente capítulo, apresentamos os modelos pós-fixado e prefixado para o tratamento da inflação
em fluxos de caixa expressos em moedas que perdem seu poder aquisitivo ao longo do tempo, por
conta da inflação. Citamos as principais características de cada modelo, apresentamos exemplos
numéricos dos modelos pós e prefixado e comparamos seus resultados.
Verificamos que, se a inflação influenciar igualmente todos os valores do fluxo de caixa, tanto faz
descontar o fluxo de caixa em $ a preços constantes com a taxa de juros real, como descontar o fluxo
de caixa em $ a preços correntes com a taxa nominal prefixada, pois os valores presentes líquidos
serão iguais nos dois casos.
Por uma questão de ordem didática, adotamos um índice teórico para medir a inflação da moeda
com o símbolo $, utilizada em todos os outros capítulos do livro.
Os conceitos apresentados neste capítulo com esse índice são integralmente válidos para qualquer
outro índice que for utilizado para medir a inflação.
Por efeito de simplificação, apresentamos apenas um tipo de exemplo, com prazo de
financiamento de um ano. A resolução de problemas com períodos diferentes deve adotar o mesmo
raciocínio, usando-se os procedimentos apresentados ao longo deste capítulo.

10.7 Problemas Propostos


1. A taxa de juros real a ser cobrada num determinado financiamento é igual a 5,00% ao semestre.
Sabendo-se que a projeção da taxa de inflação para esse período de seis meses é de 6,00%:
a) calcule a taxa nominal, em % ao semestre, a ser prefixada para esse financiamento;
b) calcule a taxa de juros nominal anual equivalente à taxa obtida no item a;
c) calcule as taxas anuais de juros real e de inflação, equivalentes às taxas fornecidas;
d) verifique a relação existente entre as taxas obtidas nos itens b e c.
2. Uma aplicação de $10.000,00 rendeu, no prazo de seis meses, uma taxa de juros real de 12,00% ao
ano, capitalizados semestralmente. Calcule o valor de resgate dessa aplicação sabendo-se que a
taxa de inflação para esse período de seis meses é igual a 8,00%.
3. Uma aplicação de $50.000,00 deve ser remunerada pelo prazo de seis meses com uma taxa de
juros real de 0,90% ao mês. Calcule o valor de resgate dessa aplicação sabendo-se que a taxa de
inflação é igual a 1,00% ao mês em cada um dos seis meses desse investimento.
4. Uma instituição financeira que opera com o modelo prefixado cobra uma taxa de juros real de
12,00% ao ano em seus financiamentos e está prevendo uma taxa de inflação de 15,00% ao ano
para os próximos quatro meses.
Usando o regime de juros compostos para a obtenção de taxas equivalentes, calcule:
a) a taxa de juros nominal prefixada, em % ao mês, a ser utilizada em suas operações com
prazo de quatro meses;
b) o valor da prestação mensal fixa a ser cobrada nos financiamentos com prazo de quatro
meses e com o principal de $1.000,00.
5. Um equipamento com o preço à vista de $10.000,00 está sendo financiado em seis prestações
mensais fixas de $1.816,41. Calcule a taxa de inflação, em % ao mês, projetada por essa entidade
financiadora sabendo-se que a taxa de juros real cobrada nessas operações é igual a 1,00% ao
mês.
6. Um equipamento com o preço à vista de $10.000,00 deve ser financiado em dois pagamentos
anuais iguais, com uma taxa de juros real de 10,00% ao ano. Calcule o valor dessas parcelas
anuais, em $ a preços correntes, sabendo-se que a taxa de inflação é igual a 12,00% a.a. no 1o ano
e 14,00% a.a. no 2o ano.
7. Um financiamento de $100.000,00 foi realizado no final de dezembro para ser liquidado no prazo
de cinco anos, pelo sistema de amortizações constantes, segundo o modelo pós-fixado, com uma
taxa de juros real de 10,00% ao ano.
O índice que mede a inflação da moeda $ tem os seguintes valores para esse período de cinco
anos:
Ano Variação anual do Índice (%) Valor do Índice no final do ano ($)
0 100,000000
1 9,00 109,000000
2 9,50 119,355000
3 10,50 131,887275
4 11,00 146,394875
5 12,00 163,962260

Calcule:
a) os valores das prestações mensais em $ a preços constantes da data inicial do contrato com a
taxa de juros real de 10,00% ao ano;
b) os valores das prestações efetivamente pagas, em $ a preços correntes;
c) a taxa interna de juros nominal desse financiamento, em % ao ano.
3
O livro Matemática Financeira Objetiva e Aplicada, do mesmo autor (versão completa que deu origem a esta edição compacta)
apresenta a dedução das fórmulas utilizadas nesta seção.
Respostas dos Problemas Propostos

