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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO – APOSTILA DE LÍNGUA PORTUGUESA –

PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

LÍNGUA PORTUGUESA

CAPÍTULO 1
FONOLOGIA

1. Fonologia

Fonética é a parte da gramática que estuda os sons da fala. Fonema é a menor unidade
sonora distintiva da fala. Exemplos: tia – dia; mato – pato.
É importante ressaltar que fonema é o som, e letra é o sinal gráfico que representa o
som. A palavra “táxi” apresenta quatro letras e cinco fonemas. As letras são t-á-x-i (quatro) e
os fonemas são /t//a//k//s//i/ (cinco).

2. Classificação dos fonemas

Os fonemas classificam-se em vogais, semivogais e consoantes.

2.1. Vogais

As vogais são fonemas produzidos pela corrente de ar que se origina nos pulmões e
passa livremente pela boca. Classificam-se da seguinte forma:
a) quando o véu palatino modifica o seu posicionamento:
a.1. vogais orais: a corrente de ar passa pela cavidade bucal. Os fonemas vocálicos
são sete: /a/, /é/, /ê/, /i/, /ó/, /ô/, /u/;
a.2. vogais nasais: a corrente de ar passa simultaneamente pelas cavidades bucal e
nasal. As vogais nasais são cinco: /ã/, /ẽ/, /ĩ/, /õ/, /ũ/;
b) quando a língua se eleva ao céu da boca, tem-se a seguinte classificação:
b.1. vogais anteriores: /ĩ/, /i/, /ẽ/, /e/ (os lábios fecham, quando são pronunciadas);
b.2. vogais centrais: /ã/, /a/ (os lábios permanecem abertos, quando são
pronunciadas);

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b.3. vogais posteriores: /ũ/, /u/, /õ/, /o/ (os lábios permanecem arredondados, quando
são pronunciadas);
c) Quando a língua se eleva de forma mais alta, as vogais se classificam em:
c.1. vogais altas: /i/, /ĩ/, /u/, /ũ/ (eleva-se a língua ao máximo em direção ao céu da
boca);
c.2. vogais médias: /e/, /ẽ/, /o/, /õ/ (eleva-se a língua de forma média em direção ao
céu da boca);
c.3. vogais baixas: /a/, /ã/ (eleva-se a língua no mínimo em direção ao céu da boca);
d) Quanto ao timbre:
d.1. abertas: a pronúncia das vogais apresenta a cavidade bucal mais aberta. São elas:
/é/, /a/, /ó/;
d.2. fechadas: a pronúncia das vogais apresenta a cavidade bucal mais fechada. São as
seguintes vogais: /i/, /ê/, /u/, /ô/;
d.3. reduzidas: são as vogais pronunciadas com pouca sonoridade, ou seja, são
aquelas intermediárias entre as vogais abertas e as fechadas. São elas /a/, /e/ /o/.
e) Quanto à intensidade, as vogais classificam-se em:
e.1. tônicas: são as vogais pronunciadas com maior intensidade. Exemplos: casa,
bolo;
e.2. átonas: vogais pronunciadas com menor intensidade. Exemplos: casa, bolo.

2.2. Semivogais

As semivogais são os fonemas /i/ e /u/ quando, ligadas a uma vogal, formam com ela
uma mesma sílaba. Exemplos: coisa, outro, caixa, muito etc.

2.3. Consoantes

As consoantes são os fonemas que, ao serem pronunciados, enfrentam obstáculo no


que diz respeito à corrente de ar, quando passam pela cavidade bucal. Esses obstáculos que
aparecem na corrente de ar podem ser totais ou parciais, de acordo com a posição da língua e
dos lábios. A seguir, dá-se a classificação das consoantes.

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a) Modo de articulação: analisa-se o tipo de obstáculo na corrente de ar, quando se
pronuncia consoante, ou seja, se o obstáculo encontrado pela corrente de ar é total ou parcial
ao passar pela boca. Se o obstáculo for total, a consoante recebe o nome de oclusiva
(“fechamento”). As consoantes oclusivas são: /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/. Se a barreira for parcial,
a consoante será chamada de constritiva (“aperto”). As consoantes constritivas podem ser
fricativas, laterais e vibrantes. A consoante fricativa encontra compressão do ar provocada
por uma fenda no meio da via bucal. São elas: /f/, /v/, /s/, /z/. A lateral ocorre no instante em
que o ar passa pelos lados da cavidade bucal. Dá-se com a consoante /l/ e com a consoante
/lh/. A vibrante provoca vibração da língua ou do véu palatino, quando é pronunciada. São as
consoantes /r/ e /rr/.
b) Zona de articulação: trata-se do ponto da cavidade bucal em que se encontra o
obstáculo à corrente do ar. As consoantes classificam-se, portanto, em:
b.1. bilabiais: os lábios superior e inferior entram em contato quando a consoante é
pronunciada. São consoantes bilabiais: /p/, /b/, /m/;
b.2. labiodentais: o lábio inferior toca os dentes incisivos superiores. As seguintes
consoantes chamadas de labiodentais são: /f/, /v/;
b.3. linguodentais: a língua alcança a parte interna dos dentes incisivos superiores.
São elas: /d/, /t/, /n/;
b.4. alveolares: a língua alcança os alvéolos dos dentes incisivos superiores. São as
seguintes consoantes: /s/, /z/, /l/, /r/, /rr/;
b.5. palatais: o dorso da língua alcança o céu da boca. São as seguintes consoantes:
/x/, /j/, /lh/, /nh/;
b.6. velares: a parte posterior da língua alcança o véu palatino. As consoantes velares
são: /k/, /g/, /rr/.
c) Quanto à função das cordas vocais: verifica-se a ocorrência ou não de vibrações
das cordas vocais quando as consoantes são pronunciadas. Assim, elas são classificadas em:
c.1. surdas: não há vibração nas cordas vocais: /p/, /t/, /k/, /f/, /s/;
c.2. sonoras: há vibração nas cordas vocais: /b/, /d/, /g/, /v/, /z/, /j/, /l/, /lh/, /r/, /rr/, /m/,
/n/, /nh/.
d) Quanto à função das cavidades bucal e nasal: quando a consoante é pronunciada,
verifica-se se a corrente de ar passa unicamente pela cavidade bucal ou também pela
cavidade nasal. Assim, tem-se:

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d.1. nasal: quando a corrente de ar passa pelas cavidades bucal e nasal. São elas: /m/,
/n/, /nh/;
d.2. oral: a corrente de ar passa somente pela cavidade bucal e não ressoa na cavidade
nasal. Todas as demais, exceto /m/, /n/ e /nh/.

3. Sílaba

A sílaba é um conjunto de fonemas (sons) de uma palavra pronunciada numa só


emissão de voz. Tem como base uma vogal. Assim, para determinar as sílabas de uma
palavra, basta verificar a quantidade de emissões de voz necessárias para pronunciar a
palavra. Exemplos: li-de, jul-ga-men-to, có-di-go, tri-bu-nal etc.

Observação: a sílaba tônica é aquela pronunciada com mais intensidade do que as outras.
Exemplos: vi-tó-ria, li-de, tri-bu-nal, de-nún-cia etc. A sílaba átona é aquela ronunciada com
menos intensidade do que as outras. Exemplos: li-de, ca-sa etc.
É importante salientar que em uma palavra existe apenas uma sílaba tônica. As demais
são átonas.

4. Classificação das palavras

De acordo com o número de sílabas, as palavras são classificadas da seguinte forma:

a) monossílabas: são as palavras que apresentam uma única sílaba: dor, réu, sol etc;
b) dissílabas: são as palavras que têm duas sílabas: chave, blusa, novo, perdas, danos
etc;

c) trissílabas: são aquelas que apresentam três sílabas: código, câmara, instância,
prestação, executar etc;
d) polissílabas: são aquelas que apresentam mais de três sílabas: percebidos,
quantidade, indenização etc.

5. Encontros vocálicos

Na Língua Portuguesa, há três tipos de encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato.

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5.1. Ditongo

Ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal numa mesma sílaba, ou vice-
versa. Exemplos: couro (vogal o + semivogal u) – mistério (semivogal i + vogal o).

Os ditongos são classificados em:

a) crescentes: formam-se por uma semivogal e uma vogal: régua, infância etc;
b) decrescentes: formam-se por uma vogal e uma semivogal: leite (vogal e +
semivogal i);
c) abertos: pronunciados com maior abertura da cavidade bucal: heroico, réu etc.;
d) fechados: pronunciados com menor abertura da cavidade bucal: aldeia, biscoito etc.;
e) orais: quando o ar emitido passa pela cavidade bucal: mosaico, foice etc.;
f) nasais: quando o ar emitido passa, ao mesmo tempo, pela cavidade bucal e pela
nasal: sermões, bênção etc.

5.2. Tritongo

Tritongo é o encontro de uma semivogal com uma vogal e uma semivogal numa
mesma sílaba. Exemplo: Paraguai (semivogal + vogal + semivogal).
Os tritongos podem ser classificados em:
a) orais: formados por vogal oral: Uruguai (a letra a é uma vogal oral);
b) nasais: formados por vogal nasal: saguão (ã é uma vogal nasal).

6. Hiato

O hiato é o encontro de dois sons vocálicos (vogal e vogal), pronunciadas em sílabas


diferentes, formando, portanto, duas sílabas. Exemplos: saúde, saída etc.

7. Encontro consonantal

O encontro consonantal é a união de duas ou mais consoantes numa mesma sílaba.


Exemplos: crédito, grama, cobra etc.

8. Dígrafo

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Dígrafo é o conjunto de duas letras que representam apenas um fonema. Exemplos:
chave, passo etc.

Os dígrafos são classificados em:

a) consonantais: o conjunto de letras representa um fonema consonantal: excelente,


guerra etc.;

b) vocálicos: o conjunto de letras representa um fonema vocálico: tampa, lindo etc.

9. Alfabeto

O alfabeto da Língua Portuguesa é formado por vinte e seis letras maiúsculas e


minúsculas. As maiúsculas são: A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U,
V, W, X, Y, Z. As minúsculas são: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x,
y, z.

10. Acentuação gráfica dos vocábulos oxítonos

Precisam ser acentuadas com acento agudo ou circunflexo as palavras oxítonas tônicas
terminadas em -a, -e ou -o, seguidas ou não de –s:

-a(s): cá, lá, pá, pás, está, atrás, já, olá, vatapá, recorrerá etc.;
-e(s): até, é, és, olé, através, pontapés, cortês, lê, nenê, vocês etc.;
-o(s): avó, avós, dominó, dominós, paletó, só, sós, capô etc.

Observação: Não devem ser acentuadas as palavras oxítonas tônicas terminadas em –i e –u,
seguidas ou não de –s. Exemplos:

-i(s): ali, caqui, gibi, guarani, vis, xis etc.;


-u(s): bambu, chuchu, indu, Itu, jus, pus etc.

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Precisam ser acentuadas as formas verbais terminadas em –a, -e, -o, tônicas, seguidas
de pronomes complementos -lo, -la, -los, -las. Exemplos: amá-lo, conhecê-la, compô-los,
dispô-las etc.

Os vocábulos oxítonos terminados por –em ou –ens devem ser acentuados, colocando-
se sobre o -e- acento agudo. Exemplos: além, alguém, ninguém, também, parabéns, armazéns,
conténs etc.

Observação: As palavras oxítonas e as proparoxítonas terminadas por –em ou –ens não


podem ser acentuadas. Exemplos: bem, cem, vem, jovem, item, jovens, nuvens etc.

Devemos colocar acento circunflexo na letra -e- das formas verbais de terceira pessoa
do plural do presente do indicativo dos verbos “ter” e “vir”, e de seus derivados. Exemplos:
ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele contém, eles contêm; ele sobrevém, eles sobrevêm.

Observação: Notemos que não se deve colocar o acento circunflexo sobre o primeiro -e- da
terminação –eem (terceira pessoa do plural) dos verbos “crer”, “dar”, “ler” e “ver”, e seus
derivados. Exemplos: creem, deem, leem, veem, descreem, desdeem, releem reveem.

11. Acentuação gráfica dos vocábulos paroxítonos

Precisam ser acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em:

-r: caráter, ímpar;


-x: tórax, ônix;
-n: pólen, hífen;
-l: fácil, lamentável;
-ps: bíceps, fórceps;
-ã(s): órfã, ímãs;
-ão(s): acórdão, sótãos;
-ei(s): jóquei, pôneis;
-i(s): táxi, júris;
-um; -uns: álbum, fóruns;
-us: bônus, vírus.

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Devem ser acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em encontros vocálicos
átonos seguidos ou não de –s. Estes encontros vocálicos átonos são ditongos crescentes:

-ea(s): álea, azáleas, côdeas etc.;


-eo(s): errôneo, terráqueos etc.;
-ia(s): ânsia, ciência, vitórias etc.;
-ie(s): calvície, imundície, espécies etc.;
-io(s): colégio, estágio, pátios etc.;
-oa(s): amêndoa, páscoa, mágoas etc.;
-ua(s): água, régua, espáduas etc.;
-ue(s): tênue, bilíngues etc.;
-uo(s): árduo, ingênuos, ambíguos etc.

12. Acentuação gráfica dos ditongos abertos éu, éi, ói

As palavras que possuem ditongos abertos -éu, -éi e -ói, quando palavras oxítonas,
recebem acento agudo. Exemplos: céu, réus, chapéu, pastéis, herói etc.

Observação: Os ditongos abertos -éu, -éi e –ói, quando formarem palavras paroxítonas, não
devem ser acentuados. Exemplos: assembleia, estreia, boleia, ideia, jiboia etc.

13. Acentuação dos hiatos

–oo(s)

O hiato –oo(s) das palavras paroxítonas não deve ser acentuado. Exemplos: voo,
enjoo, abençoo, magoo etc.

–eem

Os hiatos –eem das formas verbais dos verbos crer, dar, ler, ver e seus derivados,
como se indicou anteriormente não devem ser acentuados. Exemplos: creem, descreem, leem,
releem, veem, preveem, deem etc.

