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aria Assunta V.

Makan
Y sao Yamamura

Livro £) ourado
r da

ogia -E s té t ic a

Center AO
/ odos nós almejamos manter a
beleza física, mas os recursos
existentes podem ser onerosos ou
as alterações inestéticas ainda são
relativamente incipientes e que não
exijam uma intervenção cirúrgica,
porém podem sertratadas.

Considerando que o
e nve l he ci me nt o, segundo a
medicina tradicional chinesa, deve-
se ã fraqueza dos Zang Fu (Órgãos e
Ví sceras) , assi m ocorre o
aparecimento, por exemplo, das
rugas nasogenianas ou a queda de
cabelos, pois os Jing Luo (Meridianos
e Colaterais) são afetados. Como
c o n s e q ü ê n c i a , provoca o
envelhecimento precoce da pele e,
também, a fraqueza muscular,
originando rugas e quedas da pele,
celulites e lesões dermatológicas
como acne facial, herpes zoster.
Maria Assunta Y. Nakano
Ysao Yamamura

Livro Dourado da

Acupuntura em
Dermatologia e
Estética
2 a Edição
(reimpressão)

Center AO
2010
Livro Dourado da Acupuntura em Derm atologia e Estética, 2a edição
Copyright © 2008 da 2a Edição pelo Center AO:
Maria Assunta Yamanaka Nakano &Ysao Yamamura
Copyright © 2010 da 1a Reimpressão da 2a Edição pelo Center AO:
Maria Assunta Yamanaka Nakano &Ysao Yamamura

Todos os direitos reservados.


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Center AO Centro de Pesquisa e Estudo da Medicina Chinesa


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Revisão técnica: Dra. Márcia Lika Yamamura


Projeto gráfico. Editoração: Center AO & Pérsio Guimarães Vieira
Ilustrações assinaladas: Alex Evan Dovas
Capa: Erika Sayuri Yamamura & Alex Evan Dovas

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP)

M aria Assunta Yam anaka Nakano & Ysao Yam amura

Livro Dourado da Acupuntura em Derm atologia e Estética /


M aria Assunta Yam anaka Nakano & Ysao Yam amura
2a ed. revisada e am pliada
São Paulo - Center AO - Centro de Pesquisa e
Estudo da M edicina Chinesa, 2008.

Vários colaboradores.
Bibliografia.

ISBN 978-85-60163-02-1

1. Acupuntura 2. Dermatologia 3. Estética 4. M edicina Chinesa


I. Yamamura, Ysao Nakano, Maria Assunta Yamanaka II. Título

08-01896 CDD-610.951

índice para catálogo sistem ático:


1. Acupuntura: M edicina Chinesa 610.951

E ditado por

c .1. : '
DA MEDICINA CHIhESA

Center AO Centro de Pesquisa e Estudo da Medicina Chinesa


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Livro Dourado da

Acupuntura em
Dermatologia e
Estética
L iv ro D o u ra d o da

Acupuntura em
Dermatologia e Estética

D ra. M a r ia A ssunta Ya m a n a k a N akano em Medicina Chinesa-Acupuntura do Depar­


ta m e nto de Ortopedia e Traum atologia da
D erm atologista, Especialista em A cupun­ Universidade Federal de São Paulo/Escola
tura (AM B), Responsável pelo A m bulatório Paulista de M edicina. Corpo D ocente do
de Acupuntura Estética do Setor de M ed i­ C enter AO C entro de Pesquisa e Estudo
cina C hinesa-Acupuntura da Disciplina de da M edicina Chinesa.
O rtopedia do D ep arta m e nto de O rtopedia
e Traum atologia da U niversidade Federal
D r. A demar S ik a r a T a n a k a
de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
C orpo D ocente do C enter AO C entro de A ngiologista, Especialista em Acupuntura
Pesquisa e Estudo da M edicina Chinesa. (AM B). M éd ico Voluntário do A m bulatório
de A cupuntura Estética do Setor de M ed i­
P r o f . D r. Y sao Ya m a m u r a cina C hinesa-Acupuntura da Disciplina de
O rtopedia do D ep arta m e nto de O rtopedia
Professor Associado Livre D ocente, Chefe e Traum atologia da U niversidade Federal
do Setor de M edicina C hinesa-Acupuntura de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
da D iscip lin a de O rto p e d ia do D ep arta ­
m e n to de O rtopedia e Traum atologia da
D r a . C r is t ia n e P r e s t e s A uler
U niversidade Federal de São Paulo/Escola
Paulista de M e d icin a . P ro fe sso r O rie n ­ D erm atologista, Especialista em A cupuntu­
tador. P rofessor C oo rd e na do r do C urso ra (AM B). M édica Voluntária do A m b ulató ­
de Especialização em M edicina Chinesa- rio de Acupuntura Estética do Setor de M e ­
Acupuntura da UNIFESP Diretor-Presidente dicina Chinesa-Acupuntura da Disciplina de
do C enter AO Centro de Pesquisa e Estudo O rtopedia do D ep arta m e nto de O rtopedia
da M edicina Chinesa. e Traum atologia da U niversidade Federal
de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
COLABORADORES
D ra. D il m a E l is a M o r it a M aeda

P rofa. D r a . Â ng ela Ta b o s a
D e rm a to lo g is ta , E s p e c ia lis ta em A c u ­
Professora Afiliada e Vice-Chefe do Setor p u n tu ra (A M B ). M é d ic a V o lu n tá ria do
de M edicina C hinesa-Acupuntura da Dis­ A m b u la tó rio de A cu pu n tura Estética do
ciplina de Ortopedia do D epartam ento de Setor de M edicina Chinesa-Acupuntura da
Ortopedia e Traumatologia da Universidade D isciplina de O rtopedia do D ep arta m e nto
Federal de São Paulo/Escola Paulista de de O rtopedia eTraum atologia da U niversi­
M edicina. Professora O rientadora e Vice- dade Federal de São Paulo/Escola Paulista
Coordenadora do Curso de Especialização de M edicina.
D ra. E r ik a S a y u r i Y a m a m u r a D ra. M a r ia V a l é r ia D 'Á v il a B r a g a

Cirurgia D entista, Responsável pela Pato­ Clínica Geral, Especialista em Acupuntura


logia Bucal do S etor de M edicina Chinesa- (AMB). Corpo Docente do Curso de Especia­
Acupuntura da Disciplina de O rtopedia do lização em D esenvolvim ento em M edicina
D epartam ento de O rtopedia eTraum atolo- Chinesa-Acupuntura do Center AO Centro
gia da Universidade Federal de São Paulo/ de Pesquisa e Estudo da M edicina Chinesa.
Escola Paulista de M edicina.

D ra. Paula S h in C o u t in h o
D r. M arcelo N avarro N ier o

G inecologista e O bstetra, Especialista em


Patologista clínico, Especialista em A cu­ Acupuntura (AM B). M édica Voluntária do
p u n tu ra (A M B ). M é d ic o V o lu n tá rio do A m b u la tó rio de A cu pu n tura E stética do
A m b u la tó rio de A cu p u n tu ra E stética do Setor de M edicina C hinesa-Acupuntura da
Setor de M edicina C hinesa-Acupuntura da D isciplina de O rtopedia do D ep arta m e nto
Disciplina de O rtopedia do D ep arta m e nto de O rtopedia eTraum atologia da U niversi­
de O rtopedia eTraum atologia da U niversi­ dade Federal de São Paulo/Escola Paulista
dade Federal de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
de M edicina.

D ra. S y l v ia de P etta A r ia n o Q u e ir o z
D ra. M á r c ia L ik a Y a m a m u r a

D erm atologista, Especialista em A cupuntu­


Pediatra, Especialista em Acupuntura (AMB),
ra (AM B). M édica Voluntária do A m b u la tó ­
M estre em Epidem iologia pela UNIFESP
rio de Acupuntura Estética do Setor de M e ­
Professora C olaboradora e R esponsável
dicina Chinesa-Acupuntura da Disciplina de
pelos A m bulatórios de Mobilização de Qi
Mental, Adolescente e de SYAOL do Setor de O rtopedia do D epartam ento de O rtopedia
Medicina Chinesa-Acupuntura da Disciplina e Traum atologia da U niversidade Federal
de Ortopedia do D epartam ento de O rtope­ de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
dia eTraumatologia da Universidade Federal
de São Paulo/Escola Paulista de Medicina. D r a . T sai I S han
Vice-Coordenadora do Curso de Especiali­
zação em D esenvolvim ento em M edicina Infectologista, Especialista em Acupuntura
Chinesa-Acupuntura do Center AO Centro (AM B). M édica Voluntária do A m b ulatório
de Pesquisa e Estudo da Medicina Chinesa. de A cupuntura Estética do Setor de M e d i­
cina C hinesa-A cupuntura da D isciplina de
O rtopedia do D epartam ento de O rtopedia
e Traum atologia da U niversidade Federal
de São Paulo/Escola Paulista de M edicina.
A g r a d e c im e n t o s

Escrever um livro é uma ta re fa que dem anda vo nta de


im ensa, perseverança e auxílio inestim ável de colaborado­
res e, p rincipalm ente, dos pacientes, que são a finalidade
do aprendizado, do co n h e cim e n to e da prática m édica.
Por o utro lado, há o interesse m ostra do pelos m édicos
acupuntores em d esenvolver esta nova área da A cupuntura
em conseqüência dos anseios da população em te r a beleza
restaurada e o b te r novam ente a auto-estim a, outrora pre­
se nte e hoje em baixa em razão de alterações inestéticas.
A g rad ece m o s a colaboração inestim ável da Dra. Dilm a,
Dra. Shan e d em ais colaboradores desta edição, aos m oni­
to re s e m édicos do A m b ulatório de A cupuntura Estética do
Setor de M edicina C hinesa-A cupuntura da Disciplina de Or­
topedia do D ep arta m e nto de O rtopedia e Traum atologia da
UNIFESP/Escola Paulista de M edicina, dos funcionários do
Setor.
Especial a g ra d e cim e n to s à Dra. Érika, Dra. M árcia, Dr.
Edson Nakano pela concessão de fo to grafia s de cortes de
ressonância nuclear m agnética. Todos contribuíram e n o rm e ­
m e n te para a publicação do livro, seja co m o incentivo, seja
co m o auxílio prestado.
A o A le x pelos desenhos assinalados, ao Virgílio pela cor­
reção orto grá fica, ao Pérsio pela fo rm a taçã o do pre sen te
livro. Os nossos agradecim entos.

Prof. Dr. Ysao Yamamura


P r e fá c io

A pele, m aior te cid o do nosso corpo, ser ou sentir-se jovem , te r m e n te e corpo


separa o nosso se r do m e io a m b ie n te den tro dos padrões de estética. A beleza
exercendo m últiplas funções, co m o as de to rn o u -s e um dos p on to s fu n d a m e n ta is
defesa; de absorção e de excreção; além nos relacionam entos interpessoais e, prin­
disso, co nstitui a m anifestação m ais e xte ­ cipalm ente, intrapessoais. Assim , a auto-
rior, ao nível m aterial, da nossa m e n te e estim a elevada alcançada pelo sucesso e
das nossas em oções. pela m anutenção de beleza física passou
A pele sofreu várias m odificações e stru­ ser uma das m etas do ser hum ano.
turais no decorrer da nossa evolução, desde A longevidade, o re ju v e n e s c im e n to e
o ser hum ano peludo até a substituição dos a correção de afecções in e sté tica s con­
pêlos pelas vestim entas. Hoje, o ser hum a­ seguidas co m os recu rso s da M ed icin a
no apresenta poucos pêlos, tornando-se Tradicional Chinesa e Acupuntura ocupam
m ais evidentes as alterações que ocorrem im p o rta n te lugar no tra ta m e n to de lesões
no siste m a te g u m e n ta r co m o m anchas, de pele, princip alm en te na M edicina Es­
rugas, flacidez, secura, etc. té tica, co n s titu in d o um dos recursos de
A pele e os m e la n ó c ito s p o s s u e m a técnica "m in im a m e n te invasiva'.'
m esm a origem em briológica do sistem a Hoje, a incorporação da técnica de M o ­
nervoso central, daí a grande inte rd e p e n ­ bilização de Qi M en tal veio g ra ndem ente
dên cia de m a n ife s ta ç ã o e n tre s is te m a e lu c id a r os fa to re s e m o c io n a is d e s e n -
n e rvoso -m e nte -co rpo -p ele ou, m ais pro­ cadeantes das lesões d e rm a to ló g ic a s e
priam ente, e ntre a parte psíquica do ser inestéticas. O nosso passado vivenciado
hum ano e a sua pele. c o n scie n te m e n te ou su bco nscien te m e n te
D esde os m ais re m o to s te m p o s , as e, p rincipalm ente, o sentido dado às e m o ­
afecções d erm atológicas co n stitu e m m o­ ções são os fa to re s dos m ais im p o rta n te s
tivos de isolam ento e de segregação do na g ê n e s e de d oe n ça s se ja m da pele,
indivíduo, pois era intenso o te m o r da do­ sejam dos órgãos internos.
ença bastante contagiosa e m u tila n te que O presente livro abrange princípios bási­
grassava a Antigüidade, que é a lepra. Ainda cos e fundam entais da Medicina Tradicional
hoje, a nossa m em ória ancestral associa as Chinesa, da Acupuntura, da eletroacupun-
lesões de pele com o m ais antigo registro tura e da M obilização de Qi M ental, bem
(a lepra) que m arcou e m o cio n a lm e n te a com o o tratam en to das principais afecções
humanidade de m odo profundo e que ficou derm atológicas, princip alm en te daquelas
enraizado. m ais relacionadas às lesões inestéticas,.
N os dias a tua is, e m b o ra um g ra n d e que d e c o rre m da nossa e xp e riê n cia do
núm ero de causas de doenças d e rm a to ló ­ A m b u la tó rio de A cu p u n tu ra E stética do
gicas seja conhecido, ainda estas lesões Setor de M edicina Chinesa-Acupuntura da
são m otivo s de repulsa e, o p ortador de Disciplina de Ortopedia do Departam ento de
afecções de pele usa-as, su b co n scie n te ­ Ortopedia e Traum atologia da Universidade
m ente, para se isolar e/ou ser isolado. Federal de São Paulo.
Por o utro lado, em te m p o s de co m p e ­
São Paulo, 2008
titividade, seja nos relacionam entos, seja
no trabalho, e com a cresce nte dim inuição Dra. Maria Assunta Yamanaka Nakano
da auto-estim a, os padrões de beleza física Prof. Dr. Ysao Yamamura
passaram a a ssum ir grande im portância:
P r e f á c io da S egunda E d iç ã o

0 rápido e sgo tam e nto , a grande aceitação e a grande pro­


cura da prim eira edição fez-nos preparar esta segunda edi­
ção do livro "L iv ro Dourado de A cupuntura em D erm ato lo ­
gia e E sté tica ".
O n úm ero cresce nte de m éd ico s acupuntores que reali­
zam o Curso de A cupuntura em Estética, m in istrad o pelo
C enter AO com o apoio do S etor de M edicina Chinesa-Acu­
puntura, e a participação m aciça no A m b ulatório de Estética
do Setor, atesta o grande interesse por esta área da M ed ici­
na e da A cupuntura.
A beleza e a conservação da ju ve n tu d e é o que to d o s al­
m ejam a si m esm os. Os bons resultados o btid os com a A cu ­
puntura em Estética e a divulgação d isto to rn am cada vez
m aior a procura por esta fo rm a de tra ta m e n to das altera­
ções ine sté ticas. Esta, além de ser uma técnica m in im a ­
m en te invasiva, traz benefícios físicos, m entais, psíquicos e
em ocionais pelo fa to de fazer, ta m b ém , a harmonização entre
a m e n te e o corpo físico, m uitas vezes m elhorando a auto-
e stim a e a qualidade de vida, além de m elhorar o estado de
saúde e trazer grandes benefícios para a fam ília.
Foram fe ita s a revisão e a atualização dos capítulos com a
inclusão das nossas experiências clínicas e didáticas no A m ­
bulatório de Estética do Setor de M edicina Chinesa-Acupun-
tura.
Foram acrescentados os capítulos de paralisia facial e de
estética da m am a tratadas pela acupuntura - este, um capí­
tu lo iné dito na literatura. O capítulo da M obilização de Qi
M en tal foi am pliado com m ais explicações sobre o m éto do
de relaxam ento e a experiência com a técnica nos pacien­
te s d e rm a to ló gico s atendidos no A m b ulatório de Q i M ental
do Setor de M edicina C hinesa-A cupuntura da UNIFESP.

Dra. M aria A ssunta Yamanaka Nakano


Prof. Dr. Ysao Yamamura
C ap ítu lo 1
M edicin a Tradicional Chinesa A cu p u n tu ra
Breve H istórico da M edicina Tradicional Chinesa
Dra. Maria Assunta Y. Nakano
F undam entos da M edicina Tradicional Chinesa
A. Teoria do Yang e do Yin
Princípios Básicos do Yang e do Yin
1. Prim eiro Princípio: Transform ação do Yang e do Yin
2. Segundo Princípio: Transm utação do Yang e do Yin
3. Terceiro Princípio: Relatividade do Yang e do Yin
B. Teoria dos Cinco M o vim e n to s
Princípios Básicos dos Cinco M o vim e n to s em C ondições de N orm alidade
1. Princípio da Geração dos Cinco M o v im e n to s
2. Princípio de D om inância dos Cinco M o v im e n to s
Princípios Básicos dos Cinco M o vim e n to s em C ondições de Anorm alidade
1 e 2. Princípios da D om inância Excessiva e de C ontradom inância dos Cin­
co M o vim e n to s
3 e 4. Princípios de Geração Excessiva e de Inibição dos Cinco M ovim entos
Cinco M o vim e n to s, a Natureza e o Ser H um ano
Prof. Dr. Ysao Yamamura
C. Teoria dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras)
Dra. Maria Valéria D'Ávita Braga & Prof. Dr. Ysao Yamamura
Áreas da M edicina Tradicional Chinesa
A cu pu n tura
N oções sobre Ó rgãos e Vísceras (Zang Fu) e Q uintessência Energética (Jing
Shen)
Xin (Coração)
Gan (Fígado)
Fei (Pulmão)
Pi (Baço/Pâncreas)
Shen (Rins)
Xin Bao Luo (Circulação-Sexo)
Xiao Chang (Intestino Delgado)
Da Chang (Intestino Grosso)
Dan (Vesícula Biliar)
Pangguang (Bexiga)
W ei (Estômago)
Sanjiao (Triplo A quecedor)
Técnica Shu-M o-Yuan de Tonificação dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras)
C onceito de Jin g Shen (Q uintessência Energética)
Jing Shen (Q uintessência) te m a Função de T erm ogênese
Jing Shen e a H idrogênese
O Jin g Shen e o D ese nvo lvim e nto da Libido e da Reprodução
O Jing Shen e o C rescim ento
Dra. Maria Valéria D'Ávilla & Prof. Dr. Ysao Yamamura
12
HÊüfSI

51 C apítulo 2
Noções de A cu p u ntura
N om enclatura Chinesa e Principais M eridianos
Canais de Energia (M eridianos) Curiosos
Circulação de Energia pela Técnica lo n g /lu
Dra. Maria Assunta Y. Nakano
M eca nism o de Ação N euro-H um oral da Acupuntura
Local de Ação da A cupuntura
Vias A sce nd e nte s e D esce nd en te s da A cupuntura
Profa. Dra. Angela Tabosa & Prof. Dr. Ysao Yamamura

65 C apítulo 3
Pele Orgânica
Em briologia da Pele
A natom ia e Fisiologia da Pele
Epiderm e
Sistem a M elanocitário
D erm e
H ipoderm e
Vascularização da Pele
Sistem a Linfático da Pele
N ervos Cutâneos
Glândulas Sudoríparas, Unidade Pilo-Sebácea e Unhas
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

77 C apítulo 4
Pele Energética
Pele co m o E feto r H om eo stá tico do O rganism o
Pele e suas A lterações sob o Ponto de Vista da M edicina Tradicional Chinesa
e Relação com a M edicina O cidental
Chinesa e Relação com a M edicina O cidental
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

83 C apítulo 5
Pele Em ocional
R esum o Conexão M e n te e Corpo
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

87 C apítulo 6
Pele Espiritual
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

91 C apítulo 7
Noções de E letroacu p un tu ra A plicadas em A cu p u n tu ra Estética
Introdução
Classificação dos Principais M é to d o s U tilizados na Eletroacupuntura
Indicação da E letroacupuntura de A cordo com as D iferen te s M odalidades de
Aplicação e/ou Freqüência do Estím ulo
Regras Básicas para Em prego de Eletrodos em E letroacupuntura Segundo
Bastos e A m e sto y
Indicação de E letroacupuntura Locorregional e Projecional
Uso da Eletroacupuntura nas Rugas da Face
Uso da Eletroacupuntura no T ratam ento da C elulite e da Gordura Localizada
Uso da E letroacupuntura nas Estrias de Pele
Dra. Maria A ssunta Y. Nakano

101 C apítulo 8
Cabelos e U nhas na Concepção Energética
Cabelos
Alopécia A ndrogenética
Alopécia Areata
Tratam ento das A lopécias pela A cupuntura
Unhas
Dra. Maria Assunta Y. Nakano & Dra. Dilma Elisa M orita Maeda

111 C apítulo 9
A cu p u ntu ra Estética & C elulite e G o rdura Localizada
C elulite e Gordura Localizada
C elulite
Fisiopatogenia da C elulite
Fatores Envolvidos no D e se nvo lvim e nto da C elulite
Q uadro Clínico da C elulite
Tratam ento para C elulite e Gordura Localizada
C elulite sob o Ponto de Vista da M edicina Tradicional Chinesa
1. C elulite por Estagnação de Gan Q i (Energia do Fígado)
2. C elulite pelas D eficiências do Pi (Baço/Pâncreas) e do Shen (Rins)
Tratam ento da C elulite com A cupuntura, Eletroacupuntura e Aplicação de Ven­
tosa
1. Estagnação de Gan Q i (Energia do Fígado)
2. D eficiências do Pi (Baço/Pâncreas) e do Shen (Rins)
Tratam ento das Retrações da C elulite
R esultado do T ratam ento e C elulite
Dra. Maria A ssunta Y. Nakano

135 C apítulo 10
A cupuntura & Estética da M a m a
Introdução
Em briologia da M am a
A natom ia da M am a
A natom ia Topográfica da M am a
Aréola M am ária
M am ilo
Irrigação Sangüínea e Inervação da M am a
L infáticos da M am a
Fisiologia da M am a

M am a na M edicina Tradicional Chinesa


Ptose M am ária
Tratam ento pela A cupuntura da Ptose M am ária
R esultados do Tratam ento da Ptose M am ária
Dra. Paula Shin Coutinho & Dra. Maria A ssunta Y. Nakano

145 C apítu lo 11
A cu p u ntura & Paralisia Facial Periférica
Introdução
1. Paralisia Facial Sob o p onto de Vista da M edicina O cidental
1.1 A natom ia do N ervo Facial
1.2 Fisiopatologia do N ervo Facial
1.3 Classificação das Lesões de acordo com a Extensão
1.4 Sem iologia e Quadro Clínico da Paralisia Facial
1.5 C lassificação de H ouse-Brackm ann
1.7 Etiopatogenia da Paralisia Facial
1.8 Tratam ento das Seqüelas da Paralisia Facial
2. Paralisia Facial Sob o Ponto de Vista da M edicina Tradicional Chinesa
2.1 Patogênese Energética da Paralisia Facial
2.2 Tratam ento da Paralisia Facial pela Acupuntura
2.3 Localização de A lguns Pontos de A cupuntura Usados no Tratam ento
de Paralisia Facial
Dr. A dem ar Sikara Tanaka, Dr. M arcelo Navarro Nlero, Dra. Maria Assunta Y. Naka­
no & Prof. Dr. Ysao Yamamura

161 C apítulo 12
A cu p u ntu ra Estética & E n velh ecim en to C u tân eo e Rugas da Face
E nvelhecim ento, segundo o Ling Shu
Processo de E n velhecim ento
Pontos de Acupuntura da Face: Localizações e Funções
Tratam ento das Rugas da Face
1. Rugas Frontais e Verticais
2. Rugas Verticais
3. Rugas Perioculares
Rugas Nasogenianas
Rugas Peribucais
Rugas Paranasais ou de "R ugas de A n tip a tia "
R esultado de Tratam ento das Rugas por A cupuntura
Dra. Maria Assunta Y. Nakano & Prof. Dr. Ysao Yamamura

195 C apítulo 13
A cupuntura & V itilig o
Introdução
Dados E pidem iológicos
C lassificação e A presentação Clínica do V itiligo
Etiopatogenia do Vitiligo
D iagnóstico de Vitiligo
Tratam ento de Vitiligo
V itiligo sob o Ponto de Vista da M edicina Tradicional Chinesa
Vitiligo e Zang Fu (Órgãos e Vísceras)
Vitiligo e Teoria dos Cinco M o vim e n to s
Etiopatogenia Energética do V itiligo
Tratam ento do V itiligo pela Acupuntura
Dra. Maria A ssunta Y. Nakano

211 C apítulo 14
A cu p u ntura & M ela sm a e H ipercrom ia C utânea Idiopática da Região O rb i­
tal
M elasm a
T ratam ento de M elasm a pela A cupuntura
H ipercrom ia Cutânea Idiopática da Região O rbital ou "O lh e ira "
R esultados de Tratam ento por Acupuntura
Dra. Maria A ssunta Y. Nakano

219 C apítu lo 15
A cu p u ntura Estética & Flacidez da Pele, Estrias C utâneas e Acne
Flacidez da Pele
Pontos M o to re s do C orpo e Face
Estrias Cutâneas
Acne
Cicatriz de Acne
Dra. M aria Assunta Y. Nakano, Dra. Tsai I Shan, Dra. Sylvia de Petta A. Queiroz &
Dra. Cristiane Prestes A uler

243 C ap ítu lo 16
A cupuntura & Psoríase
Psoríase sob o Ponto de Vista da M edicina Tradicional Chinesa
Tratam ento da Psoríase pela Acupuntura
Tratam ento de Psoríase de O rigem Estagnação de Q /e Xue (Sangue)
Tratam ento de Psoríase de O rigem D eficiência do Yin p roveniente do Calor
do Gan (Fígado-Calor) ou do Calor no Xue (Sangue-Calor)
Tratam ento de Psoríase de O rigem U m idade Calor
Pontos Gerais para Tratam ento da Psoríase
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

257 C apítulo 17
A cu p u n tu ra & D e rm a tite A tópica
Introdução
Epidem iologia
Fisiopatogenia da D erm atite Atópica
D erm atite A tópica Segundo a M edicina Tradicional Chinesa
Tratam ento da D erm atite A tópica pela A cupuntura
Para Tratam ento do Vento-Calor
Para tratar Um idade-C alor
Dra. Maria Assunta Y. Nakano
269 C apítulo 18
A cu p u n tu ra & U rticária, Furunculose e Herpes Z o ster
U rticária
Furunculose
H erpes Z oster
Dra. Maria Assunta Y. Nakano

275 C apítulo 19
Sinopse da Técnica de M o b iliza çã o de Q i M e n ta l
M em ória A ncestral
M em ória de Vida Intra-U terina e Perinatal
M em ória P ós-N ascim ento
Prof. Dr. Ysao Yamamura & Dra. Mareia Lika Yamamura

283 C apítulo 20
Técnica de M o b iliza çã o de Q i M e n ta l em Doenças D erm ato ló g icas e A lte ­
rações Inestéticas
Prof. Dr. Ysao Yamamura & Dra. Mareia Lika Yamamura

297 B ibliografia C onsultada


Medicina Tradicional
Chinesa-Acupuntura
B reve H is t ó r ic o d a
M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a

A M edicina Tradicional Chinesa nasceu da com bina­


ção da prática da acupuntura, da m oxabustão e da far­
m acologia natural realizando um co m p le xo de m eios
te ra pê u ticos cujos resultados e e fe ito s eram precisos
e eficazes. C onheciam -se não apenas as doses letais
ou aquelas e ficie ntes, mas ta m b é m as possibilidades
de influenciar de uma m aneira abso lu ta m e nte repro-
dutível a reatividade específica de cada doente. Alguns
dados desta época fo ra m preservados até hoje; sob a
dinastia M ing (1368-1644 d.C.), a acupuntura e a m o­
xabustão adquiriram o aspecto prático que se conhe­
ce a tualm ente.
A acupuntura originou-se na China, sendo m ilenar o
seu d ese nvo lvim en to , em bora práticas se m elhantes
à a cu p u n tu ra se ja m e n co n tra d a s em o u tro s povos
a ntigos co m o egípcios, sum erianos, persas, nas civili­
zações maia e asteca e nas populações africanas, sen­
Breve H istórico da M edicin a do ta m b é m inúm eras as rem iniscências na m edicina
Tradicional Chinesa
popular dos d ife re n te s povos da Europa. M as em ne­
Dra. M aria A ssunta Y. Nakano
F u ndam entos da M edicin a
nhum lugar do m undo se deu o significado filosó fico
Tradicional Chinesa p rofundo à acupuntura co m o na antiga China.
Prof. Dr. Ysao Yamamura Há relatos de agulhas de sílex que datam da Idade
Teoria dos Z a n g Fu da Pedra e que eram utilizadas naquela época em cer­
(Órgãos e Vísceras)
tas interven çõe s cirúrgicas. Um dos m ais fa m o sos li­
Dra. M aria Valeria D 'Á vila Braga
vros de acupuntura, que data da dinastia Han (206 a.C.-
Prof. Dr. Ysao Yamamura
Noções sobre Órgãos e Vísceras 220 d.C.) é o Shuo W en Jie Zi ("D icio ná rio Analítico
(Za n g Fu), dos C aracteres"), no qual se m encionava o uso das
Quintessênca Energética agulhas de pedra. O tratado m éd ico H uangdi N ei Jing
(J in g Shen) e
("C ânon da M e d ic in a ") (770-221 a.C.) descreve nove
Conceito de J ing Shen
tip o s de agulhas. No decorrer do te m p o, as agulhas
(Q uintessência Energética)
Dra. M aria Valeria D 'Á vila Braga de pedras foram substituídas pelas agulhas de osso e
Prof. Dr. Ysao Yamamura de bam bu.
A Era do Bronze tro u xe novo d esenvol­ que quase se aproxim a ao da acupuntura
v im e n to da prática da acupuntura na Chi­ co n te m p o râ ne a.
na e nela foi idealizada a teoria da circula­ Naquela época, os chineses conheciam
ção energética através dos M eridianos. as e s tru tu ra s dos órgãos in te rn o s e as
O m ais im p orta nte tratado m édico pro­ fu n çõ e s de co m ando do siste m a nervo ­
veniente da antiga China foi, sem dúvida, so, dados que o btin ha m de autópsias e
o H u a n g d iN e iJ in g ( " Cânon da M edicina"), vivissecções, m as espe cia lm e nte através
conhecido pelos europeus numa variante de uma fineza excepcional nos exam es e
com pilada desde o período das guerras a observação do organism o hum ano. Es­
(474-221 d.C.), uma apresentação do su­ te s c o n h e cim e n to s da época podem ser
m ário do saber m édico e filo só fico m ais com parados com o d e s e n v o lv im e n to da
habitual e daquele dos ancestrais. As des­ ciência m édica no início da Idade M édia,
crições dedicadas à acupuntura e aos tra­ p eríodo no qual a M ed icin a H ipocrática
ta m e n to s por m eio de aplicação de m oxa- e steve esquecida, favorecendo as supers­
bustão ocupavam uma grande parte des­ tiçõ e s e as ignorâncias.
ta obra, na qual a circulação da Energia Sob a dinastia Tang e durante o período
através dos M eridianos, as fu nçõ es e as Song, King e Yuan (960-1368 d .C.), a acu­
patologias das cadeias, as indicações e puntura co nh ece u um d e s e n v o lv im e n to
contra-indicações da acupuntura eram lar­ considerável. Foi então escrita uma série
gam en te discutidas. O significado p ro fun ­ de livros e d o cu m e n to s que se tornaram
do co nce rn en te à relação h om em -co sm o clássicos para o e stud o da acupuntura.
faz com que o H uangdi N ei Jing preserve Após a dinastia M ing (1368-1644 d.C.)
ainda hoje o seu interesse. vem um período longo co rresp on de n te à
Depois, para co m p le m e n ta r o H uangdi dinastia dos Tsing (16 44 -1 91 1 d.C.), e nele
N ei Jing, surgiu o clássico Nan Jing (" Clás­ a acupuntura restringiu sua im portância de
sico que Trata dos Problem as D ifíceis"), principal m é to d o de tratam en to , ao passo
no qual existe discussão sobre os pontos que a m edicina ocidental com eçava a pe­
de acupuntura e suas indicações para os n etrar g ra d u a lm e n te . E n tretan to, a acu­
"o ito M eridianos E xtraordinários". puntura continuava sendo praticada fre ­
Durante o período co rresp on de n te à di­ q ü e n te m e n te por pessoas sem form ação
nastia Tsin (as quatro dinastias da Cruz dos m édica. Paralelam ente, a acupuntura e a
V entos), a a cup un tu ra e a aplicação de m oxa bu stã o com eçaram a ser intro du zi­
m o xa b u stã o tiv e ra m rápido d e s e n v o lv i­ das no e xterior - no início, nos países vizi­
m ento. O Z h e n J iu Jia Y iJ in g C Introdução nhos, co m o Japão, Coréia, Tibete e Indo­
à A cupuntura e à M oxabustão) apresenta china, onde a dquiriram in te rp re ta çõ e s e
os nom es dos pontos de cada m eridiano, significados específicos.
suas indicações e ta m b ém as regras de tra­ A acupuntura com eça a ser conhecida
tam ento. No Zhou H ou Bei J i Fang ("P res­ na Europa por volta do século XVII, intro ­
crições para Casos de U rgência"), um ver­ duzida pelos jesuítas e viajantes que vi­
dadeiro tratado de m edicina de urgência nham do E xtre m o O riente. No início do
pela acupuntura e scrito por Keh Hong, são século XIX, o D ou to r Berlioz (pai do fa m o ­
a prese ntad os os m eios de aplicação da so com positor) e o anatom ista J. C loquet
acupuntura através das agulhas, das ven­ deram os prim eiro s passos na introdução
tosas e das moxas. da acupuntura na prática m édica européia.
Sob a dinastia Tang (618-907 d.C.), a Em 1929, o sinólogo Georges Soulié de
a cupuntura a ting e um d e s e n v o lv im e n to M oran t publicou o p rim eiro livro que es­
palhou a verdadeira acup un tu ra chinesa te gran te do U niverso co m o um todo. Des­
pela Europa. se m odo, observando-se os fe n ô m e n o s
A Franga, uma verdadeira escola de acu­ que o c o rre m na N atureza, pode-se por
puntura, polarizou a a tenção do m un do analogia estendê-los à fisiologia do corpo
m édico e o interesse que se te m hoje pela hum ano, pois nele se reproduzem os m es­
a cupuntura. m os fe n ô m e n o s naturais.
Nos Estados Unidos, a acupuntura co­ Nessa visão global de integração Natu-
m e ço u se r praticada após os anos 70, reza-Ser H um ano, todas as ciências são
e n c o n tra n d o aí um a po io c ie n tífic o em co eren te s e co ncordantes entre si, todos
publicações de prestígio e de pesquisas os ram os do c o n h e cim e n to hum ano par­
im p orta ntes. te m ou co nflu em para o saber básico, es­
Em 1979, ano que marca trê s décadas truturad o sobre os princípios da Filosofia
de expe rim en taçã o científica e m oderna Chinesa.
da acupuntura, ocorreu em Beijing o pri­ A concepção filosó fica chinesa a respei­
m eiro S im pósio Nacional de Acupuntura to do U niverso está apoiada em trê s pila­
e M oxabustão, do qual participaram mais res básicos: a teoria do Yang/Yin, a dos
de 4 m il especialistas da China e do m u n ­ Cinco M o v im e n to s e a dos Zang Fu (Ór­
do. Essa reunião marca o triu n fo cie n tífi­ gãos e Vísceras).
co da acupuntura. Teoria do Yang/Yin: C onceito básico e
E ste b re ve h is tó ric o , c ita d o no livro fu n d a m e n ta l de todas as ciências o rien ­
"A cu p u n tu ra C ientífica M o d e rn a ", de I.F. tais que corresponde à condição prim or­
D um itrescu , faz-nos navegar através do dial e essencial para a origem de to do s os
te m p o e e nte nd e r co m o a acupuntura evo­ fe n ô m e n o s naturais, com o, por exem plo,
luiu através dos te m p o s. E ntender a M e ­ o princípio da energia e da m atéria.
dicina Tradicional Chinesa é m u ito difícil,
Teoria dos Cinco M o v im e n to s : Por m eio
uma vez que se fala de uma cultura e uma
d este conceito, procura-se explicar os pro­
vivência que não está e m butida em nós,
cessos e volutivo s da Natureza, do Univer­
gerados e criados sob a cultura ocidental.
so, da saúde e da doença.
Portanto, ela não ve m im e d ia ta m e n te à
m ente, ao coração. Por isso, e nte nd e r a Teoria do Zang Fu (Órgãos e Vísceras):
cultura e te n ta r se n tir os e nsina m en tos a Aborda a fisiologia energética dos Órgãos,
cada nova leitura nos faz co m p re en de r, das Vísceras e das Vísceras Curiosas do
aos poucos, o se ntid o desta m edicina. ser hum ano e co nstitu i o alicerce para a
com preensão da fisiologia e da propedêu­
tic a e n e rg é tic a e da fis io p a to lo g ia das
F U N D A M E N T O S DA M ED IC IN A doenças e seu tratam en to .
TRADICIO NAL CHINESA

Prof. Dr. Ysao Yamamura A . T e o r ia d o Y a n g e d o Y in

A M edicina Tradicional Chinesa concen­ O bservando-se a Natureza, verifica-se


tra-se na observação dos fe n ô m e n o s da que tu d o o que nela e xiste é co m p osto
Natureza e no estud o e com p re en são dos por dois aspectos específicos e essenciais
princípios que regem a harm onia nela exis­ que se c o m p le m e n ta m e que m a n tê m
te nte. Na concepção chinesa, o U niverso e ntre si um equilíbrio dinâm ico. Esses dois
e o Ser Flum ano e s tã o s u b m e tid o s às aspectos foram cham ados pelos antigos
m esm as influências, sendo e ste parte in­ chineses de Yang e Yin.
20 C ap ítulo I

O Yang e Yin são os princípios essen­ dade negativa, posição "B a ix o ". Tam bém
ciais à e xistê n cia de tu d o o que há no são fatores Yin a Terra e a m ulher. Na equa­
U niverso. O Yang so m e n te pode e xistir na ção E = m .c2, o Yin eqüivale à massa.
presença do Yin, e vice-versa, e é esta A ssim , só é possível e ntender a concep­
dualidade que determ ina a origem de tu do ção de Yang e Yin no conjunto, ou seja,
na Natureza, incluindo a vida. não há co m o se conceber um dos aspec­
O Yang e o Yin tê m concepção ao m es­ to s o bservado isoladam ente. Por e x e m ­
m o te m p o sim plória e com plexa. Eles são plo, s o m e n te pode-se saber o que s ig n ifi­
a spe ctos o p o sto s ou, se v is to s por um ca calor se houver um referencial de frio;
o utro prism a, representam uma coisa úni­ so m e n te é possível e nte nd e r o que é es­
ca. curo quando se conhece o claro, e assim
Na concepção científica atual, pode-se por diante.
e nte nd e r este pen sam en to de form a bem A teoria Yang/Yin, concebida há m ilê n i­
clara ao se estudar a teoria da relatividade os com base na observação da Natureza,
de Einstein, na equação E = m .c 2. Essa obedece a trê s princípios básicos:
equação m ostra que a inter-relação entre 1. Transform ação do Yang e do Yin;
energia e m assa é uma condição básica 2. Transm utação do Yang e do Yin;
necessária para que haja harm onização 3. Relatividade do Yang e do Yin.
entre os processos naturais do U niverso,
sendo essa prem issa ta m b é m a base da
P rin c íp io s B á s ic o s
teoria energética da M edicina Tradicional
d o Y a n g e d o Y in
Chinesa.
Energia e massa são na realidade aspec­ 1. Prim eiro Princípio: Transform ação
to s d iferen te s de uma realidade. Entre a do Yang e do Yin
energia e a massa não há diferença, além
da condição de velocidade, d e m o n stra n ­ Os aspectos Yang e Yin apresentam um
do-se assim a dualidade energia-massa, ou co n sta n te m o v im e n to de tran sfo rm a çã o
seja, que e xiste um contínuo processo de entre si, m antendo-se, no entanto, em um
m útua transform ação entre ambas, que se contínuo e co nsta nte equilíbrio dinâm ico.
assem elha aos p re ce ito s d e s c rito s pela Isto significa que quando o aspecto Yang
m ilenar filosofia chinesa. Estudos posterio­ cresce, o Yin decresce, e vice-versa.
res, com o, por exem plo, o da teoria quân-
tica, vieram m ostra r cada vez m ais con­ 2. S eg u nd o Princípio: T ransm utação
cordâncias co nceituais dos princípios do do Yang e do Yin
Yang e do Yin.
O Yang representa to d o s os aspectos Os aspectos Yange Yin quando chegam
que se caracterizam por atividade co m o ao seu e xtre m o ( Yang do Yang ou Yin do
calor, m ovim en to, claridade, força, expan­ Yin) tran sm uta m -se em seu aspecto opos­
são, explosão, polaridade positiva, posição to. Este processo de transm utação é um
"A lto " . Tam bém são Yang o Sol e o ho­ princípio geral inerente à Natureza.
m em . Na equação E = m .c2, o Yang eqüi­ Pode-se e x e m p lific a r isso observando
vale à energia. o ciclo dia/noite. O dia te m características
O Yin representa o opo sto do Yang, ou Yang (claridade, calor, atividade) e a noite
seja, os aspectos que se caracterizam por te m características opostas, portanto, Yin.
grau de atividade menor, com o frio, repou­ Ao m eio-dia, há um m áxim o de Yang e à
so, escuridão, retração, im plosão, polari­ m eia-noite, um m áxim o de Yin. No perío­
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura

do que vai da m eia-noite ao m eio-dia, o equilíbrio dinâm ico deco rren te da influên­
Yin m áxim o vai decrescendo, tran sfo rm an ­ cia de estím ulos o po stos e com p le m en -
do-se paulatinam ente em Yang até alcan­ tares. Este fa to é observado em to do s os
çar, ao m eio-dia, um Yang m áxim o. Este, a spectos do din am ism o do corpo, com o,
por sua vez, com eça a decrescer, trans­ p o r e x e m p lo , nos s is te m a s s im p á tic o
form ando-se em Yin cada vez m ais cres­ (Yang) e parassim pático (Yin), no transpor­
c e n te , que a ting e seu p o n to m á xim o à te ativo (Yang) e passivo (Yin), nas contra­
m eia-noite. turas (Yang) e no relaxam ento (Yin), e as­
sim por diante.
3. Terceiro Princípio: R elativid ad e D este m odo, a fisio lo g ia da M edicina
do Yang e do Yin Tradicional Chinesa representa o dinam is­
m o das relações Yang/Yin do corpo, e a
De acordo com este princípio, a carac­ saúde e xpressa um e q u ilíb rio d in âm ico
terização de um fe n ô m e n o co m o sendo e ntre esses aspectos Yang e Yin.
Yang ou Yin é um co n ce ito relativo, signi­ A doença te m origem quando se insta­
ficando que um aspecto pode te r ao m es­ la um desequilíbrio e ntre o Yang e o Yin.
m o te m p o c a ra cte rística s Yang ou Yin, Quando o Yang sobrepõe-se ao Yin, dese­
dependendo do referencial. quilibrando o sistem a energético, surgem
Esse fa to fica bem e vid en te no estud o os quadros clínicos de hipertensão arte­
do e s p e c tro lu m in o so : os e x tre m o s do rial ou m e sm o hiperatividade anorm al das
e spe tro da luz tê m características Yang e células. Q uando o d ese qu ilíb rio e n tre o
Yin bem definidas. A cor verm elha apre­ Yang e o Yin ocorre por conta do aum ento
senta características Yang, pois retrata o do Yin, m a n ife s ta m -s e q uadros clínicos
m o vim e n to , a atividade, o calor, a agita­ com características opostas, co m o a hipo-
ção, a vida, ao passo que a cor violeta pos­ fu nçã o ou a hipoatividade, que d e te rm i­
sui características Yin, pois representa o nam quadros de hipotireoidism o, atonia da
repouso, a passividade, o frio, a calma, a vesícula biliar, bradicardia, etc.
m orte . No entanto, as cores que ocupam A M e d ic in a T ra d icio na l C hinesa visa
as posições interm ediárias e ntre o ve rm e ­ d iagnosticar p re coce m e nte as alterações
lho e o violeta a presentam características do e qu ilíb rio Yang/Yin e a te ra pê u tica é
Yang, quando co m p arad as ao vio le ta , e dirigida no sentido de restabelecer-se esse
Yin, quando com paradas ao verm elho. Por equilíbrio e nergético no corpo hum ano.
exem plo, a cor alaranjada é considerada
Yang em relação à cor violeta, m as passa B. T e o r ia d o s C in c o M o v im e n t o s
a te r características Yin em relação à cor
verm elha; ou seja, a cor alaranjada m ani­ A teoria dos Cinco M o v im e n to s co nsti­
fe s ta ao m e s m o te m p o ca ra c te rís tic a s tui o segundo pilar da Filosofia e da M ed i­
Yang e Yin, dependendo apenas do refe ­ cina Tradicional Chinesa. A concepção dos
rencial adotado. Cinco M o v im e n to s baseia-se na evolução
Os princípios do Yang e do Yin co n sti­ dos fe n ô m e n o s naturais, em co m o os vá­
tu e m um dos pilares sobre os quais se rios aspectos que co m p õ e m a Natureza
apóia a filosofia chinesa, assim co m o to ­ geram e dom inam uns aos outros.
das as ciências, incluindo a hum ana. A ssim , observa-se que to d o s os fe nô ­
Pela aplicaçã o da filo s o fia c h in e sa à m en os naturais tê m características pró­
m edicina, constata-se que a fisiologia do prias, a p artir das quais podem originar
c o rp o h um a n o ta m b é m o b e d e ce a um o u tro s fe n ô m e n o s e ao m e s m o te m p o
sofrer, deste s, in flu ê n cia s b en é fica s ou P r in c íp io s B á s ic o s dos C in c o
m aléficas. M o v im e n t o s e m C o n d iç õ e s de

As características próprias dos fe n ô m e ­ N o r m a l id a d e

nos naturais podem ser agrupadas em cin­


co categorias d ife re n te s, que se e nco n ­ Os d ois p rin cíp io s básicos dos Cinco
tram em constante m o vim e n to de geração M o v im e n to s em condições de norm alida­
e de dom inância e ntre si, co n stitu in d o o de refe rem -se aos co nce itos de geração
que foi denom inado de Cinco M o vim e n ­ e de dom inância.
tos. A ssim :
M o v im e n to Água: Representa os fe n ô ­ 1. Princípio de Geração
m enos naturais que se caracterizam por dos Cinco M o v im e n to s
retração, profundidade, frio, declínio, que­
O princípio de geração dos Cinco M o vi­
da, elim inação; é o p onto de partida e che­
m en tos estabelece que cada M o vim e n to
gada da transm utação dos M o vim e n to s.
gera o M o v im e n to se gu in te . Esta inter-
M o v im e n to M adeira: Representa os as­ relação é conhecida com o regra "m ã e -fi-
pectos de crescim ento, m ovim ento, flo re s­ Ih o", sendo cham ado de "m ã e " o M o v i­
c im ento, síntese. m e n to que gera e de "filh o " o M o v im e n to
M o v im e n to Fogo: R epresenta os fe n ô ­ que foi gerado. Cada um dos Cinco M o v i­
m enos naturais que se caracterizam por: m e n to s fu n c io n a c o m o " m ã e " e c o m o
ascensão, desenvolvim ento, expansão, ati­ " filh o " , d e p e n d e n d o do refe re n cia l. A s ­
vidade. sim , o M o v im e n to Fogo atua co m o "m ã e "
do M o v im e n to Terra e co m o " filh o " do
M o v im e n to Terra: Representa os fe n ô ­
M o v im e n to M adeira, o M o v im e n to Água
m enos naturais que se traduzem por trans­
atua co m o "m ã e " do M o v im e n to M adei­
form ações, m udanças.
ra e co m o " filh o " do M o v im e n to M etal, e
M o v im e n to M e ta l: Caracteriza os pro­ assim por diante.
cessos naturais de purificação, de seleção,
de análise, de limpeza.
2. Princípio de D om inância
Os Cinco M o vim e n to s, de acordo com dos Cinco M o v im e n to s
as características naturais que represen­
tam , guardam e ntre si uma inter-relação O p rincípio de dom in â ncia dos C inco
que p erm ite posicioná-los obedecendo-se M o v im e n to s e stabelece que cada M o v i­
ao critério da geração. D este m odo, o M o ­ m en to apresenta dom inância sobre o M o ­
v im e n to Água gera o M o v im e n to M adei­ v im e n to que sucede aquele que ele ge­
ra, este gera o M o vim e n to Fogo, o qual ge­ rou. Este princípio é ta m b é m co nhecido
ra o M o vim e n to Terra, e ste gera o M o vi­ co m o regra "a v ô -n e to ". A ssim , o M o v i­
m en to M etal e este, por sua vez, gera o m en to Fogo dom ina o M o v im e n to M etal,
M o vim e n to Água. que representa o seu "n e to " . Chama-se
No seu dinam ism o, os Cinco M o vim e n ­ de "a v ô " o M o v im e n to que dom ina, e de
to s relacionam -se e n tre si o bedecendo, " n e to " , o que é dom inado.
em condições de norm alidade, a dois prin­ O p rin cíp io de d om in â ncia d os C inco
cípios básicos, que traduzem um estado M o v im e n to s te m a finalidade de controlar
de norm alidade e que caracterizam a saú­ o c re scim e n to desenfreado que ocorreria
de; em condições de anorm alidade, há a se houvesse s o m e n te o princípio da gera­
desarm onia, que caracteriza a doença. ção. Os e cossiste m a s representam uma
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura

m anifestação desse princípio na N ature­ gras da harm onização energética, haven­


za. do neste processo quatro fo rm a s de inte­
A interação dinâm ica das leis de gera­ ração:
ção e dom inância dos Cinco M o vim e n to s 1 - Princípio da dom inância excessiva:
pro m o ve a harm onia do sistem a, isto é, 2 - Princípio da contradom inância;
m an tém o equilíbrio na Natureza e a saú­ 3 - Princípio da geração excessiva;
de no Ser Hum ano. 4 - Princípio da inibição.
A fu n çã o ene rg ética de ser "a v ô " ou
" n e t o " é re la tiva . Cada um d os C inco 1 e 2 - Princípios de D om inância
M o vim e n to s pode te r a fu nçã o de "a v ô " Excessiva e de C ontrad om in ân cia dos
ou de " n e to " , d ep endendo do referencial. Cinco M o v im e n to s
A ssim , o M o vim e n to Fogo te m a função
Q uando um dos M ovim en tos desarm o-
de "a v ô " em relação ao M o vim e n to M e­
niza-se e ne rg etica m e n te em relação aos
tal e a função de "n e to " em relação ao M o ­
outros, ocorre uma desestabilização da har­
v im e n to Água.
m onia dos Cinco M o v im e n to s que vinha
Segundo a Filosofia e M edicina Chinesa,
sendo m antida à custa da geração e da do­
to d o s os aspectos da Natureza e voluem
minância normais. Esta desarm onia refle­
porque são gerados e controlados pelos
te-se em princípios de dom inância exces­
princípios de geração e de dom inância dos
siva e de contradom inância. A contradom i­
Cinco M ovim en tos.
nância é uma situação que ocorre quando
um M ovim e n to se torna excessivo e volta-
P r in c íp io s B á s ic o s dos C in c o
se contra aquele que norm alm ente o do­
M o v im e n t o s e m C o n d iç õ e s de
mina: o "n e to " volta-se contra o "a v ô ". Por
A n o r m a l id a d e
exem plo, a hiperatividade do M ovim en to
M adeira pode voltar-se contra o M ovim en ­
Em condições anorm ais ou de desarm o­
to M etal, contradom inando-o.
nia energética e ntre o Yang e o Yin, as in-
Na concepção da M edicina Tradicional
ter-relações dos Cinco M o vim e n to s pas­
Chinesa, a aplicação dos princípios de do­
sam a ser feitas por vias um pouco d ife ­
m inância e de contradom inância explica,
rentes, o que dete rm ina um agravam ento
em parte, a evolução das m anifestações
cada vez m ais sig n ifica tivo do desequilí­
clínicas sucessivas de uma determ inada
brio e nergético instalado, ocasionando o
doença.
processo de adoecim ento.
Na concepção da M edicina Tradicional
3 e 4 - Princípios de G eração
Chinesa, esse p rocesso é condição que
Excessiva e de Inibição dos Cinco
evolui de m aneira lenta e progressiva, de
M o v im e n to s
m odo que o desequilíbrio e ne rg ético en­
tre o Yang e o Yin vai refletir-se, através A hiperatividade de um M o v im e n to pro­
das in te ra ç õ e s e n e rg é tic a s d o s C inco voca uma desarm onia energética no ciclo
M ovim en tos, sobre os vários setores do dos Cinco M o vim e n to s, potencializando o
organism o, até que passa a a ssum ir pro­ m eca nism o de geração, e ao m esm o te m ­
porções que o caracterizam co m o "d o e n ­ po, em condições de extrem a anorm ali­
ça" nos m oldes g eralm en te aceitos. dade, prom ove o processo de inibição, que
O processo de destruição ou de adoe­ representa uma condição na qual o M ovi­
cim ento fundam enta-se em princípios que m e n to h ip era tivo volta-se contra aquele
prim ariam ente procuram co m b ate r as re­ que o gera: o " f ilh o " vo lta-se contra a
r r
24 C ap itulo I

"m ã e ". Nos casos de extrem a hiperativi- suas características as incluem no m esm o
dade do M o vim e n to M adeira, por e xe m ­ M o vim e n to do Órgão que as com andam .
plo, e s te se vo lta co n tra o M o v im e n to Assim , por exem plo, na M edicina Tradi­
Água, que é sua "m ã e ", e ao m e sm o te m ­ cional Chinesa, o Gan (Fígado) pertence ao
po prom ove uma geração aum entada do M o vim e n to M adeira, pois as suas funções
M o vim e n to Fogo. fisiológicas correspondem a este M ovim en ­
to, ou seja, a Energia do Gan (Fígado) te m
C in c o M o v im e n t o s , a N atureza e o
fu nçã o de fazer crescer, ora a tra vés do
S er H umano
m eta bo lism o , ora produzindo substâncias
para o crescim e n to . A ssim as estru tu ra s
As características próprias que individua­ m u s c u la re s e te n d in o s a s , os o lh o s, as
lizam cada um dos Cinco M ovim en tos per­ unhas, os nervos, o siste m a re p ro d u to r
m item que se possam enquadrar todos os fe m in in o p e rte n ce m ao M o v im e n to M a­
aspectos da Natureza com o integrantes de deira e stan do to d o s eles relacionados a
um dos M o vim e n to s. A distribuição dos atividades intensas e ao crescim en to; por
a spectos da Natureza d e n tro dos C inco isso estão ligados ao Gan (Fígado), pois
M ovim en tos m ostra que fe nô m e n os apa­ e ste é o grande responsável pelo m eta ­
re n tem e nte desconexos da Natureza po­ bolism o e síntese protéica (crescim ento).
dem parecer ordenados quando vistos sob
o u tro prism a, ou seja, "d e n tro do caos, C . T e o r ia d o s Z a n g F u ( Ó r g ã o s e
existe a o rd e m ". Desta maneira, ao M ovi­ V ís c e r a s )
m ento Madeira convergem a cor azul-es-
Dra. Maria Valeria D'Ávila Braga
verdeada e o sabor ácido; por sua vez, a
Prof. Dr. Ysao Yamamura
Primavera, cuja Energia Celeste é o Vento,
é a estação propícia para que o M ovim en ­ A co n ce p çã o da M ed icin a Tradicional
to M adeira desenvolva as suas funções. Chinesa sobre os órgãos, que é diferente
Estes a sp e cto s naturais, em co n d içõ e s daquela do O cidente, considera três aspec­
normais, estim ulam o M o vim e n to M adei­ tos distintos: o energético, o funcional e o
ra e, em condições anormais, o destroem . orgânico. Os dois ú ltim os correspondem à
A teoria chinesa sobre a fisiologia ener­ fisiologia, à histologia e à anatom ia patoló­
gética do corpo hum ano identifica cinco gica estudadas no O cid en te; o e n fo q u e
Zang (Órgãos) e seis Fu (Vísceras) essen­ energético é sui generis quer na caracte­
ciais, que fisiologicam ente representam as rística Yang/Yin quer nas funções que es­
características dos Cinco M ovim en tos den­ sas energias exercem ao nível som ático e
tro do ser hum ano. A ssim , na concepção m e n ta l. A M ed icin a Tradicional C hinesa
da M edicina Tradicional Chinesa, ta nto os denom ina de Zang Fu o estudo dos Órgãos
cinco Órgãos quanto as seis Vísceras estão e das Vísceras sob esses três aspectos.
relacionados com os Cinco M ovim entos. Os Órgãos (Zang) tê m a função de ar­
Na fisiologia energética humana, os cin­ m azenar a Essência dos a lim en to s, que
co Zang (Órgãos) essenciais, representan­ proporciona os d in am ism o s físicos, visce ­
te s dos C inco M o v im e n to s , co m a nd am rais e m entais. São estru tu ra s geradoras
estruturas orgânicas e prom ovem o dina­ e tran sfo rm ad o ra s de Energia e do Shen
m ism o das atividades físicas e psíquicas. (Consciência) que constitui, no exterior, as
As estruturas orgânicas, por sua vez, co­ m an ifesta çõ es da Energia interior.
mandadas por esse ou aquele Órgão, de­ Os Órgãos, representados pelo Xin (Co­
senvolvem atividades específicas, porque ração), Fei (Pulmão), Gan (Fígado), Pi (Baço/
Pâncreas) e Shen (Rins), são as estruturas correspondente. Por exem plo, uma alegria
essenciais do organism o, responsáveis pe­ excessiva é conseqüente ao Vazio do Xin-
la form ação, crescim ento, desenvolvim en­ Yin (Coração-Yin); a preocupação, os pen­
to e m anutenção do corpo físico e da m en ­ sam entos introspectivos denotam o Vazio
te. Cada Órgão, que representa um dos do Pi (Baço/Pâncreas); raiva e nervosism o
Cinco M o vim e n to s, te m função de cons­ significam Plenitude do Gan-Yang (Fígado-
titu ir e de com andar te cid o s e uma parce­ Yang). As m od ifica çõ es que ocorrem no
la da Energia M ental (psiquism o). Exterior, nas estruturas orgânicas, signifi­
As Vísceras (Fu) constituem as e strutu­ cam exteriorização do processo interno.
ras tubulares e ocas que tê m função de re­ O bservando-se o Exterior, conhece-se o
ceber, transform ar e assim ilar os alim entos, Interior. Assim , alteração do cabelo (queda),
além de prom over a elim inação de dejetos. da audição (surdez, zumbido), bem com o
São o Tubo D igestivo (Estômago, Intestino im potência sexual, poliúria e lombalgia sig­
Delgado, Intestino Grosso) e o Pangguang nificam Vazio do Shen-Yin (Rim-Y/n); cólica
(Bexiga). Estas estruturas são englobadas m enstruai, mastodínia, cefaléia, enxaque­
por um e le m e n to a lta m e n te e ne rg ético , ca, gastrite, unhas quebradiças, tris m o e
Yang do Yang, o Sanjiao (Triplo Aquecedor), cãibras estão relacionados com a Plenitu­
que te m a finalidade de prom over a ativida­ de do Gan-Yang (Fígado-Yang).
de de todos os órgãos internos. Para se adequar o tra ta m e n to ene rg éti­
As Vísceras Curiosas são estru tu ra s que co, é preciso chegar à origem das altera­
não se enquadram nas características aci­ ções energéticas, que são ju s ta m e n te os
ma. São elas: o Dan (Vesícula Biliar), os Va­ Zang Fu (Órgãos e Vísceras). Estes, além
sos Sangüíneos, o Ú tero, os O ssos, a M e ­ de pro m o vere m os sintom as e sinais orgâ­
dula Óssea, a M edula Espinal e o Encéfalo. nicos e viscerais, ta m b é m se m anifestam
Os aspectos ene rg ético s dos Ó rgãos e ao longo do tra je to de seus respectivos
das Vísceras, conhecidos co m o Zang Fu, M eridianos.
são responsáveis pela integridade do cor­ À m edida que as alterações energéticas
po. Estando os Zang Fu em harm onia ener­ vão se intensificando, surgem m anifesta­
gética, as fu nçõ es psíquicas, bem com o ções funcionais que os exam es laborato­
as dos Órgãos e Vísceras (Zang Fu) e das riais e co m p le m e n ta re s passam a d ete c­
dem ais estru tu ra s apresentarão bom de­ tar. O agravam ento do processo altera a
s e m penho funcional, m antendo-se dentro estrutura física dos te cido s (células), o que
da norm alidade. A s alterações de Energia passa a ser d em on stráve l no exam e ana-
dos Zang Fu para m ais (Plenitude) ou para to m o p a to ló g ic o .
m enos (Vazio) p ro m o vem conseqüências
inicialm ente na Energia M ental (Shen), de­ Á reas da M e d ic in a
pois, sucessivam ente, na coloração da tez, T r a d ic io n a l C h in e s a
nas m anifestações fu ncio na is dos Órgãos
e das Vísceras (Zang Fu) e, por fim , altera­ A M edicina Tradicional Chinesa é um vas­
ções orgânicas das e stru tu ra s do corpo. to cam po de conhecim ento, de origem e
Essa relação dos Zang Fu (Órgãos e Vís­ concepção filosófica que abrangem vários
ceras) com a parte som ática e com a M en ­ setores ligados à saúde e à doença. Suas
te (Shen) é utilizada co m o m eio de diag­ co ncepções são voltadas m u ito m ais ao
nóstico na M edicina Tradicional Chinesa. estudo dos fatores causadores da doença
Assim , uma alteração do estado m ental sig­ e à sua maneira de tratá-las, conform e os
nifica um desequilíbrio energético do Órgão estágios da evolução do processo de adoe­
cer, e principalm ente ao estudo das form as indissolúvel de se m anter a Vida. O tipo, a
de prevenção, nisso residindo toda a es­ qualidade, a quantidade e o horário da ali­
sência da Filosofia e da M edicina Chinesa. m en taçã o p od em condicionar um corpo
Para tanto, a M edicina Tradicional Chi­ fís ic o e e n e rg é tic o inadequado para as
nesa enfatiza os fe n ô m e n o s precursores suas atividades, originando precocem en-
das alterações fu ncio na is e orgânicas que te um p rocesso de a do ecim en to que as­
provocam o a parecim ento de sintom as e su m e p ro po rçõ es crônicas e evolutiva s,
de sinais e que, m uitas vezes, são a com ­ su je ito cada vez m ais à ação dos fa to re s
panhadas de anorm alidades nos exam es e tiop ato g ên ico s do adoecer.
c o m p le m e n ta re s e laboratoriais. O fa to r Para o fe to , a fo n te de Energia é a mãe,
causai d este s processos nada m ais é do que re p re s e n ta , qua nd o saudável, um a
que o desequilíbrio da Energia interna, in­ fo n te da m ais alta qualidade de Energia e
duzido pelo m eio a m b ie n te (origem e xter­ n utrien te s. É m u ito im p orta nte que a ges­
na), ou pela alim entação desregrada, e m o ­ ta n te te nh a sua psique, se us Ó rgãos e
ções retidas, fadigas (origem interna). Vísceras (Zang Fu) e sua alim entação sau­
O ditado chinês "E sperar te r sede para dáveis para poder gerar um filh o sadio.
cavar um poço pode ser m u ito ta rd e " re­ A Energia e os nutrientes provenientes
fle te a visão preventiva, sob to d o s os as­ dos alim entos necessitam circular pelo cor­
pectos, princip alm en te da área da saúde. po para se re m co nsu m id os, repondo as
Com e ste intuito, a M edicina Tradicio­ perdas e m antendo a dinâmica fisiológica.
nal Chinesa aborda vários setores, desde A Energia (Qi) circula através dos M e ri­
o m odo pelo qual o indivíduo possa cres­ dianos (Canais de Energia), que são d is tri­
cer e se d esenvolver de m aneira norm al buídos de m odo se m e lh a nte aos trajetos
até os casos e x tre m o s do p ro ce sso de da rede nervosa e sangüínea. À m edida
adoecer. A ssim , destacam se cinco recur­ que a Energia se m obiliza, o Xue (Sangue)
sos essenciais: a alim entação, o Tai Chi acom panha-a. A atividade m uscular repre­
Chuan, a acupuntura, as ervas m edicinais senta a m aneira m ais adequada de fazer
e o Tao Yin (tre ina m e n to interior), além do circular a Energia pelo corpo. O cam inhar
e stud o da fisiologia e fisiopatologia ener­ e o Tai C hi Chuan, prática baseada em
gética dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras). exercícios específicos que orien ta m a cir­
A alim entação, verdadeira fo n te da Ener­ culação de Qi, pro m o vem a atividade das
gia adquirida, é form ada dos n u trie n te s e articulações, dos m úsculos e dos tendões;
da essência que fo rm a m e põem em ativi­ são, portanto, recursos úteis ta n to para a
dade todas as e stru tu ra s do o rganism o. co nso lid açã o do c o rp o fís ic o q u a n to da
O o rganism o foi gerado a partir de dois psique no fa vo re cim e n to à vitalidade e à
gam etas, o óvulo e o esperm atozóide. O longevidade. Os n u trie n te s são distribu í­
recém nascido pesa em to rn o de 3.000g dos pela rede sangüínea.
e o adulto, em to rn o de 80.000g. Foi por A circu laçã o de Energia nos d ive rso s
m eio dos alim en to s de origem ce le ste e M eridianos pode ser dificultada por fa to ­
te rre s tre que fo i incorporada toda essa res e xterno s ou internos, o que pode oca­
m atéria, de m odo que a alim entação é o sionar bloqueios e estagnações de Energia
fa to r que propicia a form ação do corpo fí­ e de Xue (Sangue), originando os proces­
sico e da Energia necessária para m anter sos álgicos ou o mau fu n c io n a m e n to dos
o d in am ism o da form a. Órgãos, das Vísceras e dos te cido s. Pode
A relação in te rd e p e n d e n te e c o m p le ­ ocorrer ta m b é m uma atividade inadequa­
m entar da Energia e da m atéria é o m eio da dos ce ntros de Energia do corpo, res­
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura 27

pon sáve is pelo c o n tro le e n e rg é tic o dos A acupuntura fo i idealizada d e n tro do


Ó rgã os. N e s te s ca sos, as té c n ic a s da c o n te x to global da filosofia do Tao e das
m assagem chinesa, o Tui-Na, o fe re ce m co ncepções filosó ficas e fisiológicas que
m elhores recursos, pois sua essência con­ nortearam a M edicina Tradicional Chine­
siste em desbloquear, circular e fo rta le ce r sa. A co nce pçã o dos M e rid ia n o s e dos
as Energias, p rin c ip a lm e n te a V ital e a p on tos de acupuntura, o diagnóstico ener­
Essência Sexual (Jing Shen). g ético e o tra ta m e n to baseiam se nos pre­
A a cu p u n tu ra , o re c u rs o te ra p ê u tic o ce ito s do Yang e do Yin, dos Cinco M o vi­
m ais co nh ecido da M ed icin a Tradicional m entos, da Energia [Qi) e do Xue (Sangue).
Chinesa no O cidente, é o m eio pelo qual, A Energia [Qi) é a form a im aterial que
através da inserção de agulhas, faz se a p ro m o ve o dinam ism o, a atividade do ser
introdução, a m obilização, a circulação e o vivo. M anifesta-se sob dois aspectos prin­
d esb loqueio da Energia, além da retirada cipais. Um , de característica Yang, repre­
das Energias turvas (X/e Q i - Energias Per­ senta a Energia que produz o calor, a ex­
versas), p rom ovendo a harm onização e o pansão, a explosão, a ascensão, a clarida­
fo rta le cim e n to dos Órgãos, das Vísceras de e o a um en to de todas as atividades;
e do corpo. A com p re en são da fisiologia outro, de característica Yin, representa a
energética dos M eridianos, dos pon tos de Energia que produz o frio, o retraim ento,
a cup un tu ra e de suas fu n ç õ e s torna-se a descida, o repouso, a escuridão e a di­
fu nd am e nta l para a utilização desta té cn i­ m inuição de todas as atividades.
ca na prevenção e interrupção de um pro­ A Energia é im utável, recebendo deno­
cesso de adoecim ento. m in a çõ e s d ife re n te s c o n fo rm e as suas
O dinam ism o das estruturas do corpo e fu n çõ e s;
as alterações de Energia, pelas suas rela­
* Energias C ele stes são cinco (Calor,
ções de interdependência e com plem enta­
Vento, Frio, Secura e Um idade) e são res­
ridade com a matéria, levarão ao desgaste
ponsáveis pelo a parecim ento das quatro
desta, resultando em atividades inadequa­
e staçõ es do ano e, co n s e q ü e n te m e n te ,
das ou lesões anatom opatológicas. O re­
da vida.
curso mais apropriado é fornecer, principal­
m ente, matéria e Energia à custa da inges­ * Energia Terrestre ou Telúrica é respon­
tão de substâncias potencialm ente ativas, sável pela form ação da Essência dos ali­
representadas pelo uso das ervas m edici­ m e n to s (Gu Zhi) e do Shen (Rins), sendo
nais, que têm a finalidade de fortalecer tan­ e ste o gerador de todas as Energias do
to a m atéria q uanto a Energia, repor as corpo.
m esm as quando houver falta e expulsar os * E n e rg ia -F o nte (Yuan Qi) resu lta da
agentes prom otores da doença. tran sfo rm açã o da Essência do Shen (Rins)
em Energia Yang {Yang Qi) e Energia Yin
A cupuntura (Yin Qi) do corpo.
* Energia N utritiva {Yong Qi) provém da
O Chen-Chui ou a acupuntura, co m o é
Essência dos a lim en to s e é responsável
conhecido no O cidente, é um antigo m é­
por toda a nutrição energética das e stru ­
todo te rapêutico chinês que se baseia na
turas do corpo; circula nos M eridianos.
estim ulação de d ete rm ina do s pontos do
corp o co m agulha (C hen) ou co m fo g o * Energia de D efesa (W ei Qi) é prove­
(Chui), a fim de restaurar e m a n te r a saú­ n iente da união da Energia C eleste com a
de. Terrestre e responsável por toda defesa e
resistência contra as Energias Perversas ou o co nce ito de Energia (Qi) dos Órgãos
(fatores de adoecim ento); circula fora ou e das Vísceras. A ssim , o Gan Qi (Energia
den tro dos M eridianos Principais, depen­ do Fígado) é o responsável por todas as
dendo do horário. a tividades fisio ló g ica s de fo rm a idêntica
às fu n çõ e s hepáticas reconhecidas pela
* Zhong Qi de form ação sem elhante ao
m edicina ocidental e acrescidas da ativi­
W ei Qi, é o responsável pela dinâmica car-
dade m ental, de raciocínio, decisão e jul­
diorrespiratória e pela respiração celular.
g am en to e de e m o çõe s com o raiva, ódio,
* Energias Perversas (Xie Qi) represen­ ira, tensão, agitação psíquica, etc.
tam as Energias C elestes que se encon­ As d eficiên cias (Vazio) de Q i (Energia)
tram em excesso, real ou falso, em rela­ ou a p en etra ção de Energias Perversas
ção à vitalidade do corpo. (Xie Qi) são fa to re s condicionantes do pro­
cesso de a doecim ento, que pode ir desde
* Xue Q i (Energia do Sangue) ta m b ém
um bloqueio na circulação de Qi (Energia)
é resultante da união da parte Yin da Ener­
pelos M eridianos, o que pode se expres­
gia C eleste com a Essência dos alim en­
sar por dor ou im potência funcional dos
tos; é responsável pela dinâm ica do Xue
m úsculos, até processos que alteram as
(Sangue).
e stru tu ra s internas, levando a uma lesão
* Jin Ye co nstitu i a Energia dos Líqui­ anatôm ica.
dos O rgâ nico s e é fo rm a d o à custa da A acupuntura visa restabelecer a circu­
união da Energia C eleste com a Essência lação da Energia (Qi) nos M eridianos e nos
dos alim entos. É o responsável pelo aque­ Ó rgãos (Zang) e nas Vísceras (Fu) e, com
c im e n to e nutrição do corpo e m eio de cir­ isso, levar o corpo a uma harmonia de Ener­
culação do W e i Qi e do X ue (Sangue). gia e de m atéria.
O re co n h e cim e n to dos principais pon­
Estas diversas fo rm a s de Energia, umas to s de acupuntura não foi um m ero acha­
de característica Yang e outras de carac­ do e x p e rim e n ta l, m as deriva de to d o o
terística Yin, são as m antenedoras das a ti­ co nceito do Yang e do Yin e dos princípios
vidades do corpo. dos Cinco M o v im e n to s , que são os alicer­
As técnicas de inserção de agulhas (acu­ ces da filoso fia chinesa. A ssim , a origem
puntura) tê m a finalidade de pro m o ver a dos pontos Shu A n tigo s nos M eridianos
m obilização, a circulação e o fo rta le cim e n ­ Principais representa a relação Yang/Yin,
to das Energias hum anas, bem co m o a ex­ A lto/B aixo, S uperficial/P rofundo e Esquer­
pulsão de Energias Perversas (Xie Qi) que da/D ireita, enquanto o din am ism o fu n c io ­
a com ete m o indivíduo. nal desses pon tos de acupuntura está de­
O conceito de órgãos e de vísceras da p e n d e n te dos p rincípio s que reg em os
Medicina Tradicional Chinesa difere daquele Cinco M o vim e n to s.
da M edicina Ocidental. Os Órgãos (Zang) A Energia precede a fo rm a física; por
e as Vísceras (Fu), na concepção dos anti­ c o n s e g u in te , as e s tru tu ra s fís ic a s te c i-
gos chineses, representam , além dos con­ duais, responsáveis pelo co n tro le do di­
ceitos da fisiologia ocidental, a integração n a m is m o e n utrição do corpo, m a n tê m
dos fe n ô m e n o s e n e rg é tico s, que agem uma nítida relação com os M eridianos, que
tanto nas m anifestações som áticas com o se so brep õe m à rede nervosa central e
psíquicas. periférica e à distribuição dos vasos san­
Essas duas m anifestações aliadas à ma­ güíneos. Por isso, as variações intrín se ­
téria (corpo físico) co n stitu e m os Zang Fu, cas ou extrínsecas de Energia dos M e ri­
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura

dianos repercutem sobre esses te cido s de NOÇÕES SOBRE Ó RGÃOS E


m odo local e/ou sistê m ico. VÍSCERAS (ZANG FU) E
A acupuntura aborda não so m e n te os Q U IN TE S S Ê N C IA ENERGÉTICA
aspectos funcionais dos pontos de acupun­ (JING SHEN)
tura, mas ta m b ém as d iferen te s funções
dos M eridianos (Jing Luo), que represen­ Dra. Maria Valeria D'Ávila Braga
Prof. Dr. Ysao Yamamura
tam o im portante sistem a de consolidação
e de com unicação dos Zang Fu com a par­
te som ática, condicionando, na sua traje­ X in (C o r a ç ã o )
tória, a form a física do ser hum ano. Rela­
cionar as alterações produzidas na estrutura O Xin (Coração) situa-se no Shangjiao
física aos M eridianos é reconhecer o esta­ (A quecedor Superior), relaciona-se com o
do energético dos Órgãos e das Vísceras M o v im e n to Fogo, na teoria dos Cinco M o­
e, por conseguinte, representa um recur­ vim e n to s, e te m as se gu in te s correspon­
so adequado para o tratam ento. dências energéticas:

Cor verm elha Emocão alegria

Sabor am argo Sons riso

Energia Calor O dor queim ado

Estação verão Tecido vasos sangüíneos

Cinco M ovim en to s ! - , n u ' " 1 i Vr*/" "í? V,s ■ í’ {i

Funções energéticas do X in gãos) fica r obstruida, ou seja, quando hou­


(Coração): ve r a estagnação de Xin-Xue, a circulação
de Xue (Sangue) torna-se escassa, m ani­
1) Governa o Xue (Sangue) de duas fe sta nd o-se por m ãos frias, constitu ição
m aneiras: física debilitada e falta de força.

