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MetOdOlOgia

E ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS

PROGRAMA DIGITAL
Organização:
EvoBooks

Autores:
Thelma Cademartori Figueiredo de Oliveira
Fátima Aparecida da Silva Dias
Odete Sidericoudes
Gustavo Rahmilevitz
Caro professor,
Projeto editorial, gráfico e capa: Vale ressaltar que a venda e a
Paulo Anderson Falaster Sant’Ana distribuição deste livro é proibIda,
Assistentes editoriais:
de acordo com a Lei 9.610/98

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Andressa Cristina Gonçalves Laranjeiro
Leonardo Tavares de Assis Reprodução proibida.
Rubens Luiz Barbosa Júnior Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610.
de 19 de fevereiro de 1998.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Programa inspira digital : metodológico e


orientações didáticas / [organização] EvoBooks. --
São Paulo : EvoBooks, 2016.

Vários autores.
Bibliografia
ISBN 978-85-68110-61-4

1. Educação - Finalidades e objetivos 2. Ensino -


Metodologia 3. Orientação didática 4. Pesquisa -
Metodologia 5. Professores - Formação I. EvoBooks.

16-00450 CDD-370.733
Índices para catálogo sistemático:
1. Prática de ensino : Educação 370.733

EVO DIGITAL MEDIA CONSULTORIA E TECNOLOGIA LTDA.

Rua Cláudio Soares, 72 — 16o andar — Pinheiros, São Paulo — SP — CEP 05422— 030
www.evobooks.com.br
SUMÁRIO
Carta ao professor ...4
Educação e tecnologias digitais ...5
O Programa Inspira Digital ...9
. Fundamentação pedagógica ...10
. Princípios Pedagógicos ...11
. Como operacionalizar os Princípios Pedagógicos ...14
Títulos Digitais ...19
. Organização dos Títulos Digitais ...20
. Estrutura pedagógica ...22
. Navegação e recursos tecnológicos ...25
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Materiais para atividade em sala de aula ...28


. Exemplo de Sequência Didática, versão do professor ...34
. E para o aluno?
...37
Formação continuada dos professores, coordenadores e gestores ...38
Considerações finais ...44
Parte prática – Mão na massa... ...47
. Atividade 1 ...48
. Atividade 2 ...49
. Atividade 3 ...53
. Atividade 4 ...56
. Atividade 5 ...61
Anexos ...71
. Tecnologias trazem o mundo para a escola ...71
Para ler mais ...73
Carta ao professor
O Programa Inspira Digital parte do princípio material permita que as tecnologias dispo-
que o uso das tecnologias digitais será um dos níveis possam ser exploradas e utilizadas de
principais aliados não só na interação entre os forma que o espaço de aprendizagem passe
atores do processo de aprendizagem, mas na a ser um ambiente de diálogo, no qual você
interação dos alunos com o conteúdo. e seus alunos descubram formas interativas e
atraentes de ensinar e de aprender.
Diante disso, é relevante que o professor
permaneça em processo de formação, apren- Assim, convidamos você a conhecer, explorar
dendo e se atualizando sempre, adquirindo e descobrir as potencialidades que os Títulos
ferramentas para o desenvolvimento de ações Digitais oferecem para o seu trabalho de sala
que promovam a interatividade e estimulando de aula.
seus alunos a ampliar seus conhecimentos e
Equipe EvoBooks

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as habilidades necessárias para este século.

O material que apresentamos aqui tem


a intenção de expor as bases teóricas
que fundamentam os processos e princí-
pios pedagógicos, além dos pilares que
sustentam o Programa Inspira Digital. São
eles: os Títulos Digitais Multidisciplinares,
as Sequências Didáticas com propostas de
dinâmicas de aprendizagem e a Formação
Continuada. Desejamos que a utilização deste

4 LIVRO DO PROFESSOR
Educação e tecnologias digitais
A tecnologia digital trouxe mudanças na relação entre as
pessoas na sociedade, dinamizando a vida social e construindo
soluções para problemas da vida cotidiana.

Desde a popularização da internet no Brasil e a chegada


da cultura digital, e com a recente guinada no mercado de
aparelhos mobile, pessoas de todas as idades usam esses
recursos como ferramentas de acesso a entretenimento,
comunicação e serviços.

Hoje, um smartphone permite acessar desde as redes


sociais até os aplicativos para pedir táxi ou os que indicam
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a localização de ônibus na cidade, entre outras possibili-


dades. Além disso, por meio dele podemos ler arquivos
recebidos por e-mail, agendar tarefas, fazer compras,
trocar mensagens de textos instantâneas com pessoas em e incluir na sua definição outros
diferentes lugares do mundo, ou mesmo consultar dicio- elementos além dos citados por
nários e sites, entre várias outras aplicações cotidianas. Castells. Por exemplo, esse termo
também pode se referir às trans-
Sendo assim, podemos dizer que no mundo contem-
formações na transição de uma
porâneo nos mantemos conectados o tempo todo e,
sociedade mais rígida e estru-
portanto, vivemos em uma sociedade imersa na cultura
turada para um modelo mais
digital. Para Castells (2009), um fator determinante na
flexível, voltado para compor-
definição de cultura digital está na comunicação como
tamentos colaborativos como
uma forte presença mediadora das relações humanas. A
o trabalho em equipes, para
habilidade para comunicar do local ao global em tempo
relações horizontalizadas de
real, bem como a existência de várias modalidades de
poder, nas quais as parcerias
comunicação e a interconexão das redes digitais de
passam a ser relações desejadas,
dados, estão entre os elementos que o autor elenca como
e para a flexibilidade na análise
definidores deste conceito.
e solução de problemas.
Contudo o conceito de cultura digital se encontra longe
Nesse sentido, a visão de Prado
de estar consolidado, até mesmo porque o seu uso ainda
(2009) corrobora com a ideia
é muito recente. Portanto é possível ampliar o escopo

1
CASTELLS, Manuel. Creatividad, innovación y cultura digital. Un mapa de sus interecciones. Revista Telos – Cuadernos de Comunicación e Innovación –
Dossier Telos 2009.

PROGRAMA INSPIRA 5
de que a cultura digital define mídia impressa. Por isso, podemos dizer que eles falam a
aspectos amplos na transformação linguagem digital desde que nasceram, pois já vieram ao
da sociedade contemporânea, pois mundo no apogeu dos recursos eletrônicos disponíveis
para ele: na vida cotidiana.

Justamente por terem um contato direto e constante


A cultura digital é a cultura com esses materiais e com essa maneira de veicu-
do século XXI. É a nova lação de informações, dominam com tranquilidade as
compreensão de praticamente técnicas de uso de tablets, smartphones, notebooks, etc.
tudo. O fantástico da cultura No entanto preparar o cidadão do século XXI significa
digital é que a tecnologia trouxe dar elementos para que ele possa utilizar as tecno-
à tona mudanças concretas, logias digitais da melhor maneira possível, sabendo
reais e muito práticas em transformar a informação em conhecimento.
relação a tudo que está aconte- Do ponto de vista da operacionalização básica dos apare-
cendo no mundo, mas também lhos, as novas gerações não demonstram dificuldades. No

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reflexões conceituais muito entanto, quando precisam buscar informações em locais
amplas sobre o que é a civili- confiáveis, selecionar corretamente materiais pertinentes,
zação e o que nós estamos articular as informações entre si para construir conheci-
fazendo aqui. mento e empregar esses recursos na compreensão do
seu cotidiano, nem sempre obtêm sucesso.
Entendemos que, para o cidadão
Nesse caso, o papel da Educação e da escola são
do século XXI, é fundamental lidar
fundamentais no sentido de oferecer ferramentas
com as tecnologias digitais para se
para tornar o uso do digital produtivo em termos da
apropriar do acervo de informações
formação do acervo de conhecimentos do aluno, de
disponível na rede, seja do ponto
maneira reflexiva e consistente.
de vista da vida em sociedade, da
participação cidadã e do aprimora- Nesse sentido, a escola não pode deixar de reconhecer
mento da democracia, ou mesmo essas transformações que modificaram as relações
de sua inserção no mercado de da humanidade do ponto de vista social, econômico e
trabalho, atualização profissional até existencial, pois ela é a responsável pela educação
e formação continuada. E é nesse dessa geração. No entanto o simples reconhecimento
contexto sociocultural que vivem dessa cultura digital em nosso dia a dia não significa que
as novas gerações de jovens que estamos preparados para incorporá-la em nossa prática
conseguem obter informações de docente. É importante que as instituições escolares e
forma rápida, recorrendo primeiro os demais ambientes formativos da sociedade contem-
a fontes digitais e à Web, antes de porânea incorporem, além do uso, a discussão sobre as
procurarem-na em livros ou na novas tecnologias digitais.

PRADO, C. Política da Cultura Digital. In: COHN, Sérgio; SAVAZONI, Rodrigo (orgs). Cultura digital.br. Rio de Janeiro: Azougue Editorial,
2009. p. 45.

6 LIVRO DO PROFESSOR
Sobre esse tema, Almeida (2010) alerta que o currículo Atualmente, coexistem modelos de
escolar não pode continuar dissociado das novas possibili- sociedade e dinâmicas do mercado
dades tecnológicas. Para que não ocorra essa dissociação, de trabalho muito diferentes. E
as tecnologias digitais devem ser introduzidas no desen- cabe à Educação cumprir o papel
volvimento do currículo, propiciando que isso aconteça de preparar estudantes para o
no momento em que a tecnologia possa trazer significa- exercício da cidadania e para sua
tivas contribuições à aprendizagem e ao ensino, e não inserção produtiva nesse período
apenas em ações pontuais. Essa integração, segundo a de transição. É necessário que uma
autora, potencializa a criação da cultura digital na escola proposta educativa contemple
e a integração da escola e do currículo com a vida. Desta essas perspectivas para que as
forma, como aponta Almeida e Silva (2011, p. 5) habilidades e competências neces-
sárias para viver esse tempo sejam
estimuladas.
... a escola, que se constitui como um espaço de
Nesse aspecto, o seu papel é
desenvolvimento de práticas sociais, se encontra
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cada vez mais importante, pois


envolvida na rede e é desafiada a conviver com as
é você quem atua diretamente
transformações que as tecnologias e mídias digitais
na orientação para que o aluno
provocam na sociedade e na cultura, e que são trazidas
tenha condições plenas de viver
para dentro das escolas pelos alunos, costumeira-
nesse mundo e desenvolver
mente pouco orientados sobre a forma de se relacionar
habilidades como pesquisar,
educacionalmente com esses artefatos culturais que
selecionar e avaliar informações,
permeiam suas práticas cotidianas.
transformando-as em conheci-
mento, entre outras coisas. Além
A criação da cultura digital na escola vai além do uso disso, cabe também intermediar
instrumental, pois engloba outras atividades como, por novas práticas de aprendizagem,
exemplo, a interatividade com aplicativos educacionais, tornando a sala de aula um
como complemento ao desenvolvimento do currículo. espaço horizontalizado, onde
Assim, o uso das TDICs na prática da sala de aula auxilia na vocês, professores e alunos, são
aproximação desse aluno, originário das novas gerações, parceiros no processo de aprendi-
com o universo escolar, muitas vezes facilitando o engaja- zagem significativa.
mento de estudantes que não se identificam com as
formas tradicionais de ensino, e propiciando a eles uma
aprendizagem significativa.

PROGRAMA INSPIRA 7
Diante disso, a formação do professor repre-
senta um desafio.
Como aponta Valente, (p. 21):

Ela deve ser pensada na forma de


uma espiral crescente de aprendizagem,
permitindo ao educador adquirir simul-
taneamente habilidades e competências
técnicas e pedagógicas. No entanto, a
preparação desse professor é funda-
mental para que a educação dê o salto
de qualidade e deixe de ser baseada na
transmissão da informação para incor-
porar também aspectos da construção

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do conhecimento pelo aluno, usando
para isso as tecnologias digitais, que
estão cada vez mais presentes em nossa
sociedade.

Nesse sentido, acreditamos que as soluções


digitais estão no centro das transformações ALMEIDA, M. E. B. Maria Elizabeth de Almeida fala sobre tecnologia
na sala de aula. Gestão Escolar. Edição 233. Jun./Jul., 2010.
sociais vividas e que elas podem ser motiva-
Disponível em: <http://gestaoescolar.abril.com.br/aprendizagem/
doras e integradoras de uma sólida proposta entrevista-pesquisadora-puc-sp-tecnologia-sala-aula-568012.
shtml> Acesso em 15 de jan. de 2015.
educativa, por sua capacidade de enrique- ALMEIDA, M. E. B. A Educação a distância na formação continuada
cimento dos processos pedagógicos e pela de gestores para a incorporação de tecnologias na escola. In:
ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v.10, n.2, p.186-202,
atratividade que o mundo digital exerce nas jun. 2009. Disponível em: <www.fe.unicamp.br/revistas/ged/etd/
article/viewFile/1957/1794> Acesso em 15 de jan. de 2015.
novas gerações em formação.
ALMEIDA, M. E. B.; SILVA, M. G. M. Currículo, Tecnologia e Cultura
Digital: espaços e tempos de Web Currículo. Revista e-curriculum,
São Paulo, v.7 n.1 abr., 2011. Disponível em: <http://revistas.pucsp.
br/index.php/curriculum> Acesso em 15 de jan. de 2015.

VALENTE, J. A. Pesquisa, comunicação e aprendizagem com


o computador. O papel do computador no processo ensino-
aprendizagem. In: Tecnologia, Currículo e Projetos. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/1sf.pdf> Acesso em
15 de jan. de 2015.

8 LIVRO DO PROFESSOR
O Programa Inspira Digital
O Programa Inspira Digital procura difundir e aprimorar a experiência com o uso das tecnologias digitais
na Educação, tornando-se um parceiro de professores, estudantes, gestores e coordenadores na jornada de
construção do conhecimento e na preparação para a vida na cultura digital. A metodologia está estruturada
em sólidos princípios pedagógicos e é aplicada a partir de três pilares, que se articulam de forma a potencia-
lizar a experiência em sala de aula.

