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RESERVADO C 19-15

MINISTÉRIO DO EXÉRCITO

ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO

Manual de Campanha

OPERAÇÕES DE CONTROLE DE
DISTÚRBIOS

3ª Edição
1997

RESERVADO
C 101-5

3ª Edição

Tiragem: 1.250 exemplares

Julho de 1998
DISTRIBUIÇÃO

1. ÓRGÃOS
Gabinete do Ministro ............................................................................... 01
Estado-Maior do Exército ........................................................................ 10
DGP, DEP, DMB, DEC, DGS, SEF, SCT ............................................... 01
DEE, DFA ............................................................................................... 01
D Aud, IGPM ........................................................................................... 01
SGEx, CIE, C Com SEx ......................................................................... 01

2. GRANDES COMANDOS E GRANDES UNIDADES


COTer ..................................................................................................... 05
Comando Militar de Área ........................................................................ 05
Região Militar .......................................................................................... 02
Divisão de Exército ................................................................................. 05
Brigada .................................................................................................... 03
Grupamento de Engenharia .................................................................... 03
Artilharia Divisionária .............................................................................. 03
COMAvEx ............................................................................................... 02

3. UNIDADES
Infantaria ................................................................................................. 03
Cavalaria ................................................................................................. 03
Artilharia .................................................................................................. 03
Engenharia .............................................................................................. 02
Comunicações ........................................................................................ 02
Logística .................................................................................................. 02
Forças Especiais ..................................................................................... 03
DOMPSA ................................................................................................. 02
Fronteira .................................................................................................. 01
Polícia do Exército .................................................................................. 05
Guarda .................................................................................................... 05
Aviação ................................................................................................... 03

4. SUBUNIDADES (autônomas ou semi-autônomas)


Aviação ................................................................................................... 01
Infantaria ................................................................................................. 02
Cavalaria ................................................................................................. 02
Artilharia .................................................................................................. 02
Engenharia .............................................................................................. 01
Comunicações ........................................................................................ 01
Material Bélico ........................................................................................ 01
Intendência .............................................................................................. 01
Defesa QBN ............................................................................................ 01
Fronteira .................................................................................................. 01
Precursora Pára-quedista ........................................................................ 01
Polícia do Exército .................................................................................. 03
Guarda .................................................................................................... 03
Bia/Esqd/Cia Cmdo (grandes unidades e grandes comandos) ............... 01

5. ESTABELECIMENTOS DE ENSINO
ECEME ................................................................................................... 05
EsAO ....................................................................................................... 10
AMAN ...................................................................................................... 20
EsSA ....................................................................................................... 20
CPOR ...................................................................................................... 05
NPOR ...................................................................................................... 03
EsSE, EsCom, EsACosAAe, EsIE, CIGS, EsMB, EsEFEx, CI Av Ex,
CEP, CI Pqdt GPB, CIGE, EsAEx, EsPCEx ........................................... 02
CIAS/Sul ................................................................................................. 10

6. OUTRAS ORGANIZAÇÕES
Arq Ex ..................................................................................................... 01
Bibliex ..................................................................................................... 02
C Doc Ex ................................................................................................. 01
E G G C F ............................................................................................... 01
S T M ...................................................................................................... 01
RESERVADO C 19-15

MINISTÉRIO DO EXÉRCITO

ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO

Manual de Campanha

OPERAÇÕES DE CONTROLE DE DISTÚRBIOS

3ª Edição

1997

CARGA
Preço: R$
EM.................

RESERVADO
PORTARIA Nº 157-EME-Res, DE 18 DE DEZEMBRO DE 1997

Aprova o Manual de Campanha C 19-15 - Operações


de Controle de Distúrbios, 3ª Edição, 1997.

O CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO, no uso da atribuição


que lhe confere o artigo 91 das IG 10-42 - INSTRUÇÕES GERAIS PARA
CORRESPONDÊNCIA, PUBLICAÇÕES E ATOS NORMATIVOS NO MINIS-
TÉRIO DO EXÉRCITO, aprovadas pela Portaria Ministerial Nº 433, de 24 de
agosto de 1994, resolve:
Art. 1º Aprovar o Manual de Campanha C 19-15 - OPERAÇÕES DE
CONTROLE DE DISTÚRBIOS, 3ª Edição, 1997, que com esta baixa.
Art. 2º Determinar que esta Portaria entre em vigor na data de sua
publicação.
Art. 3º Revogar o Manual de Campanha C 19-15 - DISTÚRBIOS
CIVIS E CALAMIDADES PÚBLICAS, 2ª Edição, 1973, aprovado pela Portaria
Nº 148-EME, de 29 de agosto de 1973.
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Prf Pag

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO .................................. 1-1 a 1-3 1-1

CAPÍTULO 2 - CONCEPÇÃO DA OPERAÇÃO ........ 2-1 a 2-15 2-1

CAPÍTULO 3 - ASPECTOS JURÍDICOS .................. 3-1 a 3-4 3-1

CAPÍTULO 4 - INSTRUÇÃO ..................................... 4-1 e 4-2 4-1


C 19-15

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1-1. FINALIDADE
a. Este manual de campanha visa a orientar, em nível tático, o emprego
da Força Terrestre (F Ter) no controle e na repressão de distúrbios urbanos, ou
rurais, para o atendimento ao prescrito nas IP 100-2 - BASES PARA A
MODERNIZAÇÃO DA DOUTRINA DE EMPREGO DA FORÇA TERRESTRE
NA DEFESA INTERNA (DOUTRINA ALFA).
b. O manual destina-se às OM operacionais do EB, as quais deverão estar
em condições de bem cumprir missões desse tipo, prevendo, inclusive as
adaptações nos seus Quadros de Organização (pessoal e material), caso
necessárias, de acordo com os fatores da decisão.
c. Devido ao seu preparo e adestramento específicos, a Polícia do
Exército (PE) e as OM de Guarda são as tropas mais indicadas para as
Operações de Controle de Distúrbios (OCD). O emprego da F Ter em OCD será
previsto em casos extremos, isto é, quando os órgãos encarregados da
segurança pública não mais tiverem condições de realizá-lo.