- Transform a a Energia dos alim en to s


em Xue (Sangue) 2) Controla o Xue M ai (Vasos
- É responsável pela circulação do Xue Sangüíneos)
(Sangue), em bora na M edicina Tradicional
Chinesa, outros Zang (Órgãos) possam te r Os vasos sangüíneos (Xue Mai) depen­
participação na circulação do X ue (San­ dem do Xin Qi (Energia do Coração) e do
gue), co m o o Fei (Pulmão), o Pi (Baço) e o Xue (Sangue). O Xin (Coração), além de
Gan (Fígado). pro m o ve r a circulação de Xue (Sangue),
A relação entre o Xin (Coração) e o Xue controla a paredes dos vasos sangüíneos.
(Sangue) determ ina a força co nstitu cion al Se houver Plenitude de Xin-Yang(Coração-
de um indivíduo, em bora a nossa co n sti­ Yang) poderão m an ifesta r-se vasodilata-
tuição seja p rim e ira m e n te relacionada à ção, telangectasias ou m e sm o hem orra­
Q u in te ssê n cia (Jing) e ao Shen (Rins). gia por rotura de parede de vasos sangüí­
Quando a relação e ntre os dois Zang (Ór­ neos.
3) M anifesta-se na com pleição 5) A bre-se na língua

C om o o Xin (Coração) governa o Xue A língua é considerada uma ram ificação


(Sangue) e o Xue M a i (Vasos Sangüíneos) do Xin (Coração) que lhe dá a cor, a form a
e d istribui o Xue (Sangue) por to d o o or­ e a aparência, princip alm en te na região da
ganism o, o estado ene rg ético do Xin e do ponta da língua. Estando o Xin (Coração)
Xue pode se re fle tir na com pleição. Se o norm al, a língua possui coloração verm e-
Xin (Coração) e o Xue (Sangue) fo re m fo r­ Iho-pálida. Se o Xin e stiver agredido pelo
tes, a com pleição será rosada e lustrosa; Calor, a língua se tornará verm elho-escura
se o Xue fo r enfraquecido, ela será pálida e seca e a ponta, m ais averm elhada, com
e de coloração branco-lustrosa; se o Xue g o sto am argo; se o Calor fo r m u ito inten ­
e stiver estagnado, m anifestará coloração so, poderá ocorre r úlcera verm elha e do­
púrpuro-azulada; e se o Xin e stive r agredi­ lorida, na língua; estando o Xin (Coração)
do pelo Calor, a com pleição estará m u ito e nfra q u e cid o , a língua torna-se pálida e
averm elhada. fina. O Xin (Coração) controla ta m b é m o
paladar e a fala; a n o rm a lid a d e s p od em
causar gagueira, afasia ou dislalia. O Xin
4) Abriga o Shen (M ente) (Coração) ta m b é m influencia a risada; o
desequilíbrio do Xin (Coração) causa fala
O Xin (Coração) abriga o Shen (M ente) incessante e risada inconveniente.
e e ste indica o co m p le xo das faculdades
m e n ta is, a s p e c to s e m o cio n a is e e s p iri­
6) C ontrola a transpiração
tuais de to do s os o utros órgãos, incluindo-
se atividades m entais, consciência, m e m ó ­ Pelo fa to de o Xue (Sangue) e os flu i­
ria, pen sam en to e sono. Se o Xin (Cora­ dos c o rp ó re o s (Jin Ye) te re m a m esm a
ção) fo r fo rte e o Xue (Sangue) abundante, origem , eles interag em entre si; por isso
te m -se atividade m ental norm al, vida e m o ­ o Xin (Coração) relaciona-se com a tran s­
cional equilibrada, consciência clara, m e­ piração. A ssim , a deficiência do Xin (Cora­
m ória e pen sam en to bons e um sono sau­ ção) pode m anifestar-se pela transpiração
dável; se o Xin (Coração) e stive r e nfraque­ espontânea.
cido e o Xue (Sangue) d eficien te , podem
m anifestar-se depressão, falta de m e m ó ­
7) Regula o sono e os sonhos
ria, p e n sa m e n to afetado, insônia ou so­
nolência, inconsciência, agitação m ental e Uma vez que o Xin (Coração) abriga o
ansiedade. Shen (M ente), o Xin está in tim a m e n te re­
Existe uma relação de m útua dependên­ lacionado ao sono. Se o Xin (Coração) e o
cia e ntre a função de controlar o Xue (San­ Xin-Xue (Coração-Sangue) fo re m fo rte s , a
gue) e de abrigar a m e n te (Shen): o Xue pessoa dorm irá fa c ilm e n te e o sono será
(Sangue) é a origem do Shen (M ente) e tranqüilo; se o Xin (Coração) e stive r enfra­
e ste ajuda o Xin (Coração) a co ntrola r o quecido, o Shen (M ente) não terá residên­
Xue (Sangue). A ssim , se o Xin (Coração) cia e flutuará à n oite causando inabilidade
fo r fo rte , o Shen (M e nte) será ta m b é m para o sono, sonhos excessivos e pesade­
fo rte e o indivíduo, feliz; se o Xin (Cora­ los.
ção) e o Shen (M ente) não possuírem vita ­ O Xin (Coração) pode ser afetad o por
lidade, o indivíduo se tornará tris to n h o e fa to re s p a to g ê n ico s e x te rio re s , c o m o o
dep rim id o. Calor e o Fogo, e pelos fa to re s internos
B Ü S B H 3

que c o n s titu e m os e sta d o s e m o cio n a is m ove deficiência por um período lon­


com o: go, provoca estagnação de Qi, poden­
do depois gerar o Fogo.
A legria. Sob condições norm ais, um es­
tado de felicidade m ental é b enéfico Fúria. Inclui a raiva, a frustração e o res­
para a m en te e o organism o. 0 ex­ sentim ento. Embora ela afete direta­
cesso de alegria, isto é um excitam en- m ente o Gan (Fígado), pode acom eter
to excessivo pode lesar o Xin (Cora­ indiretam ente o Xin (Coração), pois pro­
ção), dim inu ind o o m o vim e n to do Xin voca plenitude do Gan-Yang (Fígado-
Q i (Energia do Coração) e causando Yang) ou Fogo do Gan (Fígado-Fogo),
deficiência. podendo transform ar-se rapidam ente
em Fogo do Xin (Coração-Fogo).
Tristeza. Embora relacionada ao F e i(Pul­
mão), a tristeza afeta p ro fun d am en te
o Xin (Coração), porque e ste s Zang G a n (F íg a d o )
(Órgãos) estão in tim a m e n te relacio­
nados, pois um governa a Energia e O Gan (Fígado) situa-se no Xiajiao (Aque­
o u tro o Xue (Sangue). Tristeza ocasio­ ce do r Inferior), relaciona-se com o M o vi­
na a d e fic iê n c ia do F ei (Pulm ão) e m e n to M adeira, na teoria dos Cinco M o ­
este, a do Xin Q i (Energia do Cora­ vim e n to s, e te m as se guintes correspon­
ção); uma tristeza prolongada, que pro­ dências energéticas:

Cor verde/azul Em oção fúria

Sabor azedo Sons grito

Energia Vento O dor rançoso

Estação prim avera Tecido tendões, músculos

Cinco M ovim en to s crescim ento

F u n ç õ e s e n e r g é tic a s d o G a n (F íg a d o ): m e n to do X ue (Sangue) p ro m o vido pelo


Gan (Fígado) influencia ta m b ém , indireta­
1) A rm azena o Xue (Sangue) m en te, a resistência aos fa to re s patogê­
nicos externos; se a pele e os m úsculos
O Gan (Fígado) regula o vo lu m e de Xue e s tiv e re m b em n u trid o s pelo X ue (San­
(Sangue) co nfo rm e a atividade física. A s­ gue), são capazes de resistir aos fatores
sim , estando o indivíduo em repouso, o patogênicos externos, assim co m o a ati­
Xue (Sangue) retorna ao Gan (Fígado), e vidades m usculares excessivas, com o as
estando em atividade, o X ue (Sangue) flui dos atletas.
para os m ú s c u lo s e ossos, e n fim para A função do Gan (Fígado) de arm azenar
onde fo r necessário ao organism o, e ade­ o X ue (Sangue) te m grande influência so­
quadam ente nutre os te cido s necessários bre a m enstruação. Assim , se o Gan (Fí­
fo rn e c e n d o o Qi. H avendo a o b stru çã o gado) armazenar, adequadam ente, o Xue
dessa fu nçã o regularizatória, pode ocasio­ (Sangue), a m enstruação será norm al. Se
nar a deficiên cia de X ue Q i (Energia do o Gan-Xue (Fígado-Sangue) fo r d e ficie n ­
Sangue), co m a d e fic iê n c ia de n u triçã o te, poderá ocorre r am enorréia ou oligom e-
gerando o cansaço m uscular. O direciona­ norréia, e se o Gan-Xue (Fígado-Sangue)
fo r excessivo ou houver Gan-Xue-Re (Ca­ m úsculos. Se o Gan-Xue (Fígado-Sangue)
lor no Sangue do Fígado), poderá ocorrer fo r d eficien te , os te nd õe s não serão um e-
m etrorragia. O Gan-Xue (Fígado-Sangue) decidos, então, poderá ocorrer contrações
u m edece os olhos e os te nd õe s. Há, por­ e espasm os m usculares, e xtensão e fle-
tanto, relacionam ento de influência recípro­ xão debilitada das articulações, pareste-
ca entre o Xue (Sangue) e o Gan (Fígado); sias dos m em bros, cãibras, tre m o re s m us­
se o Xue (Sangue) fo r anorm al, afetará a culares e debilidade dos m em bros.
função do Gan (Fígado), e, se este fo r anor­
mal, afetará a qualidade do Xue (Sangue). 4) M an ifesta -se nas unhas

2) A ssegura o flu xo livre e suave do Qi A s unhas, para a M edicina Tradicional


Chinesa, são consideradas co m o tendão
A função m ais im p orta nte do Gan (Fíga­ m o d ific a d o e, co m o tal, estão sob a in­
do) é assegurar o flu xo suave e livre do Qi fluência do Gan-Xue (Fígado-Sangue). Se
por to d o o organism o, em to d o s os siste ­ este fo r abundante, as unhas serão um e-
m as e direções. Essa fu nçã o te m influ ên ­ decidas e saudáveis; se Gan-Xue (Fígado-
cia profunda e im p o rta n te sobre o estado Sangue) fo r d eficien te , as unhas se to rn a ­
em ocional. H avendo o livre flu xo de Qi, rão escurecidas, denteadas, secas e que­
este flui n orm a lm e nte e faz fu ncio na r Inar­ bradiças.
m on ica m en te todas as fu nçõ es vitais do
organism o. Se a função e stive r prejudica­ 5) A bre-se nos olhos
da, a circulação do Q i torna-se obstruida e
a Energia, contraída, o que se m anifesta Os olhos são os órgãos de se n tid o co­
por frustração, depressão, fúria, podendo nectados ao Gan (Fígado) sendo im p orta n ­
esse estado vir acom panhado de sintom as te, ta m b ém , o estado do Gan-Xue (Fíga­
físicos co m o opressão torácica, sensação do-Sangue) para exercer a atividade visual.
de "c a lo m b o " na garganta, distensão ab­ Se e ste se fo r abundante, os olhos serão
dom inal, TPM nas m ulheres, etc. ú m idos e a visão será boa; se o Gan-Xue
A função de livre flu xo de Q i do Gan (Fí­ (Fígado-Sangue) e s tiv e r d eficien te , a visão
gado) te m , ta m b ém , influência no proces­ torna-se turva ou m anifesta-se por m iopia
so digestivo. Se ela e stive r norm al, o P i/ ou olhos secos e arenosos.
W ei (Baço/Pâncreas/Estôm ago) te m suas
atividades norm ais; se o Gan Q i (Energia 6) A briga o Hun (Alma Etérea ou
do Fígado) tornar-se estagnado, pode agre­ Vegetativa)
dir o Pi (Baço/Pâncreas), estorvando suas
O Hun te m o significado de "e s p írito "
fu nçõ es energéticas, além de afetar o flu ­
"Y an g", co m o "n u v e m ". A Alm a Etérea
xo da bile.
(Hun) é de natureza Yang, oposta à Alm a
Corpórea (Po) que seria Yin. A pós a m or­
3) Controla os te ndões e os m úscu lo s
te, o Hun sobrevive ao corpo, para flu ir de
A função do Gan (Fígado) de controlar volta ao m undo de Energias su tis e não
os te n d õ e s depende do estado do Gan- m ateriais; já a Alm a Corpórea (Po) repre­
Xue (Fígado-Sangue), pois e ste um edece senta um aspecto físico de alma, a parte
e nutre os te n d õ e s fo rn ece n do aos te n ­ de alma que é indissolúvel e vinculada ao
dões a capacidade de se contrair e de se corpo.
relaxar e assegurando o m o vim e n to sua­ Existe a crença de que o Hun (Alma Eté­
ve das articulações e a ação correta dos rea) influ en cia a capacidade de planeja­
m e n to de uma nova vida e encontra um F e i (P u lm ã o )
s e ntid o de direção para esta. Então, a fal­
ta de sentido na vida e a confusão m ental 0 F ei (Pulm ão) situa-se no Shangjiao
pod eriam dever-se à alteração da A lm a (A quecedor Superior) e relaciona-se com
Etérea (Hun) que fica vagando. Para se fi­ o M o v im e n to M etal, na teoria dos Cinco
xar, ela necessita que o Gan (Fígado) e o M o vim e n to s, te nd o as se guintes corres­
Gan-Xue (Fígado-Sangue) estejam sadios. pondências energéticas:

Cor branco Emoção tristeza

Sabor picante Sons choro

Energia Secura Odor fétido

Estação outono Tecido pele

Cinco M ovim en to s colheita

Funções energéticas do F e i (Pulm ão) gue) e o Yong Q i (N utritivo) está intim a­


m e n te ligado ao Xue (Sangue); os dois jun ­
1) Governa a Energia e a respiração to s flu e m ju n to s no X ue M a i (vasos san­
güíneos) e no J ing Luo (M eridianos).
O Fei (Pulmão) governa a respiração ina­
lando a Energia Puro (O i Celestial) e exa­
lando a Energia Im puro. O F ei (Pulmão) 3) Controla a D ispersão e a
governa o Qi, pois é o Zang (Órgão) mais D escendência
im p o rta n te na form ação do Qi. A Energia
F u n ç ã o d e D is p e rs ã o . O Fei (Pulmão)
dos alim entos que é extraída pelo Pi (Baço/
dispersa o W ei Q i (Energia Defensiva) e
Pâncreas), vai ao Fei (Pulmão), para fo r­
os flu id o s corpóreos para o espaço entre
m ar o Z ong Qi; depois, o Fei (Pulmão) vai
a pele e os m úsculos. Se o Fei (Pulmão)
d ispersar a Energia por to d o o organism o.
e stive r debilitado ou a sua função disper-
O Fei (Pulmão), por causa de sua função
sora e stive r obstruida, o W ei Q i (Energia
de extrair a Energia do ar e por causa da
D efensiva) não alcançará a pele, elevando
sua influência sobre a pele, é o sistem a
a d eficiência da resistência contra o Xie
Yin m ais externo; é o sistem a interm e diá ­
Q i (Energias Perversas); este, in te rfe rin ­
rio e ntre o organism o e o m eio am biente,
do na função dispersora do Fei (Pulmão),
sendo por isso fa c ilm e n te a gred ido por
poderá ta m b é m im p e d ir que o W e i Qi
fa to re s patogênicos externos.
(Energia D efensiva) se disperse, daí pro­
vocando várias doenças.
2) Controla o Jing Luo (M eridianos) O Fei (Pulmão) dispersa os flu id os cor­
póreos para a pele e, ju n to com o W ei Qi
O Fei (Pulmão) governa a Energia e au­
(Energia Defensiva), regulariza a abertura
xilia bastante o Xin (Coração) na circula­
e o fe c h a m e n to dos poros cutâneos e a
ção do Xue (Sangue). Embora e ste Zang
sudorese.
(Órgão) governe o Xue M a i (vasos sangüí­
neos), o Fei (Pulmão) possui papel im por­ F u n ç ã o D e s c e n d e n te . O Fei Qi (Ener­
tante, pois a Energia é a m ãe do Xue (San­ gia do Pulmão) deve descender, para co­
m unicar-se com o Shen (Rins), que res­ A deficiência do Fei Qi (Energia do Pul­
ponde segurando o O i (E nergia/ Essa fu n ­ mão) pode originar-se por debilidade con­
ção desce nd en te do Fei (Pulmão) não é gênita ou invasão por fa to re s patogênicos
só do Qi, m as ta m b é m dos flu id o s corpó- externos, co m o Vento-Frio-Calor. Estes, se
reos que ta m b é m se co m unicam com o p e rm a ne cere m no Fei (Pulmão) - co m o
Shen (Rins) e o Pangguang (Bexiga). Se em indivíduos que apresentam to sse crô­
esta fu n çã o e s tiv e r o b stru id a , o F ei Qi nica após gripe ou o uso de a ntib ió ticos
(Energia do Pulmão) se acum ulará no tó ­ em decorrência de agressão pelo Vento-
rax, causando tosse, dispnéia e plenitude Frio - fazem com que o Frio fiq ue "aloja­
torácica. d o " no Fei (Pulmão), debilitando-o. O utras
causas: presença de tosse crônica de qual­
4) Regulariza a Passagem das Águas q ue r tip o, e stre sse, deficiên cia de Yuan
Q i (Energia Fonte) após doença crônica
O Fei (Pulmão) recebe os flu id o s corpó- prolongada ou m e sm o ficar por longo te m ­
reos refinados do Pi (Baço/Pâncreas) e os po inclinado sobre uma escrivaninha, pois
dispersa por toda a pele e para os m úscu ­ esta posição im pede a expansão norm al
los. Se essa função fo r obstruida poderá da respiração.
ocorrer, princip alm en te , edem a de face. A Secura do Fei (Pulmão) é outra desar­
O F ei (Pulmão) direciona, ta m b é m , os flu i­ m onia energética que a com ete bastante
dos corpóreos para o Shen (Rins) e o Pang­ a pele. Pode ser ocasionada pela d e fic iê n ­
guang (Bexiga); estando essa função nor­ cia de Jin Ye (Líquido Orgânico), em um
mal, a m icçã o será norm al, m as se fo r estágio p re ced en te da deficiência do Yin.
debilitada, poderá ocorrer retenção uriná­ Pode ser devida à invasão e x te rio r por
ria, p rin c ip a lm e n te nas pessoas idosas. Vento-Secura no outono, ou ta m b é m ser
Por esta razão, o Fei (Pulmão) é algum as por um padrão de Secura interio r em pes­
vezes denom inada de fo n te su p e rio r da soas com deficiência de Wei-Yin (Estôm a­
Via das Águas. go- Yin).
O Fei (Pulmão) é, portanto, responsá­
vel pela excreção dos flu id o s corpóreos
6) A bre-se no nariz
(Jin Ye) por m eio da transpiração e da diu-
rese.
O nariz é a abertura do Fei (Pulmão) e é
por m eio d este orifício que ocorrem a res­
5) Controla a p e le e os p ê lo s corpóreos piração e a olfação, em bora o Pi (Baço/
Pâncreas) ta m b é m influencie na olfação.
O F ei (Pulmão) controla a pele e os pê­
los, pois os dois possuem função de de­
fesa do corpo. Por isso, o Fei (Pulmão) é o 7) A briga o Po (Alma Corpórea ou
sistem a m ais fácil de ser agredido por fa­ S ensitiva)
to re s patogênicos exteriores, que podem
enfraquecer o W ei Q i (Energia Defensiva) A Alm a Corpórea [Po) é a parte m ais fí­
e, por fim , debilitar as fu nçõ es de disper­ sica e m aterial da alma do ser hum ano é a
são e descida do Fei (Pulmão). Quando o m anifestação som ática da alma, estando
Fei Qi fica debilitado, a pele torna-se fina vinculada à respiração. C om o triste za e
e os pêlos caem ; se houver a agressão lam ento o b stru e m o m o v im e n to da Alm a
pela Secura, a pele se tornará igualm ente Corpórea (Po), a fetam ta m b é m a respira­
seca. ção.
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura 35

P i (B a ç o -P â im c re a s ) dução do Qi e extrai a Energia dos alim en­


tos, que são a base para a produção do Qi
O Pi (Baço/Pâncreas) situa-se no Zhong- e do Xue (Sangue); por isso é denom inado
jiao (Aquecedor M édio) e relaciona-se com de Raiz do Q i Pós-celestial. Apresenta as
o M o v im e n to Terra, na teoria dos Cinco seguintes correspondências energéticas:
M ovim en tos. É o sistem a centrai na pro­

Cor am arelo Em oção preocupação

Sabor doce Sons cantoria

Energia U m idade O dor adocicado

Estação nenhum a Tecido carne

Cinco M ovim en to s transform ação

Funções energéticas do Pi (B aço/ o m an tém no interio r do X ue M a i (vasos


Pâncreas) sangüíneos). Se o Pi Q i (Energia do Baço/
Pâncreas) e s tiv e r enfraquecido, poderão
1) Governa a transform ação e o apresentar-se hem orragias.
tra n sp o rte

Esta fu nçã o é crucial para o processo 3) Controla a carne e os quatro


d ig e stivo e p rodutivo do Q /e do Xue (San­ m e m b ro s
gue). O Pi (Baço/Pâncreas) tran sfo rm a os
a lim e n to s e os líquidos ingeridos para ex­ O Pi (Baço/Pâncreas) extrai a Energia
trair deles o Gu Z i (Energia dos alim entos) dos a lim en to s a fim de n utrir to d o s os te ­
e transporta esta Energia para o Fei (Pul­ cidos do organism o pela função de trans­
mão) fo rm a nd o a Energia torácica, e para p orte desse Zang (Órgão) para os m úscu­
o Xin (Coração), a fim de fo rm a r o Xue los, principalm ente os m em bros. Se o Pi
(Sangue). Q i (Energia do Baço/Pâncreas) e stive r en­
O Pi (Baço/Pâncreas) controla ta m b é m fraquecido, a Energia não chegara adequa­
a tra n sfo rm açã o , a separação e a m o vi­ d am en te aos m úscu lo s', levando ao can­
m e n ta çã o do Jin Ye (flu id o s co rp óreo s) saço fís ic o pela fraqueza m uscular; em
separando a parte pura do Jin Ye, ascen­ casos m ais graves, pode ocorrer a atrofia
dendo-a para o Fei (Pulmão) e d istrib u in ­ m uscular. Na e stética, causa quedas de
do-a para a pele, e, em descendência, para pele e flacidez da pele e dos m úsculos,
o Shen (Rins). Se essa fu nçã o fo r afetada, levando ao a parecim ento de diversas ru­
os fluidos corpóreos não serão tran sfo rm a ­ gas.
dos nem transportados adequadam ente e
pode haver acúm ulo fo rm a n d o a U m ida­ 4) A bre-se na boca e m anifesta-se nos
de, ou ainda, causar edem a. lábios

2) Controla o Xue (Sangue) O Pi (Baço/Pâncreas), que rege o tubo


d ig e s tó rio , te m re la c io n a m e n to com a
O Pi (Baço/Pâncreas) te m um papel im ­ boca; esta prepara os alim en to s pela mas­
portante na elaboração do Xue (Sangue) e tigação para que o Pi (Baço/Pâncreas) pos­
sa extrair a Energia alim entar. 0 Pi (Baço/ escolares. O Xin (Coração) abriga o Shen
Pâncreas) relaciona-se ta m b é m com o pa­ (M ente) e influencia o pensam ento, no sen­
ladar e co nfe re cor e um idade para a boca tid o de capacitar o indivíduo a pensar cla­
e os lábios. Se Pi (Baço/Pâncreas) e stiver ram en te quando enfren ta p ro ble m a s de
saudável, o paladar estará bom , a boca po­ vida, e fo rn e ce a m em ória de fa to s passa­
derá se n tir os sabores e os lábios serão dos. O Shen (Rins) nutre o encéfalo e in­
um edecidos e rosados. fluencia a m em ória recente do dia-a-dia.
Se o Pi Qi (Energia do Baço/Pâncreas)
5) Controla a ascendência do Qi e s tiv e r pleno, tê m -se concentração e m e ­
m ória boas; porém , se houver e xcesso de
O Pi (Baço/Pâncreas) produz e fe ito de trabalho m ental (fadiga m ental), isso pode
"e le va çã o " ao longo da linha m ediana do deb ilita r a Energia do Pi (Baço/Pâncreas).
corpo fazendo com que os siste m a s In­ A função energética m ais im p o rta n te do
te rn os perm aneçam no local correto, im ­ Pi (Baço/Pâncreas) é a de tran spo rte e de
pedindo, portanto, o prolapso dos órgãos, tran sfo rm açã o dos a lim en to s e do Jin Ye
co m o o útero, a bexiga, o estôm ago, os (fluidos orgânicos), de m odo que qualquer
rins e o ânus. desarm onia do Pi (Baço/Pâncreas) in te rfe ­
O Pi (Baço/Pâncreas) faz ascender o Qi, re se m p re no processo d igestório. Por is­
enquanto o W ei (Estôm ago) faz descen­ so, a alim entação te m papel de extrem a
der. Os dois m o vim e n to s tê m de ser coor­ im p o rtâ n cia na desa rm on ia d esse Zang
denados, para que haja m o vim e n to ade­ (Órgão). C om o o Pi (Baço/Pâncreas) d e te s ­
quado do Q i no organism o. D urante a di­ ta a U m idade e pre fere a Secura - enquan­
gestão, a Energia Puro ou Yang p uro é to, ao contrário, o W ei (Estôm ago) "g o sta
direcionada em ascendência ao Fei (Pul­ da U m id a d e " - e le p re fe re a lim e n to s
mão) e ao Xin (Coração) pelo Pi (Baço/Pân­ q uentes e secos. O significado de "q u e n ­
creas), ascendendo ta m b é m para os orifí­ te " se refere ta n to à te m p era tura quanto
cios s u p e rio re s (órgãos de s e n tid o s); a à Energia dos a lim entos. São e xem plo s de
Energia Im puro ou Yin im puro é direcio ­ alim en to s quentes: carnes, gengibre e pi­
nada em descendência pelo W ei (Estôm a­ m enta; e de a lim e n to s frios: saladas, fru ­
go) ao Gan (Fígado) e ao Shen (Rins), se­ tas, ve ge tais crus e líquidos gelados. O
g u in d o para os d ois o rifíc io s in fe rio re s, co n su m o e xcessivo de a lim en to s frio s le­
para ser excretada. vará à obstrução da função de tran spo rte
e de tran sfo rm açã o do Pi (Baço/Pâncreas).
6) Abriga o Yi (Pensam ento) A deficiência do Pi Q i (Energia do Baço/
Pâncreas) é a desarm onia m ais fre q ü e n te
O Pi (Baço/Pâncreas) é a "re s id ê n c ia " deste Zang (Órgão) e é ocasionada, geral­
do Yi (Pensam ento). Isso significa que ele m ente, por: hábitos alim entares irregula­
influencia a capacidade de pensar, e stu ­ res, co nsu m o excessivo de alim en to s frios
dar, concentrar-se e m em orizar, em bora o e crus, alim entação em períodos irregula­
Xin (Coração) e o Shen (Rins) ta m b é m in­ res, alim entação escassa ou em excesso,
fluenciam bastante sobre o pen sam en to dieta pobre em proteínas. Todos esses fa­
e a m em ória. to re s im p ed e m a boa função energética
O Pi (Baço/Pâncreas) influencia a capa­ do Pi (Baço/Pâncreas) de transform ação e
cidade de p e n sa m e n to e a de m em ória de transporte.
relacionadas ao estudo, à m em orização e O u tros fa to re s são, por exem plo : uso
à concentração no trabalho e em assuntos excessivo da m e n te para e stud ar ou tra­
balhar; preocupações excessivas ou tra­ vel da pele (derm e) por doenças relacio­
balho árduo seguida a uma refeição rápida nadas com este Xie Q i (Perverso) com o
(ou, o que é pior, condução de negócios derm a tite , psoríase, etc.
d urante as refeições); exposição pro lo n ­
gada à U m idade; habitar em áreas úm idas S h e n (R in s )
ou áreas m ontanhosas com neblina; tra­
balhar em lavadores de carro; ser porta­ O Shen (Rins) situa-se no Xiajiao (Aque­
dor de doenças crônicas p e rsisten te s. As cedor Inferior) e relaciona-se com o M o vi­
m ulhe res são p articula rm en te propensas m e n to Água, na teoria dos Cinco M o v i­
à U m idade extern or após o parto ou du­ m entos. O Shen (Rins) é, freq üe n tem e nte ,
rante a menstruaçã®. A U m idade presen­ referido co m o a "Raiz da V ida" ou Raiz do
te pode transforrrrarFse em Umidade-Ca- Q i Pré-Celestial, porque armazena o Jing
lor pela exposição a id im a q uente e úm ido, (Essência) que é, parcialm ente, derivado
ou d e co rren te de alim entação úm ida ou dos pais. A presenta as seguintes corres­
gordurosa, podendo m anifestar-se ao ní­ pondências energéticas:

Cor preto Emoção medo

Sabor salgado Sons gem ido

Energia Frio, Água O dor pútrido

Estação inverno Tecido osso

Cinco M ovim en to s início, fim

Todo Zang (Órgão) possui um aspecto d e s a rm o n ia e n e rg é tic a do Shen (Rins)


Yin e o u tro Yang, mas, neste caso, eles deve-se, sem pre, to n ifica r o Yin e o Yang.
tê m significado d iferen te , pois aqui o Yin
e o Yang são o fu n d a m e n to para to d o s os Funções energ éticas do Shen (Rins)
outros sistem as. O Shen-Yin (Rim-Yin) é o
fu n d a m e n to essencial para o nascim ento, V A rm azena a Essência íüingj Pré-
o crescim en to e a reprodução, enquanto C elestial
o Shen-Yang (R im -Yang) é a força m otriz
de to d o s os processos fisiológicos. Ou seja, armazena o Jing herdado dos
O Shen-Yin (Rim -Yin) é o fu n d a m e n to pais que nutre o fe to e, após o nascim en­
m aterial para o Shen-Yang (Rim-Yang), e to, controla o crescim en to, a m aturação
este é a m anifestação e xte rio r do Shen- sexual, a fe rtilida d e e o dese nvo lvim en to
Yin (R im -Yin), é o Calor necessário para to ­ corporal. Essa Essência determ ina a base
das as funções energéticas do Shen (Rins). co n s titu c io n a l, a força e a vitalidade. É,
Na saúde, os d ois pólos ( Yang e Yin) ta m b é m , a base da vida sexual, c o n s titu in ­
fo rm a m um to d o ; na patologia, e les se do o fu n d a m e n to m aterial para o desen­
separam. O Yin e o Yang do Shen (Rins) vo lv im e n to do esperm a e dos óvulos. Es­
podem ser com parados a uma lâmpada a tando d e fic ie n te o Jing, m anifestam -se,
óleo, em que o óleo representa o Yin e a e n tre outras, in fe rtilid a d e e im potência,
chama, o Yang. Se o óleo decresce, a cha­ além de su bd ese nvo lvim e nto infantil e se­
ma decresce, e vice-versa, p o rtan to , na nilidade prem atura.
2) Arm azena o Jing Shen m u ito a b e rto " ocorrerá m icção p ro fu ­
(Q uintessência dos Rins) sa e pálida por deficiência do Shen-
Yang (Rim -Yang). Se o "p o rtã o e s ti­
0 Jing Shen, que seria a unificação dos ve r m u ito fe c h a d o ", m icção escura e
dois Jing, vai controlar vários estágios de escassa, por deficiência do Shen-Yin
m udança da vida: nascim ento, puberdade, (R im -Yin) que provoca estado de fal-
m en op au sa e m o rte . E n ve lh e ce r é um so-Calor do Shen (Rins).
declínio fisioló gico do Jing do Rim. O es­
O Shen (Rins) d etesta a Secura. 0 te m ­
tado da Essência dete rm ina o estado do
po se co ou a Secura in te rio r a fe ta m o
Shen (Rins); se o Jin g Shen fo r fo rte , o
Shen-Yin (R im -Yin). A Secura interio r pode
Shen (Rins) terá grande vitalidade, poder
ser produzida pela deficiência do W ei (Es­
sensual e fertilidade.
tôm ago) ou pelo uso excessivo de fu m o .

3) Produz a m edula, abastece o


5) Controla a recepção do Qi
encéfalo e controla os ossos
Para fazer uso de Q i puro do ar (Q i Ce­
Esta função energética do Shen (Rins) leste), o Fei (Pulmão) e o Shen agem con­
é derivada da Essência (Jing) e é o funda­ ju n ta m e n te . O F ei (Pulm ão) a p re s e n ta
m en to orgânico para a produção da m e­ ação d e sce n d e n te sobre a Energia dire-
dula ta n to a espinal quanto a óssea. É o cionando-o ao Shen (Rins) e e ste respon­
J ing que nutre a m edula espinal e "a ba s­ de "m a n te n d o " e ste Q i na parte baixa. Se
te c e " o encéfalo. Se o Jin g fo r pleno, o o Shen (Rins) não puder conservar o Q i
encéfalo terá plena função, daí a m em ória recebido do Fei (Pulmão), o Q i retorna a
e a concentração serão boas. O Jing nu­ e ste Z ang (Órgão), onde pode causar a
tre a m edula óssea e os ossos. Por isso, ple nitu de torácica, dispnéia e asma.
se o Jing fo r pleno, os ossos e os dentes
serão fo rte s e firm e s.
6) A bre-se nas orelhas

4) Governa a Água A s o relhas d e p e n d e m da n u triç ã o do


J in g Shen (Essência dos Rins) para seu
O Shen (Rins) pertence à Água e gover­ fu n c io n a m e n to adequado. Se o J in g fo r
na a tran sfo rm açã o e o tran spo rte dos flu i­ in s u fic ie n te , p o d e rã o o c o rre r s u rd e z e
dos corpóreos de várias m aneiras: zum bidos.

* F o rn e ce o C alor [S hen-Y ang (R im -


Yang)] necessário para que o P/'(Baço/ 7) M an ifesta -se nos cabelos
Pâncreas), o Xiao C hang (In te s tin o
Os cabelos dep en de m da nutrição do
Delgado), o Da Chang (Intestino Gros­
J in g Shen (Essência dos Rins), para cres­
so) e o Pangguang (Bexiga) e xecu tem
ce r e m a n te r a vitalidade. Se o J ing e s ti­
suas fu nçõ es energéticas.
ver bom , os cabelos serão de boa qualida­
* 0 Shen (Rins) é co m o um portão que de, espessos, com brilho e com boa cor.
abre e fecha, para co n tro la r o flu xo
d o s flu id o s c o rp ó re o s . No X ia jia o 8) C ontrola os orifícios inferio res
(A q ue ced or Inferior), em co nd içõ es
norm ais há equilíbrio do Shen-Yin e O Shen (Rins) controla a uretra, o dueto
do Shen-Yang. Se o "p o rtã o e stive r e spe rm ático e o ânus. Se o Shen Qi (Ener­
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura 39

gia dos Rins) fo r deficien te , haverá "vaza­ * D ebilidade h ereditária - O Jing pré-
m e n to ", ou seja, incontinências urinária e ancestral é fo rm a d o pelo Jing Shen
fecal, esperm atorréia e prolapsos anal e (Essência dos Rins) dos pais. Se este
retal. J ing e stiver debilitado pela idade avan­
çada ou pelo estad o de exaustão à
9) A b rig a o Zhi (Força d e V ontade) época da concepção ocasionará de­
bilidade hereditária do Jing pré-celes-
Se o Shen Q i (Energia dos Rins) fo r fo r­ tial da criança.
te , a Força de Vontade (Zhi) ta m b é m o * E m o ç õ e s - M edo, pavor, insegurança
será e o Shen (M ente) enfocará o seu ob­ e a ansiedade d e b ilita m o Shen Qi
je tiv o e o perseguirá. O Shen (Rins) con­ (Energia dos Rins).
trola, ta m b é m , a força e a habilidade, isto
* A tivid a d e sexual excessiva - Esta in­
é, controla a capacidade para o trabalho
pesado, assim c o m o influencia a capaci­ clui ejaculação, nos hom ens, e orgas-
m o, nas m u lh e re s . A lé m do Shen
dade para as atividades delicadas e habili­
(Rins), o utros Zang (Órgãos), com o o
dosas.
Xin (Coração) e o Gan (Fígado), con­
trib u e m para a vida sexual norm al e
M in g M e n (Portão da V ita lid a d e )
sadia.
Em relação à localização do M in g M e n Todas as d oe nça s c rô n ica s a fe ta m o
(Portão da Vitalidade) e xiste m várias te o ­ Shen (Rins), assim co m o a idade avança­
rias, sendo m ais aceita a de que estaria da. A Essência (Jing) do Shen (Rins) decli­
situado e ntre os dois Shen (Rins), enquan­ na com a idade, resultando em d im inu i­
to para o u tra s c o rre s p o n d e ria ao Shen ção da audição, fraqueza e debilidade dos
(Rim) d ire ito . O M in g M e n te m ca rá ter ossos (osteoporose) e decréscim o da fu n ­
Yang e fo rn ece o Calor para todas as ativi­ ção sexual. Por o utro lado, o excesso de
dades do organism o e para o próprio Shen trabalho ta n to físico quanto m ental ta m ­
(Rins). bém afeta o Shen (Rins), sendo que o tra­
O Shen (Rins) não apresenta padrões balho físico te n d e a debilitar m ais o Shen-
de excesso (plenitude), m as so m e n te de Yang (R'\m-Yang) e o trabalho m ental, sob
deficiência (vazio). Há so m e n te uma ex­ condições de estresse, a debilitar m ais o
ceção: quando a U m idade-C alor afeta o Shen-Yin (R im -Yin).
Pangguang (Bexiga), ela pode a tin g ir o
Shen (Rins) e m anifestar-se por plenitude. X in B a o L uo ( C ir c u la ç ã o - S e x o )
Nas condições crônicas, só pode ocorrer
d eficiência ou, então, padrões co m b in a ­ O Xin Bao Luo ou Envoltório Energéti­
dos (m istos) de excesso e de deficiência. co do Xin (Coração) está in tim a m e n te re­
De m od o que toda co nd içã o patológica lacionado ao Xin (Coração). Funciona com o
m anifestar-se-á com deficiência do Shen- uma cobertura externa do Xin (Coração),
Yin (Rim-Yin) ou do Shen-Yang (R im -Yang), p ro te g e n d o -o d o s a ta q u e s dos fa to re s
mas, co m o apresentam a m esm a raiz, a pato gê n ico s e xterno s. A s fu n çõ e s ener­
deficiência de uma parte se m p re im plica­ géticas do Xin Bao Luo (Circulação-Sexo)
rá, necessariam ente, uma deficiência da são se m e lh a nte s às do Xin (Coração), ou
outra parte. seja, governar o Xue (Sangue) e abrigar o
De m od o geral, o Shen (Rins) pode ser Shen (M ente); por isso, num erosos pon­
afetado por: tos de acupuntura do M eridiano do Xin Bao
40 Capitulo I

Luo apresentam influência poderosa so­ tôm ago) e te m a fu nçã o prim ordial de "s e ­
bre os e sta d o s m e n ta is e e m o c io n a is , parar o puro do im p u ro ", em que a parte
além de te re m bom e fe ito no tórax. pura extraída dos a lim en to s vai para o Pi
As desarm onias do Xin Bao Luo são de­ (Baço/Pâncreas), e a de transform ar, ta m ­
vidas ao a com e tim e n to pelo Calor tóxico, bém , os a lim e n to s em co njun to com este
causado por doenças febris, ou por M uco- Zang (Órgão); a parte im pura extraída dos
sidade que obstrui este Zang (Órgão). a lim en to s dirige-se ao Da Chang (In te sti­
no Grosso). A parte pura extraída dos lí­
X ia o C h a n g ( In t e s t in o D e lg a d o ) quidos orgânicos vai para o Da Chang (In­
te s tin o Grosso), para ser reabsorvida, e a
O Xiao Chang (Intestino Delgado) te m parte im pura vai para o Pangguang (Bexi­
influência sobre a lucidez m ental e o ju l­ ga), para ser excretada com o urina. O Xiao
gam ento e sobre a capacidade de to m a r Chang (In te stin o Delgado) fo rm a com o
d ecisõe s. M as, d ife re n te m e n te do Dan Pangguang (Bexiga) o Tai Yang, por isso
(Vesícula Biliar), que dá a capacidade e a auxilia a fu nçã o energética do Pangguang
coragem de to m a r decisões, o Xiao Chang (Bexiga) na tran sfo rm açã o do Qi.
(Intestino Delgado) é o responsável pelo O Xiao Chang (Intestino Delgado) tran s­
d isce rn im e n to e a clareza para distin gu ir fo rm a o Jin Ye (fluidos orgânicos) em coor­
o ce rto do errado. denação com o Shen-Yang (ftlm-Yang), que
Os relacionam entos e ntre os sistem as co nfe re a Energia e o Calor O rgânico ne­
Yin e Yang não são to d o s igu alm en te pró­ cessários para a atividade dessa fu nçã o
xim os, co m o o P i/W ei (Baço/Pâncreas/Es­ e ne rg ética .
tôm ago) e o Gan/Dan (FígadoA/esícula Bi­
liar). O relacionam ento do Xiao Chang (In­
D a C h a n g ( In t e s t in o G r o s s o )
te s tin o Delgado) com o Xin (Coração) é
m ais suave, te n d o p roxim idade nas fu n ­ A p rin c ip a l fu n ç ã o e n e rg é tic a do Da
ções energéticas no aspecto psicológico Chang (Intestin o Grosso) co nsiste em re­
pelo fa to de o Xin (Coração) abrigar o Shen ceber os a lim en to s e os líquidos do Xiao
(M ente) e governar a vida m ental, m as a Chang (In te stin o Delgado) reabsorvendo
capacidade de to m a r decisões e fazer ju l­ uma parte desses flu id os e e lim inando o
g a m e n to s cla ro s é p e rtin e n te ao X ia o restante co m o fezes.
Chang (Intestino Delgado). O relacionam en­ R elaciona-se e x te rn a e in te rn a m e n te
to, ta m b ém , é bem observado em situa­ c o m o F ei (Pulm ão), se nd o im p o rta n te
ção pato lóg ica ; por e xe m p lo , qua nd o o esse relacionam ento para a execução das
Fogo do Xin (Coração-Fogo) é tra n sm itid o fu n çõ e s e nergéticas com uns, isto é, o Fei
ao Xiao Chang (Intestino Delgado), pode Q i (Energia do Pulmão) descende para dar
ocasionar hem atúria pelo a c o m e tim e n to ao Da Chang (Intestino Grosso) a Energia
do Xiajiao (A quecedor Inferior). necessária para que o m e sm o tenha fo r­
ça s u fic ie n te para executar os m o v im e n ­
Funções energéticas do X ia o Chang to s d efecatórios.
(Intestino Delgado) Se o Fei Q i (Energia do Pulmão) fo r de­
1) Controla a recepção e a ficie n te , co m o acontece em idosos, não
tran sfo rm açã o fornecerá Energia su ficie nte para o intes­
tin o g ro sso p od er realizar o m o v im e n to
O Xiao Chang (Intestino Delgado) rece­ d efecatório, advindo daí a constipação in­
be os a lim en to s e os líquidos do W ei (Es­ te stina l; por sua vez, não havendo a ex-
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura
\* l
41

ereção das im purezas do in te stin o gro s­ indivíduo nessas condições poderá facil­
so, poderá ficar dificultada a fu nçã o des­ m e n te fica r desencorajado ao m en o r si­
ce nd en te do Fei Qi (Energia do Pulmão). nal de adversidade.
Em bora o Da C hang (In te s tin o G rosso) O Dan (Vesícula Biliar) proporciona para
esteja acoplado ao Fei (Pulmão), a fisiolo- o Shen (M e n te ) a co ra g e m , governada
gia energética e a patologia d este Fu (Vís­ pelo Xin (Coração); isso refle te o relacio­
cera) estão m uito m ais ligadas às do P i/ n a m e n to "m ã e -filh o " e x is te n te e n tre o
W e i (B aço/P âncreas/E stôm ago) e as do Dan (Vesícula Biliar) e o Xin (Coração).
Xiao Chang (Intestino Delgado). Então, em casos de debilidade do Shen
(M ente) em conseqüência da debilidade
do Xin (Coração), deve-se to nifica r o Dan
D an ( V e s íc u la B ilia r )
(Vesícula Biliar) para dar sustentação ao Xin
O Dan (Vesícula Biliar) é uma Víscera (Coração).
im p o rta n te entre os siste m a s Yang, pois
possui um produto refinado "p u ro "; e sto ­ 3) C ontrola os tendões
cando substâ ncia s refinadas, ele se as­
sem elha a um sistem a Yin e, além disso, O Dan (Vesícula Biliar) e o Gan (Fígado)
não se com u nica com o exterior, co m o co ntrola m os te nd õe s; enquanto este nu­
acontece com os o utros sistem as Yang. tre os te nd õe s com o seu Xue (Sangue),
o Dan (Vesícula Biliar) proporciona a Ener­
gia para os te nd õe s gerarem os m o vim e n ­
Funções energéticas do D an (Vesícula
to s e a agilidade necessários. Isso explica
Biliar)
a açáo do p o n to V B -34 ( Y a nglingquan)
1) A rm azena e e xcreta a bile co m o p onto de reunião dos m úsculos e
dos tendões.
Esta fu nçã o energética está na depen­
dência da atividade do Gan (Fígado), uma 4) Dá qualidade ao sono
vez que este proporciona a Energia neces­
sária para a realização dessa função. Se o O Dan (Vesícula Biliar) influencia a qua­
Gan Q i (Energia do Fígado) e stive r estag­ lidade e a duração do sono. Se o Dan (Ve­
nado, a bile não pode flu ir su ave m e nte e sícula Biliar) e stive r enfraquecido o indiví­
as fu n ç õ e s do W e i (E stôm ago) e do Pi duo, acorda bem cedo de manhã e não
(Baço/Pâncreas) p odem ficar afetadas. será capaz de conciliar o sono, novam en­
te.
2) Controla o ju lg a m e n to
P a n g g u a n g (B e x ig a )
O Gan (Fígado) controla a habilidade no
p la n e ja m e n to de vida, e n q u a n to o Dan A relação e ntre o Shen (Rins) e o Pang­
(Vesícula Biliar) controla a capacidade de guang (Bexiga) é m u ito próxim a. Este re­
to m a r decisões. As duas fu nçõ es devem cebe a Energia necessária para sua fu n ­
ser harmonizadas, para que se possa pla­ ção de transform ação do Jin Ye (Líquido
nejar e agir de acordo. A lé m de controlar Orgânico) do Shen (Rins), ou m elhor, do
a decisão, o Dan (Vesícula Biliar) fo rn ece M in g M e n (Porta da Vida); por o utro lado,
ao indivíduo a coragem e a iniciativa. Se o o Shen (Rins) depende do Pangguang (Be­
Dan (Vesícula Biliar) e s tiv e r d e fic ie n te , xiga), para se m o v im e n ta r e excretar al­
poderá causar a indecisão e a tim idez, e o guns dos flu id os corpóreos.
Funções energéticas do P angguang do W ei (Estômago) prepara o te rre no para
(Bexiga) o Pi (Baço/Pâncreas) separar e e xtra ir a
essência Jing refinada dos alim entos.
V R em ove a Água p o r m eio da O re v e s tim e n to lingual é fo rm a d o de
transform ação do Qi "u m id a d e im p u ra " gerada co m o um sub­
p roduto da atividade do W e i (Estôm ago)
A parte "im p u ra " do Jin Ye (Líquido Or­
gânico) do Xiao Chang (Intestino Delgado) quer faz o am a du re cim e nto e a d eco m p o ­
passa para o Pangguang (Bexiga), que a sição desta um idade im pura que ascende
tra n s fo rm a , p o s te rio rm e n te , e m urina. à língua para fo rm a r o re v e s tim e n to lin­
Para a execução dessa função, necessita gual. Um re v e s tim e n to fin o e branco indi­
do Q i e do Calor fo rn e c id o s pelo Shen- ca que o W e i (Estômago) está fu ncio na n ­
Yang (Rim-Vãng). O Xiao Chang (Intestino do adequadam ente, enquanto a ausência
D elgado) e o Pangguang (Bexiga) trab a ­ indica que a fu nçã o do W e i (Estôm ago)
lham juntos, para m o vim e n ta r os flu id os está afetada e a Energia deste, debilitada.
corpóreos no Xiajiao (A quecedor Inferior);
por isso é que se utilizam pon tos do Xiao 2) C ontrola o transporte das Essências
Chang (Intestino Delgado) para o tratam en ­ Jing dos a lim e n to s
to de patologia urinária.
O Pangguang (Bexiga) recebe o auxílio O W e i (E stôm ago) e o Pi (B aço/P ân­
do Xiajiao (A quecedor Inferior), que te m a creas) são os responsáveis pelo transpor­
função de garantir que as passagens das te das Essências Jing dos a lim en to s para
Águas estejam abertas e livres. to d o o organism o, particula rm en te para os
A desarm onia do Pangguang (Bexiga) m e m b ro s superiores e inferiores.
pode provocar em o çõe s negativas, co m o Se o W ei (Estômago) e o Pi (Baço/Pân­
ciúm e, desconfiança e rancor por um lon­ creas) e s tive re m fortalecidos, o indivíduo
go período. sentir-se-á fo rte e cheio de vigor; por ou­
tro lado, se fo re m deficien te s, então, sen­
tir-se-á cansado e poderá te r d ebilidade
W ei (E s tô m a g o ) nos m úsculos.
É a m ais im p orta nte de todas as Vísce­
ras, ju n ta m e n te com o Pi (Baço/Pâncreas), 3) Controla a descendência do Qi
e é conhecido co m o raiz do Q i Pós-Celes-
O W e i (E stôm ago) e nca m in ha os ali­
tial, pelo fa to de que é a origem de to do
m e n to s tra n s fo rm a d o s , pela fu n ç ã o de
Qi e Xue (Sangue) produzidos após o nas­
descendência, para o Xiao Chang (In te sti­
cim e n to .
no Delgado), onde finaliza a digestão. Se
o W ei (Estôm ago) falhar na descendência,
Funções energéticas do W ei os a lim e n to s poderão estagnar-se, provo­
(E stôm ago) cando sensação de e m p ach am en to gás­
1) C ontrola "o a m a du re cim e nto e a trico, regurgitação azeda, eructação, solu­
d e co m p o siçã o " dos a lim e n to s ço, náuseas e vô m ito s. O Gan Q i (Energia
do Fígado) contribui para a fu nçã o de des­
O W ei (Estômago) transform a os alim en­ cendência do W ei Q i (Energia do E stôm a­
tos e os líquidos ingeridos pelo processo go); por isso, se o Gan Qi (Energia do Fí­
de ferm entação descrito com o "am adure­ gado) e s ta g n a r-s e , p o d e rá b lo q u e a r a
cim e nto e deco m p osiçã o". Esta atividade fu nçã o de descida do W ei (Estôm ago).
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura

4) Dá origem ao Jin Ye (Líquido ta o Shen (M ente); então, o indivíduo pas­


O rgânico) sa a apresentar co m p o rta m e n to de se fe ­
char d en tro da casa, trancar portas e jane­
O W ei (Estôm ago) assegura que uma las, querendo ficar só, falando alto, rindo,
parte dos alim entos e dos líquidos se con­ cantando, tirando a roupa; é o com porta­
dense para form ar os fluidos corpóreos (Jin m en to m aníaco. Em casos m enos graves,
Ye). Com o o W ei (Estômago) é a fo n te de m anifestam -se confusão m ental, ansieda­
Jin Ye, a fim de poder realizar essa função de grave, hipom ania e hiperatividade.
energética de am adurecer e de decompor,
o W ei (Estômago) "g o sta de U m idade e
S a n j ia o ( T r i p l o A q u e c e d o r )
detesta a S ecura". Se os fluidos do W ei
(Estômago) fo re m deficientes, o indivíduo É um dos a spe ctos m ais evasivos da
apresentará sede, língua seca e rachada e M edicina Tradicional Chinesa: te m nom e,
má digestão. Uma das principais razões não te m form a m as é substancial e pos­
para que ocorra a deficiência de fluidos (Jin sui várias fu nçõ es energéticas.
Ye) é a ingestão de grandes quantidades
• C ontrola os m o v im e n to s dos vários
de alim entos durante a noite.
tip os de Qi, co ntribu ind o para a pas­
A fu nçã o do W e i (Estôm ago) co m o ori­
sagem , cam inho e produção do Qi. O
g em do Jin Ye está relacionada co m o
Shangjiao (A quecedor Superior) libe­
Shen (Rins), porque e ste tra n sfo rm a os
ra o W ei Q i (Energia de Defesa), o
flu id os; por isso, a deficiência de Jin Ye
Z hongjiao (Aquecedor M édio) libera o
do W ei (Estôm ago) leva à deficiência do
Yin Q ie o Xiajiao (A quecedor Inferior)
Shen-Yin (R im -Yin).
libera os flu id o s corpóreos.
Embora o Pi (Baço/Pâncreas) seja Yin e
o W e i (Estôm ago), Yang, em m u ito s as­ • Sanjiao (Triplo A quecedor) co m o "via
pectos a situação é inversa. A ssim , o W ei para a Energia O rigina l".
(Estôm ago) possui m uitas fu n çõ e s Yin e O Q i O riginal reside no baixo abdo-
o Pi (B a ço /P â n cre a s), m u ita s fu n ç õ e s m e, e n tre os dois Shen (Rins); te m
Yang. Por exem plo: co m o fu nçã o ativar todas as funções
- O W e i (Estôm ago) é a origem dos flu i­ fis io ló g ic a s do o rg a n is m o , m as só
dos (função Yin), enquanto o Pi (Baço/Pân­ pode realizar essa função graças ao
creas) tra n s p o rta e m o v im e n ta (função Sanjiao (Triplo Aquecedor), pois este
Yang). por m eio do seu M eridiano chega a
- O Pi (Baço/Pâncreas) ascende (Yang) to do s os órgãos e a to do s os pontos-
e o W e i (Estômago) descende (Yin). Fonte (Yuan) trazendo essa Energia.
- O Pi (Baço/Pâncreas) gosta da Secura • Sanjiao (Triplo A que ce do r) co m o as
(Yang), o W ei (Estôm ago) gosta da U m i­ trê s divisões do organism o.
dade (Yin). O Shangjiao (A quecedor Superior) re­
- O W ei (Estôm ago) sofre, fre q ü e n te ­ gulariza o Xin (Coração), Fei (Pulmão)
m ente, de deficiência Yin e o Pi (Baço/Pân­ e o Xin Bao Luo (Circulação-Sexo); o
creas), de deficiência Yang. Zhongjiao (Aquecedor M édio) regula­
riza o Pi (Baço/Pâncreas), o W ei (Es­
5) In flu i no aspecto m e n ta l tôm ago) e o Dan (Vesícula Biliar); e o
Xiajiao (A quecedor Inferior) regulari­
O W ei (Estôm ago) so fre fa cilm e n te dos za o Gan (Fígado), o Shen (Rins), o
padrões de excesso co m o Fogo, que agi­ Pangguang (Bexiga), o Xiao Chang (In­
te stin o Delgado) e o Da Chang (Intes­ Os p o n to s M o (Alarm e) dos Z ang Fu
tin o Grosso). (Órgãos e Vísceras), que se localizam na
parte ventral do corpo representam a fra ­
• R elacionam ento com o Xin Bao Luo
ção Yin dos Zang Fu. A sua estim ulação
(Circulação-Sexo).
seja pela inserção de agulhas de acupun­
Embora sejam relacionados interna e
tura, seja pela aplicação de m oxabustão,
e xte rn a m e n te , as ligações e n tre os
dois são e x tre m a m e n te tênues; o re­ harm oniza a fração Yin dos Zang Fu, pois
leva o Calor O rgânico a eles, fo rtalece n do -
la c io n a m e n to é m ais a p licá ve l aos
M eridianos do que e ntre os sistem as os.
Os pontos Yuan (pontos-Fonte) localiza­
em si m esm os.
dos abaixo do co tove lo e do joe lho de to ­
TÉCNICA SH U -M O -YU A N DE dos os M eridian os Principais tê m a fu n ­
TO NIFICAÇÃO DOS ZANG FU ção de fa zer o Yuan Qi (Energia Fonte)
(ÓRGÃOS E VÍSCERAS) gerado no Shen (Rins) penetrar nos M e ri­
dianos Principais, fortalecendo-os, e des­
Existem várias m aneiras de to n ifica r os tes, fo rta le c e n d o os Zang Fu (Ó rgãos e
Z ang Fu (Ó rgãos e Vísceras). De m od o Vísceras) co rrespondentes.
geral, pode-se utilizar a té cnica d e n o m i­ De m o d o q ue o uso c o m b in a d o dos
nada Shu-Mo-Yuan, em que se utilizam os pon tos Shu do dorso, dos p on to s M o e
pontos Shu do dorso, os pon tos M o (Alar­ dos pontos Yuan fo rtalece os Zang Fu (Ór­
me) e os pontos Yuan (pontos-Fonte) dos gãos e Vísceras).
Zang Fu a com etidos.
Os pontos Shu do dorso que se locali­
C o n c e it o de J in g S h e n (Q u in te s s ê n c ia
zam no tra je to m ediai do M e rid ia n o do
E n e r g é tic a )
Pangguang (Bexiga) representam a cone­
xão Yang dos Zang Fu (Ó rgãos e Vísce­ Dra. Maria Valeria D'Ávila Braga
ras). A sua e stim u la çã o , de p re fe rê n cia Prof. Dr. Ysao Yamamura
com aplicação de m oxabustão, prom ove
a harm onização da fração Yang dos Zang A concepção do corpo hum ano é algo
Fu (Órgãos e Vísceras), pois a um en ta a d ife re n te se com paradas as fisiolo gias das
Água Orgânica, a qual, além de neutrali­ m edicinas O cidental e Tradicional Chine­
zar o Yang e xcessivo, é levada para os sa. A prim eira, por m eio do p rocesso de
Zang Fu, alim entando-os. A aplicação de reducionism o, procura explicar os fe n ô m e ­
m oxabustão nos pontos B-13 (Feishu), B- nos in e re n te s a cada órgão, e s tru tu ra ,
14 (Gaohuangshu) e B-15 (X inshu) fo rta le ­ célula ou substância elaboradas por eles,
ce o Fogo Im perial, enquanto a aplicação e nquanto a M edicina Tradicional Chinesa
de m oxabustão nos pon tos B-22 (Sanjiao- procura, por m eio de elos e nergéticos, as
shu), B-23 (Shenshu) e VG-4 (M in g m e n ) ligações e ntre os órgãos e dem ais c o n s ti­
fortalece o Fogo M inisterial. Q uando hou­ tu in te s do corpo.
v e r c o m p o n e n te e m o cio n a l c o m o fa to r Esta fo rm a de M edicina, pela teoria do
causai da desarm onia dos Zang Fu (Órgãos Z ang Fu (Órgão e Vísceras), re fe re que
e Vísceras), deve-se aplicar, ta m b é m , a cada Zang Fu possui o seu Jing Q i (Quin­
m oxabustão nos pontos Jin g localizados tessência Energética) elaborado pela Ener­
no tra je to lateral do M eridian o do Pang­ gia de N utrição (Yong Qi). Todos os Jing
guang (Bexiga), no dorso, em co rresp on ­ dos Ó rgãos e Vísceras (Zang Fu), por sua
dência aos pontos Shu do dorso. vez, dirigem -se para o Shen (Rins), onde
se fo rm a o J in g Shen, que se d irig e à Por o utro lado, a partir do 24a dia de vida
m edula espinal e atinge o encéfalo, con­ em brionária, com eçam a aparecer nefró-
fo rm e consta em vários capítulos do N ei to m o s na região cervical alta e, a partir da
Jing. A ssim , no N ei Jing está e s c rito : "O s 4S semana, o pronefro (rim anterior), ta m ­
Rins (Shenj g eram os ossos e a m edula... bém na região cervical, na form a de alguns
O encéfalo é o lugar onde se reúne a m e ­ acúm ulos de células de estrutura tubular.
d u la ...". 0 Shen (Rins) gera os ossos e a D estes fatos, energética e em briologica-
m edula espinal, graças à pletora de sua m ente, poderia haver uma relação entre o
Energia e à suficiência do Jing procriado- Shen (Rins) e a região da garganta, e nfo ­
ra c o n sta n te m e n te sustentada pela Ener­ cada na M edicina Tradicional Chinesa com o
gia adquirida; de acordo com o Ling Shu "o VC-23 (Lianquan) é o ponto de concen­
(Capítulo 36): "O s co m p o n e n te s do Líqui­ tração da Energia dos R ins".
do O rgânico unem -se e se tran sfo rm am A terceira, que é a representação m áxi­
em 'substância viscosa ' (horm ônios) que ma do Jing dos Rins deva localizar-se no
se in filtra m nos ossos para re fo rça r a m e ­ encéfalo. Julgam os que o Shen (Rins), pelo
dula espinal e o e n c é fa lo ". fa to de ser o Zang (Órgão) m ais profundo,
Segundo a teoria do Jing (Q uintessên­ deva situar-se ta m b é m , pro fun d am en te ,
cia), na extre m id ad e cefálica, há a m ani­ no encéfalo, onde deveria te r estruturas
festação do Jing (Q uintessência) dos cinco neurais ou horm onais com funções se m e ­
Zang (Órgãos) e esta m anifestação pode lhantes às desenvolvidas pelos cinco Zang
ocorrer, no crânio, em trê s localizações. (Órgãos) e as seis Fu (Vísceras).
A m anifestação m ais externa é no cou­ Associando-se as fu nçõ es energéticas,
ro cabeludo, onde estão as m an ifesta çõ es som áticas e viscerais do Shen (Rins), com
do Zang relacionados com doenças inter­ as da glândula hipófise, e ncontram os uma
nas ou crônicas. Esta relação pode ser série de fu n ç õ e s se m e lh a n te s . A s rela­
explicada filo s o fic a m e n te , pois a região ções fu ncio na is e x iste n te s entre o hipo-
cefálica é m ais alta do corpo, em posição tálam o e a hipófise lem bram m u ito as re­
ortostática, sendo, p ortanto, região con­ lações energéticas e ntre o Xin (Coração)
siderada Yang do Yang. Esta região preci­ e o Shen (Rins). O prim eiro é considera­
sa de um p ro te to r de origem Yin do Yin, do, na M edicina Tradicional Chinesa, com o
ou seja, do Shen (Rins). o "m e s tre " da atividade vital do organis­
A segunda m anifestação do Jing, no crâ­ m o, donde o nom e de "fu n ç ã o im p e ria l”
nio, é na orelha externa, onde existe a re­ dado a este Órgão; isto significa que o Jing
presentação de to do o nosso organism o, do Xin (Coração), situado no encéfalo, te ­
com o estruturas som áticas, viscerais neu- nha fu n ç õ e s de receber inform ações de
rais, endócrinas, etc. Esta associação é todas as partes do encéfalo e adequar as
explicada pelo fa to de que a região da fa- respostas. Na neurofisiologia, tal papel é
ringe em brionária, onde se fo rm a m os ar­ realizado pelo hipotálam o, cujos neurônios
cos branquiais, está relacionada ao ponto especiais sintetiza m e se cre tam horm ô ­
de concentração do Shen Oi (Energia dos nios h ipotalâm icos de liberação e de inibi­
Rins). A orelha externa origina-se do 1a e ção que controlam a secreção dos horm ô­
do 2a arcos branquiais. Em briologicam en- nios da hipófise anterior, via sistem a porta
te, as estruturas esqueléticas do 1e, 2S e h ip otalâm ico-hipofisário.
32 arcos branquiais tê m origem na crista D este m odo, o hipotálam o secreta os
neural, portanto, segundo a teoria do Jing, s e g u in te s h o rm ô n io s de liberação e de
estariam relacionadas com o Shen (Rins). inibição:
1. H orm ônio de liberação da tire o tro p i- invaginação em brionária do epité lio da fa-
na (libera o h orm ônio tireo -e stim u lnte); ringe, relacionada a arcos branquiais, e
2. H orm ônio de liberação da co rtico tro- estes, por sua vez, dão origem a e s tru tu ­
pina (libera a adrenocorticotropina); ras da região cervical que a presentam re­
lação d ireta co m o p on to VC-23 (Liang-
3. H orm ônio de liberação do cre scim e n ­
quarí), considerado na M edicina Tradicional
to (libera o h orm ônio do cre scim e n to e o
Chinesa, co m o o p onto de concentração
horm ônio de inibição do horm ônio de cres­
do Shen O i (Energia dos Rins). A hipófise
cim e nto);
posterior, por sua vez, origina-se de uma
4. H orm ônio de liberação das gonado-
proliferação do infundíbulo do hipotálam o.
tropinas (libera dois horm ônios gonadotró-
O p ro c e s s o de fo rm a ç ã o da h ip ó fis e
picos, o h orm ônio luteinizante e o h o rm ô ­
lem bra a teoria do Yange do Yin, da M e d i­
nio folículo-estim ulante); e
cina Tradicional Chinesa: o Yang, que pode
5. H orm ôn io de inibição da prolactina ser representado pelo Xin (Coração), que
(inibe a secreção da prolactina). com anda o Shen (Consciência), vai para o
Por o utro lado, o Shen (Rins), segundo Baixo, para e nco ntra r o Yin. N este caso, o
a M edicina Tradicional Chinesa, te m m úl­ Yang representa a descida do infundíbulo
tiplas fu n çõ e s energéticas, co m o a fo rm a ­ do hipotálam o, para fo rm a r a h ipófise pos­
ção da m edula espinal, do encéfalo, con­ terior. Por sua vez, o Yin, que se relaciona
tro le da a ud içã o, e tc . O seu J in g te m com o Shen (Rins), neste caso, a porção
fu nçõ es energéticas m ais am plas, sendo da faringe que vai co n s titu ir a h ipófise an­
responsável pela regularização da te m p e ­ terior, ascende ao e nco ntro do Yang, ou
ratura corporal, da hidrogênese, excreção seja, em direção ao infundíbulo do hipotá­
dos líquidos orgânicos, a pa re cim e nto da lamo.
libido, da e sperm atogênese e da ovulação. P ortanto, s e g u n d o as co n c e p ç õ e s da
Na neurofisiologia e na endocrinologia, tais M edicina Tradicional Chinesa, é de supor
fu n ç õ e s são com andadas pela glândula que a glândula h ipófise seja o resultado
hipófise. do equilíbrio e n tre o Yang e o Yin, o Calor
A glândula hipófise é uma pequena glân­ e o Frio, o X in (Coração) e o Shen (Rins),
dula situada na sela túrcica e está conec­ assim co m o é a relação e ntre o hipotála­
tada ao hipotálam o. F isio log icam en te , a m o e a hipófise. Daí a grande im portância
glândula hipófise possui duas porções d is­ que o eixo hipotálam o-hipofisário exerce
tintas: a hipófise anterior (adeno-hipófise) sobre o nosso corpo.
e a hipófise posterior (neuro-hipófise). Pela
hipófise a nterior são secretados seis im ­ O J in g Shen (Q uintessência) te m a
portantes horm ônios, que e xercem papel função de term o g ê n es e
fu n d a m e n ta l no c o n tro le das fu n ç õ e s
m etabólicas por to d o corpo São secreta­ "O Shen-Yang ('fí/m-YangJ ("R im -F o g o ")
dos dois h orm ônios pela h ipófise p o ste ­ te m a função de produção, de regulariza­
rior, sendo um deles o h orm ônio antidiuré- ção e de liberação do calor do corpo, en­
tico, que controla a excreção de água na fim , a s su m e a fu nçã o de te rm o rre g u la -
urina. çã o ".
A em briologia da hipófise, sob o ponto A porção a nte rio r do hipotálam o, p rinci­
de vista da M edicina Tradicional Chinesa, palm ente, os núcleos pré-ótico e hipotalâ-
é m uito interessante. A h ipófise anterior m icos a nterior do tálam o, estão e nvo lvi­
origina-se da bolsa de Rathke, que é uma dos com a regularização da te m peratura
do corpo. N estas áreas, há um grande nú­ O controle do calor é realizado por três
m ero de neurônios sensíveis ao calor, bem m eca n ism o s de dim inu ição da te m p e ra ­
com o um te rço de neurônios sensíveis ao tura, quando o corpo que está excessiva­
frio. Os p rim eiros aum en ta m a freqüência m e n te quente:
de descarga, à m edida que a te m peratura 1. Vasodilatação de quase todas as áreas
se eleva, com a um en to de duas a dez ve­ do corpo, principalm ente, dos vasos san­
zes, na presença de elevação de te m p e ­ guíneos cutâneos. Este processo é cau­
ratura de 10°C, e n q u a n to os n e u rô n io s sado pela inibição dos ce ntros sim páticos
sensíveis ao frio aum en ta m a freqüência do hipotálam o posterior, responsável pela
de descarga quando a te m p era tura corpo­ vasoconstricção (A Água dom ina o Fogo);
ral cai. C onsiderando Yang o Calor e o Xin 2. Sudorese. A estim ulação do hipotá­
(Coração), ao passo que são Yin o Frio e o lam o anterior - área pré-óptica - provoca
Shen (Rins), o b se rva m -se , e n tre e s te s a sudorese, por m eio da transm issão, pe­
neurônios, as relações de dom inância e las vias autonôm icas, para a m edula espi­
c o n tra d o m in â n c ia , da te o ria d os C inco nal e daí para a via sim pática, para a pele
M o vim e n to s. de to d o o corpo (O Calor Yang do Xin-Co-
Q uando a área pré-óptica é aquecida, ração abre os poros cutâneos); e
im e dia ta m e nte a pele do corpo entra em 3. D im inuição da produção de calor. Os
sudorese profusa, com abertura dos po­ m ecanism os que causam a produção ex­
ros cutâneos; e ste fato, na M edicina Tra­ cessiva de calor, co m o calafrios e te rm o -
dicional Chinesa, é processo de dom inân­ gênese quím ica, são fo rte m e n te inibidos.
cia do Shen-Yang (Rim-Váng) sobre o Xin A ssim , o a q u e cim e n to da área hipotalâ-
(Coração), o que prom ove intensa vasodi- m ica a n te rio r p ré -ó p tic a do h ip o tá la m o
latação pelo a um en to do Yang (Xin-Cora­ dim inui a produção de horm ônio neuros-
ção com anda os vasos sangüíneos). secretor, o h orm ônio de liberação da tire-
Os re c e p to re s té rm ic o s c o rp o ra is si­ otropina, pelo hipotálam o. Este horm ônio
tuam -se na pele, na m edula espinal, nas é tran spo rtad o pelas veias hipotalâm icas
vísceras abdom inais, no interio r ou ao re­ até a adeno-hipófise, onde estim ula a se­
dor das grandes veias. Q uando o Frio é creçã o do h o rm ô n io tire o e s tim u la n te e
captado por um d e ste s rece pto res, sur­ este, por sua vez, estim ula a m aior produ­
gem , im ediatam ente, reflexos para aum en­ ção de tireoxina pela glândula tireóide, o
tar a te m p e ra tu ra do corpo, co ntrola do s que a um en ta o m e ta b o lis m o ce lu lar do
pelos núcleos pré-óptico e hipotalâm icos corpo, co n stitu in d o um dos m ecanism os
do hipotálam o anterior: de te rm o g ê n e se quím ica. É im portante sa­
1. Fornecendo um p oderoso e stím ulo lientar a conexão desta glândula com os
para causar calafrios, para aum entar a te m ­ arcos brânquias e d estes com o ponto VC-
peratura corporal. Esta fo rm a de ação é 23 (Lianquan), p onto de concentração do
conhecida, na teoria dos Cinco M o v im e n ­ Shen Qi (Energia dos Rins). As estruturas
tos, co m o relação "m ã e -filh o ", sendo a originadas a partir dos arcos branquiais,
mãe o Shen (Rins) e o filho o Gan (Fíga­ ta m b é m , estão relacionadas na M edicina
do), e ste responsável pelos m úscu lo s e Tradicional C hinesa co m os M e ridian os
tendões. Curiosos fíe n M a i e Chong M a i que rece­
2. Inibindo o processo de sudorese, isto bem o Shen Q i (Energia dos Rins).
é, o frio determ ina a d im inuição do Yang Por o utro lado, na porção dorso-m edial
do Xin (Coração), donde o fe ch a m e n to dos do h ip o tá la m o poste rio r, p ró xim o do 3Q
poros cutâneos. ventrículo, existe a área denom inada cen­
tro m o to r prim ário, relacionada aos cala­ nio cham ado antid iu rético (vasopressina).
frios. Em condições norm ais, esta área é Este horm ô nio (via sangue) atua sobre os
inibida por sinais pro ven ien tes do centro d uto s co le to re s dos rins, para causar in­
té rm ico, na área hipotalâm ica in fe rio r pré- tensa reabsorção de água, d im inu ind o as­
óptica, porém é excitada pelos sinais de sim a perda de água pela urina.
frio oriundos da pele e da m edula espinal. A função de hidrogênese do Jing Shen
Quando a te m p era tura corporal cai, esse (Q uintessência dos Rins) parece dever-se
centro é ativado, tra n sm itin d o sinais que a fe n ô m e n o s de dom inância do hipotála­
causam calafrios e que descem pela m e ­ m o sobre a h ipófise posterior. Por um lado
dula espinal até os n e u rô n io s m o to re s, o hipotálam o cria a sensação de sede e,
aum entando o tô nu s dos m úsculos esque­ ao m e sm o te m p o, com anda o hipotálam o
léticos, e quando o tô nu s eleva-se acima po ste rio r a rete r a água nos rins. Isto, na
de d eterm inado nível crítico, com eçam os linguagem energética, de acordo co m a
calafrios. (Shen é a m ãe do Gan, respon­ M edicina Tradicional Chinesa, é o Xin (Co­
sável pelos m úsculos e tendões.) ração) que gera a sede e, ao m e sm o te m ­
po, te m relação de contradom inância com
O Jin g Shen e a hidrogênese o Shen (Rins).
Por o u tro lado, o e s tre s s e ou o u tro s
O Shen-Yin ("R im -Á g u a ") te m a função estím ulos sobre o hipotálam o pro m o ve a
energética de regularização e de excreção se c re ç ã o do h o rm ô n io de lib e ra çã o da
dos líquidos orgânicos; no capítulo 34 do co rtico tro p in a , que causa a liberação de
Su Wen está dito: " O Shen (Rins) é o Ór­ a dren oco rtico trop ina , pela hip ófise a nte ­
gão da Água, rege os líquidos do c o rp o ". rior, com ação nas glândulas adrenais, des­
O hipotálam o regulariza a água corporal ta c a n d o -s e a libe ra ção da a ld o s te ro n a ,
de duas m aneiras: p rin c ip a l m in e ra lo c o rtic ó id e do c ó rte x
1. Criando a sensação de sede; e adrenal no que tange ao m e ta b o lism o da
2. C ontrolando a excreção de água na água. A este respeito, a função de regula­
urina. rização e de excreção dos líquidos orgâni­
Uma área chamada de centro da sede cos está relacionada às fu n çõ e s do "R im -
está localizada no hipotálam o lateral. Quan­ Á g u a ", "R im - Yin", "F onte-Y in", que englo­
do os eletrólitos dentro dos neurônios des­ bam, além das fu nçõ es acim a, a regulari­
te centro e em áreas do hipotálam o tornam - zação d os e le tró lito s , das s u b s tâ n c ia s
se concentrados dem ais, desenvolve-se o n utritivas, dos glicídios, dos lípides, das
desejo intenso de beber água e o indivíduo proteínas, etc. Estes estão na d ep endên­
irá beber o suficiente até fazer a concen­ cia do siste m a endócrino, em particular
tração dos e le tró lito s dos n e u rô nio s do das glândulas adrenais, que se cre tam os
centro da sede voltar ao normal. m ineralocorticóides, os g lico corticóid es e
O co ntrole da excreção é realizado pe­ outros, a fim de assegurar a hom eostasia
los núcleos supra-óptico e paraventricular do m eio interno e arm azenar as reservas
do hipotálam o. Quando os líquidos corpo­ úteis à vida.
rais tornam -se co ncentrados dem ais, os
neurônios desta área são e stim ulados. As O Jin g Shen e o d es en v o lvim en to da
fibras destes neurônios projetam -se pelo libido e da reprodução
infundíbulo do hipotálam o, em direção à
glândula hipófise posterior, em cujas te r­ No Su W en (Capítulo 1) está e scrito :
m inações nervosas secretam um horm ô ­ "Para os m eninos, à idade de 8 anos o
Medicina Tradicional Chinesa-Acupuntura

Shen Qi (Energia dos Rins) com eça a se ta m e n to v e m do e n fra q u e c im e n to do


desenvolver, os d en te s de le ite com eçam Shen (R in s)". A sua correspondência com
a mudar, os cabelos estão em p le n o de­ a fisiologia co nsiste no seguinte: em ge­
senvolvim ento. À idade de 16 anos, a Ener­ ral, a te sto steron a é secretada pelas célu­
gia dos Rins fortalece-se, o rapaz está em las de Leydig, nos te stícu los, quando são
p le n o crescim en to, o Jing se xua l (Q uin­ estim u la d os pelo h orm ônio luteinizante da
tessência sexual) com eça a se produzir... hipófise, e este, por sua vez, pelos hor­
o Jing sexual é um e le m e n to de base da m ô n io s g o n a d o tró p ic o s do h ip otálam o ,
fecundação.... -4 idade de 64 anos, o Jing que secreta o h orm ônio de liberação da
sexual esgota-se. Este e sg o ta m e n to vem gonadotropina. O h orm ônio te sto steron a
do e n fra q u e cim e n to do Shen (R in s)". não é produzido durante a infância até os
A M edicina Tradicional Chinesa conce­ 10 anos; a partir da puberdade, a produ­
be desta m aneira o d e se n vo lvim e n to da ção de te sto steron a aum enta rapidam en­
libido e da reprodução, dando im p o rtâ n ­ te sob o e stím ulo dos horm ônios gonado­
cia fundam ental ao Jing Shen (Q uintessên­ tróp icos da hipófise anterior e perdura pela
cia dos Rins). N este caso, o Jing te m dois m aior parte do resto da vida, decaindo ra­
significados. Um é o do Jin g no d esenvol­ pidam ente após os 50 anos de idade, com
v im e n to sexual, que co m p re en de as subs­ declínio das relações sexuais; em to rn o de
tâncias nutritivas e endócrinas indispen­ 80 anos de idade, e xiste m apenas de 20 a
s á v e is ao d e s e n v o lv im e n to s e x u a l e 50% do valor m áxim o de testosterona.
corporal, com o h orm ônios do cre scim e n ­ Para que haja função sexual normal, é
to, gonadotrópicos e corticotrópicos. O ou­ necessário que a secreção da tireóide seja
tro é o do Jing na procriação, que são a próxim a do norm al, graças à produção do
Energia e substâ ncia s se cre tad a s pelos horm ônio neurossecretor, o horm ônio de
te stícu los (esperm atogênese) e pelos ová­ liberação da tireotropina, pelo hipotálam o.
rios (ovulação). M u ito s fa to re s psíquicos p rovenientes do
Segundo a neurofisiologia e endocrino- sistem a lím bico do cérebro para o hipotá­
logia, uma parte fu nd am e nta l do controle lam o podem afetar, ao nível hipotalâm ico,
das fu n ç õ e s se xua is, ta n to m a scu lin a s a taxa de secreção das gonadotropinas ou
quanto fe m ininas, com eça com a secre­ inibir a liberação da tireotropina.
ção do horm ônio de liberação da gonado- No h om em , a falta do horm ônio tireói-
tropina pelo hipotálam o. Este horm ônio, deo pode causar a perda de libido; por
por sua vez, estim ula a glândula hipófise o utro lado, grande excesso d este horm ô­
anterior a secretar dois o utros horm ônios, nio fre q u e n te m e n te causa im p o tê n c ia
cham ados de h orm ônios gonadotrópicos: sexual. Nas m ulheres, a falta do horm ô­
o h orm ônio luteinizante e o h orm ônio folí- nio tire ó id e o fre q ü e n te m e n te causa m e-
culo e stim u la n te. 0 h orm ônio luteinizan­ tro rra g ia e a p o lim e n o rré ia ; em o u tra s
te co nstitu i o e stím ulo p rim ário para a se­ m ulheres, a falta do horm ô nio tireó id e o
creção de te sto steron a pelos testícu los e pode causar ciclos irregulares ou am enor-
o horm ônio fo lículo -e stim u lan te estim ula, réia. Estas a lte ra ç õ e s da e sfera sexual
sobretudo, a e sperm atogênese. estão explicadas, em parte, no Ling Shu
No Su W en (Capítulo 1) encontra-se: "... (Capítulo 8): "O s d istúrbio s do Jing (Quin­
para os rapazes à idade de 16 anos, o Shen tessência) causam, p o r vezes, a esperm a-
(Rins) consolida-se, o Jing sexual entra em to rré ia ".
ação, a virilidade aparece... À idade de 64 A relação da falta do horm ônio tireóideo
anos, o Jing sexual esgota-se. Este esgo­ com a perda da libido e alterações mens-
C ap itulo I

truais é m uito interessante, quando anali­ O co ntrole da secreção de to do s os prin­


sada sob o p o n to de vista do Shen Q i cipais horm ônios da hipófise anterior, além
(Energia dos Rins). Fatores co m o fadiga, do h orm ônio de crescim en to, incluindo-se
d istú rb io s e m o cio n ais e d e s re g ra m e n to a glândula da tireóide, depende do hipotá­
alim entar causam o e n fra q u e cim e n to do lamo. Apesar de o horm ônio do crescim en ­
Shen Qi (Energia dos Rins). Ora, a glându­ to e s tim u la r a deposição aum entada de
la tireóidea origina-se de um espessam en- proteínas e o m aior cre scim e n to em qua­
to endodérm ico m ediano no assoalho da se to d o s os te cido s do corpo, seu e fe ito
faringe prim itiva. Esta região parece es­ m ais inten so é o de a um en ta r o cre sci­
tar relacionada com o p onto de co nce n ­ m e n to do arcabouço e squelético. Isto é o
tração do Shen Q i (Energia dos Rins), do resultado de m ú ltip lo s e fe ito s do h orm ô ­
fíe n M a ie do C hong M ai. Esta associação nio de c re scim e n to sobre o osso:
energética e funcional da tireó id e pode ex­ 1. D eposição aum entada de proteínas
plicar as alterações da libido e das m e n s­ pelas células condrocíticas e osteogênicas
truações provocadas pelo e n fra q u e cim e n ­ que p ro m o vem o cre scim e n to do osso;
to do Shen (Rins), do fíe n M a ie do Chong 2. Taxa de reprodução aum entada d es­
Mai. tas células; e
3. E fe ito de co nve rsã o e sp e cífica de
O J in g Shen e o crescim ento co nd ró citos em células o steogênicas cau­
sando assim a form ação de novo osso.
O d ese nvo lvim en to e o cre scim e n to do Por o u tro lado, os h orm ônios da glân­
corpo e do te cido ósseo, segundo a M e ­ dula paratireóide e a calciotonina da glân­
dicina Tradicional Chinesa, tê m relações dula tire ó id e desem penham papel im p or­
bem estre itas com o Shen (Rins). A ssim , ta n te no c re scim e n to do te cid o ósseo. Os
no Su W en (Capítulos 5 e 54) está assina­ d is tú rb io s d e s te s h o rm ô n io s p ro vo ca m
lado: " O Shen (Rins) gera os o s s o s . . . . O uma série de doenças ósseas, co m o ra­
Su W en (Capítulo 44) precisa: " O raq uitis­ q u itis m o , o ste o m a lá c ia , o s te o p o ro s e e
m o é um a doença do cre scim e n to que se h ip erp aratireo idism o.
m an ifesta p o r defo rm a ção variável do es­ E m briologicam ente, as glândulas para-
queleto, devido a d istú rb io do Calor Orgâ­ tire ó id e s originam -se do aparelho branqui-
nico"', isso hoje pode ser e nte nd ido co m o al ou faríngeo, enquanto a glândula tire ó i­
d evido a d is tú rb io s do m e ta b o lis m o do de, do soalho da faringe prim itiva. Estas
cálcio e do fó sfo ro . O Ling Shu (Capítulo regiões, co m o já foi analisado, parecem
8) precisa: "O s d istúrbio s do Jing causam estar associadas com o p on to de concen­
a fragilidade dos o ssos ou a fadigabilida- tração do Shen Qi (Energia dos Rins) e do
de dos m ú s c u lo s ...". Estes parágrafos do fíe n Mai, sugerindo que, em parte, a m a­
N ei Jing associam o Jin g Shen (Q uintes­ terialização do te c id o ósseo, faz-se ao ní­
sência dos Rins) com o d ese nvo lvim en to vel da faringe, sob a influência do Shen Qi
p ôndero-estatural. (Energia dos Rins) e do fíe n Mai.
Noções de Acupuntura
N O M E N C LA TU R A CHINESA E PRINCIPAIS
M E R ID IA N O S

Tudo se baseia na existência do Q i (Energia), que


nasce com o fe to , é alim entado pela Terra (alim entos)
e pelo Céu (respiração), cresce, vai de um Órgão a
o utro m antendo o fu n c io n a m e n to deles e é arm aze­
nado em cada um dos Zang (Órgãos), d eterm inando a
saúde ou as doenças c o n fo rm e o seu estado de ex­
cesso ou de falta.
O Q i (Energia) na M edicina Tradicional Chinesa é sim ­
bolizado por um ideogram a que encerra uma espiral
de vapores (evocando trabalho) e de arroz, sím bolo de
sua origem alim entar.
Na época de guerra, a China relacionava o arroz com
o povo guerreiro chinês, dizendo que um grão de ar­
roz poderia fazer diferença no final. Os M eridianos (King
Luo) eram , ta m b ém , relacionados aos arrozais, onde
havia canais levando água à plantação.
Os Zang (Órgãos) são d efin id os co m o Yin e Yang,
cuja descrição pelo a uto r D idier M rejen segue abaixo.
O Órgão Yin é representado, por uma figura, à es­
querda, que significa carne orgânica, e por uma fig u ­
ra, à direita, com posta de trê s sím bolos: "a p o io sóli-
do-m in istro -la nça "; isto significa, se se fizer a análise
desse ideogram a, "u m órgão ve ge tativo de im portân­
cia vital dom inando a vida orgânica e assegurando a
defesa em profundidade do o rg a n ism o ", que foi tra­
duzido com o nom e de órgãos-tesouro: Xin (Coração),
Fei (Pulmão), Pi (Baço/Pâncreas), Gan (Fígado) e Shen
(Rins).
O Órgão Yang é representado, à esquerda, por uma
Noções de A cu puntura figura à esquerda co m o carne orgânica e, à direita, por
Dra. M aria A ssu n ta Y. Nakano
um sím bolo que com porta um anteparo aberto para o
M ecanism o de Ação
N eu ro -hum oral da A cu pun tura
exterior, um hom em , um polegar. Significa um órgão
P ro f3 Dra. A ngela Tabosa de im portância secundária que diz respeito ao hom em
Prof. Dr. Ysao Yamamura em suas relações externas consagradas à absorção
digestiva e à elim inação de a lim entos, e fo co s de Energia que e n tre tê m em per­
que fo i trad uzid o co m o órgão s-o ficina s: m anência o fu n cio n a m e n to global de três
Xiao Chang (Intestino Delgado), Da Chang esferas anátom o-fisiológicas: respiratória,
(Intestino Grosso), W ei (Estôm ago), Dan d ig e stiva e gênito-uriná ria ; fo i traduzida
(Vesícula Biliar) e Pangguang (Bexiga). co m o Sanjiao (Triplo Aquecedor).
O que im porta é o significado, um sendo O ideogram a do Canal de Energia ou do
órgão vital e o outro, o órgão de trânsito. M eridiano representa algo longitudinal e
A esses dez órgãos, precisa-se acrescen­ fin o canalizando uma espécie de co rren te
tar duas fu nçõ es de síntese, in tim a m e n te que trabalha, por conseguinte, co m o por­
ligadas a esses órgãos e com patíveis com ta do r de potencial de Energia. Existem dez
o nosso sistem a neuro-vegetativo: função M e rid ia n o s que c o rre s p o n d e m aos dez
Yin e função Yang. A função Yin significa Ó rgãos e dois M eridianos que co rresp on ­
constrição do M eridiano do Xin (Coração), dem às suas fu n çõ e s de síntese.
o equivalente à função vasom otora e que Seguem abaixo os principais M eridianos
foi traduzida co m o Xin Bao Luo (Circula- e seu trajeto, co nfo rm e d escrito no Ling
ção-Sexo). A fu n çã o Yang sig n ifica trê s Shu.

M e r id ia n o P r in c ip a l d o F e i (P u lm ã o )

Aquecedor M em bro
Diafragma Indicador
Médio Superior

Intestino Axila
Grosso 11 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o D a C h a n g ( In t e s t in o G r o s s o )

20 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o W ei (E s tô m a g o )

Asa Nasal
Ponto Ponto

Face Dentes VC-24 ■■ VB-3 45 Pontos

Pontos
Gengiva Clavícula Abdom e M em bro Inf.
Noções de Acupuntura

M e r id ia n o P r in c ip a l d o P i ( B a ç o /P â n c r e a s )

Baço Garganta Língua


Ren Mai
Primeiro
Artelho
7 "
Estômago
Pé Perna A bdôm en — Axila
Coraçáo
Diafragm a
21 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o X in (C o ra ç ã o )

9 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o X ia o C h a n g ( In t e s t in o D e lg a d o )

R ebordo
orbitário
C oraçao -► Esôfago > D ia fra g m a
in ferio r
i.
ir
Q u into D edo
A ntebraço In testin o D elgado *- Estôm ag o

.z r* r+-
Pescoço Face C anto exte rn o
Tragus
do olho
C avid ade supra-
clavicular
19 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o P a n g g u a n g (B e x ig a )
54 C ap ítulo II
muugia

M e r id ia n o P r in c ip a l d o S hen (R in s )

27 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o X in B a o L u o ( C ir c u la ç ã o - S e x o )

9 Pontos

M e r id ia n o P r in c ip a l d o S a n j ia o ( T r i p l o A q u e c e d o r )

M e r id ia n o P r in c ip a l d o D a n ( V e s íc u la B i l ia r )
M e r id ia n o P r in c ip a l d o G a n (F íg a d o )

VC19
Estômago

Costelas Testa
Figado
Diafragma
Artelho Traquéia
Grosso V. Biliar

Matéolo Coxa Palato Lábios


Interno Púbis —! ♦ Tórax Olho

14 Pontos Órgãos genitais

CANAIS DE ENERGIA ção e arm azenam reservas em caso de ex­


(M ER IDIAN O S) CURIO SO S cesso.
Esses M eridianos são em n úm ero de 8
A lé m d e sse s M e rid ia n o s (Canais de e se ordenam em um sistem a de regulari­
Energia) considerados Principais, e xiste m zação e de co n tro le geral co n fo rm e sua
d ispositivos de regularização e de co ntro ­ classificação.
le da Energia cujo ideogram a encerra no­ O Vaso-Governador ou D u M a i e o Vaso-
ção de grandeza e de poder associada ao Concepção ou Ren M a i funcionam re-equi-
e le m e n to nave; são traduzidos co m o M e­ librando os reservatórios de Energia Yang
ridianos Extraordinários ou M aravilhosos e Energia Yin.
ou C uriosos. Todos e les tra n s p o rta m a Abaixo, os dem ais M eridianos Curiosos:
Energia Ancestral, assegurando a sobre­ - 2 M e rid ia n o s co nservadores, sendo
vivência da espécie, p ro te g e m os M e ri­ um Yang, d enom inado Yang W ei e situa­
dianos Principais contra agressões inter­ do na face póstero-lateral do corpo, e um
nas e externas, m an têm as Energias dos M eridiano Yin, denom inado Yin W ei e si­
M eridianos Principais em caso de d im inu i­ tu ad o na face ântero-lateral do corpo.