O universo dos conteúdos


digitais interativos é a porta
que permite aos profes-
sores entrar em um mundo
fantástico, cheio de recursos
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como simulações, infográ-


ficos, objetos 3D, mapas e
legendas interativas, entre
outros. Dessa forma, ele
pode explorar os temas curri-
culares usando ferramentas
inovadoras, que fazem parte
do mundo do aluno e são
trazidas para o cotidiano
escolar.

Já a formação continuada de
professores é a escada que
liga o andar do mundo virtual
As Práticas Didáticas com os livros do programa são os combustíveis
com a prática em sala de aula.
facilitadores para que o professor implemente o uso da tecnologia no
A formação é fundamental
seu planejamento. Isso porque elas trazem situações concretas para o
para que os professores
professor aplicar em sala de aula, sendo criadas para envolver os alunos
se sintam à vontade para
com uma metodologia alinhada às questões atuais.
utilizar o programa. A partir
do conhecimento de como Resumindo, essa inter-relação dos três pilares faz do Programa um
integrar a tecnologia digital ao poderoso aliado para que você implemente o uso das tecnologias digitais
seu planejamento, os profes- no seu planejamento de aula, integrando-as com intencionalidade na
sores adquirem uma nova relação de ensino e aprendizagem. Ao aproveitar efetivamente todo o
forma de atuar, percebendo potencial presente nos Títulos Digitais, a tecnologia se torna uma ferra-
o digital como um aliado. menta pedagógica importante à sua prática docente cotidiana.

PROGRAMA INSPIRA 9
Fundamentação pedagógica
Atualmente, a formação para os alunos desta nova geração deve consistir no desenvolvimento de habili-
dades e competências para o século XXI, capacitando-os a viver na sociedade da cultura digital de
forma produtiva e criativa. Estas competências e habilidades serão exercitadas pelos alunos por meio
dos conteúdos envolvidos nas situações de aprendizagem com diferentes graus de complexidade. Para
isso, as situações de aprendizagem devem propiciar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.

Trabalhamos com uma metodologia em


Entre essas habilidades estão:
sala de aula que se apoia em um conjunto
1) Apropriar-se da tecnologia como forma de teorias e reflexões em curso nos debates
de aprender. sobre a educação na contemporaneidade,
bem como com as questões trazidas pelo uso

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2) Aliar iniciativa, criatividade, interesse
da tecnologia digital em sala de aula.
intelectual e curiosidade na busca por
conhecimento. A nossa proposta tem como princípios
pedagógicos a valorização da aprendizagem
3) D
 esenvolver postura reflexiva e questio-
significativa e ativa, possibilitando o desenvol-
nadora para a resolução de problemas,
vimento da autonomia e do espírito indagativo,
como base da investigação científica.
e que aconteça também por meio da aprendi-
4) R
 esponsabilizar-se pelo próprio apren- zagem colaborativa.
dizado, de forma ativa, reflexiva e
Para isso, o Programa Inspira Digital é desen-
contínua.
volvido a partir de fundamentos que tornam
5) Desenvolver o respeito pelo outro e a operativos os conceitos elencados acima, como
habilidade de escutar e de expor ideias. trabalhar a partir dos conhecimentos prévios
dos alunos, por meio de temas disparadores
que tragam uma problematização como eixo
condutor da reflexão e, também, por meio
de proposta de pesquisa. Nessa proposta, o
aluno é protagonista na construção do conhe-
cimento, explorando cada Título Digital por
meio do conteúdo adaptativo, de forma intera-
tiva.

10 LIVRO DO PROFESSOR
Princípios Pedagógicos
Os princípios pedagógicos mencionados têm como fundamentação teorias de estudiosos da área,
a saber:

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

A aprendizagem significativa se enquadra no campo teórico proposto por


David Ausubel, com base na teoria cognitivista, que busca compreender a
forma como acontece o ensino e a aprendizagem, isto é, o movimento de
aquisição e transferência de significados, bem como o da retenção dos
conteúdos. Para Ausubel:

A APRENDIZAGEM É UM PROCESSO QUE OCORRE A PARTIR DA INTERAÇÃO


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ENTRE UM CONHECIMENTO NOVO E AS IDEIAS RELEVANTES JÁ EXISTENTES


NO ACERVO DO ALUNO

É importante destacar dois aspectos da aprendizagem significativa:

1.  2.

Referente ao caráter ativo dessa aprendi- O dinamismo do apren-


zagem. Isto é, o aluno seleciona conscientemente dizado, pois os conceitos
dentro do seu repertório as informações e os vão se modificando no
conceitos potencialmente relevantes que sejam processo, tanto aqueles
AUSUBEL, D. P. Aquisição e
retenção de conhecimentos: necessários para apreender e dar significado que o aluno já dispunha
Uma perspectiva cognitiva.
Trad. Lígia Teopisto. Plátano aos novos dados, relacionando o novo conteúdo (os seus conhecimentos
Edições Técnicas. Lisboa,
2000. Disponível em: < com aqueles que o aluno já tem, identificando prévios) quanto os
http://www.uel.br/pos/ecb/
pages/> Acesso em 11 de
as semelhanças e diferenças, reorganizando-os novos que são assimi-
ago. de 2015. e reelaborando-os. Trata-se, portanto, de uma lados e “vão adquirindo
MOREIRA, M. A. Mapas aprendizagem em que o aluno não está passivo, novos significados e se
conceituais e aprendizagem
significativa. Porto Alegre, recebendo a informação sem atuar sobre ela. diferenciando progres-
Instituto de Física-UFRGS,
1997. Disponível em: Ao contrário, é um aprendizado ativo, no qual sivamente”, segundo
<www.if.ufrgs.br/~moreira/
mapasport.pdf> Acesso em
o aluno está construindo o seu conhecimento. Moreira (1997, p. 6) .
11 de ago. de 2015.
Como consequência desse fato, pode inferir
que o aluno deve querer, conscientemente,
passar pelo processo de aprendizagem.

PROGRAMA INSPIRA 11
AUTONOMIA

Ter a autonomia como um princípio significa a busca por um processo


educativo no qual o aluno desenvolva a capacidade de procurar informa-
ções, explorar diferentes fontes de conhecimento, formular questões e
solucionar problemas, explorando diferentes tipos de materiais, desde os
impressos até os digitais. Para isso, é importante que sejam incentivados
a curiosidade e o espírito indagativo em sala de aula, possibilitando que o
processo de aprendizagem seja movido pelo desafio.

No caso, o uso da tecnologia digital favorece uma atitude ativa, pois os


alunos passam a ter recursos à sua disposição que possibilitam a passagem
de um conteúdo a outro rapidamente, seguindo uma lógica não linear. E,
ainda, eles podem passar de consumidores passivos para produtores de
conteúdos digitais, elaborando seus próprios textos e exercícios ou mesmo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
desenvolvendo habilidades ligadas à tecnologia digital.

ESPÍRITO INDAGATIVO

A curiosidade e a inquietação são características desejáveis nos alunos e


que não podem ser suprimidas no contexto da escolarização. Ao contrário,
esse espírito indagativo e curioso deve ser incentivado, pois é uma impor-
tante alavanca para a aprendizagem significativa.

Ao possibilitar a visualização de simulações em 3D e trabalhar com outros


recursos dispostos nos conteúdos digitais dos Títulos EvoBooks, os alunos
vivenciam experiências imersivas e interativas que trazem novos parâmetros
para o processo de aprendizagem significativa. A partir de uma curiosidade
inicial, o aluno potencializa a sua capacidade de formular conceitos, criar
e testar hipóteses, construir significados, avaliar resultados, criar, testar e
generalizar o resultado de uma hipótese, além de reelaborar em outros
contextos as novas práticas aprendidas.

Lévy (1999) aponta para algumas questões importantes relativas a recursos


como a simulação. Para este autor, os dados presentes em uma simulação
3D compõem uma “memória auxiliar exterior”, ao apresentar visualmente
experiências que permitem liberar nosso raciocínio para outras operações

LÉVY, P. Cibercultura. (Coleção TRANS) São Paulo: Ed. 34, 1999.

12 LIVRO DO PROFESSOR
mentais como medir ou comparar, por exemplo. Essa tecnologia, segundo o
autor, não substitui o raciocínio humano, mas amplia e transforma a capaci-
dade de pensamento do homem.

Sendo assim, para Levy (1999, p. 166), a simulação tem como consequência
a ampliação da imaginação, pois apresenta “a capacidade de variar com
facilidade os parâmetros de um modelo e observar imediata e visualmente
LÉVY, P. Cibercultura.
(Coleção TRANS) São Paulo:
as consequências dessa variação”. Dessa forma, possibilita mais rapidez
Ed. 34, 1999. na formulação e no teste de hipóteses, bem como o compartilhamento de
experiências e de sistemas complexos de significados.

APRENDIZAGEM COLABORATIVA

Atualmente, o uso de tecnologia digital em sala de aula vem, aos poucos,


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

transformando a hierarquia rígida professor-aluno em uma relação em


que todos se tornam mestres e aprendizes, invertendo a lógica até então
estabelecida. Isso acontece quando alunos de novas gerações, em algumas
ocasiões, se tornam os tutores de seus professores em relação às novas
tecnologias, enquanto professores se tornam orientadores sobre as formas
de ensinar e aprender, de selecionar informações e de avaliar conteúdos.

É uma organização em que professores e alunos acabam por se tornar


curadores de conteúdos, formando uma parceria no processo de aprendi-
zagem significativa que supera o ensino via transmissão de conhecimento do
professor para o aluno. Já entre os alunos, a colaboração acontece quando o
objetivo comum é aprender trabalhando na busca, compreensão e interpre-
tação das informações, transformando-as em conhecimento. A colaboração
pode ocorrer de várias formas, inclusive com o uso de tutorias, nos quais
os alunos que têm mais facilidade auxiliam os colegas, superando o ensino
one-to-all, que dá lugar ao all-to-all, em que todos participam ativamente do
processo.

PROGRAMA INSPIRA 13
Como operacionalizar os Princípios
Pedagógicos
Como mencionado, os princípios pedagógicos, como aprendizagem significativa, autonomia, espírito
indagativo e aprendizagem colaborativa, encontram a fundamentação em teóri­cos e estudiosos da
educação e tecnologia. Para que estes princípios sejam utilizados de forma prática no Programa
Inspira Digital, eles são desenvolvidos a partir da sua operacionalização, a saber:

Conhecimentos prévios
Retomando Ausubel, para ele os conhe- busca na sua estrutura cognitiva o
cimentos prévios são os conceitos conhecimento que irá ancorar os
iniciais relevantes que estão presentes novos conceitos e conteúdos a serem
na estrutura cognitiva do aluno e compreendidos.
que funcionam como estruturas nas
Assim, os conteúdos se transformam
quais os novos conhecimentos irão
durante a aprendizagem, pois estão
se integrar. O sucesso desse processo
vinculados à forma como o assunto
depende, em grande parte, da relação
inédito será relacionado com aqueles
estabelecida entre os novos conteúdos
já existentes no repertório do aluno, e
e os que o aluno já conhece. Isto é,
à atribuição de significados que serão
para Ausubel, só se aprende a partir
dados a eles.
daquilo que já se sabe, pois o aluno

Temas disparadores
Os temas disparadores são importantes por ele, propiciando a introdução do
estratégias pedagógicas condutoras da novo assunto. Em cada disciplina, e
reflexão, pois ao partir de um problema mesmo na intersecção entre elas, há
inicial que deve ser resolvido ao longo do uma gama de questões interessantes
estudo, auxilia a tornar a aprendizagem para o aluno conhecer e que podem ser
significativa para o aluno. Para Jerome os catalisadores da reflexão inicial e do
Bruner (2001), a educação deve se situar trajeto de aprendizado.
no contexto dos problemas enfrentados
Parte-se da ideia de que a dúvida e a
pela sociedade e ter relação com o meio
insatisfação com o que já se sabe são
so­cial em que vive o estudante. Portanto,
motores fortes para disparar a vontade
deve fazer a ligação entre o mundo
de conhecer mais. E a vida na sociedade
vivido e aquele conhecimento abstrato a
atual requer cada vez mais as aptidões
ser compreendido.
para a busca, como a capacidade de
BRUNER, J. Nesse sentido, é importante que o tema encontrar informações em diferentes
A cultura da
disparador seja uma questão conhe- fontes, de analisar os dados obtidos,
educação. Porto
Alegre: Artmed, cida para o aluno, que proponha um de chegar a conclusões e resolver o
2001.
problema a ser enfrentado e resolvido problema que originou o estudo.

14 LIVRO DO PROFESSOR
Problematização
A problematização é um método de trabalho no
qual os alunos observam a realidade para identi- Além disso, ao reconhecer um problema, buscar a
ficar problemas a serem pesquisados com vista compreensão e possível solução, os envolvidos no
a, senão solucioná-los, pelo menos compreender projeto podem se deparar com novas questões e
as suas características e complexidade. Nesse desafios, que renovam o processo, e podem levar o
processo são mobilizados vários conhecimentos trabalho a outro nível. E, ainda, é possível que não se
do aluno, tanto os que ele já tem como os que encontre uma resposta ou solução, mas o processo
irá adquirir com a experiência, e eles poderão ser em si já é um caminho de pesquisa e construção de
comprovados ou reformulados pelo estudo. Os conhecimento.
conhecimentos mobilizados podem ser tanto da
área técnico-científica como das ditas humani-
dades, caracterizando um trabalho que tende a
ser interdisciplinar no sentido mais amplo.

Proposta de pesquisa
A proposta de pesquisa parte da ideia de que a dúvida e a insatisfação com o que já se sabe são motores
fortes para disparar a vontade de conhecer mais. A vida na sociedade atual requer cada vez mais as
aptidões para a pesquisa, como a capacidade de buscar informações em diferentes fontes, de analisar os
dados obtidos, de chegar a conclusões e resolver o problema que originou o estudo. A formação de grupos
de atuação em torno da resolução de problemas por meio da pesquisa tem o potencial de estimular esses
processos por um modo de aprendizado em que os estudantes possam construir o conhecimento coleti-
vamente a partir de propostas de trabalho em grupo.

