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21/04/2018 outorga uxória – Mapa Jurídico

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JURÍDICO
NORMAS, JURISPRUDÊNCIA E INFORMAÇÕES
JURÍDICAS ATUALIZADAS

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uxória

02.28.14
FIANÇA – VALIDADE – FALTA DE
AUTORIZAÇÃO DO COMPANHEIRO
por Portal Tributário

É válida fiança prestada durante união estável


sem anuência do companheiro
Não é nula a fiança prestada por fiador convivente
em união estável sem a autorização do
companheiro – a chamada outorga uxória, exigida
no casamento. O entendimento é da Quarta
Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao
julgar recurso interposto por uma empresa do
Distrito Federal.

“É por intermédio do ato jurídico cartorário e


solene do casamento que se presume a
publicidade do estado civil dos contratantes, de
modo que, em sendo eles conviventes em união
estável, hão de ser dispensadas as vênias
conjugais para a concessão de fiança”, afirmou o
relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão.

Outorga uxória

A empresa ajuizou execução contra a fiadora


devido ao inadimplemento das parcelas mensais,
de dezembro de 2006 a novembro de 2007,
relativas a aluguel de imóvel comercial. Com a
execução, o imóvel residencial da fiadora foi
penhorado como garantia do juízo.
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Inconformada, a fiadora opôs embargos do


devedor contra a empresa, alegando nulidade da
fiança em razão da falta de outorga uxória de seu
companheiro, pois convivia em união estável
desde 1975. O companheiro também entrou com
embargos de terceiro.

O juízo da 11ª Vara Cível da Circunscrição


Especial Judiciária de Brasília rejeitou os embargos
da fiadora, mas o Tribunal de Justiça do Distrito
Federal (TJDF) reformou a sentença.

“Em que pese o Superior Tribunal de Justiça


entender não ser cabível à fiadora alegar a
nulidade da fiança a que deu causa, ao
companheiro é admitida a oposição de embargos
de terceiro quando não prestou outorga uxória na
fiança prestada por seu par”, afirmou o TJDF.

Como foram acolhidos os embargos do


companheiro, para declarar nula a fiança prestada
pela fiadora sem a outorga uxória, o TJDF
entendeu que deveria julgar procedentes os
embargos apresentados pela própria fiadora, a fim
de excluí-la da execução.

Regime de bens

No STJ, a empresa sustentou a validade da fiança


recebida sem a outorga uxória, uma vez que seria
impossível ao credor saber que a fiadora vivia em
união estável com o seu companheiro.

O ministro Salomão, em seu voto, registrou que o


STJ, ao editar e aplicar a Súmula 332 – a qual diz
que a fiança prestada sem autorização de um dos
cônjuges implica a ineficácia total da garantia –,
sempre o fez no âmbito do casamento.

Se alguém pretende negociar com pessoas


casadas, é necessário que saiba o regime de bens
e, eventualmente, a projeção da negociação no
patrimônio do consorte. A outorga uxória para a
prestação de fiança, por exemplo, é hipótese que
demanda “absoluta certeza, por parte dos
interessados, quanto à disciplina dos bens
vigentes, segurança que só se obtém pelo ato
solene do casamento”, segundo o relator.

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Diferença justificável

Ao analisar os institutos do casamento e da união


estável à luz da jurisprudência, Salomão disse que
não há superioridade familiar do primeiro em
relação ao segundo, mas isso não significa que
exista uma “completa a inexorável coincidência”
entre eles.

“Toda e qualquer diferença entre casamento e


união estável deve ser analisada a partir da dupla
concepção do que seja casamento – por um lado,
ato jurídico solene do qual decorre uma relação
jurídica com efeitos tipificados pelo ordenamento
jurídico, e, por outro lado, uma entidade familiar,
das várias outras protegidas pela Constituição”,
afirmou o ministro.

“O casamento, tido por entidade familiar, não se


difere em nenhum aspecto da união estável –
também uma entidade familiar –, porquanto não
há famílias timbradas como de segunda classe
pela Constituição de 1988”, comentou.

