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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE FÍSICA ARMANDO DIAS TAVARES


DEPARTAMENTO DE FÍSICA T EÓRICA

EXPERIMENTO IV

DETERMINAÇÃO DA VELOCIDADE DE UM
PROJÉTIL EM UM LANÇAMENTO OBLÍQUO

Ana Paula Mattos Costa – Matrícula 201610004714


Priscila da Silva Santos – Matrícula 201220470711
Roberto Magno – Matrícula XXXXXXXXXXXX
Ruana Camila da Conceição Lima – Matrícula 201510189311

Laboratório de Mecânica Física I


Professor: Bruno Werneck Mintz
Turma 1

2016.2
1. Objetivo

Determinação experimental do módulo da velocidade de lançamento 𝑣0


de um projétil a partir do estudo de sua trajetória parabólica.

2. Introdução

“Qualquer objeto lançado por algum meio e que segue em movimento por
sua própria inércia é chamado de projétil” (HEWITT, 2011). Quando um projétil
é lançado com um certo ângulo em relação ao solo, sua trajetória se curva devido
à ação da gravidade.

Desprezando os efeitos da resistência do ar, temos que o componente


horizontal do movimento de um projétil obedece a um movimento retilíneo
uniforme, ou seja, não existe força atuando sobre ele, de maneira que sua
velocidade é constante. Seu componente vertical, no entanto, é o mesmo de um
movimento em queda livre com aceleração oposta à aceleração da gravidade
(𝑎 = −𝑔), quando orientamos o eixo 𝑦 para cima.

A combinação dos componentes horizontal e vertical define a trajetória do


projétil, que corresponde a uma parábola.

ym

P Q

v0

θ
O xm A x

Figura 1: Trajetória do projétil.

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Considerando que o projétil é lançado com uma velocidade 𝑣0 a partir do
ponto 𝑥 0 = 𝑦0 = 0 , no instante 𝑡0 = 0 , formando um ângulo 𝜃0 com o eixo 𝑥 ,
obtemos as equações a seguir, que constituem uma boa aproximação para o
movimento de um projétil quando se despreza a resistência do ar.

a) Componentes horizontais:

𝑥 = 𝑣0 𝑐𝑜𝑠𝜃0 𝑡

𝑣𝑥 = 𝑣0 𝑐𝑜𝑠𝜃0

b) Componentes verticais:

1
𝑦 = 𝑣0 𝑠𝑒𝑛𝜃0 𝑡 − 𝑔𝑡 2
2

𝑣𝑦 = 𝑣0 𝑠𝑒𝑛𝜃0 − 𝑔𝑡

𝑣𝑦2 = 𝑣02 𝑠𝑒𝑛2 𝜃0 − 2𝑔𝑦 (𝐸𝑞𝑢𝑎ç𝑎̃𝑜 𝑑𝑒 𝑇𝑜𝑟𝑟𝑖𝑐𝑒𝑙𝑙𝑖)

c) Equação da trajetória:
𝑔𝑥 2
𝑦 = 𝑥𝑡𝑔𝜃0 − 2
2𝑣0 𝑐𝑜𝑠 2 𝜃0

d) Altura máxima:
𝑣0 𝑠𝑒𝑛𝜃0
𝑡𝑚 =
𝑔
𝑣02 𝑠𝑒𝑛2 𝜃0
𝑦𝑚 =
2𝑔

e) Alcance horizontal:

2𝑣0 𝑠𝑒𝑛𝜃0
𝑡𝐴 = = 2𝑡𝑚
𝑔

2𝑣0 𝑠𝑒𝑛𝜃0 𝑣02


𝐴 = 𝑣0 𝑐𝑜𝑠𝜃0 = 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )
𝑔 𝑔

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Foi Galileu quem primeiro demonstrou que a trajetória descreve uma
parábola e que o alcance é máximo para 𝜃0 = 45°. Além disso, enunciou que,
para o mesmo valor de 𝑣0 (em módulo), os alcances correspondentes aos
ângulos 𝜃0 = 45° + 𝛿 e 𝜃0 = 45° − 𝛿 são iguais (NUSSENZVEIG, 2002).