M eridianos Início Fim Pontos-Chave

Conservadores
Yang W ei B-63 (J in m e n ) V G -1 4 ( D a zh u i) TA-5 ( W aiguan)
Yin W ei R-9 (Z h u b in ) VC-23 ( L ia n q u a n ) CS-6 ( N e ig u a n )

Aceleradores
Yang Q iao M a i B-62 (S h e n m a i) B-1 (J in g m in g ) B-62 (S h e n m a i)
Yin Q iao M a i R-6 (Z h a o h a i) B-1 (J in g m in g ) R-6 (Z h a o h ai)

Desobstruidor
C ho n g M a i R-11 (H e n g u ) R-21 (Youm en) BP-4 (G o n g su n )

Cintura
D ai M a i VB-26 {D a im a i) VB-28 ( W eidao) VB-41 (Z u lin q i)

Reguladores
Du M ai VG-1 (C h a n g q ia n g ) VG-27 (D u id u a n ) ID-3 (H ouxi)
Ren M a i VC-1 (H u iy in ) VC-24 ( C h e n g jia n ) P-7 ( L ie q u e )
- 2 M eridianos aceleradores, sendo um Ainda de igual im portância e xiste m ou­
Yang, denom inado Yang Qiao M a i e locali­ tro s M eridianos/C anais de Energia conhe­
zado na face póstero-m edial do corpo, e cidos co m o D istinto s (ou D ivergentes), os
um M eridian o Yin den om ina do Yin Qiao T endino-M usculares e os Luo Transversal
M a i e situado na face ânte ro -m e dia l do e Longitudinal.
corpo. Os M eridianos D istinto s e suas co ne ­
- 1 M eridiano desobstruidor, d enom ina­ xões com os M eridianos Principais p ro m o ­
do C hong Mai, que é o M eridiano tóraco- vem a ligação dos Zang Fu (Órgãos e Vís­
abdom ino-pélvico vertical. ceras) no interio r e distribu e m a Energia
- 1 M eridiano cham ado Cintura, Dai Mai, M en tal (Shen) para as estru tu ra s internas
em volta da cintura. do corpo.
A tu a lm e n te , Yam am ura te m p ro p o sto Segue a tabela dos M eridianos D istin­
m odificação no co nceito dos M eridianos to s (do livro A arte de Inserir, de Ysao Ya­
Curiosos, relacionando-os com os estados m am ura), distribuídos segundo suas con-
em ocionais (Ver bibliografia). flu ên cia s:

Confluência Z a n g Fu (Órgãos e Vísceras) O rigem Ponto de Confluência


ou Reunião "G rande Janela do Céu"

I a Confluência P a n g g u a n g (Bexiga) B-40 ( W e izh o n g ) B-10 ( T ianzhu)


Shen (Rins) R-10 ( Y in g u )

2- Confluência W ei (Estômago) E-30 ( Q ic h o n g ) E-9 (R e n y in g )


Pi (Baço/Pâncreas) BP-12 (C h o n g m e n )

3a Confluência Dan (Vesícula Biliar) VB-30 ( H u a n tia o ) VB-1 ( T o n g zilia o ) ou


Gan (Fígado) F-5 (L ig o u ) ID-17 ( T ia n g ro n g )

4a Confluência X ia o C hang (Intestino Delgado) ID-10 ( N a o s h u ) B- 1 (J in g m in g ) ou


ID-16 ( T ia n ch u a n g )
X in (Coração) C-1 (J ig u a n )

5a Confluência Da C hang (Intestino Grosso) IG-1 (S h a n g y a n g ) IG-18 (Futu)


Fei (Pulm ão) P-1 (Z h o n g fu )

6a Confluência S a n jia o (Triplo Aquecedor) TA-16 (T ia n yo u ) VG-20 ( B a ih u i)


X in Bao L u o (Circulação-Sexo) CS-1 ( T ian ch i)

A tu a lm e n te , Yam am ura te m p ro p o sto Fu (Órgãos e Vísceras), ao crânio ou à face.


m odificação no co nceito dos M eridianos Os M eridian os Luo L ongitudinais ra m ifi­
D istintos, relacionando-os com os estados cam -se na superfície do corpo, fo rm a nd o
em ocionais (Ver bibliografia). os M eridianos M enores e os Luo su p e rfi­
Os M e rid ia n o s de C onexão (Luo) são ciais, que são denom inados capilares ener­
M eridian os S ecundários com o rige m no géticos, co m o se acom panhassem os ca­
ponto Luo dos M e ridian os Principais. O pilares vasculares cutâneos.
M eridiano Luo Transversal une-se ao M e ­ Os M eridianos Luo Transversais fazem
ridiano Principal acoplado do seu ponto lu- a união dos M e rid ia n o s Principais Yang
Yuan. O M eridiano Luo Longitudinal acom ­ com Yin e vice-versa.
panha o M eridiano Principal em seu traje­ A seguir, se gu em os Pontos Luo e lu-
to, podendo ir d iretam en te às cavidades Yuan dos M eridianos Principais.
torácica e abdom inal, e une-se aos Zang
Noções de Acupuntura

M eridian o Principal Ponto L u o Pontos lu -Y u a n

F ei (Pulm ão) P-7 (Lieq u e ) P-9 ( Taiyuan)

Da C hang (Intestino Grosso) IG-6 (Pianíi) IG-4 ( H e g u )

W ei (Estômago) E-40 (F e n g lo n g ) E-42 ( C h o n g y a n g )

Pi (Baço/Pâncreas) BP-4 ( G o n g s u n ) BP-3 ( Taibai)

X in (Coração) C-5 ( T o n g li) C-7 {S h e n m e n )

X ia o C hang (Intestino Delgado) ID-7 {Z h izh e n g ) ID-4 ( W a n g u )

P a n g g u a n g (Bexiga) B-58 (F e iy a n g ) B-64 (J in g g u )

S h e n (Rins) R-4 (D a zh o n g ) R-3 ( Taixi)

X in Bao L u o (Circulação-Sexo) CS-6 ( N e ig u a n ) CS-7 (D a lin g )

S a n jia o (Triplo Aquecedor) TA-5 ( W aiguan) TA-4 ( Yangchi)

Dan (Vesícula Biliar) VB-37 ( G u a n g m in g ) VB-40 ( Q iu xu )

Gan (Figado) F-5 (L ig o u ) F-3 ( T aich o n g )

Du M ai M G A (C h a n g q ia n g )

Ren M a i VC-15 (J iu w e i)

G rande L u o do P i (Baço/Pâncreas) BP-21 (D a b a o )

Os M eridianos T endino-M usculares não C i r c u l a ç ã o de Q i p e la té c n ic a I o n g / I u


seguem a alternância do Yang e do Yin,
nem a relação interior/exterior, m as sim o As afecções dos M eridianos Principais
sistem a de união co nhecido co m o "U n iã o d e ve m -se, g era lm e n te , aos b loqueios e
dos 3 Yin e dos 3 Y ang". Os d istú rb io s estagnações de Energia que ocorrem em
destes M eridianos m an ifesta m -se nas re­ seu traje to, podendo ser d ecorrentes de
giões por onde passam e seus sintom as deficiência de Q i p roveniente de vazio dos
são, em geral, locais (tendinosos, ósseos, Zang Fu (Órgãos e Vísceras) ou pela agres­
m usculares, etc.). são por Xie Q i (Energias Perversas), com o
Os 3 M e rid ia n o s T e n d in o -M u scu la re s Calor, Frio e U m idade, ou m e sm o pelas
Yang do Pé unem -se na face, no proces­ noxas co m o U m idade Interna, Um idade-
so do osso zig o m á tico , no p o n to ID-18 Calor ou Calor Interno.
(Ouaniiao); os 3 M eridianos T endino-M us­ Uma técnica das m ais sim ples para pro­
culares Yin do Pé unem -se na região do m ove r a circulação de Q i nos M eridianos
púbis, no ponto VC-2 (Q ugu); os 3 M e ri­ (M eridianos) é a estim ulação dos pontos
dianos Tendino-M usculares Yang da M ão Shu A n tigo s lo n g e tu (Yuan). O p onto long
unem -se na região fron ta l, no pon to VB- te m a função prim ordial de fazer aum en­
13 (B enshen); e os 3 M eridianos Tendino- ta r o Qi, seja do M eridiano Yang, seja do
M usculares Yin da M ão unem -se no tó ­ Yin, enquanto o ponto lu (Yuan) faz circu­
rax, no pon to VB-22 ( Yuanye). lar a Energia pelo M eridiano.
A ssociando essa técnica com a to n ifi- quada dos pontos de acupuntura situados
cação dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras) (ver nos M e ridian os regulariza a c o rre n te de
adian te ), p od e -se o b te r ra p id a m e n te e Q i que circula nos m esm os e, conse qü en ­
com grande ê xito a harm onização energé­ te m e n te , nos Zang Fu (Órgãos e Vísceras),
tica do corpo. d is trib u in d o esse Q i por to d o o corpo.
Q uando dete rm ina do p onto de a cupuntu­
M e c a n is m o d e A ção n euro -hum o ral da ra s is tê m ic o é e stim u la d o inten sam en te
ACUPUNTURA por longo tem po, provoca-se o esvaziam en­
to da Energia da região ou do Órgão que é
Prof- Dra. Angela Tabosa
regido por este ponto, provocando, então,
Prof. Dr. Ysao Yamamura
a analgesia daquela região. C onstitui a te ­
D urante m ilê nio s, a cre dito u se que o oria energética de ação da acupuntura que
m ecanism o de ação da acupuntura fosse corresponde às clássicas co ncepções m i­
puram ente energético, ou seja, aceitava- lenares de Zang Fu e M eridianos.
se apenas a concepção dos M eridianos ou A e xp lic a ç ã o c ie n tífic a re fe re -s e aos
Canais de Energia (Jing Luo). No entanto, m eca nism os hum oral e neural, que, em
co m a d ifu s ã o da M e d ic in a Tradicional últim a análise, relacionam se com o s is te ­
Chinesa no O cidente, m u ito s pesquisado­ ma nervoso central.
res com eçaram a q uestionar sobre a par­
ticipação de e struturas orgânicas no m eca­ M ecan ism o hum o ral - O m ecanism o
nism o da ação da acupuntura, e o desen­ hum oral diz respeito à produção de subs­
vo lvim e n to de pesquisas científicas nesta tâ n c ia s , g e ra lm e n te n e u ro h o rm ô n io s ,
área, princip alm en te nas últim as décadas, neu ro tran sm isso re s e horm ônios, que são
evidenciou íntim a relação e ntre os e fe ito s secretados no sangue, por ação da acu­
da acupuntura e o sistem a nervoso cen­ puntura. Esta ação pode ser dem onstrada
tral e periférico, bem co m o com vários ti­ e xp e rim e n ta lm e n te , através da obtenção
pos de neuro h orm ônios (neurotransm is- de e fe ito s analgésicos idênticos em dois
sores). anim ais su b m e tid o s a circulação sangüí­
Este novo co n h e cim e n to da M edicina nea cruzada, m e s m o que a a cup un tu ra
Tradicional Chinesa p e rm ite que hoje se tenha sido efetuada em apenas um des­
aceitem trê s m ecanism os para explicar a ses animais.
ação da acupuntura: energético, hum oral O e fe ito hum oral depende ta m b ém indi­
e neural, ou a associação dos trê s m eca­ retam ente do sistem a nervoso central, que
nism os. determ ina a liberação, ao nível endócrino,
A eficácia da acupuntura co m o m éto do das substâncias encontradas no sangue. A
te ra pê u tico praticado durante m ilênios, no transm issão dos efeitos da acupuntura da
O riente, e, m ais re ce nte m en te , a sua apli­ gestante ao fe to representa outro exem ­
cação na analgesia cirúrgica m o tiva ra m plo claro do m ecanism o hum oral da acu­
pesq uisas com o o b je tiv o de e n co n tra r puntura.
algum a explicação científica de seu m odo Inserindo se uma agulha em um ponto
de ação. de acupuntura, sem pre se está desenca­
Há basicam ente duas fo rm a s d istintas deando uma ação que abrange os níveis
de explicação do seu m ecanism o: a ener­ ene rg ético s neural e hum oral. D ependen­
gética e a científica: do da função de cada ponto da a cup un tu ­
A prim eira é a da escola tradicional chi­ ra, um d este s m ecanism os prevalece so­
nesa, que d efin e que a e stim ulação ade­ bre os dem ais e, deste m odo, entende-se
Noções de Acupuntura

a c o n ce p çã o da indicação dos d ive rso s d estacam -se as doenças dos órgãos inter­
pon tos de acupuntura para as m ais diver­ nos, as fadigas e as em oções.
sas patologias. É interessante assinalar que essas con­
dições capazes de in te rfe rir nas caracte­
M ecan ism o neural - R ecentes p esqui­ rísticas elétricas da pele observadas pe­
sas n eurofisiológicas sobre o m ecanism o los p esq uisad o re s o cid en ta is co in cide m
de ação da analgesia por acupuntura tro u ­ com os fa to re s que a M edicina Tradicio­
xeram grandes subsídios ao e n te n d im e n to nal Chinesa descreve co m o etiopatogêní-
do seu m ecanism o de ação. Isto fez com cos, capazes de p ro m o ver o processo de
que as m ilenares teorias filo só fica s chine­ a do ecim en to.
sas do Yang e do Yin, dos Cinco M o v im e n ­
Pesquisas h istológ icas d em on straram
tos, dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras) e dos
que a concentração de te rm ina çõe s ner­
Jing Luo (M eridianos e Colaterais) passas­
vosas livres e encapsuladas, de recepto­
sem a te r um fu n d a m e n to científico. Gran­
res articulares, órgão te nd ino so de Golgi
de parte dos co nce itos in tu itiva m e n te pre­
e fu sos m usculares, é m aior nas áreas do
conizados pela M edicina Tradicional Chi­
corpo correspondentes aos pontos de acu­
nesa pode, hoje, ser explicada à luz da neu-
puntura do que nos te cido s adjacentes.
roanatom ia e da neurofisiologia, p e rm itin ­
Os e stím ulos que as agulhas de acupun­
do que a fisiologia do ser hum ano possa
tura desencadeiam nos d ife re n te s recep­
ser estudada de um m odo global.
to re s nervosos podem explicar os m ú lti­
A com preensão das interações e ntre o
plos e fe ito s observados, pois o sistem a
corpo e a m en te e e ntre e stes e o m eio
nervoso é específico em relação à via de
am biente, preconizadas pela M edicina Tra­
condução dos e stím ulos e, co nse qü en te ­
dicional Chinesa, dá um significado d ife ­
m ente, as respostas ta m b é m são especí­
rente ao corpo hum ano, que, na concep­
ficas. O e stím ulo originado pela inserção
ção o cidental, ainda se fu n d a m e n ta nas
de agulha de acupuntura pode variar am ­
leis new tonianas.
p lam ente, de acordo com a intensidade,
Com base em pesquisas realizadas no o m o v im e n to giratório no sentido horário
cam po da e letrofisiologia, sabe-se, hoje, ou anti-horário e a freqüência. Esses fa to ­
que algum as áreas da pele, com paradas res devem d ete rm in a r a liberação de neu-
com regiões adjacentes, apresentam m e ­ rotransm issores específicos nas sinapses,
lhor co n d utib ilid ad e elétrica por d im in u i­ excitando-as ou inibindo-as, desencadean­
ção de resistência. Estas áreas são coin­ do respostas d iferen te s.
c id e n te s co m a d e sc riç ã o clássica dos A ssim , com preende-se por que os chi­
pontos de acupuntura. neses preconizavam que, para se to n ifi­
O bservou-se, ta m b ém , que a diferença car um pon to de acupuntura, dever-se-ia
de potencial e létrico da pele nesses pon­ fazer m o v im e n to giratório da agulha inse­
tos específicos não é constante, variando rida no sentido horário ou direcioná-la obli­
de acordo com a influência de fa to re s in­ q ua m e nte no sentido da co rren te de Ener­
ternos do corpo hum ano e ta m b é m fa to ­ gia no M eridiano e que, para sedar, dever-
res am bientais. se-ia proceder de m odo inverso.
D en tre os fa to re s a m b ie n ta is , fo ra m Essas fo rm a s específicas de m anipula­
identificados, principalm ente, a te m p e ra ­ ção do p onto de acupuntura e as respos­
tura do am biente, as estações do ano e o tas diversas obtidas (tonificação ou seda-
ciclo horário. Entre os fa to re s interno s, ção dos órgãos internos) encontram res­
paldo científico, uma vez que, em últim a doenças de instalação m ais consolidada
instância, cada fo rm a de e stím ulo gerado ou "d oe n ças p ro fu n d a s".
pela m anipulação da agulha pode liberar A inserção da agulha no p on to de acu­
n eurotransm issores específicos, que po­ puntura pode provocar uma série de rea­
dem inibir ou excitar as várias sinapses em ções sensitivas co nco m ita ntes, co m o dor,
to d o o sistem a nervoso e, com isto, pro­ queim ação ou choque, co n s titu in d o o que
m ove r respostas ta m b é m específicas. se cham a Te Q i ou "sensação de acupun­
tu ra ", que, n e u ro fis io lo g ic a m e n te , pode
Local de Ação da A cupuntura ser d e co rren te do estím ulo dos vários ti­
pos de receptores nervosos relacionados
As fibras A-delta, ou do grupo III, e as ao pon to de acupuntura. O e stím u lo das
fibras C, ou do grupo IV, são os principais fib ra s A-delta superficiais pode p ro m o ver
tip os de fibras relacionados com a condu­ sensação de dor; o das fibras nervosas de
ção do estím ulo da agulha de acupuntura. localização m ais profunda, no nível dos
Estudos realizados em coelhos e gatos, m úsculos e dos tendões, provocar sensa­
nos quais p o n to s de a cu p u n tu ra fo ra m ção de peso; e o das fibras C, provocar,
a nestesiados com novocaína, e videncia­ p re do m in an te m e nte, reações autônom as,
ram que as fibras A-delta são dom in a nte s co m o fo rm ig a m e n to e parestesia.
ao m ediar a acupuntura, seguidas pelas A inserção das agulhas de acupuntura
fibras C e, em m en or proporção, pelas fi­ determ ina trê s e fe ito s locais: e lé trico (con­
bras do grupo II ou A-gam a. Já o u tro s es­ fo rm e d escrito acima), n euroquím ico (por
tu do s m ostraram que a substância capsai- ação m ecânica, a agulha lesa os te c id o s e
cina (bloqueadora das fib ra s C e de 5% libera substâncias) e m isto, e ste corres­
das fibras A-delta) te m uma ação bloquea­ pondendo a uma associação dos dois pri­
dora da acupuntura, quando aplicada na m eiros.
região do p onto de acupuntura. A inserção e a m anipulação da agulha
O potencial e lé trico das agulhas de acu­ de a cupuntura causam lesões celulares
puntura co nstitu i e stím ulo que age sobre que provocam , no local, o a parecim ento
as te rm ina çõe s nervosas livres e xiste n te s de substâncias bioquím icas, co m o a subs­
nesses pontos, alterando o potencial da tância P, e a transform ação do ácido ara-
m em brana celular e desencadeando o po­ quidônico em leucotrienos, em trom boxa-
tencial de ação e a condução de estím ulo no dos tip o s A, B e prostaglandinas PGE,
nervoso. PGD. Essas substâncias algógenas e s ti­
Os e fe ito s da agulha de acupuntura de­ m ulam os q uim io rre cep tore s, e a substân­
pendem da profundidade de sua inserção, cia P, em especial, sendo um neurotrans-
pois os tip o s de receptores nervosos são m issor, ativa os m a s tó c ito s a liberarem
distribuídos de m odo d iferen te , de acor­ histam ina, estim u la n do as fibras C e pro­
do com os planos da estratigrafia. A inser­ m o v e n d o vasodilatação no nível capilar.
ção superficial atingirá, p re do m in an te m e n ­ A lé m da histam ina, são liberados a bradi-
te, os receptores nervosos associados às cinina, serotonina, íons potássio e prosta-
fibras A-delta, que fazem a m ediação para glandina, que ta m b é m vão e s tim u la r os
as dores agudas e a term ocepção, enquan­ q uim io rre cep tore s, dim inu ind o o lim iar de
to a inserção profunda estim ulará as fibras excitação. O potencial de ação da m e m ­
nervosas do fu so m uscular e as fibras A- brana, d e s e n c a d e a d o pela in s e rç ã o de
delta e C, que estão localizadas m ais pro­ uma agulha de acupuntura m etálica, em
fu n d a m e n te e d eve m ser utilizadas nas ultim a análise, deve-se a um e fe ito elétri-
Noções de Acupuntura 61
N

co peculiar à agulha, associado à ação de tica obtida com o estím ulo do p onto E-36
substâncias liberadas pela lesão tra u m á ti­ (Zusanh), localizado na perna, que deter­
ca celular local. mina a um en to da secreção e da m otilida-
Quando o estím ulo chega à m edula es­ de gástricas, bem co m o do ponto VB-34
pinal, ele pode, através do tra to de Lis- ( Yanglingquan), que aum enta a m otilida-
sauer, p ro m o ve r associações se gm en ta - de da vesícula biliar e que, provavelm en­
res acim a e abaixo do nível m edular da es­ te, utiliza-se, em parte, dessas vias neu-
tim ulação primária, ocorrendo, no nível das roanatôm icas para e fe tu a r sua ação.
lâm inas de Rexed da m edula espinal, si- Após a aplicação de acupuntura, depen­
napses com interneurônios (interm ediadas dendo da maneira com o se faz o estím ulo,
pela substância P). da profundidade e tam bém do ângulo de
Ao nível do corno p oste rio r da m edula inserção da agulha e do se ntid o de sua
espinal, os e stím ulos a feren te s conduzi­ ponta, é possível direcionar o estím ulo para
dos por fib ra s so m áticas, ta n to aqueles uma ou outra dessas vias nervosas descri­
nociceptivos quanto os da acupuntura, vão tas. A M edicina Tradicional Chinesa te m o
estab ele cer sinapses: com neurônios m o­ im p o rta n te m é rito de haver co nse gu id o
to re s h o m o la te ra is e /ou c o n tra la te ra is , identificar onde e com o fazer estim ulações
para fo rm a r o arco refle xo som a tosso m á- na parte som ática para o bte r resultados
tico; co m neurônios pré-ganglionares sim ­ específicos sobre os órgãos internos e as
páticos, para fo rm a r o arco reflexo som a- várias estruturas do corpo humano.
tovisceral, sendo que esta via é particular­ A ssim , para se o b te r o e fe ito de acal­
m en te im p orta nte na ação da acupuntura m ar a fu nçã o visceral, deve-se inserir a
sobre os vasos sangüíneos p eriféricos e agulha no p onto de acupuntura correspon­
representa ta m b é m uma d en tre as m ui­ d ente à víscera, no se ntid o de contracor-
tas vias que a acupuntura utiliza para atuar rente ou a ntid rô m ico das fibras nervosas.
sobre os órgãos internos; e com neurô­ A analgesia para dor m u ito intensa pode
nios do tra c to próprio-espinal, que e sta ­ ser obtida fazendo-se a inserção seguida
belece, ao nível m edular, associações de de e s tím u lo s fo rte s , os quais, provavel­
se gm en to s superiores com os inferiores, m ente, terão ação sobre as fibras A-delta
conectando os plexos braquial, lom bar e e sobre o tracto neoespinotalâm ico, pro­
sacral. A ssim , ao se e stim u la re m pontos duzindo, então, um e fe ito analgésico por
de acupuntura no m em bro superior ou in­ liberação de substâncias opióides.
ferior, o e stim u lo pode a tingir estru tu ra s
cuja inervação se relaciona a um plexo di­ Vias Ascendentes e Descendentes da
ferente. Isso explicaria o e fe ito do ponto Acupuntura
P-7 (Lieque), situado no m e m b ro superior
e utilizado no tra ta m e n to da polaciúria. Os e stím ulos da A cupuntura são con­
Os e stím u lo s da acup un tu ra ta m b é m duzidos, em grande parte, por m eio dos
são projetados da m edula espinal para o tratos espinotalâm icos, e sua m odalidade
encéfalo ativando ou inibindo várias e stru ­ de ação depende do tip o de fibras nervo­
turas im portantes, co m o a form ação reti- sas estim uladas. As fibras A-delta proje­
cular, via tra cto e sp in o rre ticu la r (espino- tam seus estím ulos, principalm ente, pelo
talâm ico) e tra c to p a le o e sp in o ta lâ m ico , tra cto neospinotalâm ico, fazem a m edia­
daí, indo interagir com a m odulação do sis­ ção da dor aguda, tê m velocidade de con­
tema nervoso a utônom o, ao nível do hi­ dução m ais rápida m ais rápida e estão,
potálamo. É evidente a ação parassim pá- p re dom inantem ente, ligadas aos m ecanis­
m os de defesa e fuga, enquanto as fibras analgesia é m ais profundo. Este co m p or­
C projetam seus estím ulos, p rincipalm en­ ta m e n to deve-se ao fa to de que e stím u ­
te, pelo tra cto paleoespinotalâm ico, con­ los nestas d ife re n te s freqüências induzem
duzem mais len ta m e nte e estão associa­ à liberação de substâncias opióides espe­
das, e ntre outros, à dor crônica e aos estí­ cíficas, ta n to no nível da substância gela­
m ulos viscerais. tinosa, co m o do núcleo m agno da rafe.
Na projeção dos e stím ulos da m edula A s respostas corticais aos estím ulos da
espinal até o encéfalo, as vias nervosas acupuntura são projetadas, princip alm en ­
fazem conexões com várias partes do sis­ te, por m eio da via serotoninérgica e da
tem a nervoso central, de m odo que por via e nce faliné rgica ; esta, na sua porção
m eio dessas vias a acupuntura pode e sti­ te rm in a l ao nível do c o rn o p o s te rio r da
m ular ou inibir e stru tu ra s co m o a fo rm a ­ m edula espinal, libera encefalina, e xcitan ­
ção reticular (principalm ente aos níveis da do o interne urôn io inibitório da su bstâ n ­
su bstância cinzenta p eri-aquedutal e do cia P, ao nível da lâmina II de Rexed, blo­
núcleo m agno da rafe), o hipotálam o, o queando a condução do e stím ulo da dor e
sistem a lím bico e áreas corticais. Portan­ p ro m o ven do o estado de analgesia ao ní­
to, uma inserção de agulha na parte so­ vel m edular.
m ática pode interagir ao nível do sistem a O e fe ito analgésico da acupuntura inibe,
nervoso central, co n stitu in d o uma m oda­ ta m b é m , os arcos reflexos sôm ato-som á-
lidade de tra ta m e n to para afecções deste tic o s ind utores de contraturas m usculares
setor, co m o é o caso, por exem plo, de al­ causa do ra s de a lte ra çõ e s b io d in â m ic a s
te ra çõe s e m o cio n ais do tip o ansiedade, intra e extra-articulares e que c o n s titu e m
tensão, m edo e pânico, que respondem estím ulos para um ciclo vicioso de perpe­
bem ao tra ta m e n to pela acupuntura. tuação da dor.
Han & Xie, em 1987, m ostraram que os De m odo que as inter-relações de pele/
m elhores resultados da acupuntura sobre m úscu lo s com os órgãos internos, atra­
o sistem a lím bico são o btid os quando se vés do sistem a nervoso, c o n s titu e m um
fazem estím ulos com freqüência abaixo de m eca nism o to ta lm e n te integrado, p erm i­
5Hz, nos pontos de acupuntura, provavel­ tin do que a agulha de acupuntura, inseri­
m e n te porque nessas co nd içõ es ocorre da em qualquer parte som ática do corpo
um e stím u lo m ais d irecio na do às fib ra s hum ano, e xcite te rm in a çõ e s nervosas e
nervosas do tip o C, relacionadas a esses gere um potencial de ação no nível do sis­
pontos. te m a n e rvo so p e rifé ric o s o m á tic o , que
Por o utro lado, os e fe ito s analgésicos induzirá um e fe ito ta nto sis tê m ic o com o
da a cu p u n tu ra são, hoje, c o n c e b id o s a regional; mas, dependendo da localização
p artir de pesquisas cien tífica s co m o um do pon to de acupuntura, ou seja, depen­
processo de excitação que libera e ndorfi- dendo do tip o de fibras nervosas que es­
nas em resposta a e stím ulos intensos e tim ula, pode ta n to te r e fe ito s m ais espe­
vigorosos sobre a agulha inserida nos pon­ cíficos sobre um único se tor co m o e fe ito s
tos de acupuntura. Essas condições atuam m ais genéricos. A ssim , os e stím u lo s in­
p re fere ncialm en te sobre as fibras A-delta, tensos, com alta freqüência, atuam , pre­
relacionadas a esses pontos. E xperim en­ d o m in a n te m e n te , sobre as fibras A-delta
ta lm e nte , foi d e te rm ina do que e stím ulos e tê m e fe ito analgésico, p ro v a v e lm e n te
em uma freqüência em to rn o de 100Hz em um nível suprassegm entar, ao passo
pro m o vem e fe ito de analgesia; se a fre ­ que os pon tos de acupuntura que se rela­
qüência é em to rn o de 300Hz, o e fe ito de cionam m ais com as fibras C, com o, por
exem plo, os pontos Ting ou o VG-26 ( Ren- que ação da inserção (acupuntura) faz-se
zhong), tê m e fe ito m ais m arcante sobre em trê s níveis, ora predom inando um fa­
o sistem a nervoso autônom o. tor, ora o utro fator, m as sem pre atuando
A ação da a cu p u n tu ra so b re a p a rte de m aneira sinérgica.
em ocional dos indivíduos é fe ita por m eio A ssim , os e fe ito s com binados da ação
da form ação reticular e do sistem a lím bi- de Energia nos M eridianos, que se faz de
co, os quais m anifestam , ta m b ém , respos­ m aneira prim ária, agem sobre o sistem a
tas no nível do siste m a a u tô n o m o e do nervoso a utô no m o e/ou sobre o sistem a
eixo h ip otálam o -h ipó fise, p ro m o ve n d o a nervoso central, assim co m o no Xue (San­
hom eostasia neuroendócrina. gue), difun dind o a Energia e os substratos
Os m ecanism os de ação da acupuntura (n e u ro tra n s m is s o re s , h o rm ô n io s c e re ­
assim co m o da acupuntura auricular ain­ brais, etc.) e provocando as reações (anal-
da não fo ra m s u ficie n te m e n te explicados. gesia, hipoalgesia, hiper ou hipofunção das
Estudos recentes, aliando-se ao conheci­ e stru tu ra s orgânicas) quando se e s tim u ­
m ento dos antigos chineses, levam a crer lam os pontos de Acupuntura.
Capítulo III
m ■

Pele Orgânica

A pele é o m ais e xten so órgão do corpo e a sua


com plexidade caracteriza-a co m o um dos órgãos es­
peciais de sentido (com fu nçõ es neurológicas, im uno-
lógicas e endocrinológicas); ela apresenta uma extensa
e com plexa rede de com unicação neuro-im uno-endó-
crina cutânea, que a conecta aos m ais diversos órgãos
internos do corpo, e vice-versa. C om o a pele estabe­
lece com unicação constante com o sistem a nervoso
central, o te g u m e n to passa a ser um dos locais de
m a n ife sta çã o da a tivid a d e da m e n te , se nd o assim
possível a com unicação da pele com a m ente.

E m b r io l o g ia da P ele

A pele origina-se, em b rio lo gica m e n te, de duas ca­


m adas m o rfo lo g ica m e n te d iferen te s. A camada m ais
superficial, que é a epiderm e, é form ada por um te c i­
do epitelial especializado derivado do ectoderm a su­
perficial; a camada m ais profunda e espessa, a der-
m e, é derivada do m esênquim a e constituída por tecido
co njun tivo denso vascularizado.
Na evolução em briológica, a ectoderm a superficial
origina e stru tu ra s corpóreas com o:
* E p ide rm e , pêlos, unhas, g lâ nd ula s cu tân ea s e
m am árias,
* Lobo a nterior da hipófise,
* Esm alte dentário,
* Orelha interna e
* C ristalino
A neuroectoderm a, por sua vez, dá origem a:
* Crista neural, de onde derivam gânglios e nervos
cranianos e se nsitivos, parte m edular da suprar-
renal, células pigm entares, cartilagem dos arcos
Dra. Maria Assunta y. Nakano branquiais e m esênquim a da cabeça,
* Tubo neural, que desenvolve o siste ­ E p id e r m e
ma nervoso central, retina, glândula
pineal e lobo p oste rio r da hipófise, e A epide rm e é form ada por queratinóci-
* M esoderm a paraxial, dando origem a to s (células da camada basal, corpo m u-
m úsculos do tronco, o esqu eleto (m e­ c o s o de M a lp ig h i, cam ada gra nu losa e
nos o crânio), derm e cutânea e te c i­ camada córnea), m elanócitos, células de
do conjuntivo. Langerhans e células de M erckel (Figura
3.2).
A n a t o m ia e F is io l o g ia da P ele
O fo lh e to epidé rm ico é m u ito fino, pos­
suindo uma espessura co rresp on de n te a
A pele é constituída de trê s cam adas uma folha de papel e que varia segundo a
d istintas: e piderm e (camada m ais super­ loca liza ção no c o rp o , p o r e x e m p lo , de
ficial), d erm e (camada interm ediária) e hi- 0 ,0 4 m m na região das pálpebras a 1,6 m m
poderm e (camada m ais profunda) (Figura na palma das m ãos e na região plantar dos
3.1). pés.
Os que ra tinó citos, células d om in a nte s
▼ Figura 3.1 da epiderm e, tê m co m o fu nçã o principal
Constituição da pele:
a que ra tiniza ção , is to é, a fo rm a ç ã o da
camadas epidérmica,
dérmica e hipodérmica, queratina, que é o m aior c o n s titu in te da
pêlos e glândulas camada córnea e cuja parte m ais externa
sudoriparas. é responsável pela prim eira proteção da

Epiderme

Derme

Hipoderme

Glândula sudorípara

Pêlo folículo piloso


S tratum
g rânulos um

Stratum
spinosum

Camada basal
VPJ m
^ Ê . '

Figura 3.2
Camadas constituintes
da epiderme.

As células do stratum spinosum form am


trê s ou quatro cam adas de células polié-
pele. Na camada da epiderm e diferenciam - dricas que te n d e m a se alongar horizon­
se quatro tip os de que ra tinó citos, assim ta lm e n te nas cam adas superficiais. O nú­
distribuídos da base para a superfície: que­ cleo destas células é arredondado, o vo­
ratin ócito s basais ou células da cam ada lum e celular é superior ao da camada basal
basal (stratum germlnativum), corpo m u- e elas apresentam to n o fila m e n to s intraci-
coso de M alpighi (stratum spinosum), ca­ to p la sm á tico s que se ligam aos desm os-
mada granulosa (stratum granulosum) e so m o s (fixação).
camada córnea (stratum corneum) (Figu­ O stratum granulosum form a uma faixa
ra 3.2). escura de três camadas de células granu­
As células da camada basal, ou células losas, achatadas e fu sifo rm e s, e está si­
g e rm in a tiva s, e stã o d is p o s ta s em um a tu ad o im e d ia ta m e n te abaixo da camada
camada que é constituída de células cilín­ córnea. As células contêm , no seu citoplas­
dricas, cujo citoplasm a é lige ira m e nte ba- ma, grânulos de cerato-hialina que partici­
sófilo por ser rico em rib osso m os e está pam ativam ente no processo de ceratini-
relacionado com a síntese de proteínas. A zação.
camada germ inativa é a responsável pela O stratum corneum ou camada córnea
reposição celular da pele; pode haver a é co nstitu íd o de superposições de células
m igração de 50% (pool em diferenciação), co m p le ta m e n te ceratinizadas e anuclea-
sendo que os dem ais 50% perm anecem das form a nd o lamelas m uito alongadas, de
na camada basal, co n stitu in d o a popula­ 0,5 a 0,8 m ícron de espessura e de 30 mí-
ção celular germ inativa da epide rm e (pool crons de c o m p rim e n to . As camadas va­
germ inativo). riam c o n fo rm e sua localização no corpo,
í 68 Capítulo III
* *■

sendo de 15 a 20 cam adas na região ab­ em brionário, os m elanócitos derivam das


dom inal para ce nte na s de cam adas nas c ris ta s n eurais que se d ife re n c ia m das
regiões palm ar e plantar. porções laterais da placa neural. Os mela-
A e p id e rm e te m a fu nçã o de barreira noblastos individualizam -se na parte dor­
pelo fa to de a camada córnea apresentar sal do tu b o neural e se deslocam lateral­
a propriedade de ser im perm eável às pro­ m ente. A s experiências de Rawles (1948)
teínas e ser m u ito pouco p erm e áve l às e M u n tz (1967) m ostraram que o sistem a
pequenas m oléculas, em bora esta im per- m elanocitário deriva de 34 m elanoblastos
m eabilidade não seja to ta l em relação à prim ordiais. Estes são, inicialm ente, cons­
água. Ao se retirar a camada córnea, au­ titu íd o s de pequenas células, redondas ou
m enta co nsideravelm ente a perda de água ovóides, que se tornam p rogressivam en­
trans-epidérm ica. A perda de C 0 2, por via te e s tre la d a s e fin a lm e n te d e n d rític a s
subcutânea, é a responsável pela neutra­ quando os m elanoblastos se diferenciam
lização dos alcalinos pela pele e pelo pH em m elanócitos. No ser hum ano, por vol­
ácido. 0 espe ssam en to da e pide rm e pro­ ta da 10- sem ana, ao nível cranial, os m e­
m ove a proteção contra agressões e xter­ lanócitos ainda im aturos penetram na epi­
nas (térm icas, radiação ultra-violeta, etc.); d e rm e e, d e p o is , e s ta b iliz a m -s e n e s te
além disso, a e piderm e possui proprieda­ local progressivam ente segundo eixo crâ-
des biom ecânicas, co m o a de d istensibili- nio-caudal. Os m elan ó citos da e pide rm e
dade, e o poder higro scó pico dado pela fo rm a m sistem a reticulado relativam ente
camada córnea (poder de hidratação). regular na junção derm o-epidérm ica e um
A renovação da epide rm e faz-se em to r­ dete rm ina do n úm ero dentre estas células
no de 30 a 45 dias. O te m p o de trân sito associa-se aos germ e s pilares que, pos­
de um ce ra tinó cito através da camada cór­ te rio rm e n te , individualizam -se no to p o das
nea é de 14 dias. A e pide rm e te m a capa­ papilas dérm icas.
cidade de se espessar quando subm etida Os m elan ó citos da e piderm e e do bul­
à radiação solar e, 24 horas após a exposi­ bo pilar tê m atividades relativa m en te in­
ção, o n úm ero de m itose s na camada ba­ d ep en de ntes e que respondem a fatores
sal aum enta co nside rave lm e nte atingindo a m bientais d iferen te s.
o pico no te rce iro dia. A hiperplasia, com Os m elan ó citos do olho tê m uma dupla
a um en to de todas as cam adas e p id é rm i­ origem . Os da retina provêm das células
cas, te m a finalidade de assegurar p ro te ­ e xterna s da cúpula óptica, e n q u a n to os
ção cutânea contra a radiação solar, o que m elan ó citos da coróide, da íris e do corpo
co m p le m en ta a ação do sistem a pigm en- ciliar provêm da crista neural co m o aque­
tar. Nos poros cutâneos para a excreção les do te g u m e n to . Os m elan ó citos retini-
pilo-sebácea, o Sol favorece a fo rm a ção anos são m o rfo ló g ic a e fu n c io n a lm e n te
de brotos ceratínicos e, portanto, de m icro- d ife re n te s dos o u tro s m e la n ó c ito s : fo r­
cistos acnéicos. m am uma cam ada e pitelial contínua no
e x te rio r da retina, retêm em seu citoplas-
S is t e m a M e l a im o c it á r io
ma o p ig m e n to fo rm a do e não sintetizam
m ais m elanina no adulto. Eles não se divi­
Os m elanócitos são células que se ori­ dem , enquanto os da íris e da coróide con­
ginam da crista neural e se localizam na servam a capacidade de m ultiplicação.
camada basal e na m atriz dos pêlos. Se­ A unidade de m elanização é constituída
gundo Pruniéras e col., 1994, desde os por um m elanócito circundado de 30 ce-
p rim e iro s e stá g io s do d e s e n v o lv im e n to ratinócitos, a proxim adam ente, e nela os
Unidade de Me/anização

Queratmódtos {30-3-4cé/u/as■ )
e os dendr/tos do me/anócito
B a s a is 'j
formando a unidade de
me/anuação

▲ Figura 3.3
ca do sistem a m elanocitário atinge o seu
Constituição da
unidade de
grau m áxim o de d ese nvo lvim en to .
melanizaçào. O n úm ero de m elanócitos varia de acor­
do com a raça, para um m e sm o local ana­
tô m ic o (Tabela 3.1), o b se rva n d o -se ser
d e n d rito s dos m e la n ó c ito s e n tra m em m aior em am eríndios e, em seguida, em
contato lateralm ente e para o alto com o m ongolóides e negróides.
am biente ceratinocitário (Figura 3.3). Nos Enquanto o n úm ero de m elanócitos por
pêlos, os m elanócitos estão concentrados m m 2 varia em p ro p o rç õ e s im p o rta n te s
no to po da papila e fo rn e ce m o p ig m e n to segu nd o a localização das am ostras (de
para os ceratinócitos que fo rm a m um ci­ acordo com Fitzparick & Szabo, 1959) ob­
lindro de luz virtual. 0 p ig m e n to d istribui- servando-se ser m aior na região da boche­
se na periferia dos cabelos no córtex. Nos cha e órgãos genitais (Tabela 3.2).
m am íferos, os m elanócitos estão concen­ 0 n úm ero de m elanócitos dim inui gra­
trados nos pêlos e os m elan ó citos epidér­ dua lm e nte após os 40 anos de idade, bem
micos interfoliculares estão ausentes. No co m o sua ativid ad e de síntese. Os pig­
ser hum ano, essa organização e p id é rm i­ m e n to s m elânicos podem ser classifica-

Tabela 3.1. Variações no núm ero de m elanócitos,


em um a m esm a região do corpo, segundo as raças

Raça N ° de Coxa N s de Antebraço


doadores doadores

Caucasiana 35 1.000 9 1.100

M ongolóide 3 1.290 3 2.650

Am eríndia 6 1.695 6 2.515

Negróide 7 1.415 7 1.955


Tabela 3.2. Variações de núm ero de m elanócitos
de acordo com regiões do corpo

Localização M elan ócitos Localização M elanócitos

Testa 2.000 Tronco 890

Bochecha 2.300 Órgãos genitais 2.400

Nariz 1.900 Coxas 1.000

Mucosa nasal 1.600 Pernas 1.500

Pescoço 1.400 Dorso do pé 1.420

Braço 1.200 Planta do pé 1.700

Antebraço 1.100

P o rce n ta g e m d as v a ria çõ e s pa ra m a is ou p a ra m e n o s é p ró x im a de 10.


I
dos e squ em atica m e n te em dois grupos. e enzim áticas são m oduladas por d ete r­
Alguns d ese nvo lve m cores escuras (ne­ m inados núm eros de fatores, dos quais
gro e pardo), enquanto o utros sâo respon­ os m ais bem conhecidos são as relações
sáveis por cores claras, que pode apresen­ m elan ó cito-ceratin ó citos e os fa to re s ge­
tar coloração am arelo-pálido ao ve rm e lh o n é tico s, h orm o na is e por p ro ce sso s de
brilhante. e n v e lh e c im e n to .
Eumelanina, feom elanina e tricocrom os, A relação m elan ó cito-ceratin ó citos é o
apesar de d ife re n te s pesos m oleculares que dete rm ina a cor do te g u m e n to e, ain­
e propriedades físicas gerais, estão liga­ da que o u tro s ca ra c te re s m o rfo ló g ic o s
dos do p onto de vista m etabólico, derivan­ co m o a fo rm a do nariz, dos lábios, dos
do da DOPA-quinona, que é o interm ediá- olhos dêem característica de um m o rfo ti-
rio-chave do sistem a. po m ais ou m enos específico, é a cor do
As tirosinases são enzim as que p erm i­ te g u m e n to que é m ais rapidam ente per­
te m a síntese de m elanina a partir da tiro- cebida.
sina. Há trê s tip o s de tirosinases e para a C on fo rm e o tip o de m elan o ssom o e de
sua atividade é indispensável a presença m elanina e o m od o de degradação nos
do íon cobre cuja atividade é inibida pelos ce ra tinó citos, d istin g u e m -se trê s grupos
grupam entos sulfidrila, quelação do cobre, p rin c ip a is : raça caucasiana, n e g ró id e e
extrato de pele albina (humana ou animal) céltica.
e inibidores de natureza protéica, extraí­ A p ig m e n taçã o da pele d ep en de ta m ­
dos da pele de cobaia, que inibem a m ela- bém de alguns horm ônios co m o o beta e
nogênese por com p etiçã o e, pelos ácidos a alfa M SH (horm ônio m elanócito e s tim u ­
decarboxílicos liberados por d ete rm ina do s lante), que apresenta seqüência de sete
cogum elos, que são igualm ente cito tó xi- am inoácidos se m elhantes ao ACTH e ao
cos para os m elanócitos. LH (horm ônio luteinizante).
A pigm entação do te g u m e n to e dos pê­ O M SH te m a propriedade de a um en­
los depende da natureza quím ica da m e­ ta r a pigm entação da pele do ser hum ano
lanina sintetizada, da atividade tirosinási- e da cobaia e te m , ta m b ém , o e fe ito de
ca dos m elanócitos e da transferência aos d ispersar os m elan o ssom os nos dendri-
ceratinócitos. Estas atividades bioquím icas to s de m elan ó citos de m am íferos. Em bo­
ra o a u m e n to da m e la n o g ê n e se pareça de m aneira a p ro teg e r o m aterial g en éti­
dever-se, p rin cip a lm e n te , à e stim u la çã o co dos núcleos do ce ratinócitos. M as com
das tirosinases, o M SH ta m b é m age pro­ as repetidas exposições, o m aterial gené­
m ovendo a inibição do cre scim e n to celu­ tico pode ser subtraído à ação m utagênica
lar, talvez pelos e fe ito s cito tó xico s que os dos UV, podendo ocorrer, ta m b ém , vaso-
m e ta b ó lito s da m elan o gê ne se exercem . dilatação com edem a no local da exposi­
A secreção do M SH está igu alm en te sub­ ção, o que, associado às lesões dos fibró-
m etida à ação dos h orm ônios corticossu- c ito s , pode d e s e n v o lv e r um quadro de
prarrenais (ACTH) que tê m ação inibidora elastose senil ou solar.
sobre ela. A lé m disso, o Sol em excesso não so­
Q uanto aos h orm ônios sexuais, os es- m en te dim inu i a im unidade da pele expos­
tró g e n o s tê m a característica de d im in u ir ta co m o ta m b é m age de m aneira s is tê m i­
o M SH circulante, e nquanto a progeste- ca, causando a d im inuição dos linfócitos
rona, que aum enta o M SH circulante, pa­ T. A ssim , pode-se e nte nd e r co m o os albi­
rece estar m ais relacionada com d e te rm i­ nos e os p o rtad o re s de outras doenças
nadas p o p u la çõ e s de m e la n ó c ito s que h ereditárias g e n e tic a m e n te d esprovidas
reagem d ire ta m e n te a eles ou são se nsi­ da proteção contra os raios ultravioleta po­
bilizadas à ação do M SH com o, por e xe m ­ dem sobreviver escondendo-se da radia­
plo, na genitália e algum as regiões da face. ção solar.
A castração da cobaia fê m e a induz à As células de Langerhans são células
redução da atividade m elanocitária; se fo r d e n d rítica s que se o rig in a m na m edula
feita a reposição horm onal, normaliza-se óssea e são distribuídas p o s te rio rm e n te
a pigm entação. A pesar de ainda não ha­ para a epide rm e e a derm e. São células
ver com provação científica, os horm ônios m u ito im p o rta n te s pela ca pa cid ad e de
tireoideanos podem in te rfe rir na p ig m e n ­ m obilização entre a derm e e a epiderm e.
tação da pele, haja vista a palidez associa­ Ela fu n c io n a m co m o co m u nica do ra s de
da a hip otire oidism o e determ inadas hiper- antígenos da superfície para as células lin-
p ig m e n ta çõ e s associadas ao h ip ertireo i- focitárias, im plicadas nas diversas doen­
dism o. ças cutâneas.
A principal função do sistem a m elanoci- As células de M erckel sào células loca­
tário é a proteção solar. A radiação ultravio­ lizadas na e p id e rm e e tê m a fu nçã o de
leta é um dos responsáveis pelo câncer de conduzir o e stím ulo da sensação de pres­
pele; um exem plo é o m elanom a, conside­ são e de tato. São células epiteliais m odi­
rado um dos mais te m id os cânceres no ser ficadas que fazem sinapses com e x tre m i­
hum ano por apresentar m etastatização rá­ dades de pequenas fibras nervosas m ieli-
pida e te r alta m ortalidade. Isso pode acon­ nizadas.
te cer pelo fato de que o Sol, agindo sobre A área de jun ção d e rm o e p id é rm ic a é
os m elanócitos durante longo tem po, pode constituída de quatro e le m entos: a m e m ­
induzir a profundas m odificações m etabó- brana plasm ática das células basais, a lâ­
licas e verdadeiras m utações, o que pode m ina lúcida, a lâmina basal e os e lem en­
ocasionar, tam bém , a m ultiplicação anárqui­ to s fib ro s o s da lâm ina sub-basal. Estas
ca, que é a m an ifesta çã o dos p rim eiro s células basais enviam num erosas digita­
estágios de câncer de pele. ções citoplasm áticas separadas por inva-
N os q u e ra tin ó c ito s , a e xp o s iç ã o aos ginações dérm icas que fazem dessa área
raios ultravioleta (UV) pode desencadear, juncional uma superfície de trocas m uito
a princípio, disposição dos m elanossom os extensa.
mm 72
+~m
Capítulo III

D erme fe ixe s ondulosos disp ostos paralelam en­


te à epiderm e. A derm e m édia apresenta
A d e rm e é re p re se n ta d a pelo te c id o fibras m ais densas que a derm e profunda.
conjuntivo - substância fundam ental amor- Na h ip od erm e observam -se os se pto s
fa, tram a fibrilar de colágeno (75% ) e elas- conjuntivos, que são as traves de retina-
tina (4%), reticulina por células com o cula cutis que asseguram a junção e ntre a
fibroblastos, h istió cito s e m a stó citos, pe­ d erm e e as fáscias subjacentes.
las redes vasculares sangüínea e linfática As células da derm e derivam , e m brio-
e por te rm in a çõ e s nervosas a feren te s e lo g ica m e n te , do m esê nq uim a. O te c id o
e feren te s que estão im ersas em gel amor- c o njun tivo é o que dá o tô n u s e a co nsis­
fo, a substância fu nd am e nta l, onde estão tência da pele. A d e rm e é de m uita im p or­
as glicoproteínas e stru tu ra is e p roteogli- tância na área da estética, pois as fo rm a s
canos. de e n v e lh e c im e n to cutâneo, estrias, es-
A derm e co n té m de 20 a 4 0% da água c le ro s e s , c ic a triz e s são m a n ife s ta ç õ e s
total do corpo. As fibras de colágeno dis­ d e co rren te s de d istúrbios da derm e.
tribu em -se e se organizam de m odo d ife ­
rente nas regiões da derm e. A d erm e pa- H ip o d e r m e
p ila r é c o n s titu íd a de fib ra s fin a s de
colágeno orientadas no se ntid o da m e m ­ A hip od erm e é constituída pelo te cido
brana basal. As fibras elásticas estão dis­ g orduroso subcutâneo, onde podem exis­
postas v e rtic a lm e n te nas papilas d érm i- tir dois tip o s d istin to s de te cid o adiposo
cas. A d e rm e re ticu la r c o n té m rede de (Figura 3.4):

Anatom ia do tecido adiposo


Plexo
Supredérml Epiderm e e derme A Figura 3.4
Anatomia
do tecido
Plexo adiposo.
subdérm ico { ' 1- ^
H ipoderm e

V _ s,___ _y
i

F á s c ia superficial

Artério_

/ y
P e ifu ia n te

X x T ec id o subcutâneo
C am ada gordurosa profunda

Plexo supra ap o n eu ró tico _

A po neu ro se muscular

~
pr7~7~7
A rtéria m úsculo cutânea
- Uma camada superficial e ntre a pele positiva até ce rto p onto enquanto e s tim u ­
e a fáscia superficial localizada na quase lam o A M P c . Os e le m e n to s m agnésio,
totalidade da superfície corporal e que está cobalto, m anganês, zinco e silício interfe ­
verticalm ente estruturada e é de fácil eli­ rem p ositivam e nte na lipólise, enquanto a
minação; e fo s fo d ie s te ra s e in te rfe re neg ativa m e nte
- Uma camada m ais profunda situada na lipólise.
entre a fáscia superficial e a aponeurose O te cid o adiposo norm al é constituído
m uscular e que está dividida em camadas por malha vascularizada por e s tre ito s va­
laminares horizontais; ela está restrita a sos arteriais. As veias pós-capilares são
algumas localizações, representa a gordu­ dilatadas, num erosas e perm eáveis, não
ra de reserva e é de difícil m obilização, e xistin do anastom ose arteriovenosa, en­
constituindo as e steatom as. A m aior par­ quanto a regularização do sistem a m icro-
te das estea to m a s está localizada na re­ circulatório é assegurada pelos dispositi­
gião pélvica, coxas, joelhos, região do del- vos endoateriolares.
tóide e braços.
No te cido gorduroso, os adipócitos pos­ V a s c u l a r iz a ç ã o d a P e le
suem re c e p to re s a d re n é rg ic o s e b eta
adrenérgicos, os quais e stim u la m a fo rm a ­ As artérias subcutâneas percorrem os
ção de A M P c (favorecendo, p orta n to , a d e s d o b ra m e n to s da fáscia s u pe rficia l e
lipólise), e ta m b é m o rece pto r alfa 2 adre- enviam colaterais vasculares que atingem
nérgico, que é o antagonista do rece pto r a derm e, re-escalando pelos septos inter-
beta e é a n tilip o lítico . Os a d ip ó cito s do lobares da hipoderm e. Na junção derm o-
"c u lo tte de ch e va l", por e xem plo, apre­ hipodérm ica fo rm a um plexo anastom óti-
sentam m ais receptores alfa 2 adrenérgi­ co irregular, do qual saem as colaterais
cos. Os a dipó citos das e s te a to m a s são te rm ina is para as glândulas sudoríparas e
quatro vezes m ais ávidos pela glicose, por pêlos; aí originam artérias que se dirigem
isso incorporam m ais vo lu m e e peso e daí p erpe nd icula rm en te à derm e superficial,
engordam mais fa cilm en te . D urante o pro­ fo rm a n d o as grandes arcadas de onde se
cesso de e m a g re cim e n to , é necessário observa o plexo arterial subpapilar.
perder 6kg do peso corpóreo para d im i­ D esse segundo plexo arterial destacam -
nuir 1 kg desta gordura do "c u lo tte de che- se arteríolas pré-capilares, que tê m um
val" (esteatom as). tra je to ascendente em direção às papilas
Os adipócitos participam na síntese de dérm icas. Surgem as vênulas pós-capila­
lipídios ou lipogênese, no arm azenam en­ res c o n flu in d o to d a s ao p rim e iro plexo
to de gordura em fo rm a de triglicéride e venoso subcapilar, anastom osado vertical­
na liberação de lipídios em fo rm a de áci­ m en te com o segundo plexo venoso, que
dos graxos livres ou lipólise. A lipólise de­ d re n a m p o s te rio rm e n te para os plexos
pende das m ensagens oriundas dos sis­ d é rm ic o s p ro fu n d o s. A e p id e rm e não é
tem as nervoso central e endócrino. Existe vascularizada, sendo nutrida pelo m eca­
relação direta e ntre a circulação e ativida­ nism o de transdução feita pelos vasos ar­
de m etabólica dos adipócitos. teriais da papila dérm ica.
O te cido adiposo so fre influência de fa­
tores nervosos, vasculares e endócrinos. S is t e m a L in f á t ic o da P e le
Assim, as catecolam inas, o ACTH, o PTH,
o GH, o glucagon e os horm ô nio s tireo i- Os vasos linfáticos são os responsáveis
deanos in terfere m na lipólise de m aneira pelo reto rno dos tecidos, com o o corpo
album ínico, e o acúm ulo de líquidos não co nscien te está sujeito à redução n um é­
reabsorvíveis pelo sistem a capilar. Os va­ rica, que pode ser m odulada qualitativa e
sos linfáticos te rm ina is são e stru tu ra do s q u a n tita tiv a m e n te .
d ife re n te m e n te dos capilares sangüíneos,
c o nstitu ind o tu b o s endoteliais com pare­ G lândulas S u d o r íp a r a s , U n id a d e
des delgadas e com luz ampla. A s células P il o - S ebácea e U nhas
e nd ote lia is dos lin fá tico s so b re p õ e m -se
bastante, p erm itindo m ovim entar-se umas As glândulas sudoríparas e as apócrinas,
sobre as outras. os duetos e a unidade pilo-sebácea repre­
Este m eca nism o de d eslizam ento ain­ sentam os anexos da pele. São conside­
da é fa cilita do por um n úm ero pequeno rados "re s e rv a " da e pid e rm e , um a vez
de e stru tu ra s de ligação inter-endotelial, que, quando existe lesão cutânea, a repa­
podendo levar não apenas ao alargam en­ ração tecidual inicia-se pela m igração dos
to da sua luz com o, ta m b ém , à ampla aber­ q u e ra tin ó c ito s dos anexos da pele. Por
tura das próprias fendas inter-endoteliais. esta razão, a face e o couro cabeludo, onde
Dos capilares linfáticos, o líquido é trans­ são o b se rva d a s e m grande n ú m e ro as
portado para a grande circulação linfática unidades pilo-sebáceas, a reeptelização
que a prese nta co n tra çõ e s rítm ica s que pós-lesional é m u ito m ais rápida.
surgem e spo ntaneam ente vis a tergo para A ectod erm a ju n ta m e n te com a epider­
im pelir a linfa para o se g m e n to de abertu­ m e dão origem às glândulas sudoríparas,
ra seguinte, até que chegue aos grandes g lâ n d u la s s e b á c e a s , p ê lo s , c a b e lo s e
tron cos linfáticos. unhas.
O sistem a linfático consiste de um sis­ As glândulas sudoríparas distribu e m -se
tem a vascular, linfonodos e órgãos linfói- na camada profunda do cório, no lim ite do
des. Q uando o líquido in te rsticia l passa s u b e u tâ n e o , por to d a a pele do co rp o,
para den tro dos capilares linfáticos rece­ s e n d o m ais n um e ro sa s nas s u p e rfíc ie s
be o nom e de linfa. A linfa apresenta co m ­ palm o-plantares. Embora as glândulas su­
posição sem e lh a nte à do sangue, d iferin ­ doríparas sejam inervadas pelo nervo s im ­
do d e s te p o r não a p re s e n ta r c é lu la s pático, não se encontra, co m o de hábito,
sangüíneas. a noradrenalina co m o substância m edia­
dora, mas, sim , a acetilcolina.
N ervos C utâneos
O corpo hum ano perde 580 calorias por
litro de su or evaporado; isso faz, co m o
A pele te m relação b a sta n te e s tre ita e fe ito s u bse qü en te da sudorese, com que
com o sistem a nervoso central por co n te r seja m antida a m odificação do pH para o
n um erosos receptores para sensações de ácido. O suor te m participação ativa e in­
dor, pressão e tem peratura, com o ta m b ém tensa no re v e s tim e n to ácido de proteção
por possuir te rm in a çõ e s nervosas vege- da pele. A lé m disso, a te rm o rreg ula ção é
tativas das glândulas, m úsculos dos folí- a principal fu nçã o da glândula sudorípara.
culos pilosos e vasos sangüíneos. A s g lâ n d u la s a pó crin as loca liza m -se ,
Apenas uma parte das inform ações re­ p re fere ncialm en te , nas axilas, aréola ma­
cebidas por nossos órgãos dos sentidos m ária, região anogenital, co n d u to a u d iti­
(receptores sensoriais da pele) pode ser vo e xterno e pálpebras. No ser hum ano,
tra n sm itid a para o cérebro de cada vez. parece não te re m uma função d ete rm ina ­
Isto é, o fluxo m áxim o de inform ações dos da, m as em alguns anim ais são responsá­
rece pto res de superfície até a utilização veis pela term orregulação, em o u tro s tê m
fu nçã o de proteção e em o utros, ainda, e contam inação bacteriana. As glândulas
tê m fu nçã o sexual. sebáceas m an têm a camada córnea ma­
As glândulas sebáceas e os pêlos fo r­ cia e flexível (Figura 3.5).
m am a unidade pilo-sebácea e apresen­ Os pêlos, de acordo com a espessura e
tam e ntre si um relacionam ento inversa­ p igm entação, podem ser divididos em la-
m en te proporcional. A ssim , por exem plo, nugens, vêlus e pêlos term inais. As lanu-
pêlos fin o s são acom panhados de glându­ gens d esa pa re cem um pouco antes do
las volum osas; é o que acontece na face nascim ento, ainda na vida intra-uterina. O
e no dorso do nariz. bebê já nasce com poucos pêlos do tipo
As glândulas sebáceas estão distribu í­ lanugem , que im e dia ta m e nte após o nas­
das por toda parte do corpo, e xceto nas c im e n to são troca do s por pêlos do tipo
palmas das m ãos e na região plantar dos vêlus. Os dois pêlos, os vêlus e as lanu-
pés; excre tam o sebo, que é c o m p o sto gens, são fin o s e quase sem pigm entos.
de triglicerídeos, cera, esqualeno e coles- Os pêlos te rm ina is são pêlos grossos lo­
terol. S ofrem influência horm onal, princi­ calizados em regiões co m o a cabeça e, no
palm ente, dos andrógenos, quando a se­ adulto, nas axilas, genitais e região da bar­
creção de sebo fica aum entada. R evestem ba e do bigode.
a superfície da pele e dos pêlos, d im in u ­ Os cabelos hum anos tê m crescim ento
em a perm eabilidade para a água e aum en­ cíclico, porém cada folículo piloso funciona
tam a resistência contra os ácidos, bases independentem ente; por isso, não se ob­
serva o sincronism o de crescim ento com o a quatro m eses após a gestação, existe
nos pêlos de animais. Os pêlos passam por um período de queda denom inado e flúvio
uma fase de crescim ento denom inada fase te ló g e n o .
anágena, uma fase catágena, em que se A unha nasce de uma invaginação da
observa uma fase de transição, e uma fase e p id e rm e que aparece na nona sem ana
telógena, em que os pêlos caem quando em brionária estando to ta lm e n te form ada
um novo pêlo na fase anágena desponta na vigésim a sem ana de vida intra-uterina.
antes m esm o da queda. É considerada um apêndice queratinizado
A p roxim a d am en te 85 a 9 0% dos cabe­ especializado. O seu cre scim e n to depen­
los estão na fa se anágena, que d im inu i de do fo rn e c im e n to de sangue à camada
com a idade. O seu cre scim e n to so fre in­ germ inativa. A unha fo rm a um anteparo
fluências endógenas e exógenas. A ges­ aos to q u e s e p ressões e age co m o um
tação é considerada um estado em que órgão de ta to . A c o r e a e s tru tu ra das
e xiste um a u m e n to da fa se anágena e, unhas podem fo rn e c e r im p orta ntes sinais
portanto, de crescim en to capilar; após três clínicos.
Capítulo IV

Pele Energética
P ele como E fetor H o m e o s t á t ic o d o O r g a n is m o

Segundo D um itrescu, 1996, a transferência de água


através da pele garante a m anutenção de dois equilí-
brios e nergéticos: a h om eostase té rm ica e a elétrica.
Esse fu n cio n a m e n to depende dos centros de te rm o r­
regulação (transpiração term ogênica) e dos centros de
co ntrole e le tro d é rm ico (transpiração psicogênica).
As glândulas sudoríparas co n s titu e m um e fe to r de
grande im portância na realização da hom eostase ener­
gética. As glândulas sudoríparas m istas respondem às
excitações té rm ica s e psíquicas, com reações regio­
nais d ife re n te s para cada variedade de estím ulo. As
g lâ nd ula s p a lm o -p la n ta re s re s p o n d e m ao e s tím u lo
psíquico, das quais as axilares respondem m ais aos
e stím u lo s té rm ic o s . C om e s tím u lo s intensos, estas
glândulas podem ser descarregadas sine rg icam en te
e sua descarga se faz pelo m eca nism o colinérgico por
m eio das fibras sim páticas pós-ganglionares. A sudo-
rese é bloqueada pela denervação. A adrenalina pro­
voca sudorese m oderada, fa to que é explicado pela
contração do aparelho m ioepitelial.
Os processos ativos na secreção de e le tró lito s pe­
las glândulas sudoríparas ocorrem d istalm e n te no in­
te rio r do tu b o glandular; a quantidade de e le tró lito s
expulsos pela transpiração, em função das necessida­
des do organism o, é dessa m aneira regularizada di­
nam ica m en te.
Uma série de gradientes de potencial é produzida
pela secreção glandular e fin a lm e n te vai gerar força
e le tro m o to ra , m an ifesta n do -se co m o te nsõ es e lé tri­
cas basais da pele, com m ecanism os de secreção e
de reabsorção tu bu lar e p ro m ovendo d ife re n te s con­
centrações de e le tró lito s no suor. A estas se acres­
centam as te n sõ e s elétricas geradas pela brusca ex­
pulsão do co nte úd o glandular, sob a form a de reflexo
Dra. Maria Assunta Y. Nakano e le tro d é rm ico .
78 Capítulo IV

Com o conseqüência do a um en to da ati­ creção do suor e aum entando a secreção


vidade psíquica e m etabóiica em m o m e n ­ sebácea.
to s de s o lic ita ç ã o (e s tre s s e , a tiv id a d e Existem ainda os m ecanism os nervosos
muscular, estados patológicos), produzem - p eriféricos e centrais que in te rfe re m nes­
se descargas de te nsõ es elétricas e a pele ta tro c a e n e rg é tic a , ao in te rfe rire m no
torna-se, por um cu rto período de te m p o, m ecanism o term o -reg ula do r e do suor.
uma antena de recepção e de em issão das Nas fo rm a s prim itivas de seres vivos, a
inform ações e letrom agnéticas. A s trocas pele assum e a m aior parte das fu n çõ e s
gasosas realizadas pela respiração p ulm o ­ biológicas, co m o respiração, alim entação,
nar podem ta m b é m ser relacionadas com excreção; m as durante o d ese nvo lvim en ­
as trocas elétricas transcutâneas. to e a evolução das espécies, essas fu n ­
As catecolam inas p ro m o vem sudorese ções fo ra m assum idas pela diferenciação
fria, uma vez que o processo de sudorese de órgãos que se tornaram especializados.
se dá pela contração das fibras m uscula­ Dessa m aneira pode-se im a g in a r por
res das arteríolas, o que determ ina a d im i­ que por m eio da pele se p od em a ting ir
nuição do flu xo sangüíneo em direção à to d o s os órgãos, pois é co m o se os ór­
d erm e com d im in u içã o da tra n sfe rê n cia gãos se interiorizassem para que a pele
térm ica e elétrica. São contrárias as sudo- pudesse exercer papel m ais im p orta nte na
reses colinérgicas, que não poupam Ener­ relação estab ele cid a com o a m b ie n te e
gia co m o a sudorese adrenérgica. com os o utros seres. É co m o se a c o m ­
A histam ina exerce ação do tip o acetil- plexidade do relacionam ento exigisse esse
colínica prolongada ao nível do aparelho a p e rfe içoa m e n to externo. "M u ita s coisas
secretor, das m em bran a s e lé trica s e da quero esconder, pois são som ente m i­
circulação arteriolocapilar. nhas, e m uitas coisas eu preciso m ostrar
O h o rm ô n io a n tid iu ré tic o participa da para serem aceitas pelo m e io ". Talvez aqui
hom eostasia hídrica dim inu ind o a elim ina­ apareça a Alm a Corpórea (Po) que separa
ção de água pelo a u m e n to de sua reab- aquilo que é m eu, e o inconsciente c o le ti­
sorção tu bu lar e pela redução da se cre ­ vo, a Alm a Etérea ( Hun ), que nos perm ite
ção ativa. A excitação da pele pela picada com u nica r com o m eio externo.
descarrega quantidade bastante im p orta n ­
te de catecolam inas circulantes, e, ta m ­ P ele e s u a s alteraçõ es s o b o p o n t o de
bém , de horm ônio a ntidiurético. v is t a d a M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a
O horm ônio tireo id e an o possui um pa­ E RELAÇÃO COM A M E D IC IN A OCIDENTAL
pel im p orta nte na econom ia energética do
o rg a n ism o , in flu e n c ia n d o a e m b e b iç ã o As concepções da M edicina Tradicional
dérm ica, o n úm ero e a freqüência de mi- Chinesa consideram o m undo co m o um
to ses na camada basal, a quantidade e a to d o e que esse to d o é o resu lta d o da
qualidade do suor. unidade co m p le m en tar dos dois princípios,
Os horm ônios corticossuprarrenais par­ o Yin e o Yang. Para os antigos chineses,
ticipa m da h om eostasia energética pelo o p en sam en to predom inante é: " Onde há
controle sobre os ele trólito s, sob a ação o Yin, há o Yang, que se chama D ao ", quer
da aldosterona. dizer o Céu e a Terra. Não pode haver o
Os horm ônios sexuais, co m o os horm ô ­ Yin sem o Yang, nem o Yang sem o Yin.
nios hipofisários, intervém nas trocas ener­ No Su Wen (capítulo 5) está escrito: "O
géticas cutâneas por m eio da ação trófica Yang puro é o Céu, o Yin turvo é a Terra. /A
direta sobre as glândulas, d eprim indo a se­ Energia da Terra sobe como as nuvens, a
Energia do Céu desce com o a c h u v a ". que representa o M etal e cuja função ener­
Então, o Yang e o Yin são o po stos com - gética é de fazer descer, purificar e fazer
ple m e n tares que estão em co nsta nte m o ­ vo ltar a si. A epide rm e te m relação com o
v im e n to , um se tran sfo rm an d o em o utro M etal, pois se se considerar que a pele
infin itas vezes. pode so fre r agressões inúm eras vezes, ao
As alterações da pele podem ser classi­ entrar em co n ta to com o m eio am biente
ficadas segundo a teoria do Yang e do Yin, e se não houvesse m ecanism o de feed-
sendo que as alterações m ais agudas apre­ back para te rm in a r uma reação desenca­
se nta m características m ais Yang e aque­ deada, não haveria a existência. A função
las m ais crônicas, características m ais Yin. de vo lta r a si e de purificar te m relação
Poder-se-ia dizer que as lesõ es de tip o com a pele.
acne, fre q ü e n te s em jovens a dolescentes A pele, tam bém , relaciona-se d iretam en­
e nas regiões altas do corpo, co m o cabe­ te com o PI (Baço/Pâncreas), que é a Ter­
ça e face, de a parecim ento abrupto, com ra, pois o Pi (Baço/Pâncreas) e o Fei (Pul­
d esaparecim ento e recidivas, tê m carac­ mão) fo rm a m o Canal U nitário Tai Yin que
terísticas m ais Yang, ao passo que as al­ te m a função de n utrir e su sten ta r o seu
terações do tip o ce lu lite apresentam ca­ filho, o M etal. C om o foi observado na ana­
racterística m ais Yin. to m ia e na fisiologia da pele, a derm e tem
Em bora a celu lite possa, a princípio, te r a função de su sten ta r e n utrir a epiderm e
característica Yang, com estagnação de por transudação, pois a e pide rm e não é
Energia e com o passar dos anos, a m es­ vascularizada. Então, estabelece-se uma
ma pessoa pode ir m od ifica n d o a m ani­ relação M ãe-Filho, Terra-M etal. Em briolo-
festação da celulite para uma form a m ais g ic a m e n te , a e p id e rm e e a d e rm e tê m
Yin pela deficiência do Yang, e ela torna- orig e n s d is tin ta s . A e p id e rm e deriva do
se m ais flácida. Por isso a classificação das e c to d e rm a e a d e rm e e h ip od erm e, do
alterações da pele de acordo com a teoria m esoderm a. A epiderm e relaciona-se com
do Yang e do Yin vai dep en de r do ponto o M etal, relacionado com o Fei (Pulmão),
de vista da evolução, podendo, então, te r e a derm e, com a Terra (Pi - Baço/Pân­
infinitas graduações. creas).
Ainda as concepções da M edicina Tra­ A e p id e rm e relaciona-se a Energia de
dicional Chinesa consideram que o Univer­ D efesa (W ei QI) e com o Jin (Líquido Or­
so é fo rm a do pelo m o vim e n to e a trans­ gânico). A derm e, por seu lado, relaciona-
fo rm a ção dos cinco princípios represen­ se com os trê s aspectos energéticos, o
tados por: M adeira, Fogo, Terra, M eta l e Qi, o Jin e o Xue (Sangue). Isso não signi­
Água. Segundo os registros no Shang Shu fica que a e piderm e não sofra influências
Da Chuan, escritos m ais de m il anos an­ das alterações do Xue (Sangue), pois na
tes da era cristã, consta: "A Água e o Fogo M edicina Tradicional Chinesa, tu do no cor­
são o povo que bebe e come. O M etal e a po hum ano está interligado, inclusive com
Madeira são os que produzem. A Terra é o m eio am biente. É apenas uma maneira
o que gera os dez m il seres, o que é útil de e n te n d e r alguns aspectos relacionados
ao h o m e m ". Esses Cinco M o vim e n to s es­ com o M etal (Fei) ou com a Terra (Pi) nas
tão em co nsta nte equilíbrio por m eio da alterações da pele.
lei dos princípios de geração e de d o m i­ S egundo a teoria dos Zang Fu (Órgãos
nância. e Vísceras), o Fei (Pulmão) dirige a Ener­
A pele e suas alterações estão energe- gia da respiração e a Energia de todo o
tica m e n te relacionadas ao Fei (Pulmão), organism o, expirando a Energia Im puro e
inspirando a Energia Puro C eleste. No Su fo rn e c e a E n ergia ao Pangguang para
Wen (Capítulo 5), está dito: "A emanação tra n sfo rm a r os flu id os; nesse processo de
do Céu comunica-se com o Fei (Pulmão)". transform ação, uma parte límpida dos flu i­
0 Fei (Pulmão) rege a "d ifu s ã o " e se ma­ dos ascende su p e rficia lm e n te ao longo do
nifesta e xterna m en te na epiderm e. 0 Fei M eridiano do Pangguang (Bexiga) de fo r­
Qi (Energia do Pulmão) acelera a d istrib u i­ ma a interagir com o Wei Qi (Energia De­
ção do Xue Qi (Energia do Sangue) e do fensiva). É a m aneira indireta pela qual o
Jin Ye (Líquidos O rgânicos) no organism o. Shen-Yang (Rim -Yang) desem penha a fu n ­
No Ling Shu (Capítulo 33) está d e scrito ção de raiz do Wei Qi. A lém disso, o M e ri­
assim esta função: "A quilo que, saindo do diano do Pangguang (Bexiga) e o do Du
corpo, umedece os pêlos, com o o orva­ M ai (Vaso-Governador), que d ifu n d e m o
lho do nevoeiro, chama-se Qi (Energia)". Wei Qi por toda região dorsal (área Yang
A e p id e rm e é a qu ecida pelo W ei Qi M aior), e s tã o c o n e c ta d o s c o m o Shen
(Energia de Defesa), alim entada pelo Ji, e (Rins).
é o anteparo p ro te to r contra os agentes As fu nçõ es energéticas do Shen (Rins)
patogênicos externos; é o que determ ina e do Fei (Pulmão):
o Su Wen (Capítulo 38): "A epiderm e está
associada ao Fei (Pulmão), é a primeira a Shen (Rins) Fei (Pulm ão)
sofrer do X ie (Energia Perversa)". Um X/e Rege a Água Fonte superior da Água
de origem externa poderá então agredir o
G overna a recepção Governa a respiração
Fei (Pulmão) passando pela epiderm e, e fe ­
da respiração
tuando a síndrom e: " O Fei Qi (Energia do
Pulmão) não se difunde" (Fei Qi Bu Xuarí). Raiz da respiração Soberano da respiração
Inversam ente, se o Fei (Pulmão) e stive r
enfraquecido, não poderá d istrib u ir o Wei Se a atividade funcional do Fei (Pulmão)
Qi e os líquidos Jin Ye até a e pide rm e , ou do Shen fo r insuficiente, haverá obstá­
ocasionando, então, insuficiência de pro­ culo na Via das Águas e nas trocas m eta-
teção face aos X/e Qi (Energias Perversas). bólicas, nas quais o Gan (Fígado) auxilia a
0 Wei Qi (Energia de Defesa) p rotege a subida e o Fei (Pulmão), a descida. A es­
superfície do corpo hum ano contra agres­ tagnação do Gan Qi (Energia do Fígado)
sõ es e xte rn a s, c o n tro la a a be rtu ra das gera Fogo, que pode agredir o Fei (Pul­
glândulas sudoríparas, regulariza a te m p e ­ mão) e d im in u ir os fluidos, levando à Se­
ratura do corpo, aquece os órgãos inter­ cura. Por o u tro lado, se o Fei (Pulm ão)
nos, dá brilho à pele e lustro aos pêlos. perder a função de purificação, o Gan Qi
É descrito na literatura um sistem a m ui­ (Energia do Fígado) não consegue realizar
to interessante de defesa denom inado sis­ a drenagem pela perda da fu nçã o de livre
tem a de defesa Shen-Fei (Rins-Pulmão): 0 flu x o de Qi.
Fei (Pulmão) difunde o Wei Qi (Energia de Na presença de d eficiên cia do Fei Qi
Defesa) para a pele e os m úsculos, e o Shen (Energia do Pulmão) pode ocorrer a estag­
(Rins) é a raiz do Wei Qi, que é de natureza nação de Um idade no Zhongjiao (Aquece­
Yangi, aquecendo a pele e os m úsculos. O dor M édio) com deficiência do Pi Qi (Ener­
Shen-Yang /Rim -Yang) é a fo n te de todas gia do Baço/Pâncreas) e com isso piora a
as Energias Yang do corpo, portanto, a raiz função de difusão e de descida do Fei (Pul­
do Wei Qi (Energia de Defesa). mão). Estando o Fei Qi /Energia do Pulmão)
0 Shen (Rins) está acoplado ao Pang­ insuficiente, o Xue (Sangue) torna-se retar­
guang (Bexiga) e o Shen-Yang (Rim -Yang) dado, podendo levar à estagnação de Xue
(Sangue). Se o Xin Qi (Energia do Coração) s is te m a n ervoso central, em especial o
fo r insuficiente, o Xue (Sangue) circula mal sistem a lím bico (em oções) e os m elanó­
e a função de difusão fica afetada. Portan­ citos. Estes podem ser relacionados com
to, há uma estreita ligação entre os Zang os pontos Shu do dorso e, principalm en­
Fu (Órgãos e Vísceras) envolvidos. te, com os Jing situados no tra je to lateral
0 Pi (Baço/Pâncreas) está d iretam en te do M eridiano do Pangguang (Bexiga), no
relacionado com as alterações estética da dorso.
pele, pois ele rege a derm e, a nutrição e a Os pontos Shu do dorso são os pontos
sustentação. Quando esta sustentação se de a sse n tim e n to dos Zang Fu (Órgãos e
torna ine ficien te pela deficiência do Pi Qi Vísceras), nos quais se m anifesta o Jing
(Energia do Baço/Pâncreas) pode ocorrer Shen (Q uintessência dos Rins). De m odo
a flacidez da pele, enquanto a celulite pode que as alterações inatas ou adquiridas dos
ocorrer quando a Via das Águas não flui Zang Fu (Órgãos e Vísceras), pela via do
a dequadam ente. Jing Shen, podem -se m anifestar nos pon­
Em relação às rugas da face, estas apa­ to s Shu do dorso e nos pontos Jing, po­
recem com a idade e o dano actínico (so­ dendo, aí, prom over alterações de pigm en­
lar), acentuando-se as linhas de e xp re s­ tação da pele. Daí, fre q ü e n te m e n te , ob­
são. Os raios solares danificam ta n to a epi­ servarem -se m anchas brancas no trajeto
derm e quanto a derm e, onde ocorrem alte­ do Canal do Pangguang (Bexiga), princi­
rações de fibras do colágeno e, com isso, palm ente na região lombar, sem elhantes
perda da elasticidade. Os danos da pele à pitiríase versicolor, sem haver, no entan­
causados pela idade estão na d ep endên­ to, relação com fungos, m as sim com al­
cia do Shen Qi (Energia dos Rins), enquan­ terações de nutrição, hidratação e pigm en­
to as alterações (desgaste) da derm e, na tação da pele. Em alguns casos, relacio­
dependência do Pi (Baço/Pâncreas), as da nam -se as m anchas esbranquiçadas com
epiderm e, na do Fei (Pulmão), o tô n u s da as alterações discretas dos horm ônios da
m usculatura da face, na do Gan (Fígado), suprarrenal ou com doença ovariana poli-
e as expressões faciais (m anifestação do cística ou outras doenças ginecológicas;
Shen-M ente), na do Xin (Coração). nestes casos, a m ancha pode acom eter,
Em relação às m anchas de pele, é im ­ ta m b é m , a região pélvica, p róxim o ao pon­
portan te lem brar a o rig e m e m b rio ló gica to VC-4 ( Guanyuan). Quando se apresen­
dos m e la n ó c ito s que p ro v ê m da crista tam queixas gástricas, é fre q ü e n te obser­
neural, a partir de 34 m elan o blastos pri­ varem -se m anchas no abdom e, próxim o
m ordiais; portanto, existe relação e ntre o ao VC-12 (Zhongwan).
W É S:
Capítulo V

Pele Emocional
No ser hum ano, os c o n flito s em ocionais co nstitu em
os principais fa to re s de a doecim ento. A derm atologia
e o co nce ito recente de m edicina integrativa tê m sido
d escritos por Azam buja (2000), que considera a pele
co m o órgão que se relaciona com o m eio externo e o
interno , fo rm a n d o fro n te ira e n tre o próprio e o não
próprio, expressando as reações dos níveis não físi­
cos do ser e ligando-se aos grandes siste m a s de re­
gularização do corpo e da m ente.
As e stre itas ligações e x iste n te s com o sistem a ner­
voso central to rn am a pele a ltam en te sensível às e m o ­
ções c o m o m a n ife sta çã o e x te rio r destas. Ela pode
estar em c o n ta to m ais e s tre ito com necessidades,
desejos e m edos m ais profundos do que a m ente cons­
ciente, e to d o s os problem as da pele, ind ependente­
m e n te da causa, tê m im pacto em ocional, co m o afir­
ma Grossbart, psicólogo de Boston, especialista em
psicoderm atologia, tal qual o co nce ito de Alm a Corpó­
rea (Po), descrita na M edicina Tradicional Chinesa. Pela
e xistê n cia de co m u n ica çã o b id ire cion al do siste m a
nervoso central com o sistem a im unitário, e sendo a
pele órgão de im unovigilância avançada, ela participa,
ta m b é m , d este diálogo perm a ne nte e, m odulada pe­
los influ xos nervosos vindos de pensam entos, envia
ao cérebro as inform ações correspondentes.
A pele é inervada por te rm ina çõe s originadas do sis­
tem a sensorial e do sistem a nervoso autônom o. Os
nervos som á ticos m ielinizados provêm de células ner­
vosas ganglionares e se d istrib u e m no te cido subcu-
tâneo, onde fo rm a m um plexo na derm e profunda. Daí
d ivid em -se em fe ix e s e c o n s titu e m o utro plexo, na
junção da derm e m édia com a derm e papilar, de onde
e m e rg e m te rm in a çõ e s nervosas livres, term ina çõe s
dilatadas e receptores corpusculares ligados aos estí­
m ulos de pressão ou de tração. A inervação autonô-
mica, a m aioria não m ielinizada, atende a vasos san­
güíneos, m úscu lo s ere tore s dos pêlos, glândulas su-
Dra. Maria Assunta y. Nakano doríparas e sebáceas, m elanócitos e m astócitos.
W f
84 Capítulo V

As fibras do sistem a nervoso estão inti­ relação de nervos, células cutâneas e cé­
m am ente relacionadas com as células cutâ­ lulas im unitárias e secreção de neurotrans-
neas, estabelecendo assim conexão neu- m issores, neuropeptídeos e neuro-horm ô-
roim unológica na pele. Essa com unicação nios e cito cin a s, indica que e x is te uma
se realiza em bases químicas, por m eio da rede neuro-im uno-endócrino-cutânea, por­
liberação de neuropeptídeos e de neuro- ta n to do eixo psico-neuro-im uno-endócri-
h orm ônios ta n to da parte cutânea co m o no-cutâneo em que se processa a ligação
nas term inações nervosas. Todas as célu­ entre a m en te e a pele; isso pode estab e ­
las cutâneas produzem seus m ediadores lecer co m o um estado que cause e stre s­
químicos, com o citocinas, classificadas em se pode desencadear alterações na pele
interleucinas, interferons, citotoxinas, fa to ­ e co m o alterações da pele podem gerar
res e stim uladores de colônia, fa to re s de e m o çõe s ou p ensam entos bons ou ruins.
crescim ento, fatores supressores e inibi­ Cada pessoa, ao expressar na pele o seu
dores; desse m odo, a pele produz e rece­ estad o interior, vive condição exclusiva,
be inúm eras substâncias m ensageiras que dep en de nte de sua possibilidade e de sua
tran sm item as m ais diversas inform ações habilidade de lidar com fa to re s de tensão.
dos nervos para as células e destas para A percepção da realidade, por m eio do fil­
aqueles. Após sua liberação nas te rm ina ­ tro de crenças, torna-a c o m p e te n te ou in­
ções nervosas, parece não haver um m e­ c o m p e te n te para superar situações com
ca nism o de reabsorção dos n e u ro p e p tí­ co nse qü en te estado em ocional, que é o
d e o s, q ue são h id ro lis a d o s p o r e xo e q ue vai g e ra r as a lte ra ç õ e s c u tâ n e a s .
endopeptidases com ampla especificidade. (Azambuja, 2000) (Quadros 5.1 e 5.2).
Há in ú m e ro s n e u ro p e p tíd e o s na pele
com e no rm e gama de fu nçõ es e cerca de R esum o C onexão M ente e C orpo
20 neuropeptídeos foram m ostrados até
agora, com o: substância P, neuropeptídeo A conexão M e n te C orpo pode ser
Y, peptídeo intestinal vasoativo (VIP), pep- m o s tra d a c ie n tific a m e n te p o r m e io de
tíd e os histidina, isoleucina e m etio nin a, descobertas dos m ediadores quím icos, já
som atostatina, neurotensina, neurocinina d escrito s a nte rio rm e nte , e to d o s os m e ­
A e B, peptídeo relacionado ao gene calci- d iadores q uím ico s e n co n tra d o s no SNC
tonina (CGRP), peptídeo liberador de gas- ta m b é m são d e te c ta d o s em o u tro s ór­
trina (GRP), bradicinina, dinorfina, acetil- gãos, co m o o sistem a im unológico e a pe­
colina, catecolam inas, endorfinas, encefa- le, p e rm itin d o assim a com unicação celu­
linas, galanina, peptídeo liberador da ade- lar e ntre m en te (SNC) e todas as células
nilciclase pituitária (Pacap). A lguns peptí- do corpo. Há ta m b é m evidências de m e ­
deos podem co e xistir no m e sm o nervo, mória celular. De m odo que o que a m en ­
com o acontece com o neuropeptídeo Y e te pensa ou se nte é percebido por todas
a noradrenalina, que aparecem em nervos as células do corpo, com capacidade de
sim páticos em to rn o dos vasos sangüíne­ m e m o riza r e arquivar as e m o ç õ e s e os
os de vários le ito s vasculares, os quais pen sam en to s co nscientes ou do subcons­
p o ssive lm e n te estão e nvo lvid os em pa­ ciente. E stabelece-se, então, a conexão
cien te s com o vitiligo. p s ic o -n e u ro -im u n o -e n d ó c rin o -c u tâ n e a ,
Os neuro-horm ônios, ta m b ém , podem cuja via é bilateral.
ser encontrados na pele, co m o a prolacti- O sistem a nervoso central capta os es­
na, h orm ônio e stim u la d o r dos m elan ó ci­ tím u lo s do m eio por m eio dos órgãos do
to s (MSH) e o ACTH. Toda essa com plexa se ntid o e inicia a liberação de m ediadores
Q uadro 5.1 - U m esquem a de processo de adoecim ento

S u p e r a r o u n ã o s u p e ra r

E s ta d o E m o c io n a l

N e u r o tr a n s m i

Alterações
Orgânicas
m f
86 Capítulo V

w

quím icos (neuropeptídeos, neuro-horm ô- cuidada. É o caso de um indivíduo que se


nios e neurom ediadores) pelas vias dos se nte rejeitado por julgar-se feio, poden­
sistem as nervoso periférico e vascular que do, então, desencadear com isso quadro
poderão agir sobre os lin fó cito s e o siste ­ de acne facial. E a acne instalada, agora
ma im unológico. Por o utro lado, e stím u ­ real, torna-se m o tiv o de isolam ento, tris ­
los não cognitivos são percebidos pelo sis­ teza e depressão.
te m a im u n o ló g ic o ( e s tím u lo s não Os pulm ões e a pele são considerados
reconhecidos pelo sistem a nervoso cen­ órgãos de co n ta to com a vida e relaciona­
tral, c o m o vírus, b a cté ria s, a ntíge no s), m e n to s interpessoais. A superfície inter­
onde se inicia o processo de liberação de na da parede p u lm o n a r m ed e cerca de
m ediadores quím icos, co m o as citoquinas 7 0 m 2, ao passo que a pele chega a m edir
(interleucinas, fa to re s de crescim en to, fa­ no m áxim o 2 ,5 m 2. Os pulm ões, no âm bi­
to re s q uim iotáticos), fazendo com que o to da M edicina Tradicional Chinesa e da
siste m a nervoso central perceba o e stí­ m eta física , são conside rad os órgãos da
m ulo; este, por sua vez, inicia a liberação vida p ossibilitando o co nta to do ser hum a­
de o utros m ediadores a fim de resolver o no com o m eio am biente. R eflete a capa­
processo, fechando assim o segundo ci­ cidade de cada um de absorver o que exis­
clo. As duas, a feren te e e feren te , vias se te de bom ao redor, bem com o exteriorizar
co m p le ta m . A m en te e suas conexões são as coisas ruins, pois representa o M o v i­
co m o o hard disk e suas redes. m e n to M etal conce rn en te ao processo de
Este m eca nism o de a do ecim en to ser­ purificação.
ve para explicar a m aioria das doenças. A saúde pulm onar depende da predis­
Para com plem entar, pode-se dizer que o posição à vida, do firm e propósito de exis­
indivíduo gerado (carregando o gen e a tir, da vontade de interagir com o a m b ie n ­
m em ória celular dos pais), sob influência te e da habilidade de m anter as relações
das condições de gestação, e após o nas­ interpessoais. A diferença com a pele é
cim ento, sob condições de estím ulos do que o co nta to da pele é direto, palpável e
m eio am biente, vai ser m oldado e vai de­ depende da vontade, podendo o indivíduo
te rm in a r as suas reações diante de estí­ escolher o que tocar e por q uem ser toca­
m ulos que vêm do m eio a m biente. Dian­ do. O m edo do desconhecido, de receber
te de d e sa fio s que o m e io o fe re c e no um "n ã o ", a d ificuldade de se expor e a
dia-a-dia, o m odo co m o o indivíduo vai re­ recusa em absorver p lenam ente a vida são
agir, vencendo ou não e stes desafios, é o fa to re s em ocionais geradores de c o m p li­
que irá d ete rm in a r ou não o processo de cações pulm onares. Aqueles que se m an­
ado ecim en to. tê m abertos à vida e d ispostos a viver e a
Não se pode e squecer que a doença, se relacionar com as m ais diversas situa­
princip alm en te da pele, pode gerar uma ções do co tid ia n o m a n tê m os p u lm õ e s
nova em oção reativa, que necessita ser saudáveis.

