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Acionamento de Motores Elétricos

Um dos instantes mais críticos do acionamento de um motor é a sua partida, pois nesta os
motores solicitam uma corrente muito maior do que a de operação em serviço, devido à
mudança de estado de inércia do motor, chamado de corrente de partida. Esta corrente
costuma ser na faixa de seis a oito vezes a nominal, o que pode gerar efeitos perturbadores
nos sistemas elétricos, principalmente no caso de motores de grande porte.
Partida direta
A partida direta consiste na conexão instantânea do motor à rede, por meio de chave
magnética (contator), geralmente com monitoração de sobrecorrente realizada por
disjuntores motores termomagnéticos ou relés térmicos.

Figura 1 – Chave de partida direta com disjuntor e chave de partida direta com relé térmico.

As chaves de partida direta possuem a vantagem de serem de baixo custo, possuem um


alto conjugado de partida no motor e serem de simples implementação. No entanto, a
elevada corrente de partida e a consequências destas para o sistema elétrico limitam a sua
utilização a motores de pequeno porte (usualmente até 10 cv).
As partidas diretas podem ser montadas para acionar o motor em um único sentido ou
para ambos os sentidos (partida direta com reversão), cujos esquemas elétricos típicos
estão representados a seguir.

Figura 2 – Esquema elétrico de potência e comando – Partida direta sem reversão.


Figura 3 – Esquema elétrico de potência e comando – Partida direta com reversão.

Chave de Partida Estrela – Triângulo


Existem algumas alternativas para reduzir o efeito sobre a rede das elevadas correntes de
partidas dos motores, principalmente para potências elevadas. O método de partida mais
simples e menos custoso para estes casos é a chave de partida estrela – triângulo. Esta
consiste no acionamento inicial temporário com 58% da tensão nominal sobre os
enrolamentos do motor e posterior ligação da tensão de rede.
Este método proporciona uma redução da corrente de partida, se comparada com a partida
direta de 33%. Porem, o conjugado de partida é reduzido drasticamente, como mostrado
no gráfico abaixo, limitando a sua aplicação a máquinas que necessita de baixo torque de
partida, geralmente em vazio.

Figura 4 – Comparação conjugado Partidas direta e estrela-triângulo

A figura a seguir mostra o esquema elétrico de potência comando deste tipo de


acionamento. Os enrolamentos do motor são ligados a chave de modo que os fechamentos
de tensão alta e baixa são feitos dentro do painel. Inicialmente o motor é fechado para a
tensão alta, resultado em uma tensão abaixo da nominal nos enrolamentos, até que o
motor atinja cerca de 70% da velocidade nominal (determinado pelo tempo programado),
e então é feita a comutação para a tensão de rede.
Figura 5 – Esquema elétrico de potência e comando – Partida Estrela-Triângulo

Chave de Partida Compensadora


A chave compensadora é outra alternativa para partidas de motores de grande porte, que
utiliza o principio de tensão reduzida para diminuição da corrente. Mas neste caso, não
há mudança no fechamento dos enrolamentos do motor, e sim uma redução da tensão de
rede através de um autotransformador ligado em estrela.
Geralmente os transformadores de partida possuem TAPs com diferentes porcentagens
de tensão de saída, permitindo ao usuário realizar a montagem do mesmo conforme a
necessidade da aplicação. No caso de motores que necessitam de baixo conjugado de
partida, utiliza-se tensões menores (50% da nominal), reduzindo os distúrbios sobre as
instalações elétricas. Para máquina com partida em carga, utiliza-se tensões mais elevadas
(por exemplo 80%), para possibilitar a ruptura da inércia. Abaixo segue a representação
da corrente de partida de uma chave compensadora em comparação com uma partida
direta.

Figura 6 – Curva de corrente de partida – Chave compensadora

A vantagem deste tipo de acionamento sobre a estrela-triangulo é seu maior conjugado


de partida e a não necessidade de utilização de 6 cabos para alimentação do motor.
Entretanto, este tipo de chave esta atualmente em desuso. Os transformadores de partida
são grandes, pesado e de custo elevado. A redução do custo e dimensões, além dos
recursos adicionais que os acionamentos eletrônicos como as softstarters, estão
inviabilizando o uso das compensadoras.
SOFT-STARTERS

Soft-starters são dispositivos baseados em eletrônica de potência que tem o intuito


de reduzir as correntes de partida dos motores, através da redução da tensão aplicada
durante a partida. O controle da tensão é feito pelo chaveamento de circuitos
tiristorizados, conhecidos como gradadores ou contatores estáticos, que conectam a carga
à alimentação por frações dos semi-ciclos da tensão, controlando assim a corrente
fornecida à carga e seu torque.
A vantagem do soft-starter sobre métodos eletromecânicos que também aplicam
uma tensão reduzida na partida é a capacidade de aumentar a tensão aplicada
gradualmente, possibilitando uma suavização do impacto mecânico sobre a carga e
reduzindo o impacto elétrico sobre a rede.
A redução do torque de um motor é aproximadamente o quadrado da porcentagem
da tensão reduzida. Por exemplo, se a tensão aplicada for 30 % menor do que a nominal,
o torque será reduzido a 50% do nominal, conforme mostrado na Figura abaixo.

Figura 7 – Curvas de torque para partida com softstarer

A atual vantagem das softstarters está na redução gradual do custo,


dimensionamento reduzido, recursos diversos com a programação de tempos e tensões de
partida e parada e simples sistema de comando. Atualmente é amplamente utilizada,
mesmos em motores de pequeno porte, onde a suavização da partida é desejada, para
redução de impactos mecânicos no maquinário.

Inversores de frequência

Inversores de frequência são dispositivos de acionamento de motores baseados em


eletrônica de potência com ampla utilização na industrial, tendo como principal
característica a possibilidade de se variar a velocidade na ponta do eixo do motor
mantendo-se o torque nominal.
O principio básico de operação de um inversor de frequência é a retificação da
corrente alternada fornecida pela rede, com frequência fixa, e posterior inversão da
corrente continua em alternada, por meio de controle PWM dos seus componentes,
gerando uma alimentação em corrente alternada com a frequência desejada.
Em certas aplicações, como no bombeamento de água com pressão controlada, a
variação da frequência do motor pode manter a pressão do sistema em um valor
programado, sem utilização de componentes mecânicos adicionais, além de reduzir o
consumo de energia ao reduzir a velocidade do motor.
Referências:

HERMAN, S. L.; Industrial Motor Control. 6 ed., Delmar, 2010.

ALLEN BRADLEY; Basics for practical operation: Motor Starters. Disponível em:
<http://literature.rockwellautomation.com/idc/groups/literature/documents/wp/icg-
wp002_-en-p.pdf>. Acesso em: Abril de 2018.

WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS; Motores Elétricos. Disponível em:


<http://www.scribd.com/doc/85118151/Apostila-WEG>. Acesso em: Abril, 2018.