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Doenças neurológicas da infância

ANA PAULA ANDRADE HAMAD

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo


Ribeirão Preto, 2017
Diagnóstico neurológico

Sindrômico
- Há doenças no sistema nervoso?
- Conjunto de sinais e sintomas

Topográfico
- Onde está o problema?
- Estrutura e Função – Anatomia,
Fisiopatologia

Etiológico
- Qual o tipo/causa do problema
- Diagnósticos diferenciais
Época, modo de início e evolução cronológica:

• Agudo → Vascular, infecciosa

• Subagudo → Doença inflamatória, tóxica

• Crônico → Doença degenerativa, lesão expansiva,


distúrbios do comportamento

• Em surtos, com períodos de remissão → Inflamatória,


imunológica

• Acessos paroxísticos de curta duração, com intervalos


longos de normalidade e que se repetem periodicamente
→ Epilepsia, distúrbios piramidais
Síndromes Neurológicas
Síndromes Neurológicas: Neuropediatria

• Idade
• Consanguinidade
• Antecedentes gestacionais, obstétricos,
neonatais
• Antecedentes médicos
• Antecedentes familiares
• Desenvolvimento
• História da doença
Fatores genéticos

Fatores ambientais
Síndromes Neurológicas: Neuropediatria

• Exame físico geral


– Doenças sistêmicas
– Estigmas genéticos
– Acometimento de pele
• Exame neurológico
– Geral
– Específico
– Evolutivo
Estágio 1. Neurulação
Síndrome Sturge Weber

Pele

Síndrome Nevo epidermico


Sd Down
Grupo – Dismorfias
Diagnóstico
Sd Down
Aniridia Congênita
Complexo VACTERL
Sd Prader-Willi
Sd Cornelia
Sd Hipertelorismo Teebi Sd Weaver
de Lange
Sd Cornélia de Lange
Chiari IV e
craniossinostose
Sd Weaver
Trissomia parcial do 14
Neurofibromatose I
Total
Neurofibromatose tipo 1
Desenvolvimento
• Atraso do desenvolvimento
• Desaceleração do desenvolvimento
• Involução do desenvolvimento
• Distúrbio do desenvolvimento
M
A Desenvolvimento
R
C
O * Normalidade
S * Atraso
* Desaceleração
D
* Involução
E
S
E
N
V
O
L
V
I
M
E
N
T
O IDADE CRONOLÓGICA
* Atraso
Período pré-natal Período neonatal Período pós-natal

Anóxia Infecções
Kernicterus Neoplasias
Sepsis Acidentes

Toxoplasmose
Rubéola
Citomegalovirose
Herpes PC diplégico
Sífilis
Zika
Hipertensão/
doenças maternas
Doenças genéticas
PC hemiplégico
Toxicidade
Infecções congênitas TORCHS

Toxoplasmose Rubeola Citomegalovirose Herpes Sífilis

macrocefalia
- Perímetro
craniano
>2DP acima
da média

Microcefalia
- perímetro craniano
>2DP abaixo da média

microftalmia
Adams, 2002
• Cenário 1 – RN
• Acometimento multissistêmico:
– Pele
– Olhos
– Aparelho auditivo
– Fígado
– outros

Infecção por Rubéola Infecção por Toxoplasmose


Infecção por CMV

Infecção por Sífilis

Infecção por Rubéola Infecção por HSV

Infecção por CMV


• Cenário 2 – RN
• Imagens com padrões de calcificação

Infecção por CMV Infecção por toxoplasmose


• Cenário 3 – criança em idade escolar
– Deficit de aprendizado

Infecção por toxoplasmose


• Condicoes clinicas e neurologicas
Retardo de Paralisia de Ossos Longo
crescimento Membros
intrauterino Sifilis
Varicela
Rubéola, Toxo, CMV
Deficit cognitivo
Calcificação cerebral
Lesão cutânea
Hepatoesplenomegalia Coriorretinite
Alteração cardíaca Cicatrizes cutâneas Isolada
TORCHS
, ZIKA Rubéola Varicela zoster Toxo, Virus LCM
Deficiência mental
10 sinais cardinais da síndrome de Down
(Hall 1966)

