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Módulo 1

Centro de Estudos FundaçãoSão Lucas

Ciclo Humano Vital 2

Professora Leila Lessa

Sistema Respiratório

Sistema Cardiovascular

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Sistema Respiratório

INTRODUÇÃO

O sistema respiratório é responsável pelo mecanismo de troca gasosa


(hematose) com o ar atmosférico para garantir que a concentração de oxigênio
seja mantida no sangue. Além das trocas gasosas, o sistema respiratório
também auxilia na regulação da temperatura corporal e na manutenção do pH
do sangue. O mecanismo de hematose pulmonar é fundamental para manter o
equilíbrio acidobásico do sangue. O sistema respiratório é constituído pelo
nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões.
Classicamente, o sistema respiratório é dividido em vias aéreas superiores e
vias aéreas inferiores. As vias aéreas superiores são formadas por órgãos que
se situam externamente à caixa torácica, nariz externo, cavidade nasal, faringe
e laringe. As vias aéreas inferiores são constituídas pelos órgãos localizados na
caixa torácica, traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos pulmonares e
pulmões.

Os músculos respiratórios principais (músculo diafragma e músculos


intercostais) e acessórios (músculos abdominais, músculo serrátil anterior,
músculos escalenos, músculo esternocleidomastoide) são estruturas anexas ao
sistema respiratório.

ESTUDO DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES

NARIZ

O nariz é uma estrutura ímpar, mediana, com formato de uma pirâmide


triangular. Apresenta-se como uma protuberância situada no centro da face
contendo uma raiz, um dorso, uma base e um ápice. As faces laterais do nariz
apresentam uma saliência semilunar denominada de asa do nariz. O nariz é
dividido em duas porções, o nariz externo, formado por um esqueleto
cartilaginoso revestido internamente por mucosa e externamente por músculo e
pele; o nariz interno, constituído por um esqueleto ósseo revestido
internamente por mucosa. No interior no nariz apresenta-se uma ampla
cavidade nasal, subdividida em dois compartimentos por meio do septo nasal
em fossa nasal direita e fossa nasal esquerda. Cada compartimento dispõe de
um orifício anterior (narina) e um posterior (coanas). As narinas são duas
aberturas situadas na base do nariz externo formadas pelas cartilagens alares
maiores do nariz. Essas aberturas procuram manter abertas as vias aéreas
superiores para facilitar a ventilação pulmonar. Internamente as narinas
apresentam pêlos especiais denominados de vibrissas. Essas estruturas
procuram contribuir com a filtração do ar inspirado e impedem a entrada de
insetos na cavidade nasal.

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Na cavidade nasal o ar torna-se condicionado, ou seja, é filtrado, umedecido e
aquecido. Na parede lateral da cavidade nasal encontram-se as conchas
nasais: superior, média e inferior. As conchas nasais são projeções ósseas,
totalmente revestidas por 5 mucosa, constituídas pelo osso etmóide (concha
nasal superior e média) e pelo osso concha nasal inferior. O esqueleto do nariz
é formado por ossos, cartilagens, músculos, membrana fibrosa e uma
membrana mucosa. O esqueleto ósseo do nariz é constituído pelos ossos
nasais (02), osso etmoide (01), osso concha nasal inferior (02), osso vômer
(01), ossos maxilares (02) e ossos palatinos (02). Os ossos nasais
correspondem a dois pequeninos ossos classificados como laminares,
localizados na raiz do nariz.

FARINGE

A faringe é uma estrutura em forma tubular que inicia nas coanas e segue
inferiormente em direção ao pescoço. A sua parede é constituída por músculos
esqueléticos revestidos internamente por uma túnica mucosa. Localizam-se
posteriormente às cavidades nasais e anteriormente as vértebras cervicais. A
faringe é uma via comum aos sistemas respiratório e digestório. Atua como via
condutora de ar da cavidade nasal para a laringe e também como via
condutora de alimento da cavidade bucal em direção ao esôfago.

A faringe apresenta comunicação com a cavidade nasal por meio das coanas,
comunica-se com a cavidade oral através do istmo das fauces (garganta), com
o ouvido médio por meio do óstio faríngeo da tuba auditiva, com a laringe
através do adito da laringe e com o esôfago a partir de sua continuidade
inferior. No indivíduo adulto a faringe mede aproximadamente cinco
centímetros se estendendo desde a base exterior do crânio até a 6ª ou 7ª
vértebra cervical. A faringe divide-se em três regiões anatômicas, nasofaringe,
orofaringe e laringofaringe.

