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Copyright © 2017 Melissa Tiers

Tradução
Guilherme Bitar da Silva
Raphaela Alencar

Revisão
Ricardo (Caco) Penna Quintanilha

Design de capa
Melissa Tiers

Projeto Gráfico
Carlos Jorge

Hi-Brain Institute

Todos os direitos reservados pela Hi-Brain Institute.


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um médico, quer direta quer indiretamente.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Tiers, Melissa
KIT ANTIANSIEDADE
Técnicas rápidas para reconectar o cérebro

-- Belo Horizonte : Hi-Brain Institute,


2017.

1. Teoria do conhecimento. Epistemologia I. Título.

523
CDD-612.115
CDU-165,6 / .8
Prefácio
Melissa Tiers é provavelmente uma das mais reco-
nhecidas trainers de PNL e Hipnose da atualidade. Fun-
dadora do “The Center For Integrative Hypnosis”, em Nova
Iorque, é professora de hipnose Integrativa, Psicologia
Neurolinguí�stica e dá treinamentos de saúde mental em
todo o mundo.
Quando comecei a estudar hipnose, os livros de Me-
lissa Tiers me chamaram bastante atenção por dois moti-
vos: sua incrí�vel didática e suas excelentes referências bi-
bliográficas. Nos livros de PNL e Hipnose é muito comum a
ausência de fontes bibliográficas: os autores escrevem algo
do tipo “pesquisas indicam que a hipnose...” sem se preo-
cuparem em identificar a fonte dessa informação. Pesso-
almente, me sinto ofendido quando isso acontece, não me
parece honesto intelectualmente um autor fazer esse tipo
de coisa. Felizmente, nos livros da Melissa, nunca temos
esse tipo de problema.
O segundo motivo pelo qual fico realmente encan-
tado pelo trabalho da Melissa é pela sua didática. Em seus
livros e cursos, ela é capaz de tornar qualquer assunto, por
mais complicado que seja, em algo muito claro.
Quando surgiu a possibilidade de traduzir e lançar
esse material no Brasil fiquei muito animado. Afinal, seu
livro: “The Anti-Anxiety Toolkit” é um dos livros mais vendi-
dos no mundo sobre as aplicações terapêuticas da Hipnose,
PNL e EFT para o combate aos transtornos de ansiedade.
Esse livro não traz apenas técnicas, mas também incrí�veis
referências bibliográficas e leituras recomendadas, para
que seus estudos possam progredir ainda mais após a lei-
tura desse livro.
Espero que você consiga controlar sua ansiedade para ler
esse livro! Boa Leitura!

Alberto Dell’Isola
Prefácio 3
Neuroplasticidade e o “Modelo de Doença” da Dependên-
cia 5
Mitos que cercam o “Modelo de Doença” do Ví�cio:
5
A Pesquisa de 1990
6
Pesquisa de Neurociência e Tratamento validada de forma
empí�rica 9
A Biologia do Desejo: por que o ví�cio não é uma doença
10
Trauma e Adversidade da Primeira Infância: Implicações
Neuro-cognitivas 11
Memórias Traumáticas, Adversidade da Primeira Infância
e Estresse Pós-Traumático, uma abordagem de reconsoli-
dação de neuropsicoterapia 12
Pesquisa de Reconsolidação de Memória em Populações de
Abuso de Substâncias 14
O Metapadrão da Mudança da PNL: 14
Protocolo de tratamento de dependência 16
Ní�vel 1 - Técnicas rápidas 16
Ní�vel 2 - Reconsolidando Sistemas de Memória 16
Ní�vel 3 - Facilitando o Poder Pessoal 28
Pesquisa de Neuroplasticidade para Aplicações Clí�nicas
30
Demais Referências bibliográficas 31
Outras Leituras Recomendadas: 33
Kit Antiansiedade 34
Detenha o mandão no seu cérebro 34
Estimulação bilateral 35
Visão periférica (pare o mundo) 36
Coerência cardí�aca 36
Um momento de cair o queixo 37
O giro ao contrário 38
Torne-se o diretor (tomada um) – Auto-hipnose para re-
programar o cérebro 38
Torne-se o diretor (tomada dois) 40
Mudando de perspectiva 42
Os dois passos metafóricos 43
Modificando o diálogo interno 44
O alí�vio está em suas mãos 45
Técnica da liberdade emocional (EFT) 46
Boas intenções apenas 47
A jornada emotiva 49
Unindo todas as técnicas 50
Invertendo os pensamentos 50
Neste curso, você aprenderá:
Por que o modelo de “Doença” do ví�cio é impreciso e até pre-
judicial.

A mais recente pesquisa em neurociência e neuroplasticidade


cerebral sobre novas conexões em padrões já habituados no cé-
rebro adicto.

Os preditores do ví�cio (estresse/trauma da primeira infância)


e como a pesquisa inovadora em reconsolidação de memória
pode ser usada para eliminar memórias persistentes e indeseja-
das, que são os principais contribuintes do ví�cio.

Uma variedade de maneiras de empregar técnicas hipnóticas e


neurocognitivas, reimprimindo-as e adequando-as para uso com
transtornos aditivos e comportamentos baseados em hábitos.

Técnicas para facilitar a reconsolidação da memória para neu-


tralizar desencadeadores e maneiras de condicionar novas e
mais saudáveis respostas de sobrevivência em pessoas que abu-
sam de substâncias.

Como implementar protocolos breves baseados na neurociên-


cia prática que ajudam o cliente a:

1) reduzir o desejo e neutralizar as emoções negativas que le-


vam a ele;

2) mudar o impacto emocional de traumas passados, associa-


ções e crenças e emoções negativas que muitos adictos carre-
gam; e

3) ensinar adictos a desenvolver estratégias para aprimorar seu


poder pessoal e criar sistemas de recompensas alternativos.

8
Neuroplasticidade e o
“Modelo de Doença”
da Dependência
No campo da Medicina da Dependência, o “Modelo de
Doença” é regra. Essa teoria afirma que as mudanças mal adap-
tadas no cérebro e no corpo, resultantes do uso prolongado de
drogas, uma vez estabelecidas, tornam-se bastante estáveis e
permanentes. O Instituto Nacional de Abuso de Drogas National
Institute on Drug Abuse (NIDA) diz que o ví�cio é uma doença
crônica semelhante a outras como câncer, diabetes tipo II e do-
enças cardiovasculares.

Dessa forma, muitos na comunidade médica e na comu-


nidade de tratamento passaram a aceitar a visão do processo vi-
ciante como uma doença crônica, que é caracterizada por contí�-
nuas recaí�das e remissões e que exige tratamento intensivo com
medicamentos e terapias comportamentais, muitas vezes pelo
restante da vida de uma pessoa.

Neste curso, você aprenderá como e por que isso é erra-


do em vários ní�veis. Você começará a perceber como essa ideia
não se baseia em pesquisas e como a hipnose negativa de tra-
tamentos originados de premissas incorretas leva as pessoas à
falha.

Mitos que cercam o


“Modelo de Doença” do Vício:
*Extraí�do de Stanton Peele, Ph.D, and Alan Brodsky’s “The Truth
About Addiction and Recovery” New York, NY: Fireside Press.
- A base da doença é congênita e/ou biológica;
- Envolve perda total de controle sobre seu comportamento;
- As dependências são para sempre;
- Inevitavelmente piora até que ele se apodere e destrua sua vida;
- Requer tratamento médico e/ou “espiritual”;
- Seus filhos também passarão por isso;
- E� quando você diz que não tem que se sabe que você tem.

9
Por que o modelo da doença não funciona (e por que faz mais mal
do que bem):
- Fere os sentimentos de controle pessoal das pessoas e pode,
assim, se tornar uma profecia autorrealizável;
- Falha na diferenciação entre “os piores” alcoólatras e adictos e
aqueles com menor grau de dependência de uso de substâncias;
- Estigmatiza pessoas – em suas próprias mentes – para a vida;
- Interrompe a maturação normal para os jovens (ou seja, par-
te da fase de desenvolvimento da experimentação), para quem
essa abordagem é completamente inapropriada;
- Realiza-se como modelos de consumo de álcool e drogas para
as pessoas que demonstraram menor capacidade de adminis-
trar suas vidas;
- Isola o alcoolismo e o ví�cio como problemas para o resto da
vida do alcoólatra ou adicto;
- Limita a interação humana, principalmente restringindo-a a ou-
tros alcoólatras ou adictos em recuperação, contatos que apenas
reforçam sua preocupação com o consumo de álcool e drogas;
- Conduz um programa rí�gido de terapia que é fundado – nas pa-
lavras do diretor do Instituto Nacional do Governo sobre Abuso
de A� lcool e Alcoolismo National Institute on Alcohol Abuse and
Alcoholism (NIAAA) – “em palpites, não em evidências e não em
ciência”, enquanto ataca terapias mais efetivas.

A Pesquisa de 1990
Em 1990, a revista American Health publicou um estudo
dizendo que, de acordo com uma pesquisa feita com a população
americana, as pessoas são cerca de dez vezes mais propensas a
mudar por conta própria do que em tratamento. Essa conclu-
são foi válida até para os ví�cios considerados mais difí�ceis como
tabagismo ou consumo excessivo de álcool. A maioria dos res-
pondentes descreveu o abandono como algo que eles fizeram
naturalmente, por conta própria.

Se o ví�cio fosse uma doença, abandoná-lo por conta pró-


pria não seria possí�vel. Você vai aprender isso sem ser doutri-
nado com a ideia de que o ví�cio é uma doença longa e de que
somente o tratamento convencional pode curá-lo. A maioria das
pessoas muda quando está pronta.

10
Pontos a considerar

1) - Bruce Alexander: “The View from Rat Park” (2010)1 - Rat


Park foi um estudo sobre a dependência de drogas realizado no
final da década de 1970 (e publicado em 1981), pelo psicólogo
canadense Bruce Alexander, na Simon Fraser University, na Co-
lúmbia Britânica, Canadá. A hipótese de Alexander era a de que
as drogas não causam dependência e o aparente ví�cio a drogas
opiáceas, comumente observado em ratos de laboratório expos-
tos a elas, é atribuí�vel às suas condições de vida e não a qualquer
propriedade aditiva da própria droga.

2) – Como veteranos da guerra do Vietnã interromperam o ví�cio


em heroí�na2.

3) O caso de Portugal: Portugal promulgou uma das mais exten-


sas reformas legais sobre drogas no mundo quando, há quase
uma década e meia, descriminalizou a posse de baixo ní�vel e o
uso de todas as drogas ilí�citas. Os resultados da experiência por-
tuguesa demonstram que a descriminalização das drogas – jun-
tamente com um sério investimento em serviços de tratamento
e redução de danos – pode melhorar significativamente a segu-
rança e a saúde pública3.

Taxas de Recuperação de Dependência de Substância: Com e Sem


Tratamento - Tirado de ‘The Clean Slate Addiction sight (www.
thecleanslate.org)’

A maioria dos alcoólatras se recupera ou modera o con-


sumo sem tratamento.
A informação apresentada abaixo é uma análise dos da-
dos retirados do Inquérito Epidemiológico Nacional de 2001-
2002 sobre A� lcool e Condições Relacionadas – 2001-2002 Na-
tional Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions

1 Alexander, Bruce K., (2001) "The Myth of Drug-Induced Addiction", a paper delivered to the Cana-
dian Senate, January 2001, retrieved December 12, 2004.
2 Vietnam War: “How Vietnam War Veterans Broke their Heroin Addictions” by James Clear (2016); Beha-
vioral Psychology, Habits.Vietnam Veterans Three Years after Vietnam: How Our Study Changed Our View
of Heroin by Lee N. Robins PhD, John E. Helzer MD, Michie Hesselbrock MSW and Eric Wish PhD.
3 Hughes, Caitlin Elizabeth, and Stevens, Alex. “What Can We Learn From the
Portuguese Decriminalization of Illicit Drugs.” British Journal of Criminology, vol. 50,
no. 6, 2010, 999-1022.

11
ou NESARC, para abreviar. Esses dados são relevantes porque
vêm de uma pesquisa representativa da população dos EUA
como um todo – ao contrário de muitos estudos de dependência
que apenas examinam pessoas submetidas a programas de tra-
tamento de dependência de drogas e álcool (esses estudos, mui-
tas vezes, descobrem que as pessoas recaem rapidamente sem o
tratamento continuado, levando a hipóteses errôneas de que os
adictos não podem sair do ví�cio sem tratamento, ou que o ví�cio
é uma doença crônica ou, especialmente, que a abstinência é ne-
cessária e que a moderação bem-sucedida raramente é alcançá-
vel). O que encontramos quando ampliamos nosso escopo, como
neste estudo, é que a maioria das pessoas com Dependência de
Substância (conforme definido no DSM-IV da APA) abandona o
ví�cio sozinha, sem qualquer tipo de tratamento ou envolvimento
em 12 passos.

Ponto 1: a maioria das pessoas deixa de ser dependente da


substância
O fato é que, em qualquer momento, das pessoas que
poderiam ser classificadas como “dependentes” em um perí�odo
anterior ao ano passado, apenas 25% ainda são dependentes.
Isso deixa os outros 75% como não-dependentes. Esse fato, pro-
vado por este estudo, oferece muita esperança para aqueles com
problemas de uso de substâncias. As chances são as seguintes:
você está três vezes mais propenso a acabar com seu ví�cio do
que a continuar com ele!

Ponto 2: você tem mais chances de acabar com seu ví�cio se você
nunca for exposto a programas de tratamento ou programas de
12 passos.
A cultura de recuperação afirma que você não pode aca-
bar com seu ví�cio sem tratamento ou reuniões de 12 etapas, mas
os fatos mostram que uma porcentagem maior de pessoas acaba
com sua dependência sem obter esse tipo de “ajuda”.

Ponto 3: o sucesso a longo prazo é mais provável sem tratamento


No estudo, 64,9% das pessoas que receberam tratamen-
to e cujo ví�cio começou em algum momento nos últimos 5 anos
ainda são dependentes. O interessante sobre isso é que o núme-
ro é exatamente o mesmo para os indiví�duos não-tratados cujo
ví�cio começou nos últimos 5 anos! Assim, nos primeiros anos,

12
não há diferença no resultado se você recebe tratamento ou não.
Mas, se você quiser uma vida de “recuperação”, talvez você deva
ficar em tratamento!

Ponto 4: uso moderado é um resultado possí�vel e provável para


a resolução de dependência de substância
A cultura de recuperação não permite a moderação
como uma história de sucesso, seus adeptos acreditam que é
“abstinência ou nada” e, na verdade, ensinam ativamente às pes-
soas que, uma vez que foram “dependentes quí�micas”, uma única
dose as fará voltar completamente para a dependência da subs-
tância. Os dados neste estudo mostram que isso claramente não
é verdade.

