Você está na página 1de 19

BEM-VINDO AO CURSO!

Bons Estudos

VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO A APOSTILA:

ESTIMULAÇÃO COGNITIVA
Avenida Érico Veríssimo, 105 – Solar dos Lagos – São Lourenço-MG CEP: 37.470-000

Email: atendimento@wreducacional.com.br

Telefones: (35) 3331-2274 WhatsApp(35) 98822-9223


DICAS IMPORTANTES PARA O BOM
APROVEITAMENTO
• O objetivo principal é aprender o conteúdo, e não apenas terminar o curso.

• Leia todo o conteúdo com atenção redobrada, não tenha pressa.

• Explore profundamente as ilustrações explicativas, pois elas são fundamentais


para exemplificar e melhorar o entendimento sobre o conteúdo.

• Quanto mais aprofundar seus conhecimentos mais se diferenciará dos demais


alunos dos cursos.

• O aproveitamento que cada aluno faz, é você que fará a diferência entre os “alunos
certificados” dos “alunos capacitados”.

• Busque complementar sua formação fora do ambiente virtual onde faz o curso,
buscando novas informações e leituras extras, e quando necessário procurando executar
atividades práticas que não são possíveis de serem feitas durante o curso.

• A aprendizagem não se faz apenas no momento em que está realizando o curso,


mas sim durante todo o dia-a-dia. Ficar atento às coisas que estão à sua volta permite
encontrar elementos para reforçar aquilo que foi aprendido.

• Critique o que está aprendendo, verificando sempre a aplicação do conteúdo no dia-


a-dia. O aprendizado só tem sentido quando é efetivamente colocado em prática.
CONTEÚDO
01 - INTRODUÇÃO

02 - O ENVELHECIMENTO E O DECLÍNIO COGNITIVO

03 - O TREINO COGNITIVO

04 - O QUÊ MELHOR COMBINA COMIGO??

05 - CADA PESSOA É ÚNICA E ESCOLHE COMO SE DIVERTIR

06 - BEM SÓ E/OU BEM ACOMPANHADO

07 - MAS, IMPORTA MESMO QUE SE DEFINA O QUE É FELICIDADE?


1 - INTRODUÇÃO

Estimulação Cognitiva Para Adultos E Idosos

A partir do entendimento de que cada pessoa é única e que o envelhecimento é


apenas mais uma fase do desenvolvimento normal, tem-se que cada indivíduo deve ser
ouvido atentamente. Só assim faremos com que a terapia a ser oferecida atenda
satisfatoriamente às suas expectativas tanto de resultado (que seja eficiente para resolver
suas dificuldades) quanto de esforço durante o tratamento (que seja escolhido o tipo e
dimensionado o grau de empenho que mais lhe agrade).

Todo ser humano em sã consciência prefere se sentir feliz e, sempre que possível
evita atividades maçantes e desagradáveis. Sabemos que o que é agradável para um pode
ser o pesadelo do outro, visto que cada um tem aprendizados, significações e história de
vida únicos, de modo que as preferências pessoais dificilmente podem ser generalizadas.

Daí ser tão importante que a abordagem a ser utilizada olhe o paciente como
único; que privilegie o seu interesse, preferências pessoais e bem-estar para, juntamente
com ele, escolher as atividades de estimulação cognitiva que serão contempladas durante
o seu tratamento. Para isso, é indispensável fazer um levantamento dos tipos de
atividades e ferramentas utilizadas para o treino cognitivo, isto é, conhecer o universo de
possibilidades disponíveis no momento para cada finalidade de estimulação.

Por entender que muitos profissionais de saúde, particularmente da área de


Psicologia, parecem mostrar-se tímidos ainda para lançar mão de recursos tecnológicos
de última geração ao elaborar programas de treinamento cognitivo, pareceu-me oportuno
direcionar este trabalho para explorar, ainda que superficialmente, o que existe de mais
novo e avançado tecnologicamente em termos de ferramentas com potencial para
enriquecer o trabalho clínico.