1-2. CONSIDERAÇÕES BÁSICAS


Este manual de campanha está baseado nas seguintes considerações:
- O Cmt Supremo, por intermédio do MINISTRO DO EXÉRCITO, é quem
determinará o emprego da F Ter;
- As missões de OCD serão cumpridas, normalmente, em uma situação
de normalidade institucional;
- O Ato Legal que determinar o emprego da F Ter deverá definir a
autoridade militar responsável e quais as forças e instituições que participarão
da operação.

1-1
1-3 C 19-15

1-3. CONCEITOS BÁSICOS


a. Distúrbio - Os distúrbios freqüentemente ocorrem, quando um grupo de
participantes, em uma situação considerada como desobediência civil, antagoniza-
se contra atos, ou contra autoridades do poder constituído. Em casos extremos os
distúrbios decorrem de atos criminosos de terrorismo (Fig 1-1).

Fig 1-1. Distúrbio


b. Turba
(1) Multidão em desordem, caracterizando-se por intensa agitação,
perda do senso de racionalidade e respeito à lei, tornando-se presa fácil de
lideranças negativas.
(2) Uma aglomeração transforma-se em turba quando a maioria, ou
mesmo a totalidade de seus membros houver estabelecido um objetivo comum
e manifestar a intenção de concretizá-lo, sem medir as conseqüências decor-
rentes. A turba poderá surgir pela ação convincente de um “líder” popular, pelo
aparecimento de um elemento de notória popularidade ou importância frente à
aglomeração, ou pela realização de um ato de violência bem sucedido.
Consideram-se os seguintes tipos de turbas:
(a) Agressiva - caracteriza-se por um estado de perturbação da
ordem, realizando ações ofensivas contra a força legal;
(b) Em pânico - quando na tentativa de buscar segurança, seus
componentes empreendem fuga. Nesta situação, o maior problema é o de
convergência de massas humanas para vias de escoamento (rotas de fuga) de
capacidade limitada; e
(c) Predatória - quando impulsionada pelo desejo de destruir, ou
apoderar-se de bens materiais (públicos ou privados), como no caso dos
distúrbios para obtenção de alimentos, bens de consumo e outros.

1-2
C 19-15

CAPÍTULO 2

CONCEPÇÃO DA OPERAÇÃO

2-1. FATORES DA DECISÃO


O Comandante que receber a missão de restabelecer a ordem numa
situação de distúrbio deve decidir como conduzir taticamente sua operação,
com base nos seguintes fatores:

FMISSÃO
Fatores FREGIÃO DE OPERAÇÕES
FFORÇA ADVERSA
da
FPOPULAÇÃO
Decisão FMEIOS
FPRAZOS

2-2. MISSÕES NORMALMENTE ATRIBUÍDAS A UMA FORÇA EMPREGA-


DA EM OCD
As missões normalmente atribuídas a uma Força, quando empregada no
controle de um distúrbio, são:
- Interditar uma área urbana ou rural, prevenindo a ação de grupos de
manifestantes;
- Evacuar uma área urbana ou rural já ocupada por manifestantes;
- Restabelecer a ordem pública em situações de vandalismo;
- Evacuar prédios ou instalações ocupados por manifestantes;
- Restabelecer a ordem no quadro de um conflito entre as Forças Policiais
e a Força Adversa;
- Garantir a integridade do patrimônio público;e
- Desobstruir vias de circulação.

2-1
2-3/2-5 C 19-15

2-3. EMPREGO DO EXÉRCITO


Normalmente as tropas do Exército são empregadas:
- Em caráter PREVENTIVO, quando se visualiza, pelo tipo de manifes-
tação, a incapacidade das forças policiais de restabelecerem a ordem; e
- Em caráter OPERATIVO, quando o conflito se agravar a ponto de exigir
uma força mais potente para restabelecer a ordem.

2-4. CONDICIONANTES
O Cmt, em qualquer escalão, deverá cumprir a sua missão, atendendo às
seguintes condicionantes:
- Mínimo de danos à população e ao patrimônio;
- Mínimo de perdas em sua tropa;
- Rapidez no cumprimento da missão;
- Preservação da imagem do Exército junto à opinião pública;
- Respeito aos preceitos legais vigentes;e
- Ordens específicas emanadas do escalão superior.

2-5. PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA A EXECUÇÃO DAS OCD


O planejamento e a execução das OCD devem privilegiar, dentre outros,
os seguintes princípios básicos:
a. Massa - Este princípio atende à necessidade de se empregar força
com suficiente capacidade dissuasória, para cumprir a missão, em princípio, de
forma pacífica e obtendo sucesso rapidamente. Quando forças forem empre-
gadas parcelada e inadequadamente, podem não dominar a situação; seu
insucesso dará mais confiança à turba, que pode partir para atos de violência,
agravando assim a situação.
Obs: MÁXIMO efeito DISSUASÓRIO pela valorização do princípio
de MASSA.
b. Objetivo - O comandante deve compreender a missão e definir
claramente seu objetivo, bem como apreciar à luz deste, cada ação a realizar
e fixar coerentemente as missões dos elementos subordinados. A restauração
da lei e da ordem deve nortear a condução das operações em todas as suas
fases.
c. Unidade de comando - O emprego de tropas exige unidade de
comando, o que assegura convergência de esforços, por meio da coordenação
de todas as forças empenhadas na manutenção da lei e da ordem; embora nem
sempre isso seja possível, (isto é, estabelecer um comando único para a
coordenação das forças), a coordenação deve ser obtida pelos CENTROS DE
OPERAÇÕES, de modo a assegurar a integração de todos os elementos
envolvidos.

