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Concorrência monopolística

Em Economia, a concorrência ou competição monopolística é uma estrutura de


mercado em que são produzidos bens diferentes, entretanto, com substitutos próximos
passíveis de concorrência.

Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o


monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio pelas seguintes características:

 Número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial,


porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por
características físicas, embalagem ou prestação de serviços complementares,
como por exemplo, pós-venda;
 Margem de manobra para fixação dos preços não é muito ampla, uma vez que
existem produtos substitutos no mercado;
 Muitos compradores e muitos vendedores;
 Consumidores têm as suas preferências definidas e vendedores tentam
diferenciar os seus produtos, daqueles produzidos pelos seus concorrentes
directos, ou seja, os bens e serviços são heterogéneos;
 Existem barreiras de entrada, como diferenciação do produto, canais de
distribuição (quanto mais controlada a distribuição no atacado e no varejo mais
difícil é a entrada de novos concorrentes), tecnologias e etc.

Essas características acabam atribuindo um certo poder sobre o preço de seu produto,
apesar do mercado ser competitivo (daí o nome concorrência monopolística). Os
produtos podem ser iguais, mas cada empresa vai tentar diferenciar seus artigos.
Exemplo: batata frita (sabor a queijo, natural, tipos de embalagem, com brindes, com
tatuagens, formato ondulado, liso, entre outros). Esse poder é definido, em termos
económicos, como poder de mercado. Para Baden Fuller, poder de mercado é o “poder
de uma empresa aumentar os preços acima do custo da oferta sem que os concorrentes
actuais ou novos concorrentes lhe retirem clientela em devido tempo”. Mas a definição
de poder de mercado não tem correspondência no campo do direito da concorrência.
Neste último campo, releva essencialmente a capacidade, ou não, de liberdade de
actuação face às pressões do mercado. E uma empresa será qualificada como tendo uma
posição dominante (isto é, um poder de mercado de tal grau que se torna
jusconcorrencialmente relevante quando tenha a “possibilidade de adoptar
comportamentos independentes que lhe permite agir sem ter, nomeadamente, em conta
os concorrentes, os clientes ou os fornecedores; que tal sucede quando, devido à sua
quota de mercado, ou desta em combinação, nomeadamente, com a posse de
conhecimentos técnicos, de matérias-primas ou de capitais, (…) dispõe da possibilidade
de determinar os preços ou de controlar a produção ou a distribuição para uma parte
significativa dos produtos em causa; que esta possibilidade não deve necessariamente
resultar de um domínio absoluto que permita (…) eliminar completamente a vontade
dos seus parceiros económicos, bastando que ela seja suficientemente forte no seu
conjunto para (…) garantir uma independência global de comportamento, mesmo
quando existam diferenças de intensidade na sua influência sobre diferentes mercados” -
Decisão da Comissão Europeia no caso Continental Can.
E nos termos do artigo 82º do Tratado das Comunidades Europeias, proíbe-se a
exploração abusiva da posição dominante. Proíbe-se, então, uma manifestação do poder
(de mercado) conferido pela posição dominante e que consiste na capacidade de impedir
a manutenção de uma concorrência efectiva, que tende a ser subsumida à capacidade de
excluir concorrentes. Mas o abuso pode dar-se directamente sobre os consumidores e
utilizadores ou indirectamente através do impedimento da concorrência efectiva, com as
correspondentes perdas de bem-estar para aqueles agentes (WHISH 2003).

Monopólio
Em economia, monopólio (do grego monos, um + polein, vender) designa uma situação
particular de concorrência imperfeita, em que uma única empresa detém o mercado de
um determinado produto ou serviço, conseguindo portanto influenciar o preço do bem
que comercializa.

Monopólios podem surgir devido a características particulares do mercado, ou devido a


regulamentação governamental, o monopólio coercivo.

Teoria do Monopólio

Pela concepção tradicional, há monopólio quando há somente um único vendedor para


um determinado produto, não substituto. Tal como no caso da concorrência perfeita, os
exemplos de monopólio na sua forma pura são raros, mas a teoria do monopólio elucida
o comportamento de empresas que se aproximam das condições de monopólio puro.
Um monopólio pode simplesmente referir-se ao caso em que apenas uma empresa tem
poder de mercado (ou seja, capacidade de influenciar preços neste mercado).

Na qualidade de único produtor de um determinado produto, o monopolista encontra-se


em posição singular, pois, se decidir elevar o preço do produto, não terá que se
preocupar com concorrentes. Isso não significa, entretanto, que poderá cobrar qualquer
preço que desejar, pois cobrar um preço muito elevado pode reduzir de tal maneira a
demanda que seu lucro será menor, e não maior1 .

Maximização de lucro no monopólio

Como ocorre no caso de uma estrutura de mercado em concorrência perfeita, no


monopólio a empresa maximiza seu lucro quando a receita marginal iguala o custo
marginal2 . matematicamente, temos:
O lucro obtido na produção de "q" unidades do bem é, por definição, a diferença entre
a receita "R" (obtida da venda das "q" unidades produzidas) e o custo (de produzir essas
mesmas "q" unidades)

(de produzir essas mesmas "q" unidades)

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Sim

A empresa deseja maximizar esse lucro (achar o ponto de lucro máximo), dadas as
condições de produção (função de produção, que utiliza insumos como K-capital, e L,
trabalho). Sabemos que a receita de uma empresa é igual à quantidade q vendida vezes o
preço "p", ou seja, .

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Max , sujeito a f(K,L) Não

A receita de uma empresa, por definição, é igual à quantidade q vendida vezes o preço
"p".

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Sim

Para descobrir o ponto máximo da função lucro, derivamos a equação lucro em função
da quantidade e igualamos a zero.

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Não
Como é, por definição, a receita marginal da empresa, e é o custo
marginal, podemos reescrever a equação acima assim:

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Não

Para pequenas variações de quantidade, a receita marginal pode ser reescrita


simplificadamente como sendo o preço mais a quantidade (q) multiplicada pela razão
entre a variação do preço e a variação da quantidade3 .

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Não

Por definição, a elasticidade da demanda em relação ao preço (representada por )é


igual à razão entre variação de quantidade em relação ao preço. 3 .

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Não

Portanto, podemos representar a fórmula da receita marginal em função da elasticidade


da demanda em relação ao preço3 :

Diferença em relação ao mercado


Matematicamente
em concorrência perfeita?

Não

A condição de maximização de lucro, igualmente, também pode ser reescrita em função


da elasticidade da demanda ao preço:

Matematicamente Diferença em relação ao mercado


em concorrência perfeita?

Não
4

Teríamos, então, as condições para determinar o lucro máximo no monopólio:

Diferença em
relação ao
Matematicamente mercado em
concorrência
perfeita?