Salomão concluiu que só quando se analisa o


casamento como ato jurídico formal e solene é
que se tornam visíveis suas diferenças em relação
à união estável, “e apenas em razão dessas
diferenças que o tratamento legal ou
jurisprudencial diferenciado se justifica”.

Para o relator, a questão da anuência do cônjuge


a determinados negócios jurídicos se situa
exatamente neste campo em que se justifica o
tratamento diferenciado entre casamento e união
estável.

Escritura pública

Luis Felipe Salomão não considerou nula nem


anulável a fiança prestada por fiador convivente
em união estável, sem a outorga uxória, mesmo
que tenha havido a celebração de escritura
pública entre os consortes.

Ele explicou que a escritura pública não é o ato


constitutivo da união estável, “mas se presta
apenas como prova relativa de uma união fática,
que não se sabe ao certo quando começa nem

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quando termina”.

Como a escritura da união estável não altera o


estado civil dos conviventes, acrescentou
Salomão, para tomar conhecimento dela o
contratante teria de percorrer todos os cartórios
de notas do Brasil, “o que se mostra inviável e
inexigível”.

STJ – 28.02.2014 REsp 1299894

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fiador, fiança, outorga uxória, união estável

01.20.14
FIADOR – OBRIGAÇÕES NO
CONTRATO DE LOCAÇÃO
por Portal Tributário

As obrigações do fiador no contrato de locação

Para a maioria das pessoas, gera desconforto


prestar fiança a amigos ou parentes. Não é pra
menos. Ser a garantia da dívida de alguém é algo
que envolve riscos. Antes de afiançar uma pessoa,
é preciso ficar atento às responsabilidades
assumidas e, sobretudo, à relação de confiança
que se tem com o afiançado. Afinal, não são
poucas as histórias de amizades e relações
familiares rompidas que começaram com um
contrato de fiança.
Prova disso são os casos envolvendo fiança que
chegam ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Impasses que levaram a uma expressiva
coletânea de precedentes e à edição de súmulas.A
fiança é uma garantia fidejussória, ou seja,
prestada por uma pessoa. Uma obrigação
assumida por terceiro, o fiador, que, caso a
obrigação principal não seja cumprida, deverá
arcar com o seu cumprimento.

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Ela tem natureza jurídica de contrato acessório e


subsidiário, o que significa que depende de um
contrato principal, sendo sua execução
subordinada ao não cumprimento desse contrato
principal pelo devedor.

Fiança não é aval

É importante não confundir fiança e aval. Apesar


de também ser uma garantia fidejussória, o aval é
específico de títulos de crédito, como nota
promissória, cheque, letra de câmbio. A fiança
serve para garantir contratos em geral, não
apenas títulos de crédito.

O aval também não tem natureza jurídica


subsidiária, é obrigação principal, dotada de
autonomia e literalidade. Dispensa contrato,
decorre da simples assinatura do avalista no titulo
de crédito, pelo qual passa a responder em caso
de inadimplemento do devedor principal.

Entrega das chaves

Em um contrato de aluguel, portanto, o


proprietário do imóvel exigirá um fiador, não um
avalista e, até a entrega das chaves, será ele a
segurança financeira da locação do imóvel.

Essa “entrega das chaves”, no entanto, tem


gerado muita discussão nos tribunais, sobretudo
nas execuções contra fiadores em contratos
prorrogados, sem a anuência destes.

O enunciado da Súmula 214 do STJ diz que “o


fiador na locação não responde por obrigações
resultantes de aditamento ao qual não anuiu”. Em
contratos por prazo determinado, então, não
poderia haver prorrogação da fiança sem a
concordância do fiador, certo? Depende.

Nessas situações, a jurisprudência do STJ


disciplina que, existindo no contrato de locação
cláusula expressa prevendo que os fiadores
respondem pelos débitos locativos, até a efetiva
entrega do imóvel, subsiste a fiança no período
em que o referido contrato foi prorrogado, mesmo
sem a anuência do fiador (AREsp 234.428).

