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ENERGIAS RENOVÁVEIS E PRODUÇÃO

DESCENTRALIZADA

ENERGIA EÓLICA
ENERGIA EÓLICA
PROVENIÊNCIA DO VENTO
• O vento é a energia solar em forma mecânica.

• Uma pequena parte (cerca de 2%) da energia de radiação solar na


Terra é convertida em energia cinética do fluxo de ar - o vento.

• A velocidade e direcção do vento dependem do gradiente da


pressão, de algumas outras forças, e da localização geográfica.
ENERGIA EÓLICA
ENERGIA DISPONÍVEL NO VENTO

• A energia cinética de uma unidade de massa de


fluido que flui é:
[1]
• Assim, a potência por unidade de fluxo de vento
seria:
[2]
ENERGIA EÓLICA
ENERGIA DISPONÍVEL NO VENTO

• Usando a densidade do ar ρ, a velocidade do fluxo V, e a área


perpendicular ao fluxo A, o fluxo de massa torna-se:
[3]

• Em seguida, a potência total disponível no fluxo de ar é:

[4]
ENERGIA EÓLICA
EXTRACÇÃO DE ENERGIA DO VENTO
• O vento é uma corrente de ar livre.

• O dispositivo de extracção de energia (de qualquer tipo) está


submerso a este fluxo e pode converter apenas uma certa
quantidade da energia disponível no fluído e nunca toda.

• A conversão da energia a partir de fluxos de ar é limitada


porque a extracção de energia implica a diminuição da
velocidade do fluido (diminuição da energia cinética do fluxo),
que no entanto não pode cair até zero; o fluxo deve continuar
e não pode parar completamente.
ENERGIA EÓLICA
FLUXO ATRAVÉS DE CONVERSORES DE ENERGIA
Além disso, a turbina é uma obstrução para este fluxo. Parte do fluxo não
pode passar através da turbina passando em torno dele (bypass).

Linhas de fluxo, velocidades e pressões em


torno do dispositivo de extracção da energia:
Pontos:
(1) Mais a montante do rotor
(2) Na frente do rotor
(3) Logo após o rotor
(4) Mais a jusante do rotor
A distância entre (2) e (3) assume-se
infinitesimal.
ENERGIA EÓLICA
FLUXO ATRAVÉS DE CONVERSORES DE ENERGIA

Condições Físicas Prevalecentes Perto do Conversor

• A velocidade do fluido cai gradualmente antes e depois do disco


actuador (dispositivo de extracção de energia) criando-se uma
diferença de pressões na passagem pelo disco.

• A velocidade do fluido perto do disco actuador não muda V2 = V3.

• As pressões medidas à montante e à jusante do disco actuador são


iguais à pressão estática do fluido não perturbado P1 = P4 = Pa.
ENERGIA EÓLICA
TEORIA UNIDIMENSIONAL DO MOMENTO
Pressupostos Básicos de Simplificação

• Homogeneidade, Incompressibilidade, Estado estacionário do fluxo


do ar;

• Sem atrito;

• Disco actuador ideal de uma natureza não específica (p. e. rotor


com número infinito de pás);

• Fluxo uniforme e forças uniformes sobre a área do disco;

• fluxo unidimensional, sem desvio atrás do disco!


ENERGIA EÓLICA
CONSERVAÇÃO DO MOMENTO LINEAR

• O trabalho é feito apenas através do disco actuador entre os pontos


(2) & (3). A força sobre o disco actuador - o empuxo T - é igual e
oposta à força sobre o conteúdo do controle de volume do fluido:
[5]

• E a partir da conservação do momento linear segue-se também


que:
[6]
ENERGIA EÓLICA
RELAÇÕES DE BERNOULLIS

• Nenhum trabalho é feito entre os estados (1) - (2) e (3) - (4), que
nos permita usar as relações de Bernoulli para os dois controles de
volume separados, a montante e a jusante do disco:

[7]

[8]
• O que resulta:
[9]
ENERGIA EÓLICA
VELOCIDADE DO FLUIDO NO DISCO

• Usando o facto de agora no disco actuador o fluxo de massa do ar


(Eq. [3]) ser:

• Eq. [5] e Eq. [6] para o empuxo pode ser aplicada para se obter:
[10]

• O que dá (!):
[11]
ENERGIA EÓLICA
FACTOR DE INDUÇÃO AXIAL
• Se definirmos um factor de indução axial, também chamado
de (factor de interferência) "a”, como sendo a diminuição
fraccionária na velocidade do vento entre os três fluxos e o
disco actuador:
[12]

• Então, e [13]

• Além disso, a potência de saída no dispositivo de conversão


de energia é igual ao empuxo vezes a velocidade no disco:
[14]
ENERGIA EÓLICA
FACTOR DE POTÊNCIA
• Aplicando a Eq. [13] para elaborar mais sobre Eq. [14] vai nos
levar a:
[15]

• Podemos agora definir CP como sendo a relação entre a


potência convertida e a potência disponível no fluxo do ar:
[16]
ENERGIA EÓLICA
VALOR MÁXIMO DE CP
• Combinando as Equações. [15] e [16] daria:
[17]

• Isto é, o coeficiente de potência Cp é uma função do factor de


indução axial. O ponto óptimo dessa função (que é um valor
máximo para CP) pode ser encontrado a partir de suas primeira e
segunda derivadas.