LARINGE

A laringe é uma estrutura tubular que liga a faringe com a traquéia. Apresenta-
se situada na linha mediana do pescoço, anteriormente a quarta, quinta e sexta
vértebras cervicais.

A laringe além de atuar como via de condução de ar, desempenha função na


produção de som (órgão de fonação). Na sua superfície interna, a laringe
apresenta uma fenda anteroposterior denominada vestíbulo da laringe formada
por duas pregas: prega vestibular (pregas vocais falsas) e a prega vocal
(pregas vocais verdadeiras).

TRAQUEIA

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A traqueia é uma estrutura anatômica com formato tubular. Apresenta-se como
um tubo cilíndrico de 10 cm a 12,5 cm de comprimento e de 2,5cm de diâmetro,
dividindo duas porções, um cervical e outra torácica.

A traqueia situa-se medial e anteriormente ao esôfago, e na sua terminação


desviase ligeiramente para a direita. É constituída por uma série de
aproximadamente 20 anéis cartilagíneos incompletos posteriormente,
denominados de cartilagens traqueais. Esses mesmos anéis se sobrepõem e
são ligados entre si pelos ligamentos anulares, que possuem a função de
manter a traquéia rígida, para que a mesma não entre em colapso, e ao
mesmo tempo, unidas por tecido elástico, fique assegurada a sua mobilidade e
flexibilidade que se desloca durante o processo de respiração e com os
movimentos da laringe. A parede posterior da traqueia, desprovida de
cartilagem, apresenta uma musculatura lisa, constituindo desta forma, a parede
membranácea posterior da traqueia, onde se encontra o músculo traqueal.
Desde o término da cartilagem cricoide da laringe, na altura da sexta vértebra
cervical segue-se a traqueia, que penetra no tórax terminando dividindo-se nos
dois brônquios principais que se inserem nos pulmões direito e esquerdo, ao
nível do ângulo esternal (na altura da quinta vértebra torácica).

Os BRÔNQUIOS

brônquios são os condutos cartilaginosos que levam o ar da traqueia aos


pulmões. Os mesmos estão localizados abaixo da região inferior da traqueia e
se estendem desde a ramificação desta até o hilo pulmonar, na porção
mediana do tórax. São compostos por anéis de cartilagem e fibras musculares,
assim como na traqueia, e revestidos por um epitélio ciliado com células
capazes de produzir muco, as células caliciformes. O brônquio principal direito
se apresenta mais largo e mais curto do que o esquerdo, o que explica a
consequência do maior afluxo de corpos estranhos que nele penetram. Após
sua inserção no hilo pulmonar, o brônquio principal direito se divide em
brônquios lobares ou de segunda ordem, superior, médio e inferior.

O mesmo não ocorre com o brônquio principal esquerdo que se apresenta


dividido apenas em brônquios superior e inferior, visto que a secção do pulmão
esquerdo ocorre apenas pela fissura oblíqua, dividindo-o em lobos superior e
inferior. Dos brônquios lobares seguem os brônquios segmentares ou de
terceira ordem, responsáveis pela ventilação dos lobos pulmonares e que se
ramificam inúmeras vezes até darem origem aos bronquíolos, um para cada
alvéolo pulmonar, até se estabelecer a árvore bronquial.

PULMÕES

Os pulmões são órgãos duplos localizados um de cada lado do tórax, na região


interior da cavidade torácica. É o principal órgão do sistema respiratório. Os
pulmões apresentam em média o peso de 700 g e altura de 25 cm. Cada

