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Introdução à Teoria Musical

Prof. Dr. Clayton Júnior Dias

CAPÍTULO I
OS FUNDAMENTOS DA MÚSICA

1. Música
O conceito de música provém do termo grego musiké (μουσική τέχνη - musiké téchne - a arte das
musas), através do qual a Antiguidade Grega designava, no início, as artes das musas, poesia, música e dança,
como uma unidade e, mais tarde, a arte dos sons.

2. Som, Tom e Ruído


Para a produção de um tom, de um som ou de um ruído é necessária a presença de um corpo elástico,
o qual pode ser sólido (como as cordas do piano ou a membrana de um tambor) ou aéreo (como a coluna de
ar de uma flauta). Através de uma ação externa (por exemplo, a percussão das cordas ou membranas, ou o
sopro na flauta) este corpo, colocado em movimento, produz as oscilações, que se propagam alargando-se
em forma esférica até alcançar o receptor (o ouvido, o microfone). A produção do som pode também ser
eletrônica, com base em diversas modalidades de sínteses (sintetizadores, teclados, órgãos eletrônicos). As
oscilações podem também ser regulares ou periódicas: neste caso os estudiosos de acústica falam de som
ou (quando se tem uma oscilação sinusoidal) de tom. Se as oscilações, ao contrário, são irregulares ou
aperiódicas, se fala de ruído.

3. Propriedades do som
Para que um som possa ser representado com exatidão, ser executado e então ter uma existência,
deve possuir algumas características que chamaremos propriedades do som. São elas: altura, intensidade,
duração e timbre.
Também o ritmo pode ser considerado uma propriedade do som, porém, como veremos, ele não se
refere a um simples som, mas à concatenação dos sons entre eles. Sobre o ritmo, estudaremos mais adiante.

3.1. Altura
É a propriedade do som ser mais baixo (grave) ou mais alto (agudo).
A altura deriva essencialmente do número de oscilações (vibrações) por segundo, e é medida em
Hertz (Hz, do nome do físico Heinrich Hertz).

Maior número de oscilações = sons mais agudos Menor número de oscilações = sons mais graves

3.2. Intensidade ou Volume


É a propriedade do som ser mais fraco ou mais forte.
A intensidade indica o volume do som e depende da força das vibrações, chamada de amplitude.
Quanto mais força ou energia for aplicada no processamento das vibrações, maior será a amplitude, por
conseguinte, mais forte será o som. A intensidade é medida em Decibel (dB).

Vibrações muito amplas (sons fortes) Vibrações pouco amplas (sons fracos)

Tratando-se de maior ou menor volume, é incorreto, do ponto de vista da terminologia musical, falar
em som mais alto ou mais baixo, como se diz na linguagem corrente. Como vimos, altura de um som é coisa
bem diferente de seu volume, e a ela se referem os termos alto (agudo) e baixo (grave). Os termos musicais
corretos para muito e pouco volume são forte e piano.

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3.3. Duração
É a propriedade que determina o tempo de produção do som.
A música se desenvolve e se exprime no tempo, diversamente da pintura e da escultura que se
desenvolvem no espaço. A duração de um som representa o tempo que ocorre entre o momento que o som
se inicia e aquele que o som termina (tempo de emissão das vibrações).

3.4. Timbre
É a propriedade do som que permite reconhecer a sua origem. O timbre é a “cor” do som de cada
instrumento ou voz. Diversos fatores são responsáveis pelo timbre característico de um instrumento, tais
como: o material de que é feito, o modo como os sons são produzidos e como ressoam e a intensidade dos
sons harmônicos que acompanham os seus sons principais.

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CAPÍTULO II
NOTAÇÃO MUSICAL

A música, assim como a linguagem, foi cultivada durante muito tempo por transmissão auditiva de
geração a geração, antes de ser inventado qualquer espécie de método sistemático para registrá-la por
escrito.
Para transcrever a música a nossa tradição musical deu vida, no percurso de uma longa elaboração,
à notação musical. Esta compreende um sistema de linhas e de notas de diversos valores, sinais e símbolos
(por exemplo: claves, acidentes, barras de medida, símbolos de ornamentos), números (por exemplo:
indicação do tempo, compasso, subdivisões irregulares das notas, dedilhados), palavras ou abreviações
(indicações de tempo e de dinâmica, indicações para a interpretação). Ainda que seja impossível determinar
por escrito todas as particularidades e matizes da música, a notação representa um meio indispensável para
a prática musical.

1. A nota
O símbolo mais importante da notação musical é a nota (do latim nota = sinal). A sua colocação
permite reconhecer a altura do tom, enquanto que a sua forma indica a duração do tom. Cada nota musical
pode ser indicada de dois modos: ou com as sílabas que indicam o seu nome (dó, ré, mi, fá, sol, lá e si) ou
com a divisão matemática que indica a sua duração (1 tempo, 2 tempos, 4 tempos, e assim por diante).

