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ECLESIASTES

Original em inglês:
ECCLESIASTES -
Ecclesiastes; or The Preacher
Commentary by A.R. Faussett
Tradução: Carlos Biagini

Introdução

Eclesiastes 1 Eclesiastes 5 Eclesiastes 9

Eclesiastes 2 Eclesiastes 6 Eclesiastes 10

Eclesiastes 3 Eclesiastes 7 Eclesiastes 11

Eclesiastes 4 Eclesiastes 8 Eclesiastes 12


Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 2
INTRODUÇÃO

O título hebraico é Qohelet, que o autor do livro se aplica a si


mesmo (Ec_1:12). "Eu, Qohelet, fui rei sobre Israel". Significa alguém
que reúne ou Convocador de reunião, e um Pregador de tal reunião. A
forma feminina do substantivo hebraico, e sua construção uma vez
(Ec_7:27) com o verbo em feminino, demonstra que não somente
significa Salomão, o pregador das assembleias (quando se constrói com
o verbo, ou substantivo masculino), mas também a sabedoria divina
(vocábulo feminino no hebraico), a qual fala pela boca do rei inspirado.
Em seis dos sete casos se constrói no masculino. Salomão foi dotado de
sabedoria inspirada (1Rs_3:5-14; 1Rs_6:11-12; 1Rs_9:1, etc.; 1Rs_11:9-
11), o que o preparou devidamente para sua tarefa. Os orientais se
deleitam em tais reuniões para os discursos solenes. Assim os árabes
antes tinham uma assembleia anual, no Ocadh, para ouvir e recitar
poemas. Cf. "Mestres das congregações" (nota de Ec_12:11, também de
Ec_12:9). "O Pregador ensinava a sabedoria ao povo", provavelmente
pessoalmente; 1Rs_4:34; 1Rs_10:2, 1Rs_10:8, 1 Rs_10:24; 2Cr_9:1,
2Cr_9:7, 2Cr_9:23, evidentemente se referem a um divã ou algo em
lugar público reunido para discussão literária. De modo que "propôs",
(dissertou, falou, o mesmo verbo no hebraico) três vezes repetido (1
Rs_4:32-33), refere-se não a composições escritas, mas sim a discursos
falados em assembleias convocadas a esse fim. O Espírito Santo, sem
dúvida, significa também pelo termo, que a doutrina de Salomão está
destinada à "grande congregação," a Igreja de todos os lugares e idades
(Sl_22:25; Sl_49:2-4).
Salomão, está claro, é o autor (Ec_1:12, 16; Ec_2:15; Ec_12:9).
Que os rabinos o atribuam a Isaías ou a Ezequias se explica pela hipótese
de que aquele ou este o incluiu no cânon. A diferença de seu estilo,
comparado com o de Provérbios e Cantares, deve-se à diferença de
temas, e ao período diferente de sua vida na qual se escreveu cada um:
ou seja, Cantares, no ardor de seu primeiro amor a Deus; Provérbios,
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 3
como ao mesmo tempo, ou algo depois; mas Eclesiastes em sua
ancianidade, como selo e testemunho do arrependimento de sua
apostasia no período correspondente: o Sl_89:30, Sl_89:33 comprova
seu arrependimento. A substituição do título Qohelet por Salomão (isto
é, paz), pode ser que implique que, tendo conturbado a Israel, perdeu
enquanto isso seu nome de paz (1Rs_11:14, 1Rs_11:23); mas agora,
havendo-se arrependido, deseja ser daí em diante um Pregador de
justiça. As pretendidas expressões estrangeiras no hebraico poderiam ter
sido facilmente importadas, pela grande intercomunicação com outras
nações durante seu longo reinado. Além disso os supostos caldeísmos
podem ser fragmentos conservados da língua comum da qual o hebraico,
o siríaco, o caldeu e o arábico foram brotos.
O propósito do Eclesiastes é demonstrar a vaidade de todas as
ocupações meramente humanas, quando se faz delas a principal
finalidade, em contraste com a verdadeira bem-aventurança da
verdadeira sabedoria, ou seja, a religião. A imortalidade da alma
menciona-se incidentalmente, como subsidiária ao propósito principal. A
lei de Moisés pressupunha esta verdade, e tirou suas sanções de
recompensa e de retribuição de acordo com a teocracia, que estava sob
uma providência especial de Deus como Rei temporário de Israel, da
vida presente, em lugar da futura. Mas depois que Israel escolheu um rei
terrestre, Deus retirou, em parte, Sua providência extraordinária, de
modo que sob Salomão, as recompensas temporárias não
invariavelmente seguiam à virtude, nem os castigos ao vício (cf.
Ec_2:16; Ec_3:19; Ec_4:1; Ec_5:8; Ec_7:15; Ec_8:14; Ec_9:2, 11).
Portanto se suscitou a necessidade de demonstrar que estas anomalias
serão retificadas no além, e esta é a "conclusão", pois, de "tudo" o livro
que, vendo que há um juízo vindouro, e que os bens atuais não
satisfazem à alma, "Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque
isto é o dever de todo homem" (Ec_12:13, 14), e enquanto isso
aproveitar, em prazerosa e serena sobriedade, e não abusar, da vida
presente (Ec_3:12, 13).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 4
Objeta-se que parece que se inculca o epicurismo sensual (Ec_3:12,
13, 22, etc.); mas o que se ensina é o gozo agradecido dos atuais dons de
Deus, em oposição ao espírito murmurador, angustiado, avaro, como se
comprova por Ec_5:18, cf. com Ec_5:11-15, não fazendo daqueles dons
o fim principal da vida; não o gozo da obscenidade de insensatez; a má
compreensão advertida em Ec_7:2-6; Ec_11:9; Ec_12:1. Outra vez,
Ec_7:16 e Ec_9:2-10 poderia parecer que ensinam o fatalismo e o
cepticismo. Mas estas são palavras postas em boca de um contrário; ou
antes, foram da linguagem de Salomão mesmo durante sua apostasia,
que encontra eco no coração de todo sensual que deseja ser incrédulo e
que, portanto, vê no mundo que o rodeia muitas dificuldades em que
basear sua voluntariosa incredulidade. A resposta é dada (em Ec_7:17,
18; Ec_9:11, etc.; Ec_11:1, 6; Ec_12:13). Mesmo quando se compreenda
que estas palavras são de Salomão, devem ser entendidas como uma
proibição de uma "justiça própria" de alguém, que pretenda obrigar a
Deus a repartir a salvação a quem praticar obras boas imaginárias e um
rigor externo esgotante; também proíbem aquela especulação que
pretende sondar os inescrutáveis conselhos de Deus (Ec_8:17), e aquela
despreocupação a respeito do futuro, de conformidade com Mt_6:25.
O Sumo Bem é aquele cuja possessão nos torna felizes, que deve
ser buscado como o fim, por amor dele mesmo; não sendo todas as
demais coisas senão os meios para seu alcance. Os filósofos que fizeram
dele o grande tema de suas investigações, limitaram-no à vida presente,
considerando que o eterno era irreal, e útil somente para atemorizar as
pessoas. Mas Salomão demonstra a vaidade de todas as coisas humanas
(inclusive os assim chamados filósofos) para satisfazer a alma, e que só a
sabedoria celestial é o bem principal. Assim tinha ensinado quando era
jovem (Pv_1:20; Pv_8:1, etc.); também em Cantares tinha
espiritualizado o tema numa alegoria; e agora, depois de ter provado
pessoalmente tanto tempo as tantas maneiras em que o mundo busca
alcançar a felicidade, dá na idade avançada o fruto de sua experiência.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 5
Eclesiastes se divide em duas partes: Ec_1:1-6, que demonstram a
vaidade das coisas terrenas; e Ec_6:10 a Eclesiastes 12, que ensinam a
excelência da sabedoria celestial. Ocorrem separações dos estritos
métodos lógicos nestas divisões, mas nos de maior importância,
observam-se. Fazem com que o estilo seja rígido e artificioso, e portanto
mais acomodado a todas as capacidades mentais. É poético; a divisão
hemistiquial é a forma mais observada, mas nem sempre. A escolha de
epítetos, as figuras, a ordem investida de palavras, a elipse, o paralelismo
ou, em sua ausência, a similaridade de dicção, caracterizam a
versificação.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 6
Eclesiastes 1

INTRODUÇÃO.
1. do Pregador — e Convocador a assembleias para o propósito.
Veja-se a Introdução. Qohelet no hebraico, nome simbólico de Salomão
e da Sabedoria celestial que falava por meio dele e se identificava com
ele. O v. 12 revela que “rei de Jerusalém” está em aposto não com
relação a “Davi,” mas com relação a “Pregador”.
em Jerusalém — meramente sua metrópole, não seu reino inteiro.
2. O tema proposto da primeira parte de seu discurso,
Vaidade de vaidades — hebraísmo: por vaidade absoluta. Como
“Santo dos (lugares) santos” (o Santíssimo) (Êx_26:33); “servo de
servos” (Gn_9:25). A repetição aumenta a força.
tudo — heb. “o tudo,” tudo sem exceção, ou seja, as coisas
terrenas.
vaidade — não em si mesmas, pois Deus nada faz em vão
(1Tm_4:4-5), mas sim vãs quando são postas em lugar de Deus, e feitas
o fim em vez dos meios (Sl_39:5-6; Sl_62:9; Mt_6:33); vãs também por
causa da “vaidade” a que foram “sujeitas” pela queda (Rm_8:20).
3. Que proveito … trabalho — isto é, com relação ao sumo bem
(Mt_16:26). O trabalho é proveitoso em seu devido lugar (Gn_2:15;
Gn_3:19; Pv_14:23).
debaixo do sol — quer dizer, nesta vida, em oposição com o
mundo vindouro. A frase volta a aparecer muitas vezes, mas só no
Eclesiastes.
4. terra permanece para sempre — Sl_104:5.) Enquanto que a
terra permanece a mesma, as gerações dos homens vão mudando
sempre; que proveito pode haver, pois, das fadigas daquele cuja estada
na terra, como indivíduo, é tão breve? O “sempre” tem sentido
comparativo, não absoluto (Sl_102:26).
5. (Sl_19:5-6.)
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 7
volta ao seu lugar — O verbo no hebraico é ofegar, e
metaforicamente significa apressar-se, de um que corre (“o forte,”
Sl_19:5) na carreira. Aplica-se, antes, ao sol nascente, que parece surgir
laboriosamente até o meridiano, e não ao sol poente; os acentos também
favorecem a Maurer, quem diz: “E (tornando também) a seu lugar, onde
ofegante se levanta.”
6. faz o seu giro — volta de novo por seus giros, caminhos
anteriores, por muitas que sejam suas voltas até agora. O vento do norte
e o do sul são os dois prevalecentes no Egito e Palestina.
7. Pelas cavidades subterrâneas, e pela evaporação que forma as
nuvens de chuva, os mananciais e os rios recebem água do mar, a qual
depois retorna. A ideia que corresponde é, que os homens individuais
vão mudando continuamente, enquanto a sucessão da raça continua;
assim como o sol, o vento, e os rios, mudam, enquanto o ciclo por onde
gira é inalterável; voltam para ponto de partida. Portanto no homem,
como nestes objetos da natureza que lhe são análogos, com todas as
mudanças aparentes, “nada há, pois, novo” (v. 9).
8. Maurer traduz: “Todas as palavras se matam de cansaço”, isto é,
são inadequadas, como também “o homem não pode expressar” todas as
coisas do mundo que sofrem este incessante, inalterável ciclo de
vicissitudes: “O olho não se satisfaz as contemplando.” Mas é
evidentemente um retorno à ideia (v. 3) com relação ao “trabalho” do
homem, que não é mais que esgotante e sem proveito; “nada novo” de
bom resulta dele (v. 9); porque como o sol sai … etc., assim os trabalhos
fatigantes do homem se movem num ciclo imutável. O “olho” e o
“ouvido” são dois dos capatazes pelos quais trabalha o homem. Mas
estes nunca “se fartam” (Ec_6:7; Pv_27:20). Nem poderão fartar-se
depois de agora, porque não haverá “nada novo.” Não assim o sumo
bem, Jesus Cristo (Jo_4:13-14; Ap_21:5).
9. nada há, pois, novo — antes, “nada há novo absolutamente”,
como em Nm_11:6. Isto não significa em sentido geral; mas sim não há
fontes novas de felicidade (o tema em discussão) que se possam
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 8
inventar; repetindo-se vez após vez o mesmo círculo de prazeres
comuns, cuidados, afazeres, estudo, guerras, etc. (Holden).
10. séculos — Heb. “eras”.
Já foi — O plural hebraico não pode ser unido ao verbo no
singular. Assim, traduza-se: “O que foi feito perante nós (em nossa
presença. 1Cr_16:33), já foi feito nos tempos antigos.”
11. A razão por que se crêem novas algumas coisas, que na
realidade não o são, é que é imperfeita a história existente das idades
precedentes entre seus sucessores.
os que hão de vir depois delas — quer dizer, os que vivam mesmo
depois das “coisas, antes, as pessoas ou gerações (v. 4) com as quais
este verso está relacionado, os seis versos intermédios são meramente
ilustrações do v. 4 (Weiss), que têm que vir” (Ec_2:16; Ec_9:5).
12. Reassume-se o v. 1, sendo os vv. intermediários palavras
introdutórias de sua tese. Assim que se repete “o Pregador” (Qohelet).
fui rei (TB) — em lugar de “sou rei,” porque está para dar os
resultados de sua experiência passada durante seu longo reinado.
em Jerusalém — especificado, contrariamente a Davi, quem reinou
em Hebrom e também em Jerusalém, enquanto que Salomão reinou só
em Jerusalém. “Rei de Israel em Jerusalém” denota que reinou sobre
Israel e Judá combinados; enquanto que Davi, em Hebrom, reinou só
sobre Judá, e até que se estabeleceu em Jerusalém, não reinou sobre
ambos Israel e Judá.
13. este enfadonho trabalho — ou seja, de “informar-me com
sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu.” Não a sabedoria
humana em geral, a que vem depois (Ec_2:12, etc.), mas sim a laboriosa
investigação e as especulações a respeito das obras dos homens, por
exemplo, a ciência política. Como o homem está destinado a procurar
seu pão, assim também seu conhecimento, pelo suor de seu rosto
(Gn_3:19). (Gill.)
para que se ocupem — quer dizer, “sejam disciplinados: lit., para
que nisso se castiguem ou se humilhem.”
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14. Dá-se aqui a razão pela qual a investigação das “obras” do
homem não é mais que “enfadonho trabalho” (v. 13), ou seja, porque
todos os caminhos do homem são vãos (v. 18) e não podem ser
endireitados (v. 15).
correr — o cair sobre a presa.
atrás do vento — Maurer traduz: “a perseguição do vento” como
em Ec_5:16; Os_12:2: “Efraim se apascenta do vento.” Versões antigas
apoiam a inglesa, “na qual se diz exercitar-se.”
15. A investigação (v. 13) dos caminhos humanos é trabalho vão,
porque são desesperadamente “torcidos” e não podem ser “endireitados”
com ela (Ec_7:13). Só Deus, o sumo bem, pode fazer isto (Is_40:4;
Is_45:2).
o que falta — (Dn_5:27.)
não se pode calcular — de modo a fazer um número completo:
equivale a ser suprido. (Maurer.) Ou, antes, o estado do homem é do
estado faltante, e o que é totalmente defectivo não pode ser enumerado
nem calculado. O investigador pensa que pode reunir, em números
exatos, a estatística das necessidades do homem; mas estas, inclusive os
defeitos do investigador, não são parciais, mas sim totais.
16. Eu falei no meu coração (TB) — (Gn_24:45.)
eu me engrandeci — antes, “exaltei-me e adquiriu”
sobrepujei em sabedoria a todos — ou seja, os sacerdotes, juízes,
e os dois reis anteriores a Salomão. Sua sabedoria excedia a de todos os
que foram antes de Jesus Cristo, o Qohelet antitípico, ou o “Convocador
de homens” (Lc_13:34), e a “sabedoria” encarnada (Mt_11:19;
Mt_12:42).
tem tido, etc. — (Jr_2:31.) Contraste-se com isto o glorificar-se na
sabedoria mundana (Jr_9:23-24).
17. sabedoria … loucuras — quer dizer, seus efeitos, as obras da
sabedoria e da insensatez respectivamente. “Loucura,” lit., extravagância
vaidosa; Ec_ 2:12 e Ec_7:25, etc., apoiam nossa versão tem tido, melhor
que Dathe, “assuntos esplêndidos.” Desvarios” (tolice) lê-se em alguns
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 10
MSS, em vez da do presente texto hebraico de “prudência.” Se este for
conservado, deve entender a “prudência,” falsamente assim chamada
(1Tm_6:20), ou “astúcia” (Dn_8:25).
18. sabedoria … ciência — não em geral; mas sim o conhecimento
especulativo dos caminhos do homem (vv. 13, 17), o qual, quanto mais
balança, mais dor motiva a alguém quando se dá conta de quão
“torcidos” e “faltos” são (v. 15; Ec_12:12).
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Eclesiastes 2