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pulmão tem uma forma piramidal com um ápice, uma base, três bordas e três
faces. O ápice do pulmão encontra-se voltado cranialmente e tem forma
levemente arredondada. Apresenta um sulco percorrido pela artéria subclávia,
denominado sulco da artéria subclávia. No corpo humano, o ápice do pulmão
atinge o nível da articulação esternoclavicular A base do pulmão apresenta uma
forma côncava, apoiando-se sobre a face superior do músculo diafragma. A
concavidade da base do pulmão direito é mais profunda que a do esquerdo
devido à presença do fígado. Cada pulmão apresenta três margens: uma
anterior, uma posterior e uma inferior. A borda anterior é delgada e estende-se
à face ventral do coração. A borda anterior do pulmão esquerdo apresenta uma
incisura produzida pelo coração, à incisura cardíaca. A borda posterior é romba
e projeta-se na superfície posterior da cavidade torácica. A borda inferior
apresenta duas porções: (1) uma que é delgada e projetase no recesso
costofrênico e (2) outra que é mais arredondada e projeta-se no mediastino. O
pulmão apresenta três faces, sendo elas: a face costal ou lateral (relativamente
lisa e convexa voltada para a superfície interna da cavidade torácica); a face
diafragmática ou face inferior (face côncava que assenta sobre a cúpula 19
diafragmática) e a face mediastínica ou face medial (possui uma região
côncava onde se acomoda o coração).

Os pulmões apresentam características morfológicas diferentes. O pulmão


direito apresenta três lobos (superior, inferior e médio) divididos por duas
fissuras. Sendo uma fissura oblíqua faz a divisão do lobo inferior dos lobos
médio e superior e a fissura horizontal, que separa o lobo superior do lobo
médio. O pulmão esquerdo apresenta dois lobos (superior e inferior) separados
por uma fissura oblíqua. Cada lobo pulmonar é subdividido em segmentos
pulmonares, que constituem unidades pulmonares completas, consideradas
autônomas sob o ponto de vista anatômico: pulmão direito com 3 lobos e o
esquerdo com 2.

PLEURA

A pleura é uma membrana serosa de dupla camada que reveste internamente


a parede torácica, o músculo diafragma e o mediastino (espaço entre os
pulmões) para formar a pleura parietal. Em seguida, a pleura reflete-se na
região do hilo pulmonar sobre a superfície externa dos pulmões revestindo-os
intimamente e também aprofundando em suas fissuras e nos lobos pulmonares
para constituir a pleura visceral ou pleura pulmonar. A cavidade pleural é o
espaço virtual entre as pleuras visceral e parietal. Apresenta-se preenchido por
uma pequena quantidade de líquido pleural. O líquido pleural tem a função de
diminuir o atrito entre pleuras visceral e parietal facilitando o deslizamento entre
elas durante os movimentos respiratórios de inspiração e expiração.

HILO PULMONAR

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O hilo pulmonar corresponde a uma abertura localizada na face mediastinal de
cada pulmão. Atua como um portal para a entrada dos brônquios principais
direito e esquerdo, artérias pulmonares, direita e esquerda, e saída de nervos e
vasos linfáticos. O conjunto de estruturas que passam no hilo pulmonar é
denominado em grupo de pedículo pulmonar.

MECANISMO DE INSPIRAÇÃO E EXPIRAÇÃO

Inspiração e expiração correspondem à entrada e saída de ar dos pulmões,


respectivamente. Ambos os movimentos são promovidos pela ação
coordenada de uma série de músculos respiratórios que se contraem e relaxam
de forma sincronizada, proporcionando a sucessiva expansão e retração da
cavidade torácica e, consequentemente, dos pulmões, cujo parênquima é
caracterizado por grande elasticidade. Durante o mecanismo de Inspiração
ocorre contração do músculo diafragma, acompanhada da contração dos
músculos intercostais externos. Essas contrações musculares dinâmicas
contribuem com a ocorrência de pressões negativas internamente e
conseqüentemente a entrada de ar até os alvéolos pulmonares. Os principais
músculos inspiratórios são os músculos diafragma e intercostais externos, que
ao se contraírem tendem a ampliar a cavidade torácica nos dois sentidos,
longitudinal e transversal. O músculo diafragma se apresenta como um amplo e
potente músculo de forma arcada que separa a cavidade torácica da
abdominal. É o músculo inspiratório mais importante. Quando se contrai
apresenta-se plano, exercendo tração para baixo, o que proporciona a
expansão de toda a cavidade torácica. Existem outros músculos do tórax que
intervêm nas inspirações profundas ou na presença algum obstáculo que
ocasiona dificuldade na entrada de ar até os pulmões. Os mais importantes são
os músculos peitorais maiores e menores, que revestem a parede anterior do
tórax; o músculo esternocleidomastóideo, localizado bilateralmente na face
anterolateral do pescoço e o músculo serrátil anterior situado na parede lateral
do abdome. A contração dos músculos inspiratórios provoca a dilatação de toda
a cavidade torácica e da pleura parietal. Paralelamente, a expansão da pleura
parietal provoca o aumento da pressão negativa que existe, normalmente, no
espaço que separa a mesma da pleura visceral. Neste espaço pleural, gera-se
uma pressão negativa provocando um efeito de "vácuo" levando a pleura
visceral ser igualmente impulsionada para fora. Por fim, como o tecido
pulmonar é elástico, a expansão da pleura visceral proporciona o mesmo
fenômeno com os pulmões, gerando uma pressão negativa no interior dos
alvéolos que provoca a penetração do ar e insuflação com consequente
dilatação. Os músculos intercostais externos, situados entre as costelas, atuam
auxiliando sinergicamente o músculo diafragma, elevando as costelas, ao
exercerem tração sobre o esterno anteriormente, ampliando a cavidade
torácica latero-lateralmente. Quando os músculos inspiratórios relaxam, deixam
de exercer força sobre a cavidade torácica, os pulmões tendem a voltar ao seu

