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Exame de Ordem
Apostila de Direito Ambiental
Profa. Simone Carneiro

I) CONCEITO: “O Direito Ambiental é a ciência jurídica que estuda, analisa e


discute questões e os problemas ambientais e sua relação com o ser humano,
tendo por finalidade a proteção do meio ambiente e a melhoria da vida no
planeta”.(Luis Paulo Sirviskas)

O Direito ambiental vem adaptando-se a nova realidade sócio-político-


econômica do século XXI, onde não é mais possível pensar num direito individual,
mas coorporativo e coletivo.
Portanto este direito tutela valores coletivos como a água, ar atmosférico, controle
de propaganda enganosa e saúde pública.

II) Princípios do Direito Ambiental:

1o ) Princípio do Direito Humano:


-
- Decorrente do 1o Princípio da Declaração de Estocolmo (1972):
“Os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o
desenvolvimento sustentável. Tem direito a uma vida saudável e produtiva em
harmonia com o meio ambiente”.

Fundamento legal:
Art. 5o, 6o e 225 da CF/88 e art. 2o da Lei 6.938/81.

2o ) Princípio Democrático:
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Assegura ao cidadão a possibilidade de participação nas políticas públicas


ambientais em três esferas: Legislativa; Administrativa, Processual.

Fundamento Legal:
Legislativa:
Art. 14, I da CF – Plebiscito;
Art. 14, II da CF – Referendo;
Art. 14, III da CF - Iniciativa Popular;
Administrativa:
Art. 5o, XXXIII da CF - Direito de Informação;
Art. 5o, XXXIV da CF – Direito de Petição;
Art. 225, IV da CF – EPIA (Estudo Prévio de Impacto Ambiental);
Processual:
Art. 129, III da CF – Ação Civil Pública;
Art. 5o, LXXIII da CF – Ação Popular;
Art. 5o, LXX da CF – Mandado de Segurança Coletivo;
Art. 5o, LXXI da CF Mandado de Injunção;
Art. 37, §4o da CF - Ação Civil de Responsabilidade por improbidade
administrativa;
Art. 103 da CF – Ação Direta de Inconstitucionalidade.

3o ) Princípio da Prevenção (Precaução ou Cautela)


Decorre do Princípio 15 da Declaração da Rio-92

“De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser


amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando
houver ameaça de danos sérios e irreversíveis, a ausência de absoluta certeza
científica não deve ser utilizada como razão pra postergar medidas eficazes e
economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental”.

Considerações pertinentes ao princípio da Cautela:


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Este princípio preceitua aspectos fundamentais relativos ao Direto


Ambiental e a Saúde Pública, no que tange à consciência ecológica e, portanto
está intrinsecamente ligado à idéia da Educação Ambiental, que indica um
mecanismo preventivo de futuras atividades que possam causar danos ao meio
ambiente e diretamente ao homem.
A lei 6.938 coloca ainda medidas mitigadoras que são valiosos instrumentos
da Política nacional de Meio Ambiente, como o Estudo de Impacto ambiental e o
Relatório de Impacto Ambiental e seus trâmites.

4o ) Princípio do Equilíbrio:
“Através deste princípio devem ser pesados todos os impactos que uma
intervenção no meio ambiente pode causar, buscando-se adotar a melhor solução
na relação custo benefício”.

5o ) Princípio do Limite:

“É o princípio pelo qual a Administração pública tem o dever de fixar parâmetros


para as emissões de partículas, de ruídos e de presença de corpos estranhos no
meio ambiente, levando em conta a proteção da vida e do próprio meio
ambiente.”.

Fundamento legal:
Art. 225, §1o da CF.

6o ) Princípio da responsabilidade:

“É o princípio pelo qual o poluidor, da maneira mais ampla possível, responderá


por suas ações ou omissões que prejudiquem o meio ambiente, de forma que se
possa promover a recuperação da área degradada independente das sanções
administrativas e criminais”.
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Fundamento legal:
§3o do Artigo 225 CF/88

7o ) Princípio do Poluidor- Pagador:


- Decorre do Princípio 16 da Declaração do Rio de Janeiro/ 1992.
“As autoridades nacionais devem assegurar as internalização dos custos
ambientais e o uso de instrumentos econômicos, levando em conta o critério de
que quem contamina deve, em princípio, arcar com os custos da contaminação,
levando-se em conta o interesse público e sem distorcer o comércio e os
investimentos internacionais”.
Vê-se, pois que o poluidor deverá arcar com o prejuízo causado ao meio ambiente
da forma mais ampla possível. Impera em nosso sistema, a responsabilidade
objetiva, ou seja, basta a comprovação do dano ao meio ambiente, a autoria e o
nexo causal, independentemente da existência da culpa.

Fundamento legal:
Arts. 225, §3o, da CF e 14 § 1o da lei 6.938/81.

