METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
Patrícia Mota Sena

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES EDITORA NUPRE 2009

REDE DE ENSINO FTC William Oliveira PRESIDENTE Reinaldo Borba VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO Fernando Castro VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO João Jacomel COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Cristiane de Magalhães Porto EDITORA CHEFE Francisco França Souza Júnior CAPA Mariucha Silveira Ponte PROJETO GRÁFICO Patrícia Mota Sena AUTORIA Amanda Rodrigues DIAGRAMAÇÃO Mariucha Silveira Ponte Amanda Rodrigues ILUSTRAÇÕES Corbis/Image100/Imagemsource/Stock. sem autorização prévia.ftc. da REDE FTC .610 de 19/02/98.Faculdade de Tecnologia e Ciências.br .Xchng IMAGENS Hugo Mansur Márcio Melo Paula Rios REVISÃO COPYRIGHT © REDE FTC Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9. por escrito. É proibida a reprodução total ou parcial. www. por quaisquer meios.

............... 117 2...................11 1......................................3 1.....................................33 MAPA CONCEITUAL........................ 41 1............... 19 1..............4 CONTEÚDO 4.....................................................................................2................85 2.....1 1....... A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) ..............................................2.................................................. 40 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ... 9 1.... 96 2...................................63 CONTEÚDO 4......... CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA ................................................ CONCEITO......................................1 CONTEÚDO 1......... 54 CONTEÚDO 3.................. 147 ................................ METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I ............. FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA ..3 CONTEÚDO 3.....1 TEMA 1.........................................................2.......... 66 MAPA CONCEITUAL................................... METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA .............. MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM............... O SER HUMANO....................2 1.........102 2......................................................3 CONTEÚDO 3................................78 EXERCÍCIOS PROPOSTOS .................2 CONTEÚDO 2.106 MAPA CONCEITUAL....................112 EXERCÍCIOS PROPOSTOS .........113 2.....................................4 CONTEÚDO 4.............................................................2.....1.................1..............2 CONTEÚDO 2............................. RELATÓRIO E MONOGRAFIA ........... TIPOS DE CONHECIMENTO .................................... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II .........................................................................................2..........83 2...1 CONTEÚDO 1...............................................................39 ESTUDOS DE CASO ......1...........141 MAPA CONCEITUAL..........1 CONTEÚDO 1.....................................4 CONTEÚDO 1.........3 CONTEÚDO 3.......................................... 45 CONTEÚDO 2.................................... A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES...................4 CONTEÚDO 4...........................SUMÁRIO 1 O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA .......2....................2............. PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO..............................1 TEMA 3.............77 ESTUDO DE CASO .. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III.. PORTFÓLIO........................1....................................................................2 TEMA 4...........1.... LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS ..................... 134 2.......... 111 ESTUDO DE CASO ..............................................................2.... ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS......................................................................... REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ...2 TEMA 2................................ TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II ...................................................... PESQUISA E DOCÊNCIA............................................... TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I ....................................... PROJETO........11 1............ A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO........ 117 2....1.............2 CONTEÚDO 2.85 2. A TEORIA DO CONHECIMENTO .......................................................... 45 1...........................................................79 2 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO...............................................................120 2...............27 1.............1.......1...........................................

..................................154 GLOSSÁRIO ..........................................................................................................................................................................155 REFERÊNCIAS ..................................................................................148 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................148 GABARITO DAS QUESTÕES..........................................................................................................................................159 ...................ESTUDO DE CASO .......................................................................................

Portanto. para as necessidades da sociedade que nos cerca e para o contexto da Educação. epistemologia e educação como forma de aproximar você. para tirar o maior proveito possível da excelente oportunidade de crescimento cultural que a faculdade lhe oferece (RUIZ. p. 2008. na autodisciplina e na maneira de conduzir sua vida de estudos. métodos de estudo. para as suas inquietações e questionamentos. considerando suas possibilidades e desafios no Ensino Superior. apresentamos discussões acompanhando as análises dos autores que se especializaram em Metodologia do Trabalho Científico e em questões pertinentes a essa disciplina. Acreditamos que um dos maiores méritos da Metodologia é estimular a autonomia.APRESENTAÇÃO Quem acaba de entrar para a faculdade percebe que muita coisa mudou. fornecendo-lhe as bases para que possa caminhar com sucesso na vida acadêmica. com as condições da produção científica e com o papel do sujeito na transformação da realidade. e deve perceber que também ele precisa mudar. Ela é uma disciplina que se preocupa com o contexto de construção de conhecimento. Este livro discute os principais aspectos que compõem a Metodologia do Trabalho Científico. do que há de mais atual na bibliografia da disciplina. Patrícia Mota Sena . a observação acurada e a ação consciente sobre a realidade. É importante ressaltar que a Metodologia não possui o seu horizonte limitado às tarefas didáticas ou à normatização de trabalhos acadêmicos. A nossa maior preocupação é inserir o estudante no contexto do Ensino Superior. o planejamento. atenta para a condição de ser humano. tais como o senso crítico. 20). enfatizando que todos nós podemos construir habilidades que favoreçam a produção de conhecimento. especialmente na responsabilidade. a sistematização. estudante-leitor. trazendo textos selecionados a respeito de temas como pesquisa. o espírito científico e o exercício da pesquisa. Para tanto.

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BLOCO TEMÁTICO O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1 .

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precisamos evitar o tecnicismo. E isso pode ser observado não somente por meio da atuação dos profissionais egressos do Ensino Superior. competência científica e competência política. Como afirma Antônio Joaquim Severino (apud BARROS E LEHFELD.O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1. A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO 1. da comunicação de ideias com o mundo. XIII e XIV). de reflexão sobre a realidade e de ação sobre ela. formando profissionais competentes no domínio técnico de suas habilitações de trabalho.1 CONTEÚDO 1. pois as regras.. de análise crítica. de ambiente acadêmico.. Desta forma. técnicas e normas são importantes.. p.1.] e comprometidos com uma nova consciência social. 11 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2006. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina que perpassa todo o contexto do Ensino Superior.. mas são instrumentos a serviço da produção de conhecimento.] competência técnicoprofissional. da socialização do conhecimento. O SER HUMANO. O espaço no qual se constrói o Ensino Superior é um local de excelência no desenvolvimento de um pensamento. mas também no debate e no cultivo à pluralidade de pensamento. isto é. com base em conhecimentos científicos assimilados em um processo de reelaboração da ciência [. o Ensino Superior é também um espaço de contradição e de rupturas que deve proporcionar [. Ela fornece instrumentos para a construção de uma proposta de Universidade.1 TEMA 1.

ao associarmos conhecimento e prática profissional. tendo em vista a compreensão da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. essa disciplina integra teoria e prática. Tais operações são desempe- 12 PATRÍCIA MOTA SENA . pesquisa e sistematização: atividades que acompanham o estudante por toda a trajetória na academia. traduzir a palavra por “caminho para” ou. Ainda segundo essa autora: Todo trabalho científico deve ser baseado em procedimentos metodológicos. “caminho”. É a aplicação do método que confere validade e credibilidade aos resultados de uma pesquisa científica. os quais conduzem a um modo pelo qual se realiza uma operação denominada conhecer. a educação e o contexto acadêmico. Ao se debruçar sobre o estudo do método e das condições da própria produção científica. capazes de compreender e reavaliar sua existência e sua atuação na sociedade a partir de um projeto [. “pesquisa” (LAVILLE. arrefecida pelo encontro inicial com a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. Desta forma.. “prosseguimento”. da sua importância para o desenvolvimento e êxito das atividades de estudo. 11). a expectativa de entrar em contato diretamente com as disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida é. Poder-se-ia. percebemos que a Metodologia do Trabalho Científico não se limita aos afazeres didático-pedagógicos. abrangendo aspectos como a condição de ser humano. outra agir e outra fazer. Nesse sentido. Então. passaremos a discutir os significados de método e metodologia. então. No contexto de produção científica. Vamos lá? MÉTODO é derivado do grego methodos.ou seja. consiste na “maneira de se proceder ao longo de um caminho”. de suas temáticas e. então. seguindo critérios previamente definidos pela comunidade acadêmica. p. p. “para” e hodos. 30). Mas isso é fruto de um preconceito oriundo do desconhecimento acerca do significado dessa disciplina. ciência e transformação da realidade. 1999. o que é metodologia? Qual a relevância da Metodologia Científica para o estudante do Ensino Superior? E o método? Qual o seu significado e a sua Função dentro da academia? Diante desses questionamentos.. é imprescindível trabalhar com método e agir com rigor. DIONNE. por vezes. de acordo com Odília Fachin (2006. especialmente. formado por meta. Ele orienta os rumos de uma investigação e.] voltado para a transformação qualitativa dessa mesma sociedade no seu todo. as relações sociais.

Vejamos: Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos. Como podemos operacionalizar um método? Veja o quadro a seguir: 13 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Isso significa que não existe um único método universalmente aplicável a todas as áreas científicas. mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos. as reflexões da área de Educação não são fundamentadas nos mesmos métodos em que se apoiam os estudos da História ou da Química. Grifos da autora). então. Quanto à afirmação das autoras a respeito de se tratar de um conhecimento verdadeiro. ele define o que deve ser feito nos processos de investigação. 2006. 29. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência. o planejamento do ato de pesquisar. estudo e pesquisa. 2006. p.Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. Desta forma. nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. 03). que é a aplicação de métodos que confere cientificidade ao conhecimento construído. 83) fazem uma ressalva muito importante quando analisam o conceito de método ao afirmarem que toda ciência se caracteriza pela utilização de métodos.nhadas pelo ser humano a fim de desenvolver adequadamente um estudo (FACHIN. porém nem todo conhecimento que os aplica pode ser considerado científico. em contrapartida. Essa escolha tem relação direta com a área específica da ciência na qual o objeto de estudo está inserido. De maneira geral. Para complementar essa discussão. Método . Marconi e Lakatos (2009. Conjunto de processos ou fases empregadas na investigação na busca do conhecimento. é preciso considerar a natureza do objeto e o objetivo da investigação. discutiremos mais adiante a relação entre conhecimento e verdade. (BARROS E LEHFELD. p. p. É responsável pela abordagem de um problema a partir da análise sistemática das suas possíveis soluções. Para tanto. de maneira a ordenar as etapas e as atividades a serem desenvolvidas com o objetivo de construir conhecimento. A escolha do método (ou dos métodos) que será aplicado em uma pesquisa varia de acordo com a natureza de cada problema que se deseja investigar. Percebemos. O método é a organização.

eles devem ser adequados a cada tipo de pesquisa. As técnicas de pesquisa. 2006. enquanto a técnica operacionaliza o método. ela oferece os instrumentos intelectuais necessários à aprendizagem. e a técnica. estão relacionadas à coleta de dados. Para melhor entender a distinção entre método e técnica. Os métodos aplicados nas ciências humanas não são estanques. sistematização do conhecimento e autoavaliação do aprendizado. focalizando o aluno como um sujeito capaz de construir habilidades de pesquisa. É através da Metodologia Científica que o aluno é confrontado com a realidade. à tática. do questionamento e da expressão do saber construído contextualizado histórica. destinadas a realizar e a antecipar uma atividade na busca de uma realidade. METODOLOGIA corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. fazendo-a transcorrer de forma mais hábil. à parte prática”.MÉTODO E TÉCNICA “O método é um plano de ação. ou seja. a visão concreta da operacionalização” (BARROS & LEHFELD. em geral. Para além da aplicação de técnicas e normas. Desta forma. podemos dizer que é a ação planejada e praticada a partir da união entre métodos. através de processos e técnicas. e a Metodologia. 31) Quanto à metodologia. análise crítica. sistemati- 14 PATRÍCIA MOTA SENA . p. Já a Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina relacionada à epistemologia. mais perfeita. É a aplicação do método. O método está relacionado à estratégia. social e culturalmente. verificando constantemente a sua validade na resolução de novos problemas científicos. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO é uma disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. ao modo como compreendemos. formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas. “O método pode ser considerado como uma visão abstrata da ação. ela avalia os métodos disponíveis no campo das ciências. uma vez que se posiciona diante do conhecimento mediante a aplicação dos métodos disponíveis. por sua vez. já a técnica está ligada ao modo de realizar a atividade. (FACHIN. descrevemos e lançamos o nosso olhar sobre o mundo. que garante a legitimidade do saber obtido (BARROS & LEHFELD. isto é. política. 2006. p. 02). 01). p. devemos levar em conta que o método refere-se ao atendimento de um objetivo. técnicas e o corpo teórico que pauta a investigação. 2006.

zação e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. Para muitos. 07) elencam os principais objetivos dessa disciplina: a) “análise das características essenciais que permitem distinguir Ciência de outras formas de conhecer. consequentemente. Reflita sobre como a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico contribui para produção do conhecimento na contemporaneidade e de que modo podemos significar a informação nesse contexto. Barros e Lehfeld (2006. monografias. Estamos falando da Antiguidade Clássica. Vamos lá? As primeiras universidades surgiram no contexto da Idade Média. convido você para um passeio pela história no qual conheceremos um pouco mais sobre o surgimento das primeiras universidades e o seu papel na construção de conhecimento científico. período em que a Igreja Católica exercia papel preponderante na construção e preservação do conhecimento construído até então. podemos identificar núcleos de circulação de saberes e conhecimentos. coletando dados para responder aos questionamentos. 15 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . enfatizando o método científico e não o resultado. levantando e formulando problemas. minimizando suas dificuldades e apreensões quanto às formas de estudar e. no qual os paradigmas científicos estão sendo pensados com o objetivo de responder aos novos problemas da contemporaneidade. vivemos a era da informação. artigos científicos etc. f) fornecimento de processos facilitadores à adaptação do aluno. p. • Metodologia do Trabalho Científico e Universidade Para que possamos compreender melhor as relações entre a Metodologia e o Ensino Superior na atualidade. Atualmente vivemos um momento de transição. b) análise das condições em que o conhecimento é cientificamente construído abordando o significado de postulados e atitudes da Ciência hoje. integrando-o à universidade. analisando e interpretando-os e comunicando resultados. e) vetor de informações e referenciais para a montagem formal e substantiva de trabalhos científicos: resenhas. c) oportunidades especiais para o aluno comportar-se cientificamente. Mas muito antes da institucionalização formal do Ensino Superior. de encontrar os meios de extrair o maior proveito do estudo”. d) capacitação do aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza conhecimentos..

físicos e matemáticos. formando as escolas. tais como geógrafos. 2009. Segundo esses estudos. A concepção da biblioteca como centro de convergência de culturas diversas e abertura ao conhecimento foi retomada nos anos 80 pelo projeto de construção da Biblioteca Alexandrina. no Egito. Essas universidades eram corporações. pres- 16 PATRÍCIA MOTA SENA .HTM>. havia também centros de estudos. inclusive autonomia. que lhes transmitia seus conhecimentos. Abriga um planetário. inaugurada em 16 de outubro de 2002.BIBALEX. no qual a Igreja Católica foi responsável pela unificação do ensino em virtude da preocupação em formar o clero e prepará-lo para a ação política e religiosa. não nos moldes como conhecemos hoje. De modo semelhante. tendo o projeto se inspirado na antiga Biblioteca de Alexandria.Na Grécia e Roma antigas havia escolas para formar especialistas em Direito. como a Biblioteca de Alexandria. no Egito. a Biblioteca de Alexandria chegou a ter 400 mil volumes e abrigava um museu que funcionava como centro de pesquisa – mantido pelo governo – onde trabalhavam profissionais de várias áreas.. [. Tinham privilégios legais. e cada uma reconhecia os graus conferidos pelas demais. A universidade medieval construía conhecimentos dogmáticos.] Na época.. admitiase como indiscutível que as universidades deviam se concentrar na transmissão do conhecimento e não em sua descoberta. FONTE: BIBLIOTECA ALEXANDRINA. Foi entre os séculos XI e XV que surgiram as primeiras universidades no Ocidente. na qual os arqueólogos descobriram treze salas de leitura com capacidade para cerca de cinco mil estudantes. mas locais de leitura. pautados na verdade da fé e nos estudos filosóficos da Antiguidade. o monopólio da educação superior em suas regiões. mas já se podia perceber o hábito das discussões abertas e dos debates públicos. ACESSO EM: 16 AGO. Esse período compreende a Idade Média. Filosofia e Retórica. astrônomos.C. três museus e quatro galerias de arte. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW. por exemplo. com apoio da UNESCO.ORG/ENGLISH/OVERVIEW/OVERVIEW. Os aprendizes – chamados de discípulos – se reuniam em torno de um mestre. fundada no século III a. Na Antiguidade.

p. 2003. p. Os princípios formulados por Humboldt fundam a universidade moderna e especificam as suas principais características adotadas até hoje.. presentes no texto “Sobre a Organização Interna e Externa das Instituições Científicas Superiores em Berlim” (1809). Para Rohden. “Compreender” e “conhecer” devem ser atraentes “não por meio de circunstâncias exteriores. O “pupilo” deverá ser estimulado para a “criação intelectual”.] da precisão. a interdisciplinaridade.] (BURKE. tais como: a unidade entre ensino e pesquisa.. que contestou tal prática e deu uma conotação profissional às universidades. de tal forma que a tarefa dos professores se limitava a expor as posições das autoridades [.supunha-se que as opiniões e interpretações dos grandes pensadores e filósofos do passado não podiam ser igualadas ou refutadas pela posteridade. 31). entre Estado e Universidade. A partir de suas ideias. o autor explica que. 38).. como a Matemática e a Lógica. p. a relação integrada. o objetivo é a formação de uma motivação própria. com objetivos práticos capazes de aliar conhecimento e pesquisa. a contraposição dos segmentos burgueses e a expansão do comércio diversificaram o ensino. a universidade se tornou centro de pesquisa. para que cada pessoa 17 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . No contexto da Renascença e da Reforma Religiosa que caracterizaram a Idade Moderna. no século XVIII. Assim. Humboldt – no documento mencionado – faz observações sobre o dimensionamento do estudo científico que parecem direcionar os estudos na Universidade apenas para a investigação científica. a autonomia e a liberdade da administração da instituição e da ciência que ela produz. ainda sob a influência do pensamento iluminista. 2009. Foi o Iluminismo. concretizando a associação entre o desenvolvimento industrial e ciência. na organização e na produção industrial” (BRETAS. A definição da forma como a Universidade e as descobertas científicas poderiam atender às necessidades da sociedade capitalista industrial veio com a criação da Universidade de Berlim.. porém autônoma. a Universidade passou a integrar pesquisa e ensino. para Humboldt. 205). Ao comentar a relação entre estudo e pesquisa. 2008. mas por meio [. mas resguardando todo o conhecimento produzido anteriormente. pois “foram os homens da indústria que reconheceram que a aplicação do conhecimento científico aos seus inventos seria fator diferencial no desenvolvimento. No século XIX. fundada em 1808 pela iniciativa do linguista Wilhelm von Humboldt. trazendo para a Universidade matérias mais empíricas. a complementaridade do ensino fundamental e médio com o universitário (PEREIRA. tendo-os como verdades constituídas. harmonia e beleza intrínsecas”.

HTM>. (FONTE: DISPONÍVEL EM: < HTTP://WWW.USP. já que as ditaduras são incompatíveis com os debates livres. Em 1934. Ainda em 1808. INSTITUTO DE ANATOMIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE BOLONHA. sob influência do modelo norte-americano. 2002. ACESSO EM: 16 AGO. que. na Bahia. A ditadura varguista. a partir de 1937.IFSC. 23. a Universidade de São Paulo (USP) foi fundada e a de Minas Gerais foi reestruturada. as primeiras universidades foram criadas no Brasil. em sua maioria. rompeu com o processo ascendente de expansão das universidades. que foi fechada com o golpe de 1964. 2009). foi responsável pela promulgação da Lei nº 5. p. Grifos da autora). NA ITÁLIA. os brasileiros estudavam na Universidade de Coimbra e eram. Antes da chegada da Família Real.540/68. foi criada a Faculdade de Medicina. homens que desejavam seguir a carreira religiosa. a partir de 1930. 18 PATRÍCIA MOTA SENA . pesquisa e extensão. A redefinição do conceito de Universidade aconteceu em 1968 em decorrência da Reforma Universitária. NO PERÍODO MEDIEVAL AS ESCASSAS BIBLIOTECAS PERTENCIAM À IGREJA CATÓLICA.possa aspirar ao conhecimento e à compreensão a partir da sua iniciativa própria (ROHDEN. O mesmo aconteceu com a Universidade de Brasília (UNB). Naquele mesmo período. Em 1854 foram criadas as faculdades de Direito de São Paulo e de Recife.BR/~REGINALDO/HISTORIA/SEMIN1/ UNIVERSIDADES/UNIVERSIDADES. O CONCEITO DE UNIVERSIDADE NASCEU NAQUELE MOMENTO. No século XX. que trazia para a Universidade a ideia da integração entre ensino. em 1808. a junção de três ou mais faculdades legalmente estabelecidas se chamava Universidade.

que sugerem que a epistemologia. ao disponibilizar “instrumentos de crítica aos princípios e às elaborações do fato científico”. que significa conhecimento) e de epistemologia (do grego episteme.2 CONTEÚDO 2.1. + logos = teoria. aspectos relacionados à Teoria do Conhecimento. Promove. 2006. analisa e avalia a sua construção tendo como ponto de partida o ser humano. discutindo os postulados das reflexões e da objetividade nos variados métodos aplicados. Para essa autora. LEHFELD. explicação. Dessa maneira. p. inclusive caracterizando-os conforme seus domínios. orientando a ação e a reflexão dos investigadores na construção do conhecimento científico. como Moser. pode ser entendida como uma “Ciência da Ciência”. 40). 19 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 06. Qual a sua natureza? Como nós – indivíduos social e historicamente constituídos – nos relacionamos com o conhecimento? Veremos que conhecer o mundo é próprio do ser humano. outra definição para epistemologia é trazida por Barros e Lehfeld. 160). A TEORIA DO CONHECIMENTO Agora que já estudamos um pouco sobre a Metodologia e a construção do conhecimento na formação da universidade ao longo do tempo. uma análise crítica a respeito da produção científica e de seus elementos constitutivos.1. Coadunando-se com essa abordagem. 2006. pois é preciso entender a realidade em que vivemos. ramo da Filosofia que problematiza essas e outras questões relativas ao ato de conhecer. ressaltam que uma epistemologia abrangente se preocupará antes em estudar e elucidar a “categoria geral do conhecimento” como condição inicial para o entendimento dos elementos que compõem a produção dos diversos tipos de conhecimento. 2009. ela está associada ao modo como compreendemos e descrevemos a realidade.) De acordo com Maria Lúcia Aranha. p. à validade das conclusões e à pertinência das hipóteses (ARANHA. conhecimento. estuda e avalia os fundamentos e a validade das ciências. pois consiste no exercício da reflexão e da análise da ciência sobre si mesma (BARROS. então. Porém alguns autores. a utilização do termo epistemologia adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. passaremos a examinar o próprio conhecimento. (MOSER. estuda os elementos que constituem o conhecimento. Para ele. E o ser humano é entendido como um ser cognoscente: um ser que CONHECE! PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE EPISTEMOLOGIA Epistemologia _________ episteme = ciência. p. a partir de agora. a teoria do conhecimento também é chamada de gnosiologia (palavra derivada do grego gnose. Veremos. ciência).

o conhecimento ético e o conhecimento religioso. Sob esse aspecto. p. a epistemologia pode ser entendida como “estudo da natureza e dos fundamentos do saber. particularmente de sua validade. nas normas. a ideia de que há uma universalidade do método (ABRANTES. o conhecimento comum pela percepção. epistemologia não poderia ser confundida com uma teoria geral do conhecimento. 1977). 69). conforme as ideias de Gerard Lebrun. de suas condições de produção” (LAVILLE. dessa forma. Nesse sentido. Tal noção de epistemologia pressupõe uma revisão da relação entre ciência e Filosofia. uma epistemologia ideal seria abrangente e maximamente explicativa (MOSER. de seus limites. regido por normas intrínsecas. O sentido de epistemologia como área da Filosofia voltada para a compreensão dos métodos em ciência é parte de uma discussão originada entre filósofos e historiadores da ciência franceses. que rejeitam a utilização da denominação História da Ciência ou Filosofia da Ciência – com a palavra ciência utilizada no singular – como modo de afirmar a pluralidade dos campos científicos existentes. por exemplo. mudanças radicais no consenso. dessa maneira. que deve se dedicar ao estudo do conhecimento científico. 20 PATRÍCIA MOTA SENA . p.] idealmente. o conhecimento matemático.[. 28). que são o conhecimento científico. que é necessária a compreensão do significado do conhecimento como pressuposto para a discussão de um domínio particular de conhecimento. 1999. fruto de um consenso provisório e instável’ (LEBRUN. DIONNE.. 13). em certo período. e Paulo Abrantes retoma seus principais aspectos. 30). 2009. o científico. considerando a diversidade das ciências. uma epistemologia abrangente lançaria luz sobre todos os domínios potenciais do conhecimento. Ao realizar o estudo da ciência como uma das possibilidades de conhecer a realidade. nas estratégias que caracterizam o trabalho científico numa determinada área. 2002.. observando que “uma epistemologia de pouca envergadura pode lançar luz sobre a categoria do conhecimento perceptivo. historiador da Filosofia: a) Pluralidade das ciências: a epistemologia considera cada ciência em particular como ‘um território autônomo. Desta forma. mas não dar contribuição alguma à compreensão de qualquer outro domínio potencial de conhecimento” (p. p. b) Desenvolvimento descontínuo do conhecimento científico: a história das ciências é marcada por rupturas. A ressalva feita por Paul Moser só pode ser entendida se localizada no centro dos debates sobre a ciência contemporânea. ao passo que se nega. O autor ressalta. embora ela seja necessária e funcione como fundamento ao estudo epistemológico. o autor faz a crítica de que os epistemólogos contemporâneos têm se preocupado com a elucidação de um único domínio do conhecimento.

filósofos. uma investigação histórica (os produtos teóricos das ciências sendo tratados como acontecimentos) e filológica (a análise de tais produtos. desse modo. Percebemos. na busca de uma verdade primeira que não pudesse ser posta em dúvida. p. do testemunho dos sentidos. visa a exibir uma estratégia. a seguinte: De onde vêm nossas ideias? A grande novidade introduzida por Descartes foi iniciar sua filosofia pela teoria do conhecimento. fruto de escolhas e decisões tomadas num trabalho coletivo) (ABRANTES. então. 2002. se faz necessária a análise de algumas questões que permeiam o entendimento do significado do próprio conhecimento. dos argumentos de autoridade.c) Dissolução da imagem tradicional do conhecimento científico enquanto conjunto de verdades: as ciências passam a ser vistas como ‘aventuras contingentes’ legitimando. Assim. Chega 21 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Leia o texto de Maria Lúcia de Arruda Aranha e reflita sobre as questões que seguem. surgiram as correntes inatista e empirista. da realidade do mundo exterior e até do seu próprio corpo. INATISMO E EMPIRISMO A questão que se coloca na teoria do conhecimento é. das afirmações do senso comum. que. 70-71). em um primeiro momento. Converte então a dúvida em método e começa duvidando de tudo. passaram a investigar as origens do conhecimento respondendo de duas maneiras as questões mencionadas. das verdades deduzidas pelo raciocínio. como René Descartes e John Locke. Questões essas que são essenciais como objetos de reflexão da epistemologia: O que é conhecimento? Como podemos conhecer? Qual (is) a(s) fonte(s) de conhecimento? Como conhecemos o que conhecemos? Por que conhecer? Para quê conhecer? Como o ser humano se relaciona com o conhecimento? Na época moderna. antes de estudar especificamente o conhecimento científico. enquanto textos.

mas já se encontram no espírito humano. como as ideias mudam? . Em resumo. Subjetivismo. pois vêm da razão. isto é. ideias gerais que não derivam da experiência. E esse critério está em nosso espírito. . idealismo. Também podemos dizer que se trata de um idealismo e um subjetivismo. Descartes enfatiza o papel do sujeito. Segundo Locke. que. enquanto a reflexão é a percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre. que já nascem com o sujeito. Ao compararmos essa concepção empirista com o racionalismo. não sujeitas a erro. constatamos que. privilegia o primeiro. se duvida. São ideias verdadeiras. apriorismo são conceitos que designam a teoria do conhecimento cartesiana.então a uma verdade indubitável. se o conhecimento é uma maneira de entrarmos em contato com a realidade. Filosofia da Educação. ergo sum). para os aprioristas. porém. porque o conhecimento só começa após a experiência sensível. racionalismo. A corrente empirista. Maria Lúcia de A. ARANHA. uma intuição primeira. A sensação é o resultado da modificação feita na mente por meio dos sentidos.Se as ideias inatas são verdadeiras e não estão sujeitas ao erro porque vêm da razão. que significa ‘experiência’. termo cuja origem é a palavra grega empeiría. Portanto. inatismo. o filósofo descobre ideias claras e distintas. a partir das quais podemos conhecer todo o resto: por isso sua filosofia é dita racionalista. [John] Locke foi influenciado pelo pensamento cartesiano. Tampouco significa que o racionalismo exclua a experiência sensível.A razão pode mudar ideias que eram consideradas universais e verdadeiras? 22 PATRÍCIA MOTA SENA . diante dos polos sujeito – objeto. São Paulo: Moderna. segue outro caminho. 160-161). no sujeito e se apresenta na forma de ideias. como ideias inatas. Daí em diante. na razão. enquanto Locke destaca o papel do objeto. não poderemos saber se o que conhecemos é verdadeiro ou falso se não tivermos um critério seguro. numa série de intuições. mas sim que a subordina ao trabalho anterior da experiência. 2006. há duas fontes possíveis para as nossas ideias: a sensação e a reflexão. logo existo’ (cogito. p. uma cera na qual não há nenhuma impressão. mas criticou as ideias inatas de Descartes ao afirmar que a alma é como uma tabula rasa. a reflexão se reduz apenas à experiência interna e resulta da experiência externa produzida pela sensação. Isso não significa que o empirismo despreze a razão. porque para ele a realidade se encontra em primeiro lugar no espírito. Por isso sua teoria ficou conhecida como empirismo. sempre sujeita a enganos”. qual seja a existência de um ser que duvida e que. pensa: ‘penso. mas apenas a considera ocasião do conhecimento. uma tábua sem inscrições.

homens e mulheres. transforma-se. como Karl Marx. produzem-se reciprocamente.• O ser humano e o conhecimento Vamos começar refletindo sobre o que é o ser humano? Vamos pedir um auxílio a alguns intelectuais. p. Ele pode criar sua própria vida. Mas o ser humano não se constrói apenas na relação que estabelece com o mundo. E tal relação somente é possível na medida em que o ser humano se relaciona com outros indivíduos.. entenda a aplicação do termo “homem” como ser humano universal. embora distintos. transformando-a em benefício de suas necessidades. com a natureza. tanto social como historicamente. constituem uma unidade. que é igualmente transposto para a ciência).. as suas necessidades: essas necessidades são tão mais humanas quanto mais o homem (mesmo mantendo a sua individualidade) for capaz de se reconhecer no coletivo. estudiosos da condição humana. nesse sentido. Segundo Marx. passaram a considerar o ser humano como um ser social. uma vez que ele universaliza e generaliza o ser humano a partir de um referencial masculino. (Gostaria de ressaltar que estudos de gênero têm problematizado a utilização desse termo nas discussões científicas e na linguagem como um todo. estamos em constante transformação. ela se caracteriza como social (ANDERY et alli. que. inclusive. isto é. 2004. o ser humano também se constrói na relação que estabelece consigo mesmo. 407). Vamos lá: Além da relação entre homens ser fundamental para se poder falar de homem. eventual. essa relação é histórica. para que possamos buscar entender um pouco mais essa questão! A partir do século XIX. mantendo uma forte relação com sua realidade material e concreta. que pode praticar atividades livres e conscientes: o ser humano como processo de seus atos. filósofos. é no processo de satisfação das necessidades materiais que o ser humano transforma o meio em que vive. Para complementar essa discussão podemos retomar os questionamentos que mencionamos anteriormente e nos perguntar: O que nos faz querer conhecer? Conhecer é uma ação arbitrária. é um ser de consciência e ação. pois ela se transforma! Na citação a seguir e na subsequente. Pois é. a sociedade e o homem. Desta forma. capaz de refletir sobre sua própria condição e melhorar suas condições de vida. e mesmo quando a atividade humana imediata é individual. Não podemos perder de vista o aspecto histórico dessa relação entre os seres humanos (homens e mulheres) ao longo do tempo. transformando o próprio homem e alterando. com o surgimento do materialismo histórico. ou é resultado de uma escolha? Conhecemos para quê? 23 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . constrói conhecimento e se reconstrói permanentemente.