" O que há de mais profundo


no hom em é a sua pele."
Paul Valéry
Pele Espiritual

Os te rm o s m ente, em oção e espírito são freq üe n ­


te m e n te co nfundidos, e m uitas vezes se fu nd em , prin­
cip a lm e n te quando se trata da parte não m aterial e
não m ensurável da em oção e da m en te (pensam en­
to). M as falar de espírito é falar de algo m u ito sutil de
Energia, ainda não com provado cien tificam e nte , mas
se ntid o m uitas vezes. Isso nos faz lem brar a lenda da
Atlântida. Não se sabe ainda se realm ente existiu, mas
e xiste m várias evidencias que procuram comprová-las.
Richard Gerber, no seu livro Medicina Vibracional,
cita essa lenda, que é im p o rta n te m e s m o que seja
uma lenda, pois parece que se segue o m esm o rum o
em que o d e s e n v o lv im e n to te cn o ló g ico e a presun­
ção fo ra m ing re d ie ntes para autodestruição. A lenda
diz que a civilização atlante era form ada no início por
uma sociedade e xclu sivam en te agrícola, que foi evo­
luindo durante m ilhares de anos até a tingir o seu apo­
geu com raças de indivíduos a ltam en te evoluídos, prin­
c ip a lm e n te na a rte da cura. Os a tla n te s pod eriam
co ntrola r o que se cham a de força vital, utilizavam a
Energia do organism o, energia das plantas, conheci­
am e m anipulavam o que se cham a de essência. A
origem das doenças não estava no corpo físico, mas
sim em uns corpos superiores, podendo vir tam bém
de vidas a nte rio re s. Essa abordagem parecia m u ito
sim p les para esse povo, enquanto a civilização atual
ainda engatinha nesta direção.
A M edicina Tradicional Chinesa descreve a alma e o
espírito m u ito integrado à m en te e às em oções. Na
verdade, não se pode separar o corpo da m ente, a
m e n te do espírito, e vice-versa. A parte m ais sutil do
orgânico funde-se à Energia, que se fu nd e ao pensa­
m e n to e que se fu nd e ao espírito.
S egundo a M ed icin a Tradicional Chinesa, a Alma
Etérea ou Vegetativa (Hun) é a parte da m anifestação
Y. Nakano do Shen (espírito) que se aloja no Xue (Sangue) e é
F 88 Capítulo VI

armazenada no Gan (Fígado). O Hun te n ­ dito: "A M ente é a transformação da Es­


do esta relação, fica m asseguradas a boa sência e do Q i: as duas Essências (Pré-
circulação de Xue (Sangue) e a facilidade Natal e Pós-Natal) contribuem para a for­
nos m ovim entos, enfim , a difusão da alma. mação da Mente. A Alma Corpórea (Po) é
A palavra Shen (espírito) pode significar a assistente da Essência e do Q i: está pró­
a tivid a d e do p e n sa m e n to , co n sciê n cia , xim o à Essência, porém m ove-se para
insight e m em ória, que dependem do Xin dentro e para fora. A Alma Etérea (Ttunj
(C oração-M ente). Tam bém indica os as­ com plem enta a M ente e o Q i: é próxima
pectos m entais e espirituais do ser hum a­ à Mente, porém vem e vai. A Inteligência
no com o a M en te, a Alm a Etérea (Hun), a corresponde à memória: é a mem ória que
Alm a Corpórea (Po), a Inteligência e a For­ depende do Xin (Coração). A Força de Von­
ça de Vontade (espírito). A palavra Shen tade (Zhi/l é com o uma m ente determ ina­
indica, ta m b ém , qualidades su tis e indefi- da e focalizada: o Shen (Rins) armazena a
níveis de vida, prosperidade ou brilho, que Essência e por meio da Força de Vontade
podem ser observados na saúde. eles podem cum prir o nosso destino ".
O Shen (M ente) que reside no Xin (Co­ Estes cinco aspectos reunidos fo rm a m
ração) é o responsável por d iferentes ativi­ o Shen] os cinco Shen alojados nos cinco
dades m entais, com o pensam ento, m em ó ­ Zang (Ó rgãos) Yin são a re s id ê n c ia do
ria, consciência, insight, cognição, sono, Shen.
inteligência, sabedoria, idéias. É, ta m b ém , A Alm a Etérea (Hun) é o ir e o vir da
responsável pela audição, visão, tato, pala­ M en te. Por m eio da Alm a Etérea (Hun), a
dar e olfato. M e n te projeta-se para o m undo e x te rio r e
O pensam ento depende do Shen (M e n ­ para outras pessoas, e pode interiorizar-
te), a m em ória depende da M ente, do Pi se, para receber a intuição, a inspiração,
(Baço/Pâncreas) e do Shen (Rins). A cons­ os sonhos e as im agens pro ven ien tes do
ciência indica a totalidade dos pen sam en ­ inconsciente. Portanto, se o Xue (Sangue)
tos e percepções e se ntim en to s. O insight e o Gan Qi (Energia do Fígado) não fo re m
indica a nossa capacidade de auto-conheci- su ficie ntes, não poderão enraizar a Alm a
m ento, a uto-reconhecim ento. O indivíduo Etérea (Hun), tornando o indivíduo d epri­
está sujeito a d ife re n te s e stím ulos e m o ­ m ido, sem o bjetivos ou sonhos. Se a Alm a
cionais, percepções, s e n tim e n to s e sen­ Etérea (Hun) fo r desordenada, a M e n te
sações e to do s são percebidos e reconhe­ Individual será desligada da M e n te Univer­
cidos pelo Shen (M ente). S om ente o Xin sal e torna-se-á infeliz, confusa, isolada,
(Coração) pode s e n tir as e m o çõ e s, por sem o bjetivo s e estéril.
isso todas as em o çõe s afetam -no. A A lm a Corpórea (Po) reside no Fei (Pul­
A cognição representa a atividade m en­ mão) e é a contraparte física da Alm a Eté­
tal de perceber e co m p re en de r a reação rea (Hun). É a parte inseparável do corpo,
ao estím ulo. O sono depende do estado que vai para a terra após a m orte . É a ex­
da M ente; a inteligência depende do Xin pressão som ática da Alma.
(Coração) e da M ente. A sabedoria é pro­ A Alm a Corpórea (Po) está intim am ente
veniente do Xin (Coração) fo rte e da M en ­ relacionada à Essência, é a saída e a entra­
te saudável. O Xin (Coração) e a M en te são da da Essência. É a m anifestação da Es­
responsáveis pelas idéias, projetos e so­ sência na esfera das sensações e se n ti­
nhos, proporcionando os objetivos de vida. m e n to s . P ro p o rc io n a m o v im e n to à
No capítulo 23 do livro Ling Shu, basea­ Essência, trazendo-a para to m a r parte em
do nas passagens da obra Nei Jing está todos os processos fisiológicos do corpo.
" Se a Essência for exaurida, a Alma Cor- a pele. E a Essência d e ficie n te ta m b ém
pórea iPoj declina, a Energia é dispersa e a falha ao enraizar sua Alm a Corpórea (Po)
Alma Etérea (HunJ flutua sem residência". e, portanto, leva à deficiência do Fei (Pul­
A Alm a Corpórea (Po) é o responsável mão). O Wei Qi (Energia de Defesa) do
pelas se nsa çõe s e pelo p ru rid o e está, Fei (Pulm ão), ao nível físico , p ro te g e o
portanto, relacionada à pele, pela qual tais corpo de fa to re s patogênicos externos; ao
sensações sáo e xperim entadas. Isto ex­ nível m ental, a Alm a Corpórea (Po) prote­
plica a expressão som ática sobre a pele ge o ind ivídu o de in flu ê n c ia s psíquicas
de te nsõ es em ocionais que afetam a Alm a externas.
Corpórea (Po) via M e n te e a conexão en­ Relação dos Zang Fu (Órgãos e Vísce­
tre a Alm a Corpórea (Po), o Fei (Pulmão) e ras) com o M ental e a espiritualidade:

Fisico-Órgão S en tim en to s Instância P síq u ica/M en tal/E sp iritu al

X in (Coração) Alegria Consciente/M ente

Pi (Baço-Pâncreas) Reflexão Ideação/Pensar

Fei (Pulm ão) Tristeza Inconsciente - A lm a Corpórea (Po)

Shen (Rins) M edo Vontade (Z h i)

Gan (Fígado) Cólera Inconsciente coletivo - A lm a Etérea ( H un )

De m odo que o organism o (órgãos inter­


nos) se com unica com o m eio a m b iente
por m eio dos cinco se ntid os (cinco cores,
cinco sabores, cinco olfatos, cinco sons e
cinco tip o s de alim entos).
Noções de
■ r Eletroacupuntura
Aplicadas em
Acupuntura
Estética

Intro dução

A e letroacupuntura é uma técnica em que se utiliza a


eletricidade para e stim u la r os pontos cutâneos (pontos
de acupuntura).
O relato m ais antigo que se te m da utilização da ele­
tricidade para fins terapêuticos data de 420a.C ., quando
o Hipócrates recom endava a utilização do peixe torpedo
(que possui órgãos que produzem descarga elétrica para
paralisar suas presas), para ser cozido e consum ido no
d esjejum por pessoas asm áticas.
O peixe to rp e d o foi utilizado, no ano 46 d.C., por
Scribonius, m édico rom ano, para tratar quadros de dor,
recom endando colocar o peixe d ire ta m e n te na região
afetada nos casos de cefaléia e de gota. A partir de
então, há vários relatos im p o rta n te s de utilização da
eletricidade para prática terapêutica e de diagnóstico.
Inclusive o te rm o co rren te galvânica foi conservado
em hom enagem a seu descobridor, Galvani, que teve
o m é rito de dar início e fetivo à eletrofisiologia.
A e le tro a cu p u n tu ra co m e ç o u a ser utilizada com
m aior freqüência a partir da década de 30, passando a
Dra. Maria Assunta y. Nakano ser m ais difundida a partir dos anos 60.
92 Capitulo VII
V

C l a s s if ic a ç ã o d o s P r in c ip a is M éto do s Corrente Galvânica Interrompida


U t il iz a d o s n a E letro acupuntura
É uma co rren te elétrica direta m od ifica ­
Corrente Farádica da, de baixa freqüência, e a m ais co m u m
nos aparelhos atuais de eletroacupuntura,
É um tipo de corrente elétrica alternada e ta n to local quanto sistêm ica. Esta corren­
assim étrica que te m duas fases diferentes te o fe re c e d iv e rs o s tip o s de e s tím u lo s
de freqüência (50 a 100Hz) e que pode pro­ que d ep en de m da sua form a de onda e,
duzir tetania m uscular quando se e stim u ­ devido à despolarização, produz sensação
lam os m úsculos. Esse tip o de co rren te foi agradável e reduz os e feito s de eletrólise.
utilizado na eletroacupuntura, mas provoca É uma corrente sem elhante à farádica, com
sensação desagradável de leves picadas. a vantagem de ser unidirecional.
Sua corrente m uda co n sta n te m e n te de di­
reção. A corrente subfarádica te m freq üê n ­
cias m enores (1 a 50Hz), desencadeando I n d ic a ç ã o da E letro acupuntura de

contrações clônicas, é m enos desagradá­ a c o r d o c o m d if e r e n t e s m o d a l id a d e s d e

vel e, durante algum te m p o, foi usada na a p l ic a ç ã o e / o u f r e q ü ê n c ia d o e s t ím u l o

eletroacupuntura sistêm ica, locorregional


e analgésica profunda, e p o ste rio rm e n te Regularização sistêmica ou geral
abandonada.
O utro m odo é a corrente farádica inter­ D oenças p s ic o s s o m á tic a s /n e u ro v e g e -
rom pida, que produz contrações m uscu ­ tativas;
lares sustentadas e aum enta o tô n u s e a Doenças cuja sintom atologia é n um ero­
excitabilidade m uscular; por isso é bastante sa e variada; e
utilizada no tratam en to de paralisias, atrofia Associada a outros tipos de regularização
e hipotrofia m usculares, com boa aceita­ e co m o tra ta m e n to profilático.
ção e bons resultados. A aplicação desta
corrente parece estim u la r a m ultiplicação Regularização projecional
de fibras m usculares e levar à dim inuição
do te cido adiposo, o que ju stifica o seu D istúrbio s fu ncio na is e s o m á tico s em
em prego tanto na medicina estética quanto áreas mal delim itadas, distais e m ig rató ­
na terapêutica muscular. rias; e
D istúrbios difusos do aparelho m úsculo-
Corrente Galvânica esquelético.

É co rre n te e lé trica d ireta e, p orta n to , Regularização regional ou setorial


contínua. É pouco utilizada na eletroacu­
puntura. Pode induzir à e letrólise ao redor D istúrbios fu ncio na is regionais; e
da agulha de acupuntura. A ssim m esm o, D istúrbios do sistem a m úsculo-esque-
esta corrente pode ser excelente quando lético.
em pregada de form a interrom pida na ele­
troacupuntura e na estim ulação subcutâ- Regularização local
nea rápida (galvanopuntura), com bastante
eficácia na medicina estética, principalm en­ D istúrbios da dor; e
te nas alterações inestéticas da face. D istúrbios so m á ticos locorregionais.
Noções de Eletroacupuntura Aplicadas em Acupuntura Estética

Regras de Eletrotonificação e Eletrossedação

Eletrotonificação Eletrossedação

Freqüência baixa (1 a 10Hz) Freqüência alta (10 a 50Hz)

Tem po de aplicação até 15 m inutos Tem po de aplicação de 20 a 60 m inutos

Forma de onda espiculada ou dente de serra Forma de onda quadrada ou retangular

Largura do pulso m enor Largura do pulso m aior

Eletrotonificante Cátodo (preto) Eletrossedante Ânodo (verm elho)

Densidade da corrente é m aior (agulha fina) Densidade da corrente é m enor (agulhas grossas)

Bastos, S R C .Tratad o d e e le tro a c u p u n tu ra : te o ria e prática. Rio de Jan e iro : N u m e n Ed., 1993. |

Eletrotonificação Eletrossedação

Freqüência m enor Freqüência m aior (10 a 50Hz)

Tempo de aplicação até 15 min. Tem po de aplicação de 20 a 60 m inutos

Forma de onda espiculada ou dente de serra Forma de onda quadrada ou retangular

Largura do pulso m en or (para Largura do pulso m aior


uma mesm a freqüência)

Eletrotonificante Ânodo (para correntes Eletro sedante Cátodo (para correntes com o
com com ponente galvânico) com ponente galvânico)

Densidade da corrente é m enor Densidade da corrente m aior

A m estoy, RDF E letroterapia e E letro a c u p u n tu ra : princípios básicos... e a lgo m ais. Florianóp olis: Bristoi, 1998.

R e g r a s B á s ic a s para o Emprego de a m esm a estrutura, m esm a profundidade


Eletro do s em E letro ac u pu n tu r a e m esm as características dos dois pontos
segundo B asto s e A m estoy de inserção (acupuntura).
Em pólos da m esm a saída, o pólo preto
Na eletroacupuntura de regulação geral, (cátodo) precede ao pólo verm elho (âno­
é preferível o uso de aparelhos bipolares, do), quando co lo cad os sobre o m e s m o
onde o circuito é fechado de agulha para m eridiano, respeitando o fluxo fisioló gico
agulha, ou seja, do cátodo para o ânodo. e nergético. Ex.: cátodo no IG-4 (Hegu) e
Cada saída de um aparelho bipolar perm i­ ânodo no IG-15 (Jianyu).
te estim ular duas agulhas (ânodo-cátodo) Em pólos da m esm a saída, não se deve
e cada aparelho pode te r de duas a dez inverter a polaridade dos pólos que contra­
saídas. riem o fluxo ene rg ético fisioló gico de um
O cátodo (garra preta) é o pólo negativo M eridiano. Ex.: cátodo no P-9 ( Taiyuan) e
em eletrônica e positivo (ativo) na e le tro ­ ânodo no P-5 ( Chize) (segundo Bastos). Em
acupuntura. O ânodo (garra verm elha) é o pólos de m esm a saída, utilizar, preferen­
pólo positivo em eletrônica e negativo (pas­ cialm ente, no m e sm o M eridiano. Quando
sivo) na eletroacupuntura. A sensação mais não fo r possível, deve-se respeitar o fluxo
forte é sentida no cátodo, considerando-se e n e rg é tico do grupo de M eridianos, por
exem plo, cá tod o no TA-5 ( Waiguan) e o puntura pode ser utilizada na harmonização
ânodo no IG-11 (Quchi). do tô n u s m u s c u la r e da c o n tra tilid a d e
Em p ó lo s da m e s m a saída, o n d e a m uscular, no tra ta m e n to de reações infla-
conexão dos p o n to s se faz em p o n to s m atórias agudas e crônicas, e stira m e n to
localizados m ais ou m enos na m esm a al­ dos liga m e ntos e distensão ou inflam ação
tura, paralelam ente e de m esm a natureza articulares, alteração de condução nervosa,
energética, elege-se o ponto m ais sensível seja sensorial, seja m otora. Possui ainda
à palpação ou o ponto mais im portante para e fe ito v a s o m o to r capaz de regularizar o
o tra ta m e n to em questão e coloca-se nele a p o rte s a n g ü ín e o de fo rm a localizada,
o cátodo, e no outro, o ânodo. Por exem plo, com e fe ito na m icrocirculação sangüínea
cátodo no VB-20 (Fengshi) e o ânodo no (arterial, venosa e linfática).
B-10 ( Tianzhu) para o tra ta m e n to por ele­
troacupuntura de enxaqueca ou de cefaléia USO DE ELETROACUPUNTURA
sim paticotônica. Ou o cátodo no B-10 (Tian­ NAS RUGAS DA FACE
zhu) e o ânodo no VB-20 (Fengshi), para o
tra ta m e n to da cefaléia fro n to -o ftá lm ic a , A m usculatura da face te m característica
sinusite, anosmia. especial, por ser m usculatura que expressa
De acordo com Fernandez Am estoy, pelo as em o çõe s (tristeza, raiva, alegria, m edo,
fato de a corrente elétrica no corpo hum ano preocupação). Existe uma intensa ligação
ser conduzida, p rincipalm ente, sob form a das vias nervosas do sistem a límbico, onde
iônica, não há um predom ínio no sentido se processam as em oções, com as áreas
dos flu xos elétricos, havendo dificuldade p ré -m o to ra s e m o to ra s , p rin c ip a lm e n te
em afirm ar que no corpo hum ano exista, da face. Por isso, por m eio da face pode-
globalm ente, um flu xo pre do m in an te em se observar o Shen (M e nte/C o nsciên cia/
um d eterm inado se ntid o ao se aplicar uma Em oções). " O Shen (Mente) expressa a
c o rre n te e lé tric a . O c á to d o te m e fe ito abundância ou a fraqueza de Qi e de Xue
m ais e stim u la n te e m relação ao ânodo, (Sangue) dos Zang Fu (ÓrgãosA/ísceras)
podendo-se, então, aplicar o cátodo nos na expressão do rosto, elocução e na
pontos de sedação, lu, Luo, Mo, Ashi, e o respiração".
ânodo em pontos de tonificação, lu, Luo, Para se u tilizar a e le tro a cu p u n tu ra de
Shu, dependendo da técnica utilizada. m aneira correta, é necessário co nh ece r a
C o m o se p o d e ver, e x is te m m u ita s anatom ia da m usculatura da face e suas
controvérsias em relação a utilização de fu n çõ e s (m úsculo antagonista X m úsculo
eletroacupuntura. Portanto, a experiência a g o n is ta ), o que será d e ta lh a d a m e n te
de cada um é que irá d ete rm in a r o m elhor a presentado no capítulo "R ugas da Face'.'
resultado para cada indivíduo. A n te s de realizar a tonificação de deter­
m inados grupos musculares, deve-se sedar
I n d ic a ç ã o de E letro acupuntura (dispersar) os seus respectivos m úsculos
LOCORREGIONAL E PROJECIONAL antagonistas. Por exem plo: as rugas hori­
zontais da região fron ta l são d eterm inadas
No tra ta m e n to de alterações inestéticas pela te nsã o do m úscu lo fron ta l e pelo re­
utiliza-se, com freqüência, a ele troa cup un ­ laxam ento do m úscu lo antagonista, que é
tura de ação local, locorregional e proje- o m úsculo piram idal. N este caso, deve-se
cional, tendo, respectivam ente, indicação dispersar os pontos de acupuntura respon­
para o trata m e n to de doenças em áreas sáveis por pro m o ver o "enrugar a te s ta "
anatôm icas bem dem arcadas. A e letroacu­ que são o Yuyaoe oV B -14 (Yangbai). A pós
Noções de Eletroacupuntura Aplicadas em Acupuntura Estética

este procedim ento, tonificam -se os pontos ta m b ém , a freqüência de 2Hz, com uma
M-CP-3 (Yintang), M-CP-9 (Taiyang) e oTA- intensidade su ficie ntem en te elevada, para
23 (Shizukong). prom over a contração m uscular.
A fre q ü ê n cia da c o rre n te e létrica que Os pontos motores são áreas de grande
se u tiliza para a d isp e rsã o situ a-se em concentração energética de um m úsculo
to rn o de 50Hz a 100Hz e sua e stim ulação (onde existe m aior quantidade de term ina­
deve ser m antida, aproxim adam ente, por ções nervosas livres). Isto será discutido e
20 m inutos, enquanto a freqüência para a localizado detalhadam ente no capítulo 15
tonificação é de 2 a 10Hz, ta m b ém , durante (Acupuntura Estética na Flacidez).
10 m inutos.
Para o trata m e n to de flacidez da face,
USO DE ELETROACUPUNTURA
utiliza-se a estim ulação dos pontos motores
NO TRATAMENTO DA CELULITE E
da face, que, na verdade, relacionam -se
DA GORDURA LOCALIZADA
com a maioria dos pontos de acupuntura
localizados na face, os quais devem ser es­ No caso de tra ta m e n to por e letroacu­
tim ulados com a freqüência de tonificação, p u n tu ra de g ordu ra localizada, deve-se
durante 10 a 15 m inutos. Pode-se utilizar, p rim e ira m e n te d e lim ita r a área. Existem
dois m odos de processar o tratam en to :

1. Tratar a gordura localizada co m o se


Figura 7.1 ▼
fo sse p onto Ashi de dor (pontos fora dos
Tratamento por meio
de eletroacupuntura
M eridianos e que não co n s titu e m os Pon­
da gordura localizada tos Curiosos (PC) ou Extras). Nesta técnica,
da região do abdome inse re m -se de qua tro a seis agulhas de
como ponto Ashi de dor, a cupuntura ce rca nd o a área de gordura
inserindo-se as agulhas
localizada e colocam -se os e le tro d o s do
de acupuntura ao redor da
gordura, direcionando-se
aparelho de eletroacupuntura de tal m a­
para o centro, e o modo neira que as correntes se cruzem no m eio
de conexão dos eletrodos. da gordura localizada (Figura 7.1).
2. Tratar a gordura localizada co m o área ▲ Figura 7.2
Tratamento da gordura localizada da região
de um processo inflam atório. N este caso,
do abdome com a técnica de eletroacupuntura
inserem -se de quatro a seis agulhas de utilizada como em um processo inflamatório,
acupuntura, cercando a área de gordura em que são inseridas agulhas de acupuntura;
localizada. D ep ois, in se re -se o m e s m o a figura ilustra o modo de inserir a agulha
n ú m e ro de agulhas na parte ce n tra l da (4 agulhas centrais em círculo no meio da
gordura e 4 agulhas periféricas em círculo
gordura localizada, te n d o o cu id ad o de
cercando a gordura localizada) e o modo
c o n e c ta r o cá to d o (preto) no c e n tro da como deve conectar o eletrodo.
lesão e o ânodo (verm elho) nas agulhas
que cercam a lesão (Figura 7.2).
Neste caso, a freqüência elétrica utilizada Canais de Energia acom etidos que passam
deve ser bastante alta (aproxim adam ente pela região, assim co m o tratar as desar­
300Hz), com duração de 20 a 30 m in utos. m onias energéticas dos Zang Fu (Órgãos e
Com e ste e stím ulo, o b té m -s e a lise do Vísceras). Por exem plo, no trata m e n to de
te cido adiposo, o qual será drenado pelo culote de cheval, deve-se circular e tonificar
sistem a vascular e elim inado pelo urinário, o M eridiano do Dan (Vesícula Biliar) e aplicar
re s u lta n d o na sua d im in u iç ã o gradativa técnica Shu-Mo-Yuan, para fortalecer o Gan
no decorrer do tra ta m e n to . A fim de não (Fígado) e o Dan (Vesícula Biliar), respec­
sobrecarregar a função renal, o tra ta m e n to tiva m e nte os pontos B-18 (Ganshu), F-14
deve-se restring ir a duas áreas, sem anal­ (Qimen) e F-3 (Taichong) e B-19 ( Danshu ),
m ente. Por outro lado, o uso prolongado VB-24 ( Riyue) e VB-41 (Linqi).
de eletro-estim ulação em alta freqüência Utiiiza-se a m esm a técnica acim a des­
pode levar à d im in u içã o da Energia dos crita, ta m b é m , para dissolver os nódulos
Rins (Shen Qi). c e lu lític o s e as re tra ç õ e s . O s n ó d u lo s
Nas duas form as de tratam ento de gordu­ nece ssitam ser dissolvidos, pois podem
ra localizada, deve-se, tam bém , tonificar os se rv ir co m o verdadeiros blocos capazes
Noções de Eletroacupuntura Aplicadas em Acupuntura Estética

Figura 7.3 ▲ Na face m ediai da coxa, a circulação de


Tonificação locorregional Energia processa-se de baixo para cima,
da região da coxa
por se tratar de área Yin. Em relação aos
por meio de
eletroacupuntura. p o n to s m o to re s, deve-se se gu ir a regra
im p o rta n te de se colocar o cátodo (garra
preta) no p on to onde se deseja a m aior
de bloquear a circulação energética; isso ação da eletroacupuntura. Para o tratam en­
faz com que se agravem cada vez m ais os to, a freqüência recom endada é em torno
processos celulíticos, p ro m ovendo a piora de 2Hz aplicada durante 10 m inutos.
das gorduras localizadas, co m o os culotes, Obs. Toda reg iã o do co rp o p od e ser
e da gordura localizada nas regiões mediais tratada em fu n çã o dos p on to s m oto re s
do joe lho e infraglúteo. N estes casos, os (discutido no capítulo 15).
pontos de acupuntura que podem ser uti­
lizados incluem : USO DA ELETROACUPUNTURA
• E-31 (Biguan) (cátodo) e E-34 ( Liangqiu) NAS ESTRIAS DE PELE
ou E-35 ( Dubai) (ânodo);
Para o tra ta m e n to de estrias de pele, na
• VB-29 (Juliao) (cátodo) e VB-33 (Xiyang-
m edicina estética ocidental, utiliza-se a cor­
guan) (ânodo); e
rente contínua filtrada e constante, cujos
• B-32 (Ciliao) (cátodo) e B-40 ( Weizhong) e stu d o s m o s tra m o a u m e n to n um érico
(ânodo). de fib ro b la sto s jovens, além de neovascu-
É im p orta nte a tonifica ção locorregional larização e norm alização da sensibilidade
(Figura 7.3). d o lo ro s a , após a lg u m a s a p lic a ç õ e s de
Para o tra ta m e n to de linhas de flacidez co rren te contínua filtrada.
que se loca liza m , g e ra lm e n te , na fa ce Em relação à acupuntura, insere-se intra-
m ediai da coxa, in s e re m -se as agulhas derm ica m e n te a agulha de acupuntura no
perpendicularm ente à pele no se ntid o da tra je to das estrias (Figura 7.4), seguindo-se
m usculatura, nos sulcos que se fo rm a m m anipulação-estim ulação m anual das agu­
pela flacidez m uscular. G eralm ente, e stes lhas de acupuntura até o aparecim ento de
pontos correspondem aos pontos m otores. um pequeno edem a e de área eritematosa.
Figura 7.4
Modo de
inserção das
agulhas de
acupuntura
paralelamente
ao longo das
estrias de
pele.

Figura 7.5
Modo de
conexão dos
eletrodos nas
agulhas de
acupuntura no
tratamento
das estrias
de pele
por eletro­
acupuntura.

Figura 7.6
Técnica de
colocação
das agulhas
de acupuntura
inseridas
paralelamente
e em direção
oposta e
conexão dos
eletrodos no
tratamento
de estrias
da pele.
A m anipulação de agulhas d esencadeia acupuntura. A fim de elim inar o processo
um a re a çã o d o lo ro s a . Por o u tro lado, á lg ic o d e s e n c a d e a d o pela e s tim u la ç ã o
q ua lq ue r tra ta m e n to m é d ico na área da m anual de agulha de acupuntura, utiliza-se
m edicina estética o cidental co m o a e sti­ a eletroacupuntura, tornando o tratam en to
m ulação elétrica, a intraderm oterapia com indolor.
injeção de substâncias, co m o a vitam ina C As figuras 7.5 e 7.6 m ostra m com o os
e outros, e a subcisão em prega m éto do s eletrodos podem ser aplicados nas agulhas
e x tre m a m e n te dolorosos, m u ito m ais do de acupuntura. A freqüência utilizada é de
que em relação ao e stím ulo da agulha de 2 a 25Hz, por 10 m inutos.
Capítulo VIII

Cabelos e Unhas na
Concepção Energética
CABELOS

Quando se faz referência aos cabelos, imagina-se,


geralm ente, um c o n te x to e stético , em bora a função
prim ordial dos cabelos seja outra que é a de proteger o
couro cabeludo. Nos animais, d iferentem ente, os pê­
los servem com o proteção do corpo contra as intem ­
péries do m eio am biente, enquanto no ser hum ano essa
proteção foi substituída pelo sistem a pigmentar.
O ser hum ano, em sua evolução, sofreu a perda dos
pêlos do corpo, vivendo um c o n flito em não tê-los mais
e, ao m esm o, m an ter os cabelos. Na evolução do ser
h um an o através de m ilh õ e s de anos, observa-se a
perda gradativa de to d o s os pêlos do corpo. O fu tu ro
dos cabelos parece ser som b rio e se o ser hum ano se
tran sfo rm a cada vez m ais em ser m enos animal e mais
sensitivo, o que se pode esperar é um verdadeiro " ET"
no fu tu ro , ou seja, cabeça grande e to ta lm e n te lisa
sem os cabelos, olhos enorm es, corpo esguio e sen­
sibilidade à flo r da pele.
Os cabelos se m p re fo ra m visto s co m o sím bolo de
sedução, força e poder. Desde os m ais rem otos te m ­
pos, a perda (queda) de cabelos sem pre foi causa de
grande conotação em ocional. Isto faz com que o pa­
cie n te se m p re procure auxílio m éd ico de m odo de­
sesperado por causa da queda dos cabelos.
M as, por que a perda de cabelos aflige ta nto o ser
hum ano?
Pierre Bouhanna, no seu livro Cabelos e Calvície,
faz um breve relato histórico da im portância dos cabe­
los através dos te m p o s. A m itologia grega m ostra as
cabeleiras luxuriantes de num erosas deusas, co m o a
de A fro d ite , que cobria a sua nudez com uma longa
Dra. Maria Assunta Y. Nakano cabeleira loura; a de Vênus (Figura 8.1), que fazia a
Dra. Dilma Elisa Morita Maeda sua to ale te cercada de divindades m itológicas, porém ,
Figura 8.1 ▲ Entre os gregos, a cabeleira tinha tanta
0 Nascimento de Vênus. im portância que cortá-la e entregá-la aos
1484-6 (Botticelli).
deuses era uma oferta suprem a. Foi as­
sim que Berenice ofereceu uma m adeixa
só ela m esm a tratando de seus cabelos; do seu cabelo a A fro d ite a fim de que seu
a de Ariane, cuja bela cabeleira flu tu a n d o esposo Ptolom eu III voltasse vivo da guer­
ao ve nto contribuiu, talvez, para a atração ra.
inesperada que se apossou de Baco (ou No Egito, os sacerdotes de Isis raspa­
Dionísio) ao vê-la. Já para o hom em , este vam a cabeça para m ostrar o seu desape­
significado é d ife re n te e os cabelos são go.
um sím bolo de força, com o na história de Os m uçulm anos conservam uma m echa
Sansão e Dalila, em que ele perde a força de cabelo no alto do crânio que serve para
descom unal ao cortarem seus cabelos. que M ao m é possa levá-los ao paraíso.
Cabelos e Unhas na Concepção Energética

Para os hindus, o m undo estaria cober­ a juve ntud e; por isso, as quedas de cabe­
to por uma im ensa cabeleira, com um nú­ los são relacionadas às alterações ener­
m ero in fin ito de fios. Os cabelos de Shiva géticas do Shen (Rins) e, portanto, do Jing
ide ntifica m -se com as direções do espa­ Shen (Q uintessência dos Rins). Estando
ço e c o n stitu e m a tram a do Universo. o Jing Shen a b u n d a n te , e x is te grande
No te m p o dos Faraós, as perucas fe i­ quantidade de m edula óssea, daí o esque­
tas de cabelos naturais, lã ou fibras de fo ­ leto é fo rte e a cabeleira, opulenta. Assim ,
lhas faziam fu ro r e ntre os egípcios. O grau está relatado no Su Wen: " A manifesta­
de sofisticação era d ire ta m e n te proporcio­ ção externa do Shen (Rins) está na cabe­
nal ao nível social. le ira ". Por isso, o crescim en to, a queda, o
À s vezes, os ca be lo s re p re se n ta va m brilho e o ressecam ento dos cabelos es­
verdadeiros tro fé u s em te m p o s de guer­ tão ligados ao Jing Shen (Q uintessência
ra, co m o é o caso dos escalpos retirados dos Rins). "N a velhice, o Jing Shen decli­
pelos índios da cabeça de seus inim igos. na, d a i os ca b e lo s e m b ra n q u e ce m e
M ais re ce n te m e n te , no fim da Segunda c a e m ".
Guerra M un dia l, m u lh e re s acusadas de No Ling Shu está descrita a relação dos
te re m tid o ligações com os alem ães inva­ pêlos do corpo e dos cabelos com vários
so re s tiv e ra m seus ca be lo s co rta d o s e Canais de Energia (M eridianos). O esgo­
eram exibidas ao público. E e xiste m vá­ ta m e n to e n e rg é tic o do Tai Yin da m ão
rios relatos h istórico s das m ais variadas [M e rid ia n o do Fei (P ulm ão)] p rovoca o
tentativas para salvar as cabeleiras. O mais desb ota r dos pêlos. Eis porque a d e ficiê n ­
antigo especialista em couro cabeludo cia de Q /acarreta o d esb ota m en to dos
é o egípcio Hakiem el Demagh pêlos e expressa a perda dos
(4000 a.C.). h u m o re s ao nível c u tâ n e o ;
D e n tre o s c a lv o s este, por sua vez, leva à se­
célebres estão a Rai­ cura das unhas e à queda dos
nha N e fe rtiti (Figura pêlos e dos cabelos.
8.2), que sofria de alo­ O e s g o ta m e n to do Xin
pécia areata e fazia tra ­ (Coração) provoca o bloqueio
ta m e n to com uma m is­ dos vasos sangüíneos, por
tura de gordura de leão, is s o a c a b e le ira não te m
de h ipopótam o, de croco ­ m ais brilho e a pele parece
dilo, de gato, de se rp en te e negra co m o laca. Por outro
de cabrito m ontês. Essa co m ­ lad o, o e s g o ta m e n to do
posição foi encontrada no pa Shen (Rins) provoca, ta m ­
piro de Ebers No 465. bém , a perda do brilho dos
Os cabelos tê m grande im por­ cabelos.
tância na M edicina Tradicional Chi­
nesa e, segundo ela, estão sob a A l o p é c ia A n d r o g e n é t ic a
regência do Shen (Rins), Zang
(Ó rgão) q u e re p re s e n ta a E x is te m v á ria s a lte ra ç õ e s
Vontade (Zhi), a vitalidade, dos cabelos, mas nada é tão
p re o c u p a n te q u a n to a sua
perda. A queda de cabelos,
Figura 8.2 ► ou a lo p é c ia , p o s s u i vá rias
Rainha Nefertiti. causas e tipos. A alopécia an-
drogenética é a queixa m ais co m u m en­ gradativa e, fin a lm e n te , ocorre a to ta l per­
tre os hom ens, podendo haver predispo­ da de cabelos em área específica do cou­
sição hereditária. A queda de cabelos ini­ ro cabeludo ("e n tra d a s " e "c o ro a ") (Figu­
cia-se e evolui para a rarefação de maneira ras 8.3 e 8.4).

Figura 8.3 ►
Paciente do sexo
masculino com
alopécia
androgenética
observando-se o
acometimento
maior na área do
VG-20 (Baihui).

Figura 8.4 ►
Perdas de cabelos
da região frontal
caracterizando as
"entradas".
Cabelos e Unhas na Concepção Energética 105

Os autores tê m estabelecido a relação A queda de cabelos, por ocorrer ao nível


e n tre a alopécia co m u m e a secreção dos da pele, significa, tam bém , o a com etim en­
andrógenos, pela observação de que, em to e nergético do Fei (Pulmão). A derm e,
indivíduos predispostos à calvície, esta não que é responsável pela nutrição, tam bém ,
ocorria após a castração. Por o utro lado, a pode estar afetada, ou associar-se à sebor-
adm in istraçã o de andrógenos provocava réia ou a oleosidade excessiva, evidencian­
a queda de cabelos que evoluía para a alo­ do o co m p ro m e tim e n to do Pi (Baço/Pân­
pécia. creas). Portanto, é uma afecção associada
Os horm ônios m asculinos causam , de a vários Zang Fu (Órgãos e Vísceras).
fato, nos indivíduos pre disp osto s à queda Q uando a queda de cabelos ocorre em
de cabelos, aceleração do ciclo de cresci­ tu fo s e sem outras m anifestações, ela se
m en to dos cabelos, o que leva ao esgota­ deve ao Vazio do Shen Qi (Energia dos
m en to precoce da capacidade de renova­ Rins); se fo r acom panhada de seborréia
ção dos folículos pilosos. É interessante ou prurido do couro cabeludo, a queda de
notar que a M edicina Tradicional Chinesa cabelos deve-se à Plenitude do Gan-Yang
relaciona os horm ônios m asculinos ao Jing (Fígado -Yang).
Shen (Q uintessência dos Rins), portanto, A área de a pa re cim e n to da queda de
ao Shen Qi (Energia dos Rins). cabelos está relacionada, geralm ente, com
A alopécia a ndrogenética é a afecção área Yang, portanto às zonas regidas pelo
dos cabelos na qual está envolvida a enzi­ Du M ai (Vaso Governador), que é a reu­
ma 5 alfa-redutase do tip o 2, que é o res­ nião de to d o s os Yang do corpo, e pelo
ponsável pela transform ação da te s to s te - Canal de Energia do Pangguang (Bexiga).
rona livre em D h te sto ste ro n a . Esta age De m odo geral, o início da alopécia ocorre
sobre os receptores ao nível de folículos na região do VG-20 (Baihui), p onto de en­
pilosos, levando à m iniaturização dos ca­ co n tro de to d o s os Yang (Figura 8.3). Este
belos e, fin alm e n te, ao d esaparecim ento p on to p e rte n ce ao Du M ai (Vaso-Gover-
co m p le to dos cabelos nas áreas específi­ nador), onde veicula a Água Orgânica pro­
cas do couro cabeludo. ve n ie n te do Shen Qi (Energia dos Rins),
Existem as alopécias androgenéticas no havendo, p orta n to , ligação direta dessa
sexo fe m in in o , m as a m ulher, apesar de região com o Shen (Rins). Na deficiência
poder te r o com ponente hereditário, conta energética d este Zang (Órgão), não ocor­
com a proteção de horm ônios fem ininos. re a tran sfo rm açã o adequada dos fluidos,
Desse m odo, a m ulher passa a m anifestar em que a parte lím pida dos flu id o s que
a calvície s o m e n te qua nd o c o e x is tire m deveria ascender fica prejudicada e c o m ­
outros fatores, com o alterações hormonais, p ro m e te a nutrição das raízes dos cabe­
m etabólicas, vitamínicas, etc. los, levando à queda. No caso do trajeto
Sob o ponto de vista da M edicina Tradi­ do M e rid ia n o do Pangguang (Bexiga), a
cional Chinesa, os cabelos estão sob a re­ alopécia localiza-se na fro n te e lateralm en­
gência do Shen (Rins), por isso a queda dos te à linha m ediana da cabeça (Figura 8.4).
cabelos está relacionada ao enfraquecim en­
to do Shen Qi (Energia dos Rins). De m odo A l o p é c ia A reata
que se to rn a m b em co m p re e n síve is os
aspectos de hereditariedade, alteração hor­ A alopécia areata é uma patologia capi­
m onal e a c o m e tim e n to p re fe re n c ia l de lar na qual e xiste um co m p on en te infla-
homens, pois estes aspectos estão ener- m ató rio . A queda de cabelos ocorre de
geticam ente associados ao Shen (Rins). form a rápida e em áreas bem delimitadas.
106 Capítulo VIII

Observa-se durante o processo de queda ata pode ser observada em crianças). Nos
a presença de cabelos peládicos que se adultos, deve m ser considerados, além do
destacam fa cilm e n te e tê m a fo rm a de um aspe cto hereditário, os desg aste s pelas
ponto de exclam ação; é co m o se o pro­ a tiv id a d e s fís ic a s in te n s a s , o e s tre s s e
cesso inflam atório tive sse "c o m id o " uma e m o c io n a l (m edo) e a tiv id a d e s se xua is
parte dos cabelos. Este tip o de alopécia excessivas.
ocorre associadam ente com o e stre sse e
com em oções, espe cia lm e nte raiva repri­ T r a t a m e n t o d a s a l o p é c ia s p e l a
m ida e rem oída, m edo e tristeza. ACUPUNTURA
Na alopécia areata, além do a co m e ti-
m en to do Shen (Rins) por se tra ta r de ca­ O tra ta m e n to das alopécias, de m odo
belos, existe, ta m b ém , a participação im ­ geral, co nsiste em :
portante de Calor do Gan (Fígado-Calor); * A calm ar o Shen (M ente),
este, por sua característica Yang, dirige- * Tonificar o sistem a de Shen/Fei (Rins/
se ao alto e pode "q u e im a r" os folículos Pulmão), e
pilosos; além disso, geralm ente, a alopé­ * Tratar os padrões de desarm onia ener­
cia m a n ife sta -se c o n ju n ta m e n te co m a gética.
presença de prurido, seborréia e caspa. O A calm ar o Shen (M ente):
aum ento do Gan-Yang (Fígado- Yang) pode
ocorrer pela deficiência do Shen (Rins) e/ Estim ular os pontos CS-6 (Neiguan), C-
ou por em o çõe s reprim idas, co m o raiva, 7 (Shenmen), M-CP-3 ( Yintang ), VG-
revolta, tensão. Daí, pela falta de Água 20 ( Baihui) e VC-17 ( Danzhong).
Orgânica, o Calor ( Gan-Yang) ascende para Tratar os fa to re s em ocionais pelos Ca­
o couro cabeludo gerando processo infla­ nais de Energia D istintos:
m ató rio que se instala cro n ica m e n te ao
Canais de Energia D istinto s do Xin Bao
redor dos folículos pilosos. A deficiência
Luo (Circulação-Sexo)/San//ao (Triplo
de fluidos do Shen (Rins) pode dever-se à
A quecedor): CS-1 (Tianchi), TA-16 (77-
deficiência do Xiajiao (A quecedor Inferior).
anyou ), VG-20 [Baihui).
Estados em ocionais co m o raiva reprim i­
da, frustra çõe s, re sse n tim e n to s, podem Canais D is tin to s do Gan (Fígado )/Dan
ocasionar estagnação do Gan Qi (Energia (Vesícula Biliar): F-5 (Ligou), VB -30
do Fígado) e, depois, origin ar o Gan-Re (Fiuantiao), VB-1 (Tongziliao).
(Fígado-Calor), que pode e sto rva r a fu n ­
Canais D istin to s do Shen (Rins )/Pang-
ção de descida de Fei Qi (Energia do Pul­
guang (Bexiga): R-10 (Yingu), B-40
mão) e daí enfraquecer o Shen Qi (Ener­
(Weizhong), B-1 (Jingming).
gia dos Rins), pois e ste não pode receber
o Ying Q /d o ar inspirado, pela deficiência Obs.: Evitar usar os pontos da região dos
do Fei (Pulmão). olhos, pois podem form ar-se hem atom as.
Portanto, as causas de alopécia podem Para to n ific a r o sistem a Shen (Rins )/Fei
resultar de deficiên cia do eixo Shen/Fei (Pulmão), pode-se utilizar pontos co m o B-
(Rins/Pulmão) associada ao Gan-Yang (Fí­ 23 (Shenshu), VC-4 ( Guanyuan), B-52 (Zhi-
gado- Yang). A deficiência do sistem a Shen/ shi), VC-8 (Qizhong ou Shenque) com apli­
Fei pode resultar de fraqueza hereditária, cação de m oxabustão, R-16 (Ftuangshi),
condições da gestação, parto prem aturo, P-9 ( Taiyuan) e B-13 (Feishu).
cesariana, am am entação ou im unizações A estim ulação dos pontos de acupun­
em crianças (razão por que a alopécia are­ tura P-7 ( Lieque), P-5 ( Chize), VC-17 (Dan-
Cabelos e Unhas na Concepção Energética

zhong) e B-13 (Feishu) ajuda na descida troacupuntura em tonificação ou e stim u­


do Fei Qi (Energia do Pulmão). lação cercando as lesões. Pode-se utilizar
Para tratar os padrões de a co m e tim e n ­ a eletroacupuntura em drenagem em fre ­
to co m o estagnação de Gan Qi (Fígado), qüência alternada de 2Hz-4Flz por 20 m i­
Fogo do Fígado, D eficiência do Gan-Yin nutos. No caso da alopécia androgenéti-
(fíg a d o - Yin), utiliza-se a técnica Shu-Mo- ca, pode-se cercar a área de alopécia e
Yuan, que são o B-18 ( Ganshu), o F-14 to n ifica r com estim ulação de 2Hz durante
( Qinnen) e o F-3 ( Taichong). 10 m inutos.
Para n utrir o Gan-Yin fíg a d o - Yin), pode- Observa-se, com freqüência, associação
se utilizar pontos co m o o F-8 (Ququan) e de alopécias com oleosidade dos cabelos
o VC-4 ( Guanyuan). e d e rm a tite seborréica do couro cabelu­
do, podendo esta co existir independente­
Para nutrir o Shen-Yin (Rim -Yin), pode-
m en te da queda de cabelos Geralmente,
se utilizar pontos co m o o BP-6 ( Sanyinjiao)
c o n fu n d e -s e d e rm a tite se b o rré ica com
e o R-3 (Taixi).
psoríase do couro cabeludo. A derm atite
O CS-6 (Neiguan ) e o BP-4 (Gongsun)
seborréica é uma entidade co m u m rela­
são pontos im p orta ntes porque abrem o
cio n a d a c o m a d e s c a m a ç ã o g ra xe n ta ,
Chong M ai e M eridianos de ligação Yin,
úm ida e difícil de ser resolvida.
nutrem o Gan-Xue (Fígado-Sangue), abrem
o tórax e acalm am o Shen (M ente). São
pontos de acupuntura im p orta ntes para o UNHAS
tra ta m e n to de m ulhe res com e flúvio teló-
E xistem poucas d escrições de patolo­
geno (queda de cabelo p ro priam en te dita)
gia de unha que p ro cu ra m relacionar a
com tendência à anem ia pelo flu xo e xces­
m edicina ocidental com a oriental. A ver­
sivo na m enstruação. São, ta m b é m , usa­
dade é que o tra ta m e n to da unha, exceto
dos na deficiência de ferritina, que pode
a onicom icose , torna-se um desafio, pois
o corre r pela deficiên cia do Gan (Fígado)
m uitas alterações da unha são de origem
de arm azenar o ferro.
desconhecida. Na unha, podem -se m ani­
Os pontos VG-23 (Shangxing ) e VB-20 fe s ta r as alterações de m eta bo lism o que
(Fengchi) são pontos de acupuntura que fa vorece m o d esco la m en to ungueal, co­
ajudam a elim inar o Vento da região cefá- loração, a p a re cim e nto de estrias, fragili­
lica. A queda de cabelos, quando em ativi­ dade ungueal, pitis, etc. M as nem sem ­
dade, não deixa de ser a presença de Ven­ pre se encontra a causa de onicodistrofia,
to, pois é uma queda difusa. m e sm o com a biópsia.
Na prática, observa-se que os hom ens A unha é um apêndice especializado e
apresentam níveis elevados de fe rritina , queratinizado, que d ifere da pele por não
com padrões de estagnação ou Fogo do apresentar descam ação e dos cabelos por
Fígado. Nas m u lh e re s, o bserva-se m ais não a p re s e n ta r a tivid a d e cíclica. O que
fre q ü e n te m e n te a deficiência de ferritina co ntribu i para a relativa dureza da unha é
e, portanto, padrões de deficiência do Gan a falta de água, o que a torna im perm eá­
(Fígado). vel e dificulta o tra ta m e n to tópico.
Finalm ente, o uso dos pontos de acu­ A Figura 8.5 retrata onicodistrofia com
puntura locais torna-se m u ito im p orta nte, e spe ssam en to ungueal em paciente com
principalm ente, em pacientes com alopé­ psoríase devida à desarm onia que se es­
cia areata, com a finalidade de tratar a in­ tabeleceu por estagnação do Gan Qi (Ener­
flam ação local, podendo-se utilizar a ele­ gia do Fígado).
Capitulo VIII

Figura 8.5
Paciente
psoriático com
onicodistrofia.

A Figura 8.6 m ostra as estrias verticais


em paciente com psoríase; no caso, o apa­
re cim e n to destas estrias m ostra a altera­
ção na m atriz ungueal no período de fo r­
m a ç ã o u n g u e a l c o m o u m p ro c e s s o
inflam atório, m ostra nd o Fogo ou Calor do
Fígado.
Na M edicina Tradicional Chinesa, a unha
é considerada um te ndão m odificado re­
lacionado ao Gan (Fígado), de m odo que a
d eficiência da Energia do Fígado (Gan Qi)
leva à hip on utriçã o das unhas tornando-
as quebradiças, finas, endurecidas, com
estrias ou, em casos m ais graves, com um
aspecto de "casca de árvore podre e res­
se cad a".
A s unhas são form adas pela m atriz un­
gueal, crescendo de 3 a 5m m por m ês. O
c re scim e n to da unha depende do fo rn e c i­
m e n to de Xue (Sangue)à
cam ada g erm in ativa epi­
d é rm ic a . A unha fo rm a
um anteparo aos to q u e s
e às pressões e age, por­
ta n to , c o m o ó rg ã o do
tato.
A a lte ra ç ã o u n g u e a l
m ais co m u m é a onicom i-
cose, infecção fúngica da
unha que a com ete princi­
p alm ente o hálux, poden­
do se m a n ife s ta r c o m o
um d esco la m en to ou um

Figura 8.6
Figura ilustra as
alterações
ungueais do
tipo estrias
verticais.
e spe ssam en to e distro fia ungueal (Figura ▲ Figura 8.7
8.7). É m ais fácil tratar um d esco la m en to Espessamento
e distrofia
do que um espessam ento.
ungueal do
Outras queixas bastante fre q ü e n te s em hálux.
relação à unha são a fragilidade ungueal e
a descam ação relacionadas a diversas al­
terações sistêm icas, co m o anem ia, a lte­
rações horm onais p rin cip a lm e n te no cli- quiçada, amolecidas; elas se deformarão
m a té r io e lin h a s lo n g itu d in a is p e lo ou, então, serão delgadas e quebradiças".
en ve lh e cim e n to da m atriz ungueal. 0 Gan (Fígado) é o responsável pelo li­
Na M edicina Tradicional Chinesa, a unha vre flu x o de Qr, quando o Gan (Fígado)
é a m anifestação externa do Gan (Fígado), entra em desarm onia, pode ocasionar es­
p ortan to qualquer alteração relativa a este tagnação do Gan Qi e, co n se qü en te m e n ­
Zang (Órgão), seja ela prim ária ou secun­ te, do Canal de Energia do Gan (Fígado),
dária à desarm onia de o u tro s Zang (Ór­ p odendo ocasionar, então, desde um sim ­
gãos), pode provocar alterações ungueais. ples d esco la m en to ungueal até form ação
De fato, diz-se que a "aparência exterior de granulom a, co m o acontece em pacien­
do Gan (Fígado) observa-se nas unhas". te s co m a unha encravada do hálux. Este
Por o utro lado, a quantidade do Gan-Xue processo ocorre quando a desarm onia do
(Fígado-Sangue) pode se re fle tir no esta­ Gan (Fígado) lesa o Pi (Baço/Pâncreas)
do das unhas, pois, no Su Wen e xiste o com geração de Umidade-Calor. Quando
relato de que: "Estando o Xue (Sangue) a desarm onia é p referencialm ente do Gan
abundante, os tendões serão sólidos e (Fígado), ocorre alteração na face lateral
fortes e as unhas, resistentes e flexíveis". da unha do hálux, ao passo que o acome-
Por o u tro lado, "s e o Gan-Xue (Fígado- tim e n to p re fe re n c ia l do Pi (B aço/P ân­
Sangue) for insuficiente, os tendões se­ creas), m a n ife s ta -s e no lado m ediai da
rão fracos, as unhas secas de cor esbran- unha do hálux.
Os e s p e s s a m e n to s u ng ue ais p o d e m isso as a lteraçõ es h orm o na is fe m in in a s
surgir quando a U m idade é m u ito im p or­ ocasionadas pela desarm onia do Gan (Fí­
tante. No caso da presença de U m idade- gado) podem a fetar as unhas. De m odo
Calor, g eralm ente, a o nicom icose a com ­ geral, a deficiência do Gan-Yin (Fígado- Yin)
p an ha -se de in te rtrig o , m a c e ra ç ã o ou pode ocasionar unhas fracas, ao passo que
um idade interdigital, além de queixas gás­ as e stagnações do Gan Qi, g eralm en te,
tricas co m o as g astrites. Isso, provavel­ levam ao e s p e s s a m e n to das unhas; no
m ente, ocorre quando ficam afetadas as caso de Fogo do Gan (Fígado-Fogo) pode-
fu n çõ e s ene rg ética s de subida do Pi Qi se m an ifesta r o d esco la m en to ungueal.
(Energia do Baço/Pâncreas) e de descida As estrias transversais das unhas que
do Wei Qi (Estôm ago) pelo fa to de a de­ aparecem com o d eco rrer da idade tê m
sarm onia do Gan (Fígado) estar e storvan ­ relação com o Shen Qi (Energia dos Rins),
do o Pi (Baço/Pâncreas) e o W ei (Estôm a­ em que a m atriz ungueal passa a produzir
go). N este caso, as unhas afetadas pode­ a unha de m od o irregular, co m o se hou­
rão ser a do prim eiro e a do segundo dedos vesse enve lh ecim en to precoce das unhas.
do pé. O tra ta m e n to de patologia ungueal con­
Por o utro lado, estando a fu nçã o de as­ siste em tratar os padrões de desarm onia
sim ilação do tu b o d ig e stivo prejudicada, do Gan (Fígado), co m o estagnação de Qi
pode-se observar unhas fracas devido à e de Xue (Sangue), deficiências, Fogo do
dim inuição de ferritina, e stoq ue de fe rro Gan (Fígado-Fogo). A lé m disso, deve-se
arm azenado no fígado. O Gan (Fígado) é o tratar a Um idade, U m idade-C alor ou M u-
responsável pelo e nce rram e nto e conser­ c o sid a d e q u a nd o e s tiv e re m p re s e n te s .
vação do Xue (Sangue) e, ta m b é m , o res­ D eve-se, ta m b é m , circu iar o M e rid ia n o
ponsável pelos h orm ônios fe m in in o s, por a co m e tid o e e stim u la r o pon to Ting.
Capítulo IX

Acupuntura Estética &


Celulite e Gordura
Localizada

C e l u l it e e G ordura L o c a l iz a d a

H ouve épocas em que a m u lh e r vo lu m o sa , com


m uita s curvas, gorduras localizadas e celu lite repre­
sentava o que havia de m ais bonito numa m ulher, com o
m ostra a obra de R enoir (Figura 9.1).
Há ainda representações m ais antigas (Figura 9.2),
co m o a Vênus do Período Paleolítico, em que a p erfei­
ção de uma m u lh e r era representada pelo seu poder
de fe m in ilid ad e e de fecundidade.

▲ Figura 9.1
Pintura de Renoir
retratando mulheres
segundo o padrão de
Dra. Maria Assunta Y. Nakano beleza da época.
As duas obras artísticas m ostra m dois
pontos de vista para a representação da
m esm a m u lh e r fe m in in a e fecunda. Po­
rém, a Vênus representa a m ulhe r no po­
der, deusa, pois em m u ita s civilizações
antigas as m ulheres estavam no poder e
co m ando sem m ed o de ser m ulher. Na
obra de Renoir, as m ulheres eram m uito
mais o bjetos de prazer dos hom ens, do­
nas de casas, subm issas e m ães; o sim ­
ples fa to de não poder gerar um herdeiro
selava para se m p re o destino desta m u­
lher vista co m o infeliz.
Com as m udanças sociais após as guer­
ras m undiais, quando as m ulheres tiveram
que sair de casa para trabalhar, to d o este
quadro m udou, originando m ulheres mais
independentes, auto -su ficien te s e co m p e ­
titivas. Ju n to com isso, as ve stim e n ta s ti­
veram uma m udança no quadro e o corpo
m ais esguio e e sbe lto veio co m binar com
o q uadro. No e n ta n to , as p re fe rê n c ia s
m asculinas ainda recaem sobre as m ulhe­
res voluptuosas, m as os padrões de bele­
za fe m inina m udaram com a mídia divul­
gando cada vez m ais m ulhe res raquíticas,
A Figura 9.2
porém vencedoras no trabalho.
Vênus do Período
Então, "fic a r b o n ita " passou a ser, m u i­ Paleolítico.
to m ais do que atrair um h om em , atrair a
atenção do m undo. E o h om em , antes não
C e l u l it e
tão exigido, está passando a ser cobrado
ta m b é m pelo aspecto e stético , apesar de A H id ro lip o d is tro fia G in ó id e (HLD G ),
ainda m u ito m enos do que uma m ulher. conhecida ta m b é m com o celu lite ou lipo-
Talvez o equilíbrio seja a palavra correta d istrofia ginóide, é uma afecção do te cido
para se falar da acupuntura aplicada à es­ conjuntivo-adiposo que a com ete cerca de
tética, em to d o s os aspectos, seja corpo­ 8 0% das m ulheres ocidentais e conside­
ral ou facial. Pois a m aioria das m ulheres rada por alguns auto re s c o m o um a das
vencedoras não são nem vo luptuosas de­ características associadas ao sexo fe m i­
mais nem esguias dem ais. São m ulheres nino.
n orm a is. E, d e n tro d e sta n o rm a lid a d e , O nom e hidrolipodistrofia origina-se de
encontram -se m ulheres com característi­ trê s raízes: hidro (relativo à água), lipo (re­
cas físicas d ife re n te s um as das outras. A lativo ao te cido gorduroso) e distrofia (re­
acupuntura e s té tic a v e io va lo riza r cada lativo às alterações de tro fis m o e trocas
uma dessas m ulheres, d evolvendo o equi­ m etabólicas). Por sua vez, ginóide refere-
líbrio e fo rtalece n do a auto-estim a. se à fo rm a fem inina.
bbbb ^ — n—

0 aspecto e sté tico é o principal m otivo ca de laranja), devido às aderências e tra­


que leva as pessoas a procurarem ajuda ve s fib ró tic a s que apa re cem no te c id o
fre n te à presença de celulite, cujo proces­ adiposo co m p ro m e tid o.
so m órbido, uma vez iniciado, te nd e a evo­
luir gradativam ente para fo rm a s m ais avan­ F is io p a t o g e n ia da C e l u l it e
çadas.
A celu lite é definida co m o paniculopa- A unidade m icrocirculatória é constituí­
tia de áreas específicas do corpo hum a­ da de uma arteríola, siste m a s capilares,
no, que acom ete, p rincipalm ente, as m u­ vênulas e co le to re s linfáticos envolvendo
lh e re s , e ra ra m e n te os h o m e n s ; e stá o te c id o conjuntivo. Esta unidade m icro­
relacionada com m o d ifica çã o do te c id o circulatória (Figura 9.3) é o ce ntro do equi­
c o njun tivo subcutâneo por um em pasta- líbrio te c id u a l ond e o s is te m a vascular
m e n to intercelular devido às alterações da deve se adaptar às variações circulatórias.
substância fu nd am e nta l e da m icrocircu- Quando os m ecanism os com pensatórios
lação vascular. são superados poderão levar a alterações
A celu lite apresenta evolução gradativa, nas estru tu ra s vascular e tecidual, dando
a principio desenvolvendo-se para a fase início ao processo de celulite.
edem atosa, depois para a etapa edem a-
to-fibrosa, fib ro -e sclerótica , e fin a lm e n te
ao estágio tardio, que é a fase esclerótica ▼ Figura 9.3
ou cicatricial. C om isso, o bserva-se au­ Unidade
m e n to da espessura do te cido gorduroso microcirculatória
constituída de
e da consistência e a sensibilidade da re­
arteríolas,
gião fica acom etida, além de a presentar
capilares e
um aspe cto de pele acolchoada do tip o coletores
peau d'orange (pele com aspecto de cas­ linfáticos.

Capilares

Metarteriola

Vénula

Unidade 1
Unidade 2
114 Capitulo IX

Na fisiopatologia da celulite, na p rim e i­ p alm ente por ação horm onal, as quais au­
ra fase, ocorre a estase venosa, em que m en tam a viscosidade da substância fu n ­
e xistem uma fase hidráulica, na qual a cir­ dam ental. As fibras elásticas rom pem -se,
culação vascular se torna lenta e as célu­ p ro m o ven do a form ação de esclerose de
las endoteliais ficam túrgidas, e a seguir fibras colágenos e, com isso, prejudican­
uma etapa biológica na qual vai ocorrer a do as trocas m etabólicas dos te cido s c o m ­
agregação de glóbulos verm elhos, o que p rom etidos, enquanto os fibroblastos, que
leva ã estase venosa, a um entando a pres­ d ependem da boa troca m etabólica para
são intracapilar com a um en to da perm ea­ um fu n c io n a m e n to adequado, produzem
bilidade vascular e edem a de líquidos e substância fu nd am e nta l com alteração do
su bstâncias pro téica s do plasm a para o pH e excesso de proteína.
te cido co njuntivo. O correm , então, a so­ Nessa fase, já se percebe a celu lite pela
brecarga linfática e, ao m e sm o te m p o , a palpação e a pele apresenta-se com as­
liberação de substâncias co m o histam ina, pecto de acolchoado, com ondulações que
serotonina e prostaglandinas, o que carac­ se fo rm a m pelo edem a e pela esclerose.
teriza um p rocesso "in fla m a tó rio " tissu - No te rc e iro estágio da ce lulite, obser­
lar. Se os m acrófagos não despolim eriza- vam -se n ódulos visíveis e palpáveis, os
rem as proteínas, pode ocorrer e stim u la ­ quais m uitas vezes são dolorosos. Nesta
ção dos fib ro b la s to s co m c o n s e q ü e n te fase, a pele fica áspera, com poros cutâ­
transform ação em fib ro se e esclerose. neos dilatados e aspecto de acolchoado
No te cido "c e lu lític o ", os adipó citos hi­ ou casca de laranja, co m m icro va rize s,
pertrofiam -se e se fu n d e m em blocos; o edem a de m e m b ro s inferiores; advém a
a um en to das distâncias e ntre as células e flacidez, com o c o m p ro m e tim e n to das tro ­
os capilares altera as trocas nutritivas en­ cas m etabólicas local e regional, fa to este
tre o te cido e os vasos sangüíneos, além que não consegue m anter o tro fis m o tis-
de dim inuir, ta m b ém , os e stím ulos nervo­ sular.
sos em relação à lipólise.
No segundo estágio, o sistem a linfático F a to res e n v o l v id o s n o

responsável pela elim inação de to xina s e DESENVOLVIMENTO DA CELULITE

pela d re na ge m dos te c id o s passa a te r


São vários os fa to re s envolvidos na gê­
ação lim itada e qualquer acúm ulo de líqui­
nese da celulite com o:
do pode dar origem ao edem a. As células
adiposas a um entam de vo lu m e e passam
a arm azenar m ais gordura do que uma 1. Hormônios
célula adiposa norm al.
O quadro de retenção hídrica, o a um en­
Essas células adiposas aum entadas de to da perm eabilidade capilar e a alteração
tam anho e o edem a fo rm a do co m p rim e m do m e ta b o lis m o dos m ucopolissacaríde-
as estru tu ra s co njuntivas vasculares vizi­ os são relacio na do s com as ações dos
nhas, originando m icrovarizes, o que pode horm ô nio s sexuais, supra-renais, tireoide-
levar ao ro m p im e n to dos capilares sangüí­ anos e pancreáticos. (puberdade, gravidez,
neos e ao d e rra m a m en to de m ais líquido, tensão pré-m enstrual, clim a tério e m eno-
com conseqüente a um en to do dano teci- pausa) (Esquem a 9.1).
dual. Estrógeno: O h ip ere stro ge n ism o fa cili­
C om o conseqüência, ocorre a liberação ta a retenção de sódio e de potássio nos
desordenada de m acrom oléculas, princi­ te c id o s e a u m e n ta a d isp o n ib ilid a d e de
■4 Esquem a 9.1
Supra-renal Efeito dos hormônios na
Tireoideano gênese da celulite.
Sexual
Pancreático

r r\
\ \
1 \ \
/ \ \ : Alteração do m etabolismo do
m ucopolissacarídeo
.j
I \
t
tP e rm e a b ilid a d e Capilar
Retenção
Hídrica

* Insulina

Depósitos nos Hipotireoidismo relativo


adipócitos periférico

ácidos graxos livres, que irão se depositar Prolactina: A h ip e rp ro la c tin e m ia , que


com o triglicérides nos adipócitos pela ação ocorre m uitas vezes nos estados de es­
da insulina. Tam bém dim inui a cota livre tre s s e , fa v o re c e a c e lu lite d ire ta m e n te
de h orm ônio tireoideano ligando-a às pro­ pela retenção líquida do te cido adiposo e
teínas carreadores plasm áticas e p ro m o ­ in d ire ta m e nte por m eio de influências so­
ve n d o um a e sp é cie de h ip o tire o id is m o bre a secreção ovariana-hipofisária.
periférico relativo, o que agrava as altera­ Insulina: O h ip e rin su lin ism o periférico
ções teciduais (Esquema 9.2). localizado pode ser secundário ao hiperes-
r
116 Capitulo IX

Esquem a 9.3
Efeito do
hipotireoidism o na
gênese da celulite.

>l Receptores p Ativa fosfodiesterase


adrenérgicos t Receptores a 2
adrenérgicos

tro g e n ism o e ta m b é m pode in te rfe rir na 2. Estresses Cumulativos


form ação de celulite, uma vez que esses
dois são horm ô nio s favorece d ores de li- São alterações dos ritm os biológicos, as
possíntese. variações clim áticas, as m od ifica çõ es da
Hormônios tireoideanos:0 h ipotireoidis­ te m p e ra tu ra a m biental, fadigas e altera­
m o leva ã dim inuição dos receptores beta- ções do equilíbrio neuropsíquico. A vida
adrenérgicos e aum enta os receptores alfa m oderna leva os indivíduos a situações em
2 adrenérgicos, além de ativar a fo s fo d i­ que o acúm ulo de fatores negativos lesa
e sterase , os h o rm ô n io s tire o id ia n o s in­ a integridade psicofísica, cujos e fe ito s se
flu en cia m n egativam ente na lipólise (Es­ som am chegando a um platô de crises às
quem a 9.3). vezes irreversíveis (Esquema 9.4).

Esquem a 9.4 ►
Estresse
Efeito do estresse
na retenção hídrica.

1
Alteração Hipofisária
Hiperprolactinemia

Eixo HiDÓfise -
L _ 1s\ V_S | 1 1I W / 1 1v JV /

Ovariano Retenção Liquida j


A cupuntura Estética & C elulite e Gordura Localizada 117

3. Calçados e Vestuários Inadequados im p o rta n te q u a n to o s e d e n ta ris m o por


e star associado a reduzida atividade físi­
O pé representa uma parte im p orta nte ca, d ificu lda de circulatória geral, postura
do corpo na circulação linfática dos m e m ­ inadequada e reduzida atividade respira­
bros inferiores. O salto alto co m p orta so­ tória (oxigenação inadequada resultando
brecarga de peso para o antepé, levando em c o m p ro m e tim e n to de trocas m etabó­
à contratura da m uscular da panturrilha, o licas teciduais).
que p ro m o v e o b s tá c u lo às circ u la ç õ e s
venosas e linfáticas.
7. Alimentação
O aspecto m ecânico de calçados e ves­
tim e n ta s, com o ve stes íntim as apertadas A s pessoas que estão sob dieta podem
ao nível da bacia, leva à co m p re ssã o e estar subm etid as a m ecanism os com pen­
e stira m e nto, co n stitu in d o o bstáculos à li­ satórios do organism o, nos quais o con­
vre circulação ve no-linfática e facilitando su m o cada vez m en or de alim entos (fari-
a instalação de celulite. náceos) estim ula m ecanism os endócrinos
que regulam os gastos e os consum os. O
4. Anom alia da Postura hip erinsu lin ism o é um e xem plo dessa si­
tuação.
As alterações da postura podem ser um Um o u tro aspecto im p orta nte é o equi­
dos fa to re s coadjuvantes na instalação de líbrio e ntre os c o m p on en te s dos alim en­
celulite, pois fa vorece m à estase venosa to s . A s s im , os a lim e n to s a c id ific a n te s ,
e linfática, com o: co m o carnes, açúcares refinados e produ­
* A u m e n to de peso em um dos lados to s refinados dos cereais são considera­
da coluna (anterior ou posterior) co m o o dos inadequados para o te cido gorduroso
abdom e ou a gordura cervical, com con­ e to d o o m eca nism o de desintoxicação do
se qü en te hiperlordose lom bar e cervical; o rg a n is m o te m a fin a lid a d e de elim in a r
* Perm anência prolongada na posição radicais ácidos da circulação sangüínea. Os
sentada; a lim e n to s alcalinizantes, co m o verduras,
* Perm anência por longo te m p o em pé; fru ta s e cereais integrais, e os acidifican­
te s devem estar em equilíbrio para uma
5. Sedentarismo e Inatividade Física m e lh o r troca m etabólica tecidual.
Álcool: A ingestão de bebidas alcoólicas
Pode o co rre r por preguiça, h ábito ou induz a tran sfo rm açã o do álcool em car-
necessidade, com o, por exem plo, ativida­ b oidratos, pod en do levar a a u m e n to de
de profissional; associadas ao a um en to do peso corporal. A lé m disso, a sobrecarga
peso corpóreo, co ntrib u e m m u ito para a hepática pode levar à dim inuição te m p o ­
piora da circulação local e geral do corpo rária da função hepática, com desvio do
co m o um todo. m e ta b o lism o a fa vor do estrógeno e hipe-
S edentarism o é o fa to r e xógeno m ais restro ge nism o te m p orá rio relativo.
im p orta nte para d esencadeam ento e pio­ R efrigerantes: A lé m dos açúcares, o
ra de celulite. sódio é um dos ingredientes que favore­
cem a retenção líquida;
6. Obesidade e Celulite Café e chá preto: A cafeína, sistem ica-
m ente, atua d iretam en te no sistem a ner­
A pesar de a obesidade não ser sinôni­ voso central, cuja excitabilidade funciona
m o de celulite, é um fa to r fa vorece d or tão c o m o e s tre s s e fa v o re c e d o r de celulite,
i
118 Capitulo IX

apesar de o uso local da cafeína agir co m o Celulite Grau I


inibidora da fo sfo diesterase , favorecendo
a lipólise. N este grau de celulite, não se observam
ondulações ou depressões da pele visual­
Cigarro: Suas toxinas im p ed e m a circu­
m e n te im p orta ntes, mas quando se pal-
lação sangüínea provocando vasoconstric-
pa, te m -se a sensação no local de "casca
ção capilar e, ao nível dos pulm ões, pro­
de laranja".
m ovem trocas gasosas inadequadas, com
m e n o r oxig en açã o de sangue e c o n se ­
qüente d im inuição de trocas m etabólicas Celulite Grau II
teciduais.
Nesta fase, já se podem observar leves
Ingesta insuficiente de líquidos'. O líqui­
o n d u la ç õ e s na p e le , s e n d o p o u c a s as
do é um im p orta nte veículo carreador de
áreas acom etidas.
n utrien te s por m eio do sangue e ta m b é m
O bserva-se na Figura 9.4 uma paciente
im p orta nte carreador de toxinas para ex­
com celu lite grau l-ll, onde e x iste m áreas
creção. A ingesta adequada de água ace­
na pele onde não há ondulações e áreas
lera a excreção de toxinas pelas vias renal
com leve ondulação.
e intestinal.

Q uadro C l ín ic o d e C e l u l it e
▼ Figura 9.4
A sp e cto de
A celulite pode ser classificada em qua­ celulite da regiáo
tro graus, de acordo com o estágio evolu­ posterior da coxa
tivo. de grau l-ll.
Acupuntura Estética & C elulite e Gordura Localizada

Figura 9.5
A specto de celulite
de grau III com
áreas de ondulações
da pele.

Celulite Grau III

O bservam -se neste grau de


celu lite áreas com retrações,
nódulos e fib ro se da pele mais
im p o rta n te (Figura 9.5).

Celulite Grau IV

N este grau de celulite, ob­


serva-se que a m aior parte do
m em bro está acom etida com
nódulos, poros dilatados e m i­
cro varizes (Figura 9.6). É um
estágio avançado, no qual se
observam nitid am e nte a alte­
ração do tro fis m o , o so frim en ­
to cutâneo e toda a alteração
circulatória.

T r a t a m e n t o s p a r a c e l u l it e e

GORDURA LOCALIZADA

Tratam ento preventivo

Uma vez que os tip o s físi­


cos e genéticos acenam para
o d e s e n v o lv im e n to da celuli­
te e da gordura localizada, po­
d e m s e r a d o ta d a s a lg u m a s
m edidas para retardar ou até
m e s m o im p e d ir que fo rm a s
avançadas de celulite se esta-

Figura 9.6
A specto de celulite
grau IV, no qual se
observa aspecto de
" peau d'orange" e
ondulações da pele.
beleçam , pois neste estágio se torna m ais gia, m esoterapia, ultra-som , drenagem lin-
difícil o tratam en to . fática, ionização, subcisão, m edicam entos,
Os exercícios físicos m oderados e re- lipoaspiração com lipoescultura.
gulares, aliados a uma alim entação balan­
ceada e adequada, a m anutenção do es­ C e l u l it e s o b o p o n t o d e v is t a d a
ta d o e n d ó c rin o re g u la r e a in g e s ta de M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a
líquidos su fic ie n te s para boa elim inação
urinária de resíd uo s se ria m s u fic ie n te s S egundo as co nce pçõ es da M ed icin a
para a m anutenção adequada do equilíbrio Tradicional C hinesa, a e xistên cia de um
em uma fase inicial ou co m o m edida de estado Vazio inato de Yang Qi (heredita­
prevenção da celulite e da gordura locali­ riedade) no Zhongjiao (Aquecedor M édio),
zada. a agressão pelo Frio-U m idade de origem
O estado de e stre sse de cada indivíduo exógena ou o excesso de a lim en to s (co-
d ificilm e n te pode ser m ensurado e, sobre­ m ida-bebida) podem co nsu m ir em dem a­
tu do no caso de pessoas que m oram em sia o Pi-Yang (Baço -Yang), acarretando a
grandes centros urbanos, vivendo em um desarm onia energética da função de trans­
ritm o fre n é tic o e, na grande m aioria das p o rte/tran sform açã o deste Órgão (Zang).
vezes, obrigados a um se de nta rism o pro­ Com o acúm ulo de exsudato conse qü en ­
fissional, torna-se difícil fazer a prevenção te à estagnação de Xue (Sangue) co nsoli­
de qualquer doença. da-se o quadro "H um ores viscosos trans­
bordam e vão estagnar nos m em bros,
Tratam ento de celulite propriam ente criando edem a" (Esquema 9.5).
dito
▼ Esquem a 9.5
Podem ser utilizadas as se guintes té c­
Concepção energética
nicas: acupuntura e eletroacupuntura, ele- de form ação de
trolipó lise e e le trolipo fo re se, end erm o lo- celulite.