Sim; a firma em
concorrência
perfeita
Se , e, para bens normais, a elasticidade da demanda ao preço
enfrenta curva
de demanda
é negativa, receita marginal será negativa horizontal, ou
neste caso. Portanto, a empresa monopolista nunca escolherá um mercado seja,
com demanda inelástica4 .

Portanto, o monopolista maximizará o lucro num mercado com demanda elástica ao


preço, e escolherá o preço seguindo a seguinte fórmula:

, para

Diferenças do monopólio em relação à concorrência perfeita


Evento Concorrência perfeita Monopólio

Cada produtor é tomador de


Determinação de preço, que é determinado pela Monopolista escolhe o preço que
preço do produto interação entre os diversos maximiza seu lucro
produtores e consumidores

Curva de demanda Representada por uma linha xxxxxx


encontrada pelo horizontal no gráfico preço X
produtor quantidade (curva de demanda
perfeitamente elástica)5 .

Demais produtores mantém Produtor "X" é o próprio monopolista,


Produtor "X" eleva preço constante e abocanham único produtor daquele produto na
preço inteiramente a participação de economia. Se elevar o preço, não terá
mercado do produtor "X" que se preocupar com concorrentes

Receita média do
Equivale exatamente à curva de
produtor (preço por Igual à receita marginal
demanda do mercado
unidade vendida)

Quantidade Menor do que a quantidade em


xxxxxxx
produzida situação de concorrência perfeita

Ponto de
Aquele em que a receita Aquele em que a receita marginal
maximização de
marginal iguala o custo marginal iguala o custo marginal
lucros

Superior ao custo marginal1 e superior


No equilíbrio, preço é
Igual ao custo marginal1 2 . ao preço cobrado em concorrência
...
perfeita.

Origem do monopólio

A fonte básica de monopólio é a presença de barreiras de entrada, de onde se destacam:

 Economias de escala: Empresas novas tendem a entrar em mercados a níveis de


produção menores do que empresas estabelecidas. Se a indústria é caracterizada por
economias de escala (custos médios decrescem com o aumento no volume de
produção), os custos médios da empresa nova serão mais altos do que os custos
médios de uma empresa estabelecida.
 Proteção Legal: Proteções legais, como direito autoral e patente, garantem ao seu
detentor exclusividade no mercado. As leis das patentes no EUA permitem a um
inventor o direito de usar a invenção por um período de 17 anos, período no qual o
dono da patente está protegido da concorrência.
 Propriedade exclusiva de matéria-prima: Empresas estabelecidas podem estar
protegidas da entrada de novas empresas, pelo seu controle das matérias-primas, ou
outros recursos-chaves para produção.
 Lobby político: Por influência política surgem as condições de um monopólio.

Tipos de monopólio
Monopólio Natural

O monopólio natural é uma situação de mercado em que os investimentos necessários


são muitos elevados e os custos marginais são muito baixos. Caracterizados também por
serem bens exclusivos e com muito pouca ou nenhuma rivalidade.
Esses mercados são geralmente regulamentados pelos governos e possuem prazos de
retorno muito grandes, por isso funcionam melhor quando bem protegidos.

TV a cabo, distribuição de energia elétrica ou sistema de Fornecimento de Água são


exemplos característicos de monopólios naturais, ainda que na atualidade haja
concorrência nesses setores.

Oligopólio
Ver artigo principal: Oligopólio

O oligopólio é uma situação de mercados concentrados, na qual a produção se concentra


num pequeno número de firmas. No oligopólio também existem barreiras à entrada de
potenciais concorrentes, mas as ações entre as empresas não são necessariamente
coordenadas. Quando há algum tipo de acerto referente ao preço que será praticado, o
oligopólio caracteriza-se como um cartel; quando há uma união das empresas com o
objetivo de dividir o mercado, ele caracteriza-se com um truste.

Concorrência monopolística
Ver artigo principal: Concorrência monopolística

Concorrência Monopolística é uma forma de concorrência imperfeita e corresponde a


uma situação em que existem numerosas empresas no mercado, mas que oferecem
produtos ou serviços não totalmente homogêneos e, por isso, não totalmente
substituíveis. Numa situação deste tipo, cada uma das empresas possui algum poder de
mercado para influenciar o preço dos seus próprios produtos ou serviços. De fato, no
seu produto particular, diferenciado dos produtos dos restantes concorrentes, cada
empresa funciona como um pequeno monopólio - a maior ou menor proximidade de
uma situação de monopólio depende do grau de diferenciação (e portanto do grau de
substituição) existente entre os diferentes produtos oferecidos: se esse grau de
substituição é reduzido, a concorrência será maior e está-se mais próximo da
concorrência perfeita; se o grau de substituição é elevado, a concorrência será mais
reduzida e está-se mais próximo de uma situação de monopólio. A inclusão de uma
característica específica, muitas vezes só é possível com uma matéria-prima conhecida
pelo produtor, num produto comum.

Um bom exemplo são as batatas-fritas. No mercado, existem as batatas com sabor de


queijo, as lisas, as onduladas, as com brindes, entre outras. Outros fatores que as
distinguem são os pacotes, a marca, o peso e o tamanho da embalagem.

Apesar de estes fatores poderem inflacionar um pouco o preço do produto, o fabricante


não tem grande manobra de definição do preço, pois existem sempre concorrência; daí o
seu nome.

Governos e Monopólios

Os governos possuem dois papéis distintos quando se refere aos monopólios.

O primeiro, de combate, através de políticas antitruste e regulação desses mercados para


evitar abusos, como os cartéis.
O segundo, que caracteriza os monopólios coercivos, é quando o governo garante os
direitos de propriedade, direitos autorais e patentes, criando monopólios legais.

Brasil

No Brasil, um exemplo de monopólio coercivo ocorre na exploração de petróleo que era


exclusivamente feita pela Petrobrás até 1997. A partir da Emenda Constitucional nº 9,
de 1995, o parágrafo primeiro do artigo 177 da Constituição Federal, flexibilizou esse
monopólio, admitindo que a União pode contratar com empresas estatais ou privadas a
realização das atividades econômicas objeto de monopólio (Pesquisa, lavra, refino,
importação exportação e transporte), observadas as condições estabelecidas em lei (Lei
do Petróleo nº 9.478/97).

História

A primeira metade do século XIX foi caracterizada pelo capitalismo liberal e pelo
laissez-faire. A Inglaterra, pioneira no processo de industrialização, proclamou-se a
oficina do mundo, defendendo a liberdade de vender seus produtos em qualquer país,
sem barreiras alfandegárias, bem como o livre acesso às fontes de matérias primas.