Salomão agora prova o prazer e o luxo, retendo, contudo, sua


“sabedoria” humana (Ec_3:9), mas tudo resulta em “vaidade” com
relação ao sumo bem.
1. Eu disse no meu coração (TB) — (Lc_12:19.)
Eu te provarei — para ver se pode achar aquele bem efetivo no
prazer, que não houve na “sabedoria mundana.” Mas isto também resulta
“vaidade” (Is_50:11).
2. riso — termo que inclui a prosperidade, e a alegria em geral
(Jó_8:21).
loucura — quer dizer, quando se toma pelo maior bem; é
inofensiva em seu devido lugar.
de que serve — para conseguir o sumo bem? (Ec_7:6; Pv_14:13).
3-11. Ilustração mais ampliada dos vv. 1, 2.
Resolvi — depois de inquirir em muitos projetos.
dar-me ao — lit., arrastar minha carne (corpo) ao vinho (inclusive
todo banqueteio). Figura tirada do cativo arrastado atrás do carro de
guerra, no triunfo (Rm_6:16, Rm_6:19; 1Co_12:2); ou, de alguém que é
seduzido (2Pe_2:18-19).
regendo-me … sabedoria — Lit., “e meu coração (ainda) se
comportava, ou se guiava, com sabedoria” (Gesênius.) Maurer traduz:
“cansou-se da sabedoria” (mundana). Mas o fim do v. 9 apoia a versão
inglesa: “ensinando ainda a meu coração a sabedoria.”
loucura — ou seja, os prazeres da carne, chamados “loucura” (v.
2).
os poucos dias — Heb. o número de dias de sua vida (Ec_6:12;
Jó_15:20).
4. (1 Rs_7:1-8; 1 Rs_9:1, 1 Rs_9:19; 1 Rs_10:18, etc.)
vinhas — (Ct_8:11.)
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5. jardins — Heb. paraísos, vocábulo estranho; Armênio e Árabe:
“recreio com flores e plantas perto da casa ou castelo do rei.” Nenhum
paraíso terrestre pode fazer as vezes do celestial (Ap_2:7).
6. açudes — para a irrigação da terra (Gn_2:10; Ne_2:14; Is_1:30).
Ainda existem três de tais depósitos, chamados as cisternas de Salomão
como a dois mil metros de Jerusalém.
bosque, etc. — “antes, o bosque que floresce com árvores.”
(Lowth.)
7. servos nascidos em casa — “servos nascidos em minha casa,”
estimados de mais valor que os comprados (Gn_14:14; Gn_15:2-3;
Gn_17:12-13, Gn_17:27; Jr_2:14), chamados filhos da serva de alguém
(Êx_23:12; cf. com Gn_12:16; Jó_1:3).
8. (1 Rs_10:27; 2Cr_1:15; 2Cr_9:20.)
tesouros de reis e de províncias — contribuições destes, como
tributários do rei (1 Rs_4:21, 1 Rs_4:24); um substituto vil daquela
sabedoria “cuja aquisição é melhor que o ouro fino” (Pv_3:14-15).
cantores — também Davi (2Sm_19:35).
instrumentos, etc. — usados-nos banquetes (Is_5:12; Am_6:5-6);
antes, uma princesa e princesas, de raiz árabe. Uma esposa própria, ou
rainha (Et_1:9); a filha de Faraó (1Rs_3:1); outras mulheres secundárias,
princesas, distintas das “concubinas” (1Rs_11:3; Sl_45:10, Ct_6:8).
(Weiss, Gesênius). Se estas forem omitidas, a enumeração seria
incompleta.
9. engrandecido — “Fui grande,” opulento (Gn_24:35; Jó_1:3; cf.
1 Rs_10:23).
perseverou — (v. 3).
10. minhas fadigas — para procurar o prazer.
isso — este desfruto desvanecente foi minha única “porção de todo
meu trabalho” (Ec_3:22; Ec_5:18; Ec_9:9; 1 Rs_10:5).
11. Mas todas estas coisas percebi que eram só “vaidade,” e de
nenhum “proveito” referente ao bem principal. A “sabedoria” (o senso
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 13
comum mundano, a sagacidade), que até “perseverou comigo” (v. 9),
ensinou-me que estas não me podiam proporcionar a sólida felicidade.
12, 13. Tinha provado a sabedoria mundana; (Ec_1:12-18) e a
estultícia (prazer néscio Ec_2:1-11); agora as compara (v. 12), e acha
que enquanto que
a sabedoria é mais proveitosa do que a estultícia (v. 13) —
contudo, um evento, a morte, toca a ambas (vv. 14-16), e assim a riqueza
adquirida pelo trabalho do sábio pode passar ao “néscio” que não
trabalhou (vv. 18, 19, 21); portanto, todo o seu trabalho é vaidade (vv.
22, 23).
Que fará o homem que seguir ao rei? (v. 12) — (Ec_1:9.)
Parentético. O investigador futuro não poderá traçar nada “novo” de
modo a chegar a uma conclusão diferente da minha ao comparar “a
sabedoria e o prazer néscio.” Holden, com menos elipse, traduz: “O que,
oh homem, virá depois do rei …?” Melhor, Grocio: “Que homem poderá
vir depois do (rivalizar com o) rei nas coisas que estão feitas?” Nenhum
outro poderá ter os mesmos meios para provar o que podem fazer todas
as coisas terrenas por satisfazer a alma: ou seja, a sabedoria mundana, a
ciência, as riquezas, o poder, a longevidade, todos combinados.
14. (Pv_17:24.) O “sábio” deste mundo tem bom sentido no manejo
de seus assuntos, a arte e bom gosto na edificação e na plantação, e se
mantém dentro dos limites seguros e respeitáveis no prazer, enquanto
que o “néscio” é falto neste respeito (“trevas” equivale a erro fatal,
enfatuação cega), contudo, um evento, a morte, acontece a ambos
(Jó_21:26).
15. por que, pois, busquei eu — assim tão ansioso a tornar-se, etc.
(2Cr_1:10).
Então — visto que tal é o caso.
isso — ou seja, o seguir a sabedoria (mundana), que nunca pode
tomar o lugar da verdadeira (Jó_28:28; Jr_8:9).
16. memória — uma grande ambição dos mundanos (Gn_11:4). Só
os justos a alcançam (Sl_112:6; Pv_10:7).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 14
para sempre — memória, ou reputação perpétua.
dias vindouros (TB) — Maurer: “Nos dias vindouros todas as
coisas há muito tempo estarão esquecidas.”
17. Desenganado num experimento após o outro, fica aborrecido da
vida. O apóstata devia ter refletido como o filho pródigo (Os_2:6-7;
Lc_15:17-18).
me foi penosa a obra — (Jó_10:1.)
18, 19. Restou uma só esperança a este decepcionado mundano, ou
seja, a perpetuação de seu nome e suas riquezas, penosamente reunidas,
por meio de seu sucessor. Porque o egoísmo é principalmente a raiz da
alegada providência dos pais mundanos a favor de seus filhos. Mas agora
a lembrança de como ele próprio, o filho piedosamente criado de Davi,
tinha menosprezado o mandamento de seu pai moribundo (1Cr_28:9),
sugeriu-lhe triste pressentimento quanto ao que Roboão, seu filho da
idólatra amonita, Naamá, resultasse ser; presságio realizado em demasia
(1 Reis 12; 1Cr_14:21-31).
20. Desesperado me desfiz de toda esperança de fruto permanente
de meu trabalho.
21. homem — Dado o caso haver tal homem.
com … destreza — antes, “com êxito,” como o hebraico se traduz
em Ec_11:6 “prosperar”, mas a margem lê “com retidão.”
grande mal — não em si mesmo, porque este é o curso comum das
coisas, mas sim “mal” com relação ao bem principal, que alguém tivesse
trabalhado tanto sem proveito.
22. O mesmo sentimento que o do v. 21, expresso
interrogativamente.
23. O único fruto que ele tem não só são as dores em seus dias, mas
também todos os seus dias são dores, e seu trabalho, (não só tem dores
envoltas nele, mas também ele mesmo é) dor, ou tristeza.
24. Esta versão dá um aparente sentido epicurista, contrário ao
contexto. O hebraico é, lit., “Não é bom ao homem comer e beber, e
fazer com que sua alma veja o bem” (ou “manifestar sua alma, em si,
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 15
alegre”), etc. (Weiss.) Segundo Holden e Weiss, Ec_3:12, 22 difere deste
versículo em texto e sentido; aqui quer dizer o escritor que “Não é bom
que o homem banqueteie, nem que aparente estar falsamente alegre em
sua alma;” assim se refere aqui à falsa pretensão de felicidade adquirida
pelas próprias pessoas e para si mesmo, e em Ec_3:12, 22 e Ec_5:18,19,
ao verdadeiro ver, ou achar prazer quando Deus o dá. Ali é dito que é
bom ao homem desfrutar com satisfação e gratidão as bênçãos que Deus
dá; aqui édito que não é bom que alguém tome para si um prazer irreal
mediante o banqueteio, etc.
vi também que isto — Recebi pela experiência que o bem (prazer
verdadeiro) não tem que receber-se à vontade, mas sim vem só da mão
de Deus (Weiss) (Sl_4:6; Is_57:19-21). Ou segundo Holden: “É a
ordenação de mãos dadas de Deus que o sensual não tenha sólida
satisfação” (bem).
25. pode alegrar-se — lit., “se apressará” atrás dos prazeres
(Pv_7:23; Pv_19:2); seguirá com avidez as alegrias. Ninguém pode
competir comigo nisto. Se eu, pois, com todas as minhas oportunidades
prazenteiras não pude absolutamente obter o prazer sólido de minha
própria produção, à parte de Deus, quem o pode fazer? Deus
misericordiosamente poupa a Seus filhos do triste experimento que fez
Salomão, negando-lhes os bens que eles com frequência desejam. Dá-
lhes os frutos da experiência de Salomão, sem que eles paguem o alto
preço com que Salomão a comprou.
26. É a verdade, literalmente, na teocracia judaica: e até certa
medida em todas as idades (Jó_27:16-17; Pv_13:22; Pv_28:8). Embora a
retribuição não seja tão visível e imediata agora como então, não é
menos real. A felicidade até aqui é mais verdadeiramente a porção dos
piedosos (Sl_84:11; Mt_5:5; Mc_10:29-30; Rm_8:28; 1Tm 4:8).
para que ele ajunte — o pecador, isto é, inconscientemente, e
apesar dele. O piedoso Salomão tinha satisfação em suas riquezas e
sabedoria, quando Deus as dava (2 Cr_1:11, 12). O Salomão apóstata
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 16
não teve felicidade quando a buscava nelas à parte de Deus; as riquezas
que ele entesourou chegaram a ser o despojo de Sisaque (2 Cr_12:9).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 17
Eclesiastes 3