3. Material Utilizado

Para a realização da prática, foram utilizados os seguintes materiais:

1. Esfera (projétil);
2. Canhão de lançamento;
3. Plataforma de aterrissagem;
4. Papel ofício;
5. Papel carbono;
6. Trena.

4. Procedimento Experimental

Primeiramente, o aparato para realização do experimento foi todo


preparado de forma que a plataforma fosse posicionada no local adequado para
que o projétil aterrissasse sobre ela quando atingisse o seu alcance (𝐴). Mediu-
se, então, a distância (𝑑) do bocal do canhão de lançamento até a extremidade
da plataforma de aterrissagem. Sobre esta, foi colocada uma folha de papel
ofício coberta pelo papel carbono para que o projétil deixasse sua marca no
momento do impacto. O alcance 𝐴 corresponde à soma da distância 𝑑 com a
distância da extremidade do papel ofício à marca do impacto do projétil (𝑥).

O projétil foi lançado da posição média do canhão e o alcance 𝐴 foi


medido 5 (cinco) vezes para cada um dos 8 (oito) ângulos 𝜃0 (15°, 25°, 35°, 45°,
50°, 60°, 70°, 80°) em que o canhão de lançamento foi posicionado.

Após obtenção de todas as medidas necessárias, determinou-se a


velocidade de lançamento 𝑣0 através do cálculo da média e do método dos
mínimos quadrados e verificou-se a compatibilidade destes valores entre si.

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5. Análise de Dados

5.1. Cálculos

Nas fórmulas a seguir, leia-se 𝑥 como 𝐴 (média do alcance), 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )


(média do seno de 2𝜃0 ) ou 𝑣0 (média da velocidade de lançamento).

OBS.: Todos os cálculos envolvendo 𝜃0 foram realizados utilizando seu valor em


radianos (𝜃0 (°) ∗ 𝜋/180°).

a) Média do alcance (𝐴)

𝑁
1
𝑥= ∑ 𝑥𝑖
𝑁
𝑖=1

b) Desvio-padrão amostral (𝜎𝐴 )

𝑁
(𝑥 𝑖 − 𝑥)2
𝜎𝑥 = √ ∑
𝑁−1
𝑖=1

c) Incerteza da Média (𝜎̅𝑥 )


𝜎𝑥
𝜎̅𝑥 =
√𝑁

d) Estimativa-padrão

𝐸𝑠𝑡𝑖𝑚𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 = 𝑥 ± 𝜎̅𝑥

OBS.: Desconsideramos os erros dos instrumentos e consideramos a incerteza


da média uma vez que era mais significativa.

e) Covariância amostral (𝜎𝐴𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ))


𝑁
1
𝜎𝐴𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ) = ( ) ∑(𝐴𝑖 − 𝐴) (𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )𝑖 − 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ))
𝑁 −1
𝑖=1

5
f) Coeficiente de correlação linear de Pearson (𝑟)

𝜎𝐴𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )
𝑟=
𝜎𝐴 𝜎𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )

O coeficiente de correlação linear de Pearson varia de −1 ≤ 𝑟 ≤ 1 e


indica o grau de linearidade entre duas grandezas. Uma correlação é linear e
perfeita se 𝑟 = −1 ou 𝑟 = 1.

g) Velocidade de lançamento do projétil (𝑣0 )

O alcance foi medido para cada ângulo 𝜃0 e a velocidade de lançamento


𝑣0 foi calculada por (ver item 2):

𝑣02
𝐴= 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )
𝑔

A aceleração da gravidade utilizada como referência foi 𝑔 = 9,79𝑚/


𝑠 2 (979𝑐𝑚/𝑠²)

