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Página e quadrinho da Secção “A GAVETA DO DIABO”

Desenho Leovigildo Filgueras

“Histórias aos quadradinhos” “Bande Dessinée”,


“Litérature Graphique”,“Fumetti”, “Historietas”, “Comics”
“Sequencial art”, Tantas denominações, tantos conceitos. No Brasil,
temos a mais sonora, mais bonita, mais sintética:

“Gibis”
IMAGEM e PALAVRA
sempre
trabalharam juntas – e não é o caso aqui Nem mesmo podemos nos lançar, aqui,
de nos dedicarmos a essa demonstração. a historiar, sumariamente que seja, a
Basta-nos limitar: os quadrinhos modernos, produção brasileira que vem de Agostini
tal como os entendemos hoje, nascem até a contemporaneidade. É história que,
da associação de palavras e imagens, tendo lá seus bons momentos, seus bons “GALERIA ILUSTRADA”, 20/12/1888
contando uma história, com o objetivo autores e suas boas revistas, fica muito Reedição Facsimilar da Secretaria de Estado
de ser impressa. O primeiro a fazer além dos nossos presentes objetivos. da Cultura e do Esporte de 1979
quadrinhos modernos é o alemão Wilhelm
Busch (1832/1908), aí por mil oitocentos
e sessenta e poucos. Poucos anos depois, o
Para os modestos fins do presente
italiano Ângelo Agostini (?/1910) coloca o O tom é anti-germânico, mas são os
trabalho, consideraremos algumas formas Em 1935, o pequeno álbum “Die Streiche des
Brasil entre os pioneiros do gibi, com “Nhô alemães que, empresários em vários
– charge, cartum, caricatura, desenho Alten Herrn”, de Fritz Winters, é publicado
Quim” e “As Aventuras do Zé Caipora”. setores – como a construção e as
de humor – como adjacentes e até pela tipografia de João Haupt. Em data que
Mas é certo que existam produções indústrias gráficas – vão produzir
mesmo confundíveis com as histórias em desconhecemos mas que, pelo padrão gráfico
contemporâneas em países europeus. marcas do pioneirismo da cidade no
quadrinhos. Podem e devem ser tratadas deve ser próxima, um tal Onkel Oskar
Também não convém, neste momento, que entendemos por “Gibi”: revista
como formas de expressão autônomas, publica “Fred und Fritze” pela Impressora
enveredar por essa investigação. com quadrinhos.
mas não as considerar aqui seria Paranaense de Max Schrappe. Embora a
empobrecedor. Para o caso de Curitiba, é “Original Zeichnungen” seja atribuída a Hans
trabalho já feito e bem feito. Nöbauer do Rio de Janeiro, trata-se de
iniludível cópia de Wilhelm Busch.

Enquanto essas formas são desenvolvidas, O que ousaremos tentar contar, até onde
os quadrinhos seguem em paralelo – via de tivermos apoio das nossas fontes e das
regra, quem faz uma, faz todas. nossas elocubrações, será o percurso
dos quadrinhos em Curitiba.

Nos anos da Proclamação da República, circula na cidade “A Galeria Ilustrada”.

No ambiente brasileiro, essas revistas existiam com excelente padrão


gráfico, literário, artístico – divulgando poesia, gravuras, documentação
antropológica, noticiário cultural. No caso da nossa, também uma Página do álbum “DIE STREICHE DES ALTEN HERRN”
página de quadrinhos, intitulada “A gaveta do diabo”. Mais do que Desenho de Fritz Winters – Tipografia João Haupt
anticlericalismo ao sabor positivista, parece-me ver aí uma intenção de Curitiba, 1935
crítica impiedosa. Começando já na primeira edição, os desenhos de narciso
filgueras acompanham a revista ao longo de dez números. Encontramos
particularmente interessante a edição quatro, onde o texto do terceiro
quadrinhos começa com “Cá na terra...” e a cena mostra a Igreja da Ordem
como fundo de um agito.
Antecedentes
Gibiteca de Curitiba
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A carreira iniciada em 1925 inclui poesia e crônica, e é centrada em Curitiba.
Os calungas permanecem, os temas predominantes são a política (na charge) e
a vida doméstica (nos quadrinhos). Talvez a produção mais original de Chichorro
sejam as sequencias de caricaturas de políticos, formando cordões de carnaval,
com corpos femininos – uma sua maestria. Seu poder caricatural fustiga a
atuação dos políticos, com a ajuda de versos sob os desenhos. Não é conhecida
a forma pretendida pelo autor para publicação desses desenhos, mas podem ser
O que não é de se admirar: entendidos como quadrinhos panorâmicos, em que a sequencialidade é dada pelo
os descendentes de alemães movimento e gestual dos retratados.
guardaram os “Wilhelm Busch
Album” cuidadosamente ao
longo de décadas. Ninguém
menos que Olavo Bilac traduziu Sequencia de caricaturas de Alceu Chichorro
as aventuras de Max e Moritz sem data (Publicada no Gibitiba 5 – 1978)
Página do álbum “DIE STREICHE DES ALTEN HERRN” para a Editora Melhoramentos.
Desenho de Fritz Winters – Tipografia João Haupt
Curitiba, 1935

Mas o decano do quadrinho


regional, o autor que por
mais de meio século marcou a
imprensa da cidade com seus
cartuns, charges, caricaturas e
quadrinhos, foi Alceu Chichorro.
Seus biógrafos – e mesmo seu
“roteiro biográfico”, que tudo
leva a crer seja auto-biográfico
– não estabelecem distinção
dentro de sua vasta produção.

