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Índice

1. Introdução.................................................................................................................................1
1.1. Objectivos.............................................................................................................................2
1.2. Objectivo Geral.....................................................................................................................2
1.2.1. Objectivos Específicos......................................................................................................2
1.3. Metodologia de Trabalho......................................................................................................2
2. ASFIXIOLOGIA FORENSE...................................................................................................3
2.1. Origem..................................................................................................................................3
2.1.1. CONCEITO.......................................................................................................................3
2.2. SINAIS GERAIS DE ASFIXIA...........................................................................................4
2.3. Sinais externos......................................................................................................................4
2.4. Sinais Internos......................................................................................................................6
2.4.1 Os caracteres do sangue..........................................................................................................6
2.4.5 Asfixias por Modificação do Meio Ambiente.........................................................................7
2.5. Asfixia por gases...................................................................................................................7
2.6. Soterramento.........................................................................................................................9
2.7. Sinais externos atípicos.......................................................................................................10
2.7.1. Sinais externos típicos - Caracterizam a asfixia-submersão:...............................................11
3. Asfixia por Constrição do pescoço............................................................................................13
3.4. Fases da morte por enforcamento...........................................................................................13
3.8. Asfixias por Impedimento da Expansão do Tórax.................................................................15
3.9. Asfixias por Paralisação dos Músculos Respiratórios............................................................15
4. Conclusão..................................................................................................................................16
5. Referências Bibliográficas:........................................................................................................17

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1. Introdução

Medicina Legal – longe de ser matéria pertencente a um dos ramos da Medicina, ela serve como
embasamento para a produção de provas obtidas em corpo humano que tenham, obviamente,
importância para elucidação de dúvidas sobre questões envolvendo Direitos, não apenas penais,
mas também em outros ramos do Direito.

A Medicina Legal é uma especialidade médica e jurídica que utiliza conhecimentos técnico-
científicos da Medicina para o esclarecimento de fatos de interesse da Justiça.

A Medicina Legal na Advocacia, sobretudo na Advocacia Criminal, é de suma importância, já


que em muitos casos, há a necessidade de se interpretar laudos, exames, sendo muito importante
para o exercício profissional dos doutores das leis (advogados e juristas).

Esses termos traduzem os fenómenos que ocorrem no homem quando este é sujeito a energias
físico-químicas que impedem à passagem de ar as vias aéreas e desta forma alteram a função
respiratória, e vão inibir a hematose, podendo, em consequência, levar o indivíduo a morte.

O Oxigénio chega aos tecidos através de mecanismos que sequencialmente são: - Ventilação
pulmonar; - Hemoglobina; - Circulação; e - Trocas gasosas.

Estes vão dar origem a diferentes tipos de anóxia: Anóxia de ventilação ou anóxica; anóxia
anêmica; - anóxia de circulação e de estase; - Anóxia tissular ou histotóxica.

O presente trabalho vem descrever como ocorrem, quais as fases, os principais achados, que
devem ser analisados, e como a Medicina Legal se comporta e compreende os fenómenos que
ocorrem quando um indivíduo passa por um processo de anóxia.

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1.1. Objectivos
1.2. Objectivo Geral

 Compreender como ocorre o Processo de Asfixiologia Forense em um individuo.


1.2.1. Objectivos Específicos

 Descrever os conceitos e origem de Asfixiologia Forense;


 Analisar os sinais gerais de asfixia e gases por ax;
 Decifrar a Asfixia por Constrição do pescoço
 Avaliar os resultados obtidos.
1.3. Metodologia de Trabalho

Segundo Gil (1999), a investigação científica depende de um conjunto de procedimentos


intelectuais e técnicos para que os seus objectivos sejam atingidos. Assim, para elaboração do
presente trabalho de natureza descritiva, justifica-se pela necessidade de se compreender como
ocorre asfixiologia em um individuo.

