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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO _ JUIZADO ESPECIAL CÍVEL

DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE


MARINGÁ, ESTADO DO PARANÁ

GUILHERME BOLOGNINI TAVARES, brasileiro, solteiro, advogado, portador do RG


n.º 10.727.701-3 SSP/PR, inscrito no CPF sob o n.º 080.307.139-67, e-mail
gbtavares@outlook.com, residente e domiciliado à Rua Francisco Glicério, 1227, apto
303, Zona 07, Maringá, PR, CEP 87.030-050, neste ato representado por seus
procuradores que esta subscrevem, João Paulo Corsi Freire, advogado inscrito na
OAB/PR sob o n.º 69.655 e Danilo Borges Paulino, advogado inscrito na OAB/PR
sob o n.º 74.368, ambos com endereço profissional à Av. Horácio Raccanello Filho,
5350, sala 04, Novo Centro, Maringá, PR, CEP 87.020-035, e-mail
joaopaulo_135@hotmail.com e daniloborgespaulino@gmail.com, vem à presença de
Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 6º, III e VIII e 39, IV, do CDC ajuizar a
presente

AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER c/c ANTECIPAÇÃO DE


TUTELA, REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS

Em face de BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ sob o n.º 90.400.888/0001-42, com endereço à Av. Presidente
Juscelino Kubitschek, 2041, E 2235 – Bloco A, Vila Olímpia, São Paulo – SP, CEP
04.543-011.
I – DOS FATOS

Recentemente, o autor identificou em seu extrato de conta a cobrança de


serviços desconhecidos que jamais consumiu ou contratou, sob a denominação
“TARIFA MENSALIDADE PACOTE DE SERVIÇOS”, referentes ao mês de junho/2016
e que, até então, acreditava nunca terem sido debitados em sua conta corrente.

Ocorre que, após verificar a ocorrência de tal débito, o autor fora verificar seus
extratos anteriores, identificando as seguintes cobranças não autorizadas, de
“serviços” desconhecidos:

- 10/05/2016 – Tarifa Mensalidade Pacote de Serviços: R$ 6,40;

- 10/06/2016 – Tarifa Mensalidade Pacote de Serviços: R$ 19,90;

- 10/07/2016 – Tarifa Mensalidade Pacote de Serviços: R$ 19,90;

Tais valores foram retirados dos extratos disponíveis no site da ré, sendo que,
conforme cópia da tela em anexo, ao requisitar os extratos anteriores aos últimos 120
dias, há mensagem de erro, que impossibilita a consulta do autor a todas as
informações.

O que, porém, é sabido pelo autor é que tais valores não lhe eram
descontados quando do início da relação com o banco, tendo sido notadamente
cobrados nos últimos meses e só tendo sido percebidos pelo consumidor ante à
discrepância de R$ 19,90 (dezenove reais e noventa centavos) entre o valor que
acreditava ter disponível e o que efetivamente possui.

Assim, dentre os extratos que o autor tem acesso lhe foram cobrados
indevidamente R$ 46,20 (quarenta e seis reais e vinte centavos).

Ao deparar-se com tais cobranças, o autor entrou em contato com o telefone


indicado no site do banco réu (denominado Superlinha), da Central de
Relacionamento, pelo telefone 4004-3535, a fim de obter esclarecimentos. Tal ligação
recebera o protocolo de número 72593335 e fora realizada no dia 13/07/2016, por
volta das 10:45.
O atendente do Call Center não soube precisar a que se referiam exatamente
as cobranças questionadas, dizendo que eram válidas, ante a efetiva prestação de
serviços pelo Banco. Naquela oportunidade, o autor esclareceu que nunca solicitou e
muito menos autorizou nenhum serviço, mesmo assim, foram debitados de sua conta
tais valores.

Imediatamente o atendente informou que havia outros pacotes aos quais o


autor poderia aderir, em valores reduzidos; informou ainda que a instituição não teve
tempo hábil de avisar a todos os clientes sobre alterações em suas contas. Ocorre
que, sejam de valores mais altos ou mais baixos, o autor nunca autorizou ou solicitou
serviços adicionais, ainda mais os que ensejariam a cobrança de quaisquer valores
pelo réu.

