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DIREITO PROCESSUAL CIVIL IV: PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

Aula 001 – Introdução. Ação de Consignação em pagamento

Noções introdutórias. 1. ação de consignação em pagamento. 1.1. Questões


de direito material. 1.1.1. Pagamento em consignação. 1.1.2 facultatividade do pagamento
em consignação. 1.1.3. Hipóteses de admissibilidade do pagamento em consignação.
1.1.4. Objeto do pagamento em consignação. 1.2. Questões processuais. 1.2.1.
Consignação extrajudicial. 1.2.2. Consignação judicial. 1.2.2.1. Legitimidade. 1.2.2.2.
Competência. 1.2.2.3. O depósito judicial. 1.2.2.4. Petição inicial. 1.2.2.5. Citação do réu
e defesa. 1.2.2.6. Sentença. 1.2.2.6. Consignação fundada na dúvida quanto à titularidade
do crédito. 1.2.2.7. Resgate de aforamento. 1.2.2.8. Consignatória de aluguéis e outros
encargos locatícios. 1.2.2.9 fluxograma. 1.2.2.10 – modelo de petição inicial. 1.2.2.11-
modelo de sentença. 1.2.2.12. questões de concursos públicos (adaptadas)

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

A princípio, a ideia de um procedimento único, uniforme para todas as


demandas do direito material seria, ao mesmo tempo, uma afirmação do postulado da
igualdade formal e uma declaração da autonomia do direito processual civil do próprio
direito material, contudo, a universalização de um rito processual único não se mostra
recomendável pois não se pode identificar a autonomia do processo civil em relação ao
direito material com indiferença à esse.
A isonomia material não se limita à mera igualdade perante a lei, demanda
que as desigualdades próprias da humanidade sejam consideradas pelo Estado no
cumprimento de suas missões, dentre elas a da prestação jurisdicional o que justifica a
escolha moderna do legislador da fixação de um rito geral, ordinário, e de tutelas
jurisdicionais diferenciadas conforme as necessidades especiais do direito material como
é, o caso , por exemplo da consignação em pagamento, mas também, e ,especialmente no
regime do CPC/15, da tutela processual da posse, agora mais adequada aos conflitos
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fundiários, que superam o mero patrimonialismo, representando questão social relevante


que demanda atuação jurisdicional diferenciada.
Quando se afirma a necessidade de tutelas jurisdicionais diferenciadas e
adequadas à realidade social ou ao próprio direito material não se está de forma alguma
retornando à visão imamentista do direito de ação, mas sim reconhecendo que a
autonomia do direito processual civil não é isolamento do direito, mas sim o
reconhecimento de que este não existe como um fim em si mesmo, mas como um
instrumento de materialização de direitos. Como lecionam Marinoni, Arenhart e
Mitidieiro (2015, p. 31):
Note-se que ter direito à imagem é algo muito diferente do que ter uma
forma de tutela adequada à sua proteção, como a tutela inibitória. Ter
direito ao meio ambiente sadio não quer dizer ter direito à tutela
ressarcitória na forma específica. O direito do consumidor, para deixar de
ser mera proclamação, deve ter ao seu dispor a tutela capaz de remover
os efeitos concretos derivados do ato que violou a norma de proteção, e
assim por diante.
De outra banda também se mostra como inviável a ideia da existência de um
procedimento diferenciado para cada situação peculiar da vida, não por outra razão o
CPC/15 ao lado dos procedimentos especiais que serão estudados no presente tópico
desenvolve o conceito de flexibilização do procedimento para fins de adapta-lo à
realidade do caso concreto e das eventuais necessidades dele decorrentes, o que pode
ocorrer tanto por ato judicial (Art. 139, VI) como das partes (Arts. 190 e 191) por meio
do negócio jurídico processual. Segundo Humberto Theodoro Júnior1, são características
dos procedimentos especiais:
(a) simplificação e agilização dos trâmites
processuais, por meio de expedientes como o da liminar
antecipatória de efeitos da tutela, o da redução de prazos e o da
eliminação de atos desnecessários;
(b) delimitação do tema que se pode deduzir na
inicial e na contestação;

1
Curso de Direito Processual Civil, São Paulo, 2016, Ed. Forense, p. 42/43
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(c) explicitação dos requisitos materiais e


processuais para que o procedimento especial seja eficazmente
utilizado.
O novo código destaca do rito comum um série de procedimentos
diferenciados, ora harmonizando as regras de direito processual às de direito material,
como é o caso das ações de consignação em pagamento e de divisão e da demarcação de
terras particulares, ora estabelecendo procedimento mais adequado à relevância social de
determinados conflitos, como é o regramento das ações possessórias, agora adequadas às
necessidades dos conflitos fundiários, e as ações envolvendo direito de família.
Uma questão interessante é a possibilidade de cumulação do rito de
procedimentos especiais com o rito comum ordinário. A resposta para essa indagação é
fornecida pelo art. 327, §2º do Código de Processo Civil2 que admite a cumulação de
pedidos desde que todos tramitem pelo rito comum ordinário, contudo, adverte Humberto
Teodoro Júnior3 que:
“Naturalmente, quando o procedimento especial
corresponder a atos imprescindíveis ao processamento lógico
da pretensão, essa substituição não será admissível. É o que
ocorre, por exemplo, com os termos próprios e insubstituíveis
da ação de divisão e demarcação, ou do inventário e partilha,
frente aos quais o rito comum revela-se totalmente
inadequado.”
O novo Código de Processo Civil não mais regula em procedimento especial
as seguintes pretensões: a) ações de depósito, b) de anulação e substituição de títulos ao
portador, c) de nunciação de obra nova, d) de usucapião; e) de oferecimento de contas; f)
Vendas a crédito com reserva de domínio. Tais procedimentos ainda que não mais

2
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§ 1o São requisitos de admissibilidade da cumulação que: I - os pedidos sejam compatíveis entre si; II - seja competente para conhecer
deles o mesmo juízo;
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento. § 2o Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de
procedimento, será admitida a cumulação se o autor empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego das técnicas
processuais diferenciadas previstas nos procedimentos especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que não forem
incompatíveis com as disposições sobre o procedimento comum.
3
Obra citada p. 45
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previstos como especiais pelo atual Código de Processo Civil podem ser propostos
perante o judiciário, contudo, agora com o uso do rito comum ordinário.
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1. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

1.1. Questões de direito material

1.1.1. Pagamento em consignação

Flávio Tartuce4 define obrigação jurídica como sendo “a relação jurídica


transitória, existente entre um sujeito ativo, denominado credor, e outro sujeito passivo,
o devedor; e cujo objeto consiste numa prestação situada no âmbito dos direitos pessoais,
positiva ou negativa. Havendo o descumprimento ou inadimplemento obrigacional,
poderá o credor satisfazer-se do patrimônio do devedor.”
O caminho natural de toda a obrigação é o seu cumprimento a na sua ausência
se está diante da mora (CCB, art. 3984), que pode ser tanto do devedor que deixa de
cumprir a obrigação em seu termo ou condições (mora debendi/solvendi quanto do
devedor) quanto do credor, quando se recusa a receber ou impõe condições fora do
contrato ou da lei para o recebimento (mora credendi/accipiendi).