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volume normal, expulsando o ar para o exterior. A expiração corresponde a um
mecanismo mais passivo. Ocorre relaxamento do músculo diafragma e dos
músculos intercostais externos acompanhados de leves contrações dos
músculos intercostais internos. Os músculos intercostais externos são os
músculos expiratórios mais importantes que ao se contraírem aproximam as
costelas causando a retração da cavidade torácica e saída de ar dos pulmões.

HEMATOSE

Hematose é um mecanismo fisiológico vital de trocas gasosas nos alvéolos


pulmonares. Os alvéolos pulmonares são estruturas saculares microscópicas,
localizados no final dos bronquíolos. A hematose, ou troca gasosa, ocorre
durante a respiração orgânica do ser vivo e corresponde ao processo em que o
oxigênio é conduzido dos alvéolos pulmonares para a corrente sanguínea e
conseqüentemente ser conduzido pelas hemácias e futuramente entrar nas
células e ocasionar a respiração aeróbia na presença da glicose. A hematose
possibilita a transformação de sangue venoso, rico em gás carbônico, em
sangue arterial, oxigenado. A grande eficiência das trocas gasosas nos seres
humanos ocorre devido à grande área de superfície alveolar, à sua parede
extremamente fina e à sua ampla rede de vasos capilares sanguíneos
alveolares.

CONTROLE DOS MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS

Em decorrência do centro nervoso respiratório, localizado no bulbo (estrutura


do tronco encefálico), os movimentos respiratórios ocorrem rotineiramente de
forma espontânea, mas podem ser realizados voluntariamente. O centro
nervoso respiratório é responsável pelo ritmo respiratório, controle da
frequência respiratória, pelo controle da intensidade dos músculos respiratórios
além de controlar o pH do sangue, bem como os níveis de oxigênio e dióxido
de carbono, parâmetros detectados pelos quimiorreceptores localizados nos
seios carotídeos, nas artérias carótidas e na artéria aorta.

MECÂNICA RESPIRATÓRIA

O ar move-se pela traqueia para o interior dos pulmões quando a pressão


intrapulmonar é menor que a pressão atmosférica e para fora quando a
pressão intrapulmonar é maior que a atmosférica. Para que a mobilização do ar
ocorra por meio das vias aéreas, que caracteriza o ato de respirar - há
necessidade do aumento e diminuição do volume da caixa torácica. Durante a
inspiração a cúpula diafragmática move-se para baixo aumentando o volume
da caixa torácica no sentido longitudinal, que ocorre devido à ação do principal
músculo da inspiração, o diafragma. Depois, os músculos intercostais externos
e os músculos cervicais (esternodeidomastoideo e escalenos) elevam a 25
parte anterior da caixa torácica, diminuindo o ângulo das costelas com o eixo
vertical, aumentando o diâmetro anteroposterior da caixa torácica. Com o

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aumento do diâmetro, há uma diminuição da pressão intratorácica, criando uma
ação de sucção do ar atmosférico para dentro dos pulmões, chamado de efeito
pressórico negativo. A expiração ocorre, via de regra, passivamente. Quando
os músculos envolvidos na inspiração relaxam, a retração elástica dos
pulmões, a parede torácica e as estruturas abdominais retornam às costelas e
o diafragma à posição de descanso. Isto reduz o volume da cavidade torácica e
aumenta a pressão nos pulmões, até que a mesma fique um pouco superior à
pressão atmosférica, havendo a saída do ar, até que as pressões
intrapulmonares e atmosféricas entrem novamente em equilíbrio.

