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Hélio Manhique

1. INTRODUÇÃO
A presente monografia científica corresponde a um trabalho de investigação no âmbito do
curso de Gestão Desportiva, leccionado na Faculdade de Educação física e Desporto,
elaborado sob orientação do Prof. Doutor Vicente Tembe.

Tendo em consideração as várias formas existentes para a obtenção do grau de


Licenciatura, foi-nos dada a possibilidade de optarmos por uma monografia ou exame de
estado. Preferimos optar pela monografia, pois pensei que ajustava-se melhor em termos
das minhas características como estudante e profissional do desporto, assim como nas
características do estudo que nos propusemos a realizar, ingressando deste modo numa
perspectiva mais prática.

Entre as instituições com as quais a faculdade tem protocolos, optamos por realizar o
nosso estudo nos jovens e adolescentes de várias escolas da cidade de Maputo com o
apoio dos professores de Educação Física bem como dos nossos colegas da Faculdade. A
nossa escolha deve-se ao intercâmbio existentes com estes profissionais do desporto bem
como a facilidade na recolha de informações para o nosso estudo.

Neste contexto, enquanto estudante e profissional do desporto dedicamos a mobilização


de jovens e adolescentes na prática do desporto. Contudo tem-se verificado com alguma
tristeza o abandono destes, o que levo-nos a dedicarmos uma parte da nossa literatura a
questão do abandono da prática do desporto.

Todavia, durante a consulta de varias literaturas deparamo-nos com conclusões


interessantes sobre esta temática, contudo criou-nos alguma dúvida quanto a sua validade
e aplicabilidade para o contexto moçambicano, dai que nos propusemo-nos em elaborar o
presente estudo no sentido de comparar as conclusões existentes nas literatura em relação
ao ambiente moçambicano sendo assim identificado o objectivo do nosso estudo.

Causas do Abandono dos Jovens da Prática de Basquetebol Competitivo em Maputo. Monografia sob orientação do Prof. Doutor Vicente Tembe,
apresentada à Universidade Pedagogia-FEFD com vista a obtenção do titulo de licenciatura em Gestão do Deporto. Maputo, 2013.
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Em termos estruturas o trabalho consta no primeiro capítulo com a introdução, definição


do problema, definição dos Objectivos e a delimitação do problema do nosso estudo.

No segundo capítulo trata-se da revisão bibliográfica acerca do tema da nossa pesquisa,


Começando com uma revisão sobre o conceito do basquetebol, do envolvimento dos
jovens nesta modalidade, da participação da família e do técnico na vida desportiva do
jovens, dos possíveis factores que levam o seu abandono nesta modalidade e finalmente
apresentaremos alguns estudos feito sobre o abandono da prática desportiva.

A metodologia será apresentada no capítulo 3, e a seguir a apresentação e discussão dos


resultados será referenciado no capítulo 4 e finalmente as conclusões no capítulo 5.

1.1. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA


Um dos problemas e desafios encontrados por técnicos, dirigentes, clubes e federações é
a formação de atletas que possam disputar em competições até ao mais alto nível. No
entanto, preocupam-se tanto em formar e vencer, que se acabam esquecendo em manter o
que já se tem e conseguir dar continuidade ao trabalho existente.
O basquetebol em Moçambique passa por dificuldade e principalmente por falta de
apoios, onde as federações e outras entidades olham para o desporto somente na época de
grandes eventos desportivos, como Campeonatos Africanos e Olimpíadas. O estímulo a
prática do desporto muitas vezes vem do próprio praticante ou de pessoas de seu convívio
social, não sendo suficiente em muitos casos, para que ele se mantenha na carreira
desportiva, consequentemente abandonando a actividade desportiva escolhida. Sabe-se
ainda que o afastamento das crianças e adolescentes no desporto pode gerar futuros
problemas sociais.
O abandono do desporto esta relacionado a vários factores que além de variados também
são complexos.

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Carmo et. al (2009) relacionam os motivos mais comuns que levam os jovens a
abandonarem o desporto, que são : pressão externa (técnico, pais), lesões, stress de
competição e treinamento excessivo.
Questiona-se então: seriam realmente estes factores responsáveis pela desistência de
atletas de basquetebol na cidade de Maputo? Seria a falta de apoio das entidades
responsáveis pela promoção da modalidade? Ou existe um desinteresse geral por parte
dos jovens na prática do desporto? Quais os principais motivos que levam os jovens ao
abandono da prática do basquetebol em Maputo? O estudo destas questões poderá
contribuir com o basquetebol na cidade de Maputo para reflexões em busca de maior
envolvimento na participação dos jovens na modalidade.

1.2. OBJECTIVOS

1.2.1. OBJECTIVO GERAL


 Analisar os factores que levam os jovens de ambos sexos ao abandono da prática do
basquetebol em Maputo na faixa etária entre 14 a 21anos.

1.2.2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS


 Identificar os indicadores mais e menos valorizados para o abandono da prática do
desporto,
 Verificar a existência de diferenças estatisticamente significativas nas causas
apontadas pelos atletas do sexo feminino e masculino para o abandono da prática da
modalidade de basquetebol.
 Formular estratégicas para minimizar o abandono da prática desportiva.

1.3. JUSTIFICATIVA
Entende-se que a realização deste estudo poderá contribuir cientificamente para um
melhor aproveitamento dos nossos jovens na prática do basquetebol na cidade de
Maputo, onde são apontados os motivos destes atletas a abandonarem o basquetebol,

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sugerindo paralelamente soluções para os possíveis problemas diagnosticados, auxiliando


na orientação de técnicos, pais, professores, atletas, federações e demais envolvidos com
o desporto para um melhor planeamento e desenvolvimento da modalidade em questão.

1.4. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO


A presente pesquisa delimita-se as informações colectadas de ex-atletas de basquetebol
de ambos os sexos de clubes e associações da cidade de Maputo, que passaram por um
processo de pelo menos 1 (um) ano lectivo de treinamento, vivenciaram competições
durante este período e que não tenham renovado voluntariamente a sua inscrição na
época seguinte.

1.5. LIMITAÇÃO DO ESTUDO


O estudo apenas abrange os ex-atletas da cidade de Maputo, não representando no
entanto os ex-atletas que abandonaram a modalidade em outros municípios do país.

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CAPITULO III

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. O BASQUETEBOL
O basquetebol como um desporto competitivo e sendo uma modalidade colectiva,
proporciona aos seus praticantes o desenvolvimento do espírito de iniciativa e da
criatividade, de decisões rápidas e precisas, a disciplina e o espírito de equipa.
O basquetebol é um desporto colectivo jogado por duas equipas de 5 jogadores, que têm por
objectivo passar a bola por dentro de um cesto colocado nas extremidades do campo, seja
num ginásio ou ao ar livre.
É um conjunto de corridas, saltos e lançamentos. Pela prática do basquetebol pode-se
determinar como objectivos directamente ligados ao praticante o seu desenvolvimento nos
planos físicos, técnico-táctico, psicológico e moral neste desporto (Menoncin Jr,2003)
No plano físico pode-se desenvolver as capacidades físicas básicas envolvidas na execução
dos fundamentos, tais como: coordenação, ritmo, equilíbrio, agilidade, força, velocidade,
flexibilidade e resistência cardiorrespiratório.
Em relação as exigências musculares, pode-se dizer que no basquetebol os membros
inferiores são os que recebem maior destaque, devido a constantes deslocamentos e saltos,
onde são exigidos potencia, elasticidade e velocidade de contracção. Outros grupos
musculares, como os dos membros superiores, mais exigidos em termos de coordenação,
velocidade de contracção e precisão, pois destas qualidades dependem os bons lances e os
passes precisos.
Em relação ao plano técnico é necessário que o atleta tenha um óptimo domínio dos
fundamentos/gestos técnicos específicos de modo que possa ter uma boa evolução na
modalidade de basquetebol, exigindo deste modo uma correcta execução dos gestos
técnicos, para que o jogador possa praticar a modalidade de uma forma mais natural e com
melhor performance.
Os gestos técnicos podem ser classificados de acordo com as suas características (ataque,
defesa, com bola e sem bola) e possuem tipos diferentes, que implicam variadas mecânicas

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de execução (Rose & Ferreira, 2003). No quadro seguinte indica os gestos técnicos, suas
características e tipos.

Gestos técnicos
Tipos Características
Sem bola.
Controle de corpo Paragens bruscas, saídas rápidas, saltos, rotações,
Defesa
corridas e deslocamentos
Ataque
Controle de bola Com bola.
Habilidades diversas
Sem bola
Dribles Alto, baixo, parado, em velocidade e com mudança de Com bola
direcção Ataque
Com as duas mãos, a altura do peito, acima da cabeça,
por baixo e picado. Com bola
Passes Com um das mãos, picado, a altura do ombro, tipo Ataque
gancho e por baixo
Lançamento Com bola
Bandeja, com uma das mãos, suspensão e tipo gancho
Ataque
Técnica individual Sem bola.
Posição básica defensiva
defensiva Defesa.
Deslocamento
Ofensivo Fase com bola
Ressalto
Defensivo Fase sem bola
Tabela 1 fundamentos do basquetebol, seus tipos e características

Para um bom desenvolvimento táctico, importa frisar que não é suficiente que a equipe seja
composta por jogadores com um valor individual, é necessário que se forme uma equipe coesa e
organizada, constituída por jogadores com diferentes qualidades, (Paula, 1994). Assim, há
necessidade de uma rotina de treinamentos e jogos, onde se aprende e desenvolve-se tácticas
ofensivas e defensivas. Uma equipe tacticamente bem montada é aquela onde há um equilíbrio
entre a defesa e o ataque, pois no basquetebol todos os atletas atacam e todos também exercem
função de marcação.

Quanto ao plano psicológico e moral envolvidos na prática do basquetebol, pode-se afirmar que
o praticante desenvolve a confiança em si mesmo, a responsabilidade, a sociabilidade, o espírito
de cooperação, espírito de luta, o reconhecimento da vitória e da derrota e a agressividade
criativa, que é a determinação e a coragem para tomar decisões e realizar tarefas durante um jogo
(Ferreira, 1987).

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2.2. O ADOLESCENTE

2.2.1. TRANSFORMAÇÕES FÍSICAS


Segundo Tourinho Filho & Tourinho (1998), O início da adolescência é marcado por um período
de aumento acelerado no peso e na estatura, porem a idade de início, duração e intensidade desta
fase de crescimento, é determinada geneticamente e varia consideravelmente de indivíduo para
indivíduo.

Gallahue (1989), cit. p/ Tourinho Filho & Tourinho (1998), considera que o início da puberdade
marca a transição da infância para a idade adulta no entanto apesar de ser um processo altamente
variável, considera que os rapazes iniciam o seu salto pubertario com os 9 anos e estabilizam as
velocidades de crescimento aos 15 anos. Já as raparigas, por sua vez, iniciam os seus surtos de
crescimento por volta dos 9 anos, atingindo a velocidade pico com 11 anos e estabilizando-se por
volta dos 13 anos de idade (Malina & Bouchard, 1991).