O trabalho baseou-se na consulta bibliográfica constituído essencialmente por obras literárias


publicadas sobre o estudo a ser realizado, Marconi & Lakatos (2009). As obras debruçam sobre
análise de políticas públicas, as quais permitirão melhor compreensão do tema.

Foi na base destas leituras que se procedeu a definição da estrutura final do trabalho e selecção
de conceitos indispensáveis para a composição do trabalho.

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2. ASFIXIOLOGIA FORENSE
2.1. Origem

É o capítulo da Medicina Legal que estuda as asfixias.


Embora consagrada pelo uso, a palavra asfixia não informa a realidade, pois significa "não
pulsar" (a + sphyxis). Do ponto de vista médico, asfixia é a supressão da respiração. A morte,
qualquer que seja a sua modalidade, é sempre determinada por asfixia. Com efeito,
fisiopatologicamente, cessadas as trocas orgânicas por influência patológica ou por impedimento
mecânico de causa fortuita, violenta e externa, é por asfixia que a morte sobrevém, antecedendo,
mor das vezes, a parada cardíaca.

2.1.1. CONCEITO

Podemos definir Asfixiologia Forense como uma parte da Medicina Legal que analisa as formas
acidentais ou criminosas das asfixias, sob um prisma médico e jurídico.

Muitos são os avanços dos métodos jurídicos para investigar todas as espécies de crime. A
tecnologia para tais investigações tem-se estendido em todas as áreas criminalistas, afectando
directa e indirectamente no ramo da Medicina Legal, que é uma especialidade jurídica que
envolve a medicina através de conhecimentos técnico-científicos para o esclarecimento de fatos
de interesse da justiça, sendo que o praticante pode ser chamado de médico legista ou
simplesmente legista (Wikipédia, 2011).

Várias são as definições para essa actividade. Conforme Hélio Gomes,

É o conjunto de conhecimentos médicos e paramédicos, destinados a servir ao


Direito e cooperando na elaboração, auxiliando na interpretação e colaborando
na execução dos dispositivos legais no seu campo de acção de medicina
aplicada. (GOMES, Hélio.)
A Medicina Legal é essencial para todas as áreas do Direito, especialmente para o Direito Penal,
Civil e Constitucional. Como os crimes envolvem a necessidade de conhecimentos médicos e
anatómicos específicos, há essa interacção entre as duas áreas. Um, sendo investigativo e o outro
na aplicação dos métodos judiciais.

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Com isso, o objectivo principal é ampliar a compreensão dos meios que levaram a determinado
crime, desvendando dessa forma todas as entrelinhas do caso.

Já asfixia, é o impedimento às trocas gasosas nos pulmões, ou em outras palavras, é a supressão


da respiração, com a diminuição de O2 e aumento de CO2 no sangue arterial e de hipercapnia.
Etimologicamente quer dizer falta de pulso, devido às ideias que os antigos tinham da respiração
e da circulação.

Asfixia é a supressão da respiração. Flamínio Fávero traz em sua obra o conceito segundo
Hoffman: "Morte produzida por impedimento mecânico à penetração do ar atmosférico na árvore
respiratória
Chama-se eupnéia a respiração normal; bradipnéia, a diminuição dos movimentos respiratórios,
e taquipnéia, o aumento da frequência respiratória. A Dispnéia é a respiração forçada e
difícil. Ortopnéia é termo que indica dispneia tão intensa que obriga o indivíduo a sentar-se para
dar inteira liberdade de acção aos músculos auxiliares da respiração. Apneia é a pausa ou
suspensão temporária da respiração.

O ar que respiramos tem um teor de oxigénio de aproximadamente 21 %, nitrogénio 78%, gás


carbónico 0,03%. A proporção de oxigénio do ar alveolar é de 17% e não 21 %. O homem requer
essa taxa de oxigénio para viver; por isso, o percentual de 7% de oxigénio no ar atmosférico
ocasiona perturbações orgânicas relativamente graves.
Todo e qualquer mecanismo que intervenha na correta oxigenação dos tecidos humanos constitui
uma asfixia.