PADRÃO RÍTMICO DA RESPIRAÇÃO

O padrão rítmico normal de um adulto é de 12 a 16 incursões respiratórias por


minuto e depende da atividade cíclica dos neurônios que suprem os músculos
respiratórios. Os corpos celulares destes neurônios estão localizados no bulbo,
em uma área denominada centro respiratório, e estão assim localizados: 1.
Área inspiratória: região dorsolateral do bulbo (o ritmo básico da respiração é
gerado nesta área); 2. Área expiratória: região ventrolateral do bulbo (estão
quase sempre inativos, são excitados apenas durante o exercício intenso). 3.
Área pneumotáxica: substância reticular, ativado apenas quando há
necessidade de aumentar a frequência e diminuir a amplitude respiratória,
visando aumentar a troca de CO2, por meio de uma respiração rápida e
superficial.

ESPAÇO MORTO ANATÔMICO

Em condições normais, num indivíduo adulto em repouso, a cada movimento


inspiratório entra nas vias respiratórias cerca de 500 ml de ar, o denominado
volume corrente. Desta quantidade, cerca de 150 ml não chegam aos pulmões,
apenas alcançam os brônquios, no designado espaço morto anatômico. Em
situações de esforço, durante uma inspiração profunda, pode-se chegar a
aspirar adicionalmente um máximo de 3 l de ar, o que corresponde ao volume
de reserva inspiratória. A soma de ambos os valores, do volume corrente e do
volume de reserva inspiratória, perfazem no máximo 3,5 l, constituindo a
capacidade inspiratória. Ao longo das expirações realizadas em repouso sai
uma quantidade de ar correspondente ao volume corrente. No entanto, numa
expiração forçada, os pulmões podem expulsar uma quantidade de ar adicional
de cerca de 1 litro, denominado de volume de reserva expiratória. A quantidade
máxima de ar que pode ser colocada em movimento, ou capacidade vital,
corresponde à soma da capacidade inspiratória e do volume de reserva
expiratória, o que equivale a um máximo de 4,5 l. Após uma expiração forçada,
existe sempre uma determinada quantidade de ar que permanece nos alvéolos,
que nunca chegam a esvaziar-se completamente em condições normais, ou
seja, a capacidade residual funcional, num máximo de 1,2 l. Por fim, a
capacidade pulmonar total, que equivale ao máximo de ar que se pode conter

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nos pulmões após uma inspiração forçada, é de cerca de 4 l no sexo feminino e
de aproximadamente 6 l no sexo masculino.

MEMBRANA RESPIRATÓRIA

É definida como toda a superfície pulmonar que permite a difusão dos gases do
ar alveolar para as hemácias. Incluem os bronquíolos respiratórios, os ductos
alveolares, os anéis ventriculares, os sacos alveolares e os alvéolos,
constituindo uma superfície de troca de aproximadamente 70 m². Essa
membrana é bastante delgada, facilitando a difusão dos gases através dela.
Outras características que permitem o transporte de gases através da
membrana respiratória são: 1. Gradiente de pressão dos gases entre uma face
e outra da membrana; 2. A maior superfície de troca da mesma; 3. A
solubilidade do gás na membrana (ex: CO² é vinte vezes mais solúvel que o O²
e o O² duas vezes mais solúvel que o nitrogênio). Epitélio Alveolar O epitélio
que forra os alvéolos contém dois tipos de células alveolares, além de células
fagocitárias. As células alveolares podem ser do tipo I e do tipo II. Tipo I:
constituem a maioria das células alveolares e são responsáveis pela hematose.
Tipo II: secretam uma substância chamada surfactante (agente superfície
ativo), que atua diminuindo a tensão superficial do liquido que reveste os
alvéolos, impedindo o colapso alveolar e diminuindo o esforço respiratório
(esforço muscular para expandir os pulmões).

REFERÊNCIAS: DÂNGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistêmica


e Segmentar. 2ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Atheneu, 2005. 2. ELIS, H.,
LOGAN, B., DIXON, A. Anatomia Seccional Humana. São Paulo, Editora
Santos, 2001.

