Você está na página 1de 6

PROPOSTA DE PESQUISA SOBRE O USO DA SIMULAÇÃO E

SUA APLICAÇÃO COM USUÁRIOS

Anna Cristina Barbosa Dias de Carvalho


Abarbosa@sc.usp.br
Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP
Departamento de Engenharia Mecânica
Av. Dr. Carlos Botelho 1465 - 13560-240
São Carlos, SP - Brasil

Prof. Dr. Arthur José Vieira Porto


Ajvporto@sc.usp.br
Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP
Departamento de Engenharia Mecânica
Av. Dr. Carlos Botelho 1465 - 13560-240
São Carlos, SP - Brasil

Ana Paula M. Kiguti


Apkiguti@sc.usp.br
Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP
Departamento de Engenharia Mecânica
Av. Dr. Carlos Botelho 1465 - 13560-240
São Carlos, SP - Brasil

Prof. Dr. Ricardo Yassushi Ianamasu


Ricardo@cnpdia.embrapa.br
Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP
Departamento de Engenharia Mecânica
Av. Dr. Carlos Botelho 1465 - 13560-240
São Carlos, SP - Brasil

Abstract

This Work has the aim to search, joined to the users of simulation software, the
problems found in its applications, dificults in trainning people and system modeling,
didatic material and others important problems which may be usufull for improving the
use of simulation. At last, this search proposes a new study methotology and a tutorial that
makes easier the training of students and professionals from several manufacturing fields.
This work will shows a research with questions about some doubts about simulation
studying and steps to modeling systems. This questions came up with some discussing in
simulation laboratory in São Carlos School of Engineering.

Keywords: Simulation, Trainning, Search


1. Introdução
Uma das maiores dificuldade das empresas, escolas, universidades, grupos de
trabalhos é encontrar uma forma de acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Segundo
Toffler(1991) estamos no meio da terceira onda conhecida como “ era da informação”.
Todos os sistemas estão interligados e sofrendo uma forte influência do ambiente onde
estão e até de outros ambientes. Um exemplo deste fato tem sido a influência das
constantes quedas das bolsas de valores nos países conhecidos como Tigres Asiáticos, que
tem afetado os países com uma estrutura econômica bastante estruturada: como Estados
Unidos, Alemanha, Inglaterra. Essa influência interna é conseqüência da globalização que
une mercados, cria fluxos de informações mais rápidas e mais eficientes. A Internet é um
outro instrumento de informação que tem uma grande influência nos hábitos e costumes
das pessoas. A globalização influencia na economia, no comércio, na venda de produtos,
no tipo de clientes, nas empresas e também o aprendizado passa a ser influenciado por esse
processo de rapidez na aquisição da informação.
A pergunta que se espalha por instituições de ensino é como lidar com mudanças
tão rápidas? E como preparar pessoal especializado para enfrentar toda essa maratona no
mercado de trabalho? As discussões nesse sentido são geradoras de novas idéias, novas
ferramentas , além de novas aplicações para ferramentas e técnicas já desenvolvidas.
O jogo de empresa, a simulação, etc. são algumas ferramentas já conhecidas, mas
que tem sido utilizadas para aprimora o aprendizado não só de estudantes, mas de
profissionais de diversas áreas, melhorando sua maturidade e criatividade em lidar com
mudanças e até propor modificações para que a empresa possa crescer de forma mais
eficiente. Existem muitos fabricantes de softwares que oferecem as vantagens acima para
os clientes. Mas existe uma série de dúvidas quanto a aplicabilidade do softwares de
simulação em áreas diversas. Como: manufatura, comércio e etc. A partir dessas dúvidas
geradas de discussões acadêmicas surge o presente trabalho.
Este trabalho tem por finalidade desenvolver uma pesquisa onde serão levantados
os resultados do uso da simulação em sistemas de manufatura. Será apresentado a
justificativa da pesquisa; os conceitos de simulação e seus passos de desenvolvimento; a
metodologia que será aplicada na pesquisa e como deverá ser realizada a análise.