Causa estranheza a alteração unilateral e sem prévia comunicação ao


consumidor, ainda mais quando por um longo período anterior não houve cobrança
de tais valores.

Nesse sentido, diante da conduta abusiva e injusta da ré, uma vez que houve
contínua cobrança indevida e efetivo pagamento de valores referentes a serviço não
contratado pelo autor, em flagrante má-fé, bem como, face à inércia da instituição ré,
mesmo diante do contato feito por seus canais de atendimento, o autor se vê obrigado
a socorrer-se ao Poder Judiciário para fazer valer seus direitos de consumidora, isto
é, efetivar o cancelamento da cobrança, bem como a restituição em dobro de tudo o
que pagou e indenização pelos danos morais suportados, conforme razões de direito
a seguir.

II – DOS FUNDAMENTOS

A simples narrativa fática do ocorrido, Excelência, bem demonstra a


procedência da pretensão da parte Autora, sendo inegável o prejuízo material e moral
por ela amargado e que deve ser reparado por meio da presente ação.

Vejamos.
1. DA JUSTIÇA GRATUITA

Inicialmente, requer o autor a concessão de justiça gratuita, por estar a


presente inclusa nos termos do art. 54 da Lei 9.099/95, bem como por não ter o
promovente condições de arcar com as custas processuais sem que seja
comprometido seu próprio sustento, em conformidade com o art. 98 do Código de
Processo Civil e com as Leis 1.060/50 e 7.115/83.

2. DA OBRIGAÇÃO DE FAZER

No caso em tela, temos que foi cobrado pelo réu serviço jamais solicitado e/ou
autorizado pelo autor, fazendo-se assim necessário vir a este juízo buscar guarida de
seus direitos.

Verifica-se que o autor está legalmente amparado pelo Código de Defesa do


Consumidor – CDC, podendo utilizar a presente ação de obrigação de fazer, para
impor à instituição financeira o cancelamento dos serviços nunca contratados,
conforme preceitua o disposto no Artigo 83 da Lei 8.078/90 (CDC), in verbis:

Art. 83. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este
código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de
propiciar sua adequada e efetiva tutela.

Assim, ante a conduta arbitrária da instituição bancária, que procedeu à


inclusão de cobrança de serviços desconhecidos na conta corrente do autor, sem que
este solicitasse o serviço ou mesmo anuísse a sua inserção e, ainda, diante da
inexistência de efetiva solução ou esclarecimentos via Call Center da questão, se faz
necessário pedir a Vossa Excelência que DECLARE a ilegalidade dos serviços
cobrados e pagos pelo autor e DETERMINE à empresa ré a obrigação de
cancelar a cobrança dos serviços supracitados, os quais vêm sendo debitados
na conta corrente do autor, sendo o que, desde já, se pede.

3. DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO
A partir dos fatos acima narrados, evidenciou-se que a relação estabelecida
entre as partes é de consumo, ensejando, portanto, a aplicação das normas
consumeristas ao caso em tela.

Isso porque o autor, parte hipossuficiente, demanda contra grande banco, que
possui sucursais em todo o mundo, sendo uma das maiores instituições financeiras
do planeta, demonstrando a hipossuficiência do consumidor, tanto técnica quanto
financeiramente.

Denota-se, a partir da documentação acostada ao feito, que o autor está


sendo obrigado a pagar por serviços não contratados mensalmente. Denote-se, ainda,
que o autor não possui a totalidade dos documentos que viabilizam a compreensão
integral da demanda, vez que impossibilitado de acessá-los pelo canal fornecido pela
ré (conforme anexo) razão pela qual se requer, desde já, que, em havendo outras
cobranças, sejam essas apresentadas em juízo.

