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Anais

II Encontro Internacional de Piano em Grupo

Realização: UFG e FFCLRP-USP

Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, Goiânia, GO, Brasil

Organizadores Dr. Carlos H. Costa Dra. Simone Gorete Machado

Goiânia, GO, Brasil, 2012

II ENCONTRO INTERNACIONAL DE PIANO EM GRUPO Realização: UFG e FFCLRP-USP Escola de Música e Artes Cênicas da UFG Goiânia - Goiás - Brasil - 2012

Reitor da UFG Prof. Dr. Edward Madureira Brasil,

Pró-reitora do PPG Profa. Dra. Divina das Dores Cardoso

Pró-reitor de Extensão e Cultura Prof. Dr. Anselmo Pessoa Neto,

Diretora da Escola de Música e Artes Cênicas Profa. Dra. Ana Guiomar Rêgo Souza

Programa de Pós-Graduação em Música - EMAC/UFG Profa. Dra. Claudia de Oliveira Zanini

Reitor da USP Dr. João Grandino Rodas

Pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária - USP Dra. Maria Arminda do Nascimento Arruda

Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP Dr. Fernando Luiz Medina Mantelatto

Chefe do Departamento de Música FFCLRP - USP Dra. Silvia Maria Pires Cabrera Berg

Coordenação Geral do II EIPG Dr. Carlos Henrique Costa (UFG) Dra. Simone Gorete Machado (FFCLRP-USP)

Comissão Organizadora Ms. Adriana Oliveira (UFG) Ms. Othaniel de Alcântara (UFG) Dra. Lisa Zdechlik (UA-EUA) Dra. Fátima Corvisier (FFCLRP-USP) Profa. Roberta Pires (Projeto Guri)

Comissão Científica e Artística Dra. Simone Gorete Machado (FFCLRP-USP) Dr. Carlos Henrique Costa (UFG)

Pareceristas Dr. Mario Videira (USP) Dra. Lisa Zdechlik (UA-EUA) Dr. Eduardo Antonio Garcia Junior (UFBA) Dra. Fátima Corvisier (FFCLRP-USP) Compositor Paulo Guicheney (UFG)

II ENCONTRO INTERNACIONAL DE PIANO EM GRUPO Realização: UFG e FFCLRP-USP Escola de Música e Artes Cênicas da UFG Goiânia - Goiás - Brasil - 2012

APRESENTAÇÃO

O II Encontro Internacional de Piano em Grupo dá continuidade a iniciativa pro-

posta pelas professoras Dra. Silvia Maria Pires Cabrera Berg e Dra. Simone Gorete Machado do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP quando realizaram o I Encontro Internacional de Piano em Grupo em Ribeirão Preto durante os dias 27 e 28 de outubro de 2010.

O II Encontro realizado pela parceria da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG,

Programa de Pós-graduação em Música da UFG e Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP, com o apoio da CAPES e Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, durante os dias 5, 6 e 7 de outubro de 2012, promo- veu o intercâmbio científico e pedagógico internacional da área de Piano em Grupo divulgando estudos e trabalhos da área. Durante os três dias do evento incentivou-se a aproximação dos discentes, profissionais e pesquisadores do ensino de Piano em Grupo e fomentou a troca de experiências.

Os anais aqui apresentados sistematizam e valorizam esse formato de ensino coletivo contando com a contribuição de profissionais nacionais e internacionais com renomada credi- bilidade, fortalecendo assim a prática e a pesquisa brasileira. Ademais, o encontro constituiu- se como espaço para discussão sobre conteúdo, práticas didáticas e materiais relacionados ao ensino coletivo de piano e suas ramificações por meio de palestras, mesas-redondas, co- municação de pesquisas, oficinas e grupos de trabalho. Este caderno apresenta os trabalhos - Artigos, Relatos de Experiência, Pôsteres (projetos de pesquisa), Composições, Arranjos e Vídeos - submetidos à comissão científica do evento aprovados por pareceristas doutores da área de piano em grupo.

Entendendo que o termo PIANO EM GRUPO (PG) pode ter diferentes significados, a comissão organizadora acha por bem explicar seu entendimento no contexto deste evento. O termo PIANO EM GRUPO (PG) refere-se ao ensino coletivo de piano digital ou teclado com o auxílio do fone de ouvido, no qual um grupo de alunos participa de maneira colaborativa e individual, orientados por um professor.