2.2. DE ASFIXIA

Costuma-se dividi-los em sinais externos e sinais internos.

2.3. Sinais externos


2.3.1. Manchas de hipóstase

O indivíduo morre e, em consequência da morte, o coração não bate. O sangue contido nos
pequenos vasos próximos à pele, com a morte, acumula-se, por força gravitacional, nas regiões
de maior declive. Se o morto está em pé (enforcado), o sangue vai para as extremidades (mãos,

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pés, pernas). Se o morto está deitado, as manchas tendem a se formar nas costas, se ele estiver
em decúbito dorsal, ou no tórax, se ele estiver em decúbito ventral. Nas regiões de apoio, o
sangue não chega, portanto, não se formam as manchas nessas regiões. Essas manchas começam
a se formar 1 ou 2 horas depois da morte. Nos casos de asfixia, as manchas hipostáticas são mais
marcadas (pronunciadas) e mais precoces, porque o sangue está sem oxigénio, com gás
carbónico. O sangue venoso (com gás carbónico) é mais escuro, por isso que as manchas
hipostáticas são mais visíveis nos asfixiados. São, também, mais precoces, porque, em
decorrência do aumento da pressão, há um acúmulo muito maior de sangue nas extremidades.

2.3.2. Cianose

Face, rosto, parte alta do pescoço nos asfixiados são cianóticos. Encontradas em certos tipos
especiais de asfixia, como na esganadura, na estrangulação e na compressão torácica. A cianose é
uma tonalidade azulada da pele e mucosas.

2.3.3. Equimose

Manchas na pele, em consequência do aumento da pressão, os vasos se rompem formando as


manchas equimóticas. Arredondadas e diminutas, localizam-se na pele das pálpebras, pescoço,
face e tórax, e nas mucosas exteriores das conjuntivas, dos lábios e, menos comumente, das asas
do nariz.

2.3.4. Espuma

De aspecto semelhante a um cogumelo sanguinolento exteriorizado pela boca e/ou pelo nariz,
manifesta-se frequentemente nos casos de submersão, podendo faltar em outros tipos de asfixia.

2.3.5 Procidência da língua

Encontradiça no enforcamento e no estrangulamento em que a língua escurecida é projetada


além das arcadas dentárias; pode, também, esporadicamente, ocorrer no afogamento, no início da
putrefacção.

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2.3.6 Livor cadavérico

Aparece precocemente. É rosado na submersão, devido às modificações do sangue ocorridas


nessa síndrome, vermelho vivo quando o agente é o óxido de carbono, e escuro nas asfixias
mecânicas em geral.

2.4. Sinais Internos

2.4.1 Os caracteres do sangue

Abrangem o aspecto, cor e fluidez. Na morte por asfixia o sangue é fluido e de cor negra. Fazem
exceção os que sucumbiram sob o efeito do monóxido de carbono, ficando a cor do sangue
vermelho vivo e os afogados que ingeriram grande quantidade de líquido, com a cor rosada.

2.4.2 Equimoses viscerais

Conhecidas vulgarmente por petéquias, são também chamadas manchas de Tardieu, As manchas
de Tardieu são petéquias violáceas, em pequeno número - três ou quatro -, ou aglomeradas em
grande quantidade, recobrindo a superfície pleural, interlobares e basilares dos pulmões, do
pericrânio e, nos recém-nascidos, do timo. As manchas de Paltauf são equimoses viscerais nos
pulmões dos afogados.

2.4.3 Congestão polivisceral

Quase todos os órgãos do corpo são passíveis de congestão nos diferentes tipos de asfixia. O
fígado e o os rins são os de maior interesse na asfixia.

2.4.4 Maior quantidade de sangue nos órgãos

Órgãos que normalmente contêm sangue, como o fígado, ficam muito cheios. Esse mesmo
aumento da pressão, durante a asfixia, pode provocar um aumento de sangue nos alvéolos dos
pulmões e pode ocorrer ruptura de vasos dos alvéolos; por isso é comum a secreção
sanguinolenta nos casos de asfixia.

