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UNIVERSIDADE

 FEDERAL  DE  ALAGOAS  


INSTITUTO  DE  CIÊNCIAS  SOCIAIS  
PROGRAMA  DE  PÓS-­‐GRADUAÇÃO  EM  SOCIOLOGIA  

S E M I N Á R I O

MAX  WEBER  
-­‐  A  Ciência  como  vocação.  
.  

-­‐  O  SenEdo  da  “Neutralidade  Axiológica”  


nas  Ciências  Sociais  e  Econômicas.  

Disciplina:  PPGS  102  –  TEORIA  SOCIAL  CLÁSSICA  


Professor:  Dr.  BREITNER  TAVARES  
Discentes:  FELIPE  CHAVES  GUIMARÃES  e  GÁRDIA  RODRIGUES  DA  SILVA  
Maceió,  16  de  novembro  de  2011.  
Considerações  Iniciais  

1917:     1919:    
 
O  SenEdo  da  “Neutralidade              A  Ciência  como  vocação    
Axiológica”  nas  Ciências      
Sociais  e  Econômicas    

Relação entre Ciência e Juízos de Valor

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A  Ciência  como  vocação  

Ponto de partida:
Quais são os aspectos materiais do cultivo da ciência e da erudição como vocação?

Alemanha Estados Unidos

•  Habilitação como Privatdozent; •  Nomeação como assistente;

•  Sem percepção de salário regular •  Percepção de salário (salário definido);


(taxas per capitas – frequentadores dos cursos);

•  Uma vez nomeado, reduz-se a •  Possibilidade de ser dispensado,


possibilidade de ser dispensado; caso não “lotar a casa”;

•  Primeiros anos disponíveis para o •  Primeiros anos sobrecarregado


(porque é remunerado).
trabalho científico (cursos principais são
dados pelos catedráticos, ocupando-se o privatdozent
com os cursos suplementares).

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A  Ciência  como  vocação  

   
Elementos  Irracionais   CaracterísEcas  Racionais  
(ausência  de  controle)   (aspectos  da  ciência)  

   
Paixão   Especialização  

   
Inspiração   Progresso  

   
Talento   (Personalidade)  

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A  Ciência  como  vocação  

Racionalização, intelectualização, “desencantamento do mundo”:

“A crescente intelectualização e racionalização [...] significa antes, que sabemos ou


acreditamos que, a qualquer instante, poderíamos bastando que o quiséssemos,
provar que não existe, em princípio, nenhum poder misterioso e imprevisível no
decurso de nossa vida, ou, em outras palavras, que podemos dominar tudo por
meio do cálculo. Isto significa que o mundo foi desencantado. Já não precisamos
recorrer aos meios mágicos para dominar os espíritos e exorcizá-los, como fazia o
selvagem que acreditava na existência de poderes misteriosos. Podemos recorrer
à técnica e ao cálculo. Isto, acima de tudo, é o que significa intelectualização” (p.
439).

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A  Ciência  como  vocação  

Qual é o significado da ciência?

A República, de Platão – Alegoria da Caverna (prisioneiros confinados à caverna):

“Os rostos dos prisioneiros estão voltados para a parede rochosa que se levanta diante deles.
Atrás deles se encontra uma fonte de luz que não podem ver, condenados que estão a só se
ocuparem das sombras que se projetam sobre a parede, sem outra possibilidade além da de
examinar as relações que se estabelecem entre tais sombras. Ocorre, porém, que um dos
prisioneiros consegue romper suas cadeias, volta-se e encara o sol. Deslumbrado, ele hesita,
caminha em sentidos diferentes e diante do que vê só sabe balbuciar. Os seus companheiros
o tomam por louco. Aos poucos, ele se habitua a encarar a luz. Feita essa experiência, o
dever que se incumbe é o de tornar dos prisioneiros da caverna, a fim de conduzi-los para a
luz. Ele é o filósofo e o sol representa a verdade da ciência, cujo objetivo é o de conhecer não
apenas as aparências e as sombras, mas também o verdadeiro” (p. 440-441).

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A  Ciência  como  vocação  

Qual é, afinal, o sentido da ciência como vocação?