Capas de Livros de Alceu Chichorro:

Capas do Álbum “FRED UND FRITZE”


Onkel Oskar – s/data – Impressora “MULHERES E MAIS MULHERES”
Paranaense Max Schrappe, Curitiba Curitiba, Editora Litero-Técnica, 1964
“O TANQUE DE JERUSALÉM”
Curitiba, de Plácido e Silva, 1923
Antecedentes
Gibiteca de Curitiba
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Cartaz da exposição “O CARTAZ DE QUADRINHO” – 1975
Galeria da Escola de Música e Belas Artes do Paraná
O período entre guerras se caracteriza basicamente, a nível mundial, pelo
surgimento dos super-heróis. Rapidamente, dominam o mercado norte-
americano e invadem o Brasil. Aqui são publicados em revistas de grande
tiragem com temáticas americanas – cowboys, policiais, super-heróis,
militares – e diante deles a débil produção nacional quase desaparece.

As décadas de sessenta e setenta verão


Após a Segunda Guerra, a conjuntura surgir, na Europa, produções de refinado
histórico-cultural-quadrinística ferve. gosto gráfico e literário, como Barbarella,
Os super-heróis continuam dominando na França, e Valentina na Itália. Abre-se a
o mercado, graças ao hábil mecanismo temática quadrinística até seus limites atuais.
dos syndicates, mas cresce também um
tipo de quadrinho mais inteligente, mais
crítico, mais elaborado. A produção mais Percebe-se que esse contexto – com trilha
emblemática dessa fase talvez sejam os musical dos Beatles – tem seu grande momento
Peanuts de Charles Schultz (1950). No no entorno de 1968, refluindo depois no neo-
Brasil, o Saci Pererê de Ziraldo (1960). liberalismo que corresponde à reação das
forças de inércia do capitalismo.

Nesse período, que começa, em termos gerais, de meados da década de sessenta e vai
até a de oitenta – assiste-se ao resgate do gibi. Intelectuais com o prestígio de Umberto
Eco escrevem sobre ele; instituições acima de qualquer suspeita como o Museu do Louvre
(no Brasil, o MASP) expõem os autores clássicos dos quadrinhos; a prestigiosa Graphis,
publicada na Suissa, faz duas edições sobre eles.

Mas, principalmente, gibi deixa de ser um punhado de folhas em papel barato, mal impressas,
grampeadas na lombada, com uma capa espalhafatosa. Pode ser alvo de edições com a
qualidade gráfica da Linus, da Eureka, da Il Mago (italianas), pode ser um luxo gráfico
como a antologia dos Pieds Nickelés ou as edições de Eric Losfeld (francesas) ou o sério
tratamento editorial da Nostalgia Press (americana).

No panorama brasileiro, as coisas andam devagar, mas andam. Álbuns


de uns poucos autores de prestígio, como Ziraldo; livros de história e
crítica, como o de Álvaro de Moya; edições especiais sobre quadrinhos
com as da Revista Vozes, a partir de 1969. No que continuamos pobres
é em revistas, gibis mesmo: o único clássico do período é o Grilo.

“Cá na terra” temos o trabalho de Dante Mendonça, que


coloca suas caricaturas na primeira página do jornal; o
Salão de Humor do Paiol, com a publicação do pioneiro
“Gibi é coisa séria”. A Escola de Belas Artes promove a
exposição “O cartaz de Quadrinho” em 1975, e em 1976
os tem como tema do Oitavo Encontro de Arte Moderna.

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Arquivo K.I.J.

Tira para publicação em jornal –desenho Original de Cortiano – 29 X 9 CM Nanquim sobre papel

Capa de Luis Retamozzo para


“FIQUE DOENTE, NÃO FICÇÃO”
O chargista Dante Mendonça com Edições “Diário do Paraná”
sua produção para a primeira página sem data
de jornal de Curitiba

Cartaz de lançamento do
Capa do “ÁLBUM DE FIGURINHAS E FIGURÕES” – 1989 álbum de Douglas Mayer
“O JUGO DO BICHO”, 1978

Capa do livro “GIBI É COISA SÉRIA” – Edições Paiol


(Provavelmente o primeiro no Brasil sobre o tema)

Ainda no período, haverá farto noticiário


e mesmo seções especiais nos jornais
locais; publicação de antologias de cartuns
temáticas (“Humor na Biblioteca”, “Prá
mim chega”) e autorais (Douglas Mayer,
Retamozzo, Solda, Miran). Publicações
culturais darão cobertura e espaço para
os quadrinhos: Raposa, Nicolau, Zé Blue.
Capas das Edições 1 e 2 de “ZÉ BLUE” – Junho de 1981

Antecedentes
Gibiteca de Curitiba
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Acontece ainda o importante e pouco estudado Ciclo Grafipar. A partir do final
dos anos 80, este se reveste de características inusitadas, chegando a gerar
uma “comunidade quadrinística” ao seu redor. No entanto, a documentação
está dispersa e não são conhecidas coleções significativas das revistas
publicadas. É pesquisa a ser empreendida com a seriedade que merece.

A Grafipar começou
com uma tira de divertimentos
chamada ‘Passarola‛(...) foi precursora
das revistas de bordo, a primeira lançada
pela Varig. (..) Assim a Grafipar pegou o jeito
e começou a editar outras revistas.(...) aí
ela partiu para um procedimento erótico,
tinha uma revista chamada ‘Peteca‛,
(... ) vendeu um monte.(...)

Depois dentro da
‘Personal‛ abrimos quatro páginas
para histórias em quadrinhos, nessa parte
chamamos Claudio Seto, Julio Shimamoto,
uma série de desenhistas e quadrinistas do Brasil
inteiro. (...)Essas quatro páginas deram origem a
uma revista (...) aí foi feita uma de erotismo e
terror que era a ‘Neuros‛. A partir dessa revista
vieram outras que agora não lembro o nome. (...)
Fizeram história no mundo todo, começaram
com edições pequenas e imediatamente
passaram a cem mil exemplares, que
na época era um monte.