As ocupações terrestres são, sem dúvida, lícitas em sua devida


ordem e tempo (vv. 1-8), mas sem proveito quando as tem fora de tempo
e lugar; como por exemplo, as tem como bem único e principal (vv. 9,
10); enquanto que Deus faz belas todas as coisas em sua oportunidade o
que o homem imperfeitamente compreende (v. 11). Deus permite ao
homem que desfrute com moderação e virtuosamente os dons terrenos
que lhe concede (vv. 12, 13). O que nos consola no meio da instabilidade
das bênçãos terrestres, é que os conselhos de Deus são imutáveis (v. 14).
1. O homem tem seu ciclo assinalado de estações e de vicissitudes,
como o sol, vento, e água (Ec_1:5-7).
todo propósito — como existe um “momento propício” fixo nos
“propósitos” de Deus (por exemplo, fixou ele tempos para alguém
quando nascer, e quando morrer. v. 2), assim há também um “tempo”
(prazo) lícito para que o homem leve a cabo os seus “propósitos” e
inclinações. Deus não condena o “uso” das bênçãos terrestres, mas sim o
passa (v. 12); o que condena é o “abuso” das mesmas, o fazer delas o fim
principal (1Co_7:31). A terra, sem os desejos humanos, o amor, o gosto,
alegria, tristeza, seria um vazio lúgubre, um deserto sem água; mas por
outro lado, o mal uso ou o excesso deles, deve ser restringido, como uma
inundação. Razão e revelação são dadas para restringi-los.
2. tempo de morrer — (Sl_31:15; Hb_9:27).
plantar — Como o homem não pode reverter o tempo e ordem de
“plantar” e de “arrancar”, e transplantar, como tampouco pode alterar a
data de seu nascimento ou de sua morte. Pretender “plantar” fora de
maturação é vaidade, por boa que seja a maturação; do mesmo modo,
fazer das coisas terrenas o fim principal é vaidade, por boas que sejam
em ordem e maturação. Gill o entende figurativamente (Jr_18:7, Jr_18:9;
Am_9:15; Mt_15:13).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 18
3. Tempo de matar — quer dizer, judicialmente, a criminosos, ou
na guerra defensiva; não com malícia. Fora do tempo e ordem, o matar é
homicídio.
de curar — Deus tem seus tempos para “curar” (lit., Is_38:5,
Is_38:21; fig., Dt_32:39; Os_6:1; espiritualmente, Sl_147:3; Is_57:19).
Curar espiritualmente antes que o pecador sentisse sua úlcera, seria fora
do tempo, e assim danoso.
tempo de derribar – cidades, como Jerusalém, por Nabucodonosor.
edificar — como Jerusalém, no tempo de Zorobabel;
espiritualmente (Am_9:11), “o tempo fixo” (Sl_102:13-16).
4. chorar — ou seja, pelos mortos (Gn_23:2).
dançar (TB) — como Davi diante da arca (2Sm_6:12-14;
Sl_30:11), espiritualmente (Mt_9:15; Lc_6:21; Lc_15:25). Os fariseus,
exigindo a tristeza fora do tempo, erraram gravemente.
5. espalhar — arrojar pedras: como fora do jardim ou da vinha
(Is_5:2).
ajuntar pedras — para edificar, fig., os gentios, que uma vez
foram pedras desprezadas, a seu tempo foram feitos parte do edifício
espiritual (Ef_2:19-20), e filhos de Abraão (Mt_3:9); deste modo logo os
judeus restabelecidos (Sl_102:13-14; Zac_9:16).
abster-se de abraçar — (Jl_2:16; 1Co_7:5-6.)
6. buscar — por ex., ganhara a vida honestamente (Ef_4:23.)
perder — Quando Deus dispõe perda para nós, então cabe a nós
contentar-nos com isso.
guardar — não dar ao mendigo ocioso (2Ts_3:10).
deitar fora — para a caridade (Pv_11:24); ou nos despojar do mais
querido, em vez de perder a alma (Mc_9:43). O ser cuidadoso é bom em
seu lugar, mas não quando isso se interpõe entre nós e o Senhor
(Lc_10:40-42).
7. rasgar — rasgar a roupa, no pranto (Jl_2:13). Fig., dividir
nações, como Israel de Judá, já predito, nos dias de Salomão
(1Rs_11:30-31), a ser “cosidas” numa depois (Ez_37:15, Ez_37:22).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 19
estar calado — (Am_5:13), na calamidade nacional, ou na de um
amigo (Jó_2:13); também, não murmurar sob a visitação de Deus
(Lv_10:3; Sl_39:1-2, Sl_39:9).
8. aborrecer — por ex., o pecado, a concupiscência (Lc_14:26); é
como dizer, amar a Deus tanto mais quanto pareça em comparação,
aborrecer a “pai e mãe”, quando se interpõem entre nós e Deus.
tempo de guerra … paz — (Lc_14:31.)
9. Mas estas ocupações terrestres, lícitas em seu tempo, são “sem
proveito” quando o homem faz delas o que Deus nunca quis, o bem
principal. Salomão tinha buscado criar uma alegria artificialmente
forçada, às vezes quando devia ter agido a sério; o resultado, pois, de seu
esforço para ser feliz fora da ordem de Deus, foi um desengano. “Um
tempo de plantar” (v. 2), refere-se à plantação dele (Ec_2:5); o “rir” (v.
4), a “juntar pedras” (vv. 3, 5), à “edificação” dele (Ec_2:4); o “abraçar”
e “amar,” à “princesa” dele (Ec_2:8); o “buscar” (possivelmente também
o “juntar,” 5, 6), ao “achegar” dele (Ec_2:8). Todas estas coisas foram
sem “proveito,” porque não foram segundo o tempo e ordem de Deus
para repartir a felicidade.
10. (Ec_1:13.)
11. no seu devido tempo — isto é, em sua devida estação (Sl_1:3),
em contraste com os mundanos, que põem as ocupações terrestres fora
de seu próprio tempo e ordem (v. 9).
pôs a eternidade no coração do homem — lhes deu a capacidade
para compreender o mundo da natureza, que reflete a sabedoria de Deus
em seus muito belos tempos e ordem (Rm_1:19-20). “Tudo” (todas as
coisas) corresponde no paralelismo a “o mundo.”
de maneira que (TB) — isto é, que o homem veja só uma porção,
não o todo “desde o princípio até ao fim” (Ec_8:17; Jó_26:14;
Rm_11:33; Ap_15:4). Parkhurst traduz: “Mas pôs a escuridão no meio
deles,” lit., um segredo; daí, pois, a ofuscação mental do homem quanto
ao mistério pleno da obra de Deus. Assim traduzem Holden e Weiss.
Esta incapacidade de “alcançar” (esquadrinhar, compreender) a obra de
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 20
Deus é principalmente o fruto da queda. O mundano desde então, não
conhecendo o tempo nem ordem de Deus, trabalha em vão, porque
trabalha fora do tempo e ordem.
12. para o homem — nas obras de Deus (v. 11), assim que se
relacionem com o dever do homem. O homem não as pode compreender
totalmente, mas deve receber prazerosamente (“alegrar-se” em) os dons
de Deus, e “fazer o bem” com elas a si mesmo e a outros. Tal coisa
nunca está fora de época (Gl_6:9-10). Não a alegria sensual, nem a
luxúria (Fp_4:4; Tg_4:16-17).
13. Lit., “E também quanto a todo homem que come … isto é o
dom de Deus” (v. 22; Ec_5:18). Quando se recebem como dons de Deus,
e para a glória de Deus as coisas boas da vida são desfrutadas em seu
devido tempo e ordem (At_2:46; 1Co_10:31; 1Tm_4:3-4).
14. (1Sm_3:12; 2Sm_23:5; Sl_89:34; Mt_24:35; Tg_1:17.)
eternamente — para sempre, o oposto aos trabalhos do homem que
perecem (Ec_2:15-18).
acrescentar … tirar — não segundo as obras do homem, “torcidas
e faltosas” (Ec_1:15; Ec_7:13). O resultado dos trabalhos do homem
depende inteiramente do propósito imutável de Deus. O que cabe ao
homem, pois, é fazer e desfrutar todo bem terrestre em sua devida época
(vv. 12, 13), não deixando de lado a ordem de Deus, mas sim observando
profunda reverência para com Deus; porque o mistério e a imutabilidade
de Seus propósitos divinos têm por fim conduzir o “homem ao temor de
Deus.” O homem não sabe o resultado de cada ato; de outro modo se
creria independente de Deus.
15. Volta ao tema de Ec_1:9. Sejam quais forem as mudanças
havidas, a sucessão de eventos está ordenada pelas “perpétuas” leis de
Deus (v. 14), e retornam num ciclo fixo.
fará renovar-se o que se passou — Depois de muitas alterações, a
lei de Deus requer o retorno do mesmo ciclo de eventos, como aquele
que passou (lit., que foi impelido adiante). A LXX e a Siríaca traduzem:
“Deus requer (venha) ao açoitado;” transição aos vv. 16, 17.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 21
16. Eis aqui uma dificuldade sugerida. Se Deus requerer que os
eventos corram em seu ciclo perpétuo, “por que permite aos ímpios que
tratem injustamente no lugar onde menos deve haver injustiça”, ou seja,
“no lugar do juízo” (Jr_12:1)?
17. A solução da dificuldade. Há um juízo vindouro no qual Deus
vindicará os Seus justos caminhos. É curto o “tempo” do pecador para
sua injusta “obra”. Deus também tem o Seu “tempo” e Sua obra” de
juízo; e enquanto isso, Ele está intervindo para o bem final no que agora
parece obscuro. O homem não pode agora discernir o plano de operação
de Deus (v. 11; Sl_97:2). Se o juízo seguisse imediatamente a cada
pecado, não haveria lugar para o arbítrio, a fé, e a perseverança dos
santos apesar das dificuldades. A anterior escuridão fará mais gloriosa a
luz no final.
aqui (BJ) — (Jó_3:17-19) na eternidade, na presença do divino
Juiz, em contraste com o “aqui” no lugar do juízo humano (v. 16); deste
modo “desde então” (Gn_49:24).
18. por causa — o estado do homem caído está ordenado (estes
males permitidos) de tal maneira que Deus possa “manifestá-lo,” quer
dizer, assim prová-los, e que eles mesmos vejam sua fraqueza mortal,
como a dos animais.
filhos dos homens — antes, filhos de Adão, frase que significa
homens caídos. A tolerância da iniquidade até o juízo tem por finalidade
“manifestar” o caráter dos homens em sua condição de caídos, para ver
se os oprimidos se comportam corretamente em meio a seus males,
sabendo que o tempo está curto, e que há um juízo por vir. Os oprimidos
participam da morte, mas a comparação aos “animais” aplica-se
especialmente aos opressores ímpios (Sl_49:12, Sl_49:20); eles também
devem ser “manifestados” (provados). Se por acaso, sabendo que logo
devem morrer como os “animais,” e temendo o juízo vindouro, eles se
arrependerão (Dn_4:27).
19. Lit., “Porque os filhos dos homens (de Adão) são uma mera
casualidade.” Estas palavras não podem ser senão os sentimentos dos
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 22
céticos opressores. A tardança de Deus no juízo dá amplitude para a
“manifestação” da infidelidade deles (Ec_8:11; Sl_55:19; 2Pe_3:3-4).
São “animais brutos,” moralmente (v. 18; Jd_1:10); e acabam
sustentando que o homem, fisicamente, não tem preeminência sobre o
animal, sendo ambos igualmente “casualidades”. Este seria talvez a
linguagem de Salomão mesmo em sua apostasia. Responde-lhe no v. 21.
Se os vv. 19, 20 são palavras dele, só expressam que referente à
probabilidade da morte, com exclusão do juízo vindouro — como fazem
os céticos opressores — o homem está no mesmo nível que os animais.
A vida é “vaidade,” é contemplada independentemente da religião. Mas
o v. 21 assinala a vasta diferença entre eles com relação ao destino
futuro; também (v. 17) os animais não têm nenhum “juízo” vindouro.
fôlego — vitalidade.
21. Quem sabe — Não há dúvida do destino da alma do homem
(Ec_12:7); mas “quão poucos compreendem, por causa da mortalidade
externa, a que está exposto o homem assim como o animal, e que é a
base do argumento do cético, a grande diferença entre o homem e o
animal” (Is_53:1). O hebraico expressa a diferença fortemente: “O
espírito do homem ascende, e pertence ao de acima; mas o espírito do
animal, que desce, pertence ao de baixo, à terra.” O destino e o elemento
correspondente diferem absolutamente. (Weiss.)
22. (Cf. o v. 12; Is_5:18.) Inculca a alegria agradecida dos dons de
Deus, e o desempenho prazeroso dos deveres do homem, baseando-se no
temor de Deus; não como o sensual (Ec_11:9); nem como o laborioso
avaro (Ec_ 2:23; Ec_5:10-17).
sua recompensa — na vida presente. Se fosse feita sua porção
principal, seria “vaidade” (Ec_2:1; Lc_16:25).
porque quem (RC) — nossa ignorância referente ao futuro, que é o
tempo de Deus (v. 11), deve nos induzir a usar o presente no melhor
sentido e a deixar o futuro à infinita sabedoria de Deus (Mt_6:20,
Mt_6:25, Mt_6:31-34).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 23
Eclesiastes 4

1. voltei-me (RC) — quer dizer, ao pensamento proposto (Ec_3:16;