–i e –u

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Coloca-se acento nas letras –i e –u tônicas, quando formam hiato com a vogal anterior.
Exemplos: baú, Luís, atraí, país, balaústre, cafeína, ciúme, paraíso etc.

Observações:

a) Não se deve colocar acento no –i e no –u, quando são precedidos de vogal com as
quais não formam ditongo e seguidos de -l, -m, -n, -r, -z que não iniciam sílaba, e ainda
quando são seguidos de –nh. Exemplos: Raul, ruim, constituinte, raiz, juiz, rainha, tainha etc.

b) Não se deve acentuar a base dos ditongos –iu e –ui, quando precedidos de vogal.
Exemplos: atraiu, contribuiu, distraiu etc.

c) As letras –i e –u tônicas não devem ser acentuadas se estiverem precedidas de


ditongo, a não ser que estejam em posição final ou seguida de –s. Exemplo: baiuca, feiura,
boiuno etc.

Entretanto, são acentuadas as palavras Piauí, tuiuiú etc., porque as letras –i e –u


encontram-se no final da sílaba.

14. Acentuação do -u tônico dos encontros -gue, -gui, -que, -qui

Não se usa o trema na letra –u tônica dos encontros -gue, -gui, -que, -qui. Exemplos:
bilíngue, linguiça, frequência, tranquilo etc.

O trema permanece apenas em nomes próprios. Exemplos: Büller, Müller etc.

15. Acento diferencial

Não se utiliza o acento diferencial nas palavras homógrafas heterofônicas: acordo


(substantivo), acordo (verbo), almoço (substantivo), almoço (verbo), jogo (substantivo), jogo
(verbo) etc.

Exceções: pôde (pretérito perfeito) para distinguir de pode (presente do indicativo);


pôr (verbo) para distinguir de por (preposição).

Observação: É facultativo o acento diferencial nos seguintes casos: dêmos (primeira pessoa
do plural do presente do subjuntivo) para distinguir de demos (primeira pessoa do plural do
pretérito perfeito); fôrma (substantivo) para distinguir de forma (substantivo e verbo).

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16. Trema

Não se emprega o trema na Língua Portuguesa. Exemplos:

aguentar, arguir, bilíngue, sequestro, tranquilo, consequência etc.


Observação: Emprega-se o trema em palavras estrangeiras e suas derivadas: Müller,
mülleriano etc.

17. Outras regras importantes de acentuação

As palavras terminadas em oia, oias, oio, eia, eias, eio não são acentuadas. Exemplos:
joia, joias, ideia, ideias, apoia, apoio, estréio, jiboia etc.
Palavras que têm o grupo ei ou oi no meio não são acentuadas. Exemplos: heroico,
paranoico, debiloide, asteroide, proteico.
Observação: as palavras terminadas em -éis ou -ói(s) são acentuadas: papéis, herói etc.
É bom salientar que caiu o acento das paroxítonas na quais a base da sílaba tônica são
os ditongos abertos oi e ei. Entretanto, o acento continua quando se trata de palavras oxítonas:
herói, dói, sóis etc.
Os vocábulos feiura, baiuca, bocaiuva, cauila (avarento) não são mais acentuados.
Caiu o acento das vogais tônicas i e u, em palavras paroxítonas, somente quando elas são
precedidas de ditongos decrescentes. Observe:

fei - u - ra / bai - u - ca / cau - i - la

Se essas vogais tônicas forem precedidas de ditongo crescente, o acento permanece.


Exemplos: Guaíba, guaíra.
Se essas vogais tônicas não forem precedidas de ditongo, continuam com acento.
Exemplos: saúde (sa-ú-de), saída (sa-í-da). Nesses casos, são consideradas hiatos.

18. Palavras terminadas em -eem ou -oo

As palavras terminadas em -eem ou oo(s) não são acentuadas. Exemplos: abençoo,


deem, creem, leem, veem, voo, voos, zoo.

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19. Acento diferencial

As seguintes palavras não são acentuadas: pelo, pelos, polo, polos, pera, para.
O acento circunflexo na palavra fôrma é opcional, isto é, pode ou não ser usado. Às
vezes, é bom usar para evitar confusão. Veja como ele é útil nesta frase: O cozinheiro não
sabe qual é a forma da fôrma do bolo. .

20. Formas verbais arguir e redarguir

As formas verbais dos verbos arguir e redarguir não são acentuadas. Não se emprega
o acento agudo (´) no u de três formas dos verbos arguir e redarguir. Exemplos: (tu) arguis,
(ele) argui, (eles) arguem, (tu) redarguis, (ele) redargui, (eles) redarguem.

21. Uso do hífen com palavras compostas

Emprega-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação.
Exemplo: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-lume, joão-
ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.
Exceções: Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição,
como, por exemplo, girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista,
paraquedismo.
Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou semelhantes, sem elementos
de ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu,
rom-rom, pingue-pongue, bi-bi, fom-fom, zigue-zague, esconde-esconde, pega-pega, corre-
corre.
Não se emprega o hífen em palavras compostas que apresentam elementos de ligação.
Exemplos: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim de semana, cor de vinho,
ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.
Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional: maria vai com as outras, leva e
traz, diz que diz que, deus me livre, deus nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete
cabeças, faz de conta.

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Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao
deus-dará, à queima-roupa.
Emprega-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios
de lugares) que apresentam ou não elementos de ligação. Exemplos:

Belo Horizonte — belo-horizontino


Porto Alegre — porto-alegrense
Mato Grosso do Sul — mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte — rio-grandense-do-norte
África do Sul — sul-africano

Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de
plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação. Exemplos:
bem-te-vi, peixe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, andorinha-da-serra, lebre-da-
patagônia, erva-doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-do-campo, cravo-da-índia.
Observação: Não se emprega o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas
e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Observe a diferença de sentido
entre os pares: arroz-do-campo (certo tipo de erva) - arroz de festa (alguém que está sempre
presente em festas); bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) - bico de papagaio
(deformação nas vértebras); olho-de-boi (espécie de peixe) - olho de boi (espécie de selo
postal).

22. Uso do hífen com prefixos

Emprego do hífen na formação de palavras com prefixos (anti, super, inter, semi, sub,
ultra etc.) e elementos terminados por vogal, como aero, auto, bio, macro, micro, mini etc.,
também denominados de falsos prefixos ou pseudoprefixos.
a) Usa-se o hífen diante de palavra começada por h. Exemplos: anti-higiênico, super-
homem, sobre-humano.
b) Emprega-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a
outra palavra. Exemplo: micro-ondas, anti-inflacionário, sub-bibliotecário, inter-regional.

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c) Não se emprega o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que
se inicia a outra palavra. Exemplo: autoescola, antiaéreo, intermunicipal, supersônico,
superinteressante, agroindustrial, aeroespacial, semicírculo.
Se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por R ou S, dobram-se essas
letras. Ex.: minissaia, antirracismo, ultrassom, semirreta.
Com o prefixo sub e sob, usa-se o hífen também diante de palavra começada por R.
Exemplo: sub-região, sub-reitor, sub-regional, sob-roda.
O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o ou
h. Neste último caso, elimina-se o h. Exemplo: coobrigação, coedição, coeducar, cofundador,
coabitação, coerdeiro. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras.
Ex.: corréu, corresponsável, cosseno.
Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice.
Exemplo: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-
vestibular, pró-europeu, vice-rei.
Com os prefixos pre e re, não se usa o hífen, mesmo diante de palavras começadas
por “e”. Exemplos: preexistente, preelaborar, reescrever, reedição.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra começada por m, n e
vogal. Exemplos: circum-murado, circum-navegação, pan-americano.

23. Outros casos do uso do hífen

Não se usa o hífen na formação de palavras com não. Exemplos: (acordo de) não
agressão / não fumantes.
Com mal, usa-se hífen quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l.
Exemplos: mal-assombrado, mal-entendido, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo.
Nos outros casos, escreve-se sem hífen: malcriado, malcomportado, malcheiroso,
malfeito, malsucedido, malvisto.
Quando mal significa doença, usa-se o hífen se a palavra não tiver elemento de
ligação. Exemplo: mal-francês. Se houver elemento de ligação, escreve-se sem hífen.
Exemplos: mal de lázaro, mal de sete dias.

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Com bem, de modo geral, usa-se o hífen nos compostos. Exemplos: bem-aventurado,
bem-intencionado, bem-humorado, bem-merecido, bem-nascido, bem-falante, bem-vindo,
bem-visto, bem-disposto.
Observação: há vários casos em que bem se liga sem hífen à palavra seguinte. Exemplos:
benfazejo, benfeito, benfeitor, benquisto.
Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de
palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:

Na cidade, disseram- O diretor foi receber o vice-


-me que ele foi viajar. -prefeito.

24. Pontuação

VÍRGULA indica pausa de curta duração, sem marcar o término da oração. Emprega-
se a vírgula nos seguintes casos:
a) Para separar termos que possuem a mesma função sintática: Meu pai, minha mãe,
minha irmã e meu irmão viajaram ontem à noite.
b) Para separar o vocativo: “Meus amigos, a ordem é a base do governo.” (Machado
de Assis).
c) Para separar aposto, expressões explicativas ou corretivas: Antônio Carlos, o
enfermeiro responsável por este setor, não virá hoje. A sua atitude, isto é, o seu
comportamento na festa merece elogios. Não haverá cirurgia amanhã, ou melhor, depois de
amanhã.
d) Para separar os lugares nas datas: São Paulo, 21 de abril de 1920.
e) Para separar expressões ou palavras pleonásticas: Este livro, já o li a semana
passada.
Nas orações, emprega-se a vírgula:
a) Para separar os adjuntos adverbiais que estejam no início ou no meio das orações:
Naquele dia, os estudantes realizaram o concurso. Os estudantes realizaram, naquele dia, o
concurso.
b) Para separar as orações coordenadas assindéticas: Levantei pela manhã, tomei café
e saí.

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c) Para separar orações coordenadas sindéticas (menos as iniciadas pelas conjunções e
ou nem): “Serve aos opulentos com altivez, mas aos indigentes com carinho.” (Rui Barbosa)
O rapaz não veio nem telefonou.
d) Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas: O enfermeiro, que é
chefe da repartição, chegou cedo.
e) Para separar as orações subordinadas adverbiais: Quando o médico chegou, o
paciente já havia sido internado.
Observação: Há vírgula antes da conjunção e quando os sujeitos das orações
coordenadas forem diferentes: O médico chegou, e a enfermeira saiu.
Observação: Não se emprega a vírgula entre o sujeito e o predicado, entre o verbo e seus
complementos.
O PONTO E VÍRGULA indica, na oração, uma pausa mais longa que a vírgula,
contudo, menor que a do ponto.
Emprega-se ponto-e-vírgula:
a) Para separar orações que se encontram intercaladas por vírgulas: Ele não disse nada,
apenas fitou o horizonte, sentado sobre uma pedra; desejava ficar sozinho.
b) Para separar itens ou “considerando” de decretos, sentenças, editais etc.:
“Considerando que o recorrente usou o direito de defesa que lhe confere a lei; Considerando
que o fez dentro do prazo previsto...”.
O PONTO é empregado no final do período, indicando que o sentido está completo.
Exemplo: O paciente foi internado no hospital.
É empregado também nas abreviaturas: Sr., Dra., Dr. etc.
Os DOIS PONTOS marcam uma pausa para indicar uma citação, uma fala, uma
enumeração, um esclarecimento etc. Exemplo: Pânico no Rio de Janeiro: chuvas provocam
inundações em muitos bairros.
As RETICÊNCIAIS indicam suspensão da frase e são empregadas para expressar
surpresa: Eu não disse que isso poderia acontecer...
As ASPAS indicam citações. Usam-se também as aspas para indicar títulos de obras,
para realçar uma palavra ou uma ideia ou para citar a fala de outra pessoa. Exemplo: O chefe
da Anistia Internacional, Salil Chetty, disse que a decisão de Mubarak de dissolver o gabinete
não deve amenizar os protestos e classificou a medida como "uma piada". "As pessoas estão

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dizendo com muita clareza que querem uma mudança fundamental, uma mudança
constitucional", disse.
O PONTO DE INTERROGAÇÃO é usado em uma palavra ou frase, indicando uma
pergunta direta. Exemplo: Sair? Nessa tempestade? Nem pense nisso.
O PONTO DE EXCLAMAÇÃO é colocado após uma palavra ou frase, indicando
surpresa, espanto ou alegria. Exemplos: Como não podes dar-me o que é meu!
O TRAVESSÃO é empregado para marcar o início e o fim das falas, nos diálogos,
para distinguir cada um dos interlocutores:
“- Agora, o pior - falou Juventino, levantando-se - é isso que está aí
- O quê?
- Raimundo traindo a gente ...” (N. Fontes)
Os PARÊNTESES marcam uma observação ou informação acessória intercalada no
texto: “Finjamos pois (o que até fingindo e imaginado faz horror), finjamos que vem a Bahia
e o resto do Brasil a mãos dos holandeses...” (Vieira)

25. Ortografia

A palavra ortografia significa escrever corretamente. Algumas regras são dadas abaixo
para auxiliar a escrita correta.

25.1. Emprego da letra “h”

O emprego do “h” baseia-se na etimologia (origem) das palavras. Exemplos: hábil,


habitar, hálito, hélice, hoje, hóspede, humildade etc.
Elimina-se o “h” do interior de algumas palavras, no entanto, o “h” permanece quando
a palavra for composta, tendo o segundo elemento “h” inicial, unindo-se ao primeiro por
hífen. Exemplos: deserdar, desidratar, desonesto, anti-histórico, super-humano, super-homem,
pré-histórico etc.

