ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

MARIA ALICE BARROS MARTINS AMORIM

A PROBLEMÁTICA DA SEGURANÇA PÚBLICA NA
FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA COM FOCO NO ESTADO DO
MATO GROSSO

Rio de Janeiro
2012
MARIA ALICE BARROS MARTINS AMORIM

A PROBLEMÁTICA DA SEGURANÇA PÚBLICA NA
FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA COM FOCO NO ESTADO DO
MATO GROSSO

Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia
apresentada ao Departamento de Estudos da
Escola Superior de Guerra como requisito à
obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos
de Política e Estratégia.

Orientador : Cel Aviador Carlos Alberto Grassani.

Rio de Janeiro
2012
C2012 ESG

Este trabalho, nos termos da legislação
que resguarda os direitos autorais, é
considerado propriedade da ESCOLA
SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É
permitido a transcrição parcial de textos
do trabalho, ou mencioná-los, para
comentários e citações, desde que sem
propósitos comerciais e que seja feita a
referência bibliográfica completa.
Os conceitos expressos neste trabalho
são de responsabilidade do autor e não
expressam qualquer orientação
institucional da ESG.

Assinatura do autor

Biblioteca General Cordeiro de Farias
Amorim, Maria Alice Barros Martins
A problemática da segurança pública na fronteira Brasil e Bolívia
com foco no Estado do Mato Grosso: Delegada de Polícia Maria Alice
Barros Martins Amorim. Rio de Janeiro: ESG, 2012.

97 f: il.

Orientador: Coronel-Aviador Carlos Alberto Grassani
Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao
Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito
à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e
Estratégia (CAEPE), 2012.

1. Segurança Pública. 2. Fronteira Brasil – Bolívia. 3. Integração
dos OSP com as Forças Armadas. I, Título.
Aos meus filhos, que perdoaram a minha
ausência e ao meu esposo que tanto me apoiou
e compreendeu o
sacrifício por estarmos afastados em razão
das atividades desenvolvidas no decorrer do
CAEPE.
.
AGRADECIMENTOS

Ao Corpo Permanente da ESG e aos demais professores e palestrantes do
CAEPE 2012, pela contribuição valiosa no meu aprendizado, permitindo-me
compreender a realidade e fazer uma avaliação mais profunda da conjuntura
de nosso país.

Aos colegas da Turma Programa Antártico Brasileiro - PROANTAR (CAEPE
2012), pela amizade, pelo convívio harmonioso e principalmente, pela valiosa
troca de experiências durante todo o período do curso.

Ao meu orientador, Coronel-Aviador Carlos Alberto Grassani, pela paciência e
pelas orientações objetivas na elaboração deste trabalho.
“A democracia... é uma constituição
agradável, anárquica e variada,
distribuidora de igualdade
indiferentemente a iguais e a
desiguais.”

Platão
RESUMO

O presente TCC teve como objetivo apresentar uma avaliação acerca da
problemática que envolve a segurança pública na fronteira Brasil e Bolívia. Para
retratar a realidade, promovemos pesquisas na doutrina e legislação em vigor,
recorremos a encartes, jornais, revistas e realizamos pesquisas de campo através
de questionários e entrevistas encaminhadas via email a autoridades especialistas
em segurança pública. Demonstramos o abandono a que vivem as fronteiras
brasileiras. A falta de políticas públicas, combinado com o rigor legal, impõe o
cidadão local à exclusão social. Grupos criminosos da Bolívia aproveitam a
fragilidade da fronteira para ingressar com drogas em território brasileiro, este fato
incorre no agravamento da criminalidade e violência nos centros urbanos. Veículos
são roubados no Brasil e trocados por drogas na Bolívia. O Departamento da Polícia
Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal não contam com meios para
promoverem a segurança pública das fronteiras. O Governo do Mato Grosso criou o
Grupo Especial de Fronteira, com o objetivo coibir e reprimir a prática de crimes
transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia. O Governo Federal por sua vez instituiu o
Plano Estratégico de Fronteiras e em seguida editou o programa denominado
Estratégia Nacional de Fronteiras, que vêem sendo implementados com eficácia
pelo Estado do Mato Grosso. O Ministério de Defesa vêm coordenando operações
pontuais em toda a fronteira brasileira, tais ações são realizadas pelas Forças
Armadas em conjunto com os órgãos federais e estaduais de segurança pública. A
sociedade começa a ver a presença do Estado na fronteira.

Palavras chave: Segurança Pública. Brasil. Bolívia. Forças Armadas
ABSTRACT

This paper aimed to provide an evaluation about problems revolving public safety in
the border between Brazil and Bolivia. In order to better portray the current reality
between the Brazilian and Bolivian borders, we promote this research in current
doctrine and legislation, went through newspapers, magazines and conducted field
research through interviews and questionnaires sent via email to authorities
specialized in public safety. It also highlights the situation of abandonment at the
Brazilian borders. The lack of public policies combined with the legal thoroughness
that the boundary zone is subjected force the local citizen to social exclusion.
Criminal groups from Bolivia use the porous border to import the drugs into the
country, and this fact increases crime and violence within urban centers. Vehicles are
stolen in Brazil and exchanged for drugs in Bolivia. The federal institutes, Federal
Police Department, Internal Revenue Service and the Federal Highway Police do not
have ways to guarantee public safety at borders. The Government of Mato Grosso
created the Special Frontier Group (GEFRON), with the objective to restrain and
prosecute transnational border crimes within the Brazilian and Bolivian borders. The
Federal Government established the Strategic Plan for Borders and after that it
reviewed its National Strategy plan for Borders, which has been effectively carried by
the State of Mato Grosso. The Ministry of Defense has been coordinating some
operations along borders which are carried by the Armed Forces in conjunction with
federal and state public safety agencies. The society begins to see the presence of
the State at the border.

Keywords: Public Safety. Brazil. Bolivia. Armed Forces.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 Cenário da Fronteira Brasileira 11

Figura 2 Faixa de Fronteira Brasileira 15

Figura 3 Estados da Faixa de Fronteira 15

Figura 4 Esquema Conceito de Cidades Gêmeas 19

Figura 5 IDH 1991-2000 Municípios do Mato Grosso situados na Faixa de
Fronteira 25

Figura 6 Mapa de índices de IDH nos Estados Brasileiros 25

Figura 7 Zona de Fronteira Brasil Bolívia 26

Figura 8 Rota Tráfico de Drogas Fronteira Brasil e Bolívia 27

Figura 9 Municípios do Mato Grosso situados na Faixa de Fronteira 28

Figura 10 Estradas Brasil e Bolívia – “cabriteiras” 32

Figura 11 Gráfico de Homicídios por motivação em Cuiabá e Várzea Grande 35

Figura 12 Mapas de apreensões do GEFRON retirados do site da SESP/MT 38

Figura 13 Cenário Ágata 3 46

Figura 14 Quadro de Apreensões da Operação 3 no Estado do Mato Grosso 46
1

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABIN Agência Brasileira de Inteligência
CF Constituição Federal
COMDABRA Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro
DEC Decreto
DO Diário Oficial
DPF Departamento de Polícia Federal
ENAFRON Estratégia Nacional de Fronteira
FFAA Forças Armadas
FUNAI Fundação Nacional do Índio
GEFRON Grupo Especial de Fronteira
IAGRO Instituto Agropecuário
IBAMA Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IDH Índice de Desenvolvimento Humano
IICA Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura
INDEA Instituto de Defesa Agropecuária do Estado do Mato Grosso
LC Lei Complementar
MI Ministério da Integração Social
MS Mato Grosso do Sul
MT Mato Grosso
ONU Organização das Nações Unidas
SEJUSP Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública
SENASP Secretaria Nacional de Segurança Pública
SESP/MT Secretaria de Estado de Segurança Pública do Mato Grosso
SISBIN Sistema Brasileiro de Inteligência
SISFRON Sistema de Vigilância de Fronteira
SSDPF/RJ Sindicato dos Servidores do Departamento da Polícia Federal do
Rio de Janeiro
PF Polícia Federal
TCC Trabalho de Conclusão de Curso
2

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 11

2 FAIXA DE FRONTEIRA, MARCO LEGAL, VULNERABILIDADES E
SEUS REFLEXOS NA CRIMINALIDADE E VIOLÊNCIA DOS
CENTROS URBANOS ...............................................................................14
2.1 FRONTEIRA, FAIXA DE FRONTEIRA E MARCO LEGAL .........................14
2.2 VULNERABILIDADE DA FAIXA DE FRONTEIRA BRASILEIRA ...............18

3 A FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA .......................................................... 24
3.1 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: ASPECTOS HISTÓRICOS .................24
3.2 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: SEUS ASPECTOS GERAIS ...............26
3.3 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: ASPECTOS INERENTES AO
ESTADO DO MATO GROSSO. .................................................................29

4 SEGURANÇA NA FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA – GRUPO
ESPECIAL DE FRONTEIRA (GEFRON) E FORÇAS ARMADAS ...........37
4.1 GEFRON.....................................................................................................37
4.2 FORÇAS ARMADAS...................................................................................44
4.3 PESQUISA DE CAMPO..............................................................................51

5 CONCLUSÃO ............................................................................................55

REFERÊNCIAS ..........................................................................................61

ANEXO I QUESTIONÁRIOS APLICADOS ÀS AUTORIDADES
DE SEGURANÇA PÚBLICA. ....................................................................67

ANEXO II ENTREVISTA COM O CHEFE DO ESTADO-MAIOR
CONJUNTO DAS FORÇAS ARMADAS EXMO. SR. GENERAL-
DE-EXÉRCITO JOSÉ CARLOS DE NARDI.......... ...............................97
11

1 INTRODUÇÃO

O Brasil possui uma área de 16.886 km de fronteira, a área representa 27%
do território nacional, esta região abriga dez milhões de habitantes espalhados em
588 cidades de onze estados e é lindeira com dez países da América do Sul a
exceção do Chile e do Equador (BRASIL,2011).

Figura 1: Cenário da Fronteira Brasileira
Fonte: Plano Estratégico de Fronteiras

As baixas densidades demográficas, combinadas com a vasta diversidade
geográfica e as dificuldades de deslocamento e comunicação, fizeram com que as
fronteiras brasileiras ficassem à margem das políticas centrais de desenvolvimento e
fiscalização e, por conseguinte, férteis à proliferação de crimes transnacionais,
especialmente aqueles relacionados ao contrabando, descaminho e tráfico de
drogas e armas.
No segundo capítulo, faremos uma abordagem acerca da faixa de fronteira
brasileira, seu marco legal e suas vulnerabilidades, bem como, espelharemos a
opinião de especialistas em segurança pública no Brasil, profissionais estes que
atribuem ao ingresso de drogas e armas através das fronteiras brasileiras, o
combustível que alimenta a criminalidade e a violência nos centros urbanos.
No terceiro capítulo, abordaremos a Fronteira Brasil e Bolívia, cuja área
apresenta pouca densidade demográfica, é irrigada por estradas vicinais e possui
12

singular hostilidade geográfica. Fatores que, combinados à deficiência de recursos
humanos, impossibilitam o eficiente combate ao tráfico de drogas, armas e pessoas.
A realidade da fronteira Brasil e Bolívia impulsiona a incidência de crimes
correlatos ao tráfico de drogas nos municípios situados nas proximidades das
regiões de fronteira, bem como nos maiores centros populacionais do Estado do
Mato Grosso, o que poderemos ver com os dados estatísticos fornecidos pela
Secretaria de Segurança Pública do Estado.
As ações criminosas vêm utilizando a faixa de fronteira para promover o
intercambio de produtos furtados ou roubados em território brasileiro, fator que
exerce reflexo negativo para a segurança pública do Estado do Mato Grosso, uma
vez que reflete diretamente nos crimes contra o patrimônio praticados nos centros
urbanos.
Com o objetivo de prevenir e reprimir os crimes transnacionais na fronteira
oeste, o Estado através do Decreto 1215/2003 criou o Grupo Especial de Fronteira
órgão subordinado à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Mato Grosso.
Buscaremos apresentar no quarto capítulo um panorama da Segurança na
fronteira Brasil e Bolívia diante do trabalho realizado pelo Grupo Especial de
Fronteiras e pelas Forças Armadas. Através de estudo de campo, buscaremos
reproduzir a problemática da fronteira Brasil e Bolívia a partir da opinião de
profissionais que atuam diretamente na região, como estes profissionais vêm
realizando o seu trabalho, os meios disponíveis e suas reais dificuldades.
O governo federal entendeu por bem incrementar as ações de combate à
prática delituosa nas fronteiras através da LC 136/2010 (BRASIL, 2010), a qual
concedeu às Forças Armadas, o poder de polícia para atuarem nas fronteiras por
meio de ações repressivas e preventivas inerentes à atividade da polícia judiciária
civil.
Ocorre que, apesar do advento ter respaldado as ações de polícia das
FFAA nas fronteiras, a Lei não revogou o preceito constitucional capitulado no artigo
144 § 1 que destina a Polícia Federal como sendo a responsável por exercer a
polícia marítima, aeroportuária e de fronteira.
A LC 136/2010 busca respaldar a atividade de polícia exercida pelas FFAA
para que estas tenham segurança jurídica nas atividades de combate aos crimes
13

transnacionais, podendo assim, atuarem com independência e sem subordinação às
Polícias Federais ou estaduais que atuam na região.
No quarto capítulo abordaremos também o trabalho desempenhado pelas
FFAA na fronteira Brasil e Bolívia, sob a ótica da Segurança Pública e da Lei
Complementar 136/2010. Seus efeitos sobre as atividades operacionais realizadas
pelas FFAA em ações conjuntas e isoladas, praticadas no combate aos crimes
transnacionais na Fronteira Brasil Bolívia.
O trabalho de conclusão de curso faz a análise e avaliação de informações
obtidas através de pesquisas bibliográficas e publicações em mídia, procurando
abordar o tema a luz da doutrina e legislação em vigor e confrontando com as
informações obtidas a partir de pesquisas de campo.
14

2 A FAIXA DE FRONTEIRA, MARCO LEGAL, VULNERABILIDADES E SEUS
REFLEXOS NA CRIMINALIDADE E VIOLÊNCIA DOS CENTROS URBANOS

2.1 FRONTEIRAS, FAIXA DE FRONTEIRA E MARCO LEGAL

Buarque de Holanda (FERREIRA,1999) define fronteira como sendo o
“Limite de um país ou território no extremo onde confina com outro”. Entende-se por
limites os pontos divisórios entre determinada extensão superficial, as extremidades
das regiões que se caracterizam divisores políticos entre governos, as divisões
territoriais. Os limites internacionais possuem um caráter especial por que
representam o divisor entre países onde prevalecem suas maiores autoridades
políticas (WARF, 2006).
Para o embaixador Marcos Henrique Camillo Côrtes (2005) “Fronteira
Jurídica é o limite legal entre as soberanias de dois Estados”, segundo ele, esta
definição tradicional é perfeitamente correta e serve de fundamento para o
planejamento de ações governamentais que tenham como objetivo preservar a
incolumidade do território nacional.
A área de domínio de um Estado é determinada por seus limites e estes
indicam até onde vai o território sobre o qual se exerce a soberania. A sua
demarcação, indicação e manutenção de seus limites denomina-se fronteira e é de
responsabilidade do Estado.
A área de fronteira se caracteriza por uma descontinuidade, administrativa e
social, razão pela qual exige análise cuidadosa e complexa das relações cotidianas
sociais, comerciais e econômicas. Os padrões sociais entre os países limítrofes se
divergem, o que trás a região de fronteira um sentimento de biparidade próprio dos
países em desenvolvimento e sem a plena integração. Nesse sentido, Oliveira
(1998) afirma que a fronteira é um espaço bipolar e multiforme, um meio geográfico
que exige uma quase necessidade de se transpor seus limites, fazendo alusão que
os habitantes fronteiriços coexistem em ambientes de delicados fenômenos que só
ali se desenvolvem.
As áreas limítrofes dos países possuem características peculiares que as
tornam um espaço de tensões e simultaneamente uma região de estabelecimento
de integração. Essa dualidade revela a necessidade de se estabelecer limites,
observar as diferenças culturais, preservar a soberania dos países e de se exercitar
15

práticas sociais e trocas comuns. Fronteira é ao mesmo tempo, área de separação e
de aproximação, linha de barreira e espaço polarizador (CASTELLO, 1995).
As fronteiras são regiões naturalmente distantes dos grandes centros e das
políticas estatais, além de estarem expostas a grande influência estrangeira. Assim
precisam ser tratadas como áreas estratégicas, voltadas à preservação do
nacionalismo e a segurança nacional.
O país possuiu vasta faixa lindeira e limita-se com todos os países da
América do Sul, exceto com o Equador e com o Chile, por este motivo precisa se
submeter à severa vigilância na zona limítrofe, o que se traduziu, em concreto, no
estabelecimento de colônia militar ou postos de observação, desde a época imperial
(BRASIL,2010).

Figura 02: Faixa de Fronteira Brasileira
Fonte: IBGE 2008

Lista dos Estados pertencentes a Faixa de Fronteira, número de municípios por Estado e população.
Estados População 2010 População 2007 Número de municípios
Brasil 190.732.694 183.987.291 5.565
Faixa de Fronteira 11.333.159 10.392.201 588
1) Acre (AC) 732.793 655.385 22
2) Amazonas (AM) 456.468 456.222 21
3) Amapá (AP) 766.843 92.317 8
4) Mato Grosso do Sul(MS) 1.074.290 1.002.355 44
5) Mato Grosso (MT) 479.001 457.606 28
6) Pará (PA) 206.777 202.785 5
7) Paraná (PR) 2.372.846 2.369.598 139
8) Rondônia (RO) 928.415 850.182 27
9) Roraima (RR) 451.227 395.725 15
10) Rio Grande do Sul (RS) 3.036.122 3.113.148 197
11) Santa Catarina (SC) 828.377 796.878 82
Figura 03: Estados da Faixa de Fronteira – Contagem populacional 2007 e resultados do
Censo 2010.
Fonte: IBGE 2012
16

Para resguardar pela preservação da nacionalidade brasileira e pela defesa
e segurança nacionais, desde o Brasil colônia, o país vem procurando dar um
tratamento diferenciado à fronteira. Por esta razão, com o fim de preservar pela
soberania nacional, foi reservado uma faixa interna de terras ao longo da fronteira
terrestre brasileira. Esta faixa, considerada de destacada importância para a
segurança do território nacional, denomina-se faixa de fronteira.
A ideia de faixa de fronteira surgiu, inicialmente, como área geográfica com
regime jurídico particular no final do século XIX, pela Lei nº 601, de 18 de setembro
de 1890, que reservou uma faixa 10 léguas (66 km), ao longo do limite do Território
Nacional.
Após a década de 1930, a faixa de fronteira foi sendo sucessivamente
ampliada de 66 km para 100 km, e depois para 150 km, tendo como gestor o
Conselho de Segurança Nacional, criado pelo artigo 162 da Constituição de 1937.
Considerada área estratégica para a segurança nacional, a faixa de fronteira
foi regulamentada pela Lei 6.634/79 que estabeleceu como área de segurança
nacional 150km de faixa interna paralela a toda a fronteira terrestre brasileira, região
cuja exploração da propriedade se regula por legislação específica. O texto legal
subordinou a ocupação e a utilização das terras situadas na faixa de fronteira, sejam
elas privadas, públicas ou devolutas, ao interesse nacional. (OLIVEIRA SOBRINHO,
1991).
O artigo 1o da Lei Federal n.º 6.634/79, estabelece que:
[...] é considerada área indispensável à Segurança Nacional a faixa interna de
150 Km (cento e cinquenta quilômetros) de largura, paralela à linha divisória
terrestre do território nacional, que será designada como Faixa de Fronteira.