Jó_35:9).
poder (TB) — Maurer, não tão bem, “a violência.”
sem que ninguém os consolasse — é dito duas vezes para
expressar a dor continuada sem quem desse o consolo (Is_53:7).
2. Um sentimento profano, se se separar de seu contexto; mas justo
em sua relação com o propósito de Salomão. Se não se tivesse em conta
a religião (Ec_3:17, 19), seria desejável morrer o antes possível, para não
sofrer nem presenciar as “opressões;” e ainda mais ainda, nem ter
nascido (Ec_7:1). Jó (Jó_3:13; Jó_21:7), Davi (Sl_73:3, etc.), Jeremias
(Jr_12:1), Habacuque (Hc_1:13), todos passaram pela mesma
perplexidade, até que entraram no santuário, e olharam para além do
presente até o “juízo” (Sl_73:17; Hc_2:20; Hc_3:17-18). Então viram a
necessidade da demora, antes que fossem castigados completamente os
ímpios, para dar lugar a que se arrependessem, ou se não, para a
acumulação da ira (Rm_2:15); e para que, antes de ser dada a
recompensa completa aos piedosos, se desse tempo para o exercício da
fé e a perseverança na tribulação (Sl_92:7-12).
3. não viu — nem experimentou.
4. destreza em obras — antes, “prosperidade” (veja-se Ec_2:21).
Prosperidade, que os homens tanto cobiçam, é a mesma fonte da
provocação a opressão (v. 1) e de “inveja,” e longe está de constituir o
bem principal
5. Entretanto:
O tolo (o cruel opressor) não deve ser invejado até nesta vida, quem
“cruza os braços” em ociosidade (Pv_6:10; Pv_24:33), vivendo dos bens
arrancados imperfeitamente dos outros; porque tal homem
come a própria carne — quer dizer, atormenta-se a si mesmo,
nunca satisfeito, afligindo-se seu espírito (Is_9:20; Is_49:26).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 24
6. O hebraico: “Mais vale uma palma cheia de quietude que dois
punhos cheios de fadiga.” O “descanso” (tranquilidade mental resultante
de trabalho honesto), o contrário de “comer a própria carne” (v. 5), e
também do trabalho fatigante pelo lucro (v. 8; Pv_15:16-17; Pv_16:8).
7. Esta vaidade se descreve no v. 8.
8. sem ninguém — nenhum sócio.
não tem filho nem irmão (TB) — sem herdeiro (Dt_25:5-10).
olhos — (Ec_1:8). O avaro não poderia prestar conta de sua
enfatuação.
9. dois — em contraste com “um” (v. 8). Os laços do casamento, da
amizade, fraternidade religiosa, são melhores que a egoísta solidão do
avarento (Gn_2:18).
paga — a vantagem resultante de seus esforços em conjunto.
Talman diz: “Um homem sem companheiro é como a mão esquerda sem
a direita.”
10. se caírem — se cair um ou o outro, como pode suceder a
ambos, principalmente, em aflição de corpo, mente, ou alma.
11. (Cf. 1Rs_1:1.) A figura se tira da relação do casamento, mas
aplica-se universalmente à simpatia calorosa dos vínculos sociais. Assim
também os laços cristãos (Lc_24:32; At_28:15).
12. um — algum inimigo.
cordão de três dobras — proverbial de uma combinação de
muitos; por exemplo, marido, esposa e filhos (Pv_11:14); assim também
os cristãos (Lc_10:1; Cl_2:2, Cl_2:19). Destorça o cordão, e os fios
separados facilmente se rompem.
13. O “cordão de três dobras” [v. 12] do vínculo social sugere o
tema do governo civil. Neste caso também, conclui que o poder real
tampouco oferece nenhuma felicidade permanente. O “jovem pobre e
sábio,” embora fosse um caso suposto por Salomão, corresponde,
naquele caso previsto pelo Espírito Santo, a Jeroboão, então um jovem
pobre mas valente, uma vez “escravo” de Salomão, e (1Rs_11:26-40)
ordenado por Deus por meio do profeta Aías para ser herdeiro do reino
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 25
das dez tribos que deviam ser arrancadas a Roboão. O “rei velho e
insensato” corresponde ao próprio Salomão, quem tinha perdido sua
sabedoria quando, desafiando as duas advertências de Deus (1Rs_3:14;
1Rs_9:2-9), abandonou a Deus.
não se deixa admoestar — visto que não quis ser advertido, Deus
já havia por meio de Abias intimado a vinda do juízo sobre Salomão (1
Rs_11:11-13).
14. saia do cárcere — Salomão fala de um caso suposto, por ex.,
de José elevado de um calabouço para ser senhor do Egito. Suas palavras
foram dirigidas pelo Espírito de tal maneira que correspondem
virtualmente a Jeroboão, quem escapou de ser “encarcerado” e morto por
Salomão, e foi a Sisaque do Egito (1Rs_11:40). Este presságio
inconsciente de sua própria condenação, e da de Roboão, constitui a
ironia. A elevação de Davi da pobreza e do desterro, sob Saul (o que
pode ser que estivesse na mente de Salomão), teve como correlação a de
Jeroboão.
ou nasça pobre — antes, “Embora em seu reino (o jovem) nasceu
pobre em seu reinado,” (na terra que depois devia governar).
15. “Eu considerei a todos os viventes,” a presente geração, com
relação ao “segundo jovem” (o sucessor legítimo do “velho rei,” em
oposição ao “jovem pobre,” o primeiro mencionado, que estava por ser
elevado da pobreza até o trono), ou seja, Roboão.
em lugar do rei — do velho rei.
16. Não obstante que eles agora adoram a um sol nascente, o
herdeiro aparente, eu considerei que não há “fim (limite nem
estabilidade, 2Sm_15:6; 2Sm_20:1; nenhum freio ao amor à invasão) de
tudo o que foi antes deles,” quer dizer, da geração passada; assim
tampouco os que virão depois — a próxima geração,
tampouco ... se hão de regozijar — principalmente, Roboão. O
paralelo, “tampouco ... se hão de regozijar,” dá o sentido de “Não tem
fim,” nenhuma aderência permanente, embora agora os homens estão
contentes, se alegram nele.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 26
Eclesiastes 5

1. Da vaidade relacionada com os reis, ele passa às vaidades (v. 7)


que podem tentar os que servem ao Rei dos reis, até aos que,
convencidos da vaidade da criatura, desejam adorar ao Criador.
Guarda o teu pé (RC) — Ao ir adorar, vá com um sentimento
considerado, circunspeto, reverente. Alude-se ao costume de tirar os
sapatos ou sandálias ao entrar num templo (Êx_3:5; Js_5:15, textos que
talvez deram origem ao costume). Weiss sem necessidade lê: “Guarda
suas festas” (Êx_23:14, Êx_23:17; as três grandes festas).
ouvir — antes, “Estar pronto (aproximar-se com o desejo) a ouvir
(obedecer) é um sacrifício melhor que a oferta dos néscios.” (Holden.)
(Vulgata, Siríaca.) (Sl_51:16-17; Pv_21:3; Jr_6:20; Jr_7:21-23;
Jr_14:12; Am_5:21-24.) A advertência é contra a autojustificação
cerimonial, como em Ec_7:12. Obediência é o espírito das exigências da
lei (Dt_10:12). Salomão tristemente contempla seu descuido anterior
disto mesmo (cf. 1Rs_8:63 com Ec_11:4, 6). Os preceitos positivos de
Deus devem ser guardados, mas não farão as vezes da obediência de seus
preceitos morais. Estes não dispunham sacrifício algum pelo pecado
premeditado (Nm_15:30-31; Hb_10:26-29).
2. Não te precipites — o contrário à reverência considerada
(“guarda o teu pé”, v. 1). Este versículo ilustra o v. 1, quanto à oração na
casa de Deus (“diante de Deus,” Is_1:12); o mesmo os vv. 4-6, quanto
aos votos. O remédio para tais vaidades se declara (v. 7), “Mas tu, teme a
Deus.”
Deus está no céu — Portanto você deve se aproximar dEle com
palavras cuidadosamente escolhidas, você, fraca criatura da terra.
3. Porquanto a “muita ocupação.” que absorve a mente, faz vir
“sonhos” incoerentes, as muitas palavras, tais inconsideradamente na
oração, dão origem ao “discurso do néscio” (Ec_10:14). (Holden e
Weiss.) Mas o v. 7 sugere que o “sonho” não é uma comparação, mas
sim os vãos pensamentos do néscio (pecador, Sl_73:20), que resultam da
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 27
multiplicidade de “ocupações” (mundanas). Seu sonho é de que Deus o
ouça por seu muito falar (Mt_6:7), independentemente da condição de
sua mente. (Maurer.)
voz do tolo — corresponde a “sonho” no paralelo; vem por meio
das muitas “palavras” que emanam do “sonho” do néscio.
4. Quando a Deus fizeres algum voto — Palavras ligeiras na
oração (vv. 2, 3) sugere o tema dos votos feitos ligeiramente. Não deve
fazer um voto ligeiramente (Jz_11:35; 1Sm_14:24). Uma vez feito, deve
cumprir-se (Sl_76:11), assim como Deus cumpre Sua palavra para
conosco (Êx_12:41, Êx_12:51; Js_21:45).
5. (Dt_23:21, Dt_23:23.)
6. a tua carne (RC) — Não faça com sua boca um voto (por ex.,
um jejum) que a concupiscência do corpo, ou carne (Ec_2:3), o tente a
violar (Pv_20:25).
anjo (RC) — O “mensageiro” de Deus (Jó_33:23); ministro
(Ap_1:20); isto é, o sacerdote (Ml_2:7) “diante do qual a falta de um
voto devia ser confessada (Lv_5:4-5). Os cristãos, em nossos votos (por
eixo., no batismo, ou a Ceia do Senhor) fazemos o voto na presença de
Jesus Cristo, “o Anjo da Aliança” (Ml_3:1), e dos anjos ministradores
como testemunhas (1Co_11:10; 1Tm_5:21). Não faltemos por nenhum
motivo a nossas promessas.
7. (Veja-se v. 3.) O serviço de Deus, que deve ser nosso sumo bem
vem pelos “sonhos” (fantasias néscias quanto ao que Deus requer de nós
no culto), e pelas “palavras” impensadas a ser uma positiva “vaidade.”
“Teme a Deus” (Ec_12:13).
8. Como em Ec_3:16, assim aqui se sugere a dificuldade; se Deus
for tão exato em castigar até as palavras precipitadas (vv. 1-6), por que
permite a grossa injustiça? Nas “províncias” remotas, “os pobres” muitas
vezes tiveram que pôr-se como proteção contra as invasões dos filisteus,
etc., sob os chefes, que os oprimiram, até no reino de Salomão
(1Rs_12:4).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 28
de semelhante caso — lit., o prazer ou propósito (Is_53:10). Não te
maravilhes desta dispensação da vontade de Deus, como se Ele tivesse
desamparado o mundo. Por certo vem no fim um juízo capital, e penhor
do mesmo são os castigos parciais que no intervalo recebem os
pecadores.
alto — (Dn_7:18).
vigia (TB) — (2Cr_16:9.)
outros mais elevados — Há superiores; o plural no hebraico, isto é,
as três pessoas da divindade, ou, “está olhando (não só aos reis mais
altos, dos quais ele é mais alto, mas também aos tiranos ajudantes das
províncias, ou seja, aos altos que estão sobre eles” (os pobres). (Weiss.)
9. “O proveito (produto) da terra está (ordenado) para (o bem
comum de) todos: até o próprio rei se serve do (os frutos do) campo”
(2Cr_26:10). Portanto o Senhor comum de todos, dos altos e dos baixos,
castigará no final os que roubam aos “pobres” sua porção do proveito
(Pv_22:22-23; Am_8:4-7).
10. Não só Deus castigará no final, mas também enquanto isso, os
ganhadores opressivos de “prata” não acham verdadeira “satisfação” no
dinheiro.
jamais dele se farta — de modo que o opressor “come a própria
carne” (Ec_4:1, 5).
nunca se farta — não ficará satisfeito com o lucro adquirido.
11. os que deles comem — aumenta o número de dependentes do
rico (Sl_23:5).
12. Outro argumento contra a cobiça de riquezas: “Doce é o sonho.”
corresponde a “descanso” (Ec_4:6): “não o deixa dormir,” a “aflição de
espírito.” Os temores por seus bens, e o estômago cheio sem “trabalhar”
(cf. Ec_4:5), não deixará o rico opressor dormir.
13, 14. Provas dos juízos de Deus até neste mundo (Pv_11:31). As
riquezas do rico opressor provocam inimizades, roubos, etc. Logo,
depois de as haver guardado para um filho esperado, perde-as antes por
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 29
desgraça (“por más ocupações”), e o filho nasce para herdar a pobreza.
Em Ec_2:19, 23 dá outro aspecto do mesmo tema.
16. Até na suposição de que não perda suas riquezas antes da morte,
então ao menos deve ir-se despojado de tudo (Sl_49:17).
haver trabalhado para o vento — (Os_12:2; 1Co_9:26.)
17. comeu — posto com razão em vez de “viverá” em geral, como
relacionado com os vv. 11, 12 e 18.
Nas trevas — o oposto a “luz (alegria) de rosto” (Ec_8:1;
Pv_16:15).
muito enfado — irritação, lit., “sua dor é muito, e sua doença (de
corpo) e ira.”
18. Volta para sentimento (Ec_3:12, 13, 22); traduza-se: “Eis aqui o
bem que vi e que convém” (num homem).
Deus lhe deu — tanto o bem de seu trabalho como a vida.
sua porção — porção legítima. É o dom de Deus o que a faz assim,
quando como tal se considera. Tal pessoa saberá aproveitar as coisas
terrenas e não abusará delas (1Co_7:31). Em contraste com a angústia
dos ambiciosos (vv. 10, 17).
19. Como o v. 18 se refere ao homem que “trabalha” (v. 12), assim
o v. 19 ao “rico” que recebe suas riquezas não pela “opressão” (v. 8),
mas pelo “dom de Deus.” Distingue-se também do “rico” (Ec_6:2) por
ter recebido pelo dom de Deus não só as “riquezas,” mas também “a
faculdade de comer delas,” o que o outro não tem.
receber a sua porção — limita-o ao uso lícito das riquezas, não
tirando de Deus a parte de Deus enquanto desfruta a sua própria.
20. Não se lembrará muito (revolvendo em sua memória os
desenganos, como fazem os ímpios: Ec_2:11) dos dias de sua vida.
Deus lhe enche o coração de alegria — Deus responde a suas
orações dando-lhe “faculdade” de desfrutar suas bênçãos. Gesênius e a
Vulgata traduzem: “Porque Deus o ocupa com alegria” etc., de tal modo
que não pensa muito nas imperfeições e penas da vida. Holden: “Embora
Deus não dá muito (quanto à verdadeira alegria), entretanto lembra os
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 30
dias (o homem com gratidão); pois (sabe que) Deus o exercita na alegria
…” (prova-o pela prosperidade).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 31
Eclesiastes 6