Aluno protagonista
Utilizando os Títulos Digitais, o aluno pode estudar em casa, fazendo uma
experiência de laboratório, ou uma aula sobre algum tema de Geografia
ou até de Matemática, por exemplo. Nesse caso, o espaço da sala de
aula pode ser usado para resolver dúvidas, ou discutir com o professor
e os colegas sobre algum ponto específico. Esse tipo de metodologia é
chamado ensino reverso, ou aula invertida, ou ainda flipped classroom, no
qual a sala de aula passa a ser a ponta final da atividade pedagógica.

PROGRAMA INSPIRA 15
Como propõe Moran (2015), Flipped Classroom ou “Aula invertida” significa basicamente que o aluno estuda
antes os materiais básicos e os aprofunda depois em classe com a orientação do professor e a colaboração
dos colegas. Esse método pode ser feito de várias formas. Uma delas é o aluno usar um Título Digital para
realizar uma revisão em casa, para fazer um estudo específico ou mesmo para criar novos conteúdos de
forma colaborativa, junto com o professor e os colegas, a partir dos conteúdos apresentados. O aluno, nessa
formatação, tem mais oportunidade de aprender no seu ritmo, de buscar novas informações à medida que
se sentir confortável com o que já compreendeu, e se sente pronto para seguir adiante. Ainda aponta que:

A aula não é só o que acontece no espaço de uma sala, é um contato


MORAN, J. M. Uma lenta
vivo com o mundo dentro e fora da sala de aula, e as mídias digitais são
evolução (Entrevista, Guia
importantes nesta ampliação de possibilidades de aprender sozinhos de Educação a Distância
Ano 12, nº 12, São Paulo:
e em grupo, vendo, ouvindo, produzindo (novas histórias), divulgando, Segmento, 2015.)

compartilhando. MORAN, J. M. Só tecnologia


não basta - Entrevista
feita pela jornalista Paola
Gentile, publicada em
Moran (2014) defende este método, dezembro de 2014 e
disponível em <http://
app.cadernosglobo.com.
br/volume-06/educacao.
Eu tenho defendido o que chamamos de aula invertida. Nela, o docente html#entrevista-06> Acesso
em 11 de ago. de 2015.
propõe o estudo de determinado tema e o aluno procura as informa-
ções básicas na internet, assiste a vídeos e animações e lê os textos que
estão disponíveis na web ou na biblioteca da escola.

ou seja, o professor propõe atividades referentes aos conteúdos selecionados e


o aluno faz a pesquisa a partir da utilização do Título Digital que tem os conceitos
envolvidos na atividade.

Conteúdo adaptativo
Nos Títulos Digitais, cada percurso de conhecimento existente em uma
Trilha Temática é desenvolvido para permitir que o aluno encontre desde
o conteúdo mais básico e informativo, possibilitando fazer a ancoragem
com o que conhece sobre o assunto, até a elaboração de conceitos mais
complexos e abstratos. Em parte, isso se deve ao fato de que a proposta
metodológica para apresentação do conteúdo é desenvolvida de forma
não seriada, possibilitando que professores e alunos construam o currí-
culo mais adequado à etapa de aprendizagem em questão, ou seja, de
forma adaptativa.

16 LIVRO DO PROFESSOR
Sendo assim, vale destacar que é possível utilizar os Títulos Digitais durante os diferentes níveis de escolari-
dade dos alunos, pois os conteúdos podem ser trabalhados em forma espiralar.

Esse método de trabalhar os conteúdos em sala de aula se enquadra na proposta teórica de Jerome Bruner.
Para ele, é possível ensinar qualquer ciência para alunos de todas as idades, mesmo os mais jovens, desde
que os conhecimentos sejam retomados adiante. Para isso, ele propôs o currículo em espiral, em que os
conteúdos são vistos mais de uma vez, com diferentes graus de aprofundamento e diferentes formas de
representação, conforme indica a imagem abaixo.

No diagrama, vemos que um mesmo Título


pode ser utilizado para trabalhar os conteúdos
A e B menos complexos para um grupo de
alunos com um primeiro nível de escolaridade,
Conteúdo Conteúdo
Nível 3 para trabalhar os conteúdos A’ e B’ um pouco
A’’ B’’
mais complexos para outro grupo de alunos
NÍVEL

com nível superior de escolaridade e assim


sucessivamente.
Conteúdo Conteúdo
A’ B’ Nível 2
Para o aluno, isso abre a possibilidade de
fazer escolhas e estabelecer prioridades,
passando de um conteúdo para outro a partir

Conteúdo Conteúdo do momento em que se sentir seguro, após


Nível 1
A B
ter assimilado o novo conhecimento, efetiva-
mente, na sua estrutura cognitiva.

Interatividade
A interatividade é um aspecto que vem sendo valorizado e discutido
amplamente no contexto do desenvolvimento das Tecnologias Digitais
de Informação e Comunicação (TDIC), e se refere ao potencial de
comunicação que as tecnologias digitais apresentam. E, na Educação,
está intimamente relacionada com a autonomia e o protagonismo do
aluno, pois, de simples receptor de informações, ele passou a interagir
com os conteúdos e os objetos digitais. Por meio das Ferramentas de
Autoria, ele pode produzir conteúdo, marcar partes que considera mais
relevantes, acrescentando ou destacando conteúdos de acordo com

PROGRAMA INSPIRA 17
o seu percurso de aprendizagem e entendimento do que é significativo
naquele momento. Segundo Silva (2001, p. 2):

A disposição interativa permite ao usuário ser ator e autor, fazendo


SILVA, M. Sala de Aula
da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas cocriação da Interativa: A educação
presencial e à distância em
própria mensagem e da comunicação. Permite a participação enten- sintonia com a era digital e
com a cidadania. INTERCOM
dida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação – Sociedade Brasileira de
Estudos Interdisciplinares
de conteúdos. O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, da Comunicação. XXIV
selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para qualquer Congresso Brasileiro da
Comunicação – Campo
lugar. Em suma, a interatividade permite ultrapassar a condição de espec- Grande /MS – setembro
2001. Disponível em: <www.
tador passivo para a condição de sujeito operativo. unesp.br/proex/opiniao/
np8silva3.pdf>. Acesso em 3
de dez. de 2015.

Nos Títulos Digitais, onde estão dispostos vários objetos digitais em 2D e


3D, essa possibilidade é ampliada, pois os alunos podem criar suas próprias
experiências de aprendizagem ao interagir com experimentos em labora-
tórios virtuais, legendas e gráficos interativos em mapas, animações,
movimentação de câmera, além
dos recursos de autoria que
permitem ao aluno interagir e
salvar conteúdos.

18 LIVRO DO PROFESSOR
Títulos Digitais
Os Títulos Digitais rompem com a forma usual de interagir com o conteúdo, trazendo
aos usuários – alunos e professores – uma maneira revolucionária de pensar, conviver,
conhecer, fazer, ensinar e aprender.

O desafio do uso desta tecnologia digital reper- Isso é possível, pois os recursos digitais
cute no âmbito pedagógico, contribuindo com existentes permitem ao usuário, por
o desenvolvimento de estruturas cognitivas, exemplo, controlar a visualização dos objetos,
estimulando habilidades e competências. O que pode ser feita por diferentes ângulos,
advento das TDICs possibilitou a represen- tornando possível perceber características
tação de objetos e fenômenos de maneira que em imagens estáticas ficam comprome-
dinâmica, com o uso de mídias digitais intera- tidas, como noção de profundidade, distância
tivas em 2D e 3D (simulações), facilitando a e tamanho. Ou mesmo controlar uma
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

compreensão de conceitos complexos. simulação, reforçando a autonomia, para a


sua melhor compreensão.
O desenvolvimento de todos
esses ingredientes tecnológicos e
pedagógicos visa fazer com que os
usuários tenham uma experiência
interativa rica, realizada com
autonomia, possibilitando que
cada um seja o protagonista na sua
experiência com os Títulos.

PROGRAMA INSPIRA 19
Para isso, as mídias digitais interativas dos Títulos Digitais são planejadas pedagogicamente por
especialistas de cada conteúdo
para resolver dificuldades
específicas e permitir uma
abordagem inovadora e signi-
ficativa. Portanto os Títulos
Digitais foram organizados para
oferecer momentos de impacto
nas atividades de ensino e
aprendizagem, desenvolvendo
aqueles conteúdos que são
mais complexos e exigem um
nível de abstração nem sempre
fácil de ser atingido.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Organização dos Títulos Digitais
Cada um dos Títulos Digitais recebe um nome que representa a área de conhecimento a ser explo-
rada. Por exemplo: Geografia Mundial, História, Sistema Solar, Anatomia Humana, etc. Dentro deles
é possível encontrar uma subdivisão dos assuntos denominados de Trilhas Temáticas. Podemos
assim dizer que as Trilhas representam a porta de entrada dos conteúdos digitais.

Trilha
Como exemplo, o Título
temática
História Mundial é
composto de quatro
Trilhas Temáticas,
denominadas: Idade
antiga, Idade média,
Idade moderna e Idade
contemporânea.
Navegue horizontal-
mente para visualizar
todas as Trilhas.

20 LIVRO DO PROFESSOR
Assim, o número de Trilhas Temáticas pode variar nos Títulos de acordo com a organização
proposta para os conteúdos a serem explorados em cada um deles. Como vimos, o Título Sistema
Solar engloba três Trilhas Temáticas, enquanto o Anatomia Humana, que trata da estrutura e do
funcionamento do corpo humano, tem doze.

Quanto aos conteúdos, foram pensados e organizados sequencialmente por uma equipe de
professores de cada área, de forma linear, agregando complexidade no desenvolvimento da Trilha
progressivamente. Isso, para garantir a ancoragem dos conceitos, tornando a aprendizagem signi-
ficativa. É possível acessar/visualizar os conteúdos disponíveis por meio do índice que apresenta
os Temas, Subtemas e Tópicos referentes à Trilha.

Além disso, em determinados pontos dos conteúdos, há uma aba Saiba mais. Nela são apresentadas
informações e dados adicionais sobre os temas abordados, que permitem aos alunos ampliar os
assuntos de seu interesse. Essa parte pode incluir textos informativos e ainda referências externas, como
links, bibliografia, vídeos, entre outros.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 2

3 1
Tema
2
SubTema
3
Tópico

Embora os temas e os conceitos das Trilhas Temáticas estejam organizados sequen-


cialmente, a exploração e a navegação podem ser realizadas de diferentes formas,
ou seja, da melhor maneira que convier ao usuário, reforçando a ideia de autonomia
dada, quer seja para o aluno, o professor, o gestor ou os pais de alunos.

Sendo assim, o professor tem autonomia para escolher o nível de aprofundamento


que quer dar a cada atividade de sala de aula, uma vez que o conteúdo está disposto
com o cuidado de se fazer compreensível para os diferentes níveis de escolaridade
dos estudantes.

PROGRAMA INSPIRA 21
Assim, a definição nos PCN (p. 72) corrobora com essa ideia ao afirmar:

O que o aluno pode aprender em determinado momento da escolaridade Parâmetros Curriculares


depende das possibilidades delineadas pelas formas de pensamento de Nacionais – Terceiro e
quarto ciclos do ensino
que dispõe naquela fase de desenvolvimento, dos conhecimentos que já fundamental – Introdução
aos Parâmetros
construiu anteriormente e do ensino que recebe. Isto é, a ação pedagógica Curriculares Nacionais - p.
72 <ftp://ftp.fnde.gov.br/
deve se ajustar ao que os alunos conseguem realizar em cada momento web/pcn/05_08_introducao.
pdf> Acesso em 5 de ago.
de sua aprendizagem, para se constituir em verdadeira ação educativa. de 2015.

Estrutura pedagógica

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nos Títulos Digitais também existem botões que podem ser acessados a qualquer momento para visua-
lizar informações adicionais que complementam os conteúdos. É possível escolher o melhor momento
para acioná-los, ou seja, antes ou depois de abordar as Trilhas, aguçando a curiosidade do aluno.

POR DENTRO DO ASSUNTO

Neste momento, temos o primeiro contato do aluno com o tema a ser


abordado. Aqui, há a investigação dos conhecimentos prévios dos
estudantes, conforme a proposta metodológica. Segundo os PCN (p. 72):

As aprendizagens que os alunos realizam na escola serão significativas Parâmetros Curriculares


Nacionais – Terceiro e
na medida em que eles consigam estabelecer relações entre os conteúdos quarto ciclos do ensino
fundamental – Introdução
escolares e os conhecimentos previamente construídos, que atendam às aos Parâmetros
Curriculares Nacionais - p.
expectativas, intenções e aos propósitos de aprendizagem do aluno 72 <ftp://ftp.fnde.gov.br/
web/pcn/05_08_introducao.
pdf> Acesso em 5 de ago.
de 2015.
Nessa etapa inicial, também são apresentados os temas disparadores,
elaborados de forma a relacionar os conhecimentos prévios a uma
questão problematizadora, vinculada a temas do cotidiano dos alunos e
da sociedade contemporânea. Desta forma, os conhecimentos prévios, o
tema disparador e a problematização são os fios condutores do conteúdo
desenvolvido em cada Trilha Temática.

22 LIVRO DO PROFESSOR
Dependendo da composição
de cada Trilha, o “Por dentro
do assunto” pode estar
presente também em outros
momentos durante o desen-
volvimento do conteúdo, e
estará representado por um
ícone situado na tela dos
objetos digitais.

Essa abordagem é um
elemento importante para
promover nos alunos o
interesse e o engajamento
no processo de construção do conhecimento, seja por explorar relações com o cotidiano dos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

estudantes, por retomar conhecimentos trabalhados anteriormente, ou mesmo por mobilizar seu
acervo sociocultural.