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d. Segurança - Inclui as medidas necessárias para evitar surpresa,


preservar a liberdade de ação e se contrapor à tática do inimigo; a segurança
é melhor obtida pela surpresa, mobilidade, emprego judicioso da reserva e
atividades de inteligência.
e. Surpresa - Proporciona vantagem ou superioridade, mesmo com
pouco esforço; ela é obtida mediante ação oportuna no local, de maneira que
a turba não esteja preparada para reagir; a velocidade, a aplicação inesperada
de força e modificações nos métodos e táticas são fatores que contribuem para
a surpresa.
f. Manobra - Consiste na adoção dos adequados dispositivos e forma-
ções para o enfrentamento da força adversa.

2-6. FASES DA OPERAÇÃO


As OCD envolvem ações de natureza variada que se desenvolvem
preventivamente, buscando a solução pacífica do conflito, seguidas de ações
operativas no caso de se esgotarem todas as medidas de natureza preventiva
e, posteriormente, após controlado o distúrbio, ações complementares que
visam a pacificação total da área.

2-7. ATIVIDADES A REALIZAR


No quadro a seguir são apresentadas as principais ações a realizar,
referenciadas às fases de uma OCD. No entanto, elas não se desenvolvem,
necessariamente, na ordem citada. Além disso, algumas ações desencadeadas
inicialmente prosseguem ao longo de toda a operação, aumentando ou diminu-
indo de intensidade.

PRINCIPAIS ATIVIDADES A REALIZAR


F INTELIGÊNCIA
F OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS
F ISOLAMENTO DA ÁREA DE OPERAÇÕES
F CERCO DA ÁREA CONTURBADA
F DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA
F NEGOCIAÇÃO
F INVESTIMENTO
F VASCULHAMENTO DA ÁREA
F SEGURANÇA DA POPULAÇÃO E INSTALAÇÕES

a. Inteligência - As atividades de inteligência em uma OCD devem se


orientar para:
(1) Identificação das causas do distúrbio;
(2) Força Adversa, em especial quanto à liderança, intenções, efetivos
e armamento;

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(3) População, em especial quanto ao seu possível grau de participa-


ção (incluindo líderes políticos); e
(4) Região de operações, em especial quanto aos acessos, pontos
sensíveis, postos de observação, obstáculos, sistemas de comunicações e
outros aspectos; são realizadas por equipes de reconhecimento e de inteligên-
cia (normalmente velada), que devem infiltrar agentes na manifestação.
b. Operações Psicológicas
(1) As Operações Psicológicas (Op Psico) devem ser realizadas
durante todas as fases da OCD.
(2) São conduzidas por uma Equipe de Op Psico, integrada por pessoal
especializado.
(3) Caracterizam-se por ações destinadas a neutralizar o trabalho de
formação das turbas ou pela tentativa de dissuadir a massa de suas intenções.
(4) São planejadas e coordenadas pelo mais alto escalão.
(5) Têm como alvos a Força Adversa, a população e a nossa tropa.
(6) Devem ser realizadas durante todas as fases da OCD, em auxílio
às ações de negociação.
(7) Ordens de dispersão devem ser dadas (mediante o emprego de
alto-falantes ou outros aparelhos) de modo a assegurar que todos os componen-
tes da turba possam ouvi-las claramente. Deve-se usar linguagem adequada ao
público alvo, falar de modo claro, distinto e em termos positivos. Os manifes-
tantes não devem ser repreendidos, ou desafiados. Quanto menos tempo levar
a turba para se dispersar, menos tempo terão os agitadores para incitá-la à
violência. Ao primeiro ato de violência, os líderes e os agitadores devem ser
detidos e retirados imediatamente do local.
(8) Os manifestantes devem ainda ser alertados sobre as medidas
legais que garantem o emprego da tropa e das conseqüências jurídicas no caso
de qualquer desrespeito ou agressão a mesma.
(9) A população deve ser orientada quanto à maneira de se conduzir,
buscando-se o máximo de defecções.
(10) As Op Psico devem ser desenvolvidas em coordenação com as
Atividades de Comunicação Social.
(11) A participação da mídia nas operações deve ser bem avaliada e
coordenada pelo Escalão Superior.
(12) Ação Psicológica no Público Interno:
(a) concientizar a tropa da necessidade da ação da F Ter;
(b) manter o moral e o senso de cumprimento do dever elevados; e
(c) preservar e assistir às famílias de integrantes da tropa que
residam na área envolvida na Operação ou em suas proximidades.
(13) Ação Psicológica no Público Externo:
(a) esclarecer que será preservada a segurança física da popula-
ção ordeira;
(b) estimular lideranças comunitárias simpáticas à Operação;
(c) convencer a população a não participar das manifestações;e
(d) alertar os manifestantes sobre as medidas legais que garantem
o emprego da tropa e das conseqüências jurídicas no caso de agressão ou
desrespeito àquela.

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C 19-15 2-7

(14) Guerra Psicológica:


(a) difundir os êxitos da força legal, como apreensão de armamen-
to e prisão de líderes; e
(b) incentivar, ao máximo, as defecções e rendições.
c. Isolamento da Área de Operações
(1) O isolamento da área de operações é realizado mediante o
estabelecimento de Ponto de Controle de Trânsito (PCTran) e Posições de
Bloqueio nos principais acessos, com a finalidade de controlar movimentos,
evitando o aumento da participação da população, desviando o tráfego de
veículos e, com isso, evitando prejuízos às operações.
(2) Pode ser executado por tropas do Exército ou da Polícia Militar.