•  A ciência coloca à disposição certo número de conhecimentos que nos permitem


dominar tecnicamente a vida por meio da previsão, tanto no que se refere à
esfera das coisas exteriores como ao campo das atividades dos homens;
•  A ciência pode contribuir com métodos de pensamento, instrumentos técnicos e
treinamento científico;
•  A ciência contribui para a clareza. Na medida em que isso ocorre, podemos
afirmar o seguinte: na prática, podeis tomar esta ou aquela posição em relação a
um problema de valor simplificando; [...] Quando se adota esta ou aquela
posição, será preciso, de acordo com o procedimento científico, aplicar tais ou
quais meios para se levar o projeto a bom termo (p.449).

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A  Ciência  como  vocação  /  O  senEdo  da  “neutralidade  
axiológica”  em  Ciências  Sociais  e  Econômicas  

“O verdadeiro professor evitará impor, da sua cátedra, qualquer posição


política ao aluno, seja ela expressa ou sugerida. ‘Deixar que os fatos falem
por si’ é a forma mais parcial de apresentar uma posição política ao
aluno” (p. 445 ... Vocação ... ).

“... o profeta e o demagogo não pertencem à cátedra acadêmica. A um


professor é imperdoável valer-se de tal situação para incutir, em seus
discípulos, as suas próprias concepções políticas, em vez de lhes ser útil,
como é do seu dever, transmitindo-lhes conhecimentos e experiência
científica” (p. 445 ... Vocação ...).

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Como qualquer outra pessoa, o professor tem outras
oportunidades para a propagação de seus ideais.
Quando faltam tais oportunidades, ele pode
facilmente criá-las de maneira apropriada [...]. Mas o
professor não deveria reivindicar o direito de, como
professor, trazer em sua mochila o bastão da
autoridade do homem de Estado ou do reformador
cultural. Contudo, é exatamente isso que faz ao se
utilizar da inatingibilidade da tribuna da preleção
acadêmica para a expressão de sentimentos políticos
– ou cultural-políticos.

(2001, p. 364-365)

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

NEUTRALIDADE AXIOLÓGICA

= Wertfreiheit
"liberdade em relação aos valores"

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  
•  Tese da impossibilidade da ciência de inferir verdades dos
"preceitos práticos" é aplicada na "deontologia" do professor
universitário;

•  O professor universitário deve num curso universitário "afastar


dentro do possível, numa lição, todas as questões práticas de
valor" (p. 368);

•  As opiniões "pessoais" são baseadas em representações de


mundo, isto é, em visões morais, culturais, políticas e estéticas e
não em representações científicas do mundo, representações
estas "objetivas", em suma: "verdadeiras”;

•  Assim, a verdade seria monopólio da ciência, pois esta teria uma


fundação racional, ao contrário dos preceitos normativos e
morais que não teriam uma capacidade de produzir "verdades”.
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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  
•  Com o princípio da neutralidade axiológica, Weber quis
mostrar, por um lado:
que a ciência não podia excluir a intervenção
dos valores nos seus procedimentos,
e, por outro,
que estes deviam ficar circunscritos pela
utilização exclusiva que ela faz deles e pelo
controle exclusivo que exerce sobre eles,
em suma, que ela se devia proteger da intrusão ilegítima de
valores, no seu seio, que implicariam avaliações práticas de
ordem política ou moral.
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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

•  A neutralidade axiológica significa que o fundamento da


ciência não reside numa objetividade pura de ordem ideal,
mas que depende sempre das escolhas valorativas do
cientista.

•  O apelo aos valores integra plenamente todo o


procedimento científico, já que a construção de conceitos
ou de tipos ideais, assim como o estabelecimento de
relações causais, depende de opções subjetivas últimas
que refletem as crenças, as convicções ou as ideologias de
cada cientista;

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

•  Para Weber é inútil a busca por um consenso de “juízo de


valor” (p. 369);

•  Os valores podem ser vistos como "fatos normativos" e,


mesmo não justificando o que funda sua validade, podem
ser estudados como "causas" do comportamento dos
indivíduos. à estudo dos meios à experiência;

•  A ciência não pode justificar os fins, mas pode muito bem


analisar os meios pelos quais atinge-se um fim; A discussão
dos meios gera a discussão da experiência. (p. 369-370)

