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SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS

SUBSECRETARIA DE DESENVOVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

DIRETRIZES PEDAGÓGICAS PARA


ATENDIMENTO EDUCACIONAL
AO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO
NO ESTADO DE MINAS GERAIS
Sumário
APRESENTAÇÃO............................................................................................................................. 3
JUSTIFICATIVA ............................................................................................................................... 4
ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................................................................ 6
ORGANIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO .............................................................................................. 8
O CURRÍCULO ............................................................................................................................ 9
O PLANO DE AÇÃO COMUNITÁRIA E O LIVRO PORTFÓLIO ..................................................... 11
ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL .................................................................................. 13
ORGANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL PARA OS ADOLESCENTES EM
CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE INTERNAÇÃO PROVISÓRIA ...................................................... 14
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO ............................................................................................... 16
LEGISLAÇÃO DE REFERÊNCIA ...................................................................................................... 20
ANEXOS ....................................................................................................................................... 21
APRESENTAÇÃO
Garantir uma educação básica de qualidade aos estudantes mineiros tem sido
o grande desafio da Secretaria de Educação de Minas Gerais – SEE/MG.
Compreende uma tarefa ampla onde é fundamental o esforço coletivo e
intersetorial por parte da comunidade escolar e das instituições da sociedade
civil na construção de uma Política Pública pautada pela garantia de direitos.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8.069/90, dispõe em seu Art.


121, que “a internação constitui medida privativa de liberdade, sujeita aos
princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de
pessoa em desenvolvimento”. A garantia dos direitos dos adolescentes em
cumprimento de medida socioeducativa está consolidada também no Sistema
Nacional de Atendimento Socioeducativo - SINASE, regulamentado pela lei nº
12.594 de 18 de janeiro de 2012, que institui o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo - SINASE, bem como a Resolução CNE/CEB nº
03, de 3, de maio de 2016, que estabelece as Diretrizes Nacionais para o
atendimento escolar de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas
socioeducativas. Portanto, orientam as entidades que executam as medidas
socioeducativas de internação no sentido da garantia de acesso a todos os
níveis de educação formal aos adolescentes e jovens em privação de
liberdade, considerando suas especificidades.

O Estado de Minas Gerais possui 24 Unidades Socioeducativas, que são


administradas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, por meio da
Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo. Os adolescentes em
Cumprimento de Medidas Socioeducativas nas referidas Unidades, recebem
atendimento escolar, por meio de Escolas Estaduais.

Este documento apresenta as diretrizes que deverão ser adotadas pelas


escolas da rede estadual de ensino de Minas Gerais, que atendem ao Sistema
Socioeducativo no desenvolvimento da Educação Básica a partir do ano letivo
de 2017.

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JUSTIFICATIVA
Verifica-se que a maior parte dos adolescentes atendidos nas Unidades
Socioeducativas não possui vínculos com a escola: encontram-se evadidos,
não matriculados ou mesmo quando matriculados estão infrequentes. As
consequências deste fenômeno são, dentre outros, um grande número de
adolescentes com distorção idade/ano de escolaridade e que apresentam
dificuldades na construção e consolidação dos conhecimentos escolares.

A Diretoria de Gestão da Informação e Pesquisa (DIP) da Subsecretaria de


Atendimento às medidas Socioeducativas de Minas Gerais mensurou, em
2015, o percentual de adolescentes que está acima da idade recomendada
para determinado nível de escolaridade, isto é, com distorção idade/ano,
comparando os números do sistema socioeducativo com os das escolas do
Estado fora deste contexto.

Segundo este levantamento, em 2015 a taxa de distorção idade/ano de


escolaridade no Ensino Fundamental nas escolas públicas estaduais de Minas
Gerais foi de 27,2%. Analisando a escolaridade dos adolescentes que chegam
à medida de internação e semiliberdade, esta distorção atingiu o índice 99,7%,
sendo que, deste percentual, cerca de 20% dos adolescentes apresentam
média de 4,3 anos de distorção entre a idade e ano em que se encontram
matriculados.