A Verdade sobre Dependência e Recuperação

Atualmente, estima-se4 que 30% dos adultos america-


nos – mais de quarenta milhões – são ex-fumantes. De acordo
com a Agência Federal Office on Smoking and Health, 45% de
todos os americanos (e 60% dos graduados da faculdade) que
já fumaram não fumam mais. Além disso, 90% dos que pararam
de fumar fizeram isso por conta própria.
O sociólogo Dan Waldorf5, que entrevistou centenas de
ex-adictos não tratados para seu livro de 1986, “Pathways from
Heroin Addiction: Recovery Without Treatment”, descreve como
40% de seus sujeitos naturalmente superaram o ví�cio de heroí�-
na, com quase nenhum tipo de esforços de sua parte. Esse grupo
simplesmente sentiu que seu ví�cio chegou ao fim e era hora de
fazer outras atividades mais significativas.
O fato é que, regularmente, pacientes em hospitais es-
tão recebendo doses muito mais fortes de opiáceos do que os
viciados em heroí�na na rua e quase nunca se tornam viciados.
O Dr. Mitchell Max, do Instituto Nacional de Saúde (The Natio-
nal Institute of Health), avaliou6 onze mil pessoas tratadas com
narcóticos devido a câncer ou a pós-cirurgia: a pesquisa indica

4 E. Hecht, “A Retrospective Study of Successful Quitters” Paper presented at the Annual Meeting of
the American Psychological Assocition, Totonto, Canada, August 1978.
5 D. Waldorf, “Natural Recovery from Opiate Addiction: Some Social- Psychological Processes of
Untreated Recovery,” Journal of Drug Issues 13 (1983): 255-256.
6 Dr. Mitchell Max, Interviewed on National Public Radio’s Morning Edition, May 4th 1989; cf J. Porter
and H. Jick, “Addiction Rare in Patients Treated With Narcotics,” New England Journal of Medicine 302
(1980): 123.

13
que “entre essas 11 mil pessoas, houve um caso de dependência
séria, ou seja, um centésimo de um por cento, e outros três casos
questionáveis foram observados”. O Dr. Max conclui que a razão
pela qual as pessoas que recebem narcóticos por orientações
médicas não se tornam viciadas é que elas não tomam a droga
por euforia ou escape, ou seja, não se consideram dependentes e
rejeitam esse rótulo se lhes for sugerido.
Fragmentos de “The Truth About Addiction and Recovery”. Escri-
to por Stanton Peele & Archie Brodsky.
Pesquisa de Neurociência e Tratamento validada de forma em-
pí�rica

Novos avanços no campo da Neurociência e da Neuro-


anatomia estão ocorrendo a uma velocidade relâmpago, desa-
fiando e até mesmo contradizendo as suposições anteriormente
assumidas. A maior parte das pesquisas centra-se no conceito
de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se rees-
truturar por meio da formação de novas conexões neurais devi-
do à estimulação ambiental, comportamental ou neural. Essen-
cialmente, o “Modelo da Doença” vê o ví�cio como simplesmente
uma doença de neuroplasticidade.

A neurociência é um estudo recente, e a distinção entre


o desenvolvimento do cérebro e a patologia do cérebro perma-
nece obscura (pense em TDAH, autismo ou depressão), cenário
ideal para arbitrariedades. Por exemplo: a longo prazo, as altera-
ções cerebrais7 observadas em dependentes de substâncias são
quase idênticas às observadas nos que lutam contra obesidade,
em aficionados por pornografia, em apostadores, em viciados
em internet, em compradores compulsivos ou, simplesmente,
naqueles envolvidos em relacionamentos românticos intensos.
Eles envolvem a ativação de uma parte do cérebro (o estriado)
que direciona a busca de objetivos em resposta a estí�mulos, pre-
vendo suas recompensas preferidas e promovendo dessensibili-
zação a longo prazo, em resposta a recompensas em geral.
A Biologia do Desejo: por que o ví�cio não é uma doença

7 Doidge, N. (2007). The brain that changes itself: Stories of personal triumph from the frontiers of
brain science. New York, NY: Viking Press. Schwartz, J. M., Stapp, H. P., Beauregard, M. Quantum Phy-
sics in Neuroscience & Psychology: A Neurophysical Model of Mind-Brain Interaction. Philos Trans R
Soc Lond B Biol Sci. 2005; June 29; 360 (1458): 1309- 27.

14
Aqui estão alguns pensamentos do excelente livro “A bio-
logia do desejo” (The biology of desire) de Mark Lewis, que expli-
ca brilhantemente o ví�cio. Leia o livro, de verdade.

“Os maus hábitos auto-organizam-se como qualquer


outro hábito. Os maus hábitos como o ví�cio avançam mais pro-
fundamente e, muitas vezes, mais rapidamente do que outros
maus hábitos porque resultam de respostas alimentadas por
um desejo intenso e expulsam a disponibilidade ou o recurso de
atividades alternativas. Mas eles ainda são, fundamentalmente,
hábitos – de pensar, sentir e agir. O cérebro continua a moldar-se
com cada repetição da experiência viciante, até que o hábito vi-
ciante converge com outros hábitos alojados dentro da própria
personalidade”.

“Mas as redes neurais se tornam mais robustas e mais


eficientes com a repetição, e a aprendizagem se intensifica. Pen-
se nas dezenas de pequenas estradas sendo substituí�das por vá-
rias estradas principais e, eventualmente, por uma rodovia. Essa
fórmula de aprendizado é sintetizada pelo ví�cio. O primeiro uso
da cocaí�na provavelmente provoca um novo padrão de gatilho.
Em seguida, cada vez que se usa cocaí�na, ocorrerão mais trocas
de sinapses, reforçando esse padrão de gatilho, essa “rede da
cocaí�na”, que rapidamente conecta regiões em todo o seu cére-
bro, incluindo partes do córtex – o córtex perceptual, responsá-
vel pela visão e audição; o córtex pré-frontal, responsável pelo
pensamento e planejamento; e as regiões motoras, responsáveis
por colocar esses planos em ação. Incluem-se também as regiões
lí�mbicas envolvidas em sentimentos e motivações – a amí�gdala
e o hipocampo, bem como o estriado (que, normalmente, não é
definido como lí�mbico, mas é perto o suficiente para se relacio-
ná-los). Portanto, é quase todo o cérebro, englobando as partes
envolvidas no pensamento e na percepção e as partes dedicadas
aos sentimentos e instintos, que é incluí�do na “rede da cocaí�na”.
E� por isso que os pensamentos, sentimentos e padrões de ação
mudam e se cristalizam juntos8.”

8 The Biology of Desire: Why Addiction is Not a Disease. Mark Lewis, PH.D
Philadelphia, PA: Perseus Press.

15
Trauma e Adversidade da
Primeira Infância:
Implicações Neuro-cognitivas
Em 1995, os médicos Vincent Felitti e Robert Anda lan-
çaram um estudo epidemiológico em larga escala, avaliando
as histórias de infância e adolescência de 17 mil indiví�duos,
comparando suas experiências iniciais com seus registros de
saúde na idade adulta. Os resultados foram chocantes: quase
dois terços dos voluntários encontraram uma ou mais das Ex-
periências Adversas Infantis, Adverse Childhood Experiences
(ACEs), um termo de Felitti e Anda cunhado para abranger os
eventos crônicos, imprevisí�veis e induzidos por estresse que
algumas crianças enfrentam, incluindo crescer com um paren-
te deprimido ou alcoólico, perder um parente por causa de di-
vórcio ou outras causas, sofrimento de humilhação crônica, ne-
gligência emocional ou abuso sexual ou fí�sico. Essas formas de
trauma emocional foram além dos tí�picos e cotidianos desafios
do crescimento.

O estudo das Experiências Adversas Infantis indica que


a experiência de estresse tóxico, crônico e imprevisí�vel na in-
fância nos predispõe a uma série de condições crônicas na ida-
de adulta. Mas por quê? Hoje, em laboratórios em todo o ter-
ritório norte-americano, os neurocientistas estão examinando
a conexão cerebral e corporal e desvendando, em um ní�vel
bioquí�mico, exatamente como o estresse que enfrentamos na
juventude nos alcança na idade adulta, alterando nossos cor-
pos, nossas células e até o nosso DNA. O que descobriram pode
surpreendê-lo:

1. Mudanças epigenéticas - Quando nos deparamos repetida-


mente com situações que induzem o estresse durante a infân-
cia ou a adolescência, nossa resposta fisiológica ao estresse se
desloca em excesso, e perdemos a capacidade de responder de
forma adequada e eficaz aos estressores futuros. Isso acontece
devido a um processo conhecido como metilação genética, em
que pequenos marcadores quí�micos aderem aos genes envolvi-
dos na regulação da resposta ao estresse e impedem que esses

16
genes façam seu trabalho. A� medida que a função desses genes
vai sendo alterada, a resposta ao estresse vai-se reajustando em
“alta” para as situações vividas, promovendo a inflamação e a
doença.

2. Tamanho e forma do cérebro - Os cientistas descobriram que,


quando o cérebro em desenvolvimento é estressado cronica-
mente, ele libera um hormônio que encolhe o tamanho do hipo-
campo, uma área do cérebro responsável pelo processamento
de emoção e memória e pelo controle do estresse.

3. Poda Neural - quando uma criança enfrenta um estresse cro-


nológico imprevisí�vel de Experiências de Influência Adversa,
células microgliais “podem ser realmente trabalhadas, desenca-
deando neuroquí�micos que levam à neuroinflamação e à ampli-
ficação do processo de poda”.

4. Telômeros - O trauma precoce pode fazer as crianças parece-


rem “mais velhas”, emocionalmente falando, do que seus pares.
Além disso, os pesquisadores descobriram que as Experiências
Adversas da Infância podem envelhecer prematuramente as
crianças em um ní�vel celular também. Os adultos que enfrenta-
ram trauma precoce mostram maior erosão nos que são conhe-
cidos como telômeros - as tampas protetoras que se assemelham
às extremidades das cadeias de DNA para manter o genoma sau-
dável e intacto.

5. Rede de modo padrão - Dentro de cada um dos nossos cére-


bros há uma rede conhecida como “rede de modo padrão”, que
une áreas do cérebro associadas à integração de memória e pen-
samento. As crianças que enfrentaram trauma precoce têm me-
nos conectividade na rede de modo padrão – mesmo décadas
após o trauma ter ocorrido – e, portanto, podem ter problemas
para reagir adequadamente ao mundo que os rodeia.

6. Caminho do cérebro-corpo - Para uma criança que vivenciou


uma adversidade, a relação entre sofrimento mental e fí�sico é
forte: substâncias quí�micas inflamatórias que inundam o cor-
po de uma criança quando estão cronicamente estressadas são
transportadas da cabeça aos pés.

17
7. Conectividade cerebral - crianças e adolescentes que experi-
mentaram adversidade crônica na infância apresentaram cone-
xões neurais mais fracas entre o córtex pré-frontal e o hipocam-
po.

Memórias Traumáticas,
Adversidade da Primeira
Infância e Estresse
Pós-Traumático, uma
abordagem de reconsolidação
de neuropsicoterapia
Memórias persistentes e indesejadas são consideradas
principais contribuintes para a dependência de drogas e para o
problema de recaí�da crônica ao longo da vida de um dependen-
te quí�mico. No entanto, ao contrário da longa ideia de que as
memórias são estáticas e fixas, novos estudos na última década
mostraram que as memórias são bastante dinâmicas e maleá-
veis. Quando uma memória é recuperada (reativada), torna-se
instável por um perí�odo de tempo, com as novas informações
se mesclando e modificando a representação existente antes de
voltar a ser “reconsolidada” para retornar à memória de longo
prazo. A� luz dessa descoberta, a memória agora é vista como
sendo, em grande parte, reconstrutiva, ao invés de uma simples
reprodução de informações armazenadas.

Aqui estão muitos estudos nos quais você pode mergu-


lhar profundamente para ler mais do que você precisa saber so-
bre a reconsolidação da memória:

Milton, A.L., Everitt, B.J. The psychological and neurochemical


mechanisms of drug memory reconsolidation: implications for
the treatment of addiction. Eur. J. Neurosci. 2010;31:2308-2319.
Nader, K. Einarsson, E.O. Memory reconsolidation: an update.
Ann N. Y. Acad. Sci. 2010;1191:27-41.

Tronson & Taylor. Addiction: A Drug-Induced Disorder of Me-

18
mory Reconsolidation. Current Opinion in Neurobiology 2013.
23(4) 573-580.
Sara, S.J. Retrieval and reconsolidation: toward a neurobiology
of remembering. Learn. Mem. 2000;7:73-84.

pp. 130-136 in: Ecker, B., Ticic, R., & Hulley, L. (2012). Unlocking
the emotional brain: Eliminating symptoms at their roots using
memory reconsolidation. New York, NY: Routledge.

Ticic, R., & Kushner, E. (2015). Deep release for body and soul:
Memory reconsolidation and the Alexander technique. The Neu-
ropsychotherapist, 10, 24-28. doi:10.12744/tnpt(10)024-028

pp. 39-124 in: Ecker, B., Ticic, R., & Hulley, L. (2012). Unlocking
the emotional brain: Eliminating symptoms at their roots using
memory reconsolidation. New York, NY: Routledge.

Ecker, B. (2015). Using NLP for memory reconsolidation:


A glimpse of integrating the panoply of psychotherapies.
The Neuropsychotherapist, 10 (1), 50-56. doi:10.12744/
tnpt(10)050-056 Feinstein, D. (2015). How tapping/energy
psychology changes deep emotional learnings. The Neurop-
sychotherapist, 10, 38-49. doi:10.12744/tnpt(10)038-049

Pesquisa de Reconsolidação de
Memória em Populações
de Abuso de Substâncias
Um dos aspectos mais desafiadores do ví�cio em drogas
é o ciclo de ansiedade e recaí�da, que pode ocorrer por muitos
anos. A persistência dos comportamentos de procura por dro-
gas e de seu consumo sugere que o processo de aprendizagem e
memorização contribui significativamente para as recaí�das. Isso
ocorre porque os comportamentos repetidos de consumo de
drogas envolvem circuitos neurais envolvidos na aprendizagem
e na memorização de informações relacionadas a essas substân-
cias. A cada uso de drogas, as memórias relacionadas a elas são
reativadas (recuperadas), e acredita-se que sejam reconsolida-
das para manter, e, assim, fortalecer, esses circuitos.

19
Novos estudos encorajadores mostram que mesmo me-
mórias de longo prazo bem estabelecidas podem ser suscetí�veis
à interrupção ao sofrerem interferência da reconsolidação du-
rante a recuperação da memória. Essas descobertas indicam
promessa de usar essa abordagem como uma terapia para inter-
romper as memórias duradouras que, muitas vezes, provocam a
recaí�da no ciclo de dependência.

Robbins, T.W., Ersche, K.D, Everitt, B.J. Drug addiction and the me-
mory systems of the brain. Ann. N. Y. Acad. Sci. 2008;1141:1-21.
Milton, A. L. and Everitt, B. J. (2010), The psychological and neu-
rochemical mechanisms of drug memory reconsolidation: im-
plications for the treatment of addiction. European Journal of
Neuroscience, 31: 2308–2319.
Crombag, H.S., Bossert, J.M., Koya, E., Shaham, Y. Review. Context
-induced relapse to drug seeking: a review. Philos. Trans. R. Soc.
Lond. B Biol. Sci 2008; 363:3233-3243.
Xue, Y.-X. et al. A memory retrieval-extinction procedure to pre-
vent drug craving and relapse. Science 336, 241–245 (2012).