A partir de meados do século, o desenvolvimento tecnológico levou ao surgimento de


novos métodos de obtenção do aço, produzindo um material mais resistente e maleável,
utilizado em máquinas, na construção civil, nos transportes e em objetos de uso
corrente. Novas fontes de energia, como o gás e a eletricidade, substituíram
gradativamente o vapor. Vários tipos de motor de combustão interna (a gás, a óleo ou a
gasolina) possibilitaram o aperfeiçoamento dos meios de transporte (navio, trem,
automóvel). Desenvolveram-se as siderúrgicas, a metalurgia a mecânica pesada, a
indústria petrolífera, o setor ferroviário e de telecomunicações (telégrafo, telefone e
rádio).

O aumento da mecanização e da divisão do trabalho nas fábricas permitiram a produção


em massa, reduzindo os custos por unidade e incentivando o consumo. A cada
progresso técnico introduzido, os países industrializados alargavam o mercado interno e
conquistavam novos mercados externos. A riqueza acumulava-se nas mãos da burguesia
industrial, comercial e financeira desses países. Ela não representou o fim da miséria
dos trabalhadores, que continuavam submetidos a baixos salários, mas contribuiu para a
elevação geral do nível de vida.

Os avanços técnico-científicos exigiam a aplicação de capitais em larga escala,


produzindo fortes modificações na organização e na administração das empresas. As
pequenas e médias firmas de tipo individual e familiar cederam lugar aos grandes
complexos industriais. Multiplicaram-se as empresas de "sociedade por ações" ou
"sociedade anônima" de capital dividido entre milhares de acionistas, permitindo a
captação da poupança de pequenos investidores, bem como associações e fusões entre
empresas. Esse processo ocorreu também nos bancos: um número restrito deles foi
substituindo a multidão de pequenas casas bancárias existentes. Ao mesmo tempo,
houve uma aproximação das indústrias com os bancos, pela necessidade de créditos
para investimentos e pela transformação das empresas em sociedades anônimas, cujas
ações eram negociadas pelos bancos. O capital industrial, associado assim ao capital
bancário, transformou-se em capital financeiro, controlado por poucas grandes
organizações.

A expansão do sistema capitalista conviveu com crises econômicas que ocorreram com
uma certa regularidade no século XIX e também posteriormente, sendo consideradas
naturais pelos economistas liberais, Tais crises, de modo geral, obedeciam ao seguinte
ciclo: a uma fase de alta de preços, salários, taxas de juros e lucros, acontecia à falência
de uma ou de várias empresas e bancos incapazes de saldar seus compromissos, devido
à má administração, a especulação ou a qualquer outro fator. A falência afetava a
confiança do público e dos acionistas de outras empresas e bancos, reduzindo o
consumo e o investimento. As indústrias diminuíam o ritmo da produção, caíam os
níveis de emprego e o poder de compra da população, acarretando novas baixas de
preços, lucros e mais falências. Quando os estoques de produtos esgotavam-se, a
produção retomava lentamente o crescimento, com um menor número de empresas e
maior concentração do capital, restabelecendo o equilíbrio do sistema. Esta
característica do mercado capitalista se dá em grande parte à necessidade de ganho de
escala e outros interesses dos agentes corporativos. Assim como aconteceu com a Ford
pouco tempo após a criação da linha de produção, onde ela e somente ela, detinha um
grande número de empresas para suprir sua linha de produção. A Ford possuía empresas
de látex e borracha, para o fornecimento de pneus e borracha para seus carros, até
instituições financeiras, para financiar a si própria e a seus consumidores.

Ainda hoje se encontra este tipo de característica, em menor escala, nas grandes
instituições financeiras. Estas, além de guardar o dinheiro de seus clientes, possuem
seguradoras, financeiras, cartas de investimento de inúmeras características (como
moedas estrangeiras, ações no mercado de capitais e títulos do governo), empresas de
previdência privada e etc. Estas empresas tendem a se estruturar sobre elas mesmas,
como a citada Ford, para ganho de escala. Para num segundo momento, caso já não
tenho conseguido o monopólio, partir para a dominação do mercado, através de
inúmeros meios, entre eles:

 Neutralização da concorrência entre os agentes econômicos;


 Melhor aproveitamento dos recursos disponíveis;
 Adquirir pessoas especializadas, patentes, etc;
 Preservar a continuação de suas atividades.

Estas características fazem com que estas empresas ganhem força, conhecimento e
"know-how". Este ganho aumenta consideravelmente o lucro destas empresas que
naturalmente acabam por incorporar outras empresas menores, voltando ao ciclo
anteriormente dito, até o ponto onde ela é a única produtora do bem e/ou serviço,
caracterizando o monopólio capitalista. Esta fase do capitalismo acontece quando há o
amadurecimento avançado de um determinado nicho do mercado. Nos dias de hoje a
industria automobilística é a que melhor ilustra este amadurecimento onde as 10
maiores corporações dominam quase todo o mercado de automóveis do mundo.

Ultimamente há um novo ciclo de fusões que visam, além do ganho de escala, a


conquista de novos mercados. Como a fusão entre a belga Interbrew e a brasileira
Ambev, formando a maior cervejaria do mundo. Mas este tipo de acontecimento
acarreta muito perigo ao mercado consumidor, principalmente no mercado de
commodities. E para evitar esse tipo de fusão ou aquisição os governos de todo o
mundo acabam por criar agências reguladoras e leis que evitam o monopólio, o truste e
a formação de cartel.

Recentemente a fusão entre a maior siderúrgica da Índia (Mittal) e a siderúrgica Arcelor


foi vetada pelo governo francês devido ao poder de influência que a nova empresa teria
no preço do aço no mercado europeu. Outra fusão que foi combatida foi entre as
petroleiras Exxon e Mobbil que formaram a maior empresa de extração e refino de
petróleo do mundo. Porém este tipo de fusão ainda ocorre, principalmente em setores
estratégicos de infra-estrutura, onde é interessante a governos reestatizar ou centralizar
varias empresas para ganho de escala. Isso ocorreu com a Yukos e a Sibneft que se
uniram para formar a maior petrolífera da Rússia.

Estes exemplos ilustram bem a influência que a escola capitalista-monopolista tem nos
dias de hoje e como ela ajudou - e ajuda - a caracterizar e prever o amadurecimento dos
mercados. E graças aos estudos desta escola foram criadas as agências reguladoras que
protegem o mercado de práticas monopolistas.
As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é
ilógica

Muito se fala, principalmente nos meios acadêmicos, sobre concorrência e monopólio.


O problema é que as definições utilizadas para estes termos estão quase sempre erradas.
E se o conceito utilizado é errado, então as políticas sugeridas para lidar com ambos
também serão erradas. Pior ainda: gerarão resultados distintos dos esperados.

Concorrência

Comecemos pela concorrência. Seria a concorrência uma 'situação' ou um 'processo'?