1.1. Nomes das notas


O nome das notas, que a tradição atribui ao monge Guido d’Arezzo1 (cerca †1050), é extraído da
primeira estrofe do hino das I Vésperas em honra de São João Batista, composto por Paulo, o diácono (720-
797). Neste hino, a nota da primeira sílaba de cada verso é colocada em ordem ascendente da escala
diatônica: ut, ré, mi, fá, sol, lá:
UT queant laxis
REsonáre fibris
MIra gestórum
FÁmuli tuórum,
SOLve pollúti
LÁbii reátum,
Sancte Ioánnes.2
Como se vê, falta a nota “si”, a qual existia na escala musical da época, mas não recebeu um nome
silábico próprio até o século XVI. O fundamento foi que a dita nota carecia de altura fixa, já que umas vezes
se entoava natural e outras com o que chamamos bemol. A substituição do termo “ut” por “dó” ocorreu na
Itália, no séc. XVII, em homenagem ao humanista e teórico musical italiano Giovanni Battista Doni (1594-
1647).
Na notação inglesa e alemã, essas notas são designadas pelas letras do alfabeto, a partir da nota “lá”:
a, b (em alemão usa-se h), c, d, e, f, g. Na França, ainda se conserva o “ut” para a primeira nota. O quadro,
portanto, dos nomes das notas musicais é o seguinte:

Latim3 Do Re Mi Fa Sol La Si
Alemão c d e f g a h
Inglês C D E F G A B
Francês Ut Ré Mi Fá Sol Lá Si

1
Não é certo, em modo absoluto, que tenha sido Guido d’Arezzo a dar o nome de ut, ré, mi, etc. às notas da escala.
2
Tradução: “A fim de que possa ressoar nos corações as maravilhas das tuas ações, absolve o erro dos lábios indignos
do seu servo, o São João”.
3
Na língua portuguesa algumas notas recebem acento agudo: dó, ré, fá, lá.
3
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Estas notas, ordenadas de dó a si repetem-se sucessivamente. Prolongando a série, a oitava nota


volta a ser repetição da primeira, e todas se repetem na ordem já referida, num registro cada vez mais agudo.
A distância do primeiro intervalo ao oitavo – com o mesmo nome – se chama oitava.

1.2. Figuras de notas e sinais de pausa


A duração do som se reconhece pelo aspecto da nota, pelo qual se distinguem os diversos valores
temporais do som, chamados figuras de notas. A cada um dos valores de duração das notas corresponde um
sinal de pausa (silêncio). Veja:

Nome Figura de nota Sinal de Pausa

Semibreve 

Mínima  ◊

Semínima 

Colcheia 

Semicolcheia  

Fusa 

Semifusa 

O ponto de partida da subdivisão dos valores das figuras é constituído pela semibreve. Esta divide-se
em 2 mínimas, 4 semínimas, 8 colcheias, 16 semicolcheias, 32 fusas e 64 semifusas. Veja:

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Além das figuras já mencionadas, existem mais duas, que são usadas muito raramente: a breve,
valendo o dobro da semibreve e a quartifusa, valendo metade da semifusa.

Nome Figura de nota Sinal de Pausa

Breve  

Quartifusa ou
Tremifusa

1.3. Partes da nota


As notas podem ser compostas de até três partes: cabeça, haste e bandeirola (ou colchete). A cabeça,
ligeiramente oval, pode estar cheia (complemente negra) ou vazia (é desenhado somente o seu contorno).
Veja:


Haste
Colchete

Cabeça

1.4. Uso dos colchetes (ou bandeirolas)


Os colchetes são sempre colocados no lado direito das hastes. Quando existe a sucessão de várias
figuras com colchetes, estes podem ser unidos com uma barra de ligação:

2. Pauta
As notas são escritas num conjunto de cinco linhas e quatro espaços chamado pauta ou pentagrama.
As linhas e os espaços são numerados de baixo para cima. Quanto mais alta a posição de uma nota na pauta,
mais alto (agudo) será o seu som.

Exceção: para a notação musical do canto gregoriano, usa-se o tetragrama, uma pauta musical
com quatro linhas e três espaços, também lidos de baixo para cima.

2.1. Linhas e espaços suplementares


As linhas e os espaços entre elas são usados como “posições” para as notas, mas não são suficientes
para todas elas. Para superar essa dificuldade, adicionam-se curtas linhas suplementares à pauta, sempre
que se faz necessário. O número de linhas suplementares é ilimitado, mas procura-se evitar acima de 8 linhas.

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As linhas e os espaços suplementares são numerados a partir da pauta, da seguinte maneira:

2.2. Posição da haste da nota na pauta


A haste da nota se escreve:
a) Na 3ª linha = para baixo ou para cima:

b) Subindo da 3ª linha = para baixo:

c) Descendo da 3ª linha = para cima:

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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO II

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Nomeie as figuras de nota:

_____________________________  _____________________________

 _____________________________ _____________________________

 _____________________________  _____________________________

 _____________________________

2. Nomeie a pausa e, à sua esquerda, escreva a figura de nota que tem o mesmo valor:

pausa de _________________  pausa de _________________

◊ pausa de _________________ pausa de _________________

 pausa de _________________  pausa de _________________

pausa de _________________

3. Nomeie as partes da nota


_________________
_________________

_________________

4. Escreva, embaixo da nota, o número da linha ou do espaço da pauta em que ela se encontra.
Abrevie: linha = L espaço = E

________ ________ ________ ________ ________ ________ ________ ________ ________

5. Desenhe uma nota em cada linha da pauta abaixo:

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6. Desenhe uma nota em cada espaço da pauta abaixo:

7. Escreva três notas mais agudas do que esta:

8. Escreva três notas mais graves do que esta:

9. Desenhe as notas nas linhas ou nos espaços indicados:

10. Escreva, embaixo da nota, o número da linha ou do espaço suplementar em que ela se encontra.
Abrevie: linha suplementar superior = LSS
linha suplementar inferior = LSI
espaço suplementar superior = ESS
espaço suplementar inferior = ESI

________ ________ ________ ________ ________ ________ ________ ________ ________

11. Ponha haste na nota, de acordo com a posição da mesma na pauta:

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CAPÍTULO III
CLAVES

O uso da pauta permite a grafia relativa, isto é, indica que um som é mais agudo que outro. A leitura
da exata altura das notas na pauta só é possível a partir do símbolo da clave (do latim clavis = chave), que
“abre” a pauta dando nome a pelo menos uma das notas. Fixando a altura de uma nota, consequentemente
as demais notas são fixadas.
As claves foram usadas sistematicamente pela primeira vez em manuscritos litúrgicos do séc. XI. As
letras que indicavam fá (F) e dó (c) eram as mais comuns; o sol (g) passou a ser cada vez mais usado no séc.
XV. Atualmente usam-se esses três tipos de clave: sol, dó e fá. Abaixo podemos acompanhar a evolução no
desenho das claves e a sua estreita ligação com as letras (notas) que elas representam:

Clave de sol
G

Clave de dó
C

Clave de fá
F

As claves são três, mas sua posição na pauta pode variar. Essas claves são assim chamadas:

Violino Soprano Mezzo-soprano Contralto Tenor Barítono Baixo

Todas essas claves eram usadas antigamente. Hoje em dia, porém, só se usam a clave de sol na 2ª
linha (clave de violino), a de fá na 4ª linha (clave de baixo) e a clave de dó na 3ª linha (clave de contralto) ou
na 4ª linha (clave de tenor)

1. Clave de sol (ou clave de violino)


O traço do símbolo representativo da clave de sol, que indica a linha afetada pela clave, é a curva
com que esta começa, a qual, com início na 2ª linha, a rodeia:

Tendo definido a posição da nota sol, pode-se deduzir os nomes das outras notas:

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A clave de sol é usada para os sons agudos e parte dos médios (corresponde à metade direita do
piano). Por isso, a sua extensão tonal é suficiente para anotar os instrumentos de sonoridade mais aguda
(violino, flauta, oboé, clarinete, trompete, violão, etc.). É também usada para anotar as peças que são
cantadas em uníssono (a uma única voz) e para as vozes infantis. Nas partituras para coro misto é usada para
as vozes de soprano e contralto. A voz de tenor pode ser também anotada na clave de sol, porém, soa uma
oitava (oito notas abaixo) das notas escritas. Por esse motivo, é grafada com o número 8 abaixo da clave:

(clave de sol à oitava)

2. Clave de fá (ou clave de baixo)


O traço do símbolo representativo da clave de fá, que indica a linha afetada pela clave, é também a
curva com que esta começa, a qual, com início na 4ª linha, a rodeia:

Tendo definido a posição da nota fá, pode-se deduzir os nomes das outras notas:

A clave de fá é usada para os sons graves (corresponde à metade esquerda do piano). Por isso, a sua
extensão tonal é suficiente para anotar os instrumentos de sonoridade mais grave (violoncelo, contrabaixo,
fagote, trombone, tuba, tímpano, etc.). Nas partituras de coro misto é usada para a voz de baixo, e às vezes
para a voz de tenor.

3. Clave de dó na 3ª linha
A clave de dó tem duas pequenas curvas ao redor de um ponto central. A linha do pentagrama que
se situa entre as duas curvas é o ponto de referência para a nota dó.
Tendo definido a posição da nota dó, pode-se deduzir os nomes das outras notas:

A clave de dó é usada para os sons médios. Por isso, a sua extensão tonal é suficiente para anotar os
instrumentos de sonoridade média. Na terceira linha é usada para a viola, corne inglês, e o trombone-
contralto. Na quarta linha é usada para parte dos sons do violoncelo, fagote e trombone-tenor.

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4. Particularidades
Os instrumentos com um registro mais amplo (piano, órgão, acordeão, harpa) utilizam duas claves
ao mesmo tempo (geralmente a clave de fá para a mão esquerda e a clave de sol para a mão direita):

A nota dó, que fica ao centro do piano, e por isso é também chamada de “dó central”, pode também
ser considerada como eixo dos dois pentagramas unidos (como se houvesse um sistema de onze linhas =
endecagrama). Veja as notas iguais nas duas claves e a nota dó central:

Para comparação das diversas claves, observe que o dó central ocupa, em cada uma delas, a seguinte
posição:

Para evitar um número excessivo de linhas suplementares, pode-se utilizar o recurso da mudança de
clave. Veja:

em é melhor
vez escrever
de

Para os instrumentos de percussão com alturas de tons indeterminados se usa a clave de percussão:

ou

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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO III

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Nomeie as três claves

  
clave de __________ clave de __________ clave de __________

2. Pratique o desenho da clave de sol:

3. Desenhe a clave de sol no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas:

4. Desenhe a clave de sol no início do pentagrama e, em seguida, escreva as notas indicadas. Se uma nota
pode ser escrita em mais de um lugar na pauta, escolha qual você deseja desenhar:

5. Desenhe a clave de sol no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas e circule a nota mais
aguda de cada par de notas:

6. Desenhe a clave de sol no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas e circule a nota mais
grave de cada par de notas:

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7. Nomeie as notas nas linhas e espaços suplementares da clave de sol:

8. Pratique o desenho da clave de fá:

9. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas:

10. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, escreva as notas indicadas. Se uma nota
pode ser escrita em mais de um lugar na pauta, escolha qual você deseja desenhar:

11. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas e circule a nota mais
aguda de cada par de notas:

12. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas e circule a nota mais
grave de cada par de notas:

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13. Nomeie as notas nas linhas e espaços suplementares da clave de fá:

14. Nomeie as notas no endecagrama:

15. Nomeie as notas na clave de dó na 3ª linha:

16. Nomeie as notas na clave de dó na 4ª linha:

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CAPÍTULO IV
PROLONGAMENTO DO SOM: LIGADURA, PONTOS DE AUMENTO E FERMATA

O prolongamento do valor de uma figura é indicado pelo uso da ligadura, pelo ponto (ou pontos) de
aumento e pela fermata.

1. Ligadura de prolongamento (ou ligadura de valor)


A ligadura de prolongamento (ou ligadura de valor) é uma linha curva que une duas notas da mesma
altura (uníssonas) e vizinhas, somando as suas durações, indicando que devem ser executadas como se
fossem uma única nota (com seus valores somados).

Podem suceder-se duas ou mais ligaduras. Só a primeira nota, ou seja, aquela de onde parte a
ligadura, é emitida; a seguinte (ou seguintes) constitui(em) uma prolongação da primeira.

Não se ligam as pausas.

2. Ponto de aumento
O ponto de aumento é um ponto que, colocado à direita da cabeça da nota ou da pausa, aumenta
metade do seu valor.

A nota e a pausa com ponto de aumento se chamam “nota pontuada” e “pausa pontuada”.
A nota sem ponto de aumento é um valor simples, que se subdivide em duas notas menores
(subdivisão binária).

A nota com ponto de aumento é um valor composto, que se subdivide em três notas menores
(subdivisão ternária).

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Duplo ponto de aumento


Dois pontos à direita da nota aumentam um meio e um quarto do seu valor. Em outras palavras, o
primeiro ponto aumenta metade da nota e o segundo ponto aumenta metade do primeiro.

O duplo ponto de aumento é também usado nas pausas.

3. Fermata
A fermata (em italiano, fermata = parada, repouso) é um sinal que se escreve acima ou abaixo de
uma nota ou pausa para sustentá-la por um tempo que corresponde aproximadamente ao dobro do seu
valor.

Na prática, porém, a prolongação varia de acordo com o estilo, o andamento (velocidade da música),
a estética e a intepretação do executante.

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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO IV

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Ponha ligadura onde for possível:

a)

b)

c)

d)

2. Transforme a nota pontuada em duas notas ligadas:

a)

b)

c)

d)

e)

3. Transforme a pausa pontuada em duas pausas

a)

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b)

c)

d)

e)

4. Transforme as duas notas ligadas em uma nota pontuada:

a)

b)

c)

d)

e)

5. Transforme as duas pausas em uma pausa pontuada:

a) b) c)

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO – CAPÍTULOS I a IV

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Desenhe as figuras de nota e as pausas pedidas:

Figura Pausa

Mínima

Semicolcheia

Fusa

Semibreve

Semifusa

Mínima

Colcheia

2. Grafar a nota na linha ou no espaço indicado:

1L 3E 2ESI 4LSS 5L 1ESS 1LSI 2L

3. Escreva três notas mais agudas e três notas mais graves que esta:

4. Ponha haste na nota, de acordo com a posição da mesma na pauta:

5. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, nomeie as notas:

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6. Desenhe a clave de fá no início do pentagrama e, em seguida, escreva as notas indicadas. Se uma nota
pode ser escrita em mais de um lugar na pauta, escolha qual você deseja desenhar:

7. Desenhe a clave de sol no início do pentagrama e, em seguida, escreva as notas indicadas. Se uma nota
pode ser escrita em mais de um lugar na pauta, escolha qual você deseja desenhar:

8. Faça os seguintes cálculos: em cada par de notas, a nota pontuada da esquerda vale quantas não
pontuadas da direita?

a) .  _____ d) . _____

b) .  _____ e) .  _____

c) .  _____ f) .  _____

9. Subdivida: a nota não pontuada em dois valores menores, a nota pontuada, em três:

a)  f) .

b) . g) 

c) . h) .

d) . i) 

e)

10. Transforme a nota com duplo ponto de aumento em três notas ligadas:

a) .. c) ..

b) .. d) .

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CAPÍTULO V
COMPASSO

Um pulso regular (tempo) é fundamental para a música. Ele determina o andamento – o quão rápido
ou lento a música é tocada. O pulso é geralmente organizado em grupos de tempos. Cada grupo de tempo é
chamado de compasso. Portanto, compasso é a divisão da música em pequenas partes de duração igual ou
variável.
a) divisão em partes de duração igual

b) divisão em partes de duração variável

Os compassos são separados por uma linha vertical, chamada barra de compasso ou travessão:

barra de compasso (ou travessão)

Usa-se uma barra dupla para separar seções da música:

barra dupla

ou para concluí-la (neste caso, a segunda barra é mais grossa, e é chamada de barra final):

barra final

Os tempos são partes do compasso.