JUNTANDO OS CONCEITOS

O desfecho de cada Trilha


Temática é feito por meio de
uma síntese do conteúdo,
da solução de um problema
ou de uma nova questão
que desperte o interesse
e a curiosidade do aluno,
levando-o a querer conhecer
mais ou a buscar novas infor-
mações sobre o conteúdo
estudado.

PROGRAMA INSPIRA 23
APROFUNDAMENTO

Em diferentes pontos das Trilhas


Temáticas, há momentos de
aprofundamento de conteúdos e
de propostas de reflexão, indicados
por um botão que traz informa-
ções e questões adicionais sobre os
conteúdos abordados, de forma a
tornar mais dinâmica a interação com
os diferentes temas. São eles:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Verdade ou mito?
Nesta seção o aluno é confrontado com a validade ou não
das questões do seu cotidiano, muitas vezes reproduzidas
pelo senso comum até se tornarem consenso. A partir dessa
problemática, o aluno é motivado a reavaliar os seus conhe-
cimentos prévios, permitindo que ele desenvolva novas
referências.

Além da teoria
Com base no conteúdo que está sendo estudado, esta seção
traz uma situação-problema para instigar os alunos a buscar
novas informações, formular hipóteses e a propor soluções,
podendo inclusive aplicá-las em outras situações, incentivan-
do-o para o desenvolvimento do pensamento científico. Isso
pode ser feito por meio de uma questão disparadora, que
apresente um problema a ser resolvido, ou um tema para
reflexão a ser pesquisado com mais profundidade.

24 LIVRO DO PROFESSOR
Navegação e recursos tecnológicos
No Guia de Interface (www.programainspira.com.br), assim como no tutorial (presente nos
Títulos), encontram-se detalhes e informações técnicas a respeito da navegação e dos recursos
tecnológicos. Em termos de usabilidade, a navegação dos Títulos Digitais pode ser feita de forma
simples por meio de botões que permitem transitar entre os conteúdos de maneira semelhante
à do livro didático, já conhecido e utilizado no ambiente escolar.

E, ainda, é possível pautar a


leitura por meio de navegações
espelhadas nos conteúdos desen-
volvidos nas Sequências Didáticas
(SD), mediante a leitura do QR
Code*. Dessa forma, a navegação
seguirá o percurso proposto nas
atividades, criando uma forma
nova e específica de abordagem
dos conteúdos de cada Título.

Nos Títulos Digitais, as Ferra-


mentas de Autoria propiciam a
autonomia e a interatividade características da tecnologia digital. O usuário – seja professor, gestor,
aluno ou familiar — conta com várias dessas Ferramentas que garantem uma interação dinâmica
e adaptativa a cada processo de aprendizagem. Com elas é possível introduzir textos e anotações,
usando o espaço Notas de Aula, bem como fazer traços e indicações nos objetos digitais usando a
ferramenta Pincel, com possibilidade de aplicar cores diferentes para cada anotação.

Dessa forma, é possível interagir com os objetos em 3D em tempo real, ou elaborar uma atividade
e salvar, preparando previamente um tema a ser trabalhado em sala de aula. As Ferramentas de
Autoria também favorecem a aprendizagem colaborativa, pois podem ser utilizadas para possibi-
litar que os próprios estudantes formulem exercícios, ou preparem previamente a apresentação
de temas específicos, por exemplo, elaborando essas atividades de maneira totalmente off-line.

Já os objetos digitais apresentam uma série de inovações que tornam a aprendizagem um processo
atrativo, envolvente e estimulante. Como o desenvolvimento dos objetos é inspirado em jogos de
videogames, trazem uma linguagem que dialoga com o aluno, além de conter uma série de funcio-
nalidades que impactam na percepção do usuário. Destacamos algumas a seguir:

* Código de barras 2D, que pode ser escaneado e lido por aparelhos móveis que contenham câmera fotográfica, sendo transformado em um link que irá
redirecionar o usuário para a navegação pelas Sequências Didáticas.

PROGRAMA INSPIRA 25
Visualização
Nos objetos 3D, é possível
visualizar a parte interna e os
cortes dos diferentes objetos,
bem como usar highlights em
pontos que se quer destacar.
Além disso, é possível explorar
cada objeto por ângulos
variados, visualizando-os por
ópticas diferentes, incluindo a
possibilidade de transparência,
com domínio total da localização da câmera. O uso do zoom também é uma ferramenta
importante na interatividade com os objetos, possibilitando distanciar ou aproximar a
câmera, conforme se quer perceber melhor um detalhe ou observar o funcionamento do
conjunto completo.

Os mapas podem ser vistos em forma de globo 3D, ou em mapa 2D, podendo ser girados,
aproximados ou distanciados, conforme a necessidade. Há também as legendas intera-
tivas, que permitem a visualização das informações correspondentes a cada conteúdo.
Dessa forma, o usuário pode iniciar a visualização com o mapa em branco e ir acionando
as informações da legenda até completar o mapa. Ou pode selecionar as informações de
acordo com o seu propósito.

Animação
Com as animações é possível compreender processos por meio do controle completo da
velocidade de apresentação. Isso permite, por exemplo, observar o processo de divisão
celular na Meiose ou o Sistema
Solar controlando a velocidade
de translação dos planetas,
para melhor observar a veloci-
dade relativa entre eles.

Também é possível movimentar


objetos e mapas durante
a animação, para destacar
aspectos que atendam às neces-
sidades pedagógicas.

26 LIVRO DO PROFESSOR
Simulação

Como já foi destacado, a


simulação é um recurso
relevante, facilitado pelas
ferramentas digitais. Por meio
destas é possível, por exemplo,
realizar experimentos químicos
em laboratórios virtuais aos
quais os alunos nem sempre
têm acesso, começando pelos
cuidados com segurança, até
a conclusão da experiência.

Dessa forma, fazem uma imersão no papel de um cientista real.

Usando o microscópio, há a possibilidade de visualizar desde um grão de café até chegar ao nível
atômico, percebendo a diferença de escala entre diversos elementos e observando eventos que
não se podem ver a olho nu.

As simulações de fórmulas permitem que os parâmetros numéricos que regem a simulação sejam
alterados, mudando assim os gráficos resultantes da função.

E, ainda, há outras funcionalidades que permitem a interatividade, como as linhas de campo


magnético, o galvômetro, a lupa. Todos usados em proveito da relação de ensino e aprendizagem.

PROGRAMA INSPIRA 27
Materiais para atividade em sala de aula
Para subsidiar e auxiliar na utilização dos Títulos Digitais, propomos um
Programa pautado na implementação de materiais para atividades em
sala de aula, que denominamos de Sequências Didáticas (SD). São ativi-
dades organizadas e vinculadas aos conteúdos digitais e às diferentes
áreas do conhecimento. Foram concebidas com base em fundamenta-
ções teóricas que pensamos servir de apoio ao trabalho dos professores
e dos alunos.

Para Zabala (1998, p.18) a Sequência Didática é

... um conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para ZABALA, Antoni. A prática
educativa. Tradução: Ernani
a realização de certos objetivos educacionais, que têm um princípio e F. da F. Rosa. Porto Alegre:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ArtMed, 1998. p. 18.
um fim conhecidos tanto pelos professores como pelos alunos.

Pensando nesta direção, as Sequências Didáticas são sugestões


de atividades de aprendizagem para a exploração dos Títulos Digitais,
servindo como um guia de atividades para você e também para os alunos,
além de aproximar as tarefas do aluno às tarefas de um pesquisador, ou
seja, fazer com que o aluno teste e formule hipóteses, prove, construa
modelos, conceitos e socialize os resultados.
Durante a realização da SD, o seu papel é o de mediador, proporcionando
situações favoráveis para que o aluno opere sobre o saber, transforman-
do-o em conhecimento, indo ao encontro do que diz Brousseau (2009),

que uma situação didática é uma relação entre os alunos, o professor e o


conhecimento, planejada pelo docente para que todos se apropriem, de
maneira significativa, de um saber específico da área. Nela, o estudante
aplica o que sabe na resolução de um desafio, faz aproximações e expli-
cita os procedimentos e raciocínios utilizados.

BROUSSEAU, G. : a cultura matemática é um instrumento para a cidadania. Revista Nova Escola, São Paulo, n. 228,
dez. 2009. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/cultura-matematica-instrumento-para-
cidadania-guy-brousseau-calculo-518776.shtml?page=2> – Acesso em 5 de ago. de 2015.

28 LIVRO DO PROFESSOR
conhecimentos prévios. Além
disso, permite que os alunos
e você, professor, vivenciem
atividades comuns, usando
conhecimentos e experiências
anteriores para a construção de
novos significados, avaliando
continuamente a compreensão
de um mesmo conceito.

As Sequências Didáticas foram


concebidas com a ideia que
Você vai perceber que elas são O ciclo de aprendizagem 5E uma situação de aprendizagem
propostas de forma a suscitar foi desenvolvido pela Biolo- deve despertar a curiosidade
um desejo de investigação e gical Sciences Curriculum Study ou o desejo do aluno de inves-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de busca por parte dos alunos (BSCS), que é um centro educa- tigar um tema ou assunto. Ao
com o levantamento inicial cional cujo objetivo é realizar mesmo tempo, tem a intenção
dos conhecimentos que os pesquisas e desenvolver de colocar o aluno em uma
alunos já têm. São utilizadas materiais curriculares de alta situação de aprendizagem que
como uma alavanca, para que qualidade nas áreas de Ciência tenha um início acessível, mas
os alunos possam construir e e Tecnologia, além de fornecer que vá apresentando certa
assimilar saberes durante a suporte educacional para dificuldade para que ele possa,
realização das atividades. escolas. aos poucos, compreender o
tema sem chegar antecipada-
A estrutura das Sequên- Esta metodologia foi adaptada
mente à solução, da mesma
cias Didáti­
cas contempla para o contexto específico
forma como o aluno se vê
situações de aprendizagem do Programa. Ela representa
diante das diferentes fases de
diver­sificadas, de modo que uma proposta de trabalho
um jogo.
você pos­
sa usá-las no seu de sala de aula que pode ser
planejamento, ou mesmo usada em diferentes etapas As Sequências Didáticas
alterá-las e/ou adequá-las à da aprendizagem. Pode propostas pelo Programa
sua realidade local. também ser utilizada como Inspira Digital apresentam
eixo de trabalho para a apren- uma série de etapas, as quais
As Sequências Didáticas
dizagem significativa, em que iremos abordar a seguir:
têm por base a metodologia
os alunos ancoram os novos
5E como forma de tornar o
conhecimentos naqueles
Programa uma proposta total-
que já têm, ou seja, nos seus
mente aplicável na prática.

Biological Sciences Curriculum Study. Disponível em: <http://bscs.org/bscs-5e-instructional-model> Acesso em 29 de jul. de 2015.

PROGRAMA INSPIRA 29
Aproximar os mundos
A ideia desta primeira etapa é trazer o conteúdo que será tema da
aula ou da atividade para o mundo do aluno ou como aponta Valente
(2008, p. 7):

... é uma tentativa de unir dois mundos que coexistem separa-


damente: a vida e a escola. APROXIMAR OS MUNDOS

O objetivo é engajar, despertar o interesse do aluno pelo problema VALENTE, J. A. Repensar as


apresentado e levá-lo a se envolver com este tema. É a fase que desperta situações de aprendizagem:
o fazer e o compreender.
o desejo, é pressentir o futuro questionando o “já existente”, ou seja, Boletim Salto para o Futuro,
Brasília, 2002. Tecnologia e
essa etapa é realizada por meio da identificação dos conhecimentos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
educação: novos tempos,
outros rumos. Disponível em:
prévios e do trabalho com um tema disparador. Nessa etapa o <www.virtual.ufc.br/cursouca/
modulo_4_projetos/conteudo/
aluno pode desmitificar um conhecimento previamente construído unidade_1/Eixo1-Texto19.pdf>
para incorporar novos conceitos ao seu repertório. É o momento que Acesso em 4 de jan. de 2016.

permite que o aluno ligue o que se aprende àquilo que já se sabia.

Construir ideias
Esta etapa é a de possibilitar aos alunos que, a partir da exploração,
ampliem uma base comum de experiências, construindo ideias,
identificando e desenvolvendo conceitos, bem como compreendendo
os processos. Essa ação possibilita aos alunos a construção do
conhecimento sobre um tema, observando e questionando a partir
CONSTRUIR IDEIAS
da exploração ativa dos materiais digitais e de outros. Para Levy
(1999), a tecnologia digital potencializa a simulação que tem como
LÉVY, P. Cibercultura.
consequência a ampliação da imaginação, possibilitando com mais (Coleção TRANS) São Paulo:
rapidez a formulação e o teste de hipóteses. Nesta etapa, você pode Ed. 34, 1999.

estimular o aluno para que confie em si mesmo e use a sua criatividade,


no intuito de que ele explore, levante hipóteses e descubra novas
estratégias de resolução, desenvolvendo assim o espírito indagativo.

30 LIVRO DO PROFESSOR
Ligar os pontos
Nesta etapa, os alunos devem relacionar os conceitos explorados
e explicar com base em suas reflexões e descobertas, expressando
oralmente ou por escrito, a compreensão que alcançaram,
demonstrando novas habilidades. Aqui, os processos de pensamento
e de aprendizagem dos conteúdos utilizados são evidenciados,
tornando-os conscientes do modo de utilizá-los na busca da solução
LIGAR OS PONTOS
do problema apresentado. Nesta etapa espera-se que os alunos,
“apropriando-se para o seu uso de materiais que ele encontra e de
modelos sugeridos pela cultura que o rodeia, construam suas próprias SIDERICOUDES, O. A
Formalização de Conceitos da
estruturas intelectuais” como sugere. Aproveite para introduzir termos Geometria Analítica através do
Micromundo Logo. In: Anais
formais da área do conhecimento de referência, bem como definições do IV Congresso RIBIE, Brasilia
1998. Disponível em: <http://
e explicações de conceitos, processos e habilidades, com o cuidado de goo.gl/cjBhv0> Acesso em 25 de
dar o tempo necessário para que o aluno elabore seu pensamento para out. de 2015.

a busca de soluções em relação ao problema apresentado.

