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CRIMINOLOGIA

CONCEITO: Raiz helenista: crima: juízo ou crímen: arte de julgar; ou latina:


crime: delito.

Na sua essência: o discurso formador e organizador do crime. Atribuído a Paul


Topinard, e divulgado por Garofalo (em sua obra criminologia).

Ela trata do crime, do criminoso, da vítima e do controle social. Assim, por ser
uma ciência humana, não há uma definição rígida. Hungria dizia que ela é o
estudo experimental do crime, buscando sua etiologia. Sutherland: conjunto de
conhecimentos que estudam o fenômeno do crime, o crimonoso, sua conduta e
seu controle e sua reinserção.

Assim, a finalidade última dela é a busca pela dignidade do homem. Insere-se,


finalmente, a figura da vítima (que tem 3 fases).

O direito penal é um ramo atrelado ao poder, naquilo que se procura


estabelecer como ‘ordem’. Num primeiro momento, o criminoso é aquele que
contesta a ordem, violando-a. Assim, este sujeito deve ser modificado e
adaptado à ordem.

Já a criminologia não é ligada ao poder, não é simpática a ele. Isso porque há


o descortinamento de fatores criminógenos gerados pelo mal uso ou abuso do
poder.

INTERDISCIPLINARIEDADE: não se limita a um único terreno científico. É


ciência causal explicativa: traz fatores sociais, jurídicos, psicológicos,
biológicos, econômicos, filosóficos, etc.

CARACTERÍSTICAS:

a) Fator interdisciplinar: sozinha ela não consegue explicar fatores complexos


que lhe compõem (DDVC).

b) É uma ciência causal explicativa (ao contrário do Direito que é uma ciência
em tese, ideal). Estuda os fatos, tem feições etiológicas.

É uma ciência geral ou específica? É, na verdade, os dois! Pois estuda as


causa e concausas da criminalidade, manifestações e efeitos da criminalidade,
política de repressão e ressocialização. Todas as vezes que estudamos
matérias humanas, vemos que a ideologia é importante e inexorável do estudo,
logo, não se abstraindo de seus fatores sócio culturais, econômicos, etc.

É uma ciência do homem – antropologia criminal; e ciência da sociedade:


sociologia criminal. Mas em ambos os casos, está-se livre os tecnicismos do
direito penal.

OBJETO, MÉTODO E FINALIDADE: reúne informações válidas sobre a


criminalidade.

a) Método empírico: coleção da quantidade de dados de um fenômeno natural;


os dados empíricos podem ser coletados por meio de uma observação
sistemática, através da observação de um fenômeno ou experimentação
induzida.

b) Objeto: é ciência do ser. Compatível com a realidade que ela busca


observar: não é mera observação, coleta de dados – como ciência vai além
disso, interpretando esses dados coletados.

c) Finalidade: redução, debelação da criminalidade, mediante ressocialização


do criminoso, conhecendo as causas da criminalidade – o fazendo através da
política criminal. Esta última é voltada para o fenômeno do problema
criminalidade, sua contenção e conhecimento das causas determinantes (do
fenômeno criminógeno). Trabalha, esta última as estratégias e meios de
combate.

PAPEL DA CRIMINOLOGIA: o direito penal é a ultima ratio, última luta do


direito, somente ocorrendo quando os demais ramos não derem conta (teoria
dos círculos conscritos).

Logo, o controle formal (exercido pelo Estado) e informal (exercido pela


sociedade).

( C R I M I N O L O G I A )

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(DIREITO PENAL)

Direito penal é uma ciência normativa, anunciando as penas dos crimes. A


criminologia é a busca das causas do crime enquanto fenômeno humano e
social (endógeno e exógeno). Volta os olhos sobre aquilo que se chama tríade
criminosa: delito, delinquente e controle social.
Sua autonomia reside no fato de que apesar de outras ciências (sociologia,
criminologia) terem como análise o crime, o têm como análise acidental, ladear.
Já a criminologia tem como foco o crime em centro, passando a ter o DDVC, a
partir do século XX. Mas veja: a criminologia também sobre evoluções,
retrocessos. E como todo ramo da ciência.

DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL

Analisa os fatos humanos


Vê a realidade, ligado à
indesejados, definindo aqueles Estratégias e meios
experimentação
que devem ser considerando-os, de controle.
metódica
então como crime

NORMA FATO VALOR


Quais fatores levam à Como diminuir a
O que é, penalmente, violência
violência doméstica e violência
doméstica e familiar.
familiar. doméstica e familiar

O criminólogo estuda o fenômeno criminoso e dá subsidio (conclusões) para a


política criminal possa postular alterações na legislação criminal. Assim, a
legislação penal depende muito da análise da criminologia, pois é ela que
fornece elementos para estabelecer a melhor forma de se resguardar os bens
jurídicos. Como a criminologia é empírica, traz o crime em suas diversas
instâncias (DDVC). Também, a partir dela, se extrai a necessidade ou não de
diminuir ou aumentar a pena.