Fig 2-1. Ponto de Controle de Trânsito (PC Tran)

d. Cerco da Área Conturbada


(1) No caso da operação caracterizar-se por uma ação de natureza
OFENSIVA, com o objetivo de dissolver uma manifestação ou desocupar uma
área:
(a) o cerco da área conturbada deve ser realizado mediante
ocupação de posições de bloqueio nos acessos imediatos ou mesmo ao redor
da turba;
(b) tem também a finalidade de demonstração de força, para
causar forte impacto psicológico nos manifestantes;
(c) em princípio, deve ser permitido que os manifestantes e/ou
curiosos que desejarem, abandonem a área; e

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2-7 C 19-15

(d) quando as negociações não surtirem o efeito desejado, o


INVESTIMENTO, quando necessário, será realizados por ultrapassagem, em
um ou mais setores da linha de cerco e, nesse caso, o Cmt da tropa manobrará
com as posições de bloqueio com vistas a:
1) possibilitar que nos momentos iniciais do investimento, os
manifestantes que não desejarem o confronto se evadam por um ou mais
pontos da linha de cerco, devendo para isso ser(em) prevista(s) ROTA(S) DE
FUGA/ESCAPE; e
2) impedir que os manifestantes que permaneceram na área e
optaram pelo confronto se evadam (particularmente os líderes e os que
cometeram atos mais violentos).

x x x x x x x x x x x x
x

x
x

x
x

x
x

x
x

x x
x

F CHOQUE
x

x
x x
x
x

x
x

x
x

F CHOQUE
x

F REAÇÃO
x

RES
x

x x x x x x x x x x x x x

Fig 2-2. Cerco

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(2) No caso da operação caracterizar-se por uma ação de natureza


DEFENSIVA, visando impedir o acesso de manifestantes a determinada área
sensível, as ações de cerco caracterizam-se por:
(a) uma posição de defesa ao redor da área sensível, para permitir
suficiente espaço para a manobra da tropa e impedir que as ações violentas dos
manifestantes atinjam os pontos sensíveis no interior da posição de defesa;
(b) as posições nessa linha de defesa devem ser mais fortes nas
vias de acesso mais favoráveis à ação da F Adversa e valer-se de obstáculos;
(c) a defesa deve ser organizada em princípio, em 2 linhas; e
1) a primeira, com a função de COBERTURA, a algumas
dezenas de metros à frente, constituída, em princípio, por elementos de Polícia
com a finalidade de caracterizar legalmente o limite aceitável de avanço dos
manifestantes; caso haja pressão, proceder conforme previsto nas regras de
engajamento. Em algumas situações, em função do espaço para manobra,
poderá não existir a linha de cobertura;
2) a segunda posição é para ser defendida, não se cedendo
espaço; deve ser constituída pela Força de Choque, que atuará de forma
vigorosa, buscando, em última instância, repelir a turba. Caso prossiga a
pressão sobre esta segunda linha, ficará legalmente caracterizada a resistência
contra a ação militar no cumprimento da missão de garantia da ordem pública.
A Força de Choque deverá passar então a uma atitude ofensiva, realizando o
INVESTIMENTO sobre a turba.

Fig 2-3. Linha de Cobertura

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2-7 C 19-15

(d) uma outra linha de cerco, semelhante à prevista para as ações


de natureza ofensiva, poderá ser estabelecida, buscando ocupar previamente
posições ao redor de toda a área onde estão sendo realizadas as manifestações.
Esse cerco tem como finalidade impedir, se necessário, a evasão da F Adversa
durante o investimento.
e. Demonstração de Força
(1) A demonstração de força é caracterizada, em primeira instância,
pela própria tomada do dispositivo inicial;
(2) Deve-se buscar a dissuasão pelo efeito de massa;
(3) Meios de grande poder de destruição, tais como helicópteros,
veículos blindados e outros armamentos pesados devem ser utilizados como
fator de intimidação;e
(4) Não deve ser usada a munição de festim.
f. Negociação
(1) A negociação deverá ocorrer durante todas as fases da operação,
inicialmente pelos comandantes de forças policiais e autoridades judiciais e
posteriormente pelos comandantes da tropa do Exército, valendo-se para isso
dos recursos das operações psicológicas, da comunicação social e de reuniões
pessoais com as lideranças;
(2) O êxito da negociação depende, em grande parte, do efeito
dissuasório da demonstração de força;
(3) Deverá buscar-se, fundamentalmente, a solução pacífica do con-
flito, evitando-se a ação ofensiva;e
(4) Poderá ser estabelecido um prazo para que seja cumprida a
determinação da autoridade legal.
g. Investimento
(1) O investimento é, normalmente, a ação decisiva, com o objetivo de
controlar um distúrbio, quando se esgotam todas as medidas preventivas.
(2) Com base na hipótese mais desfavorável, ou seja, a real necessi-
dade de se ter que desencadear a ação ofensiva - num cenário em que alguns
militantes mais radicais reajam com coquetéis “molotov” ou mesmo armas de
fogo - devem ser previamente posicionados os seguintes elementos:
(a) Equipe de Observação e Base de Fogos - Constituída de
observadores, caçadores, cinegrafistas, e rádio-operadores, ocupando posi-
ções em pontos dominantes - em condições de identificar líderes e aqueles que
reagem violentamente à ação da tropa com pedras, coquetéis “molotov” e
armas de fogo - para filmá-los e, mediante ordem, atirar com munição de
borracha ou real (de acordo com as regras de engajamento estabelecidas).