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2.4.5 Asfixias por Modificação do Meio Ambiente

2.4.6. Confinamento

A modalidade mais comum de confinamento é o das pessoas que, num ambiente


compartimentado, têm o sangue enriquecido por monóxido de carbono. Ex.: num comboio de
trem a carvão, fechado sem oxigênio, o indivíduo morre asfixiado.
A cor da hemoglobina é mais avermelhada. O sangue não tem a coloração forte das outras
asfixias, porque não foi asfixiado com gás carbônico, mas com monóxido de carbono.
Confinamentos podem ocorrer com grupos de pessoas num compartimento onde não há
renovação do ar. As pessoas se asfixiam com o próprio gás carbônico: é a asfixia clássica.
O confinamento pode se dar em ambientes em que a mistura atmosférica é pobre em oxigênio:
confinamento por inadequação da mistura oxigenatória (ex.: cabine de avião).
O confinamento em ambiente com gás também é outra causa de asfixia.

2.5. Asfixia por gases

A asfixia por gases irrespiráveis constitui um dos setores mais diversos e


complexos da asfixiologia forense. Essa modalidade de asfixia poderá ser as-
sim classificada:

2.5.1. Gases de combate


 Gases lacrimogêneos - São assim denominados porque, em contacto com os olhos, não se
diluem nas secreções que banham o globo ocular, causando, inicialmente, leve sensação
de formigamento reflexo nas pálpebras e, dentro do primeiro minuto após a explosão,
intenso lacrimejamento acompanhado de cefaléia, fadiga, vertigens e irritação das vias
aéreas superiores e da pele. Em altas concentrações pode matar.
 Gases esternutatórios - Causam irritação das vias aéreas superiores, efeitos sobre as
terminações nervosas e sintomas de intoxicação arsenical. São responsáveis por tosse
violenta, espirros, rinite, fotofobia, conjuntivite, náuseas, vômitos, dores torácicas e
abdominais, cefaléia, irritação da pele, astenia, sudorese, poliúria, dilatação capilar e
destruição epitelial na traquéia e nos brônquios. O mais letal gás esternutatório é
o etildicloroarsina. Em altas concentrações pode matar.

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 Gases vesicantes - Condenados pela Convenção de Genebra. O mais importante gás
vesicante é a iperita ou gás mostarda. O gás mostarda atua sobre a pele, olhos e aparelho
respiratório. Na pele exposta duas a dez horas ao gás mostarda surge eritema, às vezes
acompanhado de erupção puntiforme, e, posteriormente, flictenas contendo líquido seroso
claro que, rompendo-se, deixam entrever tecido subjacente vermelho e hemorrágico. As
lesões dérmicas, amiúde, assentam-se na face, no ânus e nas bolsas escrotais, onde o
epitélio é mais espesso. Os olhos lacrimejam, as pálpebras edemaciam, as conjuntivas
inflamam. Causa cefaléia, sede intensa, mal-estar, vertigens, tonturas, vómitos e diarreias,
arritmia cardíaca, podendo a morrer por broncopneumonia. Em altas concentrações pode
matar.
 Gases sufocantes - Descreveremos apenas a acção intoxicante do cloro. Ela manifesta-se
por dor intensa, espasmo laríngeo e da musculatura brônquica, dispnéia, hipotensão
arterial, cianose, náuseas, vómitos, sincope, inconsciência, falência do ventrículo
esquerdo e morte por edema agudo do pulmão.

2.5.2. Gases tóxicos

Consideraremos aqui o ácido cianídrico e o monóxido de carbono.