25.2. Emprego do “e” ou do “i”

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É importante salientar que 2ª e a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo e a 2ª
pessoa do singular do imperativo dos verbos terminados em -uir grafam-se com “-i”.
Exemplos: possui, possuis (possuir); diminui, diminuis (diminuir); constitui, constituis
(constituir); retribui, retribuis (retribuir) etc.
Observe que a 1ª, a 2ª e 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo e a 3ª pessoa
do singular do imperativo dos verbos em -uar grafam-se com “-e”. Exemplos: cultue, cultues
(cultuar); habitue, habitues (habituar); efetue, efetues (efetuar) etc.
Escrevem-se com e: destilar, disenteria, empecilho, quase, sequer, efetue etc.
Escrevem0se com i: criar, crânio, meritíssimo, privilégio, inigualável, pátio, impigem, pinicar
etc.

25.3. Emprego do “z”

Empregam-se os sufixos -ez e -eza na formação de substantivos abstratos derivados de


adjetivos. Exemplos:

belo = beleza; estúpido = estupidez; nobre = nobreza; pálido = palidez

Emprega-se o sufixo -izar na formação de verbos. Exemplo:

canal = canalizar; útil = utilizar; hostil = hostilizar

25.4. Emprego do “s”

Empregam-se os sufixos -es, -esa, -isa na formação de palavras que indicam


nacionalidade, estado social, profissão, títulos honoríficos. Exemplos:

francês = francesa; duque = duquesa; poeta = poetisa.

O sufixo -oso (cheio de) é empregado na formação de adjetivos. Exemplos:

gosto = gostoso; creme = cremoso; montanha = montanhoso; vaidade = vaidoso etc.

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Emprega-se a letra s, quando ela vier depois de um ditongo. Exemplo:

coisa, causa, pouso etc.

25.5. Emprego do x/ch

Emprega-se o x depois de ditongo: caixa, peixe, ameixa, faixa etc.


Depois da sílaba inicial -en, emprega-se o x: enxoval, enxada, enxame, enxaqueca etc.
Observação: quando o prefixo -en une-se a um radical iniciado por ch, grafa-se sempre a
palavra com -ch: encharcar, enchumaçar, enchumaçado, enchiqueirar, enchocalhar etc.
Depois da sílaba inicial -me, emprega-se x: mexer, mexilhão, mexerica etc.
Exceção à regra: mecha e seus derivados grafam-se com ch.

25.6. Empregos do “g” e “j”

O “g” é empregado nos seguintes casos:

a) nas palavras terminadas em “-agem”, “-igem”, “- ugem” e “-ege”. Exemplos:


garagem, fuligem, ferrugem, herege etc.;

b) nas palavras terminadas em “-ágio”, “-égio”, “-ígio”, “-ógio”, “-úgio”. Exemplos:


egrégio, colégio, litígio, relógio, refúgio etc.

Observação: As palavras “pajem”, “lajem” e “lambujem” são escritas com a letra “j”
e não “g”.

Emprega-se a letra “j” nos seguintes casos:

a) nas palavras derivadas daquelas primitivas que se escrevem com “j”: ajeitar,
ajeitado, laranjal etc;

b) nas palavras de origem tupi: jiboia, pajé etc.;

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c) nas formas verbais terminadas em “-jar”: arranje (arranjar), despejaram (despejar)
etc.;
d) nas palavras que terminam com “–aje”: laje, ultraje etc.

25.7. Empregos das letras “s”, “ss”, “ç” e “c”

Empregamos as letras s, ss, ç e c, realizando a seguinte correspondência:

a) “t” com “ç”: ato – ação; infrator – infração; abster – abstenção etc.;
b) “rg” com “rs”: aspergir – aspersão; imergir – imersão etc.;
c) “rt” com “rs”: inverter – inversão; divertir – diversão etc.;
d) “pel” com “puls”: impelir – impulsão; expelir – expulsão etc.;
e) “corr” com “curs”: correr – curso; discurso; excursão etc.;
f) “sent” com “sens”: sentir – senso; sensível; consenso etc.;
g) “ced” com “cess”: ceder – cessão; conceder – concessão etc.;
h) “gred” com “gress”: agredir – agressão; progredir – progressão etc.;
i) “prim” com “press”: imprimir – impressão; oprimir – opressão etc.;
j) “tir” com “ssão”: admitir – admissão; discutir – discussão etc.

Emprega-se a letra “s” nos seguintes casos:

a) depois de ditongos: coisa, lousa, maisena etc.;


b) palavras derivadas de outras primitivas escritas com “s”: roseira (rosa), atrás
(atrasado), pesquisa (pesquisado) etc.
c) nos sufixos “-ês”, “-esa”, “-isa” quando indicarem nacionalidade, títulos
honoríficos ou profissão: francês, burguesa, poetisa etc.;
d) adjetivos que terminam com “-oso” ou “-osa”, indicadores de “abundância”, “cheio
de”: amoroso (cheio de amor), montanhoso (cheio de montanha), formosa etc.

Grafa-se com a letra “ss”:

a) “ced” = cess = ceder = cessão, concessão;


b) “gred” = gress = agredir = agressão, progressão;

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c) “prim” = press = imprimir = impressão, repressão;
d) “tir” = “ssão” = admitir = admissão, discussão.

Escreve-se com a letra “ç”:

a) palavras de origem árabe, tupi ou africana: açafrão, açúcar, muçulmano etc.;


b) depois de ditongos: louça, traição etc.

26. Estrutura e formação das palavras


As palavras podem ser divididas em vários elementos. Esses elementos ampliam a
significação da palavra. Aos elementos significativos que formam a palavra dá-se o nome de
elementos mórficos ou morfemas. Morfemas são unidades mínimas que expressam
significados. Exemplo: menino (criança do sexo masculino); menina (criança do sexo
feminino); menin- inh-o (pequena criança do sexo masculino); menin-inh-a (pequena criança
do sexo feminino).
Análise mórfica é o processo por meio do qual se divide a palavra em seus elementos
mórficos.

26.1. Morfemas

As palavras contêm basicamente quatro elementos mórficos, a saber:

26.1.1. Radical

O radical é a unidade básica da palavra, indicando seu significado. Não pode ser
decomposto em elementos menores. Além disso, é o elemento comum nas palavras que
pertencem à mesma família.
Exemplos: menin-o, menin-a; menin-inha.
Observação: as palavras cognatas ou famílias etimológicas têm o mesmo radical. Exemplos:
agrário, agricultor, agrícola etc.

26.1.2. Desinências

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As desinências são elementos colocados no final do radical e se classificam em:


a) desinências nominais: indicam o gênero e o número a que pertencem o nome.
Exemplo: menin-o (des. nom. gên. masc.); menin-a (des. nom. gên. fem.);
b) desinência verbal: indicam tempo e modo verbais, por isso são chamadas de
desinências modo-temporais. Indicam também a pessoa e o número; em razão disso, recebem
o nome de desinências número-pessoais. O verbo “falávemos” pode ser decomposto da
seguinte forma: falá - va - mos, sendo que -va é desinência modo-temporal e -mos, desinência
número-pessoal.

26.1.3. Afixos

Os afixos são elementos mórficos postos ao radical da palavra, a fim de formas


palavras novas na língua portuguesa. Classificam-se em:
a) prefixos: são colocados antes do radical: in - feliz (in=prefixo);
b) sufixos: são colocados depois do radical: feliz-mente (mente=sufixo).

26.1.4. Vogal temática

A vogal temática é aquela que se acrescenta ao radical de certas palavras. Essa vogal
prepara o radical para receber as desinências. Exemplos:

cantava = cant (radical) a (vogal temática) va (desinência)


vendera = vend (radical) e (vogal temática) ra (desinência)
partisse = part (radical) i (vogal temátical) sse (desinência)

As vogais temáticas desses verbos (a-e-i) indicam as três conjugações verbais. O


radical com a vogal temática chama-se tema. Em razão disso, tema é o radical que está
pronto para receber as desinências: canta-va; vende-ra; parti-ra.

26.1.5. Vogais e consoantes de ligação

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As vogas e as consoantes de ligação aparecem entre dois elementos mórficos para
facilitar a pronúncia. Elas não trazem informação gramatical nem modificam o sentido da
palavra. Exemplos: gasômetro - paulada - cafeteira

27. Classes de palavras

A Língua Portuguesa tem dez classes de palavras:


a) substantivo: nomeia os seres em geral. Exemplos: caderno, livro, árvore etc.;
b) adjetivo: qualifica os seres em geral. Exemplos: bonito, feio, inteligente, magro etc.;
c) artigo: define ou indefine os seres: o, a, os, as, um, uns, uma, umas etc.;
d) pronome: substitui ou acompanha o nome, indicando uma das três pessoas do
discurso: eu, tu, ele, nós, vós, eles, esse, isso, aquele etc.;
e) numeral: quantifica os seres ou indica sua ordem numérica: um, dois, três, primeiro,
segundo, terceiro etc.;
f) verbo: indica ação, estado ou fenômeno da natureza: andar, correr, chover, ser, estar,
permanecer etc.;
g) advérbio: indica circunstância: hoje, sempre, eternamente, amanhã etc.
h) preposição: palavra invariável que liga duas palavras: a, ante, com, contra, desde
etc.;
i) conjunção: são palavras que ligam orações: mas, porém, contudo, entretanto, a fim
de, conforme etc.;
j) interjeição: palavra que exprime sentimento, emoção ou chamamento: ah!, oh!, ai!
bravo! etc.
Observação: Seis classes gramaticais são variáveis (substantivo, adjetivo, artigo, numeral,
pronome e verbo) e quatro são invariáveis (advérbio, preposição, conjunção e interjeição).

28. Substantivo

O substantivo nomeia os seres em geral. Ele é formado da seguinte maneira:


a) simples: formado por um elemento: roupa;
b) composto: formado por dois ou mais elementos: guarda-roupa;
c) primitivo: não se origina de nenhuma outra palavra: pedra;

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d) derivado: palavra que se origina de outra palavra: pedreira.
Os elementos que designam os substantivos classificam-se em:
a) comum: designa os seres em geral, sem indicar uma espécie: escola, concurso,
cadeira etc.;
b) próprio: designa os seres em geral, indicando uma determinada espécie: Antônio,
Rio de Janeiro, Brasil etc.;
c) concreto: nomeia seres que têm existência própria (pode ser também imaginária ou
real): mesa, cadeira, Deus, anjo, sereia etc.;
d) abstrato: indica a qualidade ou ações. Não têm existência própria: altura, largura,
viuvez etc.
Entre os substantivos comuns, há de se destacar o substantivo coletivo. Esse
substantivo indica o conjunto de seres da mesma espécie: manada, alcateia etc.
Os substantivos flexionam-se em:
a) biformes: apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino: moço x
moça;
b) uniforme: apresenta uma única forma para ambos os gêneros. Dividem-se em:
b.1. epiceno: indica certos animais cuja distinção é feita pelas palavras “macho” e
“fêmea”: onça macho, onça fêmea;
b.2. comum de dois gêneros: faz-se a distinção por meio do artigo: o acrobata; a
acrobata; o artista; a artista etc.;
b.3. sobrecomum: apresenta a mesma forma para o masculino ou para o feminino: o
cônjuge, a testemunha, o indivíduo etc.
Observação: substantivo heterônimo é aquele que faz distinção de gênero por meio do
radical: bode x cabra.
Alguns substantivos apresentam mudança de gênero com mudança de significado:
o caixa = funcionário a caixa = o objeto
o capital = dinheiro a capital = sede de governo
o cabeça = chefe a cabeça = parte do corpo
A flexão do substantivo em número (singular ou plural) dá-se da seguinte forma:
a) o substantivo que no singular termina por vogal ou ditongo oral recebem -s no final:
paletó - paletós; urubu - urubus; pai - pais; céu - céus;
b) o substantivo no singular que termina em -ão faz o plural da seguinte forma:

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b.1. muda -ão em -ãos: cidadão - cidadãos; mão - mãos;
b.2. muda -ão em -ões: caixão - caixões; coração - corações
c) o substantivo terminado em -al, -el, -ol, -ul substitui o -l por -is: canal - canais;
papel - papéis; lençol - lençóis; paul - pauis;
d) o substantivo terminado em -il troca o -l por -is (quando oxítonos) ou trocam o -il
por -eis (quando paroxítonos): barril - barris; réptil - répteis;
e) o substantivo terminado em -r ou -z recebe -es no plural: açúcar - açúcares; luz -
luzes;
f) o substantivo terminado em -s faz o plural com -es: gás - gases; mês - meses etc.;
g) o substantivo terminado em -m, no plural, substitui o -m por -ns: álbum - álbuns,
item - itens; garçom - garçons.
Os substantivos terminados em -x não são pluralizados: o tórax - os tórax.
Dá-se o plural dos substantivos compostos da seguinte forma:
a) substantivo + substantivo = os dois vão para o plural: cirurgião-dentista/ cirurgiões-
dentistas;
b) adjetivo + substantivo = os dois vão para o plural: alto-relevo/altos-relevos;
c) substantivo + adjetivo = os dois vão para o plural: cartão-postal/cartões-postais;
d) substantivo composto unido por preposição varia apenas o primeiro elemento: pé de
moleque/pés de moleque.
e) verbos de sentido oposto = não pluraliza: os ganha-perde;
f) se o primeiro elemento for verbo ou palavra invariável, flexiona-se apenas o
segundo elemento: arranha-céus, abaixo-assinados, guarda-roupas.
Observação: quando o primeiro elemento é a palavra guarda, deve-se verificar se guarda é
verbo ou substantivo. Se o segundo elemento for substantivo, guarda será verbo; se o segundo
elemento for adjetivo, guarda será substantivo: guarda-chuva/guarda-chuvas; guarda-
civil/guardas-civis.
O grau dos substantivos é formado pelo aumentativo e diminutivo. O grau
aumentativo indica o aumento do tamanho normal do ser: casa/casarão. Divide-se em
analítico ou sintético. O aumentativo analítico forma-se com o auxílio de adjetivos: casa/casa
grande. Aumentativo sintético forma-se com o auxílio de sufixos: garrafão, mulherona,
bocarra etc.

