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3 de abril de 2010

A Psicoterapia Dialógica
O dialógico é a exploração do entre.

Hycner (1997) a define como uma abordagem sentida, em que num contexto
relacional a singularidade da pessoa é valorizada enfatizando uma relação direta e
mútua.

Pode-se dizer que é ‘um modo de ser’, definindo-se como uma abordagem; uma
atitude ou postura em relação a existência humana e um processo de psicoterpia
que se caracteriza por propostas únicas para situações únicas.

Na psicoterpia dialógica a pessoa é vista como um todo, o terapeuta tenta entender


a pessoa na sua totalidade,é claro que em diferentes estágios da psicoterapia um
outro aspecto precisa ser enfatizado, mas , acima de tudo, um terapeuta de
orientação dialógica tenta manter presente o contexto todo – assim como a tensão
em observar a alternância rítmica entre eles(pág. 35)

O dialógico abrange duas posturas polares: o Eu – Tu e o Eu – Isso, estas são as


duas atitudes primárias que um ser humano pode assumir em relação aos
outros(pág. 32)

O Eu - Tu é uma atitude de conexão natural enquanto o Eu – Isso de separação


também naturais, é preciso lembrar que a vida saudável requer sempre uma
alternância entre esses dois pólos, assim como o feto que é profundamente carne da
mãe e ainda assim, também, está formando seu corpo e se preparando para a
separação.

O Eu – Tu é o apreciar a alteridade, a singularidade, a totalidade do outro,


enquanto isso acontece também com o outro, esta é uma experiência mútua, uma
experiência de encontro.

O Eu – Isso é uma atitude dirigida para um propósito, é uma coisificação do outro,


essa atitude não é errada ou má, ela é um aspecto necessário do tornar-se
humano. mas é sua esmagadora predominância no mundo moderno que a torna
problemática, até mesmo trágica (pág. 34)

Os hífens do termo Eu – Tu e Eu – Isso são profundamente simbólicos , significam


que a orientação com que alguém se aproxima dos outros é sempre relacional e,
reciprocamente, reflete-se de volta para a própria pessoa, pois se me aproximo dos
outros com uma atitude Eu – Tu, isso irá se refletir de volta em como me
aproximo de mim mesmo (pág. 34).

Ironicamente não se pode ter como meta um encontro Eu – Tu , pois ao fazer-se


este se torna um Eu – Isso, só podemos preparar o terreno para que ele ocorra, pois
como afirma Buber o tu me encontra por meio da graça, não é alcançado pela
procura (Buber, 1958 apud HYCNER pág. 34)

Referência:
HYCNER, R.; A base Dialógica in HYCNER, R.; JACOBS, L. Relação e Cura em
Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.