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A Política Nacional de Saúde Integral de


Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transexuais (LGBT), instituída pelo Ministério
da Saúde, por meio da Portaria nº 2.836, de
1º de dezembro de 2011, garante aos homens
gays e bissexuais o direito à saúde integral,
humanizada e de qualidade no Sistema Único
de Saúde (SUS), tanto na rede de atenção
básica como nos serviços especializados.

A Política Nacional de Atenção Integral à


Saúde do Homem, instituída pela Portaria
nº 1.944, de 27 de agosto de 2009, reconhece
as diferentes expressões de masculinidades,
incluindo o enfoque de gênero, orientação
sexual e condição étnico-racial nas ações.

A ampliação do acesso dessa população


aos serviços de saúde do SUS passa pelo
enfrentamento à discriminação por orientação
sexual e o respeito às diferentes formas de
vivenciar e expressar a masculinidade.
HOMENS E SAÚDE

Dados do Ministério da Saúde apontam que,


no Brasil, os homens vivem 7,3 anos a menos
que as mulheres. Os homens apresentam maior
vulnerabilidade às doenças, sobretudo as
crônicas. A população masculina acessa menos
do que as mulheres os serviços de saúde, e
isso gera impactos negativos em sua saúde. Os
homens acabam acessando mais os serviços
de Atenção Especializada, em função de
agravos de saúde de urgência e emergência.

Principais causas de internação de homens no Brasil


em 2015, por capítulo do CID-101.

Capítulo do CID-10 Nº abs.

Lesões, envenenamentos e outras


consequências de causas externas 772.999

Doenças do aparelho respiratório 634.888

Doenças do aparelho circulatório 568.849

Doenças do aparelho digestivo 542.711

Doenças infecciosas e parasitárias 412.466

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Principais causas de morte em homens no Brasil em
2013, por capítulo do CID-102.

Capítulo do CID-10 Nº abs.

Doenças do aparelho circulatório 178.027

Causas externas de morbidade e


mortalidade 124.699

Neoplasias (tumores) 105.211

Doenças do aparelho respiratório 71.816

Sintomas, sinais e achados


anormais em exames clínicos 41.233
e laboratoriais

A população de gays e bissexuais se


insere nessas estatísticas de mortalidade e
morbidade masculina, dessa forma, os serviços
de saúde devem estar aptos a acolher esses
homens e promover sua saúde para além do
âmbito da sexualidade.

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ORIENTAÇÃO SEXUAL:

É a capacidade de ter, sentir ou desenvolver


atração e/ou relação emocional, afetiva ou
sexual por outra(s) pessoa(s). A orientação
sexual pode ser:

Heterossexual: pessoa que sente atração e/ou


se relaciona com pessoas do sexo oposto.

Homossexual: pessoa que sente atração e/


ou se relaciona com pessoas do mesmo sexo.
Mulheres homossexuais são chamadas de
lésbicas. Homens homossexuais são chamados
de gays.

Bissexual: pessoa que sente atração e/ou se


relaciona com pessoas de ambos os sexos.

DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO
E ACESSO À SAÚDE

Muitas vezes os gays e bissexuais são


hostilizados na família, na escola, no trabalho e
nos espaços públicos. Casos de violência física
e psicológica, motivadas por preconceito e

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violações de direitos, são acontecimentos que
podem ser comuns nas suas vidas. Os serviços
de saúde devem ser espaços de acolhimento
humanizado a todos. Não devem reproduzir
o preconceito ainda existente na sociedade,
e devem contribuir com a eliminação da
homofobia.

Homofobia: intolerância e preconceito à


orientação sexual de homossexuais, manifestos
por atitudes de ódio, violência e repulsa.

A homofobia é discriminação que leva à


agressão física, moral, psicológica, devendo
ser combatida, conforme expresso no inciso
IV do Artigo 3º, e no Artigo 5º da Constituição
Federal do Brasil.

O acesso ao SUS deve ser livre de qualquer


preconceito em decorrência de idade,
raça/etnia, cor, religião, orientação sexual,
identidade de gênero, condição econômica ou
social, estado de saúde, anomalia, patologia,
ou deficiência. Desse modo, o/a profissional
de saúde, que atua nas diversas esferas do
SUS, deve estar preparado para lidar com
usuários e usuárias de modo profissional, ético
e acolhedor.

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ATENDENDO AOS HOMENS
GAYS E BISSEXUAIS

É importante que o/a profissional de saúde


tenha uma visão ampla e abrangente dos
homens e de suas diversas masculinidades
e perceber que, assim como qualquer
outro cidadão, os gays e os bissexuais têm
necessidades de saúde variadas e devem
receber cuidados humanizados e pautados
na integralidade, em todos os níveis de
atenção à saúde.