A referida lei foi regulamentada pelo Decreto Federal n.º 85.064, de 26 de
agosto de 1980 e permanece até os dias atuais, vez que foi avalizado pelo artigo 20
§ 2◦ da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 05/10/1988,
o qual ratifica a existência da faixa de fronteira dentro do capítulo que trata dos bens
da União, ficando assim estabelecido:
Art. 20. § 2 ◦A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo
das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada
fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização
serão regulamentadas em lei.

Apesar da faixa de fronteira ser regulamentada no capítulo que trata dos
bens da União, a doutrina dominante entende que a faixa de fronteira apesar de
sofrer as restrições estabelecidas na Lei 6.634/79, preserva a sua natureza jurídica
17

de domínio privado. Franco Sobrinho (1991) afirma que o possuidor de área na
região de faixa de fronteira, tem uma propriedade relativa e seu interesse será
tutelado pelo Decreto 85.064/80.
O Decreto Lei 9.760/46 define os bens considerados, bens da união e não
discrimina como sendo terras de propriedade da União, aquelas localizadas na faixa
de fronteira tão somente por estarem ali localizadas, sendo certo que, somente será
de propriedade da União a faixa de fronteira onde estiverem os terrenos marginais
de rios e ilha. Senão vejamos:

Art. 1º Incluem-se entre os bens imóveis da União
c) os terrenos marginais de rios e as ilhas nestes situadas na faixa da
fronteira do território nacional e nas zonas onde se faça sentir a influência das
marés;

Manoel de Oliveira Franco Sobrinho (1991) afirma que o preceito
constitucional quando fala de faixa de fronteira, “não discrimina terras públicas ou
privadas e o domínio particular relativiza-se”.
Apesar da faixa de fronteira não ser de domínio público, o poder de
propriedade fica limitado posto que, as atividades comerciais e inerentes ao direito
de propriedade ficam cerceadas pelo Estado. Tratando-se de bem de uso especial
da União, tem influência na defesa do país contra o inimigo e para tal sua utilização
deverá ser regulamentada por lei. (CRETELLA JÚNIOR, 1991).
O Decreto Federal n.º 85.064, de 26 de agosto de 1980, regulamenta o
exercício de atividades específicas na área de fronteira como os serviços de
radiodifusão, as atividades de mineração, o loteamento de áreas rurais, transação
de imóveis rurais envolvendo estrangeiro, bem como a participação de estrangeiros
em pessoa jurídica brasileira.
Apesar de tratar-se de uma região propícia à integração dos países
limítrofes, a legislação em vigor inibe a participação do capital estrangeiro e, por
conseguinte, diminuem as possibilidades de investimentos e desenvolvimento da
região, o que recrudesce a economia informal e propicia a prática de ilícitos penais
na região.

2.2 VULNERABILIDADES DA FAIXA DE FRONTEIRA BRASILEIRA

A Lei Federal n.º 6.634/79 ao identificar a faixa de fronteira como região
estratégica ao Estado, compreende aproximadamente 27% do território nacional
18

com, 16.886km de extensão, abriga cerca de 10 milhões de habitantes de 11
estados brasileiros e é lindeira a 10 países da América do Sul. (BRASIL, 2010).
O Ministério da Integração Nacional, em relatório destinado a apresentar
bases para uma proposta de desenvolvimento e integração da faixa de fronteira
constatou que a baixa densidade demográfica, associada às grandes distâncias dos
centros urbanos e a falta de comunicação, constituem entraves para o
desenvolvimento da região, uma vez que ficam à margem das políticas
desenvolvimentistas.
Não existem políticas públicas que levem em conta as demandas das
populações locais, fato que reflete diretamente nas áreas de segurança, saúde,
educação e assistência. (BRASIL, 2010).
Em pesquisa realizada pelo Programa de Desenvolvimento da Faixa de
Fronteira conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da
Integração, (2005 apud Guia ENAFRON Volume II, 2011e) se conclui que, em vinte
e sete por cento do território nacional, onde vivem dez milhões de habitantes:

[...] a ameaça do Estado reside, isto sim no progressivo
esgarçamento do tecido social, na miséria que condena importantes
segmentos da população ao não exercício de uma cidadania plena,
no desafio cotidiano perpetrado pelo crime organizado e na falta de
integração com os países vizinhos.

A faixa de fronteira apresenta características singulares como o hibridismo
cultural provocado pela proximidade com outros países, principalmente nas regiões
próximas as “cidades gêmeas”, característica que se apresenta em vinte e oito
municípios dos municípios de fronteira e em razão de suas especificidades e
quantidade populacional, carecem de atenção especial. (BRASIL,2011e)
Para Machado (2005 apud MAX, 2008. Revista OIDLES – v. 2, n. 5) as
chamadas cidades gêmeas, são regiões constituídas por adensamentos
populacionais e cortadas pelos limites fronteiriços possuem potencialidades de
integração econômica e cultural assim como problemas exclusivos característicos e
peculiares da região.
19

Figura 4: Esquema conceito de cidades gêmeas
Fonte: MI/SPR/DPFF/2005

As regiões de fronteira, principalmente as cidades gêmeas possuem uma
organização própria e em razão da rigorosa subordinação legal que acoberta as
atividades comerciais e o uso de propriedade, constituem regiões com índice
crescente de atividades informais e propícia para a proliferação de atividades ilegais
nas relações sociais de produção. (IICA, 2010).
Esses aglomerados fronteiriços podem ampliar ou reduzir os níveis de
interação e de problemas entre si. Machado (2005 apud MAX, 2008. Revista
OIDLES – v, 2, n. 5) afirma que as complementaridades das trocas são
características ímpares dos meios geográficos onde estão localizadas as cidades
gêmeas, o que implica no encorajamento de seu desenvolvimento e na possibilidade
de uma sustentabilidade para uma nova divisão transfronteiriça de trabalho.
Em estudo realizado pelo MI concluiu-se que, o governo federal dispensa
pouca atenção a faixa de fronteira e quando o faz, não atende as necessidades
locais. As ações além de serem desconexas, não apresentam continuidade no
processo de implementação de políticas públicas e os órgãos que lá atuam,
20

desconhecem as ações dos outros, provocando a superposição de ações em
determinada região, em detrimento de outras áreas mais carentes dentro da faixa de
fronteira. (BRASIL, 2010)
A carência de políticas públicas eficazes e contínuas, combinada com as
especificidades da região de fronteira, faz com que a área seja abundante em
atividades ilícitas.
Para o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura, a Lei
7.170/83 penaliza a região de faixa de fronteira, uma vez que coíbe o investimento
de capitais estrangeiros em solo brasileiro, sem, contudo impor recíproca. Este fator
impede o desenvolvimento, uma vez que prejudica a livre circulação de capitais nas
cidades gêmeas e propicia o surgimento de uma zona nebulosa decorrente de um
sistema de produção local situado entre o legal e o ilegal. (IICA, 2010).
O disposto no artigo 144 §1◦ da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988 instituiu a Polícia Federal como responsável legal por promover a
segurança das fronteiras. Assim dispondo:

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-
se a:
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de
outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras;

A simples extensão territorial das fronteiras brasileiras já impossibilita que a
Polícia Federal, com os recursos humanos que possui, promova com eficácia e
eficiência a repressão e prevenção de crimes na faixa de fronteira brasileira.
Recentemente em palestra ministrada pelo Delegado Federal Fabiano André
Lopes aos estagiários do CAEPE/2012 realizada na cidade de Foz do Iguaçu, este
afirmou que a Delegacia de Polícia Federal de Foz do Iguaçu, é responsável por
todo o policiamento da tríplice fronteira, para tanto, possui uma estrutura de
superintendência, mas conta com um efetivo de apenas 400 (quatrocentos)
servidores, dentre contratados e policiais concursados.
O palestrante apontou que apesar da vasta fronteira, com a especificidade
de possuir o Lago Itaipu com extensão de 170 km, área usada com abundancia por
quadrilheiros especializados em contrabandear armas, munições e drogas, uma vez
21

que a área lacustre favorece a travessia ilegal e dificulta a fiscalização. A polícia
federal possui somente quatorzes policiais operacionais, para trabalharem na região.
Ao apresentar uma grande quantidade de apreensões de armas, munições e
drogas referentes a trabalhos realizados nos anos de 2010 e 2011, o delegado
afirmou que as apreensões não representam parcela considerável do que
efetivamente adentra ao território nacional pela fronteira brasileira, uma vez que a
Polícia Federal não possui os meios necessários para coibir o ilícito penal na região.
Em todo o território compreendido na faixa de fronteira, dados retirados do
site oficial do Departamento da Polícia Federal demonstram que, existem apenas
vinte e nove Postos de Fiscalização do Tráfego Internacional Terrestre, o que
compreende dizer que existe um posto de fiscalização da PF para cada porção de
aproximadamente 344.827 (trezentos e quarenta e quatro mil, oitocentos e vinte e
sete) habitantes, fator que impossibilita o trabalho e favorece a propagação do crime.
(POLÍCIA FEDERAL, 2012a).
A falta de pessoal, combinada com o posicionamento geográfico da faixa de
fronteira, abundância de estradas vicinais, pouca densidade demográfica, falta de
políticas públicas, distanciamento dos centros políticos, aproximação intercultural e
complexidade legal, formam o conjunto de fatores que fazem a região de fronteira
uma zona fértil à criminalidade.
O relator Aroldo Cedraz em auditoria operacional no sistema nacional de
políticas públicas sobre drogas, realizado pelo Tribunal de Contas da União no ano
de 2010, afirmou:
[...] O trabalho permitiu concluir que o Departamento de Polícia
Federal (DPF), órgão constitucionalmente incumbido de efetuar o
combate ao tráfico de drogas na região de fronteira, possui várias
limitações para execução de suas atividades. A fronteira do Brasil
com outros países é de mais de 16 mil km, e o DPF conta apenas
com 1.439 policiais nessa região, destacando-se a dificuldade de
fixação do efetivo policial nessas localidades, que costumam ser
inóspitas e de baixo desenvolvimento socioeconômico. Em 76% das
delegacias fronteiriças, o tempo médio de permanência de um policial
é de 3 anos, o que significa que a política de incentivos existente na
Polícia Federal é insuficiente para garantir a permanência do efetivo
policial na região de fronteira.
Além disso, as deficiências na infraestrutura de várias delegacias de
fronteira, aliadas à carência de equipamentos e recursos (coletes
balísticos, veículos, barcos, scanners etc) fazem com que os policiais
enfrentem grandes dificuldades no combate ao narcotráfico.

Em matéria vinculada pelo Sindicato dos Policiais Federais do Rio de
Janeiro em vinte de fevereiro de 2012, foi retratado a falta de condições de trabalho
22

da instituição, onde se menciona a falta de meios e pessoal e no qual se critica a
efetividade do Plano Estratégico de Fronteiras. O plano teria sido lançado pelo
Governo Federal em junho de 2011 com anúncio de investimento de R$ 37 milhões,
mas não demonstrava nenhuma efetividade. (POLÍCIA FEDERAL, 2012b)
A matéria noticia ainda a criação de 3.036 postos criados pela PF, os quais
não foram ocupados, apesar de uma promessa da instituição em preencher 1.200
vagas de policiais e pleitear ao governo a abertura de concurso periódico e anual.
(POLÍCIA FEDERAL, 2012b).

2.3 REFLEXOS DA FRAGILIDADE DAS FRONTEIRAS NA CRIMINALIDADE E
VIOLÊNCIA DOS CENTROS URBANOS

Recentemente o país assistiu ao Estado retomar a sua condição na cidade
do Rio de Janeiro, quando então a Secretaria de Segurança Pública, juntamente
com as Forças Armadas adentraram ao morro do Alemão e expulsaram os
traficantes que aterrorizavam e dominavam a região. Em entrevista concedida à
revista Veja em 31/11/2010 às 21:35 horas e disponível no site da revista, o
Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, Exmo Sr. José Mariano
Beltrame afirmou:
[...] Tudo o que vocês viram na imprensa hoje – as armas, as drogas -
, nada daquilo é produzido no Rio. Basicamente, entram pelo
Paraguai e pela Bolívia. Temos problemas sérios com relação à
dimensão da nossa fronteira. São 16 mil quilômetros de fronteira
seca. Não vai nenhuma crítica aqui a nenhuma instituição. O que eu
acho é que a sociedade deve cobrar que dêem condições para a
Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, ou seja
lá quem for, para cobrir essas fronteiras. Porque, senão, daqui a
pouco as coisas começam a acontecer novamente. Espero que a
sociedade cobre soluções rápidas para isso. (BELTRAME,2010)

Na opinião de José Mariano Beltrame, um dos maiores especialistas em
Segurança Pública do país, a política de segurança pública hoje aplicada, ainda não
atacou o cerne do problema. Apesar da eficácia apresentada pelas autoridades no
Estado do Rio de Janeiro, todo o trabalho de revitalização da autoridade estatal
apresentado e apoiado pela sociedade brasileira, se tornará inócuo se o problema
não for atacado em sua origem. O tráfico ilícito de entorpecentes e armas, bem
como a lavagem de dinheiro continuam sendo alimentados pela inexistência de
políticas eficazes de combate a criminalidade nas fronteiras brasileiras.
23

Segundo relatório da subcomissão especial de fronteiras da Comissão de
Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal, elaborado em seis de
abril do ano de 2011, grande parte dessas faixas encontram-se em regiões de selva
amazônica, ou são cortadas por extensa malha hidroviária que servem como
escoadouro de embarcações clandestinas que entram no Brasil carregando grandes
quantidades de drogas.
Na fronteira Brasil e Bolívia, muitos locais não possuem a presença mínima
do Estado e se encontram embrenhados na floresta amazônica ou na região Centro-
Oeste, local em que os marcos fronteiriços desaparece em meios a terras
particulares das grandes fazendas de gado e soja.
O relatório mundial de drogas publicado pela ONU em junho de 2012, revela
que o Brasil vem apresentando um crescimento no consumo de cocaína e “cannabis
sativa” oriunda principalmente do Peru e da Bolívia. Estes países se tornaram as
fontes mais importantes de cocaína para mercados ilícitos no Brasil e na América do
Sul. A droga produzida por eles e não consumida em território nacional, passa pelo
Brasil para serem contrabandeadas para a África com destino a Europa. (ONU,
2012).
Com a entrada da droga em território nacional o mercado do tráfico aumenta
a sua fluência interna, refletindo diretamente na quantidade de homicídios de
natureza violenta, furtos e roubos de pessoas, residências e veículos, aumentando
desta forma o sentimento de insegurança do cidadão.
24

3 A FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA

3.1 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: ASPECTOS HISTÓRICOS

O processo de demarcação dos limites entre o Brasil e a Bolívia foi marcado
por grandes períodos de inatividade e um breve período de intensos conflitos. Até
1867, os limites corresponderam àqueles oriundos dos impérios de Portugal e da
Espanha, estabelecidos pelo tratado de Santo Ildefonso, em 1777. (SILVA, 2010).
Após a independência dos dois países, os limites entre Brasil e Bolívia não
foram objeto de preocupação, somente sendo observados por ocasião do período
máximo da exploração da borracha.
As disputas pelo território do Acre culminaram no acordo de Petrópolis de
1903, onde foi revista toda a demarcação dos limites entre os dois países e se
estabeleceu a responsabilidade brasileira pela construção da ferrovia Madeira-
Mamoré (FIFER, 1966).
Historicamente, a fronteira Brasil e Bolívia foi marcada pelo isolamento em
relação aos respectivos centros políticos. Este fato refletiu na estruturação territorial
da zona de fronteira entre os dois países. As dificuldades na implementação de um
povoamento estável e duradouro, tornaram essa área pouco aproveitada no
desenvolvimento de atividades econômicas relevantes (BRUSLÈ, 2007).
Em razão do isolamento e afastamento da fronteira Brasil e Bolívia dos
centros políticos, desde a época da colonização, as necessidades mútuas de
sobrevivência e acesso a bens criaram um ambiente de intensas trocas e contatos
entre portugueses e espanhóis, depois entre brasileiros e bolivianos. (VOLPATO,
1987).
A estruturação da fronteira Brasil e Bolívia foi marcada pelo isolamento dos
respectivos centros políticos. As dificuldades na implementação de um povoamento
estável e duradouro, tornaram essa área pouco aproveitada no desenvolvimento de
atividades econômicas relevantes. Razões que constituíram um grande desafio para
a consolidação e demarcação dos limites dos Estados nacionais na América do Sul
(BRUSLÉ, 2007).
O isolamento e a falta de infraestrutura prejudicaram a estruturação da
região e impossibilitaram a implementação de atividades comerciais que
proporcionassem a inclusão social. A falta de oportunidades e a ausência de
25

políticas de repressão aos ilícitos transnacionais foram fatores que incentivaram a
propagação de atividades ilícitas inerentes ao contrabando e ao tráfico de drogas na
região.
A fronteira Brasil e Bolívia, se caracteriza por um perfil com baixos padrões
de desenvolvimento, marcada pela dificuldade de acesso aos bens e serviços
públicos, baixa densidade demográfica e baixo Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH), precárias condições de cidadania e estagnação econômica.

taxa de
Grandes Regiões, urbanização IDH IDH
Unidades da Federação 2010 1991 2000
e

municípios
Mato Grosso 0,819 0,756 0,767
Faixa de Fronteira 0,64 0,63 0,72
Araputanga 0,79 0,68 0,76
Barão de Melgaço 0,45 0,55 0,67
Barra do Bugres 0,83 0,62 0,72
Cáceres 0,87 0,65 0,74
Campos de Júlio 0,8 0,73 0,85
Comodoro 0,69 0,66 0,72
Conquista D'Oeste 0,61 - -
Curvelândia 0,59 - -
Figueirópolis D'Oeste 0,53 0,6 0,71
Glória D'Oeste 0,68 0,65 0,73
Indiavaí 0,74 0,67 0,71
Jauru 0,59 0,58 0,68
Lambari D'Oeste 0,53 0,58 0,69
Mirassol d'Oeste 0,85 0,66 0,74
Nossa Senhora do Livramento 0,37 0,57 0,66
Nova Lacerda 0,55 0,58 0,72
Poconé 0,73 0,63 0,68
Pontes e Lacerda 0,84 0,67 0,75
Porto Esperidião 0,38 0,6 0,7
Porto Estrela 0,4 - 0,65
Reserva do Cabaçal 0,63 0,58 0,68
Rio Branco 0,82 0,64 0,7
Salto do Céu 0,56 0,58 0,7
São José dos Quatros Marcos 0,76 0,65 0,74
Sapezal 0,84 0,74 0,8
Tangará da Serra 0,9 0,68 0,78
Vale de São Domingos 0,23 - -
Vila Bela da Santíssima Trindade 0,36 0,65 0,71

Figura 5: IDH 1991-2000 Municípios do Mato Grosso situados na Faixa de Fronteira
Fonte: IBGE 2012, em parceria com os órgãos Estaduais de Estatística.
26

Figura 6: Mapa de índices de IDH nos Estados Brasileiros
Fonte: IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – Estados Brasileiros

As figuras 05 e 06 demonstram que os índices de desenvolvimento humano
apresentados nos municípios situados na faixa de fronteira são inferiores à média da
região centro oeste, equiparando-se aos menores índices de IDH do país.
A falta de políticas públicas que incentivem a inclusão social através do
exercício de atividades regulares de criação de renda leva a população da região de
fronteira à situação de miséria. A miséria é real motivação que impulsiona brasileiros
e bolivianos residentes em áreas fronteiriças a compactuarem e até mesmo
participarem de atividades ilícitas.