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Fig 2-4. Caçador

(b) Força de Choque


1) Constituída por tropas de choque, em princípio do Exército
(PE ou Gda), ou PM, equipadas com escudos, cassetetes, munição lacrimogê-
nea, viaturas blindadas e de remoção de obstáculos, cães, cavalos, etc.
2) Deve caracterizar-se por uma ação vigorosa, que tem como
objetivo dispersar a turba e realizar as demais ações policiais decorrentes,
visando ao restabelecimento da ordem.
3) Em algumas situações de natureza defensiva, a Força de
Choque, numa 1ª fase, permanece estática, não devendo ceder espaço e, caso
pressionada pela turba, reage com vigor, tomando atitude ofensiva, buscando
dissolvê-la no mais curto prazo.

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Fig 2-5. Força de Choque


(c) Força de Reação
1) Constituída de tropas do Exército, em especial de Unidades
de Infantaria e Cavalaria que permanecem em 2º escalão em condições de -
caso a Força de Choque seja hostilizada com armamentos que superem sua
capacidade de ação - serem empregadas em substituição a ela, utilizando
meios mais traumatizantes, tais como munição de borracha e, em última
instância, munição real.
2) Em princípio, a tropa não porta escudos nem capacetes
especiais, tendo como armamento básico o fuzil com baioneta calada.
3) O dispositivo adotado não é emassado e assemelha-se a
uma operação ofensiva de combate urbano, com progressão por lanços,
buscando proteção dos tiros e de outros objetos lançados contra a tropa. A
reação pelo fogo real só deve ocorrer quando determinada pelo Cmt e de acordo
com as regras de engajamento estabelecidas.
4) As equipes de serviços gerais serão úteis para a recuperação
do patrimônio público, ou privado, que for danificado pela nossa tropa, durante
a operação.
5) As equipes de serviços públicos e especiais serão utilizadas
para reparação das redes elétrica, telefônica, de água e outros serviços.
(d) Equipe ou Destacamento de Apoio - Constituída de pessoal de
saúde, bombeiros, Op Psico, justiça, serviços gerais, serviços públicos essen-
ciais e outros.

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C 19-15 2-7

UM EXEMPLO DE ORGANIZAÇÃO DE UMA FORÇA OCD

Força OCD

F
F Cerco F Choque F Reação Reserva
Isolamento

Eqp Obs e
Eqp Apoio Eqp Busca
Base Fogos

Obs: Em função dos Fatores da Decisão, a F OCD pode ser organizada


grupando-se um ou mais desses elementos.

Fig 2-6. Organização de uma Força OCD

(e) Reserva - Constituída de forças com características semelhan-


tes à Força de Reação, em condições de reforçar posições de cerco, reforçar
a Força de Reação ou atuar em área próxima.
(3) Conduta da Tropa no Investimento (Fig 2-7)
(a) O investimento sobre a turba deve se caracterizar por uma ação
dinâmica, evitando-se ações estáticas, passivas e que ofereçam liberdade de
ação e iniciativa ao oponente.
(b) Normalmente é realizado mediante avanço da Força de Cho-
que sobre a turba com dispositivo emassado, em linha, em passo acelerado,
com os cães à frente, seguida por equipes especiais com atiradores de fuzil com
munição de borracha, lançadores de granadas fumígenas e lacrimogêneas,
veículos blindados com jatos d’água e outros meios.
(c) A sensação de estar cercada inibirá a ação da turba, impedindo-
a de agredir e correr, tirando-lhe, portanto, a liberdade de ação.
(d) Equipamentos de som darão o suporte às operações psicológicas.
(e) Equipes da base de fogos, de acordo com as normas de
engajamento, alvejarão com munição de borracha ou real aqueles que se
valerem de armas mais contundentes.
(f) Equipes constituídas de especialistas em artes marciais pode-
rão ultrapassar esporadicamente a tropa, para aprisionar líderes e manifestan-
tes mais violentos.
(g) Caso a reação da turba seja com tal violência (tiros e coquetéis
“molotov”) que a Força de Choque não possa progredir, ou as ações da base de
fogos sejam inócuas, a ação passará a ter as características de um combate
urbano, devendo ser empregada a Força de Reação.

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C 19-15

RESERVA RESERVA RESERVA

F REAÇÃO F REAÇÃO F REAÇÃO

F CHOQUE F CHOQUE F CHOQUE

COBERTURA
l l l ll

1º TEMPO 2º TEMPO 3º TEMPO


Ret raimento e acolhimento F Cob Def ecção de parte da turba

F REAÇÃO

F REAÇÃO F CHOQUE
F F F
C C C ARMAS
F CHOQUE DE
FOGO
B B ARMAS B B
B
l l DE l F REAÇÃO
l
l
q q FOGO q q
q

F REAÇÃO
4º TEMPO - “A” 4º TEMPO - “B” 4º TEMPO - “C”
- Turba não reagindo pelo - Turba reagindo pelo fogo - Turba reagindo pelo fogo
fogo - Ação frontal da Força de - Ação de flanco da Força
- Avanço da F Choque Reação de Reação
COMBATE URBANO