Considerações pertinentes ao princípio da responsabilidade e do poluidor


pagador:

A Constituição Federal tutela o meio ambiente administrativa, civil e


penalmente (art. 225§3o CF), tanto pessoa física como jurídica, logo temos
responsabilidade: administrativa, civil e penal. Essas as responsabilidades estão
ligadas ao conceito da antijuridicidade, praticada, que seguem os critérios do
reconhecimento do objeto tutelado, do órgão competente e a respectiva sanção.
Logo quando tratamos de sanção administrativa o objeto tutelado é de
interesse da sociedade, diante de uma sanção civil o objeto é de interesse
patrimonial e quando se trata de limitação de liberdade será penal.
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III) Legislação Ambiental Atual

Legislação Ambiental

Normas constitucionais Ambientais são Classificadas em:

A) Regras Constitucionais específicas: CF, art. 225 (norma matriz ou norma


princípio) §1o inc. I, II, III, IV,V, VI e VII. (normas instrumentos, §§ 2o, 3o, 4o, 5o, 6o
(conjunto de determinações particulares) – Capítulo VI – Do Meio Ambiente);

B) Regras Constitucionais gerais: CF, art., II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI; art26,
art. 43, §§ 2o, IV, e 3o art. 49, XIV e XVI; art. 91, § 1o, III; arts.170, VI, 174, § 3o ,
176, §§ 1o ao 4o ., e 177, § 3o ; art 182, §§ 1o ao 4o ; art. 186, II; art. 200 VII e
VIII; art. 7o , XXII; arts. 215 e 216, V; art. 220, § 3o, II; art. 231, § 1o;

C) Lei da Política Nacional do meio Ambiente: 6938/1981

D) Outras Leis Ordinárias ou complementares.

IV) Evolução legislativa

A seguir analisaremos os principais marcos, que direcionaram a realidade


atual do Direito Ambiental, dentro do que hoje chamamos de direito difuso.

1965- Lei 4.717: Lei da Ação Popular

1972 – Conferência de Estocolmo; Criação do programa das Nações Unidas para


o meio ambiente (PNUMA/PNUD);

1977- Conferência das Nações Unidas sobre Água (Mar Del Plata);

1978- Conferência sobre cuidados primários de saúde OMS - UNICEF (Alma Alta);
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1981- Lei 6.938: Lei da Política Nacional de Meio Ambiente

1981/90- Decênio Internacional do abastecimento de água potável e do


saneamento;

1985- Lei 7.347: Lei da Ação Civil Pública;

Vai tutelar, pela primeira vez os direitos difusos e coletivos em seu art. 1o inciso IV,
porém este inciso será vetado pelo presidente da República, alegando a
inexistência de definição legal para direito coletivo.

1987- Protocolo de Montreal: Controle da emissão de substâncias que destroem a


camada de ozônio;

1987- Comissão das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável


(ONU/CMMD) – Nosso futuro comum, relatório da ONU/ CMMD;

1987- Iniciativa Cidade saudável (OMS);

1988- Constituição Federal brasileira admite uma terceira espécie de bem – O


Bem Ambiental, art. 225 da CF;

1989- Convenção de Basel: Controle da movimentação de dejetos perigosos;

7.797/1989: Cria o fundo Nacional de Meio Ambiente

1990- Criação do Código de Defesa do Consumidor: Lei 8.078


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Definiu o conceito de direitos metaindividuais (difusos, coletivos e individuais


homogêneos) em seu art. 81 Parágrafo único inciso I. Acrescenta a legislação
brasileira o inciso IV do artigo 1o da lei 7.347/85, a qual havia sido vetada, e
defendia os direitos difusos.

1990- Criação da Comissão de saúde e meio ambiente da OMS;

1992- Conferência das Nações Unidas para o meio ambiente da e


desenvolvimento. (RIO- 92) – Cúpula da Terra. Agenda 21. Criação da Comissão
para o desenvolvimento sustentável (ONU);

1994- Convenção das Nações Unidas sobre Desertificação (UNCCD);

1994- Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento


(Cairo);

1994-Conferência Internacional sobre segurança Química (Estocolmo);

1995- Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Social – Cúpula


Social (Copenhague);

1997- Protocolo de Kioto: controle da emissão de gases de efeito estufa;

1998- Lei 9.605 – Lei dos crimes ambientais;

1999- Lei 9.782: Cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária;

2002- Reunião Conjunta dos Ministros da Saúde e do Meio Ambiente da


Américas;
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2002- Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10), de


Joesburgo.
Relação com o Direito Constitucional: Art. 225 (caput).

V) Tutela Ambiental:

1 )Tutela Constitucional

Art. 225 (caput) §§ 1o ao 6o e seus incisos.


Relação Desenvolvimento sustentado com o binômio: Desenvolvimento
Econômico X Meio Ambiente.
Significa um planejamento ecológico, com uma gestão dos recursos
naturais.
A Constituição Federal de 1988 abarcou os 23 princípios da Declaração de
Estocolmo de 1972, todos acolhidos no art. 225 e seus incisos. Destacando,
porém os principias objetivos desses princípios que seriam o meio ambiente
ecologicamente equilibrado e a sadia qualidade de vida do homem.
A constituição Federal tutela o meio ambiente administrativa, civil e
penalmente, ou seja, é a base da tutela ambiental, dando o alicerce a defesa do
meio ambiente, de forma a prevenir ( normas taxativas), coibir ( normas
perceptivas) e evitar (norma s proibitivas) a a ocorrência de danos para o meio
ambiente.

2) Tutela Civil:

1) Responsabilidade por danos ao meio Ambiente:

Haverá responsabilização de pessoa física ou jurídica, de direito público ou


privado, sempre que suas condutas ou atividades causarem qualquer lesão ao
meio ambiente.
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Em relação a tutela civil a responsabilidade civil impõe ao infrator a


obrigação de indenizar ou reparar o prejuízo causado por sua conduta ou
atividade.
Existem duas teorias no que se refere a responsabilidade civil, a subjetiva e a
objetiva.
Na responsabilidade subjetiva a vítima tem de provar a existência do nexo
entre o dano e a atividade danosa, e, especialmente, a culpa do agente.
Na responsabilidade objetiva basta a existência do dano, e o nexo com a fonte
poluidora ou degradadora.
O Direito Ambiental adota plenamente a teoria objetiva, dada a grande
dificuldade em se provar a culpa do causador do dano ambiental e tendo-se em
vista a importância do bem tutelado. Por isso não se analisa mais à vontade do
agente, mas somente a relação entre o dano e a causalidade, independente de
culpa. Esta consideração está prevista no art. 14 da lei 6938/81 e recepcionada na
CF no art. 225, §3o, que se baseou também nos princípios 13 e 16 da Declaração
do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente. Faz-se ainda menção a Teoria do Risco
Integral, que coloca o agente de ação poluidora ou degradadora, na posição de
assumir o risco em caso de qualquer incidente mesmo que este não advenha de
culpa do poluidor.