1. mui frequente (RC) — ou ainda mais lit., grande sobre os


homens, cai pesadamente sobre os homens.
2. e nada lhe falta — Melhor: “De modo que nada falte para sua
alma,” quer dizer, para sua felicidade.
Deus não lhe concede que disso coma — Isto o distingue do
“rico” do Ec_5:19; isto também o distingue daquele que obteve suas
riquezas mediante a “opressão” (Ec_5:8, 10).
estranho — nem mesmo seus parentes, mas sim seus inimigos
(Jr_51:51; Lm_5:2; Os_7:9). Parece que as tem em seu “poder” para
fazer delas o que lhe agrada; mas um poder invisível o faz presa de sua
própria avareza: Deus dispõe que trabalhe para um “estranho” (Ec_2:26)
que achou graça diante de Deus.
3. Embora um homem (de tal caráter) tenha muitíssimos filhos
(como significa aqui cem) (2Rs_10:1), e não tenha por herdeiro um
“estranho (Ec_6:2), e viva longo tempo (“muitos anos” expressa a
brevidade da vida no melhor, Gn_47:9), e contudo não desfrute nenhum
“bem” verdadeiro na vida, e jaza desonrado, sem “sepultura,” em sua
morte (2Rs_9:26, 2Rs_9:35), o embrião é melhor que tal homem. No
Oriente estar sem sepultura é o cúmulo da degradação. “Melhor é o fruto
que cai da árvore antes de maturar que aquele que se deixa lá até
apodrecer.” (Henry.)
4. este (AV)— antes, “isto”, o “aborto”, assim “o nome disto”, não
“seu nome”.
debalde vem — Lit., “em, ou para, vaidade veio o nascimento
prematuro (aborto,)” que nunca recebeu o “seu nome.”
debalde — a nenhum propósito; um tipo de existência vagabunda
de quem faz das riquezas o bem principal.
trevas — do aborto; um tipo da morte sem honra e do escuro futuro
de além-túmulo do avarento.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 32
5. Esse (TB)— O aborto, contudo, “tem mais descanso” que o
triste, lôbrego avarento.
6. Se se considerar que a “longevidade” do avarento o eleva acima
do abortivo, Salomão responde, a longa vida sem a fruição do verdadeiro
bem não é mais que a miséria prolongada, e as riquezas não evitam que
ele vá para onde “vão todos”. Ele não é apto nem para a vida, nem para a
morte, nem para a eternidade.
7. do homem — quer dizer, daquele homem, o avarento (vv. 3-6).
Pois nem todos os homens trabalham “para a sua boca,” quer dizer, para
a satisfação egoísta.
seu apetite — Heb. “a alma”. A insaciabilidade do desejo evita
aquilo que só é a finalidade do trabalho, ou seja, a satisfação própria; “o
homem” aquele, pois nenhum “bem” saca de suas riquezas (v. 3).
8. Porque (RC) — Entretanto (Maurer). O “porquê” significa (em
contraste com a insaciabilidade do avarento), Porque que outra
vantagem tem o sábio sobre o néscio?
que (RC) — vantagem, quer dizer, superioridade, sobre aquele que
não sabe caminhar com retidão.
o pobre que sabe andar perante os vivos? — isto é, que sabe
aproveitar e desfrutar da vida devidamente (Ec_5:18, 19), aptidão para
“caminhar” alegre, agradecido, piedoso (Sl_116:9).
9. A resposta à pergunta do v. 8. Esta é a vantagem:
Melhor é a vista dos olhos — a piedosa fruição das presentes
bênçãos visíveis
do que o andar ocioso da cobiça — lit., o percorrer (Sl_73:9),
desejos vagos, insaciáveis pelo que ele não tem (v. 7; Hb_13:5).
isto — a errante inquietação do desejo, o não desfrutar contente o
presente (1Tm_ 6:6, 1Tm_6:8).
10. Aqui começa a divisão II. Visto que os trabalhos do homem são
vãos qual é o bem principal? (v. 12). A resposta está contida no resto do
livro.
A tudo quanto há de vir — as variadas circunstâncias do homem.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 33
já se lhe deu o nome — não só existiu (Ec_1:9; Ec_3:15), mas sim
recebeu seu justo nome, a ‘vaidade,’ faz tempo,
sabe-se o que — a vaidade
é o homem — Heb. Adão, equivale a homem “do pó vermelho,”
como o denominou propriamente o Criador, por causa de sua fraqueza.
não pode contender, etc. — (Rm_9:20.)
11. Visto que (TB) — Visto que o homem não pode escapar da
“vaidade,” que pela poderosa vontade de Deus é inerente às coisas
terrestres, e não pode pôr em dúvida a sabedoria de Deus nestas
dispensações (equivale a “disputar”),
que vantagem tira delas o homem? (TB) — da parte destas coisas
vãs referente ao sumo bem? Nada absolutamente.
12. Pois quem sabe …? — Os ímpios não sabem o que na
realidade é “bom” durante a vida, nem “o que será depois deles,” quer
dizer, qual será o resultado de seus empresas (Ec_3:22; Ec_8:7). Os
piedosos poderão ver-se tentados a “disputar com Deus” (Ec_6:10)
quanto a seus dispensações; mas não podem conhecer totalmente os
propósitos sábios por eles consumados agora e depois de agora. Seus
padecimentos a mãos dos opressores são de mais proveito verdadeiro
que a prosperidade sem nuvens; os pecadores têm permissão de encher
sua medida de culpabilidade. A retribuição justifica em parte até agora
os caminhos de Deus. O juízo esclarecerá tudo. Em Eclesiastes 7, ele
declara o que é bom, em resposta à presente pergunta.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 34
Eclesiastes 7

1. (Veja-se a nota de Ec_6:12.)


nome (TB) — caráter; uma mente e vida piedosas; não a mera
reputação entre os homens, mas sim o que o homem é aos olhos de
Deus, para quem o nome e a realidade são a mesma coisa (Is_9:6.) Isto
solo é “bom,” tudo o mais é “vaidade,” quando se faz disso o maior bem.
unguento — usado prodigamente em banquetes suntuosos, e
refrescante em particular no quente Oriente. O hebraico para nome e
unguento tem uma feliz paronomásia: Sheem e Shemen. O “unguento” é
fragrante só onde está a pessoa cuja cabeça e roupagem estão
perfumados, e só por breve momento. O “nome” que Deus dá a Seu filho
(Ap_3:12) é para sempre e em todo lugar. O mesmo no caso da mulher
que recebeu do Senhor Jesus um nome eterno, em recompensa de seu
precioso unguento (Is_56:5; Mc_14:3-9). Jesus Cristo mesmo tem um
nome semelhante, como o de Messias, equivalente a Ungido (Ct_1:3).
e o dia da morte, etc. — não uma censura geral contra Deus por ter
criado o homem, mas sim com relação à frase anterior, ao que tem um
nome piedoso, é-lhe “melhor” a morte que o dia de seu nascimento: “é
muito melhor,” segundo Fp_1:23.
2. Prova que não é o prazer sensual dos bens terrenos o que se
significa nos textos Ec_3:13; Ec_5:18. O uso com gratidão destes é bom,
mas o banqueteio frequente Salomão o tinha encontrado como danoso
para a piedade em seu próprio caso. Tal era o temor de Jó (Ec_1:4, 5). A
casa do festejo com frequência exclui os pensamentos de Deus e da
eternidade. Ver o morto na “casa do luto” faz com que “os vivos”
pensem em seu próprio “fim.”
3. mágoa — ou tristeza, tal como resulta da séria contemplação da
eternidade.
riso — a hilaridade desenfreada (Ec_2:2).
com a tristeza do rosto se faz melhor o coração — (Sl_126:5-6;
2Co_4:17; Hb_12:10-11). Maurer traduz: “Em tristeza de rosto há (pode
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 35
haver) coração bom (alegre).” Assim no hebraico “bom” equivale a
alegre (Hb_11:9).
5. (Sl_141:4-5). A repreensão piedosa ofende a carne, mas beneficia
o espírito. A canção dos néscios na casa da alegria agrada a carne, mas
danifica à alma.
6. o crepitar — corresponde à hilaridade ruidosa dos néscios. É o
mesmo fogo que ao consumi-los produz o ruído aparentemente alegre
(Jl_2:5). A luz deles logo se apaga na negra escuridão. Há uma
paronomásia no hebraico: Sirim (espinhos) Sir (panela). Os ímpios com
frequência são comparados a “espinhos” (2Sm_23:6; Na_1:10). O
esterco seco era o combustível comum; sua chama lenta faz com que seja
mais gráfica a figura da rapidez com que ardem os espinhos, o que
representa a destruição repentina dos inimigos (Sl_118:12).
7. opressão — volve-se à ideia de Ec_3:16; Ec_5:8. Sua conexão
com os vv. 4-6 é esta: a visão da “opressão” perpetrada pelos “néscios
pode ser que tente aos “sábios” a pôr em dúvida as dispensações de Deus
e que imitem a loucura (insensatez) aqui descrita (vv. 5, 6). Weiss traduz
opressão como distração, que resulta do regozijo. Mas em Ec_5:8
favorece nossa versão.
suborno — isto é, a vista do suborno “em lugar da justiça”
(Ec_3:16) pode fazer com que os sábios percam sua sabedoria (equivale
a “coração,”) (Jó_12:6; Jó_21:6-7; Jó_24:1, etc.)
8. Refere-se ao v. 7. Que os “sábios” esperam “o fim;” e as
“opressões” (extorsões) que agora (em “seu princípio”) confundem a fé,
verão que são a obra de Deus, que intervém para o bem deles. “A
tribulação” produz a paciência (Rm_5:3), a que é imensamente melhor
que o “espírito altivo” que a prosperidade pude inspirar neles, como o
tem feito nos néscios (Sl_73:2-3, Sl_73:12-14, Sl_73:17-26; Tg_5:11).
9. irar-te — impaciente pela adversidade que te sobreveio, como Jó
esteve (Tg_5:2; Pv_12:16).
10. Não ponha em dúvida os caminhos de Deus que têm feito seus
dias anteriores melhores que os presentes, como o fez Jó (Pv_29:2-5).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 36
11. Antes, “a ciência (sabedoria) em comparação com uma herança
é boa,” isto é, tão boa como uma herança; e (se;) é melhor (lit., e um
proveito) aos que veem o sol” (ou seja, os viventes, Ec_11:7; Jó_3:16;
Sl_49:19).
12. Lit., (Estar) em (quer dizer, sob) a sombra (Is_30:2) da
sabedoria (é o mesmo como estar) em (sob) a sombra do dinheiro; a
sabedoria não defende a um dos males da vida, “menos que o dinheiro.
o proveito da sabedoria é que, etc. — Leia-se: “A excelência do
conhecimento da sabedoria dá vida,” isto é, vida no sentido mais alto, a
presente e a futura (Pv_3:18; Jo_17:3; 2Pe_1:3). A sabedoria (religião)
não se pode perder, como o dinheiro. Ela protege a alguém na
adversidade assim como na prosperidade; o dinheiro, só na prosperidade.
A pergunta do v. 10 envolve a falta de sabedoria.
13. Considera quanto a obra de Deus, que é impossível alterar Suas
dispensações; porque,
quem poderá endireitar o que ele torceu? — O homem não pode
emendar o que Deus dispôs que faltasse ou fosse adverso. (Ec_1:15;
Jó_12:14).
14. reflete — resumido do v. 13. “Reflete,” isto é, tem-na como
“obra de Deus;” porque “Deus fez (Heb., pôs) isto (esta adversidade.)
também assim como o outro” (a prosperidade). “A adversidade” é uma
das coisas “que Deus torceu,” e que o homem não pode “endireitar”.
Deve então ter paciência (v. 8).
depois dele — equivale a: “Para que o homem não ache nada (do
que queixar-se) depois de (considerar as obras de) Deus” (v. 13). Vulgata
e Siríaca: “contra ele” (Cf. v. 10; Rm_3:4).
15. Uma objeção que Salomão concebeu
nos dias de minha vaidade — sua apostasia (Ec_8:14; Jó_21:7).
justo que perece — (1Rs_21:13). A morte temporária, não a
eterna (Jo_10:28). Mas veja-se nota do v. 16; “justo” provavelmente é
justiceiro, ou aquele que pretende justificar-se.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 37
perverso que prolonga — veja-se o antídoto para o abuso desta
asseveração em Ec_8:12.
16. Holden julga que este versículo (v. 16) é a inferência sardônica
do impedimento, e que o v. 17 é a resposta do Salomão arrependido.
Assim a objeção do cético (1Co_15:32) e a resposta (1Co_15:33).
Entretanto, o “Não sejas demasiadamente justo”, pode ser entendido
como palavras de Salomão para condenar uma justiça arrogante de
observâncias externas, que arrancaria de Deus a salvação, em vez de
recebê-la como o dom de Sua graça. É uma justificação farisaica,
fanática, à parte de Deus; porque sua antítese é “o temor de Deus” (v. 18;
Ec_5:3, 7; Mt_6:1-7; Mt_9:14; Mt_23:23-24; Rm_10:3; 1Tm_4:3).
exageradamente sábio — (Jó_11:12; Rm_12:3, Rm_12:16.),
supostamente auto-suficiente, como se relacionado com a completa
verdade divina.
te destruirias a ti mesmo — te expondo à perseguição
desnecessária, às austeridades e à ira de Deus; e assim a uma morte
prematura. “te destruirias” corresponde a “perece” (v. 15);
“demasiadamente justo” a “justo” (v. 15). Portanto, no v. 15 é uma
pessoa com autojustificação o que se tem, não um homem
verdadeiramente justo.
17. demasiadamente perverso — “mau em excesso,” assim dito
para corresponder a “justo em excesso” (v. 16). Porque se não se toma
assim, pode inferir-se que podemos ser maus um pouquinho. “Mau” aqui
refere-se a “homens maus” (v. 15); “morrerias fora do teu tempo,” a
“prolonga os seus dias,” antiteticamente. Pode haver homens maus aos
quais se permite “viver muitos anos,” devido ao fato de que evitam os
excessos nocivos (v. 15). Salomão diz, então, nem seja insensato (que
corresponde antiteticamente a “sábio em excesso,” v. 16), tanto como
para arriscar tal excesso de vícios que Deus seja provocado a cortar
prematuramente seu dia de graça (Rm_2:5). O preceito se dirige a um
pecador. Cuidado em agravar seu pecado, de modo que faça do seu caso
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 38
um caso desesperado. Refere-se aos dias da “vaidade” de Salomão
(apostasia, v. 15), quando só um preceito semelhante seria aplicável.
18. isto … daquilo — os dois excessos opostos (vv. 16, 17), a
justiça fanática, justiça aos seus olhos, e a maldade presunçosa,
temerária.
quem teme a Deus, escapará de um e de outro (TB) — escapará
de todos os tais extremos (Pv_3:7).
19. A sabedoria — com o artigo hebraico, a verdadeira sabedoria,
a religião (2Tm_3:15).
mais do que dez poderosos — generais capazes e valentes (v. 12;
Ec_9:13-18; Pv_21:22; Pv_24:5). Estes atalaias vigiam em vão, a menos
que o Senhor guarde a cidade (Sl_127:1).
20. Referência ao v. 16. Não seja você justiceiro, tratando de se
fazer “justo” diante de Deus por uma superabundância de observâncias
que você se imponha; “porque a verdadeira sabedoria, ou justiça,
demonstra que não há justo …”
21. Como você, pois, estando longe de ser perfeitamente justo, tem
muito do que ser perdoado por Deus, não faça muita conta, como fazem
os justiceiros (v. 16; Lc_18:9, Lc_18:11), e assim cortam seus dias (vv.
15, 16), das palavras ditas por outros contra si mesmos, verbi gratia [por
exemplo], seu servo: Você é meu “conservo” diante de Deus (Mt_18:32-
35).
22. (1Rs_2:44.)
23. Tudo isto — resumindo o “tudo isto” do v. 15; os vv. 15-22
assinalam pois o fruto de sua custosa experiência dos dias de sua
“vaidade.”
tornar-me-ei sábio — Tentei “ser sábio,” independentemente de
Deus. A verdadeira sabedoria estava “longe dele,” apesar de sua
sabedoria humana, que ele conservava pela graça de Deus. Assim
“exageradamente sábio” (v. 16).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 39
24. longe … profundo — Assim é a sabedoria verdadeira quando é
buscada independentemente “do temor de Deus” (v. 18; Dt_30:12-13;
Jó_11:7-8; Jó_28:12-20, Jó_28:28; Sl_64:6; Rm_10:6-7).
25. Lit., Voltei-me a mim mesmo e a meu coração para saber.”
Frase peculiar em Eclesiastes, e muito própria do penitente que volta a
comunicar-se com seu coração sobre sua vida passada.
a perversidade é insensatez (RC) — ele está agora a um passo
mais no caminho do arrependimento que em Ec_1:17; Ec_2:12, onde
fica “insensatez” sem o qualificativo “perversidade.”
meu juízo — antes, a devida estimativa das coisas. Holden traduz:
também “a insensatez (isso, a loucura pecaminosa, que corresponde a
‘maldade’ no paralelo) da loucura” (quer dizer, os insensatos propósitos
do homem.)
26. “Achei” que, de todas minhas loucuras pecaminosas, nenhuma
foi tão ruinosa para me desviar de Deus como as mulheres idólatras
(1Rs_11:3-4; Pv_5:3-4; Pv_22:14). Como “o favor de Deus é melhor que
a vida”, a que seduz e aparta de Deus é “mais amarga que a morte.”
Quem agradar a Deus (TB) — como José (Gn_39:2-3, Gn_39:9).
É só a graça de Deus a que guarda alguém de cair.
27. Eis o que achei — ou seja, o que segue no v. 28.
conferindo uma coisa com outra — comparando a uma coisa com
a outra. (Holden e Maurer)
meu juízo — a devida estimativa. Mas o v. 28 apoia a Gesênius:
“considerando as mulheres uma por uma …”
28. Antes, referindo-se a sua experiência passada: “que minha alma
buscou ainda mais, mas eu não achei …”
entre mil homens achei um — isto é, digno do nome de “homem,”
“reto;” não mais de um entre mil de meus cortesãos (Jó_33:23; Sl_12:1).
Só Jesus Cristo dentre os homens, realiza este ideal perfeito de
“homem”. “Assinalado entre dez mil” (Ct_5:10). Nenhuma “mulher”
perfeita existiu jamais, nem mesmo a virgem Maria. Salomão, com a
palavra “mil”, alude a suas trezentas mulheres e as setecentas
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 40
concubinas. Entre estas não é provável que encontrasse a fidelidade que
uma verdadeira esposa tributa ao um marido. Relacionado com o v. 26;
não uma condenação absoluta do sexo, como Pv_12:4; Pv_31:10, etc.,
comprovam.
29. A única maneira (“somente”) de explicar a escassez de homens
e mulheres comparativamente retos, quer dizer, porquanto Deus os fez
retos, eles buscaram … O único relato “achado” da origem do mal, o
grande mistério da teologia é aquele dado na Santa Palavra (Gênesis 2,
3). Entre as “contas” (invenções) do homem estava aquela especialmente
referida no v. 26, cujos amargos frutos experimentou Salomão, a
violação da primitiva lei marital de Deus, que unia um homem a uma
mulher (Mt_19:4-6). “Homem” é singular, ou seja, Adão; “eles”, plural,
Adão, Eva, e sua posteridade.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 41
Eclesiastes 8