• reflexo de Moro hipoativo 85%


• hipotonia 80%
• face com perfil achatado 90%
• fissuras palpebrais com
inclinação superior 80 %
• excesso pele na nuca 80%
• prega palmar única 45%
• hiperextensão grandes articulações 80%
• anormalidades radiológicas pélvis
70%
• hipoplasia falange média 5O dedo 60%
Síndrome de Down
• pregas epicânticas
• vícios de refração, catarata congênita, glaucoma, ambliopia
• cardiopatia congênita
• alterações auditivas
• alterações GI: estenose duodenal e doença Hirschsprung
• alterações de cavidade oral e vas – apneia do sono
• infecções repetidas
• doenças auto-imunes
• doenças hematológicas: leucemia
• alterações endocrinológicas: hipotireoidismo
• epilepsia
• quadro psiquiátrico
• instabilidade atlanto axial
Síndromes genéticas com comportamentos
associados, possivelmente, específicos
s. Prader-Willi hiperfagia
s. Lesch-Nyhan auto-agressão extrema
s. de Down habilidades visuais >
habilidades auditivas
receptivas
s. Smith-Magenis tendência à introduzir objetos nos
orifícios corporais; auto-abraço
s. Williams altas habilidades de linguagem e
pobre funcionamento viso-espacial
s. de Rett estereotipias manuais
s. de Angelman marcha atáxica e episódios de riso

s. cri-du-chat choro tipo “grito/miado de gato”


na infância
Tóxicos para o feto
1. Bebida alcoólica

SAF
Sindrome Alcool -Fetal Face
Dismorfias
Deficiência mental SAF
Normal
deficit crescimento

EFA
Efeitos Fetais do Alcool
Distúrbios do
comportamento
Síndrome fetal alcoólica (SFA)
critérios diagnósticos

A - anormalidades faciais características


B - retardo no crescimento (pré e/ou pósnatal)
C - disfunções do sistema nervoso central (SNC)
A - anormalidades faciais características

microcefalia
fendas palpebrais curtas
filtro pouco pronunciado
lábio superior estreito
hipoplasia maxilar
ptose palpebral
pregas epicânticas
sombrancelhas altas e arqueadas
B - retardo no crescimento

em geral, com início pré-natal mantendo-se posteriormente

peso e altura, frequentemente, abaixo do percentil 10: peso

mais afetado

casos com peso e altura dentro de limites normais


C - disfunções do SNC

anormalidades neurológicas, do desenvolvimento e/ou intelectuais:


tremores, prejuízos motores, atraso do desenvolvimento, hiperatividade,
prejuízos intelectuais, dificuldades na aprendizagem escolar
epilepsia
alterações auditivas, alterações visuais
crânio de dimensões reduzidas ao nascimento; anormalidades
estruturais tais como agenesia parcial ou completa do corpo caloso,
hipoplasia cerebelar
Defeitos congênitos relacionados ao álcool

cardíacos
defeitos septais dos átrios
defeitos septais dos ventrículos

esqueléticos
encurtamento do 5o dedo
sinostóse radio-ulnar
contraturas em flexão
campodactilia
pectus excavatum e carinatum
síndrome de Klippel-Feil
hemivértebras
escoliose
Defeitos congênitos relacionados ao álcool
renais
rins displásicos ou hipoplásicos
rins em ferradura
duplicações ureterais
hidronefróse
oculares
estrabismo
problemas de refração secundários ao tamanho reduzido dos globos
oculares
anomalias vasculares da retina
auditivos
perda condutiva
perda neurosensorial
outros
praticamente, todos os tipos de defeitos congênitos foram descritos em
pacientes com a SFA porém a relação destes com o álcool é incerta
Síndromes malformativas - SNC
23 dias
Defeitos de fechamento
•Anencefalia

35 dias
Defeitos de segmentação
•Holoprosencefalia
2 a 5 meses
Defeitos de formação do cortex
•Lissencefalia
• Esquizencefalia
• Displasias
• Macrogiria
• Micropoligiria

Adap. Cowan,1979
Anencefalia
• Falha de fechamento do tubo neural anterior
– Degeneração de neurônios
– Ausência de calota craniana e possível falha de
fusão de vértebras
– Preservação medula, tronco cerebral, cerebelo e
de parte do diencéfalo
• QC
– Tecido neural exposto
– Reflexos primitivos podem estar presentes
– Óbito: horas ou dias
Encefalocele
• Falha restrita de fechamento do tubo neural anterior
– Protrusão do tecido cerebral e meninges através de defeito
dos ossos cranianos
• Quanto à localização – sutura coronal
– Anterior
– Posterior
• Quanto ao tipo histológico
– Meningocele
– Encefalomeningocele
– Encefalocistocele
– Gliocele
Encefalocele
• Incidência: 0,8 a 3 10:000
• Occipital 66 a 89%
Encefalocele
• Tratamento cirúrgico
• Perinatal
• Mortalidade: 30%
• Prognóstico mais favorável: lesões anteriores, lesões
únicas
• Déficit cognitivo e motor
Estágio 3. Desenvolvimento cortical