O Metapadrão da
Mudança da PNL:
Jeffrey Schwartz é um psiquiatra, pesquisador em
neuroplasticidade e especialista internacionalmente reco-
nhecido em Transtorno Obsessivo Compulsivo. Ele também
é autor dos livros populares “Brain Lock: Free Yourself from
Obsessive-Compulsive Behavior” e “The Mind and the Brain:
Neuroplasticity and the Power of Mental Force”. O processo de
quatro passos segue o que John Overdurf chama de “O Meta-
padrão da Mudança”, que é o padrão subjacente a quase todos
os trabalhos de mudança de sucesso. Nós trouxemos o tra-
balho do Dr. Schwartz porque ele foi capaz de usar imagens
de Ressonância Magnética para mostrar como essas etapas
alteram o cérebro.

O metapadrão também segue os passos necessários para


a reconsolidação da memória. Como um exercí�cio, você pode
examinar os processos que funcionaram com seus clientes e se

20
surpreender com o esquema do metapadrão. Você já é um re-
consolidacionista!
Aqui está a breve descrição. Abordo este tema com mui-
to mais detalhes no meu livro “Keeping the Brain in Mind: Prac-
tical Neuroscience for Coaches, therapists and Hypnosis Practi-
tioners”, escrito com Shawn Carson, ou melhor ainda, você pode
ir para www.johnoverdurf.com e mergulhar no trabalho. Aqui
estão os quatro passos:

Passo1: Associe-se ao estado do problema - Acessando o


estado do problema para podermos ver com o que ele se parece,
bem como encontrar o gatilho que faz com que o padrão seja
automático.

O primeiro passo é mais importante do que você pensa,


porque, se não encontrarmos o gatilho, não teremos onde colar
os recursos copiados. Outra razão para o primeiro passo ser fun-
damental é que, nele, você consegue visualizar a fisiologia asso-
ciada ao gatilho. Você pode ver os gestos, a expressão facial e a
sensação geral do estado do problema. Desta forma, ao testar o
trabalho de mudança, você saberá o que não irá querer ver. Ao
se associar ao problema, você também estará ativando a rede
neural relevante conectada a essa memória. Como as lembran-
ças são maleáveis, temos a oportunidade de mudar os aspectos
emocionais a cada vez que são recordados.

Passo 2: Dissociar - O padrão que interrompe e afeta as


ferramentas de regulação irá armar seus clientes com todas as
maneiras diferentes de sair de estados emocionais indesejados.
Quanto mais criativos e envolventes os métodos, mais atenção o
cérebro dará ao processo de mudança, pois ele gosta de novida-
de. A dissociação é como remover a emoção da memória e entrar
em um estado neutro.

Passo 3: Associe-se ao Estado do Recurso - O terceiro


passo é fazer com que os clientes tenham acesso a um esta-
do de recursos, para ajudá-los a vivenciar como eles querem
se sentir naquela situação. Se você tentasse fazer isso sem a
dissociação do segundo passo, eles teriam muito mais dificul-
dades em encontrar um recurso ou uma solução, porque ainda
estariam presos ao estado emocional negativo, e cada solução

21
seria obscurecida por isso. Eles simplesmente responderiam à
pergunta “como você prefere sentir-se?” com uma declaração
de como eles não querem sentir-se. Quando eles respondem
negativamente, como “eu simplesmente não quero me sentir
ansioso”, você sabe que eles ainda estão filtrando o estado do
problema.

Passo 4: Traga o recurso para o problema - No passo 4,


trazemos o recurso para o gatilho do problema e o desmem-
bramos. Então, estando em um estado de força, confiança,
perdão ou qualquer outro estado positivo, fazemos o cliente
olhar para o problema. Em seguida, nós o condicionamos, re-
petindo o ciclo várias vezes até chegar à causa, que agora se
torna o gatilho automático para o estado do recurso. A par-
tir desse estado de sensação positiva, fazemos com que ele
imagine outros exemplos de quando, no passado, ele pode ter
tido o problema, conectando os estados emocionais positivos
a essas situações.

Lembre-se de ir ao futuro, fazendo o cliente ensaiar esse


sentimento imaginando situações posteriores, nas quais ele se
sente ou se comporta de forma diferente. Isso permite que a mu-
dança se consolide.

Protocolo de tratamento
de dependência
Nível 1 - Técnicas rápidas

Soluções Integrativas para Dependências consistem


em ensinar ao cliente como os hábitos são formados e alte-
rados no cérebro. No primeiro ní�vel do protocolo, oferece-
mos-lhe várias técnicas rápidas para interromper os desejos
e, o que é ainda mais importante, as emoções que levam a
eles. Pesquisas indicam que a melhor maneira de mudar o
hábito é interrompê-lo e conectar os neurônios associados a
ele àqueles que estão fora da rede. Essas técnicas oferecerão
alí�vio às ânsias enquanto redirecionam sistematicamente o
hábito.

22
As técnicas são as seguintes:

Estimulação Bi-lateral - um processo simples para equilibrar


ambos os hemisférios do cérebro.
Treinamento de Coerência do Coração - ensina o paciente a
mudar de foco
Meridian tapping (Faster EFT) - para a eliminação de desejo,
estimula pontos de acupuntura especí�ficos para liberação de en-
dorfina para o cérebro.
Acesso à Visão Periférica - uma maneira fácil de combater a
luta ou a fuga, enquanto acalma o diálogo interno.
Spin Cinestésico- uma técnica de repadronização neuro-hip-
nótica que inverte uma resposta de ansiedade.
Foco cerebral aberto - uma forma de atenção mais difusa e
flexí�vel que, paradoxalmente, permite focar melhor e de forma
mais relaxada.
A� ncora de eliminação de desejo - As âncoras da PNL são exce-
lentes técnicas para ajudar as pessoas a eliminar os desejos e se
livrar de maus hábitos.

Nível 2 - Reconsolidando Sistemas de Memória

O segundo ní�vel do protocolo funciona para mudar o


impacto emocional de traumas passados, associações, crenças
e emoções negativas que muitos adictos carregam. Essas técni-
cas são baseadas na pesquisa de reconsolidação da memória e
no fato de que podemos mudar significativamente o poder das
memórias implí�citas, o que torna mais fácil se curar e seguir em
frente. Também ajudaremos o cliente a recodificar as memórias
e instalar crenças e motivações positivas.

As técnicas estão listadas abaixo:

Squash Visual
Ressignificação de três passos
Re-imprinting
Técnicas de linha de tempo
Processo de mudança de crença por meio de submodalidades
Metapadrão para gatilhos

23
Metapadrão de Conversação para o vício: exemplo

Perguntas: O que você quer trabalhar hoje? Quando foi


a última vez que você experimentou isso? / Quando foi a última
vez que sentiu o desejo de usar a substância?

Para adictos, geralmente pergunto “quando foi a últi-


ma vez que sentiu o desejo de usar isso?” Eles normalmente
respondem com “bem, eu sempre sinto o impulso”, porque
eles o generalizaram em todos os contextos. Contudo, para
que eles comecem a fazer novas conexões no padrão atual,
devem acessar um momento associado ao desejo. Costumo
mostrar isso para eles dizendo o seguinte: “eu sei que isso
acontece o tempo todo, mas para fazer novas conexões, pre-
cisamos ativar a rede certa. Então, me diga a última vez que
sentiu o desejo de usar”.

Se eles disserem: “bem, ontem à noite eu estava com um


amigo e ele me ofereceu um pouco”. Então você se certifica de
que o momento está associado ao desejo sugerindo: “então, você
está com o seu amigo, agora, e ele te oferece um pouco. O que
você está sentindo?”. O objetivo disso é acessar uma resposta
fisiológica real, mostrando que o cliente está, no momento, sen-
tindo o impulso ou o conflito. Quando verificar a associação, o
próximo passo é dissociar.

Como afirmamos acima, essa dissociação pode ser feita


de várias maneiras. Uma pergunta simples para isso é: “como
você quer sentir-se em vez disso? No momento em que você sen-
te esse impulso, como você precisaria sentir-se para se afastar
cada vez mais desse sentimento negativo?”

Preste atenção em como ele responde. Se ele disser que


quer sentir a falta de uma emoção, como “eu simplesmente não
quero querer” ou “eu quero sentir que não é grande coisa”, então
você terá de buscar um pouco mais. Uma boa maneira de chegar
lá é projetar o futuro, perguntando: “se você realmente sentiu que
não era lá grande coisa e superou isso completamente, sem que-
rer absolutamente nada, como você se sentiria após um ano?”

Eles normalmente responderão mais fortemente com

24
algo como “isso seria incrí�vel! Eu me sentiria tão livre e limpo,
como se qualquer coisa fosse possí�vel”.

Agora você, como o practitioner, tem de se tornar um


espelho. Com um estado emocionalmente forte, copie a fisiolo-
gia e o tom de voz do cliente, enquanto você repete de volta: “e,
enquanto você imagina isso, agora, sentindo-se livre, como se
qualquer coisa fosse possí�vel, com esse sentimento em seu cor-
po, agora, imagine seu amigo oferecendo-lhe um pouco”.

O cliente sempre se sentirá diferente. Considere essa a


primeira repetição. Se o cliente disser: “eu me sinto forte e nem
quero isso”, então você diz: “isso mesmo, sentindo-se forte, livre,
tudo é possí�vel. E, quando você realmente souber disso, agora,
imagine seu amigo oferecendo isso”.

Você deve manter o ciclo de repetições para condicio-


ná-lo. Quando você perceber que o cliente está totalmente con-
gruente, e o próprio gatilho produz o sentimento desejado, você
pode levar esse estado a um momento diferente de quando ele é
disparado. Dessa forma, você começa a colapsar muitas instân-
cias diferentes, e o cérebro fará o que já faz brilhantemente: ele
irá reconhecer e generalizar o padrão.

Demonstração de re-imprinting e reconsolidação

Eu incluo este exemplo para deixar claro como a técni-


ca de re-imprinting pode fluir naturalmente em uma conversa e
para explicar de forma simples a reconsolidação:

M- O que você quer mudar agora?


S- Bem, eu tenho esse evento familiar para ir e sei que minha
sogra vai começar...
M- Pare. Enquanto você pensa isso, qual imagem você formula
em sua mente?
S- Eu só vejo esse olhar em seu rosto...
M- Volte (gesticulando no espaço na frente do cliente, como se
empurrasse a imagem para longe)

Observe os gestos do cliente. Se ele travar e virar as mãos


para si quando pensa no gatilho, quase sempre você poderá con-

25
tar com os gestos opostos para iniciar um novo estado mental.
Eu uso isso durante toda a sessão. A� s vezes, mostro o que eu
vejo e faço com que eles façam o gesto positivo quando pensam
no problema. Você deverá ver a mudança de expressão à medida
que os dois estados colidem.
M - Então, enquanto você repete o gesto de destravar e virar as
mãos para fora enquanto relaxa os ombros, isso mesmo, você
pode pensar no rosto da sua sogra. E faça isso de novo. Isso mes-
mo, e novamente... bom. O que você está percebendo?
S- E� totalmente estranho. E� como uma desconexão, não consigo
sentir a tensão ou qualquer coisa que estava sentindo.
M- O� timo. E quando você não sente mais isso, como você quer
se sentir? Se você pudesse ser ou se sentir de qualquer maneira
quando estivesse perto da sua sogra, como você seria ou se sen-
tiria?
S- Hm... eu quero me sentir bem. Ela deveria saber que sou boa o
suficiente para essa famí�lia. Ela é sempre tão...
M- Pare. E quando você sabe que é boa o suficiente, e mais do
que qualificada, como se sente?
S- Parece que... eu não sei. Quando tento pensar nisso, vem um
sentimento do fundo do meu estômago...
M- E enquanto você concentra sua mente no centro desse senti-
mento, o que você percebe sobre ele?
S- Hum... é algo que senti por toda a minha vida....
M- E enquanto você permite que seu inconsciente volte no tem-
po até a primeira vez que você sentiu isso, permitindo-se viajar
de volta no tempo, seguindo esse sentimento, agora... O que vem
à mente?
S- Eu vejo minha mãe, ela está realmente chateada... e está gri-
tando comigo...
M- Observe essa imagem de você mais jovem e sua mãe, lá no
fundo, bem ali, isso mesmo, então você, adulta, pode ver aquela
cena antiga. Quais os recursos que você tem agora, como adul-
ta, terapeuta e curadora, que, quando mais jovem, você poderia
usar? E você não precisa me dizer, apenas deixe essa você mais
nova saber o que você sabe agora sobre ter mais recursos para
lidar com as situações.
S- Enviei amor e confiança e fiz com que ela soubesse que ela é
criativa e engraçada...
M- Sim, e que ela é muito mais do que suficiente. Não é assim?
S- Sim, ela é.

26
M- E enquanto você a vê naquela imagem, agora possuindo toda
essa sabedoria, amor, apoio e confiança, veja como até o corpo
dela muda...
S- Ela está mais alta e está de pé com sua mãe.
M- As mães geralmente pensam que têm o melhor em mente
para seus filhos, por mais equivocadas que possam ser... e eu me
pergunto se seria apropriado, nessa situação, enviar à sua mãe
alguns recursos que você, como terapeuta, sabe que ela poderia
ter usado na época...
S- Nossa, ela precisava de ajuda. Totalmente bipolar...
M- E você realmente sabe de quanta ajuda essas pessoas preci-
sam, não sabe? E, então, você percebe que isso não era por sua
causa. Certo?
S- A vida dela andava muito maluca...
M- E se você pensasse em enviar-lhe algumas emoções que te-
riam feito essa situação e muitas outras como essa acontecerem
de forma muito diferente, como seria? Talvez ela precise de com-
paixão ou amor ou...
S- Medicação.
M- E se ela tivesse isso, você pode imaginar como ela seria. Fe-
che seus olhos e imagine você, a terapeuta, enviando ajuda para
aquela mulher...
S- Sim, ela está me abraçando agora...
M- E imagine flutuar naquela imagem de sua mãe abraçando
você mais jovem, confiante, segura, consciente de que é apoiada
e amada. Enquanto imagina, sinta aquele abraço da sua mãe. E
quando você estiver pronta, imagine essa garotinha crescendo
dentro de você agora, totalmente confiante e cheia de recursos.

Vendo o sorriso em seu rosto e os sentimentos que o


acompanham, convido sua mente inconsciente a passar por
momentos em seu crescimento nos quais você precisa desse
sentimento. Fique o tempo necessário para permitir que outras
memórias sejam positivamente afetadas da mesma maneira. Um
tempo viajando e mudando todos aqueles sentimentos antigos
e aquelas crenças limitantes, à medida que você transmite con-
fiança, amor, apoio e um conhecimento de que, no fundo, você é
muito mais do que suficiente.

