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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA

COMARCA DE xxxxxxxxxx/uf

FULANA DE TAL, brasileira, viúva, aposentada, portadora da cédula de identidade sob o


número_______ expedida pelo SSP/SP e inscrita no CPF sob o número___________, residente
e domiciliada na Rua ______________, Barueri - SP, CEP: _________; CICLANO DE TAL,
brasileiro, nascido em _________, portador da Cédula de Identidade nº ___________, inscrito
no CPF sob o nº _________; e BELTRANO DE TAL, portador da carteira de identidade nº
__________, inscrito no CPF sob o nº _________ residente e domiciliado na Rua
_______________________, cidade, uf. CEP: _______ endereço eletrônico: _______, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, por seu advogado infra assinado, com
fundamento no Art. 16 da Lei 1.046/50, propor

AÇÃO ANULATÓRIA DE CONTRATO COM INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO c/c INDENIZAÇÃO POR


DANOS MORAIS

em face BANCO BRADESCO S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº
60.746.948/9704-05, situada na Cidade de Deus, s/n, Vila Yara, Osasco – SP. CEP: 06029-900,
pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

PRELIMINARMENTE

DA TUTELA ANTECIPADA

Por oportuno, Requer ao douto juízo o DEFERIMENTO DA MEDIDA LIMINAR, pois se acham
induvidosamente demonstrados o fumus boni iuris e o periculum in mora a seguir narrados e
comprovados, bem como a INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA, a teor do art. 6º do Código de
Defesa do Consumidor, considerando a “exposição” da Demandante às práticas contrarias ao
CDC e por ser visivelmente vulnerável o consumidor nas relações consumeristas, devendo,
portanto, a Empresa demandada ter a incumbência de produzir provas contrarias às alegações
iniciais do Autor.
DA CURADORIA

Ressalta-se que a Autor é pessoa idosa, com problemas de saúde, torna impossível o seu
deslocamento à diligências e outros feitos itinerantes, razão pela qual requer a nomeação de
seu filho, CICLANO DE TAL, portador da carteira de identidade nº _______, inscrito no CPF sob
o nº _____________, residente e domiciliado na Rua_____________________, Barueri – SP.
CEP: _____________, como curador, para possibilitar o ajuizamento da presente ação.

1) DOS FATOS:

O falecido marido da a Requerente, Sr. FALECIDO, era beneficiário de aposentadoria pela


Previdência Social – INSS.

O de cujus, contraiu dois empréstimos consignados, o primeiro em 16/10/2012 no valor de R$


4.353,15; e o segundo, celebrado em 03/08/2015 no valor de R$ 24.900,00. Ambos somavam o
valor de R$ 29.253,15, a serem pagos em 60 parcelas de R$ 879,48 mensais.

Ocorre que, em decorrência de uma parada cardíaca, em 10/09/2016, o Sr. _________o veio a
falecer, deixando dois filhos maiores. Conforme Certidão de Óbito anexa.

No mesmo período, a Requerente comunicou ao INSS o falecimento de seu marido, para que
fosse cessado o recebimento, requerendo por conseguinte, o fim dos descontos referente
àqueles empréstimos.

Todavia Excelência, para a infeliz surpresa da Autora, o banco Réu, iniciou ostensiva cobrança
dos valores consignados mediante ligações diárias, inclusive com notificações de inserção do
nome de falecido marido em CADASTRO DE DEVEDORES, pelo débito de R$ 1.758,96(hum mil
setecentos e cinquenta e oito reais e noventa e seis centavos). Conforme documentação
anexa.

Diligenciando para compor a melhor solução do problema, a Requerente apresentou ao banco


Réu a original da Certidão de Óbito, na agencia filiada, solicitando o efetivo cancelamento do
contrato, consequentemente, que as cobranças tivesse fim.
Malgrado, o Réu insiste na cobrança até a presente data. E pior, agora o Banco Bradesco
registrou a NEGATIVAÇÃO DO DE CUJUS NOS ORGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO, maculando
indevidamente o bom nome do aposentado que SEMPRE foi fiel às suas obrigações.