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No julgamento do Recurso Especial 1.326.557, o


ministro Luis Felipe Salomão, relator, destacou
que esse entendimento já era aplicado
nos contratos firmados antes da nova redação
conferida ao artigo 39 da Lei 8.245/91 (Lei do
Inquilinato), introduzida pela Lei 12.112/09. O que
era jurisprudência virou lei.

De acordo com o dispositivo, “salvo disposição


contratual em contrário, qualquer das garantias
da locação se estende até a efetiva devolução do
imóvel, ainda que prorrogada a locação por prazo
indeterminado, por força desta Lei”. Ou seja, para
que a fiança não seja prorrogada
automaticamente, é necessário que no contrato
esteja especificado que o fiador ficará isento de
responsabilidade na hipótese de prorrogação do
contrato.

“Diante do novo texto legal, fica nítido que, para


contratos de fiança firmados na vigência da Lei
12.112/09 – pois a lei não pode retroagir para
atingir pactos anteriores à sua vigência –, salvo
pactuação em contrário, o contrato de fiança, em
caso de prorrogação da locação, por prazo
indeterminado, também prorroga-se
automaticamente a fiança, resguardando-se,
durante essa prorrogação, evidentemente, a
faculdade de o fiador exonerar-se da obrigação,
mediante notificação resilitória”, explicou
Salomão.

Notificação resilitória

O Código Civil de 2002 também trouxe mudanças


em relação à exoneração do fiador. Enquanto o
Código de 1916 determinava que a exoneração
somente poderia ser feita por ato amigável ou por
sentença judicial, o novo código admite que a
fiança, sem prazo determinado, gera a
possibilidade de exoneração unilateral do fiador.

Para que isso aconteça, o fiador deve notificar o


credor sobre a sua intenção de exonerar-se da
fiança. A exoneração, contudo, não é imediata. De
acordo com a nova redação da Lei 8.245/91, o
fiador fica obrigado por todos os efeitos da fiança
durante 120 dias após a notificação do credor.
Neste caso, o locador notifica o locatário para

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21/04/2018 outorga uxória – Mapa Jurídico

apresentar nova garantia locatícia no prazo de 30


dias, sob pena de desfazimento da locação.

Novo fiador

Além dos casos de exoneração, o locador também


pode exigir a troca do fiador nas seguintes
situações: morte do fiador; ausência, interdição,
recuperação judicial, falência ou insolvência do
fiador declarados judicialmente; alienação ou
gravação de todos os bens imóveis do fiador ou
sua mudança de residência sem comunicação do
locador e também ao final de contratos por tempo
determinado.

Foi o que aconteceu no julgamento do Recurso


Especial 902.796, contra uma ação de despejo. Ao
término do contrato de aluguel, por prazo
determinado e sem previsão de prorrogação, o
locador exigiu a apresentação de novo fiador, mas
a providência solicitada não fui cumprida.

O locatário argumentou que “não cometeu


qualquer falta contratual capaz de suscitar a
rescisão e o consequente despejo. Isso porque,
em sendo a avença prorrogada por tempo
indeterminado, não haveria para ele, ainda que
instado a tanto pela locadora, qualquer obrigação
de apresentar novo fiador”, que estaria
responsável pela garantia do imóvel até a entrega
das chaves.

A ministra Laurita Vaz, relatora, negou provimento


ao recurso sob o fundamento de que, sendo a
fiança ajustada por prazo certo, “há expressa
previsão legal – artigo 40, inciso V, da Lei
8.245/91 –, a permitir ao locador que exija a
substituição da garantia fidejussória inicialmente
prestada, notificando o locatário desse propósito e
indicando-lhe prazo para o cumprimento”.