Com efeito, nos termos do que dispõe o art. 42, parágrafo único, da Lei
8.078/90, que disciplina o caso em debate, o autor faz jus à repetição em dobro do
valor indevidamente cobrado e efetivamente pago, o que, se considerado o período
acima indicado, perfaz-se o montante de R$ 46,20 (quarenta e seis reais e vinte
centavos), que em dobro, correspondem a R$ 92,40 (noventa e dois reais e quarenta
centavos). Senão vejamos:

Art. 42 (...)
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável.
[grifos nossos]

O mesmo entendimento é corroborado pelo Enunciado nº 1.8 das Turmas


Recursais do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, in verbis:

Cobrança de serviço não solicitado – dano moral - devolução em


dobro: A disponibilização e cobrança por serviços não solicitados pelo
usuário caracteriza prática abusiva, comportando indenização por
dano moral e, se tiver havido pagamento, restituição em dobro,
invertendo-se o ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC,
visto que não se pode impor ao consumidor a prova de fato negativo.
Aponta-se que o valor deverá ser apurado em fase de liquidação mediante
a devida apresentação pela empresa Ré de todos os extratos do autor, desde o início
do relacionamento entre as partes, conforme entendimento da TURMA RECURSAL
DO PARANÁ a seguir transcrito:

EMENTA: RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DO


INDÉBITO DE VALORES DEBITADOS EM CONTA CORRENTE
SEM AUTORIZAÇÃO. RELAÇÃO CONSUMERISTA. AUSÊNCIA DE
DEMONSTRAÇÃO PELA RECORRIDA DA EFETIVA
CONTRATAÇÃO DOS SERVIÇOS. DEVER DE INFORMAÇÃO.
INTELIGÊNCIA DO INCISO III DO ARTIGO 6º DO CDC. DEVER DE
PRESTAR INFORMAÇÕES CLARAS E PRECISAS AO
CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 6º
INCISO VIII. DEVER DE RESTITUIÇÃO NA FORMA DOBRADA DAS
TARIFAS INDEVIDAMENTE COBRADAS. ARTIGO 42, PARÁGRAFO
ÚNICO DO CDC. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA REFORMADA.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. [...]

(TJ-PR - RI: 000556133201381600970 PR 0005561-


33.2013.8.16.0097/0 (Acórdão), Relator: Daniel Tempski Ferreira da
Costa, Data de Julgamento: 10/04/2015, 2ª Turma Recursal, Data de
Publicação: 15/04/2015)

RECURSO INOMINADO. TELEFONIA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C REPETIÇÃO DO INDÉBITO E
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SERVIÇO NÃO
CONTRATADO. COBRANÇA INDEVIDA. REPETIÇÃO DO
INDÉBITO, EM DOBRO, CABÍVEL. PRAZO PRESCRICIONAL
DECENAL. VALORES A SEREM APURADOS EM EXECUÇÃO.
DEVER DA OPERADORA DE TELEFONIA DE APRESENTAR
HISTÓRICO DE FATURAS E PAGAMENTOS. ARTIGO 475-B DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE PROVA DE
RECLAMAÇÕES. QUANTUM INDENIZATÓRIO MANTIDO.
RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. , decidem
as Juízas Integrantes da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
do Estado do Paraná, conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe parcial
provimento, nos termos do voto. (TJPR - 3ª Turma Recursal em
Regime de Exceção - 0001247-78.2015.8.16.0160/0 - Sarandi - Rel.:
Renata Ribeiro Bau - - J. 29.09.2015) [grifos nossos]

Ademais, apenas a título de argumentação e considerando decisões do


STJ quanto à necessidade da existência da má-fé por parte da empresa
reclamada para que seja decretada a devolução dos valores cobrados em
DOBRO, restou consolidado neste sentido que a cobrança realizada pela
empresa reclamada é sim de má-fé diante da estratégia empresarial empregada
aos milhões de clientes que, em conjunto, somam quantias exorbitantes.

Em face do exposto, pleiteia-se a condenação da empresa ré à restituição


em dobro da totalidade dos valores indevidamente pagos pelo autor pelos
serviços não contratados, com a devida incidência de correção monetária e juros
de mora, a partir de cada pagamento efetuado, sendo o que, desde já, se pede.

4. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

Como já mencionado, o autor passou por enorme desgaste, conforme


comprova a documentação carreada ao feito, que revela a cobrança reiterada de
serviço não contratado/autorizado por ele. Some-se a isso, o fato, também exposto,
de que o autor, ao identificar a cobrança indevida, solicitara a devolução dos valores
pagos e a retirada da cobrança.

Excelência, as cobranças realizadas por grandes bancos em face dos seus


consumidores, trazem àqueles o enriquecimento ilícito, que é totalmente vedado no
nosso ordenamento jurídico, e tais cobranças além de abusivas, trazem grandes
transtornos aos consumidores, que são submetidos a solicitar cancelamentos via Call
Center, serviço totalmente ineficaz, que os deixam por horas a esperar a solução dos
problemas na prestação de serviços.

Com efeito, a Turma Recursal Única dos Juizados Especiais do Paraná


consolidou entendimento segundo o qual é presumida a existência de dano moral nos
casos serviços de Call Center ineficiente, bem como nos casos em que haja cobrança
de serviços não solicitados, elaborando inclusive Enunciados a respeito do tema,
vejamos:

Enunciado N.º 1.6- Call Center ineficiente – dano moral: Configura


dano moral a obstacularização, pela precariedade e/ou ineficiência do
serviço de call center, por parte da empresa de telefonia, como
estratégia para não dar o devido atendimento aos reclamos do
consumidor.
Enunciado N.º 1.8– Cobrança de serviço não solicitado – dano
moral - devolução em dobro: A disponibilização e cobrança por
serviços não solicitados pelo usuário caracteriza prática abusiva,
comportando indenização por dano moral e, se tiver havido
pagamento, restituição em dobro, invertendo-se o ônus da prova, nos
termos do art. 6º, VIII, do CDC, visto que não se pode impor ao
consumidor a prova de fato negativo.

Destarte, a previsão contida nos enunciados transcritos amolda-se,


precisamente, ao caso dos autos, uma vez que a conduta do réu caracteriza prática
abusiva a ensejar a reparação pelos danos morais notadamente suportados pelo
autor, principalmente pela falha no dever de informação. Nesse sentido:

EMENTA: DEMANDA DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO ? ABERTURA


DE CONTA CORRENTE ? DESCONTOS INDEVIDOS DE TARIFAS
BANCÁRIAS ? AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE OS DESCONTOS
TERIAM SIDO AUTORIZADOS PELO TITULAR DA CONTA ?
PRINCÍPIO DA TRANSPARÊNCIA E BOA-FÉ ? VIOLAÇÃO - FALTA
DE CONHECIMENTO PRÉVIO DO CONTRATO ?
DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE INFORMAR O VALOR E A
FORMA DE COBRANÇA DA TARIFA ? DESCONTOS INDEVIDOS -
REPETIÇÃO DO INDÉBITO DEVIDA ? SENTENÇA REFORMADA. ,
resolve esta Turma Recursal, por unanimidade de votos, conhecer do
recurso e, no mérito, dar- lhe provimento, nos exatos termos do vot
(TJPR - 2ª Turma Recursal - 0005090-17.2013.8.16.0097/0 -
Ivaiporã - Rel.: Marco VinÃ-cius Schiebel - - J. 12.12.2014)

(TJ-PR - RI: 000509017201381600970 PR 0005090-


17.2013.8.16.0097/0 (Acórdão), Relator: Marco VinÃ-cius Schiebel,
Data de Julgamento: 12/12/2014, 2ª Turma Recursal, Data de
Publicação: 17/12/2014)

Ademais, para fins de fixação ao quantum indenizatório, as TRU’s do estado


do Paraná já julgaram casos idênticos a presente demanda, valores que vão até R$
7.000,00 (sete mil reais) no caso de cobranças idênticas às do caso em tela:

SEGUNDA TURMA RECURSAL


Recurso Inominado nº 0013443-71.2014.8.16.0045.
Origem: Juizado Especial Cível de Arapongas.
Recorrente: Alexsandra Campassi.
Recorrida: Banco Santander (Brasil) S.A.
Relator: Juiz Marco Vinícius Schiebel.
EMENTA: AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DÉBITOS EM CONTA
CORRENTE REFERENTES A PARCELAS DE EMPRÉSTIMO
CONSIGNADO JÁ DESCONTADO DA FOLHA DE
PAGAMENTO DO AUTOR E TARIFA MENSALIDADE
PACOTE SERVIÇOS. EXTRAPOLAMENTO DE PODERES
PELA INSTITUIÇAO FINANCEIRA ? INEXISTÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO E CONTRATAÇÃO
DOS DÉBITOS. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO.
DANO MORAL CONFIGURADO. QUANTUM ARBITRADO EM
R$ 4.000,00 (QUATRO MIL REAIS). VALOR ÍNFIMO NO
ENTENDIMENTO DESTE RELATOR. MAJORAÇÃO PARA
R$ 7.000,00. ENUNCIADO 12.13 ?A? DA TRU/PR ?
SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. Recurso
conhecido e provido. Diante do exposto, resolve esta Turma
Recursal, por unanimidade de votos, conhecer dos recursos e,
no mérito, dar- lhe provimento, nos exatos termos do voto.

(TJ-PR - RI: 001344371201481600450 PR 0013443-


71.2014.8.16.0045/0 (Acórdão), Relator: Marco Vinícius
Schiebel, Data de Julgamento: 09/10/2015, 2ª Turma Recursal,
Data de Publicação: 13/10/2015)

Em outros tribunais, também não diverge o entendimento no que diz respeito


à ocorrência de dano indenizável e ao quantum:

DESCONTOS INDEVIDOS EM CONTA CORRENTE DE


CONSUMIDOR. DANO MORAL. OCORRÊNCIA. Reconhecimento,
pela jurisprudência, da configuração de lesão extrapatrimonial em
casos análogos. Sentença mantida. APELAÇÃO PROVIDA. LESÃO
EXTRAPATRIMONIAL. COMPENSAÇÃO. VALOR. REPARAÇÃO
ARBITRADA, EM GRAU RECURSAL, EM R$ 7.880,00. Valor
equivalente a 10 (dez) salários mínimos. Adequação às peculiaridades
do caso concreto, aos princípios da proporcionalidade-razoabilidade e
da moderação, e às finalidades compensatória e pedagógica da
reparação. Sentença mantida. APELAÇÃO PROVIDA.

(TJ-SP - APL: 00026550620138260481 SP 0002655-


06.2013.8.26.0481, Relator: Alberto Gosson, Data de Julgamento:
11/05/2015, 20ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação:
13/05/2015)

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO -


DESCONTO INDEVIDO EM CONTA CORRENTE - AUSÊNCIA DE
CONTRATAÇÃO - DANOS MORAIS - DEVER DE INDENIZAR.
Consoante à jurisprudência, em casos de desconto indevido em conta
corrente, o dano moral é presumido, pelo infortúnio natural decorrente
da violenta subtração do patrimônio de uma pessoa. A
responsabilidade do agente causador do dano moral opera-se por
força do simples fato da violação. Verificados os descontos
indevidos praticados pela instituição financeira, surge a
necessidade da reparação, não havendo cogitar-se da prova do
prejuízo.

(TJ-MG - AC: 10145120274157001 MG, Relator: Pereira da Silva,


Data de Julgamento: 28/05/2013, Câmaras Cíveis / 10ª CÂMARA
CÍVEL, Data de Publicação: 07/06/2013)

Ora, a cobrança de serviços não solicitados e não comunicados ao autor


acarreta situação de aborrecimento que excede a condição de mero dissabor
acarretando assim danos morais, uma vez evidentes a falha na prestação de serviços
e a falha no dever de informação, pela inclusão e cobrança de serviços não solicitados
pelo autor.

Ainda, há que se tratar de forma análoga a aplicação da SÚMULA 532 STJ,


que consolidou que a disponibilização de cartão de crédito (serviços) sem prévia e
expressa solicitação do consumidor configura ato ilícito e é passivo de indenização
por danos morais.

Súmula 532 STJ - Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão


de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor,
configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa
administrativa.