A masculinidade diz respeito aos


comportamentos e características físicas
e psicológicas, numa determinada cultura,
relacionadas ao homem. Existem diversas
formas de vivenciar e expressar as
masculinidades.

Gays e bissexuais não deixam de ser homens


apenas porque se relacionam com outros
homens. Vivenciar a masculinidade e se
identificar como homem são construções
culturais e sociais que se expressam de forma
diversa na sociedade.

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Os cuidados de saúde direcionados a homens
gays e bissexuais estão além das questões de
HIV/aids, hepatites virais e outras infecções
sexualmente transmissíveis. O usuário precisa
ser visto em sua integralidade e, como
resultado, os atendimentos em saúde são
variados e devem buscar atender as demandas
das pessoas considerando suas experiências
de vida, se há ou não uso abusivo de álcool e
outras drogas, situações de violência, além de
seus desejos, como a paternidade.

Promover condições favoráveis ao respeito


às necessidades de saúde dos homens gays
e bissexuais significa romper resistências de
usuários e de trabalhadores da saúde, dentro e
fora das unidades de saúde, por meio de ações
como:

• Respeito às diferenças no cotidiano do


cuidado a usuários nos serviços de saúde;

• Acolhimento dos usuários, livre de


discriminação e preconceito;

• Escuta qualificada, visando o


atendimento integral e humanizado;

• Cuidado à saúde, a partir da ética


profissional e dos princípios do SUS,
principalmente no que diz respeito à
universalidade, integralidade e equidade.

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Dessa forma, inicia-se a desconstrução dos
aspectos sociais que excluem e segregam
homens gays e bissexuais, que passam a ser
incluídos como sujeitos de direitos plenos. No
SUS não deve haver espaço para preconceitos
e discriminação, todas as pessoas precisam ser
acolhidas e atendidas com respeito.

HIV/AIDS

Os dados epidemiológicos3 e outras evidências


científicas têm demonstrado que, no Brasil, a
epidemia de HIV/aids possui características de
uma epidemia concentrada, com prevalências
maiores em grupos considerados mais
vulneráveis ao risco de transmissão de agravos
infecciosos. Enquanto a prevalência de HIV/
aids na população geral tem se mantido
estável em 0,4%, em algumas populações
específicas temos prevalências diferenciadas
que demandam outras estratégias para o
enfrentamento das cadeias de transmissão.
Tais grupos são considerados “populações-
chave” para o controle da epidemia e, dentre
eles, encontram-se os homens que fazem sexo
com outros homens (HSH), que apresentam
taxas de prevalência de HIV/aids da ordem
de 10,5%; as pessoas que usam drogas, com
prevalência de 5,9%; e as profissionais do sexo,
com prevalência de 4,9%.

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Ainda é importante ressaltar uma tendência do
HIV/aids entre os jovens, em especial jovens
HSH na faixa etária entre os 15 e 24 anos de
idade. Entre aqueles com 15 a 19 anos de
idade, houve um aumento de 120% na taxa de
detecção, enquanto entre os de 20 a 24 anos,
o aumento da taxa de detecção foi da ordem
de 75,9% no período de 2003 a 20143.

PREVENÇÃO, TESTAGEM E
TRATAMENTO

Há diversas ações promovidas pelo SUS para


que a prevenção de infecções sexualmente
transmissíveis se torne um hábito na vida
de todos e todas, como por exemplo, a
distribuição de preservativos masculinos e
femininos em larga escala. O Ministério da
Saúde tem desenvolvido estratégias que
visam reduzir o diagnóstico tardio, ampliando
a testagem e incentivando o tratamento
precoce, em especial para as populações-
chave. Assim, o SUS disponibiliza de forma
gratuita testes rápidos (TR) para a detecção
do HIV/aids, capazes de detectar anticorpos
contra o HIV em até 30 minutos. Os testes
rápidos podem ser utilizados com amostra de
sangue, colhendo uma pequena gota da ponta
dos dedos, ou com amostras de fluido oral.

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Os TR podem ser realizados nas unidades
básicas de saúde (UBS), nos Centros de
Testagem e Aconselhamento (CTA) ou
mesmo em locais diversificados para além
dos serviços de saúde. Em parceria com
organizações da sociedade civil, o teste
com fluido oral tem sido ofertado em praças
públicas, bares, ruas e outros locais de
sociabilidade. Equipes de consultórios na
rua também podem ofertar os TR.

A infecção pelo HIV pode ser detectada


com, pelo menos, 30 dias a contar da
situação de risco. Isso porque o exame
(o laboratorial ou o teste rápido) busca
por anticorpos contra o HIV no sangue.
Esse é o período de janela imunológica.

A realização dos testes e seus resultados é


sigilosa, acompanhada de orientações que
ajudam os usuários do SUS tanto a refletir
sobre as formas possíveis de prevenção do
HIV e das demais infecções sexualmente
transmissíveis, quanto a entender e saber como
proceder em casos de resultados positivos.