Conclui-se, a partir dos dados anteriores, que há uma clara relação entre a
trajetória infracional e o distanciamento da escola, uma vez que quase 100%
dos jovens atendidos pelo sistema socioeducativo possuem distorção
idade/ano e consequente defasagem do conhecimento.

Para enfrentar o desafio na melhoria da qualidade da educação pública de


Minas Gerais a SEE/ MG busca, na prática de suas ações, o desenvolvimento
de políticas educacionais que visem gerar transformações construtivas no
ambiente escolar. Uma dessas políticas está sendo materializada com a
implantação das diretrizes pedagógicas para o Sistema Socioeducativo,
fundada no compromisso de assegurar a todos os estudantes um ensino de
qualidade.

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Buscando como referência o aparato legal normativo, os programas de
aceleração da aprendizagem estão na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - Lei nº. 9394/96 (LDB). A referida Lei estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional e orienta para as formas de organização dos
sistemas escolares. Para a autonomia e flexibilidade da organização dos
sistemas de ensino e suas propostas pedagógicas a LDB em seu Artigo 23
aponta que: “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais,
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos
não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por
forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de
aprendizagem assim o recomendar”.

Nesse sentido, essa proposta fundamenta-se em crenças e valores, que


envolvem, por excelência, as atitudes da convivência no grupo, na perspectiva
de reconhecimento da sua função social. O currículo deverá ser trabalhado de
forma interdisciplinar com metodologia que contemple o atendimento das
características dos adolescentes.

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ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Em consonância com a Resolução SEE nº 2197/2012, para o Ensino
Fundamental, serão organizadas turmas de aceleração de estudos, com em
média 12 estudantes, enturmados conforme indicado abaixo:

- Aceleração I: tem como foco os estudantes dos anos iniciais do Ensino


Fundamental, sendo as turmas compostas de estudantes do 1º ao 5º ano.

Estas turmas terão a duração de 1 (um) ano, totalizando 200 dias letivos, com
uma carga horária mínima de 800 horas.

A Matriz Curricular da Aceleração I é composta pelas disciplinas Língua


Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Arte, Ensino Religioso e
Educação Física (Anexo I).

O desenvolvimento da proposta deverá ser fundamentado na pedagogia de


projetos, com ênfase no trabalho interdisciplinar, aprofundamento e
consolidação das habilidades vinculadas aos processos de alfabetização e
letramento de Língua Portuguesa e Matemática1.

- Aceleração II: destina-se aos estudantes dos anos finais do Ensino


Fundamental e se organiza em dois períodos, sendo o 1º Período
correspondente aos estudos do 6º e 7º anos e o 2º Período, aos estudos do 8º
e 9º anos. Cada período terá duração de 1(um) ano, totalizando, 200 dias
letivos e o mínimo de 800 horas para o cumprimento da Base Nacional
Comum.

A Matriz Curricular da Aceleração II é composta pelas disciplinas Língua


Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Arte, Ensino Religioso,
Educação Física e Inglês (Anexo II).

A perspectiva metodológica da aceleração busca garantir aprendizagens


estruturadoras e significativas que valorizem os conhecimentos prévios
apresentados pelos estudantes, conectando-os aos conhecimentos
historicamente organizados no currículo escolar. Desta forma os processos de

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Será disponibilizado material de apoio pedagógico aos profissionais da educação para
desenvolvimento do trabalho junto aos estudantes

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aceleração garantem a construção da identidade, o fortalecimento da
autoestima e a possibilidade de continuidade da trajetória escolar.

A avaliação da aprendizagem nos processos de aceleração deve estar


fundamentada em acompanhamento sistemático e contínuo de cada estudante
em relação ao desenvolvimento das habilidades e competências propostas
pelo professor. O alinhamento entre o que se ensina, o que se avalia e como
se avalia é fundamental para que os resultados realmente informem do
desenvolvimento destes estudantes durante um processo e não apenas se
materializem como produto de medida quantitativa.

