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UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ESTRUTURAS DE MADEIRA

MÉTODOS DE CÁLCULO
Slides que compõem o material da
Disciplina Estruturas de Madeira
Prof.: Luis Beduschi

Este material é uma síntese de informações contidas nas Apostilas, Notas de


Aula e livros dos seguintes autores:
Prof. Ralf Klein, Prof. Carlos Alberto Szücs, Prof. Rodrigo Figueiredo Terezo,
Prof. Ângela do Valle, Prof. Poliana Dias de Moraes, Prof. Francisco A. Romero
Gesualdo, Walter Pfeil e Antônio Moliterno.
Introdução

PROJETO ESTRUTURAL
• O projeto estrutural deve:

1. Garantir a segurança estrutural evitando o colapso da estrutura;


2. Garantir o bom desempenho evitando: grandes deslocamentos,
vibrações excessivas, danos na estrutura e seus acessórios;
• Etapas do projeto:

1. Anteprojeto: são definidos o sistema estrutural, os materiais a serem


utilizados e o sistema construtivo;
2. Cálculo estrutural: são definidas as dimensões dos elementos da
estrutura e suas ligações de modo que garantam a segurança e o bom
desempenho;
3. Detalhamento: são elaborados os desenhos executivos com as
especificações detalhadas de todos os componentes.
Introdução

NORMAS QUE NORTEIAM O PROJETO


Nas fases de dimensionamento e detalhamento, além dos conhecimentos de
análise estrutural e de resistência dos materiais é necessário que se siga um
grande número de regras e recomendações que definem:

Critérios de garantia de segurança;


Padrões de testes para caracterização dos materiais e limites dos
valores de características mecânicas;
Definição de níveis de carga que representem a situação mais
desfavorável;
Limites de tolerância para imperfeições na execução;
Regras construtivas.

No Brasil, a norma que estabelece estas bases comuns para as


estruturas de madeira é a NBR 7190/1997. A norma brasileira adota o
Método dos Estados Limites.
Estados
Limites
MÉTODO DOS ESTADOS LIMITES
Um estado limite ocorre quando a estrutura deixa de satisfazer um de seus
objetivos. Eles são divididos em:

Estados Limites Últimos (ELU), relacionados ao colapso da estrutura


devido, por exemplo, a:
perda de equilíbrio como corpo rígido;
ruptura de uma ligação ou seção;
instabilidade em regime elástico ou não.

Estados Limites de Serviço (ELS), associados a cargas em serviço, eles


incluem:
deformações excessivas, causando danos a acessórios da
estrutura como alvenarias e esquadrias;
vibrações excessivas e consequente mau funcionamento de
equipamento e desconforto de usuários.
Estados
Limites
MÉTODO DOS ESTADOS LIMITES
A garantia da segurança no Método dos Estados Limites é traduzida pela
equação abaixo, para cada seção da estrutura, onde a solicitação de projeto
sempre deverá ser menor que a resistência de projeto.

Equação de conformidade:

(NBR 7190/item 4.3)

∑ ∅
onde,
: Solicitação de projeto (de cálculo)
: Coeficiente de majoração das cargas (ações)
: Combinação de cargas
: Resistência de projeto (de cálculo)
∅ : Coeficiente de minoração da resistência interna
: Resistência última (interna)

Note-se que, no caso de análise estática linear, as combinações (e


consequente majoração dos valores finais) podem ser efetuadas antes
ou após a obtenção dos esforços solicitantes
Ações

AÇÕES NAS ESTRUTURAS


Ações (Cargas e deformações impostas a uma estrutura) – NBR7190/Item 5
• Permanentes – valores constantes ou de pequena variação, durante
praticamente toda a vida da construção;
Diretas: peso próprio da estrutura, pesos dos elementos construtivos fixos,
instalações permanentes e empuxos permanentes
Indiretas: deformações impostas por retração e fluência da madeira,
deslocamentos de apoio, imperfeições geométricas e protensão.

• Variáveis – grande variação nos seus valores durante a vida da


construção;
ações variáveis atuam nas construções em função de seu uso (pessoas,
mobiliário, veículos, vento, etc).