• Proliferação
Camada molecular

• Migração Camadas VI a II
em formação
• Organização
• /Pós migração Subplaca
Microglia
em repouso
Microglia ativada
Neurônio em migração
Zona intermediária
Glia radial

Células germinativas
Desenvolvimento
normal
Gressens, 2007
Distúrbios do desenvolvimento cortical
Defeitos de migração neuronal
•Epilepsias
•Atraso do desenvolvimento
•Dificuldades de aprendizagem
•Deficiência mental

displasia heterotopia nodular

Lissencefalia
Hemimegalencefalia “agiria”
Esquizencefalia
Encefalopatia
hipóxico-isquêmica perinatal
Mau funcionamento do sistema
nervoso decorrente de hipoperfusão e
hipoxemia que acomete o RN em
algum momento desde o início do
trabalho de parto até o 7o dia de vida
Encefalopatia hipóxico-isquêmica perinatal
Dados objetivos - recomendações

✓Alteração FC fetal
✓Acidose Metabólica – pH cordão umbilical
≤7 e BE -12mM
✓Apgar no 5o minuto entre 0 e 6 (<3)
✓Comprometimento neurológico neonatal
✓Disfunção de outros órgãos: renal, cardíaca,
hepática, hematológica, pulmonar
AAP, ACOG
Achados/Graus 1 2 3

Nível de Hiperalerta Letargia Estupor


consciência

Tônus Normal Hipotonia sutil Flacidez

Postura Flexão distal Flexão distal Descerebração


leve acentuada intermitente

Reflexos Exaltados Exaltados Diminuídos/Ausentes


profundos

Sucção Débil Débil/Ausente Ausente

Moro Exacerbado/ Fraco/ Limiar Ausente


Limiar baixo elevado

Tônus cervical Discreto Exacerbado Ausente

Função Exacerbação Exacerbação Depressão


autonômica simpática parassimpática

Pupilas Midríase Miose Não fotorreagente

FC Taquicardia Bradicardia Variável

Crises Ausentes Frequentes Incomuns

Duração 1-3 dias 2-14 dias Horas-semanas

Sarnat Clinical Stages of Perinatal Hypoxic Ischemic Brain Injury, 1976


Paralisia cerebral

Grupo de desordens do desenvolvimento e


da postura, causando limitação da
atividade, que são atribuídos a um
distúrbio não progressivo que ocorreu no
cérebro em desenvolvimento

Rosenbaum, 2004 The World Health Organization International Classification of


Functioning, Disability and Health (ICF): a model to guide clinical thinking, practice and
research in the field of cerebral palsy
História Clínica

• Encefalopatia não progressiva


• Acometimento motor: 100% dos casos
• Idade de início do QC
Manifestação motora: 100% dos casos
• Atraso do desenvolvimento
– Marcos motores

• Alteração de tônus muscular


• Persistência de reflexos primitivos
• Movimentação assimétrica
• Sinais de liberação piramidal

• Presença de movimentos involuntários

• Sucção débil
• Sialorréia
Classificação
padrão motor predominante

Tipos clínicos
Espástico (70-80%)
PC hemiplégico
PC tetraplégico
PC diplégico
Distônico/Atetótico (10-20%)
Atáxico (5-10%)
Misto
Bebê hipotônico

Causa central ou periférica?


Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Etiologia

Determinar se a hipotonia resulta de alteração :


- cerebral (90%casos)
- medular
- da unidade motora

Mais de uma topografia pode estar envolvida


Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Investigação (aspectos devem ser enfatizados)

Anamnese:
- antecedentes gestacionais e do parto
(infecção, diabetes, metrorragia, eclâmpsia, abortos prévios,
sofrimento fetal, distócia, circular de cordão, DPP, placenta
prévia, movimentos fetais, prematuridade, baixo peso, icterícia)
- dificuldade de deglutição, alteração respiratória
- história familiar
- antecedente de crises epilépticas, desenvolvimento neurológico
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Investigação (aspectos devem ser enfatizados)

Exame físico geral:

- Perímetro cefálico
- Desvios fenotípicos
- Padrão respiratório
- Alterações musculoesqueléticas
- Visceromegalias
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Exame neurológico:

• choro fraco; diminuição dos movimentos espontâneos

• postura em decúbito com abdução e rotação externa das pernas


(“batráquio”), braços estendidos com face externa das mãos
tocando o lenço

Figura do livro Neuropediatria,


Sérgio Rosemberg.
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Exame neurológico:

• sentado apresenta queda da cabeça para frente e ombros


inclinados ventralmente

Figura do livro Neuropediatria,


Sérgio Rosemberg.
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Exame neurológico:

• tração simultânea dos braços levando-a


ficar sentada ocorre queda da cabeça
para trás

• presença de restrições motoras


(artrogripose: rigidez irredutível
de uma ou várias articulações)
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

• tônus diminuído

(inspeção, palpação,
movimentação passiva e
balanço passivo)

• força
(manobra do pára-quedas,
beira do leito, rechaço)

• reflexos osteotendíneos

• pesquisa do clônus de pé
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

• nível de consciência

• “reflexos primitivos”

• sensibilidade dolorosa

• nervos cranianos

• trofismo
Cerebral Unidade Motora
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento
↓ movimentos fetais
Distúrbios perinatais
Distúrbios gestacionais
Polihidrâmnio
Anamnese
(hemorragias, anóxia,
História familiar +
infecções, kernicterus)
Consanguiidade

Dismorfismos faciais
Exame Macro ou microcefalia Artrogripose
físico geral Luxação quadril
Contato normal
Distúrbios consciência
ROTS ausentes/hipo
Exame ROTS nl ou exaltados
Neurológico Reflexos arcaicos alt Fasciculações
(denervação)
Hipotonia pura
Fraqueza importante
Adução de polegares (pode acometer MOE e
bulbar)
Trofismo normal
Hipotrofia ou atrofia

Outros Crises epilépticas (freq) MF outros orgãos


MF outros órgãos (freq) (raro)
Alteração 1.Encefalopatia crônica não progressiva 4.Doenças Metabólicas
cerebral Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento
MF cerebral; Distúrbios perinatais e/ou pós-natais
Sd. cerebrohepatorrenal (Zellweger)
2.Cromossomopatias: Sd. Down; Sd. de Prader-Willi Adrenoleucodistrofia neonatal
3. Hipotonia congênita benigna Sd. oculocerebrorrenal (Lowe)
Alteração 1.Luxação Congênita Atlantoaxial 2.Mielomeningocele
medular
Sd. Morquio e outras Mucopolissacaridoses 3. Traumatismo parto vaginal
Sd. Klippel-Feil, Sd Down e outras cromossomopatias Pélvico (75%), cefálico (25%)
Alteração 1. Polineuropatia hereditária sensitivo motora 2. Atrofia muscular espinhal
neurônio progressiva (AMEP)
Forma hipomielinizante congênita
motor
Forma congênita grave tipo III (Dejerine-Sottas)
Alteração 1. Miastenia gravis: Miastenia neonatal transitória; 2. Botulismo infantil
junção NM Miastenia congênita; Miastenia infantil familiar

Alteração 1. Miopatias congênitas (MC) 3. Distrofias musculares


muscular Desproporção congênita fibras; Miotubular; Distrofia muscular congênita (DMC)
Nemalínica: Central core Sem envolvimento cerebral
2. Miosite infantil Com envolvimento cerebral
Distrofia miotônica
Alteração 1. Miopatias metabólicas Deficiência fosfofrutoquinase;
metabólica Deficiência citocromo c-oxidase; Deficiência carnitina; Deficiência de fosforilase

Alteração 1. Deficiência maltase ácida (Pompe) 5.Doenças mitocondriais


cerebral e 2. Disautonomia familiar (Riley-Day) 6. Distrofia miotônica neonatal
unidade 3. Degeneração neuronal infantil 7. Asfixia perinatal secundária
motora 4. Doenças do armazenamento lipídico à doença da unidade motora
Hipotonia neonatal: causas, diagnóstico e tratamento

Hipotonia associada a alterações multissistêmicas


(catarata, retinopatia, cistos renais, odor anormal,
hepatomegalia) sugerem doenças metabólicas

(investigar conforme a suspeita).


* Involução

encefalopatia
EIM (Erros inatos do metabolismo)
Desmielinização Exemplo de

Atrofia cortical Ressonância


cerebral em
Atrofia subcortical paciente com
um tipo de
Malformações
leucodistrofia
Metabolismo
Metabolismo
grego metabolismos, μεταβολισμός
– mudança, troca
• conjunto de tranformações das substâncias
químicas no interior de seres vivos
• reações químicas – síntese e degradação dos
nutrientes através de vias metabólicas -
sequências de reações
Proteína/ Gordura/ Carboidrato
Enzimas
catalisadores e reguladores de reações metabólicas
• especificidade
• mau funcionamento – reponsável pela maior parte
das doenças metabólicas
Vitaminas
Vitaminas
Organelas
Lisossomo Peroxissomo
• Degradação de • Metabolização de ácidos
macromoléculas graxos/ oxalato, ácidos
• Glicogênio pipecólico e fitânico
• Esfingolípides • Síntese de plasmalogênio,
• Mucopolissacarídeos/oligo colesterol e ácido biliar
ssacarídeos
Organelas
Mitocôndria
Todas as mitocôndrias são herdadas da mãe