Outorga uxória

O locador também deve ficar atento às


formalidades da lei no que diz respeito à outorga
uxória do fiador. A outorga uxória é utilizada
como forma de impedir a dilapidação do
patrimônio do casal por um dos cônjuges. Por
isso, a fiança prestada sem a anuência do cônjuge

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do fiador é nula. É exatamente daí que vem o


enunciado da Súmula 332 do STJ: “Fiança
prestada sem autorização de um dos cônjuges
implica a ineficácia total da garantia.”

No julgamento de Recurso Especial 1.095.441, no


entanto, a Sexta Turma relativizou o
entendimento. No caso, o fiador se declarou
separado, mas vivia em união estável. Na
execução da garantia do aluguel, sua
companheira alegou a nulidade da fiança porque
não contava com sua anuência, mas os ministros
entenderam que permitir a anulação seria
beneficiar o fiador, que agiu de má-fé.

“Esse fato, ao que se pode depreender, inviabiliza,


por si só, a adoção do entendimento sumulado
por esta Casa, pois, do contrário, seria beneficiar
o fiador quando ele agiu com a falta da verdade,
ao garantir o negócio jurídico”, disse o ministro
Og Fernandes, relator.

O ministro observou também que a meação da


companheira foi garantida na decisão, o que,
segundo ele, afasta qualquer hipótese de
contrariedade à lei.

Fiança e morte

A outorga uxória vincula o cônjuge até mesmo


com a morte do fiador. De acordo com a
jurisprudência do STJ, a garantia, que foi prestada
pelo casal, não é extinta com o óbito, persistindo
seus efeitos em relação ao cônjuge (REsp
752.856).

O mesmo não acontece, entretanto, se o locatário


morre. Antes da alteração da Lei do Inquilinato,
os débitos advindos depois do falecimento, não
eram direcionados ao fiador.

Com as alterações de 2009, o fiador poderá


exonerar-se das suas responsabilidades no prazo
de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da
comunicação do falecimento, ficando responsável
pelos efeitos da fiança durante 120 (cento e vinte)
dias após a notificação ao locador.

Benefício de Ordem

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Se, todavia, nos embargos à execução não puder


ser invocada a ausência de outorga uxória ou
mesmo a morte do locatário, poderá o fiador
lançar mão do Benefício de Ordem.

O Benefício de Ordem é o direito que se garante


ao fiador de exigir que o credor acione
primeiramente o devedor principal. Isto é, que os
bens do devedor sejam executados antes dos
seus.

No entanto, o fiador não poderá se aproveitar


deste benefício se no contrato de fiança estiver
expressamente renunciado ao benefício; se
declarar-se como pagador principal ou devedor
solidário; ou se o devedor for insolvente ou falido.

Não adianta nem mesmo alegar que a cláusula de


renúncia é abusiva, como foi feito no Recurso
Especial 851.507, também de relatoria do ministro
Arnaldo Esteves de Lima.

“Enquanto disposta de forma unilateral –


característica do contrato de adesão – é abusiva e
criadora de uma situação de extrema
desvantagem para o polo hipossuficiente da
relação contratual firmada, qual seja a locatária e
seu fiador, impossibilitados de discutir ou de
alterar quaisquer cláusulas do contrato objeto da
execução”, alegou a defesa.

A irresignação não prosperou porque, segundo o


relator, a renúncia ao Benefício de Ordem prevista
é expressamente autorizada pelo artigo 828 do
Código Civil.

Bem de família

É importante atentar também que, uma vez


assumida a obrigação de fiador, não será possível
alegar impenhorabilidade de bens na execução,
ainda que se trate de seu único imóvel, ou seja, o
bem de família.

Foi o que aconteceu no julgamento do Recurso


Especial 1.088.962, de relatoria do ministro Sidnei
Beneti. No caso, o tribunal de origem considerou o
imóvel como bem de família e afastou a penhora,
mas o acórdão foi reformado.