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O grau diminutivo indica o tamanho diminuído do ser: livro/livrinho. Divide-se em
diminutivo analítico e sintético. O diminutivo analítico forma-se com o auxílio de adjetivos:
livro pequeno. O diminutivo sintético forma-se com o auxílio de sufixos: menininho,
mosquito, animalejo, caixote etc.

29. Adjetivo

O adjetivo modifica o substantivo, atribuindo-lhe sempre uma característica, qualidade


ou estado.
Classificam-se em:
a) simples: apresentam apenas um elemento: alimento dietético;
b) compostos: apresentam mais de um elemento: acordo luso-brasileiro;
c) primitivos: quando não se originam de outra palavra: camisa verde;
d) derivados: quando se originam de outra palavra: camisa esverdeada.
Os adjetivos pátrios referem-se a países, cidades e regiões. Exprimem a nacionalidade
do ser: alagoano, acreano, cearense, catarinense, paulista etc.
A locução adjetiva é formada de preposição e substantivo (ou advérbio), cujo
significado corresponde a um adjetivo: dia chuvoso (de chuva); cidadão brasileiro (do
Brasil).
O adjetivo flexiona-se em gênero, número e grau.
Quanto ao gênero, o adjetivo classifica-se em:
a) uniforme: apresenta apenas uma forma para o masculino e feminino: homem
inteligente = mulher inteligente;
b) biforme: apresenta forma diferente para o masculino e feminino: homem alto =
mulher alta.
No que diz respeito ao gênero, a flexão dos adjetivos acompanha à dos substantivos.
No que se refere ao número, forma-se o plural dos adjetivos da seguinte forma:
a) os adjetivos simples formam o plural da mesma forma que os substantivos simples:
homem honesto = mulher honesta;
b) os substantivos utilizados como adjetivos permanecem invariáveis: camisa rosa =
camisas rosa;

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c) com adjetivos compostos, somente o último elemento varia em gênero e número:
acordo sócio-político-econômico = acordos sócio-político-econômicos;
d) o adjetivo composto fica invariável quando o último elemento for substantivo: blusa
amarelo-ouro = blusas amarelo-ouro;
e) os adjetivos compostos azul-celeste e azul-marinho são invariáveis: camisas azul-
celeste, paletós azul-marinho;
f) o adjetivo composto surdo-mudo varia de acordo com o substantivo a que se
referem: rapaz surdo-mudo = rapazes surdos-mudos; moça surda-muda = moças surdas-
mudas.
O grau do adjetivo classifica-se em:
a) comparativo: a qualidade de um ser é comparada com a de outro ser: Está casa é
mais confortável do que aquela;
b) superlativo: a qualidade indicada pelo adjetivo apresenta-se em grau elevado: Esta
casa é agradabilíssima.
A mudança de grau do adjetivo ocorre da seguinte forma:
a) sintético: altera-se o grau por meio de sufixos: O bolo está dulcíssimo;
b) analítico: a mudança de grau é feita pelo acréscimo de um adjetivo: Aquela moça é
muito gentil.
O grau comparativo pode ser de:
a) igualdade: a qualidade indicada pelo adjetivo é a mesma do ser comparado: Esta
blusa é tão bonita quanto aquela;
b) superioridade: a qualidade expressa pelo adjetivo é mais relevante no primeiro ser
da comparação: A blusa de Maria é mais bonita que a blusa de Marta;
c) inferioridade: a qualidade expressa pelo adjetivo aparece menos intensificada no
primeiro ser da comparação: Esta blusa é menos arejada que aquela.
O grau superlativo divide-se em:
a) absoluto: a qualidade indicada pelo adjetivo não é apresentada em relação a outros
seres: Este exame é muito fácil. (Superlativo absoluto analítico). Este exame é facílimo.
(Superlativo absoluto sintético);
b) relativo: a qualidade indicada pelo adjetivo é colocada em relação a outros seres:
Antônio é o mais inteligente da sala (Relativo de superioridade). Antônio é a menos
inteligente da classe. (Relativo de inferioridade).

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Segue a relação dos principais superlativos absolutos sintéticos eruditos:
agudo = acutíssimo
amaro = amaríssimo
amável = amabilíssimo
amigo = amicíssimo
antigo = antiquíssimo; antiguíssimo
benéfico = beneficentíssimo
benévolo = benevolentíssimo
bom = boníssimo ou ótimo
célebre = celebérrimo
comum = comuníssimo
cruel = crudelíssimo
difícil = dificílimo
doce = dulcíssimo
dócil = docílimo
fácil = facílimo
feroz = ferocíssimo
fiel = fidelíssimo
frágil = fragílimo
frio = friíssimo ou frigidíssimo
geral = generalíssimo
humilde = humílimo
íntegro = integérrimo
jovem = juveníssimo
livre = libérrimo
magnífico = magnificentíssimo
magro = macérrimo ou magríssimo
manso = mansuetíssimo
mau = péssimo
miúdo = minutíssimo
negro = nigérrimo
nobre = nobilíssimo

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pequeno = mínimo
pessoal = personalíssimo
pobre = paupérrimo
preguiçoso = pigérrimo
próspero = prospérrimo
sábio = sapientíssimo
sagrado = sacratíssimo
salubre = salubérrimo
semelhante = simílimo
soberbo = superbíssimo
terrível = terribilíssimo
velho = vetérrimo

Observações

a) As formas sintéticas melhor, pior, maior e menor são empregadas quando se compara
uma qualidade em dois seres diferentes: Minha casa é maior do que a sua.
b) As formas analíticas mais bom, mais mau e mais grande são utilizadas quando estão
sendo comparadas duas qualidades de um único ser: Minha casa é mais grande do que
pequeno.

30. Artigo

O artigo é uma palavra que varia em gênero e número. Colocado antes do substantivo
serve para determiná-lo ou indeterminá-lo. O artigo também indica o gênero e o número da
palavra a qual se refere. Exemplos: o menino; um menino.
Classifica-se o artigo em:
a) definido: é aquele que determina o substantivo de modo particular e preciso. Os
artigos definidos são: o, a, os, as;
b) indefinido: determina o substantivo de modo vago, impreciso. Os artigos
indefinidos são: um, uma, uns, umas.

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31. Emprego do artigo definido

a) Emprega-se o artigo definido entre o numeral ambos e o substantivo a que se


refere: O juiz de direito determinou a permanência de ambos os cônjuges na audiência de
separação judicial.
b) Utiliza-se o artigo definido com o superlativo: Solucionei as mais difíceis questões.
c) Após o pronome indefinito todo, emprega-se o artigo para dar ideia de inteiro: O
estudante leu todo o livro (o livro inteiro).
Observação: quando se quer dar a ideia de qualquer, não se emprega o artigo: Todo homem
é mortal (qualquer homem).
d) Todos e todas sempre vêm seguidos de artigo: Todos os enfermeiros
compareceram à reunião.

33. Omissão do artigo

Omite-se o artigo nos seguintes casos:


a) antes dos pronomes de tratamento: Enviei correspondência a Vossa Senhoria. (O
“a” que aparece antes do pronome de tratamento “Vossa Senhoria” é preposição e não artigo.
Ocorre a preposição “a” por exigência do verbo “enviar”: quem envia, envia alguma coisa a
alguém;
b) antes da palavra “casa”, quando ela tem sentido de “moradia”: Cheguei a casa. (Se a
palavra “casa” vier particularizada, emprega-se o artigo “a”: Cheguei bem cedo à casa de
meus pais);
c) antes das palavras “terra” e “bordo” empregadas como antônimos: Os marinheiros
chegaram a terra são e salvos.
34. Numeral

Numeral é a palavra que indica a quantidade dos seres, ou a posição que um ser ocupa
uma determinada série. Dividem-se em:
a) cardinais: designam quantidades de seres em si mesmas: um, dois, três, quatro etc.;
b) ordinais: designam a ordem em que um substantivo se coloca numa determinada
série: primeiro, segundo, terceiro, quarto etc.;

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c) multiplicativos: referem-se à multiplicação das quantidades: dobro, triplo,
quádruplo etc.;
d) fracionários: indicam divisão, fração: meio, metade, terço, quarto etc.;
e) coletivos: os numerais coletivos são aqueles que indicam uma quantidade específica
de um conjunto de seres ou objetos. São termos variáveis em número e invariáveis em gênero.
Exemplos de numerais coletivos são: dúzia(s), milheiro(s), milhar(es), dezena(s), centena(s),
par(es), década(s), grosa(s).
Abaixo seguem algumas observações importantes sobre o emprego dos numerais:
a) Para indicar reis, papas, séculos, partes de uma obra, empregam-se os numerais
ordinais até décimo. A partir daí, utilizam-se os cardinais. Exemplos: Henrique VIII (oitavo),
Luís XV (quinze), João Paulo II (segundo), João XXIII (vinte e três), capítulo II (segundo),
capítulo XIII (treze) etc.
b) Para designar leis, artigos, decretos e portarias, emprega-se o ordinal até o nono e
o cardinal de dez em diante. Exemplos: artigo 8º (oitavo), artigo 9º (nono), artigo 10 (dez),
artigo 11 (onze) etc.;
c) Utilizam-se os cardinais em se tratando dos meses, exceto para o primeiro dia
(primeiro de janeiro, primeiro de fevereiro, primeiro de março, primeiro de abril etc.)
d) No que diz respeito a páginas e folhas, a apartamentos, quartos, casas de
espetáculos, veículos de transporte, empregam-se os cardinais, se não estiver anteposto.
Exemplos: Casa 1 (um), apartamento 29 (vinte e nove).
e) Se o substantivo vier depois do numeral, empregam-se os ordinais. Exemplos:
primeira parte, décimo sexto capítulo, vigésimo século etc.
f) Quando o numeral estiver anteposto ao substantivo, emprega-se a forma ordinal.
Exemplos: 15º capítulo (décimo quarto); 24º (vigésimo quarto) etc.

CARDINAIS ORDINAIS MULTIPLICATIVOS FRACIONÁRIOS


um primeiro (simples) -

dois segundo dobro, duplo meio

três terceiro triplo, tríplice terço

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quatro quarto quádruplo quarto

cinco quinto quíntuplo quinto

seis sexto sêxtuplo sexto

sete sétimo sétuplo sétimo

oito oitavo óctuplo oitavo

nove nono nônuplo nono

dez décimo décuplo décimo

onze décimo primeiro - onze avos

doze décimo segundo - doze avos

treze décimo terceiro - treze avos

catorze décimo quarto - catorze avos

quinze décimo quinto - quinze avos

dezesseis décimo sexto - dezesseis avos

dezessete décimo sétimo - dezessete avos

dezoito décimo oitavo - dezoito avos

dezenove décimo nono - dezenove avos

vinte vigésimo - vinte avos

trinta trigésimo - trinta avos

quarenta quadragésimo - quarenta avos

cinquenta quinquagésimo - cinquenta avos

sessenta sexagésimo - sessenta avos

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setenta septuagésimo - setenta avos

oitenta octogésimo - oitenta avos

noventa nonagésimo - noventa avos

cem centésimo cêntuplo centésimo

duzentos ducentésimo - ducentésimo

trezentos trecentésimo - trecentésimo

quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo

quinhentos quingentésimo - quingentésimo

seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo

setecentos septingentésimo - septingentésimo

oitocentos octingentésimo - octingentésimo

nongentésimo ou
novecentos - nongentésimo
noningentésimo

mil milésimo - milésimo

milhão milionésimo - milionésimo

bilhão bilionésimo - bilionésimo

35. Pronome

Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha


o substantivo, indicando sua posição em relação às pessoas do discurso ou situando-o no
espaço e no tempo. Quando o pronome representa o substantivo, é chamado de “pronome
substantivo”. Exemplo: Nós fomos aprovados no concurso. Quando o adjetivo vier

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acompanhado do substantivo, restringindo seu significado, é chamado de “pronome adjetivo”.
Exemplo: Este carro é novo.
As pessoas do discurso são:
1ª pessoa: aquele que fala
2ª pessoa: com quem se fala
3ª pessoa: de quem ou de que se fala
Observação: Eu refere-se à primeira pessoa, isto é, àquela que fala. Tu refere-se à segunda
pessoa, com quem se fala; ele refere-se à terceira pessoa, de quem se fala.
Os pronomes se classificam em:
1) pronomes pessoais: indicam as pessoas do discurso.

NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO

SINGULAR 1ª EU me, mim, comigo


2ª TU te, ti, contigo
3ª ELE se, si, consigo, o, a,
lhe

PLURAL 1ª NÓS nos, conosco


2ª VÓS vos, convosco
3ª ELES/ELAS se, si, consigo, os, as,
lhes

Observação: As formas comigo, contigo, conosco, convosco e consigo resultam da


combinação da preposição com aos pronomes oblíquos correspondentes.
Alguns casos particulares, no que diz respeito ao emprego dos pronomes pessoais,
devem ser estudados.
a) Os pronomes do caso reto não podem ser utilizados como complementos verbais:
Eu vi ela na rua. (Forma incorreta). Eu a vi na rua. (Forma correta).
b) Os pronomes oblíquos se, si, consigo são empregados como reflexivos: Amor,
gosto muito de si. (Forma incorreta). Amor, gosto muito de você. (Forma correta).