 Ácido cianidrico - A inalação de vapores de ácido cianidrico ou ácido prússico acarreta a
morte dentro de poucos minutos até 3 horas. Causa vertigens, hiperpnéia, cefaléia,
taquicardia, cianose, inconsciência, convulsões e morte por asfixia. O ácido cianidrico é
empregado por vários Estados americanos objectivando executar criminosos, como forma
de pena capital.
 Monóxido de carbono - O monóxido de carbono inalado é absorvido pelos alvéolos e
logo reage quimicamente com a hemoglobina do sangue formando
a carboxiemoglobina (HbCO), que impede o processamento normal da hematose,
causando anoxia em nível tissular e não envenenamento, pois esse gás não é, em si
mesmo, tóxico para as células.
O ofendido apresenta edema cerebral, cefaléia intensa, vasodilatação cutânea, zumbidos, tosse,
batimentos dolorosos nas têmporas, escotomas, náuseas, vómitos, síncope, taquisfigmia,

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taquipnéia, debilidade muscular e paralisia dos membros inferiores que impede a vítima de fugir
do perigo, convulsões intermitentes, coma, podendo evoluir para a morte.

2.5.3. Gases industriais

Mais importantes que os vapores nitrosos é o formeno, metano, grisu ou gás dos pântanos, que
interessa particularmente à Infortunística Acidentária, responsável que é pelas explosões e
sufocação dos obreiros que trabalham no interior das minas. Provocam dispnéia, irritação
intensa da laringe, da traqueia, dos brônquios e dos pulmões.

2.5.4. Gases anestésicos

Interessam à Medicina Legal, principalmente no que diz respeito à responsabilidade dos


anestesiologistas, não se devendo pensar, aqui, apenas no sentido de incriminá-los, pois casos há
de imprevisíveis acidentes anestésicos, amiúde, erroneamente rotulados como choques
anafiláticos, ou os próprios, que podem levar o paciente à morte, independentemente da
competência do profissional.

2.6. Soterramento

Soterramento é a asfixia no meio terroso.


É uma asfixia clássica. Ocorre a sufocação directa, indirecta, mais a imersão em meio não
respirável (sólido).
É possível, também, o soterramento em grãos (soja, trigo etc.).

2.6.1. Afogamento

Afogamento é a asfixia no meio líquido: pode ser água, tanque de coca-cola, álcool, gasolina etc.
Num primeiro momento, o afogado tem a fase de surpresa: fica agitado e segura ao máximo a
respiração. Quando não aguenta mais, respira profundamente inundando os pulmões de água.
Entra em concussão e morte aparente. Após isso, o coração bate por mais ou menos 9 minutos.

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2.7. Sinais externos atípicos

São os que se manifestam também em outras formas de morte que não o afogamento, em que o
cadáver permanece por qualquer motivo submerso por certo período de tempo.
 Pele anserina ou "pele de galinha" - É determinada pela saliência dos folículos pilosos
pela contracção dos músculos pretores cutâneos. Situam- se frequentemente nos ombros,
na região lateral das coxas e dos antebraços, constituindo o sinal de Bernt.
 Retracção dos mamilos - Tem significado idêntico ao da pele anserina.
 Retracção dos testículos e do pênis - Provocada pelo desequilíbrio térmico inicial entre o
corpo e a massa líquida.
 Temperatura baixa da pele - Tem valor relativo.
 Maceração epidérmica - Mais acentuada nas mãos e nos pés, por embebição da pele,
destacando-se por grandes retalhos, ou quando nas mãos, em dedos de luva junto com as
unhas.
 Rigidez cadavérica precoce.
 Cor da face - Será lívida ou azulada nos afogados brancos de Parrot, e cianosada nos
mortos por submersão-asfixia.
 Queda fácil dos pêlos nos que permaneceram durante algum tempo submersos.
 Destruição frequente das partes moles e cartilaginosas, como boca, supercílios, pálpebras,
globos oculares, nariz e pavilhões auditivos, por animais da fauna aquática, como peixes,
siris e outros crustáceos.
 Projecção da língua além das arcadas dentárias é frequente no início da putrefacção.
o Presença de erosões das polpas digitais e entre os dedos e, sob as unhas, de lama
ou grãos de areia e, nos lábios, de corpos estranhos inerentes à massa líquida onde
ocorreu a submersão.
 Lesões de arrasto (Simonin) - São consequentes ao roçar, no leito dos rios, da fronte,
mãos, joelhos e pododáctilos, nos afogados que permanecem submersos em decúbito
ventral em movimentos de vaivém, pelo impulso das águas. Evidentemente, nas vítimas
que, submersas, adoptam a posição de decúbito dorsal em opistótono, as lesões de arrasto
serão encontradas na região occipital e nos calcanhares.