RETAMOZZO

FABRIZIO

G randes nomes que participaram da


Grafipar, viraram professores da Gibiteca
de Curitiba. O Seto é um deles, o Paulo
Neri... e tem mais. (...) A Grafipar foi
extinta em 84, a Gibiteca nasceu em
82. Então a gente pode falar com muita
certeza que elas foram contemporâneas “SEXY COMICS”: A Grafipar tenta desembarcar na terra dos Syndicates...
(...) Uma estava morrendo, que era a
Grafipar, dando seus últimos suspiros, e
a Gibiteca estava nascendo. Eu considero Começam, ainda nesse período, a surgir edições antológicas autorais
uma continuação lógica da outra. A gente e retrospectivas, mas até hoje muito escassas.
vê elas como um todo.
Nesse período, o quadrinho brasileiro se refugiou em alguns nichos
de produção que, diante do mercado potencial, são mínimos.

Antecedentes
Gibiteca de Curitiba
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Os Gibizinhos infantis, que Maurício de Souza irá ocupar quase
sozinho, ea que até então eram uma exclusividade do grupo Disney;

A temática dita “de terror”, de origem americana, e que


permite a algumas pequenas editoras brasileiras consagrar
toda uma geração de bons autores. Sobrevivendo por poucos
anos, Edrel, Taika, Sanpa e outras se manterão por curtos
períodos à custa de vampiros, lobisomens e serial killers;

Nas águas turvas da ditadura navegam alguns gibis, mas


principalmente, cartuns de humor. Em suas mil edições,
o “Pasquim” dá origem a muitos seguidores e imitadores,
mas naufraga com as mudanças políticas no país.

Cabe aqui citar Ruth Escobar que,


após apresentação de peça baseada
nos quadrinhos de Henfil, no Teatro
do Sesi de Curitiba, declarou em
conversa informal: Mas a censura está longe de ser o único – ou
o mais grave – problema do gibi brasileiro:
“Só quem segura agora uma posição a má distribuição é asfixiante também.
de protesto são os cartunistas. Os
escritores estão exilados, a música
sob censura, o teatro é muito
visado também.”

FRANCISCO UTRABO,
da Itiban

E u acho que essa questão


se encontra em outro campo -
que eu entendo um pouco mais - que é a
distribuição. A gente tem um país continental,
o Brasil é imenso, então logisticamente, para se
colocar um material nos lugares...Porque somos
muito procurados por pessoas que não têm acesso a
um editor (...) vão pela parte independente mesmo,
só que cai nesse problema, ficar com um monte de
caixas de material na mão (...) Nós hoje, veja,
tantos anos depois de 75, estamos com o
mesmo problema, muito grande.

Esse panorama é desolador para quem escolheu os quadrinhos


como forma de expressão e criação.

Antecedentes
Gibiteca de Curitiba
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No começo dos anos setenta,
surge a válvula de escape: as
chamadas “revistas alternativas”,
presentes no país inteiro. Não por
acaso, a maioria surge no meio
estudantil reduzido ao silêncio.

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7
Abre-se o ciclo com a “Balão”, por estudantes
da USP, em 1972. Surgem ali autores que
adiante estarão entre os mais conhecidos
do cenário quadrinístico: Laerte, Carusos,
Angeli, Luis Gê e outros. O exemplo se
alastra, transcendendo o meio estudantil:
todas as maiores cidades brasileiras terão
suas representantes, em padrões gráficos
que variam do mimeógrafo eletrônico ao off-
set. Sendo caro – porém única tecnologia do
momento a permitir reprodução com qualidade
– o off-set exige dos editores a procura de
pequenos patrocínios, sacrifício das mesadas
e calote nas gráficas: tudo pela causa!

Com grande concentração estudantil,


Curitiba tem sua representante surgida
dentro do jornal estudantil “kaostigo” –
um dos circulando no ambiente.

1976
A “Casa de Tolerância” tira sua primeira
edição em Junho de 1976. O nome remete
um pouco à Curitiba de Dalton Trevisan, e
o editorial explica: “todo mundo sabe que
os desenhistas (de quadrinhos) nacionais
nadam em dinheiro, podemos até pagar
escola! (...) Fama e grana, lá vamos nós!” São
quatro os autores presentes nas 16 páginas
com “HQB” – evidente analogia com “MPB”,
o que dá o tom nacionalista e regionalista
que perpassaria a vida da publicação. D
CORTIANO

