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Processo Judicial Eletrônico - 2º Grau

Poder Judiciário de Rondônia

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0800301-95.2018.8.22.0000


em 10/04/2018 13:21:20 e assinado por:
- MONICA APARECIDA EUSTACHIO

Consulte este documento em:


http://pje.tjro.jus.br/sg/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam
usando o código: 18041013212048800000003530220

18041013212048800000003530220
ESTADO DE RONDÔNIA
Procuradoria-Geral do Estado
PROCURADORIA FISCAL
EXCELENTÍSSIMO SENHOR RELATOR ROOSEVELT QUEIROZ COSTA
DESEMBARGADOR DA 2ª CÂMARA ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
DE RONDÔNIA

Autos: 08000301-95.2018.8.22.0000
Agravante: Rondonia Mercantil Distribuidora Importação Exportação de Gêneros Alimentícios
LTDA
Agravado: Estado de Rondônia
Execução Fiscal Ref.: 7004802-68.2016.8.22.0002

A FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DE RONDÔNIA, já qualificada nos autos


do processo em epígrafe, por meio de sua Procuradora, ex vi legis, adiante assinada, vem perante Vossa
Excelência, apresentar manifestação com relação ao Agravo Interno interposto, nos termos adiante
expostos.

Nesses termos, pede deferimento.

Porto Velho/RO, 10 de abril de 2018

Mônica Aparecida Eustáchio


Procuradora do Estado
OAB/RO 7935

Av. Farquar, nº 2986, Palácio Rio Madeira, Prédio Pacaas Novos – 3º andar, bairro Pedrinhas. CEP: 76800-000. Porto Velho/RO
ESTADO DE RONDÔNIA
Procuradoria-Geral do Estado
PROCURADORIA FISCAL
DAS CONTRARRAZÕES AO AGRAVO INTERNO

Autos: 08000301-95.2018.8.22.0000
Agravante: Rondonia Mercantil Distribuidora Importação Exportação de Gêneros Alimentícios
LTDA
Agravado: Estado de Rondônia
Execução Fiscal Ref.: 7004802-68.2016.8.22.0002

COLENDA CÂMARA
EXCELENTÍSSIMOS SENHORES DESEMBARGADORES
EMÉRITO RELATOR

1- Dos autos e da Decisão Guerreada

A Agravante relata ter apresentado Exceção de Pré-Executividade nos autos da


Execução Fiscal nº. 7004802-68.2016.8.22.0002, argumento a existência de contradição entre os valores
das CDA's anexadas aos autos nos ID 3415048 e 5739320. Em sua Decisão, o Juízo da Execução Fiscal
deferiu o pedido de substituição da CDA objeto daqueles autos, citando o entendimento do Superior
Tribunal de Justiça, na Súmula 392, e determinou a expedição de novo Mandado de citação
Em seus pedidos Recursais a Agravante pleiteia a nulidade da inscrição em dívida
ativa, com consequente extinção da Execução Fiscal, assim condenação da Fazenda Pública ao
pagamento de honorários advocatícios.
É o relatório.

2- Análise Ausência de Documentos Trazidos Pela Autora

Imperioso destacar, que assim como quando da apresentação da Execeção de pré-


Executividade nos autos da Execução Fiscal nº. 7004802-68.2016.8.22.0002, a Agravante não apresenta
qualquer documento que comprove ou mesmo seja capaz de suscitar qualquer dúvida quanto a
regularidade do crédito tributário devidamente inscrito em dívida ativa.

3- Do Mérito

O cerne da demanda está no fato de ter sido juntada CDA com novos valores aos
autos da Execução Fiscal nº. 7004802-68.2016.8.22.0002.
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A CDA nº. 20150205825203 descreve o crédito tributário gerado por meio do


lançamento nº. 20083100600010, e devidamente isncrito em dívida ativa após Decisão Administrativa
definitiva em autos de Processo Administrativo – PAT:

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Para melhor compreenção dos fatos, colaciona-se o Auto de Infrção nº.


20083100600010, que deu ensejo ao PAT de mesmo número e ao crédito tributário fiscal Inscrito
conforme Certidão de Dívida Ativa nº. 20150205825203:

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Como se nota, o Auto de Infração nº. 20083100600010, na ocosião de lavratura


(30.06.2008) tinha como valor principal a quantia de R$ 9.787.103,64 (nove milhões setecentos e oitenta
e sete mil cento e três reais e sessenta e quatro centavos), bem como aplicação de multa de 200%.

Já a Decisão do Recurso Revisional, acolhida por unanimidade pelo TATE em seu


Acórdão nº. 002/14/CÂMARA PLENA/TATE/SEFIN, apesar de mater o reconhecimento da infração

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tributária, já determina a adequação do percentual da multa a ser aplicada para o patamar de 150%, por
ser mais favorável à Agravante após a alteração da legislação tributária estadual:

A CDA anexada aos autos e em relação a qual foi solicitada a substituição, ao


contrário do alegado pela Agravante, além de estar de acordo com os exatos termos da Decisão prolatada
no PAT nº. 20083100600010, acima colacionada, pois possui como valor principal o total de ICMS
devido em relação aos anos de 2005, 2006 e 2007 somados com a correção monetária até a data da
Decisão Administrativa, 17.10.2014 (R$ 9.787.103,64 + R$ 949.620,77 = R$ 10.736.724,41), como se
nota na tabela acima, aplicou o princípio da retroatividade benéfica em relação ao percentual da
penalidade de multa aplicada.