Posteriormente, foi obtida a estimativa-padrão a partir do cálculo da média


dos valores de 𝑣0 e a incerteza foi calculada através da propagação de erros:

𝑣0 𝜎̅𝐴 2 𝜎̅𝑠𝑒𝑛 (2𝜃0 ) 2


𝜎𝑣0 = √( ) + ( )
2 𝐴 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )

Estimamos a velocidade de lançamento 𝑣0 também a partir do método


dos mínimos quadrados:

𝑣02 𝑣02
𝑓(𝑥 ) = 𝑎𝑥 + 𝑏 ⇔ 𝐴 = 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ), 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝑎 =
𝑔 𝑔

Para isso, foram utilizados os seguintes cálculos:

 Coeficiente angular (𝑎):


𝜎𝐴
𝑎=𝑟
𝜎𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )

 Coeficiente linear (𝑏):


𝑏 = 𝐴 − 𝑎𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )

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 Incerteza do coeficiente angular (𝜎𝑎 ):
(𝐴𝑖 −𝑎𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ) 𝑖 −𝑏) 2
𝜎𝑎 = 𝜀𝐴⁄ , onde 𝜀𝐴 = √ ∑𝑁
𝑖=1
𝜎𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ) √ 𝑁 𝑁−2

 Incerteza do coeficiente linear (𝜎𝑏 ):

̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅
𝜎𝑏 = 𝜎𝑎 √(𝑠𝑒𝑛(2𝜃 2
0 )) ,

̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅
onde (𝑠𝑒𝑛(2𝜃 2
0 )) é a média quadrática dos valores de 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ).

𝑁
(𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 )𝑖 ) 2
̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅̅
2
(𝑠𝑒𝑛(2𝜃 0 )) = √ ∑
𝑁
𝑖=1

 Velocidade de lançamento (𝑣0 ):


𝑣02
𝑎= ∴ 𝑣0 = √𝑎𝑔
𝑔
1 𝑔
𝜎𝑣0 = √ 𝜎
2 𝑎 𝑎

 Transferência de incerteza de 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ) para 𝐴 (𝜎𝑖 : erro efetivo em cada


medida de 𝐴):
𝜎𝑖2 = 𝜎𝐴2𝑖 + 𝑎2 𝜎𝑠𝑒𝑛(2𝜃
2
0 )𝑖

OBS.: Calculou-se 𝜎𝑠𝑒𝑛 (2𝜃0 )𝑖 = 2cos(2𝜃0 )𝜎𝜃0 , usando como 𝜎𝜃0 a medida da
menor divisão da escala de ângulos do canhão de lançamento, que corresponde
ao valor de 0,5°.

h) Compatibilidade e Discrepância

A discrepância entre os valores encontrados é analisada por

|𝑣01 − 𝑣02 | ≤ 2𝜎, 𝑜𝑛𝑑𝑒 𝜎 = √𝜎𝑣201 + 𝜎𝑣202

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e diz-se que os valores são compatíveis entre si.

O experimento é dito inconclusivo se a discrepância assume valores no


intervalo 2𝜎 ≤ |𝑣01 − 𝑣02 | ≤ 3𝜎 . Discrepâncias maiores que 3𝜎 são inaceitáveis
e os valores são ditos incompatíveis.

5.2. Tratamento de Dados

Tabela 1: Dados Experimentais.

Medição θ0 = 15° θ0 = 25° θ0 = 35° θ0 = 45° θ0 = 50° θ0 = 60° θ0 = 70° θ0 = 80°


A1 107,60 129,20 114,60 113,20 122,75 120,45 119,50 113,00
A2 107,40 133,70 114,50 114,00 121,80 124,90 118,90 115,20
A3 109,50 134,10 115,35 113,80 121,30 124,95 120,20 113,70
A4 121,00 130,70 114,20 113,30 119,00 123,60 118,10 114,50
A5 124,50 133,60 113,75 114,40 121,70 126,00 119,10 114,10
A 114,00 132,26 114,48 113,74 121,31 123,98 119,16 114,10
σA 8,12 2,18 0,59 0,50 1,40 2,15 0,77 0,83
̅A
σ 3,63 0,98 0,26 0,22 0,62 0,96 0,35 0,37

Tabela 2: Estimativas obtidas experimentalmente para a velocidade de lançamento.