A função empreendedorial é, por sua natureza intrínseca, sempre competitiva. O termo


'competitivo' vem do latim cumpetitio, que significa uma concorrência múltipla de
reivindicações sobre um determinado bem ao qual um proprietário deve ser atribuído.

A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade. Trata-se de um


processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir
oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam.
O objetivo de um empreendedor é descobrir, antes dos demais, oportunidades latentes
de lucro que existem no processo empresarial. Uma vez descoberta uma oportunidade
de lucro, ele terá de atuar em harmonia com outros empreendedores — pois o mercado é
uma rede de trocas altamente complexa e interativa — para se aproveitar dela.

Por isso, diz-se que a concorrência é um processo de emulação, um processo em que se


busca superar seus rivais, em todos os âmbitos, criando e se aproveitando de
oportunidades de lucros antes deles.

E isso deve ser contrastado ao chamado "modelo de concorrência perfeita". Este é o


modelo que a esmagadora maioria dos manuais de economia aponta como sendo o ideal
máximo de concorrência. Este modelo enxerga a concorrência como sendo uma
situação. É como se a concorrência fosse analisada como uma fotografia instantânea.
Os defensores deste modelo são os economistas matemáticos que acreditam na tese de
que uma economia sempre pode estar em 'equilíbrio'.

Nos modelos matemáticos de concorrência perfeita, a concorrência é definida como


perfeita quando, ao se fazer esta fotografia instantânea de um determinado processo de
mercado, observa-se nesta foto — que nada mais é do que uma situação estática, sem
nenhum movimento — a existência de múltiplos ofertantes, todos eles vendendo o
mesmo produto, com exatamente as mesas características e ao mesmo preço.

Esta situação estática — sem nenhum movimento, sem nenhum processo


empreendedorial, em que há uma multiplicidade de ofertantes que fazem exatamente a
mesma coisa, que ofertam exatamente o mesmo produto e que vendem a exatamente o
mesmo preço — ser classificada de concorrência perfeita representa o ápice do escárnio.
Logo, é fácil observar que estes dois conceitos de concorrência são praticamente
opostos: de um lado temos a concorrência como um processo dinâmico de rivalidade,
que é o conceito correto de concorrência; de outro temos a burla, que supõe uma
concorrência jocosamente chamada de perfeita, que é caracterizada por uma situação em
que todos os empreendedores fazem absolutamente o mesmo — e portanto ninguém
compete com ninguém.

Disso, surge a inevitável pergunta: como é possível que legiões de economistas


catedráticos, de enorme distinção e com impecáveis credenciais acadêmicas, tenham
feito do modelo de concorrência perfeita — isto é, desta concepção estática de
concorrência — a base de todas as suas teorias?

É aqui que podemos constatar, novamente, um dos exemplos mais claros do nefasto
efeito gerado pelo uso da matemática na ciência econômica. Dado que a ciência
econômica nada mais é do que a ciência da ação humana, os fenômenos estudados
dependem totalmente da interação voluntária entre bilhões de indivíduos, algo que por
definição não pode ser matematizado.

E, justamente para se tornar possível a matematização de algo que é impossível de ser


matematizado, a concorrência, que é um processo dinâmico passa a ser analisada como
uma situação, um estado de equilíbrio, que é o único matematizável. E o empenho em
se aplicar uma metodologia errônea oriunda do mundo das ciências naturais — onda há
constantes, não existe tempo e nem criatividade — ao âmbito das ciências sociais
protagonizada por seres humanos pode apenas gerar múltiplos erros, dentre eles o mais
importante é o fato de se endeusar um conceito tão absurdo quanto o conceito estático
de concorrência perfeita.

Monopólio

Assim como ocorre com a concorrência, há também dois conceitos distintos e opostos
para monopólio. E cada um destes conceitos de monopólio está de acordo com os
respectivos conceitos de concorrência. Ou, falando mais claramente, ao conceito
correto de concorrência está relacionado um conceito correto de monopólio, e ao
conceito errôneo de concorrência está relacionado um conceito também errôneo de
monopólio.

Comecemos por este último.

O conceito errôneo de concorrência é aquele que vê a concorrência como uma situação,


um estado de equilíbrio em que há uma multiplicidade de ofertantes que produzem
exatamente o mesmo produto e vendem exatamente ao mesmo preço — ou seja, não há
competição nenhuma entre eles.

E qual o conceito errôneo de monopólio? Se a característica essencial para se classificar


uma situação como sendo de concorrência perfeita é que haja um grande número de
ofertantes naquela fotografia instantânea, a característica essencial para se caracterizar
uma situação como sendo de monopólio é que nesta fotografia instantânea — ou seja,
neste estado de equilíbrio — exista apenas um único vendedor.
Do mesmo conceito errôneo de concorrência perfeita surge o conceito errôneo de
monopólio, que é visto como uma situação estática em que há apenas um vendedor de
um produto. Estes "monopolistas", segundo os economistas matemáticos, podem impor
os preços que desejarem, preços artificialmente altos, em prejuízo dos consumidores.

Uma situação intermediária seria a de oligopólio, na qual há apenas alguns poucos


vendedores (oligo vem do grego e significa poucos).

Porém, tendo por base a perspectiva da teoria dinâmica dos processos de cooperação
social protagonizada por empreendedores, este conceito de monopólio e de oligopólio é
completamente sem sentido. Se a definição correta de concorrência é a de um processo
dinâmico de rivalidade na qual os empreendedores competem entre si para descobrir,
antes dos demais, oportunidades de lucro para se aproveitar delas antes que outros
empreendedores o façam, então o conceito correto de monopólio tem de levar em conta
se é possível ou não que outros empreendedores possam ter legal acesso a este processo
dinâmico de rivalidade.

E a conclusão lógica é que só existe um monopólio genuíno quando o estado


sistematicamente impede, por meio da força ou da ameaça de violência, a liberdade de
acesso a um determinado mercado ou o livre exercício do empreendedorismo em algum
setor da economia.

Logo, o relevante não é se há apenas um ou alguns poucos ofertantes; o relevante é se é


legalmente possível ter acesso — se há liberdade de entrada ou não — a um
determinado setor da economia. O relevante é analisar se, em decorrência de alguma
coerção sistemática do governo — seja por meio de agências reguladoras, de
burocracias volumosas ou de decretos —, há algum impedimento ao exercício da livre
iniciativa em qualquer setor da economia.

Notem que este conceito de monopólio e oligopólio é radicalmente distinto daquele que
é tido pela academia como a definição correta.