Ora Excelência, como poderia a Instituição Financeira Ré perpetuar um contrato de


empréstimo, vinculado ao benefício previdenciário, cuja condição é a contemplação EM VIDA
do beneficiário?

Fosse assim, estar-se-ia abrindo portas para inúmeras modalidades fraudulentas. O que
evidentemente, se quer evitar a vista do colapso enfrentado pela Previdência Social do Brasil.

De outra sorte, de acordo com o Art. 16 da Lei Federal 1.046/50, JAMAIS o Banco Réu poderia
exigir a eficácia do empréstimo. Tão pouco, permear as cobranças em face do morto ou de
seus herdeiros, pois que, com o falecimento do consignante fica extinta a dívida.

Pasmem - ainda sim, insistindo na composição administrativa junto ao Banco Bradesco, os


Requerentes uniram forças para tentar fazer cessar as cobranças indevidas, o que inclui:
contado formal diretamente com o Banco Central do Brasil - BACEN; com o site de composição
informal (“Reclame Aqui”); ligações junto ao SAC e ouvidoria do Réu; e-mails etc. Porém,
TODAS INFRUTÍFERAS, conforme os seguintes protocolos:

· Reclamação no BACEN sob o número: 2016500679;

· Protocolo Bradesco Promotora: 22559828 atendente Juliana;

· Protocolo 01 Ouvidoria Bradesco: 282916890 atendente Leandro;

· Protocolo 02 Ouvidoria Bradesco: 283053190 atendente Bruna.

Por fim, frustrada todas as tentativas de composição amigável do problema (CONFORME


DEMONSTRA INÚMEROS PROTOCOLOS ACIMA), não restou alternativa, a não ser, socorrer à
Justiça para que, finalmente, seja cancelado o contrato de empréstimo consignado; a
inexigibilidade de quaisquer valores referente ao empréstimo; a retirada do no nome do seu
falecido marido dos órgãos de proteção ao crédito; e a reparação pelos danos morais sofridos.

2) DO DIREITO:

Inicialmente, cumpre destacar que a relação jurídica lassada é nitidamente de consumo, pois
presentes os pressupostos dos Arts. 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Dos produtos que a instituição financeira comercializa - o dinheiro - tem especial relevância
enquanto bem juridicamente consumível, como o são as demais mercadorias em geral.
Quanto à natureza dos serviços prestados pelo requerido na situação em exame, o legislador
foi exato ao incluir como objeto da relação de consumo a expressão "natureza bancária" ao
conceituar serviço no § 2º, do Art. 3º, do CDC.

Assim sendo, as irregularidades apontadas deverão ser consideradas sob a ótica do Código de
Defesa do Consumidor, a fim de que se dê a efetiva e adequada tutela que se faz merecedora a
Requerente em razão do polo em que ocupa na relação jurídica sub judice, sendo-lhe devidos
todos os direitos e garantias de ordem material e processual propiciados pelo Código de
Defesa do Consumidor.

Conforme demonstrado acima, o Réu pisoteia nos direitos dos Autores e de suas famílias. Os
trata, verdadeiramente, como se não existissem, de modo a ignorá-los, uma vez após a outra.

Temos que, os contratos firmados, do primeiro ao último, revelam estrita ligação com
consignante falecido. Portanto, a vitalidade e o usufruto do consignado pelo beneficiário é
condição sine qua non para a validade do negócio jurídico.

De outra hermenêutica, a própria Consignação do pagamento é uma modalidade de garantia


utilizadas pelas Instituições Financeiras, para assegurar o adimplemento do crédito. Sem falar
na vantajosa remuneração pelos enormes juros, lucrando demasiadamente com a concessão
desses empréstimos.