• Excepcionais – duração extremamente curta e baixa probabilidade de


ocorrência durante a vida da construção
explosão, impacto de veículos ou ações humanas impróprias
Ações

AÇÕES NAS ESTRUTURAS


Ações usuais no projeto das estruturas correntes de madeira (Item 5.5.1)
a) carga permanente;
b) cargas acidentais verticais;
c) impacto vertical;
d) impacto lateral;
e) forças longitudinais;
f) força centrífuga;
g) vento.

As cargas acidentais verticais e a ação do vento devem ser consideradas como


ações variáveis de naturezas diferentes, sendo muito baixa a probabilidade de
ocorrência simultânea de ambas, com seus respectivos valores característicos.

Normas brasileiras que se ocupam de cargas sobre as estruturas:

NBR 6120 – Cargas para o cálculo de estruturas de edificações


NBR 6123 – Forças devidas ao vento em edificações
NBR 7129 – Cargas móveis para o projeto estrutural de obras ferroviárias
NBR 7188 – Cargas móveis em pontes rodoviárias e pasarelas de pedestres
Ações
COMBINAÇÕES DE AÇÕES
ESTADO LIMITE ÚLTIMO
Combinações Últimas Normais: a condição de segurança é para uma situação
duradoura, portanto, classe de carregamentos de longa duração. A resistência de projeto
leva em conta um tempo grande de atuação da solicitação. As ações variáveis com
tempo de atuação curto deverão ser reduzidas pelo fator de 0,75.
Combinações Últimas Especiais ou de Construção
Combinações Últimas Excepcionais

ESTADO LIMITE DE SERVIÇO


Combinações de longa duração: as combinações de longa duração são consideradas
no controle usual das deformações das estruturas.
Combinações de média duração: as combinações de média duração são
consideradas quando o controle das deformações é particularmente importante, como
no caso de existirem materiais frágeis não estruturais ligados à estrutura.
Combinações de curta duração: as combinações de curta duração, também ditas
combinações raras, são consideradas quando, para a construção, for particularmente
importante impedir defeitos decorrentes das deformações da estrutura.
Combinações de duração instantânea
Ações

SITUAÇÃO VERIFICAÇÃO COMBINAÇÃO DE AÇÕES

Duradoura: devem ser ELU Normais


consideradas sempre.
Duração igual ao período
de referência da estrutura.

ELS Longa duração Média duração

Transitória: deve ser ELU Especial ou de construção


verificada quando existir
carregamento especial pa-
ra a construção.
Duração muito menor que
o período de vida da estru- ELS Média duração Curta duração
tura. (caso necessário)

Excepcional: duração ex- ELU Excepcional


tremamente curta.

ELS Instantâneo
Ações

DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES


Item - 5.6.4 Estados limites últimos - Ações permanentes

a) ações permanentes de pequena variabilidade


- para o peso próprio da estrutura e para outras ações permanentes de pequena
variabilidade, adotam-se os valores indicados na tabela 3.
Considera-se como de pequena variabilidade o peso da madeira classificada
estruturalmente cujo peso específico tenha coeficiente de variação não superior
a 10%
Ações

DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES


Item - 5.6.4 Estados limites últimos - Ações permanentes
b) ações permanentes de grande variabilidade
- para as ações permanentes de grande variabilidade e para as ações
constituídas pelo peso próprio das estruturas e dos elementos construtivos
permanentes não estruturais e dos equipamentos fixos, todos considerados
globalmente, quando o peso próprio da estrutura não supera 75% da totalidade
dos pesos permanentes, adotam-se os valores da tabela 4.
Ações

DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES


Item - 5.6.4 Estados limites últimos - Ações permanentes

c) ações permanentes indiretas


- para as ações permanentes indiretas, como os efeitos de recalques de apoio e
de retração dos materiais, adotam-se os valores indicados na tabela 5.
Ações

DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES


Item – 5.6.5 Estados limites últimos - Ações variáveis

Os coeficientes de ponderação das ações variáveis majoram os valores


representativos das ações variáveis que produzem efeitos desfavoráveis para a
segurança da estrutura.