• Produção ATP
• Apoptose
• Produção calor
• Genética mtDNA

• )
Catabolismo

Transporte

Anabolismo
Metabolismo
Homeostase Condições crônicas

Condições agudas
Metabolismo
• Criança
Jejum/Doença

Repouso/basal Exercício
Erros do Metabolismo
Manifestam-se clinicamente através de

• Quadros crônicos

• Quadros agudos recorrentes


Erros Inatos do Metabolismo
São mais de 400 EIM
Descrição incessante de novos quadros

10% das doenças genéticas


Erros Inatos do Metabolismo
• Perfil evolutivo
Como suspeitar
• Consanguinidade
• O que têm em comum • Doenças semelhantes na família

• D. Metabólicos persistentes

• Manifestações sistêmicas

• Alterações neurológicas
• Diagnósticos inconclusivos
Erros Inatos do Metabolismo
Manifestações NE
Clínicas U OFTALMOLÓGICAS
R
OL HEPATO-ESPLENOMEGALIA
Ó
DISMORFIAS FACIAIS E ESQUELÉTICAS
G
I MACROCEFALIA
CA
S CARDIOMEGALIA/ARRITMIA

ALTERAÇÕES DE CABELOS OU DE PELE


Erros Inatos do Metabolismo
• Idade de início
• Raciocínio clínico
• Perfil evolutivo

• Modos de apresentação clínica

• Anomalias extra-neurológicas associadas

• Diagnóstico neurológico sindrômico

• Exames complementares

• Diagnóstico enzimático e molecular -


conclusivos
Erros Inatos do Metabolismo
Idade de início
INTERVALO LIVRE

REGRESSÃO

JUVENIS

INFANTIS TARDIAS
NEONATAIS

INFANTIS PRECOCES

1m 1 ano 5 anos
EIM - INFANTIS PRECOCES (< 1 mês)

• D. TAY-SACHS/SANDHOFF • D. ALEXANDER
• GANGLIOSIDOSE GM1 TIPO 1 • D. CANAVAN
• MUCOLIPIDOSE I • D. P.-MERZBACHER
• D. NIEMANN-PICK A • D. LEIGH
• D. GAUCHER TIPO II • DEF. BIOTINIDASE
• D. KRABBE • D. ALPERS
• D. POMPE • D. MENKES
• D. FARBER • D. DE DEVIVO
• DEFICIÊNCIA DE CREATINA • ACIDÚRIA GLUTÁRICA I
• DIST. DO CICLO DE KREBS • DIST. CADEIA RESPIRATÓRIA
• SIALIDOSES • DIST. BETA-OXIDAÇÃO DE AG
• DEFEITOS DE GLICOSILAÇÃO • A – ORGANOACIDOPATIAS
• S. SMITH-LEMLI-OPITZ • D. VAN DER KNAAP
EIM - INFANTIS PRECOCES

• Reconhecimento clínico difícil – 1o trimestre

• Sinais neurológicos inespecíficos e difusos

• Sinais extra-neurológicos - destaque


EIM - INFANTIS PRECOCES
MANIFESTAÇÕES EXTRA-NEUROLÓGICAS

HEPATO-ESPLENOMEGALIA DISMORFIAS FACIAIS E OFTALMOLÓGICAS


ESQUELÉTICAS
D. NIEMANN-PICK TIPO A GANGLIOSIDOSE GM1 MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS
D. GAUCHER TIPO II MUCOLIPIDOSE I PELIZAEUS-MERZBACHER
MUCOLIPIDOSE I (SIALIDOSE II) SMITH-LEMLI-OPITZ LEIGH
GANGLIOSIDOSE GM1

PARALISIAS OCULARES
D. GAUCHER
LEIGH

CARDIOMEGALIA MACROCEFALIA
RETINITE PIGMENTAR
D. POMPE D. CANAVAN HALTIA-SANTAVUORI
D. ALEXANDER
ACIDÚRIA GLUTÁRICA TIPO I
D. VAN DER KNAPP MANCHA VERMELHO-CEREJA
GANGLIOSIDOSE GM2 D. TAY-SACHS/SANDHOFF
GANGLIOSIDOSE GM1
D. NIEMANN-PICK
ALTERAÇÕES DE CABELOS MUCOLIPIDOSE I

