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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA


CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DOCENTE: RAIMUNDO ARRAIS | DISCENTE: JÉSSICA GUEDES
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Space, Place and Territory: A critical review on Spatialities. DUARTE, Fábio.


Routledge, 2017.

O autor vai tratar como os conceitos de espaço, lugar e território estão no cerne da
geografia e dos estudos urbanos. Ressalta, ainda, as características particulares de cada
um desses conceitos, que muito embora tenha o mesmo substrato conceitual, não são a
mesma coisa. O autor pretende discutir o núcleo conceitual comum desses termos,
levando em conta a particularidade de cada um.

Espaço, lugar e território são conceitos chaves que formam uma matriz espacial,
na qual podemos analisar as relações estabelecidas em sociedade. Segundo Duarte, Yi-
Fu Tuan é uma exceção, quando trata dois desses conceitos, pois aborda com atenção os
conceitos de espaço e lugar. Aponta que há estudiosos, como Edward Casey, que
constroem os argumentos que discutem a importância do lugar e sua relação com o tempo.
Casey, foca no lugar, mas também defende o lugar que, para ele, está dominado por
narrativas construídas sobre o espaço e o tempo.

A necessidade de se discutir os espaços e lugares como processos sensoriais,


culturais e sociais, deve ser também levado em conta, como proposta de Duarte. Ressalta
ainda, a importância de Henri Lefebvre como autor-chave para a discussão do espaço,
uma vez que este é político e socialmente construído.

Espaço, lugar ou território não são algo em si mesmo, mas são definidos através
de valores individuais e sociais. Para Duarte, lugar e território fazem parte do espaço ao
qual atribuímos valores pessoais ou sociais, entendendo que esses conceitos formam uma
matriz espacial, na qual às vezes sua existência mútua é benéfica e às vezes a coexistência
desencadeia conflitos, que levam à eliminação de uma forma de apropriação espacial por
outra. O autor tratará dessas destas aproximações e distanciamentos, no que concerne a
estes conceitos, a partir de um fenômeno urbano: a cidade.

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ABRIL, 2018
No capítulo Sensig the city, irá se ater ao cheiro das cidades, de como isto constrói
um espaço de sociabilidade. Afirma que o cheiro não carrega valores morais, mas
funciona como característica que distingue os espaços. O cheiro passa por um filtro
sensorial e cultural, e os valores culturais tem influência sobre como percebemos os
cheiros nas cidades. O autor ressalta como a Europa Medieval percebia a noite nas
cidades, cidades sem energia elétrica e isto faz a sociedade estabelecer uma outra relação
com o meio que vive, seu entendimento e percepção do espaço.

No capítulo Mapping the city, apresenta que os mapas são uma forma de retratar
o espaço, lugar e o território. Os mapas, segundo ele, são profundamente ideológicos, ele
tenta explorar o mapeamento como uma ferramenta epistemológica, que estabeleçam uma
relação lugar/espaço/território com quem o produz. A discussão é que esses conceitos, na
prática, estão imbuídos por filtros culturais e sensoriais.

Na parte Conceiving the city, propõe entender como os espaços, lugares e


territórios são construídos numa proposta contemporânea, discutindo como a tecnologia
se infiltra no espaço urbano. Há, também, uma preocupação em atentar à transformação
dos espaços, muitas vezes eles são criados com um intuito, mas ganham outro uso, a
exemplo de quem ele chama de figuras anônimas como os artistas, skateboarders,
praticantes de parkour, que utilizam materialmente a cidade para questionar seus valores
culturais.

Por fim, nos diz da matriz espacial em discussão - espaço, lugar e território -
podem ser uma ferramenta metodológica para iluminar as crises e conflitos culturais,
ambientais e mudanças tecnológicas na cidade. Estes conflitos e mudanças criam não-
lugares, provocam desterritorialização produzindo espaços virtuais separados do nosso
cotidiano.

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ABRIL, 2018