Dr. Carlos Henrique Costa (UFG) e Dra. Simone Gorete Machado (FFCLRP-USP) Coordenação Geral do II Encontro Internacional de Piano em Grupo

APRESENTAÇÃO

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ARTIGOS

Sexta-Feira (05 de outubro) – 15h30 às 16h30 Coordenador: Dr. Eduardo Garcia (SALA 129 da EMAC)

Horário

Autor (es)

 

Título do Trabalho

15h30

Luiz Néri Pfützenreuter Lúcia de Vasconcelos

A

CANÇÃO FOLCLÓRICA BRASILEIRA NA AULA DE PIANO EM

GRUPO

15h45

Silvia Maria Pires C. Berg

COMPLEXIDADE TEXTURAL E HARMÔNICA EM OBRAS CON- TEMPORÂNEAS PARA ESTUDO E PERFORMANCE EM CLASSES DE PIANO EM GRUPO

16h00

Josélia Ramalho Vieira José Edmilson Coelho Falcão Hélio Giovanni M. da Silva

MUSICALIZAÇÃO ATRAVÉS DO ENSINO COLETIVO DE TECLA- DO/PIANO: A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA EM UM PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA UFPB

16h15

Carina Joly

PROPONDO UM TRABALHO CORPORAL EM CURSOS DE PIANO EM GRUPO

 

RELATOS DE EXPERIÊNCIA

Sábado (06 de outubro) – 13h30 às 14h00 Coordenador: Dr. Carlos H. Costa (SALÃO OITIS – Hotel Oitis)

Horário

Autor (es)

 

Título do Trabalho

13h45

Marcelo Alves Brum

O

ENSINO DE PIANO NO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM

MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE – REFLEXÕES

SOBRE A DISCIPLINA PRÁTICA INSTRUMENTAL PIANO I

 

Sábado (06 de outubro) – 15h30 às 16h45 Coordenador: Dr. Mario Videira (SALÃO OITIS – Hotel Oitis)

Horário

Autor (es)

 

Título do Trabalho

15h30

Monica Cajazeira Vasconcelos Simone Marques Braga

TECLADO EM GRUPO: DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES EM CURSO DE LICENCIATURA EM MÚSICA

15h45

Mirna Azevedo Costa

UTILIZANDO O RECURSO DA GRAVAÇÃO PARA DESENVOLVI- MENTO DA AUTOCRÍTICA NA AULA DE TECLADO EM GRUPO:

UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

16h00

Roberta Aparecida Pires

AS OFICINAS DE “INICIAÇÃO AO PIANO” DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO CAMPUS RIBEIRÃO PRETO

16h15

Maria Isabel Montandon Denise Cristina Scarambone

AS VÁRIAS FORMAS DE ENSINAR EM GRUPO: RELATOS DE

EXPERIÊNCIA

16h30

Juliano de Oliveira Simone Gorete Machado

MESA DE SOM COMO ALTERNATIVA PARA A AUSÊNCIA DE CONTROLADOR EM AULAS DE PIANO EM GRUPO

A

 

Domingo (07 de outubro) – 13h30 às 14h00 Coordenadora: Dr. Fátima Corvisier (SALÃO OITIS – Hotel Oitis)

Horário

Autor (es)

 

Título do Trabalho

13h30

Ellen de Albuquerque Stencel Harley Bleck Gonzalez Vandir Rudolfo Schäffer

PRÁTICA DE PIANO EM GRUPO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

13h45

Júlio Amstalden

A

EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE TECLADO EM GRUPO NO CUR-

SO DE LICENCIATURA EM MÚSICA DA UNIVERSIDADE METO- DISTA DE PIRACICABA - SP

QUADRO DE HORÁRIOS

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PROPONDO UM TRABALHO CORPORAL EM CURSOS DE PIANO EM GRUPO

Carina Joly (Professora independente em Zurique, Suíça)