Vazio Congênito

I
Alteração na função de transporte e transformação

Humores viscosos transbordam e vão estagnar


nos membros, criando edema
A cupuntura Estética & C elulite e Gordura Localizada 121

O Pi (Baço/Pâncreas) te m a im p orta nte As flu tua çõe s horm onais e outros fato­
função energética de d irigir o tran spo rte res e x ó g e n o s fu n c io n a m c o m o fa to re s
e a transform ação dos a lim entos, a subi­ negativos na tentativa de m anutenção do
da do puro e contenção do Xue (Sangue) equilíbrio e ntre o Yin e o Yang, fase em
nos vasos sangüíneos; relaciona-se com que se iniciam as m anifestações de afec-
a renovação e a repartição do Jin Ye (Lí­ ções herdadas. N este co nte xto , m anifes­
q uidos O rgânicos). Segundo o N ei Jing, ta-se o prim eiro e m ais im p orta nte dese­
"Se o Pi (Baço/Pâncreas) for insuficiente quilíbrio ene rg ético e xisten te em todas as
os líquidos transbordam" e ta m b é m " o Pi fo rm a s de celulite, que é a estagnação de
(Baço/Pâncreas) com anda a carne e os Qi e Xue (Sangue). O Gan (Fígado) em
m em bros": e "se o Pi (Baço/Pâncreas) for desarm onia perde a principal função ener­
insuficiente, não poderá pôr em circulação gética que é o "liv re flu xo de Q i".
os humores do Wei (Estômago) e os m em ­ Por o u tro lado, a alim entação inadequa­
bros ficarão privados de alim entos". Por­ da e desregrada e a fadiga c o n stitu e m fa­
tanto, é o Pi (Baço/Pâncreas) que m antém to re s causais de e n fra q u e cim e n to do Pi
o tônus m uscular e a força dos m em bros. (Baço/Pâncreas). Em conseqüência, o Jin
O Fei (Pulmão) controla, energeticam en- Ye (Líquidos Orgânicos) não pode se ele­
te, a descida e a elim inação do Jin Ye (Lí­ var para u m e de cer os Zang (Órgãos) do
quidos Orgânicos), regulariza a circulação Shangjiao (A quecedor Superior) e a Água
da Via das Águas; controla a descida da estagnada no Zhongjiao (Aquecedor M é­
Energia Celeste ( Tian Qi) para o Shen (Rins) dio) enfraquece o Pi-Yang (Baço/Pâncreas-
(se e ste e stive r insu ficien te, a Energia to r­ Yang) podendo levar à form ação de ede­
nará a subir). Controla a descida da Água ma.
do Shangjiao (A quecedor Superior), para Os excessos sexuais ou a fadiga m en­
o Xiajiao (A q u e c e d o r In fe rio r) (Via das tal podem enfraq u ece r o Shen Qi (Ener­
Águas). Rege a difusão e se m anifesta na gia dos Rins); neste caso, pode ocorrer a
pele. O Fei Qi (Energia do Pulmão) acele­ perda da ação de controle na abertura e
ra a d istrib u içã o do Xue Qi (Energia do no fe ch a m e n to dos orifícios do Pangguang
Sangue) e do Jin Ye (Líquidos Orgânicos). (Bexiga) e, igualm ente, o que pode acar­
O Shen (Rins) te m a função de armaze­ retar estagnação de líquidos e prom over
nar o Jing (Quintessência), recebe o Tian a form ação de edem a.
Qi e rege os líquidos corporais. Recebe o A ssim , p odem -se agrupar as ce lu lites
Qi Inato (herança dos pais) e o Qi Adquirido em duas fo rm a s básicas, segundo a con­
por m eio dos alim entos transform ados pelo cepção da M ed icin a Tradicional Chinesa
Pi (Baço/Pâncreas) e pelo Wei (Estômago). (Figura 9.7).
As m ulheres, por volta dos 14 anos, já
podem engravidar. Nesta fase, a produção 1 . C e l u l i t e p o r E s t a g n a ç ã o de G a n Q i
de horm ô nio s sexuais vai caracterizar se­ ( E n e r g i a d o F íg a d o )
cundariam ente uma m u lh e r com d epósi­
to de gorduras d e te rm in a d o hereditaria- A c e lu lite por e stag na çã o de Gan Qi
m e n te . E ssa s g o rd u ra s lo c a liz a d a s (Energia do Fígado) m anifesta-se por ser
fu ncio na m com o um verdadeiro obstácu­ m ais infiltrativa e dolorosa, com períodos
lo para a circulação de sangue e, pelo fa to de piora no período pré-m enstrual e m e­
de o Qi ser o com andante do Xue (San­ lhora após a m enstruação. Relaciona-se,
gue), associam -se log icam en te à estagna­ gera lm e n te , co m a síndrom e de tensão
ção da circulação energética. pré-m enstrual (TPM) e m anifesta-se com
Capitulo IX

alterações clínicas co n se q ü e n te m e n te à T Figura 9.7


estagnação de Q /co m o sudorese, edem as C elulite sob a
concepção energética
das m am as, abdom e, m ãos e tornozelos.
por deficiência de Qi e
As m ulheres mais jovens apresentam ge­ Pi-Yang (Baço/
ralm ente esta fo rm a de ce lu lite (Figuras Pâncreas- Yang) e do
9.7 e 9.8). Shen-Yang (R im - Yang).

Alimentação j
F lu tu a çõ e s h o rm o n a is j

Constituição física Estilo de vida


emocional sedentarismo

2.Deficiência de Yang
do Baço/Pâncreas e
dos Rins
Formas J
mistas ■

Figura 9.8 ►
A fo to ilustra
uma celulite por
estagnação do
Gan-Yang
(Fígado- Yang)
prom ovendo a
form a Yang de
celulite.
2 . C e l u l i t e p e la s d e fic iê n c ia s a falha do sistem a de aquecim ento cutâneo
do P i-Y a n g ( B a ç o /P â n c r e a s - Ya n g ) regional promovida pela estagnação de Gan
e d o S h e n (R in s ) Qi (Energia do Fígado).
De m odo que a fo rm a m ista, com os
A celu lite originada de deficiências do co m p o n e n te s sim u ltân e os de estagnação
Pi-Yang (Baço/Pâncreas- Yang) e do Shen de Gan Qi (Energia do Fígado) e deficiência
(Rins) (Figura 9.9) é uma form a m ais flácida de Pi-Yang (Baço/Pâncreas- Yang) e de Shen
e se desenvolve de m aneira gradual, com (Rins), é a fo rm a m ais fre q ü e n te m e n te
piora no período pré-m enstrual, sem quei­ encontrada, podendo apresentar caracte­
xas dolorosas, m as sim de flacidez. A piora rísticas ta n to de um co m p on en te co m o do
do quadro de celu lite relaciona-se com o outro. No entanto, pode-se p re verá evolu-
frio, m enstruação abundante e fezes soltas
e ocorre em pacientes de m ais idade.
A pesar de a celu lite ser classificada em
duas form as, Yang e o Yin, observa-se, na T Figura 9.9
prática, que to da c e lu lite m a n ife sta -se , Exem plo de celulite
inicialm ente, por uma fase de estagnação por deficiência
do Pl-Yang (Baço-
de Qi, já que o início do processo de ado­
Yang) e do Shen-
e cim e n to refere-se à unidade m icrocircula­ Yang (Rim -Yang)
tória, a qual pode estar relacionada com o prom ovendo a
Wei Qi (Energia de Defesa). Ou seja, ocorre celulite form a Yin.
124 Capítulo IX
k

Caracteristica ocidental Qi Ancestral (Inato)

•Hormonal •Deficiência Yang BP-Rim

•Emocional


♦ •Alimentação

* Desgaste Físico
Fator Emocional (TPM) ♦ * Excessos sexuais

Qi Baço e Rim

Estagnação Qi Deficiência de Qi
e Xue Rim-Baço

ção da celulite de uma paciente co nfo rm e ▲ Figura 9.10


Fisiopatologia
as características e nergéticas observadas
de celulites Yang
de estagnação ou de dim inuição de Yang [Estagnação de Qi
(Figura 9.10). e de Xue (Sangue)]
A form a mais Yang de celulite sofre m aior e Yin [Deficiência do
influência de fatores em ocionais e horm o ­ Pi (Baço/Pâncreas)
e do Shen (Rins)].
nais e de a lim en to s que geram Um idade
e Calor e está relacionada com a tensão
TA-6 (Zhigou), para m over o Q /e p ro m o ­
pré-m enstrual.
A form a m ais Yin de celu lite sofre m aior ver a transform ação de flu id o s no Sanjiao
influência de fatores co m o desgastes físi­ (Triplo Aquecedor);
cos e alim entos que geram U m idade e Frio VC-5 (Shinnen) e VC-6 (Qihai), para ajudar
e está relacionada com a flacidez. na dispersão de U m idade, Umidade-Calor,
harm onizar a Via das Águas e harm onizar o
Xiajiao (A quecedor Inferior);
Tr a ta m e n to d a c e l u l it e c o m
VC-9 (Shuifen), para tran sfo rm ar os flu i­
ACUPUNTURA, ELETROACUPUNTURA
dos e aliviar o edem a;
E APLICAÇÃO DE VENTOSA
CS-6 (Neiguan), para acalm ar o Shen
1) Estagnação de Gan Qi (Energia do (M ente), harm onizar o Sanjiao (Triplo Aque­
Fígado): cedor) e dispersar a M ucosidade.
O tra ta m e n to local da c e lu lite c o m a
Podem ser utilizados os se guintes pon­ utilização de ventosa com técnica de des­
to s de acupuntura: lizam ento utilizando óleos essenciais (por
F-3 ( Taichong ), V B -34 (Yanglingquan), exemplo, m istura de óleos de laranja, de tan­
F-14 (Q im en) e B-18 ( Ganshu), para drenar gerina, de eucalipto, de alecrim, etc.), te m a
o Gan (Fígado); finalidade de liberar as energias estagnadas
Acupuntura Estética & Celulite e Gordura Localizada

A Figura 9.11
Técnica de
aplicação de
ventosa por
deslizamento
no tratam ento
de celulite.

Figura 9.12 ►
Colocação de
agulhas e o modo
de conexão dos
eletrodos para
a realização de
eletroacupuntura
na área de
celulite e
de gordura
localizada.

do local, perm itindo a melhora da circulação puntura, em dispersão, com freqüência de


de Qi e de Xue (Sangue) (Figura 9.11). 50 a 300Hz, durante 20 a 30 m inutos, nos
Um o u tro m é to d o de tra ta m e n to da locais onde estão presentes os nódulos e
celulite pode ser a aplicação de eletroacu- as gorduras localizadas (Figura 9.12).
A e le tro a c u p u n tu ra , em to n ific a ç ã o , (Alarm e) do Sanjiao (Triplo A q u e ce d o r),
pode ser aplicada nos M eridianos locali­ para m ove r o líquido do Xiajiao (Aquece­
zados, principalm ente, na região Yin dos dor Inferior). Deve-se, igualm ente, to n ifi­
m e m b ro s s u p e rio re s e in fe rio re s (face car o Shen (Rins) e o Pi (Baço/Pâncreas)
mediai da coxa e do braço). Podem -se uti­ pela técnica Shu-Mo-Yuan.
lizar os pontos m oto res (motorpoints) para Deve-se, ainda, aplicar a e le troa cup un ­
auxiliar na to nificação m uscular, pois aju­ tu ra lo c o rre g io n a l, e m to n ific a ç ã o , nos
dam a fo rtalece r a m usculatura e o tô n u s Canais de Energia (M eridianos) que pas­
da região tratada. sam pela região. A acupuntura e a aplica­
ção de m oxa bu stã o to rn am -se recursos
2) Deficiência de Pi-Yang (Baço/ dos m ais im p o rta n te s no tra ta m e n to de
Pâncreas- Yang) e de Shen (Rins) todas as fo rm a s de celulite, uma vez que
se o b té m a harm onização energética do
O tra ta m e n to sistê m ico da celulite pode o rganism o co m o um todo.
ser realizado aplicando-se a m oxabustão No caso de fla cid ez que, g era lm e n te ,
nos pontos B-20 (Pishu), B-22 (Sanjiaoshu) a com ete a face m ediai da coxa com apa­
e B-23 (Shenshu) e acupuntura em VC-12 re c im e n to de linhas de fla c id e z que se
(Zhongwan), R-7 (Fuliu), E-36 (Zusanli), VC- acentuam em posição orto stá tica (Figura
9 (Shuifen), E-28 (Shuidao), BP-9 ( Yinling- 9.13), deve-se to n ific a r in te n sa m e n te os
quarí), VC-5 ( Shimen) e P-7 ( Lieque) para M eridian os e os m otor points dessa re­
fo rtalece r as fu nçõ es energéticas de trans­ gião. A região m ediai da coxa é o local que
porte, tran sfo rm açã o e de excreção dos n orm a lm e nte evolui para a flacidez inde­
flu id o s; e em VC-5 (Shimen), p o n to Mo p e n d e n te m e n te do tip o de celulite.
A cupuntura Estética & C elulite e Gordura Localizada

Figura 9.14
Tratam ento por
eletroacupuntura da
retração de celulite da
região glútea m ostrando a
disposição das agulhas e
dos eletrodos.

A Figura 9.15
Paciente com
T r a t a m e n t o d a s r e t r a ç õ e s d a c e l u l it e retração na região
glútea D: aplicação de
As retrações da celu lite aparecem com eletroacupuntura e o
m uita freq üê n cia na região glútea próxi­ resultado obtido com
o tratam ento.
mo, ao p onto VB-30 (Huantiao), onde se
observa, g e ra lm e n te , n ó d ulo ou fib ro s e
próxim o à retração. Seu tra ta m e n to deve
objetivar dissolver as fib ro ses ou nódulos
palpados, utilizando-se freq üê n cia s altas
de estim ulação na ord em de 300H z com
duração de 20 a 30 m inutos, em cada ses­
são (Figuras 9.14 e 9.15).
Para tra ta m e n to da gordu­
ra lo c a liz a d a , c o m o , p o r
exem plo, a gordura a bd om i­
nal, ce rca -se a g ord u ra em
p e q ue na s ou m é d ia s áreas
com quatro a oito agulhas e o
e letrodo é colocado cruzado,
co m o no tra ta m e n to da dor.
U tiliza-se alta freq üê n cia de
300H tz durante 20 a 30 m i­
nutos. As Figuras 9.16 e 9.17
m ostra m as duas fo rm a s de
colocação das agulhas e dos
ele trod os.
O cu lo te de cheval é trata­
do co m o gordura localizada.
C e rca -se a área c o m o um
p onto Ashi de dor, porém em
▲ Figura 9.16
uma área maior, subm etendo-
Tratam ento da
a à e le tro d isp e rsã o em alta gordura abdom inal
fre q ü ê n c ia (300H z, d u ra n te escolhendo-se duas
Figura 9.17 ▼
20 m inutos). M uitas vezes ob­ áreas m édias e
T ratam ento da
esquem a de
serva-se um acúm ulo no m eio gordura abdom inal
colocação de agulhas
do culote de difícil dissolução. de acupuntura e de
escolhendo-se quatro
N e s te ca so, c o lo c a m -s e 4 áreas pequenas e
eletrodos.
esquem a de
a g u lh a s c e rc a n d o a área e
colocação de agulhas
m ais 4 agulhas no ce ntro da de acupuntura e dos
gordura (ver técnica de e letro­ eletrodos.
acupuntura). O cátodo (garra
p re ta ) d e v e fic a r no m e io
(centro da gordura) e os ano-
dos (garra verm elha), na peri­
feria (Figura 9.18).

R esultado do T ratam ento e

C e l u l it e

As ilustrações das Figuras


9.19 a 9.29) m ostra m os re­
s u lta d o s o b tid o s co m tra ta ­
m en to de acupuntura, e le tro ­
acupuntura e ventosa realiza­
dos no A m b ulatório de A cu ­
puntura Estética do Setor de
M edicina C hinesa-A cupuntu-
ra da UNIFESP.
4 Figura 9.18
Esquema de inserção de
agulhas de acupuntura e de
eletrodos para o tratam ento
por eletroacupuntura de
culote de cheval.

▼ Figura 9.19
Tratam ento de celulite:
(A) com eletroacupuntura
e intraderm oterapia com
alcachofra e centelha
asiática e (B) após 12
aplicações.
Capítulo IX

Figura 9.20 ▲
Tratam ento de
celulite da coxa:
(A) com
eletroacupuntura e
intraderm oterapia,
(B) com 15
aplicações e
(C) após 12
aplicações.

Figura 9.21 ►
Celulite da coxa:
(A) tratada com
eletroacupuntura e
ventosa e (B) após
12 aplicações.
T Figura 9.23
Flacidez da face
mediai da coxa (A).
Resultado após 7
aplicações de
trata m e nto (B)
132

Figura 9.24 ▲
Gordura localizada tipo
culote e celulite (A).
Resultado após 12
aplicações de
trata m e nto (B). Houve
dim inuição de 4 cm em
cada coxa.

T Figura 9.25
C elulite da região
glútea (A). Resultado
após 7 aplicações de
eletroacupuntura (B).
Figura 9.26 ▲
C elulite do tip o culote
de cheval (A). ▼ Figura 9.27
Resultado após 12 Tratam ento da gordura do pescoço (A).
aplicações de Resultado após 10 aplicações de
eletroacupuntura (B), eletroacupuntura (B). Paciente não
Houve a redução de 10 em agreceu, perdendo apenas a gordura
cm de diâm etro em no pescoço com m elhora das
cada coxa. condições tróficas da pele.
Figura 9.28 ►
Celulite e flacidez do
braço d ireito (A).
Após 10 aplicações
de eletroacupuntura
em tonificação nos
pontos m otores (B)
com a m elhoria da
flacidez e do tro fism o
da pele e dos
m úsculos.

A aplicação de eletroacupuntura de
ação locorregional e/ou a aplicação de
ventosa são indispensáveis no trata ­
m en to de celu lite e gordura localiza­
da, uma vez que as alterações locais
dem oram m u ito para a sua regressão,
devendo ser utilizadas ta m b é m té cn i­
cas de tra ta m e n to para a obtenção de
equilíbrio ene rg ético geral.
A pesar de a celulite e a gordura lo­
calizada p o d e re m se r co n sid e ra d a s
um a "q u a s e p a to lo g ia " in c u rá v e l,
pode-se dizer com certeza que a acu­
puntura e a e le tro a cu p u n tu ra c o n tri­
buem para a estabilização, regressão
ou "q ua se cu ra " ou m e sm o a cura se
se souber conduzir a prevenção, con­
fo rm e a nossa experiência no A m b u ­
latório de A cupuntura Estética do Se­
to r de M edicina C hinesa-A cupuntura
da UNIFESP.

Figura 9.29 ►
Paciente da Figura 9.28
m ostrando a evolução
com o trata m e nto do
braço esquerdo.
Acupuntura &
Estética da Mama

In tro dução

A m am a, além da sua im p o rtâ n c ia fis io ló g ic a na


lactação, ta m b é m participa da identidade da m ulher.
Seu significado eró tico exerce grande influência sobre
a auto-estim a fem inina, e por isso as alterações inesté­
ticas da m am a afetam g ra nd em en te o co m p o rta m e n to
social da m ulher.
E xce tu a n d o -se as m a m o p la s tia s realizadas para
c o rre ç õ e s p o s tu ra is , p ó s -m a s te c to m ia s ou o u tra s
indicações m édicas p ro priam en te ditas, atualm ente,
é co m u m observar a realização de m am oplastias em
idades cada vez m ais precoces, de pacientes em busca
de um padrão e s té tic o im p o sto pela sociedade.
O estud o da técnica de acupuntura estética para a
m am ária surgiu a partir do desejo de disponibilizar para
m am as flácidas e ptóticas um tra ta m e n to e s té tic o que
não fo sse cirúrgico. Isto porque o tra ta m e n to cirúrgico
pode resultar em cicatrizes hipertróficas, retrações fi-
bróticas do te cido m am ário e até m esm o a persistência
da ptose após o p ro ce d im e n to cirúrgico.
Contudo, é im p o rta n te reconhecer que a técnica de
acupuntura apresenta lim itações, com o m am as volum o­
sas ou com excessos de pele; nestas circunstâncias, é
im periosa a indicação cirúrgica.

E m b r io l o g ia da M ama

A glândula m am ária é uma glândula m odificada da


pele e, assim co m o ela, origina-se da ectoderm e. O seu
d ese nvo lvim en to inicia-se p re coce m e nte e já na quinta
sem ana de gestação aparecem as raias ventrais, que
Dra. Pauta shin Coutinho originam depois as cristas m am árias. À medida que o
Dra. Maria Assunta y Nakano e m brião se desenvolve, persiste som ente a sua porção
s u p e rio r fo rm a n d o o b otão m am ário na axilar m édia, atingindo fre q ü e n te m e n te a
região co rresp on de n te ao tórax, e eventu­ m argem lateral do m úsculo peitoral m aior
a lm ente a cauda de Spence até a axila. A e porções superiores da axila.
falha da involução da crista m am ária pode A m am a é uma glândula co m p a rtim e n -
originar a m am a acessória, desde a região tada por traves de te cido co njun tivo - os
axilar até a região inguinal. ligam entos de Cooper. Este te c id o conjun­
Ao longo de toda a gestação ocorrem tivo form a picos denom inados retinacula
interações dos te cido s glandulares m am á­ cutis, que se fixa m à pele.
rios com o estrom a, de form a que no fe to As im a g e n s da Figura 10.1 m o s tra m
a te rm o já se observam redes sim p les de algum as estruturas m am árias im portantes.
duetos ram ificados.
A telarca precede a m enarca, e com a A n a t o m ia T o p o g r á f ic a da M ama
m aturidade do eixo h ip otálam o -h ipó fise-
ovariano, na puberdade, in te n sifica -se o Para se situar to po gra ficam en te , e para
d e s e n v o lv im e n to m a m á rio . O s b o tõ e s se prevenirem as eventuais punções inad­
m am ários aum entam , e inicia-se a d iferen­ v e rtid a s , c o n v é m te r c o n h e c im e n to da
ciação lobular. anatom ia da m am a.
O desenvolvim ento m am ário continua ao Subjacente à pele da mama, encontra-se
longo da vida adulta e vem a se co m p le ta r uma camada de te cido celular subeutâneo;
s o m e nte com a gestação e a lactação. logo abaixo, a fáscia superficial e depois
Term inada a lactação, m u ito s lób ulo s o te cid o glandular m am ário propriam ente
involuem , e à m edida que a m ulhe r enve­ d ito ; s u b ja c e n te ao m e s m o , e n c o n tra -
lhece, o te cido m am ário é substituído por se outra cam ada de te c id o su b e u tâ n e o
te cido gorduroso. preenchendo o que se chama de espaço
retrom am ário; em seguida, em direção ao
A n a t o m ia d a M ama

▼ Figura 10.1
A glândula m am ária localiza-se na pare­
O tecido m am ário visto na
de torácica, entre a clavícula e a 6a e a 8a ressonância nuclear magnética
costelas. Pode estender-se m ed ia lm e nte m ostrando os com ponentes da
até o esterno e lateralm en te até a linha mama e tecidos adjacentes.

" g o r d u r a (te c id o s u b e u tâ n e o ) , m . p e ito r a l m a io r g o r d u r a (te c id o su b e u tân e o ) m. p e ito r a l m a io r

lig a m e n to s u s p e n s ó r io lig a m e n to su sp e n só rio


m a m á r io ( d e C o o p e r) m a m á r io ( d e C o o p e r)

m. p e ito r a l m e n o r

J k

d u e to la c tife ro ,
c ostela

■ ir te c id o f ib r o g la n d u la r in te rc o sta l

te c id o f ib r o g la n d u la r
lig a m e n to s u sp e n só rio 's e x ta c o stela
m a m á r io (de C o o p e r)
Imagem - Dr Edson M. Nakano \Jmagem - Dr Edson M. Nakano
Acupuntura & Estética da Mama

Lóbulos da glândula mamária

Unidade lobular
do dueto terminal

Ligamento suspensório
mamário (de Cooper)
m. peitoral maior

Fáscia
Dueto lactifero pré-peitoral

Seio lactifero

Papila mamária Espaço


retromamário
Aréola da mama

Quinta costela
Sexta costela
Ligamento suspensório
mamário (de Cooper)

Tecido subeutâneo

Esquem aúw ção da anatom ia da mama e sua correlação com estruturas anatôm icas retrvmamárias

Figura 10.2 ▲ g o m e ry ), a lé m de fo líc u lo s p ilo so s. As


Relações da mama com os pequenas nodulações que se evidenciam
tecidos e características dos
são as aberturas das glândulas sebáceas,
lóbulos da mama.
cham adas de tubérculos de M organi.

M a m il o
interior, a fáscia pré-peitoral, os m úsculos
peitoral m aior e m enor, as costelas e os No m am ilo, e xistem m últiplas term ina­
m úsculos intercostais, a pleura e o pulm ão ções nervosas e fibras m usculares lisas,
(Figura 10.2). onde d esem bocam de 8 a 20 duetos prin­
cipais. Cada dueto principal ram ifica-se em
A réo la M a m á r ia duetos se gm en ta re s e subsegm entares,
su ce s s iv a m e n te , até fo rm a re m o dueto
A aréola diferencia-se pelo seu te cido term inal, que desem boca no lóbulo (Figu­
mais delgado e p igm entado, ao redor do ras 10.1 e 10.2).
m am ilo. Nela se pode ide ntifica r glândulas Um dueto principal e suas ram ificações
sudoríparas, apócrinas e sebáceas (M ont- são considerados um segm ento da mama,
p orém não e xiste separação h istológica no d ese nvo lvim en to folicular ovariano. Do
d efin id a e p od em o co rre r a n a sto m o se s m e s m o m odo, o te cido m am ário sofre sua
e ntre d iferen te s redes segm entares. influência em trê s fases:
O lóbulo m am ário é a ram ificação final Fase folicular - Nesta fase, a secreção
do d ueto te rm in a l em p equenos duetos dos e steróides ovarianos está se iniciando;
de term inação rom ba, onde se fo rm a m os a m am a encontra-se pouco desenvolvida.
ácinos, co m o dedos de luva. A U nidade
Fase da ovulação/formação de corpo
Lobular do Dueto Terminal, form ada pelo
lúteo - Nesta fase, a secreção de estradiol
dueto te rm ina l e seu lóbulo, é considerada
encontra-se no seu ápice, o que prom ove
a estrutura m ais im p o rta n te da glândula
a proliferação do te cid o m am ário, sim ilar­
mam ária, sendo fre q ü e n te local de origem
m en te ao te c id o endom etrial.
das neoplasias malignas.
Fase secretora - Nesta fase, aum enta
a secreção de progesterona, e há um se­
I r r ig a ç ã o S a n g ü ín e a e In e r v a ç ã o da
gundo pico de secreção do estradiol; ao
M ama
redor do 24°/25° dia do ciclo, estradiol e
A artéria torácica lateral irriga p redom i­ progesterona atingem o ápice de secreção,
n a n te m e n te o q u a d ra n te sú p e ro -la te ra l fase em que a atividade m itótica da m am a
da mama, enquanto as porções centrais e está no seu m áxim o.
m ediais são irrigadas pelos ram os perfuran- Sem a fecundação, o corpo lúteo regride
tes da artéria mamária interna. A drenagem e os níveis de e s te ró id e s ovarianos vão
venosa é realizada por m eio das veias ma­ g radativam ente decrescendo. Este é um
márias interna, intercostal e axilar. im p o rta n te fa to r indutor da apoptose nos
A inervação realiza-se pelos nervos torá- lóbulos m am ários.
cicos intercostais e ram os dos plexos cervi- Havendo a fecundação, o corp o lúteo
cais, para as porções superiores da mama. p e rs is te até a 12a sem ana de g esta ção
e continua secre tan d o quantidades cres­
ce nte s de estradiol e progesterona, o que
L in f á t ic o s da m a m a
aum enta a proliferação do te cido m am ário.
Os linfáticos da m am a são de sum a im ­ Após a 12a sem ana da gestação, a pla-
portância no diagnóstico e e stad iam en to centa su bstitu i o corpo lúteo na secreção
do câncer m am ário. O estudo dos linfáticos dos horm ônios, que continuam em eleva­
da m am a influenciam bastante na conduta ção co nsta nte, bem co m o a proliferação
terapêutica. do te c id o m am ário.
Basicam ente, a drenagem linfática é rea­ A pós o quarto m ês de gestação, ocorre
lizada dos te cido s profundos em direção à a d ife re n c ia ç ã o d e s te te c id o m a m á rio ,
pele, daí drenando para o plexo subareolar com hipertrofia das células m io ep ite lia is e
e para a axila. Uma pequena porção pode tecido conjuntivo, deposição de gorduras, e
drenar para abdom e superior e para a ca­ a u m e n to do fluxo sangüíneo.Tal desenvol­
deia m am ária interna. vim e n to se co m p le ta ao final da gestação.

M ama na M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a
F is io l o g ia da M ama

As variações horm onais que ocorrem du­ Segundo o Hoangdi Nei Jing Su Wen,
rante o ciclo m enstruai, provocam m udan­ Capítulo I, "a Essência da m u lh e r surge
ças evidentes ta nto no e n d o m é trio com o aos 7 anos de idade e torna-se abundante
Acupuntura & Estética da Mama 139

aos 14 a n o s" época em que se iniciam os R ecordando, o A q u e c e d o r Superior é


ciclos m enstruais. responsável pela distribuição dos fluidos
Para a M edicina Tradicional Chinesa, o corpóreos (Jin Ye) para to d o o organismo,
ciclo m enstruai é a m anifestação das varia­ por m eio do Pulmão (Fei). E o leite m aterno
ções do Yin e Yang na m ulher (Figura 10.3): a ssum e a coloração co rre sp o n d e n te do
Fei (branca).
Fase fo lic u la r - Sangue (Xue) e Yin Va­ Após o parto, os canais Ren M ai e Chong
zios; Chong Mai e Ren Mai exauridos. Do Mai encontram -se esvaziados; os m eridia­
ponto de vista da M edicina Ocidental, com o nos esvaziados fica m propensos à invasão
observado anteriorm ente, esta é a fase do de Energia Perversa.
ciclo em que os níveis horm onais estão no
A co n d iç ã o p a to ló g ic a p re d o m in a n te
seu m ínim o (mama pouco desenvolvida).
então é de deficiência de Qi, Sangue (Xue)
Fase da o v u la ç ã o /fo rm a ç ã o d o c o rp o e de Yin.
lú te o - Sangue (Xue) e Yin gradativam ente C om o se observa, a fisiologia da m ulher
enchem os M eridianos Chong Mai e Ren é determ inada pelo Sangue (Xue), que é a
Mai. Os níveis de estradiol estão aum entan­ o rigem dos ciclos m enstruais, da fertilida­
do gradativam ente, atingindo o m áxim o na de, concepção, gravidez, parto e lactação. E
ovulação (proliferação do te cid o mam ário). o Baço-Pâncreas (Pi) é o órgão essencial na
produção ta n to do Sangue (Xue) com o do
Fase s e c re to ra - O Yang Qi sobe e o Qi. Portanto, em últim a instância, o Baço-
Gan Qi (Energia do Fígado) se m ovim enta, Pâncreas (Pi) é um Órgão m uito im portante
preparando-se para o pró xim o ciclo. Esta é para a m ulher.
a fase em que ocorre o a um en to da secre­ Estando e ste órgão enfraquecido, seja
ção de progesterona e estradiol, atingindo por trabalho excessivo, atividade m ental
seu m áxim o ao redor do 24°/25° dia (pico excessiva e/ou hábitos a lim en ta re s des­
de atividade m itótica na mama). regrados, poderão se r prejudicadas não
Se não houver a fecundação, há um livre s o m e n te a sua fu n ç ã o na p rodução de
flu xo do Gan Qi (Energia do Fígado) e do Qi e Sangue (Xue), co m o ta m b é m a sua
Gan Xue (Sangue do Fígado). O Sangue função de prom over a subida do puro. É
(Xue) está se m ovim en tan do . esta força que m a n té m os Ó rgãos em
C om a fecundação, cessam as m e n s­ suas topografias habituais. O prolapso de
truações. Na M edicina Chinesa, o sangue diversos Órgãos é secundário ao enfraque­
m enstruai é considerado um líquido orgâ­ cim e n to do Baço-Pâncreas (Pi), com o, por
nico precioso - cham ado de Gui Celestial. exem plo, prolapso uterino, vesical, ptose
Eie é tran sfo rm ad o em Essência e nutre renal, gástrica, m am ária, etc.
o corpo m aterno e fetal. Portanto, há um O Gan (Fígado) rege o te cido m amário,
s u p rim e n to abundante de Sangue (Xue) e que é d ep en de nte dos horm ônios fem in i­
de Jing (Essência). Os M eridianos Ren Mai nos, enquanto a aréola m am ária é regida
e Chong Mai estão saudáveis. pelo Wei (Estôm ago); por isso as doenças
O sangue m enstruai (Gui Celestial) gra­ do te cido m am ário não a fetam necessaria­
d ativam ente se transfere do Xiajiao (Aque­ m en te a aréola mam ária, e vice-versa. Há
cedor Inferior) para o Shangjiao (Aquecedor autores, co m o o Dr. Van Nghi, que consi­
Superior) e se tran sfo rm a em leite. deram isso de m aneira inversa.
m 140
■ C apitulo X

Ia F A S E 2a F A S E

E2
P
2 4 ° /2 5 ° DIA
Ia F A S E 2a F A S E

2 4 °/2 5 ° DIA

Ia F A S E 2a F A S E
C ic lo A p o s o C ú lo M e io d o C ic lo A n t e s d o C ic lo
M p iis t in a ç So Fase pós m cn sti ual O v u la ç ao F a s e p ré
e s h ò ç e n o - f o b * id m m e n s t r u a i lú t e a
p i o life r a t iv o o ii p r o g e s t e i õ iü t a

se Y in d o S a n ç n e V iu do S in g u c c n r h f Siiltida do Y a n g Q i
com p lrtam riiff' os S u bid a do Q i do Gan
m ovendo v a z io
C a n a is R e u M a i e
C lio u ç M a i

O v u la ç ã o

FSH H o r m ô n io F o líc u lo E s t im u l a n t e
LH H o r m ô n io L u t e in iz a n t e

E2 E s t r a d io l
P P ro g e ste ro n a

MAMA A t iv id a d e m it ó t íc a d o t e c i d o m a m á r io
D r a P a u la S h i n C o u t i n h o

▲ Figura 10.3
Relações do tecido m am ário
com o ciclo horm onal e com
a energética humana da
medicina chinesa.
P to se M a m á r ia ▼ Figura 10.4
M étodo de medida
A ptose mamária é definida sim plesm en­
te co m o a queda da glândula m am ária. Na
M edicina O cidental, há diversas cla ssifi­
cações para graduação da ptose m am ária,
assim c o m o diversas té cnica s cirúrgicas
para sua correção.
É im p o rta n te observar que, d en tre as
d iferen te s técnicas cirúrgicas para m am o-
plastia redutora, existem as que preservam
a integridade dos duetos galactóforos e da
aréola, e as que não preservam . Cirurgias
q ue e nvo lve m d e s c o la m e n to de te c id o
m a m á rio re tro g la n d u la r ín fe ro -e x te rn o Pacientes com ptose leve a m oderada
ou incisões periareolares ínfero-externas devem ser su b m e tid a s a uma avaliação
podem lesar fibras nervosas envolvidas na pré-tratam ento, que incluiu:
produção horm onal e lactação. Portanto, 1. Avaliação de e xam es de m am a re­
p acien te s candidatas à cirurgia redutora ce nte s (ultra-sonografia e/ou m am ografia
da m am a, em especial as adolescentes, e/ou ressonância nuclear m agnética e re­
precisam estar cien te s da técnica cirúrgica sultados de exam es anatom opatológicos,
em pregada, para preservarem a lactação quando necessário).
no fu tu ro .
2. A n a m n e se , exclu ind o-se pacientes
Uma intervenção cirúrgica pode resul­
com a n te c e d e n te s de cardiopatia e uso
ta r em cicatrizes h ipertrõficas, retrações
de m arca-passo.
fib ró ticas e até m e sm o na persistência da
p tose - aspectos e ste s in e sté tico s, não 3. M ed id a da d istân cia e n tre o sulco
desejados e inesperados. infram am ário e a borda inferior da mama.

Para casos de pacientes com p tose leve


a m oderada, é p ro p o sto um tra ta m e n to Tratam ento pela A cupuntura da P to se

n ã o -cirú rg ico , d e n tro d os c o n c e ito s da M a m á r ia

A cupuntura Estética.
O tra ta m e n to consiste de aplicação de
Em p rim e iro lugar, d e ve -se avaliar o eletroacupuntura em tonificação, ou seja,
grau de ptose m am ária. Segundo Oliveira em freqüência de 2Flz, 10 m inutos, uma
e col., 1997, a m edida da ptose é realizada vez por sem ana por 10 sem anas (total de
colocando-se a m ão da própria paciente 10 sessões).
abaixo da m am a, e o grau de ptose é ava­ São utilizados os seguintes pontos (Fi­
liado de acordo com a parte da m am a que gura 10.5 e 10.6):
cai sobre a mão.
• Ponto m o to r na pro je çã o do ponto
Para o b te r um valor m ais objetivo, já que
BP-18 (Tianxi) - Regula o fluxo do Qi e a
o tra ta m e n to com eletroacupuntura é fe ito
circulação do Xue (Sangue);
para graus mais leves de ptose mam ária,
optou-se por m edir a distância entre o sulco • Ponto m o to r BP-19 {Xiongxiang)]
infra-m am ário e a parte da m am a que cai • E-18 (Rugen): D ifunde o Fei Qi (Energia
sobre a pele em ce n tím e tro s (Figura 10.4). do Pulmão);
• ID-10 (Naoshu) - Promove a circulação R esultados do Tr a ta m e n to da P to se
de Xue (Sangue) nos vasos sangüíneos); M a m á r ia

• B-42 ( Pohu) - Harmoniza e difun de o


Os resultados, a seguir, obtidos após dez
Fei Qi (Energia do Pulmão) e o p onto Fei sessões de eletroacupuntura mostraram me­
Jing (Q uintessência do Pulmão); lhora significativa da ptose mamária (Figuras
• B-45 (V/x/) - Harmoniza e fortalece o Pi 10.7 e 10.8).
(Baço-Pâncreas), harmoniza o Wei Qi (Ener­ Sabe-se, e n tretan to , que as condições
gia do Estôm ago), afasta a Umidade/Calor. facilitadoras do enfraquecim ento do Pi Qi

E18-(Rugen)

▲ Figura 10.5
Localização dos pontos
de acupuntura da região
anterior do tórax para
o trata m e nto da ptose
mamária.
Acupuntura & Estética da Mama

- Dr Edson M. Nakano
Imagem

Figura 10.6 A T Figura 10.7


Localização dos pontos de acupuntura Ptose mamária grau leve. Vista lateral
da região dorsal para o trata m e nto da da mama direita pré-tratam ento (A)
ptose mamária. e pós-tratam ento (B), O bservara projeção
do m am ilo pós-tratam ento (B) para cima.
(Energia do Baço), ou da deficiência do San­ Portanto, é im portante o re-equilíbrio de Qi
gue (Xue) tendem a favorecer e/ou piorar a e de Xue (Sangue), seja por m eio de orien­
ptose mamária, bem com o a ptose de outros tação dietética, acupuntura geral, exercícios
órgãos e das estruturas. físicos, seja por quaisquer m é to d o s que
sejam mais apropriados para cada paciente.

P ré-tratam ento P ós-tratam ento

▲ Figura 10.8
Ptose mamária grau leve.
Vista lateral da mama
esquerda. Pré-tratam ento
(A) e pós-tratam ento (B).
Observar a m esm a projeção
do m am ilo para cima (B)
após o tratam ento.
C a p ítu lo XI

Acupuntura &
Paralisia Facial Periférica

IN T R O D U Ç Ã O

É uma neuropatia periférica aguda m u ito co m u m e


de grande im p acto na população. As d isfun çõe s do
nervo facial podem afetar de m aneira dram ática m ui­
to s aspectos gerais da qualidade de vida do paciente.
O rosto hum ano é o ponto de fo co para a expressão e
a com unicação interpessoal. A lém disso, os m ovim en ­
to s m o to re s co n trib u e m para a proteção dos olhos,
articulação da fala, m astigação, deglutição e expres­
são das e m oções. Os sintom as e sinais m ais freq üe n ­
te s da paralisia facial são m u ito cham ativos, assustan­
do e angustiando o paciente. A paralisia facial dá origem
a problem as e stético s, funcionais, psicológicos e pro­
fission ais.

1 . P a r a l is ia F a c ia l sob o P onto de V is t a d a

M e d ic in a O c id e n t a l

Na M edicina O cidental, a paralisia facial é classifica­


da em paralisia facial periférica e paralisia facial cen­
tral, de acordo com os sintom as m anifestos. A parali­
sia facial periférica é caracterizada pela dim inuição ou
pela abolição tem porária da m obilidade da m usculatu­
ra da face e, na m aioria das vezes, é unilateral. Clinica­
m e n te se diferencia da paralisia facial central, pois esta
preserva a m obilidade do te rço superior da face.

1.1. Anatom ia do nervo facial

O nervo facial, ta m b é m denom inado nervo interm é-


Dr. Ademar Sikara Tanaka . . . . . . . . . „ n, ,
n .. ... ...
Dr. Marcelo Navarro Niero
d io -fa c ia ,' e um nervo essencia m en te m oto r 80% de
Dra. Maria Assunta y Nakano suas fibras sao m otoras). O seu núcleo está localizado
Prof. Dr. Ysao Yamamura ju n to ao núcleo do nervo abducente (6Qpar craniano).
0 núcleo do nervo facial é co m p o sto de e apresenta duas porções. Uma porção
m uito s neurônios e pode ser subdivido em dorsal, que inerva a m etade su pe rio r da
trê s tipos: face que recebe aferências corticais ipsi
e contralateral, e uma porção ventral, que
■ Núcleo m o to r principal,
inerva a m etade in fe rio r da face e que re­
■ Núcleo parassim pático e
cebe s o m e n te a ferên cias c o n tra la te ra is
■ N úcleo sensorial
(Figura 11.1).
O núcleo m o to r principal situa-se na fo r­ Essa noção anatôm ica é im portante para
m ação reticular da parte inferio r da ponte d istin g u ir a paralisia facial de origem cen­

Figura 11.1 ►
Esquema anatôm ico do
córtex cerebral
nervo facial da sua
origem na ponte até a
distribuição na face.

região da ponte

VIII - nervo abducente


VII - nervo facial

m eato acústico interno

ap. vestíbulo - coclear

§1. lacrimal

gl. submandibular
g'

§l - sublingual

foram e estilomastoideo

ramo temporal

ramo zigomático

_____ ramo auricular superior

ramo bucal superior

- ramo mandibular e bucal inferior

ramo cervical
trai da paralisia facial periférica, pois as núcleo m o to r principal. O núcleo salivató­
lesões supranucleares unilaterais, respon­ rio su pe rio r é o responsável pela inerva-
sáveis pela paralisia do tip o central, afe­ çâo das glândulas subm andibular, sublin-
ta m a m o tricida de /m ím ica da parte in fe ­ gual, nasal e palatina; o núcleo lacrimal
rior contralateral da face (Figura 1 1.2). inerva as glândulas lacrimais.
O núcleo parassim pático é constituído O núcleo sensorial localizado perto do
pelos núcleos salivatório superior e lacri- n ú c le o m o to r re c e b e in fo rm a ç õ e s das
mal localizados p ó ste ro -la te ra lm e n te ao sensações gustativas que trafegam pelos

ÁrtN m otora para a fa rr

■4 Figura 11.2
O esquem a m ostra a
paralisia facial do
tipo central que afeta
a mímica da parte
inferior contralateral
da face esquerda,
enquanto na paralisia
facial do tipo
periférico afeta a
mímica da totalidade
da face, no caso o
lado direito.

P aralisia racial periférica


axônios p eriféricos das células nervosas ■ M úscu lo abaixador do lábio in fe rio r
localizadas no gânglio geniculado do ner­ ■ M úscu lo abaixador do ângulo da boca
vo facial. Este núcleo recebe as sensações ■ M úscu lo orbicular da boca
g usta tivas dos 2/3 a nte rio re s da língua, ■ M úscu lo m entual
parte poste rio r das fossas nasais e face
■ Pescoço
superior do palato m ole.
As fibras nervosas co nstitu inte s dos nú­
cleos parassim pá tico e sensorial c o n s ti­ 1.2. Fisiopatologia do nervo facial
tu em o nervo interm édio, que é dificilm e n ­
O nervo facial está envolvido pelo epi-
te distinguível das fibras m otoras no nervo
neuro. Em seu interio r está o perineuro,
facial (nervo facial propriam ente dito).
que envolve o co n ju n to de fibras nervo­
As fibras nervosas do nervo facial, ao
sas agrupadas - o fascículo. Cada fibra é
deixarem o núcleo, dirigem -se poste rio r­
envolvida por uma camada de te c id o con­
m ente e contornam o núcleo do nervo ab-
ju n tivo frou xo, o endoneuro. A estrutura
ducente, voltando-se novam ente anterior­
neural co m p re en de o axônio e as células
m ente para sair lateralm ente na transição
de Schw ann, que envolvem o axônio fo r­
bulbopontina. No espaço sub-aracnoídeo,
m ando o neurolem a (bainha de Schw ann).
o nervo facial (e interm édio) situa-se ao lado
do nervo vestibulococlear (8® par craniano) Degeneração walleriana: É um proces­
para penetrar no osso tem poral por m eio so no qual o nervo degenera a partir do
do m eato acústico interno. Dentro do osso ponto da lesão axonal que leva à interru p ­
tem poral, separa-se do nervo vestibuloco­ ção do flu x o axoplasm ático. Esta progride
clear, segue peio e stre ito canal facial até d ista lm e n te até o órgão e fe to r a tingindo
e m ergir pelo foram e estilom astoideo. Ao um grau avançado nas prim eiras 36 a 48
atravessar a glândula parótida, o nervo fa­ horas após a lesão. Os m úsculos so fre m
cial abre-se co m o um leque para inervar alterações a partir da terceira sem ana e
toda a m usculatura m ímica da face. passam a perder a m assa m uscular nos
Para e fe ito didático, podem -se dividir os prim eiro s m eses de paralisia nervosa.
m úsculos da m ím ica da face em 4 grupos O p ro cesso de regeneração do nervo
(Figura 11.3): ocorre pela reposição axonal por m eio de
um cone de crescim en to. A velocidade de
■ Frontal
regeneração é de a proxim adam ente 1 m m
■ M úscu lo occipito-frontal
por dia. As sincinesias ocorrem por erro
■ M úscu lo orbicular do olho
de direção de cre scim e n to durante a re­
■ M úscu lo piram idal
generação.
■ M úscu lo corrugador superciliar

■ Z igom ático 1.3. Classificação das lesões de


■ M úscu lo levantador do lábio superior acordo com a extensão
e asa do nariz
■ M úscu lo levantador do lábio superior IMeuropraxia: É definida co m o interru p ­
■ M úsculo levantador do ângulo da boca ção tem porária da função do nervo sem
■ M úscu lo zigom ático m aior lesão m orfológica do axônio. O corre ape­
■ M úscu lo zigom ático m enor nas desm ielinização focal, sem que haja
degeneração w alleriana. Há uma regene­
■ M andibular
ração co m p le ta da função do nervo.
■ M úscu lo bucinador
■ M úscu lo risório
A cupuntura & Paralisia Facial Periférica

m. depressor do supercílio
m. depressor do supercilio

m. frontal i m. corrugador do supercilio


m. orbicular do olho

m. levantador do m. levantador do lábio


lábio superior e da \ ■ *’ V W / superior e da asa do nariz
asa do nariz
\ jp \ m. ptpqiro / p£** / m. orbicular do olho
m. levantador do .
lábio superior m. levantador

m. zigom tico menor x NS ...


’ do lábio
superior
i..zigomático menor
m. levantador do
ângulo da boca "• .... t *• m. levantador do
ângulo da boca
■""■■■■V..''"•'•X m™sal ' ... <:£"
m. zigomático maior *"
.................... *'••••.. "J ^ m. zigomático maior
.... ..
m. risório ................ .................. .............. ...... ............ m. bucinador

m. orbicular da boca ,1 -- .. ................ m. masseter

platísma “
m. depressor do
m. depressor do ângulo da boca
ângulo da boca
m. m entual
m. depressor do m. depressor do
lábio inferior lábio inferior

Figura 11.3 ▲ 1.4. Semiologia e quadro clínico da


M úsculos da face.
paralisia facial

Em pacientes acom etid os pela paralisia


facial encontram -se:
* A ssim etria facial, desvio de rima bu­
A x o n io tm e s e : Caracteriza-se por inter­
cal para o lado norm al e apagam ento dos
rupção do flu xo axop la sm ático que aco­
sulcos faciais do lado c o m p ro m e tid o.
m ete o axônio e a m ielina, porém preser­
va n d o os tu b o s e n d o n e u ra is . O c o rre * Ausência de e nrug am en to ou assim e­
processo de degeneração w alleriana. Se tria ao se te n ta r franzir a testa (paralisia
a causa da lesão fo r interrom pida ou tra ­ periférica).
tada rapidam ente, a regeneração costum a * Piscam ento m ais lento e incom pleto
ser com pleta. no lado paralisado, supercílio m ais flácido,
N e u ro tm e s e : Caracteriza-se pela lesão pálpebra inferio r caída e afastada da con-
axonal e dos tu bo s endoneurais, com per­ juntiva, p erm itin do que as lágrim as escor­
da da continuidade da fibra nervosa. A re­ ram pelo rosto. M en or resistência ao dedo
generação, neste caso, pode ocorrer em do exam inador na abertura da pálpebra do
tubos neurais inespecíficos ou não ocor­ lado afetado em relação ao lado normal.
rer, caso a lesão seja extensa, o que dei­ * Sinal de Bell, que é caracterizado pelo
xa, na m aioria das vezes, seqüelas. desvio do globo ocular para cima e para
A Figura 11.4
O bservar a
pálpebra
esquerda onde a
queda palpebral
im ita a im agem
de um sino.

fora ao se fechar os olhos, sendo que esse dos pela boca ao se alim entar. A comida
desvio é invisível com o fe ch a m e n to pal­ pode se se acum ular entre os den tes e os
pebral norm al, to rnando-se visível quan­ lábios.
do ocorre a paralisia (Figuras 11.4 e 11.5). * D ependendo do nível da lesâo do ner­
vo facial, pode-se encontrar, ainda, perda
* Sulco nasogeniano apagado e narina
de gustação nos dois te rço s a nteriores da
m ais e streita (a asa do nariz se aproxim a
língua no lado a c o m e tid o , h ip era cusia,
do se pto nasal).
surdez, tin id o s e tontura, e ntre outros.
* A ssim etria da com issura labial. O ar Se a paralisia facial persistir por algum
escapando pelo lado a com etid o ao se in­ te m p o sem a recuperação co m p le ta das
suflar as bochechas, ou escape de líqui­ fu n çõ e s m otoras, podem aparecer contra­

Figura 11.5 ►
Sinal de Bell
(sino) form ado
pelas pálpebras
do lado
esquerdo.
ções difusas contínuas dos m úscu lo s fa­ ■ Grau III - Disfunção moderada
ciais. A fissura palpebral se torna estreita
e a linha nasolabial se acentua. As rege­ o Paralisia evidente, m as sem a desfi­
nerações anôm alas das fib ra s do nervo guração do rosto. Em repouso, a sim etria
podem resultar sincinesias e o utros fe n ô ­ e o tô n u s ainda estão preservados. D im i­
m enos p roblem áticos para o paciente: o nuição ou abolição dos m o v im e n to s na
fe c h a m e n to das pálpebras causando re­ fro n te . As pálpebras fe cha m -se co m ple­
tração dos lábios ou abertura da m andíbu- ta m e n te apenas com e sforço m áxim o e
la causando fe c h a m e n to das pálpebras com e vidente assim etria. O m e sm o ocor­
(m o vim e n to de piscar os olhos). Lágrim as re com a m ovim en taçã o da boca. A pre­
anôm alas (lágrimas de crocodilo) podem senta espasm os, sincinesias ou contratu­
aparecer com qualquer atividade dos m ús­ ras, p orém am enas.
culos faciais, com o com er, por exem plo.
As te n ta tiva s de m ove r um grupo m uscu ­ ■ G rau IV - Disfunção m oderada­
lar podem resultar em contração de to do s m ente grave
os m úscu lo s da hem iface, ocorrendo, en­
tão, espasm os m usculares hem ifaciais. o Paralisia e vid en te com a desfiguração
Na anam nese, é im p o rta n te caracteri­ do rosto. Em repouso, a sim etria e o tô ­
zar a paralisia co m o aguda ou crônica, de nus ainda estão preservados. Não há m o ­
evolução gradual ou súbita, sinais e sin to ­ v im e n to s na fron te , ocorrendo incapacida­
m as acom panhantes e o te m p o de início de de fe cha r os olhos c o m p le ta m e n te ao
até a consulta m édica. e sforço m áxim o, com assim etria da boca
ao m e sm o esforço. As sincinesias, os es­
1.5. Classificação de House- pasm os e as contraturas são m ais graves.
Brackmann
■ Grau V - Disfunção grave
Esta classificação fo rn e ce a id e n tifica ­
ção do grau da paralisia facial e a e volu­ o M o v im e n to s faciais quase im percep­
ção clínica. tíveis. Não há m o v im e n to s na fron te , há
incapacidade de fe cha r os olhos co m ple­
■ Grau I - Normal ta m e n te e g eralm en te não se observam
espasm o facial, contratura ou sincinesia.
o M obilidade norm al e sim étrica da face
em todas as áreas.
■ Grau VI - Paralisia completa
■ Grau II - Disfunção leve o Perda total do tô n u s e da sim etria em
o Ligeira paralisia, notada apenas à ins­ re p o u so e paralisia to ta l à te n ta tiv a de
peção cuidadosa. Durante o repouso, a si­ m o vim e n to . A usência de sincinesia, es­
metria é normal e o tônus m uscular está pasm o ou contratura.
preservado. Ao m ovim ento, a fronte normal­
m ente está pouco prejudicada e há a possi­ 1.6. Topodiagnóstico da paralisia
bilidade de fechar as pálpebras com pleta­ facial
m ente com m ínim o esforço, porém com
leve assimetria. Ligeira assim etria no sorri­ Do ponto de vista da extensão da lesão,
so ao fazê-lo ao m áxim o esforço. Não apre­ o diagnóstico to po grá fico da lesão do ner­
senta espasmos, sincinesias ou contratura. vo facial é im portante, bem com o o prog­
n óstico e o tra ta m e n to a ser instituíd o, Porém , d e v id o ao a lto c u s to s o lic ita -s e
p rincipalm ente quando há necessidade de so m e n te em casos especiais co m o tu m o ­
tra ta m e n to cirúrgico. Podem -se utilizar os res, evolução clínica desfavorável ou para
seguintes te ste s: program ação cirúrgica.

Teste de Schirmer Testes eletrofisiológicos

Este te s te avalia a se cre çã o lacrim al Teste e lé trico de prognóstico.


que é função do nervo petroso superficial. Eletroneurografia e te ste de estim ulação
Considera-se co m o te s te alterado quando m áxim a e m ínim a são usados para detectar
a secreção do lado afetado é m en or que a degeneração axonal na fase aguda da
30% da secreção do lado normal (hipolacri- paralisia.
m ejam ento), indicando que a lesão está no E letrom iografia usado na terceira sem a­
nível do gânglio geniculado ou acima deste. na, quando a degeneração já ocorreu.
Pode-se classificar a lesão em suprageni-
culada e infrageniculada.
1.7. Etiopatogenia da paralisia facial

Reflexo estapediano E xistem várias causas de paralisia facial


p e rifé rica que d eve m se r c o n sid e ra d a s
N este te ste , verifica-se a presença de no d ia g n ó s tic o d ife re n c ia l; d e n tre elas,
contração ou não do m úsculo estapediano, pod em os citar:
que é inervado pelo nervo estapédio, pela
im itanciom etria. Pode separar uma lesão
supraestapediana de uma infraestapediana. 1.7.1. Idiopática: Paralisia Facial de Bell
É considerado diagnóstico quando num a
O p ro gn óstico é bom ; em 70 a 8 4% dos
lesão em que o reflexo estava ausente,
casos ocorrem recuperações com pletas,
torna-se presente, ou vice-versa.
se m n e n h u m tra ta m e n to , em a té d ois
m eses. Por esta razão, é relegada pelos
Teste do paladar e da secreção salivar m édicos a uma doença de m enor im portân­
cia. No entanto, as seqüelas, m uitas vezes
Este te s te é p ouco usado na prática. irreversíveis, deixadas nos resta ntes dos
Pode ser pesquisado com sabores doce, pacientes ju s tific a m o tra ta m e n to .
salgado, azedo e am argo, com soluções Embora haja controvérsias na literatura, a
aplicadas nos dois te rç o s a n te rio re s da incidência é m aior em m ulheres, principal­
língua, região inervada pelo nervo corda m ente, no prim eiro trim e stre de gestação
do tím pano. Ou através do g u stô m e tro . e em pessoas com diabetes e hipertensos.
Nos hom ens, aum enta após 40 anos de
Estudo radiológico idade.
A etiologia não está ainda firm e m e n te
A ressonância m agnética com contraste estabelecida. Supõe-se que seja devido a
p a ra m a g n é tico é o m e lh o r exam e para desm ielinização segm entar do nervo facial
m ostra r um processo infla m a tó rio ou tu- secundária a neuropatia inflam atória indu­
m oral no nervo facial, podendo localizar zida por vírus, agressão im u no m ed ia d a,
m elh o ra região acom etida, principalm ente alterações vasculares e distúrbios neuro-
quando comparada com te ste de Schirmer. vegetativos. O início é abrupto, atingindo
o m áxim o de paralisia em 48 horas. Dor mas na região parotídea, fe rim e n to s por
na região retro-auricular precede a parali­ arma de fo g o ou arma branca (na face) e
sia um ou dois dias antes. O sinal prog­ lesões iatrogênicas, em transoperatórios.
n ó s tico m ais fa voráve l é a ausência de O traum a extracraniano ocorre na região
paralisia com pleta após a prim eira sem a­ parotídea, lesando o tron co do nervo ou
na de instalação. seus ram os term inais: cirurgia da paróti-
O diagnóstico ainda é de exclusão e re­ da, em rem oção de tu m o re s ou por fe ri­
presenta 55 a 80% dos casos de paralisia m e n to s pen etra nte s nesta região. Quan­
facial periférica. do a lesão é identificada p recocem ente,
C om o a etiologia é desconhecida, exis­ deve ser fe ita reparação nos trê s prim ei­
te m vários p ro toco los de tra ta m e n to na ros dias. No caso de infecção instalada, a
literatura. O uso de c o rtic o e s te ró id e s é reparação deve ser fe ita após trê s sem a­
indicado para d im inu ir o edem a e a con­ nas do traum a. Se a lesão fo r m ais e xten ­
se qüente isquem ia, resultantes do proces­ sa, a reparação do nervo pode ser realiza­
so infla m a tó rio . Sua adm in istraçã o deve da por a na stom o se té rm in o -te rm in a l ou
ser o m ais precoce possível até o décim o com e nxe rto s neurais. O traum a intracra­
dia de paralisia. Para alguns, a corticotera- niano é m ais co m u m nos acidentes auto­
pia não seria eficaz se iniciada após o quar­ m obilísticos, com ou sem fratura. A para­
to dia de início do quadro. lisia facial ocorre em 10 a 20% dos casos
A Paralisia de Bell é associada à presen­ das fraturas longitudinais e em 40 a 50%
ça do vírus herpes sim p lex tip o 1 D N A no dos casos de fraturas transversas, haven­
flu id o endoneural e no m úsculo auricular do ainda as fraturas m istas. Nas fraturas
posterior, sugerindo que a reativação des­ do osso te m p ora l, a região do gânglio ge­
te vírus no gânglio geniculado possa ser o niculado é a m ais acom etida. Quando a
responsável. No entanto, o papel d ese m ­ paralisia é im ediata ao traum a, o prognós­
penhado pelo vírus na paralisia não foi pro­ tic o costum a ser pior, principalm ente se a
vado. D iante d isto, as drogas a n tivira is paralisia fo r com pleta. As lesões intracra­
passaram a fazer parte da terapêutica na nianas do nervo facial podem ser secun­
Paralisia de Bell. d á ria s à re m o ç ã o de tu m o r e s , c o m o
Os pacientes d eve m ser m on itorad os s c h w a n n o m a v e s tib u la r (n e urino m a do
pelos te ste s de pro gn óstico além do to- acústico), m eningiom a ou glom us jugular,
podiagnóstico. Quando os te ste s m ostra ­ entre outros. Ferim entos por arma de fogo
rem p ro gn óstico desfavorável e a parali­ usua lm e nte causam fraturas m istas, ge­
sia ainda tiv e r um grau avançado, sem ralm ente com lesão no se g m e n to tim pâ-
re c u p e ra çã o s a tis fa tó ria nas p rim e ira s nico ou m astoídeo. Lesões iatrogênicas do
duas ou trê s sem anas, será indicada des- nervo facial podem ser intencionais, com o
com pressão cirúrgica do nervo. A via de no neurinom a do nervo facial ou aciden­
acesso dependerá do to p o d ia g n ó stico e ta lm e n te nas cirurgias otológicas (tim pa-
da experiência de cada serviço em rela­ nom asto ide cto m ia s, por exem plo). O lo­
ção à evolução com as d e fe re n te s té cn i­ cal m ais co m u m da lesão é a região do
cas cirúrgicas. segundo joe lho e a região m astoídea. A
lesão pode ser com pleta, quando repara­
1.7.2. Paralisia facial traumática da por anastom ose prim ária ou com en­
xe rto s, ou ainda inco m p leta, quando se
Possui diversos m ecanism os de lesão, to rn a n e ce ssá ria a d e s c o m p re s s ã o do
com o tra u m a tism o crânio-encefálico, trau ­ nervo com abertura de sua bainha.
154 Capitulo XI

1.7.3. Paralisia facial por tumores O tite média aguda purulenta

São vários os tu m o res que podem evo­ Esta infecção pode levar a um quadro
luir para paralisia facial. Pode ser intracra­ de paralisia facial em crianças. A paracen-
niano: schw annom a vestibular, schw anno- te s e está indicada para d im in u ir a c o m ­
ma facial, o m eningiom a e, em crianças os pressão da o tite que a efusão causa so­
gliom as. T um ores do osso te m p ora l fre ­ bre o nervo, além do processo inflam atório
q üe nte m en te evoluem com paralisia faci­ p ro priam en te dito. A associação com an-
al. É im portante salientar que a paralisia nos tib io tic o te ra p ia c o s tu m a te r re s u lta d o s
tum ores costum a ser lenta e gradual, po­ sa tisfa tó rio s.
dendo haver recorrência da paralisia. Os
exam es de im agem (tom ografia ou resso­ Otite média crônica
nância) são fundam entais para o diagnósti­
co e a exérese do tu m o r é o tratam en to de Pode causar paralisia facial por p roces­
escolha; quando possível, deve ser feita a so o steítico nas o tite s co lesteatom atosas,
reparação do nervo. Quando a reparação e n tretan to , é rara. C om o a paralisia c o stu ­
não é viável, opta-se por anastom ose, com o ma ser gradual, deve ser fe ito dia gn ósti­
hipoglosso-facial, ou ciru rgias e sté tica s, co diferencial com tu m o res. O tra ta m e n ­
co m o transposições m usculares ou reta­ to costum a ser por m eio de d e sco m p re s­
lhos m usculares, entre outros. são c irú rg ic a , p o ré m se m a b e rtu ra da
bainha do nervo, d evido ao p rocesso in­
1.7.4. Paralisia facial de causas fla m a tó rio crônico.
infecciosas
Doença de Lyme
Síndrom e Ramsay-Hunt (Herpes Zos­
É uma m eningorradiculoneurite causada
ter Oticus)
por uma bactéria espiroqueta, a Borre/ia
É a segunda causa mais co m u m de pa­ burgdorferi, e tra n sm itid a por picada de
ralisia facial que representa de 3 a 12% dos carrapato. A lém da paralisia facial (10% dos
pacientes. A infecção pelo vírus herpes casos), podem ocorrer eritem a m igrante,
zoster ocasiona paralisia facial mais grave fe bre alta, náuseas, artrite, além de nevral-
do que a Paralisia de Bell, havendo m aior gias e mialgias. O tratam en to é fe ito com
porcentagem de casos com degeneração penicilina cristalina (20 m ilhões de unida­
nervosa intensa. A dor é mais intensa nas des por dia, durante 14 dias) ou com tetra-
regiões auricular e peri-auricular e, geral­ ciclina ou ainda a amoxacilina, com bons
m ente, associa-se com o aparecim ento de resultados.
vesículas no pavilhão auricular e na região
da concha, o que caracteriza a síndrom e. É 1.7.5. Paralisia facial congênita
co m u m a m anifestação de ve rtig en s por
a com e tim e n to do VIII par craniano, além R elativam ente rara, podem ser trau m á ­
da apresentação de alterações auditivas. O ticas durante o trabalho de parto em fó r­
prognóstico costum a ser ruim em 70% dos ceps de alívio ou trabalho de parto prolon­
casos e o tratam en to com corticosteróides gado, ou causada por displasias, sendo
e antiviral é o m ais indicado. M uitas vezes co m u m , nesses casos, a associação de
é necessária a descom pressão cirúrgica do ou tra s m a lfo rm a ç õ e s . A s ín d ro m e m ais
nervo. fre q ü e n te relacionada à paralisia facial é a
de M õebius, na qual há e n vo lvim e n to do toxina botulínica no tro n c o no nervo facial
VI e VII pares cranianos, e, m enos freq üe n ­ ou injeção de álcool. As contraturas m us­
te m e n te , fissura palatina e sindactilia. cu la re s n o rm a lm e n te m e lh o ra m com o
uso de re la xa n te s m u s c u la re s de ação
1.7.6. Outras causas central.

As intoxicações por m etal pesado, eti-


2 . P a r a l is ia F a c ia l sob o P o nto de
lenoglicol, álcool ou m on óxid o de carbo­
V is t a d a M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a
no, e ntre outros, tê m sido relatadas com o
causas raras de paralisia facial. 2.1. Patogênese energética da
Pacientes com diabetes possuem risco paralisia facial
a u m e n ta d o de paralisia fa cia l, a lém da
porfiria aguda (causas m etabólicas). A paralisia facial é p roveniente da inva­
A sarcoidose, na form a de síndrom e de são dos Jing Luo (M eridianos e Colaterais)
H e e rfo rd t que co rresponde a iridociclite, da face pelo Vento-Frio que pode vir de
hipertrofia parotídea e paralisia facial, ta m ­ uma deficiência co nstitu cion al (deficiência
bém é causa rara e costum a evoluir bem de Energia-Fonte). Outra causa ene rg éti­
com uso de corticóide. ca é a A sc e n s ã o do Gan-Yang (Fígado-
A s ín d ro m e de M e lk e rs o n -R o s e n th a l Yang) que provoca d is tú rb io no flu xo de
costum a evoluir com paralisia facial peri­ Qi na área da face; isso resulta em desar­
férica recidivante, língua plicata ou fissu - m onia do flu xo de Qi e de Xue (Sangue)
rada e edem a labial ou facial. Acredita-se levando a uma má nutrição dos m úsculos
que sua origem seja genética ou im unoló- e te nd õe s, o que c o m p ro m e te a contra­
gica e a evolução dos surtos costum a ser ção e o relaxam ento dos m úsculos.
favorável. A etiologia energética da paralisia facial
O utras causas m ais raras de paralisia é d ife re n te quando se trata dos tip os cen­
facial são a m ononucleose causada pelo tral e periférico (Paralisia de Bell) e a fisio-
vírus E pstein-Barr e a sín drom e de Gui- patogenia da paralisia facial não é com par­
Ilain-Barré. tilhada por to d o s os e s tu d io s o s . Pois é
sabido que a paralisia facial periférica pode
1.8. Tratam ento das seqüelas de te r a m esm a patogênese da paralisia cen­
paralisia facial tral se fo r considerada a deficiência ante­
rior à entrada do Vento-Frio. M as o trata­
As seqüelas da paralisia facial podem ser m e n to é d ife re n te quando é considerado
amenizadas por técnicas cirúrgicas, com o to ta lm e n te p eriférico e te m um excelen­
a derivação dos nervos hipoglosso-facial te resultado quando se atua perifericam en-
ou trigêm io-facial, não se devendo aguar­ te nos M eridian os. No caso da paralisia
dar m ais de um ano de paralisia, período central, g eralm ente há um e nvo lvim en to
em que a m usculatura ainda não sofreu dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras) anterior
atrofia im p orta nte. As té cnicas de cirurgia ao a c o m e tim e n to do M eridiano, e, portan­
plástica tê m , na m aioria das vezes, resul­ to, a diferença no tra ta m e n to já começa
tados parciais. neste nível.
As sincenesias podem ser tratadas por Segundo Fie Shuhuai, a paralisia facial
m eio de fisioterapia m otora ou fo no te ra - periférica pode ser devido a:
pia especializada. O espasm o hem ifacial 1. O bstrução pelo Vento-Frio no M eri­
pode ser tratado por m eio da injeção de diano e Colateral,
2. Invasão do M eridiano do Wei (Estô­ Na fase tardia da paralisia facial existe
mago) pelo Vento-Frio, um quadro de D eficiência ta n to do Gan
3. Calor-Um idade no Gan (Fígado) e no (Fígado) e do Shen (Rins) quanto do Qi e
Dan (Vesícula Biliar) e do Xue (Sangue), do Pi (Baço) com A sce n ­
4. D eficiência do Gan (Fígado) e do Shen são do Gan-Yang (Fígado- Yang) e do Ven­
(Rins). to Interno do Gan (Fígado).
Na fase inicial da paralisia facial ocorre C om o pon tos de acupuntura locais são
síndrom e de Estagnação ou de D eficiên­ usados pontos dos seis M eridianos Yang
cia com Estagnação dos M e rid ia n o s da da face. Dos p on to s de acupuntura d is­
face. Os sintom as de estagnação são cau­ tais, os m ais fre q ü e n te m e n te usados são
sados pela o b stru çã o dos M e rid ia n o s e IG-4 ( Hegu), E-36 (Zusanh), F-3 ( Taichong)
Colaterais pelo Vento-Frio-Calor-Um idade e os do M e rid ia n o Yang M ing [IG -11
ou M ucosidade do Gan (Fígado) e do Dan (Quchi), E-37 (Shangjuxu) e E-40 ( Feng-
(Vesícula Biliar), ou lesão dos M eridianos long )].
e C olaterais na face pela estagnação do Pode-se utilizar a eletroacupuntura ta n ­
Gan Qi (Energia do Fígado), resultando em to na fase aguda co m o na crônica em bai­
estase de Qi e de Xue (Sangue). A D efi­ xa freqüência, que são as características
ciência com Estagnação co nsiste em De­ fisiológicas m ais próxim as da transm issão
ficiência de Q /e de Xue (Sangue) com re­ dos im pulsos e lé trico s dos nervos e dos
sistência corporal dim inuída e invasão de m úsculos. A ssim , a estim ulação em baixa
colaterais pelo Vento-Frio (ou Vento-Calor freqüência com e letroacupuntura induz à
ou Vento-U m idade). contração das fibras m usculares, acelera
A condição em ocional pode ser um fator a circulação de sangue e aum enta o m e ­
im portante no desencadeam ento da para­ ta bolism o, levando à absorção do exsuda-
lisia facial (Ver capítulo XX). A raiva intensa to infla m a tó rio e ajudando na regeneração
aguda gera Fogo do Fígado, que sobe, afe­ das fibras nervosas.
tando o Xin-Shen (Coração-Mente). O ner­ A pesar de co ntrove rtido , o uso de ele­
vo facial é o responsável pela m ímica faci­ troacupuntura na fase aguda da paralisia
al, a expressão das em oções. Se a raiva facial, devido a possibilidade de fascicula-
fo r acompanhada de se ntim en to s que não ções p osteriores, o que se observa na prá­
se pode e xp ressa r m o m e n ta n e a m e n te , tica é que a m aioria dos pacientes que são
este conflito entre o expressar e não ex­ encam inhados para este tra ta m e n to e que
pressar pode paralisar a m etade facial ener- a presentam fasciculações não receberam
getica m e nte m ais com prom etida no m o­ nenhum tip o de estím ulo elétrico, acredi­
m e n to ao p ro p ic ia r a p e n e tra ç ã o do ta nd o-se que são casos que e vo lu iria m
Vento-Frio. para fasciculação ind ep e n d e n te m e n te do
tra ta m e n to . N estes casos, o tra ta m e n to
2.2. Tratam ento da paralisia facial com eletroacupuntura em dispersão local,
pela acupuntura em alta freqüência (100-200Hz) por 20-30
m in utos, ajuda no relaxam ento m uscular
Na fase inicial da paralisia facial, a acu­ local, assim co m o podem ser utilizados em
puntura é usada para dispersar o Vento-Frio dispersão os pon tos de acupuntura para
e drenar os M eridianos e Colaterais da face. o tra ta m e n to do Vento P erverso [VB-20
Os pontos de acupuntura mais utilizados (Fengchi), TA-17 ( Yifeng), B-12 (Fengmen),
para dispersão do Vento são: TA-17 ( Yifeng), VB-12 (Wangu)] com a utilização de ele­
VB-20 (Fengchi) e VB-12 (Wangu). tro a c u p u n tu ra . E xistem vá rios trab alh os
dos chineses que m ostra m a eficácia da culo m asseter, da m ordida, ou reentrân­
eletroacupuntura, inclusive na fase aguda cia no repouso, e xatam ente acima do ân­
da lesão. gulo da mandíbula.
Os s e g u in te s p o n to s de a c u p u n tu ra E-7 (Xiaguan): Situa-se na incisura da
podem ser utilizados co n fo rm e a fase da m andíbula, depressão palpada logo abai­
paralisia facial (flácida ou espástica) e a xo do arco zigom ático e à fre n te da cabe­
localização da paralisia (fro n to -o ccip ita l, ça da m andíbula.
peri-orbicular, zigom ática, m andibular ou E-36 (Zusanh): Situa-se a trê s cun dis­
no pescoço): tais ao E-35 (Dubai) e a um cun lateral à
* Região fron to -o ccipita l: VB-14 ( Yang- m argem a nterior da tíbia, e ntre os m ús­
bai), TA-23 (Shizhukong),M-CP-6 ( Yuyao), culos tibial a nterior e e x te n so r longo dos
B-2 (Zanzhu)-, dedos.
VB-1 (Tongziliao): Situa-se m eio cun la­
* Região peri-orbicular: B-2 (Zanzhu), VB- teral ao epicanto lateral do olho.
1 (Tongziliao), M -C P-6 (Yuyao), M -CP-8 VB-14 (Yangbai): Situa-se na região fro n ­
( Oiuhou), E-2 (SibaD; tal, a um cun s u pe rio rm en te pela linha que
* Região zigom ática: E-2 (Sibai), E-3 (Ju- passa pelo m eio da sobrancelha.
liao), E-4 (Dicang), E-7 (Xiaguan), IG-20 VB-20 (Fengchi): Situa-se em uma de­
(Yingxiang), Mianyan,Tong Qi; pressão óssea localizada entre o m úsculo
* R egião m a n d ib u la r: VC -24 ( Cheng- e sterno cleid om astoíd eo e a inserção su­
liang), E-3 (Juliao), E-4 (Dicang), E-5 perior do m ú scu lo trapézio, ou na reen­
trância óssea localizada entre a protube-
(Daying), IG-19 (Heliao), VG-26 (Shenting),
M -CP-18 (Jiachengjiang) e rân cia o c c ip ita l e x te rn a e o p ro c e s s o
m astoídeo.
* Região cervical: Waiyuye, M-CP-21 TA-5 (Waiguan): Situa-se a dois cun pro-
(Shanglianquan), VC-23 (Lianquan). xim ais da prega dorsal do punho, entre os
O uso do aparelho de eletroacupuntura o ssos rádio e ulna. E xatam ente opo sto ao
é na freqüência de 2Hz por 10 m in u to s CS-6 ( Neiguan).
em casos de to nificação e na freqüência TA-17 (Yifeng): Situa-se p o s te rio rm e n ­
de 50 a 100Hz nos casos de dispersão. te ao lóbulo da orelha, em uma depressão
in te ró s s e a , localizada e n tre o p ro cesso
2.3. Localização de alguns pontos de m astoídeo e o ram o da mandíbula.
acupuntura usados no tratam ento de TA-23 (Shizhukong): Situa-se num a de­
paralisia facial pressão óssea, na extre m id ad e lateral do
supercílio.
IG-4 ( Hegu): Situa-se na m eta de do 22 F-3 (Taichong): Situa-se no dorso do pé,
m etacarpo, entre o 1a e o 22 m etacarpos, no espaço entre o 12 e 2- ossos do meta-
ou sobre a saliência m uscular quando se tarso e a um e m eio cun proxim ais ao F-2
faz a adução do polegar (5, 6). (Xingjian).
E-2 (Sibai): Situa-se a trê s d écim o s de B-2 (Zanzhu): Situa-se na extrem idade
cun (três fen) distais ao E-1 (Chengqi). m ediai da sobrancelha, onde existe uma
E-4 (Dicang): Situa-se a quatro décim o s pequena reentrância óssea.
de cun (quatro fen) lateral ao ângulo da B-10 ( Tianzhu): Situa-se na nuca, caudal
boca, na linha p erpendicular da pupila. à protuberância occipital externa, na mar­
E-6 (Jiache): Situa-se um cun abaixo do gem lateral do m úsculo trapézio e a um e
lóbulo da orelha, sobre a saliência do m ús­ m eio cun laterais ao ponto VG-5 ( Yamen).
ID-17 ( Tianrong): Situa-se in fe rio rm e n ­ M-CP-3 (Yintang): Situa-se na linha m e­
te ao ângulo da m andíbula, na m argem diana a nterior da face, na corresp on dê n ­
anterior do m úscu lo e sterno cleid om asto- cia de uma linha horizontal unindo as ex­
ídeo. trem id a d e s m ediais da sobrancelhas.
ID-18 (Ouanliao): Situa-se na vertical que M-CP-6 (Yuyao): Situa-se na reentrância
passa pelo e pican to lateral do olho, em óssea localizada no m eio da sobrancelha,
uma reentrância m uscular abaixo e sob a na vertical que passa pela linha da pupila.
m argem inferior do osso zigom ático. M-CP-8 (Qihou): Situa-se na m argem in-
IG-19 ( Hetiao): Situa-se a m eio cun ao fra-orbital, a proxim adam ente a um quarto
p onto VG-26 (Renzhong) situado no filtro de cun lateral à vertical que passa na pu­
do lábio superior. pila.
IG-20 ( Yingxiang): Situa-se e ntre o sul­ N-CP-8 (Shangming ): Situa-se na mar­
co nasolabial e a asa do nariz, a m eio cun gem su p e rio r da órbita, na linha vertical
desta. que passa pela pupila.
VC-24 (Chengjiang)'. S itua-se na linha
m ediana anterior da face, no sulco m en-
tolabial.
T Figura 11.6
VG-26 (Renzhong)-. Situa-se no filtro do Im agem da ptose palpebral esquerda
lábio superior, na união do te rço superior antes do trata m e nto (A) e após o
com os dois te rço s inferiores. trata m e nto com eletroacupuntura (B).
Figura 11.7 ▲
M ostra o fecham ento palpebral insuficiente do
lado acom etido na figura antes do trata m e nto
(A) e m elhora após o trata m e nto (B).
▼ Figura 11.8
Im possibilidade de assobiar antes do
trata m e nto (A), recuperação deste m ovim ento
após o tratam ento com a eletroacupuntura (B).
M-CP-14 (Bitong): Situa-se em uma reen­ ▲ Figura 11.9
Assim etria dos m ovim e n to s da face (A)
trância óssea localizada ao lado do osso
e recuperação após o trata m e nto (B).
nasal, e xtrem idade superior do sulco na-
solabial.
M-CP-18 (Jiachengjiang): Situa-se a um e p e rm ite observar n itid am e nte os m ús­
e m eio cun, lateralm ente, do p onto VC-24 culos agonistas e antagonistas em ação.
( Chengjiang), onde se encontra o fo ra m e O b serva-se que a m e sm a m u s c u la tu ra
m ental, na linha vertical que passa pelo pode fu ncio na r co m o agonista ou antago­
ponto E-4 (Dicang). nista. Por e xem plo , no caso da paralisia
A Figura 11.6 (A) m ostra antes do trata­ facial, o m úscu lo fro n ta l do lado norm al
m en to da paralisia facial com assim etria torna-se m ais contraído devido ao relaxa­
facial, desvio de rim a bucal para o lado m en to do m úscu lo paralisado. M u ita s ve­
norm al e apagam ento dos sulcos faciais zes procede-se a dispersão do lado nor­
do lado co m p ro m e tid o , ausência de enru- mal para fa c ilita r a to n ific a ç ã o do lado
g am en to ou assim etria ao se te n ta r fran ­ a com etid o.
zir a testa, supercílio m ais flácido, pálpe­ É im p orta nte ta m b é m a observação de
bra inferio r caída. A pós o tra ta m e n to com que as rugas nem se m p re são m aléficas.
eletroacupuntura, m elhora im p o rta n te da N este caso, o retorno das rugas torna es­
m esm a (Figura 11.6 B). te s pacientes m u ito m ais estético s, inclu­
A paralisia facial pode m o s tra r c o m o sive m elhorando m u ito a própria auto-es-
funcionam os m úsculos faciais da m ím ica tim a.
Acupuntura Estética
& Envelhecimento
Cutâneo e
Rugas da Face

ENVELH EC IM EN TO , S EG U N D O O LIIMG SHU

A fim de c o m p re e n d e r o p ro cesso de e nve lh eci­


m e n to e de d ese nvo lvim en to das rugas da face será
transcrito o capítulo 1 do livro Huangdi Nei Jing Su W en,
intitulado "A verdade segundo os preceitos divinos da
Antiguidade" (1).

P a rá g ra fo 1

Certa vez, Huangdi (2) dirigiu-se ao M e stre do Céu


(3), Khi Pa: "O uvi dizer que, nos tempos Antigos, os
seres humanos viviam mais de 100 anos, permaneciam
sadios sem serem esgotados por suas atividades. Hoje
em dia, entretanto, com a metade desta idade já es­
tamos cansados e esgotados. Será que isso é devido
às mudanças de circunstâncias do nosso mundo ou
negligência da lei da natureza do homem?"
O m é d ico Khi Pa respondeu: " Na Antiguidade, os
seres humanos viviam segundo o Tao (4), seguiam a lei
do Yin e do Yang, conservavam-se em harmonia com
as grandes leis e proteção da vida (5), eram modera­
dos na sua alimentação, acordavam e descansavam
de forma regular e trabalhavam sem excessos. Com
isso, mantinham o corpo unificado ao espírito (Shenj,
cumpriam seus destinos e atingiam o máximo de
Dra. Maria Assunta Y. Nakano vivência, ultrapassando os 700 anos (6). Em nossa
Prof. Dr. Ysao Yamamura época, os seres humanos não seguem esta filosofia.
162 Capitulo XII

Eles usam o vinho como água e adotam (2) Im perador Huangdi


o anormal como comportamento normal.
Praticam excessos sexuais em estado Segundo a história, Huangdi tinha como
de embriaguez; suas paixões esgotam o nome de família Cong Ton e, por sobreno­
Jing (7) e dissipam a Energia Essencial me, Hien Vien. Era o filho do rei do Estado
do corpo (8). Eles jamais encontram sa­ Huu Hung e sucedeu o reiThan Nong. Er­
tisfação interior e não sabem controlar gueu sua capital sobre a colina Hien Vien,
seus espíritos. Só pensam em "satisfazer terra muito rica. Por isso, deu-se o nome
o coração" (9), encurtando, desta forma, de Huangdi ('Huang = Amarelo, corda terra;
a felicidade da longevidade. Acordam e Di = Imperador) e foram-lhe dados talentos
descansam sem regularidade. Por isso, o divinos. Começou a falar precocemente;
corpo esgota-se, não podendo alcançar a na juventude, teve um aprendizado muito
idade de 100 anos". rápido e profundo e, quando cresceu,
tornou-se bastante sábio e compreensivo.

