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IMEDE – INSTITUTO MÉDIO DO DESPORTO E EDUCAÇÃO FÍSICA DE MOÇAMBIQUE

Psicologia do Desporto e do Exercício

Docentes:

Prof. Doutor Vicente Tembe


&
Doutorando Paulo Tibério
2018
Sumário
1. Revisita a Psicologia de Desenvolvimento
2. Habilidades mentais
3. Personalidade
4. Motivação
5. Definição de objectivos nas actividades desportivas

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"Os 13 anos foram um período importante na minha vida. Foi a altura em que
comecei a amadurecer fisicamente. Foi também a altura em que as raparigas
começaram a reparar em mim. A minha personalidade mudou muito. Deixei
de ser um "atraso de vida" maçador para passar a ser um miúdo cheio de
energia, divertido e atlético.
Conforme o ano ia chegando ao fim, as coisas foram, surpreendentemente,
melhorando! A minha vida como criança tinha acabado. Já era adolescente.
Tudo isto, só mostra que passar a ter 13 anos é o mesmo que passar a ser
uma pessoa nova". (Patrick Baker, 1993:2 )

Após um período relativamente cheio de descobertas como foi a infância de


Baker, algo diferente começa a ocorrer na adolescência. Algo que a antiga
criança passa a assumir com a chegada da nova forma de ser e estar dentro do
ambiente onde se encontra.
A idade dos semblantes com que o pequeno jovem irá se preocupar e se
encantar. A idade de crescimento tímido, introvertido e secreto e as vezes com
manifestações extrovertidas. Idade em que o antigo infante irá descobrir a
verdadeira plataforma da vida. Este novo período é conhecido por adolescência
e é acompanhado por transformações biológicas e psíquicas próprias desta
fase que se chama puberdade.

Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)


Riscos da incompreensão das mudanças físicas na
adolescência?
Na adolescência ocorre transformações físicas para as
raparigas e rapazes. Essas transformações físicas tendem a ser
preocupação não só do adolescente como dos próprios
progenitores em particular. O respeito desta fase afigura se
complicado porque é na adolescência que nas últimas décadas
tem se relatado os mais indesejáveis episódios desde o
sofrimento pela violência doméstica passando pela utilização
como mão-de-obra.
Quantas vezes os adolescentes envolvem-se em cenas da
guerra, trabalho infantil e como mães precoces. De realçar que
os oportunistas tendem a referenciar as aparências do volume
do físico de adolescência para atribuir actividades. Esses
prevaricadores tendem a abster ou ignoram a existência da
idade biológica do homem inventando a idade volume do
homem para justificar os seus intentos.
Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)
Adolescência − Período de desenvolvimento do indivíduo que se estende entre a puberdade e a idade
adulta. Sendo que, os limites cronológicos variam.
Puberdade − Período que sucede a infância e antecede a adolescência e que se caracteriza pelo
desenvolvimento dos órgãos sexuais.
Algumas vezes essas alterações ocorrem muito cedo ou seja Puberdade Precoce ou muito tarde,
Puberdade tardia. Sendo que, as modificações que se operam podem propiciar algumas perturbações de
ordem psicológicas e biológicas.
Etapas Níveis
Etapa: Adolescência inicial. Nível: Puberdade.
Idade: 10 aos 14 anos. Idade: 12 aos 14 anos
No essencial: Transformações corporais e suas No essencial: Mudanças corporais.
consequências psíquicas.
Etapa: Adolescência média. Nível: Adolescência propriamente dita.
Idade: 14 e os 17 anos. Idade: 15 e 17 anos.
No essencial: Caracterizada pelas questões No essencial: Características mais marcantes
relativas à sexualidade, especialmente à referentes às mudanças do âmbito psicológico.
passagem da bissexualidade para a
heterossexualidade.
Etapa: Adolescência final. Nível: Adolescência tardia.
Idade: 17 e os 20 anos, Idade: 18 a 21 anos.
No essencial: Estabelecimento de novos vínculos No essencial: Busca de identidade própria, não só
com os pais, envolvendo ainda a questão individual e em grupo, mas sim também da
profissional, a aceitação de um esquema corporal identidade social.
novo e dos processos psíquicos do “mundo
adulto”. Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)
Habilidades mentais

“é muito importante ajudar os atletas a desenvolver a sua forma


de pensar e as suas habilidades mentais”

As habilidades mentais não são apenas uma forma de evitar ou


recuperar de crises, mas também desempenham um papel
importante na organização eficaz da prática desportiva …(não
se agarrar a designação mas sim a sua (habilidade) existência
no treino).