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ORGANIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO
Pautados no artigo 25 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei
nº. 9394/96 (LDB) e a partir da adaptação do Projeto Pró-jovem Urbano e Pró-
jovem Médio do Ministério da Educação, construímos uma proposta
pedagógica que abrange um Ensino Médio que:

I) entende o jovem como sujeito de direitos, valorizando suas expressões


culturais, seus saberes, suas emoções, sensibilidades, sociabilidades, ações
éticas e estéticas.

II) conceitua a aprendizagem em um currículo integrado, interdisciplinar e


interdimensional, onde se espera que o jovem atue como sujeito, construtor de
aprendizagens integradas formando um todo que faça sentido para ele e em
que a aprendizagem só se efetive quando o estudante conseguir relacionar os
novos conhecimentos com suas experiências prévias e situá-los nas diferentes
dimensões de sua vida.

Nessa proposta a aprendizagem é vista como um processo socialmente


construído por meio da participação ativa, do diálogo, da troca de experiências
e significados e da colaboração entre as pessoas, implicando envolvimento
ativo e multidirecional do sujeito. Nessa perspectiva, o aprendiz age sobre as
mensagens recebidas, transformando-as ativamente para integrá-las, tanto
quanto possível, aos conhecimentos que já possui.

A aprendizagem se vincula, portanto, a situações problematizadoras que


permitem ao estudante, por meio da reflexão e da ação, articular novos
desafios, problemas e informações a partir dos fatos e experiências do
cotidiano, os quais, nesse contexto de resolução de problemas, se diferenciam
e se desprendem das vivências particulares, do senso comum, passando ao
campo dos conceitos científicos. Esse referencial influi diretamente sobre a
noção contemporânea de currículo e os processos por meio dos quais as
propostas curriculares são organizadas e implementadas.

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O CURRÍCULO
A palavra currículo teve diferentes significados ao longo da história da
Pedagogia. Numa perspectiva mais tradicional, significa a lista dos conteúdos
de um curso. As ideias mais atuais veem o currículo, não como algo feito, mas
como algo que se faz ao longo do tempo, e é essa concepção que adotaremos
para a oferta do Ensino Médio aos jovens em cumprimento de medida
socioeducativa de internação em MG, considerando o currículo como um
processo que envolve escolhas, conflitos e acordos que se dão em
determinados contextos com a finalidade de se propor o que vai ser ensinado e
como vai ser ensinado. O resultado desse processo é chamado currículo
formal, que, na escola e, principalmente na sala de aula, transforma-se em
currículo real, ou seja, aquilo que efetivamente é ensinado/aprendido, nas
interações com professores e colegas e, em geral, nas experiências
vivenciadas no contexto escolar. O currículo real, portanto, se concretiza no
cotidiano da escola, ao longo do tempo.

Assim apresentamos uma proposta curricular que orienta a organização dos


tempos e espaços pedagógicos com 25 aulas semanais, 5 aulas diárias,
organizadas em três anos letivos com duração mínima de 2400 horas e os
componentes curriculares distribuídos por área de conhecimento (Anexo III):

A) Linguagens (Prof. de LP)


B) Matemática (Prof. de Matemática)
C) Ciências da Natureza (Professor de Fis ou Quim ou Bio)
D) Ciências Humanas.(Prof. de Geo ou Hist ou Fil ou Sociologia)
E) Plano de Participação Cidadã

Para cada área um professor orientador das unidades formativas e um


professor articulador de um plano de Participação Cidadã. Esse professor
ajudará os jovens a produzir textos, compondo um livro-portfólio, em eixos
integradores que farão a articulação entre o eixo estruturador trabalhado ao
longo de um ano letivo em cada área do conhecimento e sua experiência
vivenciada.

Dentro das áreas entendemos que cada disciplina tem um modo específico de
ver a realidade e o conhecimento desses diferentes pontos de vista é
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importante para que o jovem possa de fato construir sua subjetividade e
conquistar sua inclusão social no mundo de hoje. A admissão dessas
especificidades, porém, não implica separar, mas sim distinguir as
contribuições de cada disciplina. Nessa perspectiva deve-se deixar claro que,
qualquer que seja a seleção de conteúdos para um currículo, feita por meio de
debates e acordos entre grupos de educadores, ela não é a única possível.