2. Justificativa
O trabalho surgiu devido a estudos realizados de forma acadêmica e levantamento
teórico de alguns problemas que possivelmente possam ocorrer com usuários de software
de simulação. A simulação tem sido muito divulgada por sua flexibilidade de análise de
sistemas reais, além de ajudar estudantes e profissionais de diversas áreas a entenderem
como funciona um sistema, seus subsistemas e seu processamento.
Existem muitas dúvidas quanto ao resultado obtido pelas empresas usuárias dos
software de simulação como por exemplo: Quais os problemas que foram encontrados no
uso dos software? Qual o desempenho dos profissionais na utilização do software? A
avaliação da qualidade do material didático utilizado, bem como cursos e consultorias
oferecidas. Como é escolhido o uso da simulação como ferramenta? Como é decidido a
compra do software e quem realiza esse trabalho? Qual o melhor software para a empresa?
E outros dados que venham a contribuir para o desenvolvimento de um treinamento eficaz
dos usuários da simulação.
O uso da simulação tem sido difundido pelo mundo todo. Nos países desenvolvidos
como Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros o uso da simulação já faz parte do
processo de tomada de decisão em algumas áreas estratégicas, treinamento de astronautas,
pilotos de aviões, navios e trens, além do uso normal na manufatura. No Brasil a simulação
tem ganhado maior credibilidade dentro das empresa a partir da década 70 início de 80. O
cenário mudou e a necessidade de possuir ferramentas modernas levou a busca de
ferramentas eficientes e de rápido resultado. Essas vantagens são encontradas na maioria
dos livros de simulação e são observadas quando usada de forma acadêmica. Porém, é
necessário a verificação de sua utilização dentro das empresas. A pesquisa fornecerá dados
que ajudaram a aprimorar cada vez mais o uso da simulação como ferramenta de auxilio a
tomada de decisão e também como ferramenta de treinamento.

3. Simulação
Segundo Banks, simulação é a imitação de operações de um sistema real. Ela pode ser
executada através de computadores ou não. A Simulação pode estudar sistemas sem que
seja necessário construir ou modificar o sistema real, através da construção de um modelo.
A simulação permite a análise detalhada do projeto, lay-out, inclusão de equipamentos,
retirada de máquinas e outros problemas ou sistemas existentes, sem que ocorra gasto
financeiro ou mudanças sem a análise prévia dos resultados.
A simulação utiliza modelos para representar a realidade. Entende-se por modelo um
conjunto de informações sobre um sistema, obtidos com o propósito de estudar o sistema
real. Um dos grandes problemas na definição do modelo é chegar a um nível de
detalhamento auxilie a construção. Algumas perguntas são importantes:
para que usar o modelo?
quem vai usar o modelo?
quanto de recursos são necessários para executar o modelo?
Existem uma preocupação de utilizar modelos corporativos ou seja que possua
interface com outros sistemas, sem perder tempo na obtenção de dados já existentes, como
gráficos, bancos de dados e outros.
Os modelos utilizam modelos contínuos e discretos. O sistemas contínuo é aquele que
o estado da variável muda continuamente no tempo; O sistema discreto é aquele que o
estado da variável muda somente no conjunto discreto de pontos no tempo.
A simulação permite a realização de análise em diversas atividades da manufatura,
como: identificação de problemas, comparação de desempenho, estudos sobre a utilização
da capacidade instalada, refinamento do projeto, gargalo do sistema, treinamento de
operadores, teste de inicialização de equipamentos (Lobão,1996). Sua utilização é em
diversas áreas: Sistemas de manufatura na aplicação de sistemas movimentação de
materiais, análise de inventários, definição da capacidade do sistema, levantamento de
custos em sistemas just-in-time, análise de rotina; em sistemas de saúde, análise de
sistemas de emergência, análise da utilização dos leitos; sistemas militares, em treinamento
de tática de guerra, levantamento de recursos nas operações, desenvolvimento de táticas de
ação; Em sistemas de transportes, sequenciamento de rotas, construções sistema de
entregas, operações de container, organização e administração de restaurante, processo de
reengenharia, processamento de alimentos e análise de performance de sistemas
computacionais.
Para que a simulação possa ser executada são necessários seguir alguns passos para
atingir êxito no trabalho. A seqüência para simular um processo possui uma variação nos
passos dependendo do autor, mas no geral os passos são semelhantes. Seguiremos a
seqüência utilizada no laboratório de simulação da Escola de Engenharia de São Carlos
(Lobão, 1996).
Os passos são:
a) Definição do problema e dos objetivos do estudo;
b) Elaboração de um esboço do modelo;
c) Aquisição de dados;
d) Validação dos dados;
e) Construção do modelo;
f) Validação do modelo;
g) Projetar o experimento;
h) Executar o experimento e analisar os resultados;
i) Reformar o projeto do experimento;
j) Análise final dos resultados e documentação do processo.
Além dos passos listados é importante conhecer o software que será utilizado. Os
detalhes de programação e a linguagem que deverá ser utilizada. É importante que a
linguagem seja adequada com a complexidade do problema.