2.1) Responsabilidade do Estado. Força maior Caso Fortuito e Fato de Terceiro:

A pessoa jurídica de direito público interno deve ser responsabilizada pelos


danos causados ao ambiente por omissão na fiscalização ou pela concessão
irregular do licenciamento ambiental. Tal fato, no entanto não exime de
responsabilidade o verdadeiro causador dos danos ambientais. Aplica-se a teoria
da responsabilidade objetiva pelo risco integral.
O mesmo ocorre nos casos de Força maior, caso fortuito e fato de terceiro.

2.2) Responsabilidade passiva na reparação do dano


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Diante das dificuldades de identificar-se o causador do dano ambiental,


adota-se, no direito ambiental, à semelhança do direito civil, o princípio da
solidariedade passiva. Essa regra se aplica no direito ambiental com fundamento
no art. 942 do CC de 2002, assim havendo mais de um causador do dano, todos
responderão solidariamente. Em casos onde somente um dos autores responderá,
este poderá acionar, regressivamente, os demais na proporção do prejuízo
atribuído a cada um. Trata-se da responsabilidade solidária, ensejadora do
litisconsórcio facultativo (CPC, art. 46, I) e não do litisconsórcio necessário (CPC,
art. 47).
Esta modalidade de responsabilidade para dano ambiental acabou por criar
uma alternativa para reparação dos danos ambientais que é denominado Seguro
Ambiental. Trata-se de um contrato de seguro realizado por atividade empresarial
causadora de potencial degradação ambiental com a finalidade de diluir o risco por
dano ambiental.

3) Tutela Administrativa do meio Ambiente:

Segundo José Afonso da Silva, “a responsabilidade administrativa resulta


da infração a normas administrativas, sujeitando-se o infrator a uma sanção de
natureza também administrativa”. (Direito Ambiental Brasileiro, 2a ed. Revista,
Malheiros Ed. 1995, p.209) As principais sanções são: multa, interdição de
atividade, fechamento do estabelecimento, demolição, embargo de obra,
destruição de objetos, inutilização de gêneros, proibição de fabricação ou
comércio de produtos e vedação de localização de indústria ou comércio em
determinadas áreas.
Dentre os poderes merece destaque o poder de polícia administrativa, que
se define como sendo a faculdade de que dispõe a Administração Pública para
condicionar e restringir o uso gozo de bens, atividades e direitos, individuais, em
benefício da coletividade ou do próprio Estado.
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As infrações administrativas e respectivas sanções devem estar previstas


em lei. Em alguns casos podem vir especificadas em regulamentos.
Verificar lei 6.938/1 e 9605/98 arts. 70 ao 76.

4) Tutela Penal

Mediante a possibilidade das medidas na esfera civil e administrativa não


surtirem o efeito desejado, a tutela penal é indispensável na defesa do meio
ambiente, uma vez que tem por objetivo prevenir e reprimir condutas praticadas
contra o meio ambiente. Modernamente defende-se, na doutrina, a substituição de
penas privativas de liberdade por penas alternativas (prestação de serviços à
comunidade, desconsideração da personalidade jurídica, etc).
A tutela penal toma magnitude e importância a medida que um crime
ambiental pode repercutir em diversos países do mundo, o ambiente não tem
pátria, é de cada um, individualmente e, ao mesmo tempo, de todos, logo o bem
jurídico protegido é mais amplo do que o bem protegido em outros delitos penais.
Assim, para o Direito Ambiental moderno, a tutela penal deve ser reservada
à lei, que trata-se da lei 9.605/98, dentre outras do Código Penal , partindo-se do
princípio da intervenção mínima no Estado Democrático de Direito. Sendo, no
entanto uma tutela ultima ratio, ou seja, só depois que se esgotarem os
mecanismos intimatórios (civil e administrativo).

VI) Competência em matéria ambiental:

Em relação as regras de competência em matéria ambiental podemos classificá-


las em:
1) material exclusiva: CF, art. 21, IX, XIX, XX, XXIII, a,b, c e XXV;

C.2) legislativa exclusiva: CF, art. , IV, XII, XIV, XXVI e parágrafo único;

C.3) material comum: CF, art. 23, II, IV, VI, VII, IX e XI;
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C.4) Legislativa concorrente: CF, art24, I, VI, VII e VIII; § 1o, 2o, 3o; CF, art. 30, I, II,
VIII e IX;
D) Regras de garantia: CF, art. 5o, LXX; LXXI, LXXIII; art. 129, III; art. 37, § 4o; art.
103.