Os conteúdos têm de ser selecionados em função dos estudantes e das


singularidades do território em que vivem e das relações que se estabelecem,
segundo sua importância para o desenvolvimento de determinado projeto
pedagógico. Nesse caso, os conteúdos tornam-se instrumentos da formação
pretendida e compreendem, além dos cognitivos, os conteúdos procedimentais
e atitudinais.

Assim a proposta curricular do EM para jovens em cumprimento de medida


socioeducativa de internação tem como princípio fundamental a Formação
Básica e a Participação Cidadã. Propõe-se aliar teoria e prática, formação e
ação para que esses princípios possam fortalecer-se mutuamente.

Neste contexto o Projeto Participação Cidadã é entendido como uma dimensão


essencial do currículo integrado, permitindo a realização de trabalhos coletivos
e associados a outros componentes curriculares. No desenvolvimento dessa
dimensão curricular, os jovens aprendem a avaliar suas escolhas e ações e os
alcances e consequências destas, as formas de encaminhamento das suas
demandas e/ou dos cidadãos/grupos sociais e os meios de resposta possíveis,
sendo levados a compreender a importância e a eficácia do trabalho coletivo e
solidário e tudo que isso pode representar em termos de aprendizado e
desenvolvimento de competências e habilidades, visando à participação social
e ao exercício da cidadania.

O trabalho com este projeto envolve aulas teórico-práticas e a


elaboração/implementação/avaliação de um plano de intervenção na
comunidade em que vivem, o Plano de Ação Comunitária – PLA e a produção

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de um livro portfólio a partir de temas integradores do currículo , dos eixos
estruturadores e das unidades formativas2.

O PLANO DE AÇÃO COMUNITÁRIA E O LIVRO PORTFÓLIO


Plano de Ação Comunitária – PLA é um plano a ser elaborado, desenvolvido,
avaliado e sistematizado ao longo do curso, em cada ano letivo, no Projeto
Participação Cidadã. Tem como referência a ideia de que participar e exercer
cidadania são ações que se aprendem fazendo. Inicia-se pela construção de
um mapa de desafios relacionados às realidades vivenciadas por estes jovens,
que exige o conhecimento do espaço, de suas limitações e problemas
especialmente da realidade social (ou local) que eles estão inseridos. O PLA
implica uma experiência de trabalho cooperativo e de responsabilidade
solidária com o grupo, essenciais para a formação de um jovem que se importa
em participar de alguma mudança na sociedade em que vive. Nas aulas e
oficinas, discutem-se questões como direitos humanos, direitos do consumidor,
acesso aos bens e serviços públicos, ética e cidadania, assim como questões
de saneamento, saúde pública, qualidade e acessibilidade dos serviços
públicos, preservação do meio ambiente, violência, drogas, sexualidade,
participação social, direito à cultura e ao lazer, liberdade de escolhas, entre
tantos outros.

Nessas aulas também deverão ser produzidos textos pelos estudantes como
resultado de um trabalho específico com temas integradores. Esse processo
deriva da concepção de interdisciplinaridade adotada na proposta, que requer a
criação de condições para os jovens se apropriarem dos conteúdos, não em si
mesmos, mas como suporte para o desenvolvimento das habilidades de
diferentes tipos, dos valores e atitudes, enfim, das competências buscadas pelo
curso. Os textos devem ser produzidos a partir de temas integradores. Os
temas integradores se relacionam muito de perto com a vida e as emoções dos
jovens mobilizando-os ao mesmo tempo como pessoas e como estudantes,
levando-os a organizar os novos conhecimentos (de natureza emocional,
cognitiva, ética e estética) de modo a relacioná-los não apenas com suas
experiências passadas (seus conhecimentos prévios), mas também com o que
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Será disponibilizado material de apoio pedagógico aos profissionais da educação para
desenvolvimento do trabalho junto aos estudantes

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sonham e desejam ser no futuro. Para o currículo do EM para jovens em
cumprimento de medida socioeducativa de internação são propostos três
temas integradores:

(i) Identidade do Jovem e os “Territórios” da Juventude;


(ii) Juventude e Qualidade de Vida e
(iii) Identidade Juvenil e Responsabilidade Social.

