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Carreira Jurídica – Módulo II

Direito Tributário – Aula 3


Renato De Pretto

1. Pagamento (arts. 157/164, CTN) II - primeiramente, às contribuições de


(iii) art. 161, CTN: Juros e penalidades – melhoria, depois às taxas e por fim aos
cumulação cabível (*) impostos;
“São cumuláveis os encargos da dívida III - na ordem crescente dos prazos de
relativos aos juros de mora, multa e correção prescrição;
monetária – Precedentes.” (STJ, 2ª T., AgRg IV - na ordem decrescente dos montantes.
no AREsp 113.634/RS, Rel. Ministra ELIANA Súmula nº 464, STJ. A regra de imputação de
CALMON, out/2013). pagamentos estabelecida no art. 354 do
- SELIC no plano federal e possibilidade de Código Civil não se aplica às hipóteses de
sua utilização no âmbito estadual (*): compensação tributária.
“É legítima a utilização da taxa SELIC como - Pagamento Indevido e Repetição do
índice de correção monetária e juros de mora Indébito (arts. 165/169, CTN)
dos débitos do contribuinte para com a (i) prova do erro? Desnecessária
Fazenda Pública (REsp 879.844/MG, DJe (“independentemente de prévio protesto” –
25.11.2009, julgado sob o rito dos recursos art. 165, caput, CTN;
repetitivos).” (ii) ilegitimidade do mero arrecadador do
“É cediço nesta Corte o entendimento de que tributo (*);
é cabível a aplicação da Taxa SELIC, na DIREITO PROCESSUAL CIVIL E
hipótese de haver Lei estadual nesse sentido, TRIBUTÁRIO. LEGIMITIDADE PASSIVA EM
vedada a cumulatividade com outro índice.” DEMANDA QUE OBJETIVA A RESTITUIÇÃO
(STJ, 2ª T., AgRg no AREsp 362.763/PR, Rel. DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, INDEVIDAMENTE ARRECADADA. Não é
set/2013). cabível o ajuizamento de demanda judicial na
- Consulta (§ 2º): suspensão da mora se qual se pleiteie a restituição de contribuição
dentro do prazo para pagamento do tributo. previdenciária indevidamente arrecadada em
(iv) art. 162, CTN: formas de pagamento face do sujeito que apenas arrecada o tributo
(moeda corrente, cheque, vale postal, em nome do sujeito ativo da relação jurídico-
estampilha, papel selado e processo tributária. Pertence ao sujeito ativo da relação
mecânico); jurídico-tributária, e não ao sujeito que apenas
(v) art. 163, CTN (*): imputação em arrecada a contribuição previdenciária em
pagamento - critérios: nome do sujeito ativo, a legitimidade para
- 1. contribuinte → responsável; figurar no polo passivo de demanda em que
- 2. grau de retributividade; se pleiteie a restituição do tributo
- 3. ordem crescente da indevidamente arrecadado. (STJ, AREsp
prescrição; 199.089-PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima,
- 4. ordem decrescente dos julgado em 05/02/2013).
montantes – S. 464, STJ (*) – AGRAVANTE : SINDICATO DOS
inaplicabilidade da regra do art. TRABALHADORES DAS UNIVERSIDADES
354, CC; FEDERAIS DE PERNAMBUCO SINTUFEPE
Art. 163, CTN. Existindo simultaneamente AGRAVADO : UNIVERSIDADE FEDERAL
dois ou mais débitos vencidos do mesmo DE PERNAMBUCO UFPE.
sujeito passivo para com a mesma pessoa (iii) cabível para crédito decaído ou prescrito
jurídica de direito público, relativos ao mesmo (STJ);
ou a diferentes tributos ou provenientes de (iv) restituição de tributo indireto – art. 166,
penalidade pecuniária ou juros de mora, a CTN (*) e S. 546, STF (*);
autoridade administrativa competente para - contribuinte de fato e contribuinte de
receber o pagamento determinará a direito
respectiva imputação, obedecidas as Art. 166, CTN. A restituição de tributos que
seguintes regras, na ordem em que comportem, por sua natureza, transferência
enumeradas: do respectivo encargo financeiro somente
I - em primeiro lugar, aos débitos por será feita a quem prove haver assumido
obrigação própria, e em segundo lugar aos referido encargo, ou, no caso de tê-lo
decorrentes de responsabilidade tributária;