1977. 2002). questiona: “Qual a natureza das coisas?” e o coração. [. e o IDEAL. representa.. precisa também estabelecer laços com aqueles que o cercam. saber e ter conhecimento é apreender os seres e as coisas. aquilo que existe apenas em nosso pensamento de modo imaginário ou fictício. o ser humano não se preocupa apenas em garantir as suas necessidades físicas e sua sobrevivência. p. Para ele.Bem. O conhecimento. Ambas ligam o ser humano à realidade. o ser humano também necessita de uma dimensão individual que permita que ele seja capaz de sentir e significar o mundo que o cerca. mas como um ser que conhece a partir de suas relações com o outro. o ser humano possui duas dimensões: a “mente” e o “coração”. Conhecer. Entende-se por SER tudo aquilo que existe ou que se supõe existir. Por COISA. ou seja. com reconhecimento do que vê e com atribuição de significado aos seres e às coisas” (TEIXEIRA. A mente. E para que possamos compreender um pouco mais a dimensão dos sentidos na busca do conhecimento pelo ser humano. pergunta: “Qual o sentido que essas coisas têm para nós?” O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de orientação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia. o que existe realmente independente do nosso pensamento. finalidade e razão de ser. para tanto. seja ele qual for. no cenário da vida. que é a dimensão sensorial. 2005. Desse modo. ele também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocionalmente ao mundo – ao homem e à natureza (FROMM.. 79-80).] Para Ruiz. tudo aquilo que existe ou poderia existir. que é o aspecto racional. que é a totalidade das coisas conhecidas pelo sujeito. p. Assim é que a apropriação da realidade inclui o REAL. possui faculdades intrínsecas e extrínsecas que lhes possibilitam conhecer e pensar no atendimento às suas necessidades humanas básicas. conhecer e pensar colocam o universo ao nosso alcance e lhes dão sentido. em sua plenitude. ou seja. É através desses laços que o ser humano constrói a sua individualidade. COMO CONHECEMOS O MUNDO? O ser humano. vamos acompanhar o pensamento de Eric Fromm. não como um ser isolado. O ser humano precisa compreender de que se trata a vida humana e. 80 apud PASSOS. a apropriação da realidade. 24 PATRÍCIA MOTA SENA . Diferentemente dos outros animais. o homem torna-se o ser verdadeiro capaz de olhar o mundo e vê-lo.

A palavra “elucidar” deriva do latim lucere. Essa palavra vem acompanhada do prefixo reforçativo “e”. 25 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .. Podemos dizer. uma vez que pode se transformar em consciência social. pensamos que conhecimento é tudo o que aprendemos nos livros. Nesse sentido.. Para Barros e Lehfeld (2006. p. De forma mais simplificada. iluminar. Essa luz é a luz da inteligência. buscando o sentido das coisas. 48). Esse dado vivido pode ser uma parcela do real. mas é insatisfatória. que pode tornar a realidade clara e cristalina. Então. eliminando o conformismo. trazer à luz a realidade. O ato de conhecer como elucidar é o esforço de entender a realidade. que significa trazer à luz. 30). Desse modo. iluminar com intensidade. do ponto de vista da origem da palavra.] é produto de um enfrentamento do mundo realizado pelo ser humano que só faz plenamente sentido na medida em que o produzimos e o retemos como um modo de entender a realidade. p. OBJETO: é o mundo exterior ao sujeito.Já que estamos falando de conhecer o mundo. o conhecimento [. Para Luckesi (1996. que nos facilite e nos melhore o modo de viver. um fenômeno ou acontecimento que passaremos a chamar de objeto. o conhecimento se configura como um instrumento de mudança. conhecer pode ser entendido como elucidar a realidade. diz-se que o conhecimento existe quando a pessoa ultrapassa o “dado” vivido. com nossos professores e com os pais. RESULTADO: é o conhecimento propriamente dito. podemos nos perguntar: O que é conhecimento? Em geral. elucidar significa trazer à luz muito fortemente. Podemos entender conhecimento como elucidação da realidade. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. de explicar o mundo exterior. O sujeito é capaz de se apropriar. pois nos diz apenas onde obtemos conhecimento. Essa resposta não é equivocada. então. explicando-o”. o conhecimento pode ser compreendido como “a manifestação da consciência-de-conhecer. que quem conhece consegue se apropriar do objeto que conheceu? Bem. favorecendo a autonomia e o senso crítico. a esse ser que conhece chamaremos de sujeito! • Elementos do processo do conhecimento SUJEITO: é o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade.

O mesmo é válido para o objeto.. O resultado é o conhecimento propriamente dito. acaba por formular concepções e referenciais sobre as relações de homem e mundo e sobre a existência humana percebida em sua dinâmica (. Essa interação pode acontecer por meio da investigação. É a explicação sintética produzida pelo sujeito por meio de um esforço de análise metodológica da realidade que a torna inteligível. quando existe um observador. 2000. 55). reelaborado e reavaliado. Os conceitos não nascem de dentro do sujeito. explicitar o que é fato e fenômeno dentro da perspectiva a ser considerada para a aplicação dos métodos científicos (.. pode ser revisto. “É necessário. o conhecimento.. contudo.A existência do sujeito e do objeto é relacional. com o mundo exterior. Mas esse produto.) de mútua e constante transformação” (BARROS e LEHFELD. O ato de conhecer é o processo de interação entre sujeito e objeto. pois a construção de conhecimento é um processo dinâmico e crítico.. p. comunicado. que se constitui na relação que estabelece com o sujeito. isto é. Cabe ao pesquisador eleger uma parcela da realidade a qual deseja desvendar. compreensível. independentemente de haver ou não quem os conheça. 26 PATRÍCIA MOTA SENA . dependendo de seu paradigma que. da utilização de vários recursos que visam dar forma e conferir sentido ao objeto: compreendê-lo. a percepção que ele tem do fato é que se chama fenômeno. Os fatos acontecem na realidade.. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes. FATOS E FENÔMENOS A realidade se apresenta de maneira multifacetada e possui variados aspectos que podem se constituir em objeto de investigação científica. Mas a realidade pode ser compartimentalizada? Vejamos como Barros e Lehfeld apreendem as diversas instâncias do real. mas da relação que ele mantém com o objeto.). A compreensão de um determinado fato ou fenômeno estudado (objeto) e que já pode ser exposto. de uma ou de outra forma.. compartilhado. A partir da relação sujeito – objeto o ser humano pode transformar o meio em que vive. o sujeito só existe na sua relação com o objeto. mas.

BLOGSPOT. a porção maior de seus conhecimentos pertence à classe do conhecimento vulgar. alguns tipos de conhecimento que permeiam as relações entre os indivíduos e a realidade. 2009) Também é denominado de conhecimento vulgar ou de conhecimento empírico. da cultura e dos saberes que obteve pessoalmente ou por meio do contato com outros indivíduos. decorrente das tradições. É aquele que resulta do modo espontâneo de conhecer e que obtemos no cotidiano. aplica e constrói diversos tipos de conhecimento por meio dos quais interage e contribui para a construção social do meio em que vive. sendo superficial e assistemático porque é produto de ações não planejadas e não se organiza a partir da sistematização das ideias. ninguém precisa devotar-se aos estudos mais avançados da psicologia para inte- 27 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . É construído a partir das experiências que todo ser humano acumula em sua vida.COM/2008 _ 08_01_ARCHIVE. DISPONÍVEL EM: HTTP://DUVIDA-METODICA.3 CONTEÚDO 3.. Como afirma Ruiz [. • Conhecimento popular ou senso comum (FONTE: JARDIM DA FILOSOFIA.1. para tanto. ACESSO EM 17 AGO. Ninguém precisa estudar lógica e aprofundar-se nas teorias sobre a validade científica da indução ou nas leis formais do raciocínio dedutivo para ser natural e vulgarmente lógico. TIPOS DE CONHECIMENTO O ser humano se relaciona com o mundo de diferentes formas e. mas nós mesmos o organizamos de acordo com as nossas experiências. Veremos. a seguir.1.HTML .. Tais experiências atingem a aparência dos fatos sem análise crítica ou demonstrações.] para qualquer homem.

. pois nasce da tentativa dos indivíduos de resolver problemas da vida diária.COM/2009/04/20/DO-SENSO-COMUM-A-FILOSOFIA>. Por exemplo: o homem do campo sabe plantar e colher de acordo com os ensinamentos e os costumes locais. 2009. Esse tipo de conhecimento não busca as causas dos fenômenos e não se constitui como produto de uma reflexão. na medida em que questiona e reflete sobre a condição humana. LAKATOS. isto é. Dizemos que o conhecimento filosófico é valorativo porque. ele distingue os valores que norteiam as ações humanas. ao contrário do que ocorre no campo da ciência. (FONTE: DISPONÍVEL EM: <HTTP://FILOSOFIAUNICO. que se transformam lentamente de acordo com os acontecimentos casuais com os quais ele se depara. ACESSO EM: 18 AGO. 96). • Conhecimento Filosófico Este tipo de conhecimento utiliza procedimentos racionais e reflexivos na elaboração de críticas da realidade. ADOTAR UMA ATITUDE QUESTIONADORA ANTE A REALIDADE E NÃO SE CONFORMAR COM A APARÊNCIA DAS COISAS SÃO PASSOS IMPORTANTES PARA A SUPERAÇÃO DO SENSO COMUM. p. Marconi e Lakatos (2009. p. 28 PATRÍCIA MOTA SENA . constituindo um conjunto de enunciados relacionados logicamente. 2008.. 78-79) também consideram que o conhecimento filosófico não pode ser submetido à experimentação por ser caracterizado “pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado. p. A Filosofia contribui para o ser humano adquirir consciência de si mesmo. da reflexão. unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana”. 2009). ninguém precisa ser teólogo para adotar uma religião [. não podem ser confirmados nem refutados” (MARCONI.grar-se na família. 78). e “os enunciados das hipóteses filosóficas. A compreensão filosófica pretende construir conhecimentos que orientem a ação humana. Dizemos que é um conhecimento não verificável porque nasce do exercício do pensamento sobre si mesmo.] uma vez que as convicções são subjetivas e se traduzem por uma firme adesão da mente a enunciados evidentes ou não. na sociedade. verdadeiros ou não (RUIZ.WORDPRESS. no trabalho.

perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer "está sonhando" ou "ficou maluca". uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas. questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se. jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. “seja objetivo”. 29 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . os valores. Ao tomar essa distância. ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”. Assim. certa vez.A ATITUDE FILOSÓFICA Imaginemos. nossa existência. silenciosamente. preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica. em vez de falar na subjetividade dos namorados. suas afirmações por outras: “Onde há fumaça. estaria interrogando a si mesmo. os mesmos gostos. as ideias. desejando conhecer por que cremos no que cremos. ou “eles são muito subjetivos”. há fogo”. as situações. em lugar de discorrer tranquilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”. teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam. sem maiores considerações”. por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. por: O que é causa? O que é efeito?. Em vez de "que horas são?" ou "que dia é hoje?". os fatos. Perguntaram. a um filósofo: “Para que Filosofia?”. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas. “Esta casa é mais bonita do que a outra”. por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”. os comportamentos de nossa existência cotidiana. alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. agora. inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? Se. por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?. em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas ideias. quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas. resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se. as mesmas preferências e os mesmos valores.

no sobrenatural. então. Apoia-se em doutrinas sagradas. tem o poder de se comunicar com os homens.CHAUI. constitui uma verdade inconteste. considerando a tradição judaico-cristã: PASSOS DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO 1. ou.. se Deus merece todo crédito e exige que os homens recebam a sua palavra e aceitem como condição de salvação. a relação que o indivíduo estabelece com o conhecimento religioso “passa a ser um ato de fé. reveladas. pelos profetas.. 79). Se tudo o que está na Bíblia encerra a própria ciência divina comunicada por Deus aos homens. cujas evidências não são postas em dúvida nem sequer verificáveis”. 5.pop. pois a visão sistemática do mundo é interpretada como decorrente do ato de um criador divino. p. 4. Deus tem ciência infinita. Acesso em: 16 ago. está escrito nos textos das escrituras sagradas do antigo e novo testamentos [. Os textos bíblicos são autênticos. 2009. a todo o seu povo e. Segundo Marconi e Lakatos (2009. a toda a Humanidade. Deus tem poder infinito e. Disponível em: <http://www. O que Deus falou. 8. Marilena. falando ou escrevendo sob inspiração divina. 3. A característica fundamental desse tipo de conhecimento é a aceitação do dogma. Veja o quadro a seguir com algumas premissas do conhecimento teológico. 2. • Conhecimento Religioso O conhecimento religioso também é denominado de teológico e se fundamenta na autoridade divina. Deus existe. com. não foram adulterados. Convite à Filosofia. que. 6. por seu próprio conceito. Por isso. e são suficientemente claros e explícitos para que possamos entender hoje quanto foi escrito a dois.htm>. fazendo-os participantes de seus conhecimentos. dizemos que suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. 7. portanto. pelo seu Filho Jesus Cristo. possuindo um caráter inspiracional. Deus falou de fato aos profetas e. quatro ou mais milênios. a revelação direta a alguns profetas e hagiógrafos que se comunicariam depois com outros homens. Entre as diversas maneiras de se comunicar com os homens poderia escolher a revelação direta a cada um. é natural que não se procure a evidência dos conteú- 30 PATRÍCIA MOTA SENA .pfilosofia.].br/03_filosofia/03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia. fornecendo um conhecimento sistemático e objetivo acerca do mundo. ou parte do que Deus falou.

FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.BR / DADOS1/MATERIAS/4451. É importante destacar que essa não é a única forma válida de conhecer a realidade. pode-se questioná-lo quanto à sua origem e destino. pode-se observá-lo como ser criado pela 31 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . finalmente. pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade. • Conhecimento Centífico RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS ANTIGOS. o conhecimento científico requer um planejamento rigoroso. Apesar da separação ‘metodológica’ entre os tipos de conhecimento popular. 6. Para essas autoras. e possui uma relativa capacidade de previsão. Importante considerar a ressalva que Marconi e Lakatos fazem quanto aos tipos de conhecimento. Ele nasce da dúvida e é factual. Distintamente do conhecimento popular. sendo obtido a partir da observação dos fatos e da investigação. ACESSO EM: 18 AGO. por exemplo. mas que se aceite o dogma “porque assim foi divinamente revelado. que não exige sistematização porque nasce da experiência. as relações existentes entre determinados órgãos e sua funções. verificando. São Paulo: Atlas. religioso e científico. deve ser comprovado. através de investigação experimental.dos da revelação divina. 105). assim como quanto à sua liberdade. João Álvaro. pois não se constitui em um tipo de conhecimento absoluto. uma vez que novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular os postulados científicos já existentes. 2009). pode-se analisá-lo como um ser biológico. 2008. o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao estudar o homem. isto é.GOV. É verificável.SP. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos.SAOBERNARDO. no processo de apreensão da realidade do objeto. baseada no senso comum ou na experiência cotidiana.JPG. ed. (RUIZ. filosófico. p. porque lida com a ocorrência dos fatos e fenômenos. É um conjunto organizado de conhecimentos sobre determinado objeto.

CARACTERÍSTICAS QUE CONTRAPÕEM O CONHCIMENTO CIENTÍFICO AO CONHECIMENTO VULGAR O conhecimento científico é privilégio de especialistas das diversas áreas das ciências. o fenômeno e. está menos sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. e não concatena a congérie fragmentária de conhecimentos em corpo ordenado de enunciados logicamente interrelacionados e subordinados uns aos outros. metódico. não raro se trata de certezas ingênuas de um realismo pré-crítico [. O conhecimento vulgar atinge o fato. p.. 6. 97).. São Paulo: Atlas. Vale dizer que o conhecimento vulgar atinge as coisas. portanto. (RUIZ. enquanto o conhecimento científico estuda sua constituição íntima e suas causas. O conhecimento vulgar associa analogias globais e. sistemático. ametódico. e.].]. O conhecimento científico é crítico. 2008. e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados (MARCONI. cabe acrescentar que a divisão apresentada neste livro é composta pelas análises dos diversos autores que a utilizam como estratégia didática de compreensão das formas com as quais o ser humano lida com o conhecimento. rigoroso. enquanto o conhecimento científico procura as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais e constantes que regem estas relações. enquanto o conhecimento vulgar é ocasional. à sua imagem e semelhança. objetivo. 2009. ed. no sentido de não exigir demonstração. LAKATOS. com os outros e consigo mesmo. 32 PATRÍCIA MOTA SENA . que consideram a coexistência dos tipos de conhecimento estudados em um mesmo indivíduo como produto das relações que estabelece com o mundo. orgânico. portanto.. O conhecimento vulgar gera certezas intuitivas e pré-críticas. O conhecimento científico nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas. 80). p. assistemático. enquanto o conhecimento vulgar não questiona. não analisa. e é mais fiducial e de aceitação passiva que objetivo.divindade. por isso. O conhecimento científico é programado. o singular. enquanto o conhecimento científico justifica e demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza. enquanto o conhecimento vulgar é comum e possível a todo ser humano [. enquanto o conhecimento científico estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie que venham a ocorrer nas mesmas condições. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. está mais sujeito ao erro nas deduções e nos prognósticos. João Álvaro.. Dessa maneira. não procede com vigor de método ou de linguagem. enquanto o conhecimento vulgar normalmente gera certezas desde o seu nascimento.

Desta forma. o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento coletivo. Além disso. por meio de forças ou seres considerados superiores aos humanos. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA O ser humano. os seres humanos passaram a investigar. seja de uma realidade completa como o cosmos. Antes do surgimento do pensamento filosófico. O QUE É UM MITO? O mito é uma narrativa que pretende explicar. de fé. não é objeto de crítica. explicação que não é objeto de discussão. explicar a natureza que o cerca e a sua própria natureza. as explicações mitológicas do mundo predominavam. As ações de homens e mulheres eram explicadas pela interferência divina. Assim. Tal narrativa não é questionada. na Idade Moderna e na Idade Contemporânea. O aparecimento dos filósofos na Grécia foi responsável pela contestação e pelo questionamento dessa visão de mundo. seja de partes dessa realidade. buscando respostas por caminhos que pudessem ser comprovados. sempre se esforçou em compreender a realidade. ela é objeto de crença. Assim nasceu o método em ciência. ela une e canaliza as emoções cole- 33 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . cada período da História forneceu explicações diferenciadas de ciência e métodos próprios de cada período. buscando a melhor maneira de superar os desafios. como a ciência foi vista na Antiguidade.1. ao contrário. a origem.1. pretende também explicar os efeitos provocados pela interferência desses seres ou forças. conseguiu dar respostas e avançar na compreensão do mundo.C. até século XVI) Os gregos foram os primeiros a buscar um conhecimento que não tivesse relação imediata com a resolução de problemas diretamente cotidianos. buscando conhecer o POR QUÊ e o PARA QUÊ com o objetivo de compreender a natureza das coisas e do ser humano. O entendimento do ser humano sobre o mundo passou da temeridade e do espanto para a tentativa de explicar a realidade por meio do pensamento mitológico e da crença no sobrenatural. Veremos. Debruçaram-se sobre o próprio pensamento. Como as crenças e a mitologia passaram a não responder a todos os questionamentos humanos.4 CONTEÚDO 4. é transmitido por meio de gerações como forma de explicar o mundo. a seguir. ao longo do processo histórico. pois os deuses eram antropomórficos (possuíam qualidades e defeitos humanos). • A concepção grega (século VIII a.

especialmente os sofistas. Essa cidade-estado possuía uma vida política e cultural muito intensa. estimulando o pensamento crítico. na medida em que fixa modelos da realidade e das atividades humanas (ANDERY. 2004. nem mesmo a Filosofia.tivas. com o exercício de uma democracia participativa praticada nos tribunais e assembleias. que se mantinham lecionando para os cidadãos atenienses. Atenas passou a receber mestres e filósofos de outras cidades-estado. p. Desta forma. porque. em geral. A principal característica dos sofistas era a visão crítica que eles possuíam sobre a mitologia. A Filosofia surgiu como uma discussão da realidade que não era questionada pelos mitos. Sem poder explicá-las. A invenção da moeda – que é a representação abstrata de um valor – e o nascimento da pólis conferiram maior autonomia ao homem. A escrita exige maior clareza e rigor. Para tanto. mas queriam descobrir os mistérios e as causas dos fenômenos naturais a partir da observação. Os sofistas. • A concepção moderna (século XVII até o século XX) A concepção moderna de ciência propõe a conquista do conhecimento por meio da experimentação. pois. Essa foi uma forma de questionar a mitologia como explicação das relações humanas. Os filósofos surgiram em Atenas. O homem do Renascimento contestava a ideia grega de que o conhecimento poderia ser atingido apenas por meio da reflexão e passou a in- 34 PATRÍCIA MOTA SENA . não analisavam a vida material sob o ponto de vista da mitologia. eles partiram para o estudo do ser humano e da vida em sociedade. a Filosofia libertou o conhecimento da religião e deu o primeiro passo em direção a uma forma científica de pensar. uma vez que permitia a retomada daquilo que foi escrito. pois. pois ele passara a expressar a individualidade do seu pensamento. Para que essa participação fosse exercida. para eles. tranquilizando o homem num mundo que o ameaça. nada. para eles. poderia encontrar respostas realmente seguras sobre as transformações da natureza. da medição e da comprovação. na medida em que fixa a palavra. Quando Protágoras afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. ele sugeria que os valores deveriam ser avaliados em relação às necessidades do homem. leva os indivíduos a refletirem sobre ela e isso modificou a estrutura do pensamento. É indispensável na vida social. pois não poderiam fornecer explicações concretas. centro cultural do mundo grego. havia uma lei que regia todos os fenômenos. a Retórica. 20). as pessoas recebiam uma educação que incluía a arte de falar bem. O surgimento da escrita possibilita a prática de uma maior abstração. A passagem do mito à razão e a presença dos filósofos da natureza constituíram processos que foram acompanhados de outras transformações.

no instante seguinte. Como os professores zombavam da afirmação de Galileu. Considerados grandes experimentadores. ele resolveu submetê-la a um teste público. O cientificismo é a confiança total na ciência. tais como a religião. Na manhã do dia combinado. se deixaram levar pelo deslumbramento e fizeram com que a ciência e a técnica se desviassem da sua destinação de aprimorar a qualidade da vida humana.vestigar a natureza aplicando a observação e a experimentação. a Filosofia e o senso comum. A primeira prova de força de Galileu com os professores universitários esteve ligada às suas pesquisas sobre as leis do movimento. por muito tempo. com um grande estrondo. largou-as juntas. até Galileu a ter rejeitado. medir e comprovar na tentativa de entender e transformar a natureza. atin- 35 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . As demais formas de entendimento da realidade. uma pedra que pesasse um quilo cairia duas vezes mais depressa que uma pedra que só pesasse meio quilo e assim por diante. impondo seus dogmas como verdadeiros. viram-nas cair uniformemente e. Esse era o método empírico. ilustradas pelos corpos em queda livre. na presença de toda a universidade e de populares. O método empírico pressupõe que o conhecimento advém da experiência e o Renascimento trouxe experimentos sistemáticos com os quais os homens podiam experimentar. Ele declarou que o peso nada tinha a ver com o assunto e que […] dois corpos com peso diferente […] cairiam no chão ao mesmo tempo. dominou a produção e o acesso ao conhecimento. maravilhados com a eficácia da técnica. valorizando a racionalidade científica. com o rigor do saber e com o avanço nas descobertas científicas. como se ela fosse a resposta correta e única para os problemas humanos. em grande medida. Esses mitos atingiram leigos e cientistas que. Essa ruptura foi motivada pela retomada dos resultados obtidos por cientistas como Galileu e Newton. a desdenhar a preocupação dos filósofos medievais com a preservação da obra dos grandes filósofos clássicos. Ninguém parece ter questionado a correção dessa regra. Convidou toda a universidade para testemunhar a experiência que ele estava prestes a realizar a partir da torre inclinada. uma com um peso de cinquenta quilos e outra com um peso de meio quilo. Tal ponto de vista deu origem a dois mitos da ciência: o cientificismo e a neutralidade científica. Galileu. a ciência passou a ser vista como sobreposta às diversas outras formas de conhecer. que. esses estudiosos levaram os filósofos da época a exaltar o valor da experimentação e. A ciência moderna realizou uma ruptura com a Filosofia e com a religião. Encostando cuidadosamente as bolas ao parapeito. Na Idade Moderna. Aceitava-se o axioma de Aristóteles segundo o qual a velocidade dos corpos em queda livre era regulada pelos seus pesos respectivos: assim. foram desprezadas e consideradas formas menores de conhecimento. foi para o topo da torre levando consigo duas bolas.

Uma das possibilidades da ciência hoje é articular a produção científica com a ação pedagógica de forma a transformar a práxis de acordo com as referências epistemológicas da atualidade. Leia atentamente o texto a seguir: A EPISTEMOLOGIA E A PRÁXIS PEDAGÓGICA Talvez o leitor ainda não esteja muito convencido da ligação intrínseca entre as questões epistemológicas e a práxis educativa em sala de aula. existem instituições e empresas que financiam investigações que mais lhe interessam. Reflexões posteriores demonstraram que não é bem assim que ocorre. política ou econômica. pois a perspectiva crítica e autoavaliativa da ciência contemporânea questiona a que fins se destinam as suas descobertas sem alegar isenção. político e cultural que a rodeia.2006. Disponível em: CHALMERS.com/cienciaefactos. na pessoa do jovem investigador. A ideia da neutralidade científica é extremamente nociva porque pode gerar uma postura passiva e não questionadora no cientista em relação a sua profissão e às implicações éticas da produção científica. • Concepção contemporânea (século XXI) A ciência contemporânea pauta-se na incerteza e rompe com o cientificismo. ele poderá dar as seguintes respostas: 36 PATRÍCIA MOTA SENA . tinha marcado a sua posição.giram o solo ao mesmo tempo. O discurso da neutralidade científica permitiu que o conhecimento científico fosse apropriado com fins altamente destrutivos. a teoria da neutralidade científica não se sustenta. pois a produção científica não se realiza fora do contexto social. Ao contrário da concepção moderna. A. a humanidade corre riscos com as pesquisas tecnológicas. Atualmente. Uma perspectiva de senso comum amplamente defendida sobre a ciência. Se perguntarmos a um professor o que ele considera importante fazer para que seu aluno aprenda de fato. Por isso vamos dar alguns exemplos. A neutralidade científica é outro mito da ciência moderna. Disponível em: www. Alem disso. Muitos pensavam que a ciência era um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. A velha tradição era falsa e a ciência moderna. Embora o cientista tente produzir conhecimento desvinculado de ideologias. de acordo com o ramo ao qual pertencem. F.criticanarede. como foi o caso das pesquisas que levaram à bomba atômica. ela adota a indução para se certificar e confirmar seus estudos.html Acesso em: 01 de ago.

ele enfatiza o aspecto pessoal e dinâmico do processo de conhecer. Expressões como transmitir e treinar. O aluno precisa estudar bastante. em que o ensino se baseia em reforços positivos e negativos que modelam os reflexos condicionados. na medida em que parte do pressuposto de que o conhecimento do aluno não é o mesmo para todos nem é estático. 3 e 4 fundamentam-se na tendência empirista. 7. Já o quinto e o sétimo exemplos se caracterizam pelo apriorismo. 6. O sexto exemplo revela uma tentativa de superação das duas posições. ao considerar o gosto de conhecer um elemento inato. O professor precisa saber qual é o estágio de desenvolvimento intelectual do aluno com o qual vai trabalhar. É importante que o professor saiba transmitir bem o conhecimento acumulado na cultura a que pertence. 5. além disso. conforme o caso. fruto de um mundo externo hostil no qual ele está mal alimentado e mal informado. 2006. O terceiro exemplo é empirista também porque reforça a passividade do sujeito. mas se faz por estágios. nos dois primeiros exemplos. 37 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . porque partem do pressuposto de que o conhecimento é algo que vem de fora e o sujeito o recebe de maneira mais ou menos passiva. Os exemplos 1.165. ARANHA. são bastante reveladoras do caráter externo do processo. Maria Lúcia de Arruda. O professor deve desenvolver as potencialidades que todo aluno tem. mal alimentados. O professor deve premiar quem trabalha bem e punir com nota baixa quem não se esforça. O bom professor é capaz de despertar no aluno o gosto pelo estudo. 4. p. 3. São Paulo: Editora Moderna. 2. Filosofia da educação. vindos de famílias sem tradição cultural. que precisaria ser revelado. determinado pelo meio em que se insere. a fim de criar situações para que ele aprenda por si próprio. O empirismo do quarto exemplo apresenta ainda características típicas do behaviorismo. 2.1. treinando o suficiente para fixar o que aprendeu. assim como ao se referir a algo em potência que pode vir à tona. O esforço do professor é irrelevante diante de alunos carentes.