Esses Temas integradores deverão em cada ano dialogar com os Eixos


Estruturadores do ano, quais são:

Ano I: Juventude e Território

Ano II: Juventude e Política

Ano II : Juventude e Transformação

Os temas integradores se desdobram nas unidades, abordando, em cada uma,


aspectos relacionados ao eixo estruturante, ou seja, cada eixo é retomado e
ampliado diversas vezes ao longo do curso. Essa estratégia de desdobramento
decorre da ideia de não ampliar muito o número de temas focalizados no
currículo, mas sim criar condições para que o estudante adquira “desenvoltura”
em relação ao que foi selecionado. Por isso, é importante que, à medida que o
curso for avançando, os estudantes sejam encorajados a relacionar os próprios
temas integradores entre si. Para que o estudante chegue a cada síntese, são
desenvolvidas diferentes atividades, como: estudo de trechos dos textos
especialmente escolhidos ou elaborados para o curso, discussões em
pequenos grupos, esclarecimento de dúvidas pelo professor orientador da
turma, exibição e comentário de filmes, entrevistas e outras mais a serem
planejadas de acordo com os interesses e necessidades do grupo.

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ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INTEGRAL
As atividades de Educação Integral nas Unidades Socioeducativas, deverão
ser ofertadas considerando:

 mínimo de 15 horas semanais, computadas para cada estudante;


 obrigatoriedade do acompanhamento pedagógico, voltado para as
dificuldades apresentadas pelo grupo de estudantes atendidos;
 cômputo das horas, para as ações de Educação Integral, das oficinas já
desenvolvidas na rotina de cada estudante, desde que possam ser
incorporadas a algum macrocampo e validadas pela Educação Integral;
 número mínimo de 10 estudantes por turma;
 Acompanhamento Pedagógico deverá contemplar 08 horas semanais e
as outras sete horas poderão ser contempladas com a escolha de dois
macrocampos, entre eles: Cultura, Artes e Educação Patrimonial;
Esporte e Lazer; Comunicação, Uso de Mídias e Cultura Digital e
Tecnólogica; Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável e
Economia Solidária e Criativa/ Educação Econômica ou Agroecologia3,
tomando o cuidado para que cada atividade escolhida não tenha carga
horária inferior a três aulas semanais..

Outro ponto a ser destacado é o monitoramento das turmas durante o


ano no SMADE, cuidando para que o número de estudantes não
diminua; É preciso manter o sistema atualizado acrescentando novos
estudantes em substituição aos que forem sendo desligados das
escolas, ou fazendo a fusão de turmas, não sendo permitida a turmas
esvaziadas.

Os casos que não se adequarem nessas orientações deverão ser analisados


individualmente pela coordenação Geral da Educação Integral, SESP e
SEE/MG.

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Será disponibilizado material de apoio pedagógico aos profissionais da educação para
desenvolvimento do trabalho junto aos estudantes

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ORGANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO
EDUCACIONAL PARA OS ADOLESCENTES EM
CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE
INTERNAÇÃO PROVISÓRIA
A medida de internação provisória é compreendida pelo período em que
adolescentes que cometeram atos infracionais permanecem privados de
liberdade aguardando sentença. Esta medida judicial, aplicada mediante
flagrante precisa ser fundamentada pela autoridade competente e não pode ser
superior a 45 (quarenta e cinco dias) conforme previsto no Art. 108 do Estatuto
da Criança e do Adolescente – ECA.

Considerando o curto período da medida de internação provisória e, sobretudo,


a necessidade de se garantir atendimento educacional de qualidade a estes
adolescentes, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, apresenta
uma proposta pedagógica específica, de acordo com o que preconiza a
Resolução CNE/CEB nº 03, de 3 de maio de 2016, que estabelece as
Diretrizes Nacionais para o atendimento escolar de adolescentes e jovens em
cumprimento de medidas socioeducativas.