Na segunda fase da puberdade (14/15 anos até aos 18/19 anos) ocorre a fase de crescimento.
Nesta fase verifica-se uma diminuição de todos os parâmetros de crescimentos e de
desenvolvimento. O rápido crescimento em comprimento é substituído por um crescimento mais
marcado em largura. As proporções corporais ficam mais harmoniosas o que faz com que haja a
recuperação de um novo equilíbrio entre as diferentes componentes corporais. (Barata, 1999 cit.
p/ Mota, 2005).

2.2.2. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL


Aberastury (1991),cit. p/ Matheus, (2000) concebe a adolescência como “um período de
contradições, confuso, ambivalente, doloroso, caracterizado por fricções com o meio familiar e
social”.

As mudanças psicológicas que experimentam os adolescentes durante este período, estão


intimamente relacionadas com as mudanças corporais. Quando o corpo atinge a maturidade, ele
passa a pertencer o mundo adulto, necessitando assim de adquirir uma nova identidade que lhe
permita a sua adaptação ao mundo e/ou sua acção sobre ele para muda-la (Matheus, 2000).

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“A adolescência é de facto, a época de preparação para a vida adulta, sendo esta uma época
frequentemente agitada, repleta de mágoas e problemas. Trata-se de um período de questões,
desafios, de exploração e de exame crítico das acções de colegas, amigos e adultos. Nesta fase é
frequente não haver uma obediência cega a autoridade mas, uma liderança sensata, modelos
positivos de papéis a desempenhar e uma orientação que desenvolva a coragem são essências
para um processo psicossocial saudável e produtivo de desenvolvimento desses anos
atribulados” ( Lee,2005, cit. p/ Mota,2005).

Nesta nova fase da vida, o jovem tende a torna-se autónomo em termo de pensamentos, pois ele
já possui aptidões para pensar em si próprio, e muitas vezes havendo contradições com a
sociedade na qual ele se encontra inserida, surgindo assim elevadas pressões da multidão a fim
de seguir os seus princípios (Sprinthall & Sprinthall, 1993, cit. p/ Mota, 2005).

2.3. OS JOVENS E O TREINO

2.3.1. EXIGÊNCIAS DA FORMAÇÃO E PREPARAÇÃO DO JOVEM PARA O


TREINO E COMPETIÇÕES
No processo de treino em jovens deve possuir algumas características especiais, tendo em conta
o seu desenvolvimento nos planos físicos, técnico-táctico, psicológico e moral proporcionados
com a prática do desporto, evitar a especialização precoce, ser variado, para evitar a monotonia,
e permitir tempo livre (Bara filho et al., 2002;Bunomano et al., 1994; Guillén 2000, 2001;
Samulski, 2002;Schmidt, 1988; Weineck, 1991; Wilke; Madsen, 1990, citados por Bara Filho &
Garcia, 2009).

Por sua vez Barata (1999) cit. p/ Mota, 2005 defende não ser correcto considerar o jovem
praticante como sendo um adulto, pois é um ser humano que ainda não pertence este mundo,
estando ainda na fase de desenvolvimento que poderá ser influenciada pelo treinador dependendo
da forma como procede o treino e a sua formação desportiva.

O treino não prejudica a formação do jovem atleta, antes pelo contrário, estimula valores em
crise no sistema educativo: auto-disciplina, assiduidade, pontualidade, auto-superação,

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competitividade com regras. A prática desportiva de crianças e jovens deve ser portadora de um
elevado valor formativo. A preparação deve respeitar a unidade entre os factores de treino
(físico, psicológico, técnico e táctico), contribuindo para a própria unidade dos meios de
preparação geral específica (Coelho e Silva, 1999).

O treino de jovens devera, então, ser uma actividade dirigida para uma população alvo que é
muito heterogénea, quer ao nível da maturação biológica, quer psicológica e da personalidade,
com diferentes níveis de capacidade física e motoras e de desenvolvimento cognitivo e
intelectual, com motivações e interesses variados e formas de relacionamento e integração social
diversos (Barata, 1999, cit. p/ Mota, 2005).

Dentro do contexto da competição desportiva, a participação de crianças e jovens é cada vez


maior. Esse processo é, na maioria das vezes, determinado por pessoas que tem como ponto de
referência a visão adulta do desporto, ignorando as reais necessidades e condições dos
praticantes (Rose & Ferreira, 2003).

No entanto, as competições necessitam estar relacionadas directamente com os treinamentos, ter


um carácter de diversão, participação de todos e buscar sempre a auto-realização das crianças,
para que se tornem menos agressivas para eles (Balbinotti, 1997; Bara Filho & Miranda, 1998;
Rost, 1996, citados por Bara Filho & Garcia, 2009).

Lima (1990) cit. p/ Mota, 2005, é da opinião que a competição devera ter um carácter formativo.
Para este autor, os adultos, o objectivo principal deve ser fazer melhor resultado do que os
outros, demonstrar superioridade e ganhar. Para as crianças e jovens, o objectivo é ter êxito, é ser
bem-sucedido mostrando aos seus companheiros que são capazes de fazer coisas. Por esse
motivo, a organização do desporto para crianças e jovens devera proporcionar: muita actividade,
muitos jogos, muitas competições e muitos torneiros, de modo a que as oportunidades de ter
sucesso desportivo sejam frequentes e diversificadas.

Segundo Gomes (1997), definir quando deve começar a participação e competição desportiva de
uma criança, depende da prontidão da mesma, ou seja, do momento em que se possa afirmar que
estão reunidas condições para ela iniciar a sua prática.

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Malina (1988) define prontidão desportiva como o momento em que o crescimento, a maturação
e as características do desenvolvimento do praticante vão ao encontro das exigências específicas
de um desporto, havendo assim um equilíbrio entre as exigências próprias do treino e da
competição desportiva e a aptidão de resposta do jovem.

Para Passer (1996), cit. p/ Gomes (1997), a prontidão depende de inúmeros factores: físicos,
psicológicos e de desenvolvimento social, das exigências específicas de cada modalidade
desportiva, dos pais e de todo o contexto social mais vasto.

Roberts (1980), cit. p/ Menoncin Jr. (2003), refere que as crianças não conseguem perceber o
processo de competição antes dos 12 anos de idade, uma vez que antes disso não existe um
equilíbrio entre os factores de crescimento, desenvolvimento e a maturação sexual. Esse mesmo
autor relata que é de relevante importância que o jovem, pré-adolescente e adolescente, seja
competente para poder participar no processo de comparação social, inevitável dentro da
competição. Essa avaliação feita pelos pares, quando é favorável torna-se muito importante, pois
pode significar a sua aceitação no grupo, visto que é muito comum nesses grupos a sua estrutura
hierárquica ser baseada nas habilidades dos praticantes. A criança que não atinge esse nível de
realização pode ficar fora do processo social e ter como consequência desequilíbrios de
comportamento, podendo ate trocar de modalidade e em última analise abandonar a prática
desportiva.

2.4. A INFLUÊNCIA DOS ADULTOS

2.4.1. A INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA


Todas crianças e adolescentes envolvidas em qualquer modalidade desportiva, as suas acções,
são bastante influenciadas pelas acções dos adultos, tais como pais, dirigentes, técnicos, árbitros
que influenciam de uma ou de outra forma nas experiências desportivas dos seus praticantes.
Essa interferência não se limita apenas aos comportamentos e às atitudes dos adultos no
momento da competição, mas também aos valores e aos princípios que norteiam a forma pela
qual o desporto é ensinado e praticado (Korsakas, 2002).

A família pode ser considerada, de acordo com Marques e Kuroda (2000) cit. p/ Fechio et al.
(2012) um dos principais responsáveis pela iniciação da criança na prática desportiva. Porém, ela

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pode servir tanto como elemento facilitador quanto complicador para a permanência nessa
prática (Harwood & Knight, 2012, cit. p/ Fechio et al., 2012).

No início da prática desportiva, as crianças, além de sua vontade própria, recebem uma grande
quantidade de influências externas, sendo as mais relevantes aquelas vindas da família. Essa
relevância pode ser explicada pela importância que os familiares, especialmente os pais, têm na
vida da criança (Machado, 2006). Porem, a influência dos pais sobre os filhos é mais forte nos
primeiros anos de desenvolvimento, pois as crianças reproduzem os seus comportamentos e
adoptam o seu sistema de crenças (Bois et al., 2002) e, para além disso, passam a maior parte do
tempo com os pais, tomando-os, por isso, como modelos.

Na adolescência, já que ainda não têm desenvolvido seus traços de personalidade, surgem outras
fontes externas que se vão constituir como as mais influentes e tomar maior relevo, como os
amigos e outros adultos - modelos. No entanto, a influência dos pais não desaparece: torna-se
menos destacável (Hellstedt, 1995).

No entanto, segundo Paes, (2006), os pais podem interferir no processo de ensino e


aprendizagem do desporto em duas medidas: negativas e positivas. Pode ser negativa na medida
em que os pais, por falta de melhor compreensão do desporto, limitem a prática desportiva à
conquista de títulos, e pode ser positiva, quando os pais pensam no desporto como um fenómeno
social importante para o desenvolvimento do seu filho.

Analisando ainda a conduta de pais de jovens desportistas, de acordo com Meirelles et al.
(2009), verifica-se que existem os que se dedicam a apoiar com moderação, outros que nunca
estão presentes e ainda outros que só perturbam por sua conduta totalmente desequilibrada. Essa
preocupação dos pais pode desencadear reacções inversas nas crianças, como a ansiedade e o
stress; medo de competir, cobrança excessiva e até mesmo o abandono do desporto são alguns
casos que podem ser encontrados.

A tabela 2 apresenta a divisão feita por Byrne (1999) cit. p/ Fechio et al. (2012); quanto ao
comportamento dos pais em relação ao envolvimento dos filhos no desporto.

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Tipo de envolvimento Comportamento dos pais


Pais desinteressados: transferem a responsabilidade de cuidar de seus filhos para o
Sub- envolvimento treinador, inscrevem a criança em um programa desportivo sem saber se ela gosta
ou não daquela actividade, o que acaba ocasionando stress na criança
Pais com comportamentos adequados: impulsionam seus filhos, ajudam a criança,
Envolvimento moderado
incentivam e despertam-lhe o entusiasmo.
Pais fanáticos: são os mais problemáticos. Criam um desejo comum que seus
filhos sejam verdadeiros heróis no desporto. Nunca estão satisfeitos com o
Super envolvimento
desempenho, cobram muito os filhos, exaltam-se com o treinador, arbitro, e criam
um ambiente hostil.
Tabela 2 envolvimento dos pais na carreira desportiva dos seus filhos

Na verdade, a influência sobre as crianças (positiva ou negativa) dependerá do comportamento


dos pais. Alguns pais são controlados, exaltados e outros ainda desinteressados, e esses
comportamentos podem interferir no rendimento da criança em uma competição (Meirelles et al.,
2009). Além disso, é importante mencionar que os pais desempenham um importante papel na
promoção da especialização desportiva precoce (Baker, 2003).