joly.music@hotmail.com

Resumo: Este artigo propõe a introdução de um trabalho corporal preventivo em cursos de piano em grupo atra- vés de exercícios físicos a serem inseridos durante a aula. Onze exercícios sugeridos por profissionais da saúde do músico foram selecionados para serem instruídos dependendo do estado físico dos alunos e da seqüência das atividades a serem desenvolvidas ao piano. Com esta proposta, almeja-se um alívio das tensões tipicamente ob- servadas entre alunos durante este tipo de curso, uma melhoria da sensibilidade dos músicos em relação ao seu estado físico momentâneo, além do aumento do tônus muscular necessário para manter o equilíbrio em posições mais estáticas, comuns durante a atividade musical. Espera-se que este trabalho contribua para o desenvolvimen- to de atitudes posturais e gestuais mais saudáveis em músicos, não apenas no contexto da prática do piano, mas também no estudo do instrumento principal, além de em outras atividades extra-musicais. Palavras-chave: Piano em grupo; Prevenção; Saúde do músico; Exercícios físicos para músicos.

Abstract: This article proposes the introduction of a preventive work in group-piano settings through physical ac- tivities and exercises to be inserted during the class. Eleven exercises suggested by health professionals special- ized in treating musicians can be taught according to the physical state of the students and the chosen sequence of activities at the piano. The major goals of this proposal are to minimize tensions typically observed among piano group class students, to elevate the sensibility of musicians regarding their own physical state, and to increase the muscular tonus necessary to bring balance to the body in more static positions that are common in musical activity. It is hoped that this work will contribute to the development of healthier postural and gestural attitudes in musicians, not only while playing the piano, but also during the practice of their major instrument and while realizing non-music related activities. Keywords: Group piano; Prevention; The health of the musicians; Physical exercises for musicians.

INTRODUÇÃO

Um problema comum entre músicos

Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) ou as lesões por esforço re- petitivo (LER) atingem indivíduos de várias ocupações e sua prevenção se tornou preocupação obriga- tória em instituições que procuram manter um nível mínimo de produtividade entre seus funcionários. Assim como acontece com profissionais que desenvolvem atividades envolvendo movimento repetitivo, o músico é forte candidato a conviver com tais distúrbios. Desde o início de seu período formativo o aspirante a músico adquire o hábito de dedicar-se ao estudo diário recrutando estruturas musculares pequenas em demasia, por longos períodos, sem fazer ou fazendo poucas pausas, mantendo posturas estáticas e em muitas vezes sem utilizar músculos que proporcionariam maior equilíbrio e suporte (MOURA; BORTZ, 2012). Além das longas horas de estudo, os músicos têm o costume de se deslocarem de um ensaio a outro, de uma aula à casa de um aluno, carregando seus instrumentos com as mãos ou pendurados nos ombros ou nas costas. O tempo e a dedicação necessários para que um indivíduo torne- se músico profissional aliados ao fato de que as estruturas dos instrumentos musicais (tamanho, peso, formato, adaptabilidade a diferentes estruturas físicas) terem sido projetadas sem a consideração de fundamentos ergonômicos, resultam na alta probabilidade de que este indivíduo venha a desenvolver

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um comportamento postural desequilibrado, o qual pode causar lesões com o potencial de interromper

a atividade musical (Ibid., 2012). Além dos fatores acima descritos, os requerimentos rigorosos e a

pressão psicológica típicos de uma carreira musical certamente contribuem para uma maior suscetibi- lidade à síndromes do superuso.

Dois contextos

Estudos realizados nos Estados Unidos e na Europa entre 1985 e 1999 apontaram para nú- meros alarmantes quanto a problemas de saúde relacionados à atividade musical. Dois terços dos par- ticipantes, ou seja, mais da metade dos músicos profissionais e estudantes de música, convivem com sintomas de dor e de desconforto físico (SPAHN et al., 2001, p. 24). Tais estudos são resultado de uma crescente preocupação com a condição da saúde do músico nessas regiões desde os anos 80, refletindo no estabelecimento da medicina do músico e de organizações dedicadas a promover a pesquisa e o intercâmbio entre profissionais da saúde e da performance nas áreas da música e da dança. 1 No Brasil, um levantamento sobre a percepção da dor entre jovens estudantes de música de uma determinada instituição de ensino musical da cidade de São Paulo feito em 2007 mostrou que, dos 240 estudantes que responderam o questionário, 34,1% associaram dor à atividade musical e 32,1% relataram ter sensação de dor após o estudo do seu respectivo instrumento (MOURA; BORTZ, 2012). Em 2009, no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul aconteceu o I Encontro Riograndense da Medicina do Músico, o qual prosseguiu com a segunda edição em 2010. Em São Pau- lo, o I Simpósio Paulista da Saúde do Músico também propôs discussões sobre problemas comuns na profissão do músico trazendo profissionais da saúde com experiência no assunto. Tais eventos aliados à crescente produção de levantamentos similares ao supracitado estudo mostram o início de um interesse consistente nesta área entre os profissionais da saúde brasileiros. Em contrapartida, Moura e Bortz ob- servaram a baixa adesão de alunos e professores de música no I Simpósio Paulista da Saúde do Músico, evento que aconteceu dentro do Instituto de Artes da UNESP (Ibid., 2012).