Monopólio X Concorrência

Ainda utilizando a metáfora da fotografia, imagine uma sucessão de fotogramas que


constituem o celulóide de um filme. Imagine que este filme represente o processo
dinâmico da concorrência. Sendo assim, se escolhermos arbitrariamente um fotograma
e constatarmos que há apenas um vendedor neste fotograma escolhido, um economista
matemático imediatamente gritará "Monopólio! Exploração dos consumidores! O
governo tem de intervir e perseguir!" Já um economista da Escola Austríaca, que
entende a perspectiva dinâmica do mercado como sendo um processo marcado pelo
empreendedorismo, dirá que é irrelevante que em um ou em vários fotogramas
apareçam apenas um único vendedor. Pois o que tem de ser levado em consideração
não é um fotograma avulso, mas sim todo o processo dinâmico contido neste filme, bem
como se, ao longo deste filme, há liberdade de entrada nos mercados, isto é, se há um
livre exercício do empreendedorismo.

Se ao longo do processo dinâmico houver liberdade de entrada nos mercados, então


existe concorrência no sentido dinâmico. É irrelevante se, em determinados momentos,
existe no mercado apenas um ofertante de bens e serviços.
Mais ainda: se em um determinado momento existe apenas um ofertante, mas há
liberdade de entrada neste mercado, então, o fato de existir apenas um ofertante, longe
de ser uma comprovação de que há monopólio e exploração dos consumidores, indica
apenas que tal ofertante está satisfazendo os desejos e necessidades de seus
consumidores de forma bastante eficaz.

Falando de outra maneira: se o processo dinâmico é livre e os empreendedores


participam dele emulando-se e concorrendo entre si, então, se em um determinado
momento existir somente um empreendedor, isso significa que ele preponderou
justamente por ter se mostrado mais apto que seus concorrentes a atender as
necessidades dos consumidores.

Logo, a existência de uma única empresa em um determinado setor econômico cuja


entrada seja livre para os concorrentes não é prejudicial para os consumidores; significa
apenas que esta empresa está ofertando um bom serviço para os consumidores.
Havendo uma ausência de barreiras legais para se entrar no mercado, há concorrência.
Se o mercado é servido por uma única empresa, isso não configura monopólio. A
concorrência existe a partir do momento em que o estado não proíbe legalmente outras
empresas de entrar no mercado.

Em um âmbito de plena liberdade empreendedorial, existir apenas um ofertante


significa que este soube como atender aos desejos dos consumidores de forma mais
eficaz e satisfatória do que todos os outros. No livre mercado, não há direitos
adquiridos.

E exatamente por não haver direitos adquiridos, um empreendedor jamais pode se


acomodar no livre mercado. O fato de ele haver triunfado hoje não significa que ele
continuará triunfando amanhã. Se ele deixa de estar alerta e se torna menos perspicaz
que seus concorrentes, ou se ele deixa de satisfazer as necessidades de seus
consumidores de maneira satisfatória e a preços baixos, surgirá em pouco tempo um
exército de concorrentes — reais e potenciais — que colocará em perigo sua situação de
predomínio. Estes concorrentes tentarão lucrar em cima deste seu desleixo.

A IBM, por exemplo, chegou a deter 70% do mercado de computadores. Converteu-se


em uma empresa mastodôntica e arrogante. Quando lhe apresentaram um projeto sobre
computadores portáteis, de uso pessoal, ela desprezou, dizendo que era besteira. Como
resultado desta desconsideração para com as genuínas demandas dos consumidores, esta
empresa outrora tão rica e poderosa quase foi à bancarrota.

Portanto, é irrelevante — de uma perspectiva dinâmica — que em uma fotografia


apareça apenas um único ofertante. O próprio processo dinâmico faz com que, ao
amanhecer de cada dia, este ofertante tenha de se reinventar diariamente. Caso não o
faça, surgirão concorrentes que se apropriarão de uma fatia de seu mercado.
Muito se fala, principalmente nos meios acadêmicos, sobre concorrência e monopólio.
O problema é que as definições utilizadas para estes termos estão quase sempre erradas.
E se o conceito utilizado é errado, então as políticas sugeridas para lidar com ambos
também serão erradas. Pior ainda: gerarão resultados distintos dos esperados.

Concorrência

Comecemos pela concorrência. Seria a concorrência uma 'situação' ou um 'processo'?

A função empreendedorial é, por sua natureza intrínseca, sempre competitiva. O termo


'competitivo' vem do latim cumpetitio, que significa uma concorrência múltipla de
reivindicações sobre um determinado bem ao qual um proprietário deve ser atribuído.

A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade. Trata-se de um


processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir
oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam.
O objetivo de um empreendedor é descobrir, antes dos demais, oportunidades latentes
de lucro que existem no processo empresarial. Uma vez descoberta uma oportunidade
de lucro, ele terá de atuar em harmonia com outros empreendedores — pois o mercado é
uma rede de trocas altamente complexa e interativa — para se aproveitar dela.

Por isso, diz-se que a concorrência é um processo de emulação, um processo em que se


busca superar seus rivais, em todos os âmbitos, criando e se aproveitando de
oportunidades de lucros antes deles.

E isso deve ser contrastado ao chamado "modelo de concorrência perfeita". Este é o


modelo que a esmagadora maioria dos manuais de economia aponta como sendo o ideal
máximo de concorrência. Este modelo enxerga a concorrência como sendo uma
situação. É como se a concorrência fosse analisada como uma fotografia instantânea.
Os defensores deste modelo são os economistas matemáticos que acreditam na tese de
que uma economia sempre pode estar em 'equilíbrio'.

Nos modelos matemáticos de concorrência perfeita, a concorrência é definida como


perfeita quando, ao se fazer esta fotografia instantânea de um determinado processo de
mercado, observa-se nesta foto — que nada mais é do que uma situação estática, sem
nenhum movimento — a existência de múltiplos ofertantes, todos eles vendendo o
mesmo produto, com exatamente as mesas características e ao mesmo preço.

Esta situação estática — sem nenhum movimento, sem nenhum processo


empreendedorial, em que há uma multiplicidade de ofertantes que fazem exatamente a
mesma coisa, que ofertam exatamente o mesmo produto e que vendem a exatamente o
mesmo preço — ser classificada de concorrência perfeita representa o ápice do escárnio.

Logo, é fácil observar que estes dois conceitos de concorrência são praticamente
opostos: de um lado temos a concorrência como um processo dinâmico de rivalidade,
que é o conceito correto de concorrência; de outro temos a burla, que supõe uma
concorrência jocosamente chamada de perfeita, que é caracterizada por uma situação em
que todos os empreendedores fazem absolutamente o mesmo — e portanto ninguém
compete com ninguém.

Disso, surge a inevitável pergunta: como é possível que legiões de economistas


catedráticos, de enorme distinção e com impecáveis credenciais acadêmicas, tenham
feito do modelo de concorrência perfeita — isto é, desta concepção estática de
concorrência — a base de todas as suas teorias?