2.4.2. O PAPEL DO TREINADOR


“ As funções do treinador de crianças e jovens ultrapassam substancialmente os aspectos
relativos ao ensino da técnica e da táctica e ao desenvolvimento das suas qualidades físicas,
abrangendo outras áreas não menos importantes, que podem condicionar o seu comportamento
desportivo, mas de que é possível, igualmente, extrair reflexos para a sua vida de cidadão
comum ” (Adelino, Vieira e Coelho, 1999; cit. p/ Abreu,2011).
O treinador tem de proporcionar um ambiente motivador para as aprendizagens, tem o papel de
ser um conhecedor da modalidade, devendo estruturar as tarefas mais adequadas para a aquisição
de conhecimentos dos atletas e, acima de tudo, deve ser um formador de cidadãos. (Abreu,
2011).

O treinador tem uma função importante na massificação do jovem atleta, principalmente nos
aspectos físicos, psicológico, emocional e sociais. Para além disso o treinador deve proporcionar

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os seus atletas o gosto pela modalidade, ensina-los a lidar com os altos e baixos da competição e
a desenvolver a auto-estima e auto-confiança (Campbell, 1998; cit. p/ Mota, 2005).

Macgregor (1988), cit. p/ Mota, (2005), propõe que o treinador devera proporcionar aos seus
atletas um acompanhamento e apoio permanente, tanto em ambiente público quer em privado e
ajuda-los no desenvolvimento da modalidade especifica.

Smoll (2000) refere que o treinador no desempenho da sua função devera recorrer a uma
intervenção positiva, por oposição a uma via negativa de influenciar o comportamento do atleta.
Esta via positiva envolve a utilização do elogio e do encorajamento, no sentido de fortalecer e
influenciar o tipo de comportamento desejado. Pelo contrário o recurso a uma atitude negativa
nesta relação, implica o uso de várias formas de punição, tendo em vista eliminar as
características indesejáveis do referido comportamento. Contudo estudos realizados sobre este
tema, demonstram que a intervenção pela negativa aumenta a pressão sobre os praticantes, faz
diminuir o gosto pela prática e provoca nos jovens uma certa antipatia em relação ao treinador.

Campbell (1998) cit. p/ Mota, (2005), separa as idades dos praticantes desportivos em três
períodos distintos que são: dos sete aos dez anos (idades iniciais), dos onze aos catorze anos
(idades intermédias) e os chamados jovens adultos (quinze aos dezoito anos). Dado que o
desenvolvimento de cada jovem ocorrem em diferentes fases e de formas distintas, estas razões
tornam o papel do treinador mais complexa na formação do jovem atleta podendo ate levar muito
tempo para ter o retorno esperado.

As crianças com idades compreendidas entre os sete aos dez anos, corresponde aos anos iniciais
da prática de uma modalidade, onde os pais são excelentes colaboradores dos treinadores. Nesta
fase o treinador devera proporcionar algumas orientações específicas aos pais especialmente na
maneira como deve apoiar os filhos durante a prática desportiva, pois sem esta colaboração entre
o treinador e os pais, poderá causar nas crianças um descontentamento com o desporto, e até
mesmo influenciar no abandono precoce da modalidade em causa.

As crianças dessas idades gostam de actividades que sejam atractivas, que representem desafios e
que ao mesmo tempo, sejam possíveis de realizar. Assim os treinadores devem então adaptar as
tarefas de maneiras a irem ao encontro das capacidades de todos e não apenas dos praticantes

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mais dotados, apoiando-lhe no desenvolvimento das suas actividades e, acima de tudo, dar à
prática desportiva um carácter de alegria e diversão.

O período que envolve a faixa etária dos onze aos catorze anos, o grupo torna-se bem mais
importante para ela, tendo uma influência importante sobre a utilização do seu tempo livre. A
função do treinador é de continuar a desenvolver as capacidades técnicas individuais dos
praticantes, sem esquecer as grandes modificações que acontecem ao mesmo tempo. Deve ainda,
nesta fase, começar a identificar e a desenvolver os potenciais talentos que eventualmente
surjam.

Na etapa dos quinze aos dezoito anos (jovens adultos), uma das formas de obter melhores
resultados, depende da aptidão do treinador em planear o programa de treino do jovem
praticante, bem como ajudá-lo a organizar melhor a sua rotina de vida, de modo que tenha um
maior aproveitamento no seu tempo, sem sacrificar a educação escolar.

2.5. PARTICIPAÇÃO DESPORTIVA

2.5.1. MOTIVOS PARA A PRÁTICA DESPORTIVA


As literatura mais relevante das últimas três décadas tem-se centrado, preferencialmente, sobre
os motivos que levam os jovens à prática desportiva. Indissociavelmente ligada ao estudo do
abandono desportivo surge a motivação, pelo papel determinante que ela tem na formação de
hábitos do jovem e consequente educação.
Samulski (2002) define a motivação com sendo o conjunto de factores que determinam a forma
de actuar de um ser, através de um comportamento dirigido a um determinado objectivo. Os
factores pessoais e sociais favorecem a persistência ou o abandono de um comportamento. A
motivação é caracterizada como um processo activo, intencional e dirigido a uma meta, o qual
depende da interacção de factores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos) (Samulski,
1995).

A motivação intrínseca, que é guiada por razões internas, proporciona o desenvolvimento da


autonomia e da personalidade. Motivos intrínsecos são comuns nas pessoas que desejam

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aprender algo, não estando relacionado com recompensas exteriores mas sim com o superar das
próprias limitações, com um desafio mental ou com descobrir algo que seja considerado útil.

Cratty (1989) afirma que a motivação extrínseca está relacionada com recompensas externas para
a melhoria da performance e é evidenciada principalmente em crianças entre os cinco e os nove
anos.

De acordo com Thomas (1983), quando uma criança é motivada intrinsecamente para executar
um determinado movimento desportivo, o seu interesse cinge-se ao próprio movimento, ou seja,
o seu objectivo é executá-lo de forma contínua, dominada e com sucesso. Mas se, pelo contrário,
a realização do movimento passa a ser o meio para alcançar o objectivo, a acção em si e a
performance alcançada são para a criança irrelevantes, já que apenas a recompensa esta no centro
dos seus interesses.

Brito (2001) refere que os motivos mais citados podem ser classificados em sete forças:
necessidade de movimento, prazer proporcionado pelo exercício, convívio com a natureza,
conhecimento de si e afirmação pessoal, desejo de filiação e participação no grupo, outras formas
(equilíbrio e compreensão, canalização da agressividade natural, gosto pelo risco e aventura) e
compensação monetária ou profissão.

Alonzo et al. (1997) cit. p/ Mota (2005) num estudo sobre os motivos de inicio, manutenção,
troca e abandono da modalidade desportiva, constataram que no caso de basquetebol, os
principais motivos que levam os jovens a praticar são: o divertimento, a manutenção da forma
física, o poder competir, o atingir certas metas, a busca de um ambiente saudável, a afiliação,
ocupação dos tempos livres e o superar-se a si mesmo.

2.5.2. ABANDONO DESPORTIVO

2.5.2.1 DEFINIÇÃO DE ABANDONO DESPORTIVO


Uma vez que a palavra abandono pode não significar um abandono definitivo, mas sim algo
transitório, vários foram os autores que tentaram arranjar uma definição concreta para o conceito
de abandono desportivo. Fonseca (2004) refere que é muito importante definir correctamente

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abandono da prática desportiva, pois existe uma distância enorme entre um jovem que decide
cessar toda e qualquer actividade desportiva e um outro que decide simplesmente passar a
praticar uma actividade desportiva diferente da que já pratica até então.

Assim, o abandono desportivo é “ uma descontinuidade permanente na participação desportiva”.


(Orlick 1974,1976; Pang 1974; Robertson 1998; cit. p/ Mota, 2005)

Gould (1987), cit. p/ Fonseca (2004), propôs que o abandono desportivo seja entendido em
função de um continuum que vai desde o abandono de uma actividade específica acompanhado
de uma transferência para outra actividade ate ao abandono total de toda a actividade desportiva.

Linder et al. (1991), cit. p/ Petlichkoff, (1996) apresenta outros tipos de abandono: abandono de
transferência que ocorre quando um atleta deixou de estar num programa desportivo particular,
mas pode entrar noutro e abandono participante, ocorre quando um individuo esteve ligado a
vários desportos durante anos, podendo ter competido a vários níveis, deixando de corresponder
as suas necessidades, ou simplesmente o atleta vivenciou um caso de burnout.

Burnout, para Smith (1986) é uma situação extrema do abandono desportivo, em que o atleta
abandona completamente o desporto e o envolvimento desportivo, como resposta a um estado de
stress crónico, consequente muitas vezes de especialização precoce e do elevado tempo
dispendido na actividade. O burnout, engloba um abandono psicológico, emocional e físico de
uma actividade, como resposta a um a situação de descontentamento e stress excessivo.

2.5.3. MOTIVOS DO ABANDONO DESPORTIVO


De acordo com as estatísticas de alguns estudos efectuados, o abandono da prática desportiva
pelos jovens, apesar de constante ao longo do crescimento dos jovens, torna-se alarmante a partir
dos 12 anos de idade (Coelho e Silva, 2003; Costa, 2008).
Num estudo realizado por Gonçalves (1999), verificou-se que cerca de 90% dos jovens que
abandonam a prática desportiva federada, têm idades compreendidas entre os 14 – 15 anos de
idade.

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Oliveira et al. (2007) citados por Santos (2008), estudaram o abandono na natação e verificaram
que 42% dos indivíduos abandonaram nos escalões mais jovens (juvenis), em junior 33% e 8%
em seniores, prevalecendo o abandono até aos 16 anos de idade. As motivações para esse
abandono seriam: os resultados negativos, a falta de apoio, as lesões, a falta de conciliação dos
estudos com o desporto, a rotina dos treinos e a falta de integração social.

No que diz respeito aos motivos que levam os adolescentes a abandonar a modalidade
desportiva, Gomes (2001) afirma que “ são várias as causas apontadas, sendo referidas como
mais frequentes: ter outras coisas para fazer, a modalidade não ser tão boa quanto pensavam, a
modalidade não ser suficientemente divertida, o facto de querer praticar outras modalidades,
sentir-se aborrecido, não gostar do treinador e o treinador ser demasiadamente duro.