Um modelo de prevenção

Estudantes de música que participaram de um levantamento sobre os resultados da introdu- ção de um programa promovendo cursos sobre prevenção paralelamente a um trabalho corporal dentro da Zürcher Hochschule der Künste (Universidade das Artes de Zurique ou ZHdK) relataram melhorias quanto à postura, respiração, liberdade de movimento durante a performance musical e maior confiança no palco (SPAHN et al., 2001, p. 27-29). O sucesso deste programa resultou na implantação efetiva do departamento de Musicofisiologia ou Fisiologia da Música (traduções livres – Musikphysiologie na língua alemã) como parte do departamento de música desta instituição. Cursos regulares informativos e tera- pias corporais variadas (Yoga, Feldenkreis, Técnica de Alexander, Spiraldynamic, Qiqong, Tai-Chi Chuan, entre outras) são oferecidas aos alunos de música além de especializações de nível de pós-graduação serem direcionadas a professores de instrumento ou canto que queiram se aprofundar neste trabalho preventivo. Além disso, o programa incentiva seus pós-graduandos a visitarem escolas suíças de nível primário e secundário oferecendo treinamento aos professores de música destas instituições. Seria ideal que um programa como este desenvolvido na ZHdK servisse como base para progra- mas de prevenção similares a serem oferecidos em todas as instituições de ensino musical brasileiras. Assim como já acontece em instituições de ensino musical norte-americanas e européias, os professores de instrumentos musicais ou de canto brasileiros deveriam participar mais de discussões sobre preven- ção para que se amplie a consciência da relevância deste assunto para o futuro profissional dos seus alunos. A orientação sobre noções básicas de anatomia funcional ofereceria condições para que estes professores possam reconhecer movimentos e posturas com potencial nocivo à saúde física dos seus

alunos. Além disso, uma reorganização do currículo das instituições deveria incluir cursos obrigatórios relacionados a problemas de saúde diretamente ligados à atividade musical, trazendo informação sobre prevenção e fornecendo aos alunos opções de técnicas corporais que promovam a melhoria da postura

e uma maior consciência corporal.

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Estresse e piano em grupo

Após vários anos trabalhando como instrutora de aulas de piano em grupo para alunos de bacharelado em música em universidades norte-americanas, a autora deste artigo observou o alto grau de tensão física entre os alunos, além da má postura, a qual era fator determinante na experiência de dor e desconforto comumente relatados pelos alunos após a aula. 2 É importante ressaltar que em ins- tituições norte-americanas de ensino musical superior os requerimentos dos cursos de piano em grupo são geralmente padronizados, contendo uma lista de habilidades a serem adquiridas no final dos quatro semestres obrigatórios, tais como leitura à primeira vista de obras para coro a quatro vozes, total pro- ficiência em dedilhados para escalas e arpejos, transposição de progressões harmônicas, improvisação sobre acompanhamentos em estilos musicais diferentes, harmonização de melodias, entre outras. Con- siderando a complexidade destas habilidades para alunos que nunca tiveram a experiência de tocar pia- no, era comum observar um alto nível de estresse nos alunos durante os dois encontros semanais, cada um durando entre cinqüenta e sessenta minutos. Podia-se também observar um aumento do estado de ansiedade dos alunos nos períodos próximos às provas regulares e aos exames finais.