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c) Os pronomes oblíquos conosco e convosco são empregados na forma sintética: Eles
queriam falar conosco. Queriam reunir convosco.
d) Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando precedidos de verbos terminados com as
letras r, s ou z, assumem a forma lo, la, los e las. Exemplos:
amar-o = amá-lo
vender-a = vendê-la
partir-os = parti-los
quis-o = qui-lo
fiz-o = fi-lo
e) Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando precedidos de verbos terminados em -m
ou ditongo nasal, assumem as formas no, na, nos, nas. Exemplos:
amaram-o = amaram-no
dispõe-o = dispõe-no
dão-a = dão-na
f) Os pronomes oblíquos podem funcionar como sujeito no infinitivo, quando se usam
os verbos deixar, fazer, mandar, ouvir, sentir e ver. Exemplos:
Mandaram-me deixar o recinto. Fizeram-me sair. Ouviram-na gritar.
Quanto ao emprego das formas eu e tu em relação a mim e ti, deve-se observar o
seguinte:
a) Quando precedidos de preposição, empregam-se as formas mim e ti. Exemplo: Não
há nada entre mim e ti.
b) Empregam-se as formas retas (eu e tu) quando funcionarem como sujeito de um
verbo no infinitivo. Exemplo: Deram os exercícios de fixação para eu responder.
2) Pronomes de tratamento: referem-se à segunda pessoa, mas exigem o verbo na
terceira. Exemplo: Vossa Excelência está cansado hoje? Os principais pronomes de
tratamento são:
a) Vossa Alteza = V.A. (príncipes, duques, arquiduques)
b) Vossa Eminência = V.Exm.º (cardeais)
c) Vossa Excelência = V.Exª. (autoridades em geral)
d) Vossa Magnificência = V.Mag.ª (reitores de universidades)
e) Vossa Majestade = V.M. (reis, imperadores)
f) Vossa Reverendíssima = V. Rev.ma (sacerdotes em geral)

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g) Vossa Santidade = V.S. (papas)
h) Vossa Senhoria = V.S.ª (funcionários graduados)
Observação: quando uma pessoa se dirige diretamente a outras, emprega-se Vossa. Por sua
vez, utiliza-se Sua, quando se refere à pessoa. Exemplos: Vossa Excelência quer aprovar o
projeto? Sua Excelência não virá hoje.
3) Pronomes possessivos: referem-se às pessoas do discurso e indica a ideia de posse:
meu, minha, meus, minhas, teus, tua, teus, tuas, seu, sua, seus, suas, nosso, nossa, nossos,
nossas, vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas.
4) Pronomes demonstrativos: são aqueles que indicam a posição da pessoa em
relação ao discurso, situando-a no tempo e no espaço:
1ª pessoa: este, esta, estes, estas, isto
2ª pessoa: esse, essa, esses, essas, isso
3ª pessoa: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo
Em linhas gerais, a primeira pessoa indica proximidade de quem fala ou escreve: Esta
pasta é minha. Este, esta e isto referem-se àquilo que será dito ou escrito: Espero sinceramente
isto: que se procedam às reformas tributárias. Os pronomes esse, essa e isso referem-se àquilo
que já foi dito: “Subjetivismo, apego à natureza, nacionalismo. Essas são algumas
características do Romantismo.”
Os pronomes o, a, os, as são considerados demonstrativos quando podem ser
substituídos por aquele, aquela, aquilo, isso. Exemplo: Achei o (aquilo) que procuras.
Utiliza-se este em oposição a aquele quando se quer indicar elementos já
mencionados. Este se refere ao mais próximo; aquele, ao mais distante: Gramática e
Literatura são matérias que me agradam: esta desenvolve minha sensibilidade; aquela, o
escrever corretamente.
Tal é pronome demonstrati9vo quando equivale a este, essa, isso etc.: Jamais consegui
compreender tal decisão.
Mesmo e próprio são pronomes demonstrativos de reforço. Equivalem ao termo a que
se referem, sempre concordando com ele: Ela mesma responder os exercícios.
5) Pronomes relativos: retomam um termo anterior, chamado de antecedente:
a) que: utilizado com coisas ou pessoas: Esta é o livro que lhe falei. A pessoa que lhe
apresentei não veio hoje.

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b) quem: refere-se apenas às pessoas e vem preposicionado: Esta é a moça a quem ele
amava.
c) onde: equivale a “em que” ou “no(a) qual” e é utilizado para indicar lugar: Onde
você reside?
d) quanto: precedido de um dos pronomes indefinidos: tudo, tanto(s), tanta(s), todo(s),
toda(s): Ele tem tudo quanto deseja.
e) quando: é pronome relativo quando o antecedente dá ideia de tempo: A greve
ocorreu em janeiro quando o governo aumentou a passagem de ônibus.
6) Pronomes indefinidos: referem-se à terceira pessoa do discurso de maneira vaga e
imprecisa: Alguém entrou aqui. Exemplos de alguns pronomes indefinidos: algum, alguma,
nenhum, nenhuma, todo, toda, outro, outra, pouco, pouca, certo, certa, vário, vária, vários,
várias, qualquer, quaisquer etc.
O pronome indefinido algum apresenta valor negativo quando posposto ao nome e
equivale a nenhum: Motivo algum me fará desistir do concurso público.
Emprega-se o pronome indefinido cada acompanhado de substantivo ou numeral:
Receberam dez livros cada um.
Certo assume o papel de pronome indefinido quando anteposto ao nome a que se
refere. Se vier posposto, será adjetivo: Não compreendo certos exercícios. (Pronome
indefinido). Os exercícios certos valerão nota. (Adjetivo).
6) Pronomes interrogativos: são empregados em frases ou orações diretas ou
indiretas. Os pronomes interrogativos são: quem, que, qual e quando: Quem chegou
atrasado?

36. Verbo

Verbo é palavra variável que indica ação, fenômeno natural, estado ou mudança de
estado, situando os fatos no tempo. O verbo apresenta flexão de tempo (presente, pretérito e
futuro), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), número (singular e plural), pessoa
(primeira, segunda e terceira) e voz (ativa, passiva e reflexiva).
Os modos e tempos verbais indicam diferentes maneiras de um fato realizar-se.
Classificam-se em: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-
perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.

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Os verbos classificam-se em:
a) regulares: a conjugação verbal obedece a um mesmo padrão. Exemplos: amar,
vender, partir.
b) irregulares: a conjugação verbal não obedece a um mesmo padrão. Exemplo: eu
requeiro, tu requeres, eu valho, tu vales.
c) defectivos: não apresentam a conjugação verbal completa. Exemplos: adequar,
precaver, colorir etc.
d) abundantes: os verbos apresentam mais de uma forma para determinada flexão.
Exemplos: aceitar: aceitado/aceito; imprimir: imprimido/impresso; ocultar: ocultado/oculto
etc.
e) anômalos: apresentam profundas alterações nos radicais dos verbos, quando da
conjugação. Exemplos: ser e ir.
As formas nominais são:
a) infinitivo: verbos com desinência -r: falar, comer, partir. Pode ser:
a.1. pessoal: flexionado. Refere-se a uma pessoa gramatical: Estamos contentes por
termos conseguido a aprovação no concurso público.
a.2. impessoal: não flexionado. Não indica nenhuma pessoa gramatical. Exerce a
função de substantivo: O aprender é gratificante.
b) gerúndio: trata-se de uma ação verbal em desenvolvimento. Caracteriza-se pela
desinência -ndo: falando, escrevendo, partindo. Exerce também a função de advérbio ou
adjetivo: Chegando o calor, iniciaremos a campanha do sorvete. Alunos chorando deixaram a
sala do diretor.
c) Particípio: quando não é construído com o verbo auxiliar, exerce a função de
substantivo ou adjetivo: Terminado o concurso público, os estudantes saíram alegres.
Em se tratando de tempos compostos, expressa o resultado da ação: O apartamento foi
alugado no verão. O particípio apresenta a desinência d (regular) ou t, s (irregular): falado,
aceito, aceso.
As formas rizotônicas são os verbos com a sílaba tônica no radical: 1ª, 2ª, 3ª pessoas
do singular e 3ª pessoa do plural no presente do indicativo e no presente do subjuntivo e
formas respectivas do imperativo.
As formas arrizotônicas são as estruturas verbais que têm a sílaba tônica fora do
radical.

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37. Paradigma dos verbos regulares

1ª CONJUGAÇÃO - FALAR

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo

Eu falo Eu falei
Tu falas Tu falaste
Ele fala Ele falou
Nós falamos Nós falamos
Vós falais Vós falastes
Eles falam Eles falaram

Pretérito Imperfeito do Indicativo Pretérito mais-que-Perfeito do Indicativo

Eu falava Eu falara
Tu falavas Tu falaras
Ele falava Ele falara
Nós falávamos Nós faláramos
Vós faláveis Vós faláreis
Eles falavam Eles falaram

Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo

Eu falarei Eu falaria
Tu falarás Tu falarias
Ele falará Ele falaria
Nós falaremos Nós falaríamos
Vós falareis Vós falaríeis
Eles falaram Eles falariam

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Presente do Subjuntivo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Que eu fale Se eu falasse


Que tu fales Se tu falasses
Que ele fale Se ele falasse
Que nós falemos Se nós falássemos
Que vós faleis Se vós falásseis
Que eles falem Se ele falasse

Futuro do Subjuntivo Infinitivo Impessoal

Quando eu falar Falar


Quando tu falares Falares
Quando ele falar Falar
Quando nós falarmos Falardes
Quando vós falardes Falarem
Quando eles falarem

Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo

Fala (tu) Não fales (tu)


Fale (você) Não fale (você)
Falemos (nós) Não falemos (nós)
Falai (vós) Não faleis (vós)
Falem (vocês) Não falem (vocês)

Gerúndio Particípio Passado

Falando Falado

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2ª CONJUGAÇÃO - VENDER

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo

Eu vendo Eu vendi
Tu vendes Tu vendeste
Ele vende Ele vendeu
Nós vendemos Nós vendemos
Vós vendeis Vós vendestes
Eles vendem Eles venderam

Pretérito Imperfeito do Indicativo Pretérito mais-que-Perfeito do Indicativo

Eu vendia Eu vendera
Tu vendias Tu venderas
Ele vendia Ele vendera
Nós vendíamos Nós vendêramos
Vós vendíeis Vós vendêreis
Eles vendiam Eles venderam

Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo

Eu venderei Eu venderia
Tu venderas Tu venderias
Ele venderá Ele venderia
Nós venderemos Nós venderíamos
Vós vendereis Vós venderíeis
Eles venderão Eles venderiam

Presente do Subjuntivo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

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Que eu venda Se eu vendesse
Que tu vendas Se tu vendesses
Que ele venda Se ele vendesse
Que nós vendamos Se nós vendêssemos
Que vós vendais Se vós vendêsseis
Que eles vendam Se eles vendessem

Futuro do Subjuntivo Infinitivo Pessoal

Quando eu vender vender


Quando tu venderes venderes
Quando ele vender vender
Quanto nós vendermos vendermos
Quando vós venderdes venderdes
Quando eles venderem venderem

Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo

Vende (tu) Não vendas (tu)


Venda (você) Não venda (você)
Vendamos (nós) Não vendamos (nós)
Vendei (vós) Não vendais (vós)
Vendam (vocês) Não vendam (vocês)

Gerúndio Particípio Passado

Vendendo Vendido

3ª CONJUGAÇÃO - PARTIR

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo

41
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Eu parto Eu parti
Tu partes Tu partiste
Ele parte Ele partiu
Nós partimos Nós partimos
Vós partis Vós partistes
Eles partem Eles partiram

Pretérito Imperfeito do Indicativo Pretérito mais-que-Perfeito do Indicativo

Eu partia Eu partira
Tu partias Tu partiras
Ele partia Ele partira
Nós partíamos Nós partíramos
Vós partíeis Vós partíreis
Eles partiam Eles partiram

Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo

Eu partirei Eu partiria
Tu partirás Tu partirias
Ele partirá Ele partiria
Nós partiremos Nós partiríamos
Vós partireis Vós partiríeis
Eles partirão Eles partiriam

Presente do Subjuntivo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Que eu parta Se eu partisse


Que tu partas Se tu partisses
Que ele parta Se ele partisse
Que nós partamos Se nós partíssemos

42
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Que vós partais Se vós partísseis
Que eles partam Se eles partissem

Futuro do Subjuntivo Infinitivo Pessoal

Quando eu partir partir


Quando tu partires partires
Quando ele partir partir
Quando nós partirmos partirmos
Quando vós partirdes partirdes
Quando eles partirem partirem

Modo Imperativo Afirmativo Modo Imperativo Negativo

parte (tu) Não partas (tu)


parta (você) Não parta (você)
partamos (nós) Não partamos (nós)
parti (vós) Não partais (vós)
partam (vocês) Não partam (vocês)

Gerúndio Particípio Passado

Partindo Partido

38. Formação do imperativo afirmativo e do imperativo negativo

Forma-se o imperativo afirmativo da seguinte maneira: a segunda pessoa do singular e


a segunda pessoa do plural são retiradas do presente do indicativo, excluindo-se o “s” final; as
demais pessoas são retiradas do presente do subjuntivo.
No caso do imperativo negativo, todas as pessoas são idênticas às correspondentes do
presente do subjuntivo, bastando antepor a palavra negativa “não”.

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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO – APOSTILA DE LÍNGUA PORTUGUESA –
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Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo

canto ------------ cante


cantas canta tu cantes
canta cante você cante
cantamos cantemos nós cantemos
cantais cantai vós canteis
cantam cantem vocês cantem

Imperativo Negativo

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

cante ----------
cantes não cantes tu
cante não cante você
cantemos não cantemos nós
canteis não canteis vós
cantem não cantem vocês

39. Valor dos tempos verbais

a) Presente do Indicativo: indica um acontecimento situado no momento em que se fala.


b) Pretérito Perfeito do Indicativo: indica um acontecimento que se iniciou e se concluiu no
passado.
c) Pretérito Imperfeito do Indicativo: indica um acontecimento que se iniciou no passado,
contudo não foi concluída.
d) Pretérito-mais-que-Perfeito do Indicativo: indica um fato anterior a outro ocorrido no
passado.

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e) Futuro do Presente do Indicativo: indica um acontecimento situado em um momento
vindouro.
f) Futuro do Pretérito do Indicativo: indica um acontecimento hipotético, situado num
momento futuro, contudo ligado a um momento passado.
g) Presente do Subjuntivo: indica um acontecimento provável ou duvidoso situado no
momento em que se fala.
h) Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: indica um acontecimento duvidoso ou provável cuja
ação foi iniciada, mas não concluída no passado.
i) Futuro do Subjuntivo: indica um acontecimento provável ou duvidoso situado num
momento futuro.