Num outro estudo feitas as investigações ainda sobre esta temática, apontou-se como principais
causas do abandono desportivo a falta de tempo de jogo, atitude do treinador, capacidades
físicas, stress da competição, falta de sucesso e a excessiva organização do desporto. (Martens
1980, Cruz 1996,cit. p/ Abreu, 2011)

Veigas et al. (2009) investigaram as motivações que levam os alunos à prática ou não prática do
desporto escolar, com uma amostra de 289 alunos, dos quais 182 não praticantes e 107
praticantes. Os resultados apresentados para a não prática, revelaram como causas mais
importantes: ter outras coisas para fazer; horários de treino não serem os mais adequados e a falta
de iniciativas por parte da autarquia
De acordo com outras investigações (Gonçalves, 1992 citado por Gonçalves, 1999; Matos &
Cruz, 1997), estas permitiram identificar cinco conjuntos de factores explicativos para o
abandono da prática desportiva federada: castigos dos pais pelos maus resultados escolares,
devido à dificuldade em estudar e treinar; não ter oportunidade de jogar; problemas com o
treinador, devido aos treinos monótonos ou muito duros e exigentes; ênfase na vitória, pressão
dos treinadores e dos pais, bem como falta de divertimento e não gostar do ambiente de trabalho

Analisados vários estudos e conhecedores das prováveis causas de abandono desportivo,


podemos assumir como, gestores desportivos, treinadores, a responsabilidade em muita das vezes
pelo abandono da prática desportiva pelos jovens atletas. No nosso pais em particular na

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modalidade de basquetebol, há motivos para preocupação no abandono desportivo, tais como a


falta de investimento, atraso do inicio da época desportiva, falta de instalações desportivas, perda
de competitividade desportiva entre outros.

2.5.4. ESTUDOS REALIZADOS NA ÁREA DO ABANDONO DESPORTIVO


Em primeiro lugar importa destacar que os estudos publicados sobre a problemática do abandono
da prática desportiva por parte de crianças e jovens são bastante escassos (Fonseca, 2004). Na
verdade, segundo uma revisão realizada por Guillet et al. (2000) apenas foram publicados 30
estudos na literatura internacional desde os anos 70 sobre o abandono da prática desportiva
juvenil. Estes estudos são bastante importantes, pois é sabido que o número de crianças e jovens
que decidem deixar de praticar uma modalidade desportiva é significado, não podendo deixar de
ser uma preocupação para todos nós (Fonseca, 2004). No presente estudo serão apenas
apresentados alguns estudos feitos sobre a temática do abandono da prática desportiva publicada
nos últimos 5 anos.

Carmo,et al. (2009), realizaram um estudo que tinha como objectivo comparar diferenças
motivacionais quanto ao início e ao abandono da prática desportiva, relacionando-os com a
idade, sexo, modalidade desportiva, tempo de prática e nível de competição de atletas brasileiros.
Participaram 385 atletas, praticantes de diferentes modalidades desportivas competitivas no
estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais com idade entre 16 e 30 anos e que estavam
em processo de treinamento. Utilizou-se, o questionário de Motivos de Início, Manutenção,
Mudança e Abandono desportivos versão brasileira MIMCA-BR (Carmo et al., 2007a; Carmo et
al., 2008), abordando dois momentos da vida desportiva: início e abandono. Foi feita a análise
comparativa pelo Teste “t” de Student para amostras independentes (p<0,05).Diferenças
significativas (p<0,05) relacionadas ao sexo (tanto no inicio quanto no abandono desportivo)
aparecem em motivos como “superar a mim mesmo” e “manter-me em forma”; quanto à idade,
“divertir-me” e “não conseguir resultados que desejo” aparecem como motivos com diferença
significativa; nas modalidades, o facto de “ter amigos que praticam o desporto” e “não
concretizar sonhos como atleta” são mais presentes em modalidades colectivas e individuais
respectivamente; “não ter condições físicas” e “não ter apoio federativo” são mais determinantes
para o abandono em atletas de nível regional. Concluiu-se que existem diferenças significativas

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nos motivos que levam atletas a iniciar e abandonar uma prática desportiva relacionada ao
género, idade, modalidade e nível de prática. Não foram encontradas diferenças significativas
(p<0,05) com relação ao tempo de prática.

Da Rocha & Dos Santos (2010) ambos realizaram um estudo no âmbito do atletismo. Os
objectivos deste estudo foram investigar os motivos do abandono de talentos e identificar a
orientação para a prática desportiva de atletas na transição da categoria juvenil para a de adulto
no atletismo. Dele participaram talentos do atletismo: atletas (n=16) e ex-atletas (n=11). Foram
aplicados dois protocolos: a Escala Multidimensional de Orientação de Prática Esportiva (atletas)
de Vallerand et al. 1997, adaptada por Vissoci et al. (2008), e um questionário com questões
fechadas, sobre os motivos do abandono do atletismo (ex-atletas).Para análise dos dados foram
utilizados o ANOVA e o Teste de Wilcoxon (p>0,05). Para os atletas, o “respeito pelas regras e
juízes” foi a mais evidente (4,21 ± 0,91). Com relação aos ex-atletas, 81% deles apontaram que
abandonaram o atletismo por falta de infra-estrutura, de assistência governamental e patrocínio, e
pela desvalorização da modalidade. O comprometimento dos atletas com o desporto e com a vida
diária resultou em conflitos que levaram atletas de atletismo a abandonar a modalidade na
transição da categoria juvenil para a categoria adulta.

Ainda no Brasil, Bara Filho & Garcia (2008), realizaram um estudo que tinha como objectivo de
avaliar os motivos do abandono no desporto em jovens com idades compreendidas entre 10 e 20
anos, comparando modalidades desportivas, género e faixas etárias. A amostra foi composta por
332 jovens (179 meninos e 153 meninas) que haviam abandonado seus respectivos desportos
(Futebol, basquetebol, natação, ginástica artística e andebol). Aos sujeitos do estudo foi aplicado
um questionário aberto sobre os motivos do abandono da prática desportiva. A pergunta principal
consistia em quais motivos o levaram a abandonar o desporto. Após receber todos os
questionários, passou-se a categorizar os motivos citados pelos atletas para quantificar as
respostas. Os principais motivos gerais do abandono foram: estudos (34% dos ex-atletas), falta
de tempo para amigos/ namoro/ lazer (17%), outros interesses fora do desporto (16%).
Diferenças significativas (p <0,05) ocorreram na comparação de ex-atletas de modalidades
colectivas e individuais, com maior incidência dos motivos outros interesses, monotonia dos
treinos, desmotivação, esgotamento e excessivo tempo de dedicação como mais significativos

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para ex-atletas das modalidades individuais e lesões/ problemas de saúde e falta de


companheirismo nas modalidades colectivas. Observou-se uma multiplicidade de motivos do
abandono do desporto, denotando a importância de conhecê-los para se desenvolver estratégias
para evitar que este fenómeno ocorra sistematicamente no desporto.

SOUSA, 2010 realizou um estudo sobre os factores do abandono dos atletas na prática do remo
competitivo. A amostra, foi composta por 60 ex remadores do sexo masculino que competiram
desde o nível regional até o olímpico, sendo todos registados em qualquer federação do remo do
Brasil. Os participantes foram divididos em 3 grupos de acordo com a idade em que
abandonaram o desporto: categoria júnior (16 a 18 anos), constituída por 15 sujeitos, categoria
sénior B (19 a 22 anos), constituída por 20 sujeitos e categoria sénior A (23 a 30 anos),
constituída por 25 sujeitos. Foi utilizado o instrumento dos factores de abandono do desporto da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) elaborado por Samulski (1992) e adaptado por
Scalon (1988). Os resultados obtidos mostraram que independentemente da idade de abandono
da prática do remo, os principais motivos de abandono da respectiva modalidade foram a falta de
patrocínio e apoio financeiro e a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família. Os
outros factores mais apontados pelos entrevistados foram: o prejuízo nos estudos e vontade de
fazer outras actividades (categoria Júnior); falta de apoio técnico, preferência de treinador por
outros colegas, poucas competições e dificuldade em melhorar os resultados (categoria sénior B);
já a categoria sénior A indicaram a falta de apoio técnico, vontade de fazer outras actividades.
No que se refere aos factores relacionados ao relacionamento com os treinadores, destaca-se a
importância das competências técnicas e pedagógicas desse profissional, além de sua capacitação
para manter motivadas suas equipes, detectar e solucionar problemas que possam aumentar os
riscos de burnout.

Já em Portugal foram também feitos vários estudos sobre esta temática, dentre os quais um dos
mais recentes feito por Abreu, (2011), que investigou as Causas de Abandono do Desporto
Escolar em algumas escolas de Lisboa, na qual a amostra foi constituída por alunos de ambos os
sexos, de diversas escolas de Lisboa, num total de 174 inquiridos dos ensinos básico e
secundário, que abandonaram a prática do desporto escolar durante o ano lectivo 2011/2012. Foi
aplicado como instrumento de medida o Questionário de Razões para o Abandono da Prática do

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Desporto Escolar – QRAPDE inspirado nos instrumentos utilizados por Gill et al. (1981), Gould
et al. (1982) e Cruz et al. (1988, 1995) adaptado por Matos & Cruz (1997)
Os resultados evidenciam como causas mais importantes para o abandono as questões
relacionadas com a dimensão “ Falta de tempo” com média de 1,84, seguida da dimensão
“Orientação desportiva” apresentando uma média de 1,44 e, como causa menos importante, a
dimensão “Indicadores de treino e competição” (1,26).
De entre muitos autores que se dedicaram ao estudo sobre o abandono da prática desportiva, há ,
no entanto a necessidade de realçar o trabalho desenvolvido por Abreu, (2011), que estudou
sobre Causas de Abandono do Desporto Escolar pela sua proposta na aplicado como instrumento
de medida o Questionário de Razões para o Abandono da Prática do Desporto Escolar –
QRAPDE Adaptado por Matos & Cruz (1997). Na qual nos baseamos no nosso estudo para a
colheita de dados, devido a sua validade bem como o seu ajustamento a realidade do presente
estudo.

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CAPITULO III

3. METODOLOGIA

3.1. TIPO DE ESTUDO


O tipo de estudo proposto é um estudo quantitativo e descritivo, pois descreve um fenómeno ou
situação (MARCONI & LAKATOS, 1999) onde tem como objectivo apresentados os motivos
do abandono do basquetebol pelos jovens em Maputo.

3.2. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO E DA AMOSTRA


A amostra do nosso estudo foi realizada através da aplicação do questionário QRAPDE aos
alunos de ambos os sexos, que abandonaram a prática do Basquetebol no decorrer do ano lectivo
2007 / 2012.

Como podemos observar no quadro abaixo, a população total do estudo foi de 115 jovens, na
qual foi feita após a recolha de dados um estudo da analise e adequação dos dados recolhidos que
consistiu na rejeição de alguns questionários que não foram respondidos correctamente, onde foi
extraída a amostra de 105 correspondente a ex-altetas de ambos os sexos (51 feminino e 54
masculinos).

