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SICAPEN

FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM

PROFESSOR: ANDERSON CORREA

TEMA: ANAMNESE – Entrevista

Na enfermagem a entrevista aparece como um efetivo instrumento no desenvolvimento da prática profissional cotidiana,
especialmente para a coleta de dados, que usualmente ocorre numa fase inicial do contato entre paciente e enfermagem. Esse é a
melhor oportunidade do paciente dizer como percebe o seu estado de saúde. A enfermagem porém, sabe que em qualquer contato
com o paciente/família novos dados são obtidos , portanto, mais conhecimento será adquirido a respeito do mesmo. Além disso, o
exame físico poderá estabelecer-se num clima de confiança e familiaridade se esta interação for positiva.

Um perigo no ato de entrevistar alguém é de impor a sua autoridade ao paciente, erguendo um muro que impede a comunicação
efetiva. O paciente com medo de ser atacado acaba procurando formas para defender os seus próprios valores, o que poderá
acarretar na omissão de informações importantes. A enfermagem sendo verdadeira e autentica, o paciente descobre que pode
expressar seu verdadeiro “Eu” e que será aceito sem preconceitos ou julgamentos onipotentes. Procure falar somente o necessário,
para que possa ouvir atentamente o que o paciente tem a dizer. Evite interrompê-lo durante as suas colocações. Comportando-se
abertamente encorajamos o paciente a agir da mesma forma.

Fases da Entrevista: 1) Introdução à Entrevista, 2) Corpo da Entrevista, 3) Fechamento da Entrevista

1) Na fase de Introdução à Entrevista a enfermagem apresenta-se, utilizando seu primeiro nome, e perguntando ao paciente qual
o nome prefere ser chamado. Deve ser evitado o uso de apelidos ou títulos (Vozinho(a)/Tio(a)) que podem dar falsa ideia de
intimidade. Explica que necessita entrevistá-lo, colhendo informações a respeito de diversos assuntos que permitirão adequar a
assistência de enfermagem às suas necessidades. Essa forma de contextualizar a entrevista ajuda a entender por que são feitas
tantas perguntas.

Ex: Bom dia, Sr. Alberto. Sou Adriana, estagiária de enfermagem e preciso saber algumas informações a seu respeito, para que
possamos cuidar do senhor da melhor forma.

2) Corpo da Entrevista – Paciente é estimulado expressar a percepção que possui de sua história de saúde, contando detalhes a
respeito do funcionamento de seu corpo, queixas, sentimentos ou sofrimentos que possa estar sentindo. É nesse momento que se
inclui a queixa principal de seu paciente, fazendo perguntas do detalhamento do curso da doença atual, existência de doenças
anteriores pessoais e familiares, além de buscar informações a respeito do uso de medicamentos e da existência de fatores de risco.

Ainda nessa fase a enfermagem necessita obter informações sobre os diversos hábitos e costumes, procurando saber qual o padrão
de satisfação das necessidades humanas básicas.

Quadro 1 Conteúdo dos dados sobre doenças, tratamentos, hábitos e costumes a serem coletados e sua justificativa

Aspecto abordado Conteúdo a ser coletado Por que coletar


Motivo da internação Motivo que o levou a procurar assistência e descrição dos Conhecer os aspectos principais do
E queixa principal sintomas que apresenta (quando surgiu, localização, elemento causador
intensidade, fatores que agravam e aliviam)
Presença de doenças e Descrição das doenças crônicas, motivo das Conhecer o perfil de saúde com
tratamentos anteriores, hospitalizações ou cirurgia anterior, alergia a associação desse perfil ao estado atual e
alergias medicamento, alimento, esparadrapo prever complicação
Antecedentes familiares Estado de saúde dos familiares diretos do paciente Conhecer herança familiar, buscando
(Hipertensão, Diabetes, Doenças cardíacas, renais, auto- fatores de risco para o paciente
imune, infecciosa) e causa da morte, se for o caso
Uso de medicamentos Relação dos remédios que toma e substâncias que ingere Ampliar os dados relativos ao seu estado
para alívio sintomas de saúde e tratamento
Fatores de risco Consumo de álcool, fumo ou drogas (quantidade, idade Associar ao estado de saúde atual
de início, frequência, quando parou)
Hábitos e costumes Condições de moradia, hábito de higiene, alimentação, Compreender como vive, possíveis
sono e repouso, atividade física, atividade sexual, lazer e repercussões de seus hábitos no
recreação e eliminações. desenvolvimento da doença.
3) Fechamento da Entrevista- Nesta fase a enfermagem deve conscientizar o paciente que a entrevista está chegando ao final,
dando-lhe a oportunidade para que exponha algo que ainda não tenha sido abordado e que julgue importante. Ainda nesta fase é
importante dar a oportunidade para que o paciente seja o entrevistador, dispondo-se a esclarecer quanto ao trtamento, rotinas do
hospital, estabelecer metas a respeito do planejamento de enfermagem.
FATORES QUE INTERFEREM NA COLETA DE DADOS

Dentre os fatores que interferem na coleta de dados estão: Habilidade técnica, interpessoais, o conhecimento, as crenças e os
valores da enfermagem, bem como o referencial teórico adotado.