(S abre os olhos depois de alguns minutos)


S- Uau! Isso foi como dez anos de psicoterapia em dez minutos.

27
M- Bem, esta é a cidade de Nova York. Aqui nós gostamos de mu-
danças rápidas.
S- Sim, eu entendo isso. E foi realmente surpreendente a forma
como continuei a ver todos esses momentos no meu passado,
nos quais me sentia pequena ou limitada, e era como se minha
mente estivesse mudando esses momentos, sem que eu tivesse
de fazê-lo, quero dizer, obviamente eu estava fazendo isso, mas
senti como se estivesse apenas observando cada mudança de
memória para uma outra com mais recursos. Que viagem!
M- Parece uma ótima viagem. E enquanto você para por um mo-
mento, e pensa nesse evento, e vê sua sogra, como você se sente?
S- E� quase engraçado. Parece que ela não tem nenhum efeito so-
bre mim...
M- E é engraçado como, quando uma pessoa se desloca em um
relacionamento, a dinâmica muda... e, se você parar de reagir, ela
para de agir daquela maneira antiga, e quem sabe, você pode até
se ver se divertindo nesse evento. E, mesmo que ela permaneça
do mesmo jeito de sempre, você vai se sentir diferente agora que
você mudou.
S- Eu acho que você está certa, e, tendo sentido o quão poderoso
isso foi, com certeza vou usar essa técnica com meus clientes...
mas eu tenho medo de que eles simplesmente pensem que es-
tamos sendo fantasiosos. Entende? Como se eu pudesse imagi-
ná-los dizendo: “mas não foi assim ... minha mãe nunca me mos-
trou amor” ou algo assim.
M- Sim, entendo... é aqui que o meu papel de ser professora
e coach realmente entra em jogo. Eu explico que esse traba-
lho não é feito para a mente consciente. Conscientemente, eles
sabem como a memória realmente foi, ou, pelo menos, acham
que sabem. A memória realmente não funciona do jeito que
eles acham que funciona... cada memória é um processo ativo
e muda com cada recordação, mas isso é para uma discussão
posterior...

Eu falo pra eles sobre algumas das mais recentes pesqui-


sas em memória e inconsciente adaptativo, explico como funcio-
na o processamento: você sabe como reagir em diferentes situa-
ções com base em sua história, sistemas de filtragem, crenças e
até mesmo estado bioquí�mico. A mente está, o tempo todo, bus-
cando referências e agindo de acordo com a forma como você já
atuou.

28
Em outras palavras, suponhamos que, quando jovem, eu
fui mordida por um cachorro. Isso influenciou meu próximo en-
contro com um outro cachorro, porque, ao vê-lo, eu fiquei com
medo, e o cachorro sentiu e rosnou. Na vez seguinte que um cão
entrou no meu caminho, meu cérebro produziu substâncias de
estresse associadas com a paralisia, luta ou fuga, e entrei em pâ-
nico. Então, por causa do medo, cada encontro meu com um ca-
chorro foi horrí�vel, e meu cérebro generalizou esse sentimento.
Assim, só de pensar na possibilidade de encontrar um cachorro,
entro em pânico.

Meu cérebro, com base em minhas memórias do passa-


do, cheio das substâncias quí�micas do estresse, acredita que os
cães são uma grande ameaça para o sistema, então eu me prepa-
ro para correr, mesmo em pensamento. Não tenho outra infor-
mação contrária.

Pesquisas recentes sobre o cérebro nos mostram que,


quando alguém está lembrando-se de algo ou fantasiando sobre
o futuro, as mesmas regiões são acionadas. Quero dizer, a maio-
ria das pessoas que desenvolvem transtornos de ansiedade têm
seus cérebros reagindo a pensamentos que nunca realmente
aconteceram. Talvez eles tenham tido apenas um único episó-
dio de pânico, lembrança que os leva a imaginar-se em pânico
em várias outras situações diferentes. Então, todos os dias estão
criando pequenos momentos de fantasia de pânico.

O cérebro processa esses momentos criados da mesma


maneira que teria processado se realmente tivesse passado por
eles. Faz sentido? Ele os armazena e os utiliza para processa-
mentos seguintes, que entram a cada reação. Forma ví�cios in-
conscientes, heurí�sticas e propósitos que desconhecemos total-
mente.

Então, quando reimprimimos essas memórias com um


conjunto diferente de emoções e crenças, nós as reconsolidamos
e as adicionamos ao repertório inconsciente.

Se eu entrar em transe e criar memórias de acariciar um


cachorrinho, ser salva do afogamento por um labrador ou es-
tar tranquila em torno de cães amigáveis, meu inconsciente terá

29
mais opções de respostas. Eu sei, conscientemente, que esses
momentos são inventados, mas inconscientemente eles ainda
vão afetar meu processamento atual e futuro.

S- Isso faz muito sentido para mim, e acho que me ajudará a usar
essas técnicas, agora que tenho uma compreensão de como ex-
plicar isso aos meus pacientes. Você mencionou “reconsolidar”,
você poderia explicar isso um pouco?
M- Claro! A reconsolidação acontece quando nos lembramos de
alguma coisa. Metaforicamente falando, é como se levássemos
a memória para fora do cérebro e, quando a devolvêssemos, ela
voltasse um pouco diferente, dependendo de como estivésse-
mos nos lembrando dela. Quando nos lembramos de algo, ocor-
re um processo muito complexo, não é como se as memórias es-
tivessem armazenadas na í�ntegra em algum lugar como naquele
filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. O cérebro
acessa diferentes áreas para obter cores, profundidade, visão,
audição, interpretações emocionais e inúmeros outros aspectos
e, basicamente, recria a memória.

Esse processo nunca é separado de todos os conheci-


mentos e experiências que vieram entre a memória e a recor-
dação. Não é como um ví�deo antigo sendo reproduzido, nossos
pensamentos atuais e retrospectivos irão alterar, de forma mui-
to significativa, cada memória. Os detalhes desaparecem para
manter a essência, porém não nos sentimos desse jeito: nossas
mentes não gostam de não saber, então nosso cérebro irá inven-
tar acontecimentos para preencher essas lacunas. A confabula-
ção é um fato.

Quando nos recordamos, recodificamos a memória, que sofre


uma ligeira alteração, ocorrendo o processo conhecido como
“reconsolidação”. O processo de recordar-se desbloqueia as re-
presentações neurais. Pesquisas indicam uma janela de cerca de
seis horas para a memória, com novas informações, ser relocada
em um ní�vel sináptico. Uau! Desculpe pela longa resposta...

S- Imagine! Foi exatamente o que eu pedi. Obrigada.


M- E, antes de voltar para sua casa, vamos fazer uma verificação
rápida: eu quero que você pense no evento que fez você vir até
aqui. Imagine sua sogra sendo ela mesma...

30
S- E� quase engraçado. Uau! Não acredito que eu consiga pensar
nela e me sentir tão diferente... espero que essa mudança seja
permanente!
M- Bem, a julgar pelo seu sorriso, sua respiração relaxada, seus
gestos de mãos abertas e soltas, vou apostar que isso já aconte-
ceu. Acho que você está bem.

Então, pratique o re-imprinting utilizando o metapa-


drão. Nós chamamos de re-imprinting porque geralmente o pro-
cesso ocorre em uma memória inicial da infância, armazenada
durante os anos de impressão, mas, com o que agora sabemos
sobre a reconsolidação, isso pode ser feito em uma memória ou
situação que aconteceu ontem, por exemplo. O recurso chave é a
dissociação. Então, olhando para a demonstração pela lente do
metapadrão, a cliente chega ao primeiro passo quando associa o
sentimento à memória de sua mãe gritando com ela. Seu corpo
se deslocou, os ombros encurvaram e ela literalmente ficou me-
nor.
Assim que vejo isso, eu dissocio, fazendo-a ver essa me-
mória à distância. Eu gesticulo com minhas mãos para indicar
que essa memória está pequena, distante, lá em baixo, mudando
a sua perspectiva, para que ela se sinta maior quando olha sua
mãe lá em baixo. E ela responde imediatamente, sentando-se
com mais postura. Eu fortaleço isso perguntando a ela, como te-
rapeuta, o que ela quer enviar para aquela garotinha, lá embaixo.

Ao enviar recursos para o eu mais novo e para a mãe,


já estamos mudando para os estados de recursos, mesmo antes
da completa associação ao explorar a memória. Este é o terceiro
passo, mas também tem elementos do passo quatro, que é o co-
lapso.

Ao fazer com que ela se imaginasse sentindo o abra-


ço, sugerindo que aquela garotinha crescesse dentro dela com
aqueles novos sentimentos, permiti que a reconsolidação ocor-
resse. No momento em que percebi que ela ficou mais quieta,
que sua respiração mudou e suas pálpebras começaram a tre-
mer, aproveitei o transe para fazer algumas sugestões. Ao pedir-
lhe que se permitisse passar algum tempo viajando para que seu
inconsciente começasse a espalhar confiança e amor para outras
memórias, estava incentivando a generalização.

31
E suas respostas nos deram um vislumbre disso. Quando
eu respondi a sua pergunta sobre a reconsolidação, usei o estado
de curiosidade e compreensão como outro ótimo recurso para
se conectar ao gatilho, pedindo que ela pensasse novamente em
sua mãe. Sempre que você conectar diferentes estados emocio-
nais positivos ao gatilho, estará construindo conexões neurais
ainda melhores.

E então, o re-imprinting. Assim que seu cliente se asso-


ciar a uma memória negativa, dissocie-o. Peça-lhe que se veja na
tela ou no chão, numa visão pequena e à distância. A partir daí�,
pergunte o que ele gostaria de enviar para esse “eu mais novo”.
Lembre-se de usar o idioma da dissociação: “olhe para esse você
mais jovem que está lá. O que você tem, como adulto, que você
mais jovem poderia usar?”

E� necessário obter o estado do recurso positivo no


cliente antes de enviar recursos para a sua versão mais jovem.
Você pode fazer isso perguntando “quando você se sente con-
fiante, onde sente isso acontecer em seu corpo?” ou “como você
sabe quando se sente confiante?” Espere até que eles acessem
isso antes de sugerir: “envie essa confiança para você mais jo-
vem”.

Se houver outras pessoas na memória, você pode pedir


que o seu cliente envie, se achar que é apropriado, recursos para
essa ou essas pessoas. Uma vez feito isso, faça-o sentir como é
ter os recursos necessários para aquele momento. Conseguiu?
Agora vá praticar!

Ressignificação de 3 passos

Este processo é adaptado da “ressignificação de seis pas-


sos” da PNL e é uma maneira de descobrir a intenção positiva
do comportamento e gerar comportamentos alternativos que a
sustentem.

Você pode começar guiando seu cliente para um estado


mais aberto e relaxado, usando uma das suas induções preferi-
das. A respiração cardí�aca, o foco aberto ou a dissociação cons-
ciente/inconsciente são adequados para isso.

32
Quando o seu cliente estiver relaxado, peça-lhe que
preste atenção a quaisquer pensamentos, imagens e memórias
que ocorram após a pergunta “qual é a intenção positiva por trás
desse comportamento?” ou “o que a droga/bebida/hábito tenta
fazer por você?” Faça com que o cliente sinalize com a cabeça
quando ele tiver alguma ideia da resposta.

Quando ele sinalizar, peça para sua mente inconsciente


gerar comportamentos alternativos que ainda satisfaçam a in-
tenção positiva. Geralmente, sugeriremos que “seu inconsciente
continua processando as informações enquanto você relaxa e,
assim, continuará gerando diferentes alternativas que podem fa-
zer o que essa droga estava tentando fazer. Indique com cabeça
quando uma boa alternativa vier à mente”.

Em seguida, peça-lhe que imagine um tempo no futu-


ro utilizando a melhor alternativa e pergunte se foi uma opção
satisfatória. Peça que assinale com a cabeça a resposta. Se, por
acaso, ele assinalar que não foi, você pode lembrá-lo de que seu
inconsciente continua resolvendo problemas e procurando ma-
neiras melhores durante o relaxamento. A� s vezes, simplesmente
os deixarei relaxar um pouco mais profundamente e irei sugerir
que experimentem uma alternativa diferente.

Demonstração de Squash visual para dependentes

O squash visual é um processo de integração de peças


simples e poderosas. Para muitos dependentes, há uma parte
deles que quer parar e uma parte que não. Eles podem dizer algo
como “parte de mim quer ficar limpa, mas parte de mim está
com muito medo” ou “por um lado, eu quero parar de fazer isso,
por outro lado, não posso imaginar minha vida sem a droga”.

Quando ouço isso, minha primeira atitude é pedir-lhes


que ergam as mãos na sua frente, com as palmas para cima.

Peço-lhes que respirem profundamente, fechem os olhos


e me digam qual mão representa a parte que quer parar. Então,
eles imaginam uma representação ou sí�mbolo visual para essa
parte, e eu faço o mesmo para o outro lado, o que representa a
parte deles que deseja seguir com o ví�cio.

33
Em seguida, direciono à parte que quer parar a pergun-
ta: “qual é a sua intenção positiva?”

Em nosso trabalho, operamos sob o pressuposto de que


todos os comportamentos têm uma intenção positiva. O que é
comumente referido na psicologia como um “ganho secundário”
acreditamos ser primário. Ao manter essa crença e compartilhar
esse conhecimento com nossos clientes, eles começam a pensar
em si mesmos com mais compaixão: a parte deles que usa a droga
deixa de ser demonizada, e então podemos explorar a intenção
positiva, criando, para eles, maneiras alternativas de alcançá-la .

A melhor maneira de ensinar como esse processo fun-


ciona é mostrando a você. Aqui está uma transcrição do proces-
so de uma sessão minha:

C- Parte de mim queria parar por um longo perí�odo de tempo,


mas...
M- Coloque as mãos na sua frente assim (coloque as duas mãos
na frente)
C- Ok...
M- Agora, qual delas é a mão que mantém a parte que quer pa-
rar?
C - A direita
M- O� timo. Agora, imagine essa parte como um sí�mbolo ou qual-
quer imagem que venha à mente.
C- Certo!
M- Agora, faça o mesmo para a outra parte. A parte que quer
usar.
C- Tudo bem.
M- Agora, falando sobre a parte que quer parar, qual é a intenção
positiva dessa parte? O que ficar limpo vai fazer por você? Rela-
xe e me diga a primeira coisa que vem à sua mente.
C- Vai me ajudar a ser melhor para minha famí�lia.
M- E quando você for melhor para sua famí�lia, o que isso fará
por você?
C- Estarei mais no controle e serei mais responsável.
M- E quando você estiver mais no controle e for mais responsá-
vel, o que isso fará por você?
C- Eu ficarei mais confiante e lúcido. E poderei desenvolver algu-
mas ideias que eu tenho.