D. MENKES
ACIDÚRIA ARGININO-SUCCÍNICA
EIM - INFANTIS PRECOCES
MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS

NEUROPATIA PERIFÉRICA CRISES EPILÉPTICAS

MENKES
D. KRABBE
ALPERS
LEIGH
DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE
D. FARBER
DEVIVO

DISPNÉIA CLONIAS AUDIOGÊNICAS

LEIGH TAY-SACHS;SANDHOFF
ACIDOSE LÃCTICA KRABBE
RETT
EIM - INFANTIS TARDIOS (> 1 – 5 anos)

• LEUCODISTROFIA METACROMÁTICA • MANOSIDOSE


• D. AUSTIN • FUCOSIDOSE
• DISTROFIA NEUROAXONAL INFANTIL • ASPARTILGLICOSAMINÚRI
• D. SCHINDLER/KANZAKI A
• D. LEIGH • SIALIDOSE TIPO II
• GANGLIOSIDOSE GM1 TIPO 2 • GALACTOSIALIDOSE
• GANGLIOSIDOSE GM2 • CDG
• NIEMANN-PICK TIPO C • ATAXIA-TELANGIECTASIA
• LIPOFUSCINOSES CERÓIDES • ATAXIA-APRAXIA OCULAR
• MUCOPOLISSACARIDOSES • LEUCOENCEFALOPATIAS
• MUCOLIPIDOSE II • MUCOLIPIDOSE II (I-CELL)
• MUCOLIPIDOSE III
• MUCOLIPIDOSE IV
EIM - INFANTIS TARDIOS

• Reconhecimento clínico
- Intervalo livre mais nítido

• Sinais/ sintomas neurológicos mais diferenciados

• Formas de apresentação - destaque


EIM - INFANTIS TARDIOS
MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS

NEUROPATIA PERIFÉRICA CRISES EPILÉPTICAS

LEUCODISTROFIA METACROMÁTICA BIELSCHOWSKI


AUSTIN ALPERS
DISTROFIA NEUROAXONAL INFANTIL ( MERRF
KRABBE SCHINDLER

REGRESSÃO INTELECTUAL
ATAXIA DISMORFISMOS
ATAXIA-TELANGIECTASIA MUCOPOLISSACARIDOSES
LEIGH MUCOLIPIDOSE II
MERRF MUCOLIPIDOSE III
BIELSCHOWSKI MANOSIDOSE
ABETALIPOPROTEINEMIA FUCOSIDOSE
VAN DER KNAAP SIALIDOSE II
ASPARTILGLICOSAMINÚRIA
EIM - JUVENIS (> 5 anos)
• STRÜMPELL-LORRAIN • SIALIDOSE TIPO I
• SJÖGREN-LARSSON • ATROFIA DRPL
• DEFICIÊNCIA DE ARGINASE • DOENÇA DE WILSON
• ATAXIA DE FRIEDREICH • DOENÇA DE HUNTINGTON
• ATAXIAS RECESSIVAS • D. PARKINSON
• ATAXIAS DOMINANTES • DISTONIA DE TORÇÃO PRIMÁRIA
• ABETALIPOPROTEINEMIA • DOENÇA DE SEGAWA
• HIPOBETALIPOPROTEINEMIA • D. HALLERVORDEN-SPATZ (PANK)
• DEFICIÊNCIA DE VITAMINA E • DISTONIAS PAROXÍSTICAS
• ACIDEMIA L-2 HIDROXIGLUTÁRICA • CORÉIA-ACANTOCITOSE
• EPILEPSIA MIOCLÔNICA PROGRESSIVA • CORÉIA FAMILIAR BENIGNA
• DOENÇA DE LAFORA • NECROSE ESTRIATAL FAMILIAR
• DOENÇA DE REFSUM • NEUROPATIA AMILÓIDE FAMILIAR
• DOENÇA DE TANGIER • DOENÇA DE FABRY
• PORFIRIA AGUDA INTERMITENTE • NEUROPATIAS HEREDITÁRIAS SM
• GM2 TARDIA • GM1 TARDIA
• NIEMANN-PICK TIPO C • GAUCHER TIPO III
• SPIELMEYER-VOGT • LEUCODISTROFIA METACROMÁTICA
• LEUCODISTROFIA DE KRABBE • ADRENOLEUCODISTROFIA LIGADA-X
• DOENÇAS MITOCONDRIAIS • DOENÇA DE LESCH-NIHAN
• DOENÇA DE COCKAYNE • HOMOCISTINÚRIA, HARTNUP
• XANTOMATOSE CÉREBROTENDÍNEA
EIM - JUVENIS

