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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA – UEPB

CENTRO DE INTERAÇÃO ACADÊMICA – CIAC


CENTRO DE EDUCAÇÃO – CEDUC
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
CURSO DE LICENCIATURA EM PLENA EM HISTÓRIA
COMPONENTE CURRICULAR: TEORIA 1
Docente: Roberto Silva Muniz

Discente: Flávia Teles


Fernandes Costa

Resenha

Campina Grande

Abril – 2017
1. Resenha sobre os textos: Charles Seignobos, Fustel de Coulanges e Gabriel
Monod.

Levando em consideração os estudos sobre a escola metódica no


decorrer dos anos, pode-se considerar que tal método tem como principal
objetivo o conhecimento da história restrito apenas através de documentos, tais
estes escritos, que tinham como finalidade obter a imparcialidade e a
objetividade diante das pesquisas históricas. Diante disso, “escola metódica”, -
também conhecida como “positivista”, nacionalista e mentalmente pedagógica
até recentemente – dominou a produção historiográfica existente na França
entre 1880 e 1930, o que fez com que houvesse a ignorância a respeito de sua
própria construção e o foco fosse voltado para a objetividade da história.

Tendo em vista que a escola metódica foi considerada nacionalista, tal


método de pesquisa ousou em transformar a história em um instrumento de uma
educação cívica, através de um discurso ideológico afim de obter a realização
de metas de uma comunidade nacional. Com isso, Gabriel Monod, Charles-
Victor Langlois e Charles Seignobos, afastou cada vez mais o estudo histórico
de toda especulação voltada ao campo filosófico, e isto visava uma objetividade
absoluta. A escola metódica tem o seu primeiro grande manifesto que se
encontra na Revue Historique, fundada por Gabriel Monod, que busca a verdade
e a imparcialidade através da sua admiração pela história profissional e erudita
alemã.

Em relação aos estudos históricos franceses, inspirado na filosofia de


Auguste Comte, que exprime as preocupações do presente, levando em vista o
trabalho histórico como noção para o progresso do gênero humano através do
tempo. Segundo o historiador francês Charles Seignobos, um grande prejuízo
para a história foi ter sido um gênero oratório, já que tal perspectiva é
considerada diferente da realidade, desviando o foco do objeto e enfraquecendo
o esforço na compreensão das relações.

Nessa perspectiva, na obra Introdução aos estudos históricos, de Langlois


e Seignobos, é exposto a pesquisa das fontes e as críticas voltadas para elas,
que seriam então a crítica externa – determinaria a autenticidade dos
documentos – e a crítica interna que visava estabelecer a compreensão do
documento investigado em sua totalidade e minuciosidade. A história para esses
dois historiadores segue acontecimentos inevitáveis diversas vezes sem que
possam obter o controle total disso, então são vistos como encadeamentos de
acidentes históricos.

Tendo em vista a ausência de documentos, para Prost, o historiador tem


de utilizar a imaginação e isto portanto vai nega as teses atribuídas segundo
Seignobos de que a história é uma ciência objetiva. Com base no pensamento
de Seignobos sobre isso, ele afirma que a ciência social não é sobre os objetos
reais estudados e sim sobre as representações que ele tem sobre esses objetos
através da imaginação obrigatória dos objetos e homens que compõe o estudo.

Na perspectiva da história com base em Seignobos, a primeira crítica a


ele provém do sociólogo François Simiand, que denuncia os “três ídolos da tribo
dos historiadores”: o ídolo político, o ídolo cronológico e o ídolo individual. O
primeiro consiste na preocupação da história dos fatos políticos como guerras,
etc. Já o segundo, consiste em se perder nos estudos de origem, e por último o
terceiro ídolo, é caracterizado de conceber a história como a história de
indivíduos e não como uma história de fatos. Outra crítica a Seignobos, provém
de Lucien Febvre, que o transforma em uma caricatura de anti-historiador, um
exemplo a não ser seguido diante do trabalho como historiador.

Num contexto de visão dos Annales, a história metódica deveria romper


com o rótulo de nacional, e sim se atrelar ao meio social, combatendo a história
política defendida por Seignobos, que era a favor do poder do Estado por
republicano. Tal sentido da palavra social, vem de acordo com os estudos das
ciências sociais que estudam os fatos que acontecem na sociedade, como os
costumes humanos de todos os gêneros, a arte, moral, filosofia, entre outros, e
também as instituições políticas e econômicas que existem. Diante disso, só é
possível a obtenção dos estudos sociais por meio de um método histórico, e com
isso é preciso colocar os métodos históricos primeiro entre os estudos das
ciências sociais para obter e interpretar os documentos que são necessários
para o conhecimento social e histórico.
Na perspectiva de Fustel de Coulanges, historiador francês que é o autor
da grande obra A cidade antiga, levaremos em consideração sua trajetória
intelectual de grande importância, tendo em vista a investigação do passado
através das fontes antigas e nos arquivos históricos, ele também chegou a
conclusão de que a história não poderia ser levada como arte e sim como uma
ciência a ser estudada, segundo ele pelo pensamento metódico.