Por essa razão, foquei minha busca em novos recursos produzidos especialmente
para treinamento cognitivo (ou não específicos, mas adaptáveis a esse tipo de programa)
e abri mão de elencar as demais alternativas disponíveis, mais convencionais, conhecidas,
possíveis e acessíveis.

Na primeira parte deste trabalho, sob o título “O Envelhecimento e o Declínio


Cognitivo” brevemente sobre o processo normal de envelhecimento, apresentando e
justificando a relevância do tema. A seguir, explano sobre “O Treino Cognitivo” como
prática disseminada globalmente hoje em dia, não só para tratamento e prevenção do
declínio cognitivo, mas destacadamente como forma de entretenimento.

A proposta de ampliar o leque de possibilidades para tratar das necessidades do


paciente escolhendo a intervenção que melhor combina com ele através do respeito às
suas idiossincrasias. Sob o título “Bem Só e/ou Bem Acompanhado” é apresentado
sucintamente uma visão sobre a validade e preponderância do bem-estar subjetivo como
parâmetro para avaliação do bem-estar geral.

2 - O ENVELHECIMENTO E O DECLÍNIO COGNITIVO

O processo normal de envelhecimento provoca alterações de algumas habilidades


cognitivas, destacadamente o desempenho das memórias episódica e operacional, que vão
diminuindo à medida que a idade avança. Estudos com pessoas acima de sessenta anos
têm demostrado declínio cognitivo geral e nas funções executivas, mas mais
acentuadamente nas tarefas que exigem atenção, rapidez, concentração e raciocínio
indutivo, precisão, priorização de foco e inibição de informações irrelevantes.

Há grande variabilidade de possíveis causas atuando nesses processos. Por


exemplo, fatores como o nível de escolaridade, herança genética, nível sócio-econômico-
cultural, estilo de vida (e aí se incluem hábitos alimentares, vícios, atividade física x
sedentarismo, qualidade do sono), ansiedade, acuidade visual, acuidade auditiva, etc.. são
componentes moduladores dos efeitos do envelhecimento sobre a memória,
principalmente. Desta forma, tem-se que, do mesmo modo que acontece com o
envelhecimento como um todo, o processo de declínio cognitivo também se dá de forma
diferente para cada pessoa.

Há evidências de que essa multifatorialidade de causas e sua consequente


diversidade de efeitos atuem igualmente sobre a maioria das demais habilidades
cognitivas e não somente sobre as citadas acima, visto que várias delas trabalham de
forma integrada, de modo que o declínio de uma afetará a performance de outra a ela
associada, resultando num desempenho geral empobrecido.

Segundo o entendimento de Araujo(2), a cognição é a capacidade de o indivíduo


adquirir e usar informação, a fim de adaptar-se às demandas do meio ambiente. A
preservação das funções executivas é fundamental para que se possa lidar eficientemente
com as várias situações do dia-a-dia.

De acordo com Oliveira (in Santos at al23, cap. 7) trata-se de um conjunto de


processos cognitivos que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar
comportamentos e metas, avaliar a eficiência e a adequação desses comportamentos,
abandonar estratégias ineficazes em prol de outras mais eficientes e, desse modo, resolver
problemas imediatos, de médio e de longo prazo.
Este autor enfatiza a importância das funções executivas e destaca que sua
principal característica é a organização temporal do comportamento dirigido a objetivos,
que é alcançada pela coordenação conjunta e hierárquica de três funções cognitivas: a
memória de trabalho, a atenção motora (que prepara o indivíduo para a ação) e o controle
inibitório. Estas são as características das funções cognitivas que posicionam as funções
executivas como um dos aspectos mais complexos da cognição humana.

Os processos cognitivos integrantes das funções executivas são: planejamento,


controle, tomada de decisões, flexibilidade cognitiva, memória operacional, atenção,
categorização, fluência, criatividade, integração de detalhes de modo coerente e o manejo
de múltiplas fontes de informação, coordenadas com o uso de conhecimento adquirido.