Fig 2-7. Conduta da Tropa no Investimento

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C 19-15 2-7

(h) O dispositivo da turba nas ruas é geralmente comprido e


estreito. Assim, a melhor maneira de abordá-la é atuando sobre seus flancos.
(i) Veículos blindados poderão acompanhar a Força de Choque em
sua ação.
(j) Não deve ser utilizada munição de festim.
(l) Provas materiais da violência deverão ser recolhidas para
posterior apresentação em tribunais. Aquelas que definam a identidade dos
líderes e suas reais intenções, bem como as que se referem a planos, são
particularmente importantes. O emprego de elementos em trajes civis facilitará
a obtenção de tais provas. A utilização de máquinas fotográficas e de filmagem,
de gravadores e de outros aparelhos serão particularmente úteis para esse fim,
considerando a dificuldade de memorização que, naturalmente, apresentam os
observadores em tais situações. Provas que definam claramente a conduta da
tropa devem ser também providenciadas, a fim de resguardá-la contra acusa-
ções futuras.
h. Vasculhamento da Área
(1) É a operação que normalmente se segue ao investimento, em que
preponderam as ações de busca e apreensão, e tem por finalidade:
(a) capturar:
1) líderes;
2) elementos que cometeram atos violentos; e
3) elementos procurados pela justiça, ou pela polícia.
(b) apreender - armas, munições e explosivos e outras provas
materiais.
(2) É executado por equipes de busca, que recebem normalmente
encargos por área ou grupos de pessoas a serem revistadas.
(3) A tropa mais adequada à sua execução é a PE, podendo, em alguns
casos, ser realizada, no todo ou em parte, por outras Unidades do Exército.
(4) A Força de Choque, a Força de Reação e a Reserva podem receber
a missão de realizar o vasculhamento e, para isso, são reorganizadas em
equipes de busca, cada uma com responsabilidade sobre uma área específica.
(5) As buscas, quando no interior de residências, exigem mandado
judicial e só podem ser realizadas durante o dia. São, no entanto, as mais
eficazes.
(6) Todos os cômodos devem ser revistados na presença dos morado-
res e, quando descoberto algum ilícito, lavrado o flagrante delito.
(7) A revista de pessoas nas ruas é feita por meio de “blitz”, realizadas
também pelas equipes que participaram do cerco, do isolamento e da seguran-
ça da população.
i. Segurança da População e Instalações
(1) Estas ações, apesar de preponderarem nas fases subseqüentes ao
investimento, podem ocorrer durante toda a OCD.
(2) Caracterizam-se por um patrulhamento intensivo da área e o
estabelecimento de Postos de Segurança Estáticos (PSE).
(3) Durante as ações, deve ser mantido o isolamento da área de
operações e, dependendo da situação, também as posições de cerco.

2-13
2-7/2-9 C 19-15

(4) Caracteriza-se também pelo estabelecimento de um rigoroso


controle da população e, em grande parte, confunde-se com as próprias ações
de vasculhamento da área.
(5) Devem ser reprimidas quaisquer tentativas de aglomerações
posteriores, no local ou nas suas proximidades e, para tal, patrulhas motoriza-
das ou a cavalo devem percorrer a área.

2-8. AÇÕES COMPLEMENTARES E RETORNO DA TROPA AOS QUARTÉIS


a. Tão logo a situação tenha sido normalizada, é determinado o retorno
da tropa aos quartéis, retirando-se os PCTran, levantando as barricadas e
suspendendo-se os postos de controle de pessoas, de modo que a vida da
cidade retorne à normalidade.
b. Após a retirada da tropa é importante a manutenção da presença da
polícia na área, assim como do nosso pessoal de inteligência.

c. Deverão ser tomadas todas as medidas de natureza jurídica previstas


para proteger a tropa e incriminar os responsáveis pelos atos de violência
contra a mesma, conforme o Capítulo 3 deste manual.

d. Operações de ACISO e trabalhos de reparação de danos poderão ser


executadas pelo Exército, em complemento às operações.
e. Uma vez recolhida a tropa aos quartéis, deverá ser feita a crítica da
operação, visando à correção das falhas e providenciando com oportunidade
as reposições necessárias, e o recompletamento exigido, objetivando o novo
emprego da tropa. Para tanto, a situação deverá ser continuamente acompa-
nhada, uma vez que, se a causa do movimento não for solucionada, o fato
poderá se repetir.

2-9. OPERAÇÕES ESPECIAIS


a. São operações com características especiais realizadas, normalmen-
te, por equipes tipo COMANDOS, ou equipes especiais de inteligência ou Op
Psico e podem ocorrer em quaisquer das fases da operação.
b. Requer um planejamento especial, na maior parte das vezes precedido
de reconhecimento detalhado e ensaios.
c. Alguns exemplos de Op Especiais:
(1) captura de líderes;
(2) resgate de autoridade ou outros reféns;
(3) infiltração na F Adversa;
(4) entradas em edificações;
(5) demolições; e
(6) outros.

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C 19-15 2-10

Fig 2-8. Operações especiais

2-10. FORMAÇÕES DA FORÇA DE CHOQUE EM OCD


a. A Força de Choque, para a execução das ações de INVESTIMENTO
sobre a turba, toma normalmente o dispositivo em linha e emassado. Cada Cmt,
em função dos fatores da decisão, organizará e disporá sua tropa da maneira
mais conveniente.
b. As formações mais comuns e simples para o avanço direto sobre a
turba são:

GC Pelotão Companhias
ñ ñ ñ
lllllll 1º GC 2º GC 3º GC 1º Pel 2º Pel 3º Pel
ou ou
1º GC 2º GC 1º Pel 2º Pel

3º GC 3º Pel

Batalhão Veículos Blindados Companhias


ñ nnn
Devem seguir a tropa
que avança. São consti-
1ª Cia 2ª Cia 3ª Cia nnn
tuídos por lançadores de
ou granadas, veículos com
ou jatos d'água, atiradores
1ª Cia 2ª Cia
com munição de borra-
n n cha, equipes de artes
3ª Cia nnn marciais, etc.

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2-10/2-11 C 19-15

Observação: 1. Em caso de áreas muito abertas, os flancos devem estar


protegidos;
2. Essas formações podem evoluir para formações em
escalão ou em cunha.