• O óptimo é alcançado em

• O que nos leva à CP óptimo de!


ENERGIA EÓLICA
VELOCIDADE DE FLUIDO A CP MÁXIMO
A interpretação do que acabamos encontrando é que:

• Um máximo de 59,26% da energia eólica disponível no vento pode


ser convertida em energia mecânica em condições ideais, qualquer
que seja o dispositivo de conversão de energia usado.

• A velocidade do vento alcançando o dispositivo de conversão é 2/3


da velocidade do vento sem perturbações a montante, e a velocidade
a jusante do dispositivo é de 1/3 da velocidade não perturbada,
quando potência máxima é extraído.

• Se a velocidade do vento a jusante fosse maior ou menor que 1/3 da


V1 conduziria a conversão de energia menor do que o máximo ideal.
ENERGIA EÓLICA
O LIMITE DE BETZ
• Albert Betz em 1926 foi o primeiro a publicar estes resultados para
turbinas eólicas. A teoria, em geral, mostra a máxima eficiência
possível de conversão de energia em qualquer dispositivo, em
qualquer fluxo livre do ar, em condições ideais.

• Assim, a potência máxima convertível no vento é: [18]

• A eficiência prática de conversão de energia de qualquer dispositivo


real reduziria ainda mais a eficiência devido a várias perdas
aerodinâmicas (CP < CPmax), assim como por perdas mecânicas e
eléctricas (ηm, ηel)!
ENERGIA EÓLICA
ENERGIA MÁXIMA CONVERTÍVEL

O limite de Betz:

16/27 = 0,5926!

A maior eficiência
teórica para os
conversores da
energia eólica de
qualquer tipo.
ENERGIA EÓLICA
COEFICIENTES DE POTENCIA E EMPUXO

• A potência real a partir de qualquer dispositivo de conversão


de energia de um fluxo do ar pode ser expressa
como se segue:
[19]
• Do mesmo modo, um coeficiente de empuxo pode ser
definido como uma função do factor de indução axial e usado
para expressar a força máxima de empuxo no dispositivo de
conversão de energia:
[20]
ENERGIA EÓLICA
VALORES MÁXIMOS DE CP E CT
As condições ideais assumidas
não valem para factores de
indução axial superiores a 0,5.

Em conversores reais de
energia eólica, devido aos
padrões complicados de fluxo
o CT, coeficiente de empuxo,
até pode mesmo ultrapassar o
seu valor máximo ideal, mas o
coeficiente de potência CP não
pode nunca atingir o seu valor
máximo sequer.
ENERGIA EÓLICA
CONCLUSÃO
• Vários dispositivos podem ser utilizados como conversores da
energia cinética do vento em energia mecânica (rotação ou de
translação) - estes dispositivos podem ser rotativos (turbinas) ou de
translação (Com deslocamento induzidas pelo vento).

• A maioria das aplicações práticas requerem saída mecânico na


forma de eixo de rotação. As turbinas eólicas encaixam-se melhor
para tais aplicações.
ENERGIA EÓLICA
OPERAÇÃO DE TURBINAS EÓLICAS

• Características operacionais.
• Potência de saída em aplicações reais.
• Especificações técnicas de turbinas eólicas comerciais.
ENERGIA EÓLICA
TURBINAS CONECTADAS À REDE
Sempre que uma máquina elétrica é conectada à rede elétrica, sua a
velocidade de rotação é inteiramente dependente e controlada pela
frequência da rede.

Isso significa que o gerador em turbinas conectadas à rede, mantém e


restringe a velocidade de rotação de toda a turbina em um valor quase
estável (dependendo do tipo de gerador).

As turbinas eólicas operam a velocidades do vento estocasticamente


variáveis. A potência disponível no vento varia enormemente com a
mudança de velocidade do fluxo de ar.
ENERGIA EÓLICA
TURBINAS CONECTADAS À REDE
A turbina deve ser capaz de converter eficientemente a
energia do vento em condições de variação.

Velocidade variável de rotação serviria melhor, porque a


turbina seria capaz de funcionar sempre na sua relação
de velocidade óptima para CP máximo possível.