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“Destaca-se que o Supremo Tribunal Federal, em


votação plenária, proferiu julgamento no Recurso
Extraordinário 407688, segundo o qual o único
imóvel (bem de família) de uma pessoa que
assume a condição de fiador em contrato de
aluguel pode ser penhorado, em caso de
inadimplência do locatário”, justificou o ministro.

A medida está amparada no artigo 3º da Lei


8.009/90, que traz expresso: “A
impenhorabilidade é oponível em qualquer
processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
trabalhista ou de outra natureza, salvo se movida
por obrigação decorrente de fiança concedida em
contrato de locação.”

No julgamento do Recurso Especial 1.049.425, o


ministro Hamilton Carvalhido, relator, chegou a
manifestar sua opinião sobre a
inconstitucionalidade da lei, mas, diante do
entendimento do STF que considerou
constitucional a penhora e da jurisprudência do
STJ, votou conforme o entendimento firmado,
mesmo sem concordar.

“A meu sentir, fere o princípio constitucional de


igualdade, não podendo prevalecer, ainda mais
quando, por norma constitucional posterior à lei,
firmou-se o caráter social da moradia. Este
Tribunal, entretanto, acompanhando a decisão da
Corte Suprema, tem assentado a regularidade da
aludida exceção, inclusive para os contratos de
aluguel anteriores à vigência da Lei nº 8.245/91”,
apontou Carvalhido.

STJ – 21.01.2014 (texto corrigido no site)

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contrato, fiador, fiança, locação, nulidade,
outorga uxória, stj

06.10.13
FIANÇA – NULIDADE – FALTA DE
OUTORGA UXÓRIA OU MARITAL
por Portal Tributário

Outorga conjugal: a responsabilidade conjunta do


casal na gestão do patrimônio
O Código Civil de 2002 introduziu algumas
mudanças no regime de proteção dos bens do
casal. Uma delas foi a extensão para o aval da
necessidade de outorga uxória ou marital, já
exigida para a fiança, por exemplo.Esse instituto é
a autorização do cônjuge para atos civis do
parceiro que tenham implicações significativas no
patrimônio do casal. Conheça a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre esse
dispositivo.

Fiança em locação

O caso mais recorrente na jurisprudência é a


fiança dada a locatário por um dos cônjuges sem
a anuência do outro. Em regra, para a
jurisprudência majoritária do STJ, esses casos
geram nulidade plena da garantia. É o que retrata
a Súmula 332, de 2008: “A fiança prestada sem
autorização de um dos cônjuges implica a
ineficácia total da garantia.”

Esse entendimento já era aplicado na vigência do


Código Civil de 1916, de que é exemplo o Agravo
de Instrumento 2.798, julgado em maio de 1990.
O STJ tem seguido essa linha desde então, como
no Recurso Especial 1.165.837, julgado em 2011.

Boa-fé

No entanto, nesse recurso, como em outros mais


recentemente, o STJ vem discutindo se a má-fé
na garantia viciada pode relativizar a nulidade.
Nesse caso, o fiador havia se declarado
divorciado, quando na verdade era casado. Na
cobrança do aluguel afiançado, seu cônjuge

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21/04/2018 outorga uxória – Mapa Jurídico

alegou nulidade da garantia, porque feita sem sua


outorga.

O juiz entendeu que o fiador agiu de má-fé e a


simples anulação por inteiro da fiança beneficiaria
o garantidor, que teria agido com manifesta
deslealdade contratual. Por isso, manteve a
execução, reservando apenas o direito de meação
do cônjuge.

O Tribunal de Justiça manteve a decisão. No STJ,


a ministra Laurita Vaz afirmou que mudar as
conclusões da corte local sobre a má-fé do fiador,
para afastar parcialmente o vício na fiança,
exigiria reexame de provas, o que não poderia ser
feito pelo Tribunal.

Mas a Quinta Turma, por maioria, decidiu de


forma contrária. Para os ministros, o ato do fiador
poderia ser ilícito e até mesmo criminoso, mas
não afastava a condição de validade do ato
jurídico. Assim, sem a outorga, a fiança prestada
pelo cônjuge não poderia ter qualquer eficácia
jurídica. Caberia ainda ao locatário exigir e
conferir os documentos que embasavam o
negócio jurídico.

