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Antonio Carlos Vendrame

Resolução 600 de
14/08/2017, do INSS, que
aprova o Manual de
Aposentadoria Especial.
ESTE MANUAL VAI VIRAR O MUNDO DA
SST DE CABEÇA PARA BAIXO...
ESTE MANUAL VAI VIRAR O MUNDO DA
SST DE CABEÇA PARA BAIXO...
AS GRANDES SURPRESAS...

• Introdução da avaliação qualitativa;


• Desconsideração do EPI como neutralizador da nocividade no
caso de ruído;
• Desconsideração do EPI como neutralizador da nocividade no
caso de agentes químicos cancerígenos;
• Avaliação qualitativa de agentes químicos cancerígenos;
• Agentes químicos dos anexos 13 e 13A serão avaliados
qualitativamente;
• Importante menção sobre os óleos minerais e graxas.
DIFERENÇAS ENTRE LTCAT E PPRA

PPRA LTCAT
• Trabalhista; • Previdenciário;
• Anexos da NR 15; • Anexo IV do Decreto
3049/99;
• Exposição
ocupacional; • Aposentadoria
Especial;
• É um programa.
• É um laudo.
A EXPOSIÇÃO AO RUÍDO

Para efeitos de aposentadoria especial


somente o ruído contínuo e intermitente
são considerados.

As Instruções Normativas do INSS não


preveem o enquadramento como
atividade especial por exposição ao ruído
de impacto.
A EXPOSIÇÃO AO RUÍDO
Limites de tolerância:
80 dB(A) • Até 05/03/1997

90 dB(A) • De 06/03/1997 a 18/11/2003

85 dB(A) • A partir de 19/11/2003


• NEN

A partir de 1º de janeiro de 2004 deverá


ser utilizada metodologia e procedimento
da NHO 01 da Fundacentro.
A EXPOSIÇÃO AO RUÍDO

Após 31 de dezembro de 2003, as


mensurações de ruído apresentadas
deverão estar expressamente informadas
em NEN ou dose, e não nas formas de
média, Leq e Lavg (TWA) e outras.
NA CONTRAMÃO...

O Supremo Tribunal Federal - STF, em sede


de Recurso Extraordinário com Agravo -
ARE 664.335, de 2015, com repercussão
geral reconhecida, considerou que nos
casos de exposição do segurado ao
agente nocivo ruído acima dos limites
legais de tolerância, a declaração do
empregador da eficácia do EPI, não
descaracteriza o tempo de serviço
especial para aposentadoria.
NA CONTRAMÃO...

A partir de então, mesmo com o


fornecimento de EPI, estando o ruído
acima do LT, a empresa deverá recolher o
SAT suplementar.
A EXPOSIÇÃO ÀS TEMPERATURAS
ANORMAIS – CALOR

Até 05/03/1997 – 28ºC (não é exigido


IBUTG) oriundo de fontes artificiais. O calor
de fonte natural (sol) não é considerado
(Orientação Jurisprudencial nº 173 do TST).

A partir de 06/03/1997 – anexo 3 da NR 15


A EXPOSIÇÃO ÀS RADIAÇÕES IONIZANTES

Até 05/03/1997 avaliação qualitativa

A partir de 06/03/1997 deve ser utilizada a


avaliação de acordo com o Anexo 5 da NR-15, que
remete à Norma CNEN-NE-3.01
A EXPOSIÇÃO ÀS RADIAÇÕES IONIZANTES

Limites de Dose Anuais [a]


Indivíduo
Grandeza Órgão Indivíduo do público
ocupacionalmente exposto
Dose efetiva Corpo inteiro 20 mSv [b] 1 mSv [c]
20 mSv [b]
(Alterado pela Resolução CNEN
Cristalino 114/2011) 15 mSv