Resolver desafios
Por meio de novas experiências, os alunos aprofundam a compreensão
dos principais conceitos e podem obter mais informações sobre as áreas
em que demonstram mais interesse. Nesta etapa, é importante que os
alunos se sintam motivados para aplicar em situações diferentes, o que
RESOLVER DESAFIOS
já aprenderam para resolver o problema. Para Macedo (2002, p. 115),
a resolução de um desafio.

MACEDO, L. Situação-
“pede um posicionamento, pede um arriscar-se, coordenar fatores Problema: Forma e Recurso de
Avaliação, Desenvolvimento de
em um contexto delimitado, com limitações que nos desafiam a competências e Aprendizagem
Escolar. In: PERRENOUD,
superar obstáculos, a pensar em um outro plano ou nível. Trata-se de P; THURLER, M. G.. As
Competências para ensinar
uma alteração criadora de um contexto que problematiza, perturba, no Século XXI. Trad. Cláudia
desequilibra.” Schilling e Fátima Murad. Porto
Alegre: ArtMed, 2002.

PROGRAMA INSPIRA 31
É a etapa da recontextualização dos conceitos já aprendidos, ou seja, é
o uso dos conceitos em uma situação diferente da anterior. Nesta etapa
os alunos se sentem desafiados e conseguem lançar mão de novas
estratégias para chegar à solução do desafio.

Passar de fase

Esta etapa de conclusão da Sequência Didática é um momento em que


o aluno se vê numa situação de reflexão crítica sobre seu próprio desen-
volvimento cognitivo, o que ajuda a melhorar seus resultados. Para
Perrenoud (2000, p. 43),

“O reexame coletivo do caminho percorrido é a ocasião para um


retorno reflexivo, de caráter metacognitivo; auxilia os alunos a se
conscientizarem das estratégias que executaram de forma heurística
e a estabilizá-las em procedimentos disponíveis para novas situações-
PASSAR DE FASE
-problema.”

PERRENOUD, P. Dez novas


A avaliação deve ocorrer durante o desenvolvimento da Sequência competências para ensinar:

Didática, como diagnóstico que permite a você verificar se o aluno convite à viagem. Porto
Alegre: ArtMed, 2000.
conseguiu compreender os conceitos trabalhados durante todas as
etapas do processo, e assim avaliar o conhecimento e a compreensão
de cada aluno, além de conduzi-los a mensurar o seu entendimento dos
principais conceitos e habilidades adquiridos durante todo o processo.

32 LIVRO DO PROFESSOR
Continuando...
Como mencionamos, as Sequências Didáticas são materiais para atividades de sala
de aula, elaboradas com a intenção de auxiliar você e seus colegas na utilização
dos Títulos Digitais com seus alunos de maneira natural e segura. Trata-se de uma
sugestão que pode ser adaptada ao contexto de seus alunos e de sua sala de aula,
além de que podem ser utilizadas também em situações extracurriculares, depen-
dendo da sua intencionalidade.

Você perceberá que as Sequências Didáticas são apresentadas em duas versões:


uma versão para você, professor, e outra para o aluno. Acreditamos que, assim,
você aproveitará bastante as atividades fazendo uso de maneira pessoal e da forma
como considerar mais oportuna.

Vale ressaltar que, como as atividades se apresentam, podem se adaptar à modali-


dade de ensino híbrido. Dessa forma, os estudantes podem acessar os Títulos
Digitais conforme a sua indicação para realizar as atividades, podendo ou não tirar
dúvidas virtualmente e/ou trazê-las para a sala de aula no momento presencial.
Assim, as atividades resolvidas, as dúvidas, os questionamentos, as dificuldades
e os avanços observados durante o trabalho virtual serão oportunos para uma
discussão coletiva na sala de aula.

A versão que foi elaborada para você apresenta diversas


informações importantes sobre a Sequência Didática proposta. Na
folha de rosto você encontrará: o nome da Sequência Didá­tica, o
Título Digital a ser utilizado, o ano a que se destina, o número de
aulas estimado, os conteúdos e objetivos a serem desenvolvidos,
além da justificativa de se trabalhar com este tema e os
recursos utilizados.

Nesta versão também existe o detalhamento das cinco etapas mencionadas


anteriormente, e, em cada uma delas, há modalidades de Atividades, Reflexões ou
Questões referentes ao tema trabalhado, seguidas de suas respectivas Respostas.

Vamos apresentá-la a seguir.

PROGRAMA INSPIRA 33
Exemplo de Sequência Didática,
versão do professor

Conteúdos Nome da SD
Descrição dos Indicação do Título
conteúdos Digital
curriculares
que se­rão
abordados. Tempo
estimado
Indicação do
Objetivos tempo em quanti-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Descrição dos dade de aulas para

objetivos cogni- a sua realização.

tivos ou da
intencionalidade
pedagógica. Para quem?
O público-alvo a
quem se destina.

Justificativa
Descrição da
importância da Habilidades
Sequência Didática Descrição das
para que o aluno habilidades a serem
compreenda o desenvolvidas.
tema abordado.

Recursos
Indicação dos recursos e/ou materiais que são utilizados para
subsidiar o tema proposto.

As Atividades, Reflexões ou Questões de cada uma das etapas são detalhadas nas orientações,
permitindo que você possa aplicá-las com seus alunos sem dificuldades. Veja na página seguinte
como funciona:

34 LIVRO DO PROFESSOR
Metodologia de desenvolvimento
Etapas utilizadas na Sequência Didática, enfatizando aspectos como o levantamento de conhecimentos prévios, o engaja-
mento, a exploração, a explicação e a elaboração por parte do aluno.

Aproximar os mundos

Construir ideias

Ligar os pontos

Resolver desafios
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Passar de fase

Ao término da Sequência Didática, há ainda sugestões e direcionamentos como: Acompanhamento,


Dificuldades e Desafios Técnicos e/ou Pedagógicos, Bibliografia e uma seção Saiba Mais, com links
relacionados ao tema que podem ajudá-lo no decorrer do desenvolvimento da Sequência Didática.

Acompanhamento Dificuldades e desafios


Descrição de como será feito Descrição das possíveis dificuldades ou

o acompanhamento durante dos desafios, pedagógicos e/ou técnicos,

a realização e o desen- que possam surgir durante o desenvol-

volvimento da SD com os vimento da SD, indicando caminhos e

alunos nas diferentes etapas, estratégias que auxiliarão a superá-los.

lembrando da importância
de contemplar a avaliação
diagnóstica e contínua Bibliografia
que deve ocorrer no início, Indicação das fontes utilizadas para
durante e ao final do processo elaboração da SD, seguindo as Normas
para que possa acompanhar da ABNT.
e verificar a compreensão
dos alunos em relação aos
conceitos trabalhados.
Saiba mais
Indicação de outras fontes de referência
de livros, artigos, sites que possam contri-
buir com o desenvolvimento da SD.

PROGRAMA INSPIRA 35
UM POUCO MAIS SOBRE AS HABILIDADES

Vale ressaltar que também são apontadas as habilidades que se pretendem


Education for Life
desenvolver ao trabalhar com a Sequência Didática em questão. Cada and Work: Developing
Transferable Knowledge
Sequência Didática procura desenvolver um conjunto de habilidades and Skills in the 21st

subdivididas em Cognitivas, Interpessoais e Intrapessoais, com base no Century (2012). Disponível


em <www.nap.edu/
National Research Council (2012). Para você poder acompanhar, segue catalog/13398/education-
for-life-and-workdeveloping-
um quadro com as habilidades aqui consideradas. transferable-knowledge-and-
skills> Acesso em 30 de nov.
de 2015.

Cognitivas Interpessoais Intrapessoais


Pensamento crítico Cooperação Cidadania

Tomada de decisão Trabalho em equipe Valorização da arte e da cultura

Comunicação oral Liderança

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Comunicação escrita Valorização para a diversidade

Análise textual Resolução de conflitos

Análise visual

Interpretação textual

Interpretação visual

Interpretação auditiva

Argumentação

Produção de materiais

Vale dizer que essas habilidades


podem ser acrescidas de outras, em
função da sua intencionalidade em
relação às atividades de sala de aula
aqui propostas.

36 LIVRO DO PROFESSOR
E para o aluno?
A versão do aluno apresenta o nome da Sequência Didática, o Título Digital e a Trilha Temática,
Conteúdos, além das Atividades, Reflexões ou Questões propostas para a realização da atividade
em suas cinco etapas, com espaços para que o aluno possa resolver ou se manifestar em cada
uma delas, sempre com a sua orientação.

Lembramos novamente que você é quem mediará as discussões propostas nas atividades dos
alunos, sempre direcionando-os de forma a atingir os objetivos propostos na Sequência Didática.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Assim como no livro dos professores o aluno


também consegue se orientar pelas etapas,
pois elas estão representadas graficamente
por etiquetas amarelas.

APROXIMAR OS MUNDOS CONSTRUIR IDEIAS

RESOLVER DESAFIOS LIGAR OS PONTOS

PASSAR DE FASE

Agora, que você já conhece melhor o funcionamento das Sequências


Didáticas, que tal colocar esse conhecimento em prática? Vamos conhecer
a proposta de formação continuada.

PROGRAMA INSPIRA 37
Formação continuada dos professores,
coordenadores e gestores
A formação continuada para o uso do Programa Inspira Digital inclui o momento inicial para a
inserção da metodologia no contexto da instituição escolar, o acompanhamento pedagógico e a
avaliação dos resultados da adoção do Programa.

Nossa proposta tem como perspectiva a apropriação e utilização das tecno-


logias digitais na prática docente, articulando os recursos tecnológicos dos
Títulos Digitais, com as práticas que já são utilizadas no seu planejamento
para o dia a dia.

Para Libâneo (2004, p. 227):

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O termo formação continuada vem acompanhado de outro, a formação
LIBÂNEO, J. C.
inicial. A formação inicial refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos Organização e Gestão
e práticos destinados à formação profissional, completados por estágios. da Escola – Teoria
e Prática. Goiânia:
A formação continuada é o prolongamento da formação inicial, visando Alternativa, 2004.
PERRENOUD, Ph.
o aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de Por quê construir
trabalho e o desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla, para competências a
partir da escola?
além do exercício profissional. Desenvolvimento da
autonomia e luta contra
as desigualdades. Porto:
ASA Editores, 2001.
E é esta nossa intenção quando propomos a formação continuada: a de
que você possa se apropriar das tecnologias digitais para fazer uso em sua
prática docente, na especificidade do seu contexto escolar, com base nos
princípios educacionais adotados pela EvoBooks.

Pensamos como Perrenoud (2001), quando considera que, na formação


continuada, tenhamos como orientação fundamental a prática reflexiva e
de análise das ações.

Então, com base nas suas ideias e de Schön, é que destacamos a importância
da metodologia de formação estar focada na ação e na reflexão desta ação,
que ocorre na realidade concreta da escola e no contexto da sala de aula, e
também na relevância de envolver todos os gestores, professores e demais
profissionais da escola. Desta forma, nossa metodologia será baseada em
discussões e ações práticas focando propostas de atividades para sala de
aula nas diferentes áreas do conhecimento, utilizando os Títulos Digitais.

38 LIVRO DO PROFESSOR
A formação continuada em serviço, ou seja, que acontece no
contexto escolar, possibilitará que todos os envolvidos no
Programa se apropriem das tecnologias digitais, mais especi-
ficamente dos Títulos Digitais, de forma coletiva.

E com esta metodologia daremos suporte a vocês no contexto


escolar, para que se apropriem dos recursos tecnológicos
digitais com vistas à sua prática docente. Esta apropriação
exige, além do domínio das ferramentas tecnológicas, uma
prática pedagógica reflexiva, ressaltada nos estudos sobre
formação e prática do professor reflexivo de Schön (1992). A
metodologia da formação continuada contempla o contexto
do professor (PRADO & VALENTE, 2003) e é mais eficaz quando
acontece na ação pedagógica, envolvida pela reflexão do por
que e como utilizar as tecnologias digitais nas práticas educa-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tivas (ALMEIDA, 1997) .

Para isso, propomos que a formação continuada compreenda


atividades que possibilitem momentos de discussão, de
experimentação, de exploração, de descobertas, de reflexão
e de análise, num trabalho colaborativo. Vamos ver como se
dará esta formação?

SCHÖN, D. Formar Professores como Profissionais Reflexivos. In: NÓVOA, A. (Ed.).


Os professores e a sua formação. Lisboa: Public. Dom Quixote, 1992.
PRADO, M. E. B. B. e VALENTE, J. A. A Formação na Ação do Professor: Uma
Abordagem na e para uma prática pedagógica. In VALENTE, J. A. Formação de
Educadores para o uso da informática na Escola. Campinas: UNICAMP/NIED,
2003.
ALMEIDA, M. E. O computador como ferramenta de reflexão na formação e na
prática pedagógica. São Paulo: Revista da APG – PUC/SP, ano VI, nº 11, 1997.