40. Verbos irregulares

Os verbos terminados em -ear recebem a letra -i na primeira, segunda e terceira


pessoas do singular e na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e nas formas
respectivas do presente do subjuntivo. Exemplo: passeio, passeias, passeia, passeamos,
passeais, passeiam; passeie, passeies, passeie, passemos, passeeis, passeiem; passeia tu.
Os verbos terminados em -iar são regulares, com exceção de: mediar, ansiar,
remediar, incendiar, odiar e intermediar. Exemplo: anseio, anseias, anseia, ansiamos, ansiais,
anseiam; anseie, anseies, anseie, ansiemos, ansieis, anseiem.

41. Verbos abundantes

Os verbos abundantes apresentam mais de uma forma com o mesmo valor: aceitado ou
aceito.

Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular

aceitar aceitado aceito


acender acendido aceso
benzer benzido bento
concluir concluído concluso

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defender defendido defeso
eleger elegido eleito
emergir emergido emerso
entregar entregado entregue
envolver envolvido envolto
enxugar enxugado enxuto
erigir erigido ereto
espargir espargido esparso
exaurir exaurido exausto
expelir expelido expulso
expressar expressado expresso
exprimir exprimido expresso
expulsar expulsado expulso
extinguir extinguido extinto
fritar fritado frito
imprimir imprimido impresso
inserir inserido inserto
isentar isentado isento
limpar limpado limpo
matar matado morto
ocular ocultado oculto
pegar pegado pego
prender prendido preso
romper rompido roto
salvar salvado salvo
segurar segurado seguro
soltar soltado solto
surgir surgido surto
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto

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Observação: os particípios regulares são usados com os auxiliares ter e haver; os irregulares
com os verbos auxiliares ser e estar. Exemplos: Os enfermeiros tinham aceitado a tarefa; a
tarefa foi aceita por eles.

Os verbos pagar, gastar e ganhar são empregados apenas no particípio irregular:


pago, gasto e ganho.
Os verbos trazer e chegar não são abundantes. Possuem apenas a forma regular
trazido e chegado.

42. Verbos defectivos

O verbo defectivo apresenta conjugação incompleta, ou seja, não possuem certas


conjugações, como, por exemplo, os verbos reaver e abolir. Exemplo:

Presente do Indicativo

Pessoa Reaver Abolir

Eu ---------- ----------
Tu ---------- aboles
Ele ---------- abole
Nós reavemos abolimos
Vós reaveis abolis
Eles ---------- abolem

No que diz respeito aos verbos defectivos, todos os verbos impessoais (empregados na
terceira pessoa do singular) e unipessoais (utilizados nas terceiras pessoas: singular e plural).
Os verbos adequar e precaver são conjugados na 1ª e 2ª pessoa do plural - imperativo
afirmativo. Eles não são conjugados no presente do subjuntivo e no imperativo negativo.
O verbo reaver conjuga-se nas formas em que este conserva a letra “v”, conforme se
pode observar no esquema dado.

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COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO – APOSTILA DE LÍNGUA PORTUGUESA –
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Os verbos abolir, demolir, explodir etc. não são conjugados na primeira pessoa do
singular do presente do indicativo, em todo o presente do subjuntivo e em todo imperativo
negativo.

43. Conjugação do verbo reaver

Presente do indicativo: reavemos, reaveis.


Pretérito perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes,
reouveram.
Pretérito imperfeito do indicativo: reavia, reavias, reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos,
reouvéreis, reouveram.
Futuro do presente do indicativo: reaverei, reaverás, reaveremos, reaverei, reaverão.
Futuro do pretérito do indicativo: reaveria, reaverias, reaveria, reaveríamos, reaveríeis,
reaveriam.
Presente do subjuntivo: não há.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos,
reouvésseis, reouvessem.
Futuro do subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, reouverem.
Imperativo afirmativo: reavei.
Imperativo negativo: não há.
Formas nominais: reaver, reavendo, reavido.

44. Conjugação do verbo abolir

Presente do indicativo: aboles, abole, abolimos, abolis, abolem.


Pretérito perfeito do indicativo: aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram.
Pretérito mais-que-perfeito indicativo: abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
aboliram.
Futuro do presente do indicativo: abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão.
Futuro do pretérito do indicativo: aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis,
aboliriam.

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Presente do subjuntivo: não há.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
abolissem.
Futuro do subjuntivo: abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem.
Imperativo afirmativo: abole, aboli.
Imperativo negativo: não há.
Formas nominais: abolir, abolindo, abolido.

45. Conjugação do verbo falir

Presente do indicativo: falimos, falis.


Pretérito perfeito do indicativo: fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram.
Pretérito imperfeito do indicativo: falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam.
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: falira, faliras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Futuro do presente do indicativo: falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão.
Futuro do pretérito do indicativo: faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam.
Presente do subjuntivo: não há.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Futuro do subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem.
Imperativo afirmativo: fali.
Imperativo negativo: não há.
Formas nominais: falir, falindo, falido.

46. Conjugação do verbo colorir

Presente do indicativo: colores, colore, colorimos, coloris, colorem.


Pretérito perfeito do indicativo: colori, coloriste, coloriu, colorimos, coloris, coloriram.
Pretérito imperfeito do indicativo: coloria, colorias, coloria, coloríamos, coloríeis,
coloriam.
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: colorira, coloriras, colorira, coloríamos,
coloríreis, coloriram.

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Futuro do presente do indicativo: colorirei, colorirás, colorirá, coloriremos, colorireis,
colorirão.
Futuro do pretérito do indicativo: coloriria, coloririas, coloriria, coloriríamos, coloriríeis,
coloririam.
Presente do subjuntivo: não há.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: colorisse, colorisses, colorisse, coloríssemos,
colorísseis, colorissem.
Futuro do subjuntivo: colorir, colorires, colorir, colorirmos, colorirdes, colorirem.
Imperativo afirmativo: colori
Imperativo negativo: não há.
Formas nominais: colorir, colorindo, colorido.

48. Conjugação do verbo ser

Presente do indicativo: sou, és, é, somos, sois, são.


Pretérito perfeito do indicativo: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.
Pretérito imperfeito do indicativo: era, eras, era, éramos, éreis, eram.
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo: fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram.
Futuro do presente do indicativo: serei, serás, será, seremos, sereis, serão.
Futuro do pretérito do indicativo: seria, serias, seria, seríamos, seríeis, seriam.
Presente do subjuntivo: seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem.
Futuro do subjuntivo: for, fores, for, formos, fordes, forem.
Infinitivo pessoal: ser, seres, ser, sermos, serdes, serem.
Imperativo afirmativo: sê, seja, sejamos, sede, sejam.
Imperativo negativo: não sejas, não seja, não sejamos, não sejais, não sejam.
Formas nominais: ser, sendo, sido.

49. Correlação verbal

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Correlação verbal é a relação mútua entre duas formas verbais no que diz respeito ao
tempo. A articulação do período exige que os verbos estabeleçam entre si uma relação de
correspondência, havendo perfeita correspondência entre eles.
Exemplo: Se eu tivesse dinheiro, faria um curso preparatório para Auxiliar Técnico de
Enfermagem.
O verbo tivesse indica hipótese; faria indica tempo que expressa possibilidade (fazer o
curso) que depende da realização ou não, do fato contido em “tivesse”.

50. Vozes verbais

A voz ativa indica que o sujeito pratica a ação verbal. Exemplo: Antônio lê o livro.
(“Antônio” é o sujeito que pratica a ação de “ler”).
A voz passiva demonstra que o sujeito é paciente da ação verbal, ou seja, sofre a ação
expressa no verbo. Divide-se em:
a) voz passiva sintética: constituída por verbo transitivo direto, pronome “se”
(partícula apassivadora), e o sujeito paciente: Vendem-se estetoscópios.
b) voz passiva analítica: formada por sujeito paciente, verbo auxiliar “ser” ou “estar”,
verbo principal indicador de ação no particípio - ambos formam locução verbal passiva - e
agente da passiva. Exemplo: O livro é lido por Antônio.
A voz reflexiva indica que o sujeito pratica a ação sobre si mesmo. Exemplo: Maria
penteou-se. Nesse caso, Maria pratica a ação verbal que incide sobre si mesma que é a de
“pentear-se”.

51. Transformação da voz ativa na voz passiva e vice-versa

Dá-se a passagem da voz ativa para a passiva e vice-versa da seguinte forma:


a) o sujeito da voz ativa transformar-se-á em agente da passiva;
b) o objeto direto da voz ativa transformar-se-á em sujeito da voz passiva;
c) na voz passiva, o verbo “ser” deve estar no mesmo tempo e modo do verbo
transitivo direto da voz ativa;
d) Na voz passiva, o verbo transitivo direto ficará no particípio.
Observação: não ocorre a voz passiva com verbo transitivo indireto.

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Exemplo de voz ativa: Antônio lê o livro.
Exemplo de voz passiva: O livro é lido por Antônio.

52. Advérbio

Advérbio é uma palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou o próprio


advérbio, indicando determinada circunstância. Exemplo: O médico chegou cedo. Nesse
exemplo, tem-se o adjunto adverbial de tempo (cedo), modificando o verbo “chegou”.
Os advérbios classificam-se em:
a) afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente, com certeza, sem dúvida etc.;
b) dúvida: acaso, talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente etc.;
c) intensidade: muito, pouco, bastante, demais, menos, tão etc.;
d) lugar: aqui, lá, aí, cá, lá, atrás, perto, abaixo, acima, dentro, fora, além, adiante etc.;
e) modo: assim, bem, mal, depressa, devagar (a maioria das palavras terminadas em -
mente: calmamente, alegremente, manifestamente etc.);
f) negação: não, tampouco, de modo nenhum, de jeito algum etc.
g) tempo: agora, já amanhã, cedo, tarde, sempre, nunca etc.

52.1. Locução verbal

A locução verbal é a representação de um advérbio formado por um conjunto de


palavras. Exemplo: O rapaz enfrentou a situação com calma (= calmamente).
Veja alguns exemplos de locução verbal: à direita, à esquerda, à frente, à vontade, de
cor, em vão, por acaso, frente a frente, de maneira alguma, de manhã, em breve, de súbito, de
propósito, de repente etc.

52.2. Grau dos advérbios

Existem dois graus dos advérbios, a saber:


a) grau comparativo: esse grau divide-se em:
a.1. igualdade: O médico chegou tão cedo quanto o enfermeiro.
a.2. superioridade: O médico chegou mais cedo que o colega.

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a.3. inferioridade: O médico chegou menos cedo que o colega.
b) grau superlativo: esse grau divide-se em:
b.1. sintético: O enfermeiro chegou cedíssimo.
b.2. analítico: O enfermeiro chegou muito cedo.
53. Preposição

Preposição é uma palavra invariável que une dois termos da oração, estabelecendo que
o segundo elemento depende do primeiro. Exemplo: O estudo da Língua Portuguesa é útil
para todos.
As preposições classificam-se em:
a) essenciais: são aquelas palavras que são originariamente preposições: a, ante, até,
com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás;
b) acidentais: são palavras que funcionam como preposições na oração: afora, como,
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, tirante, segundo, menos etc.
As locuções prepositivas são formadas de duas ou mais palavras e funcionam como
preposição. A locução prepositiva sempre termina por preposição: abaixo de, acima de, a
despeito de, à distância de, à custa de, adiante de, além de, antes de, a fim de, à frente de, ao
lado de, ao longo de, ao redor de, a par com, a par de, apesar de, a respeito de, até a, atrás de,
através de, cerca de, de acordo com, debaixo de, de conformidade com, dentro de, dentro em,
depois de, defronte de, diante de, debaixo de, de cima de, detrás de, em frente a, em lugar de,
em face de, em favor de, em torno de, em vez de, graças a, junto a, na conta de, para com, por
causa de, por cima de, por meio de etc.

54. Conjunção

Conjunção é a palavra invariável que une duas orações entre si ou que liga dois termos
entre si independentes que exercem a mesma função sintática. Exemplo: O enfermeiro chegou
atrasado e o paciente ficou aborrecido.
As conjunções classificam-se em coordenativas e subordinativas. As conjunções
coordenativas são:
a) aditivas (expressam a ideia de soma): e, nem, mas também, mas ainda, senão ainda
etc.;

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b) adversativas (expressam a ideia de oposição): mas, porém, contudo, todavia etc.;
c) alternativas (expressam a ideia de escolha): ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer
etc.;
d) conclusivas (expressam a ideia de conclusão): pois (anteposto ao verbo), logo,
portanto, então etc.;
e) explicativas (expressam explicação): pois (anteposto ao verbo), porque, que etc.
As conjunções subordinativas são:
a) causais (indicam motivo): porque, visto que, já que, uma vez que etc.;
b) condicionais (indicam condição): se, caso, contanto que etc.;
c) consecutivas (indicam resultado): que (precedido de tão, tal, tanto) de modo que, de
maneira que etc.;
d) comparativas (indicam conformidade): como, conforme, segundo etc.;
e) temporais (indicam tempo): quando, enquanto, logo que, desde que, assim que etc.;
f) finais (indicam finalidade): a fim de, para que etc.;
g) proporcionais (indicam proporção): à proporção que, à medida que etc.;
i) integrantes: (sempre iniciam uma oração subordinada substantiva): que e se.
Observação A locução conjuntiva é o conjunto de duas ou mais palavras que equivale a uma
conjunção: ainda que, se bem que, visto que etc.

55. Interjeição

A interjeição é uma palavra invariável que indica sentimentos e emoções. As


interjeições podem ser de:
a) alegria: ah!, oh!, oba!
b) advertência: cuidado!, atenção!
c) alívio: ufa!, arre!
d) afugentamento: passa! fora!
e) animação: eia! vamos! avamte! coragem!
f) aplauso: bis! bravo!
g) chamamento: ó! ô! olá!
h) desejo: oxalá! tomara!
i) dor: ai! ui!