Dessa forma, com a morte do consignante, POR ÓBVIO, o benefício é interrompido, não
havendo razão para perpetuar a contrato em consignação. Seria temerário e arriscado para a
própria manutenção da ordem econômica, aceitar tal retrogresso.
Corrobora para esse entendimento a melhor Jurisprudência, vejamos:

Ação declaratória c.c. indenização por danos materiais e morais contrato de empréstimo
consignado em proventos de aposentadoria - extinção da divida do consignado pela morte do
mutuário com a conseqüente devolução de valores descontados após o falecimento -
aplicação do art. 16 da Lei nº 1046/50 - indevida repetição em dobro do indébito, porquanto
não comprovada mã-fé do réu - inadmis s ive1 envio do nome do contratante aos cadastros de
inadimplentes dos órgãos de proteção ao crédito após o óbito - cabível indenização por danos
morais demanda parcialmente procedente improvido o recurso da instituição financeira -
provimento parcial ao dos autores. (TJ-SP - Apelação APL 00243146520118260344 SP
0024314-65.2011.8.26.0344). (grifo nosso).

Declaratória c.c. indenização por danos materiais e morais contrato de empréstimo


consignado com desconto direto nos proventos de aposentadoria – morte da mutuária -
extinção da dívida - aplicação do art. 16 da Lei nº 1.046 /50 – inadmissível o envio do nome da
contratante aos cadastros de inadimplentes após o óbito - cabível indenização por danos
morais – elevação de R$2.000,00 para R$5.000,00 – valor mais condizente com as
peculiaridades do caso concreto - demanda procedente - improvido o recurso da instituição
financeira – provido o adesivo da autora. (TJ-SP - Apelação APL 10202573520148260003 SP
1020257-35.2014.8.26.0003). (grifo nosso).

Veja que não há base legal que permita a cobrança perpétua de valores derivados de
empréstimos consignados em folha de pagamento, muito menos em se tratando de benefício
da Previdência Social. Ainda mais quando o beneficiário não vive mais, para gozar da
remuneração.

Nessa esteia, existe Lei Federal que regula esse tipo de contrato, qual seja a Lei 1.046/50.
Especialmente o que determina seu Art. 16. Senão vejamos:

Art. 16. Ocorrido o falecimento do consignante, ficará extinta a dívida do empréstimo feito
mediante simples garantia da consignação em folha.

Contudo, há quem diga – principalmente as instituições financeiras – que a referida Lei foi
revogada, pois existem – hoje – leis que regulamentam os empréstimos consignados,
porquanto não prevê a referida extinção quando da morte do consignante.
Todavia, tal fundamento não merece prosperar. Esclarecemos:

No que tange a Lei de 1950, no máximo ela foi derrogada, devendo seguir a sua interpretação,
não literal, mas sim teleológica. Isto é, em que pese existirem leis e decretos posteriores que
vigem sobre o empréstimos consignados, todas não preveem o fator morte, em seus textos.

Sendo assim, deve ser adotado a melhor técnica hermenêutica. Tutelando o direito do morto e
da sua família, fundamentando a situação fática pelo Art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução ao
Código Civil, porquanto esta passou a disciplinar o regime administrativo dos servidores
públicos da União, suas autarquias e fundações públicas, prevendo, em seu Art. 45, o princípio
matriz do regime consignatório.

Dessa forma, há de ser aplicado o sentido teleológico da lei derrogada, de modo a respeitar a
seguinte lógica: questiona-se - como a obrigação poderá permanecer sob a responsabilidade
da fonte pagadora, se está já não existe mais?

Logo, com a morte do beneficiário/consignante, resta evidente a extinção da consignação.