1. Continua-se o louvor da sabedoria verdadeira (Ec_7:11, etc.).


“Quem” deve ser tido igualmente ao “sábio”? “Quem (como ele) sabe a
interpretação” das providências divinas (v. graça, Ec_7:8, 13, 14), e a
palavra de Deus (cf. Ec_7:29, Pv_1:6)?
faz reluzir o seu rosto — (Ec_7:14; At_6:15.) Um rosto brilhante,
o reflexo da consciência tranquila e da mente serena. É dado pela
comunhão com Deus (Êx_34:29-30).
dureza — austeridade.
muda-se — na benigna expressão da sabedoria (religião)
verdadeira (Tg_3:17). Maurer traduz: “O brilho de seu rosto se dobra,”
arguindo que o vocábulo para “austeridade” nunca se usa no sentido mau
(Pv_4:18). Sobre o sentido de “fortaleza,” em vez de “dureza,” cf.
Ec_7:19; Is_40:31; 2Co_3:18. Mas o adjetivo está usado no sentido mau
(Dt_28:50).
2. do rei — Jeová, em sentido peculiar o rei de Israel na teocracia;
os vv. 3, 4, comprovam que não se trata de um rei terrestre.
juramento de Deus (Versão Jünemann) — a aliança que Deus fez
com Abraão e renovou com Davi; Salomão se lembrou do Sl_89:35; “Eu
jurei …” e os castigos resultantes se os filhos de Davi o quebrantassem
(vv. 30-32); sofridos por Salomão mesmo; contudo, Deus não o
desamparou “totalmente” (vv. 33, 34).
3. Não te apresses — antes: “Não te aterrorizes de modo que saias
de diante dele.” Servilmente “apavorado” é característico do sentimento
do pecador para com Deus; inutilmente tenta fugir de Sua presença
(Sl_139:7); o contrário do “rosto reluzente” da confiança filial (v. 1;
Jo_8:33-36; Rm_8:2; 1Jo_4:18).
porque ele faz — Deus inflige aos pecadores persistentes o castigo
que Ele quer (Jó_23:13; Sl_115:3). Só de Deus se pode dizer isso.
4. A própria palavra de Deus é “potestade,” ou “poder.” Também a
palavra do evangelho (Rm_1:16; Hb_4:12).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 42
quem lhe dirá, etc. — (Jó_9:12; Jó_33:13; Is_45:9; Dn_4:35). A
Escritura não atribui tal poder arbitrário a reis terrestres.
5. tempo — o descuido dos “tempos” devidos causa muito da
loucura pecaminosa dos espiritualmente não sábios (Ec_3:1-11).
juízo (TB) — a maneira correta (Holden). Mas como o futuro
“juízo” de Deus se relaciona com o “tempo para todo propósito”
(Ec_3:17), também nisto. O castigo dos pecadores persistentes (v. 3) o
sugere. O sábio se dá conta do fato de que, como há “tempo” próprio
para tudo, há tempo para o “juízo.” Este pensamento o reanima na
adversidade (Ec_7:14; Ec_8:1).
6. é grande o mal — porquanto o pecador insensato não pensa nos
“tempos” devidos, e no “juízo”.
7. não sabe — o pecador, por ignorar os tempos (por ex., “o tempo
aceitável,” o dia da salvação, 2Co_6:2), e de surpresa toma o juízo
(Ec_3:22; Ec_6:12; Ec_9:12). Os piedosos dão importância aos tempos
oportunos, e prevendo o juízo, não os toma de surpresa, embora não
sabem o “quando” preciso (1Ts_5:2-4); sabem sim o “tempo” para os
propósitos da salvação (Rm_13:11).
8. espírito (RC) — o alento da vida (Ec_3:19), sentido que
requerem as palavras que seguem. Não o “vento,” como pensa Weiss
(Pv_30:4). Este versículo com naturalidade segue com o tema de
“tempos” e “juízo” (vv. 6, 7).
nem há tréguas — Não dão de baixa, aludindo à probabilidade do
serviço militar obrigatório a todos os de vinte anos (Nm_1:3); mas se
eximia a muitos (Dt_20:5-8). Mas “em tal guerra” (ou batalha, a morte)
não há exceções.
aquele que a ela se entrega — lit., o dono dela. A maldade pode
conseguir dinheiro para o pecador, mas não o pode livrar da morte
temporária e eterna, a qual é seu pagamento (Is_28:15, Is_28:18).
9. para arruiná-lo — o governante tirânico faz “mal” não só a seus
súditos, mas também a si mesmo; assim sucedeu a Roboão (1 Reis 12);
mas o “tempo” deste “mal” (dano) refere-se principalmente à ruína
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 43
eterna, causada pela “maldade,” no dia da morte” (v. 8), e no “tempo” do
“juízo” (v. 6; Pv_8:36).
10. os ímpios (RC) — ou seja, os governantes (v. 9).
sepultados (RC) — com a pompa fúnebre, embora pouco a
mereceram (Jr_22:19); mas isto só fazia mais terrível o contraste com
sua morte temporal e eterna infligida por Deus (Lc_16:22-23).
frequentavam o lugar santo — foram ao lugar de magistratura e
saíram dali, onde estiveram sentados como representantes de Deus
(Sl_82:1-6), com pompa. (Holden). Weiss traduz: “Sepultados e ide-vos
(totalmente), até do lugar santo partiram.” Como Joabe, por mandado de
Salomão, foi enviado à tumba do lugar santo” no templo, o que não era
santuário para os homicidas (Êx_21:14; 1Rs_2:28, 1Rs_2:31). O uso da
mesma palavra “sepultados” ali torna plausível este parecer; contudo,
pode-se reter “vieram e partiram …” (da versão inglesa). Joabe veio ao
altar, mas teve que ir-se dali; assim os governantes (v. 9) “ímpios”
(inclusive os sumos sacerdotes) vieram e saíram do templo, em ocasiões
do culto solene, mas nem por isso escaparam de seu destino.
foram esquecidos — (Pv_10:7.)
11. O por quê os ímpios perseveram no pecado: a demora do juízo
de Deus (Mt_24:48-51; 2Pe_3:8-9). “Não veem a fumaça do abismo,
portanto não temem o fogo” (South.) (Sl_55:19.) A libertação de Joabe
do castigo pela morte de Abner, longe de “levá-lo a arrependimento,”
como era de se esperar (Rm_2:4), conduziu a outro homicídio, o de
Amasa.
12. Isto diz para que o pecador não abuse da declaração (Ec_7:15):
“Há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade.”
diante dele (TB) — servindo-O com reverência, consciente de Sua
contínua presença.
13. nem prolongará os seus dias — não é uma contradição do v.
12. Ali a “prolongação” de seus dias (não a dilatação do castigo) é só
aparente e não real. Tendo em conta sua existência eterna, seus dias
atuais, por mais que pareçam longos, são na realidade curtos. A demora
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 44
de Deus (v. 11) existe só na limitada concepção do homem. Dá prazo
para que o pecador se arrependa, ou se não, para que encha a medida de
sua culpabilidade; a demora, neste ou aquele caso, presta-se para a
vindicação final dos caminhos de Deus. Também dá exercício à fé,
paciência, e perseverança dos santos.
sombra — (Ec_6:12; Jó_8:9.)
14. Aqui principia uma objeção (concebida por Salomão em sua
apostasia), como em Ec_3:16; Ec_7:15, à verdade da justiça retributiva,
baseada no fato de que os justos e os ímpios não estão recebendo agora
sempre segundo seus respectivos merecimentos; sofisma que parece teria
mais peso para os homens que viviam sob o convênio mosaico de
sanções temporárias. O impedimento acrescenta, como havia dito
Salomão, que os eventos do mundano são “vaidade” (v. 10); “Digo (não
‘disse’), isto também é vaidade; portanto louvei (recomendei) a alegria.”
(Holden.) Os vv. 14, 15 podem, entretanto, explicar-se como se
ensinassem o uso alegre, agradecido dos dons de Deus “sob o sol,” quer
dizer, não fazendo deles o sumo bem, como fazem os sensualistas, o que
se proíbe em Ec_2:2; Ec_7:2; mas no temor de Deus”, como em
Ec_3:12; Ec_5:18; Ec_7:18; Ec_9:7, em contraste com a abstinência do
ascético justiceiro (Ec_7:16), e a do avarento (Ec_5:17).
15. melhor — “coisa melhor para o justo,” cujo sumo bem é a
religião, não para o mundano.
isso o acompanhará — Isto permanecerá (Hebraico: se aderirá a)
com ele; não para sempre, mas sim é o único bem seguro para ser
desfrutado de seus trabalhos terrestres (“trabalho dos dias de sua vida”).
Entretanto, a linguagem se assemelha ao preceito cético (1Co_15:32),
apresentado aqui só para ser refutado; e “acompanhará” é vocábulo
muito forte, talvez, para ser aplicado por um religioso ao “comer” e à
“alegria.”
16. A resposta aos vv. 14, 15. Quando me pus a esquadrinhar os
esforços do homem para obter a felicidade (tão incessantes alguns deles
que não dessem tempo suficiente para “dormir”), então (v. 17, a
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 45
apódose) vi que o homem não pode alcançar (averiguar a razão de) os
inescrutáveis procedimentos de Deus com os justos e com os ímpios aqui
(v. 14; Ec_3:11; Jó_5:9; Rm_11:33); é seu dever conformar-se com tais
procedimentos, porque são de Deus, mesmo quando não veja todas as
razões dos mesmos (Sl_73:16). Basta saber que “os justos ... estão nas
mãos de Deus” (Ec_9:1).
17. o sábio — “exageradamente sábio” (Ec_7:16); as especulações
para além do que está escrito são vãs.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 46
Eclesiastes 9