O compasso pode ter:
2 tempos: compasso binário
3 tempos: compasso ternário
4 tempos: compasso quaternário
5 tempos: compasso quinário
7 tempos: compasso setenário

De acordo com sua maior ou menor acentuação na execução musical, os tempos são chamados fortes
ou fracos.

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O primeiro tempo do compasso (chamado de cabeça do compasso) é tradicionalmente considerado


forte. Os demais são considerados meio-fortes ou fracos.
Exemplos:
a) compasso binário: 1º tempo forte, 2º tempo fraco

b) compasso ternário: 1º tempo forte, 2º tempo fraco e 3º tempo fraco

c) compasso quaternário: 1º tempo forte, 2º tempo fraco, 3º tempo meio-forte, 4º tempo fraco

d) compasso quinário: é considerado como equivalente à soma de um compasso ternário + um


compasso binário

ou um compasso binário + um compasso ternário

e) compasso setenário: é considerado como equivalente à soma de um compasso quaternário + um


compasso ternário

ou um compasso ternário + um compasso quaternário

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Nos exemplos acima, cada tempo vale uma nota, para melhor se compreender a formação dos
compassos. Na prática, porém, os tempos também se juntam em valores maiores e se subdividem em valores
menores:

Quando são usados dois pentagramas para o mesmo instrumento (por exemplo o piano) ou para um
grupo de instrumentos ou vozes, os pentagramas são unidos por chave no início da pauta. As barras de
compasso são comuns para os dois pentagramas e, antes da clave, é grafada mais uma barra. A este conjunto
de pentagramas dá-se o nome de sistema.

chave chave

sistema sistema

Na partitura de uma música para coro ou para orquestra completa, a primeira barra de compasso
une, geralmente, todos os pentagramas:

Na partitura, os compassos costumam ser numerados de 5 em 5, de 10 em 10 ou então no início de


cada nova pauta (ou sistema).
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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO V

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

Em todos os exercícios deste capítulo, cada semínima vale um tempo do compasso. Todos os exercícios
começam no primeiro tempo e, em alguns, o último compasso não é completo.

1. Numere os tempos e ponha as barras de compasso:

a) binário
(2 tempos)

b) ternário
(3 tempos)

c) quaternário
(4 tempos)

d) quinário
(5 tempos)

e) setenário
(7 tempos)

2. Numere os tempos, ponha as barras de compasso e marque os acentos fortes (>) e meio-fortes (–):

a) binário

b) ternário

c) quaternário

d) quinário
(3+2)

e) quinário
(2+3)

f) setenário
(4+3)

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g) setenário
(3+4)

3. Ponha as barras de compasso nos exercícios seguintes. Se o último compasso não estiver inteiro,
complete-o com uma nota. Lembre-se que a barra final é dupla, com o segundo traço mais grosso que
o primeiro.

a) binário

b) ternário

c) quaternário

d) quinário

e) setenário

4. Ponha as barras de compasso. Se o último compasso não estiver inteiro, complete-o como uma pausa:

a) binário

b) ternário

c) quaternário

d) quinário

5. Nos lugares assinalados com a cruz (+) escreva a nota certa para completar os compassos:

a) binário

b) ternário

c) quaternário

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6. Nos lugares assinalados com a cruz (+) escreva a pausa certa para completar os compassos:

a) binário

b) ternário

c) quaternário

7. Ponha as barras de compasso. Se o último compasso não estiver inteiro, complete-o como uma pausa:

a) binário

b) ternário

c) quaternário

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CAPÍTULO VI
COMPASSO SIMPLES E COMPOSTO

Unidade de tempo é a figura que representa um tempo do compasso. Teoricamente, qualquer figura
pode ser empregada como unidade de tempo, desde a semibreve até a semifusa. Na prática, porém, as mais
usadas são a mínima, a semínima e a colcheia.
Exemplos:
a) unidade de tempo: mínima

b) unidade de tempo: semínima

c) unidade de tempo: colcheia

Compasso simples é aquele em que a unidade de tempo é um valor simples (figura não pontuada):

Compasso composto é aquele em que a unidade de tempo é um valor composto (figura pontuada):

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O quadro completo dos compassos, é, pois, o seguinte:

Binário Simples
Composto
Ternário Simples
Composto
Quaternário Simples
Composto
Quinário Simples
Composto
Setenário Simples
Composto

O compasso contém, habitualmente, tempos fortes e fracos. Os tempos, por sua vez, se subdividem
em partes fortes e fracas. A primeira parte do tempo é forte, a outra ou as outras são fracas.

acentuação dos
tempos
Simples
acentuação das
Compasso partes dos tempos
ternário acentuação dos
tempos
Composto
acentuação das
partes dos tempos

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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO VI

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Nas pequenas melodias seguintes, cada nota vale um tempo do compasso. Todas as melodias
começam no primeiro tempo. Escreva o nome da unidade de tempo e o número de tempos do
compasso:
Unidade de Número de
tempo tempos

colcheia 3
a)

b)

c)

d)

e)

f)

2. Nos exercícios seguintes, a unidade de tempo é a mínima. Todos os exercícios começam no primeiro
tempo. Ponha as barras de compasso. Se o último compasso não estiver inteiro, complete-o com uma
figura ou pausa.

