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EXMO(A). SR(A). JUIZ(A).

FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL PREVIDENCIÁRIO DE XXXXXXXXX –


UF

XXXXXXXXXXXXXX, já cadastrada eletronicamente,


vem com o devido respeito perante Vossa Excelência por meio
de seus procuradores, propor

AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE REVISÃO DE BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO

em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), pelos


fundamentos fáticos e jurídicos que passa a expor:

1 - FATOS

A parte Autora recebe o benefício de pensão por morte nº XXX.XXX.XXX-X desde


xx/xx/xxxx.

O benefício fora concedido considerando o óbito do seu cônjuge, o Sr. XXXXXXXX, o qual
percebia a aposentadoria por tempo de contribuição nº XXX.XXX.XXX-X.

Ocorre que o benefício do de cujus havia sido pago em valor inferior ao devido (o que
acarreta em reflexo no benefício derivado – pensão por morte), de forma que deve ser revisado
para fins de recomposição dos salários-de-contribuição, mediante aplicação, no mês de
fevereiro de 1994, de correção monetária pelo índice integral do IRSM (39,67%), conforme se
demonstrará a seguir.

2 - DIREITO
2.1 – DA DECADÊNCIA
Inicialmente, imperioso destacar que não ocorreu a decadência em relação ao pedido de
revisão da renda mensal inicial do benefício de aposentadoria por tempo de contribuição pela
aplicação integral do IRSM de fevereiro/94.

Isto porque, em se tratando de pensão por morte derivada de benefício objeto da


revisão, aplica-se o princípio da actio nata, de forma que o prazo decadencial deve ser contado
da data do primeiro dia do mês seguinte ao primeiro pagamento da pensão por morte, e não do
benefício originário.

Este foi o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do
julgamento do REsp 1571465/RS:

PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. REVISÃO DE BENEFÍCIO. PENSÃO POR


MORTE. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC.
1. O recorrente sustenta que o art. 535, II, do CPC foi violado, mas deixa de
apontar, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado.
Assim, é inviável o conhecimento do Recurso Especial nesse ponto, ante o óbice
da Súmula 284/STF.
2. O início do prazo decadencial se deu após o deferimento da pensão por
morte, em decorrência do princípio da actio nata, tendo em vista que apenas
com o óbito do segurado adveio a legitimidade da parte recorrida para o
pedido de revisão, já que, por óbvio, esta não era titular do benefício
originário de seu marido, direito personalíssimo.
3. Em se tratando de benefício previdenciário, incide na hipótese de revisão do
ato de concessão/indeferimento de benefício o disposto no art. 103 da Lei
8.213/1991: "É de dez anos o prazo de decadência de todo e qualquer direito ou
ação do segurado ou beneficiário para a revisão do ato de concessão de
benefício, a contar do dia primeiro do mês seguinte ao do recebimento da
primeira prestação ou, quando for o caso, do dia em que tomar conhecimento
da decisão indeferitória definitiva no âmbito administrativo". Como a concessão
da pensão que a recorrida pretende ver recalculada se deu no dia 17.8.2008 e o
ajuizamento da ação ocorreu em 8.9.2010, não houve a decadência do direito à
revisão dos benefícios previdenciários.
4. Recurso Especial não provido.
(REsp 1571465/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
julgado em 17/03/2016, DJe 31/05/2016 - grifado)

Portanto, considerando que o benefício de pensão por morte foi concedido em


XX/XX/XXXX, não há o que se falar em decadência, em que não se decorreram mais de dez anos
desde então.

2.2 - DO MÉRITO

A partir de janeiro de 1993 o IRSM foi o indexador escolhido para atualização dos
salários-de-contribuições, consoante dispunha o art. 9º da Lei 8.542/92.
Tal critério perdurou até fevereiro de 1994, consoante o art. 21 da Lei 8.880/94:

Art. 21. Nos benefícios concedidos com base na Lei nº 8.213, de 1991, com data
de início a partir de 1º de março de 1994, o salário-de-benefício será calculado
nos termos do art. 29 da referida Lei, tomando-se os salários-de-contribuição
expresso em URV.

§ 1º. Para os fins do disposto neste, os salários-de-contribuição referentes às


competências anteriores a março de 1994, serão corrigidos, monetariamente,
até o mês de fevereiro de 1994, pelos índices previstos no art. 31 da Lei nº 8.213,
de 1991, com as alterações da Lei nº 8.542, de 1992, e convertidos em URV, pelo
valor em cruzeiros reais do equivalente em URV do dia 28 de fevereiro de 1994.
Nesse sentido, os salários-de-contribuição apurados antes do mês de março de 1994
deveriam ser atualizados pelo indexador IRSM, cujos valores em cruzeiros converter-se-iam em
URV pela paridade vigente no dia 28/02/1994, somente para os benefícios concedidos a partir
de 1º de março de 1994.

Ocorre que no presente caso o INSS não considerou a variação integral do IRSM de
02/1994 (39,67%) antes de realização a conversão dos salários de contribuição em URV, o que
acarretou prejuízo ao segurado já falecido.