Ballesteros et al defendem que o empobrecimento da atividade cerebral


relacionada ao envelhecimento tende a resultar em deterioração funcional em vários
aspectos da cognição, dependência e demência. Por conta disso, explicam, o principal
objetivo dos estudos que vêm sendo realizados mais recentemente nesta área visam a
investigar e desenvolver métodos que ajudem a manter o cérebro saudável, promovam a
manutenção da qualidade cognitiva, a independência e o bem-estar dos idosos.

A comunidade científica tem recebido cada vez mais apoio para desenvolver tais
estudos porque já entende que a melhora do desempenho cognitivo, por suas amplas
possibilidades de aplicação, atende ao interesse geral da população. Ademais,
particularmente no que tange ao cenário demográfico atual, de crescente aumento da
população idosa em escala global, a preservação do desempenho cognitivo desempenha
importante papel na conquista de um envelhecimento ativo e saudável reduzindo,
retardando ou mesmo evitando o declínio cognitivo.
3 - O TREINO COGNITIVO

Entende-se por treino ou estimulação cognitiva a intervenção estruturada com a


finalidade de eliminar ou atenuar dificuldades cognitivas, em função do grau de
comprometimento existente ou prevenir sua ocorrência.

Pode-se treinar habilidades específicas, bem como modular o treino para os


diversos níveis e perfis de desempenho cognitivo: destinados a adultos ou idosos
saudáveis, com comprometimento cognitivo leve (CCL), com quadro demencial em fase
inicial ou adiantada, para pessoas com alto ou baixo nível de escolaridade, etc.

O treino cognitivo consiste em propor um programa de atividades através do qual


são estimuladas diversas funções cognitivas como atenção, memória, linguagem,
velocidade de processamento, etc.. Deve ser planejado de modo a atender o perfil
cognitivo de cada pessoa.

Pesquisas realizadas com pessoas saudáveis portadoras de pequeno declínio


cognitivo resultante do processo normal de envelhecimento têm demostrado resultados
bastante significativos na melhora do seu desempenho em tarefas para as quais foram
treinadas sistematicamente.

Como exemplo, vale citar o trabalho de Kawashima, que tem obtido resultados
excepcionalmente bons de melhora na capacidade de realizar cálculos mentais em idosos
japoneses, através da repetição de certos cálculos simples, em treino sistemático de três
vezes por semana.

Embora esses achados sejam importantes e já tenham aberto o caminho para


treinos eficientes em atividades específicas, o que se busca hoje é um resultado ainda
mais amplo, que abranja a questão da plasticidade cerebral do cérebro de idosos.
Plasticidade cerebral refere-se à capacidade do cérebro de modificar-se em função
de uma dada influência. Em outras palavras, trata-se de um processo adaptativo, em que
ocorrem alterações físicas e estruturais no cérebro – produção de novas sinapses – como
resultado da estimulação repetitiva. Silva et al(23) realizaram estudos de treino cognitivo
realizados no Brasil, em cujo papel afirmam:

“Plasticidade cognitiva refere-se à capacidade de mudança mediante a experiência


e ao uso, propiciando o aumento do desempenho em diferente domínios. Estudos
nacionais e internacionais indicam que a plasticidade cognitiva pode ser ampliada e
estimulada por programas de treino cognitivo. Quando estimulados, os idosos podem
apresentar melhor desempenho em tarefas cognitivas, efeito que supera o efeito da
retestagem no pós-teste e dos grupos placebo”

O maior obstáculo para realizar esses estudos está em obter as condições ideais de
testagem, isolar e controlar as múltiplas variáveis que interferem na avaliação, tanto em
termos de homogeneidade da amostra (idade, sexo, renda, escolaridade, etc.. ) quanto a
características individuais e de personalidade, hábitos pessoais (alimentação, qualidade de
sono, prática de atividade física, nível de desempenho ou grau de comprometimento
cognitivo, etc.), avaliação pré e pós treino de grupo em treinamento e grupo controle, etc.

