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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA

COMARCA DE _________________

Autos nº: ______________________

RÉU, já devidamente qualificado nos autos da execução em epígrafe,


atualmente cumprindo pena no Presídio Público de ____________________, vem a
presença de Vossa Excelência, requerer autorização para:

TRABALHO E ESTUDO EXTERNOS

com fulcro no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea “a” da Constituição Federativa do Brasil
c/c artigos 20 e 37, ambos da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal), pelos fatos que
passa a expor:

DOS FATOS

Em 10/11/2008, o reeducando foi condenado a pena privativa de


liberdade de 20 anos e 5 meses de reclusão, nos autos de nº 232497-
96.1999.8.09.0162, em regime inicialmente fechado, pela prática do delito descrito no
art. 157, §3º do Código Penal.

Em 05/10/201, quando já havia cumprido mais de 1/6 da reprimenda


imposta, o apenado obteve nestes autos sua progressão para o regime semiaberto.

Desta forma, abre-se a possibilidade para o reeducando usufruir da


benesse do trabalho externo, ausentando-se deste estabelecimento prisional durante
o dia para trabalhar, sem escolta e suas expensas, devendo apresentar-se
espontaneamente ao estabelecimento prisional para pernoite e recolhimento em finais
de semana e feriados, conforme o artigo 37, da Lei de Execuções Penais, lhe permite.

Da carta de emprego em anexo, caso seja deferido o presente pleito,


verifica-se que o apenado será imediatamente empregado na empresa lá
mencionada.

É de se ressaltar que a admissão do reeducando observará todas as


normas relativas à legislação trabalhista, notadamente a devida anotação na sua
Carteira de Trabalho, comprometendo-se o apenado a apresenta-la a este Juízo, no
prazo fixado.

Além do mais, o comportamento carcerário do reeducando é adequado,


pois além de cumprir com as regras do sistema prisional ainda tem um convívio
harmônico com seus companheiros de infortúnio, sendo suas condições pessoais
favoráveis.

Destaca-se, também, que o reeducando está devidamente matriculado


no turno noturno, em uma instituição de ensino para jovens e adultos e, assim sendo,
possui interesse em prosseguir com seus estudos, favorecendo uma melhor formação
profissional.

O último requisito legal é a compatibilidade do beneficio com os objetivos


da pena. Estima-se que até o final do ano o reeducando já terá direito a sua
progressão para o regime aberto, desta forma o trabalho externo, juntamente com os
estudos irão proporcionar os meios necessários para seu reingresso gradual ao
convívio em sociedade.

DO DIREITO

Conforme preconiza o art. 37, da Lei de Execução Penal:

Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do


estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além
do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.

Cita-se também o artigo 20 da supracitada Lei, em que os seus termos


trazem a exposição de como será feita a realização das atividades educacionais, in
verbis:
Art – 20. As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com
entidades públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos
especializados.

Cumpre destacar que as regras acerca do regime semiaberto se


encontram elencadas no art. 35 do Código Penal, in verbis:

Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que


inicie o cumprimento da pena em regime semi-aberto.

§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período


diurno, em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.

§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos


supletivos profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou
superior. (grifou-se)

A jurisprudência do Tribunal de Justiça do nosso estado, por sua vez, é


uníssona no que se refere ao deferimento do pedido de trabalho externo quando
preenchidos os requisitos subjetivos:

RECURSO DE AGRAVO - CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME SEMI-


ABERTO - DECISÃO QUE, ANTE AS CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS DO
APENADO, DEFERE TRABALHO EXTERNO EXTRAMUROS -
VIGILÂNCIA DIRETA - DESNECESSIDADE - VIABILIDADE DA MEDIDA,
EXCEPCIONALMENTE, AO CASO CONCRETO - RECURSO NÃO
PROVIDO.
Incide, na hipótese, a lógica do critério da razoabilidade, que sempre se faz
necessário na adaptação das normas de execução à realidade social e à sua
própria finalidade, ajustando-as ao fato concreto - daí porque o caráter
programático de certas normas constantes da Lei de Execução, ao qual se
deve atentar sempre. (Min. Gilson Dipp). (Recurso de Agravo n.
2008.067674-8, de Lages, Rel. Des. Moacyr de Moraes Lima Filho, j. em
12/02/2009)

Desta forma, resta claro que o reeducando faz jus ao benefício pleiteado.

Sendo agraciado, o apenado estará à disposição da justiça durante seu


labor no endereço informado na carta de emprego anexa.

Ante o exposto, requer:

 a concessão do trabalho externo, nos moldes do art. 37, da LEP, para que o
reeducando possa se ausentar durante o dia para trabalhar, sem escolta e as
suas expensas;
 a concessão de prazo para apresentar ao Juízo sua carteira de trabalho
devidamente assinada;
 a concessão do benefício para estudo para que durante o período noturno o
apenado possa estudar, sem escolta e as expensas;
 a intimação do digníssimo representante do Ministério Público, para que se
manifeste e acompanhe o feito até o seu final.

Nesses termos, pede e espera deferimento.

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Advogado
OAB