1.1.2 Facultatividade do pagamento em consignação

Por certo que o maior interessado em receber é o credor que tem o direito a
tanto, contudo, por outro lado também possui o devedor o direito de efetuar o pagamento
e de exigir regularidade nesse ato, justamente por isso, presente a mora creditoris tem o
devedor a faculdade (não a obrigação) de consignar o valor. Como leciona Humberto
Teodoro Júnior5:
Sendo, porém, a causa do não pagamento imputável
ao credor, toca ao devedor a faculdade e não a obrigação de
depositar, já que a mora creditoris exclui a mora debitoris. Em
outras palavras: sendo a mora do credor, nenhuma sanção a lei

4
Direito Civil. 2012, Ed. Método, Vol III. p. 27
5
Ob. Cit. P. 53
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aplica ao devedor caso ele não providencie o depósito em


consignação. É justamente por isso que se afirma que tal
depósito é faculdade e não obrigação.
Para garantir essa faculdade, com efeito liberatório sobre a obrigação dispõe
o art. 334 do Código Civil:
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a
obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário
da coisa devida, nos casos e forma legais.
Mas não se exige para a consignação que exista somente mora do credor, se
admite que mesmo em mora (inadimplência relativa), o devedor, ajuíze consignação em
pagamento, desde que não tenha ocorrida a inadimplência absoluta (CCB, art. 475)6 com
a imprestabilidade do objeto para o credor. Nessa linha:
Civil e processual civil. Recurso especial. Ação de
consignação em pagamento. Mora do credor. Mora do devedor.
Possibilidade de ajuizamento [...]. Verificada a mora do credor
por se recusar a receber o pagamento da forma que lhe é
ofertado, para ele é transferida a responsabilidade pelo
inadimplemento. Dessa forma, ainda que esteja em mora, ao
devedor é licita a propositura de ação de consignação em
pagamento para eximir-se da obrigação avençada entre as
partes. Precedentes” (STJ, REsp 419.016/PR, Rel. Min. Nancy
Andrighi, j. 14.05.2002).

1.1.3. Hipóteses de admissibilidade do pagamento em consignação

As hipóteses de admissibilidade da consignação em pagamento estão


previstas no art. 335 do Código Civil:
Art. 335. A consignação tem lugar:

6
E sobre as espécies de inadimplemento, a doutrina ensina:“ ambos referem-se ao descumprimento da prestação principal: dar, fazer
ou não fazer. Enquanto o inadimplemento absoluto, porém, resulta da completa impossibilidade de cumprimento da obrigação, a mora
é a sanção pelo descumprimento de uma obrigação que ainda é possível, pois, apesar de ainda não realizada, há viabilidade de
adimplemento posterior.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito das Obrigações. 3 ed. Rio de Janeiro:
Lumen Juris, 2008. p. 390).
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I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar


receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no
lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for
desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de
acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente
receber o objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

A primeira hipóteses (inciso I) refere-se à mora accipiendi (mora em


receber), quando a dívida for portável, e procurado recusar o credor o recebimento. A
segunda hipótese (Inciso II) diz respeito às obrigações quesíveis onde a mora accipiendi
decorre da omissão do credor em procurar o devedor para receber. A terceira situação
(Inciso III) diz respeito à impossibilidade do credor em fornecer a quitação da obrigação
por um dos motivos da lei. Na quarta hipótese (Inciso IV) se garante ao devedor a
consignação quando existente dúvida objetiva7 em relação à pessoa do credor8. A última
hipótese de cabimento (Inciso V) refere-se a possibilidade de consignação do objeto da
obrigação quando pendente litígio sobre a sua titularidade.
O art. 164 do CTN também prevê hipóteses de consignação em
pagamento:
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser
consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos:

7
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO - DÚVIDA QUANTO AO CREDOR DOS
ALUGUERES - BEM IMÓVEL OBJETO DA LOCAÇÃO ARREMATADO EM LEILÃO JUDICIAL - DIREITO À PERCEPÇÃO
DOS ALUGUÉIS - DIREITO DOS ARREMATANTES, NOVOS PROPRIETÁRIOS - ART. 694 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
- DIREITOS TRANSFERIDOS AO ARREMATANTE, A PARTIR DA LAVRATURA DO AUTO DE ARREMATAÇÃO -
ANALOGIA AO ART. 8º DA LEI DE LOCAÇÕES - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E
NEGADO PROVIMENTO. (TJPR - 11ª C.Cível - AC - 1091354-5 - Região Metropolitana de Londrina - Foro Central de Londrina -
Rel.: Angela Maria Machado Costa - Unânime - - J. 29.10.2014)
8
Aqui se trata de providência acautelatória do sujeito, pois como esclarecem Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery
(2007:1151), nessa hipótese, "a providência do devedor é acautelatória de seus direitos, pois quer pagar bem e não incorrer no
risco que lhe adviria de pagar para quem não é o legítimo credor da prestação".
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I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao


pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento
de obrigação acessória;
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento
de exigências administrativas sem fundamento legal;
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de
direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.
A primeira situação (Inciso I) diz respeito à recusa por parte do fisco
em receber os valores do crédito tributário, ou condicionar o pagamento ao cumprimento
de obrigação acessória, como comum de acontecer nos Municípios que emitem guia única
para pagamento do IPTU e Taxas, muitas vezes inconstitucionais, não aceitando o
pagamento individualizado do tributo9. A segunda hipótese (inciso II) ocorre quando a
administração tributária condiciona o recebimento do tributo a uma exigência que não
encontra amparo legal, violando assim, o princípio da legalidade que há de reger toda a
administração pública. O STJ entendeu possível a consignação na hipótese de
subordinação do recebimento do IPTU - sem as taxas - ao cumprimento de exigência
administrativa sem fundamento legal, qual seja o pagamento em parcela única (inciso II,
do art. 164, do CTN) (STJ REsp 197.922/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2005, DJ 16/05/2005, p. 276). Já na terceira
situação (Inciso III) onde o sujeito passivo tem constituído contra si crédito tributária por
duas pessoas políticas, contudo, ambas os lançamentos dizem respeito ao mesmo fato
gerador (fato imponível) ocorrendo em tal hipótese a figura da bitributação10.

9
- É cabível a ação consignatória para pagamento dos valores devidos a título de IPTU, independentemente do recolhimento das taxas
de coleta e remoção de lixo e de combate a sinistros, constantes dos mesmos carnês de cobrança, desde que o contribuinte entenda
indevida a cobrança das referidas taxas e pretenda discuti-las judicialmente. - Inteligência do art. 164, I do CTN. - O STF pacificou o
entendimento no sentido de que são inconstitucionais as taxas nomeadas, por não terem por objeto serviço público divisível,
mensurável e específico, devendo ser custeado por meio do produto da arrecadação dos impostos gerais. - Recurso especial conhecido
e provido. (STJ REsp 169.951/SP, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em
21/09/2004, DJ 28/02/2005, p. 260) TRIBUTÁRIO. IPTU. PROGRESSIVIDADE. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM
PAGAMENTO. ART. 164 DO CTN. 1. A ação de consignação é instrumento processual admissível para pagamento de tributo em
montante inferior ao exigido, o que implica em recusa do Fisco ao recebimento do tributo por valor menor. 2. Precedentes desta Corte.
3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ REsp 538.764/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 2a TURMA, julgado em
12/04/2005, DJ 13/06/2005, p. 237)
10
3. No caso concreto, considerando que a autora (ora recorrente) é prestadora de serviço de conexão à Internet, revela-se plausível a
dúvida quanto ao imposto devido — ICMS ou ISS —, tendo em vista que ambos foram exigidos pelos respectivos entes tributantes.
Assim, a circunstância de a dúvida recair sobre impostos diversos que incidem sobre um mesmo fato gerador, por si só, não enseja a
inviabilidade da ação de consignação em pagamento com a consequente extinção do processo sem resolução de mérito. 4. Recurso
especial provido. (STJ REsp 931.566/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe
07/05/2009). 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki,
submetido ao rito dos recursos repetitivos nos termos do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ, consolidou entendimento
segundo o qual sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISS sempre que o serviço
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As hipóteses previstas em lei não são taxativas, sendo admitida a


consignação sempre que presente óbice ao regular pagamento como é a hipótese em que
o devedor pretende a consignação em pagamento para a discussão de cláusulas
contratuais tidas como abusivas11.

