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Espaço de mudanças constantes por conta de históricas disputas ao direito de ocupaão e

proveito, a Praça Tiradentes trata-se de um espaço público em constante adaptações. Desde


1864 ela abriga a estátua equestre de D. Pedro I, homenagem feita por seu filho D. Pedro II.

Em um ponto especialmente central na cidade do Rio de Janeiro, a Praça se localiza entre


pontos também importantes de acontecimentos históricos embçemáticos. Além de ocupar
parte no triangulo cultural do centro do rio de janeiro, juntamente com a Lapa e a cinelandia.
Tendo feito parte, em tempos áureos, da noite glamorosa da cidade, com seus clubes de
dança., teatros, ateliês, etc. Hoje a Praça vive mais um novo momento vindo de nova
restauração e tentativa de ocupação por atividades culturais.

Acredito na importância de conhecimento do conteúdo histórico de ocupações presentes a


historia da Praça Tiradentes, para compreender melhor a presença de seu monumento de
D.Pedro I, o primeiro monumento Público da cidade.

Atualmente é possível transitar pela praça com um pouco mais de segurança, mas há pouco
tempo atrás e ciclicamente, em outros momentos da historia da praça, em que ela foi
repetidadmente , ela foi considerada perigosa, mal frequentada, sendo abrigo d ciganos, parte
mais desfavorecida da população, até hoje abrigando pessoas em situação de rua, prostitutas,
traficantes de drogas, etc.

A figura forte, imponente, erguendo na mão direita um documento que simboliza a Carta
Magna, rodeado de índios e uma cerca de altura maior do que a do brasileiro mediano; de
certa forma se coloca neste espaço, de circulação de trabalhadores, além daqueles que a
ocupam já citados acima, como mais uma imposição. Grandiosa, ela se põe. De maneira geral,
quando se olha para a estátua, de qualquer ponto da praça, há certa aura de gloria, ela se
destaca hoje de entre os prédios de fundo.

Os índios ladeando a estátua, repesentando cada grupo escultórico um importante rio


brasileiro, de maneira bastante naturalista, influenciada pelo indianismo romantizado vindo da
literatura; parecem ali devender a figura de D. Pedro, parecem apoiá-lo, quesito um tanto
irônicao e até hipócrita. E, estranhamente pra mim, e talvez também para outros passantes
que venham a olhar para o monumento, que são poucos (em breve falarei também disso), o
monumento aponta pra fora, aponta suas flechas para aquele que olha, que a rodeia. Além da
grade que o circunda, já afastando a existência desse monumento ali na praça, de seus
conpresentes, ela o ameaça.

Penso ser o tempo acelerado, de pontos como a Praça Tiradentes, tão central na cidade que
corre, que trabalha, que hoje é mais especificamente o lugar do trabalho, diferente de outros
pontos da cidade que são mais especificamente residenciais e voltados para o lazer, a partir da
reforma de Pereira Passos. A ocupação desses espaços se dá de outra forma, e a contemplação
praticamente não acontece. Extra, a questão da segurança, que também impede a interação
entre o transeunte e o monumento.

A estátua de D. Pedro I, apesar de carregar em seu ponto mais alto, ná mão direita do Rei, o
documento que de alguma forma aponta para uma futura república, se tratando do
documento que garante uma constituição e também traz a independência como símbolo, não
abarca a população de seu entorno, de maneira geral, nem o fez em seu momento de
inauguração.

Quando por ocasião da inauguração da estátua, a Praça ainda se chamava Praça do Rocio, e
presenciou manifestações de desacordo com o erguimento dessa figura ali. O monumento
atendia somente aos interesses da nobreza, impondo ao espaço um herói particular deste
grupo, que não carregava em si as qualidades necessárias para que se tornasse um simboo
para a população local daquela época.

Minimamente o que o Iphan propunha para a produção da estátua, era que aqulees que
participaram dos movimentos para a independência também estivessem ali representados,
nesta homenagem. Consideração esta que foi completamente esquecida.

Havia sim a presença de um herói muito mais cabível para os ideais simbólicos do povo, para
tê-lo como um retrato de esperança e exemplo, como “espirito”, Tiradentes, que foi executado
à forca bem próximo à Praça. A figura de Tradentes provavelmente não seria cogitada para
esse lugar simbólico tão importante par aa cidade porque, de certa forma, Tiradentes se
tratava de uma figura contrária à monarquia. Foi contra Maria I, mãe de D. Pedro I, que ele e
os inconfidentes lutaram contra. Exatamente a partir da raividincação popular é que a Praça
passou a chmar-se Praça Tiradentes.

Hoje, de fato, é bastante difícil perceber algum passante que note a presença, apesar de tão
grandiosa e cheia de gloria em suas formas e seu posicionamento espacial, da estátua.
Acredito inclusive em uma possível postura já tomada pela população do Rio de Janeiro, em
previamente já se abster de dispor atenção à tais monumentos, já que por conhecimento
também prévio, pelo habitus politico nacional, o espaço publico geralmente não é pensado
para a população que o ocupa, muito menos ainda, a instalação de um monumento que
atenda às dmeandas ideológicas desta mesma população.

Pelo contratio, por questões de “higienização” local, transformação de paisagem humana, e


uso do espaço pelo capital, de maneira muito comum e naturalizada, costuma-se afastar da
região aqueles que outrora a ocuparam, com o intuito de melhorias do local, mas
verdadeiramente para a mudança de publico presente. Para que certa parte da população,
nobre, intelectuais, artistas, ricos, empresários, etc; possam apreciá-la com ‘tranquilidade’.
Movimentos como este ocorreram variadas vezes na Praça Tiradentes, assim como em outras
partes da cidade. Atualmente vê-se ainda um moimento nesta direção, tentando afastar, por
exemplo, as pessoas em condição de rua que hoje vivem ali, em investidas publicas para leva-
los à abrigos.

A praça hoje encontra-se em uma região que outrora se tratava de uma área pantanosa, e por
conta de sucessivos alagamentos, era uma região pouco frequentada, havitada já por parte
mais desfavorecida da população, ex-escravizados, ciganos, etc. Foi quando a corte portuguesa
se mudou para a capital, que a área começa a ser habitada pela nobreza, iniciando a
construção de casas imensas, teatros, gafieira, academia de musica e artes, etc. Diante desta
mudança de paisagem populacional, os moradores de outrora foram completamente
“varridos” para outras regiões da cidade.