E x p l ic a ç õ e s e C o m e n t á r io s
(3) M estre do Céu

(1) Preceitos divinos da A ntigüidade É a posição mais alta da sabedoria.

a) O termo "antigo" indica as primeiras


m anifestações da vida no Homem. O (4) O Tao
termo "origem celeste" vem do segundo
Tronco Celeste, o "\" (bambu) = primavera Na medicina, o Tao é o conjunto de
(Madeira - Vento) = nascimento, que cro­ princípios que permitem cuidar das dife­
nologicamente compreende duas partes: rentes Energias do ser humano: Energia
o "Kia", representando a concentração da Ancestral (JingJ, Energia Mental (ShenJ,
Energia, e o "I", a manifestação da Energia. Energia Essencial (Yong = Nutritiva e W ei
Nos Troncos Celestes, o Kia" é o Yang e = Defensiva) e Sangue (Xue).
o " I " é o Yin. No presente caso, o "K ia "
representa a concentração da Energia, isto (5) Leis e proteção da vida
é, o movimento Yang dirigindo-se para o Yin
(concentração), enquanto o "\" representa O conjunto dos princípios (Tao) da lon­
a manifestação da Energia, ou seja, o Yin gevidade, de acordo com o Yin e o Yang,
indo para o Yang (manifestação). Aqui, es­ que são a origem de todas as coisas e de
ses dois termos são encarados sob seus todos os seres. Obedecer os princípios é
aspectos dinâmicos. a vida; contrariá-los é a morte.
b) O termo "antiga origem celeste"
significa, então, a primeira manifestação (6) Bases fundam entais da
da Energia do homem, o Jing (Energia longevidade
Ancestral, cromossômica). Por isso, este
capítulo é consagrado ao estudo da lon­ As duas bases fundamentais da longe­
gevidade, segundo os princípios de vida vidade são o desenvolvimento da Mente
no Homem perfeito da Antiguidade, com pelo trabalho e repouso regrados, e a
a finalidade de conservar e manter o Jing conservação do Jing. Assim, quando estas
durante nascimento, crescimento, declínio duas Energias são suficientes, não se deve
e velhice. temer morte precoce.
(7) Causas principais de m orte Por isso, suas Energias Ancestrais eram
prem atura harmoniosas (1). Sentiam-se totalmente
satisfeitos com seus atos. Qualquer tipo
As três principais causas de uma morte de comida tornava-se saborosa, viviam
prematura são excesso de bebidas, atos contentes com quaisquer vestimentas.
irrefietidos e excessos sexuais em estado Os seres humanos dessa época possuíam
de embriaguez. O vinho lesa o Pi (Baço/ costumes pacíficos. Viviam em harmonia
Pâncreas), e, estando esta Energia lesada, uns com os outros, sem ciúmes e sem
manifestam-se indigestão e distúrbio da desejos. Possuíam a pureza no coração.
Energia Vital, pois ela não é mais reforçada Nenhum tipo de desejo podia tentar os
pela Energia dos alimentos. Os atos irre­ olhos de seres humanos puros, e sua
fietidos lesam a Energia Mental, enquanto mente não era enganada pela abundância
excessos sexuais, durante a embriaguez, e pela perversidade. Não importava se os
lesam o Jing. seres humanos eram eruditos ou ignoran­
tes, virtuosos ou maus, eles viviam sem
(8) Satisfazer o Coração tem er os fenômenos exteriores. Estavam
sempre em harmonia com o Tao. Assim,
Em fisiologia "energética" chinesa, a podiam viver mais de 100 anos e perma­
Energia Mental (Shen,) é conservada no necer ativos sem se verem esgotados.
Xin (Coração). Por isso, não se deve "sa­ Isso porque suas virtudes eram perfeitas
tisfazer muito o Coração"pois ele precisa e nunca estavam em perigo" (2).
estar calmo e sereno, para executar suas
funções energéticas. Há um preceito que
E x p l ic a ç õ e s e C o m e n t á r io s
diz: "Satisfazer o Xin (Coração) é lesar o
espírito (Energia Mental). Este Zang cor­
responde ã alegria, e alegria excessiva lesa (1) Energia Ancestral harmoniosa
o Xin (Coração)'.'
Graças à serenidade, o ser humano ge­
neroso e bom tem menos desejos. Porque
Pa r á g r a f o 2 o Jing e a Energia Mental são sólidos, o
Shen (Coração) é tranqüilo e não teme
nada. A população dos quatro cantos do
" Na Antiguidade, os ensinamentos dos
mundo vive em paz e trabalha na alegria.
sábios eram seguidos. Eles ensinavam
que as fraquezas, as influências nocivas
e os Ventos Perversos deviam ser evi­ (2) Virtude perfeita
tados em tempos específicos e viviam
tranqüilos e satisfeitos com tudo e com Segundo Nguyen Tu Siêu (1952), a de­
todos, sempre acompanhados por uma finição da "virtude perfeita" é a de que
força vital verdadeira. Seus espíritos vi­ "virtude" é a alta moralidade, concedida
tais preservavam-nos, e os seus corpos pelo Céu, e "perfeita " implica em tudo que
eram protegidos contra agressões das não se deixa atingir pelo desejo. Por isso,
doenças. Por isso, os seres humanos Tchang Tzeu (1115-1260 d.C.) dizia: "No
antigos possuíam o espírito calm o e Homem que conserva o Tao, a virtude é
pouca paixão. Eram tranqüilos e não perfeita. A virtude sendo perfeita, a forma
duvidavam de nada, seus corpos podiam é perfeita. /A forma sendo perfeita, está
estar cansados, mas moderadamente. conforme o Tao dos sábios"
WÊÊÊEsammm^ Capítulo XII

iJ r
Pa rág rafo 3 "Na idade de "dois oito" ( 2 x 8 = 16
anos), a Energia do Shen (Rins) torna-se
Huangdi perguntou: " Chegando à velhi­ potente, a Essência Sexual aparece, o Jing
ce, não se pode ter filhos; isso é devido ao Qi transborda e se une ao Yang e ao Yin
esgotamento ou por destino da Natureza (10), o rapaz pode fecundar".
(1)"? "Na idade do "três oito" (3 x 8 = 24
Khi Pa respondeu: "Aos sete anos (2) for­ anos), a Energia do Shen (Rins) está em
talece-se, no sexo feminino, a Energia do plena atividade, os músculos e os ossos
Shen (Rins) (3), os dentes estão em pleno tornam-se firmes e fortes, aparecem os
desenvolvimento, os cabelos alongam-se". dentes do siso".
"Na idade de "dois sete" ( 2 x 7 = 14 "Na idade do "quatro oito" (4 x 8 = 32
anos), a Essência Sexual o "Koei Celeste" anos), o homem atinge o máximo de força
(4) entra em jogo, o Ren M ai (Vaso-Con- muscular".
cepção) circula abundantemente, o Chong "Na idade do "cinco oito" (5 x 8 = 40
M a i é próspero (5), as m enstruações anos), a Energia do Shen (Rins) começa a
manifestam-se seguindo um determinado enfraquecer, os cabelos caem, os dentes
ciclo, a jovem pode engravidar". começam a se estragar e a cair".
"Na idade de "três sete" (3 x 7 = 21 " Na idade do "seis oito" (6x 8 = 48 anos),
anos), a Energia do Shen (Rins) está em a Energia Yang esgota-se na parte superior
plena atividade, os dentes do siso nascem". do corpo, o rosto começa a se enrugar, os
cabelos começam a ficar grisalhos".
"Na idade de "quatro sete" (4 x 7 = 28
"Na idade do “sete oito" (7 x 8 = 56
anos), os músculos e os ossos se forta­
anos), a Energia do Gan (Figado) vai enfra­
lecem com grande desenvolvimento, os
quecendo (11), os músculos e os tendões
cabelos atingem seu maior comprimento,
perdem a sua tonicidade, a Essência
o corpo torna-se robusto".
Sexual desaparece, o Jing (secreção das
"Na idade de "cinco sete" (5 x 7 = 35 Essências) torna-se lento, a estrutura dos
anos), a Energia Yang M in g (6) começa rins torna-se fraca, o corpo enfraquece,
a enfraquecer, o rosto a se enrugar, os chegando ao final da sua potencialidade".
cabelos a cair". " Na idade do "oito oito" (8 x 8 = 64 anos),
"Na idade de "seis sete" (6 x 7 = 42 os dentes e os cabelos caem".
anos), a Energia dos três Yang (7) enfraque­ "O Shen (Rins) dirige o equilíbrio dos
ce-se no Alto do corpo, o rosto enruga-se líquidos orgânicos, recebendo e acumu­
mais e se torna ressequido, os cabelos lando todas as substâncias energéticas
embranquecem". dos cinco Zang (Órgãos) e dos seis Fu
"N a idade de "sete s e te " ( 7 x 7 = (Vísceras). Por isso, quando esses Órgãos
49 anos), a Energia do Ren M ai (Vaso- e essas Vísceras estão em plena atividade
Concepção) torna-se escassa, a do Chong e em perfeito funcionamento, eles podem
Mai enfraquece-se, os "canais da Terra " (8) secretar, e o Jing Shen (Essência dos Rins)
ficam obstruidos, a atividade do abdome espalha-se. Se eles se esgotam, os múscu­
inferior cessa. Por isso, o corpo esgota-se, los relaxam-se e os ossos deformam-se, as
a mulher torna-se estéril". secreções das Essências ficam exauridas,
"No sexo masculino, aos oito anos de os cabelos da região temporal tornam-se
idade (9), a Energia do Shen (Rins) entra brancos, o corpo torna-se pesado, o andar,
em atividade, os cabelos alongam-se, os cambaleante, e o homem e a mulher não
dentes de leite são trocados". conseguem mais procriar" (12).
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

E x p l ic a ç õ e s e C o m e n t á r io s alimentos, que são "os sabores"os quais


chegam ao Pi (Baço/Pâncreas), e depois
(1) Núm eros celestes são encaminhados diretamente aos Zang
(Órgãos) correspondentes. Por exemplo: o
O s "números celestes" são números azedo dirige-se ao Gan (Fígado), o picante,
que determinam a duração das diferentes ao Fei (Pulmão).
fases evolutivas da transformação corpo­ Quando existe muito Jing nos Zang (Ór­
ral. Exemplo: o número "7 " é o número gãos), o Shen (Rins) absorve-o e o conserva
celeste pertencente ao sexo feminino, o para, em seguida, distribui-lo para todo o
"8 " ao masculino. corpo. O Jing conservado no Shen (Rins)
chega ao Xin (Coração) por intermédio
(2) A M enina, o Shao Yin e o número do Gan (Fígado), seguindo o princípio de
tt-w rr geração dos Cinco Movimentos, e lá se
transforma em Xue (Sangue) (= Coração),
A menina é Yin ou, mais exatamente, que se espalha nos dois Canais de Energia
Shao Yin, que é o "Yin M enor" e este não Curiosos Chong Mai e Ren M ai, a fim de
pode ser colocado em atividade, portanto nutrir a carne e fazer crescer os cabelos e
à vida (= movimento), sem a raiz Yang. 0 os pêlos.
Yang, então, é determinante neste estágio. Assim, nos meninos, no período em que
Por isso, um número "Yang", ímpar, o "7 " a Energia vital está potente, o "Koei Celes­
é escolhido como base para regular a evo­ te" transforma-se, e o Xue (Sangue) chega
lução cíclica na mulher. ao Chong Mai e ao Ren M ai, cujos Meri­
dianos terminam no queixo e nos lábios,
(3) Energia Ancestral - Jing por isso aparecem a barba e o bigode. De
maneira semelhante, nas meninas, quan­
O J in g , neste capítulo, deve ser en­ do o "Koei Celeste" chega, aparecem as
tendido como Energia Ancestral ou "cro- menstruações. Em suma, o "Koei Celeste"
m ossôm ica" vindo dos progenitores e designa o Jing e o Xue (Sangue) ao mesmo
desempenhando um papel importante no tempo e não somente as menstruações,
desenvolvimento corporal e sexual. como Wang Ping considerava. Por isso, a
tese deste autor não é concordante com
(4) Koei Celeste (Essência Sexual) os princípios de Huangdi Nei Jing Su W e n :
“As menstruações e o esperma são mani­
0 "K o e i " é o 10°Tronco Celeste e corres­ festações do "Koei Celeste"
ponde à Água = Rins. Portanto, é o Jing de A Energia do Shen (Rins) é, portanto,
natureza Yin, proveniente do Shen (Rins). constituída de Energia Inata (Energia An­
Entre os "Troncos C elestes" o Jen, cestral), Jen e Koei, Energia Adquirida (Jing
9° é Yang, enquanto o Koei, 10° é Yin. dos sabores dos alimentos) e Yong (Ener­
No presente caso, o Jen representa a gia Nutritiva). Na infância, ela se distribui
concentração da Energia, isto é, o movi­ para as regiões mais essenciais, a fim de
mento do Yang para o Yin (concentração), assegurar crescimento e desenvolvimento
enquanto o Koei representa a manifestação para os ossos e medula (Rins), músculos
da Energia, isto é, o movimento do Yin e Sangue (Fígado), seguindo o princípio
para o Yang (manifestação). Segundo Khi de geração dos Cinco Movimentos. Na
Pa, o "K oei Celeste" é inato, enquanto o puberdade, o Qi é sempre próspero (inato
Qi "posterior" é reforçado pelo Jing dos e adquirido), mas é menor a necessidade
de nutrir, por prioridade, os fatores de (Sangue) e o Qi (Energia) estão em equi­
crescimento. No entanto, uma parte desta líbrio, o Qi destes dois Canais de Energia
Energia é destinada aos órgãos genitais e transborda e vai para a carne, aquecendo-a.
aos Canais de Energia Curiosos, dos quais Nos indivíduos em que o Xue (Sangue) é
eles dependem. florescente, o Qi destes dois Canais de
Na andropausa e na menopausa, a Energia Curiosos vai para a carne, impregna
Energia Inata enfraquece-se, mas pode ser a pele e dá origem aos pêlos. Geralmente,
reposta pela Energia Adquirida de origem na mulher, o Qi é potente e o Xue (Sangue)
alimentar, uma vez que é essencial man­ é enfraquecido (devido às menstruações);
ter a vida. Quando o potencial energético por isso, os ramos bucais do Ren M ai e do
encontra-se limitado, é encaminhado pre­ C hong M ai estão também enfraquecidos
ferencialmente para os setores vitais, em e, em conseqüência, elas não apresentam
detrimento de outros setores menos vitais bigode e nem barba ".
(particularmente o genital). Esta explicação, contida no Nei Jing é
Por isso, no pensam ento chinês, o extremamente importante, esclarecendo a
" K o e i" designa, ao m esm o tempo, o noção de "Sangue-Energia" ('Yin-Yangj: O
Tronco Celeste, sua manutenção e suas homem possui mais Xue (Sangue) do que
manifestações. Qi, advindo o aparecimento de bigode e
de barba, enquanto a mulher possui mais
(5) Ren M ai e Chong Mai Qi do que Xue (Sangue), daí a ausência de
bigode e de barba. Quando se fala de Qi
O Ren M ai e o Chong M ai fazem parte e de Xue (Sangue), o Qi é Yang e o Xue
do grupo de Canais de Energia Curiosos, (Sangue) é Yin. Na mulher (YinJ, o Sangue
em número de oito: Ren M ai (Vaso-Con- (Yin) esgota-se mais rapidamente do que o
cepção), Du Mai (Vaso-Governador), Chong Qi (YangA enquanto, no homem, acontece
Mai (Vaso Penetrante), Dai M ai (Canal da o inverso.
Cintura), Yin Qiao (Canal Equilibrador do
Yin,), Yang Q iao (Canal Equilibrador do (6) Energia Yang Ming
Yangj, Yin W ei (Canal de Ligação Yin,) e
Yang W ei (Canal de Ligação Yang,). O Ren A Energia Yang M ing vai para face, con­
Mai e o Chong M ai constituem o sistema torna o crânio e energiza a raiz dos cabelos,
de conservação do Qi e do Xue (Sangue), por meio dos Canais de Energia Principais
dai a denominação de "M ar de Qi e do e Secundários do Intestino Grosso (Canal
Sangue" Em ginecologia, o Ren M ai con­ Tendino-Muscular) e do Estômago (ramo
trola as funções do útero, enquanto o ascendente da face). É por esta razão que,
C hong M ai supervisiona o Xue (Sangue) quando a Energia do Yang M ing está em
(menstruações). E somente a partir de 14 Vazio (deficiente), o rosto enruga-se e os
anos de idade é que estes dois Canais de cabelos passam a cair. O Canal do Yang
Energia Curiosos comunicam-se. Assim, M ing do pé (Estômago) apresenta relações
segundo o Nei Jing Ling Shu: "O Chong m uito importantes com os dois Canais
M ai e o Ren M ai originam-se no Shen Curiosos Ren M ai e Chong M ai receben­
(Rins) e são a origem de todos os Canais do muitas ramificações destes, no ponto
de Energia Principais e Secundários. Eles E-25 (TianshuA O Qi proveniente destes
emergem do abdome e vão em direção ã Canais Curiosos é encaminhado ao W ei
garganta, chegam ao queixo e contornam (Estômago), depois chega ao tórax através
os lábios. Nos indivíduos em que o Xue dos Canais secundários, em particular o
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

Luo Longitudinal e o Canal Distinto. Esta (11) Gan Qi (Energia do Fígado) e o


relação explica porque, quando o Qi do Ren Shen Qi (Energia dos Rins)
Mai e do Chong Mai está em Vazio, o do
Yang M ing também está. 0 Gan Qi (Energia do Fígado) e o Shen
Qi (Energia dos Rins) possuem, cada um,
(7) Os frêsYang são TaiYang, ShaoYang funções energéticas bem determinadas.
e Yang M ing, os quais estão divididos em: O Gan Qi (Energia do Fígado) mantém
três Canais Yang da mão /TaiYang (Intesti­ os músculos e os tendões e controla a
no Delgado), ShaoYang (TriploAquecedor) formação sangüínea, enquanto o Shen Qi
e Yang M in g (Intestino Grosso)] e três (Energia dos Rins) mantém os ossos e a
Canais Yang do pé /Tai Yang (Bexiga), Shao medula e controla a formação energética.
Yang (Vesícula Biliar) e Yang M ing (Estôma­ Portanto, o Gan (Fígado) e o Shen (Rins)
go)]. O Qi destes Canais Yang sobe para a apresentam relações muito importantes,
região cefálica através da via dos Canais por causa da interação Yin-Yang, Sangue-
secundários, e "globalmente"isto é, inde­ Qi, Água-Fogo e, sobretudo, devido ao
pendentemente dos trajetos dos Canais de ciclo de geração dos Cinco Movimentos:
Energia. Quando o Qi destes Canais enfra­ "A Água (Rins) gera a Madeira (Fígado) "Por
quece, obrigatoriamente o rosto enruga-se isso, a insuficiência renal sempre perturba
e os cabelos embranquecem. as funções hepáticas.

(8) Canais da Terra (12) Secreção das Essências /"Koei


Celeste" no hom em )
Os "canais da Terra " designam os Canais
de Energia situados no baixo ventre, princi­ A Essência sexual "Koei celeste" desa­
palmente o Canal interno do Canal Principal parece, no homem, na idade de "oito-oito"
dos Rins, segundo consta no Nei Jing Ling (8 x 8 = 64 anos) e, na mulher, na idade
Shu, no capítulo que versa sobre "As três de "sete-sete" (7 x 7 = 49 anos). Esta é a
partes e as nove regiões do corpo": "A re­ duração aproximada do "Koei Celeste" 0
Qi e o Xue (Sangue) continuam a circular
gião inferior (baixo ventre) é a região do canal
Shao Yin do pé (Rins). Quando as secreções nas pessoas idosas, e os ossos e os mús­
das Essências estão esgotadas, o Shao Yin culos permanecem fortes, graças ao bom
funcionamento do Pi Qi (Energia do Baço/
do pé (Rins) não circula mais, daí o apareci­
mento de esgotamento e esterilidade" Pâncreas) e do W ei Qi (Energia do Estô­
mago). Em algumas mulheres com idades
(9) O menino, o ShaoYang e o algarismo acima de "sete-sete" (7 x 7 = 49 anos), as
"8 " Os meninos são ShaoYang. Este não menstruações demoram a desaparecer, e
pode ser gerado nem viver sem a sua raiz isto ocorre pela presença de Xue (Sangue
Yin. Por isso, o algarismo Yin, de número circulante) nos Canais perfeitos [são Canais
par, o "8 " é o escolhido como base para que conseguiram guardar o Xue (Sangue)
regular a evolução cíclica do homem (ver mais tempo que o normal], os quais "inun­
exemplo n° 2 acima). dam " os dois Canais Curiosos, Chong Mai
e Ren M ai. Além disso, nessas mulheres,
(10) O Yin e o Yang o rosto é amarelado, o corpo, seco e ma­
gro, e são freqüentes as queixas de dores
Aqui, o Yin designa a menina, e o Yang, nos ossos (reumatismo da menopausa) e
o menino. fadiga muscular.
É importante lem brar que o Sangue (2) Qi "Adquirido"
('Yongj pertencente aos Canais "perfeitos"
Trata-se do Jing (Essência) " alimentar"
circula nos Canais Principais, enquanto o
isto é, a essência do Yong Qi (Nutritiva) e
Sangue (Yong) pertencente ao Chong Mai
do W ei Qi (Defensiva). Portanto, o termo
e ao Ren M ai difunde-se para fora dos
"Jing " designa as formas puras da Energia.
Canais (menstruações).
Pode tratar-se, então, da Energia Ancestral,
da forma pura da Energia alimentar e da
Pa rág rafo 4 forma pura da Energia cósmica.

Huangdi interrogou: (3) Energia Jing do Céu e da Terra


"M as existem pessoas idosas que po­ Trata-se da Energia Ancestral, prove­
dem ter filhos; como se explica isso?" niente de dois progenitores: pai = Céu e
mãe = Terra.
Respondeu o médico Khi Pa:

" Isso se deve ao fato de o Qi e o Xue Pa r á g r a fo 5

(Sangue) de alguns idosos continuarem


O Huangdi contou:
em atividade, o Qi "Inato" (1) ser prós­
pero, o Qi "Adquirido" dos Canais ser (2) "A/a alta Antiguidade, os perfeitos (1)
abundante, e o Shen Qi (Energia dos Rins) podiam comandar as forças da natureza,
estar perfeito. No entanto, o homem não harmonizar o Yin e o Yang (2), respirar a
pode procriar depois dos 64 anos e a mu­ Energia pura (3), conservar firmes o corpo
lher não pode reproduzir após os 49 anos. e o espírito; suas carnes não se alteravam.
Isso porque o Jing Qi do Céu e da Terra (3) Eram pessoas que viviam conforme o Tao;
estão esgotados". por isso, podiam viver até a eternidade. Na
idade média, os sábios (4) procuravam a
Huangdi perguntou: virtude, uniam-se ao Tao, harmonizavam-
se com o Yin e o Yang, acomodavam-se às
" Os seguidores do Tao que atingem os quatro estações do ano, distanciavam-se
700 anos de idade ainda podem procriar?" da vida e das coisas materiais, conser­
vavam o Jing, tornavam perfeito o Shen
Khi Pa respondeu: (Energia Mental), passeavam na Natureza,
dirigiam seus olhares para lá das oito fron­
“As pessoas que seguem o Tao podem teiras (5), tornavam-se robustos e viviam
atingir a longevidade do Céu, não enve­ longo tempo como os perfeitos, porque
lhecendo e também salvaguardando a eles sabiam se conservar e disciplinar. Num
integridade de seus corpos. Apesar de grau inferior, encontrava-se uma categoria
suas idades, podem ter filhos, porque o Qi de seres humanos chamados santos, que
permanece ativo e o Shen Qi ainda existe". viviam no espaço harmonioso do Céu e
da Terra, seguindo as regras dos "Oito
Ventos" (6). Ainda que eles tivessem os
E x p l ic a ç õ e s e c o m e n t á r io s
mesmos desejos que nós, possuíssem
roupas e se penteassem como nós, fre­
(1)Q.\ "Inato"
qüentassem templos e palácios como nós,
Trata-se do Jing “Ancestral" não conheciam o descontentamento, nem
o rancor. Exteriormente, seus corpos não dada, por Khi Pa: "O Yin e o Yang têm o
eram esgotados pelo trabalho; no Interior, nome, mas não a forma; contar cem, mas
seus espíritos não eram esgotados pela julgar mil; contar mil, mas julgar cem mil ".A
inquietude. Para eles, a alegria era um bem; evolução do dia e da noite, mencionada no
a satisfação de si mesmo, um prazer... Nei Jing, explica a complexidade da noção
Por esse motivo, suas formas físicas não do Yin-Yang: "No Yin, há o Yang; no Yang,
eram atingidas pela fadiga, e suas Ener­ há o Y in. Da alvorada até meio-dia, é a parte
gias mentais permaneciam intactas. Por Yang do dia, correspondente ao Yang no
isso eles podiam viver mais de 100 anos. Yang; do meio-dia até o crepúsculo, tam­
Num grau ainda mais abaixo, os virtuosos bém é o Yang do dia, mas corresponde ao
(7) asseguravam-se de reconhecer os mo­ Yin no Yang; do crepúsculo até o canto do
vimentos do Céu e da Terra, da Lua e do galo, é a parte Yin do dia, correspondente
Sol, responder ã subida e ã descida do Yin ao Yin no Yin; da meia-noite até a alvorada,
e do Yang (8), distinguir as quatro estações é também a parte Yin do dia, mas corres­
do ano... Eles praticavam o Tao, como os ponde ao Yang no Yin ", Na medicina, as
seres humanos antigos. Também podiam atividades orgânicas, o aparecimento e o
viver muito tempo". desaparecimento das doenças também
são ligados aos fenômenos de mutação
E x p l ic a ç õ e s e C o m e n t á r io s
de Yin-Yang, cujos caracteres essenciais
são a oposição e a complementariedade.
(1) Os "perfeitos"

Os "perfeitos " eram aqueles que sabiam (3) Respiração do Qi Puro


conservar suas Energias mentais no con­
Segundo Tchang Tsing Yao (aliás Kai Pin,
texto "origem mesmo da Energia "Segundo
1561-1639), "A expiração respiratória marca
Hoai Nam Tu: "Desde o nascimento, alguns
a continuidade do Homem e do Céu, por
seres humanos antigos eram iniciados no
isso o Homem está relacionado ao Qi,
Tao e conservavam para sempre a sua
enquanto a inspiração respiratória marca
'origem celeste'. Por isso eram chamados
a continuidade do Homem e da Terra, por
de 'os perfeitos'
isso o Homem está relacionado ao Jing. O
Qi e o Jing designam ‘origem energética' ".
(2) O Yin e o Yang

O Yin e o Yang representam os dois as­ (4) Na idade média, os sábios


pectos mais complementares existentes
em todos os seres e em todas as coisas, "Idade média ": não corresponde á Idade
isto é, em todos os fenômenos do mundo Média da história ocidental. E os "sábios"
natural. Por exemplo: o Sol é Yang, a Terra eram seres humanos que tinham vonta­
é Yin; o dia é Yang, a noite é Yin; o homem de de não se afastar das suas "origens
é Yang, a mulher é Yin; o Qi é Yang, o Xue celestes
(Sangue) é Yin. Mas não é tão simples as­
sim, pois cada ser ou objeto reveste-se de (5) A lém das Oito Fronteiras
um dos dois grandes aspectos Yin ou Yang,
sendo que em cada um destes aspectos Significa que os "sábios" compreen­
já estão presentes outros aspectos. Daí a diam, viam e entendiam tudo o que se
importância da definição do Yin e do Yang passava em torno deles (Ver exemplo n°6).
6) Os Oito Ventos Quanto aos "perfeitos" e aos "sábios"
eram seres humanos que se distancia­
São os Ventos provenientes de oito pontos vam das sociedades e dos costumes,
cardeais: Leste, Oeste, Norte, Sul, Sudeste, para p ra ticar tranqüilam ente o Tao e
Sudoeste, Nordeste e Noroeste. conservar "a origem celeste" Não eram
unidos a nada, nem a ninguém, pois não
(7) Os virtuosos tinham nenhum a ligação e nenhuma
cobiça. Ao contrário, os "santos" viviam
Eram seres humanos virtuosos que, no mundo, realizavam as ligações sociais
mesmo tendo vivido num mundo profano e morais, mas utilizavam o princípio de
como o nosso, não estavam preocupados jamais se preocupar com nada, para se
com os prazeres. Quando se sentiam aco­ harmonizar. Seus corpos e seus espíritos
metidos por um distúrbio, sabiam corrigi-lo não ficavam cansados. Por isso, eles po­
imediatamente. Seus espíritos permane­ diam viver além de 100 anos"
ciam claros como "o Sol e a Lua"com o o
Jing e o Shen (Qi Ancestral e Qi Mental).

PROCESSO DE ENVELH EC IM EN TO

A p esa r de se saber que o e n ve lh e ci­ é determ inada no genom a e um e le m e n to


m ento é um processo fisioló gico gradual de controle é exercido pelas te n s õ e s às
e irreversível, existem outros fatores que quais o te c id o está su b m e tid o . Os e stí­
podem interferir para acelerar o processo m u lo s m e c â n ico s agem s o bre o te c id o
de envelhecim ento, co m o a exposição à em c re s c im e n to , para m od ela r o p ro d u to
luz solar, ca ra cte rística s ind ivid ua is her­ final adulto, m as agem ta m b é m sobre o
dadas, estilo de vida, alim entação, m eio te c id o adulto, para adaptá-lo às exigências
am biente e, principalm ente, as condições m ecânicas locais, e c o n s titu e m as rugas
em ocionais. Alguns destes fatores podem de expressão.
ser m elhorados e assim retardar o processo O processo de e nvelhecim ento m anifes­
de envelhecim ento. ta-se na pele que se torna de tonalidade
As estruturas e as fu nçõ es m ecânicas am arelada e translúcida associada a um
dos d iversos c o m p a rtim e n to s do te cid o adelgaçam ento da derm e, pela fu são do
conjuntivo variam com a idade do indivíduo. tecido adiposo, pelo aparecim ento de rugas
De fato, a adaptação do te cid o conjuntivo e pela redução da to nicidade cutânea.
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

O processo de envelhecim ento ocorre de Os m ú s c u lo s da fa ce a prese ntam al­


form a gradual, lenta, evolutiva e irreversível, gum as características especiais, com o a
que se segue ao período de crescim en to de serem capazes de m anifestar as mais
em seu co nte xto clínico, m as que com eça diversas em oções. Assim , o desequilíbrio
no m o m e n to da co nce pçã o em te rm o s e ntre os m úscu lo s da face, geralm ente,
da biologia celular; segu nd o a M edicina representa distúrbios em ocionais, que po­
Tradicional Chinesa, o processo de envelhe­ dem ser conseqüentes às desarm onias dos
c im e n to segue a seqüência dos núm eros Zang Fu (Órgãos e Vísceras) ou som ente a
celestiais. m anifestação das em oções sem o com pro­
A derm e em brionária co nté m concentra­ m etim ento dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras).
ção elevada de glicoproteínas estruturais e O co njun to de fatores acima, associado
de proteoglicanos. Em uma grande propor­ ao excesso ou à dim inuição da utilização
ção, o colágeno é do tip o III, enquanto as de d ete rm ina do s grupos m usculares, irá
fibras elásticas são raras. O recém-nascido, dete rm in a r o tip o de rugas de expressão
a criança, o adolescente e o adulto jovem , à (Figura 12.1). Por isso, para o trata m e n to
m edida que vão crescendo, terão d im inuí­ das rugas faciais, é im p o rta n te a harm oni­
das progressivam ente as concentrações de zação dos m úsculos da face.
glicoproteínas estruturais, proteoglicanos e
ácido hialurônico, em que a proporção do
colágeno tip o I cresce à custa do tip o III. As
fibras elásticas fo rm a m sua rede e depois Figura 12.1
a sua sín te se será reduzida o b te n d o -se M ostra uma paciente com o
o e quilíbrio ca ra cterístico que ocorre no envelhecim ento e rugas da face.
adulto e que só será adquirido
ao final da puberdade.
As influências extrínsecas
a m b ie n ta is são b e m d e fi­
nidas no m e sm o indivíduo,
s e g u n d o a localização. Por
exem plo, as regiões expos­
tas longam ente ao Sol terão
s u a s fib r a s d e g e n e ra d a s
m u ito m ais p re coce m e nte e
estas diferenças podem ser
o bs e rva d a s e n tre as áreas
expostas e as cobertas (uso
de vestim enta). A lé m disso,
as m ic ro -a g re s s õ e s m e c â ­
nicas, de te m p e ra tu ra (frio,
calor, um idade, secura, vento
externo), tam bém , interferem
nesse p ro ce sso . Por o u tro
lado, a saúde ou a doença, a
alim entação, o stress do dia-
a-dia terão valor na som atória
final do bem -estar da pele.
Pontos da Face
L O C A L I Z A Ç Ã O E C OM AN D O

m. fro n ta l m. procero

m. depressor do supercilio m. depressor do supercilio

m .o rb icular do olho m. corrugador do supercílio

m. levan tad o r do lábio


m. levantador do lábio superior e da asa do
superior e da asa do fiariz
nariz

m. o rbicular do olho

m. levantador /
do labio superior

m. zigom ático
m . nasal
menor
m . zigom ático
m enor

m. levantador
do labio superior
m. levantador do
ângulo da^ boca m . levan tad o r do
ângulo da boca
m. zigom ático m aior
-bu cin ado r

m . risório-------- m. zigom ático m aior

-m . risório
m. orbicular da boca —

masseter

p latism a'
m. depressor
do ângulo da boca
m. depressor
do ângulo da boca
m. depressor
m. depressor do lábio in fe rio r
do lábio in fe rio r
m. m entual

▲ Figura 12.2
M úsculos da face vista frontal.
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face 10t,

m. depressor do supercílio m. frontal ▼ Figura 12.3


m. corrugador do supercílio M úsculos da
prócero face vista lateral.

m. orbiculardo olho

m. nasal

m. levantador do lábio
superior e da asa do
nariz

m. levantador
do labio superior

m. zigomatico -
menor

m. orbicular
da boca
bucinador
m. risorio
m. mentual

m. depressor
do lábio inferior

m. depressor masseter
do ângulo da boca
m. levantador do platisma
ângulo da boca
esternocleidomastóideo
m. zigomático maior

glândula submandibular glândula parótida

Para o trata m e nto das rug a s faciais, é im p orta n te d e te rm in a r os m úscu lo s ago nista s
e a n ta g o n ista s e n v o lv id o s em cada tip o de ruga, e h a rm o n iza r os g ru p o s m usculares.
Músculos fro n ta l
F unção: F ra n zir a testa e e le va r a so b ra n ce lh a - A n tag on ista: m. o rb icu la r do olho e m. piram idal
C o m and o : M -CP-6 ( Yuyao) e VB -14 ( Yangbai).

Músculos o rb icu lar do olho


Função: A b rir e fe c h a r os o lh o s - A n tagonista: m úsculo frontal
Co m and o : VB-1 ( T o n g zilia o ), M-CP-8 ( Q iuhou), E-2 (S ibai), N-CP-4 (Shangmin$), TA-23
(Sizhukong).

Músculo P rócero
Função: U n ir e d e s c e r a parte interna da so b ra n ce lh a - A n tag on ista: m úsculo frontal
Co m and o : M-CP-3 ( Y in ta n g ).

Músculo corru eado r do supercílio


Função: P u xa r a so b ra n ce lh a para b a ixo e m ed ia lm e n te - A n tag on ista: m úsculo frontal
C o m and o : M -CP-6 (Yuyao), TA-23 (Sizhukonç).

Músculo d e p re s s o r do supercílio
Função: U n ir e d e s c e r a parte interna da so b ra n ce lh a - A n tag on ista: m úsculo frontal
174
mm

VG-26
( Renzhong)

IG-20
( Yingxiang)

VC-24
( Chengjiang)

Figura 12.4 ▲ PONTOS DE A C U P U N TU R A DA


Localização FACE: LOCALIZAÇÕES E FUNÇÕES
dos pontos de
acupuntura situados
Para o tra ta m e n to por acupuntura e le tro ­
no te rço inferior
da face. acupuntura é im p o rta n te o co n h e cim e n to
da anatom ia da face, assim co m o da loca­
lização das fu n çõ e s dos m úsculos faciais,
S egundo o livro Ling Shu, aos 20 anos dos pon tos m o to re s e das corresp on dê n ­
de idade, os m ú s c u lo s do co rp o e stã o na cias com os pontos de acupuntura, que são
fase do d e se n vo lvim e n to , aos 30 anos os m ostra do s nas Figuras 12.2 e 12.3.
m ú scu lo s e stã o b em firm e s , aos 4 0 anos
• IG-19 (Heliao): Situado a m eio cun la­
os Cou-li (junções e n tre os m ú s c u lo s e a
teral ao VG-26 (Renzhong ou Shuigou). Tem
pele) c o m e ça m a se relaxar. O b rilh o do
o com ando sobre o m úsculo orbicular oral
rosto atenua-se, aos 50 anos, a Energia
superior e é o responsável pela m anifesta­
dos Zang Fu (Ó rgãos e Vísceras) co m e ça
ção de ruga peribucal superior (Figura 12.4).
a declinar, co m e ç a n d o pelo Gan (Fígado)
aos 50 anos; o Xin (Coração) aos 60 anos; • IG-20 ( Yingxiang): Localizado a m eio
o Pi (Baço) aos 70 anos; o Fei (Pulm ão) cun da asa do nariz, entre o sulco nasolabial
aos 80 anos e o Shen (Rins) aos 90 anos. e a asa do nariz. Tem o com ando sobre o
Aos 100 anos, a in su ficiê n cia e n e rg é tica m úscu lo elevador co m u m da asa do nariz
dos cinco Zang (Ó rgãos) é to ta l, daí, a e do lábio superior e é o responsável pela
form a física corporal e ncam inhar-se para ruga paranasal ou "ru ga s de a n tip a tia " (Fi­
a m orte . gura 12.4).
Ponto Extra
(Depressor do lábio inferior)

• VG-26 (Renzhong ou Shuigou): Locali­ ▲ Figura 12.5


Localização do ponto extra
zado no filtro do lábio superior, e ntre o 1/3
Jiachengjiang e do ponto
superior e o 2/3 inferior. Tem o com ando
depressor do lábio inferior.
sobre o lábio superior e o m úsculo orbicular
oral superior (Figura 12.4).

• VC -24 (Chengjiang): L oca liza do no M-CP-8 (Qiuhou): Localizado na m argem


sulco m entolabial.Tem o com ando sobre o infra-orbitária e ntre o ponto E-2 (Sibai) e o
m úscu lo orbicular oral inferior e, ta m b é m , VB-1 (Tongziliao). Possui o com ando sobre
sobre o lábio inferior (Figura 12.4). o m úscu lo orbicular do olho e é o respon­
sável pela fo rm a ç ã o de ruga p e rio cu la r
M -CP-18 (Jiachengjiang): Ponto extra
externa inferior (Figura 12.6).
situado a um e m eio cun do VC-24 (Cheng­
M -C P-9 (Taiyang): S itu ad o a um cun
jiang), no foram e m ental.Tem a ação sobre
lateralm en te ao epicanto lateral do olho,
o m ú s c u lo d e p re s s o r do â n g u lo bucal
onde se encontra com o prolongam ento da
(Figura 12.5).
sobrancelha.Tem o com ando sobre o m ús­
Ponto Extra (D epressor do lábio inferior): culo orbicular do olho, que é o responsável
Este p onto m o to r do m úscu lo depressor pela form ação da ruga periocular externa
do lábio inferior está situado a m eio cun superior (Figura 12.6).
lateralm ente ao ponto VC-24 (Chengjiang) E-2 (Sibai): Situado a 3/10 cun inferior­
(Figura 12.5). m e n te na linha vertical ao E-1 (Chengqi).
M-CP-6 (Yuyao)\ Localizado no m eio da Tem o com ando sobre o m úsculo orbicular
sobrancelha. Possui o com ando sobre o do olho, na sua porção inferior (Figura 12.6).
m úsculo corrugador, que é o responsável VB-1 (Tongziliao): Situado a m eio cun do
pela form ação de ruga vertical (Figura 12.6). epicanto lateral do olho. Tem o comando
M-CP-6
(Yuyao)
B-2
(Zhanzu)

TA-23
(Shizukong)
M

B-1 M-CP-9
...— (Taiyang)
(Jingming)........
VB-1
(Tongziliao)

• M-CP-8
(Qiuhou)

Figura 12.6 ▲ fo r direcionada para baixo e m edialm ente,


Pontos de acupuntura terá o com ando sobre o m úsculo piram idal
situados ao redor do olho.
(Figura 12.6).
E-3 (Juliao ): S itu ad o la te ra lm e n te ao
so bre o m ú s c u lo o rb ic u la r do o lh o, na sulco nasolabial na vertical que passa pelo
sua porção lateral, e é o responsável pela olho.Tem o com ando sobre o m úscu lo ele­
form ação da ruga periocular em toda a sua vador do lábio superior, mas te m , ta m b ém ,
parte externa (Figura 12.6). atuação sobre a região da pálpebra inferior
TA-23 (Shizukong): Situado na extrem ida­ (Figura 12.7).
de lateral da sobrancelha. Tem o com ando E-4 (Dicang ): Localizado a 4/10 cun la­
sobre o m úsculo frontal, se a agulha de acu­ te ra lm e nte ao canto labial na m esm a linha
puntura fo r direcionada para cima (TA-23ÍÍ), vertical que passa pelo ponto E-3 (Juliao). É
se direcionada para baixo e lateralm ente um ponto im portante na acupuntura e sté ti­
(TA-23<=), o com ando será sobre o m úscu ­ ca, uma vez que, dependendo da direção da
lo orbicular ocular, na sua porção externa agulha, terá ação sobre diferentes m uscula­
superior (Figura 12.6). turas. Se a agulha fo r inserida lateralm ente e
B-2 (Zanzhu ): Situado na e xtre m id ad e para cima, atingirá os m úsculos do sorriso.
m ediai da sobrancelha. Tem o co m ando São eles o m úsculo risório, os m úsculos
sobre o m ú scu lo co rrug ad or; m as se a zigom áticos m aior e menor, o m úsculo ele­
agulha fo r direcionada para acima, terá o vador do ângulo oral e o m úsculo bucunador
com ando sobre o m úscu lo fro n ta l; e se (este últim o im portante na m astigação). Se
VB-14
( Yangbai)

A Figura 12.7
Pontos de acupuntura
situados na linha
ântero-lateral da face.

a agulha fo r inserida caudalm ente, atingirá


o m úsculo depressor do ângulo oral e, se
fo r para o meio, o m úsculo orbicular (Figura
12.7).
VB-14 [Yangbai): Situado 1 cun cranial-
m e n te ao Yuyao. Tem o com ando sobre o
m úscu lo fro n ta l (Figura 12.7).
E-7 (Xiaguan): Situado na incisura da
mandíbula, inferiorm ente ao arco zigom áti­
co. A Figura 12.8 m ostra o com ando deste
p onto para to do s os m úsculos do sorriso
atuação sobre o nervo facial (Figuras 12.8
e 12.9).

D e m o n s t r a ç ã o d o s e f e it o s d a a c u p u n t u r a s o b r e os po n to s de c o m a n d o

▲ Figura 12.8
Inserção de agulha e estimulação por eletroacupuntura no ponto
VB-14 (Yinbai). Observe a elevação da pálpebra superior esquerda
pelo comando deste ponto sobre o músculo frontal.
Capítula XII

Figura 12.9 ►
Eletroacupuntura no ponto
E-7 (Xiaguan ) mostrando o
comando deste ponto sobre as
musculaturas da face.

Figura 12.10 ▼
Musculatura do pescoço e pontos
de acupuntura que promovem a
tonificação desta região.

M-CP-21 (Shanglianquan)
m. digástrico
glândula m. milo-hióideo
submandibulai
VC-23 (Lianquan)
m. masseter

glândula parótida

mandíbula

m. estilo-hióideo m. pterigoidiano
mediai
osso hióideo
m. digástrico
m. esterno-hióideo

IG-18 (Futu)
— m. omo-hioideo
cartilalagem tireóidea
-----m. tireóideo
ligamento cricotireóideo
-----m. cricotireóideo
m. omo-trapezóideo
— m. escaleno
m. trapézio — glândula
tireóidea

clávicula
omo-hióideo inferior m. esterno-tireóideo

m. esternocleidomastóideo traquéia

10-13 _______ ____ 03 cun para fora da borda superior da cartilagem tireóidea na
borda posterior do m. esternocleidomastóideo.

VC-23 (Lianquan)______ _na face anterior da garganta, na linha mediana, acima da borda
superior do osso hióideo.

M-CP-21 iS hanglianquan) na linha mediana a meia distância entre VC-23 (Lianquan) e o queixo.
1
(Shanglianquan)

VB -20 - - m. milo-hióideo
(Fengchi)
m.
m. digástrico

Pontos Pontos m otores


(Lianquan) (Lianquan)

23 ( Lian qua n)

■4 Figura 12.11
Pontos motores da região
do pescoço utilizados
no tratamento da
flacidez do pescoço.

m. esternocleidomastóideo

VB-20 (Fençchi) região retroauricular entre a tuberosidade occipital externa e o


processo mastóide.

Pontos motores_____ estão localizados a 01 cun e a 02 cun lateral ao ponto


VC-23 (Lianquan).

M-CP-21 (S hanalianauan) na linha mediana a meia distância entre VC-23 (Lianquan)


e o queixo.

As Figuras 12.10 e 12.11 m o stra m os m e n te os grupos m usculares acom etidos.


pontos de acupuntura utilizados para tratar Na maioria das vezes, depara-se com várias
a flacidez m uscular da região do pescoço. com binações de rugas da face. Observa-se
O p o n to M-CP-21 (Shanglianquan) está que os grupos m usculares atuam o te m p o
localizado a 1 cun cranialm ente ao VC-23 to do co m o agonistas e co m o antagonistas,
(Lianquan). Lateralm ente ao VC-23 (Lian­ e que os m e sm o s grupos m usculares po­
quan), existem 3 pontos m oto res com ação dem funcionar co m o antagonistas uns aos
na região. o utros em lados opostos.
Observa-se, tam bém , no envelhecim ento
TRATAMENTO DAS RUG AS DA cutâneo, além das rugas da face determ ina­
FACE das pela contração de grupos musculares
específicos, o não acom panham ento da con­
Apesar de existir preconização no tra ta ­ tração pela pele, o que lhe confere aspecto
m ento de diversos tip o s de rugas faciais, de pele flácida, observando-se, então, áreas
quando se observam os pacientes co m o onde parece não existir a ancoragem derme-
um todo, ou m e sm o que seja s o m e n te a hipoderm e com a musculatura. Segundo a
face co m o um todo, é difícil d e fin ir exata­ MedicinaTradicional Chinesa, o WeiQ/'(Ener­
gia de Defesa) é o responsável por nutrir o da pele ou a avançada idade das pacientes, a
espaço entre a pele e o osso; a sua defici­ sedação do m úsculo agonista deve ser feita
ência acarreta dim inuição no aquecim ento com precaução. M uitas vezes ta m b é m se
deste espaço, tornando a pele não aderente observam as duas form as de rugas conco-
da sua m usculatura. Daí, a necessidade de m itan tem e nte , o que deixa dúvidas quanto
tonificar o Wei Qi (Energia de Defesa) para aos m úsculos a sedar ou a tonificar.
o tratam ento do envelhecim ento cutâneo, O bserve a seguir diversos tipos de rugas
a fim de tornar a pele novam ente hígida. fro n ta is e verticais c o n co m ita n te s (Figuras
Além de tonificar o Shen Qi (Energia dos 12.12 a 12.17).
Rins), deve-se, tam bém , tonificar o Pi (Baço/ As figuras acim a m ostram tip o s d iferen ­
Pâncreas) e o Fei (Pulmão), a fim de tratar o te s de rugas fro n ta is e verticais. Nota-se
tônus dos m úsculos, do tecido conjuntivo e ta m b é m uma assim etria e ntre o lado di­
da epiderme. Desde a infância, os m úsculos reito e o lado esquerdo nas Figuras 12.14
sem pre se m ovim entaram para expressar e 12.15, m ostra nd o desequilíbrio d ire ito /
as em oções; no entanto, durante o curso da esquerdo que se deve à desarm onia ener­
vida, os Órgãos desequilibram -se e a pele gética do Gan (Fígado).
vai se tornando mais flácida, fazendo com
que as contrações se traduzam em rugas 2. R ugas V e r t ic a is
sobre uma pele danificada.
As rugas verticais podem se apresentar
1. R u g a s F r o n t a is e V e r t ic a is de fo rm a s d iferentes, com o se pode ob­
servar nas Figuras 12.16 a 12.18.
As rugas frontais são determ inadas por
uma hiper-contração dos m úsculos frontais
e deficiência dos m úsculos antagonistas,
co m o os m úsculos orbicular, piram idal e
corrugador, ao passo que as rugas verticais Figura 12.12
M ostra uma paciente de 60 anos com rugas
são determ inadas pela hiper-contração do
frontais e verticais. A pele m ostra flacidez e as
m ú scu lo co rru g a d o r e do piram ida l. No
rugas são profundas e bem marcadas. É um
entanto, deve-se te r o cuidado de observar caso em que a sedação da m usculatura deve ser
caso a caso, já que, dada a flacidez intensa alternada com a tonificação da pele.
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

■4 Figura 12.13
Paciente com rugas
verticais e frontais
marcadas suavem ente com
a linha na pele bem firm e.
Neste caso precede-se a
sedação de todos os pontos
{VB-14 (Yangbai),
M-CP-6 (Yuyao),
B-2 (Zanzhu)}. Inserir a
agulha intraderm icam ente
dentro dos sulcos das
pregas, com o se fosse
dissolver a ruga, porém
visando chegada de Energia
para preencher o espaço
intradérm ico faltante.

< Figura 12.14


Paciente de 65 anos, com
marcas (rugas) profundas,
pele descolando da mus­
culatura (impressão de pele
fofa entre as rugas). Neste
caso é mais im portante a
tonificação, pois é necessá­
rio prim eiram ente, trazer o
Wei Qi (Energia de Defesa)
para a derm e; na segunda
etapa, após uma m elhoria
no aspecto da pele, pode-se
trabalhar a m usculatura
propriam ente dita.

Figura 12.15
M ostra rugas frontais
devido à hiper-contração
da musculatura frontal,
mas não se observa ainda
flacidez im portante. É uma
paciente mais jovem de
aproxim adam ente 35 anos.
Neste caso, podem-se
dispersar os pontos
VB-14 (Yangbai) eTA-23lt
(Shizukong) e tonificar
os pontos M-CP-6 (Yuyao)
e B-2 (Zanzhu).
Capítulo XII

Figura 12.16 ►
A figura mostra
m úsculos corrugador
e piramidal extrem a­
m ente potentes, não
apresentando rugas
frontais. É um caso
em que a sedação dos
pontos B-2 (Zanzhu ) e
M-CP-6 (Yuyao) deve
ser bem vigorosa,
procedendo, posterior­
m ente, à tonificação
dos antagonistas que
são VB-14 (Yangbai) e
TA-23ft (Shizukong).

Figura 12.17 ►
A figura m ostra rugas
verticais não m uito
profundas, porém bem
marcadas na pele.
Além da dispersão dos
pontos B-2 (Zanzhu) e
M-CP-6 (Yuyao),
deve-se
estim ular a linha
intraderm icam ente.

Figura 12.18 ►
A figura m ostra uma
linha vertical profunda
do lado esquerdo. É o
caso de se dispersar o
ponto M-CP-6 (Yuyao)
e o B-2 (Zanzhu), mais
do lado esquerdo.
A linha da ruga
deve ser tratada
intraderm icam ente.
3 . R u g a s P e r io c u l a r e s

As rugas perioculares d ep en de m princi­ a pele responderá m elho r à tonificação. As


palm ente do m úsculo orbicular ocular, mas Figuras 12.19 a 12.21 m ostra m exem plos
se a flacidez da pele fo r m u ito im p orta nte, de rugas periorbiculares.

Figura 12.19
A figura m ostra a contração
excessiva da m usculatura
orbicular ocular externa.
É caso em que se deve
dispersar intensam ente os
pontos TA-23<= (Shizukong),
VB-1 (Tongziliao) e M-CP-8
( Qiuhou) com E-4 (Dicang ).
A agulha no E-4 (Dicang),
neste caso, deve ser
direcionada cranialm ente
em direção ao m úsculo
zigom ático, já que a parte
inferior desta ruga depende
ta m b é m deste m úsculo que
é do sorriso. OBS:TA-23fl
(Shizukong) agulha inserida
direcionada para cima.
TA-23<= (Shizukong agulha
inserida direcionada
m edialm ente.

^ Figura 12.20
A figura m ostra a parte
inferior da região periocular
ser mais im portante. Neste
caso, utilizam-se os pontos
VB-1 (Tongziliao), M-CP-8
( Qiuhou) e E-4 (Dicang).
Observar, tam bém , a
flacidez da pele palpebral
acima e abaixo. Deve-se
tonificar a pele localm ente
utilizando-se os pontos
TA-23ft (Shizukong) e o
M-CP-9 (Taiyang), assim
com o região do M-CP-8
(Qiuhou), que pode ser
utilizado superficialm ente
e tonificando. OBS:TA-23lt
(Shizukong ) agulha inserida
direcionada para cima.
Capitulo XII

Figura 12.21 ►
A figura m ostra ruga periocular
mais im portante na parte
superior e lateral da pálpebra.
O bservando a im agem , o sulco
parece desaparecer se se erguer
a pálpebra superior. É caso em
que a avaliação criteriosa será
im portante. Se a contração da
musculatura ainda se m ostrar
im portante, pode-se dispersar os
pontos VB-1 (Tongziliao) e TA-23<=
(Shizukong). E a tonificação da
pele é im portante e deve utilizar
os pontos T A -23 t (Shizukong)
e M-CP-9 (Taitang).

R ugas N a s o g e im ia im a s

As Figuras 12.22 e 12.23 m ostram sulco conduta. A lém disso, o sulco cutâneo deve
nasogeniano em pacientes de idades dife­ ser estim ulado intraderm icam ente.
rentes. Na Figura 12.22, apesar de ser de A Figura 12.23 m ostra uma pele m uito
paciente jovem , o sulco parece ser mais mais flácida, onde esta flacidez é observada
im p o rta n te d e vid o à pele que cai e faz no canto labial inferior e no contorno facial,
sombra no sulco nasogeniano, confirm ada com o m ostra a Figura 12.25. É um caso em
pela Figura 12.24 (m esm a paciente - vista que, além dos pontos E-7 (Xiaguan) e E-4
lateral). A linha ta m b ém é bem marcada. É (Dicang), devem ser tonificados os pontos
um caso no qual a tonificação dos pontos E-3 (Juiiao) e o platisma, assim co m o os
E-7 (Xiaguan) e E-4 ( Dicang) será uma boa pontos situados na região do pescoço com o
▲ Figura 12.23
Paciente idosa com sulco nasogeniano.

Figura 12.24
A figura m ostra sulco nasogeniano
acentuado pela contração dos
m úsculos platisma e do depressor
do lábio inferior. Neste caso,
deve-se dispersar os pontos
E -4 | (Dicang) e M-CP-18
(Jiachengjiang) e, depois,
tonificar os pontos E-7 (Xiaguan)
e ponto E-3 (Juliao).

\ , -‘i , -
’ Yc-V, '?„y(. ‘ í ’ , . V.

. ■ ... - .s L ...
A Figura 12.25
A figura m ostra sulco
nasogeniano pela hiper-
contração de todos os
m úsculos do sorriso.
A sedação dos pontos
M-CP-8 ( Qiuhou) e
E-4 ( Dicang ) ajuda no
trata m e nto das rugas
nosogenianas.

em indivíduos que fumam, seja por exer­


citarem demais a musculatura peribucais,
seja por deficiência na troca metabólica por
causa da nicotina. Um dos motivos do seu
aparecimento é a hiper-contração da mus­
culatura peribucal e da flacidez com perda
da elasticidade da pele da região. Além
disso, observa-se flacidez da musculatura
antagonista, como o músculo zigomático
maior e o menor, o músculo risório e o
músculo elevador do lábio superior. Pode
haver desarmonias musculares das faces
(Figura 12.26).
O tratam ento das rugas peribucais supe­
riores consiste em dispersar os pontos IG-
19 (Heliao) e E-4 (Dicang), direcionando as
agulhas medialmente, enquanto as rugas
os pontos E-4 (Dicang), M-CP-18 (Jiacheng- peribucais inferiores devem ser tratadas
jiang) e o Ponto Extra (Depressor do lábio com dispersão dos pontos M-CP-18 (Jia-
inferior) situado no pescoço, meio cun a chengjiang) e, eventualmente, os pontos
1 cun lateral ao ponto VC-23 ( Lianquan) depressores do lábio inferior. Mas é impor­
(Figura 12.5). tante tonificar os seus antagonistas com
uso dos pontos E-7 (Xiaguan), E-4 (Dicang)
R ugas P e r ib u c a is direcionado lateralm ente (Figuras 12.27,
12.28 e 12.29) e E-3 (Juliao). Os pontos VC-
As rugas peribucais são com certeza as 24 (Chengjiang) e VG-26 (Renzhong) podem
rugas que mais denunciam a idade de uma ser dispersados dependendo do caso, mas
pessoa. É como se o corpo estivesse mur­ em pacientes com idades mais avançadas
chando e caminhando para o fim. Muitas é recomendada a tonificação, uma vez que
vezes estas rugas aparecem precocemente a pele está mais flácida e fina.
, Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

Figura 12.26 ▼ Figura 12.27


As figuras m ostram a desarm onia da face entre
A figura m ostra rugas peribucais
os lados direito e esquerdo observada em
provenientes, principalm ente, da
m uitas pessoas. A m esm a paciente apresenta
flacidez dos m úsculos zigom áticos
lados com pletam ente distintos um do outro. m aior e menor, assim com o do
O lado esquerdo é mais contraído e o direito,
m úsculo risório. É m uito im portante
m ais flácido, evidenciando que se deve proceder
neste caso a tonificação dos pontos
ao trata m e nto de diferentes E-7 (Xiaguan) e E-4 (.Dicang).
maneiras até harm onizar os dois lados.
Figura 12.28
A figura m ostra m úsculo
orbicular m uito contraído
e m úsculo depressor
do canto labial m uito
contraído. Neste caso,
a dispersão dos pontos
IG-19 (Heliao) e
M-CP-18 (Jiachengjiang )
são bastante
im portantes e eficazes.

▲ Figura 12.29
A figura m ostra um exem plo bem com plexo de rugas peribucais
com rugas superiores e inferiores. A região supralabial apresenta rugas
proveniente da contração do m úsculo orbicular e da flacidez dos seus
antagonistas e da pele. Na região infralabial o paciente não apresenta
rugas, mas apresenta rugas lateralm ente devido ao relaxam ento
do m úsculo risório e, tam bém , da pele local. É caso em que
se deve dispersar e tonificar em tem pos diferentes os pontos
IG-19 (Heliao), M-CP-18 (Jiachengjiang) e E-4 (Dicang). Mas,
é im portante a tonificação dos pontos E-7 (Xiaguan) e E-4 (Dicang)
e dos pontos do pescoço para o platisma (Figuras 12.10 e 12.11).
Acupuntura Estética & Envelhecim ento Cutâneo e Rugas da Face

RUG AS PARANASAIS O U "R U G A S pontos IG-20 (Yingxiang) e E-3 (Juliao). E


DE ANTIPATIA" depois deve-se tonificar os pontos E-4 (Di­
cang) associadamente ao M-CP-8 (Qiuhou)
As rugas paranasais aparecem devido a e ao IG-19 (Heiiao).
contração excessiva do músculo elevador Deve-se lem brar que m uitas vezes o
com um da asa nasal e do lábio superior. m esm o músculo serve de antagonista no
São de pessoas que sorriem principalmente lado contra-lateral. Podemos exemplificar
com esta musculatura. Portanto, o músculo com a paralisia facial, em que o lado normal
orbicular na sua parte externa e o zigomá­ se torna ainda mais expressivo devido à fra­
tico e o orbicular oral estão enfraquecidos. gilidade do lado acometido (Figura 10.31).
Existe um ponto motor, além do IG-20 (Yin­
gxiang), que tem ação mais determinante e
R esu lta d o s de Tr a ta m e n to das R ugas
que se localiza sobre a musculatura eleva­
por A cupuntura
dor comum da asa nasal e do lábio superior,
aproximadamente, a 1 cun acima do IG-20 A seguir os resultados de tratam ento
(Yingxiang) (Figura 12.30). Este ponto m otor com eletroacupuntura de rugas e de flaci­
deve ser dispersado juntam ente com os dez da face (Figuras 12.32 à 12.38).

▼ Figura 12.31
Figura 12.30 T M ostra a assim etria do m úsculo
Efeito da estim ulação do frontal em que o lado normal
ponto m otor situado a 1 cun está contraído excessivam ente
acima do IG-20 ( Yingxiang). além do normal.
▲ Figura 12.32
Resultado de trata m e nto das rugas da face
com 10 aplicações de eletroacupuntura.

T Figura 12.33
O bservar a m elhora do contorno facial e definição da m usculatura
esternocleidom astóideo com a tonificação dos m úsculos do pescoço com a
eletroacupuntura utilizando-se os pontos m otores do pescoço em tonificação
2Hz durante 10 m inutos (Ver Figuras 12.9 e 12.10).
▲ Figura 12.34
M ostra a harmonização da região peribucal. Figura (A)
m ostra antes e im ediatam ente após a acupuntura (B).

▼ Figura 12.35
M ostra o efeito da harmonização direita/esquerda. A figura (A) m ostra um ligeiro repuxam ento labial
para a direita e um lábio um pouco mais contraído. A figura (B) mostra um lábio mais harmonioso.
Resultado de 10 aplicações de acupuntura nos pontos m otores da face.
▲ Figura 12.36
Dem onstração do tratam ento das rugas da região periocular antes (A) e após 10
sessões de tratam ento (B) Neste caso, foram utilizados em dispersão (100Hz -
20 m inutos) os pontos VB-1 (Tongziliao), TA-23 (Shizukong) e M-CP-8 (Qiuhou).
Posteriorm ente, foi realizada a tonificação dos pontos B-2 (Zanzhu),
E-2 (Sibai) e N-CP-4 (Shangming).

▲ Figura 12.37
Paciente com rugas e envelhecim ento da face (A e B). Resultado de tratam ento
com eletroacupuntura em tonificação nos pontos E-7 (Xianguan),
E-4 (Dicang) e E-3 (Juliao ), com freqüência de 2Hz durante 10 m inutos.
Observar a m elhora da textura da pele e a m elhora da tonicidade da pele
(C e D), o últim o em preto e branco. As figuras B e D m ostram
a melhora do contorno facial.
▲ Figura 12.38
As fo to s A e B m ostram o aspecto de rejuvenescim ento com o tratam ento pela eletroacupuntura,
m esm o sem haver a m elhora evidente das rugas com o um todo. Isto se deve à m elhora do tônus
m uscular obtida, mas ta m b é m - e principalm ente - pela m elhora do Shen (Mental), com a melhora
evidente da auto-estim a.

"Se as rugas na face são inevitáveis, não


deixes que elas se inscrevam no coração.
O espírito não precisa envelhecer."
Acupuntura & Vitiligo

In t r o d u ç ã o

Pode-se definir vitiligo como patologia que acome­


te os melanócitos, principalmente da pele, podendo
afetar, tam bém , outras estruturas como epitélio pig-
m entado da retina, m embrana da orelha interna e
meninge, que com prom ete a pigmentação e que pro­
voca, muitas vezes, alterações funcionais das estru­
turas acometidas.
A literatura egípcia antiga revela várias descrições
dessa doença, assim como a literatura médica clássi­
ca da fndia, descreve várias fórmulas para o tratamen­
to de vitiligo.
A palavra vitiligo, provavelmente, derivou do latim
vitium, que significa imperfeição, ou vitelius, com a
conotação de manchas brancas de pele de bezerros.
O term o vitiligo foi utilizado pela primeira vez por Cel-
sus, no seu clássico latim médico De Medicine (cerca
de 30 d.C.). Na literatura indiana, o Atharvaveda, data­
do de 1500 a 1000 a.C., relata kilas (" kil" de branca e
"as" de disseminar, arremessar violentamente) e pali­
ta {"pal" que significa encanecer, envelhecer, idoso)
com o manchas brancas na pele.
No Sagrado Livro do Budismo, Vinay Pitak (624-544
a.C.) relata que pessoas com kilas eram incapazes de
serem ordenadas. Na escritura indiana Manusmriti(200
a.C.), são citados os mem bros da sociedade que so-
friam de svitra (manchas esbranquiçadas) como não
sendo respeitados. No Alcorão, a palavra baras, com
o significado de pele branca, é usada para descrever a
condição que Jesus curou. Na Antiguidade, o vitiligo
foi confundido muitas vezes com a lepra. Hipócrates
(460 a 355 a.C.) não diferenciou as duas entidades e
esta confusão foi perpetuada na Bíblia, no Velho Tes­
tam ento, constituindo im portante causa do estigma
Y. Nakano que se criou em torno de vitiligo.
19 6 Capitulo XIII

D ados E p id e m io l ó g ic o s * O vitiligo segmentar apresenta as má­


culas distribuídas em dermátomos;
0 vitiligo inicia-se, geralmente, na infân­
* O vitiligo acrofacial apresenta lesões
cia ou na adolescência, observando-se que
na face e extremidades; e
50% dos casos têm início antes dos 20
anos (Lerner, 1959, Stephen e col., 1998) * O vitiligo vulgar não apresenta distri­
e a incidência diminui com o decorrer dos buição característica. É a forma de vitiligo
anos. A prevalência desta doença gira em mais com um ente encontrada.
torno de 1%, nos Estados Unidos (Ste­ Quando o vitiligo acomete grande par­
phen e col., 1998), embora outros estu­ te da superfície cutânea recebe o nome
dos descrevam que na Dinamarca a pre­ de vitiligo universal. M uitos pacientes ex­
valência é de 0,38% (Howitz e col., 1977), perim entam início das lesões em áreas
em Surat, índia, de 1,38% (Mehta e col., expostas ao Sol. O encanecimento prema­
1973), e essa incidência pode aumentar turo dos cabelos pode ocorrer nos indiví­
para 8 a 20% em pessoas que apresen­ duos portadores de vitiligo. O fenôm eno
tam doenças associadas com o hipertireoi- de Kòbner pode manifestar-se em vitiligo
dismo, tireoidites, insuficiência adrenal, (Papadavid e col., 1996), ou seja, nas áreas
anemia perniciosa, uveítes, oftalmia sim ­ de traumatismo, com o locais de abrasão,
pática (Lener, 1978). Pode acom eter os cicatriz cirúrgica, radiações, eczemas, pso-
sexos m asculino e fem inino e todas as ríases, antigas lesões de derm atites de
raças (Howitz e col., 1977, Lener, 1978, contato e queimaduras severas.
Stephen, 1998). Lener e col., 1978, e Sharquie, 1984, di­
O estudo realizado por Barona e col., ferenciaram os tipos de vitiligo em: vitiligo
1995, sugere a existência de dois tipos total ou completo (a maior parte da pele,
distintos de vitiligo. Pacientes com vitili­ dos pêlos e dos cabelos se torna despig-
go bilateral, que têm o início da doença mentada, exceto os olhos); vitiligo segmen­
mais tardia, e os de com prom etim ento tar (distribuição em derm átom os); nevo
unilateral, que possuem relação maior com halo (despigmentação ao redor do nevus);
doenças auto-im unes e para as quais a encanecimento (acometimento dos cabe­
repigmentação é mais difícil. los); vitiligo ocular (alteração ocular); vitili­
go ocupacional (substâncias químicas le­
C l a s s if ic a ç ã o e A p r e s e n t a ç ã o C l ín ic a vando à destruição dos melanócitos por
d o V il ig o contato, como compostos fenólicos).
O vitiligo é raramente associado com o
A doença vitiligo é caracterizada de acor­ uso de algumas medicações como cloro-
do com a extensão do envolvim ento e a quina (Selvaage, 1996) e clofazimina.
distribuição da despigmentação. O vitiligo pode estar relacionado com o
As áreas mais com um ente afetadas são melanoma. Esta associação se deve, prin­
a face, particularmente periorbital, peribu- cipalmente, à produção de anticorpo anti-
cal, dorso das mãos e dedos, axilas, viri­ melanom a na doença m etastática, que
lha, região umbilical e genital. acaba destruindo os melanócitos normais
Segundo Fitzpatrick, o vitiligo é classifi­ da pele. E stu d o s tê m m o s tra d o que
cado em focal, acrofacial, segm entar e 1,37% dos 800 pacientes de melanoma
vulgar. (M ilton e col.) e 4,07% dos 1.130 pacien­
* O vitiligo focal apresenta uma ou ra­ tes com melanoma tinham nevo halo (Bys-
ras máculas de acrômicas; tryn e col.).
A despigmentação ou a hipopigmentaçâo sociada a sinais de meningismo, disacu-
inicia-se no tronco e se espalha centrifuga- sia, alopécia, zumbidos e poliose. A me­
mente de maneira assimétrica para outras ningite asséptica observada nesta síndro­
áreas do corpo. Na maioria das vezes, a me deve-se à destruição dos melanócitos
despigmentação do melanoma inicia-se em da leptomeninge. Esta síndrome é sem­
uma idade mais tardia, em pacientes que pre citada em estudos do vitiligo, pois pa­
não tenham história familiar de vitiligo ou rece existir um elo entre essas doenças,
de outras doenças associadas. Os grânu­ uma vez que as alterações da orelha in­
los de melanina gigante são observados em terna e dos olhos parecem seguir a mes­
queratinócitos de pacientes com melano­ ma seqüência fisiopatogênica.
ma, na periferia da lesão branca.
O vitiligo pode estar associado a algu­ E t io p a t o g e n i a de V it il ig o
mas doenças sistêmicas. Pacientes com
vitiligo têm maior risco de desenvolver As manchas de vitiligo são decorrentes
doenças auto-im unes com o doenças ti- da perda de pigmentação da pele devido
reoideanas (tireoidite de Hashimoto, doen­ às alterações adquiridas e progressivas da
ça de Graves), doença de Addison, anemia função dos melanócitos, causadas por sua
perniciosa, diabetes insulino-dependente destruição. Existem, atualmente, três hi­
e alopécia areata. As células pigmentadas póteses para explicar este fenôm eno: teo­
dos olhos e orelhas tam bém podem ser rias auto-imunes, auto-citotóxicas e a neu-
afetadas. roquímica.
Como já visto anteriormente, o epitélio Segundo a teoria auto-imune, existe a
pigmentado da retina deriva da crista neu- form ação de anticorpos circulantes que
ral cefálica, enquanto a da coróide deriva lesam o melanócito e têm base na coexis­
da crista neural espinal. Embora a cor da tência de vitiligo com outras doenças auto-
íris não se altere nos pacientes com vitili­ imunes, como tireoidites e anemia perni­
go extenso, podem ocorrer áreas despig- ciosa. Alguns estudos mostram anticorpos
mentadas do epitélio da coróide em 40% contra o antígeno de superfície dos mela­
dos casos de vitiligo. nócitos, e que a extensão da despigmen­
A incidência de uveíte nos pacientes tação está relacionada ao nível de anticor­
com vitiligo é elevada e tam bém a inci­ pos contra melanócitos.
dência de vitiligo nos pacientes com uveí­ Outros estudos têm mostrado que 80%
te é mais alta do que o previsto. O labirin­ dos anticorpos dos pacientes com vitiligo
to membranoso da orelha interna contém se direcionam contra antígeno tecidual
melanócitos, por isso ocorre a pigmenta­ comum de 40 a 45Kd ou 75Kd e contra
ção mais intensa na área vestibular. Devi­ antígeno específico pigmentar de 65Kd e
do à alteração da atividade dos melanóci­ 90Kd. O anticorpo anti-tirosinase tem sido
tos desta área, podem ocorrer problemas encontrado em alguns pacientes com viti­
de audição nos pacientes com vitiligo. ligo focal ou generalizado.
Estudos realizados em pacientes portado­ A atividade do anticorpo é mais pronun­
res de vitiligo com idade inferior a 40 anos ciada na doença ativa do que na doença
mostraram que 16% apresentavam hipo- estável. Anticorpos antimelanina e linfóci-
acusia discreta. Há relatos de casos de to melanina-sensibilizada têm sido encon­
vitiligo fam iliar associado à hipoacusia. trados no soro dos pacientes com a sín­
A síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada é drom e Vogt-Koyanagi-Harada, enquanto
caracterizada pela presença de vitiligo as­ anticorpos intracelular anti-queratinócito
7a
Capítulo XIII

nâo citotóxico são relacionados com a ati­ superóxidos em água, são reduzidos na
vidade e a extensão da doença. área do vitiligo e pele normal dos pacien­
O aum ento dos títulos de anticorpos tes com vitiligo, causando morte celular.
dirigidos contra o anel benzeno, que es­ A m orte prematura in vitro de melanó­
truturalm ente se relaciona com com pos­ citos da pena das galinhas (da linhagem
tos com o fenol, catecol, hidroquinona e Barred Plymouth Rock and W hite Leghorn)
monobenzil éter de hidroquinona, causa pode ser evitada pela adição de antioxi-
despigmentação na pele. dantes. A dopamina consegue suportar a
A teoria autocitotóxica relata que o me­ auto-oxidação mais do que as catecolami-
lanócitos, durante a produção da melani­ nas e a hidroxidopamina tem poder de
na, fabricariam os precursores, que atuam destruir as células da linhagem dos mela-
com o tóxicos para os m elanócitos. Isto nomas e das neuroblastomas, pela produ­
acontece quando existe falha no mecanis­ ção de radicais livres.
mo protetor que remove os tóxicos quí­ A teoria neural do vitiligo foi descrita
micos da melanogênese. O aum ento da pelo Lener há aproximadamente 40 anos
atividade dos melanócitos leva a sua pró­ e se baseia em casos relatados de lesão
pria morte. O exame com microscópio ele­ neural e no aparecimento de vitiligo, com
trônico tem mostrado o acúmulo de ma­ evidência clínica de vitiligo dermatomal ou
terial granular extracelular e a vacuolização segmentar, aum ento de sudorese e vaso-
basilar de pele pigmentada na interface constricção nas áreas de vitiligo, mostran­
entre a pele normal e a pele com vitiligo do aum ento da atividade adrenérgica e de
em pacientes com doença rapidamente despigm entação, em m odelos animais,
progressiva. após a secção de fibras nervosas.
Alguns estudos mostraram poucos in­ Os estudos m ostram a diminuição da
filtrados linfocitários contíguos aos mela­ cor da íris de coelhos subm etidos à sim-
nócitos, favorecendo, então, a teoria au­ patectomia, enquanto o aumento da ativi­
to c ito tó x ic a . E s tu d o s ta m b é m tê m dade colinérgica é observado pelo aumen­
mostrado o aumento da susceptibilidade to da tem peratura e da produção de suor
dos melanócitos aos precursores molecu­ e pelo aumento do tem po de sangramen-
lares, como dopacromo, que se relaciona to na placa despigmentada. Os queratinó-
com melanotropina (MSH). citos e os melanócitos da área envolvida
Outro mecanismo para a autotoxicida- apresentam aumento da atividade de mo-
de é a inibição da tioredoxin redutase, um noaminoxidase-A, formando 4 vezes mais
varredor de radicais livres localizado na norepinefrina e 6 vezes menos epinefrina
membrana dos melanócitos. Estas enzi­ do que os queratinócitos normais.
mas são inibidas pelo cálcio. Altos níveis Foi mostrado que os melanócitos deri­
de cálcio extracelular causam aum ento vados da crista neural estão em contato
dos radicais superóxidos que leva à inibi­ com terminações nervosas na pele despig­
ção da tirosinase pelo desequilíbrio entre mentada, embora estes achados, na pele
o tioredoxin oxidado e reduzido na epider­ normal, sejam raros. A presença de nervos
me, causando posteriorm ente vacuoliza­ autonômicos degenerados e regenerados
ção e eventual morte celular. na m em brana basal das cé lu la s de
O aum ento do cálcio intracelular nos Schwann no centro e na periferia das pla­
melanócitos parece ser um m ecanism o cas despigmentadas também foi descrita,
importante para o tratamento com UVA. Os bem como níveis elevados de fator de ne-
níveis de catalase, enzima que reduz os crose tumoral (molécula-1 de adesão inter-
celular) e de interferon-gama na pele peri- Além disso, alterações hormonais po­
lesional dos pacientes com vitiligo. dem ser encontradas em situações de
Estudos in vitro mostram que a neuro- ansiedade, o que pode ser relevante para
tensina, que é um neuropeptídeo, induz à a patogênese do vitiligo, evidenciando a
produção 500 vezes m aior de fa to r de teoria auto-imune. Existem relatos de en­
necrose tumoral pelos melanócitos do que contros de auto-anticorpos específicos no
norm alm ente e 50 vezes maior que a ra­ vitiligo, assim com o anormalidades nos
diação UVB, sugerindo que o controle neu- subtipos de células T circulantes e células
rogênico possa ser plausível. Aum ento da natural killer. O estresse tam bém pode
excreção urinária de ácido homovalinico, modular a resposta imune e a atividade
que é um m etabólito da dopamina e de das células natural killer. Le Poole e col.
ácido vanilmandélico (metabólito da nore- sugerem que o estresse leva a um aumen­
pinefrina e epinefrina) foi docum entado to da produção de catecolaminas influen­
em pacientes com doença recente e em ciando diretam ente na despigmentação.
atividade. O estresse tam bém pode levar a um au­
Estudos recentes têm sugerido que o m ento dos hormônios adrenocorticotrófi-
vitiligo representa a desordem primária cos, aumentando a secreção de corticos-
dos queratinócitos, conseqüente à insta­ teróides que mobiliza a glicose e ácidos
bilidade da relação sim biótica entre um graxos livres estimulando a secreção de
melanócito e os 36 queratinócitos da uni­ insulina. Esta pode diretam ente estimular
dade epidérmica. O defeito é causado pela o L-tryptofano no cérebro promovendo o
anormalidade da biossíntese das cateco- aum ento da síntese da serotonina local.
laminas e do mecanismo que regula o cál­ As m elatoninas (metabólito da serotoni­
cio intracelular epidérmico. na) e a hiperativação dos receptores da
A lguns estudos tê m sugerido que o melatonina têm papel sobre a gênese de
trauma em ocional e a vida estressante vitiligo, cuja hiperativação pode levar ao
sejam fatores colaboradores no desenvol­ aum ento da atividade das enzimas inibitó-
vim ento inicial do vitiligo. rias da melanogênese.
Existem poucos estudos publicados re­ Alguns autores relacionam traumas e
lacionando os aspectos emocionais com doenças locais desencadeando o proces­
o aparecimento de vitiligo. Papadopoulos so vitiligóide. O vitiligo apresenta o fenô­
e col. relatam que 28% dos pacientes ini­ meno de Kõbner, ou seja, traumas locais,
ciaram as lesões de vitiligo após a morte como queimaduras solares e outros, são
de um m em bro da família e 13% dos pa­ fatores que podem desencadear a man­
cientes com vitiligo, com m orte de um cha do vitiligo.
amigo próximo. Kovacs, 1998, acredita que existe um
O trabalho dos autores acima relaciona, paradigma diátese-estresse em que a diá-
também , os pacientes com vitiligo como tese seria a predisposição, que pode per­
sendo aqueles que apresentam distúrbios manecer oculta até que exista um estímu­
do sono e da alimentação mais intensos e lo nocivo estressante (biológico ou psico­
dificuldades sexuais mais graves. Estes lógico) atuando como gatilho.
sintomas têm sido citados como fazendo Acredita-se que exista predisposição ge­
parte da depressão, porém, este estado nética para o vitiligo, pois 40% dos pacien­
pode estar relacionado com alterações tes possuem história familiar positiva, com
hormonais, principalm ente as tireoidea- padrão de herança sugerindo traços poligê-
nas. nicos envolvendo três ou mais genes.
■4 Figura 13.1
Paciente de pele
m uito clara com
vitiligo. A mancha,
às vezes, fica com
difícil visualização.