• Reconhecimento clínico
- Intervalo livre mais nítido

• Evolução mais lenta

• Quadro clínico mais seletivo

• Biologia molecular – maior necessidade para definição


EIM - JUVENIS MODOS DE APRESENTAÇÃO

MIOCLONIAS, CRISES EPILÉPTICAS, ATAXIA ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS

D. DE UNVERRICHT-LUNDBORG HOMOCISTINÚRIA
DOENÇA DE LAFORA D. DE FABRY
MERRF MELAS
LISOSOMOPATIAS JUVENIS D. MENKES
GM2, GAUCHER
S. RAMSAY HUNT
SIALIDOSE TIPO I PERDA VISUAL
ADPRL
SPIELMEYER-VOGT)
SIALIDOSE I
ADL LIGADA-X
DEMÊNCIA, DIST. COMPORTAMENTO DOENÇA DE KRABBE
MELAS
ADRENOLEUCODISTROFIA NEUROPATIA ÓPTICA DE LEBER
CORÉIA DE HUNTINGTON
DOENÇA DE WILSON
LEUCODISTROFIA METACROMÁTICA
DOENÇA DE SANFILIPPO ENCEFALOPATIA DIFUSA
ASPARTIL-GLICOSAMINÚRIA
D. HARTNUP D. NIEMANN-PICK TIPO C D. LEIGH
LESCH-NYHAN D. KRABBE LEUCODISTROFIA METACROMÁTICA
PORFIRIA AGUDA INTERMITENTE D. GAUCHER TIPO III D. FARBER
GM2, GM1 ADRENOLEUCODISTROFIA LIGADA-X
D. SPIELMEYER-VOGT XANTOMATOSE CÉREBRO-TENDÍNEA
SIALIDOSE TIPO II - GALACTOSIALIDOSE DISTROFIA NEUROAXONAL
D. INCLUSÃO INTRAN. NEURONAL
EIM - JUVENIS MODOS DE APRESENTAÇÃO

PARAPLEGIA ESPÁSTICA POLINEUROPATIAS

STRUPELL-LORRAIN DOENÇA DE REFSUM


ADRENOMIELONEUROPATIA DOENÇA DE TANGIER
JÖGREN-LARSSON DOENÇA DE FABRY
DEFICIÊNCIA DE ARGINASE PORFIRIA AGUDA INTERMITENTE
HALLERVORDEN-SPATZ TIROSINEMIA TIPO I
PARAPLEGIA ESPÁSTICA LIGADA AO SEXO CHARCOT-MARIE-TOOTH I, II
ADRENOLEUCODISTROFIA LIGADA AO SEXO DÉJERINE SOTTAS
KRABBE, LDM NEUROPATIA GIGANTO-AXONAL

EXTRAPIRAMIDAL ATAXIAS PROGRESSIVAS


DOENÇA DE WILSON ATAXIA DE FRIEDREICH
DOENÇA DE HUNTINGTON AVED
DOENÇA DE PARKINSON ABETALIPOPROTEINEMIA
DISTONIA MUSCULORUM DEFORMANS HIPOBETALIPOPROTEÍNEMIA
DISTONIA DOPA-RESPONSIVA (SEGAWA) ATAXIA ESPINOCEREBELARES DOMINANTES
HALLERVORDEN-SPATZ
COREOATETOSE PAROXÍSTICA
CORÉIA-ACANTOCITOSE
NECROSE ESTRIATAL FAMILIAR
* Involução

encefalopatia
epiléptica
Modificado de Sylvie N’Guyen e Perrine Plouin
Síndrome de Landau-Kleffner

• Afasia Sensorial e Motora + distúrbios de comportamento

• Agnosia auditiva e involução

• Início típico após os 2 anos de idade

• Neuroimagem normal

• EEG DE VIGÍLIA NORMAL ou com paroxismos raros

• EEG EM SONO:

• Paroxismos Epileptiformes Bi-temporais (temporais


posteriores + comuns) e/ou bi fronto-rolândicos. 74% de
predomínio no HCE

• Estado de Mal Elétrico no Sono Lento, com pontas


bissincrônicas
M
A Desenvolvimento
R
C
O * Normalidade
S * Atraso
* Desaceleração
D
* Involução
E
S * Distúrbios do neurodesenvolvimento?
E
N
V
O
L
V
I
M
E
N
T
O IDADE CRONOLÓGICA
TDAH
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

