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SEGUNDA AVALIAÇÃO (PARTE 1)

Disciplina: ​TIC e Documentação

Arthur Antonio Santos Beserra


Hélio Roberto Mota Lopes Júnior
Renato Araújo de Menezes

Para a realização deste trabalho tivemos como orientação a apostila TIC de


Linguística de Corpus, que explica alguns conceitos referentes à área, informa sobre alguns
softwares concordanciadores disponíveis no mercado, oferece um manual de como usar as
diferentes funcionalidades que este tipo de programas nos pode proporcionar e disponibiliza
alguns exercícios a serem realizados após a teoria apresentada. Um dos primeiros conceitos a
serem explicados são o de ​types (número total de palavras não repetidas no texto) e ​tokens
(número total de palavras contidas no texto). Para identificá-los, analisamos o Corpus 1, para
assim, obter os resultados que o programa (AntConc) gerou a partir dele. O corpus 1 tem o
seguinte conteúdo:

Corpus 1 - Trecho de Hamlet (de William Shakespeare)


Ser ou não ser, eis a questão.

Dando início à atividade, abrimos o arquivo que contém o corpus 1 no AntConc para
análise dentro do referido software. Tendo como orientação a apostila TIC de Linguística de
Corpus, realizamos o passo a passo. 1) abrimos o arquivo que contém o corpus, acessando o
menu File > Open File(s); 2) após importar o arquivo txt. no programa, selecionamos ele; 3)
clicamos na aba ​Word List​ e no botão ​Start ​para gerar os resultados mostrados a seguir:
Na parte superior da janela do programa, observamos a quantidade de ​types ​e a
quantidade de ​tokens​. Na parte central da janela, o software nos mostra informações sobre as
palavras contidas no corpus com as colunas ​rank​, ​freq ​e ​word​.
Percebemos que o número de ​Types ​coincide com o número apresentado na coluna
Rank e que o número de ​tokens ​corresponde com a soma de todas as quantidades de
ocorrências exibidas na coluna ​freq​.
Seguindo as orientações da apostila TIC de Linguística de Corpus, realizamos o
mesmo procedimento, até esse ponto, com o corpus 2 para observar se essas coincidências
dentro do programa AntConc se repetiam com um texto diferente. O conteúdo do corpus 2 é
o mostrado a seguir:

Corpus 2 - Poeminha do Contra (de Mário Quintana)


Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

Após importar o arquivo no programa AntConc, realizamos o mesmo passo a passo


descrito anteriormente. Selecionamos o arquivo txt. após carregá-lo no programa, acessamos
a aba ​WordList ​e clicamos em ​start ​para gerar os resultados e, assim, poder compará-los aos
do corpus 1. Os resultados obtidos foram os seguintes:

Tabela 1 - Número total de ​Types ​e ​Tokens ​do Corpus 2

N⁰ Total de Types 12

N⁰ Total de Tokens 12

Tabela 2 - Wordlist do Corpus 2

Rank Freq Word

1 1 atravancando

2 1 aí

3 1 caminho

4 1 eles

5 1 esses

6 1 estão

7 1 eu

8 1 meu

9 1 passarinho

10 1 passarão

11 1 que

12 1 todos

Em vista dos resultados obtidos pela análise do corpus 2, notamos que o número de
Types ​coincide, assim como ocorre no corpus 1, com o número apresentado na coluna ​Rank​.
Também observamos outra coincidência quanto ao número de ​tokens​, que, ao igual que no
corpus analisado anteriormente, ​corresponde com a soma de todas as quantidades de
ocorrências exibidas na coluna ​freq​. A seguir, mostraremos todos esses dados presentes na
janela ​Wordlist ​do programa AntConc para um melhor esclarecimento.
Podemos observar a importância da análise de corpora no auxílio do processo
tradutório. Seguindo os passos apresentados no exercício, tivemos a oportunidade de
aprender a utilizar as funções básicas do programa de análise de corpora AntConc, tais como:
abrir arquivos, visualizar a lista de palavras de cada texto, ocorrência, incidência e
co-ocorrência de cada palavra. Utilizamos essas funções, primeiramente, para entender os
conceitos de types e tokens (Respectivamente, ocorrências únicas de uma unidade lexical e
ocorrências totais -- com possíveis repetições), em seguida comparamos gêneros textuais e
vimos que cada gênero apresenta um léxico diferenciado e inerente dele. Tal estudo nos
apresenta uma possibilidade de análise para melhor compreensão dessas características,
fornecendo um auxílio ao tradutor que busca traduzir para o gênero em questão. Por último,
comparamos um texto fonte em inglês e sua tradução em português, podendo assim observar
incidências diferentes em cada texto para as mesmas palavras - “said” e “disse”. Foi nesse
momento em que o conceito de co-ocorrência se fez mais presente. Observamos que o termo
em inglês obteve um número de ocorrência significativamente maior do que o termo em
português, como também seu uso dentro do texto sofreu poucas variações e poucas
associações com outras palavras, enquanto em português houve uma associação lexical mais
variada. Isso pode auxiliar o tradutor ao comparar sua tradução com o texto fonte e observar
possíveis diferenças de sentido ou repetição de um mesmo termo. Também pode ser útil para
o tradutor ao ser utilizado como uma ferramenta para uma auto-análise de escrita e de estilo
tradutório e para estudo das normas de tradução.

Considerações Finais

Em geral, a realização deste trabalho nos ajudou a desenvolver diversas habilidades


que nos auxiliarão no exercício da nossa profissão.
Primeiramente, ela nos fez refletir sobre diversos aspectos do texto traduzido,
principalmente de caráter microestrutural. Pudemos observar como os gêneros textuais atuam
sobre as normas de tradução descritas por Toury, com segmentos estando mais presentes em
determinado gênero do que no outro. Isto nos fez refletir sobre como o uso de certas palavras
está mais presente em certas comunidades linguísticas do que em outras. Além disso, vimos
que palavras nunca são entidades isoladas de contexto. Como o conceito de co-ocorrência e o
exercício envolvendo a análise dos corpora 6 e 7 evidenciaram, as palavras podem aliar-se
umas às outras diferentemente, dependendo das escolhas do tradutor e de como essas
escolhas se adequam à língua em questão. Tal conhecimento nos instrui a exercermos nosso
ofício de maneira consciente e com maior controle sobre esse.
No que concerne os aspectos pragmáticos e macroestruturais da nossa aprendizagem,
podemos afirmar que estamos bem mais familiarizados com o AntConc e, de maneira mais
geral, com conceitos comuns aos concordanciadores. Temos consciência que agora podemos
utilizar essas ferramentas para melhor compreendermos características presentes em textos,
inclusive aqueles produzidos por nós mesmos, o que nos auxilia na hora de versar.
Sendo assim, concluímos que os conhecimentos que adquirimos nesta atividade nos
será deveras útil daqui pra frente e, quando necessário, será posto em prática com segurança e
consciência dos seus usos.