Frenologia criminal: procura estudar o crime a partir de tracos fisionômicos;

Biologia criminal: anomalias cromossômicas e comportamento criminal.

Vê-se que esses ramos estudam o crime a partir de um viés individual, do


criminoso.

Já a sociologia criminal, procura estudar o crime no nível macro.

Psicologia criminal: procura estudar o crime como um comportamento


decorrente da psique humana.

Psiquiatria criminal: estuda a capacidade do crime

Endocrinologia criminal: influencia do sistema endócrino no comportamento


criminal.
CONCEITO DE DELITO: no plano material, é a lesão ou ameaça a um bem
jurídico relevante para um determinado corpo social (vida, honra, etc). logo é
um fenômeno humano e social. Logo, só existe no meio social. Haverá o
conflito e aqueles que questionam o statu quo.

Deve ser reiterado e deve haver produção de sofrimento à vitima e corpo


social – relevância.

REFLEXÕES SOBRE O DELINQUENTE: na criminologia moderna,


principalmente no Brasil, notamos um deslocamento para o delito e controle
social, deixando o delinquente de lado.

Ao longo da história, temos que Sócrates e Platão diziam que aquele que não
sabia o que era o bem, por ignorância cometia o delito sim.

Na Idade Média também. Para Rousseau também, que é parte da escola


clássica. Pois o delinquente se utiliza do livre arbítrio, e opta pelo caminho –
livremente – da prática do delito.

Na escola positiva, o criminoso já nascia assim.

A escola correcionalista via o delinquente como alguém que precisa de ajuda.

Vemos que essas abordagens acima ficam relegadas a um segundo


plano.

QUESTOES DA CRIMINOLOGIA MODERNA – DDVC:

Vítima: o conceito (documento da ONU de 1985) são as pessoas que sofreram


de maneira individual ou coletiva:
as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido um prejuízo, nomeadamente um atentado à
sua integridade física ou mental, um sofrimento de ordem moral, uma perda material, ou um grave
atentado aos seus direitos fundamentais, como conseqüência de atos ou de omissões violadores das leis
penais em vigor num Estado membro, incluindo as que proíbem o abuso de poder.

Nos últimos dois séculos, a vítima foi praticamente ignorada, somente


atualmente reassumindo sua posição.

a) Idade de Ouro/Protagonismo: desde os primórdios até séc XV: era o período


que imperava a vingança privada, ou levava a cabo a efetiva punição.

b) Neutralização da vítima: a partir da baixa Idade Média (séc. XII), pelas


cruzadas. A resposta do delito passa a ser do Estado (confisco).

c) Redescobrimento/Revalorização da vítima: surge desde a Escola Clássica,


com a escuta da vítima. Assim, esse redescobrimento só ocorre com a
abordagem da criminologia. Assim, o fenômeno da macrovitimização (judeus,
ciganos, homossexuais) é muito importante para a construção do conceito de
vítima.

HISTÓRIA DA VITIMOLOGIA:

Escola Clássica: preocupação com o crimonoso;

Escola Positivo: preocupação com o crime.

A partir de 1940, com os judeus e com auxílio de Mendhelsson (advogado


israelita), surge a preocupação com a vítima.

Tem por objeto o estudo da vítima e da vitimização. Possibilita a análise do


crime, a partir da relação da vítima com o delinquente: o grau de contribuição,
mesmo que involuntária, do ato delinquente.

Agora, o crime passa a ser analisado sob a ótica da vítima.

Autonomia científica? Majoritariamente não, sendo ramo da criminologia.

O processo de vitimização permite comparação com o iter criminis: o iter


victimam: é o processo de conversão de um sujeito em vítima, bem como o que
acontece com ele após a ocorrência do crime.

Vitimização Primária: é aquela decorrente da violação do bem jurídico (lesão,


prejuízo financeiro, etc). Leva a sua mudança de comportamento.

Vitimização Secundária: é o tratamento dado pelas instâncias de controle social


formal, causando-lhe a sobrevitimização, causando-lhe um dano adicional.

Vitimização Terciária: é aquela que decorre da falta de amparo dos órgãos


públicos, bem como da sociedade, de familiares (o famoso: “ah lá, como tava
vestida também”; ou “mas é um otário mesmo”.)

Classificação da vítima (Mendhelsson – pai da vitimologia):

a) Vítima inocente: não concorre com seu comportamento para a prática da


infração penal que acabou de ocorrer;

b) Vítima provocadora: ela, voluntária ou imprudentemente, colaborou para o


animo definitivo do delinquente.
c) Vítima suposta ou pseudovítima: é aquele que legitima a defesa daquele que
o agrediu.

NA ANTIGUIDADE: Nenhum autor, ainda, sistematizou o pensamento dos


antigos. Há apenas pinçamentos de pensamentos. Pex.: Aristóteles e Platão
analisavam os fatores econômicos e sociais como causas.

NA IDADE MÉDIA: Tomás de Aquino analisava que o crime tinha origem na


pobreza.

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