1.1.4. Objeto do pagamento em consignação

O objeto da consignação tem previsão no art. 539 do Código de Processo


Civil , podendo ser consignado tanto quantia em dinheiro como coisas móveis e imóveis,
como é o caso da consignação de chaves em locação de imóveis para encerrar a cobrança
de locativos.

1.2. Questões processuais


1.2.1. Consignação extrajudicial

O art. 539, §§ 1º até 4º, procedimento para a realização da consignação em


pagamento pela via extrajudicial, evitando-se assim o ajuizamento de demanda perante o
Poder Judiciário.
O §1º limita a possibilidade de consignação em pagamento pela via
extrajudicial ao cumprimento de obrigações em dinheiro, de modo que não será admitida
a consignação de coisas (ex. chaves).

agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03, e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto
na referida lista. 2. Trata-se de empresa de prestação de serviço de conserto e manutenção de refrigeradores com fornecimento das
peças empregadas. 3. Hipótese prevista nos itens 69 do Decreto-Lei n. 406/68 e no item 14.1 da Lei Complementar n. 116/2003, com
expressa exceção quanto ao fornecimento de peças, no qual incidirá ICMS. 4. Incidência de ISS sobre os serviços de conserto e
manutenção de refrigeradores e de ICMS sobre o fornecimento de peças, desde que a base de cálculo do imposto sobre circulação de
mercadorias seja o valor referente a estas, evitando-se a bitributação. Recurso especial improvido. (STJ REsp 1239018/PR, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2011, DJe 12/05/2011).
11
CIVIL E PROCESSUAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. AÇÃO CONSIGNATÓRIA. REVISÃO DE
CLÁUSULA CONTRATUAL TIDA COMO ABUSIVA. POSSIBILIDADE. MEDIDA CAUTELAR INCIDENTAL. PRETENSÃO
DE RECEBIMENTO DAS CHAVES DO IMÓVEL E LAVRATURA DE ESCRITURA DEFINITIVA. OBJETO AUTÔNOMO E
NÃO ACESSÓRIO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. DEPÓSITO INSUFICIENTE. PROVIMENTO PARCIAL DA
CONSIGNATÓRIA. EXTINÇÃO DO FEITO CAUTELAR. CPC, ART. 267, VI. I. Possível a revisão de cláusulas contratuais no
bojo da ação consignatória, consoante a orientação processual do STJ. II. Procedência, todavia, apenas parcial da consignatória,
quando, uma vez extirpada a cláusula considerada abusiva, ainda remanesce saldo devedor, que, na forma do art. 899, parágrafo 1º,
do CPC, pode ser executado nos próprios autos. III. Descabido o uso da medida cautelar incidental para a postulação de pretensões
autônomas em relação à ação de consignação, como a entrega das chaves do imóvel e a assinatura de escritura definitiva de compra e
venda, sem o caráter de acessoriedade próprio dessa via processual, aqui indevidamente utilizada pela parte autora como espécie de
uma segunda lide principal ou complementar da originariamente ajuizada. IV. Recurso especial conhecido em parte e parcialmente
provido, para extinguir a medida cautelar nos termos do art. 267, VI, do CPC, e julgar procedente apenas em parte a ação consignatória,
redimensionados os ônus sucumbenciais. (STJ, REsp 645.756/RJ, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA
TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 14/12/2010)
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Na consignação extrajudicial, o devedor procederá o depósito em instituição


bancária oficial12, onde houver, no local do pagamento sendo que o credor será
cientificado pela instituição financeira, por via postal, para manifestar em 10 (dez) dias a
sua recusa.
A correspondência deve ser recebida pessoalmente pelo credor (Resolução
Bacen 2814/2001, art. 4º), que poderá adotar uma das seguintes condutas:

a) aceitar o valor depositado levantando-o sem


ressalvas, hipótese em que será o devedor liberado da obrigação;
b) aceitar o valor levantando-o com ressalvas,
liberando o devedor em relação à importância liberada, sem
prejuízo da cobrança da diferença em ação própria13;

c) silenciar, hipótese em que se considerará o devedor


liberado da obrigação que será extinta, ficando o valor a
disposição do credor (CPC, art. 539, §1º) remunerado pelos
mesmo índices dos depósitos judiciais.

d) oferecer a sua recusa por escrito (CPC, art. 539,


§3º). Discute-se se a recusa do credor há de ser motivada ou não,
defendendo Elpídio Donizetti que o credor deve indicar, ainda que
de forma sucinta, as razões da recusa, já Daniel Neves defende o
contrário ao admitir a recusa imotivada.
Em havendo recusa, o depositante poderá levantar o dinheiro ou utilizar o
depósito já feito para ingressar com a ação de consignação em pagamento no prazo de
um mês, instruindo a petição inicial com a prova do depósito e da recusa (art. 539, § 3°,
do Novo CPC). Proposta a ação no prazo o devedor não sofrerá os efeitos da mora, de
forma que não se trata de prazo decadencial, assim, não proposta a ação no prazo do §3º

12
“assim consideradas aquelas controladas ‘pelo Poder Público, a exemplo do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e os bancos
estaduais ainda não privatizados” (FLÁVIO C. DE TOLEDO JR. e SÉRGIO CIQUEIRA ROSSI, ‘Lei de Responsabilidade Fiscal, p.
199/200, 2001, Editora NDJ – grifei)
13
STJ, REsp 189.019/SP, 4.a Turma, rei. Min. Barros Monteiro, j. 06.05.2004; D] 02.08.2004
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do art. 539 simplesmente terá o devedor de realizar novo depósito, com juros e correção
monetária da data do vencimento da obrigação.
Apesar da omissão da Lei de Locações (Lei 8.245/91) prever somente
procedimento para a consignação em juízo não existe qualquer obstáculo para a aplicação
do art. 539 do CPC à consignação de valores oriundos da relação locatícia14.

1.2.2. Consignação judicial


1.2.2.1. Legitimidade

A legitimidade ativa da ação consignatória pertence tanto ao devedor como


a qualquer terceiro, interessado (CCB, art. 304) ou não (CCB, art. 304, parágrafo único).
Já a legitimidade passiva pertence o credor, aquele que se afirme credor ou,
em havendo concurso de credores ((art. 335, IV, do CC), todos os que assim se afirmarem,
em litisconsórcio passivo necessário (art. 547 do CPC). Em sendo desconhecido ou
incerto o credor, ou estando em local incerto ou não sabido, será citado por edital (CPC,
art. 255, I)15.

1.2.2.2. Competência

Na forma do art. 540 do Código de Processo Civil a ação de consignação em


pagamento será proposta no lugar do pagamento.
Quanto ao lugar do pagamento as obrigações podem ser divididas em
quesível (querable) cujo pagamento deve ser feito no domicílio do devedor, assim cabe
ao credor procurar o devedor para receber, e portável (portable) onde cabe ao devedor
ir pagar no domicílio do credor.