Não é possível ajudar pensar a um indivíduo se não sabes como ele pensa!

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As habilidades mentais desenvolvem se da mesma forma que as

físicas.(Teoria de aprendizagem)

Alguns indivíduos assimilam as habilidades mentais com mais

facilidades do que os outros.

Contudo, com a exercitação cada um pode melhorar as suas

habilidade mentais.

Para melhor estudo das habilidade mentais é importante

compreender a personalidade e motivação.


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Personalidade

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Engraçado
Indivíduo

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Personalidade

Características
marcantes de um
indivíduo
Personalidade Conjunto de
Força activa que ajuda
a determinar o
relacionamento dos
indivíduos

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A personalidade diz respeito a características do individuo que explicam as
suas regularidades (padrões consistentes), em termos de sentimentos,
comportamentos e pensamentos

Pensamento Comportamento

Padrões

Sentimento

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Motivação
Desenvolvimento

Indivíduo

Aspectos estruturais Aspectos ambientais

PERSONALIDADE

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Particularidades de Crescimento & desenvolvimento

Ter em conta que as diferenças dos indivíduos estão


condicionadas

Delimitações genéticas ou seja inteligência, temperamento

Delimitações ambientais ou seja valores, crenças que tem


forte dose das interacções culturais, classe social, família e
pares.

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Instável

Melancólico Colérico

Personalidade
Introvertido Extrovertido

Fleumático Sanguíneo

Estável

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Inspirado nos 4 elementos de temperamento da teoria de Sócrates (480
A.c.)

Quieto, não-sociável, reservado, pessimista,


Melancólico rígido, ansioso, irritado, sóbrio

Activo, optimista, impulsivo, excitável,


Colérico agressivo, variável, agitado, irritável

Calmo, passivo, cuidadoso, pacífico,


Fleumático controlado, consistente, imperturbável,
contemplativo

Sociável, responsável, articulado, líder,


Sanguíneo
despreocupado, tolerante, dinâmico, amigável

Eysenck (1969)

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Personalidade Voltada para fora ou seja
Extrovertido comunicativa e expansiva

Introvertido Personalidade voltada para dentro ou seja


reservada e introspectiva

Neuroticismo Instável emocional

Eysenck (1969) tipologia baseada no Jung

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Personalidade no desporto

A personalidade difere de desporto para desporto

Os atletas dos desporto colectivos tendem a ter


pensamentos abstractos, são extrovertidos e mais
dependentes

Os atletas dos desportos individuais tendem a ser


objectivos, dependentes, com pouca ansiedade e menos
pensamentos abstractos

Schurr et all (1977)


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Conselhos para o técnico

Deve ter em conta que o desenvolvimento do atleta não é só


físico -técnico-táctico;
O desenvolvimento do atleta abrange a parte intelectual,
motivacional, emocional e social

O técnico deve ter um comportamento exemplar

O técnico deve controlar com maior rigor cargas excessivas no


treinamento que exige maior envolvimento psíquico competitivo

O técnico deve treinar as sensibilidade de entender o


comportamento emocional dos seus atletas e equipa técnica

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Conselhos para o técnico

O técnico deve ter em conta as faixas etárias, níveis de


rendimento e género

O técnico deve apoiar psicologicamente os atletas envolvidos em


situações conflituosas

O técnico deve programar treinamento de controle de ansiedade,


motivação, emoção e comunicação

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Motivação

Motivos e motivação

Motivação para a prática Motivação para o abandono

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"Quando fiz 13 anos senti que estava a começar uma nova vida. Foi o ano que
finalmente me deixou fazer mais coisas. Já podia sair até mais tarde. Já não era
criança. Sabia que os meus pais o sabiam. Para além dessa idade, não consigo
pensar num aniversário que seja mais importante".
(Ponomarev, 1993)