a) binário

(cada c. = 2  )

b) ternário

(cada c. = 3  )

c) quaternário

(cada c. = 4  )

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3. Nos exercícios seguintes, a unidade de tempo é a colcheia. Todos os exercícios começam no primeiro
tempo. Ponha as barras de compasso. Se o último compasso não estiver inteiro, complete-o com uma
figura ou pausa.

a) binário

(cada c. = 2  )

b) ternário

(cada c. = 3  )

c) quaternário

(cada c. = 4  )

4. Nos exercícios seguintes, os compassos são compostos e a unidade de tempo é a semínima pontuada.
Todos os exercícios começam no primeiro tempo. Ponha as barras de compasso. Se o último compasso
não estiver inteiro, complete-o com uma figura ou pausa.

a) binário

(cada c. = 2 . )

b) ternário

(cada c. = 3 . )

c) quaternário

(cada c. = 4 . )

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CAPÍTULO VII
FÓRMULA DE COMPASSO

A indicação numérica do compasso é feita pela fórmula de compasso que são dois números que
indicam a unidade de tempo e o número de tempos do compasso. É escrita no início da música, em seguida
à clave:

Fala-se: “dois por quatro”, “nove por oito”.


A fórmula de compasso vigora até o final da música ou até a indicação de um compasso diferente.

O número inferior da fórmula, tanto nos compassos simples como nos compostos, representa as
seguintes figuras:

 1

 2

 4

 8

 16

32
64

O número superior tem significados diferentes, conforme se trate de compasso simples ou


composto.

No compasso simples, o número inferior indica a unidade de tempo e o superior, o número de


tempos.
Exemplos:

2 dois tempos
2 unidade de tempo: mínima (representada pelo número 2)

4 quatro tempos
8 unidade de tempo: colcheia (representada pelo número 8)

Nos compassos simples, o número superior é 2, 3, 4, 5 ou 7.

31
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No compasso composto, o número inferior indica as notas em que se subdivide a unidade de tempo
e o superior, o total dessas notas num compasso.
Exemplos:
dois tempos
6
4 unidade de tempo: mínima pontuada
(representada pelo número 2)

Lembre-se:

Nos compassos compostos, o número superior é: 6, 9, 12, 15 ou 21.

Compassos correspondentes são o compasso simples e o compasso composto que têm o mesmo
número de tempos e a mesma unidade de tempo, sendo esta simples no primeiro e pontuada no segundo.
Exemplo:

simples ambos tem 2 tempos

e a unidade de tempo é a mesma:  e .


composto

Tendo-se um compasso simples, acha-se o correspondente composto multiplicando-lhe o número


superior por 3 e o inferior por 2.
Exemplo:
simples composto
2 x 3 = 6
4 2 8

Tendo-se um compasso composto, acha-se o correspondente simples dividindo-lhe o número


superior por 3 o inferior por 2.
Exemplo:
composto simples
6 x 3 = 2
8 2 4
Em resumo:
Tendo-se uma fórmula de compasso, conhece-se o número de tempos e a unidade de tempo da
seguinte maneira:
a) Vê-se o número superior:
sendo 2, 3, 4, 5 ou 7 = o compasso é simples
sendo 6, 9, 12, 15 ou 21 = o compasso é composto

b) Se o compasso é simples, o número superior indica o número de tempos e o inferior, a unidade


de tempo.

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Exemplo:
5 5 tempos
16 unidade de tempo: semicolcheia (representada pelo número 16)

c) Se o compasso é composto, acha-se o corresponde simples: o composto terá o mesmo número


de tempos e a mesma unidade de tempo, porém, pontuada.
Os compassos mais usados são os seguintes:

2 2 2
simples
8 4 2
binário
composto 6 6 6
16 8 4
simples 3 3 3
8 4 2
ternário
composto 9 9 9
16 8 4
simples 4 4 4
8 4 2
quaternário
composto 12 12 12
16 8 4

Os compassos 22 e 44 são também representados, respectivamente por  e . Este “” é uma relíquia
do período em que o compasso ternário era considerado um compasso “perfeito” por causa de sua analogia
com a Santíssima Trindade e era simbolizado por um círculo ( ). Por outro lado, o compasso quaternário era

considerado “imperfeito” e, por conseguinte, seu símbolo era um círculo incompleto. Quando o “” está

cortado () a mínima é tomada como unidade de tempo, gerando, assim o compasso 22 também chamado de
“compasso alla breve” e com isso indica-se, em geral, um andamento mais rápido.

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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO VII

Nome: ______________________________________________________ Data: ______ / ______ / ______

1. Os seguintes números são os números inferiores da fórmula de compasso. Escreva, ao lado de cada
um, a figura que ele representa, conforme o exemplo:

a) 8 colcheia e) 4 _____________________________
b) 32 _____________________________ f) 64 _____________________________
c) 2 _____________________________ g) 1 _____________________________
d) 16 _____________________________

2. Nas seguintes melodias, cada nota vale um tempo. Escreva a fórmula de compasso em seguida à clave:

a)

b)

c)

d)

e)

3. Escreva, ao lado da fórmula de compasso, o número de tempos e a unidade de tempo:


Número de tempos Unidade de tempo
a) 3
2 3 semínima
b) 7
8 __________ __________
c) 2
4 __________ __________
d) 4
2 __________ __________
e) 5
4 __________ __________
f) 3
8 __________ __________

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CAPÍTULO VIII
ANDAMENTO

O andamento é a indicação da velocidade em que uma peça musical deve ser executada. Pode ser
indicado de duas formas:
a) por palavras italianas
b) por sinais metronômicos
As palavras têm a seu favor a tradição, enquanto que o metrônomo tem a precisão.
O andamento é indicado no início da peça (ou trecho musical) sobre o pentagrama.