o meu ponto de vista, o que sempre tentamos


fazer foi mostrar o trabalho, era uma expressão
artística, (a gente) gostava de quadrinhos e queria
produzir aquilo. Por causa do que estava acontecendo, o
teor do que produzíamos era bastante político. Se você
a ler, ela tem bastante carga política, é aquela coisa de
tendência artística de acordo com o meio que o cerca,
você tenta expressar aquilo que sente e sentíamos
muito a repressão (...) tudo isso acontecendo naquele
momento, tínhamos uma certa revolta.
O segundo número, de outubro do mesmo Dois meses depois, sai a terceira
ano, demonstra crescimento em todos os edição, ainda mais crescida:
sentidos. A tiragem passa de 500 para 1500. tiragem de três mil exemplares,
Permanecem os três desenhistas do grupo capa de Bellenda, participação
inicial – Cortiano, Círico, Guinski - ingressam do programador visual Humberto
A quarta edição... bem, a quarta “Casa de Tolerância” teve sua arte-final montado (eram os
dois autores já nacionalmente consagrados – Boguszewski e nada menos de 21
tempos pré digitais...) e não foi à gráfica. Ou melhor, foi a várias, talvez numa nova tentativa
Solda e Dante - e colaboram AUTORES DAS artistas, elencados na contra-
de calote, como a anterior. Tinha até cartaz impresso em serigrafia, pronto. Mas um dia foi
ÁREAS DE ARQUITETURA, ARTE E DESIGN capa. O programa continua sendo
a alguma gráfica e não voltou mais prá casa... Foi resgatada apenas a capa de José Humberto
– Key, Rosário e Marcos Bento. A proposta “cuadrim cartum e texto” – este
Boguszewski, entre os trabalhos de mais de quarenta autores...
conceitual também se amplia: “cartum, conto considerado importante para que a
e cuadrim”. Participam ainda Karam, beneta e leitura não fosse muito rápida e a
bonson, este de santa Catarina. revista, considerada descartável.

CASA DE TOLERÂNCIA
Gibiteca de Curitiba
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Capas para a “CASA DE TOLERÂNCIA”

Edições 1 e 2 : Cortiano

CASA DE TOLERÂNCIA
Gibiteca de Curitiba
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Edição 4: Humberto Boguszewski
Desenho original , não publicada (Março de 1977)

Edição 3 : Luis Cesar Bellenda

Nanquim sobre papel – a4 – Arquivo K.I.J.

CASA DE TOLERÂNCIA
Gibiteca de Curitiba
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Então começa assim a idéia:

Os dois primeiros Um espaço público – vinculado, evidentemente,


“artes” eram simples e o Cortiano à Fundação Cultural de Curitiba – que pudesse
fez em casa. A terceira e a quarta, polarizar encontros de quadrinistas. Que

Aqui começa
mais complexas, foram feitas tivesse lugar não apenas para montar revistas
em escritório de arquitetura (e mais tarde, os fanzines) quando isso fosse
emprestado, em horários noturnos, necessário, mas também para oficinas, de
com compreensível desconforto modo que autores já afirmados transmitissem
– cartunistas e quadrinistas são seu conhecimento profissional e artístico aos
gente alegre e rumorosa - dos iniciantes. Fazer exposições de autores e
moradores do andar de cima do lançamentos de revistas – nessa época, eram
sobrado. feitos na Casa Romário Martins. Manter um
acervo atualizado para leitura, de modo que
nem todos os artistas precisassem adquirir
todos os gibis.

Portanto, a instituição trabalharia em dois sentidos:

PRIMEIRO, favorecendo novos autores SEGUNDO, educando um público


no preparo para ingressar num mercado para ser crítico em relação à
de domínio restrito, praticamente compra e leitura dos gibis.
exclusivo de empresas multinacionais;

a história da Esses dois trabalhos, esperava-se,


produziria um outro efeito: o de
motivar editores a romper com o
A questão do nome foi menos
confortável e barato esquema dos

G
fácil do que parece. Já se usava
Syndicates e investir em novas
“gibiteca” para coleções de gibis, em
opções para oferecer aos leitores.
evidente analogia com “biblioteca” e
“discoteca” – essa ainda não era uma
denominação comum para lugares de
dançar no sábado à noite. Tinha o
inconveniente de se reportar apenas
ao acervo de revistas, o que não era
Por outro lado, a palavrinha tinha a preocupação principal.
uma conotação negativa: a maioria
das pessoas preferia “Histórias
em Quadrinhos”, abreviada
eventualmente em “HQ”. Mas eu

IBITECA
pensava que a instituição que tinha
em mente deveria também ter um Assim, a simpatia e simplicidade do
boletim de estudos, como a Phenix neologismo “Gibi”, nome de uma das
da Socerlid e a Giff-wiff da Celeg, mais tradicionais e longevas revistas
ambas associações francesas para brasileiras de quadrinhos e de certa
estudo e publicação de quadrinhos forma já assimilada na imprensa,
de
Curitiba
clássicos. Na Itália surgiu, quase ao acabou se mostrando a mais adequada.
mesmo tempo, a Anaf, que publicou E o binômio “Gibiteca/Gibitiba” começa
“Il Fumetto” com a mesma proposta. em paralelo à Casa de Tolerância.

GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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...
(a Gibiteca) foi
criada pela Fundação OTÁVIO DUARTE
Cultural. Foi criada pelo Jaime
Lerner, na época (a FCC) era dirigida
pela Lucia Camargo (...) Ele (Jaime
Lerner) veio com um conceito que ninguém
Cartazes de lançamento do GIBITIBA 1 sabia o que era, o do lazer. Não havia O povo
Outubro de 1976 espaços para o lazer, ele tinha que explicar sabe que a cidade é
o que era lazer. Por quê a calçada tinha a sua arte, o povo sabe disso.
que ser aproveitada, porque os bares A cidade existe enquanto tem
O modesto boletim – que conheceria
tinham que colocar mesas na rua e produção de cultura. Sem isso não
quinze edições – começa junto com
porque os parques para as pessoas tem história, memória, reflexão,
a “Casa de Tolerância”. A primeira
passarem horas com a família. fantasia, não tem nada.”
edição não vai além de assinalar os
(...)
nomes dos vinte autores produzindo
na cidade , ainda que a nível
amadorístico. As duas publicações
são lançadas juntas na Casa Romário
Martins. Essa é a marca que data a Entendo que foi graças ao Aramis
idéia da Gibiteca: setembro de 1976. Milarch que, em 1980, o prefeito
Era o período das grandes obras desse
chamou dois arquitetos absolutamente
prefeito, que se tornaram emblemáticas
fanáticos por gibi – Domingos “Ópera
e a Gibiteca poderia perfeitamente ter
de Arame/Unilivre” Bongestabs e
sido não mais uma – mas a principal delas.
eu para projetar uma Gibiteca para
No entanto, eis que se abate sobre o
a cidade. O projeto, pensado para o
País uma dessas crises do capitalismo,
Muita gente foi azucrinada com local onde é hoje a Rua 24 horas, se
nas quais todo mundo finge acreditar
isso – todos achavam que “era uma construído, marcaria para sempre a
Formato A4 – Desenhos de Cristina e Cortiano mas sabe que, na essência, são manobras
boa”, mas pouco provável: “ah, cidade, transformando-a no centro
do próprio capitalismo. E o projeto foi
vê se os caras vão investir em planetário do gibi.
para a gaveta, de onde nunca mais saiu...
gibi!” Quem não só gostou mas até
acreditou na idéia foi o jornalista
Aramis Millarch, ele mesmo leitor
e colecionador d gibis. Desde que a
Fundação Cultural não era mais que
uma salinha no subsolo do Palácio Rio Cartão postal convite para a inauguração da
Gibiteca de Curitiba, na Galeria Schaffer
Branco, foi das principais figuras da 16 de outubro de 1982
instituição, entusiasta agitador do
Teatro Paiol. E foi ele quem, não sei
por qual mecanismo, levou a idéia ao
prefeito Jaime Lerner.

Aqui deve-se abrir um parênteses


conceitual: o presente texto
tem caráter depoimental, e é
articulado pela história cultural.
Numa perspectiva administrativa,
haveria que considerar questões
relacionadas com as políticas
vigentes na cidade – o que
No entanto, a idéia da instituição em si, sobreviveu. E na tarde
resultaria, sem dúvida, numa
do dia 16 de outubro de 1982, numa pequena sala da então
narrativa bem diferente.
prestigiosa Galeria Shaffer, inaugura-se a Gibiteca de Curitiba.

GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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Essa inauguração foi precedida
por uma viagem da coordenadora
Lula Darcanchy, que visitou as
principais editoras de gibis do
momento, para iniciar o acervo.
A maior doação, que viabilizou o
início da atuação, foi de Adolfo
Aizem, da Ebal. Houve também
doações de outras editoras e
de colecionadores da cidade.

Fotografias das instalações da Gibiteca de Curitibaquando Coube a Marcia Squiba, coordenadora interina e depois
da inauguração, na Galeria Schaffer, em 1982
efetiva, consolidar o conceito original da Gibiteca e
afirmá-la no cenário brasileiro. A intensa programação
de oficinas, cursos, exposições, a formação de grupos de
criação – como o “Boca Maldita Comics”- logo tornaram
Um dos coordenadores seguintes o espaço da Schaffer insuficiente para tanta atividade.
foi Edson Bueno. Ele iniciou a Usou-se então a oportunidade da mudança para a Casa
utilização dos painéis previstos no da Baronesa – no complexo cultural “Solar do Barão” –
projeto para exposições de autores para um grande evento, o “Festival do Gibi”. Começava a
em Xerox ampliados e recortes de melhor fase da Gibiteca de Curitiba.
revistas, como foi o caso do “Amigo
da Onça” de Péricles.

Fotos: K.I.J

E u fui prá casa e tive uma idéia ingênua,


bobinha, inocente. Mas para aquela época,
por incrível que pareça, começou a aparecer
a ampliação Xerox, não existia computador.
Comecei a pensar que, se eu conseguisse EDSON BUENO
destacar os grandes autores e quadrinhos,
ampliar em um tamanho bem bacana e fizesse
exposições mensais (...) Pegava um Gibi e
ampliava em tamanho bem grande, o que era
novidade na época. Expor os quadrinhos com
legendas e programas (...)

Isso talvez desse à Gibiteca uma aparência


de local de cultura importante. Todo
mês inventávamos uma exposição (...) e
era simples, eu escolhia os quadrinhos,
criava a legenda e expunha, isso acabou
dando na cidade uma repercussão muito
boa (...)deu um outro ar para a Gibiteca
e me instigou a pesquisar mais sobre
quadrinhos, buscar mais informações.
Grupo “BOCA MALDITA COMICS” na Gibiteca da Schaffer, 1988
Foto K.I.J. GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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Em 10 de junho de 1989, dezenas de
atrações – lançamentos de publicações,
palestras, apresentação de vídeos, Eu comecei a convidar MARCIA SQUIBA

entrega de homenagens, sessões de bandas para tocar na


autógrafos trouxeram milhares de abertura das exposições
pessoas ao Solar do Barão. (...) E as bandas vinham
tocar, tudo de graça, então
...uma das coisas da Gibiteca... não é só
lotava o pátio. (...) Tinha o
ler. Nessa efervescência que teve, vinham
pessoal que vinha para ver
crianças, adolescentes e adultos, muitas
a banda e acabava vendo a
pessoas aprenderam a desenhar, ou a fazer
exposição, e tinha pessoal
roteiros. Muita gente que hoje trabalha em
que vinha ver a exposição e
jornais, TV, ou tem seu próprio estúdio de
acabava vendo a banda.
desenho. (...) Vinha muita criança que não
tinha como pagar... era só dizer “não posso
Desenho de Guinski para o
cartaz e o convite do pagar”, pronto, não precisava. Esse espaço
“FESTIVAL DO GIBI”- 1989 para a criança vir aprender a ler (...) o
pessoal vinha passar sábados inteiros aqui,
ficavam jogando RPG, ficavam lendo. Ao invés
de estar na rua fazendo sei lá o quê, eles
estavam aqui.