34
M- E quando você estiver mais confiante, lúcido e desenvolven-
do as ideias, o que tudo isso significará para você?
C- Acho que significa que eu tenho um propósito. Que eu posso
me sentir melhor comigo mesmo...
M- E quando você tem um propósito e está confiante, lúcido,
responsável, desenvolvendo as ideias, então, quem é você como
pessoa?
C- Eu sou quem eu deveria ser. Estou feliz e orgulhoso.
M- Está certo. Feliz, orgulhoso e quem você deveria ser. E agora,
esta parte, (tocando a palma da outra mão) sabendo que todas
as partes têm intenções positivas, o que ela faz por você de po-
sitivo?
C- Hm... Isso me ajuda a relaxar...
M- E quando você está relaxado, o que isso faz por você?
C- Ajuda-me a lidar melhor com meus filhos... ser mais tolerante.
M- E quando você lida melhor com seus filhos e é mais tolerante,
o que isso faz por você?
C- Faz com que eu me sinta um pai melhor. Nem sempre irritado,
gritando...
M- E quando você é um pai melhor, mais tolerante, quem você é
como pessoa?
C- Eu sou quem eu sempre quis ser. Quando eu estava crescendo,
eu jurei que nunca seria como ele...
M- Está certo. E quando você é um pai melhor, mais tolerante,
diferente, você pode parar por um momento e sentir como é ser
mais relaxado. E, considerando que você é assim, vou falar com
a parte mais importante de quem você é, seu inconsciente, que
processa as informações de uma maneira diferente da que você
pensa. Conforme eu viro as palmas das suas mãos, uma de frente
para a outra, eu vou pedir ao seu consciente que comece a inte-
grar todas as intenções e aspectos positivos de ambas as partes.
Como você não pode fazer isso conscientemente, relaxe e note
o que você percebe à medida que essas mãos se juntam, na in-
tensidade e velocidade desse processo de integrar as intenções,
agora...
(As mãos do cliente começam a se mover juntas em movimentos
muito lentos e intensos)
M- Muito bem. Permitindo-se relaxar em uma nova forma de
ser. Mais relaxado e no controle, sendo um pai mais tolerante,
melhor, à medida que avança, sentindo-se limpo, confiante, dei-
xando que seja mais fácil se conectar à sua famí�lia e ao seu pro-

35
pósito... permitindo que seu inconsciente trabalhe outros aspec-
tos de sua vida que ainda não consideramos... sentindo-se mais
relaxado, confiante, seguindo em frente...
(As mãos do cliente se juntam)
M- E permita que seu inconsciente crie um novo visual que re-
presente essa integração, enquanto você traz suas mãos ao seu
coração.
C- Isso foi louco! Minhas mãos estavam se movendo sozinhas...
Eu apenas senti acontecendo...
M- Sim. Seu inconsciente é mais poderoso do que você pensa,
e, em algum momento, você compreende completamente que
a parte de você que estava usando a substância estava apenas
tentando ajudá-lo a ser quem você queria ser. Ambas as partes
querem que você seja quem você deveria ser. Agora que você
está aprendendo todas essas outras maneiras de relaxar e de se
conectar, pode começar a notar que outras áreas de sua vida fi-
cam mais claras...

O que você não pode ver lendo essa transcrição é o


olhar calmo, de aceitação, do cliente, além do olhar de sur-
presa pelo fato de as mãos parecerem mover-se sozinhas.
Isto é o que chamamos de linguagem hipnótica, um “con-
vincer”, que mostra ao cliente alguns pontos importantes:
primeiro, que ele tem uma poderosa mente inconsciente,
abrindo a porta para novas possibilidades e mostrando-lhe
que esse processo é diferente de tudo o que ele tentara antes
e não funcionara, o que interrompe a crença e cria expectati-
va. Segundo, que é uma experiência inovadora, pois recebe-
mos uma dose de dopamina, que ajuda a aprender e faz com
que o cérebro preste atenção. Também é bom e gratificante
e nos permite lembrar ao cérebro que existem outras for-
mas de usar o nosso circuito de recompensas. Terceiro, que
esse processo, como afirmado anteriormente, altera a visão
do eu. Em vez de pensar no ví�c io como uma falha na moral,
entendemos o propósito maior, ou seja, o que a droga estava
tentando fazer, permitindo muito mais espaço para compre-
ensão, compaixão e percepção de maneiras alternativas de
atingir os objetivos.

No meu livro “Keeping the brain in mind: practical neu-


roscience for coaches, therapists and hypnosis practitioners”,

36
escrito com Shawn Carson, falamos sobre como esse processo
pode ser usado para ajudar a sincronização hemisférica. Se você
já está familiarizado com ele, pode explorar as outras manei-
ras de usá-lo, mergulhando mais profundamente nas formas de
questionamento dos hemisférios esquerdo e direito para esti-
mular diferentes regiões do cérebro.

O processo da fogueira

Este processo é ótimo para permitir que os clientes te-


nham uma experiência catártica, que promova clareza e perdão.
E� muito simples, mas tem um impacto profundo. Foi adaptado
do livro de Branden Bays, “The journey”.

Com o cliente em estado de transe, faça-o imaginar a fa-


mí�lia ou quaisquer outras pessoas importantes sentados em tor-
no de uma fogueira ou sala familiar (ou outra configuração que
eles prefiram).

Sugira, também, que ele imagine duas versões de si


mesmo sentadas lá: uma versão atual e uma versão mais nova
(qualquer idade que ele escolha). Peça ao cliente que ele permita
que a versão mais nova diga tudo o que quiser e precisar dizer
a alguém a quem nunca teve chance. Sugira que a versão adulta
esteja lá para segurar a mão e proteger a criança...

Quando o cliente acenar que isso foi feito, sugira que to-
dos os presentes na cena imaginada respondam à versão mais
nova, para que ela saiba que foi ouvida. Peça-lhe para assentir
quando for feito.

Então, sugira que agora é a vez da versão atual, adul-


ta, dizer o que sempre quis dizer. Sugira que é hora de tirar
tudo do peito. Assim que ele assentir, faça com que todos os
presentes na cena também respondam. Quando terminar, per-
gunte se é apropriado perdoar alguém ou, pelo menos, soltar
todas as dores. Em seguida, faça com que o adulto e a criança se
fundam, e sugira, ainda, que a criança cresça dentro do adulto,
sabendo que agora pode falar e que ela é amada e nutrida pelo
adulto.

37
Ní�vel 3 - Facilitando o Poder Pessoal

O terceiro ní�vel é sobre o poder pessoal. E� sobre ensinar


dependentes a desenvolver estratégias alternativas de recom-
pensa. Ao trabalhar a força de vontade e a criação de significa-
dos, ajudamos os clientes a cultivar novos valores, e, ao fazê-los
conectar-se a grupos e outros indiví�duos em necessidade, pro-
movemos um senso de comunidade e propósito.

As técnicas, resumidamente, são as seguintes:


Modelo de auto-hipnose com ensaio de filme
Processo do Advogado Sábio
A Jornada Emotiva ou Técnica “Drop through”
Técnica de Repetição de Objetivo

Modelo de Auto-hipnose

Você pode usar qualquer indução para que o cliente en-


tre no estado hipnótico. Quando ele estiver em transe, faça-o
fazer um filme de como ele quer ser, fazendo o que ele quiser,
qualquer atividade que o mostre que ele está livre do ví�cio.
Quando ele terminar, faça-o entrar nesse filme e vivê-lo. Pesqui-
sas indicam que regiões do cérebro disparam como se a pessoa
realmente estivesse vivenciando o comportamento desejado.

Repetição de Objetivo

Esta é uma indução que mais parece uma indução dupla.


Você vai transformar o objetivo do seu cliente em uma frase sim-
ples de cinco ou seis palavras, provocando diferentes emoções
para que a sentença ressoe.

Você irá pedir-lhe para falar uma palavra por respiração,


enquanto relaxa profundamente. Você repetirá as palavras entre
as respirações criando ritmo e aprofundando o transe. Você co-
meçará a intercalar todas as diferentes palavras, que são a razão
pela qual eles querem esse objetivo.

Repita o processo por 10 vezes e sugira que o cliente se


aprofunde no transe a cada vez. Em seguida, sugira que ele faça
isso enquanto dorme à noite.

38
O Advogado Sábio

Outra opção para este processo é trazer o advogado sá-


bio, uma personificação da mente inconsciente. Pode ser uma
ótima fonte de orientação, conforto e simbolismo para o cliente.
Depois que ele passar por esse processo, pode usá-lo como uma
forma de auto-hipnose.

Peça ao cliente que relaxe em um transe leve e, em se-


guida, sugira que ele imagine uma bela escada. Ao fazê-lo descer
dez passos, relaxando mais profundamente a cada passo, lem-
bre-se de modificar seu próprio estado para estar congruente
com o estado do cliente, relaxando a cada passo também.

Quando chegar ao último passo, peça-lhe que imagine


uma porta bonita e diga algo como “em algum momento, mas
não agora, eu pedirei que você abra a porta para conhecer o seu
sábio defensor, ele é a maior parte de quem você é e pode assu-
mir qualquer forma. Seu advogado sábio está conectado a todos
os seus recursos e a todas as suas intuições e processos incons-
cientes. Você pode fazer perguntas e estar aberto a qualquer
percepção que você possa obter dele. Agora abra a porta e veja
quem aparece para você.”

O advogado sábio pode ser usado para obter informa-


ções sobre qualquer problema que seus clientes estejam enfren-
tando. Para a ressignificação de três passos, faça o cliente per-
guntar ao advogado sábio quais foram as intenções positivas do
comportamento. Faça-o pedir ao advogado que o ajude a gerar
novas alternativas; depois, faça o advogado sábio ajudá-lo a ter
uma imagem de si mesmo no futuro, como ele quer ser.

Eu tenho um cliente que é muito ligado a arquétipos, e,


dependendo do que precisa no momento, seu sábio defensor
toma diferentes formas. Outro cliente, que é um terapeuta, con-
sulta seu sábio defensor após um dia de pacientes, perguntando
sobre cada um deles. Ele diz que essa é a melhor supervisão que
já teve.

Quando você realmente entende a quantidade de infor-


mação que estamos recebendo (e dando) de forma inconsciente,

39
você começa a ver como o fato de entrar naquele armazém de
conhecimento pode infundir e informar tudo o que fazemos.

Se, por algum motivo, seu cliente não estiver tendo a ex-
periência do advogado sábio, simplesmente sugira “o advogado
sábio é, realmente, apenas uma metáfora para a personificação
de sua mente inconsciente, saiba que está aí� dentro, disponí�vel
para você. Dedique-se, por um momento, em imaginar um lindo
lugar, um lugar para se sentar e relaxar enquanto se abre para
seu guia interior. Agora se sente com a pergunta em mente: qual
é a intenção positiva por trás desse hábito?”

Lembre seus clientes de que eles podem voltar aqui


sempre que quiserem, descendo aquela bela escada e passando
por essa porta.

A Jornada Emotiva ou Técnica “Drop through”:

Quando você começar a ter esse sentimento negativo,


localize-o em seu corpo e imagine-se indo direto ao seu centro.
Imagine-o como uma camada que você pode percorrer, pergun-
tando-se: “o que está por baixo disso?” atravesse e perceba o que
está sentindo por baixo. Em seguida, atravesse mais um pouco,
perguntando: “o que está por baixo disso?” e continue até chegar
a um bom sentimento ou estado de recursos.

Depois de encontrar o recurso no núcleo, por baixo de


todas as camadas, permita-se aproveitá-lo. Imagine-o como uma
incrí�vel energia curativa ou um elixir e permita que isso o preen-
cha. Uma vez que você estiver cheio desse sentimento essencial
do núcleo, imagine viajar de volta às camadas, trazendo essa in-
crí�vel energia e percebendo como ela transforma qualquer esta-
do negativo.

A� medida que você imagina e sente todas essas emoções


mudando, observe o quanto você sente mais poderoso, observe
como o estado negativo inicial é diferente agora.

Essa técnica é útil como uma forma de responder a um


estado emocional esmagadoramente negativo e de descobrir
que, quando você o enfrenta, ele se transforma em algo diferen-

40
te. Isso mostra à mente que, quando você para de fugir e mergu-
lha com curiosidade, descobre que tem muito mais recursos do
que já imaginou ter.

Pesquisa de Neuroplasticidade
para Aplicações Clínicas
Na verdade, é muito mais fácil substituir hábitos pensa-
dos para serem duradouros por novos hábitos, crenças e com-
portamentos. Os pesquisadores estão descobrindo que, usando
técnicas empí�ricas para facilitar as mudanças fisiológicas que
ajudam a facilitar a neurogênese em populações que abusam de
substâncias, é possí�vel criar mudanças sustentadas em um ní�vel
mais profundo, ao mesmo tempo em que promovem esperança,
capacitação e autossuficiência em seus clientes.

Cramer, et al. (2011) Harnessing neuroplacticity for clinical


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Demais Referências bibliográficas

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ment, 3rd ed. Washington, DC: American Psychiatric Publishing,
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peutic Alliance: Keeping the Drug-Dependent Individual in Tre-
atment: NIDA Research Monograph, 165. Rockville, MD: U.S. De-
partment of Health and Human Services.

Outras Leituras Recomendadas:

The Biology of Desire: Why Addiction is Not a Disease. Mark


Lewis, PH.D Philadelphia, PA: Perseus Press.
Chasing the Scream: The First and Last Days of the War on Dru-
gs. Johann Hari (2016). Bloomsbury USA Press.
The Biology of Belief. Bruce H. Lipton (2008) New York, NY: Hay
House.
High Price: Drugs, Neuroscience, and Discovering Myself. Carl
Hart. (2013). New York: Harper, 2013.
The Truth About Addiction and Recovery. Stanton Peele
Unbroken Brain. Maia Szalavitz
The Sober Truth: Debunking the Bad Science Behind the 12 Step
Program. Lance Dodes, Zachary Dodes.
The Body Keeps the Score. Bessel Van Der Kolk
Rewire your Brain. John Arden
Keeping the Brain in Mind. Melissa Tiers, Shawn Carson.

Kit Antiansiedade

Meu objetivo com este livro é permitir que o leitor possa ob-
ter alí�vio em até dez minutos após a sua abertura. Com isso em
mente, vou manter curta esta introdução.

Quando trabalho com meus clientes, utilizo uma abor-


dagem dupla para que superem a ansiedade: primeiro, ensino
a eles diferentes técnicas para abordar os aspectos energéticos,
cognitivos, emocionais, bioquí�micos e estruturais envolvidos.
Para muitas pessoas, aprender sobre esses aspectos já diminui a
intensidade dos acontecimentos.

Em seguida, trabalhamos juntos para neutralizar siste-

43
maticamente os gatilhos e reprogramar as reações. Embora eles
aprendam muitas técnicas para neutralizar a ansiedade, o pro-
cesso de reprogramação é o que faz isso, então eles raramente
precisam usá-las.

E� como aprender uma arte marcial: primeiro, você


aprende a dar um golpe no traseiro; em seguida, você aprende
que jamais precisará usá-lo. E� interessante perceber que, quanto
mais habilidoso você for, menos precisará lutar.

Então, pense dessa mesma forma com este livro.