No mesmo sentido, é cristalino a Jurisprudência sobre o tema:

CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO


CONSIGNADO. MORTE DO CONSIGNANTE. EXTINÇÃO DA DÍVIDA. ART. 16 DA LEI 1.046 /50. LEI
10.820 /03. AUSÊNCIA DE REVOGAÇÃO. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. DESONERAÇÃO DOS
SUCESSORES. I - Lei posterior revoga a anterior "quando expressamente o declare, quando seja
com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior"
(§ 1º do art. 2º do Decreto-Lei n. 4.657 , de 04/09/1942, Lei de Introdução ao Código Civil). II -
Dispõe a Lei n. 1.046 , de 2 de janeiro de 1950: "Art. 16 . Ocorrido o falecimento do
consignante, ficará extinta a dívida do empréstimo feito mediante simples garantia da
consignação em folha."III - Hipótese em que não se verifica a revogação expressa ou tácita do
dispositivo da lei anterior, com a vigência da Lei n. 10.820 , de 17 de dezembro de 2003, que
dispôs sobre a autorização para desconto de prestações em folha de pagamento, uma vez que
não regulou a questão específica do caso de mortedo consignante, fato que legitima a
aplicação do art. 16 da referida Lei n. 1.046 /50. IV - "Embora tais disposições não estejam
insertas nos instrumentos de Contratos de Empréstimos celebrados junto às grandes
instituições financeiras, tal determinação se mantém em vigor, porquanto a novel Lei nº
10.820 /03, que trata do crédito consignado, não regulou a hipótese de falecimento do
mutuário. 4. É fato comezinho que os Bancos, ao elaborarem os Contratos com desconto em
folha, mencionam apenas o referido dispositivo legal, sendo omissa quanto à hipótese de
falecimento do mutuário. 5. Entretanto, o artigo 16, da Lei nº 1.046 /50, elucida tal questão,
revelando que a cobrança levada a efeito nos presentes autos entremostra-se abusiva, pois
com a morte do mutuário, extingue-se o débito, cuja liquidação ocorre mediante a utilização
de Seguro celebrado pelo Banco para este tipo específico de operação."V - Correta a sentença,
no sentido de pronunciar a extinção da dívida nos termos do disposto no art. 16 da lei 1.046
/1950, com base no fato de que"a inadimplência teve início na parcela vencida em 07.10.2010,
data posterior ao falecimento do Consignante, ocorrido no dia 20.12.2009." VI - Apelação da
Caixa a que se nega provimento (...) (TRF-1 - APELAÇÃO CIVEL AC 132043720104013803 MG
0013204-37.2010.4.01.3803)

Assim, o art. 16 da Lei 1046/50 ('Ocorrido o falecimento do consignante, ficará extinta a dívida
do empréstimo feito mediante simples garantia da consignação em folha') está derrogado pelo
art. 45 da Lei nº 8.112/90, que deixou de prever a hipótese mencionada, e previu
expressamente que a forma em que se dará a consignação em folha de pagamento será
regrada por regulamento específico, no caso, atualmente, o Decreto nº 6.386/2008. Como se
percebe, Lei nº 8.112/90 e o Decreto nº 6.386/08 (que rege os empréstimos consignados dos
servidores federais) não contêm previsão semelhante à do art. 16 da Lei nº 1.046/50,
inexistindo amparo legal à pretensão da parte embargante. Ainda que assim não fosse, o art.
16 da Lei nº 1.046/50 não deve ser interpretado somente em seu sentido gramatical, mas no
sentido teleológico, de que ficará extinta a consignação, mas não a obrigação, sob pena de
ofensa ao princípio da propriedade privada e enriquecimento ilícito. (REsp. 1.672.121 - SC.
Min. Regina Helena Costa – 2017/0112548-6). (grifo nosso).

Portanto, o cancelamento do empréstimo consignado, há de ser declarada. Pedido que desde


já se requer.

2.1) DOS DANOS MORAIS:

Como se sabe, a proteção e defesa do consumidor possuem berço na Constituição da


República, pois, além de um direito e garantia individual (Art. 5º, inciso XXXII), é um dos
fundamentos da República insertos no princípio da dignidade da pessoa humana, consagrado
pelo Art. 1º, inciso III daquele texto. Nesse diapasão, qualquer norma legal que contrarie o
texto constitucional, ou a lei, é considerada ilegal, e, no caso específico dos autos, a ilegalidade
decorre de expressa previsão em lei federal.
O Art. 5º, X, da Constituição da República assegura que são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação.