3. Metodologia
O trabalho será iniciado através de contatos com os vendedores dos software de
simulação. Utilizaremos dois software: Arena e AutoMod, pois são os software utilizados
no laboratório de simulação da USP e os mais encontrados nas empresas que utilizam
simulação. Serão levantados todos os usuários que utilizam software de simulação, através
de questionário.
Os seqüência que será utilizada está relacionada abaixo:
• Elaboração do questionário - o questionário terá perguntas referentes a
aplicação do software, ao treinamento dado ao usuário, aos resultados obtidos
com a aplicação do software e os trabalhos que estão sendo utilizados pela
empresa. Ao final da elaboração, o questionário será enviado para os
vendedores dos software, para análise e posteriormente possível ajuste de
dados que seriam interessantes serem levantados e que anteriormente não
haviam sido listados;
• Identificação dos usuários dos softwares – para que o usuário tome
conhecimento da pesquisa enviaremos uma carta explicando o objetivo da
pesquisa e pedido a colaboração do mesmo, pois as informações necessitam de
muita fidelidade com o sistema que está sendo aplicado, caso contrário a
pesquisa ficará comprometida;
• Envio dos questionários – feito o contato inicial com os usuários, serão
enviados os questionários para aqueles que se prontificaram a colaborar com a
pesquisa;
• Análise e tabulação das respostas dados – serão levantados dados sobre o uso
do software, sua aplicação dentro da empresa, sobre treinamento de pessoal,
material didático oferecido, que projetos foram desenvolvidos, que vantagens
foram encontradas com a utilização da simulação, que falhas poderiam ser
corrigidas, que sugestões eles dariam para aprimora a metodologia usada para
simulação e outros questionamentos que posteriormente serão melhor
especificados. Esse dados serão tabulados e analisados para que se possam
chegar a conclusões produtivas;
• Discussão junto aos fabricantes – com os resultados das análise será discutido
com os fabricantes como melhorar a metologia, o uso e aplicação do software e
outros problemas que possam estar prejudicando o processo de simulação na
empresa;
• Elaboração de uma nova metodologia para análise de estudos de simulação –
serão listados os principais problemas encontrados com os usuários e suas
soluções, e assim será desenvolvida uma metodologia que ajude o usuário a
escolher o software, ser treinado para utilizá-lo de maneira eficaz,
desenvolvimento de um tutorial que poderá ser usado não somente para
treinamento, mas para apresentação do próprio software, facilitando o
treinamento do estudante e de outros profissionais que possam vir a usá-lo;
• Experimentação e conclusão – serão feitos experimentos desta metodologia e
elaboração do tutorial, que será aplicado empresas e será verificado sua
eficácia, caso ocorra alguma distorção será corrigida e passará a ser utilizada
para implantação de softwares de simulação em empresas ou para treinamento
em universidades, consultoria e outras atividades utilizando simulação;

Elaboração do questionário

Identificação Envio dos


dos usuários questionários

Análise e tabulação dos


dados

Discussão com os
fabricantes

Elaboração de uma
metodologia nova
metodologia para estudos
de simulação

Experimentação e conclusões

4. Considerações finais
O uso da simulação vem sendo difundido cada vez mais no meio empresarial
devido a suas vantagens, mas estudos realizados no laboratório de simulação da Escola de
Engenharia de São de Carlos e algumas discussões sobre problemas encontrados de
simulação realizados, estimularam a realização desse projeto. O desenvolvimento
dependerá do apoio dos fabricantes do software e dos usuários.
O levantamento dos dados que poderão causar problemas no uso da simulação em
empresas brasileiras ajudará a aprimorar o uso da simulação que tem sido muito
estimulado e divulgado diante do evento da globalização. Esperamos contribuir para
melhorar a aplicação desta ferramenta não só para o uso empresarial, mas também para
treinamento de pessoal operacional, estudantes e gerentes de diversas áreas.
5. Bibliografia
BANKS, Jerry; CARSON, John S.; NELSON, Barry L.; Discrete-Event System
Simulation, 2a ed., Editora Prentice Hall, Upper Saddle River, New Jersey, 1996;
LOBÃO, Elídio de Carvalho; PORTO, Arthur José Vieira; Proposta para
Simulação de Estudos de Simulação, ENEGEP, 1996;
BANKS, Jerry; GIBSON, Randall R.; Selecting Simulation Software; IIE Solutions ,
May, 1997;
LAW, Averill M.; HALDER, S. Wall; Selecting Simulation Software for
Manufacturing Applications: Practical Guidelines & Software Survey; IIE, May,
1989;
LAW, Averill M.;McCOMAS, Michael G.; How to Select Simulation Software for
Manufacturing Applications; Industrial Engineering, July, 1992;
HLUPIC, Vlatka; PAUL, Ray J.; Methodological Approach to Manufacturing
Simulation Software Selection; Computer Integrated Manufacturing Systems,
Vol. 9, No. 1, pp49- 55,1996;
Apostila de simulação utilizada no curso de pós graduação da EESC- USP; São
Carlos, 1995;
TOFFLER, Alvin; A terceira Onda; Ed. Campus, São Paulo, 1997.