Esforços vem sendo feitos no sentido de aumentar a produção científica e a


investigação controlada dos resultados das diversas modalidades de treino cognitivo, com
o objetivo de demonstrar cientificamente aquilo que vem sendo percebido na prática
diária de alguns profissionais da área: ocorre melhora no desempenho em tarefas e
habilidades que não foram treinadas, por generalização (ou transferência) do ganho
obtido em tarefas treinadas, via plasticidade cerebral.

Nikolaidis relata resultados animadores de plasticidade parietal após treino com


videogames e oferecem sugestões para futuras pesquisas de treino cognitivo.

O interesse das pessoas em melhorar sua performance cognitiva parece estar


presente desde sempre em nossa história e aumenta cada vez mais. Atualmente, é tão
grande a procura por esse tipo de atividade, tanto por parte dos jovens quanto das pessoas
de meia idade ou idosas, que a oferta tornou-se impressionantemente grande. E cresce
exponencialmente.

Só para exemplificar: em setembro de 2015, ao digitar “tipos de treino cognitivo”


no Google, você obtém imediatamente cerca de 450.000 resultados só em português! Se
optar por digitar em japonês “????????” (“nou no toreiningu”, o equivalente a “treino
cerebral”), obtém-se mais de 1.500.000 resultados. E digitando-se em inglês “brain
training”, esse número salta para 24.000.000 resultados!

Mesmo filtrando um pouco a busca e navegando superficial e aleatoriamente por


algumas das páginas encontradas, obtém-se uma grande variedade de tipos de atividades
para treino cognitivo, tanto para pessoas saudáveis de todas as idades quanto para a
reabilitação cognitiva de perdas em diversos graus e comprometimentos. Tais achados
contemplam vários tipos de ferramentas, que vão de jogos de tabuleiros a games
eletrônicos, atividade escrita, leitura, dinâmicas de grupo, atividade motora e intelectual,
individual e coletiva, online ou em aplicativos, testes vários, websites científicos,
profissionais, etc.

Parte desse material é desenvolvido em parceria com psicólogos e neurocientistas,


a partir de estudos e pesquisas na área da cognição, mas a grande maioria não se apoia em
estudos cientificamente controlados apresentando, portanto, características mais
recreativas e sem controle de resultados.

Infelizmente, essa enorme quantidade de dados não poderia ser explorada nem
sequer categorizada convenientemente nos limites deste pequeno trabalho, cujo objetivo é
fazer uma primeira investida sobre o tema para tentar conhecer a extensão e variabilidade
da oferta, bem como o grau de importância que vem recebendo tanto da população geral
quanto da comunidade científica.

Dada a inviabilidade de se realizar uma revisão criteriosa da literatura sobre o


tema, devido ao pouco tempo disponível para este pequeno estudo, optou-se por um
sobrevôo panorâmico sobre parte dos trabalhos que pareceram mais relevantes dentre o
imenso número de resultados obtidos na busca orgânica do Google.

4 - O QUÊ MELHOR COMBINA COMIGO??

Algumas pessoas têm um leque bastante amplo de interesses e uma curiosidade


constante acerca das coisas, das pessoas e do mundo. Para elas, o treino cognitivo pode
ser fácil e ricamente delineado e modificado, enriquecido continuamente ao longo do
processo e este será mais estimulante quanto maior for o número de novas possibilidades
que forem surgindo. Sua inteligência e curiosidade tende a buscar sempre o novo. Esta
sede por conhecer e saber pode tornar-se uma aliada valiosa durante o trabalho
terapêutico.