38 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 39 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Caso o tipo escolhido por você não seja observável na sua cidade. Dentre os tipos que estudamos neste tema.ESTUDOS DE CASO A proposta deste caso para ensino é investigar como os diversos tipos de conhecimento ocorrem na comunidade onde você vive. Comece o seu estudo de caso resumindo as principais características de cada tipo de conhecimento estudado: Resumo: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Tipo de conhecimento escolhido: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Dados Obtidos na Observação: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 40 PATRÍCIA MOTA SENA . Identifique uma dificuldade seja na forma como ele é praticado. escolha um e observe como ele se expressa na sua cidade. seja na forma como as pessoas lidam com ele. identifique as causas disso e aponte soluções para fomentar a expressão desse conhecimento. Formule uma questãoproblema de maneira interrogativa: seu objetivo será tentar respondê-la e propor sugestões de solução para o problema levantado.

” (CHAUÍ. a técnica e os fenômenos da realidade.com/mcrost02/>. geocities. c) O texto acima compreende a dimensão lógica do conhecimento científico. além de ampliá-la com novas investigações. porém. separando-os de outros semelhantes ou diferentes. construir instrumentos técnicos e condições de laboratório específicas para a pesquisa. estabelecer os procedimentos metodológicos para observação. Com base na leitura do texto acima e características da atividade científica. sistemático e planejado. 2007). pois estabelece uma cadeia de causas e efeitos logicamente determinados. que controlem e guiem o andamento da pesquisa. Convite à Filosofia. experimentação e verificação dos fatos. elaborar um conjunto sistemático de conceitos que formem a teoria geral dos fenômenos estudados. racional.Respostas/Soluções para o Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Delimitar ou definir os fatos a investigar. b) A ciência deve possuir um único objeto de estudo. reconhecido de acordo com as características apresentadas desde a Antiguidade. o científico. e permitam a previsão de fatos novos a partir dos já conhecidos: esses são os pré-requisitos para a constituição de uma ciência e as exigências da própria ciência. deixando de lado os aspectos metodológicos e materiais. é correto afirmar: a) O texto retrata a ciência como um todo integrado no qual interagem as implicações metodológicas e contextuais na produção de um saber pelas causas. o texto acima coloca diversos objetos diferentes para a investigação científica. Marilena. como a metodologia. 41 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Acesso em: 11 out. Disponível em: <http://br. d) A busca do ser humano pela compreensão da realidade foi responsável pela criação desse modo particular de conhecimento.

usam astúcias para se defender das estratégias dos poderosos. [. construindo instrumentos capazes de explicar fenômenos da natureza e do cotidiano.. criado artificialmente de modo a tornar possível certas práticas e ações. transmitidos e modificados de geração para geração. III. valores e expectativas do dia a dia. resistem. sobrevivem e. que sujeitos encarnados lutam.. sofrem. da linguagem comum [. Das proposições acima. o conhecimento popular se constrói a partir da experiência..] os cientistas definem aquilo que percebem em seus laboratórios. II. os locais que sintetizam suas práticas. possibilitam a criação de novos objetos. são muitas as pessoas que sabem. QUESTÃO 03 “No mundo de hoje. as quais.. pois os objetos formais de investigação devem ser isentos de conflitos. analise as proposições a seguir: I.. d) III e IV. originando um conhecimento superficial e não causal. que a linguagem científica difere. estão corretas.... isto é. No cotidiano. [. 195). 2003. associado aos estudos sobre o conhecimento popular e conhecimento científico. aspectos que o caracterizam. (GARCIA. por sua vez. já que eles não são perceptíveis se não nos comportarmos como cientistas. lutam. ou pelo menos percebem. no cotidiano. As estratégias dos sujeitos mencionadas no texto correspondem à vivência cotidiana na qual o conhecimento popular é construído sem sistematização e sem a aplicação de métodos.. já que ambos realizam reflexões aprofundadas. um dia morrem”. apenas: a) I e II. Uma das mais importantes atividades 42 PATRÍCIA MOTA SENA . como todos os mortais.]. subalternizados. p. definir não significa apenas dar um nome. sem a preocupação em definir as causas que geraram os fenômenos.. c) II e III. Com base no fragmento acima.] É ali. Conhecimento popular e conhecimento científico se aproximam. e muito.] O laboratório é um lugar diferente. A definição de um conceito científico seria relevante para que os objetos da prática cotidiana pudessem ser conhecidos. IV.. definir é o mesmo que criar.QUESTÃO 02 “[. A experiência cotidiana dos indivíduos é inadequada para a realização de estudos científicos. b) I e IV.. [. e assim vivem. No entanto.] o cotidiano é a hora da verdade.] Na ciência. são explorados. Mas como chegam os cientistas a criar esses termos estranhos e difíceis? [. se organizam para sobreviver.

76.N. VIDEIRA. ao afirmar que os objetos do cotidiano são imperceptíveis se o sujeito deixar de se comportar como cientista. analise as proposições a seguir: I. ao longo dos últimos dois séculos. e estabelece o grau de responsabilidade para sua implementação por parte do poder público ou da iniciativa privada. 2001). p. apenas: a) I. III. nos fins e meios para todas as atividades educacionais nas sociedades modernas e se constituem em instrumentos fundamentais a serem possuídos por cada indivíduo na sociedade. c) III. Das proposições acima. nos planos individuais e coletivos. (RODRIGUES. O texto evidencia a indissociabilidade das dimensões compreensiva e metodológica da ciência: só se pode construir conhecimentos (conteúdo) com a utilização de métodos apropriados de construção de discursos. estão corretas. p. b) I e II. Antonio Augusto Passos.A. O autor quer dizer que não se conhece os fenômenos em profundidade sem uma postura investigativa. II. n. Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre as características da ciência. contradizendo o princípio de que sua finalidade seja a descoberta dos fenômenos naturais.. 17-29). O que é vida? Para entender a Biologia do século XXI. 232-257. C. Educação & Sociedade. O modo de aquisição e de distribuição desses conhecimentos e habilidades se constituiu em paradigma que organiza todos os processos educativos. v.P. Para que servem as definições? IN: EL-HANI. d) II e III.dos cientistas é a elaboração de teorias científicas. 12. A. Nessas últimas. 2000. particulares e universais”. QUESTÃO 04 “A aquisição de conhecimentos e a sua utilização prática na forma de habilidades tornaram-se. O autor afirma que o objeto formal da ciência em geral é a linguagem ao invés da natureza. Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. Com base no texto acima e na relação entre conhecimento e educação. uma das características que mais sobressaem é a construção de uma teia entre os conceitos” (VIDEIRA. analise as proposições a seguir: 43 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Neidson.

d) II e III. pois é passado de geração a geração. tendo sido reveladas pelo inspiracional. por sua natureza questionadora e por lidar com ocorrências ou fatos. b) I e II. ao basear-se no exercício da razão instrumental que valoriza excessivamente a eficácia da ação humana. 44 PATRÍCIA MOTA SENA . sendo valorativo. estão corretas a) I. a educação dos últimos dois séculos iguala-se à ciência por se pautar pelo cientificismo. c) filosófico. apenas. quando dissociado da crítica e criação do conhecimento. sendo demonstrável e falível em virtude de não ser definitivo. caracteriza a postura de estar simplesmente no mundo. Das proposições acima. Desta forma. fundamentando-se numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções. sendo infalíveis e não verificáveis. classifica-se o assunto abordado como sendo de caráter: a) empírico. II e III. III. O uso. apenas. pois seu ponto de partida consiste em hipóteses que deverão ser submetidas à observação e validação. O autor afirma que a educação tem privilegiado o uso do conhecimento. d) teológico. QUESTÃO 05 Leia atentamente o texto a seguir: A discussão levantada pela tirinha ultrapassa gerações de estudos por toda a humanidade. c) I e III. Segundo o autor. A metodologia científica insere-se no novo paradigma educacional por proporcionar aos estudantes instrumentos para adquirir conhecimentos por meio da prática. por apoiar-se em doutrinas que contêm proposições sagradas. II. apenas.I. b) científico.

. com algumas estratégias capazes de torná-la mais organizada e planejada. quanto à atitude responsável do estudante. Mesmo porque não existem tantos métodos de estudo quanto poderíamos pensar ou que gostaríamos que houvesse. no Ensino Superior. Não se engane. trata-se de indicar meios práticos para que o estudante possa avaliar a sua prática de estudo. que isso ocorre.2 TEMA 2.1 CONTEÚDO 1.] processos cognitivos semelhantes e o mesmo grau de escolaridade.. Já os que utilizam de maneira inadequada ou simplesmente agem com indiferença à aplicação de métodos de estudo não conquistam sucesso semelhante (SALOMON. REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 1. Outras análises perceberam que os estudantes do ensino superior que obtêm maior êxito na aprendizagem são aqueles que aplicam o método com habilidade. pois. criando um hábito planejado de estudar com o qual possa obter maior rendimento. que contribuem para o êxito na aprendizagem. MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM A partir de agora você verá algumas reflexões a respeito da atividade de estudo e terá acesso a procedimentos detalhados de registro e sistematização de conteúdos. Délcio Salomon questiona: Entre duas pessoas que tenham [. E o motivo me parece. à quantidade de leituras e atividades e. p. óbvio: o método de estudar. O que faremos é trabalhar aqui as principais características que envolvem a atividade de estudo. recuperando as possíveis deficiências detectadas. também. 35-36).1. Nesse momento você também pode estar se perguntando a respeito da importância de abordar essa temática. uma vez que pratica a atividade de estudo desde a infância. acertos e erros. Algumas pesquisas na área mostram que os hábitos de estudo se formam logo cedo e se consolidam através de tentativas. caro aluno (a). no estudo? Acredito que sim e tenho constatado. com frequência. Você não verá aqui neste texto uma fórmula mágica para a realização eficiente da atividade de estudo. 2008. é possível que uma seja mais eficiente que a outra. não é mesmo? Mas é justamente por saber disso que pensamos ser necessário trazer algumas técnicas que possibilitem a potencialização dessa atividade. nem uma receita capaz de garantir que a sua atividade de estudo desembocará na aprendizagem automática. especialmente. construindo uma prática alterada apenas quando há intervenção por parte de programas executados pelo professor ao constatar problemas na aprendizagem de seus alunos. Por isso. as exigências se aprofundam quanto ao entendimento de conteúdos mais complexos.2. Não 45 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

com a profissão e com seus objetivos de vida. 16). que se movimentam em obtenção de informes e conclusões que vão do dado quantitativo ao qualitativo”. a autonomia e a autodisciplina. à disposição de ler e 46 PATRÍCIA MOTA SENA . podendo aperfeiçoar-se à medida que o indivíduo progride. mas hábitos que sejam válidos. p. o princípio geral que rege a evolução biológica: o do desenvolvimento “difusoanalítico-sintético” (SALOMON. b) abrangência: servir de instrumento a todos os que tenham as mesmas necessidades e interesses. estudar constitui um esforço para aprender conteúdos que devem ser praticados para que o estudante consiga alcançar seus objetivos profissionais. No novo contexto. O universitário tem de estar ciente de que os objetivos de seu curso superior referem-se: à instrumentalização para o trabalho científico.é o único fator da diferença de rendimento. Mas é um fator sempre presente e tenho alguma base para acreditar que seja o principal. Essa atividade contribui para o desenvolvimento de aspectos cognitivos e atitudinais. à disposição em aprender. ao domínio de métodos mais eficientes adequados à natureza dos trabalhos teóricos ou práticos. a observar e interpretar fenômenos da realidade e só obterá sucesso na medida do seu esforço e da postura que assuma diante da condução de sua atividade de estudo. Grifos da autora). 2008. c) processamento: ser global – parcial – global. tais como a motivação. à aquisição da competência e método para empreender pesquisas e solucionar problemas. para as demais situações. e eficientes para o transcurso da vida. Com isso. Dessa maneira. “estudar é um processo investigatório do qual resulta a aprendizagem e modos de conhecimento. 38. o estudante precisa se conscientizar que o Ensino Superior exige muito mais que a simples frequência às aulas. estudar contribui para a construção e utilização de conhecimentos considerando dados mensuráveis e de interpretação por parte do sujeito. p. passando a envolver o modo de lidar com a ciência. assim. Isto é. em qualquer fase de desenvolvimento e escolaridade. considerando o que o leva a estudar e como isso é feito. Esse mesmo autor apresenta algumas características fundamentais do estudo eficiente sobre as quais diversos autores concordam: a) finalidade: desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se restrinjam apenas a determinado setor de atividade ou matéria específica. pelo processo de transferência de aprendizagem. p. ele será instado a refletir de maneira contingente. através dos seus próprios recursos. A eficiência do estudo depende de método. Mas o método depende de quem o aplica (2008. No Ensino Superior o perfil do aluno recém-chegado é ainda impregnado de impressões do senso comum. 40. Grifos da autora). Mas o que é estudar? Para Barros e Lehfeld (2006. seguindo.

p. p. consideramos pertinente colocar aqui uma tabela de Délcio Vieira Salomon (2008. considerando as fases global – como uma etapa geral de contato com o conteúdo –. original. ao aprender a pensar e a planejar as atividades de aprendizagem. Observe e procure praticá-las! 47 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . global – como uma etapa se síntese e significado. Por todos esses aspectos. novamente. 40-41) que detalha atitudes que o estudante precisa desenvolver para obter êxito na atividade de estudo. tanto quanto possível. 2006.analisar textos e obras considerados específicos e gerais. à obtenção de bons resultados em seus empreendimentos acadêmicos de maneira inteligente e. através de métodos ou técnicas de estudo (BARROS E LEHFELD. 17). parcial – como fase de detalhamento e análises do conteúdo e.

48 PATRÍCIA MOTA SENA .

Estas anotações permitirão uma espécie de regulagem da atenção. essa leitura será feita em poucos minutos e aumentará o rendimento das várias horas de aula que o professor utilizará para seu desenvolvimento em classe. problemas que exigirão entendimento durante a aula. bem como seu material de estudo. esta leitura prévia permitirá que se assinalem à margem do texto. análise e síntese). aumentar o rendimento de várias horas de trabalho posterior.. eis o momento de formular sua dúvida inteligente.] à medida que o desenvolvimento da aula caminha para passagens anotadas [. em primeiro lugar. por uma série de razões. Quem não preparou sua aula não pode distribuir convenientemente a intensidade de sua atenção e pode não fazer perguntas. caso contrário. apostilas ou fontes indicadas para leitura e aprofundamento.. [. um bom dicionário. com trabalho prévio de meia hora. se é possível conseguir.Outra forma de conquistar a qualidade do estudo é realizando com paciência e perseverança as suas etapas (síncrese. essa leitura prévia representa economia e eficiência no trabalho.. Se tudo ficou claro agora. as quais são semelhantes às fases do método do estudo eficiente. com simples sinal de interrogação. muito bem. Além disso. Ora. tais como: livros de texto. porque nem sabe que não entendeu. O estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula. E os proble- 49 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .] redobrará sua atenção.. pois. Veja o quadro que segue: HORÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A AULA O estudante deve ter à mão o programa. bloco para anotações.

É preciso decidir-se a começar. p. 24-25.] Entender isso parece muito fácil... especialmente nas revisões. e é fator de eficiência na vida [. Memorizar é diferente de decorar. Para tanto. f) rever. Mas não é só isso! Existem outros métodos que podem (e devem!) ser aplicados no que diz respeito à construção de conhecimentos. h) fazer exercícios de fixação. é necessário que o ambiente seja arejado. o mais utilizado para a realização de atividades de estudo. que se tornará antieconômico e reduzirá sensivelmente o rendimento escolar.. g) fazer leituras de textos complementares. 2008. seja sozinho ou acompanhado por seus colegas de turma. iluminado e ofereça condições para a manutenção de uma postura saudável. para a concentração. É importante fazer a ressalva quanto ao termo “memorizar” aplicado pelas autoras. O ambiente doméstico é. Elizabeth Teixeira destaca a memorização como um dos três aspectos principais que os estudantes precisam exercitar. c) memorizar os conceitos imprescindíveis à compreensão da matéria. fixar o hábito e sentir de perto as vantagens de tal disciplina de trabalho. a autora retoma a diferença que existe entre decorar e memorizar: 50 PATRÍCIA MOTA SENA . não é tão fácil agir dessa forma. tendo nas proximidades todos os materiais que serão necessários. além da atenção e da associação de ideias.. Na leitura do texto você pôde perceber que a preparação anterior às aulas é fundamental. e) decodificar termos e vocábulos técnicos inseridos nos textos que dificultam a sua análise. organizar e/ou reorganizar os apontamentos feitos durante as aulas. Barros e Lehfeld (2006.] [acadêmica]. com frequência. Quem tem muito tempo pode proceder dessa forma. quem tem pouco tempo deve agir deste modo. reler e compreender detalhes significativos e que em aula não foram suscitados ou bem destacados. pois representa extraordinária economia de tempo. b) ler. [. Citando o trabalho de Vicente Keller e Cleverson Bastos. Aprendendo a Aprender. d) complementar o conteúdo de aula com o que já se conhece e com pesquisas complementares. São Paulo: Atlas. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos.mas mais difíceis irão avolumando enormemente seu trabalho extra-aula. 19) afirmam que estudar em casa deve ser um momento para: a) repensar sobre os tópicos desenvolvidos em aula. p. João Álvaro. RUIZ.

26). enquanto o ter decorado somente possibilita a repetição. exigindo de cada um dos participantes a sua parcela de responsabilidade em contribuir e participar ativamente. como também deverá lê-lo e esclarecer suas dificuldades antes da reunião da equipe. A memorização possibilita o refraseamento de algo conhecido e não sua simples repetição. reter a sua compreensão. 1. A leitura prévia é necessária para o bom andamento dos trabalhos.. ao passo que memorizar é reter a forma significativa de um conteúdo inteligível. pois será útil para a resolução de dúvidas e para o confronto de pontos de vista a respeito de um mesmo tema. O coordenador anotará estes compromissos e os solicitará ordenadamente na reunião seguinte. quando há material. e por breve tempo (BASTOS. Pode funcionar como complemento para o estudo realizado individualmente. [. p. enciclopédias e manuais didáti- 51 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Se o tema já estiver definido e a bibliografia já tiver sido apresentada pela cadeira [pelo professor da disciplina]. A memorização dá condições de reestruturar o conteúdo a partir de dados da memória. ou seja. p. há por aí grupos que se reúnem sem material conveniente ou. Em primeiro lugar. 3.. KELLER apud TEIXEIRA. Esta primeira reunião não deverá encerrar-se sem que estejam bem esclarecidos o local. Ao receber um tema para o trabalho. como geralmente acontece. 2. pois o intercâmbio promove a comunicação e a discussão de ideias.Decorar é reter a forma material e não o conteúdo inteligível de determinado conhecimento. fazem a primeira leitura durante a reunião de equipe. o grupo deve reunir-se o mais rapidamente possível para programar suas reuniões e proceder a uma primeira distribuição de tarefas preparatórias à primeira sessão de trabalho. Mas o estudo em grupo só funcionará se todos os colegas foram para o estudo coletivo tendo conhecimento prévio do assunto. Todos deverão providenciar os textos pelos quais se responsabilizaram. ainda limitadamente. Sempre que se tratar de pesquisa bibliográfica. Além de estudar em casa. o primeiro passo é providenciar a bibliografia. o coordenador passará a palavra àqueles que se encarregaram de pesquisar generalidades em dicionários.].. Leia a seguir alguns critérios descritos por Ruiz (2008. também é bastante proveitoso o estudo em grupo.] Entretanto. os livros e os textos. Há uma ordem para que os participantes apresentem os textos pelos quais se responsabilizaram e comuniquem brevemente seu conteúdo. 31-32) que devem ser atendidos para que haja um bom aproveitamento do tempo destinado às reuniões de grupos de estudo. 2005. cada participante não só se responsabilizará por providenciar determinado texto. o primeiro trabalho consistirá na busca de fontes.. e deverão estudá-los [. a data e o horário do próximo encontro.

Dessa maneira. e exige um planejamento do cotidiano em função da inserção das demandas do Ensino Superior.] se o grupo se organizou convenientemente. 5. Como você viu até aqui.]. Em seguida. De acordo com o nível do grupo ou de sua familiaridade com o assunto em pauta. se escolheu seu coordenador. Só depois deste primeiro passo é que se deve voltar ao início para um contato mais íntimo com o texto para levantar seu esquema.cos. ultrapassem o texto. espera-se que os debates.. [.. se programou seu trabalho e distribuiu previamente atribuições limitadas e específicas a cada participante. a organização é fundamental para que o estudante possa agregar suas atividades acadêmicas às profissionais. a perfeição da análise. Para Antônio Joaquim Severino (2002. como qualquer outro trabalho. considerar a natureza da atividade solicitada pelo professor. uma vez que muitos estudantes já exercem uma profissão. p.. ele apresenta um “fluxograma da vida de estudo” que permite visualizar como fica o nosso cotidiano depois que entramos na faculdade. Não se devem alongar debates antes que se chegue ao final de uma primeira apresentação de generalidades da leitura do texto básico. É evidente que os passos elencados por João Álvaro Ruiz podem não ser seguidos à risca. quer para elaboração de monografias de caráter didático-pedagógico.. 31). quer para desenvolver itens do programa em seminários. ou seja. solicitará a contribuição daqueles que se responsabilizaram pela análise prévia de segmentos do texto básico.. para avaliar a coerência interna destas ideias. para discutir suas ideias principais. sendo necessário. as etapas mencionadas devem ser tomadas como guia capaz de orientar as reuniões de equipe em busca do aproveitamento do tempo dedicado a tal tarefa. 4. e assim por diante [.. Por isso. caminhem além do texto numa reabordagem crítica de sua tese e de seus argumentos. 52 PATRÍCIA MOTA SENA . pois cada grupo criará uma dinâmica que os encontros deverão moldar. 6. ao final. a atividade de estudo exige dedicação. a experiência tem demonstrado que as reuniões de grupos de estudo são de extraordinária eficiência. quer para revisões gerais para provas ou exames [. para ponderar o vigor dos argumentos.]. ainda.

FLUXOGRAMA DA VIDA DE ESTUDO Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre o papel do estudante no contexto do ensino superior a distância. 53 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

encontradas numa frase ou num parágrafo. lê sempre Ajusta a velocidade da leitura com o assunto Seja qual for que lê. a exemplo das informações linguísticas e gramaticais. Ex. Frequentemente tem de reler as palavras.: aprender certo assunto. Se livro vagarosamente. Lê palavra por palavra. Só tem um ritmo de leitura. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS O desempenho da atividade de leitura. Tem habilidades e hábitos como: o que lê. detalhes. coesão. ao contrário. Estes critérios. da aplicação de itens como clareza. de acordo com os objetivos que se propôs) (AMORIM. Lê sem finalidade. As outras etapas são: intelecção (percepção do assunto. da apropriação do ato de ler e escrever. Tem vários padrões de velocidade. lê mais devagar para entender bem. Lê com objetivo determinado. o sentido de um grupo Esforça-se para juntar os termos para poder de palavras. 3.1. Abarca. repassar Raramente sabe por que lê. 3. precisam ser companheiros da percepção de contexto. é rápido. num relance. 28).2 CONTEÚDO 2. 54 PATRÍCIA MOTA SENA . Lê unidades de pensamento. o assunto. científico para guardar detalhes. A decodificação é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. por sua vez. Pega o sentido da palavra isoladamente. interpretação (apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto) e aplicação (função prática da leitura. 2. BOM LEITOR MAU LEITOR O bom leitor lê rapidamente e entende bem o O mau leitor lê vagarosamente e entende mal que lê. p. 1. 2005. do conhecimento sobre as formas da expressão escrita. responder a questões. emissão de significado do que foi lido). Relata rapidamente as ideias entender a frase. Tem hábitos como: 1. Se lê uma novela. unicidade e coerência. bem como de produção textual envolve critérios variados.2. a leitura se tornaria uma atividade vazia ou pura decodificação de símbolos. 2.

4. Avalia o que lê. Pergunta-se frequentemente: Que sentido tem isso para mim? Está o autor qualificado para escrever sobre tal assunto? Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal deste trecho? Quais seus fundamentos?

4. Acredita em tudo o que lê. Para ele, tudo o que é impresso é verdadeiro. Raramente confronta o que lê com suas próprias experiências ou com outras fontes. Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.

5. Possui vocabulário limitado. 5. Possui bom vocabulário. Sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos, no momento oportuno. Sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz, atrapalha-se em achar a palavra. Tem dificuldade de entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.

6.Nâo possui nenhum critério técnico para 6. Tem habilidades para conhecer o valor do conhecer o valor do livro. livro. Nunca ou raramente lê a página de rosto do Sabe que a primeira coisa a fazer quando se livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., toma um livro é indagar de que trata, através antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir do título, dos subtítulos encontrados na do primeiro capítulo. É comum até ignorar o página de rosto e não apenas na capa. Em autor, mesmo depois de terminada a leitura. seguida lê os títulos do autor. Edição do livro. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e Índice, “Orelha do livro”. Prefácio. simples consulta. Não consegue selecionar o Bibliografia citada. Só depois é que se vê em que vai ler. Deixa-se sugestionar pelo aspecto condições de decidir pela conveniência ou não material do livro. da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe quando consultar e quando ler.

7. Sabe quando deve ler um livro até o fim, 7. Não sabe decidir se é conveniente ou não quando interromper a leitura definitivamente interromper uma leitura. ou periodicamente. Ou lê todo o livro ou o interrompe sem Sabe quando e como retomar a leitura, sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas. perda de tempo e da continuidade.

8. Discute frequentemente o que lê com colegas. 8. Raramente discute com colegas o que lê. Sabe distinguir entre impressões subjetivas e Quando o faz, deixa-se levar por impressões subjetivas e emocionais para defender um valor objetivo durante as discussões. ponto de vista. Seus argumentos, geralmente,

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

derivam da autoridade do autor, da moda, dos lugares-comuns, das tiradas eloquentes, dos preconceitos. 9. Adquire livros com frequência e cuida de ter 9. Não possui biblioteca particular. sua biblioteca particular. Às vezes é capaz de adquirir “metros de livro” Quando é estudante procura os livros de texto para decorar a casa. É frequentemente levado indispensáveis e se esforça em possuir os a adquirir livros secundarios em vez dos chamados clássicos e fundamentais. Tem fundamentais. Quando estudante, só lê e interesse em fazer assinaturas de periódicos adquire compêndios de aula. Formado, não científicos. Formado, continua alimentando sabe o que representa o hábito das “boas sua biblioteca e restringe a aquisição dos aquisições” de livro. chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além dos livros de texto.

10. Lê assuntos vários. Lê livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história etc. Habitualmente nas áreas de seu interesse ou especialização.

10. Está condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto.

11. Lê pouco e não gosta de ler. 11. Lê muito e gosta de ler. Acha que ler é, ao mesmo tempo, um trabalho Acha que ler traz informações e causa prazer. e um sofrimento. Lê sempre que pode. 12. O MAU LEITOR não se revela apenas no 12. O BOM LEITOR é aquele que não é só bom ato da leitura, seja silenciosa ou oral. É na hora de leitura. constantemente mau leitor porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber É bom leitor porque desenvolve uma atitude ler. de vida: é constantemente bom leitor. Não só lê, mas sabe ler.
(FONTE: SALOMON, DÉLCIO. COMO FAZER UMA MONOGRAFIA. SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 2008, P. 52-53. GRIFOS DA AUTORA).

A palavra escrita, quando articulada em um tecido social, é necessária para o processo de interpretação da realidade, favorecendo o movimento reflexivo do olhar, exercitando o potencial crítico e propositivo. Palavras registram um modo de percepção da realidade. Importa considerar que o referido modo de percepção da realidade é passível às abordagens novas, devido ao caráter transformador próprio da formação e trajetória humana ao longo das organizações sociais, sendo mister questionar: Afinal, quais os elementos fundamentais que precisam ser contemplados para conquistar o exercício crítico e criativo de leitura/escrita?

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PATRÍCIA MOTA SENA

É imprescindível identificar os objetivos almejados pelo autor ou pela autora do texto, identificando também o modo pelo qual fundamenta a sua proposta e, sobretudo, buscar em si o contínuo despertar do gosto pela leitura na qualidade de quem lê o mundo, apreciando o caráter polissêmico, a diversidade de sentidos, as diferenças entre informação e saber e o compromisso subjacente à escolha de ser/se tornar profissional em educação.

O caráter dialético da leitura e a conquista da leitura proveitosa

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta”. (Montaigne) Dada a incompletude do ser humano, cada um constrói a si mesmo mediante o conjunto de experiências e perspectivas que vivencia. Sabendo que as experiências são diferenciadas, também o modo de percepção da realidade ocorrerá de modo distinto, no qual você desenvolve um olhar próprio sobre o mundo e o comunica por meio da linguagem. O texto, portanto, apresenta o modo de percepção do seu autor e, no mesmo instante, estabelece diálogo com o modo de percepção do leitor, favorecendo a multiplicidade de sentidos, a incompletude do discurso e a produção de sentidos, uma vez que está sujeito às interpretações e significações múltiplas. O caráter dialético da leitura é atestado nesse movimento de polissemia, ou seja, nesse movimento de multiplicidade de sentidos. De tal forma que o empenho para desenvolver a capacidade leitora, conquistando a leitura proveitosa, é indispensável! Amorim (2005, p. 28-33) informa alguns passos necessários para a leitura proveitosa (atenção, intenção, reflexão, espírito crítico, análise e síntese) e, por assim dizer, classifica a leitura de acordo com a modalidade e a finalidade. Quanto à modalidade, pode ser técnica, literária e informativa. Quanto à finalidade pode ser também informativa (leitura de estudo e de temáticas gerais) e formativa (aquisição ou ampliação de conhecimentos). Importa ainda ponderar os “textos” sem palavras, ou seja, a capacidade leitora compreende a significação e compreensão da realidade. Para além da palavra escrita, a compreensão da linguagem não verbal e a significação da realidade. A conquista da leitura proveitosa requer também que os saberes pré-existentes sejam contemplados e estabeleçam diálogo com os novos saberes, transcendendo as barreiras da pura informação para, então, transformá-las em conhecimento, contribuindo com o desenvolvimento da capacidade inventiva, visto que a leitura não é um dado pronto e estático, ela é produzida. Prefiro afirmar: histórica, humana e prazerosamente produzida! Afinal...

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

A leitura de um texto pressupõe objetivos... intencionalidade.121). [. onde experiências diferentes se defrontam. 2005.. análise interpretativa. problematização e síntese. através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor. ESPÍRITO CRÍTICO 5. REFLEXÃO 4. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. INTENÇÃO 3.. O quadro abaixo indica a característica principal de cada etapa. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. p.Discussão Síntese . FASES DA ANÁLISE DE TEXTO Análise textual . busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade.. Assim concebida. na qualidade de proveitosa.Visão global Análise temática . 1. SÍNTESE • Principais elementos e fases da análise do texto As principais etapas da análise de texto são: análise textual.] (CARVALHO.. UMA LEITURA PROVEITOSA PRECISA DE. O leitor. É somente neste encontro histórico.] Neste sentido. ao se dirigir ao texto. que é possível a compreensão e interpretação de textos..Compreensão Análise interpretativa . análise temática.. ATENÇÃO 2.Reflexão e reelaboração 58 PATRÍCIA MOTA SENA . da perspectiva de quem se sente problematizado por ele [.Interpretação Problematização . ANÁLISE 6. a leitura se constitui em rico subsídio para a realização de pesquisas.