2-11. MEIOS UTILIZADOS


a. Meios
(1) Equipamentos especializados
(a) Capacetes com visores;
(b) Coletes à prova de bala;
(c) Bastões elétricos;
(d) Cassetetes;
(e) Escudos;
(f) Armamento e munição (incluindo a de borracha);
(g) Tonfa;
(h) Guias longas para cães de guerra;e
(i) Outros.
(2) Comunicações e Guerra Eletrônica
(a) Alto-falantes e megafones;
(b) Rádios e equipamentos fotográficos e de vídeo;e
(c) Outros.
(3) Agentes químicos e água
(a) Máscaras contra gases;
(b) Fumígenos;
(c) Granadas lacrimogêneas, vomitivas e outras;
(d) Carros de bombeiros;
(e) Carros blindados lançadores de água;
(f) Espargidores;e
(g) Outros.
(4) Obstáculos
(a) Concertinas;
(b) Cavalo de frisa;e
(c) Outros.
(5) Viaturas
(a) Sobre rodas;
(b) Sobre lagartas;
(c) Tratores;e
(d) Outros.
(6) Aéreos
(a) Helicópteros;
(b) Outros.
b. Meios de Fortuna
(1) Vassoura amarrada no pára-choque, para evitar que pregos furem
os pneus;
(2) Barra de ferro maciço soldada no para-choque, para arrebentar fios
estendidos transversalmente nas ruas;
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C 19-15 2-11/2-12

(3) “Spray” (a gás ou tinta);


(4) Pára-choque de madeira com pregos;
(5) Cobertores anti-chamas; e
(6) Outros.

Fig 2-9. Armamento e Equipamento para OCD

2-12. EMPREGO DA TROPA BLINDADA


a. Os veículos blindados, sobre rodas ou lagartas, produzem maior efeito
psicológico sobre as turbas do que os outros tipos de viaturas.
b. A mobilidade, blindagem e armamento das unidades blindadas fazem
com que estas sejam particularmente capacitadas para remover barricadas e
outros obstáculos que tenham sido colocados nas ruas. Sua blindagem protege
a tropa do fogo e de projéteis das armas de pequeno calibre.
c. Os blindados, em geral, só são empregados nos distúrbios graves.
d. Quando empregados em conjunto com as tropas a pé , estas deverão
deslocar-se o mais próximo possível dos carros, a fim de impedirem que
agitadores tenham acesso a eles pelos flancos e pela retaguarda. Os blindados
devem se posicionar intercalados na formação.
e. As viaturas blindadas são também utilizadas como apoios de comuni-
cações, no apoio tático à Infantaria e como viaturas de transporte.

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2-13/2-15 C 19-15

2-13. EMPREGO DA TROPA HIPO


A imponência e a força do cavalo provocam forte efeito dissuasório e o
seu emprego resulta em economia de meios. Além disso o animal é imune aos
agentes químicos, porém sensível a estrondos e esporões metálicos (“miguelitos”)
que os desequilibram.

2-14. EMPREGO DA SEÇÃO DE CÃES DE GUERRA


A seção de cães de guerra é utilizada não somente como elemento
dissuasório à frente da Força de Choque, mas também das Posições de
Bloqueio, das Equipes de Vasculhamento de Área (edificações) e de Captura
(artes marciais). Além disso, o cinófilo poderá ser empregado para defesa do
flanco da Força de Choque, evitando-se que esta seja desbordada, bem como
para a guarda das instalações e patrulhamento da área.

2-15. EMPREGO DE AGENTES LACRIMOGÊNEOS


a. O emprego tático dos agentes lacrimogêneos na repressão a um
distúrbio é função de suas propriedades e dos efeitos que se pretende obter. Não
são empregados agentes lacrimogêneos em áreas onde efeitos indesejáveis
possam condenar a utilização dos mesmos, tais como locais ocupados por
hospitais, ou em áreas onde a tropa, desprovida de máscaras contra gases, seja
obrigada a ocupar posições logo após o lançamento dos referidos agentes.
b. Deve ser considerado de muita importância na instrução da tropa o
emprego de agentes lacrimogêneos. A eficiência na aplicação destes agentes
durante os distúrbios, ou mesmo em qualquer outra operação, será reflexo da
instrução. Por se tratar de uma instrução especializada, necessária à
complementação do combate, somente fica lembrada sua importância neste
item. Entretanto, convém ressaltar a necessidade de um perfeito estudo de
situação quanto ao emprego dos agentes lacrimogêneos, pois sua utilização
inadequada poderá surtir efeitos negativos, tanto à tropa como à população.
c. Convém salientar que a utilização dos agentes requer uma série de
requisitos que não poderão ser omitidos. Tais requisitos abrangem desde a
atuação tática até os meios e equipamentos utilizados.

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C 19-15

Fig 2-10. Lançamento de granada lacrimogênia

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C 19-15

CAPÍTULO 3

ASPECTOS JURÍDICOS

3-1. AMPARO LEGAL À INSTITUIÇÃO


a. A F Ter, quando empregada em ações de Controle de Distúrbios –
dentro de sua destinação constitucional de garantia da lei e da ordem (Art. 142
da Constituição) – estará cumprindo determinação expressa e legal do Presi-
dente da República, baseada na Lei Complementar nº 69/91, o que tende a
ocorrer, nos casos mais comuns, em situação de normalidade institucional, isto
é, sem aplicação de salvaguardas constitucionais. Este é o respaldo jurídico
básico para o emprego da F Ter.
b. Sob esse contexto jurídico de emprego, a competência legal – no que
se refere ao trato com pessoas, bens e patrimônio particular – deverá ser
propiciada pela atuação integrada da F Ter com os Órgãos de Segurança
Pública e de Justiça, federais e estaduais, de modo que sejam cumpridos os
preceitos legais e processuais vigentes.