Cartaz da Exposição
“OLHA AQUI” dos Cartunistas da
Revista “Guambia” de Montevideo 1987
O currículo oficial mostra, nos primeiros 22 anos, 135 exposições
- muitas com lançamento de publicações – individuais, coletivas,
temáticas, mostras históricas: tudo o que existia para ser feito.

Oficinas, impossível de contabilizar. Tornaram-se uma atividade


permanente os cursos de motivação, iniciação e aperfeiçoamento
na preparação de autores. Para os Workshops, vieram alguns dos
Desenho de Marina Willer, em 1993
maiores figurões do quadrinho nacional.
para“Bottom” da MOSTRA DA BIENAL
DE HQ do Rio de Janeiro - 1993

“GIBIFÓLIO” – Álbum de serigrafias


14 pranchas – 47 X 31 CM – 1989 FULVIO PACHECO

O próprio espaço da Gibiteca. Sábado se você passa na Gibiteca, é


entupido de gente, em curso... um atrás do outro. Tem um pessoal que joga
RPG. ... Se tivesse mais salas nós teríamos mais turmas. Nós só temos uma
turma por dia porque só temos uma sala. Se tivéssemos um espaço com três
É preciso esclarecer que essa salas, teríamos várias turmas de quadrinhos. A turma de quadrinhos desse
mudança fazia parte de uma idéia ano fechou com o máximo que deu e várias pessoas tivemos que mandar prá
anterior: ter nesse complexo casa, porque não tinha (vagas).
um “Museu Nacional das Artes
Gráficas”, assimilando a Gibiteca,
o Museu do Cartaz, a Casa da
Gravura e outras.
O acervo superou rapidamente a marca das vinte mil publicações
disponíveis para leitura e consulta.

GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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PÚBLICO NAS PROMOÇÕES DA GIBITECA

Oficinas durante os 15 anos da Gibiteca


Palestrante: Eli Leon, da Editora Abril

Foto Marcia Squiba

A Gibiteca me proporcionou ao mesmo tempo descobertas e


redescobertas, fui encontrando ao longo dos anos. Toda vez que
vou lá, sempre mexo nas prateleiras e puxo alguma coisa, nunca
vou procurar especificamente algo (tipo) “eu preciso ler isso”, eu
quero tentar descobrir algo. Numa dessas acabei descobrindo esta
revista entre outras coisas que eu não imaginava que existissem.
(...) Quando comecei a frequentar a Gibiteca ela recebia revistas
que eram caras prá mim, conseguia ter acesso lá. (...) Isso me
mantinha atualizado como leitor, eu fazia esse intercâmbio com
meus colegas de oficina... (...) Estava começando a descobrir este
acervo de autores que o Brasil tem,frequentando a Gibiteca, com
meus colegas de oficina e encontrando com essas pessoas...

Revista Positivo – 15 de setembro de 1994

JOSÉ AGUIAR

GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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Os grandes festivais e encontros foram
muitos, dos quais o coroamento é o Gibicon.
Mas houve o Festival do Gibi já mencionado,
a Mostra da Bienal de HQ, os cinco Festivais
Internacionais de Fanzines, os encontros
de RPG, do grupo Star Trek, da Magipar
(Associação Paranaense de Mágicos) e outras
comunidades adjacentes ou simpatizantes.

Aspectos parciais do acervo da Gibiteca na Casa da Baronesa


Fotos K.I.J. – 1989

Capa com ilustração de Flavio Colin


para o “MANUAL DO LEITOR DE
GIBI”, publicado pela Gibiteca - 1986

Capa da Revista “METAL PESADO” – 1997


Edição Especial comemorativa dos 15
anos da Gibiteca de Curitiba

Cartaz comemorativo da mostra em homenagem


Ao “YELLOW KID” - Desenho de Tako, 1997

Aspecto de oficina de desenho da figura humana


Prof.Paulo Neri – 1996 - Foto K.I.J.

GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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KID” – K Cartaz e aspectos da Exposição “CEM CORAÇÕES”
Curitiba em 1996 - Fotos K.I.J. GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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ALGUNS ÁLBUNS DE AUTORES CURITIBANOS Não tentaremos, aqui, uma leitura temática
dos quadrinhos produzidos em Curitiba,
independente ou não da Gibiteca. Mas percebe-
se facilmente que, embora os autores trabalhem
temáticas universais, com frequência imprimem
em suas histórias as marcas de sua aldeia.

Recebemos três prêmios nacionais:


em 1991 e 1997, o “HQ MIX”, em
2001 o “ANGELO AGOSTINI”.

Nada disso impediu que, nos anos noventa, a


Gibiteca fosse comprimida na garagem do
Solar do Barão e se visse na iminência de ser
fechada. A disputa por espaço com o Museu
da Fotografia tirou-a do espaço que ocupava
– e ocupava bem, em tempo integral – por
uma instituição que mantém vazia a Casa da
Baronesa. Contra os rumores de fechamento,
reuniram-se todos os interessados, a imprensa
e o público em geral.
Folha de rosto do álbum de Fúlvio Pacheco
“FANTASIAS URBANAS” – Curitiba, Orbital, 2003

ANTOLOGIA DE CARTUNS de Solda e


cartaz Curitiba, 2004

“HUMOR NA BIBLIOTECA” “FOLHETEEN”


Rio de Janeiro, Codecri, 1980 de José Aguiar
São Paulo, Devir, 2007 A crise, aparentemente, foi exorcizada – mas a
“PRÁ MIM CHEGA” volta ao seu lugar de direito, como prometido,
Curitiba, Beija-flor, 1979 “O GRALHA” ainda não aconteceu.
Antologia de autores curitibanos
“BRICHOS”, São Paulo, Via Lettera, 2001
de Antonio Eder
Curitiba, Paulo Munhoz, 2000 “BIFE SUJO & CIA”,
de Neri e Werneck, 1986
GÊNESE E ÊXODO
Gibiteca de Curitiba
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A No entanto , apesar de algumas melhoras na manutenção, o local
é escassamente adequado e não tem uma personalidade arquitetônica
marcante – como a instituição merece.