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j) espanto: oh! chi! ué! puxa!
k) impaciência: hum! hem!
l) invocação: ô! alô! olá!
m) pedido de silêncio: psiu! silêncio!

56. Colocação pronominal

Os pronomes oblíquos átonos “me”, “te”, “se”, “o”, “lhe”, “nos”, “vos”, “se”, “os”,
“as”, “lhes” funcionam como complementos verbais e, de acordo com sua posição diante do
verbo, são classificados em:
a) ênclise: depois do verbo;
b) próclise: antes do verbo;
c) mesóclise: no meio do verbo.
A ênclise ocorre nos seguintes casos:
a) Períodos que começam com verbos: Dê-me o livro.
b) No infinitivo impessoal: Carlos vai casar-se com Marli.
c) No imperativo afirmativo: Por favor, diga-me por que não obtivemos aprovação no
concurso público.
d) No gerúndio: Ele saiu, desejando-lhe sucesso.
Faz-se necessário considerar alguns casos importantes sobre a colocação pronominal:
a) Se o gerúndio vier precedido de preposição, emprega-se a próclise: Em se tratando
de estudar, ele é o melhor.
b) não ocorre ênclise com as formas dos futuros do indicativo e do particípio: Far-me-
ia um favor e não “Faria-me um favor”. Aquele professor tem me irritado e não “Aquele
professor tem irritado-me”.
Dá-se a próclise apenas no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo,
desde que não haja palavra que exija a próclise. Exemplo: Enviar-te-ei os livros referentes ao
próximo concurso.
A próclise ocorre diante de palavras ou expressões negativas, pronomes relativos,
pronomes indefinidos, conjunções subordinativas, advérbios, orações exclamativas, orações
interrogativas. Exemplos: Ele não o queria aqui. Quem me ensinará Língua Portuguesa?
Jamais me enganei com ela!

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Há casos optativos no que diz respeito à colocação pronominal. São os seguintes:
a) sujeito expresso: Ele se evadiu do local ou Ele evadiu-se do local;
b) conjunções coordenadas: Era inteligente, mas se queixava dos estudos ou Era
inteligente, mas queixava-se dos estudos;
c) infinitivo impessoal: Ela fez de tudo para perdoar-lhe ou Ela fez de tudo para lhe
perdoar.
É interessante também observar como funciona a colocação dos pronomes nas
locuções verbais:
a) se não houver palavra atrativa, a colocação do pronome é opcional, desde que não
contrarie as regras gramaticais: A mãe lhe devia dar apoio ou A mãe devia-lhe dar apoio ou A
mãe devia dar-lhe apoio;
b) havendo palavra atrativa, o pronome fica antes ou depois da locução, se não
contrariar as regras gramaticais: Não te quero ouvir ou Não quero ouvir-te.

57. Concordância verbal e nominal

Concordância é o meio pelo qual as palavras modificam suas terminações para se


adequarem corretamente umas às outras dentro da frase. A concordância divide-se em:
a) concordância verbal: o verbo modifica suas terminações para se ajustar, em pessoa
e número, ao sujeito. Exemplo: Os estudantes saíram cedo.
b) concordância nominal: adjetivo, artigo, numeral adjetivo e pronome adjetivo
modificam suas terminações para se adaptarem, em número e gênero, ao substantivo ao qual
se referem. Exemplos: O rapaz gosta de usar terno marrom. Os rapazes gostam de usar
ternos marrons.

57.1. Casos particulares

57.1.1. Sujeito simples

O verbo concorda em número e pessoa quando o sujeito for simples. Exemplos: Eu


cheguei, tu chegaste, ele chegou, o rapaz chegou, vocês chegaram, o professor chegou etc.

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57.1.2. Sujeito composto

Quando o sujeito é composto, o verbo vai para o plural: O rapaz e a moça saíram
juntos. Saíram juntos o rapaz e a moça.

57.1.3. Sujeito coletivo

O verbo permanece no singular quando o sujeito é coletivo: A plateia aplaudiu com


entusiasmo a apresentação.
Se o coletivo vier especificado, o verbo fica no singular ou vai para o plural: A
maioria dos estudantes passou no concurso público ou A maioria dos estudantes passaram no
concurso público. Grande parte dos torcedores aplaudiu (aplaudiram) a belíssima jogada.

57.1.4. Pronome de tratamento

Emprega-se o verbo na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossa Excelência foi


eleito ou Vossas Excelências foram eleitos.

58.1.5. Pronome relativo “que/quem”

Quando o sujeito for o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente do
pronome relativo: Fui eu que falei. Fomos nós que falamos.
Quando o sujeito for o pronome relativo quem, o verbo pode ficar na terceira pessoa
do singular, concordando com ele ou ir para a terceira pessoa do singular: Fui eu quem falou.
Fomos nós quem falou. Fui eu quem falei. Fomos nós quem falamos.

58.1.6. Indicadores de hora ( bater, dar e soar)

Os verbos “bater”, “dar” e “soar” concordam normalmente com o sujeito na indicação


de horas: O relógio da igreja deu nove horas. Os sinos da igreja bateram uma hora. Deram
quatro horas no relógio da igreja. Cinco horas soaram no relógio da praça.

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58.1.7. Expressões “um dos que” e uma das que”

O verbo permanece no singular ou no plural: Rodrigo é um dos que menos estuda


(estudam) Língua Portuguesa.

58.1.8. Quantidade aproximada

Se vier no plural, precedido de expressões como cerca de, mais de, perto de, menos
de, o verbo permanece no plural: Cerca de cinquenta alunos foram aprovados no concurso
público.

58.1.9. Nome próprio no plural

Quando o nome próprio vier com artigo no plural, o verbo permanece no plural: Os
Estados Unidos atacaram o Iraque.
Se o nome próprio não apresentar artigo ou se o artigo estiver no singular, o verbo
permanece no singular: Santa Catarina é o sexto estado mais rico da Federação, com uma
economia diversificada e industrializada.

59. Casos especiais com sujeito composto

No caso do sujeito composto, viu-se que o verbo permanece no plural: Marido e


mulher devem viver em harmonia.
Há casos em que o verbo permanece no plural ou concorda com o núcleo mais
próximo. Isso se dá com o verbo anteposto ao sujeito composto: Falaram o réu e as
testemunhas ou Falou o réu e as testemunhas.
Se o sujeito for composto de pessoas gramaticais diferentes, a primeira pessoa
prevalecerá sobre a segunda e esta, sobre a terceira: Eu, tu e Maria estudaremos para o
concurso público. Tu e Maria ireis ao teatro.
Observação: é possível também utilizar a terceira pessoa do plural, quando o sujeito é
formado pela segunda e terceira pessoas. Exemplos: Tu e Maria irão ao teatro.

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Outro caso especial é o sujeito composto resumido por pronome indefinido como, por
exemplo, nada, tudo, ninguém etc.
Exemplos: Diretores, professores e alunos, ninguém faltou à formatura. A casa, os
móveis, as roupas, tudo desapareceu com o incêndio.
A gramática apresenta outro caso interessante com a utilização de “com” (sem
vírgula). Nesse caso, o verbo permanece no plural: O professor com seu aluno participaram
do projeto de iniciação científica.
Contudo, se vier ligado por vírgula, permanece no singular: O professor, com seu
aluno, participou do projeto de iniciação científica.
No caso de “como”, o verbo vai para o plural ou concorda com o antecedente: O
pintor como o pedreiro acabou (acabaram) a construção da casa.
No caso do emprego da conjunção alternativa “ou”, deve-se observar o seguinte:
a) se apresentar a ideia de exclusão, o verbo permanece no singular: Joaquim ou
Manoel casará com Maria;
b) se não houver ideia de exclusão, o verbo permanece no plural: A alegria ou a
tristeza fazem parte da vida das pessoas.
Quando o sujeito composto é formado pelo infinitivo, emprega-se o verbo no singular:
Estudar e brincar faz parte da vida das pessoas.
Se os verbos forem antônimos ou se estiverem determinados, o verbo vai para o plural:
O falar e o escrever são dons característicos do ser-humano.
Quando o sujeito composto é formado por um ou outro, um e outro e nem um nem
outro, a concordância verbal será feita da seguinte maneira:
a) um ou outro: emprega-se o verbo no singular: Um ou outro candidato será
aprovado no concurso público;
b) um e outro ou nem um nem outro: o verbo permanecerá no singular ou no plural.
O plural é obrigatório se houver ideia de reciprocidade: Nem um nem outro deputado
ganharam as eleições. Nem um nem outro conseguirá (conseguirão) fugir da polícia.
Quando o sujeito composto é formado por palavras sinônimas ou em gradação, o
verbo concordará com a palavra mais próxima: O rancor, a ira, a raiva fez com que ele
desaparecesse.

60. Concordância com o verbo “ser”

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Apresentar-se-ão a seguir as principais concordâncias com o verbo ser.


a) O verbo “ser” concordará com o predicativo quando este indicar data, tempo ou
distância: São duas horas. É primeiro de abril. São dez quilômetros de distância.
b) O verbo “ser” concordará com o pronome pessoal: O enfermeiro sou eu. Os
enfermeiros somos nós.
c) Quando for pronome indefinido (tudo, isto, isso, aquilo), a concordância do verbo
“ser” dar-se-á com o predicativo: Tudo são flores. Aquilo eram recordações dolorosas.
d) Com as expressões é muito, é pouco, é suficiente etc., o verbo “ser” fica no
singular: Duzentos gramas de queijo é pouco; Dez mil reais é suficiente.
Observação: quando um dos elementos for pessoa (sujeito ou predicado), o verbo “ser”
concordará com ele: Robson era as esperanças da mãe.

61. Concordância dos verbos impessoais “fazer/haver”

Os verbos fazer e haver são impessoais quando indicam tempo e são empregados na
terceira pessoa do singular: Faz dez anos que não a vejo. Houve desistências no último
concurso público.
Nas locuções verbais, os verbos impessoais fazer e haver transmitem a
impessoalidade para os verbos auxiliares: Vai fazer dois meses que Paulo deixou a residência.
Vai haver vários concursos este ano.

62. Concordância nominal

A regra geral da concordância nominal é esta: o artigo, o numeral, o pronome e o


adjetivo concordam em gênero e número com o substantivo ao qual se referem. Exemplo: Os
dois melhores alunos do nosso curso foram aprovados no último concurso público.

62.1. Casos particulares

62.1.1. Adjetivo referindo-se a mais de um substantivo

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a) Quando o adjetivo é anteposto aos substantivos, concordará com o mais próximo:
Aquela estudante tem boa memória e talento.
b) Quando o adjetivo se pospõe aos substantivos, concordará com o mais próximo ou
irá para o plural, sempre concordando com os substantivos: Encontramos a moça e o rapaz
apaixonado ou apaixonados.
Algumas considerações sobre o assunto são importantes. Vejam-se, portanto, as que
seguem.
a) Quando o plural diz respeito a gêneros diferentes, o masculino prevalece sobre o
feminino: O rapaz usa blusas e casacos amarelos.
b) O adjetivo anteposto que se refere a nomes próprios exige o plural: Os especialistas
Joaquim e Manoel são irmãos.
c) No caso de substantivos antônimos, o adjetivo irá para o plural: Maria jurava amor e
ódio eternos a Joaquim.
No caso de o substantivo referir-se a mais de um adjetivo, há duas possibilidades, a
saber:
a) o substantivo vai para o plural, enumerando-se os adjetivos: Mui versado nas
línguas grega, hebraica, siríaca e caldaica;
b) o substantivo vai para o singular e, ao se enumerarem os adjetivos, acrescenta-se o
artigo a cada um deles: Falava o idioma inglês, o francês e o italiano.

63. Outros casos particulares

Mesmo, próprio, leso, anexo, incluso, quite, nenhum, obrigado e só são palavras
variáveis.
Mesmo permanecerá invariável quando significar realmente: Os alunos tiraram
mesmo nota dez.
Só permanecerá invariável quando significar apenas: Só Antônio conseguiu uma
excelente classificação no concurso público. A expressão “a sós” é invariável: Maria quer
ficar a sós.
Em anexo, menos, pseudo, a sós, quanto possível, alerta, haja vista, em vista de e
em mão são expressões invariáveis. Exemplo: Os documentos seguem em anexo. Os
bombeiros ficam sempre alerta.

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No caso das expressões é bom, é necessário e é proibido, deve-se salientar o
seguinte:

a) tais expressões concordam com o substantivo a que se referem quando esse


substantivo é precedido de artigo ou pronome: É proibido entrada. É proibida a entrada. É
necessária muita paciência;
b) essas expressões permanecem invariáveis quando o substantivo não é precedido de
artigo ou de pronome: É proibido entrada. Cenoura é bom para a visão.
Dependendo do caso, pode-se usar a palavra “bastante” ou “bastantes”. Se “bastante”
funcionar como adjetivo, flexiona-se: Bastantes alunos participaram do último concurso.
Quando “bastante” funcionar como advérbio, é invariável: As moças falaram bastante.

64. Regência verbal

Na Língua Portuguesa, alguns verbos exigem determinadas preposições. Exemplo: O


rapaz assiste ao filme. Nesse exemplo, o verbo “assistir” exige a preposição “a”, porque se
trata de verbo transitivo indireto.
As siglas utilizadas com frequência são:
a) VTD = verbo transitivo direto
b) VTI = verbo transitivo indireto
c) VI = verbo intransitivo
d) VTDI = verbo transitivo direto e indireto

AGRADECER

a) VTDI = demonstrar gratidão a alguém por alguma coisa: Agradeço-lhe o convite.


b) VTD = mostrar gratidão por alguma coisa: Agradeço o favor concedido.
c) VTI = manifestar gratidão a alguém: Escrevo para agradecer ao amigo.

ASPIRAR

a) VTD = inalar, sorver, absorver, respirar: Aspira o ar puro da floresta.