3.2 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: SEUS ASPECTOS GERAIS

O Brasil é o país que possui a maior extensão de fronteira com a Bolívia,
esta fronteira atinge 3.423,2 km, ou seja, 20% da linha divisória continental do Brasil
com os países vizinhos. Desse total, 751 km compreendem fronteira seca e 2.672
km é compreendida por rios, lagos e canais, a região possuí 438 marcos
demarcatórios. (IBGE, 2012).
A zona de fronteira formada pelos dois países, engloba faixas fronteiriças
pertencentes à quatro estados brasileiros (Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato
27

Grosso do Sul) e três departamentos bolivianos (Pando, Beni e Santa Cruz de la
Sierra).

Figura 7- Zona de Fronteira Brasil Bolívia
Fonte: PEF, 2012.

Devido sua grande extensão, esta fronteira, atualmente, é dividida
metodologicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em
três partes: norte – desde a foz do rio Yaverija, ponto tripartite Brasil-Bolívia-Peru,
até o rio Madeira (Estados do Acre e Rondônia no Brasil e Departamento de Pando
na Bolívia); central – região dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé (Estados de
Rondônia e Mato Grosso no Brasil e Departamento do Beni e Santa Cruz na Bolívia)
e sul - desde a foz do rio Verde (no rio Guaporé), até a Baía Negra (no rio Paraguai),
ponto tripartite Brasil-Bolívia- Paraguai (Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul no Brasil e Departamento de Santa Cruz na Bolívia).
Na fronteira da Bolívia com o Brasil, do lado boliviano, estão as
reminiscências das missões jesuíticas, os "pueblos" de San Ignacio, Santa Ana, San
Rafael e San Miguel e, do lado brasileiro, Cáceres, Porto Espiridião e Pontes e
Lacerda onde se estabelecem redes de relacionamento e de parentesco.
Segundo dados Departamento de Polícia Federal, a Bolívia é a terceira
maior produtora mundial de cocaína, sua droga tem como principal destino o
mercado interno brasileiro. Os produtores de cocaína bolivianos aproveitam-se da
fragilidade das fronteiras brasileiras, para proporcionar facilmente acesso às drogas
28

ao solo brasileiro. A Bolívia utiliza a fronteira com o Pantanal, para levar a droga via
aérea e terrestre para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. (MATO GROSSO,
2012b).

Figura 8: Rota Tráfico de Drogas Fronteira Brasil e Bolívia
Fonte: Plano Estadual de Enfrentamento às Drogas

Dados divulgados pelas autoridades brasileiras indicam que 59% da
cocaína apreendida no Brasil no primeiro semestre de 2010 são de origem boliviana.
Em audiência realizada no Congresso Nacional em três de agosto do
corrente ano o Delegado Federal Luiz Fernando Correa afirmou:

[...] 59% da cocaína confiscada este ano no Brasil era procedente da
Bolívia. Das 11 toneladas de cocaína confiscadas pelas autoridades
brasileiras nos sete primeiros meses do ano, 6,5 toneladas foram
produzidas na Bolívia. (Polícia Federal, 2010)

3.3 FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA: ASPECTOS INERENTES AO ESTADO DO
MATO GROSSO

O Estado do Mato Grosso possui uma extensão de 983 Km de faixa de
fronteira , sendo 750 Km de área seca e 233 Km fluviais, tendo uma área de 178.143
Km², que abrangem 28 municípios, com um contingente populacional na ordem de
413.800 habitantes, cuja base econômica é a produção agropecuária. (GEFRON,
2012).
29
30

Figura 9: Municípios do Mato Grosso situados na Faixa de Fronteira
Fonte: Encontro do Comitê Estadual da Faixa de Fronteira - Casa Civil do Mato Grosso

Além da extensão compreendida pela faixa de fronteira, a região carece de
infraestrutura, possui uma vasta biodiversidade, apresenta propriedades rurais em
franca expansão e pouca densidade demográfica. Estes fatores concorrem com a
carência de políticas públicas e favorecem o aparecimento de atividades irregulares,
uma vez que não existe incentivo à inclusão social, e nem tampouco a fiscalização
ou ações preventivas de combate a ilícitos penais.
O aparato do governo federal não se faz presente no local. Convidado a
participar do painel, Fronteira e Segurança, realizado pela Subcomissão Permanente
da Amazônia e da Faixa de Fronteira, em 24 de maio de 2011, o secretário adjunto
de segurança do Estado do Mato Grosso, Alexandre Bustamante, revelou a
fragilidade da fronteira Brasil e Bolívia quando disse:

[...] o principal acesso ao país é uma rodovia federal na qual não há
patrulhamento da Polícia Rodoviária Federal. Ademais, o estado tem
novecentos quilômetros de fronteira seca e apenas uma delegacia da
Polícia Rodoviária Federal. Há também duzentos quilômetros de fronteira
em áreas alagadiças que não são patrulhadas por ninguém.
31

O Estado não se faz presente na faixa de fronteira Brasil e Bolívia. E quando
ali se apresenta, o faz de forma acanhada, a exemplo do que foi constatado em
relatório do Tribunal de Contas da União, no qual o relator Aroldo Cedraz afirma:

Nas visitas in loco a delegacias localizadas na região de fronteira (Ponta
Porã/MS, Dourados/MS, Tabatinga/AM, Epitaciolândia/AC, Guaíra/PR,
Cáceres/ MT e Foz do Iguaçú/PR), a equipe de auditoria constatou que o
trabalho policial de combate ao tráfico de drogas é realizado em locais, por
vezes, de difícil acesso, distantes e isolados, e em condições pouco
satisfatórias, dada a especificidade dessa região. A fronteira do estado do
Paraná com o Paraguai, por exemplo, separada em toda a sua extensão
pelo lago de Itaipu é uma área crítica, por ser utilizada sistematicamente
para o contrabando de mercadorias e tráfico de drogas e armas.
A fronteira do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com o Paraguai e Bolívia,
por sua vez, é uma área extensa e pouco habitada abrangida pelo pantanal,
cujo tráfico de entorpecentes ocorre por meio de aeronaves que invadem o
espaço aéreo e por veículos e pessoas que trafegam na fronteira seca
transportando drogas. Os demais estados fronteiriços com a Bolívia, Peru
e Colômbia, por estarem circundadas pela densa floresta amazônica, têm
como característica o tráfico de entorpecentes realizado por meio de
embarcações que navegam nas áreas drenadas pelas bacias dos rios
amazônicos, ou por via aérea.

A insuficiência de pessoal e recursos retratados no capítulo 2, inerente às
fronteiras de uma forma geral, se ratifica na fronteira Brasil Bolívia. A estrutura
existente para promover o combate aos ilícitos transnacionais na região, é
compreendida por cinco unidades do Departamento da Receita Federal, uma
unidade na capital e as demais nos municípios de Alta Floresta, Alto Araguaia, Barra
do Garças e Cáceres (PF, 2012a).
Além das unidades da RF supramencionadas, o Estado do Mato Grosso
possuí uma Superintendência da Polícia Federal, que se divide em um posto de
plantão no aeroporto Marechal Rondon na cidade de Cuiabá e quatro Delegacias da
Polícia Federal, situadas nos municípios de Barra do Garças, Rondonópolis,
Cáceres e Sinop (PF,2012a)
Resta claro, que apesar de possuir o atributo constitucional de zelar pelas
fronteiras brasileiras, a Polícia Federal também no Estado do Mato Grosso não
possui o aparato necessário para cumprir com o seu dever.
Também em Mato Grosso. A fronteira, assim como nas demais regiões do
país, fragiliza a segurança do estado, uma vez que permite o acesso aos crimes
transnacionais. E numa via de mão dupla, proporciona a evasão de res ilícitas e a
fuga de meliantes, que porventura possam estar atuando no país.
32

Em razão da fragilidade das fronteiras refletir diretamente na segurança dos
cidadãos matogrossenses, o governo estadual vem implantando políticas de
prevenção e combate ao tráfico de drogas na região.
Há dez anos, o Estado do Mato Grosso escolheu combater a criminalidade
nas fronteiras integrando as forças estaduais de segurança pública através do Grupo
Especial de Fronteira, criado pelo Decreto 3994/2002. O disposto legal prevê a
atuação conjunta de policiais militares, civis e corpo de bombeiro militar, no combate
e prevenção ao tráfico de drogas na fronteira Brasil e Bolívia.
Atualmente, o policiamento da região de fronteira conta com
aproximadamente cem policiais estaduais e uma quantidade inexpressiva de
autoridades bolivianas. Estes policiais são os responsáveis por exercerem o
policiamento de aproximadamente 750 km de fronteira seca, irrigados por estradas e
rodovias que ligam as cidades Brasileiras com as bolivianas.
Além das estradas regulares, traficantes e contrabandistas com objetivo de
burlar a fiscalização nas rodovias, utilizam estradas no interior de fazendas,
denominadas “cabriteiras”. As “cabriteiras” são estradas construídas irregularmente
por traficantes que se aproveitam da ausência do Estado, para invadirem
propriedades rurais e abrirem estradas clandestinas com o objetivo de promoverem
o escoamento de produtos de origem delituosa.
A estrada sem policiamento é rota para levar à Bolívia carros e motos
roubados no Brasil.

Figura 10 – Estradas Brasil e Bolívia – “cabriteiras”
Foto: Banco de imagem do Bom Dia Brasil 03/11/2011 08h52- Atualizado em 03/11/2011
09h50
33

As estradas clandestinas são utilizadas como rota de traficantes para o
escoamento de carros roubados. Os veículos uma vez roubados ou furtados em solo
brasileiro são levados por estas estradas até tomarem solo boliviano, onde são
permutados por drogas.
Autoridades brasileiras afirmaram que as principais receptoras de carro
roubado são as cidades de San Matías e San Ignacio. Estas cidades, apesar de
terem sido avaliadas pela ONU como 39º 52º em IDH, respectivamente, possuem
baixa qualidade de vida. As cidades não possuem pavimentação, as casas denotam
parcos recursos e o efetivo policial é quase inexistente. (TREZENA, 2012).
Em entrevista concedida ao Jornal O Dia, publicada em 26/08/2012 o
prefeito de San Matias/Bolívia Carlos Velarde afirma que:

[...] sua cidade é esconderijo de bandidos. A maioria, diz ele, vem do lado
Brasil da fronteira. Seria o caso dos brasileiros. [ ] . A fronteira sem polícia
transformou o povoado em reduto para venda de veículos roubados ou sua
troca por drogas.

Outro fator de extrema preocupação para as autoridades brasileiras foi a
regularização que o governo Boliviano concedeu aos carros de origem estrangeira
sem documentos ou com documentação irregular, os veículos importados antes do
advento da lei, ao ingressarem em território boliviano eram regularizados pelo
município no qual iriam circular e não podiam se ausentar da região circunscrita
àquela área.
Sob a justificativa de que estaria coibindo a entrada irregular de veículo
naquele país, em junho do ano de 2011, o governo Evo Morales autorizou a
nacionalização de veículos estrangeiros e manteve consigo o controle sob os
mesmos.
Em matéria disponível na Folha de São Paulo disponível no provedor UOL
foi noticiado que no primeiro dia de vigor da medida, o serviço aduaneiro da Bolívia
registrou 7.000 (sete mil) veículos.
As autoridades de segurança brasileiras estão muito preocupadas com a
decisão do governo Boliviano, em entrevista concedida a revista Veja o delegado da
Polícia Civil de Corumbá, Gustavo Vieira disse:

[...] não adianta criar uma lei nova se não houver fiscalização, [ ] Temos
que esperar para ver se muda alguma coisa. Se tomarmos o montante de
carros brasileiros irregulares que rodam por lá e o que já foi devolvido até
agora, não adianta ficar muito animado.
34

É histórica a comercialização de veículos roubados na Bolívia, naquele país,
não existem montadoras, a maioria dos veículos furtados e roubados no Brasil são
levados para a Bolívia e trocados por entorpecentes, o que acaba alimentando a
violência nos centros urbanos.
A população Boliviana conhece a natureza ilícita do veículo e ainda assim
adquire o bem, uma vez que receptação não constitui crime naquele país. O que
podemos ver em entrevista concedida também a revista Veja, pelo taxista boliviano
João Pedro de Jesus, revoltado com a nacionalização dos veículos, senão vejamos:

[...] Até sabia que o carro era roubado quando comprei, mas isso não era
problema para rodar por aqui”, justifica. “Se eu levar meu Uno no posto de
nacionalização, ele vai ser apreendido. Se não levar, vai ser apreendido na
rua pela polícia.

É impossível coibir com eficácia a prática do roubo e furto de veículos, se os
veículos subtraídos no território nacional tem livre mercado na Bolívia, o país com a
finalidade precípua de arrecadar impostos, poderá incorrer na legalização de
veículos produto de ilícito em território brasileiro.
A prática do furto ou roubo do veículo ocorre como forma de alimentar o
tráfico de drogas, vez que o bem é subtraído em território nacional e levado para
solo boliviano, onde é trocado por substancia entorpecente. Se o veículo produto de
furto ingressar em território boliviano e tiver a possibilidade de ser legalizado por
aquele país, restará impossível coibir com eficácia a prática do roubo e furto de
veículos no território nacional.
Em encontro realizado em agosto do ano passado no Congresso Nacional o
procurador da República Raphael Perissé declarou:

[...] os carros roubados ou furtados no Brasil que seguem para a Bolívia são
normalmente trocados por pasta base de cocaína. A droga, segundo ele,
acaba entrando no Brasil - uma parte fica em território nacional e outra,
alimenta o tráfico internacional

Segundo o governo boliviano, a nacionalização de veículos editada teve
como objetivo tão somente arrecadar receitas através da regularização de veículos
que tramitavam em solo nacional de origem estrangeira, sendo certo que tais
veículos quando detectados de origem ilícita serão restituídos para o país de origem.
Tal restituição somente chegará a êxito quando os países limítrofes encaminharem
ao governo Boliviano a relação de veículos roubados e furtados cuja recuperação é
reclamada.
35

De Buenos Aires para a BBC do Brasil a presidente-executiva da Alfândega
da Bolívia, Marlene Ardaya, disse que “o país pretende devolver ao Brasil os carros,
motos e caminhões roubados que possam estar no território boliviano”.
Em encontro realizado em agosto do ano passado no Congresso Nacional
as autoridades brasileiras e bolivianas se reuniram com objetivo de buscar a
integração dos dois países no combate ao roubo e furto de veículos, nesta ocasião
foi mencionado que a Bolívia possui 128 mil automóveis de origem irregular oriundos
do Brasil ou Argentina (BRASIL, 2011f).
Outro grande problema social é a utilização de correios humanos ou “mulas”
que transportam a droga pela fronteira. Mulheres grávidas e crianças também são
usadas nos esquemas do tráfico internacional. A imprensa divulgou até mesmo a
impressionante história do cadáver de um menino boliviano de 4 anos que foi aberto
e recheado de cocaína a ser entregue no Brasil.
36

4 SEGURANÇA NA FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA – GRUPO ESPECIAL DE
FRONTEIRA (GEFRON) E FORÇAS ARMADAS

4.1 GEFRON

A fragilidade das fronteiras compromete sobremaneira a segurança do
Estado e, por conseguinte, transmite ao matogrossense uma sensação de
insegurança. O cidadão se sente inseguro porque o tráfico de drogas corrói todo o
ciclo de segurança dos centros urbanos, a droga alimenta as relações nas “bocas de
fumo” incrementando a dependência entre viciados e traficantes, seus fornecedores
e revendedores. Neste diapasão, cresce a disputa por espaço e poder, o que reflete
diretamente nos crimes violentos contra a pessoa.
O vício, noutra quadra, impele a prática dos crimes contra o patrimônio, a
quantidade de furtos aumenta e os roubos (furto com uso de violência ou grave
ameaça) são mais frequentes. Também os furtos e roubos de veículos têm seu
número incrementado na medida em que veículos brasileiros são moeda corrente
em solo boliviano, posto que ali são trocados livremente por droga.
O Plano Estadual de Segurança Pública demonstra a superioridade de
incidência dos crimes contra o patrimônio e violentos contra a pessoa com
motivação relacionada ao tráfico ou uso de drogas, senão vejamos:
37

Figura 11: Gráfico de Homicídio por motivação em Cuiabá e Várzea Grande:
Fonte: Plano Estadual de Segurança Pública/SESP-MT

Vislumbrando suprir a deficiência de segurança nas fronteiras e desta forma
coibir o ingresso de drogas em território matogrossense, o governo do Estado
entendeu por bem unir o seu aparato policial, em atividades operacionais sistêmicas
e integradas de combate ao tráfico de drogas nas fronteiras.
Nesta quadra, em treze dias do mês de março do ano de 2002 o governo do
Estado do Mato Grosso criou, através do Decreto 3994/2002 o Grupo Especial de
Fronteira. Um grupo subordinado à Secretaria de Segurança Pública do Estado do
Mato Grosso e constituído pela integração das forças estaduais de segurança
pública, com a missão de apoiar o governo federal na segurança da fronteira Brasil e
Bolívia, conforme assim disposto:

O GOVERNADOR DO ESTADO DO MATO GROSSO, no uso das
atribuições que lhe confere o artigo 66, inciso III, da Constituição
Estadual, e considerando a necessidade de desencadear na região
de Fronteira Oeste operações sistemáticas de combate à
criminalidade através de esforços conjuntos da Polícia Militar, Polícia
Civil e Corpo de Bombeiros Militar, DECRETA

ART.1 Fica criado na estrutura da Secretaria de Estado de Justiça e
Segurança Pública, o Grupo Especial de Segurança de Fronteira-
GEFRON.