1. Indicação por meio de palavras


No início do século XVII os compositores italianos começaram a indicar os andamentos por palavras
italianas de instrução de andamento, algumas das quais podem também sugerir a atmosfera emocional em
que a peça deve ser executada. Os termos italianos usados para indicar aproximadamente os andamentos
dividem-se em três grupos:

Andamentos lentos:
• Lentissimo, Adagissimo, Larghissimo: o mais devagar possível
• Grave: muito devagar, sério, pesado
• Lento: lento, devagar, lentamente
• Largo: largo, lento, muito vagaroso
• Larghetto: menos lento e majestoso do que o largo
• Adagio: vagaroso, calmamente
• Adagietto: menos lento ou mais leve em seu estilo do que o adagio

Andamentos médios:
• Andante moderato: andamento pausado como de quem anda um pouco lentamente
• Andante: moderadamente lento, andamento pausado como de quem anda normalmente
• Andantino: um pouco mais rápido ou mais alegre do que o andante
• Moderato: moderado, contido
• Allegretto: menos rápido do que o allegro; o termo geralmente implica uma certa leveza

Andamentos rápidos:
• Allegro: alegre, depressa, rápido
• Vivace: vivaz, muito animado, cheio de vida
• Vivacissimo: mais rápido do que o vivace
• Allegrissimo: entre o vivacissimo e o presto
• Presto: rápido, muito depressa, veloz
• Prestissimo: rapidíssimo, o mais depressa possível

Esses andamentos podem ser graduados por qualquer um dos seguintes termos:
• abbastanza: bastante
• assai: muito
• con moto: com movimento
• ma non troppo: mas não muito
• meno: menos
• molto: muito
• molto più: muito mais
• mosso: movimentado
• non tanto: não tanto
• più: mais
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• poco a poco: pouco a pouco


• poco meno: um pouco menos
• poco più: um pouco mais
• poco: pouco
• quasi: quase
• sempre: sempre
• troppo: muito
Exemplos: Allegretto assai, Allegro non tropo, Andante con moto, Andante meno mosso, Andante
quasi lento, Andantino quasi allegretto, etc.

Aos andamentos costumam se juntar palavras que exprimem o caráter da música. Eis alguns
exemplos:
• affettuoso: afetuoso, terno, meigo
• agitato: agitado
• animato: animado
• appassionato: apaixonado
• brillante: brilhante
• calmo: com calma
• cantabile: cantando
• comodo: cômodo
• con anima: com alma, com disposição
• con brio: com brilho, com entusiasmo
• con fuoco: com fogo, com intensidade
• con spirito: com finura
• deciso: decidido, firmemente
• dolce: docemente, doce
• dolente: doloroso
• giocoso: jocoso, brincando, alegre
• giùsto: justo, exato
• maestoso: majestoso
• marcato: marcado
• marziale: marcial
• religioso: religioso
• risoluto: resoluto
• scherzando: brincando
• sostenuto: sustentado
• tranquillo: tranquilo
Exemplos: Allegretto scherzando, Allegro con brio, Andantino affettuoso, etc.

Alguns compositores em vez de empregar termos italianos para indicar os andamentos, empregam
expressões em sua própria língua. Porém, os termos italianos têm a grande vantagem de ser universalmente
conhecidos.

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2. Indicação por sinais metronômicos

O metrônomo é um aparelho de relojoaria que, colocado dentro de uma caixa de madeira (ou
plástico) aciona um pêndulo.
O metrônomo foi inventado por Dietrich Nikolaus Winkel (1777-1826), um relojoeiro de Amsterdã,
em 1812. Johann Nepomuk Mälzel (1772-1838) copiou muitas das ideias de Winkel e recebeu a patente pelo
metrônomo portátil em 1816. Ludwig van Beethoven (1770-1826) foi o primeiro compositor a indicar marcas
de metrônomo nas suas partituras em 1817.

Atualmente existem metrônomos eletrônicos e aplicativos para smartphone que tem a mesma
função do metrônomo de Mälzel.

O metrônomo serve para determinar o andamento, marcando regularmente a duração dos tempos.
A cada batida do metrônomo se faz corresponder, geralmente, um tempo do compasso. Por exemplo:
 = 100 (o metrônomo vai bater cem vezes por minuto).
A indicação metronômica é colocada ao lado do andamento ou isoladamente, ou seja, no início da
peça ou no decorrer dela. Exemplos:

A indicação metronômica sempre se refere a “tantas batidas por minuto”. Assim, no primeiro
exemplo, a velocidade da música é de 126 semínimas por minuto, isto é, o pêndulo dará 126 batidas por
minuto, a cada batida do pêndulo, corresponderá uma semínima.
Às vezes, o compositor não quer fixar com rigidez o andamento, preferindo deixar ao intérprete uma
certa margem de escolha. Neste caso, a indicação metronômica é feita da seguinte maneira:

Allegro moderato  = 104-112 (entre 104 e 112 semínimas por minuto)