O gerador elétrico em turbinas conectadas à rede, no


entanto, permite velocidade variável somente para uma
determinada região de operação, se houver.
ENERGIA EÓLICA
CURVA IDEAL PARA A POTÊNCIA DE SAÍDA
A turbina é normalmente projetada para atingir potência nominal
máxima à velocidades do vento de cerca de 12-15 m/s.

Na prática, ela funciona a cargas parcias a maior parte do tempo, pois


as velocidades do vento são normalmente abaixo do valor nominal.

A turbina deve ser capaz de converter eficientemente a energia de


ventos fracos.
ENERGIA EÓLICA
CURVA IDEAL PARA A POTÊNCIA DE SAÍDA
Por outro lado, em ventos mais fortes, a turbina deve diminuir sua
saída para proteger o gerador de sobrecarga.

A curva de potência ideal e óptima para uma turbina eólica típica


deveria ser como se mostra no gráfico:
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO DA TURBINA
A potência de saída do rotor pode ser reduzida em ventos fortes
diminuindo o coeficiente de potência Cp através do agravamento das
condições aerodinâmicas, implicando menor força de levantamento.

Existem dois tipos principais de controle de potência para turbinas


eólicas:

• Regulação de stall (Stall regulation), e


• Regulação de afinação (Pitch regulation).
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO DE STALL
"Stall" significa que o fluxo do fluido
alcança as pás em muito grandes
ângulos de ataque, o fluxo separa-se
e turbilha no lado da sucção,
aumentando assim a força de arraste
e diminuíndo dramaticamente a força
de levantamento.
As pás de uma turbina com controle
stall, são afixadas firmemente ao
cubo, implicando simplicidade e
menor custo, mas a turbina deve
sustentar grandes forças de impulso
em durante ventos fortes.
ENERGIA EÓLICA
CURVAS DE POTÊNCIA – REGULAÇÃO STALL
A lâmina é fixada ao cubo de tal
forma,que as condições de stall
aparecem a uma certa
velocidade do vento e
desenvolvem-se com o aumento
da velocidade do vento para
manter aproximadamente
estável a potência.
Uma importante desvantagem do
controle de stall é a
impossibilidade para manter
perfeitamente estável a saída. A
potência do rotor cai ligeiramente
à velocidade do vento acima da
nominal!
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO PITCH
Pitching significa que a pá gira em
torno do seu eixo longitudinal,
portanto, tornando-se capaz de
manter um determinado ângulo de
ataque (ou seja, uma certa força
máxima de levantamento e uma
potência de saída) a velocidades do
vento variáveis, sem aumentar muito
o impulso no rotor.
ENERGIA EÓLICA
CURVA DE POTÊNCIA – REGULAÇÃO PITCH
O levantamento (pitching) das pás
permite uma suave e eficaz
regulação de potência da turbina a
qualquer velocidade do vento (e
especialmente, nenhuma perda de
potência em alta velocidade do
vento).

Uma desvantagem é o arranjo


complicado no cubo do rotor
(motores e rolamentos), que
adicionam custos e pode diminuir
confiabilidade da máquina.
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO STALL ACTIVA
O conceito de regulação Stall ativo é preferido por alguns fabricantes
de turbinas.
A lâmina é levantada a um certo ângulo pequeno na direção da Stall,
oposta à direção do pitch, permitindo uma regulação suave da
potência de saída tanto em ventos fortes como em ventos fracos.
ENERGIA EÓLICA
CURVA DE POTÊNCIA DA REGULAÇÃO STALL ACTIVO
Stall ativo (também chamada de “combi-stall”) traz as vantagens do
controle de Pitch total, mantendo ainda o arranjo mecânico
comparativamente simples e evitando certos problemas
aerodinâmicos que ocorrem com pitching.
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO PITCH Vs STALL
Uma desvantagem do conceito de pitching é a suscetibilidade e
sensibilidade da lâmina a flutuações no torque, enquanto a conceito
transforma as flutuações do vento em flutuações de evita a produção
de flutuações de energia elétrica de saída.
ENERGIA EÓLICA
REGULAÇÃO PITCH Vs STALL
Claro, todos os métodos de controle têm suas vantagens. Em geral, a
maioria das novas grandes turbinas eólicas é controlada por pitch ou
stall ativo.

