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EIRL

Como património autónomo, o EIRL configura-se inequivocamente como uma unidade


jurídica, visto que é globalmente objecto de direito de propriedade e de relações jurídicas distintas
das inerentes a cada um dos elementos que o compõem.
No EIRL há um conjunto de factores de produção organizados por um comerciante com
vista a uma actividade mercantil.
Da concepção do EIRL como unidade jurídica resulta que a lei prevê que ele possa ser
alienado por acto gratuito ou oneroso inter-vivos e também mortis-causa (artº 23º), objecto de
locação, usufruto ou penhor (artº 21º), bem como possa ser objecto de penhora em execução
contra o titular (artº 22º). Ora o que responde pelas dívidas é o bem unitário EIRL e não cada um
dos bens integradores do respectivo acervo patrimonial. Daí resulta que a transmissão do EIRL
implica a transferência para o novo titular das próprias dívidas geradas na actividade do
estabelecimento.
Assim para proteger os interesses de terceiros em relação ao próprio comerciante, a lei
estabelece:
a) A responsabilidade do comerciante no caso de não realização da sua entrada para o
capital do estabelecimento (artº 7º)
b) A responsabilidade do comerciante com todo o seu património pelas dívidas contraídas
no EIRL, em caso de insolvência, se for provado que o princípio da separação patrimonial não foi
devidamente observado na gestão do estabelecimento (artº 11º nº 2 e 3)
c) A limitação da remuneração do titular do EIRL, pela administração deste, a três vezes
o salário mínimo nacional (artº 13º)
d) A intangibilidade de capital: proibição de o titular desafectar do património do
estabelecimento quantias além dos lucros líquidos acusados pelo balanço anual (artº 14º)
e) A proibição de os credores do comerciante, por dívidas alheias à exploração do EIRL,
penhorarem este, a menos que provem a insuficiência dos restantes bens do devedor (artº 22º).
Mas não é só por estes meios que o legislador visa proteger terceiros, há também:
1 – Exigências análogas às das sociedades comerciais na constituição do EIRL (artºs 1º a
6º) e na alteração do acto constitutivo e nomeadamente na alteração do seu capital (artºs 16º a
20º) e na sua liquidação (artºs 23º a 33º);
2 – Impedimento de que cada comerciante possa ter mais de um EIRL (artº 1º nº 1; 21º nº
4 e 23º nº 4)
3 – Obrigatoriedade de elaboração e registo das contas anuais (artº 12º)
4 – Responsabilidade penal do comerciante (artºs 34º e 35º).

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EIRL
- Qualquer pessoa singular pode criar um EIRL (art.1º nº 1);
- O interessado afectará uma parte do seu património, para servir de capital social (art.1º
nº 2);
- Pode constituir-se por documento particular excepto se houver entradas ale de dinheiro
(art.2º nº 1);
- A firma tem de conter no mínimo o nome do titular e aditar a sigla “EIRL”(art.2º nº 3);
- O capital mínimo é de 5000 € (art.3º nº 2);