Para matéria ambiental a Competência é denominada concorrente, o que


significa, que na relação União/ Estados, a União deverá se ater à edição de
normas gerais. Vale ressaltar que sobre um mesmo assunto podem incidir três
legislações diferentes: federal, estadual e municipal. A regra é da norma mais
restritiva, ou seja, vale a mais rigorosa.
Ao poder público, então, incumbe, principalmente, tomar todas as
providências e medidas indicadas nos incisos do parágrafo 1o do art. 225 da
CF/88. Poder público é expressão genérica que se refere a todas as entidades
territoriais públicas.
À União resta uma posição de supremacia no que tange à proteção
ambiental. A ela incumbe a política geral do meio ambiente, o que já foi
materializado pela lei 6938/81.
O artigo 23 da CF dispõe sobre a competência material comum da União,
dos Estados, do Distrito federal e dos municípios. Esta competência diz respeito à
prestação dos serviços referentes àquelas materiais, e à tomada de providências
para sua realização.
A competência legislativa concorrente está prevista no art. 24 da CF, onde
se declara competir à União, aos Estados e ao DF legislar sobre florestas, caça,
pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais
entre outras coisas. A competência da União está limitada ao estabelecimento de
normas gerais.
Os Estados têm competência legislativa suplementar de normas gerais
estabelecidas pelo governo Federal, nos termos do art. 24, VI, VII e VIII e seu
parágrafo 2o da CF. E têm competência comum com a União e os Municípios, nos
termos do art. 23, IV, VI e VII da CF.
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A competência dos Municípios é reconhecida no art. 23, II, IV, VI e VII, em


comum com a União e os Estados, porém, mais no âmbito da execução de leis
protetivas do que de legislar. Mas é possível reconhecer que na norma do artigo
30, II, entra também a competência para suplementar a legislação federal e a
estadual na proteção do meio ambiente, natural e cultural, e legislar sobre
assuntos de interesse local.

VII) Meios processuais para tutela Ambiental:

A proteção ambiental exige três tipos de tratamento: preventivo, reparatório e


repressivo. Apesar de terem sido criados por lei, esses tratamentos, às vezes,
torna-se ineficientes. Isto ocorre porque os mecanismos de implementação são
inadequados.
Veremos a seguir quais são esses mecanismos:
1) Atuação do Ministério Público e da sociedade;
2) Inquérito civil;
3) Ação civil pública (lei 7.347/85)
- Legitimação ativa;
- Legitimação passiva;
- Foro competente
- Objeto;
- Ministério Público;
- Rito processual;
- Liminar;
- Sentença;
- Custas;
4) Ação Popular Ambiental (Lei 4.717/65 e art. 5o , LXXIII, da CF):
- Legitimação passiva;
- Legitimação ativa;
- Foro competente;
- Objeto;
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- Ministério Público;
- Liminar;
- Sentença;
- Custas.
5) Mandado de Segurança Coletivo (art. 5o, LXX, da CF/88):
- Legitimação passiva;
- Legitimação ativa;
- Foro competente;
- Objeto;
- Ministério Público;
- Liminar;
- Sentença;
- Custas
6) Mandado de Injunção (art. 5o, LXXI, da CF/88).

VIII) Procedimentos na Tutela Processual do Meio Ambiente

A tutela processual está intimamente ligada ao acesso à justiça. Todos os


conflitos devem ser dirimidos pelo poder judiciário, especialmente se não houver
acordo, na fase de conciliação, na esfera administrativa. A lei não poderá excluir
da apreciação do poder judiciário, lesão ou ameaça a direito (art. 5o, XXXV, da
CF).
Dentro deste pensamento, encontramos vários instrumentos para a proteção
do meio ambiente e o acesso ao Poder Judiciário, que poderá dar-se por várias
vias: procedimento sumário, ordinário, processo cautelar, tutela antecipada,
processo de execução.

Atuação do Ministério Público e da Sociedade

O papel do MP na proteção judiciária do meio ambiente é fundamental.


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Como bem salienta Antônio Benjamin, “O MP atua em todas as formas de


implementação: na preventiva e administrativa – ao fiscalizar estudos de impacto
ambiental e ao instaurar inquérito civil preventivo; na judicial, reparatória ou
repressiva – ao propor ação civil ou ação penal”.
Vale dizer que a maioria das ações civil pública ajuizada tem como autor o MP.
A participação da sociedade ainda é muito tímida. Essa atuação pode se dar
através de provocação na área institucional (órgãos públicos), do direito/dever de
informação, da participação em audiências públicas, ou mesmo através de ações
judiciais.

Inquérito Civil

A Lei 7.347, de 24/07/85. Criou a figura do Inquérito Civil, que é peça de


informação que visa colher elementos para dar suporte à propositura da ação civil
pública. Pode iniciar-se por determinação de membro do MP ou, ainda a
requerimento de pessoas físicas ou jurídicas. Em todas as hipóteses levantadas, é
o Procurador ou Promotor de justiça quem preside o inquérito civil, podendo
requisitar de qualquer organismo público ou particular: certidões, informações,
exames ou perícias (art. 8o § 1o da Lei 7.347/85) – Teoria e Prática da Ação Civil
Pública, Ed. Saraiva, (1987).

Ação Civil Pública (Lei 7.347/85)

Ação Civil Pública ou ação coletiva é aquela que tem por finalidade a tutela
dos interesses transindividuais ou metaindividuais, que é aquele interesse entre o
privado e o público. Art. 81, parágrafo único, I, (do CDC).
No interesse difuso as pessoas são indeterminadas, nos interesses
coletivos as pessoas podem ser determinadas ou determináveis – interesses
indivisíveis.
Legitimação ativa e passiva
São legitimados ativa e concorrentemente para promoção da ação civil pública:
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a) MP (federal e estadual);
b) As entidades e órgãos da adm. Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinada à defesa dos interesses
e direitos protegidos pelo CDC.
c) As associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos
protegidos por esse Código, dispensada a autorização da assembléia.
Legitimação passiva:

Qualquer pessoa física ou jurídica autora do dano, inclusive a administração


Pública.