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b) VTI = almejar, ter objetivo: Ele aspira a um cargo público.
Esse verbo não aceita lhe como complemento verbal. Emprega-se a ele(a), a ela(as): Ele
aspira o ar puro da montanha. Ele aspira a ele e não Ele aspira-lhe.

ASSISTIR

a) VTI = assistir, presenciar, observar: Ele assiste ao filme.


Com esse significado, o verbo “assistir” não aceita lhe como complemento verbal.
Utiliza-se a ele(a), a ela(as): Ele assiste ao espetáculo. Ele assiste a ele e não ele assiste-lhe.
b) VTD ou VTI: prestar auxílio, prestar assistência, prestar socorro: A enfermeira assiste o
(ao) enfermo.
c) VTI = caber, ser de direito: Este direito não assiste aos estrangeiros.
d) VI = morar, residir: Ele assiste em São Paulo. Assisto no bairro da Lapa.

CHAMAR
a) VTD = convocar: O professor chamou os alunos para a aula.
b) VTD ou VTI = denominar: O diretor chamou os funcionários de incompetentes ou O
diretor chamou aos funcionários de incompetentes.

CUSTAR

a) VTI = ser custoso, ser difícil: Custou-me compreender a explicação do professor.


b) VTDI = causar trabalho, acarretar consequências: A imprudência custou-lhe a vida.

ESQUECER/LEMBRAR

a) Formas pronominais: Lembrei-me agora daquele compromisso ou Lembrou-me agora


aquele compromisso. Esqueci-me agora daquele compromisso ou Esqueceu-me agora aquele
compromisso. Como VTD: Antônio esqueceu (lembrou) a prova. (Forma não pronominal).
b) VTI = Antônio esqueceu-se (lembrou-se) da prova.

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Quando significa “cair no esquecimento” ou “vir à lembrança” e “ocorrer”, os verbos
“esquecer” e “lembrar” têm como sujeito as coisas lembradas ou esquecidas: Esqueceram-me
as regras gramaticais. Lembraram-me os dias vividos.

IMPLICAR

a) VTD = acarretar, provocar: Os resultados da prova implicam aprovação no concurso


público.
b) VTI = ter implicância, envolver-se: Aquele rapaz implicou-se em crimes.

MORAR/RESIDIR

Esses verbos vêm acompanhados da preposição em: Resido em Santana. Moro em


Brasília.

NAMORAR

Emprega-se esse verbo como VTD: Joaquim namora Maria há dois meses.

OBEDECER/DESOBEDECER

VTI = O bom motorista obedece ao semáforo. Não devemos obedecer à ditadura. Aquele
rapaz não obedece às leis.
Esses verbos não aceitam lhe quando o complemento verbal é coisa: Devemos
obedecer às leis. Devemos obedecer a elas. Devemos obedecer aos nossos pais. Devemos
obedecer-lhes.

PAGAR/PERDOAR

VTDI: Paguei a conta ao garçom. Perdoei a ofensa ao agressor. Esses verbos são
“bitransitivos”, porque pedem objeto direto da coisa que se paga ou se perdoa, e objeto

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indireto da pessoa a quem se paga ou se perdoa: Paguei o salário (coisa) ao trabalhador
(pessoa). Jesus perdoa o pecado do pecador.

PREFERIR

VTDI: Prefiro estudar a passear. Note-se que a regência desse verbo exige sempre “preferir
uma coisa a outra” e não “preferir uma coisa do que a outra”. Também é incorreto escrever ou
dizer: “prefiro mais”, “prefiro antes”, “prefiro muito mais”. Diga-se apenas: Lucas prefere
matemática à química.

QUERER

a) VTD = desejar, cobiçar: Joaquim quer uma barra de chocolate.


b) VTI = estimar, amar: Quero muito aos meus pais.

SIMPATIZAR/ANTIPATIZAR/CONFRATERNIZAR

VTI = Não simpatizo com os corruptos. Antipatizo com os honesto. Na comemoração de fim
de ano, todos confraternizaram.
Esses verbos não são usados com as formas pronominais.

VISAR
a) VTD = mirar, assinar, rubricar: O gerente do banco visou o cheque. O caçador visou o alvo
e errou.
b) VTI = almejar, desejar: O político visa ao cargo público.
A preposição pode ser omitida quando o verbo é seguido de infinitivo: José visa obter
sucesso naquele concurso público.

65. Regência nominal

Algumas palavras exigem determinadas preposições. A seguir são enumeradas


algumas delas: acessível a; acostumado a, com; adaptado a, para; adequado a; afável com,

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para, com; aflito com, em, para, por; agradável a; alheio a, de; alienado a, de; alusão a; amante
de; análogo a; ansioso de, para, por; apologia de; apto a, para; atenção a, para; atento a, em;
aversão a, para, por; ávido de, por; benéfico a; capaz de, para; certo de; compatível com;
compreensível a; comum a, de; constante em; consulta a; contemporâneo a, de; contrário a;
curioso de, para, por; desacostumado a, com; desatento a; descontente com; desejoso de;
desfavorável a; desrespeito a; devoto a, de; diferente de; difícil de; digno de; entendido em;
equivalente a; erudito em; escasso de; essencial para; estranho a; fácil de; falta a; favorável a;
fiel a; firme em; generoso com; grato a; grudado a; guerra a; hábil em; habituado a; horror a;
hostil a; ida a; idêntico a; impossível de; impotente contra, para; impróprio para; imune a;
inábil para; inacessível a; incapaz de, para; incompatível com; inconseqüente com; indeciso
em; independente de, em; indiferente a; indigno de; inerente a; ingrato com; incansável de;
intolerante com; invasão de; junto a, com; leal a; lento em; liberal com; maior de; medo a, de;
morador em; natural de; necessário a; necessidade de; negligente em; nocivo a; obediente a;
oblíquo a; ódio a, contra; odioso a, para; ojeriza a, por; oposto a; paralelo a; parco em, de;
parecido a, com; passível de; perito em; permissivo a; perpendicular a; pertinaz em; possível
de; possuído de; posterior a; preferência a, por; preferível a; prejudicial a; prestes a, para;
propenso a, para; propício a; próprio de, para; próximo a, de; querido de. por; relacionado
com; residente em; respeito a, por; responsável por; rico de, em; seguro de, em; situado em;
suspeito de; superior a; união com, entre; útil a, para; versado em.

66. Crase

A palavra “crase” é de origem grega (krasis) e significa “fusão”, “junção”. É o


encontro da vogal “a” com a preposição “a”. Exemplo:
Fui a + a feira. (Fui à feira). O primeiro “a” é artigo; o segundo, preposição.
Fui àquele encontro.

66.1. Casos em que não ocorre a crase

a) Diante de palavras masculinas: Os soldados iam a pé.


b) Diante de palavras repetidas: O policial e o bandido ficaram cara a cara.
c) Diante de verbos no infinitivo: A sessão começará a partir das 10h.

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d) Diante de artigo indefinido: Chegamos a uma definição.
e) Diante de pronomes que não admitem artigo (a ela, a ninguém, a Vossa Senhoria, a
Vossa Excelência, a Vossa Majestade, a qualquer pessoa etc.): Enviei a correspondência a
Vossa Senhoria.
f) Quando o “a” está no singular e a palavra seguinte está no plural, não ocorre a crase:
Refiro-me a candidatas ao cargo de secretária.

66.2. Casos em que ocorre a crase

a) Emprega-se o acento indicativo de crase (acento grave), quando o “a” for


substituído por “ao” na oração: Fui à feira = Fui ao supermercado.
b) Diante da palavra “moda” (à moda de), mesmo quando estiver subentendida: Saiu à
francesa. Vestia-se à moda antiga.
c) Na indicação de horas: Sairemos às 3h. Sairei às quatro horas.
d) Com expressões adverbiais femininas, locuções prepositivas ou conjuntivas: à
direita, à esquerda, à tarde, à noite, à beira de, à procura de, à proporção que, à frente de etc.

66.3. Casos em que o acento indicativo de crase (acento grave) é optativo

a) Diante de pronomes possessivos femininos: Obedeço à (a) minha mãe.


b) Diante da preposição “até”: Irei até à (a) porta.
c) Diante de nomes femininos de pessoas: Enviei uma carta a (à) Maria.

66.4. Casos especiais

a) Nomes de lugar: Vou à França (volto da); Vou a Buenos Aires (volto de). Se o
nome da cidade vier adjetivado, emprega-se o acento indicativo de crase: Vou à saudosa
Buenos Aires.
b) Casa e terra: não se emprega acento indicativo de crase (acento grave) diante da
palavra “casa” quando tiver o sentido de “lar”, “residência”: Voltei tarde a casa. Também não
haverá acento grave diante da palavra “terra” quando tiver sentido de “chão firme”: Os
marinheiros voltaram a terra.

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Observação: Quando as palavras “casa” e “terra” vierem determinadas, haverá acento
indicativo de crase: Retornamos à casa de nossos avós. Os marinheiros retornaram à terra
natal.
c) Distância: os gramáticos divergem sobre colocar ou não o acento grave antes da
palavra “distância”. Alguns gramáticos afirmam que se emprega o acento indicativo de crase,
se a palavra “distância” vier determinada; outros, porém, admitem em qualquer circunstância.
Exemplo: Um farol, a (à) distância, iluminou o navio. Joaquim estuda à distância de cem
metros da faculdade.

67. Orações coordenadas

Oração coordenada é uma oração independente da outra pela conjugação. Classificam-


se em orações coordenadas assindéticas e sindéticas.
As orações coordenadas assindéticas são ligadas apenas pelo sentido, ou seja, sem
conjunção, e as orações coordenadas sindéticas são unidas por conjunção. Exemplos:
“Os outros foram ficando pelo caminho; quase todos moravam ali perto”. (Oração
coordenada assindética)
“O rapaz comprou a roupa nova e se vestiu para a festa.”
As orações coordenadas sindéticas são classificas em:
a) aditivas: indicam pensamentos equivalentes: O médico não veio nem telefonou.
São conjunções coordenadas sindéticas aditivas: e, nem (não só)...mas também, (não
apenas)...mas ainda, (não somente)...senão ainda etc.;
b) adversativas: indicam pensamentos que se opõe: Estudava muito, contudo não
tinha método e foi reprovado. São conjunções coordenadas sindéticas adversativas: mas,
porém, todavia, contudo, não obstante, entretanto, no entanto etc.;
c) alternativas: indicam pensamentos que se alternam ou se excluem: “A justiça que
corrige ou castiga, deve ser inspirada pela Bondade que nobilita e eleva.” (Malba Tahan). São
conjunções coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer,
seja...seja etc.;
d) conclusivas: indicam ideias que encerram a dedução de um raciocínio: Penso, logo
existo. São conjunções coordenadas sindéticas conclusivas: logo, portanto, pois (posposto ao
verbo), por conseguinte, por consequência, então etc.;

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e) explicativas: apresentam-se justificando a afirmação feita na oração anterior:
Continue estudando, pois você alcançará seu objetivo. São conjunções coordenadas sindéticas
explicativas: pois (anteposto ao verbo), porque, que, porquanto etc.

68. Período composto por subordinação

O período composto por subordinação é aquele formado por duas ou mais orações que
dependem umas das outras para a compreensão do enunciado. O período composto por
subordinação apresenta uma oração principal e uma oração subordinada. Exemplo: O
professor deseja que os alunos sejam aprovados nos exames. As orações subordinadas
classificam-se em subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais;
A oração subordinada substantiva classifica-se em:
a) subjetiva: completa a oração principal, exercendo a função de sujeito: É
conveniente que você volte pela manhã.;
b) predicativa: completa a principal, exercendo a função de predicativo: Os meus
votos são que tenhas sucesso.;
c) objetiva direta: é aquela que completa a principal, exercendo a função de objeto
direto: Os professores desejam que os alunos sejam aprovados no concurso público.;
d) objetiva indireta: é aquela oração que completa a principal, exercendo a função de
objeto indireto: Necessitamos de que nos ajudem.;
e) completiva nominal: é aquela que completa a principal, exercendo a função
sintática de complemento nominal: Tenho medo de que sejas reprovado.;
f) apositivas: é aquela que completa a principal, exercendo a função de aposto: Desejo
uma coisa: que você seja aprovado no concurso público.
As orações subordinadas adjetivas exercem a função de um adjetivo em relação à
oração principal, isto é, restringem ou explicam o sentido de um substantivo ou de um
pronome expresso na oração principal. Classificam-se em:
a) restritiva: A menina que desmaiou estava muito cansada.;
b) explicativa: “O garçom, que já não era o mesmo de antigamente, atendeu-os com
indiferença.” (Fernando Sabino).
As orações subordinadas adverbiais são aquelas que exercem a função sintática de
adjunto adverbial. Classificam-se em:

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a) causal: indica uma circunstância de causa, ou seja, um motivo: Não viajamos
porque estava chovendo.;
b) comparativa: expressa comparação: “Os sonhos, um por um, céleres voam, como
voam as pombas dos pombais. (Raimundo Correia);
c) consecutiva: indica circunstância de consequência: “A moça chorou tanto, que
ficou doente dos olhos.” (Eça de Queirós);
d) concessiva: expressa concessão, isto é, permissão, admitindo-se uma ideia
contrária: “O Congresso, embora compreendesse os motivos da renúncia, não a quis autorizar
com o seu consenso.” (Latino Coelho);
e) condicional: indica uma condição com o objetivo de se realizar um determinado
acontecimento: Viajaremos amanhã se não chover.;
f) conformativa: expressa circunstância de adequação, não contradição: Choveu
conforme a previsão do tempo.;
g) final: indica finalidade, objetivo, a destinação de um acontecimento: Devemos
estudar a fim de obtermos sucesso nos exames.;
h) proporcional: indica proporção, ou seja, acontecimentos que aumentam ou
diminuem em relação ao que se expressa na oração principal: À medida que o tempo passa,
tornamo-nos mais experientes.

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