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

•  Weber não busca verdades universalmente válidas


(consensual). Seu objetivo é problematizar a ciência;

•  “O que realmente é discutível é o seguinte: que na


ciência seja possível se contentar com qualquer uma de
tais evidências fatuais, que foram estabelecidas
convencionalmente, no que se refere a certas tomadas
de posição, por mais difundidas que sejam. A função da
ciência é, a nosso ver, exatamente a contrária:
transformar em problema o que é evidente por
convenção”. (p. 370)

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

•  Este é o verdadeiro sentido da discussão sobre valores:


aprender o que o oponente (ou até e também eu mesmo)
realmente entende, isto é, o valor ao qual cada uma de
ambas as partes se refere – realmente e não apenas
aparentemente – e a partir disso se poder posicionar no que
diz respeito a este valor. (p. 371);

O anarquista que defende valores extremos, opostos aos valores


EXEMPLO

convencionais, como, por exemplo, os da aceitação das


prerrogativas jurídicas ou estatais, pode dignificar e enriquecer a
sociologia do Direito ou do Estado, ao evidenciar pontos até então
ignorados.

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

Avaliações unívocas e puramente econômicas;


EXEMPLO

“A destruição deliberada de bens de consumo cujo preço desceu


abaixo do seu preço de custo de produção, tendo em vista os
interesses de rentabilidade dos produtores”. (p. 389)

•  A transposição do “ser” para o “dever ser”, faz com que o


pesquisador não encontre outras verdades;

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
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•  A neutralidade axiológica não pode significar um


compromisso ou um equilíbrio entre diferentes avaliações
antagônicas;

•  A ciência não é capaz de resolver a questão do "politeísmo


dos valores", já que, aos olhos do cientista, a própria
ciência constitui um valor que merece ser defendido e que
embate muitas vezes contra valores contrários;

•  Desse modo, Weber fez-se o crítico das diferentes formas


de cientismo;

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

•  A ciência poderá, eventualmente, indicar ao ator social o


que pode fazer, eventualmente o que pretende fazer, mas
em caso nenhum o que deve fazer.

•  Da mesma forma, em virtude da separação categórica entre


o ser e o dever ser, entre os juízos de fato e os juízos de
valor, é vedada à ciência a possibilidade de fundamentar
normativamente um imperativo qualquer.

•  Os fins e os valores não se impõem em virtude de verdades


científicas, mas no seio de lutas incessantes;

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  
•  A neutralidade axiológica implica também que nenhuma
atividade, de ordem intelectual ou prática, poderá resolver
as questões específicas da ciência.

•  Significa que uma proposta científica é exclusivamente


válida por razões intrínsecas, em virtude de métodos e de
procedimentos que assentam a sua especificidade na
demonstração e na verificação das propostas.

•  Logo, uma proposta científica não vale por razões


extrínsecas, pela intrusão de valores em virtude de
preconceitos políticos, de crenças religiosas ou de
princípios morais.

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

Assim, a neutralidade axiológica implica que a ciência


deve restringir-se ao cumprimento da sua própria
finalidade, que é a procura da verdade, mesmo quando
esta finalidade não constitua o objeto de um consenso: "É
verdade científica unicamente aquela que pretende valer
para todos aqueles que querem a verdade”.

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O  SENTIDO  DA  “NEUTRALIDADE  AXIOLÓGICA”  NAS  
CIÊNCIAS  SOCIAIS  E  ECONÔMICAS  

Não  pretendemos  aqui  nem  desenvolver,  nem  


defender,  naturalmente,  este  ou  qualquer  outro  ponto  
de  vista  axiológico  possível.  Somente  queríamos  
lembrar  que,  se  há  um  tal  ponto  de  vista,  a  obrigação  
mais  recomendável  para  um  “pensador”  de  profissão  é  
a  de  manter  a  cabeça  fria  frente  aos  ideais  dominantes,  
mesmo  frente  aos  ideias  mais  majestosos,  no  senEdo  
de  conservar  a  capacidade  pessoal  de  “nadar  contra  a  
correnteza”  caso  seja  necessário.  

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S E M I N Á R I O

Obrigado!  
 
Felipe  Guimarães  e  Gárdia  Rodrigues  
 
 
Maceió,  16  de  novembro  de  2011.  

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