Capítulo 2 — Juros Simples e Compostos — Conceitos


Prob. 1
Conta remunerada a juros simples:
$1.050,00; $1.100,00; $1.150,00; $1.200,00; $1.250,00; $1.300,00
O montante a ser retirado no final do 6o trim = $1.300,00
Conta remunerada a juros compostos:
$1.050,00; $1.102,50; $1.157,63; $1.215,51; $1.276,28; $1.340,10
O montante a ser retirado no final do 6o trim = $1.340,10

Capítulo 3 — Juros Simples — Fórmulas Básicas


Prob. 1 Montante = $12.400,00 e Renda = $2.400,00
Prob. 2 a) PV = $966,67; b) Desconto = $33,33; c) i = 1,293% ao mês
Prob. 3 a) FV = $967,83; b) i = 1,295% ao mês; d = 15,04% ao ano
Prob. 4 a) i = 2,5% ao trimestre; b) d = 7,6923% ao ano
Prob. 5 i = 1,1494% ao mês
Prob. 6 PV = $19.100,00
Prob. 7 a) PV2 = $10.360,00; b) FV2 = $10.981,60; c) n2 = 6 meses; d) i médio = 1,097 % ao mês
Prob. 8 a) i = 1,2% ao mês; b) PV1 = $10.000,00

Capítulo 4 — Juros Compostos — Capitalização e Desconto


Prob. 1 Montante = $12.395,08
Prob. 2 Principal = $12.710,36
Prob. 3 Rentabilidade= 0,9489% ao mês
Prob. 4 110 < n < 111 meses
Prob. 5 Menor valor a ser aplicado = $25.873,17
Prob. 6 Valor do pagamento = $57.469,39
Prob. 7 Abater do principal o valor de $15.215,93
Prob. 8 Valor da Aplicação = $9.896,32
Prob. 9 Valor de Resgate = $10.070,13
Prob. 10 A melhor política de investimentos para esse investidor é:
Aplicar $50.000,00 a 1,5% ao mês, por 3 meses e manter $50.000,00 aplicados na Poupança.

Capítulo 5 — Taxas de Juros


Prob. 1 1, 2% ao mês; 0,04% ao dia
Prob. 2 2,7% ao trimestre; 10,8% ao ano
Prob. 3 0,03238% ao dia
Prob. 4 3,18319% ao trimestre; 13,35373% ao ano
Prob. 5 8,24322% ao ano; 8,16% ao ano
Prob. 6 0,70337% ao mês
Prob. 7 2,87716% ao trimestre; 12,01492% ao ano
Prob. 8 $1.225,24
Prob. 9 a) FV = $10.040,00 e i = 1,20481% a.m.;b) FV = $10.240,00 e i = 1,19289% a.m.
Prob. 10 a) FV = $10.039,84 e i = 1,1952% a.m.; b) FV = $10.241,44 e i = 1,2072% a.m.

Capítulo 6 — Série Uniforme — Prestações Iguais


Prob. 1 PMT = $339,41
Prob. 2 Sinal = $5.866,37
Prob. 3 $1.117,38
Prob. 4 1,3370% a.m.
Prob. 5 a) 1,2043% a.m.; 1,4313% a.m.
Prob. 6 a) 1,6912% a.m.; b) 2,3923% a.m.
Prob. 7 a) PMT = $18.744,40 ; b) PMT = $22.680,73
Prob. 8 PMT = $3.857,58
Prob. 9 $32.342,05; b) $34.311,68
Prob. 10 a) $4.707,35; b) $1.000,00 e $3.707,35; c) $4.478,88; d) $52.981,59
Prob. 11 a) 4,3478%; b) 2,7003%
Prob. 12 3,5244%
Prob. 13 PV mensal = $60.239,36; PV trimestral = $39.760,64
Prob. 14 9,2953% ao ano
Prob. 15 PV = $150.000,00