14
STJ, REsp 618.295/DF, 5.a Turma, rei. Min. Felix Fischer, j. 06.06.2006, DJ 01.08.2006
15
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. TÍTULOS DEVOLVIDOS. INSCRIÇÃO EM
CADASTRO NEGATIVO DE CRÉDITO. CREDOR DESCONHECIDO. INTERESSE DE AGIR. O devedor de título devolvido por
insuficiência de fundos tem interesse de agir para ajuizar ação de consignação em pagamento em face de credor que se encontra em
local incerto e não sabido, nos termos do art. 335 , inciso III do Código Civil . Sendo perfeitamente cabível o ajuizamento de ação
para pagamento em consignação, em que o credor do cheque, título de livre circulação, é desconhecido pelo devedor, a desconstituição
da sentença é medida que se impõe. DERAM PROVIMENTO AO APELO, A FIM DE DESCONSTITUIR A DECISÃO. (Apelação
Cível Nº 70045742020, Vigésima Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo João Lima Costa, Julgado em
11/12/2012)
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Conforme a natureza da obrigação será definida a competência jurisdicional


para o ajuizamento da ação de consignação:

a) se quesível, será proposta no domicílio do devedor (autor);


b) se portável, será proposta no domicílio do credor (réu).

Via de regra (CCB, art. 327) as obrigações são quesíveis cabendo ao credor
procurar o devedor para receber. Nesse sentido:
JUIZADO ESPECIAL. REPARAÇÃO CIVIL.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. CARTÃO DE
CRÉDITO. RENEGOCIAÇÃO. OBRIGAÇÃO QUÉRABLE.
INSCRIÇÃO NO CADASTRO DE INADIMPLENTES. DANO
MORAL CARACTERIZADO. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. 1- As obrigações são, via de regra, quérable, ou seja,
cabe ao credor efetuar a cobrança no domicílio do devedor e,
portanto, providenciar a entrega do boleto em sua residência, para
o cumprimento do pagamento (CC, art. 327). 2- Mostrou-se
ilegítimo o ato de inscrever o nome do devedor no cadastro de
proteção ao crédito, pela ausência de pagamento das parcelas da
renegociação, uma vez que o credor não se desincumbiu do seu
dever de efetuar a cobrança no domicílio do devedor ou comprova
o envio dos boletos para o seu endereço para tal fim. (...)
1.RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (ACJ
20140910075006, Orgão Julgador1ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais do Distrito Federal, Publicação, Publicado no DJE :
10/06/2015 . Pág.: 263 Julgamento2 de Junho de 2015, Relator
LUÍS GUSTAVO B. DE OLIVEIRA)
Essa classificação tem relevância direta para a caracterização da mora do
credor, posto que deixando de efetuar a cobrança, por exemplo, por falta de remessa dos
boletos, permite ao devedor a consignação do valor da obrigação.
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De qualquer forma a regra do art. 540 se revela como de competência


territorial, logo, relativa, assim proposta a ação em foro diverso, se não oferecida na
contestação exceção de incompetência, está será prorrogada.
Há divergência na doutrina sobre a prevalência ou não do foro de eleição,
contudo, o STJ entende pela prevalência do foro de eleição (CPC, art. 63) sobre a regra
do art. 540 (STJ, REsp 11.756/RS, 3.ª T., rel. Min. Dias Trindade), salvo se presente no
caso concreto a abusividade de tal cláusula (STJ, 2a Seção, CC 31.408/ MG, rei. Min.
Aldir Passarinho Junior, j. 26.09.2001, DJ 04.02.2002).
Nas obrigações de entregar coisa imóvel, prevalecerá o foro do local em que
se situar o bem (forum rei sitae) na forma do art. 47 do CPC/2015. Em se tratando o objeto
da consignação de corpo certo (CCB, art. 341) que deva ser entregue no local onde está
( ex. um equipamento com alto custo de desmontagem) poderá o devedor citar o credor
para vir ou mandar recebê-la, nesse sentido o Enunciado 59 do FPPC:
Enunciado 59: Em ação de consignação e pagamento,
quando a coisa devida for corpo que deva ser entregue no lugar
em que está, poderá o devedor requerer a consignação no foro em
que ela se encontra. A supressão do parágrafo único do art. 891
do CPC/1973 é inócua, tendo em vista o art. 341 do CC/2002
Na forma do art. 58, II, da Lei 8.245/1991, a competência para a ação de
consignação é o foro do "lugar da situação do imóvel, salvo se outro houver sido eleito
no contrato"

1.2.2.3. O depósito judicial

Já na petição inicial, o autor requererá o depósito da quantia ou da coisa


devida, que deverá ser efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento
(CPC, Art. 542, I), ressalvada a hipótese de já ter sido realizado depósito extrajudicial
com recusa do credor (CPC, art. 539, §3º). Nas ações de consignação de aluguel e
acessórios de locação, regida pela Lei 8.245/91, o prazo será de 24 horas (Art. 67, I).
Em se tratando de prestações sucessivas o deferimento do depósito inicial
permite ao autor o depósito das subsequentes, independente de formalidades, desde que
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o faço no prazo de 05 dias do vencimento (CPC, art. 541). Nessa hipótese, o STJ entende
que as parcelas podem ser consignadas mesmo após a sentença16, podendo o autor
depositá-las até o trânsito em julgado da sentença17, já nas ações de consignação regidas
pela Lei 8.245/91 o termo final do depósito das parcelas vincendas será a data da
sentença (Art. 67, III).
Se estiver em mora, o devedor deve depositar a quantia com todos os seus
encargos contratuais (juros, correção, multa), salvo, obviamente, se alegue a ilegalidade
de tais encargos.
Se o autor deixar transcorrer o prazo do art. 541, I o processo será extinto sem
julgamento do mérito (CPC, art. 542, § único) por ausência de pressuposto para o válido
e regular desenvolvimento do processo (CPC, art. 485, IV).

1.2.2.4. Petição inicial

Além dos requisitos do art. 319 do Código de Processo Civil na petição inicial
da ação de consignação em pagamento o autor requererá:
I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser
efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento,
ressalvada a hipótese do art. 539, § 3o;
II - a citação do réu para levantar o depósito ou
oferecer contestação.
Além disso, é essencial que o autor indique na inicial os critérios adotados
para chegar ao valor depositado até mesmo em respeito à paridade de armas (CPC, art.
7º) garantindo ao réu a possibilidade de exercer a faculdade do art. 544, IV.