Junto e separado

A Sexta Turma, porém, já relativizou a nulidade


da fiança em caso idêntico, julgado no Recurso
Especial 1.095.441. O fiador declarou-se
separado, mas vivia em união estável. Na
execução da garantia do aluguel, sua
companheira alegou a nulidade da fiança porque
não contava com sua anuência.

Para o ministro Og Fernandes, nesse caso, seria


impossível aplicar a súmula, porque fazê-lo iria
contrariar as conclusões fáticas das instâncias
ordinárias e beneficiar o fiador que agiu com falta
da verdade. Além disso, ele destacou que a
meação da companheira foi garantida nas
decisões impugnadas, o que afastava qualquer
hipótese de contrariedade à lei.

Legitimidade

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Em qualquer caso, o STJ entende que somente o


cônjuge que não deu a outorga pode alegar a
nulidade da fiança. Ou seja: o fiador que não
buscou a anuência do cônjuge não pode alegar
sua falta para eximir-se da obrigação. É o que foi
decidido nos Recursos Especiais 772.419 e
749.999, por exemplo.

No Recurso Especial 361.630, o STJ também


entendeu que o cônjuge que não deu a
autorização tem legitimidade ativa para a ação
rescisória, mesmo quando não tenha integrado a
ação original.

Referindo-se ainda ao Código de 1916, a decisão


da ministra Laurita Vaz afirma que a meeira de
bem penhorado para garantir execução de aluguel
tem interesse jurídico – e não apenas econômico
– na desconstituição do julgado.

Autorização dispensada

Por outro lado, no Recurso Especial 1.061.373, o


STJ entendeu ser irrelevante a ausência de
outorga conjugal no caso de o aluguel afiançado
ter beneficiado a unidade familiar.

De modo similar, no Agravo de Instrumento


1.236.291, o STJ afirmou que, sob a vigência do
Código Civil de 1916, a garantia cambial dispensa
a outorga. Assim, termo de confissão de dívida e
promissória vinculada firmados antes do novo
código são garantidas por aval e não fiança,
dispensando a autorização.

Ainda no regime do Código de 16, o STJ mitigou a


exigência da autorização conjugal no Recurso
Especial 900.255. Nesse caso, o Tribunal
entendeu que a fiança concedida sem a
participação da esposa do garantidor deveria ser
validada.

Isso porque a cônjuge do fiador encontrava-se em


local incerto e desconhecido havia mais de 13
anos. No recurso, a esposa, que havia
abandonado o lar em 1982, questionava a
penhora do imóvel – que resguardara sua
meação.

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A execução do aluguel em atraso teve início em


1995 e a declaração de ausência veio em 1998,
após três anos da penhora e arrematação do
imóvel pertencente ao casal, por terceiro de boa-
fé e nos autos de execução do contrato de
locação garantido pela fiança.

Solidariedade

O STJ também já entendeu que, se as instâncias


ordinárias interpretaram que o contrato não trata
de garantia, mas de obrigação solidária assumida
pelo cônjuge, não há falar em outorga.

No Recurso Especial 1.196.639, o STJ afirmou ser


impertinente a discussão sobre a autorização, já
que o tribunal local negou a existência de fiança.
Conforme afirmou a corte ordinária, a
solidariedade a que se obrigou o cônjuge da
recorrente dizia respeito a obrigação da vida civil
sem qualquer restrição na lei, podendo ser
praticada livremente por qualquer dos cônjuges.

Fiança e outorga

Para o STJ, a fiança deve ser ainda expressa e


escrita, sendo sua interpretação restrita. Por isso,
no Recurso Especial 1.038.774, o Tribunal
entendeu que a mera assinatura do cônjuge no
contrato não implica sua solidariedade.