É aqui que podemos constatar, novamente, um dos exemplos mais claros do nefasto
efeito gerado pelo uso da matemática na ciência econômica. Dado que a ciência
econômica nada mais é do que a ciência da ação humana, os fenômenos estudados
dependem totalmente da interação voluntária entre bilhões de indivíduos, algo que por
definição não pode ser matematizado.

E, justamente para se tornar possível a matematização de algo que é impossível de ser


matematizado, a concorrência, que é um processo dinâmico passa a ser analisada como
uma situação, um estado de equilíbrio, que é o único matematizável. E o empenho em
se aplicar uma metodologia errônea oriunda do mundo das ciências naturais — onda há
constantes, não existe tempo e nem criatividade — ao âmbito das ciências sociais
protagonizada por seres humanos pode apenas gerar múltiplos erros, dentre eles o mais
importante é o fato de se endeusar um conceito tão absurdo quanto o conceito estático
de concorrência perfeita.

Monopólio

Assim como ocorre com a concorrência, há também dois conceitos distintos e opostos
para monopólio. E cada um destes conceitos de monopólio está de acordo com os
respectivos conceitos de concorrência. Ou, falando mais claramente, ao conceito
correto de concorrência está relacionado um conceito correto de monopólio, e ao
conceito errôneo de concorrência está relacionado um conceito também errôneo de
monopólio.

Comecemos por este último.

O conceito errôneo de concorrência é aquele que vê a concorrência como uma situação,


um estado de equilíbrio em que há uma multiplicidade de ofertantes que produzem
exatamente o mesmo produto e vendem exatamente ao mesmo preço — ou seja, não há
competição nenhuma entre eles.

E qual o conceito errôneo de monopólio? Se a característica essencial para se classificar


uma situação como sendo de concorrência perfeita é que haja um grande número de
ofertantes naquela fotografia instantânea, a característica essencial para se caracterizar
uma situação como sendo de monopólio é que nesta fotografia instantânea — ou seja,
neste estado de equilíbrio — exista apenas um único vendedor.

Do mesmo conceito errôneo de concorrência perfeita surge o conceito errôneo de


monopólio, que é visto como uma situação estática em que há apenas um vendedor de
um produto. Estes "monopolistas", segundo os economistas matemáticos, podem impor
os preços que desejarem, preços artificialmente altos, em prejuízo dos consumidores.
Uma situação intermediária seria a de oligopólio, na qual há apenas alguns poucos
vendedores (oligo vem do grego e significa poucos).

Porém, tendo por base a perspectiva da teoria dinâmica dos processos de cooperação
social protagonizada por empreendedores, este conceito de monopólio e de oligopólio é
completamente sem sentido. Se a definição correta de concorrência é a de um processo
dinâmico de rivalidade na qual os empreendedores competem entre si para descobrir,
antes dos demais, oportunidades de lucro para se aproveitar delas antes que outros
empreendedores o façam, então o conceito correto de monopólio tem de levar em conta
se é possível ou não que outros empreendedores possam ter legal acesso a este processo
dinâmico de rivalidade.

E a conclusão lógica é que só existe um monopólio genuíno quando o estado


sistematicamente impede, por meio da força ou da ameaça de violência, a liberdade de
acesso a um determinado mercado ou o livre exercício do empreendedorismo em algum
setor da economia.

Logo, o relevante não é se há apenas um ou alguns poucos ofertantes; o relevante é se é


legalmente possível ter acesso — se há liberdade de entrada ou não — a um
determinado setor da economia. O relevante é analisar se, em decorrência de alguma
coerção sistemática do governo — seja por meio de agências reguladoras, de
burocracias volumosas ou de decretos —, há algum impedimento ao exercício da livre
iniciativa em qualquer setor da economia.

Notem que este conceito de monopólio e oligopólio é radicalmente distinto daquele que
é tido pela academia como a definição correta.

Monopólio X Concorrência

Ainda utilizando a metáfora da fotografia, imagine uma sucessão de fotogramas que


constituem o celulóide de um filme. Imagine que este filme represente o processo
dinâmico da concorrência. Sendo assim, se escolhermos arbitrariamente um fotograma
e constatarmos que há apenas um vendedor neste fotograma escolhido, um economista
matemático imediatamente gritará "Monopólio! Exploração dos consumidores! O
governo tem de intervir e perseguir!" Já um economista da Escola Austríaca, que
entende a perspectiva dinâmica do mercado como sendo um processo marcado pelo
empreendedorismo, dirá que é irrelevante que em um ou em vários fotogramas
apareçam apenas um único vendedor. Pois o que tem de ser levado em consideração
não é um fotograma avulso, mas sim todo o processo dinâmico contido neste filme, bem
como se, ao longo deste filme, há liberdade de entrada nos mercados, isto é, se há um
livre exercício do empreendedorismo.

Se ao longo do processo dinâmico houver liberdade de entrada nos mercados, então


existe concorrência no sentido dinâmico. É irrelevante se, em determinados momentos,
existe no mercado apenas um ofertante de bens e serviços.

Mais ainda: se em um determinado momento existe apenas um ofertante, mas há


liberdade de entrada neste mercado, então, o fato de existir apenas um ofertante, longe
de ser uma comprovação de que há monopólio e exploração dos consumidores, indica
apenas que tal ofertante está satisfazendo os desejos e necessidades de seus
consumidores de forma bastante eficaz.

Falando de outra maneira: se o processo dinâmico é livre e os empreendedores


participam dele emulando-se e concorrendo entre si, então, se em um determinado
momento existir somente um empreendedor, isso significa que ele preponderou
justamente por ter se mostrado mais apto que seus concorrentes a atender as
necessidades dos consumidores.

Logo, a existência de uma única empresa em um determinado setor econômico cuja


entrada seja livre para os concorrentes não é prejudicial para os consumidores; significa
apenas que esta empresa está ofertando um bom serviço para os consumidores.
Havendo uma ausência de barreiras legais para se entrar no mercado, há concorrência.
Se o mercado é servido por uma única empresa, isso não configura monopólio. A
concorrência existe a partir do momento em que o estado não proíbe legalmente outras
empresas de entrar no mercado.

Em um âmbito de plena liberdade empreendedorial, existir apenas um ofertante


significa que este soube como atender aos desejos dos consumidores de forma mais
eficaz e satisfatória do que todos os outros. No livre mercado, não há direitos
adquiridos.

E exatamente por não haver direitos adquiridos, um empreendedor jamais pode se


acomodar no livre mercado. O fato de ele haver triunfado hoje não significa que ele
continuará triunfando amanhã. Se ele deixa de estar alerta e se torna menos perspicaz
que seus concorrentes, ou se ele deixa de satisfazer as necessidades de seus
consumidores de maneira satisfatória e a preços baixos, surgirá em pouco tempo um
exército de concorrentes — reais e potenciais — que colocará em perigo sua situação de
predomínio. Estes concorrentes tentarão lucrar em cima deste seu desleixo.