Outros podem referir um gosto por pouquíssimas coisas ou preferir


comportamentos mais passivos, que não demandem muito empenho com atividade nem
motora nem intelectual. Para essas pessoas, o contato pessoal, em que atividades
dialógicas adequadamente planejadas produzam vínculos afetivos eficientes, tendem a ser
mais estimulantes e potencialmente eficientes para produzir adesão ao tratamento e
abertura de outras possibilidades mesmo dentro de um repertório pessoal restrito.
As sessões iniciais do processo terapêutico deverão, portanto, ser dedicadas a
construir uma boa qualidade de vinculação com o paciente, a investigar sua trajetória de
vida, sistema de crenças e valores, suas expectativas em relação ao tratamento, a informá-
lo sobre as probabilidades aumentadas de sucesso em função de sua adesão e colaboração
durante o processo, além de muni-lo de importantes dados acerca dos fatores que poderão
influenciar o bom andamento e o resultado de todo o trabalho. Isso feito, informá-lo sobre
as possibilidades de modelos de treinamento, suas características e objetivos, para que ele
participe ativamente da seleção daqueles que mais lhe agradam.

Sabe-se que a qualidade do sono afeta diretamente o funcionamento da memória,


tanto no processamento de novas informações quanto na recuperação de dados
armazenados. Sendo tão importante esse fator, deve-se começar estipulando o melhor
horário da sessão de treinamento para cada pessoa, em função do período do dia em que
ela sente que está mais alerta e descansada.

Vários estudos mencionam ainda outros possíveis fatores intervenientes como


preditores de melhor desempenho cognitivo, tais como prática regular de atividade física,
alimentação adequada, nível adequado de vitamina D, baixos níveis de ansiedade e
estresse, bom humor e práticas de meditação, convívio social, dentre outros.

Por isso, identificar a presença dessas e outras características no dia-a-dia do


paciente pode ter grande importância para ajudar a construir um programa de treinamento
mais eficiente.

5 - CADA PESSOA É ÚNICA E ESCOLHE COMO SE DIVERTIR

Encontrar uma forma prazerosa de treinar as habilidades que sofrem declínio com
o passar dos anos pode ser o diferencial que possibilitará ao paciente literalmente divertir-
se enquanto se cuida, permitindo-se usufruir sem culpa, peso ou pressão, de atividades
recreativas ou intelectuais, mecânicas, sensoriais, culturais, etc.. ou ainda uma
combinação de algumas delas desenhada exclusivamente para ele.

Sempre que possível, e particularmente quando tratar-se de paciente que já


apresenta comprometimento cognitivo leve (CCL), a estimulação cognitiva deve iniciar o
quanto antes, para que se consiga manter as funções cognitivas preservadas e compensar
aquelas que já começaram a sofrer declínio. Identificando-se corretamente quais as áreas
em que houve declínio, enfatiza-se o treino focando mais especificamente essa área para
que o paciente obtenha o desempenho esperado para sua faixa etária e nível de
escolaridade.

Uma opção interessante de intervenção estruturada e individualizada é o modelo


proposto por Oliveira et al, descrito no capítulo 21 in Santos. Enfatiza, prioritariamente:

• Orientação temporal e espacial.

• Atividades de atenção.

• Conteúdo educacional sobre memória e/ou outra função cognitiva.

• Desafios de memória.

• Estimulação das várias funções cognitivas.

• Incluir atividades lúdicas, relatos motivadores e promover a descontração.

Este modelo de intervenção pode ser facilmente adaptado ao gosto pessoal do


paciente, personalizando-se o tipo de recursos a serem utilizados durante o programa de
treinamento para cada caso.
6 - BEM SÓ E/OU BEM ACOMPANHADO

Existe uma tendência entre os profissionais de saúde de valorizar o convívio social


como importante fator preditivo de saúde e bem-estar. É natural pensar que uma
convivência social gratificante, a interação afetiva e harmoniosa com familiares, a
presença de amigos acolhedores e praticamente quase todas as manifestações positivas de
relacionamento humano sejam geradoras de bem-estar. Até porque quem vivencia esses
relacionamentos nem sequer precisa pensar sobre isso, porque sente que é assim. Até aí,
tudo bem.

O problema é que o inverso também ocorre: há uma tendência bastante grande de


interpretar negativamente a qualidade de vida das pessoas que vivem só, como se todas as
pessoas sós fossem necessariamente solitárias e menos felizes. E vários achados em
pesquisas acabam colaborando com essa percepção, visto que, de fato, têm detectado que
o grau de satisfação pessoal tem sido maior para pessoas que vivem com um cônjuge,
assim como para as que praticam esportes regularmente.