2. PROPOSTA: EXERCÍCIOS FÍSICOS EM CURSOS DE PIANO EM GRUPO

Através deste artigo, a autora sugere a implantação de atividades preventivas dentro dos cursos de piano em grupo. A proposta é de se alternar as atividades pianísticas com exercícios físicos que contribuirão para um alívio da tensão possivelmente adquirida durante uma atividade ao piano, relaxando e recuperando o aluno para uma próxima atividade. Além de promover uma maior consciência sobre o estado do corpo, os exercícios podem fortalecer musculaturas altamente recrutadas durante a prática musical e podem também desenvolver maior equilíbrio em musculaturas de sustentação. Espera- se que esta prática possa trazer benefícios não apenas durante a aula de piano em grupo ou durante o estudo do instrumento principal, mas que ela também possa reeducar a atitude postural durante a realização de outras atividades diárias. O conceito de exercício neste contexto de prevenção abrange um espectro de atividades que incluem desde uma simples mentalização buscando maior consciência do estado corporal, a movimen- tos pequenos com o intuito de liberar as articulações, movimentos grandes para uma maior consciência da cadeia muscular envolvida no ato de tocar, alongamentos, até movimentos que estimularão o au- mento do tônus muscular em uma determinada região para uma melhoria da sustentação postural.

3. METODOLOGIA

Exercícios sugeridos 3

MÃOS E BRAÇOS

1) Fazer alongamentos de duração mínima de 15 segundos para os músculos do antebraço.

mínima de 15 segundos para os músculos do antebraço. Figura 1 Figura 2 ARTIGOS II Encontro
mínima de 15 segundos para os músculos do antebraço. Figura 1 Figura 2 ARTIGOS II Encontro

Figura 1

Figura 2

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Antes de alongar como mostram as figuras acima, manter por cinco segundos uma resistência contrária ao movimento do alongamento. Na Figura 1, a palma da mão esquerda empurraria a mão direita para frente por cinco segundos antes do alongamento. Na Figura 2, o dorso da mão esquerda empurraria a mão direita para frente por cinco segundos antes do alongamento.

2) Fechar os dedos, segurando firmemente por dez segundos. Abrir os dedos, esticando-os ao máximo e mantendo esta abertura por dez segundos. Relaxar.

máximo e mantendo esta abertura por dez segundos. Relaxar. Figura 3 Figura 4 3) Descansar um

Figura 3

e mantendo esta abertura por dez segundos. Relaxar. Figura 3 Figura 4 3) Descansar um dos

Figura 4

3) Descansar um dos antebraços sobre uma superfície plana. Antes de iniciar o exercício, verificar se a mão está alinhada com o antebraço.

verificar se a mão está alinhada com o antebraço. Figura 5 (incorreto) Figura 6 (incorreto) Figura

Figura 5 (incorreto)

a mão está alinhada com o antebraço. Figura 5 (incorreto) Figura 6 (incorreto) Figura 7 (correto)

Figura 6 (incorreto)

com o antebraço. Figura 5 (incorreto) Figura 6 (incorreto) Figura 7 (correto) Mantendo sempre o punho

Figura 7 (correto)

Mantendo sempre o punho e o antebraço em contato com a superfície, iniciar uma leve pressão dos dedos contra a superfície, sempre mantendo-os bem alongados. Intensificar a pressão, continuando o movimento de flexão da terceira falange dos dedos até chegar a um limite de tônus nesta posição (ver Figuras 8 e 9). Manter o tônus por alguns segundos (de 3 a 10 segundos) e relaxar. Notar que devido a capacidades musculares individuais, cada pessoa consegue manter esta posição por tempos variados. Repetir entre 5 a 10 vezes.

posição por tempos variados. Repetir entre 5 a 10 vezes. Figura 8 Figura 9 ARTIGOS II
posição por tempos variados. Repetir entre 5 a 10 vezes. Figura 8 Figura 9 ARTIGOS II

Figura 8

Figura 9

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OMBROS E COSTAS

4) Ensinando a encontrar a posição correta dos ombros: fazer um movimento de rotação com os dois ombros primeiro para a frente, depois para trás, finalizando com um movimento menor, que encontre a posição mais centralizada dos ombros.

que encontre a posição mais centralizada dos ombros. Figura 10 Figura 11 Figura 12 5) Após

Figura 10

encontre a posição mais centralizada dos ombros. Figura 10 Figura 11 Figura 12 5) Após um

Figura 11

posição mais centralizada dos ombros. Figura 10 Figura 11 Figura 12 5) Após um longo período