16
Nesse sentido o Enunciado 60 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC): “Na ação de consignação em pagamento que
tratar de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a consignar sem mais formalidades as que se forem
vencendo, enquanto estiver pendente o processo”.
17
Processo civil. Recurso especial. Ação de consignação em pagamento. Procedência do pedido reconhecida em sentença. Recurso
de apelação recebido em duplo efeito. Continuidade de consignação em juízo das parcelas após a prolação da sentença. Possibilidade.
Conferência a ser realizada após o trânsito em julgado. - Nas ações em que a controvérsia se limita à adoção de índice de reajuste das
prestações, deve ser admitida a consignação de prestações após a publicação da sentença, porquanto tal solução privilegia, de um lado,
a efetividade do princípio da economia processual, e, de outro, a natureza eficacial da sentença que dirime conflito acerca de obrigações
que envolvam prestações periódicas. - A conferência das prestações consignadas após a publicação da sentença deverá ser realizada
pelo Juízo de primeiro grau, após o trânsito em julgado da decisão. (STJ, REsp 439.489/SP, Rel. Ministro CARLOS ALBERTO
MENEZES DIREITO, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/12/2003, DJ 19/04/2004,
p. 151)
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Não prevê o Código de Processo Civil a realização de audiência de


conciliação e mediação do art. 334, da mesma forma que o novo Código de Processo Civil
não mais prevê a chamada audiência de oblação que o juiz designava para que o credor
viesse receber.
Pode o autor cumular ao pedido de consignação outros (reparação de danos,
anulação de ato jurídico, etc.) contudo, em tal hipótese o feito tramitará pelo rito comum
ordinário (CPC, art. 327, §2º).
O valor da causa será a importância depositada ou o valor da coisa, em se
tratando de prestações sucessivas será o equivalente às prestações vencidas, se inferiores
a 12, em sendo superiores o valor da causa será o equivalente a uma anuidade (CPC, art.
292, §2º). Na consignatória de aluguel, o valor da causa corresponde a uma anuidade
(Súmula 449-STF).

1.2.2.5. Citação do réu e defesa

Na ação de consignação em pagamento o réu será citado para levantar o


depósito ou oferecer contestação (CPC, art. 542, II) no prazo de 15 (quinze) dias.
Assim, abre-se ao réu as seguintes condutas processuais:

a) Aceitar e levantar o valor depositado;


b) Contestar o pedido;
c) Não tomar atitude alguma, sendo considerado revel

Ainda que revel o requerido (CPC, art. 344) com a presunção de


veracidade dos fatos narrados na inicial, não se pode considerar que a simples contumácia
na contestação leve automaticamente à procedência do pedido, do juiz no processo civil
moderno, espera-se mais que a simples submissão mecânica à norma, podendo, mesmo
na ausência de defesa, considerar todos os fatos da causa para julgar a demanda. Na lição
de Humberto Theodoro Júnior18:

18
Curso de Direito Processual Civil – Teoria geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento comum –
vol. I 56. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2015, p. 1.042
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“Isto, porém, não quer dizer que a revelia


importe automático julgamento de procedência do pedido.
Pode muito bem estar a relação processual viciada por defeito
que torne impraticável o julgamento de mérito, e ao juiz
compete conhecer de ofício as preliminares relativas aos
pressupostos processuais e às condições da ação (art. 337, §
5º).202 A revelia, por si, não tem força para sanar tais vícios do
processo.
De mais a mais, embora aceitos como
verídicos os fatos, a consequência jurídica a extrair deles pode
não ser a pretendida pelo autor. Nesse caso, mesmo perante a
revelia do réu, o pedido será julgado improcedente.”
Assim, ainda que revel o réu, deve ser o pedido da parte analisado em
sua plenitude.
Se o réu (credor) concordar com o valor ou coisa que foi depositada, haverá
reconhecimento jurídico do pedido, sendo proferida sentença com resolução do mérito
(CPC, art. 487, III, “a”) onde será o credor (réus) condenado ao pagamento de custas e
honorários advocatícios.
Não aceitando o valor ofertado pelo autor deve o credor oferecer contestação
onde, além das matérias do art. 337 do Código de Processo Civil pode alegar:
I - não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa
devida, ou seja, não ocorreu a mora creditoris, hipótese em que caberá ao
autor (CPC, art. 373, I) o ônus de comprovar a recusa.
II - foi justa a recusa; aqui o credor pode apresentar qualquer
argumento no sentido de que a recusa em receber a quantia ou coisa foi
justa como, por exemplo, que a prestação se tornou inútil por culta do
devedor, sendo caso de inadimplência absoluta;
III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do
pagamento; Essa alegação somente terá admissibilidade na hipótese de que
não cumprida a obrigação em seu tempo e local tenha se tornado inútil ao
credor
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IV - o depósito não é integral. É a alegação mais comum. Em


afirmando que o depósito realizado não é integral. Nessa hipótese a
alegação somente será admissível se o réu indicar o montante que entende
devido (CPC, art. 544, § único) sendo que, nesse caso é lícito ao autor
completá-lo, em 10 (dez) dias (CPC, art. 545), salvo se corresponder a
prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato.
O rol do art. 544 não é exaustivo não havendo impedimento que o credor
oferece defesa diversa daquelas hipóteses. Da mesma forma não há óbice ao oferecimento
de reconvenção (CPC, art. 343) em procedimentos de consignação em pagamento, até
mesmo pelo fato que o distanciamento procedimental ocorre até a fase de depósito,
oferecida contestação o feito seguirá pelo rito ordinário.
Em se tratando de obrigação de dar coisa incerta (CCB art. 243) a regra é a
que a concentração (CCB, art. 244) caiba ao devedor, contudo, se do negócio jurídico
essa escolha recair sobre o credor será esse citado para, em 05 (cinco) dias exercer o
direito de escolha (CPC, art. 543), se outro não for o prazo previsto em lei ou no contrato,
devendo o juiz, ao despachar a petição inicial, fixar lugar, dia e hora em que se fará a
entrega, sob pena de depósito.

1.2.2.6. Sentença

A sentença em procedimento de consignação em pagamento tem natureza


eminentemente declaratória onde o juiz declara a regularidade do depósito realizado e,
com isso, declara a quitação da obrigação com eficácia liberatória.
Na hipótese do art. 545, § 2º do CPC a sentença terá natureza dúplice, será
declaratória na parte em que reconhece a extinção parcial da obrigação e condenatória
na parte que reconhecer saldo credor em favor do réu. Nessa hipótese será facultado ao
credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se necessária.
Em relação a sucumbência (CPC, art. 85), aceitando o réu o valor oferecido
ou, recusando-o for julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a obrigação e
condenará o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios (CPC, art. 546).
Da sentença cabe o recurso de apelação (CPC, era. 1012).
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1.2.2.6. Consignação fundada na dúvida quanto à titularidade do crédito

O procedimento da consignação em pagamento também pode ser utilizado


nas hipóteses em que ignorar ou tiver dúvidas acerca de quem seja o credor, como, por
exemplo, na hipótese do art. 335, IV, do CC onde duas ou mais pessoas se apresentam
como credores. Nessa hipótese o autor requererá o depósito e a citação de todos os
possíveis titulares do crédito para provarem o seu direito, o que pode gerar três situações:
a) nenhum dos supostos credores comparece: Nesse
caso aplicar-se-á o procedimento para a arrecadação de coisas
vagas (CPC, art. 746)19;
b) apenas um dos litisconsortes se apresenta: aplica-
se as regras acerca da citação e contestação (item 1.2.2.5)
c) dois ou mais litisconsortes comparecem em juízo:
o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação,
continuando o processo a correr unicamente entre os presuntivos
credores, observado o procedimento comum (CPC, art. 548, III)
para apurar o efetivo credor.
A respeito, o Enunciado 62 do Fórum Permanente de Processualistas Civis
(FPPC): “A regra prevista no art. 548, III, que dispõe que, em ação de consignação
em pagamento, o juiz declarará efetuado o depósito extinguindo a obrigação em
relação ao devedor, prosseguindo o processo unicamente entre os presuntivos
credores, só se aplicará se o valor do depósito não for controvertido, ou seja, não
terá aplicação caso o montante depositado seja impugnado por qualquer dos
presuntivos credores”.