PROGRAMA INSPIRA 39
Um pouco mais da formação continuada
Trazemos Valente (2005) com um questionamento ser adequadas conforme as condições
que devemos considerar quando nos referimos à de cada sala de aula, não desprezando
formação continuada para o uso da tecnologia na os princípios pedagógicos e os funda-
educação: mentos que os apoiam. Buscamos uma
metodologia de formação que inclua
a aplicação dos diferentes conheci-
Estamos assistindo ao nascimento da tecnologia
mentos envolvidos numa atividade
digital, que poderá ter um impacto ainda maior
pedagógica. Com a inserção de novas
no processo ensino-aprendizagem. Será uma
áreas pertinentes à Educação, como
outra revolução que os educadores terão de
o uso das tecnologias educacionais,
enfrentar sem ter digerido totalmente o que as
surge um novo modelo — o denomi-
novas tecnologias têm para oferecer. E a questão
nado TPACK (Technological Pedagogical
fundamental é recorrente: sem o conhecimento
Content Knowledge), que é o resultado da

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
técnico será possível implantar soluções pedagó-
intersecção dos três tipos diferentes de
gicas inovadoras e vice-versa; sem o pedagógico
conhecimento.
os recursos técnicos disponíveis serão adequada-
mente utilizados? É uma metodologia que busca entender
e descrever os tipos de conhecimentos
necessários a um professor para a prática
Concordando com o questionamento apresentado,
pedagógica efetiva em um ambiente de
a proposta do Programa Inspira Digital sugere
aprendizagem equipado com tecnologia,
que a formação continuada tem como perspec-
mais especificamente no nosso caso, com
tiva a exploração, a manipulação e a apropriação
as tecnologias digitais.
dos recursos digitais e da proposta metodológica
Desta forma, a proposta de formação
de utilização na prática docente na cultura digital,
continuada para que se apropriem
articulando diversos recursos tecnológicos para uso
e incorporem as TDICs à sua prática
em sala de aula, com as práticas pedagógicas que
pedagógica e ao desenvolvimento do
você já utiliza no seu planejamento para o dia a dia.
currículo tem como base a metodologia
Focaremos uma formação que deve se efetivar
TPACK —, Conhecimento Tecnológico
por meio de informações, discussões e princi-
Pedagógico e do Conteúdo, na qual discu-
palmente pelo uso dos Títulos Digitais, no seu
timos os conhecimentos — Pedagógico,
planejamento, por meio das Sequências Didáticas.
Tecnológico e Conteúdos — que são
Trata-se de modelos de dinâmicas de aprendi- desenvolvidos quando trabalhamos com
zagem práticas, flexíveis e ajustáveis, que podem as tecnologias digitais em sala de aula.

VALENTE, J. A. Pesquisa, comunicação e aprendizagem com o computador. O papel do computador no processo ensino-aprendizagem.
In: Tecnologia, Currículo e Projetos. <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/1sf.pdf>. Acesso em 10 de out. de 2015.

40 LIVRO DO PROFESSOR
O conceito de conhecimento
Conhecimento Tecnológico
pedagógico de conteúdo (PCK) Pedagógico de Conteúdo
(TPACK)
foi descrito pela primeira vez
por Lee Shulman, em 1986, e a
metodologia TPACK foi elaborada Conhecimento Conhecimento Conhecimento
Tecnológico e Tecnológico Tecnológico de
a partir dessas ideias centrais Pedagógico (TK) Conteúdo
(TPK) (TCK)
e com a inclusão da tecnologia.
Punya Mishra, professor titular,
e Matthew J. Koehler, professor Conhecimento Conhecimento
Pedagógico de Conteúdo
adjunto, ambos na Universi- (PK) (CK)
dade do Estado de Michigan,
nos Estados Unidos, elaboraram
Conhecimento
extensos trabalhos na construção
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pedagógico de
da metodologia TPACK (MISHRA; Conteúdo
(PCK)
KOEHLER, 2006) .

A interação entre esses três Contextos


componentes — Tecnologia (TK),
Pedagogia (PK) e Conteúdo (CK), tanto teóricos como práticos —, produz conhecimentos necessá-
rios para subsidiar suas práticas na atuação junto aos alunos.

Para Prado e Lobo (2013, p. 3):

O TPACK (Technological Pedagogical Content Knowledge) inclui a MISHRA, P.; KOEHLER,


M. Technological
compreensão pelo professor de como representar conceitos utilizando pedagogical content
knowledge: A framework
tecnologias; das técnicas pedagógicas que usam as tecnologias de forma for teacher knowledge. The
TeachersCollege Record,
v. 108, n. 6, p. 1017–1054,
construtiva para ensinar conteúdos; do que faz com que alguns conceitos 2006.

sejam difíceis e outros fáceis de aprender e como a tecnologia pode auxiliar


Introdução ao Modelo
a enfrentar as dificuldades; o conhecimento prévio dos alunos e das teorias Educacional PPACK.
Disponível em <http://
epistemológicas; das possibilidades de uso da tecnologia para o aluno proflborges.blogspot.com.
br/2012/09/introducao-ao-
construir conhecimentos. modelo-educacional-tpack.
html> Acesso em 30 de nov.
de 2015.

PROGRAMA INSPIRA 41
Considerando que há outras dimensões importantes na prática educativa –
como o conhecimento dos parâmetros e das diretrizes curriculares vigentes, PRADO, M.E.B; Lobo, N. M. C.
O processo de apropriação
do contexto social e cultural dos alunos —, podemos utilizar o modelo das tic e a reconstrução de
novas práticas no ensino
TPACK quando essas dimensões primárias são combinadas, gerando uma de matemática (2013, p. 3).

quarta dimensão essencial aos saberes dos professores, que é a do conhe- Disponível em <www.cibem7.
semur.edu.uy/7/actas/
cimento pedagógico, tecnológico e de conteúdo, conforme representado pdfs/588.pdf> Acesso em 25
de out. de 2015.
na imagem. Segundo Koehler e Mishra (2009, p. 66):
KOEHLER, M. J., & MISHRA, P.
(2009). What is technological
pedagogical content
Cada uma das situações apresentadas aos professores representa uma knowledge? Contemporary
Issues in Technology and
combinação única destes três fatores, e, assim, não existe uma única Teacher Education, 9(1),
solução tecnológica que funcione para todos os professores, todos os 60-70. Disponível em: <www.
citejournal.org/articles/
cursos, ou métodos de ensino. Na verdade, as soluções são formuladas v9i1general1.pdf>. Acesso em
25 de out. de 2015. (Tradução
por meio da habilidade do professor em transitar de forma flexível pelos livre EvoBooks)

espaços formados por estes três componentes (conteúdo, pedagogia e VALENTE, J. A. Pesquisa,
tecnologia) e pelas complexas interações que se configuram entre eles comunicação e aprendizagem

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
com o computador. O papel
em contextos específicos. Ignorar a complexidade de qualquer um destes do computador no processo
ensino-aprendizagem.
componentes ou da relação que possa existir entre eles pode resultar In: tecnologia, currículo e
projetos. Disponível em
em soluções pouco elaboradas ou pouco adequadas para a situação <http://portal.mec.gov.br/
seed/arquivos/pdf/1sf.pdf>.
estudada, ou em insucesso. Acesso em 25 de out. de
2015.

A proposta de formação conside-


rará tanto o conhecimento técnico
como o conhecimento pedagó-
gico para que você, envolvido no
Programa, possa implementar um
trabalho pedagógico com o uso
da tecnologia digital em atividades
que envolvam os conteúdos de sua
área de conhecimento.

42 LIVRO DO PROFESSOR
Focaremos a premissa apontada por Valente, que o domínio do conheci-
mento técnico e do pedagógico não deve acontecer separadamente. Para
Valente (2005, p. 23):

[...] conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultanea-


mente, um demandando novas ideias do outro. O domínio das técnicas VALENTE, J. A.
Pesquisa, comunicação
acontece por necessidade e exigências do pedagógico e as novas possibi- e aprendizagem com o
computador. O papel do
lidades técnicas criam novas aberturas para o pedagógico, constituindo computador no processo
ensino-aprendizagem. In:
uma verdadeira espiral de aprendizagem ascendente na sua complexi- Tecnologia, Currículo e
dade técnica e pedagógica. Projetos. Disponível em
<http://portal.mec.gov.
br/seed/arquivos/pdf/1sf.
pdf> Acesso em 13 de nov.
de 2015.
Desta forma, o processo de formação continuada baseada nas ideias da
prática reflexiva de Perrenoud e Schön e na metodologia TPACK tem por
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

objetivo propiciar a vocês, profissionais da unidade escolar envolvidos, a


apropriação das tecnologias digitais (Títulos Digitais) para a sua utilização
em atividades pedagógicas com seus alunos. Esta ação possibilitará um
processo reflexivo que permite atribuir significado para as atividades reali-
zadas, para os recursos tecnológicos e para o próprio aprendizado.

PROGRAMA INSPIRA 43
Considerações finais

Por estarmos inseridos no contexto da cultura digital, com tudo que a envolve, entendemos que, para o
cidadão do século XXI, é fundamental lidar com as tecnologias para se apropriar do acervo de informações
disponível na rede. Desta forma, preparar o cidadão das novas gerações significa dar elementos para que
ele possa utilizar as tecnologias digitais de forma mais adequada, sabendo transformar a informação
em conhecimento.
Acreditamos ser papel da Educação como um todo, e da escola em particular, oferecer ferramentas
para tornar o uso do digital produtivo em termos da formação do acervo de conhecimentos do aluno, de
maneira reflexiva e consistente.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
No entanto a criação da cultura digital na O Programa Inspira Digital pode se tornar
escola vai além do uso instrumental da um parceiro nessa jornada da construção
tecnologia, pois engloba outras atividades do conhecimento e preparação para a vida
como, por exemplo, a interatividade com na cultura digital, com a disseminação e o
aplicativos educacionais, como comple- aprimoramento da experiência com o uso
mento ao desenvolvimento do currículo. das tecnologias digitais na Educação e na sua
Entendemos que o uso das TDICs na prática escola, com uma metodologia estruturada em
da sala de aula auxilia na aproximação desse sólidos princípios pedagógicos.
aluno, originário das novas gerações, com o
A inter-relação dos três pilares — Universo
universo escolar, muitas vezes facilitando o
de Conteúdos Digitais, Práticas didáticas
engajamento de estudantes que não se identi-
com os livros do Programa, Formação
ficam com as formas tradicionais de ensino, e
continuada — permite que você imple-
propiciando a eles uma aprendizagem signifi-
mente o uso das tecnologias digitais no seu
cativa.
planejamento de aula, integrando-as à sua
Nesse aspecto, o papel da tecnologia digital se prática pedagógica. Para isso, nós buscamos
torna cada vez mais relevante para que o aluno uma fundamentação pedagógica que esteja
dessa nova geração tenha condições plenas de alinhada ao que almejamos para o processo
atuar nesse mundo e desenvolver habilidades de ensino e aprendizagem na cultura digital.
demandadas pela sociedade atual.

44 LIVRO DO PROFESSOR
Os princípios pedagógicos adotados
são a valorização da aprendizagem
significativa e ativa, possibilitando
o desenvolvimento da autonomia e
do espírito indagativo, que aconteça
também por meio da aprendizagem
colaborativa.

Além da base teórica, o Programa


se apoia nas mídias digitais intera-
tivas dos Títulos Digitais em 2D e 3D
(simulações), que estão planejadas
pedagogicamente para oferecer
momentos de impacto nas ativi-
dades de ensino e aprendizagem. E,
ainda, em atividades estruturadas
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

como Sequências Didáticas, elabo-


radas com a intenção de auxiliar
você e seus colegas na utilização dos
Títulos Digitais EvoBooks com seus
alunos de maneira natural e segura.

Já a proposta de formação continuada tem como intenção auxiliar você a se apropriar


das tecnologias digitais e utilizá-las na sua prática docente, na especificidade do seu
contexto escolar, com base nos princípios educacionais adotados pela EvoBooks.

Para isso, são apresentadas algumas atividades práticas e discussões que priorizam
uma metodologia baseada no entendimento e na negociação entre três compo-
nentes: Tecnologia (TK), Pedagogia (PK) e Conteúdo(CK). Focando a ação e a reflexão
desta ação, que ocorre no contexto da escola e no contexto da sala de aula, possibi-
litando que todos os envolvidos no Programa se apropriem das tecnologias digitais,
mais especificamente dos Títulos Digitais, de forma coletiva.

PROGRAMA INSPIRA 45
Mão na massa...
PARTE PRÁTICA

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Após nossa conversa sobre o Programa Inspira Digital, os


pilares que o sustentam, suas concepções pedagógicas, as
Sequências Didáticas e a proposta de Formação Continuada,
vamos à parte prática.

46 LIVRO DO PROFESSOR
Parte prática – Mão na massa...
Lembramos que a Formação Continuada tem como Para isso, são propostas atividades de
objetivo maior a apropriação tecnológica e pedagó- exploração, investigação e aplicação
gica do Programa Inspira Digital e prevê algumas dos Títulos Digitais, para um empodera-
ações, de forma a atingir os objetivos, como: mento do uso destes em sala de aula.

A intenção é utilizar alguns vídeos expli-


• Refletir sobre o uso das tecnologias
cativos durante todo o processo de
digitais da informação e comunicação
formação, além de leituras de textos
(TDIC) na educação, o papel do professor,
pertinentes ao uso adequado das tecno-
do aluno e da comunidade escolar na
logias digitais na prática docente. Para
sociedade atual;
o desenvolvimento e acompanhamento
• 
Debater os conceitos que embasam a do trabalho de cada um de vocês com
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

metodologia utilizada pelo Programa seus alunos utilizaremos formulários


Inspira Digital; para serem preenchidos de maneira que

• Propiciar o desenvolvimento de compe- nosso material possa ajudá-lo na utili-

tências tecnológicas e pedagógicas com o zação segura dos Títulos Digitais no dia a

uso das TDICs, em especial, com o uso dos dia de sala de aula.

Títulos Digitais e seus recursos por meio Algumas atividades são propostas e para
das Atividades de Sala de Aula (Sequên- isso disponibilizaremos espaços aqui para
cias Didáticas); que você possa registrar o seu encaminha-

• 
Incentivar a criação de um espaço de mento, desenvolvimento e os resultados.

aprendizagem e prática entre os profes- Adotaremos este padrão para todas as

sores envolvidos no Programa; atividades.

• 
Promover o compartilhamento das Vamos iniciar?

práticas e as trocas entre eles.

PROGRAMA INSPIRA 47
Atividade 1
Quebra gelo

A intenção da atividade é a de propiciar um espaço de reflexões e troca de ideias sobre a questão da


presença das tecnologias digitais em sala de aula. Mesmo que você ainda não tenha integrado as tecno-
logias digitais no cotidiano de sala de aula, certamente elas estão no seu dia a dia.