Vale dizer, a súmula 532 do STJ tem a mesma fundamentação do enunciado


1.8 da TRU/PR sendo aplicáveis ao caso em comum interesse.

Por todo o exposto, sopesando-se as razões de fato e de direito, tendo sido


plenamente demonstrada a responsabilidade da ré, requer-se a condenação desta a
indenizar os danos morais causados ao autor, no valor de até R$10.000,00 (dez mil
reais), valor este que irá atender as finalidades PUNITIVA, PEDAGÓGICA e
COMPENSATÓRIA, importe que deve ser corrigido monetariamente e com
incidência de juros de mora de 1% (um por cento) – enunciado 12.13 “a” TRU/PR,
por ser medida de Justiça.
5. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA

Depreende-se do caso em análise, conforme exaustivamente revelado, que


se está diante de relação de consumo a ensejar a aplicação da legislação protetiva do
consumidor e os regramentos dela decorrentes.

De tal sorte, em relação às provas, pede-se a Vossa Excelência seja


aplicada aos autos a inversão do ônus da prova, com fulcro no art. 6º, inciso VIII
da Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor.

Nesse sentido, uma vez aplicada a mencionada norma, pede-se que seja a
Ré intimada a apresentar: 1)Todos os extratos do autor nos últimos cinco anos;
e 2)Gravação e/ou degravação do atendimento da parte autora junto ao call
center da empresa, por ser medida de direito.

6. DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA

Com efeito, a partir da narrativa acima, constata-se que o autor deseja que a
instituição ré cancele a cobrança de algo indevido, eis que não fez qualquer tipo de
solicitação ou autorização de serviço, diga-se de passagem, cobrança de um serviço
que sequer sabia do que se tratava até entrar em contato via Call Center.

Pela vulnerabilidade do autor-consumidor em relação à ré-fornecedora, que


vem procedendo ao desconto indevido, não solicitado, jamais contratado e,
principalmente, não informado, se faz necessário pleitear, de imediato, a Vossa
Excelência a concessão da antecipação de tutela, nos termos dos artigos 84 do
Código de Defesa do Consumidor e 537 do CPC/15, in verbis:

Art. 84. CDC. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da


obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento.
§ 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será
admissível se por elas optar o autor ou se impossível a tutela
específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.
§ 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da
multa § 3° sendo relevante o fundamento da demanda e
havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é
lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após
justificação prévia, citado o réu. (grifei)
§ 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor
multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor,
se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando
prazo razoável para o cumprimento do preceito.
[grifos nossos]

Art. 537. CPC. A multa independe de requerimento da parte e


poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela
provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que
seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine
prazo razoável para cumprimento do preceito.
[...]
§ 4o A multa será devida desde o dia em que se configurar o
descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for
cumprida a decisão que a tiver cominado.
[grifos nossos]

Em face do exposto, se pede que seja concedida a antecipação de tutela


para o fim de determinar que a ré se abstenha de debitar a cobrança de serviços
não solicitados supracitados da conta corrente do autor, em especial a sob
denominação “TARIFA MENSALIDADE PACOTE DE SERVIÇOS”.

Ademais, para fins de efetividade, se faz necessário a fixação por Vossa


Excelência de multa diária em caso de descumprimento da ordem pela Ré,
conforme disciplina o disposto no §4º do artigo 84 do CDC e o art. 537 do Código de
Processo Civil sendo o que, desde já se pleiteia.

7. DAS PROVAS

O autor faz prova com os documentos devidamente em anexo e REQUER a


produção de todos em meios de provas em direito admitido entre elas o depoimento
do representante legal da empresa ré, oitiva de testemunhas e a juntada de
documentos novos.
Outrossim, requer, incidentalmente1, seja a Ré, por força do 397 inciso III do
CPC/2015, obrigada a apresentar todas os extratos do autor nos últimos cinco anos,
já que possui em seus bancos de dados as informações do cliente, inclusive quanto à
cobrança de tais serviços não contratados e não informados ao autor.