Feminino Masculino Total


N° de Abandonos
58 57 115
Questionários Inquiridos 58 57 115
Questionários aceitos 50 54 104
Questionários rejeitados 8 3 10
Tabela 3 Caracterização da Amostra

As tabelas seguintes mostram as idades dos ex-atletas inquiridos que variavam entre 14 a 21 anos
de idades, e as idades que abandonaram a modalidade de basquetebol compreendidas entre 10 a
18 anos de idade.

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Idade de abandono Sexo Total


Masculino Feminino
10 1 0 1
11 0 1 1
12 3 1 4
13 2 6 8
14 15 8 23
15 11 9 20
16 14 16 30
17 3 9 12
18 5 0 5
54 50 104
Total
Tabela 4 Idades de abandono do basquetebol

Idade Sexo Total


Masculino Feminino
14 0 1 1
15 4 2 6
16 11 8 19

17 19 17 36
18 13 15 28
19 5 6 11
20 1 1 2
21 1 0 1
total 54 50 104
Tabela 5 Idades dos ex-atletas

Verificou-se que entres as épocas 2007 a 2013, a maior parte os ex-atletas do sexo masculino
abandonaram o basquetebol com idades entre 14 a 16 anos, enquanto as mulheres com idades
entre 14 a 17 anos.

3.3. INSTRUMENTO DE PESQUISA


Para a colheita dos dados utilizou-se um questionário de razões para o abandono da prática
desportiva QRAPDE (anexo 1), validado por Matos & Cruz (1997).Segundo os autores este

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questionário foi inspirado nos instrumentos utilizados por Gill et al.(1981), Gould et al.(1982) e
Cruz et al.(1988,1995) citados por Matos & Cruz (1997).Além disso, este questionário foi
também por nós ajustado a realidade da nossa amostra, como por exemplo a colocação de um
item da idade que abandonou a modalidade e outro item sobre os anos de prática de basquetebol.
Também foram adaptados todos os itens do questionário a ambos os sexos, visto que este iria ser
aplicado tanto a rapazes como a raparigas.

Em termos estruturais, o questionário é constituído por 36 itens, existindo uma escala de Likert
com respostas entre 1 e 3, correspondente a 3 níveis de importância (pouco importante,
importante e muito importante). Pretende-se que o ex-atleta identifique o nível de importância
dos motivos que, em sua opinião, possam ter contribuído para a decisão de abandonar o
basquetebol.

Para facilitar o tratamento dos dados, os itens presentes no questionário serão agrupados de
acordo com a análise de conteúdo no quadro seguinte:

Dimensões Indicadores/Item
Tempo (A) 1(A1), 5 (A2), 13 (A3), 33 (A4), 36 (A5)
Capacidade Individuais (B) 6(B1), 7 (B2), 9 (B3), 12 (B4), 25 (B5), 27 (B6), 28 (B7)
Treinador (C) 15(C1),17 (C2),18 (C3),19 (C4),30 (C5),35 (C6)
Divertimento/Ambiente/Clima (D) 2(D1), 3 (D2), 4 (D3), 8 (D4), 11 (D5), 14 (D6), 23 (D7), 29 (D8), 31 (D9),
32(D10)
Condicionantes familiares e sociais 20(E1), 21 (E2), 22 (E3), 24 (E4), 26 (E5)
(E)
Orientação Desportiva (F) 10(F1), 16 (F2),34 (F3)
Tabela 6 Agregado dos itens de acordo com a análise do conteúdo

3.4. PROCEDIMENTOS DE RECOLHA DE DADOS


O presente estudo foi realizado em varias escolas da cidade de Maputo, nomeadamente escolas
secundarias da Polana, Josina Machel, Noroeste 1, Francisco Manyanga, Estrela Vermelha e da
Escola Secundária de Lhangene. A escolha dessas escolas deveu-se devido a parceria e
intercâmbio existente com a Faculdade De Educação Física e Desportos com estas escolas em
particular na realização de aulas prática bem como de trabalhos académicos

Para a realização do estudo, pediu-se uma autorização para a recolha de dados nas aulas de
Educação Física aos directores e aos professores de Educação Física dessas escolas. Após

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informado aos professores de Educação Física os objectivos do nosso estudo, seguiu-se com
identificação durante as aulas de educação física os ex-atletas que abandonaram a prática do
basquetebol, e depois foram transmitidas todas informações importantes e necessárias para o
preenchimento do questionário, no sentido de garantir a sua execução correcta.

O questionário foi preenchido, com a permissão do professor de Educação Física na presença do


entrevistador, antes, durante e após as aulas, nas próprias instalações da escola, pelos alunos que
abandonaram a prática da modalidade de basquetebol.

Não foi permitido aos alunos levarem o questionário consigo para uma entrega posterior ao
entrevistado, garantindo-se, assim, a realização do mesmo e a fiabilidade das respostas.

No momento anterior ao preenchimento dos questionários por parte dos entrevistados, explicou-
se de forma objectiva e breve os objectivos do estudo bem como a sua pertinência para o
desenvolvimento futuro do desporto e como preencher o questionário.

Foram no total encaminhados 115 questionários na forma já citadas dentre, os quais foram
seleccionados os questionários que foram respondidos de forma correcta para participar na
amostra do nosso estudo.

3.5. ANALISE DOS DADOS E TRATAMENTO ESTATÍSTICOS

3.5.1. Hipóteses nulas


Tendo em conta o modelo de análise e os nossos objectivos, elaboramos um conjunto de
hipóteses nulas, que nos irão orientar ao longo de todo o estudo.

Nesta primeira hipótese, importa avaliar o grau de consistência interna de cada dimensão e a
capacidade de predição que cada variável da dimensão apresenta sobre o total da dimensão.
Podemos desta forma determinar as variáveis mais importantes no estudo de uma dimensão e
qual o seu peso relativo. Pode-se ainda questionar a permanência de uma variável dentro da
dimensão e, consequentemente, questionar a sua validade na medição do abandono da prática
desportiva.

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A primeira hipótese nula (HO) define-se então como:


H01 - Não existe relação significativa entre os valores de cada variável e o total da dimensão a
que pertence;
Na segunda hipótese Pretendemos então constatar, a capacidade que as diversas dimensões
apresentam de predição do total das causas do abandono do basquetebol. Esta questão poderá
ajudar a determinar qual a dimensão ou conjunto de dimensões que serão mais importantes de
estudar sobre o conjunto total de dimensões.
A segunda hipótese define-se como:
H02 - Não existe relação significativa entre os resultados obtidos para cada uma das dimensões
do abandono da prática desportiva, nem entre os resultados de cada dimensão e o total dos
resultados de todas as dimensões;
Por último interessa avaliar as diferenças existentes entre as respostas apresentadas pelos
diferentes grupos estratégicos inquiridos quanto as razões do seu abandono da pratica do
basquetebol, e vai permitir fornecer informações sobre a forma de relação entre estes grupos face
ao seu abandono desportivo.
A nossa última hipótese nula estabelece-se como:
H03 - Existem diferenças significativas quanto as causas apontadas para o abandono da pratica
do basquetebol nos dois grupos estratégicos;

3.5.2. TRATAMENTO DOS DADOS

Para a análise estatística dos dados colectados através do questionário foi utilizado o programa
estatístico SPSS versão 16.0. No tratamento dos dados foram utilizadas as seguintes técnicas
estatísticas:
i. Estatística descritiva
Descrição dos valores de cada variável e da respectiva dimensão quanto as causas invocadas ao
abandono da pratica do desportiva pelos ex-atletas através do calculo das medias e desvios
padrões .

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ii. Estatística inferencial:


Análise da consistência interna das dimensões do questionário foi Analisada através do teste
alpha de Cronbach, variando entre o 0 e o 1, sendo muito boa quando o alpha é superior a 0.9 e
inadmissível quando é <0.6;
Análise factorial, que consistiu na redução das dimensões dos dados sem perda de informação,
através da avaliação conjunta de variáveis que permitem identificar um conjunto de variáveis
hipotéticas (factores). Para prosseguir com esta análise determinamos a qualidade das
correlações das variáveis através do Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e do teste de Bartlett. Para o
KMO os valores entre 1 e 0,9 são considerados muito bons e os <0,5 inadmissíveis. A seguir
passou-se a análise das componentes principais para obter os resultados de cada dimensão em
relação ao total, bem como para a comparação entre os ambos géneros, quanto causas do
abandono desportivo, onde se optou pelo método da máxima verosimilhança, para explicar a
matriz de correlação. As diferenças significativas encontradas em relação aos géneros, entre as
diversas variáveis de uma dimensão ou entre as diversas dimensões, foi aplicação do teste de
múltipla comparação de Scheffé que permitiu uma análise das diferenças residentes entre cada
par de variáveis e dimensões.
A determinação do número de componentes principais a analisar foi efectuada desenhando o
Scree Plot (gráfico dos valores próprios por cada componente) excluindo as componentes
correspondentes a valores próximos de zero e analisando as restantes. Estas deverão ser
suficientes para explicar 70% da variância.

Conforme a probabilidade de erro codificaram-se os valores significativos da seguinte forma:


Correlação estatisticamente significativa p≤0,05.

3.5.3. VARIAVEIS DE ESTUDO

3.5.3.1 VARIAVEIS DEPENDENTES


 Tempo,
 Capacidade Individuais,
 Treinador,

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 Divertimento/Ambiente/Clima,
 Condicionantes familiares e sociais,
 Orientação Desportiva,

3.5.3.2 VARIAVEIS INDEPENDENTES


 Género (masculino ou feminino),

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CAPITULO IV

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.1. ANÁLISE DA CONSISTÊNCIA INTERNA DAS DIMENSÕES DO


QUESTIONÁRIO – QRAPDE
Dimensões Media ± desvio Cronbach's Alpha N° do Items
Tempo 1.98±0.64 0.17 5.00
Capacidade Individuais 1.32±0.13 0.58 7.00
Treinador 1.46±0.14 0.68 6.00
Divertimento/Ambiente/Clima 1.39±0.20 0.54 10.00
Condicionantes familiares e sociais 1.61±0.33 0.33 5.00
Orientação Desportiva 1.25±0.09 0.31 3.00
Tabela 7 consistência interna das dimensões do questionário

Escala: alpha cronbach:0.30-0.99 - aceitável

A consistência interna (tabela 5) das dimensões do QRAPDE foi analisada com recurso ao
coeficiente de consistência interna Alfa de Cronbach. Os valores encontrados, variam entre um
mínimo de 0,17 (fraco mas inaceitável) na dimensão tempo, e um máximo de 0,68 (razoável) na
dimensão Treinador. Para a sua validação vamos analisar até que pontos as principia
componentes dessas variáveis explicam variância total da dimensão tempo, através da uso do
critério de Kaiser de extracção dos componentes, onde são extraídas valores superiores ou iguais
a 1.