Figura 12

5) Após um longo período tocando piano, fazer movimentos circulares para trás com os braços esticados iniciando como na Figura 13. Durante o movimento circular, ambos os braços devem passar rente às orelhas (Figura 14).

ambos os braços devem passar rente às orelhas (Figura 14). Figura 13 Figura 14 Figura 15

Figura 13

devem passar rente às orelhas (Figura 14). Figura 13 Figura 14 Figura 15 6) Utilizar o

Figura 14

passar rente às orelhas (Figura 14). Figura 13 Figura 14 Figura 15 6) Utilizar o banco

Figura 15

6) Utilizar o banco do piano para alongar os músculos do peito e do abdômen deitando com as costas sobre a superfície do banco, deixando a cabeça cair para baixo e mantendo os braços estica- dos. Ficar nesta posição por pelo menos 30 segundos. Levantar com cautela.

posição por pelo menos 30 segundos. Levantar com cautela. Figura 16 7) Na posição sentada, com

Figura 16

7) Na posição sentada, com a pelve e a coluna alinhadas, colocar as mãos no peito entrela- çando os dedos. Imaginar que há um olho aberto no centro do peito. Cruzar uma das pernas. Inspirar lentamente enquanto o olho central gradualmente olha para o mesmo lado da perna cruzada, fazendo um movimento de rotação com o tórax e indo até o limite máximo desta rotação. Neste momento, o pei-

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to deverá estar cheio de ar. Iniciar o movimento de retorno soltando lentamente o ar. Repetir algumas vezes o mesmo lado antes de trocar de direção, voltado à posição inicial e cruzando a outra perna.

voltado à posição inicial e cruzando a outra perna. Figura 17 PESCOÇO E CABEÇA Figura 18

Figura 17

PESCOÇO E CABEÇA

e cruzando a outra perna. Figura 17 PESCOÇO E CABEÇA Figura 18 8) Fortalecendo a musculatura

Figura 18

8) Fortalecendo a musculatura do pescoço: encontrar as duas mãos na junção da cabeça com a nuca, entrelaçando os dedos. Enquanto as mãos fazem uma pressão contínua puxando a região da nuca para frente (em direção aos cotovelos), a musculatura da nuca faz uma resistência a este movimento.

a musculatura da nuca faz uma resistência a este movimento. Figura 19 9) O mesmo movimento

Figura 19

9) O mesmo movimento realizado pelos músculos do pescoço no Exercício 8) é necessário, em um grau de intensidade menor, para se encontrar a posição correta da cabeça, considerando a linha da coluna cervical. Alternar entre a posição correta e a posição errada.

Alternar entre a posição correta e a posição errada. Figura 20 (posição correta) ARTIGOS Figura 21

Figura 20 (posição correta)

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e a posição errada. Figura 20 (posição correta) ARTIGOS Figura 21 (posição errada) II Encontro Internacional

Figura 21 (posição errada)

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MUSCULATURA DA PELVE

10) Imaginar que os ísquios (ossos sobre os quais sentamos) são os nossos pés, caminhando sobre toda a superfície do banco, para frente e para trás. Evitar grandes movimentos com os ombros enquanto os ísquios caminham para que haja uma maior amplitude de movimento pélvico. Imaginar que os “pés” devem passar por cima de pequenos obstáculos.

11) Fazer o movimento para se levantar do banco, parando na posição intermediária entre sair do banco e chegar à posição ereta (as pernas ainda estão flexionadas). Ficar nesta posição intermediá- ria por alguns segundos. Alternar entre um segundo em posição sentada e alguns segundos na posição intermediária. Repetir algumas vezes.

segundos na posição intermediária. Repetir algumas vezes. Figura 22 Numa segunda fase, após as repetições, ensinar