Para Severino (2002. na qual se procura saber: De que trata o texto? Quais são suas ideias mais importantes? Inicialmente. configurando uma preparação para a leitura propriamente dita. sugere-se que o estudante realize anotações e proceda a uma pesquisa para buscar esses esclarecimentos em textos historiográficos. 2002. o que ele está demonstrando. 54). 52). dicionários. A Análise Textual consiste no contato preliminar com o texto. isto é. Depois de identificar o tema do texto é preciso encontrar qual a problemática que o autor busca compreender. 2002. o estudante-leitor pode levantar as dúvidas de vocabulário. A esse item denominamos de tese. mas não muito detida. mas de relações variadas entre vários elementos”. Ainda nesse primeiro contato. especialmente. palavras desconhecidas que sejam fundamentais para o entendimento dos argumentos. A Análise Temática é uma etapa imediatamente seguinte. Está relacionado a uma questão que se deseja compreender ou resolver e em torno da qual giram as análises do autor na busca de soluções. de um fato determinado. identificando termos. 59 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . cujo sentido no texto é pressuposto pelo autor. qual o principal argumento que está sendo defendido. dizemos que o tema é o assunto que perpassa todo o texto e sobre o qual todos os argumentos estão relacionados de forma direta ou indireta. a outros autores e. O terceiro item a identificar na análise temática é qual a resposta que o autor sugere para atender ao problema levantado. p. Depois de identificar a unidade de leitura. o que provocou a argumentação e a apresentação de ideias. monografias especializadas etc. “o tema tem determinada estrutura: o autor está falando não de um objeto. o estudante deve ler o texto de maneira atenta. que representa a posição assumida pelo autor. 54). A conclusão da análise pode ser feita com a elaboração de um esquema no qual seja apresentada uma visão de conjunto do texto lido. p. Por isso. é preciso identificar o tema ou o assunto do texto – e nem sempre isso pode ser feito pelo o título. o estudante deve buscar informações sobre o autor. para ter contato geral com a linguagem que o autor emprega e obter uma visão de conjunto do seu raciocínio. para conseguir alguns dados que influenciem na compreensão das ideias apresentadas. considerando-se que “o texto pode fazer referências a fatos históricos. Após essa etapa. Identificados estes elementos. mas nem sempre conhecido do leitor” (SEVERINO. sobre sua vida e obra. a outras doutrinas. a parte do texto que concentra o seu sentido. O estudante-leitor pode perguntar: “Como o assunto está problematizado? Qual dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado?” (SEVERINO. conceitos. p.A partir de agora veremos cada uma delas e seus principais aspectos. O problema é a questão motivadora das reflexões do autor.

o que possibilitará estabelecer um diálogo entre o texto lido e as análises de textos anteriores. entrará em contato com textos de temáticas semelhantes. Isso se tornará mais fácil à medida que o estudante-leitor adotar a leitura como uma constante na vida acadêmica. obtendo maiores informações sobre o autor. é importante associar as argumentações feitas com a(s) corrente(s) epistemológica(s) que fundamentam as ideias do autor. para Severino (2002. fundamentando. é forçar o autor a um diálogo. caberá ao leitor-estudante levantar as ideias secundárias. requerendo que o estudante perceba elementos como coerência. será mais proveitosa a leitura. que é responsável pela atribuição de significado ao que foi lido. pois. Já a Análise Interpretativa pressupõe interpretação. identificar de que maneira o autor demonstra a sua tese. é ler nas entrelinhas. São os assuntos que o autor aborda de forma paralela à ideia principal. E. procurando caracterizá-las do ponto de vista teórico-metodológico. qual o raciocínio que construiu para defender a tese. e a síntese. profundidade nas análises e obtenção de conclusões. assim como questões relacionadas ao tema –. ao realizar leituras variadas. Em seguida. Veja. que argumentos utilizou para comprovar a tese proposta.. 56). que nos fornece uma visão geral das etapas da análise de texto. Para realizar a análise interpretativa é necessário buscar conhecer o contexto em que se insere a publicação. as condições de produção de toda a sua obra e especificamente do texto analisado. é cotejá-las com outras. que gravitam em torno dela exemplificando. originalidade e validade dos argumentos apresentados. pois permitirá ao leitor conhecer e reconhecer pressupostos filosóficos distintos e aproximar as ideias expressas no texto que está em análise de ideias encontradas em outros textos. Dessa maneira. um quadro muito interessante. isto é. que representa uma discussão do texto – na qual o leitor deve apontar os pontos polêmicos do debate. Por último. temática e interpretativa.. ilustrando. agora com mais detalhes: 60 PATRÍCIA MOTA SENA . enfim.O quarto elemento é a ideia central. é dialogar com o autor. situando o texto historicamente. fazendo uma apreciação das ideias expostas.] tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas. Além das análises textual. a seguir. há a problematização. interpretar é: [. de autoria de Antônio Joaquim Severino. é superar a estrita mensagem do texto. é explorar toda a fecundidade das ideias expostas. p. como a própria denominação afirma. A análise interpretativa também exige o exercício da crítica. A análise interpretativa possibilita que o estudante emita avaliações a respeito do texto.

. Para as considerações finais das questões até aqui discutidas. leia atentamente o texto a seguir: [. à qual emprestasse uma força mágica. procurando apenas memorizar as afirmações do autor. Se se deixa 'invadir' pelo que afirma o autor. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. P. SÃO PAULO: CORTEZ. 'domesticamente'. Se se comporta passivamente. ANTÔNIO JOAQUIM. Se se transforma numa 'vasilha' que deve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo. 61 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .(FONTE: SEVERINO.. 61).] é impossível um estudo sério se o que estuda se põe em face do texto como se estivesse magnetizado pela palavra do autor. 2002.

então.. estudando. Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. pode estar mais além de sua capacidade de resposta. Não adianta passar a página de um livro se sua compreensão não foi alcançada. nem sempre explicitado no índice da obra. é o caso. evitando. não é possível a quem estuda. Estudar não é um ato de consumir ideias. às vezes grandes. Se o que estuda assume realmente uma posição humilde. na razão mesma em que é um desafio. da realidade. Um texto estará tão melhor estudado quando. 62 PATRÍCIA MOTA SENA . O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade. alienar-se ao texto. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação.] O ato de estudar demanda humildade.Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem. renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. coerente com a atitude crítica. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões do conhecimento. diante de um livro. não se sente diminuído se encontra dificuldades. A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. o que deve fazer é reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático. buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor. delimitando suas dimensões parciais. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado. Neste caso. de fixar-se na análise do texto. numa tal perspectiva. Impõe-se. da existência. A demarcação destes temas deve atender também ao referencial de interesse do sujeito leitor. pelo contrário.. para penetrar na significação mais profunda do texto. a ele se volte. Humilde e crítico. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente. Desta maneira. trair o pensamento do autor em sua totalidade. de recriar. de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo. Estudar é uma forma de reinventar. sabe que o texto. Impõese-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão. Assim é que. a insistência na busca de seu desvelamento. Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que. mas de criá-las e recriá-las. na medida em que dele se tenha uma visão global. o escreveu. em sua interação. [. este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. assim. em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem. constituem sua unidade.

conforme Amorim (2005. Utilizar linhas verticais na margem para trechos longos e/ou para ressaltar afirmações já sublinhadas. Nesse processo. bem como o seu posterior registro. visto que a primeira leitura remete ao reconhecimento geral do texto. Paulo. 2006. a seguir. identificando seus principais elementos. 25). Parra Filho e Santos (2003.gov. aprendemos progressivamente a ler. Disponível em: <http://pontodeencontro.br/estudar. termos técnicos e outras. é importante estabelecer sinais hierárquicos que podem ser criados pelo próprio leitor.htm#exp>. Considerações em torno do ato de estudar. A releitura é condição indispensável para esse movimento. a adequada ação de sublinhar possibilita a compreensão da temática. Portanto. 133): • • • • • • • • Realizar a leitura integral do texto a fim do reconhecimento geral da sua temática. Sublinhar a ideia central de cada parágrafo.FREIRE. 1. por exemplo. p. 33). Ter clareza do significado de cada grifo ou sublinha. Na releitura.2. Medeiros (2005. discordâncias. precisa ser desvinculado do ato de grifar aleatoriamente as palavras ou expressões. por exemplo. O ato de sublinhar.3 CONTEÚDO 3. criando uma legenda pessoal que contribua para a localização da ideia-mestra. p. Acesso em 04 ago. 63 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Apresentamos. Sublinhar a partir da releitura (proveitosa) do texto. algumas orientações gerais para sublinhar com eficiência. pouca clareza das ideias e/ou argumentos. observando as orientações metodológicas fundamentais à eficiência do ato de sublinhar. Esclarecer as possíveis dúvidas de vocabulário. p. com o sinal de interrogação à margem de parágrafos que apresentem dúvidas.mec.proinfo. Para sublinhar corretamente o texto é preciso identificar a ideia-mestra e seus fundamentos. voltamos o olhar para a análise da obra. Sinalizar. elaborando resumos e sinalizando a relação entre as afirmações que se apresentam no texto. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I • Sublinhar A não aprendizagem para a leitura sinaliza a não aprendizagem para a compreensão. distinguindo seus argumentos e comentários. por sua vez. Estabelecer uma hierarquia de sinais ou símbolos. Para superar as possíveis dificuldades importa lembrar que a leitura não nasceu pronta. por exemplo.

.Independente das orientações anteriores. foram identificadas como principais. que poderíamos transcrever em nossas fichas de documentação pessoal. como também perceber incoerências. d) Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um telegrama – Por ocasião das revisões imediatas ou posteriores. Grifos da autora). Não sublinhar longos períodos.. p. paralogismos. desde que crie códigos utilizados constantemente nas diversas leituras que realizar. a ideia principal retorna em diversos parágrafos e em diversos contextos. a leitura das palavras sublinhadas. por outro lado. à margem. os pontos de discordância – Podemos não concordar com as posições assumidas pelo autor. e retornem para sublinhar aquelas palavras ou frases essenciais que. e que a releitura mais rápida confirma como tais. os textos posteriores. que examinam textos pertinentes à sua área de especialização. c) Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas – É supérfluo esclarecer esta norma que traduz a natureza e a finalidade do ato de sublinhar. interpretações tendenciosas de fontes e uma série de falhas ou de colocações que julgamos insustentáveis. os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima. E há passagens em que o autor atinge uma espécie de clímax. leiam primeiro um ou mais parágrafos. 39-40. f) Assinalar com linha vertical. Devemos registrar o fato mediante uma interrogação à margem do texto em apreço (RUIZ. João Álvaro Ruiz (2008. mas recomenda-se aos principiantes que não o façam. devem ser identificadas para futuras buscas. mas é bom agir de tal maneira que as ideias principais se mantenham destacadas. apoiada nos pilares das palavras sublinhadas. g) Assinalar com um sinal de interrogação. sublinham inteligentemente por ocasião da primeira leitura. p. que contribuem ainda mais para a aplicação da técnica para sublinhar: a) Sublinhar apenas as ideias principais e os detalhes importantes – Não se deve sublinhar em demasia. sabemos que cada estudante pode adotar a simbologia que lhe convier. terá um sentido fluente e concatenado. desde a primeira leitura. 2008. r) Sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia principal. à margem do texto. dignas de reparos ou passíveis de críticas.]. essas passagens. 64 PATRÍCIA MOTA SENA . 39-40) apresenta alguns métodos de maneira ainda mais detalhada. b) Não sublinhar por ocasião da primeira leitura – As pessoas mais experimentadas. embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas. as passagens mais significativas – Não raro. Nada melhor que um traço vertical à margem do texto para tal identificação. e com um único traço os pormenores importantes – Devemos sublinhar tanto as ideias principais como os detalhes importantes. basta sublinhar palavras-chave [.

65 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Indicar as ideias principais e secundárias. É possível e interessante que você desenvolva sua própria forma de elaboração dos esquemas. Um esquema eficiente estabelece ordenação lógica das ideias. p. utilizando símbolos que evidenciem a relação entre as ideias. estabelecendo relações hierárquicas entre as ideias. Condensar as ideias em palavras-chave ou em frases-mestras coerentes e concisas. uma vez que requer movimento de interpretação e a constante revisão da própria aprendizagem. há também o caráter dialético do estudo. p. é necessário que cada estudante esteja disposto à aprendizagem real das temáticas. 124-125): • • • • • • • Manter a fidelidade ao texto. Sinalizar o tema. como há o caráter dialético da leitura. Relacionar as ideias que fazem parte do argumento. aula. compreendendo que. Orientações metodológicas para produzir esquemas eficientes. identificando os argumentos e conduzindo à compreensão da temática. Distribuir gráfica. conforme Amorim (2005. identificando a proposta central e a fundamentação da obra ou de circunstâncias outras. lógica e organizadamente o conteúdo. É um importante instrumento de sistematização da aprendizagem e confere organização ao estudo. palestra ou conferência. com clareza e relação causal. Para que essas orientações conduzam à excelência na produção de esquemas. com atenção às orientações básicas que cito a seguir. Identificar títulos e subtítulos. 34) e Carvalho (2005. tais como: filme.• Esquematizar Esquemas são formas de representação e registro que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão.

para consulta do público. Nesse percurso a quantidade de obras lidas ou consultadas vai sendo acumulada. O título genérico corresponde ao título do livro ou do trabalho utilizado na pesquisa. localizar os conteúdos estudados. compreende o título genérico. a ficha obedece a determinados critérios de elaboração e organização do conteúdo caracterizando cada tipo de fichamento. o título próximo. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA FICHA. onde. de séries e de assuntos. Como. Entretanto. o título específico (opcional) e a letra indicativa da sequência (quando se utiliza mais de uma ficha). então. há dois anos. P. De acordo com o objetivo pretendido.4 CONTEÚDO 4.144-145): Cabeçalho: representa a identificação do fichamento.35) “o sistema de fichas é atualmente utilizado nas mais diversas instituições para serviços administrativos e nas bibliotecas. conforme explica Amorim (2005. de títulos. 66 PATRÍCIA MOTA SENA . Realizadas de modo criterioso e cuidadoso as fichas organizam informações variadas sobre obras lidas. sinalizando a fonte dessas informações que poderá ser buscada futuramente pelo próprio autor do fichamento. a elaboração de fichas é um poderoso recurso. ou na primeira disciplina cursada? É preciso “decorar” todas as leituras que realizamos? Quando a aprendizagem é instaurada entre os objetivos da leitura não é preciso “decorar”. p. DE ACORDO COM PARRA FILHO E SANTOS (2003. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II • Fichar Ao compreender a importância e as condições básicas da leitura proveitosa. o esquecimento total das questões estudadas não é desejável! Nesse caminho entre aprender e recorrer ao já aprendido. existem fichas de autores. a sistematização dos estudos é indispensável e. no caso mais específico das leituras desempenhadas. Além de ser útil enquanto recurso didático e metodológico para o estudo e a pesquisa. os fichamentos são pertinentes em situações outras. o estudante passa a desenvolver o costume de ler para aprimorar seus saberes e atender às múltiplas demandas de sua formação humano-estudantil-profissional. informo que todos eles atendem a uma estrutura específica com cinco elementos indispensáveis.1. todas em ordem alfabética”. por exemplo.2. conforme citado a seguir. Antes de apresentar os tipos de ficha.

como: esse livro.O título próximo é um desdobramento do título genérico. contém. a finalidade da ficha bibliográfica. p. critica. descreve. esta obra. a. pois é possível que. o autor. • Evitar repetições desnecessárias. até obter as informações completas. Para proceder-se corretamente é importante consultar também a Ficha Catalográfica da obra. Por exemplo. Ficha Bibliográfica Conforme Parra Filho e Santos (2003. os resultados obtidos. Referência bibliográfica: deve sempre seguir normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. • Utilizar verbos ativos. Corpo: o conteúdo que constitui o corpo ou texto das fichas varia segundo o tipo e a finalidade da ficha. bem como a metodologia utilizada e a sua contribuição para o aumento do conhecimento do assunto abordado”. a ficha utilizada é a de citação. na ausência dela. p. registra. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. a obra precise ser consultada novamente. Local: onde pode ser encontrado o livro. compara. 67 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . é “identificar o objetivo da obra. 150). define. esboço e comentário ou analítica. tais como: analisa. • Ser breve: a ficha bibliográfica é a mais breve de todas. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha bibliográfica. 150-151): • Indicar as fontes utilizadas. Portanto é necessário que o estudante tenha de maneira clara a sua intenção. revisa. os problemas a que a obra pretende responder. resumo ou conteúdo. Indicação da obra: indica o público ao qual se destina a obra conforme a área de interesse. examina. pois qualquer conhecimento adicional poderá ser obtido com outras modalidades de fichamento. sugere. O título específico (se necessário) corresponde ao desdobramento do título próximo. se o propósito é a transcrição de fragmentos da obra. também conhecida por ficha de indicação bibliográfica. este artigo. o tipo de ficha é a de comentário. • Tipos de ficha O corpo ou texto da ficha é redigido de acordo com o objetivo a ser alcançado. se é pretendido emitir juízos de valor sobre a obra. apresenta. depois de fichada. Os principais tipos de ficha são: bibliográfica. citação. que traz todos os elementos necessários e. que é encontrado no sumário e destina-se ao fichamento. a folha de rosto e outras partes do livro. p. conforme Amorim (2005.

quando for a parte central do parágrafo. 60) b. 148-149): • Sinalizar a citação e/ou transcrição: toda e qualquer citação deve vir entre aspas. • Informar o número da página de onde foi extraída a citação e/ou transcrição. É necessário escolher os fragmentos que revelem e. P. contribuindo para o esclarecimento de dúvidas. utilizar reticências entre parênteses. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de citação. justifiquem a questão central da obra fichada. Ficha de Citação Quando o objetivo é indicar com citações e/ou transcrições a temática central da obra e outras considerações relevantes para a compreensão do texto. utilizando no local da supressão reticências no início e no final e. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003.MODELO DE FICHA DE BIBLIOGRÁFICA (MARCONI. respeitando os direitos autorais. permitindo a posterior utilização do trabalho. de certa forma. p. conforme Amorim (2005. • Indicar a supressão da parte inicial ou final do texto. • Manter os erros de grafia para que a citação seja a reprodução fiel do texto e evidenciá-los com o termo ‘sic’ entre parênteses. com a correta indicação bibliográfica e a localização do contexto originário do fragmento transcrito ou citado. o tipo de fichamento adequado é o de citação. 68 PATRÍCIA MOTA SENA . p. LAKATOS. evitando que as ideias apresentadas na ficha sejam atribuídas ao fichador e respeitando a real autoria. 2009.

mas a ideia é a apresentada pelo (a) autor(a) da obra.• Indicar a supressão de um ou mais parágrafos utilizando uma linha completa de pontos. A utilização de colchetes sinaliza que as palavras nele comportadas não são do autor da obra. p. 2009. 38) e Parra Filho e Santos (2003. P. LAKATOS. 69 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Ser fiel ao texto: as palavras são daquele que escreve a ficha de resumo. nem transcrição). • Apontar entre colchetes possíveis acréscimos. 147): • Apresentar síntese clara das principais ideias do autor. conforme Amorim (2005. MODELO DE FICHA DE CITAÇÃO (MARCONI. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. • Sinalizar quando o pensamento transcrito não é do autor da obra fichada: quando o autor cita outros autores. sem negligenciar a identificação dos seus elementos fundamentais e atendendo às orientações a seguir. p. Ficha de Resumo A ficha de resumo objetiva apresentar o conteúdo da obra de modo sucinto. 61) c. • Utilizar as próprias palavras (não é citação. é necessário indicar entre parênteses a referencia bibliográfica da obra da qual foi extraída a citação. mas daquele que elabora o fichamento.

se o fizer. 62) d. • Apresentar uma síntese das ideias do autor.• Cuidar da extensão: a ficha de resumo apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica. e se diferenciam. a ficha de esboço e a de resumo se aproximam. 151-152): • Fazer anotações das ideias principais do autor de forma detalhada. LAKATOS. intermediária entre a bibliográfica e a de esboço. 36). então. portanto. Conforme Amorim (2005. a ficha a ser utilizada é a de esboço. Portanto. pois a primeira permite espaço para detalhamentos. É. mas não detalha como ocorre na ficha de esboço. • Detalhar sem perder a fidelidade ao texto e com as próprias palavras do fichador. pois apresenta as ideias principais do autor. 2009. se descaracteriza. P. Mas a ficha de resumo também apresenta as ideias centrais da obra. são sinônimos? A resposta a essa questão é negativa. 70 PATRÍCIA MOTA SENA . Ficha de Esboço No momento em que o estudante ou pesquisador tem por objetivo apresentar as ideias principais da obra sem. p. preferencialmente página por página. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. contudo. p. ser sucinto. ao passo que a segunda. porém de forma detalhada”. no que tange à ocupação com as ideias centrais da obra. a ficha de esboço “assemelha-se à ficha de resumo. conforme Parra Filho e Santos (2003. MODELO DE FICHA DE RESUMO (MARCONI.

LAKATOS. 63) MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI.• Anotar à esquerda da ficha o número da página correspondente à ideia ou posicionamento sinalizado. P. 2009. LAKATOS. 64) 71 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2009. MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. P.

o posicionamento próprio sobre o pensamento do(a) autor(a) encontram na ficha de comentário um excelente recurso de sistematização da obra e da interpretação sobre ela. p. 2009. MODELO DE FICHA DE COMENTÁRIO (MARCONI. p. “a explicação está a serviço de um texto. Para realizar com eficiência a ficha de comentário. • Realizar a análise crítica do conteúdo. há um compromisso maior. É indispensável ter a devida atenção para não fugir do assunto. 65) 72 PATRÍCIA MOTA SENA .. para além da ideia central do texto. LAKATOS. uma vez que o comentário remete. p. importa compreender que explicar e comentar são situações diferenciadas. Ficha de Comentário No sentido de compreensão da obra. Conforme Folscheid e Wunenburger (2002. 51). Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. no qual o potencial crítico e interpretativo se torna elemento fundamental. é sobre a obra fichada e requer fundamentação coerente. mas esse posicionamento não é aleatório.”. ao posicionamento do leitor. Deste modo. o comentário interroga seu autor. conforme Amorim (2005. sim.e. P. a explicação parte do texto e se restringe ao texto.129 -130): • Identificar os elementos centrais da obra sem limitar-se a essa identificação. estudantes e pesquisadores que objetivam registrar. por vezes o estudante ou pesquisador acaba por se desvincular da questão central do texto. • Fazer uma avaliação da obra. Como o caráter do comentário requer interpretação pessoal. 36) e Medeiros (2005. o comentário parte do texto e não se restringe a ele. • Apresentar a interpretação e crítica pessoal sobre a obra..

p. Os principais são: descritivo ou indicativo. 2005. no qual são eliminadas a ocupação quanto à extensão do texto. Medeiros (2005. Construir frases que incluam várias ideias expostas no texto. o objetivo pretendido pelo(a) autor(a) e suas conclusões. ressaltando a progressão e a articulação delas. seus argumentos. em primeiro lugar. p. Suprimir os elementos redundantes e supérfluos ou irrelevantes. e fazê-lo de forma sintética. Selecionar as ideias principais. a pessoa que o está realizando deve responder. Os resumos são redigidos conforme o objetivo que se pretende alcançar. 143).]. Portanto. p. 38-39).. Entre os aspectos que integram todos os modos de resumir constam a necessidade de planejamento e a identificação de elementos tais como: a questão discutida no texto. 73 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . apud MEDEIROS. descobrir o plano da obra a ser resumida. conforme citação a seguir. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto”. p. 142). não dispensa a leitura do original (MEDEIROS. 2005. p. Apresentar o conteúdo da obra de maneira sucinta.142 -153) e Siqueira (1990. informativo ou analítico e crítico. p. Resumo descritivo ou indicativo Esse tipo de resumo diz respeito aos aspectos mais importantes do texto de modo apenas indicativo.. Identificar e agrupar as ideias que se relacionam entre si.• Resumir Para Medeiros (2005. no resumo. do objetivo.151): Evitar começar a resumir antes de esquematizar o texto ou de preparar as anotações de leitura. f. Em segundo lugar. Orientações metodológicas para elaboração de resumos.143). (MEDEIROS. indicando tipos diferenciados de resumos. sua constituição e conceitos (dados quantitativos) e à ocupação com a identificação e análise da hipótese. 2005. Os procedimentos para realizar um resumo incluem. a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? Em terceiro lugar. “resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. da problemática e das fundamentações (dados qualitativos). conforme Amorim (2005. deve-se ater às ideias principais do texto e a sua articulação [. • • • • • • Respeitar a ordem de apresentação das ideias e fatos.

2% dos textos. estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. os métodos e as técnicas utilizados. o nonsense. 2005. Examina 1. 500 redações de candidatos a vestibulares (1978). 2005. p. de continuidade e quantidade de informações. 16. Parte de conjecturas e indagações. a frase feita. informações sobre o candidato. O uso excessivo de clichês e frases feitas apa- 74 PATRÍCIA MOTA SENA . particularmente desses indivíduos. obtidas da FUVEST. Maria Thereza Fraga. A redundância ocorreu em 15. um exemplo de resumo descritivo ou indicativo proposto por Medeiros (2005. esse tipo de resumo pode dispensar a leitura do texto original quanto às conclusões. p. uma teoria do texto. com o discurso tautológico. os resultados e as conclusões. 1981. ressaltam-se a carência de nexos. o ‘nãotexto’ e o discurso indefinido. fatores sociais e econômicos. através do estudo. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita. as contradições lógicas evidentes. ROCCO. Maria Thereza Fraga.9% apresentaram problemas de contradições lógicas evidentes. 144). ausência de originalidade. cultura. 184 p. São Paulo: Mestre Jou. o clichê. a seguir. que buscam erigir uma gramática do texto. 1981. p. um exemplo de resumo informativo ou analítico proposto por Medeiros (2005. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Salienta o objetivo da obra. (MEDEIROS. 143). 184 p. as frases feitas. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem.143-144). a seguir. ROCCO. os clichês. Crise na linguagem: a redação no vestibular. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. 143). Também foram objeto de análise condições externas como a família.8% dos vestibulandos demonstraram incapacidade de domínio dos termos relacionais. escola. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva. Veja. p.Veja. Resumo informativo ou analítico Realizado com eficiência. o texto e a farta exemplificação. Crise na linguagem: a redação no vestibular. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. Chegou à conclusão de que 34. São Paulo: Mestre Jou. São objetos de seu estudo a coesão. apresenta os critérios para a análise. evitando juízos de valor (MEDEIROS. g. Entre os problemas.

Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. do conteúdo (análise do teor em si do trabalho). em um segundo momento. O resumo crítico. h. além de apresentar as ideias centrais do texto. pois. de tal forma que. 2005. 39). p. reúne esses elementos lançando o olhar crítico e criativo sobre eles. requer a elaboração de juízos de valor sobre essas ideias. Resumo crítico Favorece de modo significativo a construção de saberes. (MEDEIROS.0% dois textos. 144).rece em 69. p. “permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre o trabalho e não sobre o autor. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas. conforme Amorim (2005. valorizando o devaneio. 75 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . do desenvolvimento (da lógica utilizada na demonstração). Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade. e da técnica de apresentação das ideias principais”. pode se centrar na forma (com relação aos aspectos metodológicos). pretensamente de efeito. em um primeiro momento o(a) estudante ou pesquisador(a) precisa identificar os elementos constituintes da obra e.

76 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 77 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Aponte uma deficiência ou algum aspecto que você deseja melhorar para obter maior êxito na sua aprendizagem. 5. Resultado das pesquisas sobre métodos de estudo ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 78 PATRÍCIA MOTA SENA . Isso pode ser feito por meio da elaboração de um cronograma de estudos.ESTUDO DE CASO A proposta deste caso para ensino é aprimorar o seu método de estudo. de uma tabela com aspectos que deseja aprimorar ou do registro dos pontos positivos que você já pratica e que não deve deixar de exercitar. dos pontos positivos e dos seus objetivos de estudo. Problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3. Observe a sua prática de estudo por uma semana e faça o registro das deficiências. Sugerimos que você: 1. Pesquise para conhecer um pouco mais sobre os métodos e estratégias de estudo e aprendizagem e. 2. Aponte alternativas para solucionar o problema. em seguida. o que posso fazer para adquirir?”. faça o registro das informações obtidas aqui mesmo no material. 4. 1. Escolha a que considerar mais adequada para a obtenção de êxito no estudo e na aprendizagem e aplique no seu cotidiano acadêmico. de um roteiro de pesquisa. por exemplo: “Ainda não tenho familiaridade com a tecnologia. Esse registro deve ser feito aqui mesmo no seu material em forma de tópicos esquemáticos. formulando um problema como. 3. Resultado da observação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2.

analise as proposições a seguir: I. estão corretas. nas leituras proveitosas o conteúdo deve ser aplicado desde o início. Das proposições listadas. pois do contrário não há a intencionalidade capaz de motivar o estudante. b) II e III. porém. Aplicação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. p. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo. sendo esta a etapa primeira e mais importante do ato de ler. 79 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . a) III e IV. Segundo o texto. De alguma maneira. II.4. c) I e IV. d) I e II. seja como repertório para atribuição de significados ao que foi lido ou como parâmetro para determinação de suas finalidades. a prática necessária para a boa leitura é vivenciada no cotidiano: já que a leitura de mundo se faz automaticamente. IV. Alternativas de solução para o problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’. o aperfeiçoamento da capacidade leitora acompanha naturalmente o amadurecimento. quando o leitor se transforma em sujeito atuante. Com base na citação acima e estudos sobre leitura. Freire chama a atenção para o fato de que leitura proveitosa envolve necessariamente a ação prática. 1984. 22). é um manancial de significações e implicações que vão sendo descobertas a cada releitura. apenas. Segundo o texto. A leitura de um texto. III. quer dizer de transformá-lo através de nossa prática consciente” (FREIRE.