Foro competente:
A ações previstas na lei 7.347/85 serão propostas no foro do local onde ocorrer o
dano.

Objeto:
A ACP poderá ter por escopo o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer
ou a condenação em dinheiro

Rito processual
Aplica-se o rito especial da lei 7.347/85 e subsidiariamente o CPC

Liminar
Poderá ser concedida suspensão liminar do ato lesivo com ou sem justificação
prévia.
Quando o dano ambiental já foi causado, a tutela jurisdicional perde muito de sua
relevância ou função.

Sentença:
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A sentença que julgar procedente a ação condenará o Réu ao cumprimento de


obrigação de fazer ou não fazer, ou imporá uma indenização em dinheiro.
Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado reverterá a
um fundo gerido por um conselho do qual participam, necessariamente, OMP e
representantes da comunidade, ficando afetados a uma finalidade social
específica: permitir a reconstituição dos bens lesados.

Custas
Não haverá adiantamento de custas, nem condenação da associação
autora, salvo comprovada má – fé, em honorários advocatícios e ao décuplo das
custas, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos.

Ação Popular Ambiental (Lei 4.717/65 e art. 5o, LXXIII, da CF):

A constituição vigente ampliou o objeto da ação popular, e aqui trataremos


especificamente da Ação Popular Ambiental.

Legitimação Ativa:
Qualquer cidadão, mediante a apresentação do título eleitoral.

Legitimação Passiva:
A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas, inclusive entidades
estatais e paraestatais, contra as autoridades, funcionários, avaliadores ou
administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato
impugnado, ou que, por omissão, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os
beneficiários diretos do mesmo.

Foro Competente:
Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação,
processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada
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Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, aos
Estados ou aos Municípios.

Objeto:
O ato ilegal e lesivo ao patrimônio público ambiental, compreendendo também os
bens e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico.

Ministério Público:
Acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a
responsabilidade, civil e criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em
qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores.

Rito Processual:

Ordinário, com ampla a produção de provas, e alguns procedimentos especiais


previstos na Lei 4.717/65.

Liminar:
Admite a suspensão liminar do ato lesivo impugnado.

Sentença:
A sentença que, julgando procedente a Ação Popular, decretar a invalidade do ato
impugnado, condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela
sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva contra os
funcionários causadores do dano, quando incorrerem em culpa.

Custas:
Fica o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas e ônus da sucumbência.
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Mandado de Segurança Coletivo (art. 5o, LXX, da CF):

Conforme Calmon de Passos, “os direitos que podem ser objeto do


mandado de segurança coletivo são os mesmos direitos que comportam defesa
pelo mandado de segurança individual. Aqui, ao invés de se exigir que cada
sujeito, sozinho ou litisconsorciado, atue em juízo na defesa de seu direito
(individual), A Carta Magna proporcionou a inteligente e prática de permitir que a
entidade que os aglutina, mediante um só writ, obtenha a tutela do direito de
todos”.
Economia processual, celeridade, coerência de decisões, etc. inúmeras vantagens
somadas, com poucos riscos de prejuízo individual, e assim mesmo remediáveis.”

Legitimação ativa:
Partido político com representação no Congresso Nacional, organização Sindical,
entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há
pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.

Legitimação Passiva:
A autoridade Pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do
Poder Público.

Foro competente:
O foro será definido pela categoria da autoridade coatora e pela sua sede
funcional, conforme prevêem as Leis de Organização Judiciárias, as constituições
do Estado e a Constituição Federal.

Objeto:
Proteger direito líquido e certo não amparado por hábeas corpus ou hábeas data,
relativo a interesse difuso ou coletivo.

Ministério Público
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Atua como fiscal lei.

Rito processual:
Especial estabelecido pela lei 1.533/51

Liminar:
Sempre que demonstrados o periculum in mora e o fummus boni iuris , isto é,
perigo na demora e fumaça do bom direito, poderá ser concedida liminar pela
autoridade judiciária.

Sentença:
Sendo julgada procedente a ação, o juiz decretará a invalidade do ato impugnado
e condenará ao pagamento dos conseqüentes reflexos, se houver perdas e danos.

Custas:
Serão arcadas pela parte sucumbente, sendo que no caso de improcedência da
ação não haverá condenação em honorários advocatícios.

Mandado de Injunção:

Ensina o prof. Roque Carraza ser o Mandado de Injunção “procedimento,


previsto na Carta Suprema, pelo qual se visa obter ordem judicial que assegure,
no caso concreto, o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, quando
inviável, por falta de norma regulamentadora. Ele permite o desfrute, em toda a
latitude do termo, dos direitos e liberdades constitucionais, nesse sentido, a
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realização prática do disposto no artigo 5o parágrafo 1o, da SCF (“ As normas


definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata “).
É o caso de imediatamente afirmarmos que o mandado de injunção é apto
à tutela dos direitos individuais, coletivos e eventualmente até os direitos difusos.
Na prática, o Poder Judiciário adota posicionamento rígido em relação ao
cabimento do M|andado de Injunção, dificilmente conhecendo essas ações em
defesa de direitos difusos.