No caso dos autos, ficou evidenciado a inobservância do Banco Réu às suplicas de


cancelamento do contrato de consignação em razão da morte do beneficiário.

Veja que, não foram poucas as vezes na tentativa da viúva e de seus filhos em solucionar o
impasse. Notável portanto, a pretensão resistida por todos os recurso disponíveis, conforme
colaciona inúmeros protocolos de reclamação.

Não bastasse o latejante infortúnio das cobranças indevidas – pasmem – agora, o Banco Réu
NEGATIVOU O NOME do Sr. FALECIDO.

A NEGATIVAÇÃO INDEVIDA, portanto, é ATO abusivo, contrário à boa-fé objetiva, violador das
normas estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor e inquinado pelo dolo do
fornecedor, vício que caracteriza o dano moral IN RE IPSA.

A conduta, positiva ou omissiva, de alguém capaz de causar dano moral é aquele lesivo aos
direitos da personalidade, que viole a intimidade, a vida privada, a honra, a imagem,
produzindo sofrimento, dor, humilhação ou abalo psíquico à pessoa. Esse é o norte dos
basilares entendimentos jurisprudenciais:

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO. RESPONSABILIDADE CIVIL. NEGATIVAÇÃO EM CADASTROS


DE INADIMPLENTES. QUANTUM INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE. DECISÃO AGRAVADA
MANTIDA. IMPROVIMENTO. 1.- “Nos casos de protesto indevido de título ou inscrição irregular
em cadastros de inadimplentes, o dano moral se configura in re ipsa, isto é, prescinde de
prova, ainda que a prejudicada seja pessoa jurídica.” (REsp 1059663/MS, Rel. Min. NANCY
ANDRIGHI, DJe 17/12/2008). 2.- A intervenção do STJ, Corte de caráter nacional, destinada a
firmar interpretação geral do Direito Federal para todo o país e não para a revisão de questões
de interesse individual, no caso de questionamento do valor fixado para o dano moral,
somente é admissível quando o valor fixado pelo Tribunal de origem, cumprindo o duplo grau
de jurisdição, se mostre teratólogico, por irrisório ou abusivo. 3.- Inocorrência de teratologia
no caso concreto, em que, em razão da indevida inscrição do nome do autor em cadastros de
inadimplentes, foi fixado o valor de indenização de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), a
título de danos morais, devido pelo banco ora agravante ao autor, a título de danos morais. 4.-
O agravante não trouxe nenhum argumento capaz de modificar a conclusão do julgado, a qual
se mantém por seus próprios fundamentos.(grifo nosso).

Perante os fatos narrados, verifica-se a pior prática ilícita de um credor. Ou seja, a infundada
atitude de cadastrar o nome de um inocente junto aos órgãos de proteção ao crédito.

O apontamento indevido do nome do falecido marido da Requerente para sua inscrição no


sistema de devedores, vem acometendo a viúva a um martírio sem fim, na medida em que
provoca sentimentos inerentes a honra da sua família. Isto é, vem sofrendo, com a mácula do
bom nome e honra do seu marido, além da preocupação e intranquilidade pelas cobranças.

A questão de fato não oferece maiores controvérsias, não houve qualquer contribuição para o
consignante em vida, nem em morte para o evento danoso. E por outro lado, resta
comprovado a negligência e o descontrole da Requerida, ao permitir que indevidamente fosse
levado à inscrição do seu nome aos órgãos de proteção ao crédito. Gerando assim, a obrigação
de indenizar o dano moral daí advindo.

Aliado a isso, o Código de Defesa do Consumidor se preocupou em garantir a reparação de


danos sofridos pelo consumidor, conforme o Art. 6º, inciso VI:

Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e


difuso.

Ademais, restando verificada a falha do serviço e, consectória responsabilidade civil objetiva


do prestador de serviço, deve ser deferida a anulação contratual, retroativamente ao mês de
setembro de 2016, momento do falecimento do beneficiário/consignante.