[. enquanto que a Metodologia do Trabalho Científico se ocupa especificamente da prática de pesquisa na academia. Esta classificação corresponde respectivamente às perguntas ‘o que se deve saber?’. c) O controle sobre a própria aprendizagem.QUESTÃO 02 “[. habilidades. relacione as colunas de acordo com as finalidades da técnica abordada e sua aplicação: 80 PATRÍCIA MOTA SENA . ao responder à pergunta ‘o que se deve aprender?’ devemos falar de conteúdos de natureza muito variada: dados. d) A Metodologia do Trabalho Científico contribui para o aprendizado dos conteúdos discutidos ao estimular a postura crítica. 30-31). Porto Alegre: ArtMed. b) A facilitação da aprendizagem dos conteúdos citados no texto é desempenhada pela metacognição. A prática educativa: como ensinar. já que preparam e antecedem a aquisição dos conteúdos apontados no texto... conceitos etc. procedimentais ou atitudinais. 1998. é correto afirmar: a) A Metodologia. bem como as técnicas de estudo e de elaboração de trabalhos.] os conteúdos de aprendizagem não se reduzem unicamente às contribuições das disciplinas ou matérias tradicionais.] agrupa os conteúdos segundo sejam conceituais. Com base no texto acima. como estudo dos caminhos do saber... atitudes.. com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais” (ZABALA. Das diferentes formas de classificar esta diversidade de conteúdos. oferecer instrumentos para o estudo. e sobre as contribuições da Metodologia do Trabalho Científico para a aprendizagem dos conteúdos discutidos.] Portanto. Antoni.. não se encaixam na classificação proposta. elaboração de trabalhos e pesquisas e discutir conceitos QUESTÃO 03 A partir dos conhecimentos sobre as técnicas de sistematização do conhecimento. Coll (1986) propõe uma que [. técnicas. p. ‘o que se deve saber fazer?’ e ‘como se deve ser?’. responde à pergunta “o que se deve saber fazer?”. as demais questões são tratadas nas disciplinas que abordam as teorias e conhecimentos da área específica de formação.

p. dúvidas. para. ( ) Organiza os materiais de estu-do e pesquisa. concebida e o leitor (o receptor). já que apenas as passa-gens essenciais são sinalizadas de ma-neira a preservar o sentido. 49). decodifica a mensagem do autor. já tenha sido pensada. discordâncias e outras impres-sões. antes de tudo. A sequência correta encontrada. ( ) Esta técnica é utilizada como etapa preparatória para a elaboração de resumos e para fixação do conteúdo integral do texto. Resulta em uma representação gráfica do texto. sendo mais proveitosa quando o estudante pratica esta técnica habitualmente. que reflete tanto a compreensão do leitor quanto a organi-zação das ideias do autor. traduzindo os sinais gráficos em palavras. então. compreendendo-a: assim se completa a comunicação”. 81 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . política e cultural do leitor pode influenciar na significação da mensagem codificada pelo autor. II. A leitura só tem valor quando consegue realizar a comunicação de ideias. por meio de sinais. de cima para baixo. III. “o texto-linguagem significa. assimilá-la e personalizá-la. o meio intermediário pelo qual duas consciências se comunicam. Ao escrever um texto. contribuindo para que o leitor assuma uma postura transformadora. por sua vez. social. II. Culmina na simplificação da leitura do texto. possibilitando reaver informações importantes identificadas ao longo de leituras diversas. pensá-la. associada aos estudos sobre leitura e análise de textos. III. Ele é o código que cifra a mensagem. portanto. A partir da leitura do texto acima. depreende-se que: I.I. A condição histórica. ( ) Leva o estudante a se apropriar efetivamente das ideias principais do texto e assinalar. A interpretação de um texto-linguagem acontece quando a decodificação da mensagem é realizada pelo leitor. apresentadas hierarquicamente. Consiste na sistematização das anotações de leitura. o autor (o emissor) codifica sua mensagem que. é a) III – I – II b) I – II – III c) II – III – I d) II – I – III QUESTÃO 04 Para Antônio Joaquim Severino (2002. ao ler um texto. estabelecendo a relação entre experiências diferenciadas próprias do autor e do leitor.

está(ão) correta(s) apenas a) I b) I e III c) II d) II e III 82 PATRÍCIA MOTA SENA .Torna-se necessário o desenvolvimento da reflexão crítica do leitor em função da velocidade e do intenso fluxo de informações. nos dias de hoje.Deve-se considerar.IV. Das proposições acima. pois a era da informação. estão corretas apenas a) II e IV b) II e III c) I eIV d) I e III QUESTÃO 05 Associe a leitura do texto a seguir à importância do ato de ler no processo de formação.Forma-se o leitor. com alternativas de leitura e movida por um processo de transformação concreta da realidade. A possibilidade de personalizar a mensagem do autor sugere que cada leitor deve significá-la de acordo com seus instrumentos intelectuais. valorizando-se a ferramenta da informática e ampliando seu acesso na escola de forma livre e espontânea. independente das condições objetivas que originaram o texto. permitindo que a tecnologia forneça o correto direcionamento para a leitura. III . considerando as proposições referentes às posturas do leitor na atualidade: I . vem marcada pela sua ampla possibilidade de veiculação. exigindo que a formação do leitor contemple sensibilidade e coerência. característica dos dias atuais. II . a partir da articulação e das práticas de leitura na sociedade. Das proposições acima. na formação do leitor. construindo uma formação crítica. que o acesso à informação garante o amadurecimento de reflexões e a construção de conhecimento.

BLOCO TEMÁTICO A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2 .

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E esta é uma opinião compartilhada por todo o ambiente científico. p. Desta maneira 85 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 2. Veremos alguns princípios básicos da redação científica. permitindo que outros cientistas possam desenvolver novos estudos e melhorar a qualidade de vida da sociedade. 238-239). A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Para Laville. devemos atender a algumas características que facilitem o intercâmbio de conhecimentos e de informações.1 TEMA 3. “a pesquisa só tem valor quando comunicada”.1.1 CONTEÚDO 1. Dionne (1999. pois é assim que a pesquisa exerce a sua função social. CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA Clareza na Expressão: Vários autores apresentam um conselho extremamente importante: “leia cuidadosamente o que escreveu como se você fosse o seu leitor”. a comunicação científica pressupõe o uso de normas para uniformizar os procedimentos e guiar a sua execução. Como toda atividade que precisa de métodos. No caso específico da redação acadêmica.A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2.

Associada à clareza na expressão. Na linguagem científica a escolha de termos deve ser criteriosa. segundo Cardoso (2001). e pelo uso de orações subordinadas”. deve-se evitar expressões informais. se as ideias estão concatenadas e se há uma sequência lógica na apresentação dos argumentos. Frases longas e repetição de palavras também podem ser apontadas como elementos que comprometem a significação das ideias do texto e a sua estrutura estética. o dicionário é um elemento indispensável no ambiente de estudo e a sua consulta deve ser feita sempre que necessário. Para tanto. 86 PATRÍCIA MOTA SENA . Tais características foram estabelecidas ao longo do tempo através da realização de pesquisas e de crítica metodológica capazes de estabelecer critérios específicos para o registro de processos científicos. piadas. para que o texto siga um raciocínio lógico e coerente. Utilização Correta das Regras da Língua Portuguesa: A escrita exige que o autor assuma uma postura respeitosa diante dos leitores. gráficos. pela repetição de fatos. Conforme vimos no tema anterior. de um estilo direto de empregar as palavras essenciais à compreensão das ideias. palavras e expressões supérfluas. Precisão na Linguagem: utilizar uma linguagem precisa é empregar cada palavra de acordo com o que se deseja expressar. tabelas precisam ser compreendidos pelo leitor. pois as palavras e os recursos visuais apresentados. tais como figuras. A noção de concisão é oposta à de prolixidade que. a ignorância quanto ao emprego de palavras. A linguagem científica possui características próprias que a diferem da linguagem coloquial. “se define pelo emprego de frases. percebendo que a sua compreensão está intimamente relacionada à aprendizagem da ciência. contribuindo para a ampliação do conhecimento. A clareza na expressão é a transmissão do pensamento por meio de uma linguagem clara. A precisão da linguagem visa transmitir o pensamento com exatidão e clareza. ambíguas ou que sugiram trocadilhos. Desta forma. brincadeiras com o título e com texto. que não deve ter nenhuma dificuldade para entender o conteúdo explanado. isto é. pois este deve ser compreensível e claro para o leitor. Para tanto. Além disso. não devem ser utilizados jogos de palavras.será possível perceber criticamente o texto. é necessária também a utilização de uma linguagem concisa. que podem ser os membros de uma banca examinadora. Objetividade na Apresentação: implica na seleção das informações para que sejam apresentados os conteúdos mais relevantes. cristalina e inteligível. cenas e aspectos já descritos. construção de orações e ortografia não pode ser admitida como justificativa para a construção de trabalhos sem a correção gramatical. torna-se necessário conhecer os elementos que pautam a linguagem científica. avaliando se as sentenças estão construídas de maneira clara.

1999: 221). repetir as observações e julgar as conclusões do autor. o autor o leia cuidadosamente como se fosse seu próprio leitor para que possa verificar se a linguagem está limpa e clara. indagando se seria possível proceder de outra forma e chegar a outra coisa (LAVILLE. 87 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Grifos da autora). resultados e etapas de estudos experimentais que submetam fenômenos a experiências controladas. Desta forma. as conclusões tiradas de sua verificação. • Características dos trabalhos científicos A pesquisa não deve ser confidencial. Para Ângelo Salvador (apud MARCONI e LAKATOS.É importante que. para poder. suas coordenadas e suas modalidades de construção. estes trabalhos apresentam observações e análises acerca de fenômenos naturais ou sociais. Aliás. Podem ser elaborados de diversas maneiras. com a mesma precisão e sem ultrapassar a margem de erro indicada pelo autor. permitem que outro pesquisador julgue as conclusões do autor e as utilize como subsídio para seus próprios estudos. o texto se torna mais acessível a leitores de outras culturas ou de futuras gerações.. pois estes precisam ser divulgados para que outros pesquisadores saibam qual a trajetória percorrida. uma vez que contribuem para que o texto se contextualize fortemente pela linguagem. b. e eventualmente refutar o conhecimento produzido. depois de escrito o texto. Embora seja impossível escapar totalmente à vinculação contextual. Conforme Laville. É necessário atentar também para expressões estrangeiras ou de cunho regionalista. considerar uma outra. 1999: 238-239.] o que hoje importa é conhecer a hipótese formulada. em termos de espaço e de conjuntura histórica. à medida que se utiliza uma linguagem objetiva e precisa. Em geral. dispondo dessas informações. mas obedecendo a metodologias específicas para cada finalidade a que se destinam. reproduzir as experiências e obter os resultados descritos. Caso seja indispensável o uso de palavras em outro idioma. Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com algumas normas estabelecidas e devem apresentar originalidade. elas devem ser apresentadas entre aspas ou em itálico. para toda pesquisa. os trabalhos científicos devem permitir: “a. é com esse espírito que se espera receber as informações que permitam acompanhar seu encaminhamento. ampliando a compreensão sobre determina-dos campos do conhecimento e sobre questões científicas. quais fatores foram considerados e julguem o valor da investigação ou reproduzam as etapas para chegar aos mesmos resultados. às conclusões obtidas e aos dados utilizados. [. mas assumir uma perspectiva de transparência quanto aos métodos aplicados..

c.c.Obedecer às normas pré-estabelecidas.Ser inéditos ou originais. apresentação de hipóteses. verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às conclusões”.Oferecer subsídios para trabalhos posteriores. com a publicação: 88 PATRÍCIA MOTA SENA . dados ecológicos etc.Verificar a exatidão das análises. . teorias etc. Observações ou descrições originais de fenômenos naturais. Trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos. ela é a referência mais segura e comum a que se pode recorrer na elaboração de trabalhos científicos. b.Permitir a reprodução das experiências e a obtenção dos resultados descritos. . Sistema Nacional de Metrologia. . composto por entidades privadas e públicas que atuam na área científica. 1999: 221-222) relaciona como trabalhos científicos aqueles que apresentam: “a. Por isso. CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO . espécies novas.”. • Regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Existem alguns institutos que estabelecem normas gerais que são seguidas por todos aqueles que se dedicam à pesquisa científica no Brasil. As normas que veremos aqui estão relacionadas. sendo o único órgão responsável pela normalização. mutações e variações. levando à produção de conceitos novos por via indutiva ou dedutiva. especificamente. Dentre eles. Trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e representando uma das mais férteis modalidades de investigação. . . A ABNT faz parte do Sinmetro. por submeter o fenômeno estudado às condições controladas da experiência. Normalização e Qualidade Industrial.Contribuir para ampliação de conhecimentos. podemos citar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD). • Mas como podemos dizer que um trabalho é mesmo científico? Luiz Rey (apud MARCONI e LAKATOS. estruturas e funções.

constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. módulo. de tema único e bem delimitado em sua extensão. Deve ser elaborado com base em investigação original. NBR 10520 – Citações. TESE: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Forma Geral • Elementos pré-textuais: Capa: Elemento obrigatório que deve conter os dados indispensáveis para a identificação do autor e especificação do trabalho. programa e outros ministrados.• • • Norma Brasileira Registrada (NBR) 14724 . com o objetivo de reunir. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor). Veremos as principais normas que ela define para a elaboração de trabalhos científicos. produtores e membros da comunidade científica. visando a obtenção do título de mestre”. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor. 89 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • NBR 14724: Informação e documentação — trabalhos acadêmicos — apresentação – Definições de Apresentação 1. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. analisar e interpretar informações. ou similar”. estudo independente. A ABNT apresenta definições que são importantes para a significação de alguns trabalhos científicos: DISSERTAÇÃO: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo. NBR 6023 – Referências. devendo expressar conhecimento do assunto escolhido. curso. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador”.Trabalhos Acadêmicos. As normas da ABNT são elaboradas e atualizadas por um comitê formado por consumidores. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. TRABALHO ACADÊMICO (esta categoria inclui trabalhos de conclusão de curso – TCC – e de especialização): “Documento que representa o resultado de estudo.

os apêndices. defendendo os pontos de vista. a bibliografia e o glossário. Natureza do trabalho (especificar se é dissertação. Co-orientador. testemunhos. Além destes. Desenvolvimento: Discute o tema central exposto na introdução em parágrafos articulados. retomando a tese defendida no desenvolvimento. mas que fornecem elementos adicionais à compreensão do assunto tratado.). também são considerados elementos pós-textuais as notas. Podem ser tabelas.Estrutura da Capa: Nome do autor. fotografias. • Elementos pós-textuais: Anexos: Servem para complementar o texto com informações difíceis de incluir no desenvolvimento do texto. Subtítulo se houver. ficando a critério do leitor se ele quer ou não tomar conhecimento de tais informações. do aluno que elaborou o trabalho. Orientador. São informações não essenciais.0 cm 90 PATRÍCIA MOTA SENA . Título. gráficos. • Elementos textuais: Introdução: Deve apresentar a ideia principal do texto para que se possa desdobrá-la no desenvolvimento. Cidade e Ano em que foi entregue o trabalho. O desenvolvimento deve estar encaixado hierarquicamente entre a introdução e a conclusão. Local (cidade) da instituição. Ano de entrega.7 cm) Tipo de Fonte: Arial ou Times New Roman Tamanho da Fonte: 12 Margens: Superior 3. isto é. 2. ampliando o tema a partir da explicação das ideias.0 cm Direita: 2. de modo a construir uma lógica de pensamento coerente. Conclusão: Encerra a argumentação e oferece respostas para as questões feitas ao longo do texto.0 cm Esquerda: 3. nome da instituição (opcional). monografia ou trabalho de conclusão de curso etc.0 cm Inferior: 2. Nº do volume. Subtítulo. documentos históricos. Título. registros. Forma Gráfica Papel: branco A4 (21 cm x 29. Folha de Rosto: Possui em sua estrutura o nome do autor.

somente a sigla.Siglas: quando se referir pela primeira vez usar o nome completo seguido da sigla. Paginação: pode ser no canto superior ou inferior da página na borda direita da folha (2 cm x 2 cm). ESTRUTURA DA CAPA FOLHA DE ROSTO 91 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .5 entre linhas MARGENS . Espacejamento: 1. Depois.

da. quando falamos em público devemos falar “e colaboradores”. SOBRENOME. Nome do livro. Nome de. Nome. Local: Editora. Nome. Edição. – Normas para a apresentação de referências Norma Geral: SOBRENOME. Antônio Marcos. Mais de três autores: SOBRENOME. A relação das referências deve ser organizada em ordem alfabética considerando o último sobrenome da autoria. RJ: Vozes. 1. Exemplo: GOMES. Nome. Ano. Nome. Sem autor: A entrada deve ser feita pelo título Entidades coletivas: NOME de associações. institutos e entidades. FILHO. Novela e sociedade no Brasil.• NBR 6023 – Referências As referências bibliográficas devem conter os dados essenciais para a identificação da publicação. ou et allii. As referências devem ser alinhadas à esquerda e separadas entre si por espaço duplo. Nome. Sobrenome com partículas: SOBRENOME. Até três autores: SOBRENOME. Nome et al. 92 PATRÍCIA MOTA SENA . Nome. Sobrenomes de Parentesco: SOBRENOME NETO. Nome. 1998. SOBRENOME. Petrópolis. Referências de livros SOBRENOME. Sobrenomes Compostos: SOBRENOME COMPOSTO.

volume e/ou ano. G. e que se deve colocar a paginação. Local: Editora. p. In: SOBRENOME. 5. Partes de revista. 1996. nunca duas ou três ao mesmo tempo! 4.2. F. datas de início e de encerramento da publicação. 15-24.). 2. Macapá: Valcan. Local: Editora. 48. Título do artigo ou matéria. Exemplo: BOLETIM GEOGRÁFICO. Nome. Rio de Janeiro: IBGE.. São Paulo: Três. Nome do autor do livro. p. 93 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . São Paulo: Companhia das Letras. Ed. Capítulo de Livro (Autor é também o organizador do livro) SOBRENOME. Nome do livro. Nome da revista. Capítulo de Livro (autor diferente do organizador do livro) SOBRENOME.3.S. O título do livro deve estar sempre destacado em itálico. negrito ou sublinhado. Nome do livro. informações de períodos e datas de publicação. p. Artigo ou matéria de revista. Ano. Nome. A expressão “IN” – deve ser em itálico (língua estrangeira). Imagens da Juventude na era moderna. Exemplo: ROMANO. Observe que o grifo continua no título da obra geral. Exemplo: SANTOS. Giovanni. A colonização da terra dos Tucujus. 1943-1978. História do Amapá. número. In:_____. dos. p. XX-XX. Exemplo: DINHEIRO: revista semanal de negócios. Periódico como um todo (referência de toda a coleção) NOME DO PERIÓDICO. SCHIMIDT. boletim etc. numeração do fascículo. NOME DA PUBLICAÇÃO. In: LEVI. SOBRENOME. boletim etc. e não no título do capítulo. numeração do ano e/ou volume. 7-16. 2000. n. Local: Editora. In:______. Ano. 6. Título do capítulo. Cap. História dos jovens 2: a época contemporânea. Local. Mas atenção! Só podemos utilizar uma OU outra forma. 3. p. XX-XX. XX-XX. Nome do autor do capítulo. 1994. 28 jun. (Org. Título do capítulo. se houver. Mês/Ano. J. Local: Editora.

X. caderno ou parte do jornal. São Paulo: CEVARI. buscando nelas o apoio necessário para fundamentar pontos de vista. Acesso em: 04 abr. 2005. 13. Rio de Janeiro. data. videocassete ou DVD. caderno 8. com. 2. Exemplo: OS PERIGOS DO USO DE TÓXICOS. Disponível em: <http://www. n.br>. p.org. A própria natureza da pesquisa pressupõe a inspiração em outras obras. Desta forma.. Imagem em movimento TÍTULO de filme. Local. No texto.] Interpolações. Nome do jornal. podemos usar citações literais (textuais). Artigo e/ou matéria de jornal SOBRENOME. Lagos andinos dão banho de beleza. Nome. 15-21.. Navio negreiro. Folha de São Paulo.sitedeconsulta.Exemplo: GURGEL. Local: Produtora. Data. Exemplo: ALVES. a frases específicas e conclusões de outros autores/trabalhos. Material eletrônico SOBRENOME. Exemplo: NAVES. Política e administração. 1999. Disponível em: <http://www. quando retiramos do texto a ideia que nos interessa e apresentamos com nossas próprias palavras.abnt. elaborar exemplos e ilustrações. 3. Título do artigo. 8. 7. isto é. Título da obra. Elas podem ser transcrições do texto original ou referências que nem sempre precisam ser cópias. 9.br/>. P. Folha Turismo. Castro. acréscimos ou comentários: [ ] 94 PATRÍCIA MOTA SENA . p. 0000. Nome do diretor e/ou produtor. Acesso em: 00 mês. Seção. • NBR 10520 – Citações em Documentos As citações se justificam quando queremos nos referir às ideias de outros autores. quando transcrevemos as palavras de um texto incorporando-as ao nosso ou citações livres (paráfrases). devemos apresentar os seguintes sinais para indicar: Supressões: [. v. 28 jun. set. 1983. São Paulo. Reforma do estado e segurança pública. C. p. Nome. 1997. Produção de Jorge Ramos de Andrade.

devemos recuar 4 cm à margem esquerda. por meio da expressão “grifo nosso” ou “grifo do autor”. indicando. p. porque depende da natureza. p.. Como a citação possui menos de 3 linhas.. OU 95 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . – Citações diretas no texto (mais de três linhas) Para as citações mais longas.] o homem é um ser natural porque foi criado pela própria natureza. mas não é necessário o uso de aspas.] (PIAGET.] já que usa a natureza transformando-a conscientemente segundo suas necessidades e. – Citação indireta no texto A escola deve perceber o educando e suas necessidades (PIAGET. Observe o exemplo abaixo: Para Piaget (2001.. devemos mantê-las dentro do parágrafo. com mais de 3 linhas.. 2001. grifo nosso). 26. 403). Para Marx.. Veja o exemplo: A concepção materialista de Marx carrega em sua base uma concepção de natureza e da relação do homem com essa natureza. o homem não se confunde com a natureza.Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico – Citações diretas no texto (até três linhas) No caso das citações que possuam até 3 linhas. [. ela deve dar continuidade ao parágrafo. – Grifo em citação Deve-se utilizar itálico ou negrito para destacar a parte fundamental da citação. fazse homem (ANDERY. Os colchetes com reticências indicam que uma parte do texto foi suprimida. nesse processo. Por outro lado. Veja os exemplos: Sendo assim.. [. incorporadas ao texto. – Citar no texto o nome do autor Piaget (2001) considera que a escola deve atender as necessidades do educando. p. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno [. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [.]”... 2004. da sua transformação para sobreviver. 2001).

• Resenha A resenha é a apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. 96 PATRÍCIA MOTA SENA . Paper e Memorial. vamos abordar como elaborar alguns dos trabalhos científicos que vão fazer parte do seu cotidiano acadêmico. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. Vamos estudar: . . É a descrição detalhada de uma obra. acrescido da referência a outras obras da mesma área e da formulação de um conceito de valor que o resenhista faz sobre o livro. 26. – Citação de Citação (Apud) Aplicamos a citação de citação quando queremos fazer referência a uma ideia à qual não tivemos acesso direto. como no exemplo a seguir: Para Piaget (apud ZABALA.]. já que você passou a integrar a comunidade científica.]. 57). 2001. citado por Zabala..Seminário. Palestra e Conferência.Sendo assim.. Artigo Científico..1. Veja o exemplo: Piaget. . a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. grifo do autor).Resenha. p. Ela só pode ser utilizada se for muito difícil ou impossível entrar em contato com o texto original. elaboração e divulgação destes trabalhos. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I A partir de agora. 2. A expressão “citado por” pode ser substituída pela expressão latina apud. afirma que a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. mas por intermédio de outro texto. Dentre as principais características. mas sim um resumo ampliado.2 CONTEÚDO 2. Não uma simples apresentação.] (PIAGET. p. Painel e Mesa-redonda....Estudo de Caso. Nosso objetivo será compreender o processo de construção. 2002. podemos destacar que a resenha: • • É mais abrangente que um resumo crítico.

indicando erros de informação encontrados. ao texto. artigos. A resenha admite que sejam feitos comentários e sejam emitidas opiniões acerca das ideias explanadas no texto. agradável e interessante. 97 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . juízos de valor e avaliação da obra em relação a outras. congressos. se é inovadora e se traz novos conhecimentos e teorias que possam ser utilizados em outras pesquisas. podendo ser reais – analisam eventos. Em geral. comparando e avaliando a relevância da obra em relação a outras do mesmo gênero. se possui uma linguagem acessível na qual a erudição ou a linguagem científica/técnica não comprometa a sua compreensão. características e abordagens desenvolvidas? Que contribuições a obra apresenta? O autor atinge os objetivos propostos? Há profundidade na exposição das ideias? O texto supera a pura retomada de texto de outros autores? Qual o grau de acessibilidade e originalidade do texto? Qual a utilidade. É preciso que seja feito também um apontamento das possíveis falhas do autor. as obras iniciam com um balanço bibliográfico de todos os textos que já foram publicados sobre o tema. palestras – ou textuais – tratam de livros. no entendimento de novas questões. encontros. • Exige conhecimentos de outras obras a fim de estabelecer relações. lembrando que a resenha deve ser escrita na forma de um texto dissertativo. É importante que seja avaliada a abordagem do autor. validade e relevância? Inicialmente. opinião. Analisar se o texto apresenta consistência nas ideias e se seus argumentos se sustentam. peças. O resenhista deve observar se o texto é bem construído. Algumas questões podem servir de orientação para a construção da resenha: • • • • • • • Qual o assunto.• Permite comentários. A resenha admite que se façam elogios. devemos apresentar o tema e a abordagem que o autor traz. É importante observar se o autor se restringe a analisar esses trabalhos ou se ele supera a simples retomada de ideias anteriores. Apresentamos aqui algumas questões que podem lhe orientar na construção das resenhas. filmes. tratam de reuniões. As resenhas podem ser classificadas quanto aos elementos que contêm. destacando as suas contribuições. desde que sinceros e ponderados.

4.000 revistas científicas. 2. na qual deve expor sua opinião. Resumo da obra. fazer sua crítica sobre o texto lido. assim como qual a autoridade dele no campo científico. 98 PATRÍCIA MOTA SENA . A referência bibliográfica deve conter autor. Indicações do resenhista. podemos indicar os resultados que o autor obteve. a Lista Mundial de Periódicos Científicos (World List of Scientific Periodical) registrou a existência de cerca de 100. nacionalidade. a quem o livro pode ser indicado? Estudantes de que área? Ponderar se as ideias do autor servem de embasamento para outras pesquisas. titulação e demais obras publicadas. Resumo da obra destaca as principais ideias expressas pelo autor. pois os computadores dinamizam a produção das revistas e a internet divulga mundialmente. se o autor alcança alguma conclusão e qual é ela.Estrutura da resenha 1. 3. analisando os principais assuntos tratados nos capítulos ou seções do texto. Neste item. Segundo Laville e Dionnne (1999). isto é. evidenciando o método utilizado. sua formação. Conclusões do autor identifica. Conclusões do autor. Indicações do resenhista. 3. 1. Crítica do resenhista. elas surgiram em meados do século XVII e a partir do século XX expandiram o ritmo de crescimento. 6. título da obra. quais as conclusões que ele chegou. editora. 5. Crítica do resenhista. 2. conforme as normas da ABNT estudadas. inicialmente. local. Em 1981. Credenciais do autor. 4. Atualmente. 5. 6. o ritmo de disseminação tem se tornado cada vez mais intenso em virtude do avanço na tecnologia das comunicações. data e número de páginas. • Artigos científicos Nas revistas científicas os artigos são os principais instrumentos de comunicação de uma pesquisa. Referência Bibliográfica. Credenciais do autor são informações gerais sobre o autor. especialmente após a Segunda Guerra Mundial.

A explosão de publicações científicas pode constituir motivo de preocupação para os pesquisadores? Para você. A estrutura se modifica de acordo com o periódico: cada vez que se submete um trabalho à publicação numa revista científica. Os artigos de revisão com enfoque histórico devem obedecer a uma ordem cronológica de pensamento e de publicação das obras analisadas Alguns aspectos devem ser observados. tais como a pertinência do tema escolhido. Entretanto a NBR 6022 apresenta elementos que servem de orientação para os conselhos editoriais de revistas científicas e seus colaboradores. “os artigos científicos são pequenos estudos. porém completos. existe o risco de diminuição da qualidade dos artigos científicos. uma vez que o autor do artigo deve comunicar com objetividade e clareza a problemática analisada. Deve apresentar conclusões abrangendo conhecimentos sobre um determinado tema disponíveis na comunidade científica. as etapas da investigação. p. destacando a contribuição e a originalidade do conhecimento construído. OS ARTIGOS PODEM SER: Artigo de divulgação: São voltados para a divulgação dos resultados de uma pesquisa científica. é comum que esse periódico estabeleça normas próprias para apresentação. tendo em vista a facilidade das modernas técnicas de difusão de textos? • Mas o que são os artigos científicos? Eles comunicam ideias e informações. as conclusões e. Artigo de revisão: São trabalhos que fazem uma avaliação crítica da literatura existente sobre determinado assunto. a partir da análise sistemática da bibliografia pertinente. Segundo Lakatos (2009. Não requer necessariamente uma revisão de literatura retrospectiva. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. o impacto do seu estudo para o ambiente acadêmico. É o relato analítico de informações atualizadas sobre um tema de interesse para determinada especialidade. o grau de profundidade da revisão e a importância da bibliografia revista. os métodos empregados. principalmente. Devem ser originais e inéditos. Observe o quadro abaixo: 99 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . A estrutura de um artigo se modifica de uma revista para a outra.É nos periódicos que a comunidade científica pode avaliar a validade da pesquisa realizada. mas que não se constituem em matéria de um livro”. 261).

construído a partir de uma análise dos aspectos relevantes do trabalho. As palavras-chave são termos. que. Professores. A consecução de uma pesquisa científica requer o empenho de muitas pessoas. dando opiniões. nome. O corpo do artigo é o desenvolvimento. Credenciais do autor 3. trata-se de um resumo descritivo que apresenta o conteúdo total do texto. 6. 3. as referências bibliográficas consistem na listagem dos livros. o texto propriamente dito. Ele deve descrever a essência do artigo de forma lógica. 2. 5. Neste caso. Possui a quantidade de linhas. o tamanho da fonte e a quantidade de caracteres definidos previamente pelo órgão editor do periódico. Aqui as credenciais do autor são os seus dados. Título 2. Palavras-chave 5. Sinopse 4. instituição à qual ele pertence e um contato. 7. Agradecimentos 7. 1. artigos e outros documentos científicos mencionados ao longo do texto. A sinopse é também conhecida como resumo. discorre sobre uma pesquisa científica. Primeiro vamos falar do título. Por último. que geralmente é o e-mail. lendo os textos escritos. realçando os aspectos mencionados. Corpo do artigo 6. fornecendo sugestões e indicações de documentação.ESTRUTURA Temos aqui a estrutura do artigo. Vamos comentar cada um destes itens separadamente. orientadores. O item dos agradecimentos serve para que esses nomes sejam mencionados como uma forma de demonstrar gratidão e gentileza. Referências 1. colegas e pesquisadores acabam por se envolver com pesquisas de seus colegas. • Paper 100 PATRÍCIA MOTA SENA . precisa e gramaticalmente correta. expressões simples ou compostas que caracterizam os domínios em que o texto se inscreve. 4. em geral.