Não sendo exibidos os extratos no prazo assinalado por este r. Juízo, requer
seja aplicada a sanção do 400, I e II do CPC/2015, com aplicação da pena presunção
veracidade dos fatos alegados, bem como do cálculo apresentado pelo autor.

III – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante de todo o exposto PEDE a Vossa Excelência que receba a presente


ação e seja ela JULGADA TOTALMENTE PROCEDENTE para o fim de:

a) DECLARAR a ilegalidade dos serviços cobrados e


DETERMINAR a obrigação de fazer à ré que cancele e se
abstenha debitar da conta corrente do autor serviços não
solicitados, indeterminados e não informados ao consumidor,
em especial o serviço “TARIFA MENSALIDADE PACOTE
SERVIÇOS”;

b) DETERMINAR, em sede de antecipação de tutela, que a


Ré se abstenha de cobrar a tarifa aqui debatida, fixando-se multa
ao dia no caso de descumprimento judicial;

1 “Extrai-se dos requerimentos deduzidos na petição inicial, que a principal pretensão da parte é de declaração de
ilegalidade de cobrança de tarifas e encargos e a condenação do polo adverso à respectiva restituição. O
fundamento para se postular incidentalmente a exibição dos documentos, consiste na negativa de fornecimento
pela instituição ré. Desse contexto, possível concluir que o pedido de exibição da documentação não tem natureza
cautelar e, destarte, não se trata de demanda de rito especial. A exibição, in casu, se dá incidentalmente no curso
do processo e na forma dos artigos 355 e seguintes, nada obstando à autoridade processante que, entendendo
pela relevância da argumentação da autora, ordene a exibição dos documentos, juntamente com a contestação
ou mediante a concessão de prazo à parte adversa, sem que isso conflita com o rito procedimental estabelecido
na Lei 9.099/95. (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0036219-85.2010.8.16.0019/0 - Ponta Grossa - Rel.: DOUGLAS
MARCEL PERES - - J. 12.05.2011)
c) CONDENAR a empresa ré a ressarcir em dobro todos os
valores cobrados e pagos pela parte autora, de forma dobrada,
com a devida correção monetária e juros de mora de 1% desde
a citação da presente ação, todos os valores pagos referentes
aos serviços indevidos debitados apurados conforme dispõe o
art. 509, § 2o do CPC/2015.

c.1) Caso a empresa ré deixe de apresentar os devidos


extratos para apuração, pede-se que este julgador considere o
valor a ser restituído, a projeção do importe mensal cobrado
indevidamente, que perfaz atualmente o montante de R$ 46,20
(quarenta e seis reais e vinte centavos), que em dobro,
correspondem a R$ 92,40 (noventa e dois reais e quarenta
centavos), a ser acrescido de projeção por todo o período em
que o autor fora cliente da ré no passado, limitando-se aos
últimos 5 (cinco) anos.

d) CONDENAR a empresa ré ao pagamento de indenização por


danos morais, no valor de R$10.000,00 (dez mil reais).

REQUER a citação da empresa ré via postal para que apresente a sua


contestação específica, sob pena de aplicação da pena de revelia, presumindo-se
assim verdadeiros todos os fatos alegados na presente exordial.

Presente a relação de consumo, REQUER a concessão da inversão do ônus


da prova conforme previsto no art. 6, VIII da Lei 8.078/90 com a devida determinação
judicial para que a empresa ré apresente: 1)Todas os extratos da conta corrente de
titularidade do autor, e 2)Gravação e/ou regravação do atendimento do autor junto ao
call center da empresa ré.

Por fim, REQUER a concessão dos benefícios de Justiça Gratuita, com fulcro
no art. 54 da Lei 9.099/95 e no art. 98 do CPC/15.
IV – DO VALOR DA CAUSA

Dá-se a causa o valor de R$ 10.092,40 (dez mil e noventa e dois reais e


quarenta centavos), valor somatório das condenações pleiteadas.

Nestes termos, pede deferimento.

Maringá, PR, 13 de julho de 2016.

JOÃO PAULO CORSI FREIRE

OAB/PR 69.655

DANILO BORGES PAULINO

OAB/PR 74.368