 Comunicação verbal:

As questões abertas são aquelas que estimulam a descrição/relato do paciente sobre um determinado tema, como: “Fale-me sobre
como é o lugar onde você mora” ou “O que você faz quando sente dor?”. As perguntas elaboradas dessa forma permite ao
paciente a oportunidade de expor sua percepção a respeito da situação, mostrar aquilo que realmente é significativo do seu ponto
de vista e fornecer informações amplas. Além disso, as perguntas abertas são menos assustadoras e constrangedoras, ajudando a
criar um clima de descontração o que facilita na proximidade interpessoal. Entretanto como a resposta tende a ser longa, facilita
com que o paciente se desvie do foco do tema abordado.

Já as perguntas fechadas evitam respostas longas, permitindo focalizar certos aspectos da entrevista, apesar da tendência de fazer
com que o paciente limite as informações. Ex: “Na sua casa existe água encanada?”, “Você toma remédios quando sente dor?”.
Chama-se a atenção para as perguntas de caráter tendencioso ou que tenham caráter de julgamento que bloqueiam a livre
expressão do paciente, dificultando a relação entre ele e a enfermagem. Por exemplo: “Na sua casa tem água encanada, não tem?”,
“Você não toma remédios sem prescrição médica quando sente dor, toma?”.

AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES EMOCIONAIS: Deve envolver -> História de Vida, O significado da enfermidade e da
internação e Avaliação das condições emocionais e mentais propriamente dita

Quadro 2 – Condições de dados da história de vida

Identificação Nome, apelido, local e data do nascimento, escolaridade, idade, moradia, filiação
Família Pais vivos ou não (se não, causa da morte); Irmãos (Número); Se mora com a família; posição no grupo
familiar; Que projetos a família tinha ou tem pra ele; Condições econômicas; Ocupação atual e de
familiares; Tarefas que realiza em casa; Reuniões familiares (Frequência, tipo, motivo, etc).
Adolescência Significado dessa fase; Estudos, namoros, amigos, trabalho, mudanças, experiências; Sonhos próprios e
projetos para o futuro; Relações afetivas e matrimoniais (mora ou morou com alguém).
Atividade/Trabalho Atividade que exerceu a maior parte da vida; Atividade atual; O primeiro emprego; Relações com os
companheiros de trabalho; Mudanças de emprego, motivo; O último trabalho; Significado do trabalho hoje;
Possibilidade de retorno ao trabalho
Moradia Onde e com quem mora?; Com quem gostaria de morar?; O que acha que mais transformou na sua vida?
O adoecer Significado do adoecer; Como e quando aconteceu os primeiros sintomas; Qual significado teve para ele,
família, trabalho, escola e comunidade; O processo de adoecer influenciando na sua vida
Projetos Quais são os projetos para o futuro? O que deverá fazer para realizar seus projetos?; Considera que são
viáveis?; Como você acha que será seu futuro?
 Ansiedade: Por meio da observação do comportamento, sintomas e depoimento. O nível de ansiedade muito elevado
pode ser indicativo que paciente está em crise

Quadro 3 – Roteiro para avaliação do nível de ansiedade

Humor ansioso Inquietude, temor do pior, apreensão quanto ao futuro ou


presente, irritabilidade
Tensão Sensação de tensão, fadigabilidade, tremores, choro fácil,
incapacidade de relaxar, agitação, reações de sobressalto
Medo De escuro, de desconhecido, de multidão, de ser abandonado,
de trânsito
Insônia Dificuldade de adormecer, sonhos penosos, sono interrompido,
sono insatisfatório, fadiga ao despertar, pesadelos, tremores
noturnos
Dificuldades intelectuais Dificuldade de concentração, Distúrbios de memória
Humor depressivo Perda de interesse, humor variável, indiferença às atividades de
rotina, despertar precoce, depressão
Sintomas somáticos gerais Musculares, sensoriais, cardiovasculares, respiratórios,
gastrintestinais, geniturinários
Comportamento durante a entrevista Tenso, agitação das mãos, pernas, dedos, tiques, inquietação,
respiração suspirosa.