O paper é um artigo menos abrangente, um pequeno artigo. De acordo com Souza (apud TEIXEIRA, 2005, p. 45), as características desse trabalho acadêmico “podem convencionalmente consistir em atividade acadêmica, servindo usualmente como um trabalho escrito para a avaliação do desempenho em seminários, cursos e disciplinas. Devem possuir a mesma estrutura formal de um artigo”. Ainda conforme essa autora, as principais características do paper são: “a) estudo sobre um autor; b) estudo de um tema num autor; c) estudo de uma obra de um autor; e d) estudo de um tema/questão/problema em diversos autores” (SOUZA apud TEIXEIRA, 2005, p. 45).

Memorial

Todos nós construímos uma trajetória acadêmica que envolve debates, leituras e reflexões. O memorial é uma narração autobiográfica que analisa uma etapa da vida acadêmica que está relacionada com a pesquisa. E esta caminhada está também vinculada à nossa vida pessoal. Conforme sugere a letra da música no fragmento a seguir:

Ando devagar Porque já tive pressa E levo esse sorriso Porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte Mais feliz quem sabe Eu só levo a certeza de que Muito pouco eu sei, eu nada sei (...) Todo mundo ama um dia todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, E ser feliz. (Tocando em Frente. Almir Sater. Composição: Almir Sater e Renato Teixeira) Cada um de nós possui uma história diferenciada, seja acadêmica ou pessoal, e ela pode ser abordada dentro da comunidade científica através dos memoriais, pois é um documento científico no qual escrevemos sobre nós mesmos. Dentre suas características podemos destacar que os memoriais configuram uma espécie de autobiografia acadêmica, profissional e intelectual do autor que deve ser escrito na primeira pessoa do singular.

101
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Esta autobiografia descreve, analisa acontecimentos e a trajetória acadêmicoprofissional e intelectual do autor, avaliando cada etapa da sua experiência. Destaca as fases mais importantes e significativas, evidenciando relações entre a vida pessoal e a profissional do autor. Atividades artístico-culturais importantes podem ser mencionadas, desde que sejam relevantes. Traz uma perspectiva histórica e analítica da carreira do autor, retomando e analisando o curriculum do pesquisador, permitindo a autoavaliação e a reflexão acerca da sua trajetória acadêmico-profissional. Reflete sobre seus momentos mais importantes dentro de uma perspectiva histórica, isto é, de transformação, avanços e recuos em sua trajetória. Sua estrutura deve conter capa e folha de rosto, sumário e corpo.

2.1.3

CONTEÚDO 3. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II

Seminário

O seminário é uma das técnicas mais eficientes de aprendizagem, porque estimula a pesquisa e a discussão. Caracterizado como técnica de dinâmica de grupo, o seminário pode ser apresentado em eventos científicos, como congressos, encontros e simpósios, assim como constitui uma das atividades mais praticadas nos cursos de graduação e pós-graduação. O seminário pode ocorrer pautado na discussão de textos ou de temas pesquisados, fomentando a reflexão através do debate.

Dentre as suas principais características, destacamos que o seminário:

Inclui pesquisa, discussão e debate;

102
PATRÍCIA MOTA SENA

Não é apenas um resumo ou síntese de estudo, mas um momento de divulgação e partilha da investigação realizada; • É uma forma de comunicação mais restrita; • Assemelha-se a um grupo de estudo, mas também pode ser feito individualmente; • Integra ensino, pesquisa e debate. O primeiro passo é a pesquisa bibliográfica, requisito indispensável. Mas este trabalho de pesquisa deve ser planejado e orientado pelo professor, que, se baseando nos conteúdos da disciplina, define os critérios e os objetivos que os participantes devem alcançar. E a pesquisa conduz à discussão do material coletado, fomentando o debate. Os seminários aprofundam o estudo e o conhecimento sobre determinado assunto, desenvolvem a capacidade de pesquisa e análise, preparando para a elaboração clara e objetiva dos trabalhos científicos. O seminário fortalece o sentimento de comunidade intelectual. Os seminários possuem etapas quanto à sua expressão escrita e uma estrutura específica de apresentação oral. Vejamos:

ETAPAS 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

ESTRUTURA 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

A introdução é uma breve exposição do tema central selecionado para a pesquisa. O conteúdo corresponde ao desenvolvimento e deve ser apresentado seguindo uma sequência organizada, tornando claros os objetivos do seminário. A conclusão traz a síntese do seminário e a bibliografia relaciona todos os documentos científicos que foram utilizados e citados.

Quanto à estrutura, vamos saber quem são os participantes da apresentação:

1. O coordenador é o professor que orienta a pesquisa. 2. O relator (ou relatores) expõe os resultados obtidos. Pode ser um só elemento, vários ou todos do grupo, cada um apresentando um aspecto do conteúdo. 3. O comentador pode ser um estudante de outro grupo ou um grupo diferente do responsável pelo seminário. O comentador se compromete em estudar com antecedência o tema para fazer críticas e questionamentos adequados à exposição, antes de iniciar o debate. A figura do comentador só aparece quando o coordenador deseja um aprofundamento crítico dos trabalhos.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Depois da exposição e da crítica do comentador (se houver). Os debatedores correspondem a todos os alunos da classe. retroprojeções e projeções de slides.4. proporciona o confronto de opiniões e fomenta a crítica. Sequência no discurso explanado e encadeamento das partes. 03) destaca que alguns elementos devem ser respeitados pelos participantes do seminário: • • • • • Domínio do assunto por todos os componentes do grupo. Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado. responsável pela distribuição das tarefas.]. os critérios de tamanho e legibilidade das ilustrações devem ser igualmente observados. Como destaca Elisabete de Pádua. levando a um aprofundamento do conteúdo e à construção da aprendizagem. Ana Paula Amorim (2005. levando a novas indagações sobre o assunto [. o seminário segue normas gerais de elaboração dos trabalhos acadêmicos. despertando a curiosidade dos participantes. 03) adverte que as informações e legendas devem aparecer em contraste com a cor do papel utilizado.” 104 PATRÍCIA MOTA SENA . tais como cartazes. No entanto. Quanto à apresentação oral. Quando se tratar de imagens ou desenhos. Nos seminários realizados em grupo pode haver a necessidade de um organizador. reforçando argumentos ou dando alguma contribuição. Adequação da extensão do relato ao tempo disponível. Existem algumas normas que devem pautar as apresentações oral e escrita de um seminário. observando o tamanho da fonte para que a leitura não seja comprometida pelos alunos mais afastados da exposição.. é o debate que “caracteriza o seminário como uma técnica geradora de novas ideias. pedindo esclarecimentos. Exposição clara dos conceitos.. Amorim (2005. colocando objeções. a todos os ouvintes do seminário. enfim. Para a apresentação oral podem ser utilizados materiais de ilustração. Quanto à sua apresentação escrita. os debatedores devem participar fazendo perguntas. O debate é o momento mais importante do seminário! Conduz à reflexão.

Os painéis podem ser: De interrogação: Os participantes responderão questões básicas indicadas pelo professor. ele deve coordenar a apresentação de cada um. no máximo seis. conhecem previamente o texto dos outros expositores e podem apresentar questionamentos aos membros da mesa. Após a exposição os demais participantes apresentam os seus comentários críticos. Além disso. de maneira informal e dialogada. participam da exposição de três a cinco especialistas em um determinado assunto. Fundamentadas sobre um tema específico. que realizam o debate sob a coordenação de um moderador. o painel é uma atividade de divulgação científica que necessariamente não precisa apresentar cartazes.• Painel Ao contrário do que imaginamos. Consiste na reunião de vários interessados que expõem suas ideias sobre determinado assunto. Os participantes. o que possibilita uma troca de ideias e conduz ao conhecimento aprofundado do tema. A participação é espontânea. os participantes também questionam as ideias dos demais. De debate: Além de expressar ideias. A palavra retorna ao expositor. A função do moderador é inaugurar os trabalhos. • Mesa-Redonda A Mesa-redonda apresenta pontos de vista variados acerca de um mesmo tema. organizando a discussão. seguida de uma sessão de perguntas e debates. apresentar o tema e os debatedores aos ouvintes. Os participantes conhecem previamente o texto do expositor. Apresentação de um tema sob pontos de vista diferentes e até mesmo divergentes. 105 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . que poderá concedê-la à plateia. Em geral.

além de conhecimentos e argumentos que permitam convencer os demais membros. p. o que são estudos de caso. 04). funcionando como exercício de motivação e aplicação dos conhecimentos. Conforme Ana Paula Amorim (2005. o estudo de caso requer que todos tenham “compreensão clara da questão. esta técnica exercita a capacidade de tomada de decisão uma vez que sempre haverá mais de uma resposta adequada para o problema e será necessário discernir qual a mais adequada. essas autoras definem o estudo de caso como 106 PATRÍCIA MOTA SENA . aliando o estudo com a capacidade de intervenção. Desta forma. em decorrência das atualizações e próprias da natureza do conhecimento. Retomando Chizotti. 95). Ajuda o estudante a solucionar problemas científicos não habituais. • Estudo de caso O estudo de caso é uma técnica que possibilita a construção do conhecimento em conjunto. na qual deve ser aplicado o conhecimento teórico já construído. Aplicação: É importante para avaliação do aproveitamento dos educandos.4 CONTEÚDO 4. fazendo uso da investigação. Procedimento: O educador propõe uma situação-problema real ou fictícia. é necessário que o cientista compartilhe dessas mudanças para que possa desenvolver um trabalho de pesquisa pertinente aos assuntos discutidos na área científica à qual pertence. a seguir. seja individualmente ou em grupo. na busca de uma solução comum ou aceita por todos”. acentuando-se o desenvolvimento da habilidade de decisão pessoal. Além disso. o pesquisador deve estar atento à participação em eventos de divulgação científica específicos do seu campo de atuação. a expressão “estudo de caso” surgiu no contexto do desenvolvimento de pesquisas médicas e psicológicas para fazer referência à análise detalhada de um caso buscando explicar patologias. Para tanto. Neste processo.1. Segundo Barros e Lehfeld (2006. esta técnica também pode ser aplicada de modo individual. conferências e mesasredondas. Maria Cecília de Carvalho (2005. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III O conhecimento científico se constrói em proporções dinâmicas constantes. 134) aponta algumas características: Objetivos: Desenvolver a capacidade de análise de situações concretas e de síntese de conhecimentos apreendidos. requer leitura cuidadosa. Entretanto. Veremos.2. palestras.

habitualmente. 1991 apud BARROS. assim como os elementos subjetivos. .Respeite suas percepções e sentimentos: Não se deixe levar por preconceitos ou juízos de valor: ouse também considerar algo baseado no seu sentimento para com o caso trabalhado. separe-os deixando de lado aqueles que não têm importância para o caso. uma organização. que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos particularizados. que podem esconder ou distorcer fatos que realmente ocorreram. . O Estudo de Caso envolve algumas etapas básicas na solução do problema. elaborando relatórios críticos organizados e avaliados. . representado pelo problema a ser resolvido. 95). os elementos objetivos. importa indicar os fatos de maior e menor importância através de alguma indicação ou sinalização.Escolha da alternativa mais adequada: Pressupõe a escolha de uma das alternativas que melhor se aplique à situação. tem nexos com situações do cotidiano. além. podendo já considerar as opiniões. LEHFELD. relatando todas as alternativas e seus desdobramentos no presente e no futuro. .Avaliação dos fatos: Em função da relevância dos fatos reunidos.Identificação dos fatos: Deve-se reunir os principais elementos contidos no caso. sentimentos. .Leitura cuidadosa do caso: O caso. uma proposta para implantação da alternativa escolhida. incluindo fatos e opiniões congruentes ou divergentes. por escrito. com base nos elementos envolvidos. . verificando se são claras para você as razões de tal escolha. 107 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Por isso.Identificação das alternativas de solução para o problema: Não se preocupe em encontrar de imediato uma solução. nesse momento.Implantação: Aponte. que podem ser apontadas como: . uma empresa etc.uma modalidade de estudo nas Ciências Sociais. é claro.Identificação do problema: Parte mais delicada do estudo e que pressupõe a clara compreensão do caso e do elemento central do mesmo.) (CHIZOTTI. 2006. busque diversas soluções embasadas em fatos. . dos seus possíveis desdobramentos. dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade. p. de modo sistematizado. intuições. mas.

Deve-se estimular a expressão espontânea e livre do pesquisado”.. Conforme salienta Parra Filho e Santos (1998. ou seja. LEHFELD. pois o objetivo maior da palestra é a troca de conhecimentos. pode ser apresentada no contexto de um evento mais abrangente. Aidil Jesus da S. Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. quando se trata de uma instituição que se deseja examinar. 2006 (p. nestas ocasiões. o pesquisador pode participar da palestra como “palestrante – de modo a colocar em discussão suas ideias.TIPOS DE ESTUDO DE CASO Os estudos de caso podem ser: “a) Históricos organizacionais. A história de vida deve englobar as experiências no percurso de toda uma vida. por ser temática. utilizando em alta escala a observação. evidenciando a importância destes estudos e experiências. Contudo. simpósios e encontros científicos. as histórias de vida devem ser complementadas com outras fontes de pesquisa. 159). São Paulo: Pearson Makron Books. do presente e das aspirações futuras. BARROS. como congressos. mas de forma objetiva e clara. • Palestra Estamos habituados a assistir palestras inseridas em eventos de maior abrangência ou em locais onde elas ocorrem isoladamente. Mas o que é uma palestra? A palestra é uma exposição oral sobre um tema. se constituir em uma autobiografia com interpretações e ampliações do pesquisador. o pesquisador pode participar de duas maneiras. Pode ser ainda um documento escrito pelo próprio pesquisado. seja do passado. bem como com outros depoimentos de pessoas ligadas ao sujeito entrevistado. A palestra. O palestrante desenvolve sua apresentação de modo metódico e estruturado sem aprofundar. 95). Nela estão presentes ouvintes que têm interesse em um determinado tema científico ou literário. Neide Aparecida de S. p. b) Observacionais ligados à pesquisa qualitativa e participante. e para tanto deve estruturar tecnicamente o discurso a ser proferido – ou como 108 PATRÍCIA MOTA SENA . ed. 2. c) O estudo de caso denominado Histórias de Vida é uma técnica de pesquisa realizada através da avaliação de dados coletados em documentos e depoimentos orais registrados pelo pesquisador ou pelo próprio entrevistado. e.

1994). Divulgação científica é um conceito mais restrito do que difusão científica e um conceito mais amplo do que comunicação científica. divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga. esclarecer e divulgar um tema relacionado ao seu trabalho. visando a atingir um público mais amplo. para conseguir um bom aproveitamento”. na qual o palestrante deve informar. Pode ou não permitir a participação da plateia. poderá ser reservado um tempo para indagações dos participantes.ouvinte. É uma exposição científica sobre um tema. é sinônimo de disseminação científica). Leia atentamente e reflita sobre a importância da Metodologia como instrumento de divulgação e significação de conhecimento. Boa leitura! “A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Popularização da ciência ou divulgação científica (termo mais frequentemente utilizado na literatura) pode ser definida como 'o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral' (BUENO. • Exposição oral mais breve que a palestra. Foram feitas algumas adaptações. Possui. em média. Já comunicação da ciência e tecnologia sig- 109 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Ao final. e neste caso deve se preparar. mas isso não é uma regra. Nesse sentido. Pode limitar-se à exposição de ideias do expositor.. a duração de uma hora. 1994).. da professora e pesquisadora Sarita Albagli (UFRJ). A PALESTRA É. que lança questionamentos ao conferencista para que ele possa esclarecer pontos que não ficaram claros. Uma exposição oral individual. a difusão científica pode ser orientada tanto para especialistas (neste caso. realizada por um especialista na área. Difusão científica refere-se a 'todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica' (BUENO. quanto para o público leigo em geral (aqui tem o mesmo significado de divulgação). Ou seja. • Conferência Modalidade de comunicação oral que ocorre na comunidade científica São apresentações mais curtas que as palestras. O texto a seguir foi extraído do artigo intitulado “Divulgação científica: informação científica para a cidadania?”. estudando o tema.

Neste caso. enfatizando ora aspectos educacionais. ora culturais. Nesse caso. proporciona uma ideia das amplas possibilidades das atividades de divulgação científica. com o objetivo de esclarecer os indivíduos sobre o desvendamento e a solução de problemas relacionados a fenômenos já cientificamente estudados. Trata-se. Trata-se de transmitir informação científica que instrumentalize os atores a intervir melhor no processo decisório. ALBAGLI. 2009 110 PATRÍCIA MOTA SENA .Mobilização popular. para um público seleto formado de especialistas' (BUENO. quer dizer. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Disponível em: < http://revista. Pode estar orientada para diferentes objetivos. portanto. ampliação da possibilidade e da qualidade de participação da sociedade na formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológicas (por exemplo. visando a estimular-lhes a curiosidade científica enquanto atributo humano. particularmente em áreas críticas do processo de tomada de decisões.Educacional.Cívico.ibict. transcrita em códigos especializados. 1994). Acesso em: 08 ago. de transmitir informação científica voltada para a ampliação da consciência do cidadão a respeito de questões sociais. trata-se de transmitir informação científica tanto com um caráter prático. divulgação científica podese confundir com educação científica. O papel da divulgação científica vem evoluindo ao longo do tempo. políticos e ideológicos. ou seja. agentes formuladores de políticas públicas e até os próprios cientistas e tecnólogos”. .php/ciinf/article/view/465/424>. quanto com um caráter cultural. a ampliação do conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e sua lógica.br/index. isto é. . 1985): . populações letradas e iletradas. o desenvolvimento de uma opinião pública informada sobre os impactos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade. econômicas e ambientais associadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. variam também os públicos-alvo dessas atividades. Esse conjunto de conceitos e definições. acompanhando o próprio desenvolvimento da ciência e tecnologia. no debate relativo às alternativas energéticas).nifica 'comunicação de informação científica e tecnológica. Dependendo da ênfase em cada um desses aspectos e objetivos. tais como (ANANDAKRISHNAN. sejam estudantes. Sarita.

MAPA CONCEITUAL 111 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

ESTUDO DE CASO Robert Yin. 37) propõe alguns exercícios bastante interessantes para a inicialização do estudante das Ciências Sociais Aplicadas na prática do estudo de caso. Pode ser algum aspecto de uma situação que você saiba que acontece nas escolas. Parta do princípio de que você pudesse responder de fato a essas questões com evidências suficientes (ou seja. inédito? (Se você não está satisfeito com suas respostas. Vamos lá? O exercício será definir questões significativas para um estudo de caso. que você tivesse conduzido com sucesso seu estudo de caso). ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 112 PATRÍCIA MOTA SENA . p. talvez devesse pensar em redefinir as questões principais de seu caso). identifique as três questões principais a que seu estudo de caso tentaria responder. Vale a pena tentar responder a um deles. Agora. Sugerimos que você escolha um assunto relacionado à Educação. Como você justificaria a um colega a importância de suas descobertas? Teria dado continuidade a alguma teoria especial? Teria descoberto algum aspecto raro. Determine um tema que você acredite que valha a pena pesquisar em um estudo de caso. no seu livro Estudo de Caso: Planejamento e métodos (2007.

113 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . sustentar argumentações e. retirados de um artigo científico (vide referência a seguir) e associe-os às das funções dos trabalhos acadêmicos indicadas na coluna da direita. que podem estar presentes no corpo do texto. QUESTÃO 02 Analise os fragmentos de texto na coluna da esquerda. podem ser citados sem mencionar a referência do site consultado. assinale a alternativa correta: a) O fragmento de um texto. pois todos os pesquisadores já conhecem. b) As citações servem para justificar ideias. c) As produções acadêmicas que utilizam citações estão isentas de mencionar a referência do texto original porque são trabalhos de circulação limitada. independente de terem registro ou não.EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 Associe a leitura do texto a seguir à utilização das citações em textos acadêmicos e. precisam vir acompanhadas da referência. em seguida. d) O comentário da Mafalda em relação aos direitos autorais das frases também se aplica aos textos citados da internet que. mesmo as citações diretas de até três linhas. deixa de exigir que seja feita a referência. o que não é o caso das frases mencionadas por Mafalda. quando utilizado como citação por vários pesquisadores.

36. São Paulo: Martins Fontes.” III. é: a) I – III – II b) I – II – III c) III – II – I d) II – I – III QUESTÃO 03 “A longo prazo. Joseph M. entre a gestão do conhecimento e os processos de comunicação científica. V. 2007. uma vez assimiladas. [. ( ) Os trabalhos científicos devem ser inéditos. P.” ( ) A elaboração de um trabalho científico deve permitir a reprodução da pesquisa comunicada e a avaliação dos métodos e resultados. Com base na citação acima e nos conhecimentos. 92-107. o esforço de um pesquisador parte daquilo que foi construído anteriormente por outros pesquisadores. consideram as suas particularidades. portanto.] parecem ser poucas as iniciativas.. N. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO.] no início da criação de um novo conhecimento. as técnicas de pesquisa e redação. coletar informações.I. não podem ser publicados repetidamente. SELY MARIA DE SOUZA. em nível conceitual. 3). assinale a alternativa que relaciona corretamente a modalidade e a habilidade mais exigidas do pesquisador na formulação de trabalhos acadêmicos: 114 PATRÍCIA MOTA SENA .. tendo em vista as peculiaridades do contexto acadêmico e do conhecimento científico. “[. investigar a relação.” II. pois. de cima para baixo. e contribuir para a ampliação do conhecimento.” (BOOTH. 1.. p. WILLIAMS. os estudos ou os modelos de gestão do conhecimento que. ( ) Os trabalhos científicos apresentam resultados de pesquisas observacionais.. FONTE: LEITE. FERNANDO CÉSAR LIMA. de fato. COSTA. organizá-las de modo coerente e apresentálas de maneira confiável são habilidades indispensáveis. capacitarão o pesquisador para trabalhar por conta própria mais tarde. afinal. GESTÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: PROPOSTA DE UM MODELO CONCEITUAL COM BASE EM PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA. Gregory G. A arte da pesquisa. experimentais ou teóricas. “O objetivo foi. “Especificamente em relação ao ambiente acadêmico. 2005. ou seja.. COLOMB.. A sequência correta encontrada. Wayne C. numa época apropriadamente chamada de ‘Era da Informação’.

evitando expandir a análise para além do trabalho enfocado. em inglês. 2006). a saber: i) enviava todo material a um romancista para tornar a linguagem mais fácil e ii) devolvia o material aos autores. Rogério.com. d) A habilidade mais importante na elaboração de resenhas é a capacidade de síntese. b) A linguagem científica deve despertar no leitor imagens e sensações que o façam compreender melhor as informações. evitando maiores discussões. Acesso em: 11 jul. exige-se do pesquisador grande habilidade para resolver problemas e discernimento para propor soluções baseadas no levantamento e análise das informações relevantes para o caso em questão.br/vidlib2/Notas. Disponível em: http://www. recorremos a um manual médico para saber mais sobre a doença. A leitura da citação acima. pois o organizador atendeu ao planejamento lógico da apresentação que independe da precisão da linguagem e dos instrumentos intelectuais que o leitor possui para compreendê-lo. Da leitura do tratado. 115 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . pudemos extrair todas as informações necessárias.htm.hottopos. sem praticamente recorrer ao dicionário. b) Nos estudos de caso. para isso. associada às características da redação científica. c) No artigo científico.a) Nos seminários. mesmo que. pois o pesquisador necessitará apresentar informações de maneira objetiva e breve. o pesquisador precisará aprimorar sua linguagem para estruturar um texto detalhado em que o assunto é colocado para reflexão. QUESTÃO 04 “Quando foi diagnosticada uma doença grave em um amigo. Notas e reflexões sobre redação científica. o pesquisador precisará de estratégias de argumentação e apresentação para que consiga constituir um consenso em torno do assunto apresentado. permite afirmar: a) A leitura do tratado foi de fácil compreensão. para verificarem se as alterações não comprometiam as informações técnicas” (LACAZ-RUIZ. comprometa a objetividade na apresentação dos conteúdos. Disse que o organizador convidava especialistas para que escrevessem os capítulos de sua área e antes de fazer a arte final seguia dois protocolos obrigatórios. O texto estava completo e sua leitura agradável. sem que seja apresentada uma conclusão que possa ser contestada pelo leitor. O médico que nos emprestou o livro fez um comentário interessante.

ou ainda do ponto de vista de sua divulgação na sociedade. de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da educação. A Espiral da cultura científica. da qual o ensino e a educação assumem papel fundamental. admitindo a construção de parágrafos longos e frases complexas. a expressão “cultura científica” se refere a um conjunto de conhecimentos que caracterizam uma época como resultado de sua produção tecnológica e de suas necessidades como um fenômeno específico daquela conjuntura. para proporcionar a compreensão das ideias por parte do leitor. na qual a humanidade caminha rumo ao progresso científico. a) I e II b) II e IV c) II e III d)I. O significado de cultura científica está atrelado à percepção tanto do processo de comunicação científica dentro da academia quanto à divulgação da ciência para a população. quer seja ele considerado do ponto de vista de sua produção. que se reflete na transformação material da vida em sociedade e na dinâmica de sua comunicação. apenas. (VOGT.comciencia. para o estabelecimento das relações críticas necessárias entre o cidadão e os valores culturais.. capazes de expressar o domínio da técnica. Carlos.. estão corretas. Das proposições acima. Acesso em: 12 Ago. Disponível em: http://www. a ideia de que o processo que envolve o desenvolvimento científico é um processo cultural.] em seu campo de significações.. 2008). resultando na construção de um texto com frases escritas na ordem direta. como um todo. d) A redação científica deve privilegiar a forma literária de escrever. tornando lineares as ideias de tempo. envolvendo referenciais culturais compartilhados pela sociedade no âmbito de suas necessidades e de sua formação e atuação críticas.] a expressão cultura científica tem a vantagem de englobar [. de seu tempo e de sua história”.c) A clareza da expressão deve refletir a clareza do pensamento. O texto considera a dimensão histórica do conhecimento científico.br/reportagens/cultura/cultura01. QUESTÃO 05 “[. II e III . A partir da leitura do texto e do tema comunicação científica. cultura e cidadania e justificando a importância da comunicação científica nesse processo. III.shtml.. II. A expressão “desenvolvimento científico” aparece no texto com o objetivo de explicitar uma concepção evolucionista de ciência. é correto afirmar: I. IV.

Tais aspectos constituem objetos de investigação e pesquisa.2. Dessa maneira. é sistemático. que integram a realidade em que vivemos. uma vez que se organiza de acordo com um sistema de pensamento e ação. pois avalia a todo o momento sua própria realização. CONCEITO.2 TEMA 4. A partir dessa imensidão de objetos do nosso conhecimento. políticas. Trata-se de um processo que é reflexivo. Mas a realidade é múltipla. A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES 2. da pesquisa científica. FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA Em nosso cotidiano. é controlado. tendo em vista que consiste na observação de características específicas de um fenômeno em um dado contexto. será que só existe pesquisa científica? Onde e quando devemos começar a pesquisar? Qualquer um de nós pode realizar pesquisas? De que forma? O QUE É PESQUISA. físicos e químicos que permeiam a interação entre os seres humanos e a natureza. AFINAL? Se tomarmos como ponto de partida para entender o conceito de pesquisa aquelas discussões sobre o ser humano e o conhecimento. a realidade é o mundo exterior a nós mesmos. Esses resultados são frequentemente vinculados a uma pseudoinfalibilidade da ciência e a realização da pesquisa científica é atrelada a profissionais especializados que possuem capacidades diferenciadas para ler a realidade.2. e crítico 117 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . visão de mundo e das relações. acabam por influenciar na mudança de hábitos e contribuem também para alterações em formas de comportamento. então. e representa o principal objeto de nossa curiosidade. culturais e nos aspectos naturais. opinião. Como vimos no Capítulo 1. é possível pensar em critérios científicos responsáveis por guiar a pesquisa. Estamos falando. biológicos. podemos inferir que existem diversos aspectos da realidade que despertam o nosso interesse em compreendê-los e desvendá-los. muitas vezes ouvimos notícias a respeito de pesquisas realizadas no âmbito científico.1 CONTEÚDO 1. Novas descobertas estão sendo constantemente objetos de informação. O que você pensa sobre isto? Será que a pesquisa científica é reservada apenas a indivíduos com habilidades e capacidades especiais? E a pesquisa. sendo veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação. diversa nas relações sociais. sujeitos cognoscentes.

Antônio C. São Paulo: Atlas. c) criatividade. a formulação e delimitação do problema/questão para o qual se pretende buscar uma (ou várias) resposta(s). e) atitude autocorretiva. b) curiosidade. g) imaginação disciplinada. explica. por ser um “ato dinâmico de questionamento. Esta atividade deve ser realizada com rigor e critério. 2000. desenvolvendo capacidades já existentes e construindo habilidades para gerir uma investigação. ed. Mas que habilidades são essas e onde elas são construídas? • A Pesquisa na Graduação É no Ensino Superior que o estudante deve iniciar seu contato com a pesquisa e com os pressupostos metodológicos exigidos em uma investigação científica. a atividade de pesquisa. GIL. 4. LEHFELD. QUALIDADES PESSOAIS DO PESQUISADOR O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador. i) confiança na experiência”. 67). p. Entretanto. interpreta. especialmente na disci- 118 PATRÍCIA MOTA SENA . indagação e aprofundamento” (BARROS. teóricos e as implicações de suas ações na interpretação dos resultados (ANDER-EGG 1978:28 apud MARCONI. As qualidades mencionadas por Antônio Carlos Gil são características que os pesquisadores devem possuir. Como alguns de seus principais elementos encontram-se: a seleção do assunto que se deseja investigar. LAKATOS 2003). analisa. aprofundando o entendimento da realidade ao estabelecer relações mais profundas. entre as quais estão: a) conhecimento do assunto a ser pesquisado. Como elaborar projetos de pesquisa. o levantamento de hipóteses para indicar as possibilidades de solução para o problema. a pesquisa não se conforma com as aparências. Desta forma. está relacionada à necessidade de obter respostas para um problema específico. d) integridade intelectual. a coleta e análise de dados e a elaboração de um documento científico capaz de comunicar os resultados da pesquisa realizada.porque pressupõe o conhecimento dos fundamentos lógicos. f) sensibilidade social. h) perseverança e paciência. examina. 2006. mas pergunta o porquê.