1. entender — antes, explorar; o resultado de minha exploração é


este: “Os justos … estão nas mãos de Deus. Ninguém sabe nem o amor
nem o ódio (de Deus para com eles) mediante tudo o que está diante
deles,” isto é, pelo que é exteriormente visto em Seus procedimentos
atuais (Ec_8:14, 17). Entretanto, pelo sentido das mesmas palavras, no v.
6, “amor e ódio” parecem ser o sentir dos ímpios para com os justos,
pelo que causam a estes ou consolo ou tristeza. Traduza-se: “Até o amor
e o ódio” (exibidos para com os justos) estão nas mãos de Deus
(Sl_76:10; Pv_16:7). “Ninguém sabe tudo o que está diante deles.”
2. Tudo … igualmente — não universalmente; mas quanto à
morte. Ec_9:2-10 são tidos por Holden como a objeção do sensual
cético. Entretanto, podem-se explicar como linguagem de Salomão. Ele
repete o sentimento já expresso em Ec_2:14; Ec_3:20; Ec_8:14.
o mesmo sucede — não eternamente; mas a morte é comum a
todos.
bom — moralmente.
puro — cerimonialmente.
sacrifica — como Josias que sacrificava a Deus, e como Acabe,
que fez cessar os sacrifícios.
jura — superficial e falsamente.
3. Traduza-se: “Há um mal sobre todos (os males) que são feitos
…”, ou seja, que não só “há um mesmo evento para todos,” mas também
o coração dos filhos dos homens” faz deste fato a razão por que persistir
loucamente no “mal durante a vida e depois …,” o pecado da “loucura”.
aos mortos — (Pv_2:18; Pv_9:18.)
4. Para — antes, Contudo, para....
entre os vivos — Heb. “unido aos vivos”
esperança — não meramente de bem temporário (Jó_14:7), mas
sim de ainda arrepender-se e ser salvos.
cão — metáfora das pessoas mais vis (1Sm_24:14).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 47
leão — o mais nobre dos animais (Pv_30:30).
mais vale — quanto à esperança da salvação; os mais nobres se
morrerem inconversos, não têm esperança; os mais vis enquanto vivem,
têm esperança.
5. sabem que hão de morrer — e portanto podem ser induzidos “a
contar seus dias de tal modo que tragam para o coração sabedoria”
(Ec_7:1-4; Sl_90:12).
os mortos não sabem coisa nenhuma — isto é, assim que
concerne aos sentidos corporais e assuntos mundanos (Jó_14:21;
Is_63:16); além disso, não sabem de porta que se lhes abra para o
arrependimento, tal qual a que há para todos em vida.
recompensa — nenhuma vantagem de seus trabalhos terrestres
(Ec_2:18-22; Ec_4:9).
sua memória — não dos justos (Sl_112:6; Ml_3:16, ) mas sim dos
ímpios, que com todas as dores que têm para perpetuar seus nomes
(Sl_49:11), logo são esquecidos (Ec_8:10).
6. amor … ódio … inveja — (referindo-se ao v. 1; veja-se nota.)
Não que estes cessem no mundo futuro absolutamente (Ez_32:27;
Ap_22:11); mas sim como diz “sob o sol,” refere-se a pessoas e coisas
deste mundo. O amor e o ódio do homem já não poderão fazer-se para
bem ou para mal como aqui; mas seus frutos permanecem. Tal qual se
acha a morte, assim permanece para sempre. “A inveja,” também,
assinala os ímpios como aludidos, visto que com inveja tinham atacado
os justos (v. 1, nota).
parte — a “porção” deles era “nesta vida” (Sl_17:14), já não a
podem ter mais.
7. Vai — dirige-se ao “justo sábio,” célebre no v. 1. Estando “na
mão de Deus,” quem agora aceita “suas obras” em seu serviço, como
anteriormente aceitou sua pessoa (Gn_4:4), pode “comer … com coração
alegre” (não sensualmente alegre) (Ec_3:13; Ec_5:18; At_2:46).
8. brancos os teus vestidos (TB) — em sinal de alegria (Is_61:3).
Salomão se vestia de branco (Josefo, Antiguidades, 8:7, 3); portanto, sua
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 48
vestimenta se compara aos lírios” (Mt_6:29; típica da perfeita justiça de
Jesus Cristo, que usarão os remidos (Ap_3:18; Ap _7:14).
óleo — (Sl_23:5), o oposto a um exterior lúgubre (2Sm_14:2;
Sl_45:7; Mt_6:17); típico também (Ec_7:1; Ct_1:3).
9. a mulher que amas — amor santo e verdadeiro, em contraste
com os “laços” das “mil” concubinas (Ec_7:26, 28), “entre” as quais
Salomão não pôde encontrar o amor real que une um homem a uma
mulher (Pv_5:15, Pv_5:18-19; Pv_18:22; Pv_19:14).
10. Tudo quanto — ou seja, no serviço de Deus. Este e o versículo
anterior evidentemente são linguagem de Salomão, não de um cético,
como Holden o quer explicar.
mão, etc. — (Lv_12:8, margem; 1Sm_10:7).
tuas forças — diligencia (Dt_6:5, Jr_48:10, margem).
no além … não há obra — (Jo_9:4; Ap_14:13.) “O dia de recreio
da alma é dia de trabalho de Satanás; quanto mais ocioso o homem, tanto
mais ocupado o tentador.”(South.)
11. Este versículo qualifica o sentimento dos vv. 7-9. Os “prazeres”
terrestres, mesmo sendo lícitos em seu lugar (Ec_3:1), devem dar tempo,
quando se requer para qualquer obra que deve ser feita para Deus.
Voltando ao sentimento (Ec_8:17), devemos, pois, não só fazer a obras
de Deus “com força” (v. 10), mas também com o sentir de que o evento
está totalmente “na mão de Deus” (v. 1).
não é dos ligeiros o prêmio — (2Sm_18:23); espiritualmente
(Sof_3:19; Rm_9:16).
nem dos valentes, a vitória — (1Sm_17:47; 2Cr_14:9, 2Cr_14:11,
2Cr_14:15; Sl_33:16.)
o pão — a subsistência.
o favor — dos grandes.
acaso — a casualidade aparentemente, a providência na realidade.
Mas como o homem não pode “alcançá-la” (compreendê-la) (Ec_3:11).
convém-lhe “segundo suas forças” aproveitar as oportunidades. Nossos
são os deveres; os eventos, de Deus.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 49
12. a sua hora — o tempo de sua morte (Ec_7:15; Is_13:22). Daí o
perigo da demora em fazer a obra de Deus, pois a pessoa não sabe
quando terminará sua oportunidade (v. 10).
a rede traiçoeira — que lhes é fatal. A súbita chegada da captura é
o ponto de comparação. Assim a segunda vinda de Jesus Cristo, “como
um laço” (Lc_21:35, RC).
tempo da calamidade — como “a rede traiçoeira,” fatal para eles.
13. Antes: “Vi sabedoria desta sorte também,” quer dizer, descrita
da maneira como segue. (Maurer.)
14, 15. (2Sm_20:16-22.)
baluartes — obras militares de sitiar.
15. pobre — de vantagens temporárias da verdadeira sabedoria,
embora com frequência salva a outros. Recebe pouca recompensa de
parte do mundo, que não admira senão aos ricos e grandes.
ninguém se lembrou — (Gn_40:23.)
16. Resumindo o sentimento (Ec_7:19; Pv_21:22; Pv_24:5).
a sabedoria do pobre — não a sabedoria do pobre mencionado no
v. 15; porque a dele não poderia ter salvo a cidade, se não tivessem “sido
ouvidas suas palavras;” mas sim a dos pobres em geral. Assim aconteceu
com Paulo (At_27:11).
17. As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio — Embora
geralmente não é ouvido o sábio pobre (v. 16), contudo, “as palavras dos
sábios, ouvidas na calma (e assim tomadas a peito, como no v. 15), são
mais proveitosas que …”
de quem governa — como o “grande rei” (v. 14). Salomão volta
para quem “tem domínio sobre outro homem, para arruiná-lo” (Ec_8:9).
18. um só pecador — (Js_7:1, 11-12.) Embora a sabedoria excede
à insensatez (v. 16; Ec_7:19), contudo, “um pouco de loucura
(equivalente a pecado) pode destruir muito bem”, tanto na própria pessoa
(Ec_10:1; Tg_2:10) como em outros. A “sabedoria” deve, por antítese de
“pecador,” significar religião. Assim tipicamente, a “cidade pequena”
pode aplicar-se à igreja (Lc_12:32; Hb_12:22); o grande rei a Satanás
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 50
(Jo_12:31); o sábio pobre e menosprezado, a Jesus Cristo (Is_53:2-3;
Mc_6:3; 2Co_8:9; Ef_1:7-8; Cl_2:3).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 51
Eclesiastes 10

1. Amplia a ideia de Ec_9:18.


a quem é estimado (NKJV) — por ex., Davi (2Sm_12:14);
Salomão (1 Reis 11); Josafá (2 Crônicas 18; 2Sm_19:2); Josias
(2Cr_35:22). Quanto mais delicado o perfume, tanto mais facilmente
corresponde o unguento. O óleo comum não se estraga tão facilmente.
Assim quanto mais elevado o caráter religioso do homem, mais dano lhe
faz uma leve loucura pecaminosa. O mau sabor se tolera no óleo, mas
não no que pretende ser, e que está composto pelo perfumista como,
fragrância. “Moscas” corresponde a “uma pequena loucura” (pecado),
propriamente, sendo pequenas (1Co_5:6); também, “Belzebu” significa
príncipe de moscas. “Unguento” corresponde a “estimado” (Ec_7:1;
Gn_34:30). Os verbos estão no singular, o substantivo no plural, o que
indica que cada mosca dá mau cheiro.
2. (Ec_2:14.)
à sua mão direita — A direita é mais prática (mão direita) que a
esquerda. O sábio piedoso está mais alerta que o pecador insensato,
embora às vezes escorrega. Melhor um diamante com uma falha que um
calhau perfeito.
3. pelo caminho — em seu curso comum; em seus atos mais
singelos (Pv_6:12-14). “Diz a todos (virtualmente) que ele (mesmo) é
néscio” (segundo a LXX); mas segundo a Vulgata: “Ele pensa que é
néscio todo (aquele com quem se encontra).”
4. a indignação — a ira.
o ânimo sereno, etc. — pacifica (Pv_15:1). Isto explica o “não
deixes teu lugar”, não te retires em espírito de oposição de seu posto do
dever (Ec_8:3).
5. como o erro (RC) — antes, “por causa de um erro …” (Maurer e
Holden.)
6. os ricos — não de meras riquezas, mas em sabedoria, como
demonstra a antítese da estultícia” (por “néscios”). Assim no hebraico,
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 52
rico, equivale a “liberal”, no sentido bom (Is_32:5). Mardoqueu e Hamã
(Et_3:1, 2; Et_6:1-11).
7. servos a cavalo — os inúteis exaltados à dignidade (Jr_17:25); e
vice-versa (2Sm_15:30).
8. Os resultados fatais para os reis de tão imprudente política; o mal
feito a outros volta sobre eles mesmos (Ec_8:9); caem na fossa que
cavaram para outros (Es_7:10; Sl_7:15; Pv_26:27). Abrindo uma brecha
num muro defensivo de seu trono, sofrem inesperadamente eles mesmos;
como quando morde a pessoa a serpente escondida no muro do vizinho
(Sl_80:12), que ele maliciosamente derruba (Am_5:19.)
9. Quem arranca pedras — quer dizer, derrubando um edifício
antigo (Weiss). Os postes do vizinho (Holden). Da pedreira (Maurer).
será maltratado — pelas lascas, ou pelo machado que sai da
manga. No Oriente são comuns os aforismos fortes. O sentido é: As
violações da verdadeira sabedoria voltam a cair sobre os perpetradores.
10. Se o ferro está embotado, e não se lhe afia o corte —
“cortando a lenha” (v. 9), o que corresponde a “néscio elevado” (v. 6),
que necessita de acuidade. Em ambos os casos é preciso usar mais força;
mas a força sem o juízo faz perigo a alguém. “Se a pessoa embotou seu
ferro” (Maurer.) A preferência pelos conselheiros temerários aos
judiciosos, que envolveu a precipitação dos assuntos pela força, resultou
ser prejudicial a Roboão (1 Reis 12).
a sabedoria resolve — Traduza-se: “Mas convém a sabedoria para
dirigir,” em vez de forçar os assuntos para o prejuízo da própria pessoa
(Ec_9:16, 18).
11. Uma serpente morderá se não se usa o encantamento; assim o
enganador caluniador não é melhor. Portanto, como se pode escapar de
uma serpente encantando-a (Sl_58:4-5), assim pela discrição se pode
evitar a peçonha do caluniador (v. 12). (Holden.) Assim que, “não está
encantada,” corresponde a “se o ferro está embotado” (v. 10),
expressando ambas as frases a falta de juízo. Maurer traduz: “Não há
lucro para o encantado,” de seus encantamentos, porque a serpente
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 53
morde antes que faça uso deles; daí a necessidade da precaução contínua.
Vv. 8-10, precaução na ação; v. 11 e seguintes, precaução no falar.
12. cheias de graça (TB) — assim toma cuidado para evitar o dano
repentino (v. 11).
o devoram (RC) — (Pv_10:8, Pv_10:14, Pv_10:21, Pv_10:32;
Pv_12:13; Pv_15:2; Pv_22:11).
13. Ilustra a insensatez e o preconceito das palavras do néscio;
última cláusula do v. 12.
14. multiplica — Lit., “Está cheio de palavras” (Ec_5:2).
o homem não sabe o que sucederá — (Ec_3:22; Ec_6:12; Ec_8:7;
Ec_11:2; Pv_27:1.) Se o homem, universalmente (inclusive o sábio), não
pode predizer o futuro, muito menos o pode fazer o néscio; suas “muitas
palavras” são, pois, fúteis.
15. O trabalho do tolo o fatiga — (Is_55:2; Hc_2:13.)
nem sabe ir à cidade — provérbio que denota a ignorância dos
assuntos mais comuns (v. 3); espiritualmente, não sabe ir à cidade
celestial (Sl_107:7, Mt_7:13-14). Maurer relaciona o v. 15 com os que
seguem. O trabalho fatigante causado pelos néscios (príncipes maléficos,
vv. 4-7) fatiga àquele que “não sabe ir à cidade”, para poder pôr-se bem
com eles. Nossa versão é mais singela.
16. criança — menino, dado aos prazeres; comporta-se com
leviandade infantil. Não em anos; porque uma nação pode estar feliz sob
um príncipe jovem, como Josias.
se banqueteiam já de manhã — o tempo propício no Oriente para
administrar a justiça (Jr_21:12); aqui, entregue ao festejo (Is_5:11;
At_2:15).
17. filho de nobres — não meramente nobres de sangue, mas em
virtude, a verdadeira nobreza (Ct_7:1; Is_32:5, Is_32:8).
a seu tempo — no tempo devido (Ec_3:1), cumpridos já os
assuntos em trâmite.
para refazerem as forças — e isso para alimentar o corpo, e não
para orgias e bebedeira.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 54
18. teto — Lit., a juntura das vigas, ou seja, o reino (v. 16; Is_3:6;
Am_9:11).
mãos — (Ec_4:5; Pv_6:10).
tem goteiras (TB) — pelo descuido em reparar a tempo o teto.
19. Referindo-se ao v. 18. Em vez de reparar as brechas do domínio
(edifício figurativo), os príncipes fazem festa para “risada,” e bebem
“vinho” para alegria (Sl_104:15).
o dinheiro atende a tudo — satisfaz seus desejos provendo “tudo,”
isto é, recebem suborno para pagar suas extravagâncias; e daí se
suscitam os males que se perpetram (vv. 5, 6; Ec_3:16; Is_1:23;
Is_5:23). Maurer entende que “tudo” significa os males que os príncipes
são instigados a cometer pelo “dinheiro;” por exemplo, os impostos
onerosos, que causaram a perda das dez tribos para Roboão (1Rs_12:4,
etc.).
20. pensamento — Lit., consciência.
rico — o grande. A linguagem, que sugere que os príncipes
terrestres sabem o “pensamento,” é figurativo. Mas é uma realidade
referente ao Rei dos reis (Salmo 139), cujo conhecimento de todo
pensamento mau, deveríamos levar em conta.
quarto — dormitório, o lugar mais secreto (2Rs_6:12).
aves dos céus — proverbial (cf. Hc_2:11; Lc_19:40); de uma
maneira tão maravilhosa e rápida, como se as aves ou algum mensageiro
alado tivessem levado ao rei a informação da maldição assim
pronunciada. No Oriente se atribuía às aves uma sagacidade sobre-
humana (cf. Jó_28:21; daí o provérbio).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 55
Eclesiastes 11

