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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA – UEPB

CENTRO DE INTERAÇÃO ACADÊMICA – CIAC


CENTRO DE EDUCAÇÃO – CEDUC
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
CURSO DE LICENCIATURA EM PLENA EM HISTÓRIA
COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA MEDIEVAL
Docente: Aline Praxedes

Discente: Ewerton Rafael


Raimundo Gomes
Flávia Teles Fernandes
Costa
Maria Helena da Silva
Figueiredo

Atividade Avaliativa

Campina Grande
Abril – 2017
ATIVIDADE AVALIATIVA

1. Desenvolva um texto dissertativo sobre o processo de consolidação da Cristandade


no Medievo, assim como os elementos sócio-históricos que contribuíram para tal
evento, para tanto, estabeleça um diálogo entre os textos de Jacques Le Goff e Paul
Veyne.

Paul Veyne em seu livro "Quando Nosso Mundo Se Tornou Cristão [312/394]", no
capítulo IX, ele nos trás um cristianismo em que suas massas não aderiram a essa religião
por perseguição ou evangelização, mas sim por um conformismo e esse era ditado por
uma autoridade que eram os bispos. O autor da enfoque no nome de um personagem
principal para à expansão e propagação do cristianismo que é Constantino, que falaremos
mais a frente.

Nesse primeiro ponto, vamos falar sobre o cristianismo e seus hábitos, dogmas e sua
relação com o paganismo. Antes, as pessoas usavam de suas orações apenas para pedir o
amor de Deus e para poder ama-lo, a glorifica-lo, a agradecer e implorar por graça ou
perdão, mas com o tempo se tornou uma religião que recorria a imagens de santos
(pessoas que seguiram fielmente os passos de Deus) e mártires, se tinham relíquias com
poderes milagrosos, faziam procissões, celebrações, e tinham proibições alimentares por
determinados motivos e suas orações começaram a ter um tom não mais de agradecimento
ou glorificador mas sim de pedir auxílio e ajuda. Mostrando assim que cada vez mais os
cristãos se assemelhavam com atitudes paganistas, onde se acrescentou todo um
calendário ritualístico onde a cada época do ano se tinha uma festividade.

O cristianismo se tornou uma religião não pertencente apenas as elites mas sim
destinadas às grandes massas, onde muitas vezes eram dominadas pela ignorância, que
não sabiam ou entendiam determinados dogmas, mesmo assim eles crêem na palavra e
seguem fielmente a Santa igreja. Paul Veyne destaca também que não houve um século
cristão e era ideal que tenha havido no século IV, uma grande espiritualidade para tal fato,
mas sim houve uma zona pacífica entre cristãos e pagãos respeitando o patriotismo do
império.

O autor coloca Constantino como percursor do cristianismo no império usando-a


como ponto para a paz cívil em que a igreja acabaria com toda a crueldade então existente.
Ele trata os pagãos como seres estúpidos e irracionais, já os judeus os considerava como
abomináveis, nefastos e falsos, sendo assim só o cristão tinha o dever de adorar a Deus e
fazer parte da igreja, tanto que os imperadores cristãos seguiram numa jornada de
perseguição aos cristãos hereges ou cismáticos, com esse motivo acabaram sendo
exilados muitas vezes, existindo aí uma falsa "tolerância". Enquanto pagãos e judeus terão
certa liberdade de pensar em suas crenças.

Mesmo assim se tinha muita rigidez em relação aos judeus os limitando perante aos
convertidos ao cristianismo, principalmente porque muitas vezes as leis não são válidas
para os judeus. Essa relação de "inimizade" rolava principalmente porque os judeus não
aceitavam Cristo como o messias enviado, mas o Deus das escrituras continuava sendo o
mesmo, por tal motivo consideravam os judeus individuos piores que os pagãos
justamente por serem "traidores" de seu Deus e não acreditarem no messias enviado a
terra, toda essa perseguição fez com que os judeus fechassem cada vez mais a sua religião,
fazendo assim que apenas o povo judeu poderia adorar a seu Deus.

Constantino acreditava que ele tinha preparado o cristianismo para o mundo, fazendo-
se assim um profeta do cristianismo, onde se tinha unicamente como objetivo religioso
para a sua conversão. Justamente por isso considerava que ela era a única religião digna
de seu trono e a igreja usou disso para começar a se impor.

Para alguns pensadores Constantino não necessitava de uma religião para que fosse
respeitado e obedecido pelos seus súditos já que mesmo na época do paganismo já havia
respeito pelo imperador por patriotismo e lealdade, descartando a ideia de ideologia.

As pessoas não costumavam ver seu rei como um Deus vivo, apenas agem com
humildade para com seu soberano, respeitando-o poder do rei que é uma lei tão sagrada
como amar a Deus. A união do poder divino e soberano não modificou a relação dos
súditos com seu soberano.

