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A relação água-cidade: transformações urbanas na metrópole do Rio de

Janeiro
As relações contemporâneas das cidades com os seus recursos hídricos vem
estabelecendo uma visão sobre a importância desse elemento nos territórios
urbanos, uma vez que o objetivo das primeiras civilizações era a busca pela
consolidação de seus núcleos próximos aos corpos d’água, devido às diversas
benesses decorrentes de tal prática. O processo de urbanização no período
moderno elevou a concentração de pessoas e desencadeou diversos problemas
sanitários, como as enchentes e as ocupações irregulares das margens, da qual
permitiram ao homem o domínio das técnicas de engenharia para alterar
definitivamente o caminho natural dos corpos hídricos em detrimento do
crescimento e de soluções para os problemas urbanos, ou seja, a negação desses
recursos. No entanto, o esforço nas últimas décadas para preservar os elementos
naturais das cidades vem ganhando forças nos dias atuais e diversas metrópoles
passaram a incorporar em seu plano diretor a inclusão dos corpos d’água no
ambiente urbano devido ao seu impacto paisagístico e ambiental, contribuindo para
o crescimento sustentável. O objetivo principal deste trabalho gira em torno do
diagnóstico das bases estruturais de projetos urbanos onde seus territórios são
cercados por elementos naturais (corpos d'água, geografia e paisagem), portanto,
nesta via são investigados tanto as estratégias e como as suas soluções estão
sendo desenvolvidas e postas em prática através de atividades urbanísticas que
resgatem o olhar para esses elementos. Prioritariamente é feita uma análise ao
projeto urbano Riverfirst para o Rio Minneapolis/EUA, onde o mesmo tem como
escopo utilizar o rio para reforçar as atividades econômicas, industriais e ambientais
da cidade através de conceitos sustentáveis e tecnológicos, conectando áreas de
lazer existente com novas áreas propostas. Paralelamente analisamos a
estruturação urbana de planos e projeto realizados na evolução urbana da cidade
do Rio de Janeiro, relacionando a sua postura frente aos corpos hídricos locais,
avaliando a forma como vem sendo desenvolvido seu posicionamento perante tais
corpos hídricos, centralizando o recorte espacial na região central e portuária desta
cidade, evidenciando sua relação corpos hídricos, apontando inclusive a relação
histórica existente entre os desmontes dos morros da região central e os aterros das
regiões portuárias e limítrofes à Baia de Guanabara. Tendo como intervalo temporal,
a vinda da Coroa Portuguesa à cidade colonial até o último plano urbano em curso,
o Porto Maravilha. Os resultados preliminares para o projeto Riverfirst apresenta a
expansão territorial da cidade a partir do Rio Minneapolis e seus elementos
morfológicos são condicionados ao desenvolvimento do território. As atividades de
lazer também estão concentradas junto às margens, porém dependendo dos
setores que caracterizam o uso e ocupação do solo, essas atividades perdem o
vínculo com as margens devido ao impacto que o seu entorno causa, ou seja, a
relação entre o tipo de atividade com a borda do rio não gera concentração de
pessoas e essa parte do tecido da cidade se torna inutilizada (não lugar). A proposta
do projeto Riverfirst é estabelecer novas frentes para esses espaços sem uso
vinculado as atividades industriais, ambientais, comunitárias e comerciais,
estabelecendo o contato das pessoas com seu elemento hídrico e fortalecendo a
integração ambiental e o crescimento sustentável da cidade, ou seja, enfatizar o rio
como o estruturador da cidade.