Art. 2 O GEFRON será uma força integrada de repressão composta
por 70 (setenta) policiais militares, 50 ( cinquenta) policiais civis e 20
(vinte) bombeiros militares que terão a formação e treinamento
específico para atuação na fronteira oeste entre Mato Grosso (Brasil)
e Bolívia.
38

O GEFRON possui sede na cidade de Porto Esperidião e tem como princípio
básico promover atividades operacionais de natureza sistêmica, utilizando todos os
entes estatais de segurança pública para trabalharem de forma integrada e
cooperativa, respeitando suas respectivas especificidades, sem contudo, usurpar a
função das instituições instaladas e constituídas na região.
Segundo informação veiculada no site oficial da Secretaria de Segurança
Pública, o GEFRON, conta com três postos fixos avançados conhecidos como
AVIÃO CAIDO, VILA CARDOSO E MATÃO, bem como mantém patrulhamento
volante nos locais detectados como via de tráfego de “mulas humanas” (pessoas
que transportam drogas) e nos locais denominados “cabriteiras” (vias por onde
passam veículos roubados).
Informa o site que no decorrer destes dez anos de atuação na área de
fronteira, o GEFRON contribuiu para revitalizar a região. Proprietários rurais não
tinham coragem de adquirir propriedade ali, uma vez que suas propriedades eram
invadidas e saqueadas por delinquentes, bem como as estradas eram tomadas por
contraventores que abordavam motoristas e tomavam de assalto os veículos.
O sentimento de insegurança do cidadão que residia na região da fronteira
Brasil e Bolívia, mudou, pois a população respeita e confia no trabalho realizado pelo
GEFRON. Completando dez anos de existência exitosa, a Secretaria de Estado de
Segurança Pública do Mato Grosso publicou o depoimento de dois cidadãos que
moram na região de fronteira, senão vejamos (MATO GROSSO, 2012d):

Ozias Greve disse: “Antes do GEFRON começar a atuar eu tinha
medo de comprar terras por aqui , pois os bandidos entravam nas
fazendas, roubavam trator, amarravam os empregados, quando não
matavam as pessoas. Mas depois que foi criado o GEFRON essa
situação não existe mais.

O mecânico Valmir Cesar Barbosa disse:“Trabalho dia e noite
prestando assistência mecânica em veículos de fazendeiros da região
, já vivi momentos de pessoas me cercando na estrada. Hoje já ando
tranquilo, sem nenhum problema com segurança.”

Apesar do Decreto governamental, os registros da Secretaria de Estado do
Mato Grosso demonstram que o GEFRON conta com apenas 90 (noventa) policias
militares para atuarem em uma área compreendida por 980 km, sendo 750 km de
limite seco e 230 Km limite aquático, nos quais estão estabelecidos 28 municípios na
39

faixa de fronteira e uma população de cerca de 240.000 habitantes (MATO
GROSSO, 2012d).
Em questionário dirigido o Tenente João Fernando de Souza Assunção,
membro do GEFRON, informou que o grupo possui quatro postos fixos e atua em
auxilio aos funcionários do INDEA (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado do
Mato Grosso) em outros sete postos, sendo que, cada equipe possui cinco policiais
militares. As equipes trabalham em regime de plantão, laboram sete dias por sete
dias de folga, estes mesmos policiais, concorrem com o plantão em auxilio as
atividades do Instituto de Defesa e Agropecuária de MT (INDEA), em combate à
febre aftosa.
O Tenente afirmou que diariamente é feito policiamento nos pontos
estratégicos da fronteira com a finalidade de reprimir os crimes típicos da região, tal
policiamento é feito através de patrulhamento motorizado e se dá de forma
deficiente, em razão da falta de efetivo.
Quando constatada uma situação de flagrância, as equipes de plantão do
GEFRON definem a natureza do delito, para em seguida conduzirem o preso e a
apreensão à Delegacia da Polícia Federal afeta a circunscrição, ou então à
Delegacia da Polícia Civil mais próxima. Não existe, portanto, investigadores de
polícia ou delegado, civil ou federal imbuídos nas atividades operacionais inerentes
a polícia judiciária.
Em dez anos de trabalho o GEFRON logrou êxito em apreender:
40

Figura 12: Mapas de apreensões do GEFRON retirados do site da SESP/MT
Fonte: SESP/MT/2012c

O Guia de apresentação dos Projetos referente à Estratégia Nacional de
Fronteiras Vol II (BRASIL, 2011d), produzido pela SENASP trás o GEFRON como
exemplo de trabalho exitoso realizado na fronteira brasileira, senão vejamos o que
foi citado:

Um exemplo prático do potencial de impacto desta iniciativa sobre a
situação de segurança no Brasil foi retratado por uma ação de
policiamento de fronteira – GEFRON- executada pelo governo do
Mato Grosso, contando com a participação de 90 policiais militares.
Em 5 anos, esta açao levou ao incremento de 1.000% no volume de
veículos recuperados, 3.300% no volume de drogas apreendidas e
400% no número de armas apreendidas na zona de fronteira do
estado do Mato Grosso. Fora estes indicadores de aperfeiçoamento
da eficácia da atuação policial, cabe salientar ainda alguns
indicadores de impacto direto sobre a qualidade de vida da população
residente na região de fronteira. Devido ã situação de insegurança
que imperava antes da implantação do GEFRON, de 1996 a 2991,
ocorreu uma redução de 10% na população residente nos municípios
da região. Esse quadro de alterou após a implantação da ação,
havendo inclusive o retorno de antigos moradores. Outro sinal
positivo desta melhora na situação de segurança pública foi o
aumento do preço do hectare de terra na região de fronteira. Segundo
a Associação dos Proprietários Rurais do Estado do Mato Grosso, o
hectare de terra na faixa de fronteira Oeste do Mato Grosso
aumentou de R$ 700,00 para R$ 2.000,00 com a implantação do
GEFRON.

A estrutura do GEFRON sofreu incremento após a edição do Plano Nacional
de Fronteiras instituído pelo Dec 7.496/2011 e posteriormente efetivado pela
Estratégica Nacional de Fronteira (ENAFRON), mas ainda assim falta recursos
humanos e meios para uma atividade eficaz e com efetividade no combate ao crime
transacional na região de fronteira. O Decreto Lei 3994/2002/MT precisaria ser
cumprido em sua essência para que desta forma as fronteiras brasileiras fossem
assistidas de uma forma eficaz.
41

O Plano Nacional de Fronteiras prevê a implementação de ações
estruturantes para o fortalecimento da presença estatal nas regiões de fronteira,
desta forma a Secretaria Nacional de Segurança Pública instituiu a Estratégia
Nacional de Fronteira.
Com o advento da Estratégia Nacional de Fronteiras (ENAFRON) o
GEFRON e o aparato de segurança pública do estado e dos municípios fronteiriços
sofrerá uma melhora considerável, uma vez que, o programa instituído pela
Secretaria Nacional de Segurança (SENASP), com o foco nos órgãos estaduais de
segurança pública, visa o aprimoramento da segurança e a melhoria das condições
de vida do cidadão que vive na faixa de fronteira. Baseado nisso, conforme Portaria
12 de 16/03/2012 da SENASP, será designado ao Estado do Mato Grosso R$
13.006.838,70 (treze milhões, seis mil, oitocentos e trinta e oito reais e setenta
centavos) inerentes a recursos oriundos do Orçamento Geral da União e Fundo
Nacional de Segurança Pública. Este recurso será destinado ao estado para que
através de convênios a serem firmados com a União, promova o fortalecimento e a
manutenção em caráter permanente, das instituições de segurança pública nos
municípios situados na faixa de fronteira. (MATO GROSSO, 2012a).
Do Orçamento Fiscal da União relativo ao Programa de Trabalho
06.181.143.8855.0001 – Fortalecimento das Instituições de Segurança Pública –
Projetos Estruturantes de Fronteira – Nacional em implementação aos projetos
inerentes a ENAFRON.
A União por meio do Ministério da Justiça através da Secretaria Nacional de
Segurança Pública firmou o Convênio 761806/2011 o Estado do Mato Grosso
através da Secretaria Estadual de Segurança Pública, o qual prevê a designação de
R$ 4.422.730,11 (quatro milhões, quatrocentos e vinte e dois mil e setecentos e
trinta reais e onze centavos) para ser aplicado em três ações da Estratégia Nacional
de Segurança Pública nas Fronteiras; a primeira a Inteligência de Segurança
Pública, que compreende a instalação de núcleos integrados de Inteligência; a
segunda a Política Nacional Uniforme que compreende o reaparelhamento dos
centros integrados e ou unidades policiais civis, militares e perícias, bem como o
fortalecimento da segurança pública em vias hídricas e a terceira a integração
sistêmica e cooperação, que compreende a instalação dos Gabinete de Gestão
Integrada de Fronteira ou Câmara Temática de Fronteira. (BRASIL, 2011d).
42

A implementação da ENAFRON sem dúvida dará um fôlego novo ao Estado
do Mato Grosso, uma vez que reaparelhará as unidades de segurança pública que
atuam na fronteira, bem como possibilitará a criação de núcleos de inteligência na
região. Ocorre que, tais medidas estarão fadas ao insucesso se juntamente com elas
não houver um incremento considerável em recursos humanos.
Não há como se falar em comprar equipamentos e criar unidades, se não
houver profissional capacitado para operar tais equipamentos e dar funcionalidade a
tais unidades. É necessário que saiba, que sem o profissional de segurança pública,
não se faz Segurança Pública.
Somente incrementando o potencial de servidores da segurança pública é
que o Estado poderá efetivamente cumprir em sua essência o Decreto 3994/2002,
qual seja, integrar civis e militares em ações operacionais de combate ao crime
transacional. Se o GEFRON compreendesse de fato com um grupo de policiais
militares, fazendo o trabalho ostensivo; policiais civis, fazendo o policiamento
repressivo; um grupo de bombeiros, promovendo o monitoramento das estradas, rios
e vicinais; uma equipe de peritos criminais, realizando os levantamentos periciais em
tempo real e uma equipe de papiloscopistas, auxiliando na identificação de pessoas,
naturalmente haveria a efetiva repressão aos crimes transnacionais.
Na busca de um trabalho eficaz seria necessário incrementar as unidades
operacionais com recursos humanos, cães farejadores e cursos de aperfeiçoamento.
Não resta dúvida que o trabalho assim realizado, não poderia suprimir as
atividades inerentes à Polícia Federal e Receita Federal. A fronteira precisaria de
equipes especializadas no trabalho de fronteira, com políticas específicas de
aperfeiçoamento e incentivo aos servidores para que estes se fixassem na região.
Além das equipes da Polícia Federal e Receita Federal que estariam em
caráter permanente nas fronteiras, entendemos por necessário, que o trabalho do
GEFRON fosse integrado a um corpo operacional e de inteligência das FFAA, uma
vez que elas possuem meios e perícia para promoverem a vigilância e policiamento
do espaço aéreo e de áreas alagadas.
Este corpo operacional teria ações de natureza contínua e sistemática, com
o objetivo de promover o monitoramento do espaço aéreo da região de fronteira e a
fiscalização e destruição de estradas e pistas clandestinas, bem como o
acompanhamento da Bacia do Prata e da Bacia Amazônica, regiões frequentemente
43

utilizadas por quadrilhas para escoamento de drogas, armas, munições e
contrabando.

4.2 FORÇAS ARMADAS

A Constituição da República Federativa do Brasil dividiu no seu texto legal
as atribuições inerentes à fronteira brasileira, designando as FFAA como
responsáveis pela defesa do território nacional e à Polícia Federal responsável por
prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes, contrabando e descaminho, bem
como responsável por exercer a função de polícia marítima aeroportuária e de
fronteira.
Dispõe os artigos 142 e 144 da CF:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército
e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e
regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a
autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à
defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Art. 144. § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão
permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em
detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de
outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da
União.

Estaria resolvido o problema das fronteiras, se a Constituição Federal
estivesse sendo cumprida em sua íntegra. Ocorre que, o Departamento da Polícia
Federal não possui meios e homens necessários para promover a repressão e
44

prevenção aos ilícitos transnacionais. Este fato reflete diretamente na criminalidade
e violência dos estados com fronteira.
Os Estados, por sua vez, não possuem a atribuição legal para zelarem pelas
fronteiras, nem tampouco, possuem recursos para tal. Na tentativa de não serem
suprimidos pela violência decorrente do tráfico ilícito de entorpecentes oriundos das
fronteiras, eles são obrigados a buscarem soluções pontuais, conforme narrado
linhas acima.
A fim de tornar mais robusta a repressão e prevenção aos crimes
transnacionais nas fronteiras brasileiras, o Governo Federal editou a Lei
Complementar Nº 97, DE 9 DE JUNHO DE 1999 modificada pela lei complementar
117/2004, as quais atribuem às FFAA a competência para promoverem ações
inerentes a polícia judiciária em caráter subsidiário de maneira isolada ou em
cooperação com outros órgãos.
Nesta mesma quadra, o governo federal buscou de forma contundente
erradicar o tráfico de drogas através do uso de aeronaves, quando em julho de 2004
regulamentou através do Decreto 5.144/2004 procedimentos que permitem a Força
Aérea Brasileira a promover medidas coercitivas de averiguação, intervenção e
persuasão de aeronaves que em espaço aéreo brasileiro sejam suspeitas de
estarem sendo utilizadas para o tráfico de drogas.
O decreto governamental autorizou que a Força Aérea Brasileira dispare
contra uma aeronave suspeita, que porventura esteja adentrando em espaço aéreo
brasileiro e ao ter sido advertida com medidas coercitivas emanadas da Força
Aérea, não interrompeu sua entrada. Assim prevê o artigo 4◦ e 5◦ do decreto:

Art. 4o A aeronave suspeita de tráfico de substâncias entorpecentes
e drogas afins que não atenda aos procedimentos coercitivos
descritos no art. 3º será classificada como aeronave hostil e estará
sujeita à medida de destruição.
Art. 5o A medida de destruição consiste no disparo de tiros, feitos
pela aeronave de interceptação, com a finalidade de provocar danos
e impedir o prosseguimento do vôo da aeronave hostil e somente
poderá ser utilizada como último recurso e após o cumprimento de
todos os procedimentos que previnam a perda de vidas inocentes, no
ar ou em terra.

Apesar das atribuições outorgadas às Forças Armadas, estas não tinham
respaldo legal para promoverem o exercício de polícia judiciária, o que prejudicava
45

sobremaneira as atividades operacionais realizadas na fronteira brasileira. Desta
forma, a fim de respaldar o exercício operacional realizado pelas FFAA em atividade
repressiva inerente à polícia judiciária, o Governo Federal editou a Lei
Complementar 136/2010, senão vejamos:

Art. 16-A. Cabe às Forças Armadas, além de outras ações
pertinentes, também como atribuições subsidiárias, preservadas as
competências exclusivas das polícias judiciárias, atuar, por meio de
ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira terrestre, no
mar e nas águas interiores, independentemente da posse, da
propriedade, da finalidade ou de qualquer gravame que sobre ela
recaia, contra delitos transfronteiriços e ambientais, isoladamente ou
em coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, executando,
dentre outras, as ações de: (Incluído pela Lei Complementar nº 136,
de 2010).

I - patrulhamento; (Incluído pela Lei Complementar nº 136, de 2010).

II - revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de
aeronaves; e (Incluído pela Lei Complementar nº 136, de 2010).

III - prisões em flagrante delito. (Incluído pela Lei Complementar nº
136, de 2010).

O disposto legal permitiu então que as autoridades pertencentes a uma
das três forças que estiverem em exercício de atividades operacionais na região de
fronteira tenham a atribuição legal para atuarem como polícia judiciária, podendo
realizar busca e apreensão, revista de pessoas e veículos e prender em flagrante
delito.

Em campanha eleitoral, a então candidata à presidência da República
Sra. Dilma Rousseff, utilizou como um dos projetos prioritários em sua plataforma, o
fortalecimento das fronteiras. Assim, tão logo eleita, fez inserir na agenda do
governo como prioridade, o fortalecimento da segurança pública na fronteira
brasileira. Em junho do ano de 2011 o Governo Federal instituiu através do Decreto
7.496/2011 o Plano Nacional de Fronteiras, o qual trás como diretriz a integração
dos órgãos de segurança pública federais, estaduais e municipais, bem como a
Receita Federal, no combate e prevenção aos crimes transnacionais nas fronteiras
brasileiras. Dispõe o texto legal:

[...] a atuação integrada dos órgãos de segurança pública, da
Secretaria da Receita Federal do Brasil e das Forças Armadas; e
46

Art.3o..a integração das ações de segurança pública, de controle
aduaneiro e das Forças Armadas da União com a ação dos Estados e
Municípios situados na faixa de fronteira;
II - a execução de ações conjuntas entre os órgãos de segurança
pública, federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do
Brasil e as Forças Armadas;
III - a troca de informações entre os órgãos de segurança pública,
federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e as
Forças Armadas;
IV - a realização de parcerias com países vizinhos para atuação nas
ações previstas no art. 1o; e
V - a ampliação do quadro de pessoal e da estrutura destinada à
prevenção, controle, fiscalização e repressão de delitos na faixa de
fronteira.
[...]

A implementação do Decreto 7.496/2011 iniciou-se em dezembro deste
mesmo ano, quando o Governo Federal instituiu o Programa denominado Estratégia
Nacional de Fronteiras, conceituado pela SENASP como sendo o conjunto de
políticas e projetos do Governo Federal instituídos com a finalidade de fortalecer o
aparato de segurança pública na fronteira brasileira. O disposto tem como princípio
integrar as FFAA, os órgãos federais e estaduais de segurança pública e receita
federal, com a finalidade de compartilharem informações, planejarem e executarem
de forma integrada e em conjunto, ações operacionais de segurança pública, de
forma a coibir com eficácia e efetividade os crimes transnacionais nas fronteiras.
Alusivo à fronteira oeste, localizada no Estado do Mato Grosso, além do
Convênio mencionado linhas acima, o Ministério da Defesa através das Forças
Armadas vêm se fazendo presente em diversas ações tais como: as Operações
denominadas “Operação Cadeado” e “Operação Ágata 3” , as quais contaram com a
participação integrada da ABIN ( Agência Brasileira de Informação) , Departamento
da Polícia Federal, IBAMA ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) , da Receita
Federal, da FUNAI ( Fundação Nacional do Índio) , da Polícia Militar do MS e MT,
IAGRO (Instituto Agropecuário) e da Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul.
(questionário Cel. Bochi)1.
Registro do site oficial do Exército, apontam que as Operações Ágata 3 e
Cadeado compreenderam a maior operação conjunta das FFAA, por extensão,
realizada pelo Ministério da Defesa . As operações foram coordenadas pelo Estado-
Maior Conjunto das Forças Armadas e contou com seis mil e quinhentos militares da
Marinha, Exército e Aeronáutica os quais em ação conjunta combateram ilícitos

1
Informações prestadas pelo Cel. Newton Cléo Bochi Luz em questionário Anexo I
47

penais em 6.977 Km de fronteira do Peru, Bolívia e Paraguai, região que
compreende a uma faixa de fronteira nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Rondônia e Acre. O quadro abaixo fornecido pelo oficial Cel Bochi, membro
ativo da Operação Ágata 3, especifica os resultados do Mato Grosso.