Usando a pragmática linguística, os governantes falam aquilo que o povo quer ouvir,
já que o silencia é revoltando. Desqualificando a ideia de ideologia que ligada aos sofistas
gregos crendo que as atitudes humanas são resultadas dos conteúdos das mensagens, mas
como não há uma obrigatoriedade de aceitação do que se é ouvido essa ideia é quebrada,
já que a obediência a monarquia é fruto do processo de civilização que os indivíduos
inseridos em sociedade sofrem. Mas para o fim de uma ideologia é preciso antes que haja
uma sensação de prazer entre as pessoas para que os dominantes passem a dominar sem
questionamentos.

Foi através de Constantino que surgi uma pragmática que legitima a igreja, reinando
pela graça de Deus e servindo a religião. Mas seus sucessores não serão revolucionários
como ele, o imperador não fazia política através da religião mas ele servia-se dele no que
achava-se necessário, Paul Veyne mostra que o altar apoiava-se sobre o trono mais do
que ao contrário.

A religião usada como fator legitimador de um poder politico, já que no ocidente


possuem uma ligação mais ou menos estreita, só que a religiosidade tinha graus em
diferentes funções, já que cada pessoa tem sua própria função de ter boas relações com o
céu, pois desde Constantino o poder deve servi a religião.

Para os imperadores pagãos, a religião era indiferente para o seu reinado, adorar em
Deus que lhe rendia gloria sem obrigar aos demais era seus feitos. Porém o Cristianismo
exige praticas diferentes onde Deus e o imperador são personagens distintos através dos
dogmas e ortodoxias, dando a Deus e o que era de Deus e a César o que é de César.

Já de acordo com Jacques Le Goff em seu livro "Parte I - Do mundo antigo à


Cristandade medieval", no capítulo III, ele aborda como forma evidente do
desenvolvimento da cristandade primeiramente à reconstrução dos edifícios das Igrejas
sobre iniciativa da Itália e da Gália, onde tal reforma ocorreu em toda a sede episcopal e
permitiu uma procura por trabalhadores, gerando assim economia. A necessidade de
construir ou reformar igrejas, fez com que ocorresse a produção de ferramentas e
utensílios básicos. Com isso, tal acontecimento repercutiu num forte crescimento
demográfico, que foi decisivo para a expansão da cristandade, igualmente pela
pacificação devido o fim das invasões e a instauração da Paz de Deus, que fez reduzir a
insegurança.

Outro fator importante para a expansão da cristandade, foi o crescimento do trabalho


agrícola, através da “Revolução Agrícola”, que também foi percursor do impulso
demográfico. O ponto inicial do impulso deve ser procurado pelo lado da terra, que depois
da revolução, acarretou um certo melhoramento de seus métodos de cultivo pelos
trabalhadores camponeses, como o aumento de ferro nas ferramentas, charrua
dissimétrica de rodas e aiveca. Tais métodos permitiram o aumento dos rendimentos, a
variedade de produção, a alimentação.

Ainda na perspectiva de expansão da cristandade, os cristões começam a organizar


grandes expedições, conseguindo converter e atrair povos para o cristianismo através do
seu poder. A partir de tais acontecimentos, surgem migrações importantes, como a
colonização Alemã ao leste, que contribuiu para abrir novas regiões, para desenvolver e
assim transformar a rede urbana. Conforme o autor, a reconquista espanhola trouxe algo
novo ou desconhecido, chamada de “guerra religiosa”, que por sua vez preparava o
caminho para a realidade militar e espiritual da Cruzada. Dessa maneira, as Cruzadas
tratavam-se da expansão externa, enquanto o processo de desmatamento para a conquista
de novos territórios e a fundação de novas aldeias, tratavam-se da expansão interna.

Já as cidades na Alta Idade Média, eram centros administrativos, políticos e militares,


em segundo plano, um centro econômico. A religião Cristã era urbana, e por isso
sustentou a continuidade urbana no Ocidente, no qual a função econômica é baseada na
agricultura de subsistência, e privilegiou o despertar comercial com relação ao impulso
agrícola. Para as cidades existirem era preciso um meio rural favorável, no qual a medida
que se desenvolviam, cresciam também a demanda de suas exigências em relação ao
entorno agrário.

Em relação a renovação comercial, explica-se que antes do século XIII, as cidades


utilizavam o sistema de trocas de mercadorias e havia pouco comércio entre si, no qual a
venda e troca dos produtos eram postas nas feiras de Champagne, pois eram seu principal
foco. Porém, já no século XIII, as cidades comerciais usavam rotas navais e ocorre o
progresso da economia monetária. Tal renovação comercial com pontos comerciais
distantes, completava assim a expansão da Cristandade medieval.