Do todo exposto, patente é o dano causado à Autora e sua família, por ato negligente do
Banco Réu, portanto configurador do ato ilícito, conforme disposição do Art. 186 do Novo
Código Civil, resta indubitável a obrigação de reparar, consoante o Art. 927 do mesmo diploma
legal.
Assim, o referido valor deve garantir à parte lesada, reparação que lhe compense o
sofrimento, bem como cause impacto suficiente para desestimular a reiteração do ato por
aquele que realizou a conduta reprovável.

Em atenção aos critérios acima referidos, em especial ao porte econômico elevado do Banco
Réu, a natureza do ato perpetrado e o evidente descaso da mesma quando da NEGATIVAÇÃO
EM CADASTRO DE DEVEDORES, e acerca dos erros cometidos, sugere-se a fixação dos danos
morais no valor de R$ 11.244,00 (onze mil duzentos e quarenta e quatro reais), equivalentes a
12 salários-mínimos.

2.2) DA ANTECIPAÇÃO DA TUTELA:

No tocante ao requisito do fumus boni iuris ressoa configurada a sua existência, visto que a
maioria dos doutrinadores o qualificam como a provável existência de um direto a ser
tutelado, o que em consonância com as razões inseridas no bojo desta peça exordial,
encontra-se sobejamente configurado. Fortalecendo a fumaça do bom direito destacamos a
concreta coerência do direito dos Requerentes, especialmente considerando que o nome do
seu patriarca marido está NEGATIVADO. E CONTINUA SOFRENDO COM AS MASSACRANTES
COBRANÇAS DO SUPOSTO DÉBITO.

Quanto ao perigo de dano irreparável não é menos fácil uma objetiva constatação: se não
obtém desde logo a liminar, verá a Autora, diante de si o agravamento do seu quadro de
saúde. Ademais, ficou registrado alhures, que a 1ª Requerente é pessoa idosa, e com a saúde
debilitada.

De outro lado, a saúde psíquica da idosa vem perecendo drasticamente, diante das incisivas
cobranças, e pela permanência da negativação do de cujus, o que torna o seu luto ETERNO.
Aliás, corre-se o risco até mesmo de perecimento de seu direito patrimonial, tendo em vista
possíveis ações constritivas por parte do Banco. Por conseguinte, o deferimento desta liminar
é medida salutar ao engrandecimento dos Direito Individuais da Dignidade Humana.

Inicialmente foram explicitados os abusos praticados pelo Banco Réu, não deixando alternativa
à Requerente a não ser procurar as medidas judiciais cabíveis, na tentativa do cancelamento
contratual, pois, se não obtiver a guarida do judiciário, continuará sofrendo as mesmas
cobranças, que impactam diretamente na sua saúde.
Do Fumus Boni Iuris e do Periculum in Mora.

O presente caso tem perfeitamente configurado todos os requisitos do Art. 298 e Art. 300 do
NCPC, haja vista, o episódio em tela, tratar-se de contrato de empréstimo consignado em folha
de pagamento do beneficiário jaz falecido.

Há no contrato em cheque a inteira ausência de bilateralidade. Todavia, a Requerente está


sendo sujeitada a conviver com a SUPOSTA INADIMPLÊNCIA do falecido marido, inclusive
sendo alvo de contundentes cobranças, sendo esses motivos graves à sua saúde, física e
psíquica, trazendo prejuízos irretroativos. Os acenados fatos desequilibram e causam danos
irreversíveis a mesma, bem como para a sua família.

O PERIGO DA DEMORA caracteriza-se, pela impossibilidade de manter a incolumidade do bom


nome da seu marido falecido. Fato este, que continuará, caso não seja deferida a medida
liminar requerida para que cessem as combatidas cobranças indevidas.

O FUMUS BONI JURIS no caso vertente, não está consubstanciada exclusivamente na pronta
compreensão de sua certeza jurídica, mas sim, vinculado fundamentalmente à plausividade de
sua arguição e da inutilidade de sua concretização tardia.