Figura 13: Cenário da Ágata 3
Fonte: Apresentação do Cel Bochi sobre a experiência na Operação Ágata 3
48

Veículos leves 10
Motos 27
Caminhões / Ônibus 5
Embarcações 8
Cocaína / pasta base (Kg) 17,8
Contrabando (R$) 55.870,00
Descaminho (R$) 297.563,00
Armas 34
Divisas (R$) 114.438,00
Veículos leves 10
Motos 27
Caminhões / Ônibus 5
Embarcações 8
Cocaína / pasta base (Kg) 17,8
Figura 14: Quadro de Apreensões da Operação Ágata 3 no Estado do Mato Grosso
2
Fonte: Apresentação do Cel Bochi sobre a experiência na Operação Ágata 3

Estas operações demonstram de forma clara que os crimes transnacionais
somente ocorrem, porque o Estado não se faz presente. Informações advindas do
setor de inteligência das FFAA demonstram que até mesmo o preço das drogas
sofreram alta, por ocasião da realização da Operação Ágata 3.
Nos três estados abrangidos pelas Operações Cadeado e Ágata 3, as
atividades propiciaram a destruição de estradas clandestinas, apreensão de
aproximadamente 1 tonelada de drogas e ainda apreensão de veículos e armas. A
presença do Estado na região de fronteira além de inibir a prática delituosa,
essencialmente propiciou ao cidadão o sentimento de segurança e a esperança de
dias melhores. É o que conta o governador do Mato Grosso do Sul em entrevista
postada na rede mundial de computadores enviada por Centro de Comunicação
Social do Exército em 08/02/2011. (BRASIL, 2011)

2
Material apresentado pelo Cel de Exército Newton Cléo Bochi da Luz em apresentação da Operação Agata 3,
realizada em Mato Grosso
49

As ações realizadas pelas FFAA são efetivas e extremamente eficazes, mas
são pontuais. Não existem meios e nem mesmo previsão para que tais ações se
transformem em rotineiras, até porque as FFAA não podem deixar a sua atividade
principal de zelar pela defesa e segurança da soberania nacional.
O Brasil precisa que as FFAA estejam focadas na Defesa do território e
soberania nacional, não é possível que as mesmas tenham sua atividade precípua
de segurança nacional, prejudicada. As FFAA podem e devem contribuir com a
segurança das fronteiras, sem prejuízo, contudo, de sua atividade fim, qual seja
Defesa. Basta que haja efetivamente uma interação de forças operacionais e de
inteligência, FFAA e órgãos estaduais e federais de segurança pública trabalhando
integrados.
Tal interação precisa começar com o cumprimento do artigo 3º inciso III da
Lei 7.496/11 a qual determina “a troca de informações entre os órgãos de segurança
pública, federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e as Forças
Armadas; (Redação dada pelo Decreto nº 7.638, de 2011)”. Havendo a interação da
atividade de inteligência, através do Sistema Nacional de Inteligência (SISBIN), as
ações serão otimizadas e consequentemente os órgãos despenderão de menos
recursos para efetivarem com maior celeridade, economia, eficiência e eficácia o
combate ao crime transacional na fronteira Brasil e Bolívia.
Em entrevista concedida pelo Exmo. Sr. General-de-Exército José Carlos De
Nardi, Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, para realização do
presente trabalho , o general afirmou que o Brasil possui pessoal qualificado para
promover a segurança das fronteiras , mas detém poucos recursos e a tecnologia,
armamento e equipamentos não são de ultima geração. Afirmou que as FFAA vêm
participando da segurança pública das fronteiras em operações de caráter eventual
e pontual, sem o prejuízo da atividade fim das FFAA.
Perguntado ao General, se as FFAA estariam caminhando para a
sistematização de seu emprego no combate aos crimes transnacionais, respondeu
que “A sistematização que está ocorrendo é a de operações interagências, que
muito mais abrangente do que os crimes transnacionais”.
O Estado fisicamente está na fronteira, mas não possui nenhum dispositivo
que lhe auxilie no monitoramento e vigilância do espaço aéreo, bem como nos locais
onde eventualmente poderão estar havendo desmatamento para a abertura de
50

estradas e pistas clandestinas. Estas informações podem ser visualizadas pelo
COMDABRA e futuramente pelo SISFRON, assim é necessário que as informações
captadas ali, sejam compartilhadas em tempo real com as unidades operacionais de
fronteira.
Perguntado ao General Luis Carlos De Nardi se haveria a possibilidade dos
Estados Federados firmarem convênio ou termos de cooperação com o
COMDABRA para o monitoramento do espaço aéreo brasileiro, este respondeu que:
“Não existem convênios com os governos dos estados, pois a competência é da PF
e COMDABRA, porém, caso os estados precisem de informações, bastaria solicitar
à PF ou ao COMDABRA”.
A informação oriunda do COMDABRA não pode ser eventual, ou apenas
quando solicitada, é o órgão quem possui o controle visual do espaço aéreo e,
portanto haveria de ter uma comunicação instantânea.
O país não tem como incrementar seu quadro de pessoal o suficiente para
resolver as questões de fronteira em tempo recorde e nem tampouco, os estados
podem relegar os seus cidadãos ao abandono. Uma solução tem que ser
perseguida.
Um sistema integrado de inteligência operacional me parece a solução mais
adequada e exequível em pouco espaço de tempo, além da presença contínua e
permanente de um Grupamento Operacional de Fronteira composto pelas três forças
Marinha, Exército e Aeronáutica sob o Comando do Estado-Maior de Ações
Conjuntas.

4.3 PEQUISA DE CAMPO E ANÁLISE

Com o objetivo de reproduzir a problemática de segurança pública inerente a
fronteira oeste do Brasil e Bolívia, realizamos uma pesquisa de campo,
entrevistando, através de questionário encaminhado via email, cinco autoridades
estratégicas responsáveis pela implantação das políticas de segurança pública do
Estado do Mato Grosso, um tenente que labora no Grupo Especial de Fronteira e
três oficiais do Exército Brasileiro oriundos do Ministério da Defesa que atuaram
direta ou indiretamente nas Operações Ágata 3 e Cadeado, ocorridas em três
estados brasileiros, dentre eles o Estado do Mato Grosso.
51

Além da pesquisa de campo, objetivando conhecer as perspectivas de
investimento do Governo Federal nas ações de integração de segurança pública de
fronteira, previstas no Dec. 7638/2011, entrevistamos o Chefe do Estado-Maior
Conjunto das Forças Armadas.
Os questionários foram formulados com perguntas individualizadas e
respostas subjetivas, vez que o objetivo da pesquisa de campo era extrair a opinião
dos profissionais quanto à realidade da segurança na fronteira abstraída da
experiência pessoal de cada um deles.
A pesquisa de campo revelou que o combate aos crimes transnacionais na
fronteira oeste Brasil e Bolívia, não é satisfatório, uma vez que a segurança pública
desta fronteira é realizada tão pelo Grupo Especial de Fronteiras criado pelo Estado
do Mato Grosso. Este grupo, apesar de se fazer presente em caráter permanente na
fronteira, em razão de dificuldades próprias do local e da falta de contingente,
recursos e meios, não é capaz de coibir com eficiência e eficácia à prática de ilícitos
transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia.
Para o Senhor Secretário de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso,
após a instituição da Estratégia Nacional de Fronteiras, as diretrizes das FFAA se
voltaram para a segurança pública nas fronteiras, com a implantação de operações
regulares e atuação preventiva no combate ao tráfico ilícito de entorpecentes,
contrabando, descaminho e outros crimes característicos de nossa fronteira.
Os questionados informaram que as operações Cadeado e Ágata 3
promovidas pelo Ministério da Defesa e realizadas pelas FFAA, contaram com a
participação de órgãos de segurança pública dos estados, foram de grande eficácia,
mas são ações pontuais .
Aferimos que as FFAA não estão presentes na fronteira Brasil e Bolívia de
forma continua e frequente e nem tampouco, participam das atividades rotineiras de
combate ao tráfico de drogas na região. Este trabalho é realizado tão somente por
noventa policiais militares que compõem o GEFRON, os quais são responsáveis por
promoverem ações ostensivas de combate ao tráfico de drogas em 980 km de
fronteira.
Para o Secretário de Segurança, a cocaína oriunda da fronteira Brasil com a
Bolívia provoca sérios danos à sociedade matogrossense, uma vez que é
52

comercializada nos centros urbanos e provoca o aumento dos homicídios, roubos e
furtos.
A Superintendente de Segurança Estratégica demonstrou de forma clara,
que a falta de políticas públicas que permitam a inclusão social, somada à
precariedade de condições de vida na região, levam os cidadãos residentes na área
de fronteira a optarem pela criminalidade. A pesquisada informa que o combate à
criminalidade na fronteira Brasil e Bolívia é dificultado pelo recrutamento ao crime
das famílias residentes no local.
O Delegado Geral da Polícia Judiciária do Mato Grosso, afirmou que apesar
dos esforços promovidos Governos Federal e Estadual na tentativa de minimizar o
problema das fronteiras, estes são insuficientes, porque não existe uma política
efetiva de revitalização da região de fronteira, nem tampouco uma política de
inclusão social através da geração de emprego.
Para o Secretário Adjunto de Segurança Pública, a resposta para segurança
pública na fronteira está na integração. Afirmou que a ENAFRON foi de suma
importância para o combate à criminalidade na fronteira Brasil e Bolívia, uma vez
que dotará as instituições de segurança pública com equipamentos e tecnologia
para atuação nas fronteiras.
O secretário adjunto afirmou ainda que, o patrulhamento das fronteiras é
essencial para a segurança pública do país, uma vez que os delitos em sua grande
maioria estão vinculados ao tráfico ilícito de entorpecentes e a maior parte da droga
encontrada em solo brasileiro entra pelas fronteiras.
Em entrevista concedida pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das FFAA,
João Carlos De Nardi, este ratificou as palavras do Secretário de Segurança ao
afirmar que as FFAA após a edição do Dec. 7496/11 vêm realizando um trabalho
mais voltado à segurança pública das fronteiras. Afirmou que as diretrizes da
Estratégia Nacional de Fronteiras combinado com a Lei Complementar 136/2011
permitiram que as FFAA se integrassem de forma mais ativa aos órgãos de
segurança pública, estaduais e municipais em prol do combate aos ilícitos praticados
na região de fronteira.
Foi questionado ao Chefe do Estado Maior se o Governo Federal dispõe de
aporte financeiro para implementar as ações propostas na Estratégia Nacional de
Fronteira, uma vez que tais ações incorrem em incremento tecnológico, estrutural e
53

de recursos humanos para os seguimentos diretamente envolvidos em tal ação, este
respondeu que o Governo Federal tem prioridades e limitações e ainda que os
recursos são poucos.
O Chefe do Estado Maior Conjunto das FFAA afirmou que as FFAA
manterão ações pontuais de combate aos crimes transnacionais, sendo que tais
ações não prejudicam o exercício da atividade fim daquelas forças, não havendo
nenhum termo de cooperação de atuação conjunta entre as forças e os órgãos de
segurança pública do Estado do Mato Grosso.
Ainda solicitado sobre a possibilidade de uma parceria para a troca de
informações entre o COMDABRA e os órgãos de segurança pública do Mato Grosso
objetivando o monitoramento e detecção de pistas clandestinas e aeronaves
suspeitas de tráfico de drogas, este respondeu que esta comunicação deverá ser
feita através da Polícia Federal.
54

5. CONCLUSÃO

O presente trabalho de conclusão de curso teve por objetivo reproduzir a
problemática de segurança que aflige a região de fronteira Brasil e Bolívia, bem
como demonstrar que, o governo brasileiro somente se preocupou com a fronteira
por ocasião da demarcação de suas divisas. Tão logo demarcadas as divisas, a
região foi relegada ao abandono.
A distância dos grandes centros e a baixa densidade demográfica da região,
fez com que o governo federal não investisse em políticas públicas que propiciasse a
criação de empregos e a fixação do cidadão na região.
O Decreto Lei 85.064/80 estabeleceu regras rigorosas para o uso da faixa de
fronteira, segundo autores trazidos ao trabalho, o uso de propriedade da faixa de
fronteira foi relativizado, uma vez que, determinadas atividades como a radiodifusão,
mineração, loteamento de áreas rurais, transação de imóveis rurais e constituição de
empresas, passaram a ser tuteladas pelo estado. A tutela do Estado não permite a
participação de participação de capital estrangeiro e, portanto, restringe a circulação
de capital na região.
O estudo demonstrou que, esta medida fez com que a região, que em tese
constituía uma área propícia à integração dos países lindeiros, se transformasse em
uma região sem possibilidade de integração para o País e prospera para a remessa
irregular de divisas. Se por um lado, nosso país não permite a participação de capital
estrangeiro, por outro, os países lindeiros não impedem a entrada de capital
brasileiro.
Assim, a falta de políticas públicas que incentive o cidadão a se fixar na
região, combinado com o rigor legal, impediu e ainda hoje, impedem investimentos e
o desenvolvimento da região. Estes fatores impelem a população regional a
sobreviver da atividade informal e por muitas vezes da atividade ilícita.
Demonstramos que, apesar da Polícia Federal ser a responsável
constitucional por coibir e reprimir a prática de ilícitos penais na fronteira brasileira,
não possuí meios e nem recursos humanos para realizar a tarefa a contento.
Informações retiradas do site oficial do DPF afirmam que, em todo o território
nacional existem apenas vinte e nove postos de fiscalização de tráfego terrestre
internacional.
55

Estes são os fatores pelos quais concluímos que as fronteiras brasileiras
constituem a grande fragilidade para o Estado Brasileiro. Até o presente momento, o
governo não logrou êxito em promover com eficácia e eficiência o combate e a
repressão ao tráfico de drogas na região, o que reflete diretamente na segurança
pública dos estados federados.
Tomando como foco o Estado do Mato Grosso, observamos que a distância
dos grandes centros e a falta de políticas públicas, relegou a região ao ostracismo,
fato que somado a falta de infraestrutura, prejudicou a implementação de atividades
comerciais que propiciassem a inclusão do cidadão. A falta de condições de
manutenção legal, somado a ausência do aparato estatal de segurança pública que
propicie a repressão e a prevenção a ilícitos transnacionais, são razões pelas quais
a região de fronteira Brasil e Bolívia constitui uma zona fértil para a propagação de
atividades ilícitas.
O presente TCC demonstrou que os índices de IDH (índice de
desenvolvimento humano) das regiões compreendidas entre a fronteira Brasil e
Bolívia são compatíveis aos piores do país, a condição de miséria e a falta de
perspectivas das famílias que vivem na região levam os cidadãos a serem
cooptados pelo crime organizado, seja participando ativamente, seja coadunando
para que o crime aconteça.
Em questionário apresentado no presente estudo a Superintendente de
Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Mato Grosso, disse “a
falta de condições dignas de sobrevivência leva famílias inteiras a serem recrutadas
pelo crime organizado”.
Constatamos ainda, que a fronteira Brasil e Bolívia está irrigada por estradas
clandestinas, denominadas “cabriteiras”, bem como por pequenos rios que são
utilizados para o acesso dos grupos criminosos. As estradas clandestinas, assim
como pistas de pouso, são abertas em propriedades rurais sem a anuência do
proprietário, as fazendas são invadidas por grupos criminosos e os cidadãos de bem
são submetidos à violência de organizações.
Demonstramos que a fragilidade apresentada pela fronteira Brasil e Bolívia
propicia a entrada de droga no território brasileiro, o que reflete diretamente no
incremento dos índices de criminalidade e violência dos centros urbanos.
56

Os índices apresentados pelas cidades de Cuiabá e Várzea Grande, as duas
maiores cidades do Mato Grosso, demonstram que a maioria dos crimes contra a
vida tem como motivação, o uso ou tráfico de drogas.
O tráfico de drogas reflete diretamente nos índices de criminalidade das
regiões metropolitanas, uma vez que impulsiona os crimes de natureza violenta e
alimenta o furto e roubo de bens e veículos.
Depoimentos trazidos ao presente estudo demonstram que os veículos
roubados em território brasileiro, são levados para a Bolívia através das estradas
clandestinas denominadas “cabriteiras” e ali são comercializados livremente como se
moedas correntes fossem.
O cidadão tem um sentimento real de insegurança, uma vez que os delitos
afetos ao tráfico de drogas chegam diretamente ao seio de sua família. Os objetos
utilizados como moeda de troca para o tráfico e consumo de drogas, são subtraídos
do trabalhador de bem.
Não é justo que o Estado não cuide de segurança de seu cidadão.
Pensando em assegurar as condições de vida do povo matogrossense, em
02 de junho do ano de 2002 o Estado do Mato Grosso criou o Grupo Especial de
Fronteira (GEFRON). Um grupo compreendido por todos os órgãos de segurança
estaduais com objetivo específico de coibir e reprimir o tráfico de drogas na fronteira
Brasil e Bolívia.
O decreto prevê a integração de policiais militares, civis, militares bombeiros,
peritos criminais e papiloscopistas no combate aos crimes transnacionais. As
informações apresentadas no presente trabalho mostram que apesar do GEFRON
possuir dez anos de vida, ainda não foi implementado em sua íntegra. Encontra-se
em atuação na fronteira Brasil e Bolívia tão somente noventa policiais militares.
Os dados e depoimentos apresentados no presente estudo demonstram que
apesar da polícia civil, bombeiros militares, papiloscopistas e peritos ainda não
compõem a equipe de combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e
Bolívia. O GEFRON vem atuando de forma decisiva na revitalização da região e é o
responsável por propiciar a segurança necessária para que o cidadão regional
usufrua do seu direito de propriedade, mais ainda, os policiais devolveram ao
cidadão local a esperança de dias melhores.
57

Noutra mesma quadra, o Governo Federal vislumbrando a necessidade de
propiciar condições dignas de sobrevivência ao cidadão que vive na fronteira, vem
propondo medidas de revitalização da região de fronteira por meio do Ministério de
Integração Social, o qual tem como objetivo preponderante, promover a inclusão
social, através de atividades licitas desenvolvidas pelas famílias residentes na
fronteira brasileira.
Viabilizar a fronteira compreende, em outra quadra, afugentar com o crime
organizado e o tráfico de drogas. Neste diapasão, com o princípio de integrar as
ações de segurança, de controle aduaneiro e das FFAA da União, com as ações dos
estados e municípios situados na faixa de fronteira, para o eficiente combate e
prevenção aos crimes transnacionais, o governo instituiu por meio do Decreto
7.496/11 o Plano Estratégico de Fronteiras.
O plano visa atacar pontos sensíveis na problemática das fronteiras, qual
seja a falta de comunicação entre as entidades de segurança pública, estaduais e
federais, a falta de ações conjuntas e correlatas nos países fronteiriços, bem como a
falta de recursos humanos e estrutura destinada a prevenção e combate ao tráfico
de drogas.
O Plano Nacional de Fronteiras foi editado em oito de junho de dois mil e
onze, após a tomada de decisão, foram realizadas no Estado do Mato Grosso e
outros estados da região norte e centro oeste, duas operações integradas de
combate e prevenção ao tráfico de drogas. Estas operações foram comandadas pelo
Estado Maior Conjunto das Forças Armadas e teve a participação dos órgãos de
segurança pública, federais e estaduais, bem como as FFAA, envolveram cerca de
seis mil policiais e logrou êxito em apreender aproximadamente uma tonelada de
droga.
O depoimento do governador do Mato Grosso do Sul, trazido ao corpo do
presente TCC, demonstra que o estado e o cidadão, confiam e querem a presença
das FFAA nas fronteiras.
Em Mato Grosso as ações surtiram efeito extremamente positivo, o tráfico de
drogas foi afugentado momentaneamente, autoridades de inteligência das FFAA
afirmaram que o valor comercializado da droga subiu, em razão da dificuldade de
acesso dos traficantes.
58