INSTALAÇÃO na “Galeria Schaffer” não tinha


caráter provisório explícito. Era
obra “fim de gestão” do prefeito

da Jaime Lerner. Tendo desistido do

Gibiteca
projeto grandioso de Domingos
Bongestabs, a idéia era instalar Em proposta feita em 2008 pela então
a Gibiteca para que sobrevivesse Fato que não passou despercebido formanda Cintia Negrão Nogueira, a
ou morresse. ao estudante de arquitetura Eder Gibiteca volta a ser estudada e a ter
Luciano Mochi, que em 2001propõe, em uma proposta espacial convincente.
seu trabalho de conclusão de curso, Localizada na Praça João Cândido,
uma sede monumental, usando vazios mostruário quase completo das
urbanos na quadra da Igreja da Ordem. arquiteturas feitas na cidade, não há
Assimilando outros espaços culturais um bom prédio modernista. O terreno
No final dos anos setenta, quando ainda estava no ar a Casa de Tolerância, existentes no local, o projeto se de uma sociedade, sem valor como
ferviam os gibis da Grafipar. Havia um terreno que, não sei de onde, era pensado para ser enquadra mais na idéia de Midiateca, patrimônio cultural, subutilizado e
uma gibiteca: na Rua Cruz Machado, onde está a Fonte de Belarmino & Gabriela. Havia um extrapolando a gibiteca em si. rejeitado pelos moradores, poderia
desenho-cartum de Abrão Assad sugerindo uma construção em forma de revistas. Com a comportar uma proposta definitiva para
proposta do Gibitiba, eu fizera também um projeto-cartum para o mesmo local, em forma de a Gibiteca, na proximidade de outros
tira diária de quadrinhos. equipamentos culturais da cidade.

A coisa começa a ficar séria quando


Aramis Milarch leva a idéia ao
A “instalação possível na Schaffer” foi
O
prefeito, e este encomenda o grande
uma ação adequada e permitiu que, graças
projeto. Como já assinalamos, uma que é uma Gibiteca, é um lugar onde só tem gibi?
à hábil condução, a Gibiteca encontre seus
das periódicas “crises econômicas” Não, é um lugar que tem gibi, em que você consulta
verdadeiros caminhos se afirme e cresça.
do país encaminha o projeto para as um acervo raro, pesquisa sobre um tema, lugar que
gavetas municipais. Reconheçamos: tem oficinas, você pode aprender a desenhar, fazer
seria no mínimo complicado, seu próprio gibi, fazer um fanzine... dá prá fazer um
beirando o suicídio político, investir evento ali, chamar um quadrinista. O Laerte foi na
tanto dinheiro nos gibis – ainda em Ocorre então a já citada mudança para a Casa Itiban, que ficou entulhada de gente... você poder ter
fase de afirmação mesmo dentro da Baronesa, onde a aceitação e o crescimento essa conversa gostosa sem a Itiban ficar aberta, com
da área cultural. são tão evidentes que fiz estudo para ocupar a Silva Jardim quase impedida.
outro local – ainda abandonado apesar de suas
excepcionais qualidades arquitetônicas: a
Casa Vermelha.

CINTIA NEGRÃO NOGUEIRA


Nos anos noventa, a mais ativa, mais eficiente e mais produtiva
unidade da Fundação Cultural de Curitiba é alijada de seu espaço e
instalada numa garagem, que inicialmente mal tinha condições seguras
para abrigar seu acervo e atividades.
E lá está até hoje.

A ARQUITETURA
Gibiteca de Curitiba
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A Gibiteca não tem um
espaço próprio, ela sempre foi
meio encaixada. A própria Fundação
Cultural nunca soube onde encaixar a
Gibiteca (...) nunca teve espaço fixo.

A
Fundação tem
espaço para dança,
para escultura, para gravura
(...)Porque uma exposição de
artes visuais tem vinte pessoas
em um coquetel, na Gibiteca
tem duzentas pessoas. Não
sei porque não tem essa
valorização.

FULVIO PACHECO

E spero um espaço maior,


verba para comprar livros, (fazer)
assinaturas. Vai chegar uma hora em
que isso aqui vai ficar pequeno, porque a
Gibiteca só cresce. Tem partes que não
cabe mais gibi, tem os encaixotados
porque não tem mais espaço.

MARISTELA GARCIA

A ARQUITETURA
Gibiteca de Curitiba
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1 2
Dissemos antes
que a Gibiteca deveria trabalhar em dois sentidos
FORMANDO OS LEITORES
Tornando-os mais críticos e exigentes

Nesse sentido, as numerosas exposições e, principalmente, os grandes eventos,


tem desempenhado um papel relevante. Eventos como o Festival do Gibi, a
AJUDANDO a formar autores e prestigiando sua Mostra da Bienal de HQ, as cinco edições do Festival de Fanzines fazem
produção, reforçando sua atuação e desempenho. refletir, informam, cultivam.

Dificilmente se poderá negar sua presença na “geração Um evento da magnitude da Gibicon, à altura das grandes convenções
Gibiteca”. Nenhuma outra cidade brasileira terá como as de Angoulèmme, Lucca, Napoli e outras, atesta a maioridade
produção comparável. Pelas estantes da Itiban Comic da Gibiteca como geradora e da cidade em relação à produção e
Shop já passaram, em épocas diferentes, e entre outras: consumo de literatura gráfica.