Dose equivalente
Pele [d] 500 mSv 50 mSv

Mãos e pés 500 mSv -


[a] Para fins de controle administrativo efetuado pela CNEN, o termo dose anual deve ser considerado
como dose no ano calendário, isto é, no período decorrente de janeiro a dezembro de cada ano.
[b] Média aritmética em 5 anos consecutivos, desde que não exceda 50 mSv em qualquer ano. (Alterado
pela Resolução CNEN 114/2011)
[c] Em circunstâncias especiais, a CNEN poderá autorizar um valor de dose efetiva de até 5 mSv em um
ano, desde que a dose efetiva média em um período de 5 anos consecutivos, não exceda a 1 mSv por
ano.
[d] Valor médio em 1 cm2 de área, na região mais irradiada.
A EXPOSIÇÃO ÀS RADIAÇÕES IONIZANTES

A partir de 08/10/2014 as radiações ionizantes


reconhecidamente cancerígenas, listadas no
Grupo I da LINACH, que possuem registro no CAS e
estão arroladas no Anexo IV do Decreto 3.048, de
1999, serão avaliadas qualitativamente:
I - Plutônio;
II - Rádio-224 e seus produtos de decaimento;
III - Rádio-226 e seus produtos de decaimento;
IV - Rádio-228 e seus produtos de decaimento;
V - Radônio-222 e seus produtos de decaimento;
VI - Tório-232 e seus produtos de decaimento.
A EXPOSIÇÃO ÀS VIBRAÇÕES
I - até 5 de março de 1997, o
enquadramento como atividade especial
deve ocorrer nos trabalhos com
perfuratrizes e marteletes pneumáticos, de
forma qualitativa ou medição da
velocidade acima de 120 (cento e vinte)
golpes por minuto;

II - de 6 de março de 1997 até 6 de maio


de 1999, o enquadramento deverá
ocorrer exclusivamente no trabalho com
perfuratrizes e marteletes pneumáticos de
acordo com o Anexo IV do Decreto n°
2.172, de 1997;
A EXPOSIÇÃO ÀS VIBRAÇÕES
III - de 7 de maio de 1999 até 13 de agosto de 2014, o
enquadramento deverá ocorrer de acordo com o Anexo
IV do Decreto no 3.048, de 1999, no trabalho com
perfuratrizes e marteletes pneumáticos;

IV - a partir de 14 de agosto de 2014 o enquadramento


deve ocorrer segundo os limites de tolerância definidos no
Anexo 8 da NR-15 do MTE, sendo avaliado segundo as
metodologias e os procedimentos adotados pelas NHO-09
e NHO-10 da FUNDACENTRO:
a - para VMB: aren superior a 5 m/s²;
b - para VCI: aren superior a 1,1 m/s² ou VDVR superior a
21,0 m/s1,75.
A EXPOSIÇÃO AOS AGENTES BIOLÓGICOS

I - até 05/03/1997 o enquadramento poderá ser


caracterizado para trabalhadores expostos ao contato
com doentes ou materiais infecto-contagiantes, de
assistência médica, odontológica, hospitalar ou outras
atividades afins, independentemente da atividade ter
sido exercida em estabelecimentos de saúde; c

II - a partir de 06/03/1997 tratando-se de


estabelecimentos de saúde somente serão enquadradas
as atividades exercidas em contato com pacientes
acometidos por doenças infectocontagiosas ou com
manuseio de materiais contaminados, considerando
unicamente as atividades relacionadas no Anexo IV do
Regulamento dos Benefícios da Previdência Social - RPBS
e RPS, aprovados pelos Decretos n° 2.172, de 1997, e n°
3.048, de 1999, respectivamente.
A EXPOSIÇÃO AOS AGENTES BIOLÓGICOS

A IN nº 77/PRES/INSS, publicada em 22 de
janeiro de 2015, suprimiu o parágrafo que
restringia a aposentadoria especial por
exposição a agentes biológicos ao trabalho
permanente com pacientes portadores de
doenças infectocontagiosas, segregados
em áreas ou ambulatórios específicos, e
aos que manuseiam exclusivamente
materiais contaminados provenientes
dessas áreas.
A EXPOSIÇÃO AOS AGENTES BIOLÓGICOS

Atividades relacionadas no Anexo IV, código 3.0.0:


trabalhos em estabelecimentos de saúde em contato com pacientes portadores
de doenças infectocontagiosas ou com manuseio de materiais contaminados;

trabalhos com animais infectados para tratamento ou para o preparo de soro,


vacinas e outros produtos;

trabalhos em laboratórios de autópsia, de anatomia e anátomo histologia;

trabalho de exumação de corpos e manipulação de resíduos de animais


deteriorados

trabalhos em galerias, fossas e tanques de esgoto;

esvaziamento de biodigestores; e

coleta e industrialização do lixo.