Realmente o novo estágio da vida de Ponomarev representa uma nova etapa


da vida onde irão operar-se actividades bio-psico-socio-culturais.
Neste período, Ponomarev será ponto de expectativa da sociedade, será um
crítico da cultura, irá ambicionar algo e nele dedicará uma parte da sua vida.
Este adolescente estará em certos agrupamentos onde irá influenciar e ser
influenciado na moldagem da sua pessoa. Ele sofrerá tentações anti sociais e

a sua astúcia ditará a sua futura vida.

Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)


Motivo

Um traço de Valorizado pelo


Motivo
personalidade individuo

Motivo designa um traço de personalidade relativamente

estável que determina quão importantes são para a pessoa

determinados objectivos, ou seja é uma disposição da

personalidade voltada à valoração das consequências de uma

acção
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Motivação Latin Movere Andar/mover

Motivação é proveniente da palavra latina “movere” que contextualmente


significa mover/ andar e que se caracteriza por ser um processo activo,
intencional e dirigido a uma meta, e o qual toma forma através da interacção
entre os factores pessoais e ambientais.

É caracterizada como um procedimento prático, propositado e orientado a uma


meta. A motivação tende a depender da interacção de factores pessoais
(intrínsecos) e ambientais (extrínsecos
SAMULSKI (2001)
PDE Prof. Doutor Vicente Tembe 23
Hierarquia das necessidades – Maslow

As necessidades humanas estão alinhadas numa pirâmide

O modelo de Maslow enfatiza que a motivação não surge como determinante no


comportamento se não estiverem satisfeitas as necessidades do nível inferior e que
por outro lado, a necessidade, uma vez satisfeita, motiva menos

AUTO-REALIZAÇÃO

AUTO-ESTIMA (STATUS)

ASSOCIAÇÃO (SOCIAL)

SEGURANÇA

FISIOLÓGICAS

Pirâmide das Necessidades de Maslow (W)


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Motivação para a prática

Motivação para abandono

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Motivos para a prática das actividades
desportivas

a) Que forças incitam os indivíduos para o desporto e exercício físico?

b) O que os mantém no desporto ou explica o seu abandono?


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=
Motivos =
Causas Factores
Motivação
Razões Dimensões,
Indicadores Constructos
Itens

Factores de motivação para a pratica de actividades desportivas (FMPAD)


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Motivação para o Abandono da Pratica de Actividades Desportivas
O casamento pré-maturo constitui um dos actos que tende a
afectar negativamente a vida do adolescente, sabido que as
faculdades psicofísicas ainda estão no processo de
construção. Sendo que, em muitos casos tende a ser
incentivado pela família.

"As minhas mães, tias, avós fecharam-me a uma semana


nesta palhota tão quente e dizem que me preparam para o
património. Falam de amor com os olhos embaciados, falam
da vida com os corações dilacerados, falam do homem pelas
chagas deferidas no corpo e na alma durante séculos,
Samau, fecha a tua boca, esconde o teu sofrimento quando
o homem dormir com tua irmã mais nova mesmo na tua
presença, feche os olhos não chore porque o homem não foi
feito para uma só mulher."
(Chiziane, 2003:44)
Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)
Realmente o casamento pré-maturo constitui um dos fenómenos
preocupantes no actual estágio de desenvolvimento humano.
Contudo, a sua génese tende a estar ligada às tradições de uma
dada sociedade como pode se perceber no romance "Balada de
amor ao vento" de Paulina Chiziane.