Como marca urbana, há também o processo intelectual e artístico do medievo, cuja as


artes e a intelectualidade no século XI, eram influenciadas pelo modelo monárquico, e,
apenas posteriormente no século XII, as escolas se tornaram independentes, reinando
assim também instituições novas como as faculdades. A arte romântica se torna gótico e
de predominância urbana, no qual há a ornamentação das catedrais e dos vitrais com
temas religiosos, já que a maioria da população não sabia ler. Há também a produção
artística no campo, porém é encontrada com recursos escassos.

A igreja tem um papel de enorme importância na expansão da cristandade e na


economia medieval, principalmente nos séculos XI e XII, com a ausência de
investimentos, que propõe a igreja a engajar um desenvolvimento econômico com base
no trabalho-castigo, que confere um valor de salvação para os fiéis, fornecendo também
palavras de ordem espiritual que a sociedade precisa. Com isso, surge diversas ordens
religiosas com bases ligadas diretamente aos franciscanos e aos dominicanos, que adotam
a mendicância como virtude de pureza. Há também como forma de frear a evolução
intelectual, a tentativa da igreja de adaptar a fé ao pensamento platônico: a Escolástica.
Para conter as heresias de povos, por exemplo italianos e eruditas, a igreja reage
rapidamente e intensamente contra tais práticas, através das fogueiras, guerras e mais
tarde, da Inquisição.

Nessa perspectiva, as heresias contestavam a estrutura da sociedade da qual era


constituída: o feudalismo. Tal estrutura social consistia, no século X, pelo tratado
vessálico verbal de fidelidade, onde a concessão do feudo era feita em uma cerimônia
chamada investidura. O vassalo e seu senhor unem-se pelo contrato de vassalagem, no
qual o vassalo tinha incumbências administrativas, de justiça e de formar um exército a
serviço do suserano. O centro de tal organização feudal é o castelo, onde passa a absorver
todos os poderes, como o judiciário, político e econômico. De acordo com Marc Bloch,
existiu duas “eras feudais”, na qual eram divididas a primeira no espaço rural com trocas
fracas, moedas raras e o salário inexistente ou baixíssimo. A segunda “era”, seria o
resultado de todos os desmatamentos de expansão, da renovação do comércio, do
crescimento da economia monetária e da relação entre o comerciante sobre o seu
produtor. Porém, ocorrer no século X, alguns acontecimentos que acarreta a crise do
feudalismo, e um deles é o surgimento da burguesia, nova classe social que dominava o
comércio e que possuía alto poder econômico, na qual esta classe social foi, aos poucos,
tirando o poder dos senhores feudais.

Em suma, no apogeu da Cristandade Medieval, ela começa a enfrentar uma crise onde
terá que se transformar profundamente, de tal modo que terá que substituir o feudalismo,
que mesmo ainda exercendo grande força econômica e social, está entrando cada vez mais
em declínio. Com isso, para suprir a organização do espaço, um meio de unificação de
extensões começa a se impor, que é o dos estados territoriais, sob sua forma demográfica.
Já existente no território da Palestina o Cristianismo foi trazido para a Europa
Ocidental por Paulo de Tarso, com crescimento gradativo lento foi sendo difundido pela
Europa marcado por perseguições e uma história de poder e influência em um período
que ficou marcado como idade média ou como é mais conhecido como ¨Idade das
Trevas¨.

Oficializada como Religião pela conversão de Constantino, o cristianismo viveu seu


auge influenciando a política, economia, sociedade, cultura e religião, mas na virada do
século XIII para o XIV, o Cristianismo perde forças se detém e recua, greves, rebeliões
urbanas, queda no crescimento demográfico e as crises que se espalha com grande
magnitudes nos setores da economia como o bancário, da indústria têxtil, da construção
e no meio rural enfraqueceram o Cristianismo já que se apoiava nos impostos e na
produção rural da grande quantidade de terras que ela detinha.

BIBLIOGRAFIA

LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Tradução de Mônica Stahel.


Rio de Janeiro: Vozes, 2016.

NATIONAL GEOGRAPHIC PORTUGAL, A revolução da técnica agrícola medieval.


Disponível em: <https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/1598-a-revolucao-da-
tecnica-agricola-medieval?showall=&start=1>. Acesso em: 04 de abril de 2018.

SOUSA, Rainer. Igreja na Idade Média. Disponível em:


<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/igreja-na-idade-media.htm>.
Acesso em: 04 de abril de 2018.

VEYNE, Paul. Capítulo IX-X. In: Quando nosso mundo se tornou cristão. Tradução
de Marcos de Castro. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2011.