Em relação a historiografia que decorre do século XIX, no qual se


encontrava a obra de Fustel de Coulanges, era inserida num movimento
intelectual de bastante importância e influência crítica, conhecida como
Iluminismo, onde o próprio conceito de história não fica imune a essa época.
Diante disso, a revolução metodológica consiste na “era dos antiquários”, que
apresentam os movimentos narrativos e normativos, problemas teóricos,
distinção e interpretação de fatos.

Fazendo um paralelo entre Tucídides e Heródoto, cujo o primeiro consiste


numa narrativa histórica de apresentar os fatos sem os julgar, ele coloca tudo
sobre os olhos do leitor. Já na perspectiva de Heródoto, este narra
detalhadamente a história porém com interferências do próprio Heródoto. A
capacidade de narrativa tucidiana e a valorização deve ser colocada em pauta,
mas também deve-se ter cuidado para não introduzir o romance na história,
segundo o abate de Mably, caso contrário, tal acontecimento se assemelhará ao
pensamento histórico de Michelet, que pesquisava a história através de suas
paixões, e era bastante criticado. Porém, para Fustel de Coulanges, e outros
escritores como Gabriel Monod, Langlois e Charles Seignobos, acreditavam que
a história deveria ser consolidada através da objetividade e neutralidade, tendo
a definição de uma história científica, através do levantamento exaustivo de
fontes e do texto objetivo.

Diante do século XIX, a historiografia depara-se com o romantismo


histórico no qual esse movimento fica conhecido como narrativistas, para obter
a pesquisa das origens, e ter cada uma a sua história posta em seu devido lugar
de pertencimento original. Opostos aos narrativistas, são encontrados os
trabalhos dos historiadores considerados críticos e herdeiros da ideia de história
em graus de cientificidade.
No que se trata da história como ciência, Coulanges se reivindica para
obter o modo categórico, no que consiste na maior concentração dos estudos da
história. Ele gostaria que entendessem que a história não fosse tratada como um
passatempo ou como algo sem importância, mas sim como uma ciência
necessária para nos conhecermos e sermos cientes de nossa memória
existente. Segundo ele, a principal função e habilidade do historiador, advém da
retirada de informações provenientes de documentos históricos tudo aquilo que
venha a acrescentar. Para a obtenção pura de um passado, é preciso negar o
presente e por meio disso o historiador poderá aperfeiçoar seu método de
pesquisa sobre o passado. Diante disso, entende-se nessa perspectiva, que o
melhor historiador é aquele que consegue se desligar de suas opiniões pessoais,
tornando-se um ser neutro sobre determinado acontecimento histórico e em
relação ao seu próprio tempo.

Em suma, a visão de Coulanges é concluída através do esforço que o


mesmo teve de consolidar a história como uma ciência a ser estudada, no qual
ele apesar de passar incessantes anos buscando tal cientificidade, não o privou
de ter posições políticas, tendo em vista que sua obra tenha sido usada para fins
políticos. Pois, diante disso, é possível notar que a historiografia militante visa a
história na construção de um futuro, levando em consideração um ponto de vista
nacional.

Segundo a trajetória intelectual do historiador francês, Gabriel Monod, que


foi responsável pela revista Revue Historique, fundada em 1876 na França, que
com isso a história científica alemã conta com duas fontes principais de
divulgação. Tal publicação, pode-se dizer, foi a fundadora da história cientifica
na França e se posicionava como neutra, imparcial, focada na ciência positiva e
totalmente avessa às teorias políticas e filosóficas. Em segundo lugar, e como
divulgador do método histórico positivista alemão na França, tivemos o manual
de Langlois e Seignobos, Introduction aux études historiques, de 1898.

Gabriel Monod, foi criticado por Fustel de Coulanges, porém também


defendia uma história científica e objetiva. A receita poderia ser encontrada na
adoção de uma metodologia específica. Conforme resume Teresa Malatian: “Um
método baseado na concepção da história como ciência positiva, conhecimento
fundamentado em documentos a serem criticamente analisados, para que do
crivo da crítica surgisse a verdade sob a forma de fato histórico” (MALATIAN
2010, p. 326). O texto selecionado denomina-se “Do progresso dos estudos
históricos na França desde o século XVI” e inaugura a Revue historique. Monod,
no encerramento de seu manifesto, aponta, então, o escopo do trabalho histórico
através de uma maneira secreta e segura para a grandeza da pátria e, ao mesmo
tempo, para o progresso dos humanos, sem se opor a outro objetivo e finalidade
da verdade.

De forma geral e visando concluir essa linha de pensamento focado no


“positivismo”, podemos comparar o mesmo à organização de um museu. No
museu, os objetos de valor histórico são resgatados, recuperado e expostos à
visitação pública, com uma ficha contendo seus dados. O observado posta-se
diante de uma ‘coisa que fala por si’. Deste modo, também, procederia os
historiadores metódicos, como Gabriel Monod, Charles Seignobos e Fustel de
Coulanges, através dos documentos, reconstituiriam descritivamente, ‘tal como
se passou’, o fato do passado que, uma vez reconstituído, se tornaria uma ‘coisa
que fala por si’.