Ela alegava ter assinado o ajuste apenas para fim


de outorga uxória e não para se responsabilizar
também pela dívida. Seu nome nem mesmo
constava na cláusula contratual especificamente
referente aos fiadores. O ministro Napoleão Nunes
Maia Filho, que relatou o caso, citou Sílvio Venosa
para esclarecer que o consentimento marital não
se confunde com fiança conjunta.

“O cônjuge pode autorizar a fiança. Preenche-se


desse modo a exigência legal, mas não há fiança
de ambos: um cônjuge afiança e o outro
simplesmente autoriza, não se convertendo em
fiador”, afirma o doutrinador citado.

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“Os cônjuges podem, por outro lado, afiançar


conjuntamente. Assim fazendo, ambos colocam-se
como fiadores. Quando apenas um dos cônjuges é
fiador, unicamente seus bens dentro do regime
respectivo podem ser constrangidos. Desse modo,
sendo apenas fiador o marido, com mero
assentimento da mulher, os bens reservados
desta, por exemplo, bem como os incomunicáveis,
não podem ser atingidos pela fiança”, conclui o
civilista.

O caso julgado pelo STJ no Recurso Especial


690.401, porém, é inverso. Nele, o nome do
cônjuge constava expressamente na cláusula
sobre a fiança, afirmando que ambos do casal
seriam “fiadores e principais pagadores,
assumindo solidariamente entre si e com o
locatário o compromisso de bem fielmente
cumprir o presente contrato”.

Testemunho e outorga

De modo similar, o STJ também entendeu que o


cônjuge que apenas assina o contrato como
testemunha não dá outorga conjugal de fiança.
No caso analisado no Recurso Especial 1.185.982,
o tribunal local afirmava que a cônjuge não podia
alegar desconhecimento dos termos do contrato
que testemunhara, sendo implícita a autorização
para a fiança.

Porém, para a ministra Nancy Andrighi, a


assinatura do cônjuge sobreposta ao campo
destinado às testemunhas instrumentárias do
contrato não fazem supor sua autorização para a
fiança do marido. Ela apenas expressaria a
regularidade formal do instrumento particular de
locação firmado entre locador e afiançado. Isso
não evidenciaria sua compreensão sobre o alcance
da obrigação assumida pelo marido como fiador.

“A fiança é um favor prestado a quem assume


uma obrigação decorrente de disposição
contratual, de maneira que sempre estará restrita
aos encargos expressa e inequivocamente
assumidos pelo fiador. Se houver incerteza quanto
a algum aspecto essencial do pacto fidejussório,
como a outorga marital, não é possível proclamar
a eficácia da garantia”, asseverou a relatora.

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Separação absoluta

No Recurso Especial 1.163.074, o STJ definiu qual


regime de bens dispensa a outorga. É que o artigo
que trata da autorização marital afirma que ela é
dispensada no caso de separação absoluta, sem
esclarecer se em tal caso se insere tanto a
separação de bens consensual quanto a
obrigatória, imposta por lei.

Em votação unânime, a Terceira Turma entendeu


que apenas o regime consensual de separação
atrai a dispensa de outorga. Conforme a decisão,
a separação de bens adotada por livre
manifestação da vontade corresponderia a uma
antecipação da liberdade de gestão dos bens de
cada um, afastando qualquer expectativa de um
em relação ao patrimônio do outro.

“A separação de bens, na medida em que faz de


cada consorte o senhor absoluto do destino de
seu patrimônio, implica, de igual maneira, a prévia
autorização dada reciprocamente entre os
cônjuges, para que cada qual disponha de seus
bens como melhor lhes convier”, explicou na
ocasião o ministro Massami Uyeda, hoje
aposentado.

“O mesmo não ocorre quando o estatuto


patrimonial do casamento é o da separação
obrigatória de bens. Nestas hipóteses, a ausência
de comunicação patrimonial não decorre da
vontade dos nubentes, ao revés, de imposição
legal”, concluiu.

STJ – 10.06.2013

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