Nem todas as pessoas vivem a situação de poder desfrutar de relacionamentos de


qualidade (segundo seus próprios critérios), seja por perda de interesse na trivialidade de
algumas formas de convívio social, seja pela presença de déficit de habilidades sociais ou
porque seu nível de exigência faz com que seja muito seletiva na escolha de parceiros,
etc. O fato é que algumas pessoas aprendem a viver bastante bem ainda que sós e,
dependendo das opções de que dispõem num dado momento, preferem estar sós do que
acompanhadas, sentindo-se felizes, ou seja, felizes segundo sua própria percepção.
Outras, ainda, conjugam bastante bem as duas possibilidades: são sociáveis e
agregadoras, mas também gostam de estar sós porque encontram prazer desfrutando de
sua própria companhia e, portanto, alternam essas duas possibilidades ao longo de suas
vidas.

Não há consenso quanto ao conceito de felicidade, mas a sensação é conhecida e


desejada por todos, assim como é obtida por diferentes meios e produz diferentes graus
de satisfação, variados tempos de duração, parecidas mas não únicas formas de
manifestação. É diferente de alegria, embora ambas possuam componentes comuns. É
diferente de prazer, ainda que ambos se confundam em algum momento.

Tem muito a ver com grau de satisfação pessoal, embora satisfação pessoal não a
defina completamente. É um estado. Ou, se muito breve, um traço. É se sentir dono da
situação, no controle da própria vida. É se sentir bem. Não é rir, porque mesmo sem estar
rindo é possível estar se sentindo pleno. Relaciona-se a afeto e cognição.
7 - MAS, IMPORTA MESMO QUE SE DEFINA O QUE É FELICIDADE?

Certamente, sentir-se bem é o que importa! E não há definição ou teoria que


necessariamente satisfaça os critérios de todas as pessoas. Daí a dificuldade – ou
irrelevância – em defini-la. Porque a única coisa que importa para o indivíduo é que ele
se sinta bem; e isso ganhou um nome poderoso e consensual para descrever o que cada
um sente quando está bem, seja lá o quê ou como seja essa sensação: Chama-se “bem-
estar subjetivo”. Ficou tão importante que ganhou até sigla: BES. E vem sendo estudado
sistematicamente.

Embora a definição de BES valorize a percepção individual e subjetiva da vida


como positiva, os profissionais de saúde, influenciados pelos estudos demonstrando que a
maioria das pessoas com alto grau de satisfação com a vida não são solitárias, esquecem-
se de ler que se trata da maioria e não de todos, ou seja, há, sim, pessoas que vivem sós
cujo bem-estar subjetivo é plenamente satisfatório por ser fruto de sua própria escolha e
não uma imposição ou resultado de infortúnios.

Por considerar o bem-estar subjetivo (na forma do relato do próprio paciente de


como é que mais lhe agrada viver) como fator preponderante na avaliação do que é mais
adequado para ele, deduz-se que a imposição de convívio social ou mesmo da prática de
atividade física, (embora recomendáveis para a maioria da população e na maioria dos
casos) seria negativa para o indivíduo que declarasse num dado momento preferir
atividades individuais e/ou mais passivas.

Assim, para fins de abordagem terapêutica com vistas ao desenvolvimento


cognitivo, não convém eliminar a possibilidade de se realizar intervenções individuais e
solitárias, caso seja esta a única alternativa viável para um dado paciente num dado
momento. Como parte do tratamento, atividades menos solitárias poderão ir sendo
estimuladas ao longo do processo, no ritmo e intensidade que o paciente for permitindo,
sem desrespeitar os limites por ele colocados

Avenida Érico Veríssimo, 105 – Solar dos Lagos – São Lourenço-MG CEP: 37.470-000
Email: atendimento@wreducacional.com.br
(35) 3331-2274 WhatsApp(35) 98822-9223

Interesses relacionados