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transferido a terceiro, estar por este INDÉBITO. – Diante do que dispõe a


expressamente autorizado a recebê-la. legislação que disciplina as concessões de
Súmula nº 546, STF: serviço público e da peculiar relação
“Cabe a restituição do tributo pago envolvendo o Estado-concedente, a
indevidamente, quando reconhecido por concessionária e o consumidor, esse último
decisão que o contribuinte ‘de jure’ não tem legitimidade para propor ação
recuperou do contribuinte ‘de facto’ o declaratória c/c repetição de indébito na qual
‘quantum’ respectivo”. se busca afastar, no tocante ao fornecimento
“Contribuinte de direito é o sujeito passivo que de energia elétrica, a incidência do ICMS
tem relação pessoal e direta com o fato sobre a demanda contratada e não utilizada.
gerador, nos termos do art. 121, parágrafo – O acórdão
único, I, do CTN. Indicado na lei para ocupar proferido no REsp 903.394/AL (repetitivo), da
o polo passivo da obrigação tributária, é Primeira Seção, Ministro Luiz Fux, DJe de
também quem deve, em última análise, 26.4.2010, dizendo respeito a distribuidores
recolher o tributo ao Fisco. 5. Assim, de bebidas, não se aplica ao casos de
contribuinte de direito é, por definição, aquele fornecimento de energia elétrica. Recurso
e somente aquele determinado pela lei. 6. especial improvido. Acórdão proferido sob o
Contribuinte de fato é quem suporta o ônus rito do art. 543-C do Código de Processo
econômico do tributo, ou seja, a quem a carga Civil.” (STJ, Primeira Seção, REsp
do tributo indireto é repassada, normalmente 1299303/SC, Rel. Min. CESAR ASFOR
o consumidor final.” (STJ, 2ª T., REsp ROCHA, ago/2012).
928875/MT, Rel. Ministro HERMAN - ilegitimidade do mero pagador (*):
BENJAMIN, mai/2010). “IPTU. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO.
- ilegitimidade, como regra, do LEGITIMIDADE ATIVA DO DESTINATÁRIO
contribuinte de fato para a ação de repetição DO CARNÊ. IMPOSSIBILIDADE.
do indébito tributário: (*) ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO
“1. Segundo o decidido no recurso STJ NO AGRG NO RESP 836.089/SP. 1.
representativo da controvérsia REsp. n. Configura-se matéria de direito o debate
903.394/AL, Primeira Seção, Rel. Ministro acerca da legitimidade ativa para postulação
Luiz Fux, DJe de 26.04.2010, submetido ao de repetição de indébito de IPTU. 2. O
rito do artigo 543-C do CPC, em regra o entendimento da Primeira Seção deste
contribuinte de fato não tem legitimidade ativa Superior Tribunal de Justiça é pela
para manejar a repetição de indébito impossibilidade de que pessoa diferente do
tributário, ou qualquer outro tipo de ação proprietário do imóvel seja legitimado ativo
contra o Poder Público de cunho declaratório, para postular repetição de indébito de IPTU,
constitutivo, condenatório ou mandamental, uma vez que, seja locatário, seja destinatário
objetivando tutela preventiva ou repressiva, do carnê, a obrigação contratual entre este e
que vise a afastar a incidência ou repetir o proprietário do imóvel (contribuinte)
tributo que entenda indevido.” (STJ, 2ª T., não pode ser oponível à Fazenda (AgRg no
AgRg no AgRg no REsp 1228837/PE, Rel. REsp 836.089/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Primeira Seção, DJe 26/04/2011).” (STJ, 1ª
set/2013). T., AgRg no AgRg no AREsp 143.631/RJ,
- legitimidade excepcional do Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES,
contribuinte de fato para a ação de repetição out/2012).
do indébito tributário (*) (v) precatório ou compensação – S. 461, STJ
REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. (*);
ART. 543-C CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Súmula nº 461, STJ: O contribuinte pode
CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. optar por receber, por meio de precatório ou
ENERGIA ELÉTRICA. INCIDÊNCIA DO ICMS por compensação, o indébito tributário
SOBRE A DEMANDA ‘CONTRATADA E NÃO certificado por sentença declaratória
UTILIZADA’. LEGITIMIDADE DO transitada em julgado.
CONSUMIDOR PARA PROPOR AÇÃO (vi) restituição com juros e correção (art. 167,
DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE CTN) – S. 188, STJ (*) e S. 162, STJ (*).