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2.7.1. Sinais externos típicos - Caracterizam a asfixia-submersão:

 "Cabeça de negro" É própria dos afogados por submersão em estado de putrefação; a pele
da cabeça adquire cor verde e bronzeada.
 Tonalidade vermelho-clara dos livores cadavéricos – Determinada pelas alterações do
sangue na asfixia-submersão, localiza-se comummente nas regiões mais declives do
corpo (cabeça, pescoço, metade superior do tronco, mãos e pés), podendo, em alguns.
 Cogumelo de espumas - Consequente ao arejamento do muco misturado à água na
traquéia e nos brônquios, somente se forma nos indivíduos que reagiram energicamente
dentro d'água e aparecem sobre a boca e narinas dos que cedo foram deles retirados.
 Putrefacção - Lenta enquanto a vítima está submersa, evolui rapidamente se o corpo é
posto em contacto com o meio exterior. Inicia-se pela parte superior do tórax, face e
depois cabeça e progride em direcção descendente comprometendo todo o corpo, que
assume forma gigantesca, lembrando balão inflado, de plástico. O enfisema putrefactivo
distendendo exageradamente o aparelho genital masculino confere ao pénis e às bolsas
escrotais dimensões descomunais.

2.8. Sinais internos de afogamento


 Inundação das vias aéreas com líquido: as pessoas se afogam em vários tipos de
líquido. A presença desses líquidos não deve ser, apenas, uma constatação pericial. Por
meio do líquido pode-se analisar o meio aquático em que o indivíduo se afogou. Ex.: o
indivíduo pode ter sido morto em uma banheira e ter o seu corpo jogado no mar. A
presença do líquido serve, também, para esclarecer, exactamente, o lugar onde ocorreu
o afogamento. Mesmo se tratando de afogamento em água doce com posterior
remoção do cadáver para um rio, também de água doce, há diferenciação entre os
líquidos.
 Lesão dos pulmões: apresenta um pontilhado de manchas chamadas de manchas de
Tardieu. Quando o processo de afogamento é mais demorado, essas manchas podem
ser grandes, recebendo o nome de manchas de Pautalf. Quando o indivíduo aspira uma
grande quantidade de água, rompem-se os alvéolos e o líquido passa pelo espaço intra-
alveolar. Os pulmões, então, enchem-se de água, inchando-se. Isso se chama enfisema

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aquoso ou sinal de Brouardel. Nas mortes agônicas, os pulmões tornam-se
extremamente estendidos. O pulmão adquire um volume maior, às expensas do líquido
que está nas vias. A distensão dos pulmões não se dá só em virtude do líquido que está
dentro dele, mas também porque o pulmão ainda estava cheio de ar. Forma-se, então,
uma mistura borbulhante de água e ar. Isso explica o fato de que, ao retirar o cadáver
da água, forma-se um cogumelo de espuma. A pressão atmosférica age na mistura de
ar e água, formando o cogumelo.
 Presença de líquidos no aparelho digestivo: o indivíduo também engole água, além de
inspirá-la. A trompa de Eustáquio liga a faringe ao ouvido médio; nos afogamentos, há
presença de líquido no ouvido médio, que chegou até lá pela trompa de Eustáquio.
Um cadáver dentro da água, pela sua densidade, tende a afundar. Durante as primeiras 24 horas,
o cadáver fica submerso, depois disso ele vem à tona, porque o processo da putrefacção humana,
na sua segunda fase, produz uma enorme quantidade de gases (fase gasosa). Esses gases fazem
com que o cadáver venha para a superfície.
Pela análise do sangue, pode-se, também, dizer em qual tipo de líquido ocorreu o afogamento.