A IBM, por exemplo, chegou a deter 70% do mercado de computadores. Converteu-se


em uma empresa mastodôntica e arrogante. Quando lhe apresentaram um projeto sobre
computadores portáteis, de uso pessoal, ela desprezou, dizendo que era besteira. Como
resultado desta desconsideração para com as genuínas demandas dos consumidores, esta
empresa outrora tão rica e poderosa quase foi à bancarrota.

Portanto, é irrelevante — de uma perspectiva dinâmica — que em uma fotografia


apareça apenas um único ofertante. O próprio processo dinâmico faz com que, ao
amanhecer de cada dia, este ofertante tenha de se reinventar diariamente. Caso não o
faça, surgirão concorrentes que se apropriarão de uma fatia de seu mercado.
As definições corretas de monopólio e
concorrência - e por que a concorrência
perfeita é ilógica

Muito se fala, principalmente nos meios acadêmicos, sobre concorrência e monopólio.


O problema é que as definições utilizadas para estes termos estão quase sempre erradas.
E se o conceito utilizado é errado, então as políticas sugeridas para lidar com ambos
também serão erradas. Pior ainda: gerarão resultados distintos dos esperados.

Concorrência

Comecemos pela concorrência. Seria a concorrência uma 'situação' ou um 'processo'?

A função empreendedorial é, por sua natureza intrínseca, sempre competitiva. O termo


'competitivo' vem do latim cumpetitio, que significa uma concorrência múltipla de
reivindicações sobre um determinado bem ao qual um proprietário deve ser atribuído.

A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade. Trata-se de um


processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir
oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam.
O objetivo de um empreendedor é descobrir, antes dos demais, oportunidades latentes
de lucro que existem no processo empresarial. Uma vez descoberta uma oportunidade
de lucro, ele terá de atuar em harmonia com outros empreendedores — pois o mercado é
uma rede de trocas altamente complexa e interativa — para se aproveitar dela.

Por isso, diz-se que a concorrência é um processo de emulação, um processo em que se


busca superar seus rivais, em todos os âmbitos, criando e se aproveitando de
oportunidades de lucros antes deles.

E isso deve ser contrastado ao chamado "modelo de concorrência perfeita". Este é o


modelo que a esmagadora maioria dos manuais de economia aponta como sendo o ideal
máximo de concorrência. Este modelo enxerga a concorrência como sendo uma
situação. É como se a concorrência fosse analisada como uma fotografia instantânea. Os
defensores deste modelo são os economistas matemáticos que acreditam na tese de que
uma economia sempre pode estar em 'equilíbrio'.

Nos modelos matemáticos de concorrência perfeita, a concorrência é definida como


perfeita quando, ao se fazer esta fotografia instantânea de um determinado processo de
mercado, observa-se nesta foto — que nada mais é do que uma situação estática, sem
nenhum movimento — a existência de múltiplos ofertantes, todos eles vendendo o
mesmo produto, com exatamente as mesas características e ao mesmo preço.
Esta situação estática — sem nenhum movimento, sem nenhum processo
empreendedorial, em que há uma multiplicidade de ofertantes que fazem exatamente a
mesma coisa, que ofertam exatamente o mesmo produto e que vendem a exatamente o
mesmo preço — ser classificada de concorrência perfeita representa o ápice do escárnio.

Logo, é fácil observar que estes dois conceitos de concorrência são praticamente
opostos: de um lado temos a concorrência como um processo dinâmico de rivalidade,
que é o conceito correto de concorrência; de outro temos a burla, que supõe uma
concorrência jocosamente chamada de perfeita, que é caracterizada por uma situação em
que todos os empreendedores fazem absolutamente o mesmo — e portanto ninguém
compete com ninguém.

Disso, surge a inevitável pergunta: como é possível que legiões de economistas


catedráticos, de enorme distinção e com impecáveis credenciais acadêmicas, tenham
feito do modelo de concorrência perfeita — isto é, desta concepção estática de
concorrência — a base de todas as suas teorias?

É aqui que podemos constatar, novamente, um dos exemplos mais claros do nefasto
efeito gerado pelo uso da matemática na ciência econômica. Dado que a ciência
econômica nada mais é do que a ciência da ação humana, os fenômenos estudados
dependem totalmente da interação voluntária entre bilhões de indivíduos, algo que por
definição não pode ser matematizado.

E, justamente para se tornar possível a matematização de algo que é impossível de ser


matematizado, a concorrência, que é um processo dinâmico passa a ser analisada como
uma situação, um estado de equilíbrio, que é o único matematizável. E o empenho em se
aplicar uma metodologia errônea oriunda do mundo das ciências naturais — onda há
constantes, não existe tempo e nem criatividade — ao âmbito das ciências sociais
protagonizada por seres humanos pode apenas gerar múltiplos erros, dentre eles o mais
importante é o fato de se endeusar um conceito tão absurdo quanto o conceito estático
de concorrência perfeita.

Monopólio

Assim como ocorre com a concorrência, há também dois conceitos distintos e opostos
para monopólio. E cada um destes conceitos de monopólio está de acordo com os
respectivos conceitos de concorrência. Ou, falando mais claramente, ao conceito correto
de concorrência está relacionado um conceito correto de monopólio, e ao conceito
errôneo de concorrência está relacionado um conceito também errôneo de monopólio.

Comecemos por este último.

O conceito errôneo de concorrência é aquele que vê a concorrência como uma situação,


um estado de equilíbrio em que há uma multiplicidade de ofertantes que produzem
exatamente o mesmo produto e vendem exatamente ao mesmo preço — ou seja, não há
competição nenhuma entre eles.

E qual o conceito errôneo de monopólio? Se a característica essencial para se classificar


uma situação como sendo de concorrência perfeita é que haja um grande número de
ofertantes naquela fotografia instantânea, a característica essencial para se caracterizar
uma situação como sendo de monopólio é que nesta fotografia instantânea — ou seja,
neste estado de equilíbrio — exista apenas um único vendedor.

Do mesmo conceito errôneo de concorrência perfeita surge o conceito errôneo de


monopólio, que é visto como uma situação estática em que há apenas um vendedor de
um produto. Estes "monopolistas", segundo os economistas matemáticos, podem impor
os preços que desejarem, preços artificialmente altos, em prejuízo dos consumidores.

Uma situação intermediária seria a de oligopólio, na qual há apenas alguns poucos


vendedores (oligo vem do grego e significa poucos).