3-2. EMPREGO SOB SALVAGUARDAS CONSTITUCIONAIS


Quando a F Ter for empregada num quadro de não-normalidade – com
aplicação de salvaguardas constitucionais – a competência legal referida
deverá estar prevista nos decretos presidenciais correspondentes.

3-3. AMPARO LEGAL AOS PARTICIPANTES


a. Ainda nesse contexto jurídico de emprego, o civil, em praticando delito
contra a tropa empregada em OCD, poderá ser enquadrado no Art. 9º do CPM
– inciso III, alíneas a), c) e, especialmente, na d) – por configurar crime militar,
conforme transcrito a seguir:

3-1
3-3/3-4 C 19-15

“Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:


...............................................................................................................
III - os crimes praticados ............. por civil ............... nos seguintes
casos:
.............................................................................................................
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar
em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância,
garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária,
quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência à deter-
minação legal superior".

b. Sob essa visão, os atos praticados pelos militares, desde que


estritamente nos limites da ordem legal emanada, poderão levar ao reconhe-
cimento de o serem no estrito cumprimento do dever legal (Art. 42, inciso III,
do CPM), o que se constitui numa excludente de criminalidade, isto é, os atos
cometidos não configuram crimes previstos no Art. 9º do CPM. Outras excludentes
de criminalidade previstas no mesmo Art. 42 do CPM poderão ser consideradas
como a legítima defesa (inciso II) e o exercício regular de direito (inciso IV), além
da obediência hierárquica, inscrita no Art. 38, letra b – neste caso na medida em
que tiver por objetivo ato manifestamente legal e não haja excessos na
execução da ordem.

3-4. OUTROS ASPECTOS QUE DEVEM SER CONSIDERADOS


a. O Comando da Operação deverá organizar EQUIPES OU DESTACA-
MENTOS DE APOIO constituídos por:
(1) equipes das Polícias Federal, Civil e Militar, inclusive polícia
feminina;
(2) membros das Justiças Federal, Estadual e Militar Federal;
(3) assessores jurídicos dos C Mil A;
(4) delegados de Polícia, inclusive de menores;
(5) peritos para exame de corpo de delito;
(6) médicos; e
(7) membros da Receita Federal.
b. Deverão, igualmente, ser organizados cartórios, delegacias móveis e
postos de triagem junto às Áreas de Operações.
c. Os comandos envolvidos em OCD deverão estabelecer Regras de
Engajamento – específicas para cada operação – de modo a orientar a conduta
dos subordinados, evitar excessos e prevenir contra o possível envolvimento
do seu pessoal em processos judiciais decorrentes de atos cometidos durante
a operação.

3-2
C 19-15 3-4

d. É essencial que os comandos responsáveis pelas operações utilizem,


sistematicamente, os poderes de polícia judiciária militar – que lhes são
atribuídos legalmente – e instaurem Inquéritos Policiais Militares (IPM) ou Autos
de Prisão em Flagrante (APF), sempre que houver indícios de crime militar, de
modo a procurar manter os processos na área da Justiça Militar Federal – o que
servirá, inclusive, para se buscar resguardar os direitos dos militares envolvidos
contra possível e indevido arrolamento em processos na Polícia Civil e Justiça
Comum.
e. Os indevidos indiciamento ou denúncia na Polícia Civil ou Justiça
Comum, de militares, por atos legais e legítimos praticados durante operações,
representam fator altamente negativo para o moral da tropa e desestimulante
para o bom desempenho profissional em missões subseqüentes. Esse
envolvimento com a Justiça Comum deverá ser evitado, sempre que possível,
pelos comandos envolvidos, mediante assistência do Ministério Público Militar,
Auditorias Militares e Assessorias Jurídicas das RM e C Mil A.
f. A caracterização da Área de Operações como “área sujeita à adminis-
tração militar” – para fins de enquadramento no CPM (Art. 9º) – terá pouco valor
jurídico se existirem, naquele local, população civil, bens públicos estaduais ou
municipais, propriedades privadas e rodovias, visto que, nesses casos, a
questão carece de um estudo mais aprofundado, não havendo consenso entre
os juristas.

3-3
C 19-15

CAPÍTULO 4

INSTRUÇÃO

4-1. GENERALIDADES
A instrução deverá orientar-se para operações de natureza ofensiva ou
defensiva, diurnas e noturnas. Deverá ser encarada como uma continuação da
instrução do combatente, na qual devem ser ressaltados os aspectos deste
manual e dos demais documentos que tratam de Defesa Interna.

4-2. ASSUNTOS QUE PODERÃO CONSTAR DOS PROGRAMAS DE INS-


TRUÇÃO DE OPERAÇÕES DE CONTROLE DE DISTÚRBIOS, DEN-
TRE OUTROS:
- educação física (prática do karatê, judô, luta livre, corrida e bola militar);
- emprego de agentes lacrimogêneos;
- bloqueio de vias de acesso;
- defesa de pontos e áreas sensíveis;
- técnica de patrulhamento urbano e rural;
- formações para controle de distúrbios e técnicas de investimento;
- operação de PCTran;
- vasculhamento de áreas urbanas e rural (incluindo busca em residência);
- embarque e desembarque de viaturas;
- prática da utilização de equipamentos especializados;
- combate à baioneta;
- tiros (conforme IGTAEx específica);
- regras de engajamento;
- exercícios de aprestamento;
- pista de guerrilha urbana;
- técnica de explosivos;
- pista de combate urbano;

4-1
4-2 C 19-15

- ações contra barricadas;


- conduta com pessoas detidas e medidas jurídicas decorrentes;
- medidas contra franco-atiradores;
- auto de resistência, flagrante delito e IPM;
- medidas contra incêndio;
- normas de tratamento de civis;
- entrada ou assalto a edificações;
- operações psicológicas;
- operações de inteligência.

4-2