Portanto Excelência, verifica-se que a situação da Autora atende perfeitamente a todos os


requisitos esperados para a concessão da medida antecipatória, pelo que, se busca, antes da
decisão do mérito em si, a ordem judicial para:

Cancelar o contrato de empréstimo consignado, vinculado ao nome do falecido marido da


Autora, Sr. FALECIDO, sob pena de multa única de R$ 2.000,00;

Seja declarada a inexigibilidade de todos os débito referente ao contrato, desde a data do seu
falecimento, qual seja 10/09/2016, fazendo cessar toda e qualquer cobrança, sob pena de
multa diária a ser arbitrada por este Juízo;

Seja retirado o nome do Sr. FALECIDO dos Órgão de Proteção ao Crédito, sob pena de multa
diária a ser arbitrada por esse Juízo.

Para tanto, requer de Vossa Excelência, que se digne a determinar a expedição de INTIMAÇÃO
do Réu, ou por outro meio que entender mais eficaz.
3) DOS PEDIDOS:

I – A citação do Requerido no endereço inicialmente indicado, quanto à presente ação, e sobre


a decisão proferida em sede liminar, sendo esta realizada por via postal – visando maior
economia e celeridade processual, para que, perante esse Juízo, apresente a defesa que tiver,
dentro do prazo legal, sob pena de confissão quanto à matéria de fato ou pena de revelia, com
designação de data para audiência a critério do D. Juízo; devendo ao final, ser julgada
PROCEDENTE a presente Ação, sendo a mesma condenada nos seguintes termos:

II – Em razão da verossimilhança dos fatos ora narrados, da hipossuficiência da Requerente, da


fumaça do bom direito e do perigo da demora, que Vossa Excelência se digne a conceder,
liminarmente e “inaudita altera pars”, A ANTECIPAÇÃO DA TUTELA e a expedição da
competente ordem com o fito do Requerido ser obrigado:

a) Cancelar o contrato de empréstimo consignado, vinculado ao nome do falecido marido da


Autora, Sr. FALECIDO, sob pena de multa única de R$ 2.000,00;

b) Seja declarada a inexigibilidade de todos os débito referente ao contrato, desde a data do


seu falecimento, qual seja 10/09/2016, fazendo cessar toda e qualquer cobrança, sob pena de
multa diária a ser arbitrada por este Juízo;

c) Seja de imediato a tomara a providências administrativas necessárias para exclusão do


nome do Sr. FALECIDO dos Órgão de Proteção ao Crédito, sob pena de multa diária a ser
arbitrada por esse Juízo.

III – A procedência do pedido, determinado:

a) A condenação do Banco Réu ao pagamento de indenização por Danos Morais, no valor de


R$ 11.244,00 (onze mil duzentos e quarenta e quatro reais).

b) A inversão do ônus da prova, com fundamento no Art. 6º, VIII, do CDC;


c) A condenação do Réu ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, no
caso de recurso;

Outrossim, requer:

IV - A nomeação, como curador de lide, o filho da Autora, CICLANO DE TAL, cuja documentação
segue anexa, tendo em vista à impossibilidade de comparecimento pessoal da Autora idosa;

V - O prazo de 10 (dez) dez dias para a juntada do intrumento de procuração da parte Autora.

Outrossim requer, que todas as INTIMAÇÕES E PUBLICAÇÕES e notificações ocorram


exclusivamente em nome do advogado WESLEY COSTALONGA, inscrito OAB/RJ 200.678, sob
pena de nulidade.

Pretende-se provar o alegado através de prova documental, testemunhal, depoimento pessoal


e demais meios de prova em Direito admitidas, nos termos do art. 369 do Código de Processo
Civil.

Dá-se à causa o valor de R$ xxxxxxxxxxxxx.

Termos em que,

Pede Deferimento.

Cidade/uf, dia, mês, ano

Nome do advogado

Oab/uf n°xxx