Estimativas θ0 (°) Ai (cm) sen (2θ0) v0 (cm/s)


1 15 114,00 0,50 472,45
2 25 114,48 0,77 382,50
3 35 114,48 0,94 345,35
4 45 113,74 1,00 333,69
5 50 121,31 0,98 347,27
6 60 123,98 0,87 374,37
7 70 119,16 0,64 426,01
8 80 114,10 0,34 571,49
x - 116,91 0,76 406,64
σx - 4,01 0,24 -
̅x
σ - 1,42 0,09 23,10
*Incerteza calculada pela propagação de erros (ver item 5.1(g)).

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Através do cálculo da média e usando a propagação de erros, a
estimativa-padrão para a velocidade de lançamento encontrada foi 𝑣01 =
(406,64 ± 23,10) 𝑐𝑚/𝑠.

O diagrama de dispersão do alcance 𝐴 vs. 𝑠𝑒𝑛(2𝜃0 ) utilizado para


obtenção da velocidade de lançamento pelo ajuste linear através do método dos
mínimos quadrados (v02 ) pode ser visto abaixo.

Figura 2: Diagrama de Dispersão (A x sen(2θ0)).

Tabela 3: Grau de linearidade entre A e sen(2θ0) e coeficientes de ajuste linear.

σAsen (2θ0 ) 0,31


r 0,32
a (cm) 5,38 ± 6,01
v 0 (cm/s) 72,59 ± 40,50
b (cm) 112,84 ± 5,33

A velocidade de lançamento obtida através do métodos dos mínimos


quadrados foi 𝑣0 2 = (72,59 ± 40,50) 𝑐𝑚/𝑠.

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Tabela 4: Valores de erro efetivo para cada valor de A.

Estimativas σAi (cm) σsen (2θ0 )i σi (cm)


1 8,12 0,02 8,12
2 2,18 0,01 2,18
3 0,59 0,01 0,59
4 0,50 0,00 0,50
5 1,40 0,00 1,40
6 2,15 -0,01 2,15
7 0,77 -0,01 0,78
8 0,83 -0,02 0,83

Tabela 5: Compatibilidade entre os valores obtidos para a velocidade de lançamento.

𝑣01 = (406,64 ± 23,10) 𝑐𝑚/𝑠 x 𝑣02 = (72,59 ± 40,50) 𝑐𝑚/𝑠


Discrepância σ (cm/s²) 2σ (cm/s²) Compatibilidade
334,05 46,63 93,25 Incompatível

6. Conclusão

Analisando os resultados, foi observada uma discrepância bastante


significativa entre os valores experimentais para a velocidade de lançamento do
projétil (𝑣01 = (406,64 ± 23,10) 𝑐𝑚/𝑠 e 𝑣02 = (72,59 ± 40,50) 𝑐𝑚/𝑠), mostrando
uma incompatibilidade entre eles.

Algumas fontes de erros experimentais que podem ser consideradas são:

1. Resistência do ar;
2. Imprecisão nas medidas de comprimento devido a erro de paralaxe, erro
do instrumento de medição e sua troca (metade das medidas foram feitas
no laboratório com a trena e a outra metade, em casa, com uma régua);
3. Deslizamento do canhão sobre a mesa a cada lançamento, bem como da
plataforma de aterrissagem a cada impacto do projétil.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HEWITT, Paul G. Física Conceitual. 11ª Ed. Porto Alegre: Bookman, 2011.

NUSSENZVEIG, H. Moysés. Curso de Física Básica 1 – Mecânica. 4ª Ed. São


Paulo: Edgard Blücher, 2002.

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