2.8.1. Mecanismos jurídicos da morte por afogamento

Acidente, suicídio e homicídio.


A hipótese de afogamento por acidente configura a maior parte dos casos.
Tecnicamente, não existe suicídio por afogamento. É comum encontrar nesses afogados sinais de
luta pela sobrevivência. Esses casos recebem o nome de suicídio acidental.
Permanecido na água o morto por afogamento, quando retirado, há uma violentíssima aceleração
do processo de putrefacção.
Nos cadáveres cuja pele não está íntegra, não há compartimentação de gases e é mais difícil de se
encontrar o cadáver.

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3. Asfixia por Constrição do pescoço

3.1. Enforcamento

Enforcamento é a constrição do pescoço por um instrumento chamado laço e a força que


constrange é a do próprio indivíduo.
No enforcamento, a força constritiva é o próprio peso do indivíduo. 15 kg são suficientes para
que ocorra o enforcamento.
No enforcamento e no estrangulamento, o laço que circunda o pescoço, levando o indivíduo à
morte por asfixia, deixa uma marca característica, que se chama sulco. É uma marca, em baixo
relevo, do material utilizado no laço que provocou o enforcamento, que desenha o instrumento
que constringiu o pescoço, caracterizando o sulco.
Além do sulco, em baixo da pele há lesões: hemorragias e fracturas em cartilagens, ruptura de
vasos, nervos achatados e secção da artéria carótida, que recebe o nome de sinal de Amussat.
Há dois tipos de enforcamento:

3.2. Suspensão completa

Quando há uma distância considerável entre o corpo e o chão. O corpo, verticalizado, fica solto
no espaço, sem contacto com o plano de sustentação.

3.3. Suspensão incompleta

Quando o corpo não fica inteiramente pendurado. Ex.: amarrar o laço numa janela.
Nas asfixias por enforcamento, o mecanismo é misto, pois, além da constrição das vias
respiratórias, constringe-se, também, a circulação sanguínea e o sistema nervoso que comanda a
respiração e os batimentos cardíacos.

3.4. Fases da morte por enforcamento

· Fase da resistência: agitação; o indivíduo tem alucinações, visão turva, torpor, perda da
consciência (quase coma). Essa fase dura de 40 a 80 segundos.
· Fase da agitação: ausência de consciência, convulsões intensas, alterações na cor da pele,
língua protusa, olhos esoftalmos. Essa fase dura de 3 a 5 minutos.
· Fase de prostração ou morte aparente: o coração bate e essa fase pode durar até 10 minutos.

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No enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente, tem profundidade variável, é interrompido no
nó, fica por cima da cartilagem tireóidea.

3.5. Estrangulamento

No estrangulamento, que também é uma constrição por um laço, a força constritiva é externa. O
que constringe é o laço, accionado por uma força externa, geralmente homicida.
Para determinar se a causa da morte foi enforcamento ou estrangulamento, é necessária a análise
das características do sulco deixado pelo laço.
No estrangulamento, o sulco é horizontal, tem profundidade uniforme, não é interrompido e fica
no meio do pescoço.

3.6. Esganadura

Esganadura é a constrição do pescoço por um membro do corpo humano: mãos, pés, cotovelos,
joelhos.
A esganadura é sempre um homicídio, porque a força constritiva será sempre um segmento do
corpo humano.
Na esganadura, sempre há disparidade de forças entre os sujeitos.

3.7. Sufocação

É a asfixia mecânica provocada pela obstaculizarão directa ou indirecta à penetração do ar


atmosférico nas vias respiratórias ou por permanência forçada em espaço fechado.