Bibliografia:
1- FIORILLO, Celso Pacheco – Curso de Direito Ambiental brasileiro
4ed. Ampl. – São Paulo: Saraiva, 2003;
2- DIAS, GF – Educação Ambiental: Princípios e práticas, ed. Gaia
Ltda, São Paulo, SP 400 p., 1993;
3- ALLEGRETTI, Alessandro – Explicando o Meio Ambiente, 1a ed. –
Rio de Janeiro, RJ/ Edição Memory – Centro de Memória Jurídica;
4- ANTUNES, PB – Direito ambiental. Rio de Janeiro: Lúmen Júris,
1996;
___________________________
Jurisprudência Ambiental brasileira. Rio de Janeiro
5- Aspectos processuais do Direito Ambiental/organizadores, José
Rubens Morato Leite, Marcelo Buzaglo Dantas – Rio de Janeiro:
Forense
6- Periódicos: Revista Ciência & Ambiente / Universidade Federal de
Santa Maria UFSM – Expediente C&A/ no. 25 e 17 – Saúde e meio
ambiente / Direito Ambiental;
7- Constituição Federal de 1988;
8- Coletânea da legislação de Direito Ambiental – Editora Revista dos
tribunais – Organizadora – Odete Medawar 3a ed. São Paulo – 2004;
9- ROZEFELD, Suely, Fundamentos da Vigilância Sanitária/
Organizada por Suely Rozefeld – Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ,
2000.
22

Vocabulário Técnico (básico) Direito Ambiental

AGENDA 21 – Plano de metas voltado para desafios do se. XXI (Daí seu nome).
Traçado pelos Governos mundiais, tem como base a definição de um programa
que inclui a criação de mecanismos de financiamento para projetos de
preservação ambiental e de transferência de tecnologias, e, ainda o
estabelecimento de normas jurídicas.

AMBIENTE – “Aquilo que circunda um organismo ou um objeto”.

ÁREA CRÍTICA DE POLUIÇÃO (ACP) – O licenciamento para implantação,


operação e ampliação de estabelecimento industriais nas áreas críticas de
poluição, dependerá da observância do disposto na Lei 6.803, bem como do
atendimento das normas e padrões ambientais definidos pela SEMA e pelos
organismos estaduais e municipais competentes.

ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL – APA- áreas a serem decretadas pelo


Poder Público, para a proteção ambiental, a fim de assegurar o bem-estar das
23

populações humanas e conservar ou melhorar as condições ecológicas locais.


(art. 9o da Lei 6.902/81).

ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTES – APP- São aquelas em que as


florestas e demais formas de vegetação natural existentes não podem sofrer
qualquer tipo de degradação (ver art. 268 da CF do Estado do Rio de Janeiro.
1989).

ATERRO SANITÁRIO – Processo de dispor resíduos sólidos na terra, com a


proteção sanitária, de forma a não resultar em nenhum dano ao meio ambiente.

ATIVIDADE POLUIDORA - Atividade humana, industrial ou agrícola, que real ou


potencialmente causa danos, degrada e/ou ameaça o meio ambiente.

AUDIÊNCIA PÚBLICA – Procedimentos de consulta à sociedade, ou à grupos


sociais interessados em determinado problema ambiental ou potencialmente
afetados por um projeto, a respeito de seus interesses específicos e da qualidade
ambiental por eles preconizada. A realização da Audiência Pública exige o
cumprimento de requisitos, previamente fixados em regulamento, referentes a :
forma de convocação; condições e prazos para informação prévia sobre o assunto
a ser debatido; inscrições para participação;ordem dos debates; aproveitamento
das opiniões expedidas pelos participantes (Resolução CONAMA009/87).

AUTO DE CONSTATAÇÃO – Documento, emitido por autoridade competente,


que serve para atestar o descumprimento, por determinada pessoa, de lei,
regulamento ou intimação, podendo dar origem ao auto de infração.

AUTO DE INFRAÇÃO – Documento pelo qual a autoridade competente certifica a


existência de uma infração à legislação, caracterizada devidamente a mesma e
impondo, de forma expressa, penalidade ao infrator.
24

AUTOGESTÃO - Em ecologia, modo de administrar recursos ambientais através


de decisões conjuntas da comunidade, gestores públicos e organizações não-
governamentais, contrário ao modelo de gestão centralizada.

AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL- AIA – O mais novo instrumento da


Política Ambiental Brasileira para assegurar que um projeto, programa ou plano
venha a seguir diretrizes que projetam o Meio Ambiente ( art. 9o , III, da lei
6.938/81)

BENS PÚBLICOS – São bens de domínio do Estado, sujeitos a um regime


administrativo especial que os torna, em princípio, inalienáveis, imprescindíveis e
impenhoráveis. Classificam-se pela titularidade, quanto ao uso, quanto à
destinação original, à disponibilidade e à natureza física.

BIODIVERSIDADE - A diversidade biológica de determinada região ou


ecossistema. Segundo estimativas cautelosas, existem no Planeta entre 5 e 10
milhões de espécies de organismos, mas outras fontes indicam cerca de 30
milhões.

BIOSFERA - Conjunto das zonas do Planeta onde a vida é possível. È formada


pela litosfera (camadas mais superficiais da crosta terrestre), pela hidrosfera
(águas oceânicas) e pelas camadas mais baixas da atmosfera.

CAMADA DE OZÔNIO – Faixa de aproximadamente 20Km de espessura,


localizada na estratosfera, a cerca, a cerca de 25 quilômetros da Terra. Concentra
perto de 90% do ozônio da atmosfera e protege nosso mundo dos efeitos nocivos
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de parte da radiação ultravioleta proveniente do sol. Valores medidos em 1195 por


satélites mostraram uma redução de até 50% em alguns pontos da camada. Essa
redução, também conhecida por BURACO, é provavelmente causada por
compostos de cloro e bromo produzidos industrialmente.

