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Resenha Crítica do filme Ponto de Mutação, baseado nos textos do prefácio, do

livro Ponto de Mutação, e a “Física moderna: um caminho com um coração?” e do


livro O Tao da Física, ambos de Fritjof Capra. Cannes Home Vídeo. Diretor Bernt
Capra. Ano 1992. Duração 126 minutos.

O filme “O Ponto de Mutação”, é uma produção americana surgida nos 90, que
apresenta temas que envolvem a Ecologia, Política, Filosofia. Trata-se de um instigante
que pode contribuir com o entendimento do que seja um pensamento multifacetado do
mundo. O enredo é simples, mas bem elaborado, que envolve: uma cientista que vê seus
ideais traídos e desencantada com o projeto Guerra nas Estrelas, um candidato à
presidência dos Estados Unidos e um dramaturgo em crise se encontram em um castelo
medieval de Mont Saint Michel, no litoral da França. Em um único dia, os três invocam
Descartes, Einstein, ecologia, política, física quântica, poesia e tecnologia para
compreenderem os paradigmas do futuro.

O filme apresenta ao espectador a possibilidade de questionar a base do sistema


em que vivemos, gerando, portanto, uma nova percepção da raça humana sobre sua
história, seja a que passou ou que ainda está para ser escrita. Com seus diálogos bem
engendrados, os três personagens nos fazem alcançar uma nova visão de mundo, a qual
estabelece relação de tudo com tudo. Esse novo paradigma bate à porta da própria
condição humana atual, por meio dos processos de convivência e interação.

Os diálogos, presentes durante todo o filme, faz com que o espectador reavalie a
forma com que toda a história do homem está assentada, e aponta à necessidade de uma
nova forma de encarar e realidade, neste caso o surgimento do novo século influência na
temática do filme. São abertas discursões para temas como ecologia e a possibilidade de
uma nova forma estrutura da sociedade. Temos por exemplo, a explicação da base do
nosso pensamento, de base cartesiana utilizando a metáfora do relógio. Percebemos que
enquanto a ciência evolui, sendo isso demostrado pela personagem da física, a política
está atrasada pois se base nesse ideal cartesiano.

De forma geral o filme propõe que é mais correto se falar em eventos e inter-
relações como a descrição da realidade do que dizer que determinadas partes atuam de
tal ou tal forma para definir o todo. Esta é exatamente a mesma ideia da Ecologia:
somos frutos em interação do ambiente natural, e não independentes dele. O
pensamento voltado aos processos e não as estruturas, nos dá a ferramenta essencial
para poder entender o princípio, os porquês e o caminho possível para esta evolução,
conseguindo assim delinear a tênue e interlaçada margem entre o pensamento clássico
cartesiano e o sistêmico totalmente integrativo, plotando o objetivo mestre das
sociedades modernas, das mentes que buscam a perpetuidade no futuro: o
desenvolvimento sustentável e a busca do equilíbrio.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CAPRA, F. Prefácio. In: CAPRA, F. O ponto de Mutação. A ciência, a Sociedade e a


Cultura. [S.l.]: Cultrix, 2001. p. 13-27.

CAPRA, F. A física moderna: um caminho com um coração? In: CAPRA, F. O Tao da


Física. [S.l.]: Pensamento, p. 21-27.

FERNANDES, C. C. Resenha do Filme "Ponto de Mutação". Overmundo, 2011.


Disponivel em: <http://www.overmundo.com.br/banco/resenha-do-filme-o-ponto-de-
mutacao>. Acesso em: Julho 23 2012.