A atividade é desenvolvida em 3 etapas:

1ª ETAPA

 e manifeste, em forma de uma palavra ou um texto e/ou uma imagem como


S
Utilize este espaço
se percebe usando as tecnologias digitais em suas aulas. para se manifestar.
Fique à vontade

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
para se expressar
da maneira que
preferir.

2ª ETAPA

 ocialize as suas impressões com os colegas. Se apresente, indicando nome, disciplina que leciona e uma
S
característica pessoal que impacte nas suas atividades em sala de aula.

48 LIVRO DO PROFESSOR
A opinião dos
3ª ETAPA
colegas pode
te ajudar nas
Discuta e reflita sobre “A presença das tecnologias digitais em sala de aula”. reflexões!

Atividade 2
Roda de conversa

Esta atividade tem como intenção realizar com os colegas uma Para a roda de conversa, você pode ler a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

roda de conversa sobre o uso das novas tecnologias digitais entrevista da professora doutora Maria
na educação e a importância da formação dos professores. Elizabeth Almeida concedida à jornalista
Renata Chamarelli do Jornal do Professor.
Disponível em http://goo.gl/HbCZ3J
A atividade é desenvolvida em 2 etapas:

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.
html?idCategoria=8&idEdicao=2

1ª ETAPA

Na entrevista denominada “Tecnologias trazem


o mundo para a escola”, a entrevistada ressalta a
importância da formação dos professores para que
atuem em uma sala de aula mais interativa e aposta
que o futuro das escolas será pautado pela palavra
“conectividade”. Menciona também que a tendência
nos dias de hoje é que ocorra uma convergência
de tecnologias e mídias para um único dispositivo.
Também aponta a importância de capacitar os Para conhecer mais sobre a Cultura
professores, e afirma que é uma questão de longo Digital e as mudanças que ela vem
prazo, pois ocorre durante a vida, deve ser contínua promovendo, assista o vídeo 7 -
e voltada para a prática do professor. Cultura Digital.

PROGRAMA INSPIRA 49
Individualmente, reflita sobre as questões abaixo e anote as suas ideias a respeito:

Há uma certa polêmica em torno do uso das tecnologias em sala de aula. Afinal, os efeitos são positivos
ou negativos para o desempenho dos alunos? Qual é a sua percepção sobre esse tema?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Como você acredita que elas devam ser utilizadas, do ponto de vista pedagógico?

50 LIVRO DO PROFESSOR
Na era da tecnologia, como serão as salas de aula do futuro?
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quais serão as principais ferramentas dos professores? Que tipo de recurso já está sendo utilizado?

PROGRAMA INSPIRA 51
2ª ETAPA

Após responder às perguntas, forme pequenos grupos e discuta sobre estas questões, tentando chegar
a um consenso.

Há uma certa polêmica em torno do uso das tecnologias As discussões sobre este tema são
em sala de aula. Afinal, os efeitos são positivos ou negativos importantes, pois, neste momento, várias
para o desempenho dos alunos? Qual é a sua percepção opiniões são colocadas, e não precisam ser
sobre esse tema? definitivas. É importante notar que quando
discutimos sobre nosso dia a dia docente,
Como você acredita que elas devam ser utilizadas, do ponto
aprendemos bastante no coletivo com as
de vista pedagógico?
opiniões dos colegas. Em se tratando de um
tema bastante atual, o uso da tecnologia,
Na era da tecnologia, como serão as salas de aula do futuro? mais especificamente o uso da tecnologia

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
digital na escola, é interessante ouvir e
Quais serão as principais ferramentas dos professores? Que acompanhar a opinião de estudiosos da área.
tipo de recurso já está sendo utilizado?

52 LIVRO DO PROFESSOR
Atividade 3
Explorando os Títulos Digitais

Nesta atividade propõe-se a exploração dos Títulos Digitais, visando à apropriação dos conteúdos,
ao entendimento da Estrutura Pedagógica e à análise da metodologia.

A atividade é desenvolvida em 2 etapas:

1ª ETAPA

Explore os Títulos Digitais de sua área de


conhecimento. Esta exploração permitirá que você
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tenha uma visão geral dos conteúdos para aprofundar


as possibilidades de uso e poder, inclusive, planejar
trabalhos interdisciplinares. Para acessar os Títulos
use o Universo Inspira Digital.

Sugerimos que assista ao vídeo 3: Conhecendo os


Títulos Digitais Irá ajudá-lo a a entender como navegar
pelos Títulos Digitais, assim como conhecer as denominações
utilizadas para cada ferramenta da interface.

Veja que os conteúdos em 3D podem ser movidos e rotacionados conforme a sua necessidade didática. Pode-
se deslocar uma figura, girar o corpo humano, mover-se entre planetas, buscando os melhores ângulos para
uma visualização em tempo real e de maneira simples e rápida.

Aproveite, também, a exploração dos Títulos para identificar os Temas, Subtemas e Tópicos, além das Ferramentas
de Autoria, buscando descobrir o máximo possível de possibilidades de uso dos conteúdos e ferramentas, como:
Notas de Aula, Anotações, uso da ferramenta Pincel, barra de zoom, etc.

Consulte o guia de interface, disponível em: <www.programainspira.com.br>

PROGRAMA INSPIRA 53
2ª ETAPA

Para esta etapa, abra o Título Digital


Células e acesse a Trilha Temática Células.
Agora, navegue pelos Tópicos. Note que
em algumas telas você encontrará os
seguintes botões:

{ Por dentro do assunto

{
Você notou que esses botões levam para textos que
Além da teoria conduzem ao conteúdo desenvolvido nas Trilhas, que
Verdade ou mito

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partem do levantamento dos conhecimentos prévios,

{
trazendo um tema disparador e uma problematização?
Percebeu que os nossos princípios pedagógicos estão
Juntando os conceitos
contemplados nesta estrutura?
Notaram que no início há uma contextualização, Por
dentro do assunto, e que no final há um fechamento,
Juntando os conceitos? Verifiquem também que
Consulte o capítulo Estrutura
pedagógica para saber um pouco mais. entre esses dois momentos existem o Além da teoria
e o Verdade ou mito, com um aprofundamento dos
assuntos trazendo propostas de situações-problema e
aplicação prática.

54 LIVRO DO PROFESSOR
Veja mais informações no capítulo Navegação e recursos tecnológicos

Registre aqui algumas das suas impressões ao explorar os Títulos Digitais, como: A forma de
organização e disponibilização dos conteúdos.
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É interessante notar que os conteúdos apresentam várias camadas de aprofundamento,


possibilitadas pelos textos que estão disponíveis em cada ícone. Dessa forma, os
temas abordados podem ser aprofundados e problematizados, servindo como um
importante meio para a reflexão dos alunos.

PROGRAMA INSPIRA 55
Atividade 4
Utilizando os Títulos Digitais

A atividade tem a intenção de, após a exploração dos Títulos Digitais, elaborar, em grupo, uma situação
de aprendizagem para ser utilizada em sala de aula.

A atividade é desenvolvida em 4 etapas:

1ª ETAPA

Em grupo, discutam e escolham um dos


Títulos para a realização da atividade.

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Depois escolha quais Trilhas Temáticas
irão trabalhar.

2ª ETAPA

Nesta etapa, explore os conteúdos do Título


escolhido, aproveitando para identificar os
conteúdos pedagógicos dentro das Trilhas
Temáticas escolhidas. Lembre-se de que
para visualizar o conteúdo pedagógico é
necessário clicar nos botões: Por dentro do
assunto, Além da teoria, Verdade ou mito Se você ainda tiver dúvidas sobre o
e Juntando os conceitos. funcionamento dos Títulos Digitais,
poderá rever o vídeo 3, Conhecendo
os Títulos Digitais.

Agora, discuta com o grupo a respeito dos conteúdos e dos objetos digitais sugeridos nas Trilhas
Temáticas e depois responda às perguntas a seguir:

56 LIVRO DO PROFESSOR
O conjunto de conteúdos relacionados com os objetos digitais permite mais interação com o
assunto abordado? Os objetos digitais possibilitam melhor entendimento dos assuntos tratados?
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Como você usaria em sala de aula uma destas Trilhas com esta estrutura pedagógica?

Você considera que facilitará o seu trabalho pedagógico com os alunos?

PROGRAMA INSPIRA 57
3ª ETAPA

Registrar a situação de aprendizagem, apontando as estratégias utilizadas para desenvolver


a atividade, além das descobertas e questionamentos, durante a exploração no Título Digital.
Utilize os espaços
Lembramos de alguns aspectos importantes para a elaboração da atividade, como:
para anotar
a situação de
aprendizagem.

Intencionalidade/objetivos:

Definição dos conteúdos:

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Ano e nível de escolaridade: Tempo estimado para o desenvolvimento da atividade:

Recursos utilizados:

Encaminhamento da atividade:

58 LIVRO DO PROFESSOR
Resultados esperados:
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4ª ETAPA

Após a elaboração da situação de aprendizagem, o grupo apresentará aos demais a atividade realizada.
Neste momento, é importante a discussão sobre as diferentes situações de aprendizagem que cada um dos
grupos apresentou utilizando cada uma das Trilhas Temáticas do Título. Aproveite o momento para opinar,
refletir, avaliar e replanejar novas ações.

Quais estratégias foram utilizadas para o desenvolvimento das situações de aprendizagem?

O que descobriram e quais os questionamentos?

E as dificuldades? Quais foram? E como foram superadas?

PROGRAMA INSPIRA 59
O que conseguiram descobrir a respeito do Programa, dos Títulos Digitais?

Conseguiram fazer uso dos Títulos Digitais nas Você aplicaria em sala de aula?
situações de aprendizagem?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Comente outros aspectos considerados relevantes.

60 LIVRO DO PROFESSOR
Atividade 5
Elaborando uma Sequência Didática

A intenção da atividade é que você, a partir da estrutura de uma Sequência Didática, elabore uma, para
ser implementada com seus alunos. Lembre-se de que sempre deve ser pensado se o que propõe é ou
não adequado a cada nível de ensino e turma, respeitando as especificidades e necessidades de ensino
e aprendizagem de cada um de seus alunos.

A atividade é desenvolvida em 6 etapas:

1ª ETAPA

O que eu pretendo ensinar? Quais os conteúdos que meu aluno


deve conhecer, explorar e nos quais deve se aprofundar?
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Localizar e abrir o Título Digital que tem os conteúdos de sua disciplina. Para a
Veja mais
realização da atividade, clique no Título Digital selecionado e instalado no seu
informações no
dispositivo. Ao elaborar uma Sequência Didática, algumas perguntas são essenciais, capítulo Materiais
como: “O que eu pretendo ensinar? Quais os conteúdos que meu aluno deve para atividade em

conhecer, explorar e nos quais deve se aprofundar?” Desta forma, você consegue sala de aula.

definir o(s) conteúdo(s) que deverá(ão) ser trabalhado(s) com seus alunos na
Sequência Didática. A partir desta investigação, selecione a(s) Trilha(s)Temática(s)
do Título, navegue pelos conteúdos e os selecione.

Se você ainda tiver dúvidas sobre como é a


estrutura de uma Sequência Didática, poderá
assistir ao vídeo 5, Por dentro das SD’s, que traz
exemplos de aplicação.

PROGRAMA INSPIRA 61
2ª ETAPA

Quais são os objetivos e as habilidades a serem desenvolvidos?


Definidos os conteúdos e a série a ser elaborada a Sequência Didática, é o momento de estabelecer os objetivos
cognitivos e as habilidades que podem ser desenvolvidas durante a sua realização. Aproveite e justifique em que
você considera que a SD que está propondo pode auxiliar o seu aluno na compreensão dos conteúdos.
Pense qual a sua intencionalidade com a realização da SD, em como o aluno pode ser beneficiado quando realizá-
la e quais as habilidades que podem ser desenvolvidas. Lembre-se de que toda ação pedagógica deve visar à
aprendizagem dos alunos e que as habilidades devem sempre estar associadas aos objetivos.

3ª ETAPA

Como eu posso facilitar a compreensão do aluno?

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A partir desta etapa, você deve se preocupar com a seguinte questão: como eu posso facilitar a compreensão do
aluno? Para isso, é preciso que defina as ações e os procedimentos (o que e como fazer) para o desenvolvimento
da Sequência Didática. É relevante explorar todas as ferramentas disponíveis no conteúdo digital e identificar
quais seriam mais adequadas para a utilização na SD. Se quiser relembrar, assista novamente aos vídeos
indicados anteriormente, como:

No vídeo 4, Os 5 E’s, você poderá encontrar mais


conteúdos sobre o tema.

Lembre-se das fases consideradas ou reveja-as para o desenvolvimento da Sequência


Didática, descrevendo, em cada uma delas, as atividades e os procedimentos que
serão propostos. Aqui você planejará todas as fases, como: Aproximar os mundos, Veja mais
Construir ideias, Resolver desafios, Ligar os pontos e Passar de fase. informações sobre
a estrutura no
A partir das etapas definidas, pode-se chegar aos recursos que serão utilizados
capítulo Exemplo
durante a realização da SD. Levante os recursos previstos. Além dos conteúdos de Sequência
digitais, você pode propor que os alunos utilizem recursos como papéis, réguas, Didática, versão do
professor
compassos, mapas, caixas e outros.

62 LIVRO DO PROFESSOR
4ª ETAPA

Como posso identificar o desempenho de meus alunos ao realizarem a SD?


Com o planejamento de uma SD quase completo, chegou o momento de pensar em como será realizada a
avaliação. Lembre-se da importância de contemplar a avaliação diagnóstica e contínua, que deve ocorrer no
início, durante e ao final do processo de implementação da SD com os alunos, de maneira que você possa
responder a estas questões: Como posso identificar o desempenho de meus alunos ao realizarem a SD? Qual
será o encaminhamento? Além do acompanhamento e da avaliação, pode ser colocado quais as referências que
pretende utilizar (Bibliografia) e quais as indicações que poderão contribuir com as informações pertinentes ao
conteúdo proposto (Saiba Mais).
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5ª ETAPA

Quais as dificuldades e/ou os desafios que o aluno poderá encontrar?