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Súmula nº 162, STJ: Na repetição de indébito EDCL. MATÉRIA REPETITIVA. ART. 3º DA


tributário, a correção monetária incide a partir LC N. 118/2005. POSICIONAMENTO DO
do pagamento indevido. STF. A Seção, por maioria, confirmou o
Súmula nº 188, STJ: Os juros moratórios, na entendimento de julgamento anterior
repetição do indébito tributário, são devidos a submetido ao regime do art. 543-C do CPC e
partir do trânsito em julgado da sentença. Res. n. 8/2008-STJ de que, após a
(vii) prazo no âmbito administrativo – 5 anos declaração de inconstitucionalidade do art. 4º
(art. 168, CTN) – prazo decadencial: (i) da LC n. 118/2005, permanece a regra geral
extinção não-contenciosa; (ii) extinção de que o art. 3º da mesma lei entra em vigor,
contenciosa (*); como todo o conjunto normativo a que
Art. 168, CTN. O direito de pleitear a pertence, 120 dias após a sua publicação, ou
restituição extingue-se com o decurso do seja, em 9/6/2005.
prazo de 5 (cinco) anos, contados: Sendo assim, consoante a correta leitura do
I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo art. 3º, a partir de 9/6/2005, para efeito de
165, da data da extinção do crédito tributário; interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a
II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da extinção do crédito tributário ocorre, no caso
data em que se tornar definitiva a decisão de tributo sujeito a lançamento por
administrativa ou passar em julgado a decisão homologação, no momento do pagamento
judicial que tenha reformado, anulado, antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do
revogado ou rescindido a decisão referido código. (STJ, EDcl no REsp
condenatória. 1.269.570-MG, Rel. Min. Mauro Campbell
(viii) prazo no âmbito judicial – art. 169, CTN Marques, julgados em 22/8/2012 - ver
(*): Informativo n. 498).
a) via judicial direta – 5 anos; 2. COMPENSAÇÃO (arts. 170 e 170-A, CTN)
b) prévia via administrativa – prazo (i) pressupostos: mesmas partes, lei
prescricional de 2 anos. (não é autoaplicável a compensação
Art. 169, CTN. Prescreve em 2 (dois) anos a no CTN) e dívida líquida, certa e de
ação anulatória da decisão administrativa que crédito vencido ou vincendo;
denegar a restituição. (ii) art. 170, CTN: não gera direito subjetivo;
Parágrafo único. O prazo de prescrição é necessidade de lei específica à compensação
interrompido pelo início da ação judicial, concreta (opção política do ente federado);
recomeçando o seu curso, por metade, a (iii) Lei vigente por ocasião do exercício da
partir da data da intimação validamente feita compensação;
ao representante judicial da Fazenda Pública (iv) formas:
interessada. - pelo contribuinte (possibilidade da
(ix) irrelevância para tal prazo da decisão do DCOMP – art. 74, Lei nº 9.430/96);
STF que declara a inconstitucionalidade do - de ofício pelo Fisco (art. 73, Lei nº
tributo (STJ, REsp 1.110.578) (*): 9.430/96) (*)
STJ: Art. 73, Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº
A declaração de inconstitucionalidade da Lei 12.844/2013). A restituição e o ressarcimento
instituidora do tributo em controle de tributos administrados pela Secretaria da
concentrado, pelo STF, ou a resolução do Receita Federal do Brasil ou a restituição de
senado (declaração de inconstitucionalidade pagamentos efetuados mediante DARF e
em controle difuso) é despicienda para fins de GPS cuja receita não seja administrada pela
contagem do prazo prescricional tanto em Secretaria da Receita Federal do Brasil será
relação aos tributos sujeitos ao lançamento efetuada depois de verificada a ausência de
por homologação, quanto em relação aos débitos em nome do sujeito passivo credor
tributos sujeitos ao lançamento de ofício perante a Fazenda Nacional.
(REsp 1.110.578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJE Parágrafo único. Existindo débitos, não
21.5.2010, submetido ao regime do art. 543 - parcelados ou parcelados sem garantia,
C do CPC e da resolução STJ 8/2008). inclusive inscritos em Dívida Ativa da União,
(x) Lançamento por homologação: 5 anos do os créditos serão utilizados para quitação
pagamento – LC 118/05 (*): desses débitos, observado o seguinte:

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I - o valor bruto da restituição ou do - S. 460, STJ: É incabível o mandado de


ressarcimento será debitado à conta do segurança para convalidar a compensação
tributo a que se referir; tributária realizada pelo contribuinte.
II - a parcela utilizada para a quitação de - S. 461, STJ: O contribuinte pode optar por
débitos do contribuinte ou responsável será receber, por meio de precatório ou por
creditada à conta do respectivo tributo. compensação, o indébito tributário certificado
STJ – plano federal: por sentença declaratória transitada em
a) tributos idênticos ou distintos, julgado.
porém administrados pelo mesmo órgão (Lei (3) Transação (art. 171, CTN)
nº 9.430/96, arts. 73 e 74) - DCOMP; ex.: IPI - Imprescindibilidade de lei (ex.: art. 8º da Lei
e IRPJ. nº 12.153/09) e de processo (“litígio”) –
b) mesma espécie e destinação administrativo ou judicial;
constitucional: contribuições previdenciárias e (4) Remissão (art. 172, CTN)
a terceiros, além de tributos não (i) Necessidade de “lei específica” (art. 150, §
administrados pela RFB (art. 66 da Lei nº 6º, CF);
8.383/91, art. 89, Lei nº 8.212/91). Ex.: INCRA (ii) abrangência (tributo e multa);
X CONTRIBUIÇÃO DE SEGURIDADE (iii) ≠ anistia (só multa); ≠ isenção (só tributo).
SOCIAL (impossibilidade de compensação). 5) Decadência ou caducidade (art. 173, CTN)
ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS – CF 88 (i) impede o nascimento do crédito tributário,
1) Impostos; mas é causa extintiva dele;
2) Taxas; (ii) Relevância do lançamento para a distinção
3) Contribuição de Melhoria; com a prescrição;
4) Empréstimos Compulsórios; (iii) Prazo: 5 anos – art. 146, III, b, CF e
5) Contribuições Especiais: Súmula Vinculante nº 8 (*);
5) Contribuições Especiais: Art. 146, III, b, CF:
5.1) Sociais: - gerais; Cabe à lei complementar: III - estabelecer
normas gerais em matéria de legislação
- de seguridade tributária, especialmente sobre: b) obrigação,
social; lançamento, crédito, prescrição e decadência
5.2) de intervenção no domínio tributários;
econômico; Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais
5.3) de interesse de categorias o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei
profissionais/econômicas; nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº
5.4) CIP/COSIP. 8.212/1991, que tratam de prescrição e
(v) art. 170-A, CTN: trânsito em julgado decadência de crédito tributário.
imperioso (aplicabilidade só às ações (iv) Contagem da decadência:
propostas depois da vigência da LC nº a) Regra geral: art. 173, I, CTN (*) (1º
104/01): dia do exercício); Ex.: IPTU/2015.
- S. 212, STJ (cautelar ou TA); b) Regra da antecipação de contagem:
- S. 213/STJ (MS – declaração da art. 173, p.ú., CTN (qualquer medida
compensação); preparatória ao lançamento);
- S. 460/STJ (MS – convalidação da c) Regra da anulação do lançamento
compensação); por vício formal: art. 173, II, CTN (novo prazo
- S. 461/STJ (precatório ou x interrupção de prazo decadencial-CESPE x
compensação). causa de suspensão do prazo prescricional);
- S. 212, STJ: A compensação de créditos (d) Regra do lançamento por
tributários não pode ser deferida em ação homologação:
cautelar ou por medida liminar cautelar ou - tributo não declarado e nem pago –
antecipatória. art. 173, I, CTN;
- S. 213/STJ: O mandado de segurança - pagamento realizado – art. 150, § 4º,
constitui ação adequada para a declaração do CTN;
direito à compensação tributária. - tributo declarado e não pago – sem
decadência – S. 436, STJ.

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Art. 173, CTN. O direito de a Fazenda Pública


constituir o crédito tributário extingue-se após
5 (cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte
àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado;
II - da data em que se tornar definitiva a
decisão que houver anulado, por vício formal,
o lançamento anteriormente efetuado.
Parágrafo único. O direito a que se refere este
artigo extingue-se definitivamente com o
decurso do prazo nele previsto, contado da
data em que tenha sido iniciada a constituição
do crédito tributário pela notificação, ao
sujeito passivo, de qualquer medida
preparatória indispensável ao lançamento.

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