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Após o diagnóstico positivo para HIV, qualquer
pessoa, independente de sua orientação
sexual, identidade de gênero, raça/cor e idade
tem direito ao acompanhamento e tratamento
no SUS.

Além do uso de preservativos, a PEP sexual


(profilaxia pós-exposição) é uma medida
de prevenção que consiste no uso de
medicamentos até 72 horas após a relação
sexual, para reduzir o risco de transmissão
do HIV, quando ocorrer falha ou não do
uso da camisinha. A PEP sexual é indicada
somente para situações excepcionais em que
ocorrer falha, rompimento ou não do uso da
camisinha durante a relação sexual. É também
indicada em casos de violência sexual contra
mulheres ou homens e no caso de acidentes
ocupacionais, no manejo de materiais
perfurocortantes.

Após um resultado positivo para HIV,


a primeira consulta do paciente deve
ser feita com um profissional de saúde,
infectologista ou não, no Serviço de
Assistência Especializada ou na atenção
básica. Independente do resultado dos exames
clínicos e laboratoriais, é sugerido que o
paciente inicie o tratamento antirretroviral

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conforme o Protocolo Clínico de Diretrizes
Terapêuticas (PCDT) de 2013 que sugere
o tratamento imediato após o resultado
positivo para HIV. É recomendado que a
primeira consulta aconteça o quanto antes
e que o paciente retorne regularmente para
acompanhamento e monitoramento do seu
quadro de saúde.

O primeiro contato com o serviço de saúde é o


passo inicial para o sucesso do tratamento, por
isso é importante que o paciente seja acolhido
com respeito e de forma humanizada. Todo o
atendimento no serviço de saúde deve ser livre
de julgamentos, preconceito e discriminação.

Mais informações sobre HIV/aids e outras


infecções sexualmente transmissíveis: http://
www.aids.gov.br/

VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA

O II Relatório sobre Violência Homofóbica no


Brasil4, produzido pela Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República em
2012, registrou 3.084 denúncias de 9.982
violações relacionadas à população LGBT,
envolvendo 4.851 vítimas e 4.784 suspeitos.

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Em média, 13 pessoas foram vítimas de
violência homofóbica por dia no Brasil no ano
de 2012. Em 60% das denúncias as vítimas
eram gays. O Relatório destaca que esse
cenário é preocupante devido à subnotificação
de dados relacionados a violências de caráter
homofóbico. As estatísticas analisadas
referem-se às violações reportadas, e não
correspondem à totalidade das violências
ocorridas cotidianamente contra LGBT, que
infelizmente são muito mais numerosas do
que aquelas que chegam ao conhecimento do
poder público.

Na saúde, a ficha de notificação de violências


do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN)5 foi atualizada e hoje
conta com um campo para preenchimento da
violência motivada por homofobia/lesbofobia/
transfobia.

Essas informações são imprescindíveis


para dar visibilidade à violência sofrida pela
população LGBT, qualificar os indicadores
de saúde e planejar as ações de prevenção e
promoção da saúde dessa população.

Profissional de saúde, não deixe de preencher


os campos referentes à orientação sexual,

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identidade de gênero, nome social e violência
motivada por homofobia/lesbofobia/
transfobia na ficha de notificação de violências
do SINAN.

Para saber mais acesse:


www.saude.gov.br/saudelgbt

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REFERÊNCIAS

1. BRASIL, Ministério da Saúde, Secretaria de


Vigilância em Saúde. Informações de Saúde,
Epidemiológicas e Morbidade, Morbidade
Hospitalar do SUS (SIH SUS), 2015. Dados para
tabulação disponíveis em: http://www2.datasus.
gov.br/DATASUS/index.php?area=02

2. BRASIL, Ministério da Saúde, Secretaria de


Vigilância em Saúde. Informações de Saúde,
Estatísticas Vitais, Sistema de Informação de
Mortalidade (SIM), 2013. Dados para tabulação
disponíveis em: http://www2.datasus.gov.br/
DATASUS/index.php?area=02

3. BRASIL, Ministério da Saúde, Secretaria de


Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico
HIV/Aids, 2014. Disponível em: http://www.
aids.gov.br/sites/default/files/anexos/
publicacao/2014/56677/boletim_2014_final_
pdf_15565.pdf

4. BRASIL, Secretaria de Direitos Humanos da


Presidência da República. II Relatório sobre
violência homofóbica no Brasil – ano de 2012.
Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/
lgbt/pdf/relatorio-violencia-homofobica-ano-2012

5. BRASIL, Ministério da Saúde. Ficha de


notificação de violências. Disponível em:
http://www.hc.ufpr.br/arquivos/viol_net.pdf

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