A simplicidade da
construção não é um
problema para as grandes
máquinas, onde a
optimização da saída e a
qualidade da energia são
os objetivos finais.
ENERGIA EÓLICA
DIMENSIONAMENTO DE UMA TURBINA
O gerador elétrico não pode ser muito pequeno (pode facilmente
sobrecarregar em altas velocidades de vento, e alto conteúdo de
energia no vento seria perdido porque o gerador não pode convertê-
lo), mas não pode ser muito grande (pois terá uma eficiência elétrica
muito baixa a baixas velocidades do vento onde a potência do rotor é
pequena).
Comparação entre a operação com
um gerador menor (1) e um
gerador maior (2). O menor é o
mais eficiente em baixas
velocidades do vento, mas o maior
oferece muito maior potência em
altas velocidades do vento.
ENERGIA EÓLICA
DIMENSIONAMENTO DE UMA TURBINA
Uma solução é usar dois geradores juntos em uma turbina – um
pequeno para as baixas velocidades do vento e um grande para o
vento forte, geralmente montadas de modo a permitir uma
variabilidade de rotação nominal do rotor.
ENERGIA EÓLICA
CORRESPONDENDO O GERADOR À CARGA
O gerador elétrico funciona a maior parte do tempo em carga parcial,
onde a eficiência cai drasticamente. Mais uma vez, duas unidades
separadas de geradores (do mesmo tamanho, ou um pequeno e um
grande) podem ser empregues para melhorar a eficiência elétrica em
velocidades de vento muito baixas.
ENERGIA EÓLICA
CORRESPONDENDO O GERADOR À CARGA
ENERGIA EÓLICA
CORRESPONDENDO O ROTOR ÀS CONDIÇÕES DO VENTO
Corresponder a saída do gerador à saída do rotor e corresponder o
rotor da turbine às condições de vento prevalecentes num “site”
específico, simplesmente significa escolher a turbina eólica adequada
para as condições de vento em que irá trabalhar a maior parte do seu
tempo.

Turbinas eólicas para um determinado gerador são frequentemente


projetadas e fabricado em duas ou mais versões diferentes - com
diferentes diâmetros do rotor. O slide acima mostra um exemplo de
duas máquinas NORDEX de potência nominal de 2500 kW e 2300 kW,
mas com duas diferentes modificações do rotor - 80 m ou 90 m de
diâmetro do rotor, onde rotor menor gira o gerador maior.
ENERGIA EÓLICA
CORRESPONDENDO O ROTOR ÀS CONDIÇÕES DO VENTO
A máquina com rotor maior é projetado para trabalhar principalmente
em condições de vento fraco, produz mais potência em velocidades de
vento até 13 m/s em relação à versão com rotor menor e maior
gerador.
ENERGIA EÓLICA
PARTICULARIDADES DE PEQUENAS TURBINAS ISOLADASDA REDE

Turbinas pequenas (até 10 kW) raramente são conectadas à rede e


geralmente operam de forma independente. Isto implica que a
máquina não é regida pela frequência e tensão da rede e é
completamente livre para seguir as condições momentâneas. Tais
turbinas requerem mecanismos de controle mais críticos para limitar a
rotação máxima do rotor e evitar a sobrecarga do gerador. Por outro
lado, pequenas máquinas precisam ser baratas e simples, enquanto
suas massas, forças e cargas são comparativamente pequenas, então
os mecanismos de controle empregues são uma referência para
simplicidade e robustez.
ENERGIA EÓLICA
CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DE PEQUENAS TURBINAS ISOLADASDA REDE
• Simplicidade, baixo preço e operação sem manutenção são mais
importante do que maior eficiência energética para pequenas turbinas
(perfis das pás simplificados, mecanismos de controle, etc.).

• A regulação da potência depende de sistemas para impulsionar o


rotor.

• Geradores de indução não podem ser usados devido à sua


dependência potência reativa fornecida pela rede. Eles precisariam de
bancos de capacitors, ficam caras e perdem eficiência se operarem
fora da rede. O gerador mais comum é a máquina PM síncrona.

• O armazenamento de energia é frequentemente necessário. Baterias


elétricas com eletrônica carregadores para controle de tensão são
normalmente usados.
ENERGIA EÓLICA
CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DE PEQUENAS TURBINAS ISOLADASDA REDE

• Simplicidade, baixo preço e operação livre de manutenção são mais


importante do que maior eficiência energética para pequenas turbinas
perfis de lâmina e mecanismos de controle, guinada passiva, etc.)

• O regulamento de potência depende de sistemas para impulsionar o


rotor
vento guinando ou enrolando.
ENERGIA EÓLICA
CARACTERÍSTICAS TÍPICAS DE PEQUENAS TURBINAS ISOLADASDA REDE

• Geradores de indução não podem ser usados devido à sua


dependência
potência reativa fornecida pela rede. Eles precisariam de capacitância
baterias, ficam caras e perdem eficiência se operarem fora da rede.
O gerador mais comum é a máquina PM síncrona.

• O armazenamento de energia é frequentemente necessário. Baterias


elétricas com eletrônica
carregadores para controle de tensão são normalmente usados.

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