D ia g n ó s t ic o de V it il ig o A American Academy of Dermatology s


Guidelines/Outcomes Com m ittee desen­
O diagnóstico de vitiligo é predominan­ volveu um guia para avaliar o vitiligo. Os
tem ente clínico. Quando as manchas as­ critérios diagnósticos clínicos são basea­
sumem aspecto acrômico, com localiza­ dos na história e no exame físico. A histó­
ções e distribuições habituais, não suscita ria inclui o questionamento de uso de qual­
dúvidas a respeito do diagnóstico (Figu­ quer droga, idade de início da lesão, curso
ras 13.1 e 13.2). da lesão (rápida ou lenta ou estagnada),

Figura 13.2 ►
Fotografia da m esm a
paciente, porém com
as manchas
vísibilizadas por m eio
da luz de W ood. As
manchas de vitiligo
ficam bem delim itadas,
possibilitando o
diagnóstico de vitiligo.
inflamação, irritação ou rash, precedendo técnica de coloração para a melanina (Fon-
a despigmentação, eventos desencadean- tana-Masson). Os melanócitos estão uni­
tes incluindo estresses emocionais, quei­ form em ente ausentes na pele afetada. A
madura solar, doença física, outros trau­ cultura de m elanócitos da periferia da
mas físicos, história defotossensibilidade, mancha vitiligóide revela evidências de
disfunção ocular ou auditiva, tratam ento degeneração com vacuolização citoplas-
prévio incluindo doses, efeitos e toxicida- mática, agregação de melanossomos, va-
des, história ocupacional, história familiar cúolos autofágicos, degeneração gorduro­
de vitiligo ou encanecimento precoce, his­ sa e picnose. Além disso, estes melanó­
tória fam iliar de doenças auto-imunes, de­ citos tendem a crescim ento deficiente
sordens tireoideanas, alopécia areata, di­ com m orte prem atura. O utros estudos
a b e te s m e llitu s , a n e m ia p e rn ic io s a , têm mostrado dilatação do retículo endo-
doença de Addison e estresse emocional plasmático rugoso em células afetadas da
relacionado à doença. periferia da mancha, e em melanócitos da
O exame físico deve ser realizado de pele normal do indivíduo afetado. Alguns
maneira sistêm ica, da área acom etida, estudos mostram alterações inflamatórias
além de áreas despigmentadas, observan­ na derm e entre as áreas pigmentadas e
do-se a presença de sinais inflamatórios as despigmentadas, embora outros estu­
ao redor das lesões. No exame físico, deve dos não confirm em estes dados.
ser feita a classificação do vitiligo segun­
do padrão de acom etim ento (generaliza­ T r a t a m e n t o de V it il ig o
do, acral/acrofacial, focal/localizada ou seg­
mentar). Deve-se observar a base dos Existem vários tratam entos para o vitili­
cabelos brancos, para verificar se está des- go. O tratam ento utilizado com maior fre­
pigmentada, acom etim ento dos cabelos, qüência é o PUVA tópico e sistêmico, que
sobrancelhas, áreas de barba e cílios. Ob­ consiste de uma substância denominada
servar, tam bém , alterações de pigm enta­ 8-m etoxipsoraleno que pode ser empre­
ção na coróide e no epitélio pigmentado gada local ou sistemicamente, seguida por
retinal e presença de uveítes. Utilizar a exposição à radiação ultravioleta com com­
lâmpada de W ood para diferenciar even­ prim ento de onda de 320 a 400nm. Outro
tuais dúvidas diagnosticas e a delimitação tratam ento utilizado rotineiram ente é o
da verdadeira área de vitiligo. uso de corticosteróide sistêm ico ou tópi­
Algumas doenças podem ser confundi­ co.
das com vitiligo como: linfomas de célu­ Os medicamentos como a fenilalanina
las T cutâneo, lúpus eritem atoso sistêm i­ e tirosina são utilizados com a finalidade
co ou discóide, hanseníase, pintas, nevo de estim ular a melanogênese. As vitami­
anêmico, nevo despigmentoso, piebaldis- nas antioxidantes, também, têm sido uti­
mo, pitiríase alba, despigm entação pós- lizadas por alguns autores, que relatam
inflamação, sarcoidose, esclerodermia e melhora. A melagenina, uma substância
tínea versicolor. derivada de placenta, tem sido utilizada
O exame laboratorial pode auxiliar na com algum resultado.
detecção de doenças associadas com o Tratamentos cirúrgicos como enxertos
insuficiência adrenal, diabetes m ellitus, de pele ou transplantes de cultura de epi­
anemia perniciosa, doença tireoideana. derme in vitro são algumas das modalida­
Um outro m étodo diagnóstico é a bióp- des de tratam ento mais invasivo. Quando
sia com estudo anatom opatológico e a a área despigmentada é bem maior do que
a pele normal, pode ser discutida com o uma desa rm o n ia e n e rg é tica do Shen
paciente a possibilidade de despigm entar (Rins), que em geral se associa a trauma
o resto de pele normal utilizando para esta emocional agudo (quase 50% dos casos
finalidade o monobenzil éter de hidroqui- de vitiligo referem relato de m orte na fa­
nona. Existem as camuflagens, que dão mília, de ente querido, de amigos, ou de
ajuda psicológica ao paciente. algum trauma com diminuição súbita da
E, finalm ente, existem m uitos casos de auto-estima) com o fator desencadeador
melhora espontânea ou a fé em determ i­ imediato da doença.
nado tratam ento sem nenhum benefício Os portadores de vitiligo são, também,
comprovado que leva à cura o paciente. indivíduos com imaturidade emocional (o
Atualmente, acredita-se cada vez mais na início da doença ocorre, em 50% dos ca­
força da m ente e sua capacidade para sos, nas crianças e adolescentes), em
gerar doença, assim como de estabelecer período da vida em que não existe ainda a
a cura. Assim os tratam entos alternativos maturidade do Shen (Rins). Neste contex­
como a psicoterapia, a homeopatia, a cro- to, o vitiligo é uma patologia decorrente
moterapia, Medicina Tradicional Chinesa da deficiência do Qi (tanto V/n como Yang).
e outras formas de medicina vêm sendo Trata-se, então, de doença relacionada à
considerados de im portância cada vez patologia do Qi.
maior para se obter a cura dos pacientes. Pelo fato de o vitiligo se instalar em mais
de 50% dos casos antes dos 20 anos de
VITILIG O SOB O PONTO DE V ISTA idade, isto é, na infância e na adolescên­
DA M ED IC IN A TRADICIO NAL cia, pode-se entender que ele surge quan­
CHINESA do o amadurecimento do Shen (Rins) está
ainda em desenvolvimento. Considerando
As lesões de pele podem ser classifica­ que o Jing Shen (Quintessência energéti­
das, segundo os conceitos da Medicina ca dos Rins) produz a medula espinal, in­
Tradicional Chinesa, em lesões extrem a­ cluindo o encéfalo que é a morada do Shen
mente agudas, que queimam como Yang original (Yuan Shen), que representa o Shen
do Yang e que poderiam corresponder às (Consciência), então, o vitiligo aparece, prin­
vasculites. Neste estado energético, as cipalmente, em indivíduos cujo processo
reações são tão violentas e rápidas que de percepção dos fenôm enos vindos do
podem levar à necrose tecidual. Outras exterior (componente constituinte da ativi­
são as lesões crônicas de pele de estabe­ dade mental) esteja ainda imaturo.
lecim ento lento e gradual, produzindo le­ Desta maneira, as emoções como tris­
sões que m odificam a estrutura da pele teza ou medo, em intensidade mais eleva­
como as tumorações. da como ocorre na depressão e no pavor,
Dentre as lesões de evolução interm e­ afetam o principal Zang (Órgão) aplaina-
diária citam-se a psoríase e o vitiligo, que dor das emoções, que é o Gan (Fígado), e
podem evoluir aguda ou cronicamente. secundariamente com prom etem o Xin Qi
(Coração). O Gan (Fígado) pode se tornar
V it ilig o e Z a n g F u ( Ó r g ã o s e V ís c e r a s ) deficiente (vazio) pelo desgaste com essa
atividade aplainadora ou pela deficiência
Os indivíduos que desenvolvem vitiligo do Shen ü/(R ins) pela imaturidade. Várias
apresentam história prévia de medos, dis­ relações podem ser formadas em decor­
túrbios de sono, vícios alimentares ou ex­ rência das desarmonias energéticas supra­
cessos de atividade sexual, induzindo a citadas.
Assim, estabelece-se a relação Xin-Fei no deste vai do Baixo para o Alto, atraves­
(Coração-Pulmão): o "Xin Oi (Energia do sa o diafragma e se espalha no Fei (Pul­
Coração) insuficiente ou Xin-Yang (Cora­ mão) e o seu Qi tem a função energética
ção- Yang) dim inuído". Neste caso, o Xue de 'elevar'. O Vazio de Gan (Fígado) gera
(Sangue) circula mal e a função de difu­ dificuldade na sua função auxiliadora de
são do Fei (Pulmão) pode se tornar com­ subida do Qi; o Fei (Pulmão), não receben­
prometida. do o Qi, gera as alterações observadas na
A relação Xin-Shen (Coração-Rins) esta­ pele, que podem ser o vitiligo
belece-se: "O Xin (Coração) está situado
no Alto, sua natureza é o Fogo, dependen­ V it il ig o e T e o r ia d o s C in c o
te do Yang. O Shen (Rins) está situado no M o v im e n t o s
Baixo, sua natureza é a Água, dependen­
te do Yin. Necessitam um do outro, para Em relação às afecções da pele, o Fei
que suas qualidades se equilibrem. O Xin (Pulmão) representa o Metal que estaria
(Coração) rege o Xue (Sangue), o Shen afetado na sua função de purificar e de
(Rins) armazena a Quintessência CJingA O fazer descer a Energia; a natureza do M e­
Jing serve para produzir o Xue (Sangue), tal é a pureza e de retornar a si mesmo. A
este serve para a produção do Jing. A re­ mancha de vitiligo aparece porque, local­
lação Alto/Baixo está alterada, mas não se mente, a purificação está prejudicada, com
observa manifestação evidente, uma vez a permanência de elem entos tóxicos.
que o Xin-Yang (Coração-Yang,) está lesa­ A deficiência do Fei (Pulmão) pode ocor­
do". rer porque o Xin (Fogo) domina o Fei (Me­
A relação Fei-Shen (Pulmão-Rins) esta­ tal), ou porque a mãe Pi (Terra) está fraca
belece-se: "O Shen (Rins) rege a Água e ou porque existe a contra-dominância do
o Fei (Pulmão) é a fonte superior da Água. Gan (M adeira) ou porque o filh o Shen
O Fei (Pulmão) governa a respiração, o (Água) está fraco. 0 que se observa no
Shen (Rins) governa a recepção da respi­ vitiligo é estado de Vazio de Qi. A Água
ração. O Fei (Pulmão) é o soberano da res­ deficiente prejudica a formação da Madei­
piração CQij, o Shen (Rins) é a raiz da res­ ra. 0 excesso de Fogo do Xin (Coração),
piração". Se a atividade funcional do Fei de maneira brusca, consome a Madeira e
(Pulmão) ou a do Shen (Rins) fo r insufi­ a Água e derrete o Metal. No fim , resta
ciente, haverá obstáculo ao metabolism o pouca Madeira, o que faz gerar pouco
da Água. Os líquidos Yin do Fei (Pulmão) Fogo. A Terra tem suas propriedades de
e do Shen (Rins) fortificam -se m utuam en­ tra n sfo rm a çã o prejudicadas, e n fim , o
te. Se a atividade do Shen Qi (Energia dos Metal não pode ser gerado, estabelecen­
Rins) fo r insuficiente, o Shen (Rins) não do um círculo vicioso em que a Energia
terá força para recepcionar a parte Yin da como um todo está deficiente.
respiração (sopro vital); se a atividade do
Fei (Pulmão) estiver fraca, a respiração E t i o p a t o g e n ia E n e r g é t ic a do V it il ig o
torna-se deficiente e o Shen (Rins) não
poderá receber o sopro. 0 vitilig o , segundo os conceitos da
A relação Fei-Gan (Pulmão-Fígado) es­ M edicina Tradicional Chinesa, pode se
tabelece-se: " 0 Gan (Fígado) e o Fei (Pul­ m anifestar quando o Zheng Qi [Qi Corre­
mão) concorrem à função de subida e des­ to) não consegue vencer o Xie Qi (Ener­
cida de Qi. 0 Fei (Pulmão) faz descer e o gia Perversa). 0 Zheng Qi pode estar com­
Gan (Fígado) ajuda na subida. O Meridia­ prom etido pela existência de numerosos
fatores com o constituição fraca; estado tensidade, isolados ou associados, depen­
emocional; co m p ro m e tim e n to do m eio dendo da forma, tipo e fase da doença.
ambiente; alimentação desregrada e, prin­ Os Sete Sentimentos (Qi Qing) referem-
cipalmente, estado emocional alterado. se à Alegria, Raiva, Preocupação, Pensa­
A constituição fraca refere-se à heredi­ m ento, Tristeza, Medo e Pavor, dos quais
tariedade, que é a qualidade transmitida derivam as Cinco Emoções (Wu Zhi), que
pelos progenitores e que gera indivíduo são a Alegria, Raiva, Pensamento, Triste­
com características específicas. za e Medo.
O estado emocional tem influência ime­ Sem dúvida, o conflito emocional é o
diata na atividade funcional do Qie do Xue principal fator de adoecimento do ser hu­
(Sangue) dos Órgãos. No ser humano de mano. A Alma Vegetativa (Hun) é a mani­
m ente sólida (bom Shen), que se apresen­ festação do Shen (espírito), que se aloja no
ta "bem em sua p ele", a atividade dos Xue (Sangue), e é armazenada no Gan (Fí­
Zang Fu (Órgãos e Vísceras) é regular, o gado). Tendo esta relação, assegura-lhe boa
Qi e o Xue (Sangue) circulam bem, o Qi circulação de Xue (Sangue) e facilidade nos
Correto é abundante e rechaça facilm en­ movimentos, enfim, a difusão da alma.
te o Xie Qi (Energia Perversa). No ser hu­ A partir de exemplos clínicos de pacien­
mano de m ente desorganizada, que se tes com vitiligo tratados no Ambulatório
apresenta "m al em sua pele", os Zang Fu de Acupuntura Estética do Setor de M e­
(Órgãos e Vísceras) não funcionam em dicina Chinesa-Acupuntura da UNIFESP e
harmonia, o Qi e o Xue (Sangue) são frea- no consultório particular, pode-se obser­
dos, o Qi Correto é enfraquecido e o Per­ var os m ecanism os etiopatogênicos da
verso penetra facilm ente no corpo, pro­ doença vitiligo, como se segue:
vocando doenças.
Relato de caso V. Paciente MT, fem ini­
A pele pode ser considerada com o "o
na, branca, 27 anos, casada, idealista, car­
espelho da m ente" e isso pode estar ba­
ga importante de rejeição intra-útero, an­
seado no conceito de ser a mesma a ori­
tecedente de medos e fobias, na infância.
gem embriológica da pele e do sistema
Apresentou vitiligo na face (região palpe-
nervoso central.
bral superior) acometendo os supercílios.
O meio que nos rodeia e os nossos há­
O vitiligo teve início logo após o choque
bitos de vida podem ter influência no apa­
emocional (namorou um rapaz que, ao lhe
recimento de doenças. Assim, uma vida
tirar a virgindade, não quis saber mais dela,
desregrada ou com excessos acarreta per­
pois era noivo e chegou a mostrar a foto
turbações das atividades fisiológicas, tor­
da noiva dizendo que o caso entre eles
nando-se nociva à integridade do Qi Corre­
nada representou). Sentiu-se humilhada,
to. A alimentação desregrada associada à
auto-estima lesada, entrou em depressão
vida sedentária enfraquece o Qi Correto.
e tinha medo de estar grávida. Definiu a
As origens etiológicas de uma doença,
sensação com o de pânico e de tristeza,
segundo a Medicina Tradicional Chinesa,
vindo logo depois o medo. Apresentava
são os Seis Excessos e os Sete Sentim en­
dor lombar, na correspondência do ponto
tos.
VG-4 (Mingmen) (Porta da Vida), e também
Os Seis Excessos referem-se ao Ven­
frigidez sexual, em relação ao que contou
to, Umidade, Calor, Secura, Frio e Canícu-
com a compreensão do atual marido.
la. Todos os Seis Excessos, incluindo a
Canícula (por exemplo, a queimadura so­ Comentários: No prim eiro m om ento,
lar), podem atuar em maior ou m enor in­ sentiu pânico que lesa o Jing Shen [Es-
A cupuntura & Vitiligo

sência do Shen (Rins)] e, tam bém , o Shen Jing Shen (Quintessência dos Rins). O Fei
(Consciência). A fraqueza da Água prom o­ (Pulmão) é lesado, pois representa o Po
ve um Vazio do Gan (Fígado). A tristeza (Alma Corpórea) e com o conseqüência é
m uito profunda dispersa o Qi, enfraque­ o aparecimento da tristeza profunda que
cendo a vitalidade dos Zang Fu (Órgãos e diminui o Qi. O Wei Qi (Energia de Defe­
Vísceras) e suas funções energéticas. A sa) estando com prom etido leva às altera­
tristeza fere a Alma Corpórea (Po), o Shen ções de defesa geral do corpo e, também,
(Consciência) e o Jing Shen (Essência dos da pele. Uma das manifestações clínicas
Rins). Como conseqüência, se instala a conseqüentes é o aparecimento do vitili­
depressão, com lesão mais grave do Qi go, em que a falta de melanócitos nada
dos Zang Fu. A persistência do medo con­ mais representa do que uma condição de
some ainda mais o Qi. O vitiligo m anifes­ queda de resistência contra as radiações
ta-se em decorrência do Vazio do Gan Qi ultra-violetas, ocasionando conjuntivites
(Energia do Fígado), do Shen (Rins) e do de repetição [a conjuntiva é comandada
Fei (Energia do Pulmão), em uma pacien­ pelo Fei (Pulmão)].
te com deficiência básica do Shen (Rins)
Relato de caso 3: AL, 32 anos, casado,
com o conseqüência da lesão no Shen
masculino, branco, idealista, pré-diabético,
(Consciência) por problemas emocionais.
preocupado e ansioso. Trauma emocional
Relato de caso 2: Paciente CES, 17 na adolescência, quando viu a avó se quei­
anos, masculino, branco, pragmático po­ mar em incêndio. Aparecim ento de vitili­
rém com duas irmãs mais velhas, calado, go na extremidade dos dedos das mãos
fechado com aspecto de palidez facial, pais há alguns anos, iniciando-se durante a
separados, histórico de conjuntivites de gestação da esposa. O amor pela esposa
repetição. A presentou vitiligo na região era tão grande que ficou com muito medo
genital e face mediai das coxas, após a de perdê-la. Depois, durante a gestação,
morte da avó, por quem tinha grande sen­ ficou com medo de que acontecesse algo
tim ento de afeto e ligação forte. Disse ter ao filho durante o nascimento e o pensa­
entrado em um estado de tristeza muito m ento de que houvesse a troca de bebê
profunda, relacionando a isso o desenca- era pavorosa. Só sentiu alívio após estar
deamento do vitiligo. em casa com a esposa e a criança.

Comentários: No m om ento da notícia da Comentários: Trata-se de um paciente


morte da avó, provavelmente predominou com extrem a ansiedade, sudorese fria
emoção de choque, mais parecido com o associada a sensação recorrente de medo.
pânico, sobressalto ou m edo repentino, É possível que o paciente tenha sofrido
seguido de estado depressivo. Este é um rejeição intra-útero (sétimo filho de uma
caso de um adolescente que vinha sofren­ família humilde), por outro lado, sentiu
do cronicam ente de deficiência de Gan- m uito medo e ansiedade durante a vida,
Yin (Fígado-Yin) sem manifestação do fal­ teve um grande impacto emocional ao ver
so Yang, uma vez que o Xin (Coração), já sua avó se queimar e tentar salvá-la do
sobrecarregado, vinha apresentando de­ incêndio e, depois, sofreu conflito emo­
ficiência de Qi. Sobre esta base, o cho­ cional durante a gestação da esposa. Em
que emocional do tipo medo e pânico con­ primeiro lugar, ficou feliz com o fato de
sum iu o Qi, acarretando Vazio do Gan ser pai, em seguida a preocupação e o
(Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar) e, a se­ medo de perder a esposa e a criança. Sem­
guir, do Shen Qi (Energia dos Rins) e do pre m uito ansioso, a gestação represen­
tou conflito entre a alegria de ser pai e o de sexo fem inino, na qual a deficiência do
medo dominante de uma perda hipotéti­ Shen (Rins) e do Gan (Fígado) levaram às
ca, em relação à esposa e ao filho. 0 medo alterações de menstruação, além de uma
de perder provavelmente foi registrado em deficiência imunológica e acom etim ento
sua mente, desde o incidente da queima­ do Fei (Pulmão), que se m anifestou na
dura de pele da avó e assim as lesões do orelha, estrutura regida pelo Shen (Rins).
vitiligo lembravam a despigmentação pós- Em todos os casos relatados, pode-se
queimadura em mãos. Referia muita preo­ observar a existência do medo e da triste­
cupação durante todo período com ten­ za profunda, relacionados com algum cho­
dência para diabetes. Houve a prevalência que emocional (emoção aguda) e senti­
do medo, que se tornou maior, quase pâ­ m ento de impotência diante da situação,
nico, frente a uma notícia que deveria na porque a Essência, a M ente e a Alma Cor­
verdade deixá-lo feliz fazendo, com que o pórea foram lesadas. Este sentim ento de
Shen Qi (Rins) e o Jing Shen fossem lesa­ impotência diante da situação é potencia­
dos, perturbando a relação com o Shen lizado pela condição de im aturidade do
(Mente). Como resultado o vazio de Gan Shen-Consciência e também do Shen-Es­
(Fígado), Shen (Mente) e Fei (Pulmão) de­ sência (Rins), além de sobrecarga do Xin
sencadeou vitiligo. (Coração) desde muito cedo.
Relato de caso 4: RA, 21 anos, fem ini­
no, parda, mora com os pais, pragmática T ratam ento do V it il ig o p e l a
e tem um irmão mais velho. Apresentou A cupuntura
sérias doenças infecciosas como otite e
infecção urinária de repetição na infância Considerando o vitiligo como afecção de
e ovários policísticos desde que m ens­ pele conseqüente à deficiência básica da
truou aos 15 anos. Essência (Rins), do Fei (Pulmão) e do Shen
A infância foi um período conturbado, (Consciência), o tratam ento pela acupun­
com o pai alcoólatra. Várias vezes fugiu tura visa, primordialmente, acalmar o Shen
de casa, para não ver o pai bêbado. Des­ (Mente), a fim de melhorar a disposição.
cobriu que o irmão usava drogas. Foi um C-7 [Shenmen) - Corresponde ao M ovi­
choque em ocional do tipo medo/pavor, m ento Terra, é ponto Fonte do Meridiano
seguido por tristeza m uito intensa. Logo do Xin (Coração), harmoniza o Xin Qi (Ener­
depois deste episódio, aos 15 anos de ida­ gia do Coração), acalma o Shen (Consciên­
de, passou a apresentar lesões no pesco­ cia), faz a limpeza do Xin (Coração).
ço, axilas, região infra-mamária, face me­ CS-6 (Neiguan> (passagem interna) - É
diai das coxas e umbigo. um ponto im portante para acalmar o Shen
Comentários: Trata-se de uma condição (Mente); além disso, corresponde ao pon­
na qual o Shen (Consciência) está abala­ to de abertura do Canal de Energia Curio­
do, em associação com uma deficiência so Yin Wei, que conduz a Energia Ances­
do Shen (Rins), de base. Este caso com ­ tra l do Shen (Rins) para o Pi (B aço/
para-se com o do exemplo número 2. Em Pâncreas), para o Gan (Fígado) e à garganta
ambos, a instalação do vitiligo ocorreu (segmento Ren Mai).
durante a adolescência, diretam ente rela­ VG-20 (Baihui) - Acalma o Shen (Men­
cionados a conflitos emocionais em famí­ te) e as emoções, clareia a mente, relaxa
lia e emoção aguda, com sentim ento de os tendões e os músculos, mantém o Yang
perda. Porém, trata-se aqui de paciente Q i do corpo.
Acupuntura & Vitiligo 207

VC-17 (Danzhong) - É o ponto Mo do B-52 (Zhishi) (Sala do Z h i- Força de Von­


Xin Bao Luo (Circulação-Sexo) e ponto de tade) - Corresponde ao B-23 (Shenshu),
reunião do Qi; harmoniza o Fei Qi (Ener­ Shu do dorso do Shen (Rins). Fortalece a
gia do Pulmão) e harmoniza e tonifica o força de vontade, o vigor, a determinação,
Shangjiao Qi (Energia do Aquecedor Su­ a capacidade de busca de objetivos, o es­
perior). pírito de iniciativa e a firmeza. Este ponto
M-CP-3 (Yintang)- Acalma o Shen (Men­ ajuda a fortalecer o Shen (Rins) conjunta­
te) e clareia a mente. m ente com o B-23 (Shenshu).
No tratam ento do vitiligo, devido às al­ Deve-se, também , tonificar os Zang (Ór­
terações emocionais, é m uito importante gãos) acometidos, utilizando a técnica Shu-
usar os pontos situados na linha lateral do Mo-Yuan. Destes, os mais importantes, no
Meridiano do Pangguang (Bexiga), na re­ tratam ento de vitiligo são o Shu-Mo-Yuan
gião dorsal, a 3 tsun da linha média, em do Fei (Pulmão), do Shen (Rins) e do Xin
correspondência aos pontos Shu do dor­ (Coração). Aplicar moxabustão nos pontos
so correspondentes aos cinco Zang (Ór­ B-13 (Feishu), B-23 (Shenshu) e B-15 (Xin­
gãos), por suas funções específicas sobre shu) e fazer a acupuntura nos pontos P-1
a atividade psíquica. São eles: (Zhongfu ou receptáculo central), VB-25
B-42 (Pohu) (Janela da Alma Corpórea - (Jingmen) e VC-14 (Juque).
Po) - Corresponde ao ponto B-13 (Feishu), O Gan (Fígado) necessita ser harmoni­
Shu do dorso do Fei (Pulmão), fortalece e zado, pois é o grande aplainador das emo­
enraiza o P o - Alma Corpórea - no Fei (Pul­ ções; pode ser utilizada a técnica Shu-Mo-
mão). Libera a respiração quando o Po está Yuan, respectivam ente nos pontos B-18
contraído pela preocupação, tristeza ou (Ganshu), F-14 ( Qimen) e F-3 ( Taichong).
pesar. Acalma o Shen (Mente) e assenta O Pi (Baço/Pâncreas) pode sofrer secun­
o Po (Alma Corpórea), fazendo com que o da riam ente a co m e tim e n to s de outros
indivíduo se interiorize e se sinta satisfei­ Zang (Órgãos), porém parece ser o primei­
to consigo mesmo. Também nutre o Fei- ro Órgão, depois da pele, que sofre alte­
Yin (Pulmão-Yin). Trata-se de um dos pon­ rações no contexto físico. Provavelmente
tos fundamentais no tratam ento do vitiligo. porque o Pi (Baço/Pâncreas) represente o
B-44 (Shentang) (Hall da Mente) - Cor­ Centro, a Terra, a Mãe, e estes pacientes
responde ao B-15 (Xinshu), Jing do dorso com vitiligo têm o seu "C entro" perdido
do Xin (Coração), acalma e forta le ce o desde m uito cedo, muitas vezes com a
Shen (Mente). Estimula a lucidez e a inte­ infância sofrida.
ligência. As alterações estando no contexto físi­
B-47 ( Hunmen) (Porta do Fiun - Alma co, isso significa que estão ao nível da
Etérea) - Corresponde ao B-18 ( Ganshu), Terra, neste caso, além da técnica Shu-
Shu do dorso do Gan (Fígado). Enraiza o Mo-Yuan, utilizam-se os Meridianos Curio­
Flun (Alma Etérea) no Gan (Fígado), forta­ sos para adicionar um aporte de Qi An­
lece a capacidade de planejam ento da cestral armazenado no Shen (Rins). Para
Alma Etérea, senso de objetividade, so­ tanto, pode-se utilizar o BP-4 ( Gongsun)
nhos de vida e os projetos. (ponto de Abertura do Canal de Energia
B-49 (Yishe) (Aposento da inteligência) Chong Mai) e o CS-6 (Neiguan) (ponto de
- Corresponde ao B-20 ( Pishu); alivia o Abertura do Canal de Energia Curioso Yin
Shen (Mente) dos pensamentos obsessi­ Wei).
vos, seca a Umidade e tonifica a Terra, para Existe uma relação íntima entre o Fei
fortalecer o Metal. (Pulmão) e o Shen (Rins), pois a deficiên-
F /5
208 Capítulo XIII

cia da Essência do Shen (Rins) que é for­ juntam ente com o VC-7 ( Yinjiao) e o VB-
mada pela Essência de todos os Órgãos, 13 (Benshen), que concentram a Essên­
irá afetar o Fei (Pulmão) e o Po (Alma Cor­ cia no encéfalo.
pórea) e conseqüentem ente, a pele. A Para tratar os efeitos induzidos pelas
afecção localiza-se ao nível da pele; assim, emoções fortes, deve-se utilizar os Canais
deve-se utilizar os Canais Curiosos, espe­ de Energia Distintos que estiverem aco­
cialmente aqueles que estão envolvidos m etidos. Freqüentem ente observa-se o
na nutrição da pele e que correspondem acom etim ento dos Canais de Energia Dis­
ao Du M aie ao Ren Mai. Os dois nutrem a tintos do Xin Bao Luo e do Sanjiao (Circu-
pele por meio de uma rede de canais ener­ lação-Sexo e Triplo Aquecedor), do Gan
géticos secundários. E como esses dois (Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar).
Canais originam-se no Shen (Rins) e difun­ A distribuição de vitiligo pode aparecer,
dem o Qi Ancestral para a pele, promovem freqüentem ente, na correspondência do
um elo entre o Shen (Rins) e a pele. canal de energia do Pi (Baço/Pâncreas),
Por outro lado, a pigmentação da pele, principalm ente na face mediai dos pés.
tam bém , depende dos Canais Curiosos; Neste caso, deve-se tratar o Canal Curio­
uma pigmentação mais escura fica con­ so Chong Mai quando há associação com
centrada ao longo da passagem desses sintomas gástricos ou indício de diabetes
Canais como ocorre na área genital, linha m elittus.
mediana anterior, umbigo e região mami- Por haver relação direta entre o Xue
lar. Não raramente, observam-se lesões de (Sangue) e o Qi, deve-se sempre tonificar
vitiligo nestas regiões. o Xue (Sangue).
Por isso, deve-se utilizar os pontos de Finalmente, tendo a Shen (Mente) e o
abertura desses dois Canais de Energia: Xin (Coração) o comando sobre os Zang
o ponto P-7 (Lieque), para o Ren Mai, e o Fu (Órgãos e Vísceras), deve-se utilizar a
ID-3 (Houxi), para o Du Mai. Posteriormen­ técnica de Qi Mental, a fim de aliviar os
te, procede-se à abertura dos respectivos conflitos emocionais que possam te r exis­
Meridianos acoplados: o R-6 (Zhaohai) e o tido ou que ainda persistem, possibilitando
B-62 (Shenmai). ao paciente dar um sentido mais adequa­
Outros pontos de acupuntura importan­ do à sua vida, obtendo conseqüentem en­
tes no tratam ento do vitiligo: te a cura desta patologia (Figuras 13.3 e
P-9 (Taiyuan) - Tonifica o Fei-Yin (Pul­ 13.4).
mão- Yin): Não esquecer que cada um tem suas
P-5 (Chize) - Nutre a Água do Fei (Pul­ particularidades e que o vitiligo, assim
mão); com o qualquer outra doença, é apenas
R-3 (Taixi) e VC-4 ( Guanyuan) - Nutre o uma das manifestações de uma alteração
Shen-Yin (Rim-Y/n) e acalma a Mente. mais ampla do organismo como um todo.
Os pontos acima, conjuntamente com Portanto, estabelecer um tratam ento igual
os pontos P-7 (Lieque), R-6 (Zhaohai), B- para todos seria um erro. Em cima de um
23 (Shenshu), B-52 (Zhishi) e B-42 (Pohu), diagnóstico clínico ocidental, devem ser
agem nutrindo o Fei-Yin (Pulmão-Yin) e o estabelecidos os diagnósticos energético,
Shen-Yin (Rim-Y/n), fortalecendo a força de emocional e, por que não dizer?, um diag­
Vontade (Zhi) e assentando a Alma Corpó­ nóstico espiritual, se assim for possível,
rea. Além disso, pode-se utilizar outros para se chegar mais próximo da essência
pontos de acupuntura para tonificar a Es­ e poder tratar cada indivíduo diferente­
sência dos Rins, como o VC-4 ( Guanyuan) m ente como um todo.
Acupuntura & Vitiligo

M Figuras 13.3 e 13.4


Paciente com lesões
de vitiligo na região
axilar no pré (A) e no
pós-tratam ento (B).

As Figuras 13.3 e 13.4 m ostram um shu), B-42 ( Pohu ), B-1 5 (Xinshu ), B-43
paciente jovem com vitiligo na região axi­ (Shentang); aquecer o Fogo Ministerial e
lar e o resultado do tratam ento de vitiligo, o seu Jing: B-23 (Shenshu), B-52 (Zhishi),
observado principalm ente pela borda da VG-4 (Mingmen ) e harmonizar o Gan (Fí­
lesão. O tratam ento foi realizado utilizan­ gado), para aplainar emoções: B-18 ( Gan-
do-se os pontos do Meridiano Distinto do shu). Foram, tam bém , utilizados os pon­
Xin (Coração) e do Xiao Chang (Intestino tos: P-1 (Zhongfu ), VC-17 ( Danzhong),
Delgado), C-1 (Jiquan) e ID-10 (Naoshu), VC-4 ( Guanyuan), TA-5 (IA/angu), CS-6 (Nei-
além dos pontos para aquecer o Fogo guan), R-3 ( Taixi), BP-6 (Sanyinjiao) e F-3
Imperial e os seus pontos Jing: B-13 (Fei- (Taichong).
Capítulo XIV

Acupuntura & Melasma


e Hipercromia Cutânea
Idiopática da Região
Orbital
M elasm a

Quando se aborda o tema "manchas cutâneas"estâo


incluídas manchas de várias naturezas, tipos e causas.
Neste capítulo, serâo discutidas as manchas mais re­
lacionadas com a estética, denominadas de melasma
ou de cloasma gravídico, e a "olheira" ou hipercromia
cutânea idiopática da região palpebral.
A denominação cloasma gravídico foi estabelecida
em virtude da freqüente associação destas manchas
com a gravidez. M uitas vezes, no entanto, elas estão
relacionadas com o uso de anticoncepcionais ou alte­
rações tireoideanas ou hepáticas, não havendo deste
modo uma conclusão definitiva sobre sua causa. Às
vezes, a mancha aparece mesmo sem nenhuma relação
com os antecedentes hormonais, revelando existir algo
a mais, que se pode sinalizar como alterações energé­
ticas de origem emocional.
A exacerbação das lesões de melasma são agravadas
frente à exposição à luz solar.
A melasma é uma hiperpigmentação da pele, que
acom ete preferencialmente as regiões malares, su-
pralabial, glabela e a mandibular (Figuras 14.1 e 14.2).
Acom ete, geralmente, mulheres, sendo muito rara em
homens e em crianças. Neste caso, pode-se relacio­
nar a mancha de melasma com os Canais de Energia
Curiosos Chong Mai e Ren Mai. O primeiro por se rela­
cionar com Pi (Baço/Pâncreas), cujo ponto de abertura
Dra. Maria Assunta Y. Nakano é o BP-4 (Gongsun), que se relaciona com o Canal de
Capítulo XIV

Energia do Wei (Estômago), sendo


que freqüentem ente as manchas
encontram-se na região facial nos
pontos correspondentes ao trajeto
facial do Canal de Energia do Wei
(Estômago). Por sua vez, a região
maxilar é regida pelo Canal de Ener­
gia do Xiao Chang (Intestino Delga­
do), que é a manifestação Yang do
Canal de Energia do Xin (Coração).
No livro Ling Shu está referido
que a mancha escura da face deve-
se à estagnação prolongada (estase
prolongada). Clinicamente, o que se
observa, realmente, são as micro-
vascularizações que acompanham
as manchas, podendo, então, real­
mente considerar que exista estase
sangüínea local. Pode-se, então,
relacionar a presença de manchas
com o acom etim ento do eixo Shao
Figura 14.1 ▲ Yin (Coração-R ins) e do Tai Yin
Paciente com m elasma.
(Baço/Pâncreas-Pulmão), enquanto
a estase de Xue (Sangue) pode ser
proveniente do Xin (Coração) ou do
Gan (Fígado).
Figura 14.2 ▼
Por o u tro lado, o bservam -se,
Paciente com melasm a na região maxilar.
m uitas vezes, fatores emocionais
envolvidos no aparecimento de me-
lasma. Sabendo-se que a pele possui
funções im portantes de proteger
(proteção física, química, biológica,
energética e psíquica), de comunicar
com o meio interno e o externo, e
de separar o próprio do não próprio;
então, as manchas da pele podem
su rg ir em conseqüência dessas
alterações.
Se se considerar que a pigmenta­
ção da pele confere proteção contra
os raios ultravioletas, então, pode-se
dizer que a mancha é uma forma de
superproteção frente ao Sol, que
representa o Yang, e, portanto, às
em oções que tam bém são Yang.
Ao falar do subconsciente, este
pode relacionar as agressões físicas e assim pode-se devolver à pele a sua função
emocionais como sendo o Sol, daí procurar primordial, de purificação e de voltar a si.
a superproteção. Se não aceitar o Sol, não
se aceitam as emoções. As emoções, rela­ Tratamento de Melasm a pela
cionadas geralmente com o aparecimento Acupuntura
de melasma são o medo e a insegurança,
tendo sentido de não poder ou não querer Para o tratam ento das manchas pode-
se mostrar. Além da sobrecarga emocional, se, ainda, utilizar os pontos de acupuntura
os pacientes referem, também, a sobrecar­ locais (próxim o às manchas) inserindo
ga física, o que leva ao desgaste do Shen as agulhas e direcionando-as para a área
(Físico e Mental). central da mancha, incluindo os pontos
Pelas c a ra c te rís tic a s das m anchas, que estejam situados no meio da lesão. Por
pode-se, energeticam ente, fazer relação exemplo, podem ser utilizados os pontos
do melasma com o Shen (Rins), por ter a E-3 (Juliao), E-4 (Dicang), E-5 (Daying), E-6
coloração enegrecida, com o Gan (Fígado), (Jiache), ID-18 (Quanliao), VB-14 (Yangbai)
por estar relacionado com os hormônios e M-CP-3 (Yintang). Pode-se associar,
femininos, com o Xin (Coração), pelos as­ tam bém , os pontos do Ren Mai e do Du
pectos emocionais e pela localização das Mai como o VC-24 (Chengjiang), o VG-25
manchas na face, e com o Fe/(Pulmão), por (Suiiao) e o VG-26 (Renzhong). A Figura
acom eter a pele e a epiderme. 14.3 mostra os pontos locais utilizados no
E m briologicam en te, a pele possui a tratam ento das manchas utilizando-se a
mesma origem do sistema nervoso cen­ eletroacupuntura em drenagem (freqüên­
tral; a pele é como se fosse a expressão cia 2/4Hz denso disperso, por 20 minutos).
externa deste sistem a, tendo portanto, Nas manchas localizadas ou de difícil
relação direta com as emoções. Por isso, resolução, pode-se cercar a lesão como
nas afecções de pele torna-se im portante sendo um ponto Ashi, com o m ostra a
o uso de Canais de Energia Distintos. Os Figura 14.4, e proceder à dispersão com
melanócitos, por sua vez, originam-se da eletroacupuntura utilizando-se a freqüência
crista neural juntam ente com o sistema de 100Hz por 20 minutos.
nervoso central, havendo, portanto, cone­ O ponto ID-17 (Tianrong) é utilizado para
xões com áreas cerebrais relacionadas com o tratam ento de melasma localizado na re­
as emoções. O trajeto lateral do Canal de gião mandibular que se estende para o pes­
Energia do Pangguang (Bexiga) é onde se coço. A região maxilar recebe o Meridiano
localizam os pontos Jing (Essência) dos do Da Chang (Intestino Grosso) e do Xiao
cinco Zang (Órgãos) derivados do Jing Chang (Intestino Delgado), por isso nas
Shen (Essência dos Rins). A estimulação manchas localizadas nessa região, deve-se
desses pontos Jing é a via de acesso para fazer a circulação de Energia desses Me­
acalm ar as em oções e n e rg e tica m e n te ridianos pela técnica iong/Yuan ou similar.
contidas nos Zang (Órgãos) e com o os Devem ser utilizados no tratamento de
distúrbios de pigmentação da pele estão manchas localizadas na região maxilar, os
relacionados às alterações de emoções, pontos E-30 (Qichong), BP-12 (Chongmen)
torna-se importante o uso desses pontos, e E-9 (Renying), que correspondem ao
além do tratam ento da m ente pela técni­ Canal de Energia Distinto do Pi-Wei (Baço/
ca de Mobilização de Qi Mental, a fim de Pâncreas-Estômago). Do m esmo modo,
tratar o medo, a insegurança, para dar pro­ deve-se tratar todos os Canais de Energia
teção emocional aos pacientes. Somente Distintos e aplicar moxabustão nos pontos
Capítulo XIV

Jing, no trajeto lateral, no dorso, do


Canal de Energia do Pangguang (Be­
xiga).
Utilizar os pontos para a ligação
Alto/Baixo como IG-4 (Hegu), IG-11
(Quchi), F-3 ( Taichong) e E-36 (Zusan-
li) e o ponto para tonificar a Essência
que é oVC-4 (Guanyuan).
Quando se cerca a área da lesão
com a inserção de agulhas de acu­
puntura pode-se utilizar a freqüência
de dispersão com o 50 a 100Hz,
durante 20 minutos ou utilizar o tipo
de onda denso disperso (2/4Hz) por
20 minutos. Quando os pontos são
utilizados, recomenda-se não utili­
zar a dispersão, mas sim a denso
dispersa por 20 minutos, corrente
alternada 2/4.
Figura 14.3
Paciente com melasm a e utilização
da técnica de dispersão cercando a mancha H ip e r c r o m ia C u t â n e a I d io p á t ic a
com o ponto Ashi (100Hz 20 m inutos). da R e g iã o O r b it a l ou " O l h e ir a "

A "olheira" ou hipercromia cutâ­


nea idiopática da região orbital é uma
Figura 14.4
queixa muito freqüente na dermato­
Técnica de drenagem de pontos faciais (denso/disperso
2/4Hz por 20 m inutos) no tratam ento de m elasma.
logia e não há muitas publicações a
respeito, não se sabendo exatamen­
te o que leva a um escurecim ento
d e sta região em d e te rm in a d a s
pessoas. Sabe-se que ela tem um
fator hereditário importante (herança
au to ssô m ica d om inante ). Local­
m ente pode se observar além do
escurecim ento da região, que varia
de pessoa para pessoa em term os
de intensidade de acom etim ento,
alteração vascular (tipo congestão)
e alteração cutânea com frouxidão
mais acentuada da região em rela­
ção à pele ao redor (Figura 14.5).
Geralmente, a hiperpigmentação é
mais acentuada na pálpebra inferior,
e esta hiperpigmentação se deve à
quantidade de melanina que está
aumentada tanto na derm e como
h

na epiderme. Na derme, há presença de Canal de Energia Principal do Sanjiao


macrófagos contendo a melanina e não (Triplo Aquecedor Canto lateral do olho
melanócitos nesta área da pele. Observa- TA-23 (Shizukong);
se muitas vezes, que indivíduos com rinite Canal de Energia Principal do Xin (Cora­
alérgica apresentam, tam bém , "olheiras" ção) Um ramo ascendente vai para face e
devido à congestão local. une-se às partes moles em volta do olho;
Na medicina chinesa, pode-se observar
a "olheira" segundo alguns aspectos: Canal de Energia Principal do Xiao Chang
(Intestino Delgado) Passa pelo canto lateral
■ É uma região relacionada ao Gan do olho, cruzando com o Canal de Energia
(Fígado); Principal do Dan (Vesícula Biliar) no ponto
■ A pele é relacionada ao Fei (Pulmão); VB-1 (Tongziliao), e um ramo vai para a
região infraorbital e para o canto mediai
■ A coloração enegrecida é proveniente
do olho comunicando-se com o Canal de
do Shen (Rins); e
Energia Principal do Pangguang (Bexiga) no
■ Os Canais de Energia Principais são ponto B-1 (Jingming)-, e
acom etidos segundo a localização:
Canal de Energia Principal do Gan (Fíga­
Canal de Energia Principal do Pangguang do) Emerge no olho e um ramo secundário
(Bexiga) Epicanto mediai do olho B-1 sai debaixo do olho.
(Jing ming );
Canal de Energia Principal do Dan (Vesí­
cula Biliar) Epicanto lateral do olho VB-1
(Tongziliao) e região infraorbital; ▼ Figura 14.5
Hipercrom ia cutânea idiopática da região
Canal de Energia Principal do Wei (Estô­ orbital ("olheira") com hiperpigm entação e
mago) Face inferior da pálpebra; alteração cutânea im portantes.
Tratamento da hipercromia
cutânea idiopática da região
orbital (“olheiras") com
acupuntura

Quando a hipercromia estiver rela­


cionada com desgaste de ü/(Energia),
deve-se tonificar o Shen (Rins). Se
estiver relacionada com a rinite alér­
gica deve-se tratar o Gan (Fígado) e o
Fei (Pulmáo), circular o Yang Ming e
realizar tratam ento local.
Todos os pontos de acupuntura lo­
cais podem ser utilizados. A freqüência
pode ser denso/disperso 2/4Hz por
20 minutos, tonificação com estímulo
de 2 Hz por 10 m inutos; em casos
impregnados, pode-se dispersar com ▲ Figura 14.6
freqüên cia de 50 a 100Hz por 20 Pontos de acupuntura que
podem ser utilizados no
minutos. São utilizados os pontos de
trata m e nto da hipercromia
acupuntura VB-1 (Tongziliao), TA-23
cutânea ("olheira"): B-2
(Shizukong), B-2 (Zanzhu), M-CP-6 (Zanzhu), TA-23 ( Shizukong),
(Yuyao), E-2 (Sibai), M-CP-8 (Qiuhou) VB-1 (Tongziliao), B-1 (Jingming ),
e N-CP-4 (Shangming) (na linha do E-2 (Sibai).
Yuyao, no meio da pálpebra superior)
(Figura 14.6).

RESULTADOS DE
TRATAMENTO POR
A C U PU N TU R A
▼ Figura 14.7
Os resultados de tratam ento da hi­ Resultado do trata m e nto de
m elasm a utilizando o Canal de
percromia da região orbital e periocular
Energia D istinto do Xin Bao
por acupuntura e Técnica de Mobiliza­ Luo/Sanjiao e aplicação de
ção de Qi Mental são apresentados técnica de Mobilização
nas Figuras 14.7 à 14.10. de Qi M ental.
▲ Figuras 14.8
Pré (A) e pós-tratam ento (B)
de manchas faciais com 4 de
aplicações de acupuntura e uma
sessão de relaxam ento (técnica de
Mobilização de Q /M e n ta l).
Capitulo XIV

Figura 14.9 ▲ T Figura 14.10


Pré (A) e pós-tratam ento (B) de Resultado de trata m e nto para manchas e rugas
hipercromia periocular com 12 perioculares. Foram realizadas dispersão dos
aplicações de acupuntura. pontos VB-1 (Tongziliao), TA-23 (Shizukong) e
M-CP-8 (Qiuhou) (100Hz por 20 m inutos), e
tonificação (2Hz por 10 m inutos) nos pontos
B-2 (Zanzhu), E-2 (Sibai) e N-CP-4 (Shangming).
Acupuntura Estética &
Flacidez da Pele, Estrias
Cutâneas e Acne

F l a c id e z d a pele

A definição de flacidez da pele, na estética, é dis­


cutível, uma vez que ela e a hipotonia muscular são
vistas, por alguns autores, com o sendo entidades
distintas, e por outros, como entidade única. A flacidez
da pele pode resultar de seqüelas de vários episódios
ocorridos, como, por exemplo, inatividade física, ema­
grecim ento em excesso ou até m esmo processo de
envelhecimento.
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a flacidez
da pele e dos músculos está relacionada ao enfraque­
cim ento energético de todos os Zang Fu (Órgãos e
Vísceras). Assim:
1. Os fatores inatos, a fadiga e os estados emocionais
podem ocasionar enfraquecimento do Shen Qi (Energia
dos Rins), que se manifesta por desânimo, cansaço,
dores musculares, insônia, queda e embranquecimento
dos cabelos, etc.
2. Deficiência do Gan Qi (Energia do Fígado) conse­
qüente ao Vazio do Shen (Rins) ou por estados emo­
cionais excessivos ou reprimidos, que podem levar à
fraqueza e diminuição do tônus muscular, etc.
3. Deficiência do Pi (Baço/Pâncreas) ocasionando o
enfraquecimento das funções energéticas de subida do
puro e dificuldade de manter as estruturas anatomica­
m ente posicionadas.
Dra. Maria Assunta Y. Nakano
Dra. Tsai I Shan
4. Deficiência do Fei (Pulmão) com o enfraquecimento
Dra. Sylvia de PettaA. Queiroz do Wei Qi (Defesa) o que provoca o Vazio do Yang Q/na
Dra. Cristiane Prestes Auler parte externa do corpo (pele e músculos).
Figura 15.1
Paciente com flacidez
da face evidenciando a
"q u e d a " dos m úsculos
da face.

5. Deficiência do Xin (Co­


ração) que ocasiona altera­
ções do Shen (Mente) e en­
fraquecimento das funções
vasculares.
As deficiências do Shen
Qi (Energia dos Rins) e do
Xin Qi (Coração), ao enfra­
quecer o Zhi (Vontade) e o
Shen (Consciência), provo­
cam desânimo e sensações
co m o as de in u tilid a d e ,
de fa lta de o b je tiv id a d e
do futuro ou de se sentir
envelhecido, o que cada
vez mais resulta em ace-
leramento do processo de
envelhecer.
A Figura 15.1 m o stra
um exemplo de flacidez de
face. É uma paciente que
não apresenta rugas pro­
priam ente ditas, mas sim
uma queda do tecido. Ob­
serva-se uma deficiência
do Pi (Baço/Pâncreas), em
que a sustentação de par­
tes moles da face torna-se
ineficiente, daí a acentua­
ção das pregas nasogenia-
nas. A Figura 15.2 mostra
um outro exemplo de flaci­
dez da região do pescoço,

Figura 15.2
Flacidez de pele,
principalm ente do pescoço.
Acupuntura Estética & Flacidez da Pele, Estrias Cutâneas e Acne 221

A Figura 15.3
Paciente com flacidez de
pele dos m úsculos do braço

porém muito mais importante na pele. Há linhas


profundas e linhas finas. A Figura 15.3 mostra
a flacidez dos braços, tanto da pele como da
musculatura. A Figura 15.4 mostra a flacidez
da região abdominal, com a linha da flacidez
observada na vista lateral. A Figura 15.5 mostra
a flacidez da região mediai da coxa, mostrado
pela linha de flacidez.
Para o tratam ento da flacidez da pele com a
acupuntura, é necessária a estimulação elétrica
dos pontos m otores da área a ser tratada, a fim
de fortalecer os músculos regionais e, também,
o tecido cutâneo. A estimulação dos músculos
esqueléticos pode resultar em hipertrofia e
aum ento do tônus muscular e, ao m esmo tem ­
po, ocorrer o aumento de irrigação sangüínea
e dos retornos venosos e linfáticos. Na pele, a
melhora da troca metabólica e da oxigenação
é notada pela melhora da elasticidade e tonici-
dade da pele.

Figura 15.4
Flacidez da
barriga com
gordura localizada,
observando-se as
linhas de flacidez.
Ponto s M otores do C orpo e Face

As Figuras que se seguem m ostram ta de estrias ocasionadas pelo rompimento


os principais pontos m otores do corpo e das fibras elásticas, principalmente ao redor
da face. da cicatriz abdominal. O excesso de pele, a
As Figuras 15.6 e 15.7 mostram os pon­ acupuntura não pode tratar, mas a estimu­
tos motores do braço. As Figuras 15.8 (A e lação pela eletroacupuntura, utilizando os
B) mostram os pontos extras com função pontos motores localizados na região, pode
motora do braço. trazer tonicidade muscular melhor para a
As Figuras 15.9 e 15.10 m ostram os região (Figura 15.13).
pontos motores da perna. A Figura 15.11 A Figura 15.14 mostra um exemplo de tra­
mostra os pontos extras de função motora tamento abdominal inserindo-se as agulhas
da perna e da região lombar e do flanco. nos pontos motores situados, principalmen­
Os pontos da região lombar são indicados te, no Canal de Energia do Wei (Estômago),
tam bém no tratam ento da redução do ab- como E-25 ( Tianshu), E-28 (Shuidao), E-23
dome e dos flancos ("pneuzinho"). (Taiyi) e E-21 (Liangmen). É im portante
A Figura 15.12 mostra os pontos para encontrar o motor point que, às vezes, se
o tratam ento da flacidez de abdome e da localiza um pouco acima ou abaixo desses
gordura localizada desta região. pontos de acupuntura em uma depressão
A flacidez abdominal é muito comum em entre a pele e a musculatura.
mulheres e ocorre, principalmente, após a Outra forma de flacidez da pele muito
gestação em decorrência de o Q/abdominal freqüente é a que ocorre no braço (Figura
estar muito esgotado. A pele torna-se reple­ 15.15), principalmente, a que surge com o
acrômio

Ponto m otor
do m . deltó id e

Ponto m otor
do m . coracobraquial
m. coracobraquial fica abaixo
do tríceps cabeça longa

tríceps braquial

m. bíceps
cabeça longa

m. bíceps
Ponto m otor
cabeça curta
do m . bíceps braquial

Ponto m. tríceps braquial


do m . braquial cabeça mediai

Prega do cotovelo

Ponto motor do m. deltóide anterior 3 dedos abaixo do acrômio.

Ponto motor do m. deltóide lateral 5 dedos abaixo do ombro.

Ponto motor do m. braquial________ margem radial do braço a 1,5 cun da prega do cotovelo.

_ 3 pontos seguidos no terço médio sendo 1 cun de distância


entre os pontos.
_ face ventral superior do braço logo abaixo
da axila.

▲ Figura 15.6
Localização dos Pontos M otores com
função motora no braço (parte anterior).
m. deltóide

. triceps braquial
cabeça longa
ponto motor da cabeça
lateral do m. triceps m. triceps braquial
braquial cabeça lateral
ponto motor da cabeça
longa do m. triceps braquial
m. bíceps braquial-
cabeça longa 1 /3 superior

m. braquial

1 /3 médio

ponto motor da cabeça


mediai do m. triceps m. triceps braquial
braquial cabeça mediai

m. braquioradial 1 /3 inferior

m. extensor radial-
longo carpo Linha do cotovelo

▲ Figura 15.7
Localização dos Pontos M otores com
função m otora no braço (parte posterior).
, B ich a n g

m . d e ltóide
m . d e lt ó id e

Jiançen J ia nqia n

Toucong
Linha da prega
axilar posterior

m . trícep s braquial m . tr íc e p s b ra q u ia l
ca b eça longa S henzhou c a b e ç a lo n g a
m . bícep s braquial
ca b eça longa
Gongzhon$

Q ianqzhou m . b íc e p s b r a q u ia l
m . bícep s braquial
c a b e ç a lo n g a
ca b e ç a cu rta
P o n to d e re c u p e r a ç ã o
m . tr íc e p s b ra q u ia l
d o m .b ic e p s b r a q u ia l m . b ra q u ia l- c a b e ç a la te ra l
m . braquial

m . trícep s bra qu ia l Shansquchi


c a b e ç a m ediai
Y inçshan
Shaohaishang
bra q u io ra d ial-

m . b ra q u io ra d ia l-
' m . t r íc e p s b ra q u ia l
c a b e ç a m e d ia i
m . e x te n s o r ra d ia l

Qianvzhou ponto m édio da linha entre a lo n g o c a rp o L in h a d o c o to v e lo


prega axilar anterior e
Jiansen 1 cun acim a e lateral à prega extremidade mediai da prega
axilar anterior. do cotovelo.
Bininy 1 cun abaixo e 1 cun lateral
à prega axilar anterior.
Shenzhou 1,5 cun a b a ix o d o IG -1 4 (Binao).
Ponto de recuperação
Jianqian 1.5 cun acim a da prega axilar 4.9.m,bk9PLhrQQUÍQt 2 cun acim a da linha
anterior. da prega do cotovelo
Shançfquchi 1 ,5 cun a cim a d o IG -1 1 (Quchi).
Toucong 2 cun abaixo da prega axilar na linha m ediana da
anterior. face ventral do braço. Bichang 2 cun a cim a d a p re g a axilar
GonQzhonq 4 ,5 cun abaixo da prega axilar P osterior.
anterior, na linha m ediana da Shaohaishang 1.5 cun acima do C -3
face ventral d o braço. ( Shaohai). Yinqshan 4 cun a c im a d o olé cra n o .

▲ Figura 15.8
Localização dos Pontos Extras com função m otora no braço, parte anterior (A) e posterior (B).
Extraído de Wang Fu Chun. Atlas de pontos curiosos e pontos novos (TradTsai I Shan). Beijing
(China), Scientific &Technical DocumentaPublishing House, 1999.
c r is t a

m . ilio p s o a s

m . t e n s o r d a f a s c ia
p e c tin e o

Ponto m otor do
m. pectineo
Ponto motor
m . a d u t o r lo n g o
m. sartório
Ponto m otor do
m. aduto rlong o
m . re to

Ponto m otor do a d u to r m a g n o

m. reto fem oral Ponto m otor do


m . adutor magno

m . v a s to

Ponto m otor do s a t ó r io

m. vasto

Ponto m otor do
m. vasto mediai

P o n to m o t o r d o m . p e c t in e o
P o n to m o t o r d o m . s a r tó rio 2 d e d o s a b a ix o d a linha in gu in a l.
tra ç a r linha d a crista ilíaca a té a patela
n o q u a rto sup e rior. P o n to m o t o r d o m . a d u t o r lo n g o
4 d e d o s a b a ix o d a in gu in a l.
Po n t o m o t o r d o m . r e t o fe m o ra l
p o n to m é d io e q ü id is ta n te d a linha P o n to m o t o r d o m . a d u t o r m a g n o
in g u in a l até a patela. 5 d e d o s a b a ix o d a in gu in a l.

P o n to m o t o r d o m . v a s to la t e ral fe n to _ n ^ tp r_ _ d o
tra ç a r linha d a crista ilíaca a té a tra ça r lin h a d a m a rg e m m e d ia i
p a te la n o te rç o inferior a 1 ,5 cun d a patela a té p ú b is , n a linha d o
lateral. qu a rto inferior.

▲ Figura 15.9
Localização dos Pontos M otores da região anterior da coxa.
P o n to m o to r
g l ú t e o m é d io

m . g lú te o

m . glúte o

m agno
P o n to m o to r d o
m . b íc e p s f e m o r a l m o to r do
6 cun

m . b íce p s
c a b e ç a longa

m o to r do
m . va s to
m . s e m im e m b ra n o s o

m . b íc e p s 8 cun
s e m im e m b ra n o s o
c a b e ç a c u rta

P o n to m o t o r d o
m . b ic e p s fe m o ra l

P o n to m o t o r d o m . g lú t e o m é d io lo ca liza d o n o ce n tro d o q u ad ran te


lá te ro -s u p e rio r d o glúteo.

P o n to m o t o r d o m . b ic e p s fe m o ra l d ois p on tos e m c a d a p e rn a .
S u p e rio r : 3 d e d o s ab aixo d o sulco.
In fe rio r : linha d o quarto inferior, m a rg e m fibular, u m p o u c o lateral.

P on tos m o t o r d o m . s e m it e n d in e o d ois p o n tos e m c a d a pe rn a .


S u p e r io r : linha d o qu a rto sup e rior.
In f e r io r : u m p o u c o a c im a d o p o n to m é d io .

. loca liza d o n o ponto m é d io da linha.

▲ Figura 15.10
Localização dos Pontos M otores da região posterior da coxa.
c ris ta ilía ca Tinçvao 3 c u n lateral ao espaço L3 -L 4 .
Tingyao Zuohu 2 c u n acima da linha do trocanter
e 2,5 c u n lateral a linha da coluna.
Biconç 2 cun lateral a ponta do cócdx.
Yinkanq no sulco infraglúteo 1.5 c u n mediai
a B -36
Q ia q in x ia
m . ilio p s o a s
YinshQM 3 c u n abaixo do B-36.
O o jh ç n _ 8 c u n abaixo de B -36
Zhili 0.5 c u n mediai a o Jietan.
Taitsui J ie tan linha mediana, 8.5 c u n abaixo
m . p e c tín e o
d o B -3 6 ou na intersecção do
terço mediai com terço inferior.
m . te n s o r d a fa s c ia lata crista ilíaca

m . a d u t o r lo n g o
T iaoyue
Shençji 1 - Zuohu
m . g lú te o m é d io
Jia nkua _ p o n ta d o cóccix
m . re to fe m o ra l m . a d u to r m a g n o
m . glúte o m á x im o - Bicong
----------- J ia o lin g Novo H u a n tia o
Siqiang Yinkang
----------m . g rá c il V B -3 0 (H uan tiao)
Xuehaishang B -3 6 (Chensfu)
m . a d u to r m a g n o
Fensshishans
Q ia n to n g s h i Jixia
-Yinshang 6 cun
m . s a tó r io Q ia n jin
m . s e m ite n d ín e o
m . v a s to la te ra l
Shenqji 2 Shançfençshi
Goshen
m . v a s to m e d ia i m . va s to lateral
Dingshons
Jianxi Z h ili
Q iQ qignxw 1 cun a b a ix o d a e s p in h a W a iz h ili 8 cun
Ilíaca. -m . s e m im e m b ra n o s o
m . b íc e p s fe m oral
c a b e ç a longa
Taitsui 2 cun a b a ix o d a e sp in h a J ia olinq 2 ,5 cun lateral e 5 cun J ie ta n
iliaca. a b a ix o d a s ín fise p ú b ica . m . b íce p s fe m oral
c a b e ç a cu rta
Siqiang 5,5 cun a c im a d a patela. Xuehaishanq linha m é d ia l, n a face
linha m é d ia . in terna d a p e rn a a Novo Huantiao 3 cun lateral a ponta do
7 cu n a c im a d a cóccix.
QJantongshi 6 cun a c im a d a linha linha pop lite a. B -3 6 ( Chemfu) situa-se no meio do sulco
p op lite a e 2 cun a n terior glúteo.
Jueiin 1.2.3 e 4 4 cun lateral aos espaços.
a linha lateral. J ix ia linha m é d ia l, n a face L l . L2. L3, L4 FenqshishanQ 2 cun abaixo do sulco
in te rn a d a p e rn a a 6 cun Tiaovue___________ traçar uma linha entre o cóccix. infrapoplíteo. face lateral.
Dinsshons 3 cun a c im a d a patela. a cim a d a linha p op lite a.
e o ponto mais alto da crista iliaca.
Qianjin __________ 8 .5 cun acima da linha
b o rd a lateral d o m . reto fem oral. poplitea. face lateral.
a 2 cun da crista ilíaca.
J io n x i 3 cun a c im a d a patela. Sham fenishi acima da linha poplitea.
traçar a linha do ponto mais alto
face lateral.
Shensii 1 ® 2 tra ça r linha d o p o n to m é d io b o rd a m e d ia i d o m .re to da espinha ilíaca até o trocanter.
d a in gu in a l a té a fa ce m e d ia i d a patela: fe m oral. situa-se no ponto médio. Waizhili 1.5 cun lateral ao Jietan.
1. In te rs e cçã o d o te rço sup e rior.
2 . In te rs e cçã o d o te rço inferior.

▲ Figura 15.11
Localização dos Pontos Extras com função m otora na coxa,
região lom bar e no flanco, parte anterior (A ) e posterior (B).
Acupuntura Estética & Flacidez da Pele, Estrias Cutâneas e Acne

Figura 15.12 ►
Pontos m otores
localizados
na região abdominal VC-17
para o tratam ento da (D an zhon g)
flacidez abdominal.

E-21 (Liangm en, V C -12 (Zhongw an)

V B -26 (D a im a i)
V C -8 (Shenque)

E -25 ( Tianshu)
Cicatriz umbilical

E -26 (W a ilin g )

V C -4 (G u an yuan)

E -28 (S huidao)

Figura 15.13
Flacidez
abdominal
pós-parto com
estrias cutâneas.
A Figura 15.14
Tratamento da flacidez da
região abdominal. M odo
de inserção de agulhas de
acupuntura e estim ulação
por eletroacupuntura.

decorrer da idade. Segundo a MedicinaTradicional


Chinesa, a causa pode ser atribuída à diminuição
aparente do Wei Qi (Energia de Defesa), Energia
esta que circula entre a pele e os m úsculos.
A Figura mostra que a pele parece "ca ir" mas
sobram alguns pontos de ancoragem (flecha da
Figura 15.14). Este estado pode ser tratado com
a eletroacupuntura, utilizando-se freqüência alta,
em torno de 300Flz, mas logo a seguir deve-se
tonificar, com freqüência de 2 a 10Hz, os pontos
motores que se localizam na correspondência da
área da flacidez do braço.

Figura 15.15 ►
Paciente com flacidez do
braço; a seta indica ponto
de ancoragem da pele.
A Figura 15.16 mostra exemplo de trata­ (Yinbao), em uma depressão da pele. Um
mento pela eletroacupuntura para a flacidez outro motor point localiza-se 3 cun acima
dos braços. Podem ser utilizados pontos (cranial) desse ponto, tam bém , em uma
como P-3 (Tianfu), P-4 (Xiabai), IG-14 (Binao), depressão da pele. Podem ser usados ou­
IG-13 (l/Vu//'),TA-12 (X/ào/uo),TA-13 (Naohui), tros pontos de acupuntura localizados no
ID-9 (Jianzhen), C-2 (Oingling), CS-2 (Tian- m em bro inferior, como VB-31 (Fengshi) e
quan). Estes pontos conjuntam ente com VB-32 (Zhongdu), e o ponto curioso M-MI-
os pontos motores ou separadamente, de 27 (Heding), situado acima (cranial) da pa­
acordo com a queixa da paciente, podem tela. Os resultados de tratam ento podem
ser utilizados. Os resultados de tratamento ser observados na Figura 15.20.
podem ser observados na Figura 15.17. Além dos pontos acima citados, pode-se
As Figuras 15.18 e 15.19 m ostram o utilizar qualquer um dos pontos motores
esquema de tratam ento pela eletroacu­ das Figuras 15.9, 15.10 e 15.11.
puntura da flacidez e celulite da perna.
São utilizados, para o tratam ento da face
▼ Figura 15.16
mediai da coxa, os motor points localizados Esquema de tratam ento
nessa região. Por exemplo, um m otorpoint pela eletroacupuntura
localiza-se entre o BP-10 (Xuehai) e o F-9 da flacidez de braço.
Figura 15.17 ▲
Resultado de trata m e nto da flacidez cutânea
do braço antes (A), após 5 sessões (B) e
após 10 aplicações de eletroacupuntura (C).

T Figura 15.18
Esquema de inserção de agulhas para
o trata m e nto de flacidez e de celulite
da região posterior da perna.
Figura 15.19 ▼ Figura 15.20
Esquema de inserção de agulhas para Flacidez da face mediai
o tratam ento de flacidez e de celulite da coxa (A) e o resultado
da região anterior da perna. após 7 aplicações de
eletroacupuntura (B).
232

As Figuras 15.21 (Ae B) e 15.22 (A, B e C) B-15 (Xinshu), B-18 (Ganshu), B-20 (Pishu),
mostram o efeito do tratam ento da flacidez B-22 (Sanjiaoshu), B-23 (Shenshu) e VG-4
da face antes, após 5 sessões e após 10 (Mingmen). Se houver com ponente em o­
sessões. Observar a melhora da sombra cional, aplicar, tam bém , a moxabustão nos
na região do músculo depressor do canto pontos B-42 (Poshu), B-43 (Gaohuanshu),
labial, pela elevação da face como um todo. B-44 (Shentang ), B-47 (Flunmen ), B-49
O tratam ento da flacidez deve ser sem ­ ('Yishe) e B-52 (Zhishi).
pre realizado conjuntamente com a harmo­ Realizar a acupuntura nos pontos P-1
nização dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras), (Zhongfu ), P-9 (Taiyuan), VC-17 (Danzhong),
utilizando-se os pontos sistêmicos. CS-7 (Daling), VC-14 (Juque), F-14 (Oimen),
A técnica mais recomendada é a deno­ F-3 (Taichong), F-13 (Zhangmen), BP-3 (Tai-
minada técnica Shu-Mo-Yuan de harmoni­ bai) e R-3 (Taixi).
zação dos Zang Fu (Órgãos e Vísceras) em
que se utilizam os pontos Shu do dorso,
os pontos Mo (Alarme) e os pontos Yuan
▼ Figura 15.21
(pontos-Fonte) dos Zang Fu acometidos.
Paciente com flacidez da face e do
Além disso, fortalecer os cinco Zang Fu
pescoço (A) e o resultado do tratam ento
(Órgãos eVísceras): Aplicara moxabustão com eletroacupuntura. Observar o
nos pontos B-13 (Feishu), B-14 (Jueyinshu), contorno facial após 10 aplicações (B).
Figura 15.22 ▲
Paciente com flacidez da face e
acentuação da prega nasogeniana (A),
após 5 aplicações de eletroacupuntura
(B) e após 10 aplicações (C).

E s t r ia s C utâneas cutâneas, promovendo aumento numérico


de fibroblastos, aparecimento de neovas-
As estrias cutâneas, de aspecto linear,
cularização e normalização da sensibilidade
conseqüentes a um desequilíbrio elástico
dolorosa após algumas aplicações de ele­
localizado, aparecem pela atrofia tegu-
troacupuntura. A estimulação com corrente
m entar adquirida e apresentam distribui­
elétrica promove aparecimento de reação
ção bilateral e simétrica, m ostrando ser
inflamatória aguda e com a resolução des­
decorrentes de uma fragilidade regional.
se processo inflamatório ocorre a melhora
A causa das estrias cutâneas pode ser me­
das estrias cutâneas.
cânica, pelo estiram ento da pele devido ao
aum ento excessivo de peso corporal (esta As agulhas de acupuntura podem ser
condição pode levar à ruptura das fibras inseridas intradermicamente ao longo das
elásticas dérmicas) ou podem surgir por estrias cutâneas e podem ser estimuladas
ocasião de estirão de crescimento, sendo manual ou eletricamente.
estas, mais comuns na região lombar. A Figura 15.23 mostra um exemplo de
As alterações hormonais favorecem o estrias cutâneas atróficas, brancas e anti­
aparecimento das estrias, por exemplo, na gas. Geralmente, este tipo de estrias é de
gestação, na síndrome de Cushing, pelo difícil resolução e requer um tratamento
uso de corticosteróide sistêm ico e tópico prolongado. Quando as estrias cutâneas
e na puberdade. em que a superfície da pele não foi alterada
A eletroterapia tem mostrado resultados ainda, o tratam ento pela eletroacupuntura
im portante s no tra ta m e n to das estrias pode trazer bons resultados.
Figura 15.23 ►
Im agem ilustra áreas
da pele com estrias
cutâneas atróficas,
brancas e antigas.

As estrias parecem ficar mais evidentes os pontos m otores localizados na área


quando a pele se torna mais flácida. Por (Figura 15.24).
isso, no tra tam en to pela eletroacupun­ A Figura 15.25 mostra antes, após um
tura deve-se proceder à tonificação do dia e após uma semana de evolução do
Canal de Energia (Meridiano) das áreas tratam ento das estrias, observando-se o
relacionadas com a localização de estrias eritema e o hematoma após a manipulação
cutâneas. da agulha de acupuntura. Apesar da não
Ao mesmo tem po, pode-se fazer a ele- resolução total do hematoma, a melhora
trotonificação locorregional utilizando-se é bem evidente.

▼ Figura 15.24
A specto das estrias cutâneas
antes (A) e após o tratam ento
com a eletroacupuntura (B).
Figura 15.25
A specto das estrias cutâneas antes do
tratam ento (A), evolução de um dia (B) e
após uma semana (B) de trata m e nto com
Figura 15.26
eletroacupuntura e manipulação das agulhas
Estrias recentes da mama (A),
de acupuntura intraderm icam ente.
após tratam ento (B) com o
uso dos pontos de acupuntura
m otores utilizados para a
estética da mama.

k % ... B I

A cne podendo se prolongar por todo o período


da adolescência.
A acne é uma patologia da glândula No Su Wen (Capítulo 1) está descrito:
sebácea que acomete, preferencialmente, "Na menina de 7 anos, a emanação do
algumas regiões como a face, o pescoço, Shen (Rins) é abundante, a dentição muda,
o tórax e parte superior do dorso do tórax. os cabelos alongam-se; aos 2x7 = 14 anos,
Pode manifestar-se como comedões, pápu- a vida sexual (TianGuiJ aparece, o Vaso-
las, pústulas e hipersecreção sebácea. Concepção permeabiliza-se, o Chong Mai
O aparecim ento da acne relaciona-se desenvolve-se plenamente; e no menino
com os horm ônios do tipo andrógenos de 8 anos, a emanação do Shen (Rins)
(te s to s te ro n a , c o rtis o l) e g e ra lm e n te firma-se, a cabeleira alonga-se, a dentição
m elhora com os horm ôn io s fe m inino s muda; aos 2x8 = 16 anos, a emanação do
tipo estrógeno, por isso, o início de apa­ Shen (Rins) é abundante, aparece a vida se­
recim ento da acne ocorre na puberdade, xual, a essência se transborda e se escoa
236

Quadro 15.1. Fisiopatogenia da acne, segundo Medicina Ocidental.

Adolescência 85%
Estímulo hormonal
(andrógenos)

\
14 9 $ 16

G lân d u la
p ilo s s e b á c e a receptores

5 alfa redutase

l
acne

0 transbordam ento e o escoam ento da 5 alfa-redutase, que transforma a testos-


Essência poderiam ser a causa energética terona livre em dehidrotestosterona o qual
de aparecimento de acne. pode agir perifericamente promovendo a
Na M edicina O cidental, o te m p o de hipersecreção sebácea.
aparecimento da acne é coincidente com Os fatores emocionais, principalmente
os períodos etários citados no Su Wen, as emoções reprimidas, como raiva, revolta,
assim, nas meninas, a acne surge por volta tensão, dificuldades nos relacionamentos
dos 13 anos e, no menino, em torno dos intrapessoais e interpessoais podem cau­
15 anos de idade (Quadro 15.1). O perío­ sar a plenitude de Gan-Yang (Fígado-Yang)
do de aparecimento vai até 21 a 25 anos e afetar o Pi (Baço/Pâncreas) e o Fei (Pul­
[segundo a Medicina Tradicional Chinesa mão) perturbando as funções energéticas
corresponde à parada de emanação do de purificação, transporte e transformação
Shen (Rins)] (Quadro 15.2). e de descida desses Zang (Órgãos). Uma
O hormônio masculino tem relação com alimentação desregrada desde a infância
o Jing Shen (Essência dos Rins) e o fem i­ pode piorar o quadro. A plenitude do Gan-
nino, com o Gan Oi (Energia do Fígado). Yang (Fígado -Yang) ao enfraquecer o Pi
A acne pode aparecer por haver desequi­ (Baço/Pâncreas), promove o aparecimento
líbrio transitório entre os hormônios, pelo de Umidade em nível patológico. Esta, sob
aumento do estímulo ao nível da glândula ação do Calor, transforma-se em Umidade-
sebácea, onde existe enzima denominada Calor, que pode ascender, via Canal de
Quadro 15.2. Fisiopatogenia da acne, segundo a Medicina Tradicional Chinesa.

E stím u lo horm onal A d olescên cia

(andrógenos)
14$ c ? 16
Gan

Shen Ling Shu

Alimentação — G la n d u la
receptores Fei
p ilo s s e b á c e a —
Pi - Yang Ming

acne

Energia do Wei (Estômago), para a região turvo na parte superior do corpo que se
alta do corpo. dirige para a superfície do corpo (pele). Por
0 processo de ascensão da Umidade- outro lado, a deficiência das funções de pu­
Calor é facilitado pela deficiência da função rificação e de descida do Fei (Pulmão) lesa
de descida e de defesa (Wei Qi) do Fei (Pul­ a descida do Fogo do Xin (Coração) para a
mão), associadas, e pelo enfraquecim ento região baixa do corpo impedindo, também,
do Gan-Yang (Fígado-Yang). que a Água do Shen (Rins) (Água Orgânica)
No tórax e na face, a Umidade-Calor possa subir para esfriar a parte superior
presente no Canal de Energia do Wei (Es­ (Quadros 15.1 e 15.2). Daí, observa-se,
tômago) é o fator causai da acne destas freqüentem ente, o rosto avermelhado e
regiões. Pela comunicação existente entre ansiedade em pacientes com acne.
os pontos E-1 (Chengqi) e o B-1 (Jingming), As acnes que se localizam nas regiões
a Umidade-Calor pode acometer o Canal de da mandíbula e próximas ao pescoço são
Energia do Pangguang (Bexiga) e a acne denominadas acnes hormonais e se de­
instalar-se na região dorsal alta. vem às desarmonias energéticas do Gan
Então, pode-se dizer que a acne aparece (Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar), enquanto
em virtude da desarmonia das funções aquelas localizadas na região do mento são
energéticas de subida do puro e de descida decorrentes do acom etim ento do Shen
do turvo do Pi (Baço/Pâncreas) e do Wei (Rins) e, as periorais estão relacionadas ao
(Estômago), levando à estagnação de Yin Yang Ming e ao Gan (Fígado).
Tratamento sistêmico da acne pela Os pontos E-44 (Neiting), E-5 (Daying)
eletroacupuntura e VG-25 (Suliao) podem ser utilizados para
o tratam ento da acne do tipo rosácea, em
Em virtude de haver grande participação
que as regiões maxilares e o dorso nasal
emocional na gênese e na m anutenção
tornam-se bastante avermelhados.
da acne, os Canais de Energia Distintos
do Xin Bao Luo/Sanjiao (Circulação-Sexo/ Nas mulheres, podem ser utilizados os
Triplo Aquecedor) devem ser utilizados, Canais de Energia Curiosos Chong Mai e
estimulando-se os pontos CS-1 (Tianchi), Ren Mai e, nos homens, o Ren Mai e o
TA-16 (Tianyou) e VG-20 (Baihui). Du Mai.
Canais de Energia Distintos do Gan/Dan A Figura 15.27 m ostra um esquem a
(FígadoA/esícula Biliar), aplainadordas emo­ de tratamento da acne com acupuntura e
ções: F-5 [Ligou), VB-30 (Huantiao). Evitar eletroacupuntura. As pústulas importantes
o uso de VB-1 (Tongziliao). podem ser drenadas e, posteriormente, são
As lesões que ocorrem na face e na feitas inserções de agulhas de acupuntura
região anterior do tórax são devidas ao direcionando-as para o centro da pústula e
acom etim ento do Yang Ming, o qual deve procede-se à estimulação com eletroacu­
ser circulado com o uso dos pontos IG-4 puntura com 100 a 200Hz por 20 minutos. A
(Hegu ) e E-36 (Zusanli) e esfriar este Canal acne generalizada em regiões mais extensas
com a estimulação do ponto Água, que é pode ser tratada com pontos de acupuntura
o E-44 (Neiting). locais, com freqüência denso dispersa 2/4
por 20 minutos, unindo-se por exemplo os
Tratamento local para acne com a pontos E-7 (Xiaguan) com o E-4 (Dicang) em
acupuntura ou a eletroacupuntura: um eletrodo e unindo-se o E-3 (Juliao) com o
E-5 (Daying) em outro (Figura 15.28).
Pontos locais faciais podem ser utili­
zados para o tratam ento da maioria dos As Figuras 15.29 e 15.30 m ostram o
casos de acne, como VC-24 (Chengjiang), pré-tratamento e o resultado obtido com
M-CP-3 ( Yintang), E-3 (Juliao), E-5 (Daying), a utilização de eletroacupuntura de acne
E-6 (Jiache) eVG-26 (Renzhong). vulgar da face.
Para a acne localizada na parte lateral da As Figuras 15.31 (A e B) m ostram o
face, pode-se utilizar o Canal de Energia resultado obtido com o tratam ento pela
Curioso Du Mai e o seu acoplado, o Yang eletroacupuntura de uma forma de acne
Qiao Mai, estim ulando-se os pontos de especial denominada acne rosácea. Nes­
abertura ID-3 (Houxi) e o B-62 (Shenmai). te caso, foram utilizados os pontos IG-4
Para acne localizada na região do queixo, (Hegu), IG-11 (Quchi), E-44 (Neiting), E-36
pode-se utilizar o Canal de Energia Curioso (Zusanli) e VG-25 (Suliao).
Ren Mai e o seu acoplado Yin Qiao Mai,
estimulando-se os pontos de abertura P-7 C ic a t r iz d e A cne
(Lieque) e o R-6 (Zhaohai).
De modo geral, utilizam-se os pontos sis­ Uma das queixas mais com uns dos
têmicos, como IG-4 (Hegu), IG-11 (Quchi), pacientes portadores de acne são as mar­
F-3 (Taichong) e E-36 (Zusanli), a fim de cas de cicatrizes deixadas pela acne. Os
promover a união Alto/Baixo. tratam entos preconizados, normalmente
Além disso, deve-se regularizar o Yang recomendados, são dolorosos e com pli­
Ming e as funções de subida e de descida cados. O paciente da Figura 15.32 mostra
de Energia. cicatrizes de acne, após ter sido submetido
Acupuntura Estética & Flacidez da Pele, Estrias Cutâneas e Acne

à laserterapia; observam-se ainda as de­ as agulhas foram inseridas profundamente.


pressões deixadas pela acne. Posteriormente, o ponto E-7 (Xiaguan) foi
O paciente (Figura 15.32) foi submetido utilizado (2Hz) a fim de tonificar a pele e a
ao tratamento de eletroacupuntura fazendo- musculatura desta região; depois, fez-se o
se a dispersão na freqüência de 100Hz preenchimento e utilização de um ácido, para
sobre as depressões cutâneas, nas quais terminar o tratamento da superfície da pele.

▲ Figura 15.27
Tratamento da acne com
eletroacupuntura (ver o texto).
▲ Figura 15.28
Esquema de trata m e nto com
eletroacupuntura da acne facial. A acne
na região frontal pode ser tratada com
pontos de acupuntura da região com
freqüência denso dispersa 2/4Hz por 20
m inutos, por exem plo unindo-se o VB-14
(Yangbai) com o B-2 (Zanzhu).
Figura 15.29 ▲
Paciente com acne facial (A) e o resultado
parcial obtido com o trata m e nto de 6 aplicações
de eletroacupuntura (B) e um ano após receber
a alta (C) m ostrando que a m elhora continuou
m esm o após o cessar do tratam ento pela
eletroacupuntura.

T Figura 15.30
Paciente com acne vulgar da
face (A) e o resultado parcial
obtido com o tratam ento pela
eletroacupuntura (B).
Figura 15.31 ▲
Acne rosácea do couro cabeludo
(A) e o resultado obtido com a
eletroacupuntura (B).