Detenha o mandão no seu cérebro

Os capí�tulos preliminares deste livro abrangem manei-


ras rápidas de interromper o padrão de ansiedade. Uma vez que
você os compreender, alcançará um estado mental muito mais
receptivo para praticar os processos mais profundos que surgi-
rem posteriormente.

Pense na ansiedade como uma rede de grupos de neurô-


nios no cérebro que criam uma área de associação – como dizem
alguns neurocientistas, “células que se ativam juntas, conectam-
se entre si.” Por exemplo, uma violinista terá uma área de as-
sociação que se correlaciona com a mão que usa para tocar o
instrumento. Quanto mais ela praticar, maior a área se tornará.
Se ela parar de tocá-lo por um tempo, o grupo reduz novamente
ao seu tamanho normal. Isso corresponde a pesquisas feitas em
Londres com motoristas de táxi, que mostram maior densidade
na área do cérebro associada à navegação (ao contrário de como
acontece em Nova York, os taxistas de Londres realmente preci-
sam conhecer a cidade).

Como você pode ver, quanto mais reforçamos o padrão,


mais espesso e forte o grupo de neurônios se torna, e, à medi-
da que isso acontece, torna-se muito mais difí�cil controlá-lo. O
meu amigo John Overdurf refere-se a esses grupos de neurônios
como “o mandachuva forte, grande e excessivamente sensí�vel.
Isso o desencadeia facilmente”. Porém, novas pesquisas em neu-
rociência mostram que o cérebro é maleável e capaz de mudar

44
até os padrões mais arraigados. Portanto, a cada vez que você
interrompe o padrão de ansiedade, você está trabalhando para
reprogramar o cérebro. Pesquise “neuroplasticidade” no Google
se quiser saber mais.

Felizmente, o cérebro pode ser reprogramado muito


mais facilmente do que a maioria das pessoas imagina, e, ao
praticar todas as técnicas presentes neste livro, você se tor-
nará um especialista em neuroplasticidade. Isso porque, se
você conseguir interromper a ansiedade e, em seguida, co-
nectar esse grupo de neurônios a um estado de mais recursos,
como o relaxamento, você estará interligando esses neurô-
nios e desfazendo a área de associação que mantinha esse
grupo forte. Então, você não só obtém alí�vio imediato, como
também, pouco a pouco, desfaz a rede neural que costumava
manter essa ansiedade ativa, e este livro lhe dará muitas ma-
neiras diferentes de acalmar, orientar e alterar o mandachuva
no seu cérebro.

Eis outra maneira de pensar sobre isso: a ansiedade


tem uma estrutura. Algumas pessoas verão algo externo, de-
pois dirão algo dentro de suas mentes e, então, irão sentir-se
ansiosas. Outras ouvirão ou se dirão algo e depois farão uma
imagem interna, e então se sentirão ansiosas. Outras, ainda,
vão se lembrar de algo como uma imagem e em seguida re-
agirão a ela sentindo-se ansiosas... e existem várias outras
combinações diferentes possí�veis. Assim que você entende
que é você quem está gerando a ansiedade, e não que ela
simplesmente aparece do nada, podemos começar a mudar a
situação. Este livro irá mostrar como fazer isso mudando as
imagens internas, o diálogo e os sentimentos associados a ela
no corpo.

Começaremos com técnicas rápidas e fáceis para inter-


romper esses padrões, e então prosseguiremos com todas as
diferentes maneiras pelas quais você poderá dominar e alterar
as suas estratégias internas. Eu sugiro praticar essas técnicas
enquanto você as lê. Se você se familiarizar com elas antes que
a ansiedade atinja o auge, então você estará preparado sempre
que precisar.

45
Estimulação bilateral

Esta técnica envolve estimular os dois lados do cérebro


para interromper a ansiedade. E� absurdamente simples, mas
surpreendentemente eficaz. Pegue uma bola (ou uma maçã ou
qualquer outra coisa que você possa usar para jogar) e pense
em algo que lhe esteja causando ansiedade. Assim que você con-
seguir senti-la em alguma parte de seu corpo, avalie o ní�vel dela
em uma escala de um a dez.

Agora jogue a bola de um lado para o outro, de uma mão


para a outra, cruzando a linha da mente, estimulando ambos os
hemisférios do cérebro. O efeito será mais rápido se você manti-
ver uma mão à sua frente enquanto a outra balança para o lado
cada vez que você passa a bola. Faça isso por um minuto e então
pare. Respire fundo e confira o resultado. Você pode perceber
que a ansiedade se dissipou.

Isso acontece porque, ativando ambos os hemisférios, você


está espalhando sangue e impulsos elétricos em todo o cérebro,
atingindo essa área de associação e a difundindo. Logo, esse grupo
de ansiedade simplesmente não consegue mais manter-se junto.

Agora, pense na mesma situação novamente, veja quan-


to de ansiedade você consegue reconhecer ainda presente, e
avalie-a mais uma vez na escala de dez a um. Passe a bola ou
outro objeto por um minuto e confira o resultado. Repita isso até
que a ansiedade tenha sumido completamente.

Isso é algo que você pode fazer em qualquer lugar. As-


sim que você começar a sentir a ansiedade, simplesmente pegue
um objeto – uma chave, uma garrafa de água, qualquer acessório
funciona desde que você mova ambos os braços – e ultrapasse
com ele a linha mediana do seu corpo.

Visão periférica (pare o mundo)

Ao ajudar as pessoas a superar a ansiedade, notei algu-


mas semelhanças. Seja o que os médicos chamam de ansiedade
especí�fica ou generalizada, o diálogo interno ou é o gatilho ou é
o que mantém o padrão.

46
Você vai aprender muitas maneiras diferentes de neu-
tralizar o diálogo interno mais adiante, mas, por agora, experi-
mente esta simples forma de mudar a sua mente:

Comece escolhendo um lugar ou ponto central para


olhar. Lentamente, comece a expandir sua visão periférica para
incluir tudo ao redor presente no espaço do local.

Agora, expanda sua visão ainda mais para os lados, para


cima até o teto e para baixo até o chão. Expanda-a ainda mais, per-
mitindo que seu campo de visão se abra de tal maneira que você
consiga imaginar-se tornando consciente do espaço atrás de você.

Pode parecer estranho de iní�cio, mas, depois de praticar


três ou quatro vezes, você notará que uma calma paira sobre a
sua mente e sobre o seu corpo enquanto você percebe que o seu
diálogo interno cessou.

A isso que Carlos Castaneda se referiu como “parando


o mundo”. Eu ensino esse processo aos meus clientes que têm
ansiedade, pois isso os permite ampliar a consciência de dentro
para fora. A vantagem da visão periférica é que ela pode ser feita
em qualquer lugar, a qualquer hora, e, com a prática, torna-se
uma outra maneira de se estar no mundo.

Coerência cardíaca

Esta técnica é adaptada do trabalho do Instituto Heart-


Math, um grupo de médicos e psicólogos que estão estudando a
coerência da frequência cardí�aca e o seu efeito na saúde mental
e fí�sica.

Comece levando sua consciência para o seu coração e,


enquanto você faz isso, imagine respirar profundamente, dentro
e fora dele. Talvez você queira colocar a sua mão sobre o seu
coração para manter a sua consciência lá enquanto você respira
por meio dele.

Imagine que, enquanto o seu coração está bombeando


sangue saudável por todo o seu corpo, ele também está irradian-
do energia por meio de todo o seu sistema.

47
O coração é o transmissor mais forte de energia eletro-
magnética do corpo. Ao fazer o exercí�cio, você está começando a
levar seu cérebro para um estado de onda cerebral mais coeren-
te e relaxado.

O coração envia informações para o cérebro de várias ma-


neiras: eletromagneticamente, que é como funcionam os ECGs;
por meio do pulso, enviando informações por uma onda de pres-
são arterial; e bioquimicamente, pela liberação do peptí�deo atrial,
um hormônio que inibe outros hormônios do estresse.

Você pode descobrir mais visitando o site heartmathins-


titute.com.

Pratique a respiração cardí�aca ao longo do dia, saben-


do que, assim que sentir ansiedade, você pode levá-la imediata-
mente para o seu coração, e então respirar. A� s vezes, ao se con-
centrar em seu coração, você talvez queira pensar em alguém ou
em algo que ama e permitir que esse sentimento flua através da
sua respiração.

E, enquanto você se sente melhor, talvez você possa


achar interessante perguntar a si mesmo: “o que posso aprender
com isso?” Você pode se surpreender com suas respostas.

Um momento de cair o queixo

Outra maneira rápida de tirar parte do poder da ansie-


dade é criar uma experiência de cair o queixo. Pare um momento
e relaxe a mandí�bula o quanto você puder. Relaxe-o ainda mais e
o imagine cair no chão.

Ao fazer isso, você estimula o nervo vago, que leva infor-


mações do sistema nervoso para o cérebro, mantendo-o infor-
mado sobre o que o corpo está fazendo. Quando você deixa sua
mandí�bula cair, está estimulando o sistema nervoso parassim-
pático a neutralizar a reação de lutar ou fugir, além de também
estar estimulando os pulmões a alcançarem uma boa respiração
profunda, criando um fluxo dos bioquí�micos associados à res-
posta de relaxamento. Portanto, relaxe sua mandí�bula, respire
fundo e pausadamente por três vezes. Em seguida, expire mais

48
duas vezes pelo nariz. Quando você inspirar profundamente, co-
loque sua mão na barriga e sinta-a subir. Isso assegura que você
está respirando com o seu diafragma.

Algumas pessoas acreditam que, inspirando em uma


contagem de quatro, pausando três e exalando oito, elas são ca-
pazes de evitar que suas mentes se angustiem, enquanto eles
deixam que a resposta de relaxamento seja coerente com sua
respiração.

Descobri que, depois de apenas três ou quatro dessas


respirações, meus clientes ficam em melhores condições de
fazer algumas das técnicas que serão abrangidas mais adiante
neste livro.

O giro ao contrário

Uma das caracterí�sticas consistentes da ansiedade e do


medo é que eles são sentimentos refletidos fisicamente no cor-
po. Sempre estão em movimento e geralmente se movem muito
rápido.

Pense na última vez em que você ficou assustado. Você


talvez se lembre de que o sentimento começou em alguma parte
do seu corpo (por exemplo, na sua barriga). Ele se moveu para
cima (ou para baixo) e, finalmente, saiu, enquanto o medo pas-
sou por você.

Com a ansiedade, o medo se move para cima ou para bai-


xo, mas não vai embora, continua circulando pelo corpo. E� por
isso que dizemos que o medo tem um giro.

A técnica a seguir é uma maneira de interromper esse


ciclo. Ela vem de Richard Bandler, o cocriador da Programação
Neuro-Linguí�stica (PNL), e pode ser usada para muitos estados
emocionais desconfortáveis diferentes.

Muitas vezes, eu utilizo o exercí�cio com meus clientes


uma única vez, e eles são capazes de usá-lo por conta própria
como uma saí�da rápida da ansiedade, alcançando um estado
com muito mais recursos. Funciona assim: localize onde você

49
sente a ansiedade se movendo em seu corpo e observe de que
maneira o sentimento gira (muitas vezes, é útil usar sua mão
para modelar a direção da rotação).

Em seguida, imagine que você pode levar a rotação para


fora do seu corpo. Em outras palavras, ainda está girando do
mesmo modo que você sentiu antes, mas agora está fora de você.
Uma vez que você consegue senti-la fora de você mesmo, inverta
a rotação (e o movimento da mão, se você a estiver usando).

Enquanto você faz isso, imagine trazê-la de volta para


dentro do seu corpo, girando nessa direção oposta. Observe
como se sente diferente. Agora, pense em algo engraçado e adi-
cione risadas enquanto ela gira, porque isso vai começar a mu-
dar as substâncias quí�micas e os hormônios que estão percor-
rendo todo o seu corpo.

Na próxima vez em que você começar a se sentir ansioso,


tudo o que você terá de fazer é notar a forma como o sentimento
está girando e então invertê-lo. Meus clientes relatam uma mu-
dança imediata, e alguns até já sentem vontade de rir.

Torne-se o diretor (tomada um) – Auto-hipnose


para reprogramar o cérebro

Ser instrutora de hipnose clí�nica me dá um filtro um


pouco diferente, e por meio dele estudo sobre ansiedade e todas
as suas reações variadas. Primeiro e mais importante: vejo a an-
siedade como um poderoso estado de hipnose.

Como a hipnose evoca diferentes ideias e diversas infor-


mações errôneas, farei o possí�vel para simplificar e normalizar
o estado de transe para você entender como que entramos e sa-
í�mos dele o tempo todo.

Você pode pensar na hipnose como um estado de cons-


ciência hiperfocalizada, no qual a barreira que separa as mentes
consciente e inconsciente é afastada. Isso o leva a um estado de
maior sugestibilidade.

Por exemplo: toda vez que você se envolve em um bom

50
filme, entra em um estado de maior sugestibilidade e, sem se-
quer tentar ou estar ciente disso, afasta, naturalmente, o fator
crí�tico da mente. Na linguagem cinematográfica, isso se chama
suspensão de descrença.

Se você não suspendesse a descrença quando se sentas-


se para assistir a um filme, não seria capaz de se esquecer de que
é apenas um filme: há um ator, um diretor, um produtor e toda
uma equipe de som; uma equipe de filmagem, uma equipe de
iluminação e toda correria acontecendo por detrás da câmera.
Mas nós não pensamos nisso (a menos, claro, que o filme não
seja bom).

Quando você alcança um estado focado de consciência


combinado com a suspensão de descrença, aumenta o seu esta-
do de sugestibilidade, em que sua mente inconsciente se torna
mais receptiva. E isso é hipnose.

Isso significa que você se assusta quando querem que


você se assuste e chora quando querem que chore. Por quê?
Apesar de tudo, você é inteligente, sabe que não é real. Alguém
escreveu o roteiro, alguém reescreveu, e alguém questionou so-
bre as alterações. Alguém dirigiu. Não importa. Por essas duas
horas, você esteve em transe.

Uma caracterí�stica interessante da hipnose é que, até


certo ponto, o cérebro não reconhece a diferença entre um even-
to real e um evento imaginado. Então, quando o filme é assusta-
dor, seu cérebro dispara adrenalina, cortisol e todos os outros
hormônios do estresse, seu coração bate mais rápido, sua respi-
ração muda, mais sangue vai para seus braços e pernas para que,
se precisar, você consiga lutar ou fugir.

Infelizmente, o cérebro responde da mesma maneira aos


nossos filmes internos – aqueles que são criados quando ima-
ginamos ou nos preocupamos em fazer algo que nos deixa an-
siosos. Esse medo concentra a consciência e, ao fazê-lo, afasta a
parte crí�tica racional da mente.

Mas quando você imagina como seria se sentir melhor,


seu cérebro encena esse estado de espí�rito, o que facilita mudar

51
aquela reação de ansiedade caso aconteça de ela se intensificar
no futuro.

Você pode aprender a entrar em um estado de transe


leve e criar novas reações às situações que costumavam causar
ansiedade.