Sistema Cardiovascular

A função básica do sistema cardiovascular é a de levar material nutritivo e


oxigênio às células. O sistema circulatório é um sistema fechado, sem
comunicação com o exterior, constituído por tubos, que são chamados vasos, e
por uma bomba percussora que tem como função impulsionar um líquido
circulante de cor vermelha por toda a rede vascular. O sistema cardiovascular
consiste no sangue, no coração e nos vasos sanguíneos. Para que o sangue
possa atingir as células corporais e trocar materiais com elas, ele deve ser
constantemente propelido ao longo dos vasos sanguíneos. O coração é a
bomba que promove a circulação de sangue por cerca de 100 mil quilômetros
de vasos sanguíneos.

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Circulação Pulmonar - leva sangue do ventrículo direito do coração para os
pulmões e de volta ao átrio esquerdo do coração. Ela transporta o sangue
pobre em oxigênio para os pulmões,onde ele libera o dióxido de carbono (CO2)
e recebe oxigênio (O2). O sangue oxigenado, então, retorna ao lado esquerdo
do coração para ser bombeado para circulação sistêmica.

Circulação Sistêmica - é a maior circulação; ela fornece o suprimento


sanguíneo para todo o organismo. A circulação sistêmica carrega oxigênio e
outros nutrientes vitais para as células, e capta dióxido de carbono e outros
resíduos das células.

CORAÇÃO

Apesar de toda a sua potência, o coração, em forma de cone, é relativamente


pequeno, aproximadamente do tamanho do punho fechado, cerca de 12 cm de
comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla e 6 cm de espessura.
Sua massa é, em média, de 250g, nas mulheres adultas, e 300g, nos homens
adultos.

O coração fica apoiado sobre o diafragma, perto da linha média da cavidade


torácica, no mediastino, a massa de tecido que se estende do esterno à coluna
vertebral; e entre os revestimentos (pleuras) dos pulmões. Cerca de 2/3 de
massa cardíaca ficam a esquerda da linha média do corpo. A posição do
coração, no mediastino, é mais facilmente apreciada pelo exame de suas
extremidades, superfícies e limites.

A extremidade pontuda do coração é o ápice, dirigida para frente, para baixo e


para a esquerda. A porção mais larga do coração, oposta ao ápice, é a base,
dirigida para trás, para cima e para a direita.

LIMITES DO CORAÇÃO

A superfície anterior fica logo abaixo do esterno e das costelas. A superfície


inferior é a parte do coração que, em sua maior parte repousa sobre o
diafragma, correspondendo à região entre o ápice e aborda direita. A margem
direita está voltada para o pulmão direito e se estende da superfície inferior à
base; a face esquerda, também chamada face pulmonar, fica voltada para o
pulmão esquerdo, estendendo-se da base ao ápice. Como limite superior
encontrasse os grandes vasos do coração e posteriormente a traqueia, o
esôfago e a artéria aorta descendente.

Anatomia

REVESTIMENTO DO CORAÇÃO

Pericárdio: a membrana que reveste e protege o coração. Ele restringe o


coração à suaposição no mediastino, embora permita suficiente liberdade de
movimentação para contrações vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em
duas partes principais: pericárdio fibroso e pericárdio seroso.

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O pericárdio fibroso superficial é um tecido conjuntivo irregular, denso,
resistente e inelástico. Assemelha-se a um saco, que repousa sobre o
diafragma e se prende a ele.

O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina e mais


delicada que forma uma dupla camada, circundando o coração. A camada
parietal, mais externa, do pericárdio seroso está fundida ao pericárdio fibroso. A
camada visceral, mais interna, do pericárdio seroso, também chamada
epicárdio, adere fortemente à superfície do coração.

Epicárdio: a camada externa do coração é uma delgada lâmina de tecido


seroso. O epicárdio é contínuo, a partir da base do coração, com o
revestimento interno do pericárdio, denominado camada visceral do pericárdio
seroso.

Miocárdio: é a camada média e a mais espessa do coração. É composto de


músculo estriado cardíaco. É esse tipo de músculo que permite que o coração
se contraia e, portanto, impulsione sangue, ou o force para o interior dos vasos
sanguíneos.

Endocárdio: é a camada mais interna do coração. É uma fina camada de tecido


composto por epitélio pavimentoso simples sobre uma camada de tecido
conjuntivo. A superfície lisa e brilhante permite que o sangue corra facilmente
sobre ela. O endocárdio também reveste as valvas e é contínuo com o
revestimento dos vasos sanguíneos que entram e saem do coração.