19
Art. 746. Recebendo do descobridor coisa alheia perdida, o juiz mandará lavrar o respectivo auto, do qual constará a descrição do
bem e as declarações do descobridor.
§ 1o Recebida a coisa por autoridade policial, esta a remeterá em seguida ao juízo competente.
§ 2o Depositada a coisa, o juiz mandará publicar edital na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado
e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça ou, não havendo sítio, no órgão oficial e na imprensa da comarca, para
que o dono ou o legítimo possuidor a reclame, salvo se se tratar de coisa de pequeno valor e não for possível a publicação no sítio do
tribunal, caso em que o edital será apenas afixado no átrio do edifício do fórum.
§ 3o Observar-se-á, quanto ao mais, o disposto em lei.
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1.2.2.7. Resgate de aforamento

A Enfiteuse ou aforamento era prevista no antigo Código Civil de 1916 no


artigo 678, é pode ser conceituada como o negócio jurídico pelo qual o proprietário
(senhorio) transfere ao adquirente (enfiteuta), em caráter perpétuo, o domínio útil, a posse
direta, o uso, gozo e o direito de disposição sobre bem imóvel, me diante o pagamento de
renda anual chama de foro. A partir da vigência do Código Civil de 2002 não mais é
possível a constituição de novas enfiteuses (Art. 2.038), preservadas as já instituídas.
Na lição de Eupídio Donizete20:
“ o art. 693 do CC/1916 concedia ao enfiteuta o
direito de resgatar o aforamento após dez anos da constituição
do direito real, tornando-se proprietário do imóvel, “mediante
pagamento de um laudêmio, que será de 2,5% sobre o valor
atual da propriedade plena, e de 10 (dez) pensões anuais pelo
foreiro.”
Caso o senhorio direto se recuse a receber a quantia
prevista no art. 693 (ou ocorrendo qualquer das hipóteses
autorizativas do pagamento por consignação), pode o enfiteuta
valer-se do procedimento da consignação, depositando a
quantia necessária para se tornar o proprietário do bem.

1.2.2.8. Consignatória de aluguéis e outros encargos locatícios

A Lei 8.245/91 que dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os


procedimentos a elas pertinentes prevê no art. 67, procedimento especial para a
consignação em pagamento de aluguéis e acessórios da locação.
A competência da ação consignatória de aluguéis e encargos da locação é
fixada pelo o lugar da situação da coisa como o foro competente (art. 58, II, da Lei
8.245/1991) salvo a possibilidade de foro de eleição.

20
Curso Didático de Processo Civil. Atlas. 2016, p. 834
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A petição inicial deve preencher os requisitos do art. 319 do CPC, devendo,


ainda, especificar os alugueres e acessórios da locação com a indicação dos respectivos
valores (art. 67, I, da Lei 8.245/1991). O valor da causa será igual a 12 meses de
aluguel, (art. 58, III, da Lei 8.245/1991).
Admitida a inicial o depósito deve ser realizado em 24 (vinte e quatro) horas,
sob pena de extinção do processo (Art. 67, II), sendo o credor citado na forma do art. 58,
IV da Lei 8.245/91. A contestação do réu também sobre limitações quanto a matéria (Art.
67, V da Lei 8.245/91), limitações que não se aplicam a matéria de direito. Se em defesa
o réu alegar a insuficiência do depósito será o autor intimado a complementar o depósito,
com as regras do art. 67, VII da Lei 8.245/91:

a) o prazo para complementação do depósito será de 5


dias;
b) ao valor da complementação será acrescido 10%
sobre o valor da diferença;
c) Em tal caso o juiz declarará quitadas as obrigações,
elidindo a rescisão da locação, mas imporá ao autor-reconvindo a
responsabilidade pelas custas e honorários advocatícios de 20%
(vinte por cento) sobre o valor dos depósitos.
Além disso, em havendo prestações vincendas, somente poderá o autor
depositá-las até a data da sentença (Lei 8.245/91, art. 67, III) e o depósito deve ocorrer
na data do vencimento.

1.2.2.9 Fluxograma
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1.2.2.10 – Modelo de Petição Inicial21

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da Vara Cível da Comarca do Recife.

MISAEL MONTENEGRO FILHO, brasileiro, casado, inscrito no CPF/ MF sob o no


000.000.000-00, advogando em causa própria, inscrito na OAB/ PE sob o no 14.026, com endereço
profissional sito na Rua Cel. Anísio Rodrigues Coelho, no 464, sala 902, no bairro da Boa Viagem,
município do Recife, capital do Estado de Pernambuco, local onde receberá as intimações necessárias, com
fundamento no art. 890 do CPC, vem, pela presente, propor:
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO
Contra MANOEL DOS SANTOS, brasileiro, casado, arquiteto, residente e domiciliado na
Rua 4, no 45, no bairro dos Aflitos, município do Recife, capital do Estado de Pernambuco, de acordo com
os motivos de fato e de direito abaixo aduzidos:
DOS FATOS
1. As partes desta demanda celebraram contrato de locação no dia 10.10.2015, tendo por
objeto o imóvel de no 25, localizado na Rua das Moças, no bairro das Graças, município do Recife, capital
do Estado de Pernambuco, figurando o autor como locatário do bem, assumindo a obrigação de efetuar o
pagamento todo dia 10 (dez) de cada mês, no endereço em que o réu reside.

21
Montenegro Filho, Misael. Manual de prática do processo civil 2. ed. rev. e atual. – São Paulo: Atlas, 2016. P. 102
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2. Os dois primeiros meses de relação contratual foram marcados pela normalidade, no que
toca ao adimplemento das obrigações contratuais, sem que o autor tenha enfrentado qualquer dificuldade
para efetuar o pagamento dos aluguéis, na forma ajustada.
3. Para a surpresa do autor, o réu se negou a receber o aluguel vencido no dia 10.1.2015, sem
apresentar qualquer justificativa plausível, tentando caracterizar a mora do inquilino para fundamentar o
ajuizamento da ação de despejo, recuperar o imóvel e locá-lo por um valor maior.
4. Para evitar a incidência das consequências contratuais advindas da mora, o locatário faz
uso desta ação, perseguindo o depósito judicial do aluguel vencido no dia 10.1.2015, bem, assim, dos que
se vencerem durante o processo.
DO DIREITO
5. Os arts. 539 e 542 do CPC apresentam a seguinte redação:
“Art. 539. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de
pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. Omissis”.
“Art. 542. Na petição inicial, o autor requererá: I – o depósito da quantia ou da coisa devida,
a ser efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 539, § 3º;
(...) II – a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação”.
6. Ainda como fundamentação jurídica, o autor pede vênia para transcrever o art. 335 do CC:
“Art. 335. A consignação tem lugar: I – se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar
receber o pagamento, ou dar quitação na forma devida. Omissis”.
7. A ação em exame se fundamenta na alegação de recusa do réu em receber o aluguel que
lhe é devido, sem justificativa plausível, tentando caracterizar a mora do devedor, o que representa a pior
infração contratual, autorizando a propositura de ação de despejo por denúncia cheia ou motivada, resultado
que o inquilino pretende evitar através do ajuizamento desta demanda.
8. A comprovação da recusa no recebimento dos aluguéis será realizada na fase instrutória,
através da ouvida de testemunhas, que acompanharam o autor em duas ocasiões, assistindo à recusa
manifestada pelo réu.
DOS PEDIDOS
9. Posta a questão nestes termos, o autor requer se digne Vossa Excelência a:
Deferir o depósito judicial do aluguel vencido no dia 10.1.2015, no valor de R$ 1.000,00 (um
mil reais), além de todos os que tiverem vencimento no curso da demanda.
Determinar o aperfeiçoamento da citação do réu, no endereço constante da parte inicial dessa
manifestação processual, para que, querendo, apresente defesa, sob as penas da lei.
Ao final, a JULGAR A AÇÃO PELA PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS para reconhecer a
extinção da obrigação em decorrência da regularidade dos depósitos realizados, além de condenar o réu ao
pagamento das custas, das despesas processuais e dos honorários advocatícios.
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10. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, tais como a
juntada de novos documentos, a tomada do depoimento pessoal da adversa parte, sob pena de confesso, e
a ouvida de testemunhas.
11. Dá à causa o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).
Nestes termos,
Pede deferimento.
Recife, janeiro de 2015.
Assinatura do advogado
OAB