▼ Figura 15.32
Paciente com cicatrizes de acne da
face (A) e o resultado obtido com o
trata m e nto por eletroacupuntura (B)
Capítulo XVI

Acupuntura & Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória da pele que


apresenta como característica principal a formação de
placas eritemato-escamosas. É uma doença de evolu­
ção crônica, com recorrências freqüentes, que aco­
m ete tanto o sexo masculino quanto o fem inino de
qualquer idade, embora haja certa predominância na
segunda e terceira décadas de vida. Parece haver dois
picos de maior prevalência, uma antes dos 30 e a ou­
tra após os 50 anos de idade.
A psoríase é uma doença dermatológica comum e
acomete cerca de 2% da população mundial. A inci­
dência é variável de acordo com a população estuda­
da e é menos freqüente em negros e orientais.
O impacto emocional desencadeado pela doença,
principalmente em formas extensas, é tão importante
quanto o aspecto emocional envolvido na gênese des­
sa doença.
Apesar de sua causa ainda não ser totalm ente es­
clarecida, a doença está associada à predisposição
genética. Um terço dos pacientes relata algum paren­
te acometido. Em gêmeos monozigóticos, há uma re­
lação de 70% , sendo que esta relação diminui para
20% quando os gêmeos são dizigóticos. A herança é
multifatorial, com diversos fatores desencadeantes.
Existem dois tipos de psoríase de acordo com os
antígenos de histocompatibilidade Cw6-B13, B17, B37
e DR7 estariam associados com psoríase de início mais
precoce e apresentam intensa associação (85,3%) com
o mesmo. A psoríase de início mais tardio estaria rela­
cionada com os antígenos de histocom patibilidade
HLA-B27, Cw2 e B17, porém com pouca associação
(14,7%).
A form a pustulosa da psoríase relaciona-se com o
HLA-B27, a pustulose palmo-plantar, ao A w 19 e Bw35,
e a psoríase artropática, ao B27 (quando existe a sa-
Dra. Maria Assunta Y. Nakano croileíte) e ao DR3 (na presença de artrite erosiva).
Capítulo XVI

Recentemente, um gene envolvido na área desnervada traum aticam ente man­


psoríase foi localizado na parte distai do tendo as lesões contralaterais, e pela exa­
crom ossom o 17, localização dos genes cerbação da doença desencadeada pelo
que regulam a parte imunológica. estresse.
O estresse é o principal fator desenca- Uma pele desnervada apresenta redução
deante descrito por vários autores. Em drástica da espessura da epiderme, e as
cerca de 39 a 80% dos pacientes o es­ células de Langerhans passam a expres­
tresse é relatado como um fator desen- sar um marcador antes específico de célu­
cadeante ou agravante das lesões da pso­ las nervosas, a ubiquitina hidrolase PGP9.5
ríase. É tão importante essa relação que (protein gene product 9.5). Tais proprieda­
alguns autores consideram a psoríase des permanecem até a regeneração das
como sendo "psicoderm atose" (ver capí­ fibras, quando a pele recupera sua espes­
tulo sobre "M obilização de Qi M ental"). sura original, e a expressão de PGP9.5 de­
Tem sido sugerido que quando o pacien­ saparece nas células de Langerhans.
te psoriático é altamente reativo ao estres­ A alteração na inervação cutânea pode
se, apresenta form as mais extensas e interferir na capacidade de cicatrização e
desfigurantes da doença. regeneração do tecido. A capacidade de
Apesar da importância da hereditarieda­ resposta à agressão externa diminui, pois
de, o fator ambiental tam bém deve ser experim entalm ente os modelos animais
considerado como desencadeante. Esses mostram diminuição significante do núme­
fa to re s a m bien ta is incluem estím u lo s ro de linfócitos e de macrófagos em feri­
emocionais agudos e crônicos. O prejuízo das, na pele desnervada. Na comunicação
psicológico induzido pela presença da entre a pele e o nervo tam bém parece
doença parece ser fator m uito importante haver um m ecanism o com p e n sa tó rio .
na manutenção da mesma. Estudos m os­ Resultados em animais m ostram que a
tram a influência negativa da psoríase na desnervação parcial, mantendo 30% das
adaptação psicossocial do paciente, prin­ fibras C, é capaz de garantir cicatrização
cipalm ente no exercício profissional, no normal. A inflamação neurogênica da pele
lazer e em práticas cotidianas, levando a ocorre pela presença de neuropeptídeos
prejuízos na qualidade de vida geral. que são liberados pelas fibras C e, em
M uitos estudos procuram mostrar ca­ m enor quantidade, pelas fibras A-delta.
racterísticas de personalidade relaciona­ Juntas, elas desempenham funções au-
das com a psoríase, mas não existe ne­ tonôm icas e de nocicepção na pele.
nhuma conclusão a respeito disso. Várias A epiderme normal divide-se a cada 13
características emocionais têm sido rela­ dias e permanece a maior parte do tem po
cionadas com pacientes psoriásicos como na fase Gl do ciclo celular. A maturação e
ansiedade, depressão, obsessão e agres­ destacamento de um novo queratinócito
sividade. demora 26 dias. Na placa de psoríase, o
Os fatores emocionais podem explicar ciclo celular é encurtado para um dia e
o desencadeamento da doença, principal­ meio, e a maturação e fase de destacamen­
mente, pela integração neuroimunoendo- to para quatro dias. A pele normal de um
crinocutâneo. Recentes estudos revelam psoriásico, também, apresenta proliferação
a inervação cutânea como um dos fatores aumentada da epiderme.
importantes no desencadeamento da pso­ Esta rápida divisão está relacionada com
ríase, seja pela simetria das lesões, seja a acentuada expressão de marcadores de
pelo relato da remissão das lesões, em maturação dos queratinócitos, semelhan­
tes àqueles observados na epiderme nor­ placas eritem ato-escam osas, form adas
mal, em reparação após uma injúria. por pequenas lesões que se confluem, são
O fator de crescim ento neural (NGF) é bem delimitadas, ovaladas ou arredonda­
um fator de crescim ento autócrino para das (Figura 16.1). Algumas lesões apresen­
queratinócitos e, tam bém , controla a sín­ tam aspectos mais eritemato-arroxeados
tese de peptídeos nas fibras C da pele. e outras, características mais rosadas. A
C eratinócitos hum anos secretam NGF, escama é bem espessa e tem aspecto
que estimula de forma autócrina a prolife­ prateado. Um aspecto semiológico impor­
ração de mais queratinócitos, sendo que tante na psoríase são o sinal da vela (na
está aumentada na pele de um psoriási- curetagem da lesão, são observadas es­
co. Também afeta diretam ente a produ­ camas brancas e nacaradas lem brando
ção dos neuropeptídeos pró-inflamatórios, curetagem da cera da vela) e o sinal do
com o substância P (SP) e peptídeo rela­ orvalho sangrante (ao se curetar, obser­
cionado ao gene da calcitonina (CGRP). va-se sangramento superficial em gotas),
Ainda não se sabe se o defeito inicial que acontece pela proliferação da papila
se encontra nos queratinócitos, fibroblas- dérmica e dilatação dos vasos sangüíne­
tos ou células endoteliais. Histologicamen- os. A intensidade da descamação, infiltra­
te é observada uma diferenciação anormal, ção e eritema variam conform e o tipo de
hiperproliferação de queratinócitos, e in­ paciente.
filtrado inflamatório. A form a de psoríase mais com um é
Os traum as cutâneos (fenôm eno de aquela em placas que acomete principal­
Koebner) com o traumas físicos, químicos m ente cotovelos, joelhos (Figura 16.2),
ou elétricos diretam ente sobre a pele po­ cabeça, região lombar e região umbilical.
dem determ inar aparecimento de lesões Em geral, a face é poupada.
em áreas sãs. A infecção é uma outra cau­ A psoríase pode manifestar-se de ma­
sa de desencadeamento da psoríase. O neira localizada ou generalizada.
Streptococo [3-hemolítico está relaciona­ A forma gutata manifesta-se por peque­
do com a psoríase gutata. O estreptoco- nas lesões disseminadas em tronco (Fi­
co tem um peptídeo M, sendo uma parte gura 16.3) e membros proximais. É a for­
dele compartilhado com queratina huma­ ma mais com um em crianças e adultos
na. Infecção por HIV mostra uma exacer­ jovens. Esta forma relaciona-se com algu­
bação da doença. mas infecções virais ou estreptocócica em
Algumas drogas com o o lítio, betablo- crianças. Em jovens, o aspecto lesional
queadores, antiinflam atórios, antimalári- pode regredir espontaneamente em pou­
cos geralm ente pioram a psoríase. A cor- cas semanas ou meses.
ticoterapia sistêmica pode a princípio levar A forma eritrodérmica, geralmente, apa­
à melhora da psoríase, porém na sua re­ rece como complicação de uma doença
tirada observa-se o aparecimento de for­ clássica. Acom ete mais de 75% da super­
mas mais graves da doença. fície do corpo e o eritem a aparece em
Outros fatores com o distúrbios hormo­ quase toda a superfície cutânea, inclusive
nais e metabólicos têm sido implicados a face; a descamação é mais fina e cor­
com a psoríase, assim com o com a inges­ responde à forma mais grave, necessitan­
tão de bebida alcoólica. do de cuidados clínicos especiais devido
A lesão de psoríase possui aspecto bas­ à presença de fadiga, dores musculares,
tante característico, poucas vezes deixan­ anemia, desidratação e deficiência de fer­
do dúvida em relação ao diagnóstico. São ro e de proteínas.
F ig u ra 16.1 F ig u ra 16 .2 T
L e sõ e s típ ic a s d e L e s õ e s e rite m a to -
p so ríase c o m le s õ e s e s c a m o s a s típ ica s
e rite m a to -e s c a m o s a s . de psoríase.
F ig u ra 16 .3 ▲ gráfica é um achado relacionado com essa
P a c ie n te c o m le s õ e s
forma de psoríase, assim como a artrite.
d e psoríase gutata
localiza das no
A artrite psoriásica é uma forma de pso­
abdom e. ríase que se agrupa na categoria das es-
pôndilo-artropatias soronegativas junto
com espondilite anquilosante, artrite rela­
Na forma pustulosa da psoríase, obser­ cionada a doença inflamatória do intesti­
vam-se pústulas estéreis, inflam ação e no e doença de Reiter, nas quais há alta
eritema. A forma localizada pode acome­ prevalência do antígeno HLA-B27, ausên­
ter a região palmoplantar e constitui o tipo cia de fator reumatóide e entesopatia.
mais com um em adultos e mulheres. Exis­ É classificado em duas formas, a forma
te uma form a rara deste tipo de psoríase distai acometendo articulações interfalan-
que acom ete as extremidades dos dedos geanas distais das mãos e dos pés, oca­
das mãos e dos pés. É denominada de sionalmente acometendo algumas articu­
acroderm atite contínua de Hallopeau e lações maiores como joelho ou cotovelo.
pode levar às alterações e à destruição das O acom etim ento da unha é mais freqüen­
unhas. te nesta forma de psoríase, podendo ser
Existe uma forma disseminada de pso­ onicólise, pitting, queratose subungueal
ríase denominada psoríase pustulosa ge­ ou linha de Beau. A outra forma é a artropa-
neralizada com conotação de doença sis­ tia axial que acomete coluna lombar su­
têmica, já que acomete outras estruturas perior e torácica inferior, podendo ocorrer
do corpo, como a mucosa. A língua geo­ fusão de vértebras.
248 Capítulo XVI

P s o r ía s e s o b o p o n t o d e v is t a d a à função energética de difusão do Fei (Pul­


M e d ic in a T r a d ic io n a l C h in e s a mão) e do Xin (Coração), a fim de alimen­
tar e aquecer todo o corpo, o que repre­
A psoríase, segundo a teoria do Yang e senta a proteção realizada pelo W ei Qi, a
do Yin da Medicina Tradicional Chinesa, energia defensiva que circula por todo o
enquadra-se na categoria de doenças de corpo. A alteração de defesa é observada
característica Yang e de Umidade-Calor por na maioria das doenças de pele.
vários motivos: por ser uma lesão mais "O Zhongjiao (Aquecedor M édioj é se­
externa; por ser uma lesão mais eritema- m elhante ã ferm entação" (Ling Shu). É a
tosa e seca na maioria das vezes; por ser ação do Pi (Baço/Pâncreas) e do Wei (Es­
uma lesão expansiva, de crescim ento ace­ tômago) na decomposição dos alimentos
lerado; e por acom eter geralmente as re­ a fim de transform á-los em nutrientes,
giões mais Yang, como o couro cabeludo separar o turvo do puro e fazer a ascen­
e a região posterior do tronco. são do puro e descida do turvo. Na pele, o
Sob o ponto de vista dos conceitos de Jin vai para parte da epiderme e o Ye, a
Cinco M ovim entos e de Zang Fu (Órgãos parte mais turva, viscosa e pesada, circu­
e Vísceras), a psoríase é uma doença que la mais profundamente. Na psoríase, exis­
acomete a epiderme e a derme. A epider­ te alteração neste sistema em que o tur­
me é regida pelo Fei (Pulmão) e a derme vo se manifesta na superfície. A derme
pelo Pi (Baço/Pâncreas). O Fei (Pulmão) [Pi (Baço/Pâncreas)] dá a sustentação e a
relaciona-se com a Alma Corpórea (Po), nutrição à epiderme [Fei (Pulmão)] e está
que é o instinto de sobrevivência, e acom­ a derme sob a influência do Pi (Baço/Pân­
panha as funções fisiológicas do corpo, creas), portanto, do Zhongjiao (Aquecedor
próximo das nossas reações autonômicas. Médio).
O sistema autonômico está intim am ente "O Xiajiao (Aquecedor InferiorJ é como
ligado às várias doenças de pele, já que um canal" (Ling Shu). Separa o puro do
os dois têm a mesma origem em briológi­ impuro e faz a expulsão dos detritos para
ca. fora do corpo pelo Pangguang (Bexiga) sob
O sistema autonômico pode ser com ­ form a de urina, e pelo Dachang (Intestino
parado com os conceitos do Sanjiao (Tri­ Grosso), sob a forma de fezes. Controla a
plo Aquecedor), já que este é o responsá­ via das Águas e, estando deficiente, pode
vel pelo m etabolism o. O Nan Jing (38a ocasionar a secura da pele. A citação do
dificuldade) diz: “ O Sanjiao (Triplo A que­ Ling Shu refere que: "D esde o Wei (Estô­
cedor) é um ramo do Qi Original (Yuan QiA mago), os líquidos descem até o Xiao-
comanda o conjunto de Qi". Na 66a difi­ chang (Intestino Delgado) e o Dachang (In­
culdade do Nan Jing está escrito: " O San­ testino Grosso). Aquele que desde o Pi
jiao (Triplo Aquecedor) é o delegado do Qi (Baço/Pâncreas), Fei (Pulmão) e o Sanjiao
Original (Yuan QiA Tem ele a função de (Triplo Aquecedor) espalha-se até a pele
fazer circular e com unicar os três Qi (Zong será eliminado pela transpiração; aquele
Qi, Ying Qi e Wei Q ij e atravessa os cinco que pela "via dos líquidos " desce ao Pang­
Zang (Órgãos) e os seis Fu (Vísceras)". guang (Bexiga) será expulso sob a forma
Isso significa que o Sanjiao (Triplo Aque­ de urina, graças ã função de transforma­
cedor) tem a função de dirigir a atividade ção (Qi FluaJ do Pangguang Qi (Bexiga) e
orgânica do corpo humano. No Ling Shu do Shen (Rins)
está dito: " O Shangjiao (Aquecedor Supe­ A psoríase assim com o os eczemas
rior) é como brum a", ou seja, corresponde enquadram-se nas afecções cutâneas pri­
márias. Existem dez fa to re s principais de trazer em suas células o código genéti­
envolvidos nas doenças cutâneas: Vento- co, traz, também, a memória de seus ante­
Calor, Deficiência de Xue (Sangue), Secu­ passados. Após o nascimento recebe o Qi
ra, Deficiência de Yin, Calor no Xue (San­ Celeste (Tian Qi) (ar), o Qi dos alimentos
gue), Estagnação de Q /e do Xue (Sangue), (Gu Qi), a influência ambiental (cultura, cren­
Umidade, Umidade-Calor, Excesso de Ca­ ças, aprendizados) e, principalmente, as
lor e Fogo Perverso. emoções geradas pelo ambiente.
Pode-se dizer que a psoríase tem como O Gan (Fígado) é o principal Zang (Ór­
principais fatores a estagnação de Q /e de gão) que é acom etido nos psoriásicos,
Xue (Sangue) devida, principalm ente, à pelo tipo de emoção e personalidade mais
alteração energética do Gan (Fígado) e do agressiva destes indivíduos, associando a
Sanjiao (Triplo Aquecedor). Outras altera­ isso, o componente do Pi (Baço/Pâncreas)
ções podem decorrer de Secura e defi­ e do Xin Bao Luo (Circulação-Sexo), já que
ciência de Yin, Umidade-Calor, no caso da remoer pensamentos obsessivos é tam ­
psoríase pustulosa, e Fogo Perverso, no bém característica destes indivíduos. A
caso da psoríase eritrodérmica. A artrite principal lesão de psoríase é uma estag­
psoriásica poderia ser conseqüente à de­ nação de Qi e de Xue (Sangue) pela de­
ficiência de Shen-Yin (Rim -Yin) com a de­ sarmonia do Gan (Fígado) e do Pi (Baço/
ficiência de Gan-Yin (Fígado-Yin) ou como Pâncreas).
conseqüência de uma deficiência mais Em resumo: A emoção acomete o Xin
importante do Gan-Yin (Fígado-Yin) acome­ Bao Luo (Circulação-Sexo) e o Gan (Fíga­
tendo o Shen-Yin (Rim-Yin). do), este o aplainador das emoções, o que
A principal causa das alterações dos ocasiona dificuldade em direcionar o Qi,
Zang Fu (Órgãos e Vísceras) seriam fato­ já que a principal função energética do Gan
res emocionais. M esm o na concepção da (Fígado) é m anter um livre fluxo de Qi: ini­
medicina ocidental, a grande maioria dos cia-se, então, o processo de adoecimen­
casos de psoríase está relacionada com o to, podendo levar à estagnação de Qi e
estado de estresse emocional, com o an­ do Xue (Sangue). O Gan (Fígado) tem o
siedade com tendência à obsessão e de­ seu Meridiano acoplado ao Canal do Xin
pressão, com certa agressividade. A M e­ Bao Luo (Circulação-Sexo) form ando o
dicina Tradicional Chinesa relaciona como Canal Unitário Jue Yin, portanto, relacio­
causas de psoríase as frustrações e a rai­ nando-se com o Sanjiao (Triplo Aquecedor)
va reprimida, além do excesso de excita­ e com os três aquecedores (Superior,
ção e pressão, nos relacionamentos pes­ Médio e Inferior).
soais. De m odo que os psoriásicos são Por outro lado, a estagnação de Qi pro­
indivíduos que apresentam personalidade veniente de distúrbios emocionais, como
que leva ao sofrim ento pelos conflitos de a raiva reprimida, além de provocar desar­
relacionamento. São indivíduos perfecci­ monia no Gan (Fígado) afeta, também, o
onistas, até obsessivos, que sofrem por Xin (Coração) e o Fei (Pulmão). A estagna­
não estar tudo perfeito e não delegam ção de Qi, com o decorrer do tempo, pode
funções, se sobrecarregando em tarefas gerar Umidade, estagnação de Xue (San­
cotidian a s e so fre n d o ansiedade pelo gue), Mucosidade, Calor ou Fogo.
m esm o motivo, além de raiva reprimida A psoríase é, geralmente, devida ao aco­
(Ver capítulo: Mobilização de Qi Mental). m etim ento, pelo Vento-Umidade ou Ven-
O ser humano recebe características to-Secura, da camada Xue (Sangue) da pele,
hereditárias (Q/ancestral, Q/materno); além bloqueando, localmente, a circulação de Qi
e de Xue (Sangue). Ao ser comprimida, a jiao (Aquecedor Médio), do Pi (Baço/Pân­
Energia Perversa (Xie Qi) transforma-se em creas) e Wei (Estômago); e o do Xiajiao
Vento-Calor, que é o fator principal de des­ (Aquecedor Inferior) do Pangguang (Bexi­
nutrição local da pele, responsável pelo ga) e do Shen (Rins).
aparecimento de psoríase. As lesões de psoríase podem ser trata­
Na clínica, distinguem-se duas formas das individualmente nos casos em que se
de psoríase: observam poucas lesões, fazendo-se o
cerceamento da lesão conform e mostra a
1. Psoríase de etiologia Vento-Umidade.
Figura 16.4.
Esta associação das Energias Perversas
Para o tratam ento de todas as formas
transforma-se em Calor, que ao aquecer
de psoríase, por haver grande componen­
o Xue (Sangue) provoca sinais clínicos de
te emocional como fator causai e na per­
Xue-Re (Sangue-Calor), ocorrendo desca-
petuação das lesões, é recomendado fa­
mações de pele em placas. A zona subja­
zer in icia lm e n te uma abordagem pela
cente é de cor rosa clara, com púrpuras
técnica de Mobilização de Qi Mental (Ver
hemorrágicas.
capitulo correspondente) e depois proce­
2. Psoríase de etiologia Vento-Secura. der ao tratam ento pelos Canais de Ener­
Neste caso, o Xie Qi transform a-se em gia Distintos e Curiosos. É de grande im­
Calor, fato este que provoca o Vento-Se- p o rtâ n c ia a re s o lu ç ã o de p ro b le m a s
cura, acomete o Fei (Pulmão) e lesa o Xue emocionais (familiares, afetivos, profissio­
(Sangue), levando à desarmonia energéti­ nais) por meio da técnica de Mobilização
ca de Xue (Sangue)-Vazio. Nesta forma, a de Qi Mental, não somente em psoríase,
psoríase manifesta-se pelo aparecimento mas em toda patologia dermatológica.
de descamações da pele, que são m eno­ Canais de Energia D istintos: os mais
res do que na do tipo Sangue-Calor. A área acometidos são os do Xin Bao Luo/San-
atingida é delimitada por pequenas placas jiao (Circulação-Sexo/Triplo Aquecedor/,
de cor esbranquiçada, enquanto a região devendo-se estimular os pontos CS-1 (77-
subjacente é de cor esbranquiçada e páli­ anchi) e TA-16 (Tianyou); os do Gan/Dan
da ou acinzentada. Às vezes, pode ocor­ (Fígado/Vesícula Biliar), devendo-se utilizar
rer a ausência total de descamação. Não os pontos F-5 (Ligou) e VB-30 (Huantiao);
é acompanhada de sintomas digestivos ou e os do Fei/Dachang (Pulm ão/Intestino
urinários. Grosso), com os pontos P-1 (Zhongfu) e
IG-18 (Futu).
Tratam ento da Psoríase pela Canais de Energia Curiosos: os mais
Acupuntura afetados são os do Yin Qiao Mai, o Chong
M ai e o Yang Qiao M ai; estimular, respec­
Deve-se, primeiramente, considerar os tivamente, os pontos R-6 (Zhaohai), BP-4
padrões de desarm onia energética dos (Gongsun) e B-62 (Shenmai).
Zang Fu (Órgãos e Vísceras) e tratá-los.
O principal padrão de desarmonia ener­ Tratam ento de psoríase de origem
gética é a estagnação de Q/e de Xue (San­ Estagnação de Qi e Xue (Sangue)
gue), tendo como principais órgãos acome­
tidos o Gan (Fígado) e o Sanjiao (Triplo Inicialmente, harmonizar o desequilíbrio
Aquecedor). O acometimento do Shangjiao energético dos Zang Fu (Órgãos e Vísce­
(Aquecedor Superior) está sob a influência ras) podendo utilizar a técnica Shu-Mo-
do Fei-Xin (Pulmão-Coraçâo); o do Zhong­ Yuan.
F ig u ra 1 6 .4 ▲ Xue (Sangue) melhorando a estagnação do
M o d o de in s e rç ã o de Xue (Sangue) e harmoniza o Wei Qi (Ener­
a g u lh a s d e a c u p u n tu ra
gia do Estômago) e o Pi Qi (Energia do
para o tra ta m e n to local
d e p so ríase localizada. Baço/Pâncreas).
BP-6 (Sanyinjiao): harmoniza o Gan Qi
(Energia do Fígado), o Wei (Estômago), o
Depois, podem ser utilizados os seguin­ Zhongjiao (Aquecedor Médio) e o Xiajiao
tes pontos de acupuntura: (Aquecedor Inferior).
CS-6 (Neiguan): move o Xue (Sangue) VC-17 (Danzhong): harmoniza a circula­
do Xin (Coração) e do Gan (Fígado) e acal­ ção do Qi, ponto auto-regulador da Ener­
ma o Shen (Mente). gia, harmoniza o Fei Qi (Energia do Pul­
C-7 (Shenmen): acalma o Shen (M en­ m ão) e o S h a n g jia o Q i (E nergia do
te), harmoniza o Xin (Coração) e o Yong Qi Aquecedor Superior) que desbloqueiam a
(Energia Nutritiva), refresca o Calor do Xue plenitude do Qi do Tórax.
(Sangue-Calor), dispersa a Mucosidade e TA-6 (Zhigou): harmoniza o Sanjiao (Tri­
fortalece o Shen (Mente). plo Aquecedor), harmoniza e difunde o Qi
F-3 (Taichong): move o Gan-Xue, acal­ e rem ove as obstruções nos Canais de
ma o Shen (Mente) e a Alma Etérea (Hun). Energia.
B-17 (Geshu): fortalece o Yin e o Xue VB-34 (Yangiingquan): promove a circu­
(Sangue), facilita a formação do Jin Ye (Lí­ lação do Gan Qi (Energia do Fígado), ativa
quido Orgânico), facilita a circulação do a circulação do Xue (Sangue) nos Canais
de Energia e dispersa o Calor excessivo Canais de Energia, elimina o Calor Perver­
do Gan (Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar). so no Yang M ing e refresca o Calor.
BP-8 (Diji): sendo o ponto Xi (Desblo­ F-8 (Ququan): ponto de tonificação do
queio) do Canal de Energia do Pi (Baço/ Canal de Energia do Gan (Fígado), harmo­
Pâncreas) pode ser utilizado para desfa­ niza e tonifica o Gan Qi (Energia do Fíga­
zer formações, inclusive as cutâneas. For­ do) e o Xue Qi (Energia do Sangue) e dis­
talece o Xue (Sangue) ao prom over a sua sipa o Yang excessivo do Gan (Fígado) e
circulação. do Canal de Energia do Gan (Fígado).
E-40 (Fenglong): drena a Mucosidade e
a Umidade, podendo ser utilizado para tra­ Tratam ento de psoríase de origem
tar todas as doenças crônicas. Um idade e Calor
B-18 (Ganshu): Shu do dorso do Gan
(Fígado) utilizado para harmonizar o Gan- B-20 (Pishu) e F-13 (Zhangmen) são,
Yang (Fígado-Yang): harmoniza e circula o respectivamente, os pontos Shu do dor­
Gan Qi (Energia do Fígado) e harmoniza o so e M o do Pi (Baço/Pâncreas). Afasta a
Xue (Sangue). Este ponto pode ser asso­ Umidade e o Calor, harmoniza o Xue (San­
ciado ao ponto M o (Alarme) do Gan (Fíga­ gue) e o Yong Qi (Nutritivo).
do), o F-14 (Qimerí), que alivia a estagna­ E-40 (Fenglong): drena a Mucosidade e
ção de Xue (Sangue). a Umidade, sendo utilizado em todas as
doenças crônicas.
BP-6 (Sanyinjiao): harmoniza o Zhong-
Tratam ento da psoríase de origem
jiao (Aquecedor Médio) e o Xiajiao (Aque­
Deficiência do Yin proveniente do cedor Inferior) e dissolve a Umidade e o
Calor do Gan (Fígado-Calor) ou do Calor.
Calor no Xue (Sangue-Calor)
TA-6 (Zhigou): harmoniza o Sanjiao (Tri­
plo Aquecedor), harmoniza e difunde o Qi
Deve-se tonificar os pontos Água, para
e remove obstruções nos Canais de Ener­
tratar a deficiência do Yin, como:
gia.
B-40 (Weizhong): refresca o Calor e o VB-34 (Yanglingquan): promove a circu­
Calor no Xue (Sangue), remove obstruções
lação do Gan Qi (Energia do Fígado), ativa
dos vasos sangüíneos.
a circulação do Xue (Sangue) nos Canais
BP-6 (Sanyinjiao): harmoniza o Zhong- de Energia e dispersa o Calor excessivo
jiao (Aquecedor Médio) e o Xiajiao (Aque­ do Gan (Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar).
cedor Inferior), harmoniza a Via das Águas, BP-9 (Yinlingquan): harmoniza a via das
harmoniza a circulação do Qi e do Xue Águas, remove a obstrução no Sanjiao (Tri­
(Sangue) e harmoniza o Gan Qi (Energia plo Aquecedor).
do Fígado).
BP-10 (Xuehai): refresca o Calor no Xue
Pontos gerais para tratam ento da
(Sangue), promove circulação do Xue (San­
psoríase
gue), harmoniza e fortalece o Xue Qi (Ener­
gia do Sangue). Associar o uso de pontos de acupuntu­
IG-4 (Hegu): ativa a circulação de Qi e ra gerais no tratam ento dos diferentes ti­
de Xue (Sangue) e libera o Calor Perverso pos de psoríase. Pontos como P-1 (Zhong-
interno para a superfície do corpo. fu), P-5 (Chize), P-7 (Lieque) e P-9 (Taiyuan)
IG-11 (Quchi): regulariza e harmoniza a do Canal Principal do Fei (Pulmão) podem
circulação de Qi e de Xue (Sangue) nos ser utilizados, de acordo com o paciente,
já que o acom etim ento ocorre ao nível de tos TA-6 (Zhigou) e VB-34 (Yanglingquan).
pele regida pelo Fei (Pulmão). Harmoniza as funções do Qi, harmoniza e
P-1 (Zhongfu): É um ponto importante faz circular o Gan Qi, dissolve a Umidade-
por ser o ponto M o do Fei (Pulmão); regu­ Calor do Gan e do Dan (Vesícula Biliar), faz
lariza e difunde o Fei Qi, tonifica o Qi An­ a limpeza do Fogo e do Calor do Gan (Fí­
cestral, elimina o Calor Perverso e faz lim­ gado).
peza no Shangjiao (Aquecedor Superior). Pelo fato de haver intensa relação da
É tam bém ponto de confluência do Canal psoríase com fatores emocionais, devem
Distinto do Fei (Pulmão). ser estimulados:
P-5 (Chize): Regulariza a Via das Águas, • Os pontos do trajeto lateral do Canal
faz circular o Qi para baixo, promove dis­ de Energia do Pangguang (Bexiga) situa­
persão do Yang excessivo do Fei (Pulmão- dos no dorso que se relacionam com o
Yang), dissipa e elimina o Calor do Fei (Pul- Jing (Essência) e emoções dos Zang cor­
mão-Calor). respondentes. Os mais importantes são:
P-7 (Lieque): É um ponto importante por B-47 (Flunmen) [Porta da Alma Etérea
ser o ponto de abertura do Canal Curioso (Fiun)]: Corresponde ao Ganshu, assenta
Ren Mai, é o ponto Luo do Canal de Ener­ e enraíza a Alma Etérea no Gan (Fígado),
gia Principal do Fei (Pulmão); faz, tam bém , fortalece a capacidade de planejamento da
descer a energia, dispersa o Yang exces­ Alma Etérea, senso de objetivo, sonhos
sivo do Fei (Pulmão-Yang) e promove cir­ de vida e projetos. É a porta, portanto, fa­
culação do Fei (Pulmão). cilita o ir e vir da Alma Etérea e da Mente,
P-9 (Taiyuan): É o ponto de tonificação isto é, o relacionamento com outras pes­
e fonte (Yuan) do Canal de Energia Princi­ soas e com o mundo em geral. Ao nível
pal do Fei (Pulmão); harmoniza o Qi em físico, este ponto é utilizado para tratamen­
tum ulto, dispersa a estagnação de Qi alo­ to de estagnação do Gan Qi (Energia do
jado no Canal de Energia, aumenta a cir­ Fígado) que agride o Fei (Pulmão).
culação de Xue no Fei e tran sfo rm a a B-49 (Yishi) ("Aposentoda Inteligência"):
Mucosidade e a Umidade-Calor. Corresponde ao Pishu, fortalece a inteligên­
TA-5 ( Waiguan): É um ponto importan­ cia, clareia a Mente (Shen), alivia a Mente
te para patologia Yang externa. É ponto de pensamentos obsessivos e remoídos
de abertura do Canal Curioso Yang Wei, que giram mentalmente em círculo. Tam­
portanto, harmoniza o Sanjiao (Triplo Aque­ bém ajuda a secar a Umidade e tonificar o
cedor), libera para o exterior as energias Fei (Pulmão) pela relação Mãe/Filho.
perversas e libera a estagnação de Qi. As Figuras 16.5 A, B e C mostram o re­
VG-14 (Dazhui): É ponto que dispersa o sultado do tratam ento de psoríase com
Yang Qi quando ocorre conflito entre o acupuntura com o esquema acima.
Yang e o Yin. Possui efeitos antiinflama- A Figura 16.6 (A) ilustra paciente com
tório, analgésico e antimicrobiano. Forta­ psoríase gutata. A Figura 16.6 (B) mostra
lece o Wei Qi (Defesa), faz circular o Yang o resultado do tratam ento da psoríase gu­
Qi, acalma o Shen (Mente), faz a limpeza tata, após 10 sessões, tendo sido obtida
do Fogo e do Calor perversos, exterioriza melhora completa desta forma de psoría­
o Calor. Este ponto pode ser utilizado em se.
toda patologia Yang com obstrução de As Figuras 16.7 e 16.8 ilustram pacien­
Energia. te com psoríase das mãos e a melhora
VG-9 (Zhiyang): É ponto indicado para o parcial das lesões com 10 sessões de acu­
tratam ento de psoríase junto com os pon­ puntura.
▲ F ig u ra s 16.5
A p s o ría s e localizada no jo e lh o
(A ) n o p ré -tra ta m e n to ; a fig u ra
B ilu stra ap ós 10 a p lic a ç õ e s de
a c u p u n tu ra ; e a C, c o m 20
a p lic a ç õ e s d e a c u p u n tu ra .

▲ F ig u ra s 16.6
P a c ie n te c o m p so ríase g u ta ta
no p ré -tra ta m e n to (A) e ap ós 10
a p lic a ç õ e s d e a c u p u n tu ra (B).
▲ F ig u ra 16.7
P a c ie n te c o m p so ríase da m ã o
d ire ita no p ré -tra ta m e n to (A ) e o
re s u lta d o parcial a p ó s 10
a p lic a ç õ e s de a c u p u n tu ra c o m
re g re s s ã o d e áreas p s o riá tic a s (B)

4 ▲ F ig u ra 16.8
P a c ie n te c o m p s o ría s e da m âo
e s q u e rd a n o p ré -tra ta m e n to (A ) e
o re s u lta d o parcial a p ó s 10
a p lic a ç õ e s de a c u p u n tu ra c o m
re g re s s ã o d e áreas p s o riá tic a s (B).
a&
Atópica

In t r o d u ç ã o

A derm atite atópica é uma doença cutânea crônica,


pruriginosa e recidivante e que se relaciona com bron­
quite e rinite alérgica, desenvolvendo um quadro clíni­
co denominado de atopia. Um conjunto de fatores de
caráter genético, imunológico, ambiental e psicológi­
co é visto como causa desta atopia. Na fase aguda da
doença cutânea, é observado um verdadeiro eczema
(eczema atópico) com exsudaçâo, prurido e escoria­
ções.
O term o eczema foi utilizado pela primeira vez no
século XIX, para designar todas as dermatoses de apa­
recim ento abrupto. O autor W illiam descreveu, em
1808, uma enfermidade cutânea que se assemelhava
a um prurigo. Desde então se descrevia uma predis­
posição para o desenvolvimento da doença, e que mais
tarde, em 1820, foi denominada de diátese por Biett,
Rayer e Bazin. Em 1844, Hebra descreveu uma doen­
ça pruriginosa de acom etim ento flexural e, em 1891,
Broca e Jaquet destacaram a natureza emocional da
enferm idade, introduzindo o term o neurodermatite.
Posteriormente, Besnier descreveu uma patologia pru­
riginosa cutânea de evolução crônica com exacerba-
ções, que veio a ser conhecida como prurigo de Bes­
nier, term o ainda utilizado atualmente na Escandinávia.
No início do século XX, foram descritas, pela pri­
meira vez, as respostas imunes; alguns autores co­
meçaram a considerar a resposta imunológica como
causa dessa dermatite, denominando-a, então, de rea­
ção imunológica anormal excessiva.
O term o atopia foi utilizado pela primeira vez em
1923 por Coca e Cook para designar a predisposição
Dra. Maria Assunta y. Nakano fam iliar em doenças como asma, febre do feno e ecze-
F/9
258 Capitulo XVII

ma. Em 1933, o term o derm atite atópica Critérios M enores: Xerose ou pele seca;
foi utilizado por Wizey Suizberger, relacio­ ictio se /q u e ra to se pilar/hiperlinealidade
nando-a com rinite alérgica e asma, para palmar; IgE sérico elevada; início precoce
diferenciar de outras afecções cutâneas das lesões; d e rm atite de mãos e pés;
eczematosas. Em 1966, Ishizaka desco­ eczema do mamilo; conjuntivite; prega de
briu fatores séricos envolvidos na atopia, Dannie-Morgan; ceratocorno; catarata sub-
que é a imunoglobulina E. Recentemen­ capsular anterior; escurecim ento peri-or-
te, em 1980, Hanifin e Rajka propõem pela bitário; palidez facial/eritema; ptiríase alba;
primeira vez o uso de critérios diagnósti­ derm atite do couro cabeludo; pregas cer-
cos para a derm atite atópica. vicais anteriores; prurido associado a su-
dorese; intolerância a lã e solventes lipídi-
E p id e m io l o g ia cos; acentuação perifolicular; intolerância
a lim entar; crises associadas a fa to re s
Epidemiologicamente, a derm atite ató­ am bientais/em ocionais; derm ografism o
pica acomete igualmente qualquer raça e branco/branqueamento retardado; fissuras
sexo. A doença inicia-se em 60% dos ca­ infra-auriculares; teste cutâneo para aler-
sos na infância, no primeiro ano de vida, e genos positivo; alteração na temperatura
86% dos casos m antêm as lesões nos dos nervos; diminuição da atividade das
primeiros 5 anos de vida. A atopia rara­ glândulas sebáceas; personalidade atópi­
mente persiste na idade adulta. A maioria ca.
dos pacientes apresenta piora nos meses Os autores preconizam que para firmar
de frio e na primavera, e a melhora ocorre o diagnóstico de Dermatite Atópica é ne­
em tem pos de clima seco e quente. cessária a presença de pelo menos três
M uitas vezes, a d e rm atite atópica é critérios maiores e três menores:
acompanhada de rinite alérgica e asma
havendo antecedentes de doença respi­ Critério M aior e único
ratória alérgica em torno de 30% dos ca­
sos; 60% dos pacientes relatam ter ante­ > Prurido
cedentes fam iliares. Apenas 20% dos
casos não apresentam qualquer tipo de Critérios menores
antecedentes pessoal ou fam iliar de ato­
pia. > História de com prom etim ento flexu­
Clinicamente, a derm atite atópica pode ral
se manifestar em sua forma clássica ou > História de asma ou febre do feno
como eczema folicular, derm atose palmo- > História de pele seca generalizada
plantar, d e rm a tite do couro cabeludo, > Início do quadro em idades precoces
eczemátide, eczema numular e líquen sim ­ > C om prom etim ento flexural visível
ples crônico.
Hanifi e Rajka propuseram os critérios A derm atite atópica do lactente ou ecze­
diagnósticos da d e rm a tite atópica que ma infantil inicia-se a partir dos 3 meses
consistem em: de idade. Caracteriza-se pelo aparecimen­
Critérios M aiores: Prurido; morfologia e to de placas cutâneas pruriginosas, erite-
distribuição características (crianças: faci­ m ato-descam ativas, que evoluem para
al e região extensora; adultos: flexural); uma form a eczem atosa com crostas e
evolução crônica e recorrente e antece­ exsudações e escoriações. Estas placas
dentes pessoais e familiares de atopia. localizam-se sim etricam ente em regiões
Acupuntura & D erm atite Atópica
Nl
•ml

maxilares, não com prom etendo as regiões tite desde nascimento, apresenta quadro
peri-orificiais. Pode acometer, posterior­ clínico em que se observam múltiplas pá-
mente, a face toda, mas o nariz é poupa­ pulas eritematosas nos troncos e nas ex­
do. Pode afetar as áreas extensoras das tremidades, prurido intenso, às vezes for­
extremidades e do tronco, sendo que, em mando placas e liqueinificações, pelo ato
casos graves, pode se generalizar, tom an­ de coçar. Nesta fase, a face é pouco aco­
do a form a eritrodérmica. Geralmente, não metida, e quando isso ocorre a localiza­
acomete o estado geral, mas se observam ção é na região malar, nos lábios, regiões
irritabilidade e insônia devido ao prurido. peri-oral e palpebral.
Após o segundo ano de vida, o quadro A Figura 17.1 mostra uma adolescente
tende a melhorar espontaneamente, mas com lesões de derm atite atópica localiza­
em 40 a 80% dos casos, o quadro torna- das nos flancos. A derm atite atópica pode
se algo diferenciado. A derm atite atópica manifestar-se sob a form a crônica, como
que se inicia após 2 anos de idade, ou a no caso de liqueinificação crônica da der­
de crianças que vêm mantendo a derma­ m atite (Figura 17.2). Ou com predominân-

4 Fig u ra 17.1
P a ciente jo v e m c o m
le sõ e s d e d e rm a tite
a tó p ica na re g iã o dos
fla n c o s m a is e v id e n te à
e sq u e rd a .

Fig u ra 17.2
L e sõ e s de
liq u e in ific a ç ã o crô nica
da d e rm a tite ató pica
localizada na prega do
c o to v e lo .
260 Capitulo XVII

F ig u ra 17 .3 ►
O b s e rv a -s e a p e le
x e ró tic a , e x tre m a m e n te
re ssecada e
h ip e rre a tiv a na
área d o o le c ra n o .

F ig u ra 1 7 .4 ►
E x e m p lo de le s õ e s de
d e rm a tite na re gião
fle x u ra l, na fo s s a
p o p líte a e s te n d e n d o -s e
para a coxa e perna.
cia de pele xerótica, extrem am ente res­ cientes e estes apresentam reações de
secada e hiper-reativa (Figura 17.3). As hipersensibilidade, do tipo imediata, para
lesões localizadas em uma prega podem uma série de fatores externos como pó­
se irradiar crân io-cau d alm en te (Figura len, ácaros, etc. Mas não explica todos os
17.4). casos de atopia, já que 20% dos pacien­
As crianças menores têm , geralmente, te s atópicos graves apresentam níveis
a c o m e tim e n to da face exten sora dos normais de IgE sérico, bem como existem
membros, como acontece nos casos de referências de derm atite atópica acompa­
derm atite atópica neonatal, enquanto as nhando quadro de imunodeficiência primá­
crianças maiores podem apresentar aco­ ria (agamaglobulinemia) e característica
m etim ento em regiões flexurais como no específica do aum ento de IgE sérico. So­
adulto (Figura 17.2). O prurido intenso tor­ m ente o IgE sérico aumentado não expli­
na a criança mais ansiosa, agressiva, hi­ ca a cronicidade da doença.
per-reativa e incansável (característica da A resposta alérgica aguda mostra padrão
personalidade com derm atite atópica). bifásico mediado por IgE, com uma fase
Em pacientes com eczem as difusos imediata em que acontece a degranulação
com teste cutâneo positivo a alimentos, dos m astócitos e uma fase tardia, carac­
observam -se desordens intestinais, em terizada por infiltrado inflamatório misto e
especial diarréia, vôm itos e regurgitações eosinófilos, neutrófilos e linfócitos, que
relacionados à ingestão de alguns tipos de posteriorm ente culmina em padrão histo-
alimentos específicos. lógico predom inantem ente de linfócitos.
A derm atite atópica do adolescente e Estes fatores fizeram com que se inves­
do adulto inicia-se após os 12 anos de ida­ tigassem mais a subpopulação linfocitária
de. Caracteriza-se por placas liqueinifica- e o padrão bifásico da expressão de cito-
das com prom etend o as faces flexoras, quinas. O infiltrado inflamatório da derma­
especialm ente as regiões antecubital e tite atópica revela um predomínio de lin­
poplitea. Podem se manifestar tam bém na fócitos T auxiliares CD4+ e uma relação
região palpebral, couro cabeludo, colo, CD4+/CD8+ aumentada de 7:1. Os linfó­
tórax, dorso das mãos e pés. citos CD4+ se diferenciam em subpopu-
A maioria dos pacientes melhora após lações TH 1 e TH2 de acordo com a sua
os 20 anos de idade, apesar de a pele capacidade para secretar as linfocinas.
manter algumas características atópicas, TH1 produzem interferon gama e interleu-
como secura generalizada e tendência a cina 2 (IL2), sendo que as células TH2 se­
irritação. Restam as derm atites palmares, cretam IL-4, IL-5, IL-6, IL-7 e o IL-13, exis­
líquen simples crônico e as desidroses. tindo um mecanismo de retro-alimentação
negativa entre ambas as subpopulações;
Fisiopatogenia da derm atite atópica assim, o interferon gama inibe a geração
de ILA e IgE. IL-1 inibe a geração de IL-2 e
As causas da d e rm a tite atópica são interferon gama.
multifatoriais. Envolvem aspectos imuno- O que se observa na dermatite atópica
lógicos, genéticos, ambientais e psicoló­ é um desequilíbrio entre TH1 e TH2, que
gicos. varia em função da cronicidade da lesão e
As primeiras hipóteses consideravam o que é expressado por um perfil de cito-
aum ento da produção de IgE sérico espe­ quinas; em estado agudo, a expressão de
cífico com o a primeira causa da derm atite IL-4 e IL-13 indica um predomínio de efei­
atópica, já que aparece em 85% dos pa­ to de células TH2, sobre as TH1, e, na fase
crônica, esta relação se inverte a favor do nofilia no sangue periférico, que se atribui
TH1. à ativação de células pluripotenciais por IL-
Estas relações de dominância entre as 5, que tem relação importante com a se­
citoquinas geram vários perfis, sendo que veridade da dermatite e com os anteceden­
o mais estudado na derm atite atópica é a tes pessoais e familiares.
relação existente entre IL-4 e interferon A atuação dos eosinófilos é avaliada pela
gama; IL-4 produzida pelos TH2 estim ula­ proteína básica maior, proteína catiônica
ria a síntese de IgE e inibiria a geração de eosinofílica e a neurotoxina derivada de
interferon gama pelos TH1, que acabaria eosinófilos, que se depositam extensa­
inibindo a produção de IgE. m ente na derme da pele lesional e se cor­
Além das alterações linfocitárias, obser­ relacionam com a atividade da enfermida­
va-se na derm atite atópica a ativação de de, contribuindo para a injúria tecidual.
mastócitos, macrófagos e células de Lan­ Os estudos mais recentes estão dire­
gerhans. As células de Langerhans estão cionados para o papel das fosfodiestera-
aumentadas na fase crônica da derm atite ses do AM Pc, com o possível causa da
atópica e funcionam com o apresentado­ derm atite atópica. Existe uma hipótese
ras de antígenos para os linfócitos. IgE se que relaciona isoformas hiperativas gene­
liga aos receptores de superfície das cé­ ticam ente determinadas de fosfodiestera-
lulas de Langerhans, macrófagos e mas­ se do AMPc, que aumentam a hidrólise
tócitos, funcionando como ponte entre os de AMPc, causando diminuição de seus
alergenos e as células T antígeno especí­ níveis intracelulares. Isso levaria a uma
fico. Como conseqüência, observa-se in­ redução de IFN-Y, com conseqüente au­
filtrado linfocitário cutâneo que promove m ento das IL-4 e a estimulação da produ­
liberação de citoquinas, induzindo a res­ ção de IgE. Com a diminuição do AMPc,
posta inflamatória conhecida na derm ati­ os m onócitos do sangue periférico geram
te atópica. Os m astócitos, aum entados níveis de PgE2 (prostaglandinas E2), e
também na fase crônica da doença, têm estas por sua vez inibem a produção de
capacidade de produzir e liberar IL-4. A sua IFN-Y que controla a estimulação não re­
degranulação interm itente leva a liberação gulada de IgE pela IL-4.
de TNF-a, que pode bloquear o crescim en­ Outro aspecto im portante na etiopato-
to dos clones TH1. genia da derm atite atópica é a relação que
O que se observa na fase aguda da doen­ existe com a bactéria S. aureus e a gravi­
ça é um infiltrado linfocitário perivascular dade da dermatite. Em 90% dos atópicos
de linfócitos T, com ocasionais monócitos- pode-se isolar a bactéria. O S. aureus se­
macrófagos e mastócitos. Já na fase tar­ creta uma toxina que atua como superan-
dia, observa-se infiltrado inflamatório mis­ tígeno sobre os linfócitos T e os macrófa­
to perivascular em que se destacam os gos, agravando e mantendo as lesões de
eosinófilos, cujo papel ainda não está bem atopia.
esclarecido, mas que parece ser o de atuar Os superantígenos desencadeiam res­
como célula efetora da fase tardia de res­ posta imune pela ativação direta de linfóci­
posta imunológica, nos pacientes expos­ tos T, liberando citoquinas e mediadores
tos repetidas vezes aos alergenos, contri­ da inflamação, e estimulam os macrófagos
buindo para a injúria tecidual mediante a epidérmicos e células de Langerhans a pro­
produção de interm ediários oxigenados duzirem as IL-1, TNF e IL-12. Isso induz a
reativos e liberação de grânulos citotóxicos. expressão de selectina E no endotélio vas­
Ao mesmo tempo, observa-se uma eosi- cular, o que perm ite um afluxo inicial de
células de memória e efetoras positivas psíquicos nas doenças de pele. Relata o
para o antígeno linfocitário cutâneo. A se­ prurido como o mais psicossomático de
creção local de IL-12 pode aumentar a ex­ todos os sintomas, e na dermatite atópi­
pressão de antígeno linfocitário cutâneo em ca, o prurido é o principal sintoma e causa
células T aumentando a recirculação de lin- da manutenção da doença. Relata a im­
fócitos T para a pele. A IL-12 secretada portância da excitação cutânea durante a
pelas células de Langerhans estimuladas infância para o crescim ento celular e tam­
pela toxina pode produzir uma retroalimen- bém para diferenciação e maturação do
tação positiva da expressão do antígeno lin­ SNC. Estudos com animais demonstram
focitário cutâneo, e influenciar no perfil de esta correlação.
células T que ainda não tenham sido ativa­ É citada a rejeição materna, a retirada
das pela toxina, o que cria efeito adicional precoce do aleitamento materno e outros
para atrair para a pele células T efetoras de tipos de rejeições como causa importan­
memória. te na derm atite atópica.
Existe a relação da derm atite atópica Obermayer, um dos pais da dermatolo­
com fatores emocionais mediada por neu- gia psicossomática, fez uma revisão dos
ropeptídeos com o a substância P, peptí­ estudos realizados por Gruber e Sanford,
deo relacionado com gene da calcitonina que mostravam que o afastam ento pre­
(CGRP), peptídeo intestinal vasoativo (VIP), coce dos bebês ao peito materno consti­
endorfinas, somatostatinas e neuropeptí- tui um evento extrem am ente traumatizan-
deos das terminações nervosas da pele. te no d e se n vo lvim e n to psicológico da
O VIP e a acetilcolina coexistem em fibras criança, gerando im portante dano à esta­
pós-ganglionares envolvidas no controle bilidade emocional.
da secreção de suor e parecem estar rela­ M uitos investigadores estudaram a psi-
cionados com o prurido característico pós- codinâmica da relação mãe-filho, muitas
sudorese do atópico, sendo a ação do VIP vezes alterada, nos atópicos. De um lado,
dependente da histam ina m astocitária. está a mãe que rejeita a criança atópica,
Esses neurotransmissores parecem esti­ recusando-se até m esm o a tocá-la, geran­
mular sinergicamente o prurido ao entrar do conseqüente raiva, ansiedade ou hos­
em contato com fibras nociceptoras sen­ tilidade dessa criança em relação à mãe.
sibilizadas na pele cronicamente inflama­ Em 1950, foi relatado que 98% das
da de um atópico. A substância P (SP) está crianças com derm atite atópica tinham
aumentada nas fibras da pele lesada de sofrido rejeição materna, em relação a
um atópico e tem papel im portante na li­ poucas crianças rejeitadas no grupo con­
beração de IL-4 e interferon gama, exer­ trole (não atópicos) (Ver capítulo Mobiliza­
cendo discreto efeito pró-inflamatório na ção de Qi Mental).
resposta de células T. O CGRP está au­ Em alguns casos, a rejeição materna
mentado nas fibras da pele lesional, en­ aparece concom itantem ente com a lesão
quanto a som atostatina desaparece das cutânea em crianças. Uma relaçáo trans­
fibras no m esmo processo. tornada pai-filho tam bém agrava as lesões
Dermatologistas im portantes do passa­ pré-existentes. Com as escoriações da
do associaram a derm atite atópica com pele, a criança torna-se e se sente feia,
fatores neuropsíquicos, sendo o term o não amável, desmerecedora do amor. As
neurodermatite derivado desta relação. escoriações modificam a ego-imagem, e
John Koo, em seu livro Psicodermato- o paciente não consegue obedecer ao
logia, descreve a importância dos fatores pedido freqüente de não escoriar.
Como relatado por Slany, crianças com D erm atite atópica, segundo a
dermatite atópica, freqüentem ente, estâo Medicina Tradicional Chinesa
em conflito com uma mãe não atenciosa,
não afetiva e inadequada. Isso resulta no A derm atite atópica, segundo a M edici­
inicio de um mecanismo psicossomático na Tradicional Chinesa, é a doença que
inconsciente que faz evoluir o processo consegue relacionar, adequadamente, o
da doença. Uma criança pequena não con­ Fei (Pulmão), a pele e o nariz, já que o
segue se defender de um conflito psíqui­ quadro atópico com pleto desta doença
co, exceto pela exclusão, o que gera ten­ consiste em lesões de pele, rinite e asma.
são interna, levando a angústia, depressão A derm atite eczematosa e a asma têm
e hostilidade. as mesmas raízes alérgicas. É, portanto,
Há uma hipótese de que na fase de afas­ uma conseqüência da deficiência congê­
tam ento da mãe a criança encontra um nita do Sistema de Defesa da Energia do
objeto substitutivo, que seria a dermatite. Fei-Shen (Pulmão-Rins).
Desta maneira, a dificuldade ou a im pos­ As causas da deficiência da Energia de
sibilidade da criança de seguir uma via Defesa Fei-Shen (Pulmão-Rins) são:
normal de desenvolvimento manifesta-se > Fraqueza hereditária constitucional,
na forma de uma doença cutânea psicos-
somática. > Problema com a mãe durante a ges­
Em geral, os atópicos experim entam tação (choque, fumo, uso de álcool e dro­
maior transtorno emocional do que os in­ gas),
divíduos norm ais. Separação dos pais, > Problema no parto como sofrim ento
doenças psiquiátricas, doenças cutâneas e indução do parto, e
são freqüentes nos históricos familiares. > Imunizações
Pacientes com derm atite atópica são mais
irritáveis, ressentidos, culpados e hostis A hiperreatividade imunológica é vista
em relação aos não atópicos. com o deficiência do Sistema de Defesa
Quando a criança cresce, surgem ou­ da Energia do Fei-Shen. O Shen (Rins) in­
tros problemas, com o a relação com os fluencia o sistema de defesa pela cone­
amigos na escola, sofrendo mais uma re­ xão do Shen-Yang (Rim-Yang) com a Ener­
jeição (medo das doenças cutâneas que gia de D efesa, assim com o pela sua
vem da época dos leprosos). Essência, que através dos vasos curiosos
Os atópicos são geralmente tensos, in­ Du Mai, Ren M ai e Chong M ai oferece
seguros, agressivos, tendo a maioria sen­ proteção parcial contra fatores patogêni­
tim ento de inferioridade, hostilidade repri­ cos externos. A relação com a medicina
mida para com os pais, hipersensibilidade ocidental seria que a origem de todas as
afetiva, instabilidade emocional, dificulda­ células imunológicas é a medula espinal,
des sexuais com tendência a masoquis- que é cuidada pelo Shen (Rins).
mo e erotism o cutâneo e nível elevado de Além disso, há um relacionamento pró­
inteligência. São geralm ente reprimidos, ximo entre a Essência (Jing) do Shen (Rins)
interiorizando os problemas, expressando e a Alma Corpórea (Po) do Fei (Pulmão). A
os conflitos emocionais e ansiedade se Alma Corpórea deriva da mãe, e surge logo
arranhando. Eventos emocionais estres- após a formação da Essência Pré-Natal do
santes diminuem o limiar cutâneo para o recém-nascido. Então, seria a manifesta­
prurido, engatilhando um processo de pru­ ção da Essência na esfera das sensações
rido e posterior inflamação na pele. e emoções. A Alma Corpórea (Po) traz a
Essência para tom ar parte dos processos gue), Secura, Deficiência de Yin, Calor no
fisiológicos do corpo. Sangue, Estagnação de G /e de Xue (San­
Zhang Jie Bin disse: "A Alma Corpórea gue), Umidade, Umidade-Calor, Excesso
pode mover-se, e fazer coisas (quando de Calor e Fogo Perverso. Destes, os mais
e stive r ativa), dor e prurido podem ser importantes para desencadear a derm ati­
sentidos". Portanto, a Alma Corpórea (Po) te atópica são o Vento-Calor, Secura, De­
está intim am ente relacionada com a pele. ficiência de Yin, Umidade-Calor e, em al­
Aqui tem -se a explicação oriental do que guns casos mais graves, o Fogo Perverso.
foi relatado na parte ocidental de somati- Tanto na medicina ocidental com o na
zação de estresse sobre a pele. As ten­ medicina oriental as emoções maternas
sões emocionais afetam a Alma Corpórea constituem fator causai dos mais impor­
(Po), o Fei (Pulmão) e a pele. tantes na derm atite atópica em criança.
A derm atite atópica de bebês pode ser Exemplo 1: MBA, 10 anos, nasceu de
explicada com o afecção do Calor tóxico parto cesariana prematuramente, menina,
proveniente do útero, que aflui à superfí­ desejada hom em no subconsciente da
cie (pele), estando, portanto, ligado à Es­ mãe, que teve que tom ar vários medica­
sência (Jing) Pré-Natal do bebê; como esta m entos para inibir o trabalho de parto pre­
está relacionada à Alm a Corpórea (Po) maturo, que iniciou na 20s semana de ges­
pode manifestar-se na pele com o prurido tação. Foi am am entada, porém aos 3
e dor, assim com o apresentar erupções meses de idade já teve que ir para o ber­
cutâneas. A asma teria, tam bém , a mes­ çário devido ao trabalho da mãe. Desen­
ma explicação, segundo a qual a deficiên­ volveu pneumonia aos 10 meses de ida­
cia da Essência (Jing) falha em enraizar a de e eczema discreto, a partir dos 5 anos,
Alma Corpórea (Po), e, conseqüentem en­ em regiões flexurais. Toda vez que sofria
te, o Fei (Pulmão). A deficiência da Ener­ rejeição dos pais, das amiguinhas ou de
gia de Defesa Fei-Shen explicaria, tam ­ outras pessoas queridas, desenvolvia a
bém, a pele mais ressecada do indivíduo "coceirinha" nos braços. A mãe foi orien­
com atopia, o que torna a pele mais irritá­ tada a mudar esta relação para uma for­
vel. Nessa situação, o Vento Perverso tem ma mais positiva e amorosa. Então um
m aior possibilidade de invadir o corpo simples beijo e carinho no local da lesão
constituindo fator patogênico principal da foram suficientes para curá-la da lesão ató­
derm atite e da penetração de alergenos pica.
desencadeantes da asma. Este é um exem plo típico de rejeição
Nas form as de acom etim ento mais tar­ m aterna, relação patológica m ãe-filha,
dio da derm atite atópica, observa-se tam ­ gerando derm atite atópica. Por mais que
bém essa deficiência da Energia de Defe­ se ache que exista um com ponente físico
sa Fei-Shen. No entanto, a etiologia seria gerando o processo, existe um quadro
excesso de trabalho, deficiência do Pi emocional oculto no processo, que é mui­
(Baço/Pâncreas) pela alimentação irregu­ to importante no agravamento e, também,
lar e alteração do Gan (Fígado) causada na cura das doenças.
pelo estresse emocional. Exemplo 2: Menino de 5 anos com der­
A psoríase assim como eczemas podem m atite atópica nas faces mediai e poste­
ser enquadrados nas afecções cutâneas rior da perna. Vinha usando muitos remé­
primárias. Existem dez fatores principais dios sem nenhum a m elhora. A mãe,
envolvidos nas doenças cutâneas, que são promotora de eventos, não tinha tempo
o Vento-Calor, Deficiência de Xue (San­ para cuidar do menino, muitas vezes fi­
cando sob os cuidados de uma babá. não existe um equilíbrio neste sistema de
Numa das consultas em que veio com a defesa.
mãe, perguntei a ela o que o menino es­ Norm alm ente, quando uma criança é
tava usando e ela não soube responder, m uito amada, m uito acariciada desde o
dizendo que quem passava os cremes era nascimento, têm boa evolução o seu cres­
a babá. Nesse m om ento, pedi à mãe que cim ento e a sua formação emocional. Já
ela mesma passasse o creme, com muito foi citada anteriorm ente a importância do
carinho, reservando um pouco de tem po toque no desenvolvimento físico e em o­
para o menino. Na mesma semana, as le­ cional de uma criança. Se isso não acon­
sões haviam desaparecido. Os crem es tecer, a partir do m om ento em que as
eram os mesmos, o que mostra mais uma defesas maternas desaparecem, a crian­
vez a importância da relação mãe e filho ça é incapaz de gerar uma defesa adequa­
no tratam ento da doença. da. Falha a Alma Corpórea (Po) em prote­
O tabagismo materno, a droga ingerida g e r co n tra as e n e rg ia s p e rv e rs a s . É
pela mãe durante a gestação, não aleita­ antagônico, mas a falta de estímulo gera
m ento m aterno e prematuridade são al­ hipersensibilidade sem controle, uma ma­
guns fatores ligados à atopia. Estes fato­ neira de se "auto-estim ular". A partir do
res podem e s ta r ta m b é m ligados de m om ento em que a criança cresce e vai
maneira indireta à rejeição materna. ganhando a consciência e a razão, apren­
A IgG é uma imunoglobulina responsá­ dendo a se manifestar, a Alma Corpórea
vel por controlar as alergias IgE dependen­ (Po) que é ligada à Essência (Jing) e à
tes. Muitas crianças já nascem com IgE matéria, sofre desenvolvimento, passan­
aumentada ao nível sangüíneo. Isso signi­ do a dar proteção mais adequada.
fica que a criança já iniciou a sua produ­ A derm atite atópica apresenta três for­
ção intra-útero. Então, pode se especular mas e fases bem distintas de acom eti­
que se, de um lado, já existisse rejeição, mento. A primeira fase vai dos três me­
não perm itindo a passagem de IgG atra­ ses de idade até os dois anos; a segunda,
vés da placenta, por outro lado, já existe vai dos dois até os 12 anos de idade; a
uma hiper-reatividade fetal gerando anti­ partir desta idade, surge uma forma adul­
corpos da hipersensibilidade. ta de derm atite atópica.
Apesar disso, a criança vai, geralmen­ Ao nascimento, o coração é o único ór­
te, apresentar as lesões clássicas da der­ gão que já nasce maduro, ou seja, o sub­
matite atópica a partir dos 3 meses de ida­ consciente está totalm ente form ado. A
de, o que faz a d ife re n c ia ç ã o com a maturação das diversas funções segue a
derm atite seborréica do recém-nascido. direção crânio-caudal. Talvez isso explique
Então, por que som ente aos três meses a localização facial tão comum na dermati­
é que aparece a m anifestação atópica? te atópica neonatal. Aos dois anos de ida­
Uma das coisas que acontece neste pe­ de, existe mudança comportamental, pela
ríodo é a separação do que é da criança e qual a criança termina a socialização ele­
do que é materno. Todos os hormônios mentar, passando de passiva e totalm ente
residuais, anticorpos como o IgG desapa­ dependente, para uma fase de relativa au­
recem do organismo da criança. Se não tonomia muscular e organização emocio­
houver a amamentação materna, vai exis­ nal e adaptativa, iniciando a sua socializa­
tir um período de 3 a 6 meses denomina­ ção dom éstica, isto é, com portando-se
do de hipogamaglobulinemia fisiológica. E como um membro da unidade familiar, su­
com a superprodução de IgE que ocorre, jeito a suas regras, rotinas e privilégios. É
também um período em que as emoções im portante tratar o prurido, a exsudação
ficam mais complexas com manifestações e a irritabilidade conseqüente ao prurido.
de medo, timidez, cólera, agressividade, Deve-se observar os padrões de desarmo­
ciúme, egoísmo, ternura e mais tarde a nia energética do Gan (Fígado) e, secun­
compaixão. Nesta fase, a dermatite atópi­ dariamente, do Pi (Baço/Pâncreas) e do Fei
ca acomete também a face, porém com (Pulmão) e estas desarmonias podem ser
menor intensidade, iniciando um processo tratadas pela técnica Shu-Mo-Yuan.
mais evidente nos braços e pernas. As lesões mais secas são decorrentes
Na fase escolar, a criança entra em con­ do Vento-Calor e as lesões mais úmidas
tanto com um novo mundo, passando a da Umidade-Calor. Neste contexto, qual­
interagir com maior intensidade com o quer ponto ou conjunto de pontos que tra­
ambiente, no qual precisa adaptar-se às te com os padrões de acom etim entos aci­
regras ditadas pela sociedade. Existe um ma pode ser utilizado.
amadurecimento do consciente e, geral­ Assim, por exemplo:
mente, a derm atite atópica melhora aos
20 anos de idade, quando a maturação do Para tratam ento do Vento-Calor
Shen (Rins) se completa. Ou seja, o indi­
víduo já consegue se proteger sozinho. A TA-6 (Zhigou) e VB-31 (Fengshi), para
Energia de Defesa Fei-Shen estará em expelir o Vento-Calor da pele,
equilíbrio com a emanação completa dos B-12 (Fengmen, " Porta do Vento"), pon­
Rins (Shen). to Shu para eliminar o Vento,
VG-14 (Dazhui), para tratar patologia de
Tratam ento da derm atite atópica pela Calor muito pronunciado,
acupuntura BP-10 (Xuehai) e BP-6 (Sanyinjiao), para
refrescar e nutrir o Xue (Sangue),
É bem evidente que no tratam ento do F-2 (Xingjian), para tratar Calor excessi­
paciente com derm atite atópica deve-se vo no Gan (Fígado) e, também, ajudar a
tratar, em primeiro lugar, a relação mãe/ expelir o Vento Perverso,
filho. Quanto mais precoce for corrigida C-8 (Shaofu), C-7 (Shenmen), CS-4 (Xi-
esta relação, tanto melhor será o desen­ merí), para tratar o prurido, e
volvim ento adequado da criança, signifi­ Zhiyangxue, ponto extra situado a 2 tsun
cando com isso que a parte mental (emo­ cranal ao IG-11 (Quchi), para tratar o pruri­
cional) da mãe deve ser tra tad a (Ver do.
capítulo Mobilização de Qi Mental).
Na m edicina ocidental, o trata m e nto Para tratar Umidade-Calor
consiste em tratar a fase aguda do ecze­
ma e a fase crônica das neurodermatites, IG-11 (Quchi), BP-9 (Yinlingquan), BP-6
que utiliza desde a corticoterapia, antibió­ (Sanyinjiao) têm a função de eliminar a
ticos tópicos e sistêm icos e imunomodu- Umidade-Calor,
ladores, até os im unossupressores, em VG-14 (Dazhui) e BP-10 (Xuehai) clarei­
alguns casos. am o Calor e refrescam o Xue (Sangue),
O tratam ento da derm atite atópica pela VC-12 (Zhongwan) e B-20 (Pishu) tonifi­
acupuntura pode ser dividido em duas eta­ cam o Pi (Baço/Pâncreas) e eliminam a
pas: Umidade e
1. Tratamento da fase com lesões ati­ P-7 (Lieque) e R-6 (Zhaohai), para tonifi­
vas da derm atite atópica, em que é muito car o sistema de Defesa do Fei-Shen Qi.
2. Durante as inter-crises de derm atite energia envolvido. Outro Canal D istinto
atópica, o tra ta m e n to pela acupuntura que deve ser estimulado é o do Gan (Fí­
deve ter a finalidade de tonificar o siste­ gado) e do Dan (Vesícula Biliar).
ma de defesa do Fei-Shen Qi, e fortalecer Os Canais Curiosos, tam bém , devem
a Essência (Jing) e a Alma Corpórea (Po). ser tratados e dentre os pontos mais im­
Para isso, podem ser usados os pontos portantes relacionados a estes Canais
B-23 (Shenshu), VC-4 (Guanyuan), B-54 destaca-se o ponto P-7 (Lieque), que é o
(Zhibian), VC-8 (Shenque), R-16 (Huan- ponto de abertura do Canal Curioso Ren
gshu), P-9 (Taiyuan) e B-13 (Feishu). M ai (Vaso-Concepção). Este Canal está
Para estimular a função de descida do diretamente ligado ao Shen (Rins) (todos
Fei Qi (Energia do Pulmão) para o Shen os Canais Curiosos veiculam o Qi Ances­
(Rins) podem ser utilizados os pontos P-7 tral). Este ponto estimula a descida do Qi
(Lieque), P-5 (Chize), VC-17 (Danzhong) e e une o Fei (Pulmão) ao Shen (Rins).
B-13 (Feishu). Outro ponto importante é o ponto TA-5
É importante lembrar que a pele de um (Waiguan), o qual é indicado para o trata­
paciente atópico está co n sta n te m e n te m ento de qualquer patologia externa. É,
seca e irritável em conseqüência da defi­ tam bém , o ponto de Abertura do Canal
ciência de Yin, seja originada pela deficiên­ Curioso Yang Wei. Também se relaciona
cia do Shen Qi (Energia dos Rins) e do Fei com o Shen (Rins), e tem efeito na parte
Qi (Energia do Pulmão), seja pelo desgas­ autonômica externa ligada às lesões de pele.
te do Yin decorrente das em oções que O B-42 (Pohu) ("Janela da Alma Corpó­
podem gerar Calor/Fogo no Gan (Fígado) rea"), associado ao B-13 (Feishu), torna-
e, por contra-dominância, secar os líqui­ se importante, pois age na Alma Corpó­
dos orgânicos (Jin Ye). Torna-se im portan­ rea (Po), enraizando-a e fortalecendo-a no
te tonificar o Gan-Yin (Fígado-Yin) usando Fei (Pulmão); acalma o Shen (Mente) e
os pontos F-8 (Ququan), VC-4 (Guanyuan) assenta a Alma Corpórea, fazendo com
e, também, o Shen-Yin (Rim-Yin) com os que o indivíduo se interiorize e se sinta
pontos R-3 (Taixi) e BP-6 (Sanyinjiao). satisfeito consigo mesmo, aumentando a
Os Canais de Energia Distintos devem auto-estima, além de nutrir o Fei-Yin (Pul­
ser tratados, principalmente, o Canal Dis­ mão- Yin), em doenças crônicas.
tinto do Xin Bao Luo (Circulação-Sexo), do Em criança com derm atite atópica e,
Sanjiao (Triplo Aquecedor), do Fei (Pulmão) tam bém , nas demais lesões de pele não
e do Da Chang (Intestino Grosso). Des­ deve ser esquecido o componente emo­
tes, o ponto P-1 (Zhongfu) é um ponto cional advindo de relacionamentos fam i­
muito importante, pois além de ser um dos liares e de colegas de escola. A criança
pontos de Confluência do Canal de Ener­ com lesões de pele é uma criança caren­
gia Distinto, é, também, o ponto M o (pon­ te e sente-se rejeitada pela família e pela
to de Alarme) do Fei (Pulmão). Ele tam ­ sociedade.
bém tonifica o Qi Ancestral, que na der­ Fazer todo o esforço para que a criança
m atite atópica representa um tip o de atópica não seja rejeitada.

"A criança atópica não pode ser rejeita­


da. O que mais ela quer é ser am ada".
Acupuntura &
Urticária, Furunculose
e Herpes Zoster
U r t ic á r ia

A urticária é uma erupção cutânea caracterizada pelo


aparecim ento de tum efações de cor rósea ou aver­
melhada, por vezes pálidas no centro e de evolução
rápida, acompanhadas de sensação de queimação e
prurido e que se assemelham às lesões provocadas
pelo contato com a planta urtiga.
Aparece no curso de diversas afecções, principal­
mente, nas intoxicações alimentares e medicamento­
sas. Na Medicina Tradicional Chinesa, a urticária é de­
n o m in a d a V e n to -U rtic á ria , por causa de seu
aparecim ento após exposição ao Vento Perverso, e
tam bém é denominada de Urticária-Oculta, devido a
suas m anifestações clínicas interm itentes.
De modo geral, distinguem-se três etiologias:
1. Infiltração e estagnação de Vento-Perverso, no
revestim ento cutâneo;
2. Acúm ulo de Calor no Wei (Estômago-Calor) e nos
Chang (Intestinos), com emanação para a pele e con­
seqüente estagnação, e
3. Alergia alimentar e medicamentosa.
A urticária caracteriza-se por apresentar erupção em
pápulas dérmicas edematosas, podendo ser volumo­
sas ou confluentes em placas, pruriginosas; ou mani­
festa-se com a sensação de queimadura nas áreas
afetadas. A localização é muito variável e as pápulas
podem dim inuir de tam anho após algumas horas e
serem substituídas por outras, que aparecem princi­
palmente na região mediai dos braços e das coxas.
Podem se associar com sintomas de dores abdomi-
Y. Nakano nais.
0 tratam ento da urticária pela acupun­ ▲ Fig u ra 18.1

tura consiste em utilizar, como pontos prin­ L e sõ e s típ ica s


d e u rticária.
cipais, pontos dos Canais de Energia do
Da Chang (Intestino Grosso) e do P i(Baço/
Pâncreas) aplicando-se a técnica de dis­ As desarmonias energéticas do Gan (Fí­
persão. Os principais pontos de acupun­ gado), do Wei (Estômago) e do Fei (Pul­
tura são: IG-11 (Quchi), IG-4 (Hegu), BP- mão) devem ser harmonizadas utilizando-
10 (Xuehai), B-17 (Geshu) e TA-10 (Tian- se da técnica Shu-Mo-Yuan, respectiva­
jing). m ente, os pontos B-18 (Ganshu), F-14
Os pontos IG-4 [Hegu) e IG-11 (Quchi) (Qimerí) e F-3 (Taichong), B-21 (Weishu),
têm a finalidade de com bater o aprisiona- VC-12 (Zhongwan) e E-42 (Chongyang), B-
mento do Vento Perverso na derme, e o 13 (Feishu), P-1 (Zhongfu) e P-9 (Taiyuan).
BP-10 (Xuehai), a de eliminar o Vento-Ca-
lor. O ponto B-17 (Geshu), ponto de reu­ F urunculo se
nião do Xue (Sangue), é específico para o
tratam ento de doenças do Xue (Sangue), A furunculose é uma inflamação circuns­
principalmente, na urticária que tem colo­ crita da pele, onde se localiza a parte pilo-
ração vermelha que se deriva da desarmo­ sebácea, caracterizada portum efação acu-
nia do Xue (Sangue). A estes pontos as­ minada, seguida da form ação de uma
socia-se o TA-10 (Tianjing), ponto Ho do pequena escara (pus e tecido necrosado).
Sanjiao (Triplo Aquecedor), pois ele tem o Por isso, a Medicina Tradicional Chinesa
poder de arejar e harmonizar a Energia denomina a furunculose de "escara acu-
desta Víscera e harmonizar o sistema ener­ minada".
gético de todo o organismo, com o objeti­ O furúnculo na Medicina Chinesa é des­
vo de liberar o Vento-Calor (preso na der­ crito como sendo uma infiltração na derme
me), combatendo, assim, a urticária. por Energia desregulada das quatro esta­
ções do ano (Xie Qi) devido a deficiência principais aqueles localizados nos Meridia­
do Fei Qi (Energia do Pulmão). Este acúmu­ nos Du M ai e Da Chang (Intestino Gros­
lo na derm e aquece-se e se transform a so), fazendo-se a sua dispersão ou a san­
em Calor/Fogo, podendo acom eter os Jing gria com agulha triangular. Os principais
Luo (Meridianos e Colaterais) e provocan­ pontos de acupuntura utilizados são o VG-
do neles a estagnação de Q ie de Xue (San­ 10 (Lingtai), o IG-4 (Hegu) e o B-40 (Weiz-
gue), fato este que pode desencadear for­ hong).
mação de Umidade-Calor, responsável A associação desses três pontos de
pelo desenvolvimento de furunculose. acupuntura tem o poder de arejar a Ener­
O furúnculo aparece, geralm ente, na gia do Yang Ming, porque na maioria dos
face ou nos membros, e se inicia com a casos a furunculose instala-se na face e
forma de grão de arroz, de cor amarelada nos membros, regiões por onde passam
ou violácea ou com a form a de vesícula os Meridianos de natureza Yang. Esta ati­
piogênica, circundada por um halo aver­ vação do Qi perm ite a purificação do Ca­
melhado, que repousa sobre uma base lor e a liberação de toxinas. O VG-10 (Ling­
elevada e dura (Figura 18.2), freqüente­ tai) é um ponto específico m uito eficaz no
m ente, acom panhada por parestesia e tratam ento de furunculose. Pertence ao
prurido. Em seguida, instalam -se sinais Du M ai (MG), Canal de Energia Curioso que
inflamatórios como calor, dor, rubor e tu- comanda todos os M eridianos Yang do
mefação, que com freqüência são acom­ corpo. A acupuntura realizada neste ponto
panhados por febre e calafrios. No caso tem a finalidade de harmonizar a Energia
de febre alta, estes sinais se associam fre­ Yang geral do organismo. O IG-4 (Hegu),
qüentem ente à inquietude, vertigens, náu­ ponto Yuan do Da Chang (Intestino Gros­
seas, vôm itos e alucinações. so), é um ponto purificador do exterior,
O tratam ento da furunculose pela acu­ pois a Energia do Yang M ing percorre, no
puntura consiste em utilizar com o pontos geral, a parte externa do corpo. O ponto
mm
272 Capítulo XVIII

B-40 (Weizhong) é o ponto Ho do Canal das ao longo de trajeto de nervos sensiti­


de Energia do Pangguang (Bexiga) e, tam ­ vos e acom panhadas por dor m ais ou
bém, o ponto Xi (desbloqueio) do Xue (San­ menos intensa. Na Medicina Tradicional
gue), tendo, por isso, o poder de purificar Chinesa, o herpes zoster está classifica­
o Xue-Re (Calor do Sangue). do no grupo das "derm atoses tóxicas".
Quando a furunculose se localiza em A causa energética do herpes zoster
áreas que se relacionam com os trajetos pode estar relacionada ao acom etim ento
dos Canais de Energia, deve-se utilizar a da camada do Xue (Sangue) pelo Calor e a
técnica long/Yuan de circulação de Ener­ compressão deste Calor no tecido conjun­
gia e acrescentar: tivo. Deve-se, tam bém , à infiltração de
* Furúnculos de face na correspondência Energia tóxica (Xie Qi) no revestim ento
do Yang Ming: Acrescentar o IG-1 (Shang- cutâneo, devido à fraqueza da W ei Qi
yang), o IG-11 (Quchi) e o E-5 (Daying). In­ (Energia de Defesa).
serir uma agulha no centro do m ento onde As emoções reprimidas (raiva, revolta,
existe um ponto Extra de ação específico mágoa, ressentim ento) e a agressão do
nas dermatoses da face (acne, furúnculos, organism o pelo Vento-Calor constituem
alergia, etc.). fatores que ocasionam a Plenitude do Gan-
* Furúnculos do dedo indicador: Acres­ Yang (Fígado-Yang) e do Gan-Re (Fígado-
centar o IG-11 (Quchi) e o IG-20 (Yingxiang). Calor), o que provoca desarmonia nas suas
funções energéticas. O Gan-Re (Fígado-
* Furúnculo da face, na correspondên­
Calor) pode agredir o Pi (Baço/Pâncreas),
cia do Shao Yang do pé (Dan - Vesícula
gerando como conseqüência a Umidade-
Biliar): Acrescentar o VB-34 ( Yangiingquan)
Calor, e ao m esm o tem po agredir, tam ­
e o VB-44 (Zuquiaoyin).
bém, o Fei (Pulmão).
* Furúnculo do 5a e 2- dedos do pé:
O Gan-Re (Fígado-Calor) e a Umidade-
Acrescentar o VB-34 (Yangiingquan) e o
Calor, pela via do Shao Yang [Dan (Vesícu­
VB-2 (Tinghui).
la Biliar)], dirigem-se para a parte externa
* Furúnculo terebrante que evolui em do corpo (pele), onde podem se manifes­
profundidade: Acrescentar o CS-8 (Lao- tar, ao nível dos nervos sensitivos perifé­
gong) e o C-7 (Shenmen). ricos, produzindo um processo inflamató-
Além disso, deve-se tonificar o Fei (Pul­ rio intenso e provocando "queim aduras"
mão) pela técnica Shu-Mo-Yuan ou sim i­ que correspondem às lesões herpéticas.
lar aplicando-se a m oxabustão no B-13 A reação cutânea é bastante intensa e al­
(Feishu) e acupuntura no P-1 (Zhonffu) e tam ente dolorosa, pelo fato de o Wei Qi
no P-9 (Taiyuan) e estim ular os pontos de (Energia de Defesa) estar deficiente, devi­
entrada e saída do W ei Qi (Energia de do ao Vazio do Fei Qi (Energia do Pulmão).
Defesa) nos pontos VC-22 (Tiantu), VC-17 O Gan-Re (Fígado-Calor) pode infiltrar-
(Danzhong), E-5 (Daying), E-30 (Qichong), se profundamente acometendo o sistema
E-36 (Zusanli). Yang M ing [Wei/Da Chang (Estômago/In­
testino Grosso)] e obstruindo a sua circu­
H erpes Z o ster lação energética e daí, ocasionar manifes­
tações de hipertemia na parte superior do
O herpes zoster é uma afecção carac­ corpo, associada a náuseas e vôm itos,
terizada pela erupção unilateral de vesícu­ estado de confusão mental, divagação e
las cutâneas de evolução rápida, agrupa­ trem ores.
Acupuntura & Urticária, Furunculose e Herpes Zoster 273

O herpes zoster pode se localizar em di­ do-se a técnica dos Canais Unitários VB-41
ferentes regiões do corpo, como cabeça, (Zulinqi) e TA-5 (Waiguan).
face, tronco e membros. Quando se locali­
* Acalmar o Shen (Mente) pelos pon­
za na cabeça e na face, é do tipo "Vento-
tos CS-6 (Neiguan), C-7 (Shenmen), VC-
Calor"; quando se localiza no membro in­
17 (Danzhong), M-CP-3 (Yintang) e VG-20
ferior, é do tipo "Umidade-Calor".
(Baihui).
O herpes zoster inicia-se com sintomas
com o aversão ao frio, hipertermia, proces­ * Utilizar os Canais de Energia Distin­
so inflamatório de cor vermelha, com ca­ tos do Xin Bao Luo/Sanjiao (Circulação-
lor local que aparece no trajeto de nervos Sexo/Triplo Aquecedor) e do Gan/Dan (Fí­
sensitivos, tendo localização variável (ca­ gado/Vesícula Biliar), respectivam ente,
beça, face, pescoço, tronco ou membros). pelos pontos CS-1 (Tianchi), TA-16 (77-
Estes sinais são, freqüentem ente, acom­ anyou) e F-5 (Ligou) e VB-20 (Huantiao).
panhados por inquietude, sede, sensação Em casos graves de dor, pode-se utili­
de corpo quente, constipação intestinal e zar a eletroacupuntura local com a técnica
urina vermelha. de analgesia, em alta freqüência.
O tratam ento do herpes zoster pela acu­ A Figura 18.3 mostra uma lesão de her­
puntura consiste em:
pes sim ples labial. Apesar de não haver
* Harmonizar o Gan (Fígado) e o Dan (Ve­ acom etim ento do trajeto neural como o
sícula Biliar) usando a técnica Shu-Mo-Yuan, Herpes Zoster e o agente etiológico dife­
fazendo-se a aplicação de moxabustão nos rir, as características clínicas são sem e­
pontos B-18 (Ganshu) e B-19 (Danshu) e lhantes com o a form ação de vesículas,
acupuntura nos pontos F-14 (Qimen) e VB- prurido, ardor e calor local.
24 (Riyue), F-3 (Taichong), VB-
41 (Zulinqi) e VB-34 (Yangling-
quarí).
* Dispersar a superfície, cir­
cular o Yang Ming, eliminar a
Umidade-Calor: \G-4(Hegu), IG-
11 (Quchi), B-40 (Weizhong),
BP-10 (Xuehai), E-40 (Feng­
long). Estes pontos têm a fina­
lidade de dispersar o Vento-Ca-
lor do Yang M ng e metabolizar
a Umidade-Calor, para purificar
o Calor e eliminar as toxinas. Os
pontos BP-10 (Xuehai) e B-40
(Weizhong) e a sangria dos pon­
tos A shi purificam e eliminam
o Calor da camada do Xue (San­
gue).
* Dispersar a superfície (pe­
le) utilizando-se o sistema Shao ▲ Fig u ra 18.3
Yang [Sanjiao/Dan (Triplo Aque­ L e s õ e s típ ic a s de
cedor/Vesícula Biliar)] e usan­ h e rp e s z o s te r labial.
▲ F ig u ra 18.5
R e c u p e ra çã o c o m p le ta da
lesão a p ó s um a sem ana,
p e rm a n e c e n d o a p enas
um a le ve d e sca m a çã o .

A acupuntura ajuda no alívio local, que


pode ser visto imediatamente após a apli­
cação da agulha, como mostram as Figu­
ras 18.4 e 18.5.
Observar na Figura 18.4 (B) a formação
de um tecido de granulação sobre a lesão,
deixando a lesão ulcerada inicial com as­
pecto mais seco. A Figura 18.4 (C) mostra
o resultado de uma aplicação de acupuntu­
ra para herpes labial, e a Figura 18.5 mos­
tra a recuperação completa após uma se­
mana.
Os casos de herpes labial costum am ter
uma evolução crônica e recidivante. Inte­
ressante neste caso é que já se passaram
dois anos após o episódio sem nenhuma
recidiva neste período.

^ F ig u ra s 1 8 .4 (A a C)
E v o lu çã o de tra ta m e n to d e
h e rp e s labial c o m um a única
ap lica çã o d e a c u p u n tu ra .
Capítulo XIX

Sinopse da Técnica
de Mobilização de
Qi Mental
A Teoria de Mobilização de Qi Mental, desenvolvida
por Yamamura (1999), considera de extrema impor­
tância a maneira como os indivíduos vivenciam os acon­
tecim entos e com o os registram em sua memória
quando convertidos em emoções. A repercussão so­
mática acontece quando as emoções são reprimidas,
ou seja, quando há um conflito entre a reação emocio­
nal e o que um indivíduo efetivam ente realiza por ha­
ver contido, cerceado e subjugado essas emoções no
plano racional. Um exemplo: ao ocorrer uma briga en­
tre um funcionário e o seu chefe, a emoção do funcio­
nário pode ser de raiva ou de revolta e o sentido que a
m ente subconsciente dá a este fato é " Quero xingar,
quero bater"-, mas esta reação natural é impedida pelo
domínio racional, pois ao m esm o tem po a mente do
funcionário elabora "Não posso, não devo, vou perder
o emprego, ele é m eu chefe". A teoria da Mobilização
de Q i Mental considera, neste exemplo, que o confli­
to de querer bater e não poder possivelm ente irá ge­
rar uma ombralgia (dor no ombro), pois o m ovimento
do bater é realizado pelo membro superior - mormen­
te o ombro. Num outro exemplo, uma paciente relata
que, ao saber da traição do marido, sua vontade foi de
"Eu quis bater e não pude": no entanto, ela reprimiu
essa vontade e, em conseqüência, houve o apareci­
m ento de dor no ombro, impedindo sua abdução.
A essência da integração mente-corpo possui um
substrato material. As mensagens vindas do meio ex­
terior, captadas por órgãos de sentido (visão, audição,
tato, paladar e olfato), e as informações provenientes
Prof. Dr. Ysao Yamamura do interior (dos órgãos internos) são interpretadas se­
Dra. Márcia Lika Yamamura gundo a memória e transformadas em reação emocio-
276 Capítulo XIX

nal. Esta, por um mecanismo de transdu- sistema límbico que participa das respos­
çâo, produz e secreta moléculas mensagei­ tas emocionais. As imagens de PET ou
ras (neuropeptídeos) e provoca respostas ressonância magnética funcional mostram
dos sistemas autonômico (em especial o aum ento de atividade na amídala encefá-
simpático), endócrino e imunológico. Estes, lica em um grupo de pessoas ao ouvirem
por sua vez, secretam diversas outras subs­ palavras de ameaça.
tâncias, como a epinefrina e o cortisol, al­ Esse processo nem sempre ocorre de
terando o funcionam ento do organismo maneira consciente, isto é, o indivíduo não
inclusive quanto aos genes, modificando a tem consciência do automatismo do domí­
expressão gênica em relação a doenças e nio do racional que o previne de situações
podendo afetar o sistema tegumentar, o futuras, como, no exemplo citado, de per­
sistema músculo-esquelético e os órgãos der o emprego, etc. No entanto, até que a
internos (Figura 19.1).
▼ F ig u ra 19.1
Estudos realizados com uso de técnica
R esp o sta do s is te m a lím b ic o fre n te aos
de imageneamento mostram que a amí- e s tím u lo s d o m e io a m b ie n te e o e ixo
dala (complexo amidalóide localizado nos H ip o tá la m o -H ip ó fis e e co m u n ic a ç ã o m e n te -
lobos tem porais) é um com ponente do c o rp o p o r m e io de m o lé c u la s m e n sa g e ira s.

Meio Ambiente

M o lé c u la s M e n s a g e ir a s

J
Corpo Físico

Sistema Tegumentar Sistema Músculo-esquelético Órgãos Internos


F ig u ra 19 .2 ▼ emoção (raiva, no caso) seja expressa, per­
E sq u e m a de re p e rc u s s ã o manece na memória subconsciente do in­
das e m o ç õ e s e m u m p ro c e s s o
divíduo o registro de "Quero bater e não
d e a d o e c im e n to , das
a lte ra ç õ e s in e s té tic a s (A e B)
posso ", perpetuando a dor e o estágio ener­
e d o e n ç a s d o s is te m a gético da doença. Estando a circulação afe­
m ú s c u lo -e s q u e lé tic o (C). tada pelo Meridiano, assim como os órgãos
N o (A ) p o d e m se internos (Zang Fu), a doença progride para
d e se n ca d e a r, ta m b é m ,
o estágio inflamatório e depois para o de­
d o e n ç a s d o s ó rg ã o s in te rn o s .
generativo, conforme ilustra a Figura 19.2.

R e p re s s ã o d a s E m o ç õ e s

Ó rg ã o s In te rn o s S is te m a m u s c u la r da fa c e M e rid ia n o s
(Z a n g Fu)