Ainda compartilhando das análises de João Ruiz. pesquisa e extensão que a caracteriza.plina de Metodologia. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesquisas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica. 2008. 49) nos apresenta uma distinção bastante pertinente quanto a esse aspecto: A diferença entre os trabalhos de pesquisa dos cientistas e dos estudantes universitários não deveria residir no método. mas também se habilitam a reconstituir. Ruiz (2008. integrado a um universo de outros pesquisadores igualmente experientes. O Plano Nacional de Educação (PNE) compreende que a pesquisa é fundamental tanto para as universidades. p. Como objetivo do Ensino Superior. mas nos propósitos. um cientista com práticas e reflexões amadurecidas. quanto para os demais centros de ensino superior. a pesquisa não deve ser realizada apenas pelos cientistas já constituídos. como vimos no primeiro capítulo. o PNE afirma a necessidade de [.. Como alerta João Álvaro Ruiz. Cabe ressaltar que o estudante do Ensino Superior não seria. Dessa maneira.. no entanto. pois possibilita a união entre ensino.] incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensino-aprendizagem em toda a educação superior. integrando os processos de ensino e aprendizagem capazes de habilitar o estudante a prosseguir seus estudos trilhando os caminhos do conhecimento científico já construído. mas sujeitos capacitados para seguir os caminhos de um conhecimento científico estabelecido e construído ao longo da história da humanidade. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa (PNE. os estudantes universitários ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. podemos afirmar que a pesquisa na graduação possui caráter didático-pedagógico. habilitando-se para trabalhar de acordo com os critérios da ciência. pois. quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas. porém. Ambos. a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas. 48).. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciência para a Humanidade. 68).. Para que isso seja feito com êxito.] saber o que é uma pesquisa científica e habilitar-se a aplicar seus conhecimentos sobre metodologia na realização de pesquisas que gradualmente lhe serão solicitadas durante o curso são condições indispensáveis a quem se propõe conduzir com eficiência seus estudos (RUIZ. 119 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . [. vamos conhecer as principais características do método científico. p. 2001. p. esta disciplina contribui para a inserção do estudante nos códigos da academia. devem trabalhar cientificamente.

as ilusões dos sentidos. Leia atentamente o texto a seguir para que possamos refletir um pouco mais sobre isso: ENTENDENDO O MUNDO COMO UMA PARTIDA DE FUTEBOL Vamos nos permitir alguma liberdade criativa e imaginar que um alienígena recém chegado à Terra. a superficialidade da aparência dos fatos.2 CONTEÚDO 2. Mas o que é o Método Científico? Podemos dizer que é um conjunto de critérios definidos pela comunidade científica. percebendo que alguns lances se repetem e têm sempre o mesmo desfecho (por exemplo. ele talvez pensasse após assistir um infeliz chute de fora da área. decide ir ao Maracanã assistir a uma partida de futebol. e muito intrigado ao ver como alguns jogadores ficam tão sensíveis quando ela se aproxima demais daquelas redes localizadas nas extremidades do campo.2. ele provavelmente formularia algumas hipóteses sobre o jogo: “será que o objetivo é enviar a bola o mais distante possível?”. É por isso que todos que querem estudar e fazer ciência precisam conhecer os métodos específicos da investigação científica: eles representam o percurso a ser seguido nessa viagem rumo à construção do saber.2. Mas ao longo da partida. “ou talvez o objetivo seja 120 PATRÍCIA MOTA SENA . interessado em conhecer nossos costumes. PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO Na tentativa de compreender a realidade. vendo todas aquelas pessoas correndo atrás de uma bola. A compreensão do significado do método fica um pouco mais complexa se tomarmos como referencia a pesquisa em ciências humanas. a ciência necessita de critérios precisos que sejam capazes de perceber criticamente os preconceitos. Certamente no início da partida o ET ficaria bastante confuso. a partida é sempre interrompida quando a bola sai dos limites traçados no campo). destinado à busca de explicações e à construção de conhecimento.

ainda que nossa metáfora seja didática. por outro lado.matar o humanóide que carrega a bola”. as leis naturais que o regem (LAVILLE. Até então. daí tirar explicações tão gerais quanto possível. que supunha [. a percepção de que se tratava de objetos de naturezas diferenciadas. Disponível em: <http://www. Nós. Método científico. DIONNE.. p. Widson Porto. podemos interagir com ela realizando experimentos [.. pensaria ao ver um zagueiro aplicando uma tesoura na altura do pescoço de um outro jogador. Acesso em 20 ago. fatos que.. sem ideias pré-concebidas. No início do século XX. em seguida. É quase certo que após algum tempo observando a partida e depois de vários palpites errados. 'Entender a natureza é como aprender a jogar xadrez somente assistindo à partida'. Esse procedimento é realizado com a esperança de determinar. Estamos imersos no grande “jogo” da natureza tentando entender suas “regras”: será que tudo o que sobe desce? Por que as coisas têm cor? Será que a posição que os corpos celestes ocupavam no instante de nosso nascimento pode afetar nossa personalidade? Em outras palavras. acreditando que ela poderia ser aplicada com sucesso a todos os objetos de conhecimento. devem ser submetidos à experimentação. com graus de complexidade distintos. os métodos de investigação eram orientados pela perspectiva positivista. ou melhor. Os cientistas sociais buscaram uma metodologia diferente para as ciências humanas. fossem naturais ou sociais/humanos. Pois nela o ET assiste passivamente ao desenrolar dos lances na partida e propõe hipóteses que somente tem como verificar esperando que se repitam. principalmente. fatos que começam a ser observados tais quais. tomando uma medida precisa das modificações causadas pela experimentação.] que os fatos humanos são como os da natureza. da natureza do objeto de estudo. No entanto. mas participamos dela. 31). depois. o visitante extraterrestre fosse capaz de compreender a maior parte das regras do nosso futebol. não somos meros espectadores da natureza.]. REIS. Mas nem sempre foi assim. 121 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .. 1999.html>.projetoockham. Pois nós somos como este alienígena. org/ ferramentas_metodo_2. os cientistas começaram a questionar se o método de investigação utilizado pelas ciências naturais e físicas deveria continuar sendo aplicado no entendimento de fenômenos sociais. ela não é completa. Porém. A produção científica do século XIX entendia a construção da ciência a partir da abordagem positivista. no campo do humano. não tardou a acontecer. para que se possa determinar sua ou suas causas. Os métodos empregados variam entre as ciências em função. 2009. nas palavras do físico Richard Feynmann.

1999. o que faz suas ações serem imprevisíveis e impossíveis de se encaixar em leis gerais que sirvam para compreendê-las. o pesquisador precisa delimitar e estabelecer uma questão que lhe inquieta. esboça-se um caminho que se caracteriza pela definição de um problema. Para isso. por exemplo. fossem eles de natureza física ou social. o pesquisador levanta possíveis respostas ou explicações lógicas capazes de fornecer uma solução para o questionamento inicial: as hipóteses. veremos mais adiante. cada um poderá julgar os saberes produzidos e sua credibilidade. Ao definir este problema. Desse modo. houve uma valorização da abordagem metodológica pautada na hermenêutica.] dirá quais são as delimitações do problema. Sobre isso. a prioridade das ciências sociais deveria se voltar para a compreensão dos significados das ações dos sujeitos e dos significados que eles atribuem às suas próprias ações. como as percebeu. Essa operação de objetivação. considerar que a natureza humana é diferente. nas discussões sobre objetividade/subjetividade e nos debates sobre pesquisa qualitativa/pesquisa quantitativa.. O debate acerca da metodologia mais adequada para os diversos objetos de pesquisa. [. por que sua hipótese é legítima e o procedimento de verificação empregado justificado. p. o problema que ele deseja solucionar. o que impossibilita o estabelecimento de leis gerais. é necessário colocar essas ações dentro de um contexto de relações. possui valores.. pois o ser humano é sujeito. comumente aplicadas nos estudos da física ou da biologia. que pode ser entendido como a própria realidade. DIONNE. está hoje no centro do método científico (LAVILLE. Grifos da autora). 46. como a concentração em um problema. que busca conhecer a partir da interpretação dos significados de um texto. isto é. opiniões e capacidade de agir de maneira autônoma. verificação da(s) hipótese(s) e conclusão. permaneceu ativo até a década de 1980 e ainda hoje se reflete. Em linhas gerais. Com base nessas especificidades. o pesquisador já pode divulgá-la para a comunidade científica. Ao definir um objeto de investigação. Quando considerar a explicação obtida por meio da hipótese como satisfatória e válida. levantamento de hipótese(s). Importa saber que as ciências em geral se distanciaram da perspectiva positivista e construíram uma orientação que representa o seu principal método de construção de conhecimento: o método hipotéticodedutivo.considerando a dinâmica das relações e dos fenômenos que envolvem o comportamento dos seres humanos. Confira o quadro a seguir: 122 PATRÍCIA MOTA SENA . Desta forma. Caberá ao pesquisador testar as suas hipóteses e conservar aquela que ele pensa ser mais adequada para a compreensão do problema. Para tanto.

1999. APUD LAVILLE. MERRIL.FONTE: INSPIRADO EM BARRY BEYER. 1979. COLUMBUS (OHIO): CHARLES E. TEACHING IN SOCIAL STUDIES. DIONNE. 123 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 47. P. que tal escolher um tema do seu cotidiano para formular um problema? A partir da elaboração de uma questão do seu dia a dia. 43. levante algumas hipóteses que podem funcionar como respostas possíveis para a solução do problema levantado. P. Vamos praticar? Agora que você já possui noções gerais de como funciona o método hipotéticodedutivo.

6. 7. As peculiaridades de seu método diferenciam a ciência das muitas formas de conhecimento humano.• Fases da Pesquisa Científica Um primeiro conceito de ciência diz que ela se identifica com um conjunto de procedimentos que permite a distinção entre aparência e essência dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana. Ao selecionar o tema. 8. compreender. 9. Delimitação da pesquisa. Organização dos recursos. Definição dos Métodos. 10. O dogma não encontra na ciência lugar nenhum. Redação científica: a prática de fichamentos. resumos. São Paulo: Atlas. a relevância teórica e/ou prática do assunto para o grupo ao qual pertence o pesqui- 124 PATRÍCIA MOTA SENA . Comunicação dos resultados. o pesquisador deve se perguntar: O que será explorado? A escolha do tema deve levar em consideração a formação intelectual do pesquisador. Interpretação dos dados. 2005. Coleta de dados. Levantamento de dados. 29. Seleção do tema da pesquisa. 1 – Seleção do Tema O tema da pesquisa é o assunto que se deseja estudar. E uma de suas particularidades é aceitar que nada é eternamente verdadeiro. Formulação do problema. pesquisar. 7ª ed. João Bosco. a afinidade pessoal com o assunto. resenhas. Construção de hipóteses. p. 4. 3. 2. 5. Sistematização e análise de dados. MEDEIROS. 1. 11.

sador e a existência de material e bibliografia sobre o assunto. um fenômeno. mas que é preciso ir procurar com o auxílio de técnicas e de instrumentos. busca que demanda esforços e precauções. Levantar dados sobre o assunto é buscar informações em documentos e na bibliografia já publicada sobre o tema. “dada”. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. A verificação da hipótese apoia-se sobre tais informações. que não é evidente. que é a delimitação do problema da pesquisa. Escolher o tema significa: a) selecionar um assunto de acordo com as inclinações. os dados são esclarecimentos. 125 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2 – Levantamento de Dados A fase de levantamento de dados serve de subsídio para a etapa seguinte. o dado não é uma informação que está pronta. um acontecimento. financeiros para a execução da investigação e o tempo que será dedicado ao estudo. b) encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Para Marconi e Lakatos (2009. algo que não é dado. nesse sentido. ele designa. conhecendo as discussões a respeito do assunto escolhido. Contrariamente ao que poderia fazer crer a definição do Dicionário Aurélio transcrita [elemento ou quantidade conhecida que serve de base à resolução de um problema]. deve analisar questões como recursos materiais. Para os pesquisadores. Além disso. É necessário investigar aplicando esforços específicos fornecidos pelo método científico. O QUE É UM DADO? O termo revela-se um pouco enganador. p. 160). Porém. os dados constituem um dos ingredientes que fundamentam a pesquisa. informações sobre uma situação. as possibilidades. na verdade. ao contrário da denominação. a matéria de base que permite construir a demonstração.

p. Pesquisa bibliográfica: Busca o reconhecimento da área de pesquisa na qual está incluído o tema selecionado. 161) alerta para a complexidade que envolve a proposição do problema. a pesquisa documental se diferencia pela natureza das fontes pesquisadas. p. Pesquisa documental: Embora pareça com a pesquisa bibliográfica. pois ela contribui para que o pesquisador construa um domínio sobre o tema. 3 – Formulação do problema A formulação do problema implica na definição de uma dificuldade na compreensão do tema escolhido para a qual será encontrada uma solução. ou seja. a pesquisa documental investiga as fontes primárias. conferindo-lhes uma abordagem distinta. Esta fase é uma das mais importantes. Assim. DIONNE. Enquanto a pesquisa bibliográfica se caracteriza pela busca de fontes secundárias. 2009. pois dela dependerá o sucesso das etapas seguintes: um problema de pesquisa formulado adequadamente confere segurança ao pesquisador para o levantamento dos caminhos que serão percorridos na busca das possíveis soluções e/ou respostas. A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA CONSIDERA: 1. quanto maior for a delimitação da questão proposta. O problema deve ser formulado de maneira interrogativa ou na forma de uma questão clara. Marinho (apud MARCONI. 1999. mas que podem ser usadas em novas investigações. As fontes primárias são materiais que ainda não foram utilizados como objeto de análise ou documentos que já receberam tratamento analítico. de tudo o que já foi escrito acerca do seu tema de investigação. senão de grande parte. a pesquisa será mais complexa. Viabilidade 126 PATRÍCIA MOTA SENA . que depende dos objetivos e implica na abrangência da pesquisa: se o problema for abrangente. mais tranquila será a condução da investigação. A pesquisa bibliográfica é pré-requisito para pesquisas em qualquer área. documentos que foram produzidos no momento em que os fatos/fenômenos se desenrolaram. de documentos científicos produzidos por autores como resultado de seus estudos. isto é. difícil de ser executada. artigos científicos e textos. LAKATOS. a partir do conhecimento de todo. 132) O levantamento de dados pode ser feito de duas maneiras: por meio de pesquisa bibliográfica e de pesquisa documental. especialmente de livros. Essas fontes são chamadas de fontes secundárias. concisa e objetiva.(LAVILLE. Desenvolve-se a partir da busca de todo material já elaborado que trate do mesmo tema.

2. Desse modo. ao invés de se falar sobre o problema preciso sobre o qual trabalha. Exeqüibilidade 5. Relevância 3. Oportunidade TEMA E PROBLEMA Ouve-se. no decorrer de sua prática. a problemas bem delimitados e de amplitude mais restrita. DIONNE. ele pode construir um conhecimento mais geral. preocupa-se de modo global. por exemplo. (LAVILLE. Um pesquisador menos experiente vai se dedicar. 1999. um pesquisador que trabalhe com o problema ou o tema geral da evasão escolar poderá estudar a cada vez diversos problemas específicos relativos à evasão escolar. por vezes. p. dizer que tal ou tal pesquisador estuda tal ou tal tema de pesquisa – o nacionalismo no Quebec. Novidade 4. ou ainda o desenvolvimento intelectual do adolescente –. A soma dos conhecimentos assim obtidos lhe permite desenvolver progressivamente um conhecimento integrado sobre o conjunto da questão. o populismo no Brasil. por exemplo. 86) 4 – Construção de hipóteses 127 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . mas quotidianamente. um conjunto de problemas que se inscrevem em um mesmo tema de pesquisa. É que o pesquisador profissional já circunscreveu. muitas vezes no quadro de um programa de pesquisa. é sobre um problema específico que se debruça. com isso. Ele. por sua vez.

também pode se delimitar por um recorte cronológico. “delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação”. Correta ou errada. desde que tal escolha seja justificada. O método em ciências humanas. A construção dessas hipóteses auxilia no direcionamento da investigação. p. geográfico. 163). construídas com embasamento teórico e conhecimento do tema da pesquisa.. pois ela consiste na [. indicando o que deve ser feito para resolver o questionamento proposto. LAKATOS. Tais limites são estabelecidos de acordo com critérios que o pesquisador considerar mais adequados à investigação. As hipóteses precisam ser enunciadas de maneira clara. de acordo ou contrária ao senso comum. A pesquisa pode ser delimitada quanto ao assunto. 5 – Delimitação da pesquisa Para Marconi e Lakatos (2009. p. propondo explicações de maneira fundamentada para que possa orientar a busca por mais dados relativos ao tema. tendo como pressuposto o arcabouço teórico e o conhecimento de outras pesquisas já realizadas sobre o tema.] suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como característica uma formulação provisória: deve ser testada para determinar sua validade. a hipótese sempre conduz a uma verificação empírica (MARCONI. político. caracterizado como hipotético-dedutivo. 2009. econômico.As hipóteses são as possíveis soluções ou respostas para o problema da pesquisa. concentra na elaboração das hipóteses seu elemento central. 164). 128 PATRÍCIA MOTA SENA . guiando a consecução das etapas seguintes. dentre outros..

Já a tabulação consiste na organização dos dados em tabelas. formulários que são aplicados no decorrer da pesquisa. evitando o acúmulo de dados imprecisos sem vinculação com o tema estudado. 129 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o pesquisador pode organizar um arquivo. Para Marconi e Lakatos (2009. sistematizando os dados obtidos de processos estatísticos criando uma representação gráfica ou diagramática. fichários. É uma fase que exige paciência por parte do pesquisador e cuidado no registro dos dados obtidos. A sistematização dos dados selecionados pode ocorrer por meio de codificação ou tabulação (MARCONI. Dessa maneira. é necessário avaliar criticamente os dados coletados. Inicialmente. textos extraídos de periódicos científicos. p. levando em conta o tema da investigação e as técnicas de pesquisa selecionadas. questionários. formulários. 8 – Coleta de dados Já vimos que os dados de uma pesquisa devem ser procurados pelo pesquisador. criando categorias e atribuindo códigos ou inscrições. técnicas merca-dológicas. tais como recursos materiais e humanos envolvidos na pesquisa. tais como anotações de leitura da bibliografia pertinente. precisam ser organizados e classificados sistematicamente. contendo os materiais da pesquisa e o seu acervo bibliográfico.6 – Definição dos métodos A seleção dos métodos e das técnicas aplicadas deve ser feita de acordo com a natureza do objeto ou com questões de ordem prática. Dessa maneira. a observação. algumas das técnicas mais utilizadas e que permitem a coleta de dados são: a coleta documental. Isso deve ser feito tendo em vista cumprir os prazos estipulados e o cronograma de atividades definido no planejamento da investigação para que haja melhor aproveitamento dos esforços e do tempo e recursos disponíveis. Os métodos e as técnicas são utilizados para coletar dados da pesquisa. LAKATOS. roteiros de entrevistas. testes e histórias de vida. 9 – Sistematização e análise de dados Os dados. entrevistas. dentre outros. Na codificação agrupam-se os dados que se relacionam. medidas de opiniões e atitudes. 2009. 168). 169). será possível registrar apenas as informações pertinentes. questionários. com resumos de leituras. p. depois de coletados. 7 – Organização dos Recursos Esta é uma etapa fundamental da pesquisa que pressupõe planejamento e estratégia. tendo em vista o problema em questão. É o momento de organizar os materiais que fazem parte dos processos de investigação. que pode ser também digital.

contribuindo para que novos estudos e descobertas sejam feitos pela comunidade científica. Como essas autoras mostram. Comunicar os resultados de uma implica contribuir na ampliação de conhecimentos a respeito de determinado tema. • Tipos de Pesquisa A classificação que trazemos abaixo é uma modificação das classificações discutidas por Marconi & Lakatos (1999. como os artigos. Deve ser feita por meio de um relatório. p. mas também são utilizados outros textos científicos. 23-25). 11 – Comunicação dos resultados A fase de comunicação é a última. 130 PATRÍCIA MOTA SENA . há vários esquemas de classificação na bibliografia. Tais operações permitem conhecer as diversas relações que constituem o fenômeno estudado e fornecer um significado às respostas obtidas à luz dos conhecimentos relacionados ao tema. sendo responsável pela exposição das conclusões obtidas.10 – Interpretação dos dados A fase de interpretação dos dados está relacionada com as operações de análise e de interpretação.

esclarecer e modificar conceitos e ideias. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas. Dentre as pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade. que as pesquisas exploratórias e descritivas tenham menos valor. em virtude das dificuldades já comentadas. quase que exclusivamente. Pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos. Nas ciências sociais. pretendendo determinar a natureza dessa relação. As pesquisas explicativas nas ciências naturais valem-se. PESQUISAS EXPLICATIVAS: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. as condições de habitação de seus habitantes etc. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. pois explica o porquê das coisas. sobretudo ao observacional. PESQUISAS EXPLORATÓRIAS: Têm como principal finalidade desenvolver. Dessa maneira. estado de saúde etc. Isto não significa. PESQUISAS DESCRITIVAS: Têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. porém. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade. nível de escolaridade. porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se possam obter explicações científicas.Classificação quanto ao nível de explicação: podemos distinguir as pesquisas de acordo com o nível de compreensão acerca de um fenômeno a que se deseja estudar. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado. recorre-se a outros métodos. De todos os tipos [e níveis] de pesquisa. do método experimental. de tipo aproximativo. Tais pesquisas são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral. acerca de determinado fato. com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. sexo. elas podem ser exploratórias. procedência. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. tem-se uma pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. Pesquisas que se propõem a estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade. entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em 131 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Neste caso. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis. já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. descritivas ou explicativas.

tais como a observação participante. a pesquisa quantitativa “utiliza a descrição matemática como uma linguagem” na busca por evidenciar. Para tanto. 2005. mas. pois a pesquisa é entendida como uma criação que mobiliza a acuidade inventiva do pesquisador e sua perspicácia para elaborar a metodologia adequada ao campo de pesquisa. PESQUISA QUALITATIVA – A pesquisa qualitativa privilegia algumas técnicas que contribuem para a descoberta de fenômenos. impressões em relação a um referencial. dentre outros. aplicam-se questionários como instrumento de coleta de dados. chegando mesmo a ser designadas “quase-experimentais”. entre janeiro e junho de 2000?). 136). Em geral. 132 PATRÍCIA MOTA SENA . as pesquisas revestem-se de elevado grau de controle. sexo e escolaridade e dificuldades de leitura?). comportamentos. as pesquisas podem ser quantitativas ou qualitativas. PESQUISA QUANTITATIVA – Este tipo de pesquisa é aplicado quando se deseja conferir abordagem estatística ao objeto de estudo. as relações entre as variáveis que compõem um mesmo fenômeno e as análises das causas que geraram o objeto. sobretudo da Psicologia. O pesquisador deverá. 136) e deve ser aplicada quando o objetivo for conhecer: a)qual a relação entre variáveis (qual a relação entre idade. opiniões. identificando e compreendendo aspectos que podem caracterizar hábitos. entendida por amostragem. Classificação quanto ao tipo de método: Quanto ao método. 2005.ciências sociais. pesquisaação. p. Para Elizabeth Teixeira (2005. análise de conteúdo e estudo de caso. p. aos problemas que ele enfrenta com as pessoas que participam da investigação. c)qual o efeito ou consequência (qual o efeito da técnica expositiva sobre o aprendizado entre crianças de 4 e 6 anos?). demonstrando a cientificidade dos dados colhidos e dos conhecimentos produzidos. p. (TEIXEIRA. a estatística possui o papel fundamental de “estabelecer a relação entre o modelo teórico proposto e os dados observados no mundo real” (TEIXEIRA. um produto. d)qual a incidência (qual o número de casos de repetência na primeira série em Belém. em algumas áreas. dentre outros. que pode ser uma instituição. porém. por exemplo. Seus resultados podem refletir as ocorrências ou o perfil de uma dada população ou grupo social. 136137). A pesquisa qualitativa pressupõe que a utilização dessas técnicas não deve construir um modelo único. expor e validar os meios e técnicas adotados. b)qual a causa (o que causa a evasão?).

deixemos falar o real a seu modo e o escutemos. Esses debates continuam ainda hoje. há muito tempo. 133 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . O essencial permanecerá: que a escolha da abordagem esteja a serviço do objeto de pesquisa. Consequentemente.. sobretudo em vista do saber matemático e do estatístico necessário!). testado e preciso. sobretudo. É. Inútil. Inútil. ou uma mistura de ambos. que esse encontro incontrolado de subjetividades que se adicionam só pode conduzir ao saber “mole”. tentemos conhecer as motivações. Vê-se agora pesquisadores de abordagem positivista deixar de lado seus aparelhos de quantificação de entrevistas. Para os adversários desse método. com o objetivo de daí tirar. Esquecem. do real estudado. Pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica. às vezes. trata-se de truncar o real. A pesquisa de espírito positivista aprecia números. qualitativo. Pode-se verificá-los principalmente na oposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. Os defensores da quantificação apenas das características objetivamente mensuráveis respondem. afastando numerosos aspectos essenciais à compreensão. E alguns gostam de afirmar que são as exigências estritas desse rigor que afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente parece. de observações clínicas etc. que para construir suas quantificações. é em virtude desse problema específico que o pesquisador escolherá o procedimento quantitativo. esse debate. Quando se trata do real humano. ainda que muito presente.QUANTITATIVO VERSUS QUALITATIVO O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus defensores e adversários. então. corre-se o risco de não ter restado grande substância. porque os pesquisadores aprenderam. e. uma das principais chaves da objetividade e da validade dos saberes construídos. vê-se pesquisadores adversários da perspectiva positivista que não procedem de outro modo quando é possível tratar numericamente alguns de seus dados para melhor garantir a sua generalização. a conjugar suas abordagens conforme as necessidades. mesmo se dificilmente quantificáveis. Os adversários propõem respeitar mais o real. e não o contrário. para ela. consideremos os valores. deve escolher com precisão o que será medido e apenas conservar o que é mensurável de modo preciso. porque realmente é querer se situar frente a uma altura estéril. parece frequentemente inútil e até falso. desse modo. correto. de pouca validade. afirmam. Mas é verdade que o que resta é assegurado por um procedimento muito rigoroso. Na realidade. tiveram que afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras convenções estatísticas que. os saberes desejados. o melhor possível. inversamente. A partir do momento em que a pesquisa centra-se em um problema específico. as representações.

Nesse sentido, centralizar a pesquisa em um problema convida a conciliar abordagens preocupadas com a complexidade do real, sem perder o contato com os aportes anteriores. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 43)

2.2.3

CONTEÚDO 3. PROJETO, RELATÓRIO E MONOGRAFIA

O projeto de pesquisa

O projeto serve para planejar o trabalho de pesquisa e constitui parte integrante do processo de execução de uma investigação, pois é responsável por integrar o corpo teórico definido para a compreensão dos dados e a interpretação dos mesmos na discussão da metodologia a ser utilizada para alcançar os objetivos delimitados. A finalidade do projeto é planejar com rigor a pesquisa para que o estudante/pesquisador saiba exatamente quais procedimentos deverá adotar diante dos dados. Por isso, o projeto tem como característica definir e apresentar o tema, os objetivos, a metodologia, a justificativa quanto à pertinência da investigação proposta, planejar os critérios de coleta e de análise dos dados e projetar possíveis soluções para o problema da pesquisa. Tudo isso articulado ao tempo disponível, isto é, ao prazo estipulado em um cronograma de atividades. Um auxílio e tanto para o pesquisador, não? Trata-se, dessa maneira, de um instrumento que confere segurança e disciplina à tarefa de pesquisa. Os projetos de pesquisa podem variar na forma de apresentação, de acordo com o público ao qual se destina. Eles podem ser destinados a agências de fomento à pesquisa, podem ser entregues como requisito para aprovação em componentes curriculares ou apresentados em processos seletivos de iniciação científica e pós-graduação. Apesar disso, os projetos precisam conter a delimitação de um objeto de estudo, um problema que deve ser solucionado e objetivos que deverão ser alcançados (MEDEIROS, 2009, p. 191). Além disso, cumprem duas funções: científica e administrativa, como afirma Belchior (1972 apud RUDIO, 1986, p. 56). Para esse autor, o projeto consiste na
[...] mobilização de recursos para a consecução de um objetivo prédeterminado, justificado econômica ou socialmente, em prazo também de-

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PATRÍCIA MOTA SENA

terminado, com o equacionamento da origem dos recursos e detalhamento das diversas fases a serem efetivadas até a sua execução.

Veja a seguir a estrutura de um projeto de pesquisa, que pode variar de acordo com o destinatário, como você já viu anteriormente. No entanto, os projetos precisam, no seu desenvolvimento, responder às seguintes perguntas:

O QUE FAZER? POR QUE FAZER? PARA QUE FAZER? PARA QUEM FAZER? ONDE FAZER? COMO FAZER? QUANDO? COM QUANTO? QUEM VAI FAZER?

A Estrutura de um Projeto

1. Capa: É um elemento obrigatório, pois identifica o projeto ao apresentar dados como título (e subtítulo, se houver) do projeto, o(s) autores, a instituição a qual pertencem, local e ano de entrega. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 2. Folha de rosto: Também é obrigatório e apresenta a natureza do projeto. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 3. Lista de ilustrações: relação de imagens, tabelas, gráficos apresentados no projeto.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

4. Lista de abreviaturas: contém as expressões e suas respectivas siglas. 5. Sumário: Listagem numerada das principais seções do projeto apresentadas na ordem que aparecem no texto. 6. Introdução: nesta seção, o autor do projeto deve apresentar o tema da pesquisa, delimitando o problema que interessa estudar. Deve-se fazer uma revisão da bibliografia sobre o tema, caracterizando-o e distinguindo a abordagem quanto aos estudos já realizados sobre o assunto. A introdução deve também mencionar o nome dos envolvidos no projeto, como coordenador ou orientador, além de explicar a origem das preocupações científicas que serão investigadas por meio de um histórico do projeto. No entanto, a discussão do tema e a formulação e delimitação do problema devem ser os eixos centrais da introdução. Estes são tratados considerando a contextualização teórica do problema, fundamentando a pertinência da pesquisa e as contribuições advindas de publicações anteriores. No entanto, essa revisão da bibliografia deve ser articulada à delimitação do problema, posicionando-o no campo de investigações já realizadas e “não pode ser constituída apenas por referências ou sínteses dos estudos feitos, mas por discussão crítica do ‘estado atual da questão’” (GIL, 2006, p. 162). 7. Objetivos: nesta seção, o pesquisador deve apresentar o objetivo geral da pesquisa e os objetivos específicos. Os objetivos são apresentados como hipóteses, considerando as possibilidades de resposta que se procura alcançar com a investigação. Antônio Carlos Gil recomenda que a linguagem utilizada para listar os objetivos seja feita com verbos que indiquem ação “como identificar, verificar, descrever e analisar” (GIL, 2006, p. 162). O objetivo geral é uma visão global sobre o tema, explicitada com uma hipótese abrangente. Já os objetivos específicos consistem na aplicação do objetivo geral a situações particulares, descrevendo aspectos que merecem ser detalhados e verificados cientificamente. 8. Justificativa: Nesta seção é necessário explicitar qual a relevância da investigação proposta para a comunidade científica e para o aprofundamento das discussões sobre o tema. Deve justificar a pertinência de se compreender o problema apresentado, demonstrando quais as contribuições que o estudo poderá trazer para a ciência e para a sociedade como um todo. Neste item também se deve evidenciar as origens da escolha do tema, destacar as motivações do autor do projeto em compreendê-lo, focalizando a importância do estudo em relação a outros realizados anteriormente, seja distinguindo a abordagem, seja ressaltando as suas contribuições. Segundo Fachin (2006, p. 111), a justificativa “é uma fase que leva o pesquisador a repensar a escolha do assunto e a razão de sua escolha”. 9. Metodologia: Nesta seção, devem ser descritos os procedimentos, técnicas, estratégias, métodos que serão seguidos durante a pesquisa para a coleta e análise de dados. Esclarece-se qual o tipo de pesquisa adotado e quais serão os referenciais teóricos que auxiliarão na compreensão dos dados obtidos. É importante ressaltar que os referenciais epistemológicos que fundamentam os métodos diferem entre si, o que exige acuidade do pesquisador em per-

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3. 163-164) faz observações quanto ao desenvolvimento do projeto. que deverá enfocar os resultados obtidos na concretização do projeto. Esse documento se diferencia do texto final. capítulos. que deve ser uma monografia ou tese. Plano de trabalho e projeto de pesquisa são diferentes. • O relatório de pesquisa Os relatórios de pesquisa são documentos científicos que cumprem a função de apresentar os resultados obtidos em uma investigação relacionada a um projeto específico. com a finalidade de planejar a atividade de pesquisa. como no projeto. textos. questionários). 12. indicando o tempo necessário para o desenvolvimento de cada fase da investigação. Antônio Joaquim Severino (2006. enfim.ceber a compatibilidade entre eles e sua contribuição para o entendimento do problema proposto. disponibilizados para aprofundamento ou melhor compreensão das ideias do projeto (roteiros de entrevistas. quadros) que servem para corroborar as afirmações contidas no texto do projeto ou fornecer informações adicionais. p. dentre as quais cumpre destacar: 1. Referências: Item obrigatório em que são listados os livros. Anexos e/ou apêndices: Os anexos são materiais elaborados por outros autores ou documentos científicos (gráficos. Cronograma: Aqui são distribuídas as atividades de pesquisa com relação ao prazo estabelecido. podem ser requeridos relatórios parciais. pois o plano encarrega-se de estruturar o plano do trabalho escrito e não as ações da investigação. tabelas. 11. É normal e até positivo que o projeto possa ser alterado durante a investigação. Já os apêndices são documentos elaborados pelo autor do projeto. relatos de observações. 2. O projeto se distingue do trabalho final. as fontes de informação citadas no projeto. 10. A estrutura do projeto não é estanque e seus elementos devem ser distribuídos de acordo com as exigências da pesquisa. pois justifica para os orientadores ou agências de fomento à pesquisa científica a aplicação dos recursos e do tempo disponibilizados. comunicando os resultados alcançados. pois revela aprofundamento das ideias do autor. Cumpre também um papel administrativo. que 137 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . O projeto detalha os caminhos da investigação e as estratégias. 4. Durante a investigação.