1.2.2.11. Modelo de sentença

SENTENÇA

Vistos e examinados estes autos,


RELATÓRIO

AYANNA SOLAR propôs ação de consignação em pagamento em face de


GISELA SATURNO, ambos já suficientemente qualificados nos autos em epígrafe.

Sustenta a parte autora que teve alguns cheques de sua propriedade devolvidos
por falta de fundos, sendo que o cheque nº SD – 000040-0, do Banco Itaú, agência 3744, banco
341, conta corrente nº 00123-5 no valor de R$ 158,00 (cento e cinquenta e oito reais), datado de
02.01.2006, encontra-se em posse da requerida, pois na cópia microfilmada em anexo é possível
verificar que o cheque está nominal a ela.

No entanto, a requerente não possui outras informações da Requerida, uma


vez que o cheque não foi repassado diretamente entre as partes.

Ao final, pediu a procedência de seus pedidos para que pudesse depositar a


parcela em Juízo e para ver declarada extinta a obrigação.

Juntou documentos (fls. 06/11).

O depósito do valor foi deferido pelo Juízo (fl. 14), sendo concedida a liminar
determinando a exclusão da inscrição do nome da autora no SPC e também se determinou a
citação (fls. 27/28).

A requerida foi citada através de Carta Precatória (fl. 46), transcorrendo in


albis o prazo para manifestação nos autos (fl. 47).

A parte requerente pugnou pelo julgamento antecipado da lide (fl. 55).


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Vieram os autos conclusos.

É o relatório. Fundamento e decido.


FUNDAMENTAÇÃO

Cumpre salientar primeiramente a ocorrência da revelia, permitindo o


julgamento antecipado de acordo com o art. 355, inciso II do Código de Processo Civil. Além
disso, não há provas a serem produzidas, sendo as questões de mérito unicamente de direito,
assim, a ação comporta julgamento antecipado, conforme o disposto no art. 355, inciso I do
Código de Processo Civil.

Trata-se de ação de consignação em pagamento, ajuizada por AYANNA


SOLAR em desfavor de GISELA SATURNO.

No caso sob julgamento, entendo que a autora se desincumbiu de seu ônus de


demonstrar que deve os valores a requerida, uma vez que o cheque, embora não tenha sido
repassado diretamente a Requerida, encontrava-se nominal a ela, o que se verifica através da
microfilmagem (fl.09), gerando assim obrigação de pagamento pela parte autora.

De fato, o valor depositado pela parte autora encontra-se correto, pois


devidamente atualizado com correção de 1% a. m.

Assim, com espeque no art. 344 do Código de Processo Civil, não contestada
a ação, presume-se verdadeiros os fatos alegados na inicial, o que se reforça pela ausência de
elementos em sentido contrário.

Desta feita, deve ser julgado procedente o pedido , na forma do art. 546 do
CPC para declarar extinta a obrigação.
DISPOSITIVO

Ex positis, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO INICIAL, confirmando a


liminar concedida às fls. 27/28 e, ante o depósito realizado às fl. 18, declaro extinta a obrigação
do primeiro para com o segundo, extinguindo o processo com resolução de mérito nos termos do
art. 487, inciso I do Código de Processo Civil.

Por ser sucumbente, condeno a parte requerida a arcar com as custas


processuais e com os honorários advocatícios da autora, os quais fixo em 10% (dez por cento)
sobre o valor da causa, levando em conta o julgamento antecipado, a baixa complexidade da causa
e a duração do processo.
DISPOSIÇÕES FINAIS

1. Expeça-se alvará para levantamento, pela requerida ou seu procurador


(se constituído e, este possuir poderes específicos para receber valores e dar quitação), dos valores
depositados nos autos.

2. Após o trânsito em julgado, realize-se a conta geral e intime-se o


devedor para pagamento das custas processuais no prazo de 10 dias.
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3. Inocorrendo o pagamento, extraia-se certidão e entregue-a ao interesse


para promover a cobrança.

4. Cumpram-se as disposições pertinentes do CNCGJ e oportunamente,


arquivem-se.

Publique-se. Registre-se. Intime-se


Foz do Iguaçu, 19 de julho de 2017.
Juiz de Direito

1.2.2.12- Questões de concursos públicos (adaptadas)