Como podemos observar nos anexos 2.1 foram extraídas 3 componentes (indicadores) que
explicam 70.23% da variância total da dimensão tempo.

Avaliámos a consistência interna (anexos 2.2) também de todos itens através do teste alpha de
cronbach. Verificamos que existe uma consistência boa entre os mesmos (alpha=0,751),
significando que todos estes itens não têm nada em específico, pois medem todos a mesma coisa,
o abandono desportivo, considerando deste modo valido o questionário enquanto instrumento de
investigação.

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4.2. ESTUDO DESCRITIVO

4.2.1. ESTUDO DAS CAUSAS INVOCADOS PELOS EX-ATLETAS PARA O


ABANDONO DA PRÁTICA DO BASQUETEBOL
Apresentam-se em seguinte a descrição dos resultados para os vários indicadores e as suas
respectivas dimensões invocados pelos ex-atletas para o abandono da prática do basquetebol na
perspectiva de compreender se colaboram ou não com a primeira hipótese previamente descrita.

4.2.1.1 DIMENSÃO A (TEMPO)


A1- Não tinha tempo disponível (indicador 1),

A2- Tinha outras coisa para fazer (indicador 5),

A3- Não tinha tempo para treinar (indicador 13),

A4- Interessei-me por outros passatempos (indicador 33),

A5- Comecei a namorar (indicador 36),

DIMENSÃO A ( TEMPO)
Mínimo Máximo Media Desvio Padrão
A1 1 3 1.93 0.827
A2 1 3 1.97 0.769
A3 1 3 1.95 0.829
A4 1 3 1.66 0.832
A5 1 3 1.12 0.402
Tabela 8 Estatística Descritiva da Dimensão A (Tempo)

A dimensão A ė a que teve valores médios mais elevados de todas as dimensões (anexos 3.2),
com valores médios bastante próximo das variáveis A1,A2,A3, que divergem do valor médio da
variável A5, o que indica ,que os grupos inquiridos dão maior importância a falta do tempo ter
influenciado bastante o seu abandono a pratica do basquetebol .Poderemos mesmo
(estatisticamente) no conjunto das quatro variáveis desprezar o valor obtido na variável A5.

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4.2.1.2 DIMENSÃO B (CAPACIDADE INDIVIDUAIS)


B1- Não tinha jeito (indicador 6),

B2- As minhas capacidades físicas não eram ajustadas á modalidade (indicador 7),

B3- Não me davam oportunidade para jogar (indicador 9),

B4- Não jogava tempo suficiente (indicador 12),

B5- Não era convocado(a) para os jogos ou provas (indicador 25),

B6- A maioria dos meus (minhas) colegas eram melhore que eu (indicador 27),

B7- Os treinos e os jogos eram uma “bandalheira (indicador 28),

4.2.1.3 DIMENSÃO B (CAPACIDADE INDIVIDUAIS)

Mínimo Máximo Media Desvio Padrão


B1 1 3 1.19 0.484
B2 1 3 1.17 0.464
B3 1 3 1.32 0.612
B4 1 3 1.48 0.682
B5 1 3 1.45 0.652
B6 1 3 1.38 0.563
B7 1 3 1.34 0.600
Tabela 9 Estatística Descritiva da Dimensão B (Capacidade Individuais)

As variáveis B4 e B5 apresentam valores médios bastantes próximos que são confirmados pelas
variáveis B3,B6 e B7, na qual ambos grupos inquiridos na sua maioria são unânimes em afirmar
que o facto das suas capacidades individuais não se ajustar na prática da modalidade influenciou
no seu abandono da prática do basquetebol, enquanto que os indicadores B1,B2 indicam uma
menor importância invocada pelos ex-atletas quanto ao seu abandono da pratica desportiva do
basquetebol.

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4.2.1.4 DIMENSÃO C (TREINADOR)

C1- O meu trabalho não era reconhecido (indicador 15),

C2- Não gostava dos métodos do(a) treinador (a) (indicador17),

C3- O meu esforço não era recompensado (indicador 18),

C4- Não gostava do(a) treinador(a) (indicador 19),

C5- O treinador não me dava atenção (indicador 30),

C6- O treinador era muito autoritário (indicador 35),

DIMENSÃO C (TREINADOR)

Mínimo Máximo Media Desvio Padrão


C1 1 3 1.53 0.763
C2 1 3 1.44 0.651
C3 1 3 1.71 0.784
C4 1 3 1.30 0.588
C5 1 3 1.38 0.610
C6 1 3 1.54 0.736
Tabela 10 Estatística Descritiva da Dimensão C (Treinador)

A dimensão C apresenta resultados médios divergentes que vão de 1.71 a 1.30 respectivamente
em relação a variável C3 e C4. Este valores levam-nos a concluir que apesar dos ex-atletas
afirmarem terem abandonado a pratica do basquetebol devido ao não reconhecimento dos seus
esforços pelos treinadores, eles demonstraram terem boas relações com treinadores.

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4.2.1.5 DIMENSÃO D (DIVERTIMENTO/AMBIENTE/CLIMA)


D1- As vitórias eram a única coisa que interessavam (indicador 2),

D2- Não me divertia, nem tinha prazer (indicador 3),

D3- Só se pensava em ganhar (indicador 4),

D4- Sentia-me muito pressionado (a), (indicador 8),

D5- Tinha problemas com alguns (mas) colegas da equipe (indicador 11),

D6- A equipa perdia sempre ou quase sempre (indicador 14),

D7- Os treinos eram muito exigentes e difíceis (indicador 23),

D8- A actividade era demasiada séria e competitiva (indicador 29),

D9- Os (As) meus (minhas) colegas não me davam atenção (indicador 31),

D10- Os treinos eram “chatos” (indicador 32),

DIMENSÃO D (DIVERTIMENTO/AMBIENTE/CLIMA)

Mínimo Máximo Media Desvio Padrão


D1 1 3 1.31 0.624
D2 1 3 1.07 0.288
D3 1 3 1.57 0.760
D4 1 3 1.56 0.758
D5 1 3 1.17 0.428
D6 1 3 1.26 0.540
D7 1 3 1.61 0.703
D8 1 3 1.75 0.856
D9 1 3 1.26 0.574
D10 1 3 1.36 0.556
Tabela 11 Estatística Descritiva da Dimensão D (divertimento/ambiente/clima)

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Já os resultados da dimensão D mostram que os ex-atletas consideram como uma das causas
importantes que levou o seu abandonado a prática do basquetebol, o facto de ser uma modalidade
demasiada série e competitiva (D8) bem como a exigência e dificuldade durante os treinos. Mas
apesar disso o item D2 mostra que os ex-atletas gostavam muito de praticar a modalidade de
basquetebol.

4.2.1.6 DIMENSÃO E (CONDICIONANTES FAMILIARES E SOCIAIS)


E1- Estudar é mais importante que praticar desporto (indicador 20),

E2- Tive mau rendimento escolar e fui castigado(a) (indicador 21),

E3- Comecei a praticar desporto federado num clube (indicador 22),

E4- Os meus (minhas) amigos (as) também desistiram (indicador 24),

E5- As meus pais proibiram-me (indicador 26),

DIMENSÃO E (CONDICIONANTES FAMILIARES E SOCIAIS)


Mínimo Máximo Media Desvio Padrão
E1 1 3 2.18 0.797
E2 1 3 1.53 0.824
E3 1 3 1.54 0.835
E4 1 3 1.47 0.737
E5 1 3 1.37 0.713
Tabela 12 Estatística Descritiva da Dimensão E (Condicionantes Familiares e Sociais)

A dimensão E apresenta valores médios bastantes divergentes, na qual a variável E1 é valor mais
alto entre todas as variáveis (anexo 3.1) dando evidências que a maioria dos ex- atletas afirmam
ter abandonado a prática do desporto, pois este não lhes proporcionava tempo suficiente para
estudar. No entanto a variável E5 indica-nos que apesar da existência deste inconveniente os pais
apoiavam os seus filhos (ex-atletas) na prática do desporto.

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4.2.1.7 DIMENSÃO F (ORIENTAÇÃO DESPORTIVA)


F1- Interessei-me por outra modalidade desportiva (indicador 10),

F2- Lesionei-me (indicador 16),

F3- Não existia a minha modalidade preferida (indicador 34),

DIMENSÃO F (ORIENTAÇÃO DESPORTIVA)


Mínimo Máximo Media Desvio Padrão
F1 1 3 1.38 0.726
F2 1 3 1.21 0.515
F3 1 3 1.16 0.485
Tabela 13 Estatística Descritiva da Dimensão F (Orientação Desportiva)

Os valores médios associados às variáveis da dimensão F apresentam entre si valores médios


relativamente baixos e diferentes, sendo esta a dimensão menos invocada pelos ambos grupos
quanto ao abandono da prática do basquetebol (anexo 3.2), sendo que eles apontam uma das
causas do seus abandono desportivo, existência de algum interesse por outras modalidades
desportiva, apesar da variável F3 indicar no entanto preferência na prática do basquetebol.

4.3. ESTUDO PREDITIVO

4.3.1. ANALISE DAS DIMENSÕES PRINCIPAIS

Os resultados descritivos referentes a cada Dimensão apresentados anteriormente por si só não


são suficientes para que se defina qual ou quais as principais dimensões apontadas pelos
inquiridos como causas do abandono desportivo, tal facto levou-nos a utilizar uma matriz de
correlação para procurar predizer as prováveis causas principais do abandono da pratica do
basquetebol pelos ex-atletas.

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Foi ainda realizado o teste de fiabilidade das variáveis de abandono da prática desportiva
(anexo2.2) que obtiveram o valor de Alpha = 0.751.Este valor atestam a consistência dos
resultados obtidos.

4.3.2. AVALIAÇÃO TOTAL DAS DIMENSÕES DE ABANDONO DESPORTIVO


Conforme descrito na metodologia para o cálculo da análise factorial foi necessário verificar se a
analise das componentes principais poderia seria feita ou não. Assim foi feita essa verificação
através do teste de KMO e Bartlett’s.

KMO and Bartlett's Test

Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy. 0.549


Bartlett's Test of Approx. Chi-Square 1.070E3
Sphericity df 630

Sig. 0.000

Tabela 14 resultados dos testes de K.M.O e de esfericidade de Bartlett

Os resultados indicam através do teste de K.M.O que pode-se usar a analise das componentes
principais para avaliação total das dimensões de abandono desportivo e o teste de esfericidade de
bartlett indica-nos que a existência da correlação das variáveis iniciais.
Os resultados da análise factorial é indicado no anexo 4.1,na qual obtiveram-se inicialmente 13
variáveis que explicavam 67.5% da variância total e forçamos a extracção de mais uma variável
ficando assim 14 componentes que explicam cerca de 70% da variância dos dados.