A proposta pedagógica para os jovens que se encontram em cumprimento de


medida de internação provisória é desenvolver habilidades por meio de
Oficinas de Língua Portuguesa e Matemática4. Essas oficinas devem criar
oportunidades de interação que ajudem os jovens a completar o processo de
construção de conhecimentos, em relação aos quais não adquiriram
independência, necessitando ainda de ajuda para consolidá-los, ampliando
seu letramento.

Os professores serão contratados em um modelo de unidocência (regente de


turmas) com carga horária de 20 horas semanais e exercerão a função de
mediadores de aprendizagens no desenvolvimento das Oficinas.

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Será disponibilizado material de apoio pedagógico aos profissionais da educação para
desenvolvimento do trabalho junto aos estudantes

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Cabe a esses centros oferecer atividades pedagógicas e emitir, ao final da
passagem do estudante pela instituição, declaração de horas cumpridas por
ele, para que prossiga seus estudos, ou seja, reencaminhado para sua escola
de origem ou outras escolas de ensino regular.

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PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
A partir das diversas constatações, reflexões e orientações registradas acima
se faz necessário oferecer às escolas estaduais que atendem ao Sistema
Socioeducativo diretrizes pedagógicas para construção de um Projeto Político
Pedagógico que atenda às especificidades dessa demanda.

O Projeto Político Pedagógico para as escolas que atendem aos jovens em


cumprimento de medida socioeducativa em Minas Gerais, ancorado na
especificidade da demanda, deverá contemplar estratégias que garantam a
progressão com qualidade nas etapas da educação básica, buscando corrigir a
distorção idade/ano, num processo de desenvolvimento dos conhecimentos,
habilidades e competências dos estudantes. Este processo deve resgatar a
autoestima desses adolescentes e jovens, respeitando o tempo de aprendizado
de cada um e fazendo com que acreditem na capacidade que têm de aprender.

Para tanto, os profissionais que atuam na formação destes adolescentes e


jovens devem considerar as singularidades desta etapa de desenvolvimento,
seus códigos e linguagens, buscando oferecer experiências de aprendizagem
relevantes, que possuam sentido e significado e que propiciem oportunidades
de ressignificação de valores e construção de competências para a
participação na vida social de forma crítica e emancipatória a partir dos
seguintes eixos:

 Aprender a conhecer: domínio de instrumentos de autonomia intelectual;


 Aprender a fazer: domínio de meios para agir sobre a realidade;
 Aprender a conviver: domínio de participação e solidariedade em todas
as atividades humanas;
 Aprender a ser: domínio de autoconhecimento de sua personalidade e
realização pessoal.

Essas aprendizagens, segundo a UNESCO, constituem os quatro pilares da


educação para o século XXI.

Portanto, a construção do PPP deve alicerçar-se sobre os seguintes


pressupostos:

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 Desenvolver alternativa pedagógica de aprendizagem em tempo
flexível, fundamentada em aprendizagens significativas, orientadas
pelo desenvolvimento de um currículo básico e do fortalecimento
da autoestima.
 Estratégias pedagógicas que considerem a realidade do aluno.
 Respeito à individualidade a ao tempo de aprendizado de cada um.
 Respeito às peculiaridades e cultura da juventude e adolescência.
 Material pedagógico adequado ao público alvo.
 Avaliação formativa, processual e contínua do estudante e dos
processos de construção do conhecimento.
 Ênfase no desenvolvimento da autoimagem positiva do estudante,
na sua capacidade de resolver situações do dia-a-dia e nas suas
possibilidades de aprender.
 Proposta articulada com a educação integral em todas as escolas
do Sistema Socioeducativo de Minas Gerais.
 Atividades escolares articuladas com o mundo do trabalho.
 Articulação com a família e sistemas de ensino para garantir a
continuidade da trajetória escolar após o desligamento.
 Valorização dos saberes e habilidades já construídas pelos
estudantes, privilegiando temas adequados à sua faixa etária.
 Formação continuada dos professores buscando a construção de
práticas pedagógicas que promovam a autonomia, a reconstrução
de valores e a reinserção social.