Na data da Decisão que julgou definitivamente o PAT nº. 20083100600010, a multa


aplicada era a constante no art. 77, inc. IV, a da Lei Estadual nº. 688/96 que possuía a seguinte redação:

Art. 77. As infrações e as multas sujeitas a cálculo na forma do inciso II,


do artigo anterior são as seguintes:
(…)
IV - 150% (cento e cinquenta por cento): (NR dada pela Lei nº 2340, de
10.08.10 – efeitos a partir de 11.08.10) a) do valor do crédito fiscal
apropriado em desacordo com a Legislação Tributária, ressalvado o
disposto no inciso seguinte; b) do valor do imposto não pago, por deixar
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de pagá-lo ou contribuir para que o sujeito passivo deixe de pagá-lo,
mediante ação ou omissão que resulte na falta de pagamento, nas
hipóteses para as quais não haja previsão de penalidade específica;

Com a alteração da Lei Estadual nº. 688/96 pela Lei Estadual nº. 3.583/2015, a
infração tributária caracterizada nos autos do PAT nº. 20083100600010 passou a ser penalizada nos
termos do art. 77, IV, “a” como se passa a transcrever:

Art. 77. As infrações e as multas correspondentes são as seguintes: (NR


Lei nº 3583, de 9/7/15 – efeitos a partir de 01/07/15)
(…)
IV - infrações relacionadas ao pagamento, retenção ou apuração do
ICMS: (NR Lei nº 3583, de 9/7/15 – efeitos a partir de 01/07/15)
a) multa de 90% (noventa por cento): 1. do valor do imposto não pago,
por deixar de pagá-lo ou contribuir para que o sujeito passivo deixe de
pagá-lo, mediante ação ou omissão que resulte na falta de pagamento,
nas hipóteses para as quais não haja previsão de penalidade específica;
2. do valor do imposto não pago, pela omissão do pagamento do
imposto regularmente registrado e apurado em livro fiscal, em se
tratando de omissão praticada por substituto tributário; 3. do valor do
imposto retido na fonte, por contribuinte substituto, e não recolhido no
prazo legal; 4. do valor do imposto apurado a menor em documento
fiscal que contenha erro na aplicação da alíquota, na determinação da
base de cálculo ou na apuração do imposto; e 5. do valor do imposto
não pago correspondente à diferença entre a alíquota interna e a
interestadual, quando na entrada no território deste Estado, procedente
de outra unidade da Federação, de mercadoria ou bem destinado ao
uso ou consumo ou ao ativo imobilizado, em estabelecimento de
contribuinte do imposto ou de serviço, adquirido por este, cuja
prestação se tenha iniciado em outra Unidade da Federação e
não esteja vinculada a operação ou prestação subsequente sujeita
ao imposto;

Assim, não há que se falar em nulidade do Crédito Tributário, haja vista constar na
nova CDA anexada aos autos valores que refletem os exatos termos da Decisão Administrativa
Definitiva, apenas com a alteração da multa aplicada do percentual de 150% para 90%. Ademais, o Juízo

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da Execução Fiscal determinou nova Citação da Agravante, possibilitando desta forma, nova
oportunidade de pagamento ou apresentação de Embargos à Execução após garantir o Juízo.

Considerando que a única vantagem econômica da Agravante está no fato da


aplicação da alteração do percentual da multa aplicada de 150% para 90%, e que tal fato já havia sido
informado ao Juízo antes mesmo da Citação da devedora nos autos da Execução Fiscal, não há motivo
para condenção da Fazenda Pública aos honorários de sucumbência. Seria até contraditório determinar
que o Estado de Rondônia pagasse honorários advocatícios, com RECURSOS PÚBLICOS, ao patrono
de empresa que deve tão vultuoso valor, mesmo depois de restar comprovada a validade do crédito
tributário, devidamente apurado em Processo Administrativo Tributário, no qual foi garantida a ampla
defesa e o contrditório, sendo observadas todas os requisitos do devido processo legal.

4- Dos pedidos

Por todo o exposto, a o ESTADO DE RONDÔNIA requer:

a) não provimento do presente Recurso de Agravo Interno, mantendo-se a


decisão agravada, nos exatos termos em que foi prolatada, tendo em vista que os fatos apontados,
como restou demonstrado, são absolutamente infundados; e
b) A condenação da Agravante ao pagamento das verbas de sucumbência, nos moldes
legais.

Nesses termos, pede deferimento.

Porto Velho/RO, 10 de abril de 2018

Mônica Aparecida Eustáchio


Procuradora do Estado
OAB/RO 7935

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