Então fique confortável e encontre um ponto para se


concentrar. Em seguida, expanda seu foco e relaxe sua vista. Fe-
che os olhos e pense no “dez”, enquanto você imagina uma onda
de relaxamento movendo-se do topo da cabeça para as pontas
dos dedos dos pés. Permita que isso fique ainda mais agradável
com sua respiração.

E então você vai abrir e fechar os olhos enquanto você


pensa no “nove”, e deixará uma outra onda de relaxamento passar
por todo o seu corpo. Algumas pessoas imaginam os números de-
saparecendo e vão relaxando conforme eles somem da mente.

Abra e feche os olhos, “oito”, e sinta outra onda de relaxa-


mento aprofundando esse estado de conforto. Permita que cada
músculo fique ainda mais relaxado, enquanto continua contan-
do até um, abrindo e fechando os olhos entre cada número.

Então, imagine uma tela de cinema. Este é o modelo no


qual você pode incluir ou remover diferentes cenas, dependen-
do do que você gostaria de resolver. Você pode fazer um filme em
que você se vê sendo ou reagindo exatamente como deseja.

No momento em que ele parecer convincente e atraente,


flutue e entre nesse filme e no seu “eu” que já começou a mudar.
Sinta o quão bom é fazer o que quer fazer e se sentir como quer
se sentir.

Em seguida, flutue de volta ao seu corpo, sacuda-o e sor-


ria. Você pode fazer esse exercí�cio rápido e fácil diariamente,
mudando os filmes para refletir sobre todas as diferentes situa-
ções nas quais deseja mudar.

Se você acha que visualizar um filme e flutuar nele não


é algo fácil para você, então simplesmente imagine, depois de

52
fazer a contagem regressiva, como você se sentiria se você já ti-
vesse mudado. Sinta o que você sentiria se estivesse livre dessa
ansiedade.

Você talvez possa ter mais facilidade em conversar con-


sigo nesse estado de relaxamento, dizendo algo como: “eu me
sinto relaxado e confiante sempre que eu...”, e preencha com
onde ou quando deseja se sentir mais confortável.

Se estiver conversando assim, lembre-se de que a mente


inconsciente não processa a negação muito bem. Se eu disser
“não pense em um elefante azul”, no que você pensa?

Isso significa que, se você disser a si mesmo: “eu não


quero me sentir ansioso” ou “não vou entrar em pânico”, a men-
sagem principal que está dando para a mente inconsciente é:
“sinta-se ansioso” ou “entre em pânico”. Portanto, escolha sa-
biamente a mensagem. Certifique-se de que ela seja positiva e
esteja no presente.

Ao praticar auto-hipnose diariamente, você estará con-


dicionando novas reações aos gatilhos que costumavam causar
ansiedade. Pense nisso como se estivesse programando o seu
próprio GPS interno com um conjunto de diferentes caminhos.

Torne-se o diretor (tomada dois)

Se for uma memória que estiver causando ansiedade,


note o que acontece quando você começa a visualizá-la, como
se ela fosse um filme. Observe o que acontece quando você a re-
bobina, aumenta ou diminui a velocidade; observe como você
pode transformá-la em um filme antigo, desfocado e em preto e
branco, para você se lembrar de o quão antigo ele é.

A� s vezes, incluir uma trilha sonora boba, como uma mú-


sica circense, muda a maneira como você reage a essa memória.
A� s vezes, isso é tudo o que você precisa para neutralizar o efeito
que estava causando em você.

Você poderia, inclusive, tornar o filme menor, encolhen-


do-o ou empurrando-o para longe, bem distante. Você pode mu-

53
dar os personagens desse filme da maneira que desejar: trans-
forme-os em bobos, em algo insignificante ou imagine-os como
sendo pequenos bebês birrentos.

Atendi uma moça que ficava ansiosa toda vez que tinha
de falar com o seu chefe. Então, ela decidiu fazer um filme em
que ele era um garoto zangado e assustado, cujos pais nunca lhe
deram ouvidos, fazendo birra para chamar atenção. Como você
deve imaginar, visualizá-lo dessa maneira mudou a maneira
como ela se sentia quando estava ao redor dele.

Se sua famí�lia ou colegas de trabalho estão causando-lhe


ansiedade, imagine um filme no qual todos estão seguindo um
script – aquele que você escreveu, editou e agora está dirigin-
do. Por exemplo, você pode ver uma recente interação familiar
como se fosse uma cena de um filme de Woody Allen (ou, que tal,
se David Sedaris escrevesse o roteiro?).

Seja qual for o ator de comédia e o autor que escolher,


perceba como observar essa situação do seu ponto de vista per-
mite que você mude de perspectiva – e, quem sabe, veja a ironia
na maioria das situações familiares. Se isso não aliviar a tensão,
você pode afastar-se ainda mais, ficando cada vez mais distante
do filme.

Esta próxima ideia vem do trabalho de Richard Bandler


e John Grinder, que desenvolveram o que, na PNL, chamamos de
cura rápida de fobia.

Funciona assim: imagine que você esteja em uma cabine


de projeção, observando a si mesmo assistindo ao filme e, dali,
manipulando-o – isso faz com que você se distancie da emoção
causada por ele. A primeira ação é reeditar o filme, certificando-
se de que a cena inicial seja neutra ou segura.

Por exemplo, se fosse uma memória ou um filme de um


ataque de cachorro que levou a uma fobia, então a primeira cena
será onde você estava seguro, antes de encontrar o cachorro, e a
última cena será com você já em casa, no momento em que tudo
acabou e você está seguro novamente. Então, o filme vai de es-
tar seguro a ficar seguro, com a parte perturbadora no meio. Da

54
cabine de projeção, com você assumindo o total controle desse
filme, veja-se sentado, observando a si mesmo na tela.

Depois assista ao filme antigo, em preto e branco e des-


focado (com ou sem trilha sonora), e pause quando chegar ao
fim, no momento em que você estiver seguro.

Você pode até rebobinar o filme várias vezes, observan-


do tudo no sentido inverso e imaginando a qualidade do filme se
degradando a cada passada, ficando mais antigo e mais desfoca-
do a cada vez que o vê.

Algumas pessoas imaginam flutuar no filme quando


pausado na parte final, e depois o vivenciam no sentido inverso.
Você vai perceber o quão diferente fica a história quando você
ouve, sente e vê tudo indo para trás.

Você saberá que neutralizou a memória quando conse-


guir vê-la como um filme, ou pensar sobre ela e perceber que sua
conexão com a cena perdeu toda a carga emocional.

Mudando de perspectiva

Você já aprendeu como localizar o giro e revertê-lo, ago-


ra vamos nos preparar para aprender outras formas de usar me-
táforas para mudar nossas sensações. Assim que você se sentir
ansioso, localize onde sente essa ansiedade em seu corpo. Ao
encontrá-la, observe a forma e outras qualidades que ela possa
ter e tente brincar com isso: mude seu formato, diminua seu ta-
manho e veja o que acontece.

Imagine que essa ansiedade tenha uma cor. Qual é essa


cor? Que cor seria melhor que ela tivesse? Imagine que, à medida
que você a muda para uma cor que lhe faça sentir-se melhor, essa
ansiedade assume uma outra forma. No que ela se transformou?

Outra maneira de se sentir melhor é se imaginar indo até o


centro dessa ansiedade e respirando por meio dela. Observe o que
acontece. Uma vez que você for para o centro, pergunte a si mesmo:
“se essa fosse uma mensagem do meu inconsciente, qual seria seu
significado?” “Se houvesse uma lição a ser aprendida, qual seria?”

55
Você poderia, também, imaginar a ansiedade como
uma pedra seixo. Agora imagine essa pedra no meio de vá-
rias outras na praia. Depois imagine essa praia em uma ilha, e
essa ilha em um oceano, em um planeta… em uma galáxia! Ob-
serve como você se sente agora. Uma vez que você perceber
onde essa ansiedade está em seu corpo, pergunte a si mes-
mo: “como eu quero me sentir?” Assim que você tiver ideia da
emoção que gostaria de sentir, leve-a até você e observe como
ela se movimenta em seu corpo. Quando a estiver sentindo,
observe o quão diferente você responde a qualquer outra si-
tuação.

Vamos ao que está acontecendo: todo estado emocio-


nal tem uma série de compostos bioquí�micos associados a ele.
Quando temos um certo estado bioquí�mico no corpo, o cérebro
gera mais pensamentos e emoções similares a eles. E� semelhan-
te a quando usamos um par de óculos com lentes coloridas, tudo
que vemos passa a ser colorido por elas.

Quando você está em um estado depressivo, tudo parece


lhe deprimir. Seu passado, presente e futuro são todos coloridos
por aqueles pares de lentes bioquí�micas que você está usando,
e fica difí�cil enxergar outro caminho ou uma solução melhor até
tirarmos esses óculos. E� por esse motivo que a maioria dessas
técnicas envolve um processo fora da memória. Isso faz com que
você dissocie por tempo suficiente para tirar os óculos e pensar
em um melhor estado bioquí�mico.

Ao se perguntar: “como quero me sentir?”, você envia sua


mente para um melhor estado emocional e, assim que o encon-
tra, precisa senti-lo. Ao se transportar para esse melhor estado
emocional, imagine-se colocando um par de óculos melhor para
visualizar a situação ou suas opções. Repare em como a percep-
ção muda quando tiramos os óculos, ou mudamos as cores.

Os dois passos metafóricos

Assim que você localiza onde você sente a ansiedade em


seu corpo, pergunte a si mesmo: ”com o que ela se parece?” e
veja as metáforas emergirem.

56
Uma das minhas clientes disse que sua experiência de
ansiedade era como um caldeirão borbulhando. Eu perguntei o
que tinha de acontecer para que aquela situação mudasse, e ela
disse: “eu tenho de apagar a chama e resfriar com gelo.” Pedi
para ela fechar os olhos, imaginar-se fazendo esse processo e
observar o que acontecia. Ela relatou que a ansiedade melhorou
instantaneamente.

Outra cliente me disse que seu medo era como uma


grande rocha entalada em sua garganta. Perguntei o que tinha
de acontecer para mudar aquilo, e ela disse: “eu preciso quebrar
a rocha com uma furadeira”. Uma vez que ela se imaginava fa-
zendo aquilo, a rocha virava pó e desaparecia. Assim como sua
ansiedade.

Isso parece ser fácil demais, eu sei. Ainda me surpreen-


do com a eficácia desse processo, mas quando entendemos que
nosso inconsciente fala por metáforas, entendemos o quão ma-
leável nossa experiência realmente é.

Desafio você a brincar com isso. Quando você começar a


se sentir ansioso, observe como é essa ansiedade e quais metá-
foras ou sí�mbolos vêm à mente. Depois, imagine uma contrame-
táfora para modificá-los, e perceba como você se sente melhor.

Modificando o diálogo interno

Outra forma de modificar um padrão é observando e ma-


nipulando seu diálogo interno que mantém essa ansiedade ativa.

Assim que você começar a se sentir ansioso, observe o que


está dizendo a si mesmo. Garanto que não seja algo útil ou de apoio.
Somos muito bons em alimentar nossa ansiedade ao conversarmos
com nosso interior de maneira extremamente negativa.

O bom de perceber isso é que você fica mais atento a to-


das as frases que você preferiria estar ouvindo no lugar daquela.
E, uma vez mais atento, você começa a manipular esse diálogo
interno negativo.

57
Observe o que acontece quando você ouve uma afirma-
ção negativa na sua mente, veja como normalmente ela chega
até você. Observe, também, sua localização: ela vem da direita,
da esquerda, de frente ou de trás? Mude-a para outro lado e veja
como isso altera seu modo de sentir.

Agora mude o ritmo, a tonalidade ou até mesmo sua voz.


Minha favorita é a da Minnie Mouse. Quando você ouve a Minnie
dizendo com aquela voz aguda: “você não é bom o suficiente” ou
“você é como seu pai”, elas não surtem o mesmo efeito.

Ouça aquele diálogo interno negativo na voz de alguém


que você jamais levaria a sério. Talvez algum idiota, cuja opinião
você ache ridí�cula. Para mim seria um ex-presidente.

Eu tinha uma cliente que ficava relembrando uma fra-


se que ouvira de um ex-namorado e, mesmo após muitos anos,
aquilo ainda a fazia se sentir muito mal. Então perguntei a ela:
“agora, sendo uma mulher adulta, você levaria a sério as pala-
vras de um menino de dezesseis anos?” Enquanto ela ria, o pen-
samento negativo que tinha sobre si mesma parecia desapare-
cer.

Outra cliente descobriu que, se ela apenas acrescentasse


a expressão “e daí�” no iní�cio de suas indagações de preocupação,
o impacto que teriam seria diferente. Ela mudou ”e se eles não
gostarem de mim?” para “e daí� se eles não gostarem de mim?” e
“e se eu não conseguir fazer isso?” para “e daí� se eu não conse-
guir fazer isso?”

Tente fazer isso. Você pode se surpreender de ver como


uma expressão simples pode mudar a maneira como você se
sente.

E tente isto: observe o que acontece quando você pega


uma afirmação negativa e a imagina vindo do chão, do radio ou
de qualquer outro lugar externo. Imagine um controle e abaixe
seu volume.

Nick Kemp, meu amigo e colega de trabalho, ensinou-me


um processo no qual você encontra a afirmação negativa asso-

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ciada à ansiedade e a repete em sua cabeça cinco vezes mais de-
vagar, separando palavra por palavra. Depois, repete novamente
cinco vezes mais devagar, até que essa afirmação perca toda sua
carga negativa.

Você também pode imaginar-se lendo aquela afirmação


em um outdoor bem grande ou em uma placa que esteja nas
mãos de um personagem de desenho.

Todas essas formas diferentes de manipular o diálogo


interno irão ajudar a transformar aquela afirmação em algo ab-
surdo, inacreditável ou, simplesmente, chato. Uma vez que isso
acontecer, você se dará conta de que não existe possibilidade de
a ansiedade continuar. Você interrompeu o padrão e, agora, pode
pensar sobre o que você gostaria de ouvir de si mesmo em sua
mente.

Pratique ouvir aquela voz ou frase de apoio. Tente isso


por diferentes ângulos e diferentes formas. Brinque com o ritmo,
a tonalidade e o volume e encontre o que é melhor para você.

O alívio está em suas mãos

Quando a ansiedade vem, muitos dos meus clientes sen-


tem uma contração muscular. Conforme eles tomam consciência
dessa reação fí�sica, eu peço que observem essa tensão e ima-
ginem que estão afunilando essa ansiedade em suas mãos até
fecharem seus punhos.

Eu digo: imagine cada gota daquela ansiedade indo para


suas mãos e, quanto mais ansiedade, mais você as aperta. Logo
após encher suas mãos e prender essa ansiedade nelas, solte-a.
Imagine-a se dissipando ou apenas caindo no chão. E� provável
que você as chacoalhe até que suas mãos estejam vazias e soltas.

Se sobrar algo após você soltá-la, simplesmente pegue o


que sobrou, leve para aquela mão e repita o processo.