"Fazem-se cumprimentos e discursos, dinheiros tilitam. Coloca-


se na esteira a cabeça de rapé e o pano vermelho; exibem-se
peças de vestuário, pulseiras, meu Deus, esta é uma feira, eu
estou a venda."
(Chiziane, 2003:38)
Tembe, 2010 (in Psicologia de Desenvolvimento-ISM)
De acordo com as estatísticas de alguns estudos efectuados, o abandono da
prática desportiva pelos jovens, apesar de constante ao longo do crescimento dos
jovens, torna-se alarmante a partir dos 12 anos de idade (Coelho e Silva, 2003;
Costa, 2008).

Num estudo realizado por Gonçalves (1999), verificou-se que cerca de 90% dos
jovens que abandonam a prática desportiva federada, têm idades compreendidas
entre os 14 – 15 anos de idade.

Oliveira et al. (2007) estudaram o abandono na natação e verificaram que 42%


dos indivíduos abandonaram nos escalões mais jovens (juvenis), em júnior 33%
e 8% em seniores, prevalecendo o abandono até aos 16 anos de idade. As
motivações para esse abandono seriam: os resultados negativos, a falta de
apoio, as lesões, a falta de conciliação dos estudos com o desporto, a rotina dos
treinos e a falta de integração social.

No que diz respeito aos motivos que levam os adolescentes a abandonar a modalidade
desportiva, Gomes (2001) afirma que “ são várias as causas apontadas, sendo referidas
como mais frequentes: ter outras coisas para fazer, a modalidade não ser tão boa quanto
pensavam, a modalidade não ser suficientemente divertida, o facto de querer praticar
outras modalidades, sentir-se aborrecido, não gostar do treinador e o treinador ser
demasiadamente duro.
Manhique, 2013
Luto a abandono da pratica de actividades desportivas
Bibliografia básica
Aleixo, Estêvão D. Determinação do perfil psicológico de prestação desportiva de
jogadores de futebol da 1ª e 2ª divisão de Moçambique. Dissertação Apresentada à
Universidade Pedagógica na Faculdade de Educação Física e Desporto com vista a
obtenção do grau de Mestre no Ramo do Treinamento Desportivo para Crianças e
Jovens. 2012

Alpaca, Carlino A. Auto-estima e procedimentos de controlo de comportamento de


indisciplina nas aulas. Estudo exploratório feito aos professores da província de
Nampula. Dissertação Apresentada à Universidade Pedagógica na Faculdade de
Educação Física e Desporto com vista a obtenção do grau de Mestre no Ramo do
Treinamento Desportivo para Crianças e Jovens. 2012

Augusto, Noémia L. Estudo da ansiedade pré competitiva em atletas


escolares e federados. Dissertação Apresentada à Universidade Pedagógica na
Faculdade de Educação Física e Desporto com vista a obtenção do grau de
Mestre no Ramo do Treinamento Desportivo para Crianças e Jovens. 2012

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Mouliaá, Luís Rodríguez de Vera. Desenvolvimento de valores sociais e
relacionais através de educação física: orientações curriculares para a
educação técnico-profissional e vocacional. Universidade Eduardo Mondlane >
Educação > [UEM EDUC] - Dissertações de Mestrado. 2013

Samulski, Dietmar Martin. Psicologia do desporto – Manual para educação


física, psicologia e fisioterapia. 1ª ed. Manole. 2002.

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Tembe, Vicente A. Estudo intercultural dos factores de motivação para a
prática das actividades desportivas em jovens moçambicanos em idade escolar.
Tese de doutoramento apresentada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto
Douro com vista a obtenção de doutoramento em Ciências Sociais e Humanas-
Psicologia do Desporto. Vila Real. 2005

Viola, Hermenegilda. Hábitos alimentares e imagem corporal em praticantes


de danças da cidade de Maputo. Dissertação apresentada à Universidade
Pedagógica na Faculdade de Educação Física e Desporto com vista a obtenção
do grau de Mestre no Ramo do Treinamento Desportivo para Crianças e
Jovens. 2011.

Weinberg, Robert S. e Gould, Daniel. Fundamentos da Psicologia do


Desporto e do Exercício, 4ª ed. Artmed, Porto Alegre, 2008.

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