Introdução: Apresenta os mesmos elementos da introdução do projeto. em geral.Listas de Tabelas ou Ilustrações. 6. LAKATOS. p. • Estrutura do relatório A estrutura dos relatórios varia de acordo com a finalidade para a qual são produzidos. os quadros. Nesta seção. 9. Apresentação e análise dos dados: A ordem de apresentação dos dados deve estar em conformidade com as hipóteses e as afirmações que propõem. No relatório podem ser incorporadas novas publicações. os demais deverão vir em apêndice” (MARCONI. 4. 232). 7. 2009. p. ao término da pesquisa. modificada a partir da orientação de Marconi & Lakatos (2009. Além disso. As autoras mencionadas sugerem que a interpretação dos resultados seja feita em uma seção dis- 138 PATRÍCIA MOTA SENA . “incorporando as modificações realizadas depois de aplicada a pesquisa-piloto” (MARCONI. Sumário. 2009. 230-231).Folha de Rosto. possui entre 20 linhas e uma página.Lista de Abreviaturas. “já que a pesquisa bibliográfica não se encerra com a elaboração do projeto” (MARCONI. 2. 3. os gráficos e outras ilustrações estritamente necessárias à compreensão do desenrolar do raciocínio. LAKATOS. 1. considere as mesmas orientações oferecidas nas explicações sobre o projeto. pois a retomada das principais obras sobre o tema contribuem para fundamentar a apresentação do problema. A seguir.Resumo ou sinopse: trata-se de um resumo descritivo sobre o conteúdo do relatório. Metodologia: Nesta seção descrevem-se as estratégias utilizadas na coleta e análise dos dados e a eficácia da aplicação dos métodos escolhidos. deve-se apresentar as evidências obtidas por meio de análises “incorporando no texto apenas as tabelas.apresentam fases do andamento dos trabalhos e. 233). porém acrescidos dos objetivos e da justificativa. os relatórios podem ser solicitados como parte de processos avaliativos em componentes curriculares como forma de exercitar a habilidade de demonstração dos estudantes. p. para que você use como guia. o relatório deve apresentar a metodologia empregada e os resultados finais.Capa. Para as seções que não estão descritas. 8. p. propomos que isso seja feito ainda na introdução. 232). 2009. Apesar de essas autoras indicarem que a revisão bibliográfica deve ser feita em uma seção diferenciada. Deve ser objetivo e. LAKATOS. 5. propomos uma estrutura geral.

originada de pesquisa científica que contribua com conhecimentos originais à ciência. ou pode ser todo trabalho originado de pesquisas. como produto dos processos desenvolvidos na investigação. Conclusões: As conclusões são parte final da pesquisa. Dessa maneira. o pesquisador encerra o seu texto com sínteses e recomendações. É possível ainda. Retrata o significado da pesquisa realizada. 2006. Esse mesmo autor atribui dois sentidos à aplicação do termo monografia: pode ser uma tese. seguidas de sugestões quanto a pesquisas futuras que possam respondê-las” (GIL. bem como as questões que surgiram com o seu desenvolvimento. p. p. buscando confirmar ou rejeitar as hipóteses levantadas. Délcio Salomon conceitua a monografia da seguinte maneira: Localizamos na origem histórica da monografia aquilo que até hoje caracteriza essencialmente esse tipo de trabalho científico: a especificação. Referências. nesta seção. o alcance das abordagens e a contribuição dos resultados obtidos. Anexos ou Apêndices. 190). a redução da abordagem a um só assunto. 255). o tratamento escrito aprofun- 139 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . porém pensamos que essa interpretação pode ser feita junto à análise dos dados coletados. Mantémse assim o sentido etimológico: mónos (um só) e graphein (escrever): dissertação a respeito de um assunto único (SALOMON. • A monografia A monografia é o estudo aprofundado de uma questão específica.tinta. a um só problema. como as dissertações de mestrado e as monografias no “sentido acadêmico. 11. ou seja. que o pesquisador identifique “as questões que não puderam ser respondidas pela pesquisa. 10. 12. sejam empíricas ou não. 2008. ou seja.

. 7. p. • Discussão é o exame. Desenvolvimento: Para Marconi e Lakatos (2009. De acordo com Marconi & Lakatos (2009. Lista de Tabelas ou Ilustrações. contextualizando-o.] explicar é apresentar o sentido de uma noção. Tratamento extenso em profundidade. Demonstra que as proposições. Para essas autoras. 6. 237). a argumentação e a explicação da pesquisa: explica. Estudo pormenorizado e exaustivo. Capa. 3. 238). considere as mesmas orientações oferecidas na elaboração dos projetos e relatórios. as características da monografia são: • • • • • • Trabalho escrito. implica o exercício do raciocínio. p. 4. o desenvolvimento é o espaço da “fundamentação lógica do trabalho de pesquisa. Sumário. Lista de Abreviaturas. p. Vejamos a estrutura da monografia. procurando suprimir o ambíguo ou obscuro. A introdução da monografia se assemelha à do relatório. 8. mas não em alcance [. sistemático e completo. 1. cuja finalidade é expor e demonstrar”. fundamenta e enuncia as proposições. Contribuição importante. delimitando o problema analisado. 2. • Demonstração é a dedução lógica do trabalho. para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema. Quando a seção não estiver descrita. 2008. 140 PATRÍCIA MOTA SENA . 256). Folha de Rosto. pois apresenta considerações metodológicas e uma breve revisão bibliográfica sobre o tema. o desenvolvimento da monografia precisa conter: • Explicação [.dado de um só assunto. original e pessoal para a ciência. 5.. abordando vários aspectos e ângulos do caso. Resumo em língua vernácula... discute. é analisar e compreender. de maneira descritiva e analítica.]. devem obedecer a uma sequência lógica. em que a reflexão é a tônica” (SALOMON. Metodologia específica. Introdução: Deve apresentar de maneira objetiva o tema da pesquisa. Tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela.

O Portfólio possui aplicações diversas. tem sido cada vez mais usual um novo tipo de trabalho: o Portfólio. Há instituições de Ensino Superior que solicitam artigos científicos. reflexão e auto-avaliação da práxis pedagógica desenvolvida no per- 141 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . PORTFÓLIO. monografias e. “da conclusão devem constar a relação existente entre as diferentes partes da argumentação e a união das ideias e. PESQUISA E DOCÊNCIA Os trabalhos de conclusão dos cursos de graduação têm sido cada vez mais variados na forma de apresentação. organiza aprendizagens conquistadas nas disciplinas específicas do curso de graduação. Conclusões: Apresenta uma síntese do trabalho. considerando a interdisciplinaridade e aliança entre teoria e prática. Segundo Marconi e Lakatos (2009.9. registro. mas tem em comum seu objetivo: sistematizar práticas exercidas ao longo da graduação.4 CONTEÚDO 4. 238). 2.2. 11. Referências. 10 Anexos e/ou Apêndices. conter o fecho da introdução ou síntese de toda reflexão”. p. Dessa maneira. Como explicita o Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da FTC EAD – Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância (2008): O portfólio acadêmico consiste em um trabalho de sistematização. com um resumo das principais argumentações com o objetivo de atribuir significado ao estudo realizado. ainda.

1. Considere a estrutura apresentada a seguir acompanhada dos elementos pré-textuais comuns aos trabalhos acadêmicos. por exemplo. Apresentação: Texto inicial. conforme as exigências racionais da sistematização própria do trabalho científico” (SEVERINO. 2. Esse mesmo documento destaca. como objetivo do portfólio acadêmico: a capacidade de criar as condições e os meios necessários para que os graduandos desenvolvam competências. 2. 3. o alcance da investigação e suas bases teóricas gerais. habilidades e atitudes pautadas na práxis pedagógica crítica e reflexiva. sem. devendo dar conta da sua totalidade. Devem ser construídos com o verbo no infinitivo (diagnosticar. É um trabalho criterioso e crítico que requer muita leitura para possibilitar a ”construção lógica do pensamento ou síntese que é a coordenação inteligente das ideias. Isso você fará no desenvolvimento do portfólio. os temas transversais e as experiências em Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura. Objetivo Geral: Deve ser direcionado ao portfólio. acadêmica e profissional. no qual devem constar dados de identificação do autor. Objetivos: A construção de um objetivo precisa ser efetuada de forma clara e concisa. 3. capaz de possibilitar a você estudante a reconstrução crítica da sua formação pessoal. aprofundar essas questões. Os elementos relacionados compõem os critérios exigidos pela FTC EAD. 1. elaborado de forma clara e precisa. Deve situar o leitor no contexto do trabalho acadêmico. identificar). expressando apenas uma ideia. 81-82). A partir de agora você verá a estrutura do portfólio acadêmico. através da apropriação de conhecimentos. visando a sua autonomia no processo de aprendizagem. ainda. análise da realidade educacional e produções acadêmicas relevantes. 2.1. levando-o a perceber claramente o que será analisado. Fundamentação teórica: Trata-se da literatura pertinente aos temas abordados no Portfólio. Dialogando sobre os temas transversais: Você deverá construir um texto relacionando os conhecimentos significativos (importantes para o seu processo de formação do- 142 PATRÍCIA MOTA SENA . como e por que as limitações foram encontradas. contudo. Objetivos Específicos: Detalham o enunciado do objetivo geral e/ou cada atividade que será desenvolvida.curso dessas disciplinas. como. a metodologia utilizada na sua construção. dos campos de estudos/escolas pesquisadas e outros dados gerais sobre o portfólio. por isso deve ser elaborado com um verbo de precisão.2. considerando as competências das disciplinas por períodos. p. 2000. analisar.

Você pode também fazer recomendações e/ou sugestões que devem ser explanadas de forma ética. 7. coparticipação.cente) que foram construídos em cada período com cada tema transversal. Referências 7. Considerações Finais: Posicionamento pessoal quanto aos resultados em função dos conhecimentos construídos durante o curso. A seguir.1.2. II. 7. (Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância. Anexos 8.1. Apêndices 7. 6. Seu texto deverá estar respaldado por. Refletindo sobre as teorias estudadas: Nesse texto você precisa se posicionar criticamente sobre a articulação das Teorias Educacionais e das disciplinas específicas de letras. 2008. 4.2 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio.2. p. III.2 Apêndices Complementares: 7. Discussão dos resultados: Trata-se de uma análise cuidadosa dos dados coletados nos momentos de atividades práticas na Escola (entrevistas. • Pesquisa e educação Concluindo as reflexões sobre as possibilidades da pesquisa científica. IV. apontando possíveis soluções para as dificuldades apontadas. no qual discutem as possibilidades da pesquisa e a sua contribuição para a formação docente.1 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado I. pelo menos. observações. bem como a prática vivenciada no contexto escolar no Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e no Ensino Médio. Observe os questionamentos propostos pelas autoras no final do texto e pesquise outras leituras que discutam essas e outras questões relacionadas à articulação entre pesquisa e docência! 143 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .1 Produção das atividades das disciplinas PPP I. regência durante estágio) com fundamentos teóricos que os explicam e ampliam suas conceituações.1 Apêndices obrigatórios: 7.1 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio. 12 -13).2. convido você a estabelecer uma relação entre pesquisa e educação. V e VI. 5. 8.2.2 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado II. dois autores que serviram de referência para a compreensão do tema transversal de cada período. apresentamos um texto que faz parte de um artigo de Menga Lüdke e Giseli Barreto da Cruz. 7. 3.

como já mencionamos. Stenhouse (1975). Perrenoud. Pouco se sabe entre nós. antes.A PESQUISA E O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA A possível articulação entre ensino e pesquisa no trabalho do professor da educação básica é algo que há algum tempo tem merecido atenção de nossa parte e de outros colegas que se dedicam ao seu estudo. Como concebem eles o papel da pesquisa em suas escolas? Que formação receberam e de que condições dispõem para realizá-la? Que tipo de pesquisas de fato realizam? Onde as divulgam? É possível e viável ao professor investigar a sua própria prática? 144 PATRÍCIA MOTA SENA . bem como os de vários outros autores (Elliott. ao centrarem-se na valorização da reflexão na experiência. acabaram atraindo uma imensa atenção no meio docente e impulsionando uma gama variada de produções sobre a importância de o professor refletir sobre a sua prática. De acordo com o que propunha Stenhouse. Tal perspectiva. 1996). com a repercussão que teve entre nós o trabalho de D. encaminhando crítica e sistematicamente sua atividade para identificar os eixos estruturantes de cada situação de ensino. sobretudo. Para Stenhouse. 1997. sobre o que ocorre de fato a esse respeito entre os professores desse nível de ensino. O alcance desses pensamentos entre nós. com base em Polanyi. com base em Dewey. durante e depois dela. Zeichner. 1992. Desde a década de 90 o tema ‘professor pesquisador’ tem ganhado espaço no cenário de discussão acadêmica. a pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores. e mesmo pela legislação. tendo como foco central o currículo. As ideias de Schön. não abordaram diretamente o professor. como algo importante para o preparo e o trabalho do professor e por isso deve ser introduzida na formação inicial e continuada dos professores da educação básica. tem valorizado cada vez mais a perspectiva da pesquisa na formação e na atuação do professor. produção e criação a respeito da sua ação ao enfrentar situações desafiadoras. que fazem de suas salas de aula típicos laboratórios de ensino. mas. Contrapondo-se à racionalidade técnica. 1990. e do conhecimento tácito. as reformas precisariam incluir em seu interior o desenvolvimento profissional dos professores como pesquisadores de suas próprias práticas. 1989. Schön (1983) sobre o reflective practitioner. inicialmente. aliada àquela anteriormente proposta por L. em que o sujeito posiciona-se em uma atitude de análise. todavia. uma vez que é por seu intermédio que se transmite o conhecimento na escola. Schön defende um tipo de epistemologia da prática. tem impulsionado uma série de trabalhos voltados para a ideia de um professor mais autônomo. Contreras. baseada no princípio de que o professor precisa assumir-se como pesquisador da própria prática. Essa perspectiva é apontada por diversos autores. Giroux.

LÜDKE.scielo.br/scielo. Menga. Acesso em: 25 set. Giseli B. 145 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2009. CRUZ. Aproximando universidade e escola de educação básica pela pesquisa. Disponível em: http://www.php?pid=S0100-1574200 5000200006&script=sci_arttext&tlng=pt. da.

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MAPA CONCEITUAL

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ESTUDO DE CASO
Sabemos que a escola abriga sujeitos com experiências sociais, culturais, pessoais diversas. Considere que você está lecionando em uma instituição escolar em que há alunos de diferentes expressões de religiosidade. Em uma das turmas que você leciona, imagine que um (a) estudante precisa se ausentar por alguns dias e fornece uma justificativa vinculada ao exercício da sua religiosidade. Buscando ser compreensivo (a) diante dos motivos de ordem pessoal apresentados e ciente das atividades que devem ser realizadas por todos da turma no período em que a ausência foi solicitada pelo (a) estudante, como você solucionaria este problema, uma vez que a direção da escola concede permissões para ausência apenas para alunos que apresentam atestado médico? A questão do multiculturalismo e da diversidade na escola atualmente está sendo muito debatida nos meios educacionais. Sugerimos que, antes de você procurar soluções para o problema apresentado, realize uma pesquisa sobre o tema. A seguir, aponte soluções e escolha a mais adequada entre elas. Você também pode criar uma proposta de intervenção. Bom trabalho! ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
“Seja qual for o modelo de ciência que se trabalhe, a escolha do problema de pesquisa é um momento crucial da atividade científica. Essa escolha decide o que vai ser esclarecido e isso é fundamental. Alguém já observou que uma forma de ver é também uma forma de não ver. Isso porque a focalização no objeto "A" implica um descarte ou esquecimento com relação ao objeto "B". A escolha do problema de pesquisa guarda, pois, implicações sobre o que deve ser conhecido”

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responsável por definir e delimitar o objeto da investigação. Acesso em: 08 mai. originando o tema que se deseja conhecer. lugar. não é necessário saber seu peso exato. delimitação precisa do tempo em que ocorreram. José L. afinidade científica e dedicação.fea.. Disponível em: <http://www. Há problemas e situações cuja análise pode ser feita sem quantificação de certos detalhes. estão corretas. Associando o texto acima aos conhecimentos sobre a definição de um problema de pesquisa. QUESTÃO 02 “Em certa medida.pdf#search=%22pesquisa%20documental %22>.. causas. 2009. Ivan Sergio Freire de.] para não atravessar uma rua basta que vejamos se aproximar um caminhão. os métodos qualitativos se assemelham a procedimentos de interpretação dos fenômenos que empregamos no nosso dia a dia. A formulação do problema deve considerar também os aspectos pessoais do pesquisador. analise as proposições a seguir: I. usos e possibilidades.sede. o caminhão pode ser entendido como símbolo de velocidade e força. descartando aquelas que não tenham relação direta com o problema em questão. procedência dos agentes. O texto traz um alerta para o pesquisador: é preciso formular o problema de forma clara e objetiva. A escolha do problema é a primeira fase da pesquisa.br/ unidades/uc/sge/texto1. etc. e. Das proposições acima. para a finalidade de atravessar a rua. Nessa situação. d) I e II. c) I e IV.br/cad-pesq/arquivos/C03art06. [.. Acesso em: 11 mai. além da oportunidade científica do estudo. II. 149 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . etc. de onde vem. 2009). a velocidade a que corre.ead. IV. seriam de pouca utilidade” NEVES.. pois a atividade de pesquisa exige motivação. o que implica na análise de um objeto de maneira profunda e na seleção das informações. b) II e III.].usp. Pesquisa Qualitativa – características.pdf>. embora obteníveis. A Pesquisa e o Problema de Pesquisa: quem os determina? Disponível em: <http://www22.SOUSA.embrapa. sem descartar ou esquecer nenhum aspecto. tais detalhes. outras informações seriam prescindíveis. [. apenas: a) III e IV. O texto apresenta uma ideia equivocada: o objetivo do pesquisador ao delimitar o problema deve ser abarcar o fenômeno em sua totalidade. III.

analise as proposições a seguir: I. O texto valoriza a interpretação na construção de uma pesquisa qualitativa. Acesso em: 29 out. Das proposições acima. apenas: a) II e IV. c) I e IV. 2008).. III. Daí se tornar fundamental a modalidade de trabalho didático-pedagógico representado pela prática efetiva da Iniciação Científica. QUESTÃO 03 Para Severino. é impossível compreender um objeto na sua totalidade.unicaieiras. estão corretas. A leitura do texto permite inferir que a utilização de métodos quantitativos ou qualitativos depende do objetivo do pesquisador. já que ocorre mediante o processo de construção do conhecimento”. II.Correlacionando o trecho acima com a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. sem a utilização de métodos qualitativos e quantitativos. Disponível em: <http://www. SEVERINO. processo de iniciação à pesquisa. b) II e III. As proposições a seguir tratam do papel da pesquisa no ensino superior. Antônio J. Os métodos quantitativos e qualitativos se excluem mutuamente.com. Leia-as atentamente: 150 PATRÍCIA MOTA SENA . na qual os dados quantitativos podem ser dispensados para a atribuição do significado das relações contextuais em que se insere o objeto. como mencionado no texto. d) I e III. no contexto da formação graduada. IV. A prática da metodologia científica no ensino superior e a relevância da pesquisa na aprendizagem universitária. pois os objetos submetidos à análise quantitativa diferem daqueles que utilizam a abordagem qualitativa. A metáfora entre objeto de pesquisa qualitativa e o ato de atravessar a rua evidencia que.] ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa.htm>. quais as questões que deseja investigar a partir dos dados necessários para compreender seu problema científico.. Trata-se de procedimento o mais adequado possível para se instaurar o ensino e a aprendizagem de forma efetivamente significativa. [.br/revista1/artigos Severino/ ArtigoSeverino. forma privilegiada de aprendizagem.

cuja função primordial é a publicação de trabalhos para garantir o reconhecimento dos autores.] é se há um domínio consistente de métodos e técnicas de investigação. A respeito de como se realiza a escolha da metodologia adotada pelos pesquisadores.] Aqui se enquadra a questão das opções pelo uso de modelos quantitativos de coleta e análise de dados ou pelos chamados modelos qualitativos. 151 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . A.. 65-81. aliando teoria e prática no exercício de trabalhos acadêmicos e na participação em eventos científicos.. 2001). II. qualquer que seja a abordagem em que o pesquisador se situa (GATTI. A prática da iniciação científica mencionada no texto corresponde à pesquisa formal. praticada sob a orientação de um professor que supervisiona rigorosamente os procedimentos aplicados. A atividade de pesquisa contribui para a integração do estudante a uma área específica do conhecimento. p. n. [. ou seja. visto que os fenômenos humanos e sociais só podem ser estudados qualitativamente e os demais a partir de métodos quantitativos. aquelas metodologias que não se apoiam em medidas operacionais cuja intensidade é traduzida em números.. a escolha dos métodos e abordagens da pesquisa torna-se trivial.] A pergunta que nos colocamos ao examinarmos atentamente as vertentes de pesquisa [. [.I.. Cadernos de Pesquisa. B. assinale a alternativa correta: a) Ao considerarmos o objeto da pesquisa. 113. Implicações e perspectivas da pesquisa educacional no Brasil contemporâneo. Das proposições acima. A pesquisa na graduação é uma forma privilegiada de aprendizagem porque posiciona o estudante como sujeito do conhecimento. está(ão) correta(s) a) apenas I b) apenas II c) apenas II e III d ) apenas I e III QUESTÃO 04 Analise o texto a seguir: Questão que não se acha suficientemente discutida e trabalhada pelos pesquisadores é a tendência a não se aprofundar nas implicações do uso de certas técnicas. e mesmo da propriedade e adequação desse uso e de sua apropriação de forma consistente. tornando-o capaz de dialogar com outros sujeitos acerca do tema pesquisado e proceder de maneira sistemática e crítica na busca da elucidação das questões propostas. III...

é correto afirmar que Manolito realizará uma pesquisa a) experimental. d) documental. por ser aquela que é decorrente de outras pesquisas anteriores publicadas em documentos científicos impressos e.b) A consistência discutida no texto se refere à compreensão dos fundamentos teóricometodológicos adotados e de suas implicações. c) A autora explicita a incompatibilidade de serem utilizados. que representam a formalização do planejamento dos procedimentos a serem adotados. QUESTÃO 05 De acordo com o texto a seguir. sendo observados sem manuseio e/ou interferência no ambiente em que esse fenômeno se encontra. na mesma pesquisa. sendo criadas condições adequadas para o seu manuseio e tratamento. que servem como matéria-prima para que o pesquisador possa fazer sua análise. por isso mesmo. c) de campo. 152 PATRÍCIA MOTA SENA . que devem se coadunar aos métodos escolhidos e orientar todas as etapas da pesquisa. sem status de ciência por carecer de originalidade. d) As questões discutidas pela autora referem-se à necessidade de elaboração dos projetos de pesquisa. por valer-se da utilização de documentos não só impressos. métodos quantitativos e qualitativos: os pesquisadores devem optar por um deles e se manterem fiéis para evitar contradições. colocando-o em condições técnicas de observação e manipulação. mas de naturezas diversas. b) bibliográfica. como registros das entrevistas. em que o pesquisador coleta os dados nas condições naturais de ocorrência dos fenômenos. pois se utiliza de um objeto como fonte.

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GABARITO DAS QUESTÕES 154 PATRÍCIA MOTA SENA .

43). p. produtores. um fenômeno. porém completos. DIALÉTICA: concepção na qual a “ciência é definida como sendo o ato de se conhecer a análise do processo do fenômeno como uma parte do processo do conhecimento. um acontecimento obtidas por meio de processos investigativos. p. p. favorecendo a autonomia e o senso crítico. DECODIFICAÇÃO: é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. sobrepondo a ciência às demais formas de conhecimento. 307). uma vez que pode se transformar em consciência social. 155 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . que é a conclusão. pesquisadores. dentre outros. valorizando a racionalidade científica como única resposta correta para os problemas humanos. As normas brasileiras são construídas por comissões cujos membros representam vários setores. reveladas. 80). ARTIGO CIENTÍFICO: segundo Marconi e Lakatos (2009. Suas verdades são infalíveis e indiscutíveis. CONHECIMENTO RELIGIOSO: apóia-se em doutrinas sagradas. CONHECIMENTO: processo de elucidação da realidade. COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: significa "comunicação de informação científica e tecnológica. CIENTIFICISMO: é a confiança total na ciência. 2006. Fornece um conhecimento sistemático e objetivo acerca da realidade. 261) “os artigos científicos são pequenos estudos. 2006. DADOS: são esclarecimentos e/ou informações sobre uma situação. DEDUÇÃO: “Operação lógica na qual se passa de uma ou mais proposições a uma outra. p. mas que não se constituem em matéria de um livro”. para um público seleto formado de especialistas" (BUENO. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. transcrita em códigos especializados. possuindo um caráter inspiracional. tais como consumidores. CIÊNCIA: “sistematização de conhecimentos.GLOSSÁRIO ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: É uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1940 com o objetivo de proceder a normatização técnica para regulamentar as descobertas científicas e tecnológicas do país. 1994 apud ALBAGLI. LEHFELD. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. 397). um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar” (MARCONI e LAKATOS 2009. p. Constitui um instrumento de mudança. (ARANHA. realizada a partir de uma consciência crítica” (BARROS. inferida necessariamente das premissas”.

1994 apud ALBAGLI. analisando-o a partir de um contexto no qual se devem considerar aspectos econômicos. politicos. política ou econômica. considerando um contexto de relações e outras informações já existentes no repertório do sujeito. análise crítica. independentemente de haver ou não quem os conheça. Constitui um exercício de reflexão e análise da ciência sobre si mesma. FILOSOFIA – Etimologicamente. ESQUEMAS – É uma técnica de sistematização que constitui formas de representação e registro de conteúdos de leituras que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. que já nascem com o indivíduo. HERMENÊUTICA – Área da Filosofia que se debruça sobre a interpretação e a compreensão a partir da linguagem. DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA – "O uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral" (BUENO. NEUTRALIDADE CIENTÍFICA – É um mito da ciência moderna que defendia ser a ciência um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. 156 PATRÍCIA MOTA SENA . 397). EPISTEMOLOGIA – Adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. 397). INATISMO – Teoria que defende a existência de ideias inatas. 1994 apud ALBAGLI. que significam: filo – amigo + sofia – sabedoria. sociais e culturais que o constituem. p. METODOLOGIA – Corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção de conhecimento. FENÔMENO – é a percepção que o observador tem do fato. a palavra é composta por dois radicais gregos. INTERPRETAÇÃO – Apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto. EMPIRISMO – Teoria que defende a construção de conhecimento e a formação de ideias por meio da experiência. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO – Disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação.DIFUSÃO CIENTÍFICA – Refere-se a "todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica" (BUENO. sistematização e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. LINGUAGEM CIENTÍFICA – Critérios específicos para o registro de processos científicos. MÉTODO: Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. p. INFORMAÇÃO – Conjunto de dados que assume um significado para quem a obtém. FATOS – Acontecem na realidade. influenciam ou definem. contribuindo para a comunicação do conhecimento.

módulo. 2000. devendo expressar conhecimento sobre o assunto escolhido. valorizando a observação. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto. TEORIA DO CONHECIMENTO – Área da Filosofia que estuda as condições de construção do conhecimento humano a respeito da realidade. considerando a interpretação do resumista. TRABALHOS CIENTÍFICOS – Documento que representa o resultado de um estudo. RESENHA – Trabalho acadêmico que consiste na apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação.OBJETO – É o mundo exterior ao sujeito. p. 2006. 314). de explicar o mundo exterior. RESUMO – É uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. SENSO COMUM – Modo espontâneo de conhecer e que se obtém no cotidiano. ressaltando a progressão e a articulação entre elas. POSITIVISMO – Teoria iniciada por Auguste Comte no século XIX que defende a compreensão da realidade por meio da aplicação de métodos cientificamente validados. uma concepção metódica e sistematicamente organizada sobre determinado assunto” (ARANHA. TÉCNICA – Operacionaliza o método. [. indagação e aprofundamento” (BARROS. 67). SUJEITO – É o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. LEHFELD. PESQUISA – “Ato dinâmico de questionamento. É construído a partir das experiências.. O sujeito é capaz de se apropriar. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. a teoria é uma etapa do método científico. p. estudo independente. curso. programa e outros ministrados (ABNT). 157 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . TEORIA – “Construção intelectual para justificar ou explicar alguma coisa..] Em oposição ao senso comum.

158 PATRÍCIA MOTA SENA .

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