As estratégias pedagógicas a serem utilizadas na implementação das ações do


PPP nas unidades socioeducativas, devem priorizar a definição dos objetivos
de ensino, a organização do trabalho pedagógico sem fragmentação do
conhecimento e dos componentes curriculares e levar em consideração a
realidade sociocultural dos estudantes e o contexto da ação educativa.

Para tanto, o trabalho deve ser organizado a partir estratégias


interdisciplinares, priorizando o trabalho com Projetos Pedagógicos que
oportunizam o desenvolvimento de habilidades e competências de forma
contextualizada para a constituição de conhecimentos e valores que façam a

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diferença na vida dos adolescentes e jovens e que lhes assegurem a
continuidade dos estudos.

No processo de desenvolvimento de projetos pedagógicos as múltiplas formas


de diálogo e interação entre os conteúdos dos componentes curriculares e as
vivências dos estudantes são consideradas, promovendo situações que
despertam o desejo de aprender, estimulando e desafiando a curiosidade e a
criatividade, a solidariedade, a responsabilidade e a autonomia.

Assim, o espaço educativo se transforma em ambiente de superação de


desafios que dinamiza e ressignifica a aprendizagem, que passa a ser
compreendida como construção de conhecimentos e desenvolvimento de
competências em vista da formação cidadã.

Outra forma de organização do trabalho pedagógico que deve ser priorizada


são as sequências didáticas, pois possibilitam que os conhecimentos já
construídos pelos estudantes sejam consolidados e outros sejam construídos
progressivamente, uma vez que a organização dessas atividades prevê uma
progressão modular a partir dos conhecimentos que os alunos já possuem
sobre um determinado tema, possibilitando o domínio das habilidades
necessárias, em todas as suas dimensões, para o seu uso social. As
sequências didáticas possibilitam atividades diversas como leitura, pesquisas
individuais ou em grupos, aula dialogada, produções textuais, aulas práticas,
entre outras.

É necessário que durante o planejamento do trabalho pedagógico o professor


preocupe-se em selecionar atividades:

- que possibilitem a exploração do conhecimento prévio do estudante acerca do


que será ensinado/aprendido, produzindo feedback para o desenvolvimento do
trabalho;

- que possibilitem à exploração, o estabelecimento do conflito cognitivo, a


reflexão, o estabelecimento de relações entre os antigos e os novos
conhecimentos, a organização desses saberes, a troca entre os estudantes, a
sedimentação das aprendizagens, a aplicabilidade do aprendido na vida e a
autonomia;

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- de avaliação processual e formativa que possibilitem a verificação do que foi
aprendido e apontem o que é necessário retomar.

Neste sentido, ao receber este documento orientador cada escola deverá, num
processo coletivo e democrático, realizar a revisão dos seus documentos
pedagógicos, especialmente o PPP, no sentido de contemplar as estratégias e
ações que serão adotadas para a implementação da nova proposta pedagógica
de atendimento aos estudantes em cumprimento de medida socioeducativa de
internação.

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LEGISLAÇÃO DE REFERÊNCIA
Constituição Federal de 1988;
Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996;
Lei nº 11.692, de 10 de junho de 2008;
Decreto nº 6.629, de 4 de novembro de 2008;
Decreto nº 7.649, de 21 de dezembro de 2011;
Portaria MEC nº 993, de 1º de agosto de 2012
Resolução CNE/CEB 03/2016;
SINASE – Plano Nacional de Atendimento socioeducativo
Resolução SEE 2197/2012
Resolução MEC 08/2014

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ANEXOS

ANEXO I – Matriz Curricular Ensino Fundamental Anos Iniciais

MATRIZ CURRICULAR - MEDIDA SOCIOEDUCATIVA


Ensino Fundamental Anos Iniciais - Aceleração I
Carga
LEI Áreas do Componentes Aula Módulo
Horária
9394/1996 Conhecimento Curriculares Semanal Semestral Total
LÍNGUA
PORTUGUESA 5 200 200:00
LINGUAGEM
BASE COMUM E PARTE