1. O v. 2 demonstra que aqui se inculca a caridade.


pão — Como no Pai Nosso, todo o necessário para o corpo e alma.
Salomão volta ao sentimento (Ec_9:10).
águas — figura tirada do costume de lançar a semente de botes
sobre as águas transbordantes do Nilo, ou, sobre terrenos pantanosos.
Depois da vazante das águas, o grão brotava da inundação (Is_32:20).
“Águas” expressa multidões; como o v. 2; Ap_17:15; também o caráter
pelo que parece sem esperança dos recipientes da caridade; mas será
comprovado afinal que não foi atirado (jogado) (Is_49:4).
2. Reparte — de seu pão.
sete — o número perfeito.
oito — ainda mais que sete, isto é, a muitíssimos (como “águas”,
no v. 1); sim, aos muitos necessitados (Jó_5:19; Miq_5:5).
mal — pode ser que esteja perto o dia em que você necessitará o
socorro daqueles que foram ligados a você por suas bondades (Lc_16:9).
É o mesmo argumento que usam os avarentos contra a liberalidade (ou
seja, que podem vir dias difíceis), os sábios o usam a favor dela.
3. nuvens — corresponde a “mal” (v. 2), e significa: Quando
estiverem amadurecidos os tempos do mal, o mal deve sobrevir; a
especulação anterior a respeito dele, de modo a evitar que alguém semeie
a semente da liberalidade, é vã (v. 4).
árvore — uma vez desarraigada, jaz para o norte ou para o sul,
conforme tenha caído. Assim o caráter do homem é imutável, quer seja
para o inferno ou para o céu, no dia que a morte o alcança (Ap_22:11,
Ap_22:14-15). Agora é o tempo para liberalidade, antes que venha o
mal.
4. Portanto semeie sua caridade em fé, sem vacilação nem
especulações a respeito dos resultados, porque estes poderão parecer não
tão promissores (Ec_9:10). Assim no v. 1, manda-se ao homem lançar o
seu “pão sobre as águas” de tão pouca promessa aparentemente
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 56
(Sl_126:5-6). Sairia muito mal o agricultor que, em vez de semear e
segar, passasse o tempo olhando o vento e as nuvens.
5. vento — mais provável, o espírito, como dá vida ao corpo.
Assim a transição à ideia da formação do corpo na matriz é mais natural
do que seria traduzindo-o, como Maurer, por vento (Ec_1:6; Jo_3:8).
como se formam os ossos — (Jó_10:8-9; Sl_139:15-16.)
não sabes as obras de Deus — (Ec_3:11; Ec_8:17; Ec_9:12.)
6. pela manhã … à tarde — cedo e tarde; quando jovens e quando
velhos; ao sol e sob as nuvens.
semente — de obras piedosas (Os_10:12, 2Co_9:10; Gl_6:7).
qual prosperará — (Is_55:10-11).
se aquela ou se ambas — o que se semeia, promissor ou o
contrário, pode ser que leve bom fruto em outros; sem dúvida o levará
para o semeador fiel.
7. luz — a luz da vida (Ec_7:11; Sl_49:19). A vida é agradável,
principalmente aos piedosos.
8. Mas mesmo quando o homem agradecido desfrute da vida, que
se lembre que não dura para sempre. Os “muitos dias das trevas,” quer
dizer, do mundo invisível (Jó_10:21-22; Sl_88:12), também dias de
“males” neste mundo (v. 2) devem vir; portanto que se semeie a boa
semente enquanto durar a vida e os dias bons, que não nos sobram para
levar a cabo os deveres da vida.
Tudo quanto sucede — quer dizer, tudo o que se segue nos dias
maus e de trevas é (será) vaidade, assim que concerne a obra que é para
Deus (Ec_9:10).
9. Alegra-te — não é conselho, mas sim advertência. Assim
também 1Rs_22:15 é ironia; se alegrar-te (carnalmente, Ec_2:2; Ec_7:2,
não com moderação, como no Ec_5:18), etc., então “sabe que … Deus te
trará a juízo” (Ec_3:17; Ec_12:14).
juventude … mocidade — vocábulos hebraicos distintos: a
adolescência e a juventude em pleno desenvolvimento. Indica o
progresso gradual nos prazeres físicos, tentações às quais a juventude
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 57
facilmente cede; veem as rosas, mas não descobrem os espinhos, até ser
furados por eles. A religião exige a abnegação, mas a falta dela resulta
muito mais cara (Lc_14:28).
10. o desgosto — ou tristeza, resultante das concupiscências, em
contraste com o “alegra-te,” e “recreie-se” (v. 9, margem). “desgosto”.
Se for “irritação”, corresponde a “caminhos de seu coração” (v. 9),
“remove,” em oposição a “anda neles (v. 9).
carne — o órgão físico pelo qual os pensamentos do “coração” se
realizam em atos.
adolescência (RC) — como no v. 9. Motivo para a continência; dia
virá quando o vigor da juventude, em que tanto confia, parecerá vão,
salvo se tiver sido consagrado a Deus (Lc_12:1).
juventude (RC) — Lit., o amanhecer de seus dias.
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 58
Eclesiastes 12

1. Como Ec_11:9, 10 ensina o que os jovens devem evitar, este


versículo demonstra o que devem seguir.
Criador — “Lembra-te” que você não é seu próprio dono; você é
propriedade de Deus; porque Ele o criou (Sl_100:3). Portanto, sirva-O
com seu “todo” (Mc_12:30), e com seus melhores dias, não com a
escória deles (Pv_8:17; Pv_22:6; Jr_3:4; Lm_3:27). O hebraico é
Criadores, no plural, que sugere a pluralidade de pessoas, como em
Gn_1:26; deste modo o hebraico em Is_54:5, “Criadores”.
antes que venham os maus dias — (Pv_8:26.), principalmente a
calamidade e a velhice, quando a pessoa já não pode servir a Deus, como
na juventude (Ec_11:2, 8).
contentamento — prazer sensual (2Sm_19:35; Sl_90:10). O prazer
em Deus continua na velhice piedosa (Is_46:4).
2. Ilustra “os maus dias” (Jr_13:16). “Luz,” “sol”, etc., expressam a
prosperidade, a “escuridão,” dor e calamidade (Is_13:10; Is_30:26).
nuvens … chuva — depois da chuva pode-se esperar o sol
(consolo), mas após breve olhada voltam as lúgubres nuvens (dor).
3. guardas da casa — ou seja, as mãos e os braços que protegem o
corpo, como fazem os guardas do palácio (Gn_49:24; Jó_4:19;
2Co_5:1), agora tremem pela paralisia.
se curvarem os homens outrora fortes — (Jz_16:25, Jz_16:30.)
Qual colunas que sustentam os pés e os joelhos (Ct_5:15); os membros
mais fortes (Sl_147:10).
moedores — literalmente.
cessarem — estarão ociosos.
os teus olhos nas janelas — os olhos; os poderes da vista, que
olham por debaixo dos pálpebras que se abrem e fecham quais janelas.
4. portas — os lábios, que se juntam muito como portas, quando os
velhos comem, para que a comida não caia fora (Jó_41:14; Sl_141:3;
Miq_7:5).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 59
da rua — a porta da rua, “as exteriores.” (Maurer e Weiss.)
alta voz — a dentadura gasta, os lábios “fechados” ao comer, é
dificilmente audível o som da mastigação.
das aves — o galo. No Oriente a pessoa se levanta geralmente à
alvorada. Mas os velhos com vontade levantam mesmo antes, do leito
insone, quer dizer, quando o galo canta, antes de amanhecer (Jó_7:4).
(Holden). O menor ruído os desperta. (Weiss.)
filhas da música — os órgãos que produzem e que desfrutam a
música; a voz e o ouvido.
5. o que é alto — os velhos se assustam de ascender uma colina.
te espantares — (lit., temores)
no caminho — até na rua plana estão cheios do temor de cair.
como floresce a amendoeira — no Oriente o cabelo é
principalmente preto. A cabeça branca entre os morenos é como a
amendoeira, com suas flores brancas, entre as árvores escuras
circunstantes (Holden). A amendoeira lança flores no caule sem folhas
no inverno (correspondente à velhice, quando todos os poderes dormem),
enquanto que as demais árvores estão sem flor. Gesênius toma o
hebraico florescer de una raiz distinta, lançar; quando o velho perde
seus cãs, como a amendoeira lança suas flores brancas.
gafanhoto — o velho seco e enrugado; sua espinha dorsal curvada
para frente, seus braços caídos para trás, cabisbaixo, e as apófises
aumentadas, parece-se a tal inseto. Assim se originou a fábula do Titono,
que em grande velhice foi transformado em cigarra (Parkhurst). “A
cigarra (tradução talvez preferível a gafanhoto) eleva-se para voar;” o
ancião que está para deixar o corpo é como a cigarra quando assume sua
forma alada e está para voar. (Maurer.)
o gafanhoto te for um peso — seu corpo lhe deve ser uma carga.
te perecer o apetite — já não há satisfações. Em vez de apetite a
Vulgata tem “carpe,” provocador do desejo; não cai bem aqui.
vais à casa eterna — (Jó_16:22; Jó_17:13.)
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 60
os pranteadores — (Jr_9:17-20), contratados para a ocasião
(Mt_9:23).
6. Figura dupla que representa a morte, como os vv. 1-5, à velhice.
(1) A lâmpada de matéria frágil, mas no Oriente, dourada,
pendurada com frequência do teto com uma corda de seda e prata tecida,
como a lâmpada faz-se pedacinhos ao cortá-la corda, assim o homem ao
vir a morte: a terrina de ouro da lâmpada corresponde ao crânio, que,
pela preciosidade vital de seu conteúdo, pode chamar-se “de ouro,”
dourado; a “cadeia de prata” é a medula espinhal, e se liga com o
cérebro.
(2) A fonte de onde se tira a água com um cântaro e uma soga posta
sobre uma roda; como, quebrados o cântaro e a roda, não se possa tirar
mais água, assim a vida cessa quando se esgotam as energias vitais. A
“fonte” pode ser que signifique o ventrículo direito do coração; o
“poço,” o esquerdo; o cântaro, as veias; a roda, a aorta (Smith). A
circulação do sangue, fosse ou não conhecida por Salomão, parece estar
implícita na linguagem que o Espírito Santo põe na boca dele. Este
lúgubre quadro da velhice aplica-se aos que “não se lembraram de seu
Criador na juventude.” Não têm nenhum dos consolos de Deus; que
tivessem podido conseguir na juventude; já é tarde demais para buscá-
los. Uma boa velhice é uma bênção para os piedosos (Gn_15:15;
Jó_5:26; Pv_16:31; Pv_20:29).
7. o pó — da terra: o corpo formado dele.
espírito — que sobrevive ao corpo; envolve sua imortalidade
(Ec_3:11).
8-12. Resumo da primeira parte.
Vaidade, etc. — A renovação do sentimento com que principiou o
livro (Ec_1:2; 1Jo_2:17).
9. ensinou ao povo o conhecimento — lit., pesou. O ensino do
povo parece ter sido oral; os “provérbios”, por escrito. Deve ter havido
pois auditores congregados para ouvir a inspirada sabedoria do
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 61
pregador. Veja-se a explicação de “Qohelet” na Introdução e em
Eclesiastes 1 (1Rs_4:34).
conhecimento — Procurou escrever justa ou corretamente as
“palavras de verdade.” (Holden e Weiss.) “Agradáveis” significa bom
estilo; “escritura reta,” sentimento devido.
11. aguilhões — que se afundam na hortelã (At_2:37; At_9:5;
Hb_4:12); evidentemente palavras inspiradas, como o fim do versículo
comprova.
fixados — antes, pelo gênero das palavras no hebraico: “(As
palavras) estão fincadas (na memória) como pregos.” (Holden.)
mestres de assembleias — antes, “aos mestres de coleções (quer
dizer, colecionadores de ditos inspirados; Pv_25:1) são dados (os ditos)
(levantados como atas [Holden]) por um Pastor,” ou seja, pelo Espírito
de Jesus Cristo (Weiss) (Ez_37:24). Entretanto, a menção de “aguilhões”
favorece a versão: “como pregos fincados pelos mestres …” quer dizer,
pelos subpastores, inspirados pelo Sumo Pastor (1Pe_5:2-4). Schmidt
traduz: “Os mestres … estão fincados (assegurados) como pregos,”
como em Is_22:23.
12. (Veja-se Is_1:18.)
muitos livros (TB) — de mera composição humana, em contraste
com “filho meu, sê admoestado,” (admoestado, uma possível tradução,
TB); estes escritos inspirados são a única fonte segura de aviso de
advertência.
muito estudar — estudo em excesso, dos livros meramente
humanos, cansa o corpo, sem proveito sólido para a alma.
13, 14. Resumo da segunda parte.
13. A grande inferência de todo o livro.
Teme a Deus — o antídoto para o culto às criaturas, e as
“vaidades,” fosse a justiça própria (Ec_7:16, 18), ou a opressão
maliciosa e outros males (Ec_8:12, 13), ou a alegria desenfreada
(Ec_2:2; Ec_7:2-5), ou a avareza atormentadora (Ec_8:13, 17), ou a
juventude esbanjada sem Deus (Ec_11:9; 12:1).
Eclesiastes (Jamieson-Fausset-Brown) 62
o tudo do homem (TB) — o ideal pleno do homem, como foi
originalmente determinado, realizado completamente só por Jesus
Cristo: e por meio dEle pelos santos, agora em parte, e no além
perfeitamente (1Jo_3:22-24; Ap_22:14).
14. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras — O juízo
futuro será a prova final do que é “vaidade,” pelo que é sólido, com
relação ao sumo bem, o grande tema do livro.

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