• déficit de atenção • persistência ou repetição

• hiperatividade • ocorrência concomitante

• impulsividade • intensidade
ATUAL
TDAH
Critérios diagnósticos

- para déficit de atenção

- para hiperatividade/ impulsividade


• Persistência: duração igual ou superior a 6 meses
• Intensidade: grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de
desenvolvimento
• Prejuízo de performance em pelo menos 2 contextos
Critérios para Déficit de Atenção
Critérios para Hiperatividade/Impulsividade
TDAH – predominantemente Déficit de Atenção

ESCOLA

SOCIEDADE FAMÍLIA

CRIANÇA
Autismo
TEA – Transtorno do Espectro do Autismo

Distúrbio complexo do neurodesenvolvimento,


com amplo espectro de manifestações clínicas,
caracterizado por prejuízos na interação social,
na comunicação verbal e não verbal e por
apresentar padrões restritos, repetitivos e
estereotipados do comportamento, interesses
e atividades.
TEA – Transtorno do Espectro do Autismo

• Interação Social / Comunicação verbal e não


verbal

• Movimentos/interesses restritos e repetitivos


Transtornos do Espectro do Autismo
(TEA)
• TEA primários ou idiopáticos

• TEA secundários, sintomáticos ou sindrômicos


TEA tipo Secundário > > 10%
Síndrome do X-frágil Distrofia muscular de Duchenne
Esclerose Tuberosa Síndrome de Tourette
Síndrome de Rett Hipomelanose de Ito
Síndrome de Angelman Transtornos Marfan-like
Síndrome de Prader-Willi Doenças mitocondriais
Duplicação do 15q11-q13 Fenilcetonúria
Neurofibromatose tipo I Síndrome da Smith-Lemli-Opitz
Síndrome de Down Síndrome da Smith Magenis
Deleção de 2q Síndrome de Sotos
Deleção de 22q11.2 e 22q13.2 Distrofia miotônica de Steinert
Deleção de 13q Síndrome de Timothy
Síndrome ARX Síndrome de Turner
Seqüência de Moebius Síndrome de Williams
Síndrome de Cohen Síndrome 47, XXY
Síndrome de Cole-Huges Síndrome de Joubert
Síndrome de Cowden Transtornos metabólicos (vários)
Síndrome da Cornélia de Lange E muitas outras...
Genes relacionados aos TEA
estabelecidos e supostos. Brunoni, 2011

• FMR1 • MeCP2
• neuroliguinas 3 e 4 • DIA 1
(NLGN) • PCDH10
• neurexina 1 (NRXN1) • NHE9A2BP1
• anquirina (HANK3) • UBE3A
• CNTNAP2 • NHE6
• protocaderina 10 • 5-HTT
(PCDH10) • MET
• contactina 3 (CNTN3)
TEA – Transtorno do Espectro do Autismo
Identificação de fatores ambientais de risco

Uso de substâncias durante a Infecção pré-natal:


gestação: Citomegalovírus
Thalidomida; Herpes simples
Ácido Valpróico, Rubéola
álcool (diário); Sarampo
cigarro (diário); Sífilis
Toxoplasmose
• Fatores Perinatais de risco:
• sangramento vaginal;
• prematuridade;
• baixo APGAR 5’ (anóxia,
hipóxia);

Newschaffer et al. (2007) Annu. Rev. Public Health 28:21.1–21.24


Dificuldade em utilizar-se da comunicação verbal e
não verbal: gestos, expressões faciais, linguagem
corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal
• atraso ou ausência da fala
• dificuldade para iniciar ou
manter uma conversação
• uso estereotipado e repetitivo
da linguagem; pedante
• dificuldade na compreensão, na
contextualização
• alterações na prosódia COMUNICAÇÃO
• dificuldades para metáforas
• dificuldades para figuras de
linguagem
• tendência para a compreensão
literal
INTERAÇÃO SOCIAL

Dificuldade em relacionar-se com os outros,


incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos
e emoções e dificuldade na discriminação entre
diferentes pessoas.
Rigidez e inflexibilidade em várias áreas do pensamento,
linguagem e comportamento. Comportamentos
obsessivos e ritualísticos, estereotipados; compreensão
literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e
dificuldades em processos criativos.

• preocupação insistente com


um ou mais padrões
estereotipados e restritos de
interesse
• maneirismos estereotipados
COMPORTAMENTO e repetitivos
• apego excessivo a rotinas
• preocupação persistente com
partes de objetos
Perfil intelectual nos TEA
• deficiência intelectual estaria presente em 70% dos pacientes
(Fombonne, 2005)
– 29,3% deficiência leve/moderada
– 38,5% deficiência grave/profunda

• segundo Baird (2006) 55% dos indivíduos com TEA


apresentariam deficiência intelectual