NA CONTRAMÃO...

Observar se consta nas demonstrações ambientais


informação sobre EPC, a partir de 14 de outubro de
1996, e sobre EPI a partir de 3 de dezembro de 1998,
para cumprimento de exigência legal
previdenciária.

No entanto, como não há constatação de eficácia


de EPI na atenuação desse agente, deve-se
reconhecer o período como especial mesmo que
conste tal informação, se cumpridas as demais
exigências.
NA CONTRAMÃO...

Ainda que sejam utilizados os EPIs, no caso dos


agentes biológicos, será concedida a
aposentadoria especial e, as empresas deverão
também recolher o SAT suplementar.
EXPOSIÇÃO AOS AGENTES QUÍMICOS
I - até 5 de março de 1997, analisar
qualitativamente segundo o código 1.0.0 do Anexo
do Decreto nº 53.831, de 1964 ou Código 1.0.0 do
Anexo do Decreto nº 83.080, de 1979, por
presunção de exposição;

II - de 6 de março de 1997 a 31 de dezembro 2003


analisar segundo o Anexo IV do RBPS, aprovado
pelo Decreto nº 2.172, de 1997, ou do RPS,
aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999,
dependendo do período, devendo ser avaliados
conforme os Anexos 11, 12, 13 e 13-a da NR-15 do
MTE
EXPOSIÇÃO AOS AGENTES QUÍMICOS
As substâncias relacionadas nos Anexos 13 e 13-A da
NR-15, que estiverem previstas no Anexo IV do Decreto
3048/99 e não se encontrarem também listadas nos
Anexos 11 ou 12 da NR-15 serão analisados de forma
qualitativa.

Para as poeiras minerais previstas no Anexo IV: sílica,


asbesto (amianto), manganês, a análise deve ser
quantitativa, considerando o limite de tolerância
previsto nos Anexos 12 da NR-15, aprovada pela
Portaria n° 3.214, de 1978, do MTE. Porém, se listadas
no Grupo 1 da LINACH e com registro no CAS são
analisadas de forma qualitativa nos períodos
trabalhados a partir de 8 de outubro de 2014.
EXPOSIÇÃO AOS AGENTES QUÍMICOS

III - a partir de a partir de 1º de janeiro de 2004


deverá ser avaliada segundo as metodologias e
procedimentos adotados pelas NHO-02, NHO-03,
NHO-04 e NHO-07 da FUNDACENTRO.

IV – a partir de 8 de outubro de 2014 (data da


publicação da Portaria Interministerial
MTE/MS/MPS no 9, de 2014, os agentes que
estiverem listados no Grupo 1 da LINACH e com
registro no CAS, serão analisados de forma
qualitativa nos períodos trabalhados.
NA CONTRAMÃO...

Para caracterização de períodos com exposição


aos agentes nocivos reconhecidamente
cancerígenos em humanos, listados na Portaria
Interministerial n° 9 de 07 de outubro de 2014, Grupo
1 que possuem CAS e que estejam listados no
Anexo IV do Decreto nº 3.048, de 1999, será
adotado o critério qualitativo, não sendo
considerados na avaliação os equipamentos de
proteção coletiva e ou individual, uma vez que os
mesmos não são suficientes para elidir a exposição
a esses agentes, conforme parecer técnico da
FUNDACENTRO, de 13 de julho de 2010 e alteração
do § 4° do art. 68 do Decreto nº 3.048, de 1999.
EXPOSIÇÃO AOS AGENTES QUÍMICOS