Allegro moderato  ± 108 (mais ou menos 108 semínimas por minuto)

A indicação metronômica pode ser designada para qualquer figura (simples ou pontuada). Exemplos:
 = 120

 = 96

. = 54

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3. Comparação da indicação por palavras e indicação metronômica


Expressões italianas Indicações metronômicas
Larghissimo 10-19
Grave 20-40
Lento 41-45
Largo 46-50
Larghetto 51-55
Adagio 56-65
Adagietto 66-69
Andante moderato 70-72
Andante 73-77
Andantino 78-83
Moderato 84-97
Allegretto 98-109
Allegro 110-132
Vivace 133-140
Vivacissimo 141-150
Allegrissimo 151-167
Presto 168-177
Prestissimo 178-208

4. Modificação dos andamentos


O andamento pode sofrer modificações no decorrer da música, que são indicadas pelas seguintes
palavras:

Diminuição da velocidade
• allargando (allarg.): alargando, reduzindo gradualmente a velocidade.
• rallentando (rall.): reduzindo a velocidade, tornando-se mais lento.
• ritardando (ritard., rit.): retardando, tornando-se mais lento
• ritenuto (riten., rit.): retido, detido, indicação de uma diminuição de velocidade mais súbita e
mais radical do que o que fica implícito em rallentando e ritardando.
• meno mosso (menos movimentado), calando, morendo.

Aumento da velocidade
• accelerando (accel.): acelerando a velocidade.
• affrettando (affret.): apressando a velocidade.
• animando (anim.): dando mais vigor (anima = alma) à velocidade
• stretto: estreito, mais rápido.
• stringendo (string.): espremendo, uma indicação para se executar com mais tensão, e, portanto,
mais rápido.

Uma suspensão da regularidade do andamento, ou seja, um trecho que pode ser realizado à vontade
do executante pode ser indicado pelos seguintes termos:
• ad libitum (ad lib.)
• a piacere
• senza tempo
• senza rigore
• rubato

Após qualquer indicação parcial do andamento, indica-se a volta à velocidade primitiva por uma
destas expressões:
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• a tempo
• in tempo
• Iº tempo ou 1º tempo
• tempo Iº ou tempo I
• tempo primo

5. Distinção entre compasso, andamento e ritmo


Não se confundam compasso, andamento e ritmo: os três existem ao mesmo tempo na música, mas
são diferentes um do outro.
Compasso: é a divisão da música em pequenas partes de duração igual ou variável.
Andamento: é a velocidade da música.
Ritmo: é a maneira como se sucedem os valores na música.

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CAPÍTULO IX
DINÂMICA

Dinâmica é a arte de graduar a intensidade sonora na execução musical. Os diferentes graus de


intensidade são indicados por palavras e sinais apropriados.
A intensidade do som depende da força do impulso que provoca a vibração, da amplitude das
vibrações e do ambiente em que o som é produzido.
As instruções de dinâmica surgiram na música para alaúde já no séc. XVI, mas foram raras até o séc.
XVII, quando as indicações piano (fraco) e forte (forte) entraram em uso corrente. Apesar dos sinais de
dinâmicas só serem encontrados a partir do séc. XVIII, tais efeitos já eram conhecidos anteriormente e
representados por uma série de símbolos. Em grande parte da música barroca, a estrutura e a disposição dos
instrumentos permitem inferir os diferentes planos do volume sonoro.
As graduações de intensidade do som são indicadas geralmente por abreviaturas de termos italianos,
colocados sob a pauta. Vigoram no respectivo trecho até aparecer um novo sinal que lhe elimine o efeito. Se
o espaço sob o pentagrama estiver preenchido com outra informação (por exemplo, os textos das músicas
vocais), a dinâmica pode ser anotada em cima da pauta.
A escala crescente das graduações de intensidade é a seguinte:

 pianississimo (extremamente suave, extremamente sereno)

 pianissimo (muito suave, muito sereno, com volume sonoro muito reduzido)

 piano (suave, sereno, com pouco volume)

 mezzo piano (meio suave)

 mezzo forte (meio forte)

 forte (forte, vigoroso)

 fortissimo (muito forte, muito vigoroso)

 fortississimo (extremamente forte, extremamente vigoroso)

Às abreviaturas se juntam, às vezes, expressões como estas:


• meno: menos
• molto: muito
• non: não
• più: mais
• poco: pouco
• quasi: quase
• sempre: sempre
• subito: súbito, de repente, sem preparação

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São utilizadas também as expressões:


• mezza voce (m. v.): meia voz, isto é, uma emissão contida
• sottovoce (s. v.): a voz baixa, sem ênfase

Um trecho musical pode sofrer um aumento ou diminuição gradual de intensidade, que são indicados
pelos seguintes termos ou sinais:

Termos:
a) Indicativos de aumento de intensidade
• aumentando (aum.): aumento gradual da intensidade
• crescendo (cresc.): aumento gradual da intensidade
• rinforzando (rinf., rf.): reforçando a intensidade mais bruscamente que o crescendo

b) Indicativos de diminuição de intensidade


• decrescendo (decresc.): diminuição gradual da intensidade
• diminuendo (dimin.): diminuição gradual da intensidade

Sinais:
a) Indicativo de aumento de intensidade

b) Indicativo de diminuição de intensidade

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