CONFIGURAÇÃO EXTERNA

O coração apresenta três faces

FACES

Face Anterior (Esternocostal) - Formada principalmente pelo ventrículo direito.

Face Diafragmática (Inferior) - Formada principalmente pelo ventrículo


esquerdo e parcialmente pelo ventrículo direito; ela está relacionada
principalmentecom o tendão central do diafragma.

Face Pulmonar (Esquerda) - Formada principalmente pelo ventrículo esquerdo;


ela ocupa a impressão cárdica do pulmão esquerdo.

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Externamente os óstios atrioventriculares correspondem ao sulco coronário,
que éocupado por artérias e veias coronárias, este sulco circunda o coração e
é interrompida anteriormente pelas artérias aorta e pelo tronco pulmonar.

O septo interventricular na face anterior corresponde ao sulco interventricular


anterior e na face diafragmática ao sulco interventricular posterior.O sulco
interventricular anterior é ocupado pelos vasos interventriculares anteriores. O
sulco interventricular posterior parte do sulco coronário e desce em direção à
incisura do ápice do coração. Este sulco é ocupado pelos vasos
interventriculares posteriores.

CONFIGURAÇÃO INTERNA

O coração possui quatro câmaras: dois átrios e dois ventrículos. Os átrios (as
câmaras superiores) recebem sangue; os ventrículos (câmaras inferiores)
bombeiam o sangue para fora do coração.

Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura enrugada, em forma de


saco, chamada aurícula (semelhante à orelha do cão).

O átrio direito é separado do esquerdo por uma fina divisória chamada septo
interatrial; o ventrículo direito é separado do esquerdo pelo septo
interventricular.

Átrio Direito

O átrio direito recebe sangue venoso de duas grandes veias: veia cava superior
e veia cava inferior.A veia cava superior recolhe sangue da cabeça e parte
superior do corpo, já a inferior recebe sangue das partes mais inferiores do
corpo (abdômen e membros inferiores).

Enquanto a parede posterior do átrio direito é lisa, a parede anterior é rugosa,


devido a presença de cristas musculares, chamados músculos pectinados.

O sangue passa do átrio direito para ventrículo direito através de uma valva
chamada tricúspide (formada por três válvulas ou cúspides).
Na parede medial do átrio direito, que é constituída pelo septo interatrial,
encontramos uma depressão que é a fossa oval, que representa um vestígio do
forame oval presente no feto. Anteriormente, o átrio direito apresenta uma
expansão piramidal denominada aurícula direita, que serve para amortecer o
impulso do sangue ao penetrar no átrio.

Átrio Esquerdo

O átrio esquerdo é uma cavidade de parede fina, com paredes posteriores e


anteriores lisas, que recebe o sangue já oxigenado; por meio de quatro veias
pulmonares. O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo,
através da valva bicúspide (mitral), que tem apenas duas cúspides.

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O átrio esquerdo também apresenta uma expansão piramidal chamada
aurícula esquerda.

Ventrículo Direito

O ventrículo direito forma a maior parte da superfície anterior do coração. O


seu interior apresenta uma série de feixes elevados de fibras musculares
cardíacas chamadas trabéculas cárneas.
No óstio atrioventricular direito existe um aparelho denominado valva tricúspide
que serve para impedir que o sangue retorne do ventrículo para o átrio direito.
O ápice das válvulas que formam a valva é preso por filamentos denominados
cordas tendíneas, as quais se inserem em pequenas colunas cárneas
chamadas de músculos papilares.

A valva do tronco pulmonar também é constituída por pequenas lâminas,


porém estas estão dispostas em concha, denominadas válvulas semilunares.

Ventrículo Esquerdo

O ventrículo esquerdo forma o ápice do coração. No óstio atrioventricular


esquerdo, encontramos a valva atrioventricular esquerda, constituída apenas
por duas laminas denominadas cúspides. Essa valva é denominada mitral.
Como o ventrículo direito, também tem trabéculas cárneas e cordas tendíneas,
que fixam as cúspides da valva mitral aos músculos papilares.