Como consequência desses dois sentidos de atuação, os


editores têm um mercado mais diversificado e mais
absorvente para suprir.
Revistas:
Dr.Clima, Manticore, Quadrinhofilia, Quadrinhópole,
Anjos de Curitiba, Zongo Comiques, e outras;
Razões de sobra para um prestigiamento mais
intenso da Gibiteca em instalações, recursos
e atenções.

Álbuns:
O Gralha, Brichos, Vigor Mortis, Folheteen, O Chalaça,
Fantasias Urbanas, 7 vidas, Ato 5, Rua!, Marcozinho,
Sedes
Dom Casmurro, Tiras de quadrinistas da Gazeta do Povo,
Contra a Bomba, Avenida, La Naturalesa e outros;

Tiras, virtuais ou publicadas:


Pryscila Vieira, Paixão, Pancho, Marchesini, Solda – das Galeria Schaffer
lembradas no momento;

Não estamos considerando aí presença dos E nem todos esses autores têm
nossos autores em antologias, edições que uma relação direta com a Gibiteca,
desconhecemos por questões de distribuição, mas fazem parte do ambiente
ou trabalhando fora da cidade. quadrinístico curitibano.

Não estamos considerando aí presença dos E nem todos esses autores têm
nossos autores em antologias, edições que uma relação direta com a Gibiteca,
desconhecemos por questões de distribuição, mas fazem parte do ambiente
ou trabalhando fora da cidade. quadrinístico curitibano.

Não estamos considerando aí presença


E nem todos esses autores têm uma relação
dos nossos autores em antologias, edições
direta com a Gibiteca, mas fazem parte do
que desconhecemos por questões de
ambiente quadrinístico curitibano. A Gibicon atesta a maioridade e maturidade Casa da Baronesa
distribuição, ou trabalhando fora da cidade. da primeira Gibiteca brasileira

da Gibiteca CONCLUSÁO
de Curitiba
Gibiteca de Curitiba
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SEDE DA GIBITECA DE CURITIBA

Projeto de Domingos Bongestabs

Sedes para a Gibiteca na Garagem do Barão


GIBITECA de
CURITIBA

Projeto de Helder Koiti Makishi

Fotos Nira Oliveira

Projeto de Cintia Negrão Nogueira


CONCLUSÁO
Gibiteca de Curitiba
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ANEXOS
Gibiteca de Curitiba
Equipe de Produção
KEY IMAGUIRE JUNIOR
Arquivos consultados
Pesquisa e Texto - Arquivo da Gibiteca de Curitiba
- Arquivo da Casa da Memória de Curitiba
- Museu do Cartaz da Fundação Cultural de Curitiba
VIDAL ANTONIO DE AZEVEDO COSTA
- “Arquivos Incríveis” de João Antonio Bührer d‛Almeida
ELIZABETE BERBERI
- Arquivo pessoal de Márcia Squiba
Historiadores - Arquivo Pessoal de Key Imaguire Junior
ANA APPEL
JAQUELINE BONATO GOMES
Auxiliares de Pesquisa

NIRA OLIVEIRA
Gravação dos Depoimentos
e Reprodução Fotográfica Referências Bibliográficas
LOGAN PORTELA Factos da actualidade; charges e caricaturas em Curitiba
Restauração de Imagens,
01 1900/1950. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, 2009.
(Boletim da Casa Romário Martins, v.33 nº142)
Artes e Projeto Gráfico
- Carneiro, Newton. As artes gráficas em Curitiba. Curitiba,
Agradecimento Edições Paiol, 1975.
NEREIDES CUSTÓDIO
- Carneiro, Newton. O Paraná e a Caricatura. Curitiba, Grafipar,
1975.

Entrevistados 02 Galeria Ilustrada; edição facsimilar.

- Aguiar, José 03 Homenagem a Alceu Chichorro. Curitiba, Casa Romário


- Aguiar, Fabrizio Martins, dez 1978 (Gibitiba 5)
- Bueno, Edson
- Cortiano, Edson José 04 GRAPHIS n.º 159 e 160 – Volume 28 – 1972/73 Zurich,
- Duarte, Otavio Switzerland.
- Utrabo, Francisco
- Garcia, Maristela
- Imaguire Junior, Key
- Squiba, Marcia
- Cortiano, Edson José Observação: mais de trinta anos depois,
- Negrão Nogueira, Cíntia a Graphis falará da Gibiteca de Curitiba...
- Pacheco, Fulvio
- Retamozzo, Luis
- Squiba, Marcia
- Utrabo, Francisco
ANEXOS
Gibiteca de Curitiba

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01 02 03 04

05 06 07 08

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01 – 1976 – Autores Curitibanos


02 – 1977 – Mostra “Arte e Pensamento Ecológico”
03 – 1977 – Primavera
04 – 1978 – Dia da Mulher
05 – 1978 – Homenagem a Alceu Chichorro
06 – 1979 – Dia da Árvore
07 – 1982 – Instalação da Gibiteca
08 – 1988 – (Sem tema) 13 14 15
09 – 1989 – Festival do Gibi
10 – 1990 – O Bat-morcego
11 – 1991 – Autores Locais: Cortiano
12 – 1991 – Autores Locais: Bife Sujo
13 – 1991 – Marco Zinho
14 – 1992 – Mostra da Bienal de HQ
15 – 1992 – Autocaricaturas (Dez Anos da Gibiteca)

ANEXOS
Gibiteca de Curitiba

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