O Plano Nacional de Fronteiras para ser implementado carece de aporte
financeiro, uma vez que além da realização de ações operacionais, este prevê o
incremento de pessoal e planos estruturantes para fronteira.
Em entrevista respondida pelo 3Exmo. Sr. General Sr. José Carlos De Nardi,
foi perguntado acerca do aporte financeiro para realização de tais medidas, e a
cronologia para sua realização de tais ações, este respondeu que, o Governo
Federal tem limitações e prioridades e a cronologia para as ações vão depender dos
recursos disponíveis, que não são muitos.
As Operações Cadeado e Ágata III realizadas em Mato Grosso foram
logradas de êxito, também em entrevista do General De Nardi, este afirmou que
estas são operações eventuais e que “o êxito das Operações Ágatas se deve ao
Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN)”.
No decorrer do presente TCC apresentei o trabalho realizado Estado do
Mato Grosso através do GEFRON e o trabalho realizado pelo Governo Federal
através de operações integradas das FFAA. O primeiro possui uma estrutura de
caráter permanente nas fronteiras, mas não consegue combater o tráfico de drogas
de forma efetiva, porque não possui os meios e recursos humanos necessários para
realização do trabalho na extensa e árida região da fronteira Brasil e Bolívia; o
segundo realizou duas operações no Estado do Mato Grosso, tais operações
apresentaram alto grau de efetividade e eficácia, mas são efêmeras, são ações
pontuais e eventuais.
Portanto, nem o GEFRON apresenta condições para solucionar o problema
da fronteira Brasil e Bolívia, nem o Governo Federal implementou até o momento,
ações efetivas para consecução de tal solução .
A solução para fronteira passa por duas vias principais, a primeira a
revitalização da região de fronteira de forma a promover a inclusão social das
pessoas residentes na região, o cidadão que vive na região de fronteira, precisa ter
a possibilidade de trabalhar em condições legais e legítimas.
A segunda via, passa pelo Estado assumir o controle das fronteiras, que se
daria feito por dois eixos; o primeiro com o incremento de recursos humanos,
financeiros e tecnológico do GEFRON , de forma a povoar a região de fronteira com
unidades operacionais estatais compostas por policiais civis, militares , bombeiros,
33
Entrevista concedida pelo Chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas Exmo. SrR. José Carlos DE
Nardi , Anexo II.
59

peritos e papiloscopistas, atuando de forma cooparticipativa e respeitando suas
respectivas competências . O segundo eixo seria um sistema integrado de
inteligência operacional, bem como a presença continua e permanente de um
Grupamento Operacional de Fronteira composto pela Marinha, Exército e
Aeronáutica sob o Comando do Estado Maior de Ações Conjuntas.
Existe solução palpável e acessível, basta que todos os profissionais
envolvidos nesta empreitada se dispam das vaidades e cooperem entre si, o
trabalho precisa de fato ser integrado, se todos os instrumentos de que o Governo
Federal e Estadual dispõem, dentro de sua medida, se imbuírem em busca da
solução do problema, com certeza a encontraremos.
O homem que está na fronteira à espera de uma possibilidade digna de vida,
também é brasileiro e, portanto, precisa ser tratado como tal.
60

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ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: DIÓGENES GOMES CURADO FILHO

Cargo: Secretário de Estado e Delegado de Polícia Federal

Instituição: Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso

1-Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Por atribuição legal poderíamos dizer que somente a Polícia Federal e as instituições
do Ministério da Defesa. Na prática as instituições de segurança pública dos Estados
trabalham de forma consistente na repressão a esses crimes. Em Mato Grosso a
Polícia Judiciária Civil efetuou diversas operações de repressão ao tráfico de
entorpecentes que, por consequência da investigação, foram processadas pela
Justiça Federal em razão do enquadramento em tráfico internacional.
O Estado do Mato Grosso criou também, há cerca de dez anos, uma ação integrada
denominada Grupo especial de Fronteira - GEFRON, que exerce patrulhamento
sistemático e regular na faixa de fronteira com a Bolívia.

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Em relação ao Estado do Mato Grosso, nenhuma instituição possui uma estrutura
que seja suficiente para combater com eficácia os crimes transnacionais. Isso se
deve a alta demanda das atividades de prevenção e repressão a esses crimes,
aliada a extensa faixa de fronteira e as condições do terreno.

3-Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Isso varia conforme o estado. Em Mato Grosso impera o tráfico de cocaína, havendo
também, em menor monta, o contrabando e descaminho. O crime de evasão de
divisa também possui uma certa frequência, principalmente com a remessa de ativos
para a Bolívia para aquisição do entorpecente. Existe também uma frequência de
apreensão de veículos roubados ou furtados no território brasileiro que teriam
destino a Bolívia, que é utilizado também como pagamento para aquisição da droga.

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

As Forças Armadas, principalmente o Exército, atuam de maneira regular no
patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia. Em Mato Grosso - e também Mato
Grosso do Sul - o Exército mantém estruturas visando guardar nossas fronteiras.
Com o ENAFRON – Estratégia Nacional de Segurança Pública para Fronteira – foi
estabelecida uma diretriz de atuação mais voltada a segurança pública e não só a
defesa da pátria, que é o principal fundamento das Forças Armadas. Essa diretriz
68

vem reforçada pela Emenda Constitucional nº 136/2010, que deu atribuição de poder
de polícia às Forças Armadas em nossa fronteira.

5-As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Conforme já foi afirmado, as Forças Armadas estão efetuado um trabalho mais
voltada a segurança pública em nossas fronteiras, com operações regulares e
atuação preventiva no combate ao tráfico de entorpecente, ao contrabando e
descaminho e outros crimes característicos de nossa fronteira.

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como?

Influenciou. Com as novas atribuições e seguindo as diretrizes do Programa
ENAFRON, as Forças Armadas tem uma atuação mais presente na fronteira, com
seguidas operações voltadas exclusivamente para o combate aos crimes fronteiriços
e, o que é positivo, de forma integrada às demais forças de segurança pública.

7-Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso?

A característica marcante do Estado do Mato Grosso em ser um país com fronteira
com a Bolívia, um dos maiores produtores mundiais de cocaína, influencia muito no
aumento da criminalidade nos municípios do Estado. A cocaína que entra pela
fronteira é vendida nos centros urbanos com sérias consequências sociais, como o
aumento dos homicídios, roubos e furtos, crimes geralmente ligados ao tráfico de
droga. Como os veículos também são bens de valor, utilizados como moeda de troca
pela droga na Bolívia, há também um alto índice de roubos e furtos de automóveis e
motos no Estado.

8-Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

Um estado com as características do Mato Grosso não poderia obviamente deixar
de possuir uma política consistente em relação à repressão aos crimes
transnacionais. Não se fala somente da Unidade da Federação. O governo brasileiro
também possui políticas consistentes nas fronteiras do Brasil com a Bolívia, como a
já citada ENAFRON.
A fronteira do Mato Grosso com a Bolívia é um dos principais capítulos do Plano
Estadual de Segurança Pública, com ações do GEFRON e das Polícias Militar e
Civil.

9-O que é o GEFRON?

O Grupo Especial de Fronteira GEFRON, é uma ação integrada da Secretaria de
Segurança Pública do Mato Grosso. Foi criado em 2002 com a missão de combater
os crimes transfronteiriços do Mato Grosso com a Bolívia, apoiando as ações das
Forças Armadas e da Polícia Federal, que constitucionalmente possuem atribuições
de defesa e segurança pública das fronteiras do Brasil.
10-Qual é a composição do GEFRON?
69

Atualmente o GEFRON é composto por 97 Policiais Militares. Dentro da unidade do
GEFRON em Porto Esperidião também existe uma Delegacia de Polícia Judiciária
Civil que apoia a unidade. Um delegado lotado na Delegacia de Repressão a
Entorpecente de Cuiabá também tem atribuição atuar integrado ao GEFRON, sendo
um elo de ligação daquela unidade especializada com o comando da ação
integrada.

11-Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

O GEFRON trabalha de forma permanente na fronteira distribuindo seu efetivo em
quatro postos fixos (Matão, Avião Caído, Limão e Vila Cardoso) e várias
denominadas barreiras móveis. Além disso, o GEFRON também presta apoio a
INDEA na fiscalização do contrabando de gado, uma atividade que visa a prevenção
do estado contra a febre de aftosa.

12-As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Desde sua criação o GEFRON atua de forma integrada com as Forças Armadas. As
várias operações, como Cadeado (Exército), Gênesis (GEFRON) e Ágata (Ministério
da Defesa), foram feitas em conjunto e a cada ano tem se aprimorado mais a
metodologia de atuação. Em uma dessas operações o GEFRON efetuou a maior
apreensão de droga em uma mesma ação, 180 quilos de cocaína. Já é tradição que
nos períodos de vigência das operações a droga fica represada na Bolívia, o que
demonstra a necessidade de se estabelecer essas ações de forma mais
permanente.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
70

ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: ALEXANDRE BUSTAMANTE DOS SANTOS

Cargo: Secretário Adjunto de Segurança do Estado do Mato Grosso
Instituição: Secretária de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso

Instituição: Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso

1-) Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

r.: Nos dias de hoje a integração é uma tonica. O combate a criminalidade
transfonteiriço no estado do Mato Grosso é desenvolvida por todas as instituições
ligadas ou vinculadas a segurança publica e ordem publica.
A competência constitucional cabe ao Departamento de Policia Federal que por
deficiência de ordem pessoal e material permite, por convênios, a efetivação das
demais instituições.
A exemplo do patrulhamento ostensivo efetuado pelo GEFRON – Grupamento
Especial de Fronteira. Este Grupamento tem a missão especifica de apoiar os
órgãos federais responsáveis pela segurança na fronteira do Brasil com a Bolívia
dentro do Estado do Mato Grosso.
Alem do GEFRON temos a recente criação da Delegacia de Fronteira ligada
diretamente a Delegacia de Repreensão a Entorpecente. Os trabalhos basicamente
se restringem ao combate sistemático ao trafico internacional de drogas. Assim mais
uma atribuição da Polícia Federal que residualmente é executada por órgãos do
Estado do Mato Grosso.
Já a Polícia Rodoviária Federal patrulha as estradas federais que margeiam a faixa
de fronteira. Neste caso a apreensão é efetuada pela PRF e todos os crimes são
apurados pela Polícia Federal.
Quanto ao Ministério da Defesa, através do 2º Bfron, são realizadas algumas
operações pontuais na fronteira, como as Operações Cadeado e Ágata, ficando
responsável pelo combate a todos os crimes transnacionais, com participação
efetiva de todos os órgãos que compõe o sistema de segurança. A Marinha
timidamente, com poucas condições, patrulha o Pantanal, que é uma das partes
alagadas da fronteira.

2-) As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

r.: A situação especifica das fronteiras nunca terão estrutura suficiente. O maior
exemplo são os investimentos que USA e Israel fazem e não conseguem com
eficácia patrulhar sua divisas. Mas no que se refere a Mato Grosso, diversos
avanços são sentidos através de alguns indicadores reais, como um aumento
substancial na apreensão de drogas. Um dos principais projetos do Governo Federal
é o ENAFRON – Estratégia Nacional de Fronteira. Um dos principais pilares é dotar
71

as instituições de segurança de equipamentos e tecnologia para atuação nas
fronteiras.
O Estado do Mato Grosso por sua vez, alem de custear a maquina estadual na
fronteira, reserva grande parte de recurso em investimentos e custeio de suas áreas
vinculadas.

3-) Quais sãos os crimes cometidos com maior freqüência na fronteira Brasil e
Bolívia?

r.: O principal delito com certeza e o trafico de drogas. Mas na esteira de financiar o
trafico, seguem o roubo de cargas e veículos. Outra vertente que aumenta
substancialmente é o contrabando de insumos para agricultura.

4-) Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

r.: comentado no item (1).
“Quanto ao Ministério da Defesa, através do 2º Bfron, são realizadas algumas
operações pontuais na fronteira, como as Operações Cadeado e Ágata, ficando
responsável pelo combate a todos os crimes transnacionais, com participação
efetiva de todos os órgãos que compõe o sistema de segurança. A Marinha
timidamente, com poucas condições, patrulha o Pantanal, que é uma das partes
alagadas da fronteira.”

5-) O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou
poderá influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ? As
FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

r.: As FFAA ainda estão se estruturando para a efetiva fiscalização que lhes foi
atribuída pela Lei Complementar 136/2010. Com a parceria das forças estaduais
realiza a fiscalização, mas ainda sem nenhuma produção estatística que possa ser
levado em conta. A Lei fala em patrulhamento; revista de pessoas, de veículos
terrestres, de embarcações e de aeronaves; e prisões em flagrante delito, funções
que aos integrantes das forças armadas, quando se trata da proteção da fronteira já
era permitido.

6-) Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso?

r.: O Brasil não é produtor de drogas. Tirando o polígono da maconha na região
nordeste, toda a droga (Maconha, cocaína e derivados) encontrada no solo brasileiro
vem das fronteiras do Brasil. Se considerarmos que a maioria dos crimes está
vinculada ao trafico de drogas. O patrulhamento e policiamento da fronteira é
fundamental para a diminuição da criminalidade brasileira.

7-) Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso? r.: mesma resposta anterior.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
72

ANEXO I

QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: ANDERSON APARECIDO. DOS ANJOS GARCIA

Cargo: DELEGADO GERAL DA POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL DO ESTADO DO
MATO GROSSO

Instituição: POLÍCIA JUDICIÁRIA CIVIL

1-Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Nossa CF/88 em seu artigo 144, traz a competência de polícia fronteiriça à cargo da
Polícia Federal. Todavia, a mesma por problemas de estrutura, bem como a
gigantesca extensão fronteiriça que o Brasil possui, não permite que somente um
órgão isolado proceda a todo policiamento da área. Assim, em MT, de fato,
possuímos instituições federais e estaduais realizando o combate a crimes
transnacionais, apesar da competência originaria ser de esfera federal, senão
vejamos: Temos a PJC que ali possui uma Delegacia de Fronteira, a DEFRON,
devidamente instituída por Lei cuja estrutura física esta em fase de planejamento
para sua construção; temos a polícia militar a qual possui algumas companhias e
destacamentos na região; temos a própria PF que encontra-se com uma base na
cidade de Cáceres, além da PRF que possui algumas bases ao longos das estradas
federais que inclusive interligam Brasil e Bolívia.
As FFAA (exercito) possui um destacamento, salvo engano, na região do LIMÃO
(caminho para a Bolívia), porém em primeiro turno, não destinado a combate a
crimes na região, mas com absoluta certeza, prestam grande apoio logístico a
demais instituições que ali laboram.
Por fim, temos um órgão HIBRIDO, qual seja, o GEFRON, composto por PM e PJC,
a qual tem como mister maior o patrulhamento na fronteira e combate a crimes
naquela região.
Poderia ainda agregar o MP e Judiciário, que dentro de uma cadeia de comando na
persecução penal, igualmente exercem papeis fundamentais para o combate aos
crimes fronteiriços.

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Acredito que não. Nossas Fronteiras (brasileiras) são gigantescas, somos 27
estados federados, dentre os quais 11 (onze) possuem fronteiras com outros Países
sulamericanos. No que tange a MT, temos cerca de 800 km de fronteira seca, sem
sequer um mínimo divisor natural, ou seja um rio, um lago, uma montanha, um
canion, etc. a vegetação regional (cerrado) não nos favorece neste sentido,
havendo inclusive propriedades privadas (fazendas) com terras dentro do Brasil e da
Bolívia. Assim sendo, com esta extensão e falta de divisores naturais, a colonização
desorganizada na região, a falta de estrutura tanto de recursos humanos como
73

materiais de todas instituições mencionadas anteriormente colaboram para não
eficiência e eficácia no combate a estes delitos. A permeabilidade de nossa fronteira
é algo muito preocupante, mas um dos fatores primordiais que reputo é a falta de
políticas públicas para a segurança pública naquela região, apesar dos esforços
desprendidos pelo governo federal como pelo governo estadual.

3- Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

O principal é o TRAFICO DE DROGAS, dentre eles podemos destacar IMIGRAÇÃO
ILEGAL DE ESTRANGEIROS (já temos histórico da apreensão de ônibus
transportando chineses em direção a São Paulo), HOMICÍDIOS, CORRUPÇÃO
ATIVA e PASSIVA, CRIMES AMBIENTAIS, CONTRABANDOS e DESCAMINHO, e
ROUBOS E FURTOS DE CARGA E VEÍCULOS, em especial caminhões. Reputo
estes delitos de forma direta a questão transnacional, mas não podemos esquecer
de outros delitos que reputo estarem ligados mais a questões sociais e de infra
estrutura das cidades locais, como por exemplo: roubo a residência, objetos,
pequenos furtos, crimes de cunho mais locais.

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

Creio que estão tentando dar sua parcela de contribuição, pois as FFAA vêm
anualmente desenvolvendo operações junto as fronteiras brasileiras, em especial no
MT com a operação CADEADO (nome atual). Nestas operações promovem a
integração e interação entre outras forças federais e estaduais, com o cunho de
auxilio logístico para o combate aos crimes de fronteira. Apesar de legalmente
estarem revestido do poder de polícia na fronteira, ainda não agem de forma
preventiva ou mesmo repressiva ao combate direto destes crimes.
Creio que as FFAA estão se preparando para tal mister, visto que, com as
operações mencionadas, aprendem o ofício e forma de realizar segurança pública,
papel que prioritariamente não lhes compete e para o qual não são devidamente
preparados ainda.

5-As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

IDEM A ANTERIOR, acrescentando que não vejo atuação preventiva
(patrulhamento), nem repressiva por parte das FFAA na fronteira Brasil/Bolívia, vejo
o que já dito ações voltadas ao auxilio as demais instituições, fomento quanto a
integração e atuação de outros órgãos, mas acredito que estão se preparando para
ocupação deste mister.

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ?