Para os agentes químicos assinalados na coluna


valor teto, se a avaliação demonstrar que o
limite foi ultrapassado, tal condição enseja
somente o pagamento da insalubridade, mas
não dá direito à aposentadoria especial, eis
que não foi preenchido o critério de
habitualidade e permanência da exposição.
ÓLEOS MINERAIS

Para classificação de óleos minerais como


potencialmente carcinogênicos existe um teste
chamado DMSO (dimetilsulfóxido), Método JP
346, que quantifica compostos poliaromáticos
por extração com solvente DMSO. De acordo
com o Conservation Clean Air and Water in
Europe - CONCAWE óleos com resultados da
extração em DMSO com peso maior que 3%
(três por cento), devem ser comercializados
com a advertência de que se trata de produtos
potencialmente carcinogênicos.
ÓLEOS MINERAIS

Se o teor no óleo for menor que 3% (três por


cento) não é insalubre e não é cancerígeno. As
graxas só terão HPA se houver nelas óleo com
HP acima de 3% (três por cento). Quando a
NR15 foi editada em 1978, possivelmente todos
os óleos minerais continham HPA e eram
cancerígenos.
RESUMINDO...
CRITÉRIO TRABALHISTA PREVIDENCIÁRIO
AVALIADO Trabalhador / empregado Segurado
DOCUMENTO PPRA / LAUDO DE INSALUBRIDADE LTCAT

AGENTE AGENTE NOCIVO À SAÚDE / AGENTE INSALUBRE AGENTE NOCIVO


LEGISLAÇÃO ANEXOS DA NR-15 ANEXO IV DO DECRETO N° 3.048/99
80 dB(A) até 5 de março de 1997
RUÍDO 85 dB(A) 90 dB(A) a partir de 6 de março de 1997
85 dB(A) a partir de 19 de novembro de 2003
FATOR DUPLICATIVO
5 5
DE DOSE
Qualquer fonte. A dúvida persiste em razão da
FONTE DE CALOR Lei anterior, n° 491/65, que previa somente fonte Qualquer fonte
artificial
CALOR ANEXO 3 DA NR-15 ANEXO 3 DA NR-15
RADIAÇÕES
ANEXO 5 DA NR-15 NHO-05 e ANEXO 5 DA NR-15
IONIZANTES
ANEXO IV DO DECRETO N° 3.048/99. Somente para
trabalhos em caixões ou câmaras hiperbáricas,
PRESSÕES
ANEXO 6 DA NR-15 trabalhos em tubulões ou túneis sob ar comprimido e
HIPERBÁRICAS
operações de mergulho com o uso de escafandros
ou outros equipamentos.
RADIAÇÕES NÃO- ANEXO 7 DA NR-15
Não concede aposentadoria especial
IONIZANTES Somente para laser, ultravioleta e micro-ondas

VIBRAÇÕES ANEXO 8 DA NR-15 ANEXO 8 DA NR-15

FRIO ANEXO 9 DA NR-15 Não concede aposentadoria especial


UMIDADE ANEXO 10 DA NR-15 Não concede aposentadoria especial
RISCO BIOLÓGICO ANEXO 14 DA NR-15 ANEXO IV DO DECRETO N° 3.048/99
AGENTES QUÍMICOS ANEXOS 11, 12 e 13 DA NR-15 ANEXO IV DO DECRETO N° 3.048/99
CONSEQUÊNCIAS...

Desde 1995 a Previdência Social vem restringindo


o direito à Aposentadoria Especial.
Com a nova sistemática imposta pelo Manual de
Aposentadoria Especial a concessão dos
benefícios vai disparar.
Como resultado, a Previdência Social que já
enfrenta problemas de caixa, ficará bem pior.
Imagine quem vai pagar a conta?
CONSEQUÊNCIAS...

Como a Justiça do Trabalho não sabe a


diferença entre PPRA e LTCAT, corremos o risco de
implementação das modificações previdenciárias
nas sentenças da Justiça do Trabalho...
Por outro lado o manual trouxe resposta a várias
perguntas que há muitos anos estavam sem
resposta.
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