Porém, tendo por base a perspectiva da teoria dinâmica dos processos de cooperação
social protagonizada por empreendedores, este conceito de monopólio e de oligopólio é
completamente sem sentido. Se a definição correta de concorrência é a de um processo
dinâmico de rivalidade na qual os empreendedores competem entre si para descobrir,
antes dos demais, oportunidades de lucro para se aproveitar delas antes que outros
empreendedores o façam, então o conceito correto de monopólio tem de levar em conta
se é possível ou não que outros empreendedores possam ter legal acesso a este processo
dinâmico de rivalidade.

E a conclusão lógica é que só existe um monopólio genuíno quando o estado


sistematicamente impede, por meio da força ou da ameaça de violência, a liberdade de
acesso a um determinado mercado ou o livre exercício do empreendedorismo em algum
setor da economia.

Logo, o relevante não é se há apenas um ou alguns poucos ofertantes; o relevante é se é


legalmente possível ter acesso — se há liberdade de entrada ou não — a um
determinado setor da economia. O relevante é analisar se, em decorrência de alguma
coerção sistemática do governo — seja por meio de agências reguladoras, de
burocracias volumosas ou de decretos —, há algum impedimento ao exercício da livre
iniciativa em qualquer setor da economia.

Notem que este conceito de monopólio e oligopólio é radicalmente distinto daquele que
é tido pela academia como a definição correta.

Monopólio X Concorrência

Ainda utilizando a metáfora da fotografia, imagine uma sucessão de fotogramas que


constituem o celulóide de um filme. Imagine que este filme represente o processo
dinâmico da concorrência. Sendo assim, se escolhermos arbitrariamente um fotograma e
constatarmos que há apenas um vendedor neste fotograma escolhido, um economista
matemático imediatamente gritará "Monopólio! Exploração dos consumidores! O
governo tem de intervir e perseguir!" Já um economista da Escola Austríaca, que
entende a perspectiva dinâmica do mercado como sendo um processo marcado pelo
empreendedorismo, dirá que é irrelevante que em um ou em vários fotogramas
apareçam apenas um único vendedor. Pois o que tem de ser levado em consideração não
é um fotograma avulso, mas sim todo o processo dinâmico contido neste filme, bem
como se, ao longo deste filme, há liberdade de entrada nos mercados, isto é, se há um
livre exercício do empreendedorismo.
Se ao longo do processo dinâmico houver liberdade de entrada nos mercados, então
existe concorrência no sentido dinâmico. É irrelevante se, em determinados momentos,
existe no mercado apenas um ofertante de bens e serviços.

Mais ainda: se em um determinado momento existe apenas um ofertante, mas há


liberdade de entrada neste mercado, então, o fato de existir apenas um ofertante, longe
de ser uma comprovação de que há monopólio e exploração dos consumidores, indica
apenas que tal ofertante está satisfazendo os desejos e necessidades de seus
consumidores de forma bastante eficaz.

Falando de outra maneira: se o processo dinâmico é livre e os empreendedores


participam dele emulando-se e concorrendo entre si, então, se em um determinado
momento existir somente um empreendedor, isso significa que ele preponderou
justamente por ter se mostrado mais apto que seus concorrentes a atender as
necessidades dos consumidores.

Logo, a existência de uma única empresa em um determinado setor econômico cuja


entrada seja livre para os concorrentes não é prejudicial para os consumidores; significa
apenas que esta empresa está ofertando um bom serviço para os consumidores. Havendo
uma ausência de barreiras legais para se entrar no mercado, há concorrência. Se o
mercado é servido por uma única empresa, isso não configura monopólio. A
concorrência existe a partir do momento em que o estado não proíbe legalmente outras
empresas de entrar no mercado.

Em um âmbito de plena liberdade empreendedorial, existir apenas um ofertante


significa que este soube como atender aos desejos dos consumidores de forma mais
eficaz e satisfatória do que todos os outros. No livre mercado, não há direitos
adquiridos.

E exatamente por não haver direitos adquiridos, um empreendedor jamais pode se


acomodar no livre mercado. O fato de ele haver triunfado hoje não significa que ele
continuará triunfando amanhã. Se ele deixa de estar alerta e se torna menos perspicaz
que seus concorrentes, ou se ele deixa de satisfazer as necessidades de seus
consumidores de maneira satisfatória e a preços baixos, surgirá em pouco tempo um
exército de concorrentes — reais e potenciais — que colocará em perigo sua situação de
predomínio. Estes concorrentes tentarão lucrar em cima deste seu desleixo.

A IBM, por exemplo, chegou a deter 70% do mercado de computadores. Converteu-se


em uma empresa mastodôntica e arrogante. Quando lhe apresentaram um projeto sobre
computadores portáteis, de uso pessoal, ela desprezou, dizendo que era besteira. Como
resultado desta desconsideração para com as genuínas demandas dos consumidores, esta
empresa outrora tão rica e poderosa quase foi à bancarrota.

Portanto, é irrelevante — de uma perspectiva dinâmica — que em uma fotografia


apareça apenas um único ofertante. O próprio processo dinâmico faz com que, ao
amanhecer de cada dia, este ofertante tenha de se reinventar diariamente. Caso não o
faça, surgirão concorrentes que se apropriarão de uma fatia de seu mercado.
Significado de Monopólio
O que é Monopólio:

Monopólio é a exploração sem concorrente de um negócio ou indústria, em virtude


de um privilégio. É a posse ou o direito em caráter exclusivo. Ter o monopólio é
possuir ou desfrutar da exploração de maneira abusiva, é vender um produto ou
serviço sem concorrente, por altos preços. Do grego monos, que significa "um" e
polein que significa "vender".

Deter o monopólio é uma situação em que uma única empresa domina a oferta de
determinado produto ou serviço. É quando o mercado é dominado por uma estrutura
monopolista e não pelas leis de mercado, garantido-lhe super lucro. A maioria dos
países possui um conjunto de leis para impedir a formação de monopólio.

Monopólios surgem devido a características particulares de um determinado mercado,


ou devido a regulamentação governamental. O monopólio coercivo, significa que a
curva de demanda do bem fica negativamente inclinada, na medida em que a demanda
da firma e a demanda do mercado são as mesmas.

Oligopólio

Enquanto no monopólio não existe concorrência, o oligopólio é caracterizado por um


conjunto de empresas que domina determinado setor da economia ou produto colocado
no mercado. Em geral impõem preços abusivos e elimina a possibilidade de
concorrência, através da aquisição de pequenas empresas.

É comum as empresas que formam o oligopólio estabelecerem cotas de produção (o que


eleva os preços) e divisão territorial do mercado consumidor entre si, a fim de aumentar
suas taxas de lucro. A tendência à oligopolização se verifica principalmente nos setores
da economia que exigem grandes investimentos, como a da indústria automobilística,
química e farmacêutica etc.