As parcelas de ações variáveis que provocam efeitos favoráveis não são


consideradas nas combinações de ações.
Ações

DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES


Verificações de ELU → Ѱ Verificações de ELS → Ѱ e Ѱ
Ações
EXERCÍCIO
A treliça da Figura está submetida a carregamentos permanentes e
variáveis causados pelo efeito do vento. Os esforços causados nas
barras por esses carregamentos estão indicados na Tabela. Determinar os
esforços de cálculo para o estado limite último, na situação mais crítica
(tração ou compressão axiais) em cada uma das barras.
Ações
EXERCÍCIO
A viga da Figura está submetida a carregamentos permanentes de grande
variabilidade (g), cargas acidentais (q) de longa duração e pressão do
vento (w).
Sabe-se que as ações valem g = 40 daN/m, q = 10 daN/m e w = 20 daN/m.
Pede-se:
a) avaliação das combinações para estado limite de utilização;
b) a determinação do valor do momento de cálculo ( , ) na seção B,
para estado limite último.
Análise
Estrutural

TIPOS DE ANÁLISE ESTRUTURAL

Os Esforços Solicitantes (N, V, M e T) oriundos das ações estáticas


ou quase-estáticas podem ser calculados por dois processos:

• Análise estática linear: pequenos deslocamentos,


pequenas deformações, comportamento elástico linear do
material (Lei de Hooke).
• Análise estática não-linear: grandes deslocamentos – não
linearidade geométrica, não linearidade física – diagrama
não linear.

Na prática, devido à maior simplicidade, a análise estática linear é


mais utilizada.
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
O Anexo E da NBR 7190 traz uma lista onde constam os valores
médios usuais de algumas madeiras nativas e de reflorestamento.
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Análise
Estrutural

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
Ordem de obtenção das tensões resistentes a serem utilizadas nos
cálculos:

• 1º - Obtém-se ! a partir de ensaios padronizados ou dos valores


tabelados na norma;
• 2º - Transforma-se ! → # considerando os diferentes coeficientes
de variação segundo o tipo de tensão resistente;
• 3º - Transforma-se # → com a aplicação dos devidos coeficientes
conforme a fórmula abaixo:

#
#!$ ∙
&

Onde: & - coeficiente de minoração das propriedades da madeira


#!$ - coeficiente de modificação que reflete a influência de
fatores como: tempo de duração da carga, efeito da
umidade e qualidade da madeira.
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
6.4.4 Coeficientes de modificação

Os coeficientes de modificação #!$ afetam os valores de cálculo das propriedades


da madeira em função da classe de carregamento da estrutura, da classe de umidade
admitida, e do eventual emprego de madeira de segunda qualidade.

O coeficiente de modificação #!$ é formado pelo produto

#!$ #!$ ,' ∙ #!$ ,( ∙ #!$ ,)

• O coeficiente parcial de modificação #!$ ,' leva em conta a classe de


carregamento e o tipo de material empregado.
• O coeficiente parcial de modificação #!$ ,( que leva em conta a classe de
umidade e o tipo de material empregado. No caso particular de madeira
serrada submersa, admitese o valor *+, , = 0,65.
• O coeficiente parcial de modificação #!$ ,) leva em conta se a madeira é de
primeira ou segunda categoria. No caso de madeira de segunda categoria,
admite-se #!$ ,) =0,8 e no caso de primeira categoria #!$ ,) =1,0
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
6.4.4 Coeficientes de modificação
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
6.4.5 Coeficientes de ponderação
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
6.3.5 Classes de Resistência
As classes de resistência das madeiras têm por objetivo o emprego de madeiras
com propriedades padronizadas, orientando a escolha do material para
elaboração de projetos estruturais.
O enquadramento de peças de madeira nas classes de resistência especificadas
nas tabelas 8 e 9 deve ser feito conforme as exigências definidas em 10.6 .
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
6.3.5 Classes de Resistência
Análise
Estrutural
PROPRIEDADES MECÂNICAS
Tabela 12 - Valores Usuais para carregamentos de longa duração

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