Capítulo 7 — Valor Presente Líquido — Taxa Interna de


Retorno
Prob. 1 Fluxo (A) ⇒ VPL = $13.147,13;Fluxo (B) ⇒ VPL = $852,93;Fluxo (C) ⇒ VPL = $12.344,54;
Fluxo (D) ⇒ VPL = $235,60; Fluxo (E) ⇒ VPL = $420,31
Prob. 2 a) i = 0,00% ⇒ VPL = $1.100,00;i = 1,00% ⇒ VPL = $852,56;i = 2,00% ⇒ VPL = $621,31; i
= 3,00% ⇒ VPL = $404,96;i = 4,00% ⇒ VPL = $202,35;i = 5,00% ⇒ VPL = $12,41; I = 6,00% ⇒
VPL = (-) $165,84
b) 5,07 % ao semestre
Prob. 3 a) i = 0,00% ⇒ VPL = $1.450,00;i = 2,00% ⇒ VPL = $788,07;i = 4,00% ⇒ VPL = $173,08; i
= 6,00% ⇒ VPL = (-)$399,36

b) 4,59% a.a.
Prob. 4 a) 1,00% ao mês, pois o Valor Presente Líquido é nulo
b) Não, pois os recursos estão rendendo mais do que 1,00% ao mês

Capítulo 8 — Equivalência de Fluxos de Caixa


Prob. 1 $220,00; $242,00; $266,20; $292,82; $322,10
Prob. 2 a) Price: PMT = $1.055,82;
b) SAC: $2.000,00; $1.900,00; $1.800,00; $1.700,00; $1.600,00; $1.500,00; $1.400,00; $1.300,00;
$1.200,00; $1.100,00
Prob. 3 a) $10.000,00; $10.000,00; $22.500,00; $21.250,00; $20.000,00; $18.750,00; $17.500,00;
$16.250,00; $15.000,00; $13.750,00;
b) $0,00; $0,00; $27.225,00; $25.712,50; $24.200,00; $22.687,50; $21.175,00; $19.662,50;
$18.150,00; $16.637,50
Prob. 4 a) Prestação mensal = $2.467,31; b) Parcelas semestrais = $15.331,77
Prob. 5 $12.991,72
Prob. 6 a) $482,02; b) $152,66; c) $552,64
Prob. 7 a) $1.776,98; b) $939,61; c) $1.128,62
Prob. 8 8 mensais de $965,73 e intermediária de $2.897,19
Prob. 9 3 mensais de $13.679,94
Prob. 10 1o mês = $2.103,51; 4o mês = $8.414,04

Capítulo 9 — Fluxos de Caixa Não Homogêneos


Prob. 1 a)1,00% ⇒ VPL = $197,08; 1,50% ⇒ VPL = (-) $423,97; 2,00% ⇒ VPL = (-) $1.025,75;
b)1,1570% ao mês
Prob. 2 a)1,00% ⇒ VPL = $132,66; 1,50% ⇒ VPL = (-) $1.227,21; 2,00% ⇒ VPL = (-) $2.540,58;
b) 1,0480 ao mês;
c) 1,00% ⇒ VPL = $2.132,66; 1,50% ⇒ VPL = $772,79; 2,00% ⇒ VPL = (-) $540,58;
d) 1,7921 % ao mês
Prob. 3 a)3,167% de deságio; b) 5,7988% ao semestre
Prob. 4 a) 0,03105378% ao dia; b) 0,9358203% ao mês; c) 11,8262607% ao ano; d.1) $19.540,71;
d.2) $19.540,71; d.3) $19.540,71; d.4) $19.540,71; d.5) todos valores são iguais; e) 1,020461% ao
mês; f) 0,03384870% ao dia; g) 13,148040% ao ano; h) 13,148040% ao ano, igual à do item (g)
Prob. 5 a) 0,02647855% ao dia; b) Cupons: $241,14 (1o trim.) $243,85 (2o trim.) $246,56 (3o e 4o
trim.); c) 0,04105772% ao dia; d) 15,925488% ao ano; e)16,163666% ao ano; f) 16,163666% ao
ano, igual à do item (e); g)1,5975% de deságio

Capítulo 10 — Fluxos de Caixa e Inflação


Prob. 1 a) tns =11,30% a.s.
b) tna = 23,8769% a.a.
c) ia =10,2500% a.a. ; tia = 12,3600% a.a.
d) (1 + tna ) = (1 + ia ) (1 + tia ) (1 + 23,8769%) = (1 +10,2500%) (1+12,3600%)
Prob. 2 $12.096,00
Prob. 3 $56.007,38
Prob. 4 a) tnm = 2,1315% a.m.
b) $ 263,46
Prob. 5 tim = 1,50 % a.m.
Prob. 6 Prestação anual = $6.854,16
Prob. 7 a) $30.000,00; $28.000,00; $26.000,00; $24.000,00; $22.000,00
b) $32.700,00; $33.419,40; $34.289,52; $35.134,77; $36.078,52
c) tna = 20,7764 % a.a.