01) (Ano: 2016. Banca: FAU. Órgão: Prefeitura de Chopinzinho – PR. Prova:
Procurador) Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito
de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. Sobre a consignação em
pagamento, é correto afirmar EXCETO:
a) A consignação tem lugar se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar
receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma.
b) Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o
devedor, tanto que se efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se for julgada
improcedente.
c) Tratando-se de prestações periódicas, uma vez consignada a primeira, pode
o devedor continuar a consignar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se
forem vencendo, desde que os depósitos sejam efetuados até 10 (dez) dias, contados da
data do vencimento.
d) A ação de consignação em pagamento deverá ser proposta no local do
cumprimento da obrigação, salvo se houver eleição de foro.
e) A consignação em pagamento pode ser efetuada de modo extrajudicial,
tratando-se de obrigação em dinheiro. Poderá o devedor ou terceiro proceder o depósito
em casa bancária oficial, cientificando o credor por carta para que, no prazo de 10 (dez)
dias levante a referida quantia ou expressamente manifeste o motivo da recusa.
02) (Ano: 2015. Banca: CEPERJ. Órgão: Prefeitura de Saquarema – RJ.
Prova: Procurador). A Consignação em Pagamento figura dentre os procedimentos
especiais com mais tradição no sistema processual. Quando se tratar de prestações
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periódicas, o Código de Processo Civil permite que o autor, após consignada a primeira
prestação, deposite as que forem se vencendo desde que os depósitos sejam realizados
até:
a) um dia contado da data do vencimento
b) dois dias contados da data do vencimento
c) três dias contados da data do vencimento
d) quatro dias contados da data do vencimento
e) cinco dias contados da data do vencimento
03) (Ano: 2015. Banca: FUNDATEC. Órgão: BRDE. Prova: Analista de
Projetos – Jurídica.) Proposta a ação de consignação em pagamento, em relação a
prestações periódicas, uma vez consignada a primeira, pode o devedor continuar a
consignar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde
que os depósitos sejam efetuados até _____ dias, contados da data do vencimento.
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.
a) dois
b) cinco
c) quinze
d) vinte
e) trinta
04) (Ano: 2014. Banca: FUNDEP (Gestão de Concursos). Órgão: DPE-MG.
Prova: Defensor Público). A Lei nº 8.245/91 expressamente estabeleceu, em seu artigo
67, a possibilidade de ser manejada ação de consignação em pagamento para quitação de
aluguéis e acessórios decorrentes de locação imobiliária, feito cujo rito guarda algumas
peculiaridades em relação à ação de consignação em pagamento típica prevista a partir
do artigo 539 do Código de Processo Civil. Sobre a Consignação em Pagamento de
Aluguel e Acessórios de Locação prevista na Lei nº 8.245/91, assinale a alternativa
INCORRETA.
a) Apesar da controvérsia doutrinária acerca da possibilidade ou não de se
manejar o depósito extrajudicial quando se tratar de débito locatício, eis que a Lei nº
8.245/91 não prevê expressamente tal instituto no rito próprio da Ação de Consignação
em Pagamento de Aluguel e Acessórios de Locação, o Superior Tribunal de Justiça
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considerou que o locatário pode valer-se do instituto previsto no artigo 539, §1º, do
Código de Processo Civil para desonerar-se da obrigação.
b) A Lei nº 8.245/91, ao versar, em seu artigo 67, sobre a Ação de
Consignação em Pagamento de Aluguel e Acessórios de Locação, não estabelece qual
seria o foro competente para julgar a referida ação, motivo pelo qual a fixação da
competência se dará no local previsto para pagamento da obrigação.
c) Determinada a citação do réu na Ação de Consignação em Pagamento de
Aluguel e Acessórios de Locação, será o autor intimado a, no prazo de 24 horas, efetuar
o depósito judicial da importância indicada na petição inicial, sob pena de ser extinto o
processo.
d) Citado para a Ação de Consignação em Pagamento de Aluguel e
Acessórios de Locação, o réu poderá, em reconvenção, pedir o despejo e a cobrança dos
valores objeto da consignatória ou da diferença do depósito inicial, na hipótese de ter sido
alegado não ser o mesmo integral. O certo é que, havendo na reconvenção a cumulação
dos pedidos de rescisão da locação e cobrança dos valores objeto da consignatória, a
execução da cobrança só poderá ter início após obtenção da desocupação do imóvel, caso
ambos tenham sido acolhidos.
05) (Ano: 2014. Banca: FCC. Órgão: TJ-AP. Prova: Juiz de Direito). Em
relação à consignação em pagamento, é correto afirmar:
a) Tratando-se de prestações periódicas, uma vez consignada a primeira, pode
o devedor continuar a consignar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as que se
forem vencendo, desde que os depósitos sejam efetuados até cinco dias, contados da data
do vencimento.
b) A sentença que concluir pela insuficiência do depósito consignado
remeterá as partes às vias ordinárias, defeso apurar nos próprios autos o montante devido.
c) Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o
devedor, tanto que se efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se for julgada
procedente.
d) Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamento, o
autor requererá o depósito, podendo os que o disputam levantá-lo proporcionalmente
desde logo, se prestada caução nos autos.
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e) Não oferecida a contestação, com a ocorrência da revelia, o Juiz deverá


julgar improcedente o pedido, sem condenação nas verbas sucumbenciais, por ausência
de resistência ao pedido.
06) (Ano: 2014. Banca: PGE-MS. Órgão: PGE-MS. Prova: Procurador do
Estado). No que concerne à sentença da ação de consignação em pagamento, analise as
proposições abaixo:
I – A sentença da consignatória é predominantemente declaratória.
II – Reconhecida pelo Juiz a justeza da conduta do consignante e a adequação
do depósito efetuado, liberando-o da obrigação, a sentença será sempre de procedência
do pedido.
III – Citado, o réu na ação de consignação poderá levantar o valor depositado,
caso em que o Juiz, na sentença, deve extinguir o feito com a procedência da pretensão e
a condenação do requerido nos ônus sucumbenciais. Poderá, também, manter-se revel,
omitindo-se em responder à demanda, mas essa conduta não deve levar, necessariamente,
a uma sentença de procedência da ação de consignação em pagamento com a extinção da
obrigação e condenação do réu nas custas e honorários, não se podendo cogitar de outra
solução.
IV – Na hipótese descrita no parágrafo segundo do artigo 545 do Código de
Processo Civil Brasileiro se prevê efeito anexo condenatório (entre o valor consignado e
aquele efetivamente devido) na sentença de improcedência da ação consignatória, quando
a defesa do réu se fundar na insuficiência do depósito, fazendo surgir para o demandado
título executivo extrajudicial para a cobrança da diferença, facultado ao réu-credor
promover o cumprimento de sentença nos mesmos autos.
V – A razão de existirem dois procedimentos (especial, da consignatória, e
comum, para identificação do credor) é evitar que o devedor consignante tenha de ficar
aguardando o término de toda a instrução processual para ser liberado de uma obrigação
que já satisfez, somente porque os credores discutem sobre o direito de receber. Com
efeito, isso excluiria a possibilidade de o Juiz definir o efetivo credor, no mesmo momento
em que prolata a sentença de extinção da obrigação do devedor, se já tem condições de
fazê-lo, ainda que repute desnecessária a produção de provas. Está correto o que se afirma
em
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a) I, II, IV e V, apenas.
b) II, III e IV, apenas.
c) I, II, III, apenas.
d) IV e V, apenas.
e) I, II, III, IV e V.
07) (Ano: 2013. Banca: CESPE. Órgão: TRT - 8ª Região (PA e AP). Prova:
Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador) . Ao receber o boleto de pagamento
referente às prestações, no valor de R$ 2.000,00, do automóvel por ele adquirido, Carlos
discordou dos juros aplicados ao financiamento e pleiteou junto à instituição financeira
que ela procedesse aos ajustes que considerava necessários. Não tendo obtido sucesso,
Carlos ajuizou ação de consignação em pagamento.
Considerando a situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Caso o réu, na contestação, não comprove que sua recusa é justificada, o
autor ficará isento de realizar os depósitos das prestações sucessivas até a sentença.
b) Sendo as matérias de defesa limitadas ao valor devido, o réu, como
resposta, só pode utilizar a contestação.
c) Se, citado, o réu não apresentar contestação, o juiz deverá julgar procedente
o pedido, condenando-o ao pagamento de honorários advocatícios entre 10% e 20% do
valor do depósito.
d) Será facultado a Carlos complementar o depósito se o credor alegar, em
impugnação, que o valor é insuficiente.
e) Se Carlos não realizar o depósito do valor em até cinco dias do deferimento
da inicial, será suspenso o processo sem a citação do réu.
08) (Ano: 2011. Banca: FUNDATEC. Órgão: PGE-RS. Prova: Procurador do
Estado). Sobre a ação de consignação em pagamento, é correto afirmar que:
a) O réu não poderá alegar, em sua contestação, justa causa na recusa do
pagamento.
b) Para alegar, em sua defesa, que o depósito pelo autor não é integral,
necessita o réu indicar o montante que entende devido, sob pena de inadmissão de sua
alegação.
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c) Quando a ação for fundamentada, pelo autor, em dúvida sobre quem seja o
legítimo credor, e comparecendo mais de um credor, o juiz deverá declarar efetuado o
depósito e extinta a obrigação, passando a correr o processo, sob o procedimento
ordinário, unicamente entre os credores, independentemente das alegações por estes
apresentadas em suas defesas.
d) A sentença que concluir pela insuficiência do depósito imputará ao autor
os ônus sucumbenciais e autorizará o réu a mover ação de conhecimento própria para a
cobrança da diferença devida.
e) Ela é admitida apenas para a consignação de quantia certa em dinheiro.

GABARITO

1- C 2- E 3- B 4- B
5- A 6- C 7- D 8- B

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