O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através do óstio


atrioventricular esquerdo onde se localiza a valva bicúspide (mitral). Do
ventrículo esquerdo o sangue sai para a maior artéria do corpo, a aorta
ascendente, passando pela valva aórtica - constituída por três válvulas
semilunares: direita, esquerda e posterior. Daí, parte do sangue flui para as
artérias coronárias, que se ramificam a partir da aorta ascendente, levando
sangue para a parede cardíaca; o restante do sangue passa para o arco da
aorta e para a aorta descendente(aorta torácica e aorta abdominal). Ramos
arteriais do arco da aorta e da aorta descendente levam sangue para todo o
corpo.

CICLO CARDÍACO

Um ciclo cardíaco único inclui todos os eventos associados a um batimento


cardíaco. No ciclo cardíaco normal os dois átrios se contraem, enquanto os
dois ventrículos relaxam e vice versa. O termo sístole designa a fase de
contração; a fase de relaxamento é designada como diástole.
Quando o coração bate, os átrios contraem-se primeiramente (sístole atrial),
forçando o sangue para os ventrículos. Uma vez preenchidos, os dois
ventrículos contraem-se (sístole ventricular) e forçam o sangue para fora do
coração.

COMPLEMENTO

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As valvas e válvulas são para impedir este comportamento anormal do sangue,
para impedir que ocorra o refluxo elas fecham após a passagem do sangue.
Quando ocorre refluxo de sangue para os átrios está caracterizado o Prolapso
da valva.

Sístole é a contração do músculo cardíaco, temos a sístole atrial que


impulsiona sangue para os ventrículos. Assim as valvas atrioventriculares estão
abertas à passagem de sangue e a pulmonar e a aórtica estão fechadas.

Na sístole ventricular as valvas atrioventriculares estão fechadas e as


semilunares abertas à passagem de sangue. Diástole é o relaxamento do
músculo cardíaco, é quando os ventrículos se enchem de sangue, neste
momento as valvas atrioventriculares estão abertas e as semilunares estão
fechadas.

AUTOMATISMO CARDÍACO

A inervação intrínseca ou sistema de condução do coração é a razão dos


batimentos contínuos do coração. É uma atividade elétrica, intrínseca e rítmica,
que se origina em uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas,
chamadas células auto-rítmicas (marca passo cardíaco), por serem auto-
excitáveis.

A excitação cardíaca começa no nodo sino-atrial (SA), situado na parede atrial


direita, inferior a abertura da veia cava superior. Propagando-se ao longo das
fibras musculares atriais, o potencial de ação atinge o nodo atrioventricular
(AV), situado no septo interatrial, anterior a abertura do seio coronário. Do nodo
AV, o potencial de ação chega ao feixe atrioventricular (feixe de His), que é a
única conexão elétrica entre os átrios e os ventrículos. Após ser conduzido ao
longo do feixe AV, o potencial de ação entra nos ramos direito e esquerdo, que
cruzam o septo interventricular, em direção ao ápice cardíaco. Finalmente, as
miofibras condutoras (fibras de Purkinge), conduzem rapidamente o potencial
de ação, primeiro para o ápice do ventrículo e após para o restante do
miocárdio ventricular.

VASOS SANGUÍNEOS

Formam uma rede de tubos que transportam sangue do coração em direção


aos tecidos do corpo e de volta ao coração. Os vasos sanguíneos podem ser
divididos em sistema arterial e sistema venoso

Sistema Arterial: Constitui um conjunto de vasos que partindo do coração, vão


se ramificando, cada ramo em menor calibre, até atingirem os capilares.

Sistema Venoso: Formam um conjunto de vasos que partindo dos tecidos, vão
se formando em ramos de maior calibre até atingirem o coração.

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Os vasos sanguíneos que conduzem o sangue para fora do coração são as
artérias. Estas se ramificam muito, tornam-se progressivamente menores, e
terminam em pequenos vasos determinados arteríolas. A partir destes vasos, o
sangue é capaz de realizar suas funções de nutrição e de absorção
atravessando uma rede de canais microscópicos, chamados capilares, os quais
permitem ao sangue trocar substâncias com os tecidos. Dos capilares, o
sangue é coletado em vênulas; em seguida, através das veias de diâmetro
maior, alcança de novo o coração. Esta passagem de sangue através do
coração e dos vasos sanguíneos é chamada de CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA.

FONTE:http://portal.virtual.ufpb.br/biologia/novo_site/Biblioteca/Livro_3/2
Anatomia_Humana.pdf