Figura 22

Numa segunda fase, após as repetições, ensinar os alunos a manterem um nível mínimo de tônus na região pélvica enquanto tocam piano. Para isso é necessário reproduzir e manter o trabalho muscular necessário para se levantar da cadeira, mas sem realmente se levantar. Em seguida, deve-se reduzir o trabalho muscular para um nível mais baixo de tensão, concentrando-se para que o tônus seja mantido enquanto tocam. O tônus nesta região deve causar desconforto no início, mas com o tempo, ele poderá ajudar a liberar os membros superiores de possíveis tensões relacionadas à atividade mus- cular compensatória.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os exercícios propostos devem ser distribuídos durante o período da aula, em momentos em que os alunos possam fazer pausas, entre uma e outra atividade ao piano. Aconselha-se a iniciar a aula com alongamentos e exercícios para as mãos, braços e ombros para auxiliar no aquecimento. Os exercícios para a pelve podem estimular a correção da posição sentada quando esta aparenta estar desequilibrada. Os exercícios para os ombros e as costas, assim como os para o pescoço e a cabeça, podem trazer alívio após momentos de grande concentração em atividades mais complexas. Independentemente da ordem de apresentação dos exercícios, o mais importante é que o instrutor esteja atento às necessidades dos alunos, observando a situação postural deles durante cada atividade pianística. Certos vícios de postura são relacionados a situações comuns em uma aula de piano. Um exemplo é a tendência de uma maior tensão no pescoço em atividades que envolvem ler e tocar trechos tecnicamente mais complexos ou durante a prática de leitura à primeira vista. Os ombros elevados podem estar relacionados a um alto nível de tensão e/ou concentração, ou simplesmente pode estar sendo causado pela altura inadequada dos bancos. Outro fato a se considerar é a influência da força da gravidade após um período mais longo na posição sentada resultando num desvio da coluna vertebral (cifose torácica mais acentuada – costas curvadas para frente). Todas as situações acima descritas podem ser minimizadas com alguns dos exercícios sugeridos.

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Recomenda-se que os exercícios selecionados para este artigo sejam praticados pelo instrutor de piano em grupo antes de serem incorporados ao planejamento de ensino diário. O ideal seria que o instrutor interessado nesta proposta procure estimular o aprofundamento da sua própria consciência corporal praticando atividades físicas e terapias corporais regularmente. É fundamental que o instrutor tenha uma vivência com os exercícios que serão e ensinados por ele, para que se construa uma fami- liaridade que será de grande utilidade no lido com as possíveis reações decorrentes desta prática na sala de aula. Através da sua própria experiência, acredita-se que o instrutor poderá direcionar mais efetivamente seus alunos durante os exercícios.

NOTAS

1 Entre estas organizações, pode-se citar a Performing Arts Medicine Association (EUA), a British Association for Performing Arts Medicine (Reino Unido), a Austrian Society for Music and Medicine (Áustria), a Deutsche Gesellschaft für Musikphysio- logie und Musikermedizin (Alemanha), a Schweizer Gesellschaft für Musikmedizin (Suíça), e a International Foundation for Performing Arts Medicine (internacional).

2 Os cursos de piano em grupo em universidades americanas são obrigatórios a todos os alunos de música que têm o piano como instrumento principal. Estes cursos substituem as aulas de piano como instrumento complementar, mais comuns em universidades brasileiras.

3 Estes exercícios foram reunidos durante o período de 2008 a 2011, enquanto a autora deste artigo fazia especialização em Musicofisiologia na Universidade das Artes de Zurique. Os cursos foram ministrados pelos seguintes professores: Johanna Gutzwiller (fisioterapeuta), Irene Spirgi-Gantert (fisioterapeuta), Marina Sommacal (bailarina e especialista em Spiraldyna- mic) e Horst Hildebrandt (médico e especialista em Dispokinesis).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GUTZWILLER, J. Körperklang – Klangkörper: Ein Arbeitsbuch über Körperarbeit für Chorleiter, Sänger und Instru- mentalisten. Basel: Hbs Nepomuk, 1997.

KLEIN-VOGELBACH, S.; LAHME, A.; SPIRGI-GANTERT, I. Interpretación Musical y Postura Corporal. Madrid: Edicio- nes Akal S.A., 2010.

LARSEN, C. et al. Körperhaltungen: analysieren und verbessern. Stuttgart: Trias Verlag, 2008.

MOURA, R. C. R.; BORTZ, G. A percepção da dor em estudantes de música da cidade de São Paulo. Artigo apre- sentado no 8 SIMCAM, Florianópolis 2012. Disponível em: http://wwwsimposiosaudedomusico.blogspot.com.br/

search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=2.

Acesso em: 20 de ago. 2012.

SPAHN, C.; HILDEBRANDT, H.; SEIDENGLANZ, K. Effectiveness of a prophylactic course to prevent playing-related health problems of music students. Medical Problems of Performing Artists, 16 (1), p. 24-31, 2001.

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