3.7.1. Sufocação directa

A sufocação directa compreende as seguintes modalidades:


 Oclusão dos orifícios externos respiratórios - Pelo emprego da mão ou de corpos
moles, é de etiologia sempre criminosa, pois supõe acentuada desproporção de forças
entre o agressor e a vítima, sendo praticada usualmente no infanticídio.
 Oclusão das vias respiratórias - Freqüentemente acidental por aspiração brusca de
corpos estranhos (dentaduras, porções de alimentos, rolha de garrafa, bolinhas de gude),

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na árvore respiratória, impedindo a passagem do oxigénio até os pulmões e
desencadeando êxito letal por asfixia, pode excepcionalmente ser autocida.
Os sinais cadavéricos locais, discretos e inconstantes, são representados pelas equimoses nos
lábios, sinais de dentes na mucosa labial interna e marcas ungueais nas proximidades da boca e
das fossas nasais, nos casos de sufocação manual, podendo não existir quando o agente emprega
corpos moles (travesseiros, panos), e provável fractura de dentes e hemorragias punctiformes
oriundas da introdução forçada do corpo estranho dentro da boca.

3.8. Asfixias por Impedimento da Expansão do Tórax

3.8.1. Sufocação indirecta

Diz respeito a todo e qualquer fenómeno que comprima o tórax, impedindo a sua expansão (ex.:
acidente de veículos, homicídio, estouro de pessoas contra a parede, morte por pisoteamento
contínuo entre os seres humanos).
Há uma compressão do tórax, que impede a respiração, provocando a asfixia.

3.8.2. Afundamento de tórax

Fracturas múltiplas nas costas que bloqueiam a respiração, provocando a morte por asfixia.

3.9. Asfixias por Paralisação dos Músculos Respiratórios

3.9.1. Paralisia espástica

É a contractura dos músculos. Ocorre nos casos de morte por eletroplessão.


Alguns tóxicos também podem levar a esse estado.
O tétano é também outra causa da paralisia espástica.
Um veneno que leva a essa paralisia é a estricnina.

3.9.1. Paralisia flácida

A paralisia flácida é causada por substância vegetal, utilizada pelos índios da Amazônia, de nome
curare. O curare é utilizado, também, nas anestesias.
Outra hipótese remota, mas que também pode ocasionar paralisia flácida, é o traumatismo de
medula (raquimedular).

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4. Conclusão

Diante do exposto, podemos concluir que a Asfixia, sob o ponto de vista médico-legal, é a
síndrome caracterizada pelos efeitos da ausência do oxigénio no ar respirável por impedimento
de causa fortuita, violenta e externa, em circunstâncias as mais variadas. Assim, na asfixia,
consome-se o oxigénio presente nos pulmões e acumula-se o gás carbónico que vai se formando.

A asfixia é um dos processos mais importantes do ponto de vista médico-legal e o presente


trabalho nos proporcionou entender de maneira mais integral os fenómenos que ocorrem com o
indivíduo que passa pelo processo de anóxia.

Entender cada fase que o organismo passa em cada tipo de anóxia e dessa forma encaixá-la em
um dos processos mecânicos de asfixia como as produzidas por confinamento, monóxido de
carbono, sufocação, soterramento, afogamento, enforcamento, estrangulamento e esganadura é
muito importante para esclarecer dúvidas e chegar a conclusões importantes que podem ser a
chave para a descobertas importantes não só do ponto de vista da lei, mas também podem ajudar
a confortar familiares que querem apenas saber o que de fato ocorreu.

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5. Referências Bibliográficas:

I. GRECO, Rogério (Coord.). Medicina Legal à Luz do Direito Penal e Direito Processual .
Pena: teoria resumida/ Willian Douglas Resinente dos Santos, Lélio Braga Calhau,
Abrouch Valenty, Krymchantowki, Roger Ancillotti, Rogério Greco. 9ª ed. Rio de
Janeiro: Impetus, 2010.
II. FÁVERO, Flamínio. Medicina Legal. 3. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1994.
III. VASQUES, Paulo Maurício. Apostila de Medicina Legal.
IV. FRANÇA Genival Veloso. Medicina legal. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan,
2004, págs. 116-134.

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