Esta etapa representa uma antecipação do que pode acontecer durante o desenvolvimento da atividade. Com
base na proposta da SD, descreva quais as dificuldades e/ou os desafios que seu aluno poderá encontrar ao
realizar as atividades. Uma sugestão é que tente classificá-los em Pedagógicos e Técnicos para que possa
antecipar e prever uma forma de saná-los.

Segue aqui a estrutura da Sequência Didática proposta pela

EvoBooks para que você possa utilizá-la.

PROGRAMA INSPIRA 63
Nome

Títulos Digitais Trilhas Temáticas

Ano Tempo estimado

Conteúdos Objetivos

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Justificativa Habilidades

Recursos utilizados

64 LIVRO DO PROFESSOR
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Ligar os pontos
Construir ideias
Aproximar os mundos

PROGRAMA INSPIRA
65
66
Passar de fase
Resolver desafios

LIVRO DO PROFESSOR
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Acompanhamento Possíveis dificuldades e/ou desafios
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Saiba mais Bibliografia

PROGRAMA INSPIRA 67
6ª ETAPA

Registro do desenvolvimento da atividade


Após o preenchimento de todos os itens considerados pela Sequência Didática, é hora de aplicá-la com os seus
alunos. Use o tempo que achar necessário.
Durante o andamento da aula, é importante observar e avaliar a atividade realizada.

Após a implementação da SD em sala de aula, chegou o momento de registrar o desenvolvimento da atividade


realizada. Para nós, professores, o registro tem fundamental importância e representa muito mais do que um
roteiro de aula, pois escrever sobre a prática faz pensarmos e refletirmos sobre cada procedimento realizado e
decisão tomada, permitindo melhorar a sua prática no dia a dia da sala de aula para adequá-la cada vez mais às
necessidades dos alunos.
Segue aqui uma ficha de acompanhamento que pode servir como um roteiro para que possa fazer as anotações
de suas aulas. Considere-a flexível, podendo inserir ou retirar alguns dos itens aqui apresentados.

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Utilize este espaço para registrar suas anotações sobre o desenvolvimento da Sequência Didática com seus alunos

Nome do professor:
Disciplina:
Ano / Turma:
Sequência Didática:

Títulos Digitais - Você e os alunos conseguiram utilizar os Títulos Digitais como planejou? E quais
as Trilhas Temáticas utilizadas?

Conteúdos - Os conteúdos previstos para serem abordados na Sequência Didática foram contem-
plados? Ou você explorou outros conteúdos que não previu anteriormente?

68 LIVRO DO PROFESSOR
Tempo estimado - O tempo estimado para realizar a Sequência Didática foi suficiente? Ou você
poderia ter utilizado mais/menos tempo para o desenvolvimento da atividade?

Metodologia de desenvolvimento - Durante as etapas previstas para o desenvolvimento da


Sequência Didática, você percebeu se houve engajamento, exploração, envolvimento na explicação e
elaboração por parte do aluno? Descreva.
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Acompanhamento - Você conseguiu acompanhar os alunos durante o desenvolvimento da


Sequência Didática? Conseguiu realizar uma avaliação contínua durante o processo e ao final dele?

Objetivos e Habilidades - Conseguiu atingir os objetivos cognitivos e desenvolver as habilidades


com a Sequência Didática que elaborou e aplicou com seus alunos? Você alteraria algum item na
atividade? Você considera que houve avanço na aprendizagem dos alunos? Comente.

Recursos utilizados: Além dos Títulos Digitais, quais outros recursos você utilizou para subsidiar sua
aula? Conte um pouco sobre isso.

PROGRAMA INSPIRA 69
Possíveis dificuldades e/ou desafios - Você notou alguma dificuldade ou algum desafio que
foi superado pelos alunos? E por você, algum desafio foi superado? Houve avanços por parte
dos alunos? E por você? Quais as estratégias utilizadas pelos alunos e por você para vencer os
obstáculos.

Resultados esperados –Você conseguiu chegar ao resultado esperado? Mudaria alguma coisa para uma
nova ação? Por quê? Como?

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Acreditamos que, com estas atividades aqui propostas
para a formação, você tenha conseguido explorar e utilizar
a tecnologia digital, apropriando-se principalmente dos
Títulos Digitais de sua área de conhecimento.
O ambiente escolar é um
espaço promissor de trocas, e o
Temos a intenção e o desejo de que você possa utilizar
trabalho colaborativo com seus
não só as Sequências Didáticas propostas, mas que
colegas se mostrará bastante
amplie seu repertório, elaborando novas SDs e explo-
eficiente na discussão, na
rando novos conteúdos disciplinares.
reflexão e na elaboração
de novas SDs que podem
atender às diferentes áreas do
conhecimento.

70 LIVRO DO PROFESSOR
Anexos

Tecnologias trazem o mundo para a escola


Professora associada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maria Elizabeth
Biaconcini Almeida, mais conhecida como Beth Almeida, se dedica a estudar a aplicação
de novas tecnologias na educação, desde 1990. Na época, ajudou a estruturar o núcleo de
Informática da Universidade Federal de Alagoas. Com mestrado e doutorado na área, atua
como docente no Programa de Pós-Graduação em Educação pesquisando Novas Tecnologias
em Educação.
Em entrevista ao Jornal do Professor, a especialista ressaltou a importância da capacitação
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dos educadores para a modernização da sala de aula. Segundo ela, as ferramentas de


produção colaborativa já são as mais utilizadas e o futuro das escolas será pautado por uma
palavra: conectividade.

O que são exatamente as novas tecnologias que produção de softwares, formação de educadores e
estão sendo aplicadas na educação? ao desenvolvimento de projetos-pilotos nas escolas.
Quando falamos de novas tecnologias, fazemos Há uma certa polêmica em torno do uso das
referência, principalmente, àquelas digitais. Hoje, tecnologias em sala de aula. Afinal, os efeitos são
sabemos que a tendência é de que haja uma positivos ou negativos para o desempenho dos
convergência de tecnologias e mídias para um alunos?
único dispositivo. O essencial é que este dispositivo Vivemos numa sociedade informatizada. Não
possua ferramentas de produção colaborativa de podemos negar o contato com a tecnologia
conhecimento, de busca de informações atualizadas. justamente para a população menos favorecida que,
Isso possibilita uma comunicação multidirecional, na em geral, só teria condições de acessá-la no ambiente
qual todos são autores do processo ou, pelo menos, escolar. Pesquisas mostram resultados promissores
têm potencial para ser. quando as tecnologias de informação e comunicação
(TICs) são utilizadas de forma adequada, que oriente
Quando surgiu a discussão sobre esse assunto? o uso para a aprendizagem, o exercício da autoria e o
O primeiro projeto público surgiu no Brasil em desenvolvimento de produções em grupo.
meados da década de 1980. Era o EDUCOM, um
projeto de pesquisa desenvolvido em conjunto por
cinco universidades públicas que se dedicaram à

PROGRAMA INSPIRA 71
Como elas devem ser usadas do ponto de vista são bastante disseminados entre os docentes.
pedagógico? O WiKi, que é um programa virtual de produção
As novas tecnologias podem ser usadas de diferentes colaborativa de textos, também. Entretanto há outros
maneiras, mas podem trazer soluções mais eficazes recursos, como simuladores que permitem visualizar
em projetos que envolvem a participação ativa fenômenos da natureza ou do corpo humano que
dos alunos, como em atividades de resolução não teríamos condições de acompanhar se não fosse
de problemas, na produção conjunta de textos e virtualmente; os simuladores propiciam também
no desenvolvimento de projetos. O fundamental compreender o significado de funções matemáticas
nessas tarefas é fazer com que os alunos utilizem abstratas por meio de testes de hipóteses e da
a tecnologia para: chegar até as informações que representação gráfica instantânea.
são úteis nos seus projetos de estudo, desenvolver a
criatividade, a coautoria e o senso crítico. A senhora pesquisou a política de outros países
em relação à aplicação das TICs na educação.
Na era da tecnologia, como serão as salas de aula Como o Brasil se posiciona em relação a países

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do futuro? como Estados Unidos e Portugal?
A primeira mudança é a expansão do espaço e Atualmente, há uma convergência das experiências
do tempo. Rompe-se com o isolamento da escola em diversos países. Os computadores portáteis, por
entre quatro paredes e em horários fixos das aulas. exemplo, estão sendo testados em todo o mundo,
Teremos a escola no mundo e o mundo na escola. simultaneamente: tanto em países da América
Isso, porque o conhecimento não se produz só na Latina quanto da África e da Europa. O problema, no
escola, mas também na vida — numa empresa, num entanto, não é a disponibilidade das tecnologias, mas,
museu, num parque de diversões, no meio familiar. sim, a formação de professores para utilizar as TICs.
Tais espaços poderão se integrar com as práticas Outro problema que também se evidencia em todos
escolares e provocarão uma revisão no conceito os países é a concepção de currículo. Precisamos
de escola e de currículo. Os equipamentos serão superar a ideia do currículo prescrito como lista de
bem diferentes, estarão disponíveis em qualquer tópicos de conteúdo. O currículo deve ser construído
lugar, talvez nem tenhamos que carregá-los. A integrando o que emerge da própria relação
conectividade é que vai nos acompanhar em todos cotidiana entre professores e alunos. Muitas vezes, os
os lugares. currículos não abordam habilidades e competências
que precisam ser desenvolvidas. Quando se trabalha
Quais serão as principais ferramentas dos com o registro de uma atividade num blog, por
professores? Que tipo de recurso já está sendo exemplo, os alunos desenvolvem um projeto pelo
utilizado? computador, que tem o seu desenvolvimento
registrado e, assim, é possível identificar diferentes
Já temos uma série de instrumentos sendo
dimensões do currículo que foram trabalhadas no
utilizados pelos professores. Os blogs, por exemplo,
projeto, o que vai muito além do currículo prescrito.

72 LIVRO DO PROFESSOR
O que está sendo feito hoje em termos de formação de professores?
Em primeiro lugar, no Brasil, todos os programas voltados para TICs na educação Entrevista realizada por Renata
têm essa preocupação de capacitar os professores. Mais do que permitir o Chamarelli com a Professora
Maria Elizabeth Biaconcini
acesso à tecnologia, os programas trabalham a preparação dos educadores. E Almeida, Disponível em:
isso é uma questão de longo prazo, porque a formação se dá ao longo da vida, <http://portaldoprofessor.
mec.gov.br/noticias.
tem que ser continuada e voltada para a própria prática. Além disso, temos hoje html?idCategoria=8&idEdicao=2>
várias pesquisas sendo desenvolvidas nesta área e o Brasil se destaca por ter Acesso em 23 de jul. de 2015.

um projeto de tecnologias na educação que integra a formação de educadores,


a prática de uso de tecnologias e a pesquisa científica.
(Renata Chamarelli)

Para ler mais:


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

VALENTE, J. A. Repensar as situações de aprendizagem: o MORAN, J. M. Mudar a forma de ensinar e de aprender:


fazer e o compreender. Boletim Salto para o Futuro, Brasília, Transformar as aulas em pesquisa e comunicação presencial-
2002. Tecnologia e educação: novos tempos, outros rumos. virtual. Disponível em <www2.eca.usp.br/moran/wp-content/
Disponível em <www.virtual.ufc.br/cursouca/modulo_4_ uploads/2015/07/hibrida.pdf>. Acesso em 20 de ago. de 2015.
projetos/conteudo/unidade_1/Eixo1-Texto19.pdf> Acesso em
20 de ago. de 2015.
MORAN, J. M.; BACICH, L. Aprender e ensinar na educação
Blendedlearning e as mudanças no ensino superior: a proposta híbrida. Revista Pátio, nº 25, junho, 2015, p. 45-47. Disponível
da sala de aula invertida. In: Educar em Revista, Curitiba, Brasil, em <http://www.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/11551/
Edição Especial n. 4/2014, p. 79-97. Editora UFPR. aprender-e-ensinar-com-foco-na-educacao-hibrida.aspx>.
Disponível em <www.scielo.br/pdf/er/nspe4/0101-4358-er- Acesso em 20 de ago. de 2015.
esp-04-00079.pdf> Acesso em 22 de out. de 2015.
NÓVOA, A. Para uma formação de professores construída
PRENSKY, M.. Nativos Digitais, Imigrantes Digitais. Trad.Souza, dentro da profissão. Disponível em
R.M.J. De On the Horizon (NCB University Press, Vol. 9 No. <http://www.revistaeducacion.educacion.es/re350/
5, Outubro 2001. Disponível em <http://docs.google.com/ re350_09por.pdf.> Acesso em 20 de ago. de 2015.
document/d/1XXFbstvPZIT6Bibw03JSsMmdDknwjNcTYm7j1a
0noxY/edit> - Acesso em 20 de ago. de 2015. Escrita profissional: a importância dos registros feitos
pelos professores. Revista Nova Escola. Disponível em:
IMBERNÓN, F. Nova capacitação para um novo século e uma <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/escrita-
nova educação. Revista Pátio - Maio / Julho 2012 - Número profissional-427279.shtml.> Acesso em 20 de ago. de 2015.
62. Disponível em <https://www.grupoa.com.br/revista-patio/
artigo/6912/nova-capacitacao-para-um-novo-seculo-e- PAIVA, P.A Importância dos Registros Escolares. In: Só
uma-nova-educacao.aspx.> Acesso em 20 de ago. de 2015. Pedagogia. 9/4/2009. Disponível em <http://www.pedagogia.
com.br/artigos/registrosescolares/> Acesso em 20 de ago. de
Francisco Imbernón fala sobre caminhos para melhorar 2015.
a formação continuada de professores – Disponível em
<http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/francisco-
imbernon-fala-caminhos-melhorar-formacao-continuada-
professores-636803.shtml> Acesso em 20 de ago. de 2015.

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