EDUCAÇÃO FÍSICA 1 40 40:00


DIVERSIFICADA

ARTE 2 80 80:00
MATEMÁTICA MATEMÁTICA 5 200 200:00
CIÊNCIAS DA
NATUREZA CIÊNCIAS 2 80 80:00
GEOGRAFIA 2 80 80:00
CIÊNCIAS HISTÓRIA 2 80 80:00
HUMANAS ENSINO
RELIGIOSO 1 40 40:00
TOTAL 20 400 800:00
Semanas Letivas: 40
Dias Letivos: 200
Módulo Aula: 1 hora

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ANEXO II - Matriz Curricular Ensino Fundamental Anos Finais

MATRIZ CURRICULAR - MEDIDA SOCIOEDUCATIVA


Ensino Fundamental Anos Finais - ACELERAÇÃO II
1º PERÍODO 2º PERÍODO
6º e 7º ANOS 8º e 9º ANOS Carga
LEI Áreas do Componentes
Carga Carga Horária
9394/1996 Conhecimento Curriculares Aula Aula
Horária Horária Total
Semanal Semanal
Anual Anual
LÍNGUA
6 200:00 6 200:00 400:00
BASE COMUM E PARTE DIVERSIFICADA

PORTUGUESA
LÍNGUA
ESTRANGEIRA 1 33:20 1 33:20 66:40
LINGUAGENS
MODERNA
EDUCAÇÃO
1 33:20 1 33:20 66:40
FÍSICA
ARTE 2 66:40 2 66:40 133:20
MATEMÁTICA MATEMÁTICA 5 166:40 5 166:40 333:20
CIÊNCIAS DA
CIÊNCIAS 3 100:00 3 100:00 200:00
NATUREZA
GEOGRAFIA 3 100:00 3 100:00 200:00
CIÊNCIAS HISTÓRIA 3 100:00 3 100:00 200:00
HUMANAS ENSINO
1 33:20 1 33:20 66:40
RELIGIOSO
TOTAL 25 833:20 25 833:20 1666:40
Semanas Letivas: 40
Dias Letivos: 200
Módulo Aula: 50 min
O Ensino Fundamental Anos finais (equivalente ao 6º, 7º, 8º e 9º anos) será estruturado em 2 anos
com uma carga horária total de 1666:40 h/a

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ANEXO III - Matriz Curricular Ensino Médio

MATRIZ CURRICULAR - MEDIDA SOCIOEDUCATIVA


ENSINO MÉDIO
ANO I ANO II ANO III Carga
LEI Áreas do Componentes
Horária
9394/1996 Conhecimento Curriculares AS MA CHA AS MA CHA AS MA CHA Total
LÍNGUA
PORTUGUESA
BASE COMUM E PARTE DIVERSIFICADA

LÍNGUA
ESTRANGEIRA
LINGUAGENS 6 240 200:00 6 240 200:00 6 240 200:00 600:00
MODERNA
EDUCAÇÃO
FÍSICA
ARTE
MATEMÁTICA MATEMÁTICA 5 200 166:40 5 200 166:40 5 200 166:40 500:00
BIOLOGIA
CIÊNCIAS DA
FÍSICA 6 240 200:00 6 240 200:00 6 240 200:00 600:00
NATUREZA
QUIMICA
GEOGRAFIA
CIÊNCIAS HISTÓRIA
6 240 200:00 6 240 200:00 6 240 200:00 600:00
HUMANAS FILOSOFIA
SOCIOLOGIA
PROJETO PARTICIPAÇÃO CIDADÃ 2 80 66:40 2 80 66:40 2 80 66:40 200:00
TOTAL 25 1000 833:20 25 1000 833:20 25 1000 833:20 2500:00
Semanas Letivas: 40
Dias Letivos: 200
Módulo Aula: 50 min

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