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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

DOCENTE: MARILENE MAIA DISCIPLINA: NEI


DISCENTES: GESSYVANE, LAÍSLA, VALÉRIA, CAROLINA E LIARA.
LICENCIATURA EM INGLÊS II SEMESTRE

RESENHA DO TERCEIRO CAPÍTULO “CULTURA


AFRO-BRASILEIRA”,
DE REGIANE AUGUSTO DE MATTOS.

Conceição do Coité - BA

2016
O livro História e cultura afro-brasileira, da autora Regiane Augusto de Mattos,
publicado em 2008, pela editora Contexto contém 224 páginas e é baseado na
lei de nº 10.639, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-
brasileira nas escolas. O livro foi criado para professores e alunos com intuito
de esclarecer e abranger de forma didática o conteúdo. A obra é dividida em
três capítulos e apresenta de uma maneira simples e direta as sociedades
africanas e como estas eram divididas. Também fala sobre o tráfico de
escravos e dos obstáculos enfrentados tanto em sua chegada ao Brasil, quanto
para se organizarem e manifestarem suas culturas, influenciando a sociedade
brasileira. Os africanos foram de eminente importância para a cultura brasileira,
que foi diretamente influenciada por aspectos religiosos, sociais, culinários e
culturais.

O terceiro capítulo “Cultura afro-brasileira’’ objeto da nossa resenha,


subdivide-se em tópicos e subtópicos. A autora aborda como a cultura africana
trouxe para o Brasil religiões diversificadas que cultuavam o politeísmo, ou
seja, vários deuses, nas quais dentro da religião existiam semelhanças e
diferenças. O nordeste brasileiro herdou de maneira assídua algumas das
religiões trazidas por africanos como: islamismo, calundu e candomblé. Até
hoje as religiões africanas sofrem preconceito, sendo ligadas às questões que
implicam em rituais, as chamadas ‘’macumbas’’, além dos orixás, que são os
deuses da religião africana.

A escravidão e a diáspora impossibilitaram a continuidade de famílias,


mas novas redes de amizades eram criadas no continente africano, nos
caminhos das caravanas e até mesmo nos navios negreiros. Nos navios
negreiros, os africanos se identificavam como “malungos” ou companheiros de
embarcação, e quando chegavam ao Brasil, muitos desses malungos
conseguiam preservar o contato por muito tempo, em especial aqueles
comprados pelo mesmo senhor. Grande parte da família africana em seu ato
de compra era separada de seus entes, para que não houvesse vínculos que
culminassem em revoltas ou até mesmo tentativas de fuga. Alguns tinham a
sorte de reencontrar familiares, mas era muito difícil, a maioria teve de criar
novos vínculos, o que facilitava na hora de obter suas cartas de alforria.

Segundo a autora, eram muitas as dificuldades à procura de um cônjuge,


já que se visava trazer para o país um maior número de africanos do sexo
masculino e adultos na faixa dos 20-29 anos, precisava-se abastecer, em
especial, as grandes propriedades com a mão-de-obra produtiva. Esse fato
acarretava o envelhecimento precoce da população escrava africana e menos
tempo para encontrar um companheiro. Outro obstáculo era o alto índice de
mortalidade entre os escravos, muitos trabalhavam durante todo o dia e
também à noite, além dos óbitos que ocorriam durante o transporte do
continente africano até o continente sul-americano.
Os africanos trouxeram além da religião, uma vasta culinária que até
hoje faz parte da cultura brasileira, principalmente na Bahia, onde a pimenta
malagueta, a banana, o azeite-de-dendê, são especiarias amplamente
utilizadas em pratos como acarajé, abará, vatapá entre outros. Assim como
trouxeram a capoeira, que no texto diz ter se tornado conhecida como uma
dança ou brincadeira, mas que também era considerada uma forma de
resistência contra roubos cotidianos, disputa de poder, bem como de oposição
ao sistema escravista.

Mattos descreve muito bem sobre a chegada dos africanos ao Brasil, fala
sobre a adaptação do negro e as heranças culturais que nos deixaram.
Entretanto, sente-se falta de um aprofundamento nos processos de resistência
negra e de como eles usavam a capoeira e suas religiões como forma de luta e
de resistência, e o que esta prática representava para o povo africano.
Acredita-se que na época, a capoeira era um manifesto de luta pelo bem maior
do negro. Mattos se reprimiu ao não fazer as suas próprias críticas, dando
ênfase somente a utilidade artística da capoeira. Em relação ao tema de
religiosidade, esta foi retratada de maneira abrangente, respeitando todos os
conceitos e sendo tratada de maneira límpida e livre de preconceito,
possibilitando ao leitor uma visão desprendida do conteúdo.

A autora ao abordar a irmandade não focaliza na sua definição, citando


deliberadamente a temática e fazendo uso da mesma através de
exemplificações, causando confusão no leitor. Deveria ter sido criado um tópico
que desse mais realce ao tema, abordando-o de maneira singular. As
informações oferecidas pela autora no tópico da Influência Africana na culinária
brasileira servem de suma importância para nutrir as curiosidades do leitor,
dando-lhes a oportunidade de perceber que o Brasil nasceu em matrizes
africanas.

O livro por ser de natureza didática consegue abordar o conteúdo de


maneira coerente, no que tange ao público que o mesmo é direcionado. É de
suma importância, que as escolas brasileiras passem a incluir o ensino da
cultura africana que é de eminente influência no nosso país, culminando no
aprendizado das nossas raízes e sua respectiva valorização.