A� s vezes, o diálogo interno que está girando em sua


mente pode ser transferido para aquele punho. A� medida que
você o deixa ir, imagine aquele giro do diálogo ficando cada vez

59
mais devagar e indo embora de sua mão, levando toda aquela
ansiedade.

Algumas pessoas adicionam cor àquela tensão e a visu-


alizam saindo de seus braços para seus punhos e passando pela
ponta de seus dedos, conforme a deixam ir. Outras ouvem a ten-
são assim que ela passa para seus punhos e imaginam um som
sibilante conforme ela sai.

Vá em frente e invente sua própria variação, permita que


a ansiedade se vá mais facilmente.

Técnica da liberdade emocional (EFT)

Essa técnica é uma das minhas armas mais poderosas. Se


há uma técnica que você deveria dedicar um tempo para experi-
mentar, é essa.

Apesar de ser extremamente rápida para neutralizar a


ansiedade e seus gatilhos, ela requer um pouco mais de tempo
para ser aprendida do que as técnicas do capí�tulo anterior.

A técnica da liberdade emocional, também conhecida


como EFT, consiste em tocar em pontos poderosos da acupun-
tura enquanto a mente se redireciona e se condiciona, criando
uma âncora para um estado de calma.

Eu estava cética diante das afirmações feitas sobre essa


técnica, então passei anos experimentando-a e desafiando-a.
Devo dizer que a primeira vez em que a fiz, perdi minha odonto-
fobia, e a enxaqueca crônica que tive durante quase toda a minha
vida virou história do passado.

Nunca espero que meus clientes acreditem em algo em


que eu mesmo tive dificuldades em acreditar, então peço que
aborde essa técnica com uma mente investigadora e tente em
si próprio. Eu estou dando-lhe a versão mais curta, conheci-
da como “EFT rápida”, porque ela parece ser mais prática para
meus clientes ansiosos.

Essa variação foi desenvolvida por Robert Smith, e você

60
pode aprender mais com seus ví�deos no site www.fastereft.com.

Para um aprendizado mais aprofundado dessa técnica,


acesse www.emofree.com ou www.eftuniverse.com, onde você
encontrará a pesquisa e centenas de artigos sobre diferentes
aplicações da EFT.

Começamos por definir uma âncora para paz e calma.


Isso é feito dedicando um tempo para fechar os olhos e recriar
uma sensação de paz. Talvez você possa imaginar-se em uma
praia ou em seu lugar favorito para férias, onde você possa lem-
brar, evocando vários sentidos, o que você normalmente ouviria
e veria... e então sentir como seria entrar em estado de relaxa-
mento.

Talvez você se lembre de uma aula de yoga ou meditação


que você fez uma vez e se sentiu calmo. Faça o que quer que seja
para lembrar seu corpo de como é estar calmo e em paz.

Quando você acessar aquele estado interno, segure fir-


me seu pulso de forma que seus dedos o envolvam completa-
mente. Inspire profundamente e, conforme for expirando, diga
a si mesmo, devagar, “paz.” Agora você tem uma âncora. Alguns
dos meus clientes farão uso dessa parte apenas se precisarem,
quando estiverem em um lugar onde tocar em suas faces não
seria apropriado. Eles simplesmente seguram o pulso embaixo
da mesa ou de qualquer outro lugar, inspiram e expiram devagar,
enquanto pensam “paz” e sentem uma onda de calmaria vindo
até eles.

Agora vamos juntar essa técnica aos pontos da acupun-


tura. Comece conectando-se com a ansiedade e classificando sua
intensidade em uma escala de 0 a 10. Observe onde você sente
essa ansiedade em seu corpo e, depois, toque entre suas sobran-
celhas (seu terceiro olho) enquanto diz “eu a deixo ir.” Em segui-
da, toque no canto inferior do olho, depois na claví�cula, e repita:
“eu a liberto e a deixo ir”. Segure firme seu pulso, inspire pro-
fundamente e diga bem devagar, enquanto expira “paz”. Agora,
tire um momento para reacessar o ní�vel de ansiedade. Se ainda
houver um pouco dela, repita o processo.

61
Boas intenções apenas

Você já tem vários meios rápidos e eficientes de inter-


romper a ansiedade e mudar o modo como se sente. Agora, po-
demos explorar um pouco o que você pode aprender por ter
sentido aquela ansiedade. Na PNL, temos o seguinte ditado:
“todo comportamento tem uma intenção positiva.” Considero
essa ideia muito proveitosa para o modo como abordo este tra-
balho de mudança.

Seu inconsciente é adaptável e protetor, o que significa


que temos os sentimentos por uma razão. Quando descobrimos
essa razão, conseguimos trabalhar para achar a melhor maneira
de satisfazer à intenção por trás deles, enquanto liberamos a an-
siedade.

Por exemplo, imagine uma criança que, quando chamada


à frente da sala de seu primeiro ano escolar, não sabia a resposta
de uma pergunta e se sentiu envergonhada e constrangida. Na
próxima vez em que for chamada à frente da sala, seu cérebro se
lembrará imediatamente da última vez em que isso aconteceu,
e ela começará a sentir ansiosa. Essa situação a fará esquecer a
resposta, ela se sentirá envergonhada novamente, e seu sistema
ficará inundado de estresse.

Sendo assim, é obvio que ela se sentirá ansiosa apenas


de pensar em ser chamada e evitará levantar a mão se tiver qual-
quer dúvida, por medo de se sentir constrangida. Essa reação
provavelmente a levará a tirar notas baixas e, consequentemen-
te, contribuirá com sua ansiedade e baixa autoestima.

Agora, já adulta, ela tem fobia de falar em público. Se ti-


ver de se apresentar em uma reunião, começa a sofrer de ansie-
dade. Provavelmente, evita qualquer situação social que possa
ser o centro das atenções, e entrevistas de emprego lhe são um
pesadelo. Seu cérebro estava apenas tentando protegê-la de se
sentir estressada e envergonhada. Afinal, nosso cérebro é uma
máquina de sobrevivência.

O que acontece é que ela teve uma reação de lutar e fugir


associada à ansiedade, seu cérebro tirou uma foto do ambiente

62
para impedi-la de se sentir assim outra vez. Ao criar a ansiedade,
o cérebro estava apenas esperando que ela fugisse da situação e
se protegesse da ameaça.

Infelizmente, fugir de um chefe bravo ou de uma per-


gunta em uma reunião não são opções (mesmo assim, a imagem
de, literalmente, sair correndo parece ser engraçada o suficiente
para espalhar alguns hormônios e agentes bioquí�micos pelo cor-
po.)

No entanto é importante valorizar o subconsciente por


sua tentativa de nos proteger, e é por isso que muitos dos pro-
cessos que você está aprendendo neste livro envolvem a per-
gunta: “o que posso aprender com isso?” ou “qual a mensagem
disso?”

Muitas vezes, meus clientes começam a fazer uso da in-


formação que conseguem respondendo a essas perguntas, e a
ansiedade se dissipa. Por exemplo, você pode imaginar-se tendo
um diálogo com aquela ansiedade e chegando a um acordo mu-
tuamente benéfico, mudando a maneira com que você sente ou
age em determinadas situações.

Manipulando frequentemente todas as partes da estra-


tégia, você adquire um entendimento de como e por que aquela
ansiedade acontece. Vamos supor que você perceba que, toda
vez que você tenta entrar em um elevador, você vê a imagem de
sua mãe lhe contando novamente sobre aquele incidente horrí�-
vel, de quando ela ficou presa por horas em um elevador. Você
entende perfeitamente o motivo pelo qual seu inconsciente está
tentando protegê-lo.

Nesse momento, provavelmente, você tentará utilizar


uma das técnicas que já aprendeu neste livro. Uma vez que esti-
ver se sentindo melhor, você poderia criar um filme de sua mãe e
lhe enviar recursos, ou imaginar aparecer de repente e ajudá-la
a escapar daquela situação. Ou talvez você queira fazer uma prá-
tica de EFT enquanto diz a si mesmo: “mesmo assustado, estou
disposto a deixar o medo da minha mãe ir embora”.

Seja criativo. Existem inúmeras possibilidades.

63
A jornada emotiva

Outra técnica que pode ser informativa e modificadora


da ansiedade é a chamada “drop through” ou “jornada emotiva”.

Quando você começar a se sentir ansioso, localize onde a


ansiedade está em seu corpo e se imagine indo até o centro des-
se sentimento. Imagine como se houvesse uma camada em que
você pudesse penetrar, pergunte-se: “o que há embaixo disso?”
Entre e observe quais sentimentos estão lá. Então penetre neste
sentimento e pergunte-se: “o que há por debaixo desta cama-
da?” E continue até encontrar um bom sentimento ou um estado
de recurso. Sei que parece loucura, mas, eventualmente, todos
os meus clientes descobrem um estado positivo muito poderoso
por trás de toda essa ansiedade.

Quando você encontrar o recurso necessário no centro,


por debaixo de todas as camadas, permita-se absorver tudo. As-
sim que você estiver repleto daquele estado essencial, imagine-
se voltando por todas aquelas camadas, trazendo uma energia
maravilhosa e percebendo como isso altera qualquer estado ne-
gativo.

A� medida que você imagina e sente todas aquelas emo-


ções mudando, perceba o quão poderoso você se sente e o quão
diferente aquela ansiedade inicial está.

Eu amo esse processo, porque é uma forma de encarar


o medo e descobrir que, quando você o faz, ele se se modifica.
Isso mostra à mente que, quando você para de correr do medo
e penetra nele com curiosidade, você se descobre muito mais
engenhoso do que poderia imaginar.

Unindo todas as técnicas

Você está aprendendo várias formas diferentes de abor-


dar a ansiedade: você sabe como interromper o ciclo do cérebro
utilizando estimulação bilateral; você pode mandá-la para longe
ou mudar essa sensação fazendo o spin reverso; pode mudar a
cor, a forma, a temperatura ou, simplesmente, respirar e pene-
trar na ansiedade; pode modificar o diálogo interno, deixando-o

64
mais devagar, mudando-lhe o volume, o ritmo, a tonalidade e a
voz; pode entrar na visão periférica e fazer com que ela suma
completamente e começar a ouvir o que você gostaria no lugar;
você pode brincar com as memórias fazendo filmes e bagun-
çando todos os elementos, pausando, voltando, acrescentando
trilha sonora, editando e conduzindo a resultados diferentes;
pode aprender com aquela ansiedade, dialogando, mergulhando
profundamente nela ou, simplesmente, perguntando-lhe qual é
a sua mensagem.

Tire um tempo e pense sobre todos os seus recursos e


perceba quantas formas diferentes você tem para mudar

Invertendo os pensamentos

O próximo método que você vai aprender envolve apoiar


a estratégia no pensamento inicial ou na crença que fez com que
tudo começasse.

Uma das minhas abordagens cognitivas favoritas vem do


trabalho de Byron Katie. E� simples e surte grandes efeitos. Reco-
mendo tirar um tempo para explorar seu trabalho a fundo, indo
até seu site www.thework.com.

Basicamente, ela acredita que a única razão pela qual


sofremos é porque acreditamos em nossos pensamentos. Con-
cordo plenamente com ela e, uma vez que você comece a exa-
minar e desafiar aqueles pensamentos enquanto estão aconte-
cendo, você também concordará. Se estamos sempre chegando
a diferentes conclusões sobre nós mesmos e sobre o mundo, e
se esses pensamentos tanto podem nos ajudar quanto podem
nos fazer sentir mal, então não deverí�amos nos assegurar de que
eles sejam, pelo menos, pensamentos úteis?

Byron Katie faz isso usando quatro perguntas e depois


faz o que ela chama de “inverter a marcha”, que é uma forma
de inverter o pensamento. Eu resumi o processo para ser ainda
mais eficiente quando estamos lidando com a ansiedade.

O primeiro passo é determinar o pensamento que está


em sua cabeça no momento, ou um pouco antes da ansiedade.

65
Apenas pergunte a si mesmo: “como estou me vendo, ou vendo
essa situação, para me sentir ansioso?”

Exemplificando: uma das minhas clientes percebeu que,


toda vez que ia entrar em uma reunião, pensava: “eu sou um fra-
casso e não faço nada certo”. Pedi que ela percebesse em como
acreditar nesse pensamento a fez sentir e como essa sensação a
fez agir e reagir.

Depois, pedi-lhe que se perguntasse: “eu posso ter cer-


teza absoluta de que isso é verdade?” – ela teve de pensar seria-
mente nisso.

Então pedi que invertesse o pensamento: “eu não sou


um fracasso e eu faço muita coisa certa”, e que me desse pelo
menos cinco exemplos de que isso seja verdade.

Ela disse: “bem, eu tenho meu trabalho”, e eu disse: “mui-


to bem… esse é um exemplo de que você não fracassou”. Tam-
bém mencionei que ela é formada, então ela não fracassou na
faculdade. Depois ela me disse que o seu último projeto gerou
para a empresa muito dinheiro e lhe rendeu uma promoção. “Já
são três. Continue.”

Bem, ela criou dois filhos muito felizes e bem sucedidos,


“e sustento minha famí�lia há trinta anos…”

Passamos mais algum tempo discutindo todas as dife-


rentes áreas de sua vida em que ela não havia fracassado, até ela
perceber que o pensamento oposto ao que estava causando sua
ansiedade era verdadeiro. Quando isso acontece, o pensamento
original negativo perde muito o poder de causar ansiedade.

Parece muito simples e óbvio, eu sei. Mas quando você


realmente usa isso para confrontar um de seus pensamentos au-
todestrutivos, perceberá um efeito direto em como você se sen-
te.

Claro que, às vezes, você vai acreditar que aquele pensa-


mento ou crença seja verdade. Neste caso, confronte sua inter-
pretação ou reação a essa verdade. Como Byron Katie diz: você

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está em guerra com a realidade a todo momento em que você
pensa sobre o que você ou outra pessoa deveria ou não estar
fazendo. E isso está mesmo funcionando para você?

Descobri que, até para situações corriqueiras, quando


inverto meus pensamentos sobre elas, sinto uma grande dife-
rença. Quando desafio os pensamentos que me entristecem ou
me deixam ansiosa, minha mente sabe a rotina, e tudo o que pre-
ciso fazer é me perguntar: “isso é verdade?” E minhas emoções
mudam.

Há muitas maneiras de sair do estado de ansiedade e


acessar um melhor estado emocional. Eu recomendo que você
tente todas elas e sinta qual delas faz mais sentido para você.

Muitas pessoas focam onde elas estão em vez de visua-


lizar onde elas gostariam de estar. E� como programar a sua lo-
calização atual no GPS e esperar chegar a algum lugar. Isso não
funciona.

Felizmente, agora você já tem muitas ferramentas no seu


kit, que tem como objetivo tornar a sua viagem mais confortável.
Você é o único que está no controle da direção. Decida para onde
você quer ir, imagine como você gostaria de se sentir e logo vai
perceber o quanto é fácil manter a sua mente no caminho à fren-
te.

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