CHUVA ÁCIDA – É a chuva contaminada pelas emissões de óxidos de enxofre na


atmosfera, decorrentes da combustão em indústrias e, em menor grau, dos meios
de transporte.

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E


DESENVOLVIMENTO – RIO – 92 – A decisão pela realização da Conferência foi
tomada em dezembro de 1989, seguida do convite ao Brasil para sediá-la. Em
julho de 1990, o Governo Brasileiro definiu o Rio de Janeiro como sede oficial. O
evento aconteceu de 3 a 14 de junho de 1992. Essa Conferência foi a segunda
sobre o mesmo assunto: a primeira foi realizada na Suécia, em 1972.

CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE O AMBIENTE HUMANO – Primeira


Conferência reunida em Estocolmo (5 a 16 de junho) com o objetivo de servir
como meio prático para encorajar e proporcionar linhas de orientação para a
atuação dos Governos e OING’s (Organizações internacionais não –
governamentais), destinadas a proteger e melhorar o ambiente humano e evitar a
sua deterioração, por meio da cooperação internacional, tendo em vista a
importância particular de permitir aos países em desenvolvimento que se
antecipem ao surgimento desses problemas.

CONTABILIDADE AMBIENTAL - Cálculo em dinheiro dos valores dos recursos


naturais (valor do solo, da vegetação e dos produtos extraídos, como madeira e
fruto), como também o valor de mercado de recursos naturais e as multas que
deveriam ser pagas por quem degrada o meio ambiente”.
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CUSTO AMBIENTAL – Nova metodologia para traduzir em cifras o desgaste


sofrido pelo Meio Ambiente e abater o resultado do cálculo do Produto Interno
Bruto (PIB).

DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO - Segundo definição em 1987 da Comissão


Brutland, da ONU, no relatório “NOSSO FUTURO COMUM”, é o desenvolvimento
social, econômico e cultural que atende às exigências do presente sem
comprometer as necessidades das futuras gerações. Para os países pobres, de
acordo com o relatório “NOSSA PRÓPRIA AGENDA”, da Comissão de
Desenvolvimento e Meio Ambiente da América Latina e do Caribe, o
desenvolvimento sustentado é essencialmente a satisfação das necessidades
básicas da população, sobretudo dos grupos de baixa renda, que chegam a mais
de 75% do continente.

ECODESENVOLVIMENTO - Define-se como um processo criativo de


transformação do meio com a ajuda de técnicas ecologicamente prudentes,
concebidas em função das potencialidades desse meio. Impedindo o desperdício
inconsiderado dos recursos, e cuidando para que estes sejam empregados na
satisfação das necessidades de todos os membros da sociedade, dada a
diversidade dos meios naturais e dos contextos culturais.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL - O processo de formação e informação social


orientado para:
27

- O desenvolvimento de consciência crítica sobre a problemática ambiental,


compreendendo-se como crítica a capacidade de captar a gênese e a
evolução dos problemas ambientais, tanto em relação aos seus aspectos
biofísicos, quando sociais, políticos, econômicos e culturais;
- O desenvolvimento de habilidades e instrumentos tecnológicos necessários
à solução dos problemas ambientais;
- O desenvolvimento de atitudes que levem à participação das comunidades
na preservação do equilíbrio ambiental.

ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – EIA- Um dos elementos do processo de


avaliação de Impacto (AIA). Trata-se da execução por equipe multidisciplinar das
tarefas técnicas e científicas destinadas a analisar, sistematicamente, as
conseqüências da implantação de um projeto no meio ambiente, por meios de
métodos de AIA e técnicas de previsão dos impactos ambientais. O estudo realiza-
se sob a orientação da autoridade ambiental responsável pelo licenciamento do
projeto em questão, que, por meio de instruções técnicas específicas, ou termos
de referência, indica a abrangência do estudo e os fatores ambientais a serem
considerados detalhadamente. O EIA compreende, no mínimo: a descrição do
projeto e suas alternativas; nas etapas de planejamento, construção, operação e,
quando for o caso, desativação, a medição e valoração dos impactos; a
comparação das alternativas e a previsão de situação ambiental futura, nos casos
de adoção de cada uma das alternativas, inclusive no caso de não se executar o
projeto; a identificação das medidas mitigadoras e do programa de monitoramento
dos impactos; a preparação do relatório de impacto ambiental – RIMA.

F
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FAIXA MARGINAL - É o terreno que ladeia um curso d’água ou que circunda um


lago.

FUNÇÃO SOCIAL (TERRA) – Conservação e melhoria dos recursos naturais e o


equilíbrio entre exploração do solo com o desenvolvimento auto-sustentado (CF,
art. 186).

GERENCIAMENTO COSTEIRO – Gerenciamento administrativo como forma de


serviço público, que tem como objetivo a defesa e proteção da flora e da fauna
marítima no brasileiro (Lei 7.661/88 – Institui o Plano Nacional de Gerenciamento
Costeiro e dá outras providências).

GESTÃO AMBIENTAL – A tarefa de administrar o uso produtivo de um recurso


renovável sem reduzir a produtividade e a qualidade ambiental, normalmente em
conjunto com o desenvolvimento de uma atividade.

HOLISMO - Teoria filosófica, aplicada às ciências ambientais para a compreensão


das relações entre os componentes do meio ambiente, pela qual os seus
elementos vivos (todos os organismos, inclusive o homem) e não-vivos interagem
como um todo, de acordo com leis físicas e biológicas bem definidas.