Diante disto, o tema em debate não merece grandes digressões, uma vez que o Superior
Tribunal de Justiça é uníssono quanto à matéria:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO


INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-DE-
CONTRIBUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO.IRSM. FEVEREIRO/1994. INCLUSÃO.
(...)
- A egrégia Terceira Seção consolidou, em definitivo, o entendimento de
que, na atualização monetária dos salários-de-contribuição para fins
de cálculo da renda inicial dos benefícios concedidos a partir de
março de 1994, deve ser incluído o percentual de 39,67%, relativo
ao IRSM de fevereiro de 1994, antes de sua conversão em URV, nos
termos do artigo 21, parágrafo 1º, da Lei 8.880/94 combinado com o
artigo 31 da Lei 8.213/91.(...)
(EERESP 205752/SP, STJ, Sexta Turma, rel. Min. Vicente Leal, DJU
04.06.2001)

PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO. SALÁRIOS-DE-CONTRIBUIÇÃO.


ATUALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IRSM DE FEVEREIRO DE 1994 (39,67%).
Na atualização dos salários-de-contribuição informadores dos
salários-de-benefício que servem de base de cálculo de benefícios
concedidos a partir de 1º de março de 1994, deve incidir, antes da
conversão em URV, o IRSM de fevereiro de 1994 (39,67%), consoante
preconizado pelo art. 21, § 1º, da Lei 8880/94. Precedentes do STJ.
Recurso não conhecido.
(RESP 278948/SC, STJ, Quinta Turma, rel. Min. Gilson Dipp, DJU
18.06.2001)
Ainda, a Súmula nº 77 do TRF/4 respalda tal entendimento:

Súmula 77/TRF4: O cálculo da renda mensal inicial de benefício previdenciário


concedido a partir de março de 1994 inclui a variação integral do IRSM de
fevereiro de 1994 (39,67%).
Nesse sentido, uma vez aplicada o índice de correção monetária em comento, por óbvio
que incidem reflexos sobre os meses anteriores à fevereiro de 1994 e considerados por ocasião
do cálculo da RMI do benefício.

Portanto, considerando que o benefício originário foi concedido posteriormente a março


de 1994, mostra-se plenamente devida a presente revisão, a fim de aplicar o IRSM de
fevereiro/1994 na apuração do valor dos salários de contribuição anteriores a março/1994,
convertidos em URV quando da apuração da RMI, revisando o benefício de aposentadoria
concedido ao de cujus e consequentemente o benefício derivado de pensão por morte.

3 - DO IMEDIATO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER

Conforme inteligência do artigo 43 da Lei 9.099/95 c/c artigo 1º da Lei 10.259/01, no


âmbito dos Juizados Especiais Federais o recurso inominado interposto, via de regra, não
possui efeito suspensivo. Por este motivo, eventual deferimento do presente petitório compele
o INSS a cumprir de forma imediata a decisão de primeiro grau, para o efeito de revisar o
benefício em favor da Parte Autora.

4 – DA AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO OU DE CONCILIAÇÃO

Considerando o notório e reiterado posicionamento do INSS em sentido contrário ao


pedido apresentado na presente demanda, a parte Autora vem manifestar, em cumprimento ao
art. 319, inciso VII, do CPC/2015, que não há interesse na realização de audiência de conciliação
ou mediação, haja vista a iminente ineficácia do procedimento e a necessidade de que ambas as
partes dispensem a sua realização, conforme previsto no art. 334, §4º, inciso I, do CPC/2015.

5 – PEDIDOS

ANTE O EXPOSTO, requer a Vossa Excelência:


a) A concessão do benefício da Gratuidade da Justiça, tendo em vista que a parte Autora não
tem como suportar as custas judiciais sem o prejuízo de seu sustento e de sua família;

b) O recebimento e deferimento da presente peça inaugural;


c) A citação da Autarquia, por meio de seu representante legal, para que, querendo,
apresente defesa;

d) O julgamento antecipado da lide, com fulcro no art. 355 do Código de Processo Civil, haja
vista que o processo trata de matéria exclusivamente de direito. Caso não seja este o
entendimento de Vossa Excelência, requer a produção de todos os meios de provas em
direito admitidos, em especial o documental;

e) O julgamento da demanda com TOTAL PROCEDÊNCIA, condenando o INSS a:

1) Revisar o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição nº


XXXXXXXXX, aplicando o IRSM de fevereiro/1994 na apuração do valor dos
salários de contribuição anteriores a março/1994, convertidos em URV
quando da apuração da RMI, e consequentemente, revisar o benefício de
pensão por morte nº XXXXXXXXXX;

2) Pagar as diferenças que se formarem em decorrência da revisão aqui


pleiteada, com o adimplemento de todas as parcelas vencidas desde a data
da concessão da pensão por morte e, corrigidas desde a época da
competência de cada parcela até o efetivo pagamento, respeitada a
prescrição quinquenal;

Nestes termos,
Pede e espera deferimento.

Dá à causa o valor de R$ xx.xxx,xx1.

Local, data.

Nome do advogado
OAB/UF xx.xxx

1 Valor da causa = Parcelas Vencidas (R$ x.xxx,xx) + Parcelas Vincendas (R$ xx.xxx,xx) = R$ xx.xxx,xx.