Analisando Scree Plot (gráfico dos valores próprios por cada componente) para a análise
factorial das componentes do abandono desportivo na figura1, considerou-se apenas significativo
analisar 5 componentes principais que por si só representam 38% da variância.

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Esta medida prendeu-se com o facto dos valores apresentados pelas restantes componentes não
se diferenciarem significativamente e pelos seus valores próprios se aproximarem de zero, dando
inicio à formação de uma recta quase horizontal.

Figura1:Scree Plot para análise factorial das componentes de abandono desportivo

A tabela 15 mostra a matriz de componentes rodada, na qual podemos distinguir quais as


dimensões mais significativas invocadas pelos grupos inquiridos em relação as causas do seu
abandono da pratica do basquetebol. Na tabela 15 os valores baldados são aqueles que mais se
destacaram em cada componente.

Importa também realçar que todas as variáveis tem valores de comunalidades superiores a 0.30
(anexo 4.2) o que indica-nos que todas elas explicam e contribuíram para a definição das
componentes principais.

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Rotated Component Matrixa

Component

1 2 3 4 5
B5 0.607 -0.100 0.211 -0.269 0.354
C3 0.592 -0.224 -0.029 -0.066 -0.102
C6 0.579 -0.087 0.165 0.258 -0.021
B3 0.528 -0.426 0.187 -0.280 0.202
B4 0.524 -0.026 -0.117 -0.059 0.113
D9 0.506 0.037 0.189 -0.456 0.182
C5 0.497 -0.389 0.198 -0.338 0.075
B6 0.494 0.259 0.012 0.028 -0.075
C1 0.492 -0.469 0.008 -0.078 0.154
D3 0.470 0.173 -0.441 0.208 0.102
D10 0.458 0.127 0.268 -0.070 -0.227
D6 0.448 0.020 -0.117 0.058 0.213
E3 0.440 0.045 -0.408 -0.045 0.198
D8 0.422 0.327 -0.362 0.125 0.103
A5 0.416 -0.028 -0.283 0.166 0.102
E4 0.409 0.320 -0.057 0.049 0.048
A4 0.003 0.624 0.189 -0.308 -0.021
B7 0.287 0.441 0.121 0.188 0.134
F1 0.223 0.437 -0.017 -0.392 -0.323
A2 -0.161 0.383 0.379 -0.186 0.264
F3 0.228 0.360 -0.325 -0.217 -0.308
D1 0.301 0.224 -0.568 -0.027 -0.218
C2 0.415 -0.062 0.431 0.287 -0.371
A3 -0.109 0.389 0.407 -0.018 0.201
A1 -0.065 0.339 0.060 -0.488 0.021
F2 0.152 0.119 0.295 0.457 -0.076
E2 -0.013 0.349 -0.086 0.325 0.524
E5 0.067 -0.082 0.023 0.111 0.488
C4 0.370 0.156 0.203 0.007 -0.458
D7 0.294 0.251 0.245 0.383 0.055
D2 0.014 0.125 -0.091 0.081 0.006
B2 0.165 -0.198 -0.085 0.027 -0.164
D5 0.296 -0.159 0.168 0.315 -0.220
B1 0.385 0.255 0.163 0.100 -0.113
E1 -0.081 0.269 0.221 0.152 0.293

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D4 0.193 -0.146 0.177 0.192 -0.111


Tabela 15 matriz rodada de 5 componentes principais das causas do abandono desportivo
a
14 components extracted

Estes resultados demonstram através da dimensão B (Capacidades Individuais) que a falta do


justamente das capacidades individuais dos jovens na pratica do basquetebol foi o motivo mais
invocado para o abandono desta modalidade, que na maior parte dos casos deve-se a falta do
enquadramento dos jovens praticantes no grupo de trabalho, e de falta de oportunidade para a
ascensão de categorias desportivas. A dimensão C (treinador) dá-nos a entender que os
treinadores não têm proporcionado a prática desportiva de maneiras a irem ao encontro das
capacidades individuais de todos os atletas, mas apenas dos atletas mais dotados causando uma
frustração nos jovens menos dotados o que leva posteriormente ao abandono.

A dimensão A (tempo) é apontada como a segunda e terceira componente a mais representativa


no abandono nos ex-atletas da prática do basquetebol. Isso deve-se o facto em uma parte os
jovens terem muitas coisas por fazer, e por outra o facto de os treinadores não lhes
proporcionarem um programa de treino adequado, o que origina um mau aproveitamento do seu
tempo, sendo no entanto o jovem praticante ter que sacrificar na maior parte dos casos a sua
educação escolar.

A dimensão F (Orientação desportiva) surge de seguida como um factor também importante para
o abandono da prática do desporto pelos jovens atletas, no entanto com valores médios baixos.

Finalmente a dimensão E (condicionantes familiares e sociais) foi a última componente


apontada pelos inqueridos o que indica um aspecto positivo, pois mostra que família e a
sociedade influenciam os jovens para a não desistência a prática do desporto.

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4.3.3. COMPARAÇÃO ENTRE OS GRUPOS ESTRATÉGICOS

A análise dos dois grupos estratégicos (sexo masculino e feminino) foi feita em separado
seguindo os mesmos procedimentos adoptados no ponto anterior que teve como base os quadros
da análise factorial, matriz de componentes principais e o gráfico de scree plot, descritos no
anexo 4.2, na qual encontramos algumas diferenças significativas que passaremos a expor.
Verificou-se que os ex-atletas do sexo masculino possuem número inferior de componentes
principais em relação ao do sexo feminino o que levou-nos a concluir que os homens foram mais
objectivos e definiram com mais exactidão as dimensões que acharam terem influenciado o seu
abandono na prática do basquetebol em relação as mulheres, na qual no caso dos homens
determinaram 5 componentes principais que explicam cerca de 50% da variância total, enquanto
nas mulheres determinaram para a mesma percentagem 6 componentes principais.

SEXO

Componentes Masculino Feminino


Principais
1 B C B D
CAPACIDADE TREINADOR CAPACIDADE DIVERTIMENTO/AM
INDIVIDUAL INDIVIDUAL BIENTE/CLIMA
2 A D E
TEMPO DIVERTIMENTO/AMBIEN CONDICIONATES
TE/CLIMA FAMILIARES
3 D A
DIVERTIMENTO/AMBIENTE/CLIMA TEMPO
Tabela 16 Comparação das componentes principais entre os géneros na avaliação das causas do abandono
desportivo

A tabela 16, mostrou que ambos os grupos foram unânimes em invocarem a dimensão B
(capacidade individual) como o factor mais importante que motivou-lhe ao abandono da prática
do basquetebol, no entanto para além da dimensão B, os homens apontaram ainda outro factor
importante a dimensão C (treinador) enquanto as mulheres consideraram a dimensão D
(divertimento/ambiente/clima).

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Observou ainda que o segundo factor mais importante que influenciou o abandono desportivo, os
homens invocou a dimensão A (tempo) enquanto as mulheres apontaram 2 dimensões
nomeadamente dimensão D (divertimento/ambiente/clima) e a dimensão E (condicionantes
familiares).

A terceira componente mais invocada para o abandono no desporto, os homens indicaram 2


dimensões, ou seja a dimensão D (divertimento/ambiente/clima) e a dimensão F (orientação
desportiva) enquanto as mulheres apontaram apenas a dimensão A (tempo).

Assim verificou-se que a diferença existente entre os dois grupos quanto aos factores do
abandono no desporto centra-se na dimensão C que foi invocada pelos homens e na dimensão E
invocada pelas mulheres, facto que veio a ser comprovado na revisão da literatura da grande
influência que estas duas dimensões têm no abandono da prática desportiva nos jovens.

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


Com esta discussão pretende-se: comparar os resultados obtidos neste estudo com resultados de
outros estudos semelhantes efectuados neste âmbito, identificar com base na literatura, as
diferenças ou semelhanças entre o presente e os restantes estudos consultados.

5.1. INDICADORES MAIS INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE AMBOS OS


SEXOS PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL
Os vários possíveis motivos invocados pelos ex-atletas ao abandono da prática desportiva
identificada neste trabalho foram vários sendo os mais principais: Estudar é mais importante que
pratica desporto, tinha outras coisas para fazer, não tinha tempo para treinar, interessei-me por
outros passatempos, na qual estão podemos resumir estes motivos que foram essencialmente
devido a prioridade nos estudos e falta de tempo.

Os motivos encontrados no presente estudo relacionam-se directamente com os mencionados por


Sousa, 2010, Bara Filho & Garcia (2008), Gomes (2001), Oliveira et al., (2007), Mota (2005),
Menoncin Jr (2003), tais como: o prejuízo nos estudos, vontade de fazer outras actividades, falta
de tempo, o facto de querer praticar outras modalidades, dificuldade em estudar e treinar.

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No entanto, são contrários a alguns mencionados por Carmo,et al. (2009), tais como não ter
condições físicas” e “não ter apoio federativo. Por sua vez Martens 1980, Cruz 1996, citaram
motivos que não foram encontrados no nosso estudo, tais como os resultados negativos, a falta
de apoio, as lesões, a rotina dos treinos e a falta de integração social, no entanto o mesmo autor
citou um dos motivo semelhante ao nosso estudo como a falta de conciliação dos estudos com o
desporto.

5.2. DIMENSÕES MAIS INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE AMBOS OS


SEXOS PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL
As principais dimensões apontadas no nosso estudo como indicadores do abandono desportivo
em ambos os sexos por ordem decrescente de importância foram as Dimensões B (Capacidade
Individuais) e a Dimensão C (treinador). Vários autores como Mota (2005), Mc Pherson et al
(1980), Pooley (1980), Fry et al(1981), Costa & Cruz(1997), Coelho e Silva & Garcia da
Silva(2003) fizeram referencias também as razões relacionadas com o treinador e com o tempo
como sendo mais importantes para explicarem o abandono da pratica desportiva por parte dos
jovens praticantes.

Contrariamente aos resultados alcançados no nosso estudo, De Abreu (2011) no seu estudo
sobres as causas de abandono no desporto escolar em jovens de algumas escolas de Lisboa, as
razões apontados por ambos sexos foram as dimensões tempo e orientação desportiva.

5.3. CONFRONTAÇÃO DAS CAUSA INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE


AMBOS OS SEXOS PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL
No presente estudos verificamos que existiam diferenças estatisticamente significativas entre os
ambos sexos quanto as razões do seu abandono na pratica desportiva, onde os do sexo masculino
observou-se a dimensão treinador, onde constatou-se que este resultado contrariava-se aos do
estudo feito por De Abreu (2011) na qual o género masculino apontaram as dimensões
indicadores de treino e orientação desportiva com as mais preponderantes.