I
29

IBAMA – INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS


NATURAIS RENOVÁVEIS – Criado pela lei 7.735/89, substituindo o antigo IBDF
(Instituto brasileiro de desenvolvimento florestal, 1967), vinculado ao Ministério do
Meio Ambiente, com o objetivo de formular e executar a Política Nacional do Meio
Ambiente e o de preservar, conservar e fiscalizar o uso dos recursos renováveis
do país.

ÍNDICES DE QUALIDADE AMBIENTAL – Níveis de aceitação de poluição do


Meio Ambiente (ar, ruído, dejetos, etc.) destinados a assegurar que não se exceda
ao estabelecimento por legislação federal, estadual ou municipal; padrão aceitável
de qualidade de vida.

IMPACTO AMBIENTAL - Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das


propriedades físicas, químicas e biológicas do Meio Ambiente, causada por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que,
direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e
sanitárias do Meio Ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.(art. 1o da
Resolução CONAMA/86).

INTERDIÇÃO DE ATIVIDADE - É o ato pelo qual a administração veda alguém a


prática de atos sujeitos ao seu controle, ou que incidam sobre seus bens.

INTIMAÇÃO - Documento, emanado de autoridade competente, que tem por fim


levar a conhecimento do interessado uma ocorrência, a fim de que os intimados
possam determinar-se, segundo as regras prescritas na legislação, ou fique sujeito
às sanções nela contidas.

L
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LICENÇA - É o ato administrativo vinculado e definitivo pelo qual o Poder Público,


verificando que o interessado atendeu a todas as exigências legais, faculta-se o
desempenho de atividades.

MEDIDAS MITIGADORAS – São aquelas destinadas a prevenir impactos


negativos ou a reduzir sua magnitude. É preferível usar a expressão mitigadora
em vez de Medida Corretiva, também muito usada, uma vez que a maioria dos
danos ao meio ambiente, quando não podem ser evitados podem apenas ser
mitigados.

MONITORAMENTO – Processo de observação e medição sistemática a fim de


testar e avaliar os impactos ambientais causados pela ação humana.

NOTIFICAÇÃO – Documento pelo qual se dá à terceiros ciência de alguma


ocorrência, fato ou ato, que se praticou ou se deseja praticar.

ONGs – ORGANIZAÇÕES NÃO-GOVERNAMENTAIS – Grupos de pressão


social, de caráter diverso (ambientalistas, étnicos, profissionais, sexuais) que não
tenham relação com o Estado.

PLANEJAMENTO AMBIENTAL – A tarefa de identificar, conceber e influenciar


decisões sobre a atividade econômica, de forma que esta não reduza a
produtividade dos sistemas naturais nem a qualidade ambiental.

PODER DE POLÍCIA (AMBIENTAL) – É a atividade da administração pública que


limita ou disciplina direito ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de
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fato em razão de interesse público concerne à saúde da população, à


conservação dos ecossistemas, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas ou de outras atividades dependentes de
concessão, autorização/permissão ou licença do Poder Público de cujas
atividades possam decorrer poluição ou agressão à natureza.

PENALIDADE AMBIENTAL – Aplicação da lei às agressões ecológicas,


sistematizando as penalidades e unificando valores de multa dos infratores da
legislação ambiental, sendo que qualquer pessoa ou entidade ambientalista pode
fazer representação junto ao governo.

PROTEÇÃO AMBIENTAL - Gestão ou manejo de recursos que se referem à


descarga no meio Ambiente de desperdícios químicos ou biológicos e de efeitos
físicos com objetivo de proporcionar uma melhor qualidade de vida e proteção dos
recursos naturais.

QUALIDADE AMBIENTAL – É o estado do ar, da água, do solo e dos


ecossistemas, em relação aos efeitos da ação humana.

RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL- RIMA – O relatório de Impacto


Ambiental é o documento que apresenta os resultados dos estudos técnicos e
científicos de avaliação de impacto ambiental (Resolução CONAMA 001/86).

SISTEMA DE LICENCIAMENTO DE ATIVIDADES POLUIDORAS – SLAP –


Instrumento de execução de uma política ambiental governamental, cujas
atividades possam causar poluição potencial ou efetiva. O processo de
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licenciamento realiza-se em três etapas correspondentes às fases de implantação


da atividade, cabendo para cada uma delas um dos três tipos de licença: Licença
Prévia – LP, Licença de Instalação – LI e Licença de Operação – LO (Lei 6.938).

T
TOMBAMENTO – Forma de intervenção do Estado na propriedade privada,
limitativa de exercício de direito de utilização e de disposição, gratuita, permanente
e indelegável, destinada à preservação, sob regime especial de cuidados, dos
bens de valor histórico, arqueológico, artístico ou paisagístico. Os bens tombados,
móveis ou imóveis, permanecem sob domínio e posse particulares, mas sua
utilização passa a ser disciplinada.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO – a Resolução da CONAMA 011/87, declara


como unidades de conservação as seguintes categorias de sítios ecológicos de
relevância cultural, criadas por atos do Poder Público: Estações Ecológicas; APA,
Parques Nacionais, estaduais e municipais; Reservas biológicas; Florestas
Nacionais, estaduais e municipais; Monumentos Naturais, Jardins Botânicos,
Jardins Zoológicos e Hortos Florestais (art. 1o).

VAZADOURO: Lugar onde se depositam resíduos sólidos sem a adoção de


medidas de proteção ao Meio Ambiente.

ZONEAMENTO AMBIENTAL - Foi declarado como um dos instrumentos da


PNMA (art. 9o, II da lei 6938/81). O zoneamento ambiental é definido como a
integração sistemática e interdisciplinar da análise ambiental ao planejamento dos
usos do solo, com o objetivo de definir a melhor gestão dos recursos ambientais
identificados.

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