Obviamente que sim. Uma vez legalmente amparado para realizar tal atividade, as
FFAA planejarão metodologias de atuação nesta região. Já se comenta sobre a
transferência de Brigadas e Batalhões da cidade de Cuiabá para cidades e
localidades fronteiriças, o que de certa forma já ajudará e muito o deslocamento de
pessoas, investimentos locais e regionais. A região de fronteira é uma área extensa,
sendo que a realização de crimes TRANSNACIONAIS, como o contrabando e
74

descaminho geram prejuízos econômicos irreparáveis ao Brasil, além de certa forma
prejudicar o cidadão brasileiro no que tange a qualidade de produtos, ferindo muitas
vezes o direito do consumidor brasileiro, pois estão desprovidos de mecanismos
jurídicos para pleitearem um possível dano a bem tutelado.

7-Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso?

SIM, muito. Os reflexos da criminalidade de fronteira,rompem distancias, o trafico de
drogas ali cometido, possuem seus resultados em grandes centros metropolitanos, e
nas regiões urbanas de MT não é diferente, estamos vendo um crescimento
acentuado de uso de drogas pelos jovens mato-grossenses, residentes em Cuiabá,
Cáceres, Barra, SINOP, e com certeza a droga usada pelos jovens não são
produzidas no Brasil, são frutos destes delitos transnacionais.
Como dito, a economia de grandes centros urbanos, também é atingida pelos delitos
de contrabando e descaminho, o direito do consumidor violado, direitos autorais
prejudicados, dentre outros.

8- Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

Como acentuado, vejo uma necessidade maior de políticas para aquela região,
principalmente por parte da esfera FEDERAL, cuja missão lhes compete; é muito
simples querer transferir responsabilidades para outros entes (estados e Municípios).
Somos sabedores de nosso comprometimento social neste fato, temos nossas
responsabilidades, mas dever é da UNIÃO.
Assim sendo, julgo procedente uma melhor política a nível federal, a SENASP vem
envidando esforços para minimizar tal problema com a questão do ENAFRON,
trazendo as instituições não só federais, mas também estaduais no que tange a
reaparelhamento das instituições, qualificações de seus profissionais, etc.
O Estado de MT, também vem tentando minimizar estes problemas como por
exemplo com a criação do GEFRON, da DEFRON, há o PACTO DE
ENFRENTAMENTO AS DROGAS, no qual a SESP também se inseri neste contexto,
onde há vertente de combate ao trafico de drogas, dentre outros.
Todavia, ainda é muito pequeno frente aos grandes problemas enfrentados; pois
desconheço qualquer tipo de política social para aquelas cidades e população que
ali residem, não vislumbro política de geração de emprego para a região, subsídios
estatais para implantação de indústrias e ampliação de comércios regionais, etc.

9-O que é o GEFRON?

GRUPO ESPECIAL DE FRONTEIRA, criado com a função precípua de
patrulhamento da área de fronteira, além de combates a delitos fronteiriços.
Integrado pelas forças da PM e da PJC, cada qual realizando suas atividades
institucionais. Porém, a PJC por questões de infraestrutura, parcos recursos
humanos, além de sua missão primordial (elucidação de crimes) não estão
atualmente presentes na sede do GEFRON, realizando este papel de forma
integrada em suas ações, e não presentes fisicamente, ou seja, lado a lado.
Entendo que integração hás de ser nas ações, na continuidade dos serviços e
missões, e não necessariamente uma unificação, estar lado a lado, seguir regras de
75

outras instituições, realizar atividades de outras instituições. Entendo que integração
institucional se faz em ações, como por exemplo um motor de carro: ali possuímos
várias peças autônomas entre si (bateria, vela, carburador, motor de arranque, etc),
porém interdependentes, ou seja, se uma peça falhar compromete todo andamento
do motor, e vezes o mesmo não chega sequer a funcionar, é assim que enxergo e
vejo a integração entre as forças PM, PJC, MP e Judiciária na persecução de
crimes.

10-Qual é a composição do GEFRON?

Já mencionado PM e PJC, porém atualmente a PJC não se faz presente nas
instalações do GEFRON realizando integração com a PM na fronteira através de
uma integração de ações.

11-Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

Pelo fato da PJC não estar presente fisicamente nas instalações do GEFRON, não
tenho conhecimento das distribuições de tarefas internas daquele órgão.

12-As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Tenho ciência que sim, como já mencionado quando da realização das operações
fomentadas pelas FFAA, como OPERAÇÃO CADEADO, há a participação do
GEFRON na mesma, diante disso, a resposta é positiva.
Quanto aos resultados, quando realizadas, e por serem de cunho eminentemente
preventivas, ter grande visibilidade social, ampla publicidade, os índices de
criminalidade obviamente caem durante aquele período, isso é bom, pois traz não só
a presente estatal a localidade, mas como transmitem paz e segurança a população
local.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
76

ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: WYLTON MASSAO OHARA

Cargo: Delegado de Polícia – Secretário Adjunto de Inteligência

Instituição: Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso

1) Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Exército.

2) As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Não, para os crimes transnacionais serem combatidos com eficácia demandaria uma
estrutura gigantesca, vez que o Brasil tem 23.086 km de fronteira, sendo 15.791 km
terrestres e 7.367 km marítimas.
Com exceção de Equador e Chile, todos os outros países da América do Sul fazem
fronteiras com o Brasil, sendo a mais extensa com a Bolívia (3.423 km).

3) Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Crime de Tráfico de Drogas.

4) As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

Sim.

5) As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Sim.

6) O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou
poderá influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ?

Influenciou de forma positiva, na medida em que realizam em conjunto com outros
órgãos o policiamento ostensivo. Levando-se em conta também a credibilidade da
FFAA.

7) Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso?
Influenciam diretamente no aumento da criminalidade em Mato Grosso, levando-se
em conta que este Estado, pela posição geográfica que ocupa, passa a ser rota do
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tráfico de drogas, fazendo com que parte dessa droga transportada permaneça em
cidades desse percurso.

8) Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

A criação da Delegacia Especializada de Fronteira pelo PJC, o GEFRON, a
interiorização da inteligência policial (criação do C3i).

9) O que é o GEFRON?

O GEFRON é uma Força Integrada pelos órgãos de segurança do Estado do Mato
Grosso, cuja missão é apoiar os órgãos federais responsáveis pela segurança na
fronteira do Brasil com a Bolívia dentro do Estado do Mato Grosso.

A vulnerabilidade da Fronteira Oeste representa fator considerável nas estatísticas
criminais do Mato Grosso e de vários outros Estados da Federação. Daí a
necessidade de uma intervenção imediata e intensa capaz de reduzir, a curto prazo,
as atividades ilegais desenvolvidas na região.

Tem por objetivo principal desencadear, na região, operações sistemáticas de
prevenção e repressão ao:

-tráfico de drogas;
-contrabando e descaminho de bens e valores;
-roubo e furto de veículos;
-invasões de propriedades.

10) Qual é a composição do GEFRON?

O grupo Especial de Fronteira (GEFRON) foi criado no Estado do Mato Grosso no
dia de 13 de Março de 2002, através do Decreto Estadual nº 3994. Nesse decreto,
está previsto ainda o trabalho integrado da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de
Bombeiros Militar. A Polícia Civil disponibilizou 50 policiais, enquanto a Polícia Militar
70 e o Corpo de Bombeiros 20.

Atualmente, o GEFRON possui um efetivo em serviço de 97 policiais militares, e está
aguardando a realização de uma capacitação para novos integrantes.

11) Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

12) As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Foram realizadas várias operações em conjunto, dentre as quais:
a) Operação Ágata: mais de 1.600 homens participaram da operação Ágata,
deflagrada no dia 22 de novembro de 2011, em mais três estados brasileiros, com o
objetivo de combater crimes na região de fronteira. A operação conta com a
participação do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícias Civil e Militar, além do
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Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Grupo Especial de Fronteira
(GEFRON) e Defesa Civil.
A ação faz parte do Plano Estratégico de Fronteiras, lançado pelo Governo Federal,
para fiscalizar e coibir os crimes de fronteira de forma integrada entre os órgãos da
segurança estadual e federal. Além do Mato Grosso, a operação Ágata acontece
nos estados do Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre.

b) Operação Cadeado: O Exército Brasileiro em parceria com a antiga Secretaria de
Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e pelo menos mais 30 instituições
federais, estaduais e municipais realizou no dia 6 de novembro de 2010, a 6ª edição
da Operação Cadeado, que tem como objetivo coibir crimes ambientais,
contrabando, tráfico de drogas e armas nos 983 quilômetros de fronteira seca e
alagada que divide o Brasil e a Bolívia.

Ao todo 765 homens do Exército estavam atuando nos municípios da região de
fronteira com apoio efetivo da Sejusp, que empregou homens da Polícia Militar,
Grupo Especial de Segurança de Fronteira (GEFRON), Polícia Judiciária Civil,
Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e Corpo de Bombeiros para apoiar as
ações do Exército.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
79

ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: ALESSANDRA SATURNINO DE SOUZA COZZOLINO

Cargo: Superintendente de Segurança Estratégica (Delegada de Polícia Civil do
Mato Grosso)

Instituição: Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso

1-Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Polícia Judiciária Civil, Polícia Federal e Polícia Militar

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Não, especialmente porque o combate à esse tipo de crime deve envolver não
somente as forças de segurança pública do estado, mas também ações de diversos
setores, que convergem nas questões de violência e criminalidade, como por
exemplo as sanitárias, econômicas, ambientais, sociais etc. Sabe-se que o
recrutamento da população residente na região de fronteira, tanto no território
nacional, quanto no boliviano, esbarra nas condições de vida da população. Ainda,
agentes públicos, não somente policiais, encontram terreno fértil para se
corromperem, dentre outros fatores, pelo enfraquecimento do sistema de justiça
criminal, que acaba por tornar irrisório o risco do crime.

3-Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

O principal é o tráfico de drogas, sendo que, por comum, os demais acabam sendo
conseqüência daquele, como os crimes contra o patrimônio, onde veículos, em
especial utilitários (caminhonetes), são enviados para o estado alienígena, seja para
servir de moeda de troca do entorpecente, ou mesmo encomendados para atuação
na zona rural. Ainda, contrabando e descaminho, apesar de não apresentarem
indicadores agressivos, começa a crescer em número as apreensões. Em razão de
algumas cifras negras e dificuldade em identificar indicadores mais robustos, há que
se aprofundar quanto ao aumento do número de apreensões na fronteira, seja em
relação a entorpecentes, produtos oriundos de crimes contra o patrimônio (roubo,
furto, receptação), seja quanto a contrabando e descaminho, para se descobrir se
houve aumento real, ou se o que de fato aumentou foram as apreensões (ou seja,
as ações das forças de segurança pública tornaram-se mais eficientes e eficazes).

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?
O patrulhamento, em regra, é realizado pelo Grupo Especial de Fronteira -
GEFRON, sendo que as Forças Armadas atuam, geralmente, em situações
pontuais, até por conta do efetivo existente na região. A Polícia Rodoviária Federal
80

também vem aumentando sua atuação na região, em que pese não alcançar áreas
sensíveis e estratégicas no combate ao crime transfronteiriço, uma vez que a PRF
não pode atuar fora das rodovias federais, e a região é irrigada por estradas vicinais.

5-As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Isso ocorre geralmente quando há alguma operação na fronteira, como no caso da
Operação Agatha.

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B?Como?

Sim, no que pertine à legalidade das ações a serem desenvolvidas, bem como nas
ações conjuntas que envolvam as forças de defesa e segurança pública do país.
Porém, sem uma atenção especial, quanto ao aumento do efetivo operacional e uso
de tecnologia apropriada para esse tipo de combate, bem como para emprego nessa
região específica, a eficiência e eficácia da atuação poderão ser prejudicadas.

7-Os crimes transnacionais influenciam no aumento da criminalidade e
violência na região urbana do Mato Grosso?

Sim, em especial o tráfico de drogas, uma vez que a fronteira em questão é
chamada de “porta principal” para a entrada de cocaína, em maior volume, no país,
abastecendo não somente a região urbana do Mato Grosso, mas chegando a outros
estados, tais como Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
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ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Tenente : JOÃO FERNANDO DE SOUZA ASSUNÇÃO

Cargo : Oficial de Operações e Instruções do – GEFRON

Instituição: POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO MATO GROSSO

1-Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes
na região da fronteira Brasil e Bolívia?

R: No que concerne ao GEFRON, desencadear na região operações sistemáticas de
prevenção e repressão ao tráfico de drogas; contrabando e descaminho de bens e
valores; roubo e furto de veículos; invasões de propriedades; tráfico de pessoas;
tráfico de armas; ou seja, conter, reprimir e inibir os crimes transfronteiriços através
do patrulhamento ostensivo motorizado e policiamento nos postos de fiscalização.

2-Qual é a atuação das polícias repressivas ?

R: é de promover o policiamento em pontos estratégicos da referida região de
fronteira, fins de reprimir e inibir os crimes típicos desta região (transnacionais),
como roubo e furto de veículos, evasão de divisas, tráfico de armas, tráfico de
pessoas, contrabando e descaminho, é o carro chefe de todos, que é combater o
tráfico de drogas.
Isso é feito diariamente com o patrulhamento motorizado, porém o mesmo é
bastante deficiente e a vezes também ausente pela falta de efetivo e policiamento
nos postos do GEFRON e INDEA.
Quando realizado operações conjuntas com forças federais e estaduais de
segurança pública e o efetivo possibilita, também é realizado o policiamento fluvial,
tendo em vista que, em razão de 233 km aproximadamente dos 980 km total, serem
de vias fluviais de difícil localização, são muito utilizados pelos criminosos para o
transporte de mercadorias ilícitas.

3-Qual é a composição do GEFRON?

R: Hoje o GEFRON é composto por aproximadamente 90 (noventa) Policiais
Militares do Estado do Mato Grosso.

4-Como é feita a distribuição de tarefas do GEFRON ?

R: 01 (um) Ten Cel PMMT – resp. pela coordenação do grupo;
01 (um) Maj PMMT – resp. pela inteligência e parte operacional do grupo;
03 (três) 1º Ten PMMT – resp. pelo serviço a cada jornada de 07 (sete) dias,
exercem a função de Oficial de Operações, além de exercerem funções inerentes as
seções de armamento, manutenção e aprovisionamento;
82

Durante o serviço os policiais militares do grupo são designados para postos
localizados em pontos estratégicos na região de fronteira, onde realizam
policiamento nos postos realizando bloqueio e abordagens, e quando o efetivo
possibilita, realizam patrulhamento em toda área de circunscrição daquele posto.
Existem 04 (quatro) postos do GEFRON e 07 (sete) postos do INDEA onde os
policiais militares atuam em parceria com os servidores do INDEA.
Onde os policiais militares concorrem a uma escala de 07 (sete) dias de serviço por
07 (sete) dias de folga, sendo que, sete dias eles concorrem escala pelo INDEA
(atuação conjunta) e sete dias concorrem escala pelo GEFRON.

5-Onde são lavrados os flagrantes ?

R: a área de atuação do GEFRON são de 980 km aproximados de fronteira,
compreendendo 28 (vinte e oito) municípios do Estado do Mato Grosso, de acordo
com o local da ocorrência, conduzimos quando tipificados como crime federal para
delegacia de Polícia Federal que tenha aquela área sobre sua circunscrição, quando
não tipificados com federais, são conduzidas para delegacia de Polícia Judiciária
Civil que tenha aquela área sobre sua circunscrição.
Ou seja, os flagrantes lavrados não são centralizados em um só local, mais feitos de
acordo com o local da ocorrência e tipificação da mesma.

6-Qual é a atuação das Forças Armadas na repressão aos crimes
transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

R: Sinceramente não sei qual é atuação das Forças armadas na repressão aos
crimes transnacionais.

7-As Forças Armadas promovem o patrulhamento de fronteira 'Brasil/Bolívia?

R: nosso contato com as FFAA se restringe a operações em conjunto, sendo que, no
que concerne a atuação e modus operandi dos mesmos, nos desconhecemos.

8-As Forças Armadas atuam com poder de polícia no patrulhamento de
fronteira?

R: Sim, as Forças Armadas atualmente detém o poder de polícia.

9-Já houve ações conjuntas entre as FFAA e o GEFRON, houve êxito na
repressão aos crimes transnacionais ?

R:Sim, todo ano são realizadas operações conjuntas com as FFAA, a exemplo da
Operação Cadeado e Operação Ágata.
Os resultados são sempre positivos, com apreensões significativas e ao mesmo
tempo inibi ações ilícitas que poderiam vir a ocorrerem.

10-As FFAA estão presentes na fronteira B/B?

R: Sim, eles possuem diversos destacamentos em pontos estratégicos nessa região
de fronteira B/B.
83

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
84

ANEXO I

QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: NEWTON CLÉO BOCHI LUZ

Cargo: Oficial Superior do Exército Brasileiro, oriundo do Ministério da Defesa

Instituição: Exército Brasileiro

1- Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Em conformidade com a Constituição Federal, o art. 144 prevê a Polícia Federal
como órgão permanente, organizado e mantido pela União com destinação
específica para:
- apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas
públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual
ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
- prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e
o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas
respectivas áreas de competência;
- exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
-exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
A extensão da fronteira e a dificuldade do combate aos crimes de tráfico,
contrabando e descaminho proporciona ações comuns com os OSP federais,
estaduais e municipais: Força Nacional – SENASP; Polícia Rodoviária Federal –
PRF; Receita federal – RF; Polícia Civil – DENARC; Forças Armadas – FFAA;
Policias Militares e Guardas Municipais entre outros, com os quais combate
notadamente o tráfico ilícito de entorpecentes, armas, munições e medicamentos.
Estas ações integradas foi inserida no DECRETO Nº 7.638, DE 8 DE DEZEMBRO
DE 2011, que alterou o Plano Estratégico de Fronteiras estabelecido em 2010:
[...]
Art. 3o O Plano Estratégico de Fronteiras terá como objetivos:
I - a integração das ações de segurança pública, de controle
aduaneiro e das Forças Armadas da União com a ação dos
Estados e Municípios situados na faixa de fronteira;
II - a execução de ações conjuntas entre os órgãos de segurança
pública, federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do
Brasil e as Forças Armadas;
III - a troca de informações entre os órgãos de segurança pública,
federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e
as Forças Armadas;
[...]
85

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Não são suficientes para combater os ilícitos transfronteiriços pela infraestrutura
deficiente, a falta de coordenação da inteligência entre os órgãos; e a
profissionalização deficiente de recursos humanos para combater, conforme alguns
dados:
- Aumento do tráfico formiguinha (transporte de pequenas quantidades de droga,
inclusive por meio de ingestão), cuja frequência põe a perigo constante a saúde
pública da região.
- Grande extensão de fronteira a ser policiada/fiscalizada.
- Grande capacidade de articulação das facções criminosas transnacionais.
- Alto poderio econômico dos criminosos transnacionais.
- Dificuldade de relacionamento com autoridades civis e militares de país fronteiriço.
- Absorção das repercussões provocadas pelas decisões tomadas no campo político
e diplomático.
- Grande assimetria com países fronteiriços.

3- Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Segundo dados de inteligência para a coordenação do Plano Estratégico de
Fronteiras, os principais são:
 TRÁFICO - drogas, armas e pessoas
 FISCAL/FINANCEIRO - contrabando e descaminho / sonegação e
exportação ilegal de veículos
 AMBIENTAIS
 HOMICÍDIOS

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

A Estratégia Nacional de Defesa (END) preconiza a ação das FFAA de dissuadir a
concentração de forças hostis nas fronteiras terrestres, nos limites das águas
jurisdicionais brasileiras, e impedir-lhes o uso do espaço aéreo nacional.
A LEI COMPLEMENTAR Nº 97, DE 9 DE JUNHO DE 1999 modificada pela lei
complementar 117/2004 e 136/2010 estabelece:
.......
Art. 17A. Cabe ao Exército, além de outras ações pertinentes, como atribuições
subsidiárias particulares:
....
IV – atuar, por meio de ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira
terrestre, contra delitos transfronteiriços e ambientais, isoladamente ou em
coordenação com outros órgãos do Poder Executivo, executando, dentre outras, as
ações de:
a) patrulhamento;
b) revista de pessoas, de veículos terrestres, de embarcações e de aeronaves; e
c) prisões em flagrante delito.
............
86

O Programa 8032: Preparo e Emprego Conjunto das Forças Armadas, define a ação
6499 para a Intensificação da presença das Forças Armadas nas Áreas de Fronteira
com as seguintes operações coordenadas pelo Ministério da Defesa:
1. A Operação Curare – Norte: com a finalidade de intensificar a presença das
Forças Armadas junto à faixa de fronteira oeste, reprimindo os delitos
transfronteiriços e ambientais, além de reforçar, junto à população regional, o
sentimento de nacionalismo e de defesa da Pátria.
2. Operação ATALAIA – Oeste: que visa coibir os crimes na fronteira e os delitos
ambientais. Durante a fiscalização, nas estradas denominadas "cabriteiras",
os militares do exercito promovem a fiscalização conferindo a documentação
dos motoristas e vistoriam os carros que passam pelas localidades da
Fronteira entre os dois países.
3. Operação CADEADO – Oeste: coibir os crimes na fronteira e os delitos
ambientais com a participação da ABIN, Polícia Federal, do IBAMA, da
Receita Federal, da FUNAI, da Polícia Militar do MS e MT, IAGRO e da
Secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul.

5- As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Sim, em conformidade com os dados dos itens anteriores do Plano Estratégico
de Fronteiras e as Ações do Programa 8032 – Ação 6499 (ATALAIA, CADEADO e
CURARE).

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ?

Cabe destacar que as ações na fronteira são de intensificar as ações
governamentais e a presença do Estado, principalmente pela capilarização do
Exército nas áreas fronteiriças e, principalmente, de cunho social pela participação
de habitantes locais nas Organizações Militares do EB. Não há intenções de
substituir os OSP estaduais, porém cooperar com os mesmos a fim de minimizar os
impactos na sociedade dos crimes transnacionais.
Todas as operações das ações 6499 e do PEF são coordenadas com as agências
federais e estaduais, otimizando a participação dos mesmos em operações
interagências.

7- Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

São as preconizadas em leis, portarias e regulamentos federais e estaduais,
envolvendo os OSP, particularmente DPF, SENASP e a Receita Federal. Cabe
destacar que agentes fiscalizadores do IBAMA, IAGRO, etc são participantes de
ações de delitos ambientais na faixa de fronteira.

8-O que é o GEFRON?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.
87

9- Qual é a composição do GEFRON?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

10- Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

11- As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

12- Existe algum Termo de Cooperação firmado entre as FFAA e o GEFRON ?
Quais são os termos deste acordo?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

13- Quais são os resultados concretos apresentados pelo trabalho de combate
aos crimes transnacionais praticados pelo Estado do Mato Grosso?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

14- A Polícia Federal tem alguma ação conjunta realizada com o GEFRON no
combate aos Crimes de Contrabando e Tráfico de Drogas ?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

16- Como é identificada a competência no combate aos crimes transnacionais
realizados na região de fronteira Brasil e Bolívia?

Considerações de especialistas serão oportunas para a finalização da pesquisa do
TCC.

OBS: ESTE QUETIONÁRIO FOI ENCAMINHADO POR EMAIL E RESTITUÍDO
PELA AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADO TÃO
SOMENTE PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO
CAEPE/12
88

ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: CARLOS ANTONIO WUNDERLICH

Cargo: Oficial Superior do Exército Brasileiro – Oriundo do Ministério da Defesa

Instituição: Exército Brasileiro

1- Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

FFAA; OSP federais e estaduais; Receitas federais e estaduais; ANVISA; IBAMA.
Além das instituições congêneres bolivianas (pesquisar).

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Não, A fronteira é muito extensa e faltam meios em pessoal e material.
Uma solução aponta no sentido de aumentar os meios de vigilância e controle de
circulação de pessoas e veículos. (Tipo SISFRON, com VANT, câmeras, radares,
etc)

3- Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Se for igual ao sul, é o tráfico de drogas e o contrabando e descaminho, em menor
grau. Deve haver crimes ambientais significativos (madeira, animais, etc)

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

Sim. Existem vária operações instituídas e eventuais.

5- As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Sim. Existem vária operações instituídas e eventuais.

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ?

Sim. Permitiu a realização de mais operações como a Ágata.

7- Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

Não sei ...
89

8-O que é o GEFRON?

Não sei bem ...

9- Qual é a composição do GEFRON?

Não sei

10- Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

Não sei

11- As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Não sei

12- Existe algum Termo de Cooperação firmado entre as FFAA e o GEFRON ?
Quais são os termos deste acordo?

Não sei

13- Quais são os resultados concretos apresentados pelo trabalho de combate
aos crimes transnacionais praticados pelo Estado do Mato Grosso?

Não sei

14- A Polícia Federal tem alguma ação conjunta realizada com o GEFRON no
combate aos Crimes de Contrabando e Tráfico de Drogas ?

Não sei

16- Como é identificada a competência no combate aos crimes transnacionais
realizados na região de fronteira Brasil e Bolívia?

Não sei

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
90

ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO A AUTORIDADE DE SEGURANÇA PÚBLICA

Nome: EDUARDO ALBERTO COSTA SOUZA FALCÃO– Cel Eng EB

Cargo: Estagiário do CAEPE

Instituição: Escola Superior de Guerra

1- Nos dias de hoje, quais são as instituições que de fato, estão envolvidas no
combate aos crimes transnacionais na fronteira Brasil e Bolívia?

Resposta: Polícia Federal, Receita Federal, Polícias Militares, Polícias Civis, Polícia
Rodoviária Federal, Forças Armadas e Força Nacional de Segurança.

2-As estruturas envolvidas são suficientes para combater com eficácia a
prática dos crimes transnacionais?

Resposta: Não.

3- Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Resposta: Contrabando, descaminho e tráfico de drogas.

4-As Forças Armadas atuam no patrulhamento das fronteiras Brasil e Bolívia?

Resposta: Não.

5- As FFAA atuam no combate aos crimes transnacionais na fronteira B/B?

Resposta: Sim, de forma episódica, quando acontecem as operações na Faixa de
Fronteira.

6-O poder de polícia atribuído às FFAA pelo EC 136/2010 influenciou ou poderá
influenciar na atividade realizada pela FFAA na região B/B? Como ?

Resposta: Não influenciará a atividade realizada pelas Forças Armadas na região
B/B. O Exército quando empregado nesse tipo de operação sempre buscará estar
acompanhado das polícias.

7- Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes na
região da fronteira Brasil e Bolívia?

Resposta: Não sei.
91

8-O que é o GEFRON?

Resposta: Não sei.

9- Qual é a composição do GEFRON?

Resposta: Não sei.

10- Como é feita a distribuição de tarefas no GEFRON ?

Resposta: Não sei.

11- As FFAA atuam ou já atuaram em conjunto com o GEFRON ? As ações
tiveram resultados?

Resposta: Não sei.

12- Existe algum Termo de Cooperação firmado entre as FFAA e o GEFRON ?
Quais são os termos deste acordo?

Resposta: Não conheço nenhum Termo de Cooperação. Não conheço os termos do
mesmo.

13- Quais são os resultados concretos apresentados pelo trabalho de combate
aos crimes transnacionais praticados pelo Estado do Mato Grosso?

Resposta: Não sei.

14- A Polícia Federal tem alguma ação conjunta realizada com o GEFRON no
combate aos Crimes de Contrabando e Tráfico de Drogas ?

Resposta: Não sei.

16- Como é identificada a competência no combate aos crimes transnacionais
realizados na região de fronteira Brasil e Bolívia?

Resposta: De acordo com a atribuição prevista para cada instituição.

OBS: ESTE QUESTIONÁRIO FOI ENVIADO VIA EMAIL E RESTITUÍDO PELA
AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ UTILIZADA TÃO SOMENTE
PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12
92

ANEXO II
ENTREVISTA PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ENTREVISTA CONCEDIDA PELO EXMO. SR. JOSÉ CARLOS DE NARDI
CHEFE DO ESTADO-MAIOR CONJUNTO DAS FORÇAS ARMADAS

1-As fronteiras brasileiras constituem uma grande fragilidade para segurança
pública em todo o território, o que, segundo especialistas, reflete diretamente
nos índices de violência e criminalidade dos grandes centros. Pensando nisso,
o governo editou a Estratégia Nacional de Fronteiras, a qual apresenta três
fases em sua consecução: Ação Imediata (em Curto Prazo); O engajamento e
integração Federativa e os Projetos Estratégicos. Qual seria efetivamente o
prazo e o aporte financeiro necessários para que tais medidas fossem
implementadas, uma vez que todas as instituições efetivamente envolvidas no
projeto enfrentam graves problemas de recursos humanos e financeiros?

O Governo Federal instituiu, por meio do DECRETO Nº 7.496, DE 8 DE JUNHO DE
2011, o Plano Estratégico de Fronteiras,que tem como objetivos:
a. A integração das ações de segurança pública, de controle aduaneiro e
das Forças Armadas da União com a ação dos Estados e Municípios
situados na faixa de fronteira;
b. A execução de ações conjuntas entre os órgãos de segurança pública,
federais e estaduais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e as
Forças Armadas;
c. A troca de informações entre os órgãos de segurança pública, federais e
estaduais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e as Forças
Armadas;
d. A realização de parcerias com países vizinhos para atuação nas ações
previstas no art. 1o; e
e. A ampliação do quadro de pessoal e da estrutura destinada à prevenção,
controle, fiscalização e repressão de delitos na faixa de fronteira.

Se for feita uma comparação entre a fronteira dos Estados Unidos da América com o
México e a do Brasil com seus 10 países limítrofes, poderemos inferir o seguinte:
- A extensão total da fronteira entre os EUA e o México é de 3141 km; já
a do Brasil é de 16.886 Km.
- Os EUA possuem tecnologia de ponta, recursos financeiros, armamento
e equipamentos sofisticados e pessoal treinado e qualificado; já o Brasil,
possui pessoal treinado e qualificado. Os recursos financeiros são
escassos, a tecnologia, o armamento e o equipamento não são de última
geração.
93

Mesmo com todos esses fatores favoráveis aos EUA, eles ainda não
conseguiram evitar os crimes transfonteiriços.

A ENAFRON é um programa entre o Ministério da Justiça e as Secretarias de
Segurança Pública dos Estados. Esta parceria depende de decisão política dos
Governadores e do Governo Federal. Faz parte da Operação SENTINELA, do
Ministério da Justiça (MJ), que é uma operação permanente de inteligência policial
na fronteira.
Com isso, fica muito difícil calcular o prazo e o aporte de recursos necessários para
implementar todas as medidas necessárias. O que se pode, e já está sendo feito
com as Operações ÁGATA, é diminuir esses crimes transfonteiriços.

2-De onde viria o recurso, qual a cronologia para tais ações?

O recurso vem do Governo Federal, que tem suas prioridades e limitações. A
cronologia para as ações depende do volume de recursos disponíveis, que não é
muito.

3-As Operações ÁGATAS demonstraram um grande engajamento das FFAA
com as demais entidades de segurança pública do país. A organização e os
meios das FFAA, combinado com o conhecimento pontual dos agentes de
segurança e a simpatia popular, foram fatores preponderantes para que tais
ações fossem logradas de êxito. Quando se fala em estabilização e
enraizamento (segunda fase da ENAFRON), podemos pensar em uma política
integrada pelas FFAA, PRF, PF e demais órgãos de segurança federal e
estadual de forma sistêmica e definitiva nas fronteiras brasileiras? Como?

O êxito das Operações ÁGATA se deve ao Sistema Brasileiro de Inteligência
(SISBIN). As Operações ÁGATA são de caráter eventual e temporário. Já a
Operação SENTINELA do MJ é uma operação permanente. Esta sim tem o caráter
de estabilização e enraizamento.

4-O que é possível ser feito em curto prazo?

O que é possível é o que está sendo feito, ou seja, operações ÁGATA eventuais e
operação SENTINELA de forma permanente.

5-Como é do vosso conhecimento, o Estado do Mato Grosso há dez anos
possui um Grupo Especial de Fronteira (GEFRON), que tem como objetivo
integrar as forças de segurança estaduais e promover o combate aos crimes
transnacionais na fronteira. Ocorre que, a exemplo dos demais órgãos de
segurança, carece de recurso e faz o trabalho de maneira empírica e
prejudicada. Por outro lado as FFAA possuem algumas ferramentas que em
muito contribuiriam para a coação de crimes transnacionais. Hoje o que se
94

pensa é na união de forças em ações operacionais pontuais propostas pelo
MD. Existe algum termo de cooperação ou convênio que possibilite o trabalho
integrado e cooperativo das FFAA e entes estaduais de segurança pública de
MT no combate aos crimes transnacionais na fronteira BB de forma
sistemática? Como o MD vê esta possibilidade?

A Constituição Federal (CF) e as leis devem ser seguidas em Estado Democrático
de Direito, como é o caso do Brasil. A CF dispõe, no seu Art 142, que as Forças
Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são
instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia
e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-
se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de
qualquer destes, da lei e da ordem. Já no seu Art 144, a CF prevê que a Polícia
Federal é quem deve prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros
órgãos públicos nas respectivas áreas de competência, bem como exercer as
funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.
A Operação SENTINELA é executada pelo MJ, mas com apoio logístico e de
inteligência do MD.

6-O senhor entende que o engajamento das FFAA nas ações operacionais de
segurança das fronteiras prejudica a atividade fim (defesa nacional) das
forças? Por que?

Da forma como as Operações ÁGATA vêm sendo realizadas, isto é, de FORMA
EVENTUAL e pontual, não há prejuízo para a atividade fim das Forças Armadas.

7-O governo estaria acenando para uma sistematização do emprego das FFAA
no combate aos crimes transnacionais?

A sistematização que está ocorrendo é a de operações interagências, que é muito
mais abrangente do que os crimes transnacionais.

8-Autoridades da PF informam que grande parte da droga que adentra ao
território brasileiro o faz através de aeronaves clandestinas , a PF e as
autoridades estaduais não conseguem detectar as inúmeras pistas
clandestinas que são construídas a cada dia , bem como não conseguem
detectar a entrada das aeronaves em tempo hábil? Haveria uma sugestão do
MD para esta problemática? O COMDABRA e o (pesquisar o nome do sistema
que controla desmatamento ) não poderiam firmar convênios ou termos de
cooperação com os Estados para troca de informação ?

Boa parte das pistas clandestinas já foram detectadas pela FAB, que mantém
missões de reconhecimento com frequência, para atualizar as informações. Sempre
que a FAB detecta uma nova pista clandestina, a informação é repassada para a
95

Polícia Federal, a quem cabe tomar as providências. Quando solicitado pela PF, a
FAB realiza a missão de interdição da pista, utilizando armamento real.
A detecção de aeronaves clandestinas entrando em território nacional não é muito
fácil, tendo em vista que essas aeronaves normalmente voam à baixa altura,
justamente para evitar os radares brasileiros. Para se contrapor a isso, o
COMDABRA, que mantém acordo operacional com a PF, realiza, com frequência, as
Operações Porteira Fechada, as quais consistem em, com alguma informação de
um possível tráfego, desloca aeronaves radar (que conseguem detectar aeronaves
voando á baixa altura) e de interceptação para a localidade, visando a interceptação,
e força a aeronave a pousar em uma pista onde há pessoal da PF para a apreensão.
Não existem convênios com os governos dos estados, pois a competência é da PF e
COMDABRA, porém, caso os estados precisem de informações, bastaria solicitar à
PF ou ao COMDABRA.

9-A proposta da ENAFRON é suficiente para combater com eficácia a prática
dos crimes transnacionais?

A ENAFRON é um programa entre o Ministério da Justiça e as Secretarias de
Segurança Pública dos Estados. Esta parceria depende de decisão política dos
Governadores e do Governo Federal. Faz parte da Operação SENTINELA, do
Ministério da Justiça (MJ), que é uma operação permanente de inteligência policial
na fronteira. O Ministério da Defesa não pode emitir juízo de valor a esse respeito
por não ser da nossa competência.

10-Como se deu a ÁGATA 6 ( fronteira Brasil e Bolívia)? Qual a área de sua
abrangência ? Quais foram as instituições envolvidas e quais foram os
resultados?

A ÁGATA 6 ocorrerá de 7 a 22 de outubro de 2012, tendo como abrangência o mapa
a seguir:

4.216 Km de extensão
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Os Ministérios e Agências e convidados foram:
Ministérios da Defesa, Justiça, Saúde, Relações Exteriores, Fazenda, Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Meio Ambiente, Integração, Minas e Energia, e ainda, o
Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria de Assuntos Estratégicos,
Secretaria da Receita Federal, Agência Nacional das Águas e Agência Nacional de
Aviação Civil, conforme organograma a seguir:

11-Quais sãos os crimes cometidos com maior frequência na fronteira Brasil e
Bolívia?

Os principais crimes cometidos são:
- Narcotráfico;
- Contrabando e descaminho;
- Tráfico de armas e munições;
- Crimes ambientais;
- Contrabando de veículos;
- Imigração ilegal; e
- Problemas indígenas.

12-As Forças Armadas atuam rotineiramente no patrulhamento das fronteiras
Brasil e Bolívia?

Sim. O Brasil tem Unidades Militares dispostas ao longo da fronteira e rotineiramente
desencadeia operações na fronteira, como as Operações Cadeado, Atalaia e
Curare, dentre outras.
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13-Quais são as políticas de repressão aos crimes transnacionais existentes
na região da fronteira Brasil e Bolívia?

As questões políticas são da competência dos Governos Federal e Estadual.
Portanto, não me sinto capacitado a explanar sobre este assunto.

OBS: ESTA ENTREVISTA FOI ENTREVISTA FOI ENVIADA POR EMAIL E
RESTITUÍDA PELA AUTORIDADE. TEM NATUREZA DIDÁTICA E SERÁ
UTILIZADA TÃO SOMENTE PARA EXECUÇÃO DO TRABALHO DE
CONCLUSÃO DO CURSO CAEPE/12