Causas do Abandono dos Jovens da Prática de Basquetebol Competitivo em Maputo. Monografia sob orientação do Prof. Doutor Vicente Tembe,
apresentada à Universidade Pedagogia-FEFD com vista a obtenção do titulo de licenciatura em Gestão do Deporto. Maputo, 2013.
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Já o género feminino foram mais sensíveis a dimensão condicionantes familiares no nosso


estudo, indo ao encontro do estudo efectuados por De Abreu (2011),e Viegas et al (2009)

6. CONCLUSÃO

Ao analisar no presente estudo sobre as causas que levam os jovens a abandonarem a prática de
basquetebol na cidade de Maputo foi possível chegar as seguintes conclusões:

A primeira conclusão a que podemos chegar neste estudo relaciona-se com a relação das
variáveis do questionário com as dimensões a que pertence. Os resultados dos valores da
estatística descritiva (media, desvio padrão) e da consistência interna de cada dimensão e o
conjunto dos variáveis calculados através do alpha cronbach permitiram a selecção das variáveis
que maior relação detém com a própria dimensão. Esta selecção deve respeitar a exequibilidade
do projecto de investigação, as características do estudo e a própria capacidade de predição e
menor erro associado a mensuração das diversas variáveis.

Assim os resultados permitiram rejeitar a primeira hipótese nula HO1, mostrando que existe uma
relação entre as variáveis e dimensão a que pertencem e que podem ser seleccionadas algumas
variáveis para predizer com baixa certeza os valores associadas a própria dimensão.

A terceira grande conclusão diz respeito à coerência do conjunto de dimensões seleccionadas.


Através dos testes de KMO permitiram dar consistência à análise factorial das dimensões em
questão e determinar qual ou quais as dimensões mais importantes na definição das causas do
abandono desportivo nos jovens atletas.
A segunda hipótese nula H02 também foi rejeitada mostrando haver coerência entre todas as
dimensões estudadas e validando o instrumento. Assim foi possível identificar as três principais
dimensões consideradas como indicadoras para o abandono da prática do basquetebol pelos
géneros que dizem respeito as razões relacionadas com capacidade individuais, treinador e
divertimento/ambiente/clima.

A quarta grande conclusão deste estudo diz respeito à confirmação da terceira hipótese H03. Os
dados extraídos da análise factorial dos grupos estratégicos em separado, confirmaram

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semelhanças e diferenças na percepção que dos géneros quanto as causas do abandono da prática
desportiva.

Os resultados mostraram que as semelhanças são mais notórias que as diferenças, no entanto, as
diferenças encontradas foram estaticamente significativas.

As dimensões semelhantes escolhidas por ambos sexos como causas do abandono desportivos
estiveram relacionadas com as capacidades individuais, tempo e divertimento/ambiente/clima,
centrando-se as diferenças de opinião nas dimensões ligadas ao treinador e condicionantes
familiares.

7. LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA PRÓXIMOS ESTUDOS


Com o decorrer do nosso estudo constatamos que havia pouca bibliografia ligada as causas de
abandono da pratica do basquetebol nos jovens, na qual verificamos também uma simplicidade
quanto a analise e tratamento dos dados o que levou-nos a optar por outros métodos no nosso
trabalho de forma a aprofundar melhor os resultados do nosso estudo. Outra grande limitação
verificada é o facto de alguns ex-atletas inquiridos não terem identificado nos itens do
questionário as causas que levaram o seu abandono da prática do basquetebol, facto que fez com
que respondesse com algumas dúvidas e até mesmo incorrectamente o questionário, o que levou-
nos a redução da nossa amostra.

Contudo, para além de todos os aspectos referidos pensamos que será fundamental dar
continuidade ao nosso estudo, pelo que deixamos algumas sugestões:

 Realização de estudos idênticos para diferentes modalidade desportivas,


 Alargamento de estudo idênticos para todos os escalões e a outras partes do pais para
poder identificar os motivos de abandono em função da idade e da região,
 Realização de estudo para perceber a existência da relação entre as causas de abandono e
as modalidade desportivas,

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Verificou-se no presente estudo que o treinador tem grande influência no abandono da


prática desportiva nos jovens, assim seria importante fazer um estudo para conhecer as
motivações dos treinadores para o ensino das modalidades desportivas, ajudando perceber se
são os próprios jovens que decidem abandonar a prática do desporto uma vez que invocaram
a falta de tempo e do não ajustamento das suas capacidades individuais ou são próprios
treinadores que detêm de maior peso no abandono desportivo.

A outra constatação é o facto de alguns variáveis do questionário possuírem uma baixa ou


ate mesmo uma inexistência na predição das causas do abandono desportivo o que sugerimos
que haja uma reorganização dos itens que fazem parte do questionário - QRAPDE.

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Conteúdo
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1
1.1. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ....................................................................................... 2

1.2. OBJECTIVOS .................................................................................................................. 3

1.2.1. OBJECTIVO GERAL .............................................................................................. 3

1.2.2. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................. 3

1.3. JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 3

1.4. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO ...................................................................................... 4

1.5. LIMITAÇÃO DO ESTUDO ............................................................................................ 4

2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................................ 5


2.1. O BASQUETEBOL ......................................................................................................... 5

2.2. O ADOLESCENTE ......................................................................................................... 7

2.2.1. TRANSFORMAÇÕES FÍSICAS ............................................................................. 7

2.2.2. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................................. 7

2.3. OS JOVENS E O TREINO .............................................................................................. 8

2.3.1. EXIGÊNCIAS DA FORMAÇÃO E PREPARAÇÃO DO JOVEM PARA O


TREINO E COMPETIÇÕES .................................................................................................. 8

2.4. A INFLUÊNCIA DOS ADULTOS ............................................................................... 10

2.4.1. A INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA ............................................................................ 10

2.4.2. O PAPEL DO TREINADOR.................................................................................. 12

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2.5. PARTICIPAÇÃO DESPORTIVA ................................................................................. 14

2.5.1. MOTIVOS PARA A PRÁTICA DESPORTIVA ................................................... 14

2.5.2. ABANDONO DESPORTIVO ................................................................................ 15

2.5.2.1 DEFINIÇÃO DE ABANDONO DESPORTIVO ............................................... 15


2.5.3. MOTIVOS DO ABANDONO DESPORTIVO ...................................................... 16

2.5.4. ESTUDOS REALIZADOS NA ÁREA DO ABANDONO DESPORTIVO ......... 18

3. METODOLOGIA ................................................................................................................... 22
3.1. TIPO DE ESTUDO ........................................................................................................ 22

3.2. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO E DA AMOSTRA ..................................... 22

3.3. INSTRUMENTO DE PESQUISA ................................................................................. 23

3.4. PROCEDIMENTOS DE RECOLHA DE DADOS ....................................................... 24

3.5. ANALISE DOS DADOS E TRATAMENTO ESTATÍSTICOS .................................. 25

3.5.1. HIPOTES NULAS .................................................................................................. 25

3.5.2. TRATAMENTO DOS DADOS ............................................................................. 26

3.5.3. VARIAVEIS DE ESTUDO .................................................................................... 27

3.5.3.1 VARIAVEIS DEPENDENTES .......................................................................... 27


3.5.3.2 VARIAVEIS INDEPENDENTES ...................................................................... 28
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................................. 29
4.1. ANÁLISE DA CONSISTÊNCIA INTERNA DAS DIMENSÕES DO
QUESTIONÁRIO – QRAPDE ................................................................................................. 29

4.2. ESTUDO DESCRITIVO ............................................................................................... 30

4.2.1. ESTUDO DAS CAUSAS INVOCADOS PELOS EX-ATLETAS PARA O


ABANDONO DA PRÁTICA DO BASQUETEBOL ........................................................... 30

4.2.1.1 DIMENSÃO A ( TEMPO) .................................................................................. 30


4.2.1.2 DIMENSÃO B ( CAPACIDADE INDIVIDUAIS) ............................................ 31
4.2.1.3 DIMENSÃO B (CAPACIDADE INDIVIDUAIS) ............................................. 31
4.2.1.4 DIMENSÃO C (TREINADOR) ......................................................................... 32

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4.2.1.5 DIMENSÃO D ( DIVERTIMENTO/AMBIENTE/CLIMA) ............................. 33


4.2.1.6 DIMENSÃO E ( CONDICIONANTES FAMILIARES E SOCIAIS) ............... 34
4.2.1.7 DIMENSÃO F ( ORIENTAÇÃO DESPORTIVA) ............................................ 35
4.3. ESTUDO PREDITIVO .................................................................................................. 35

4.3.1. ANALISE DAS DIMENSÕES PRINCIPAIS ........................................................ 35

4.3.2. AVALIAÇÃO TOTAL DAS DIMENSÕES DE ABANDONO DESPORTIVO .. 36

4.3.3. COMPARAÇÃO ENTRE OS GRUPOS ESTRATÉGICOS ................................. 40

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ...................................................................................... 41


5.1. INDICADORES MAIS INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE AMBOS OS
SEXOS PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL .......................................................... 41

5.2. DIMENSÕES MAIS INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE AMBOS OS SEXOS


PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL ........................................................................ 42

5.3. CONFRONTAÇÃO DAS CAUSA INVOCADAS PELOS EX-ATLETAS DE AMBOS


OS SEXOS PARA O ABANDONO DO BASQUETEBOL .................................................... 42

6. CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 43
7. LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA PRÓXIMOS ESTUDOS......................................... 44
8. REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 45

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Índice de Tabelas

Tabela 1 fuIndamentos do basquetebol, seus tipos e características .............................................. 6


Tabela 2 envolvimento dos pais na carreira desportiva dos seus filhos ....................................... 12
Tabela 3 Caracterização da Amostra ............................................................................................ 22
Tabela 4 Idades de abandono do basquetebol ............................................................................... 23
Tabela 5 Idades dos ex-atletas ...................................................................................................... 23
Tabela 6 Agregado dos itens de acordo com a análise do conteúdo ............................................. 24
Tabela 7 consistência interna das dimensões do questionário ...................................................... 29
Tabela 8 Estatística Descritiva da Dimensão A (Tempo) ............................................................. 30
Tabela 9 Estatística Descritiva da Dimensão B (Capacidade Individuais) ................................... 31
Tabela 10 Estatística Descritiva da Dimensão C (Treinador) ....................................................... 32
Tabela 11 Estatística Descritiva da Dimensão D (divertimento/ambiente/clima) ........................ 33
Tabela 12 Estatística Descritiva da Dimensão E (Condicionantes Familiares e Sociais)............. 34
Tabela 13 Estatística Descritiva da Dimensão F (Orientação Desportiva) ................................... 35
Tabela 14 resultados dos testes de K.M.O e de esfericidade de Bartlett ...................................... 36
Tabela 15 matriz rodada de 5 componentes principais das causas do abandono desportivo ........ 39
Tabela 16 Comparação das componentes principais entre os géneros na avaliação das causas do
abandono desportivo ..................................................................................................................... 40
Índice de Figuras

Figura1:Scree Plot para análise factorial das componentes de abandono desportivo……………38

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